Os gigolôs da História

Sebastião Nery

Os gigolôs da História em todos os tempos são iguais. Hitler matou milhões porque achava que a Alemanha era ele e só ele poderia falar por ela. Mussolini prendeu Silvio Pellico, Antonio Gramsci, todo o Partido Socialista Italiano, porque queria que a Itália só falasse pela sua boca. Stalin cortou Leon Trotski da foto de 1917 para ficar sozinho com Lenin.

Bucci, mentindo como nunca…

No “Estado de S. Paulo”, um embusteiro, Eugenio Bucci, empregado de Lula e do PT, vomitou em cima da Historia:

1.-“O PT é um dos construtores, senão o principal, do Estado de Direito que hoje vivemos aqui. A começar pela derrubada da ditadura”. 2.-“Foram as greves do Sindicato dos Metalurgicos de São Bernardo do Campo, lideradas por Lula, que puseram contra a parede o aparato repressivo do regime militar, forçando o recuo definitivo.” 3. – “A campanha pelas Diretas-Já, que levou milhões às ruas em 1984, tinha José Dirceu na organização logística de todo o movimento”.

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ULYSSES

O economista, professor, três vezes deputado federal pelo MDB e PMDB do Paraná e ex-dirigente nacional do partido, Helio Duque, não resistiu à fraude. Escreveu uma resposta que teve a maior repercussão:

1.-“As três afirmações são mistificadoras, onde os verdadeiros personagens da luta para redemocratizar o Brasil são executados sem nenhuma piedade. A ampla frente democrática reuniu no MDB a sua fundamental estrutura. Prisões, perseguições, cassações, exílios e mortes, ao longo de década e meia, marcaram a vida dos seus militantes”.

2. – “Líderes na Câmara como Mario Covas (1969) e Alencar Furtado (1977) foram sumariamente cassados pelo Ato Institucional nº 5. Parlamentares como Marcio Moreira Alves, Lisâneas Maciel, Hermano Alves, tantos outros, para sobreviver buscaram o exílio. O saudoso Ulysses, a cada revés reagia: “O MDB é como clara,quanto mais batem mais cresce”

3. – “Em 1970, a criação, pelo valente Francisco Pinto, do grupo dos “Autênticos”, levou ao enfrentamento direto com a ditadura. Em 1974, o MDB elegeu 16 senadores e mais de 180 deputados federais. O grito de liberdade, que estava preso na garganta, se manifestava pela via eleitoral. O governo Geisel, após patrocinar centenas de prisões, entendeu o recado das urnas e anunciou a transição “lenta e segura”. No final do seu governo revogou o draconiano Ato Institucional nº 5. Chico Buarque e Gil, na música “Cálice”, proclamavam: “De tão gorda a porca já não anda/ de tão usada a faca já não corta”. O enfraquecimento da ditadura era real”.

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LULA

4. – “Em 1979, o Congresso Nacional aprovou a Anistia e restabeleceu as eleições diretas para os Estados. Afirmar que as greves, lideradas por Lula, é que forçaram o recuo definitivo é ficção da pior espécie. O PT só foi criado em 1980, quando a marcha para a redemocratização já era um fato. Afirmar ser o PT o principal responsável pelo Estado de Direito chega a ser risível. Em 1982, o MDB elegeu os governadores Franco Montoro, São Paulo; Tancredo Neves, Minas; José Richa, Paraná; Gerson Camata, Espírito Santo; Iris Rezende, Goiás; Jader Barbalho, Pará; Gilberto Mestrinho; Amazonas. E o PDT Leonel Brizola”.

5. – “Em 1984, quando as Diretas seriam votadas no Congresso, teve início a extraordinária mobilização da sociedade brasileira. Aqueles governadores eleitos pela oposição assumiram a linha de frente. O primeiro grande comício foi em Curitiba em janeiro de 1984. Logo depois, São Paulo e Rio de Janeiro levaram às ruas milhões de brasileiros. O PT havia eleito em todo o Brasil, seis parlamentares, liderados pelo extraordinário deputado Airton Soares, que tanta falta faz à vida política brasileira e foi expulso do PT por votar em Tancredo Neves no colégio eleitoral”.

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NADA DE DIRCEU

6. – “Diz Bucci que “a campanha das Diretas-Já teve José Dirceu na organização logística de todo o movimento”. Parlamentar, vice-líder e dirigente do PMDB, atesto a falsidade da afirmação. Ulysses Guimarães foi o principal condutor daquela epopeia histórica, sendo chamado pelo povo de “Senhor Diretas”, tendo em Montoro, Tancredo, Richa e Brizola, lideranças responsáveis pelo êxito mobilizador dos milhões de brasileiros”.

A História não é escrita por farsantes.

sebastiaonery@ig.com.br

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