Os Institutos começam a atacar de madrugada. O Datafolha examina os 20 milhões de votos desgarrados no primeiro turno, 51 por cento para Serra, 22 para Dilma. E os outros 27? Mas dão a vitória a Dilma, como dava antes.

Helio Fernandes

Arrogantes, prepotentes e imprudentes, reaparecem menos de uma semana depois de terem errado completamente. E insistem na sapiência, que é diferente da sabedoria ou competência. E desbastam, que palavra, mas é perfeita, os 20 milhões de votos obtidos (?) por Dona Marina.

Os Institutos “decodificaram” esses votos, com tanta segurança, mas a conclusão é natural: devem ter poderes extraordinários, acima da compreensão de qualquer cidadão. Nem estou contra os resultados e sim afirmando que não consigo entender como em tão pouco tempo trafegaram num caminho tão cheio de obstáculos, e chegaram ao final do trajeto, orgulhosos com os números que generosamente concordaram em dividir com o público.

Vamos transcrever e, lógico, decompor o que agora o Datafolha e os outros não demoram a revelar, “como ficará o segundo turno dessa eleição tumultuada”.

Graças a Deus, (todos agora são religiosos, não saem das igrejas), embora até ontem não tivessem a menor fé, que é muito mais importante do que qualquer religião. (O Paulo Sólon, partindo daqui, dará um show de conhecimento).

Sobre os votos de Marina, 20 milhões, vejamos como examinaram e concluíram, sem a menor base, 1 – Segundo o onipotente e onipresente Datafolha, Serra ficará com 51 por cento desse total. 2 – Dona Dilma, 22 por cento. 3 – Ora, examinavam a destinação de 100 por cento dos votos desviados para a candidata do PV, mas o total (informação do próprio Datafolha, chega apenas a 73 por cento?

4 – E os outros 27 por cento? Não contam, não valem, não são examinados, montados para um lado e diminuídos para o outro? 5 – Nem me interessa para que lado eles E-R-R-E-M, só quero mostrar a suficiência com que acumulam erros, vá lá, equívocos.

6 – 51 por cento de 20 milhões, (Constatação do Datafolha) representam ou representariam ligeiramente acima de 10 milhões de votos. Que deveriam (ou deverão, longe de mim duvidar das horas marcadas pelo respeitabilíssimo Big Ben), ser somados aos votos conseguidos por Serra no primeiro turno.

7 – Dona Dilma obteria 22 por cento dos 20 milhões que seriam transferidos matematicamente (royalties obrigatórios para o Instituto de excepcional competência e bom senso) para os dois.

8 – A candidata do PT, teria então mais 4 milhões de além dos que teve no primeiro turno, e que o Datafolha divide com a isenção do próprio Salomão.

9 – Convencido da segurança de suas conclusões, e imparcialmente, o Data transfere e transpõe as conclusões para o dia 31, e chega à seguinte conclusão.

10 – No final da noite de 31, (dois domingos á frente) Dona Dilma estará com 54 por cento dos votos válidos, e Serra com 46. Aí, finalmente acertaram. 54 mais 46, chega exatamente a 100 por cento. Que capacidade, que visão, que compreensão.

Perguntinha ingênua, inócua, inútil: não foi o próprio Datafolha que retumbou e proclamou que no PRIMEIRO TURNO, Dilma teria 54 por cento e Serra/Marina 46, e NÃO HAVERIA SEGUNDO TURNO? Agora, insistem nos ERROS e até repetem os números ENCONTRADOS e ULTRAPASSADOS pela realidade?

Além do mais, com essa conclusão o Instituto desvenda e constata a vontade do cidadão-contribuinte-eleitor, representada por esses 20 milhões que não foram nem para Dilma nem para Serra. (Não digo nem para o PV  ou para Dona Marina, pois eles mesmos, “lá dentro”, não se acertam em relação à procedência e conseqüência dessa votação).

No PV existem três tendências (ocasionais e conversáveis), e mais uma, que tem objetivo, rumo e destino certo, decidido, e não é de hoje. E o empresário dono da Natura, que compreensivelmente acredita que para suas convicções ou interesses, é muito mais favorável Serra presidente. Nenhuma dúvida, isso é apoiado e combatido dentro do próprio PV.

As outras tendências dos 20 milhões de votos desgarrados no primeiro turno, são conflitantes, hostis e divergentes dentro do partido. Dona Marina não pode e não quer se definir agora, tem e mantém a ilusão de 2014. (A hora é agora, Marina, você perdeu até no Acre, os outros candidatos tiveram mais votos no seu próprio território.

A segunda tendência é localizar a DEFINIÇÃO na cúpula do PV, sem ouvir Dona Marina, que realmente não tem voz nem voto no partido. O PV, internamente, está cheio de Temer, Geddel, Eduardo Alves, todos com a vocação de “leiloeiros”.

E finalmente, esse grupo que também não tem voto ou predominância, quer apenas cargos, conversa com qualquer dos lados, “decide” a favor de que dá mais, não é essa a profissão, a vocação e a obrigação do leiloeiro?

Gabeira, que ficou omisso (mas não conivente) quando a Tribuna impressa e depois aqui no Blog, denunciou formidáveis irregularidades no PV (envolvendo até seu presidente), nem hesitou. Candidato a governador na legenda do PSDB, declarou APOIO a Serra, nem foi à sede do PV, conhece seus personagens.

Portanto, não existe possibilidade, por enquanto, de definição desses votos desgarrados. Reconheço a competência do Datafolha, mas como desvendar o destino de votos, submetidos a leilão? Como saber quem vai oferecer mais, Dilma ou Serra? E como os Institutos irão adivinhar ATÉ O AMARGO FIM? Eles mesmos poderão facilitar, como suas “adivinhações”, a adesão desses verdes por fora e incolores por dentro.

***

PS – O Datafolha, com suas conclusões rombudas, inconsequentes e incoerentes, examinando apenas os 20 milhões de votos desgarrados, deixa claro e evidente: “A votação do primeiro turno não será alterada, quem votou de uma forma, repetirá a decisão, a escolha e o voto.

PS2 – O Datafolha (e os outros que virão apressados) está apenas faturando. E não leva em consideração as MUDANÇAS NA CAMPANHA de Serra?

PS3 – Faltam 20 dias, naturalmente o Datafolha deve fazer “correção de rumo”. Não são os próprios Institutos que DECRETAM, pesquisa é momento?

PS4 – Então o momento não é agora, tempo perdido.

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