Os jornais divulgam que o massacre de Realengo “mobiliza autoridades e a presidente Dilma Rousseff se diz chocada”. Não se podia esperar outra coisa. Mas o que irão fazer? Nada, podem apostar.

Carlos Newton

Há quem sugira aumentar o controle sobre as escolas, contratar mais seguranças e porteiros, instalar sistemas integrados de TV etc. Mas será que é por aí? Surgem também os mais diversos tipos de explicações técnicas e especializadas, não faltam teorias escalafobéticas.

Os repórteres logo assediam os principais psiquiatras e psicanalistas do país. E cada um responde como pode. O presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), Antônio Geraldo da Silva, foi um dos mais procurados. Disse que o atirador de Realengo provavelmente sofria de transtorno de personalidade e não de doença mental.

“É um tipo de comportamento chamado em inglês de mass murder, ou seja, assassino em massa. Geralmente são indivíduos entre 20 e 30 anos, solitários, que não param em emprego, com poucos laços com família, amigos e vizinhança. Eles costumam ter traços paranoides. Por exemplo, achar que todos são sacanas com ele, olham estranho ou estão falando e tramando contra ele. Procuram o isolamento social e às vezes podem estar tristes ou mostrar sinais de depressão. Buscam vinganças contra perseguidores reais e imaginários”, disse o psiquiatra, acrescentando que diferentemente de uma doença mental (depressão, ansiedade, esquizofrenia, transtorno bipolar e outras fobias adquiridas e desencadeadas por algum fator), no transtorno de personalidade a pessoa já nasce com o problema. E não há tratamento.

Além disso, o presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria ressalvou que difícil é dizer qual seria esse transtorno: paranoide, esquizoide, borderline, narcisista, histriônico, obsessivo compulsivo ou antissocial?

Traduzindo: é tudo especulação. Para saber exatamente, só se algum médico tivesse examinado o atirador. Enfim, chegamos ao ponto. Nenhum médico examinou o atirador, para identificar-lhe a periculosidade. Este é o ponto crucial, a única providência que poderia ter evitado a tragédia.

Pela carta que deixou, constata-se que era evangélico mais do que convicto, que nas mãos de algum pastor incompetente sofreu uma lavagem cerebral e passou a dividir a sociedade entre puros e impuros.

Mas ninguém na Igreja que ele frequentava, nem mesmo seu adorável e dedicado pastor, percebeu a periculosidade desse jovem?  Por quê? Ora, porque esse tipo de fiel, radical e robotizado, é cada vez mais comum nas igrejas evangélicas, onde essa voluntariosa “devoção” é saudada como uma mensagem divina.

Vamos falar claro: esse tipo de pastor só pensa em faturar fieis, porque isso significa faturar dízimos, esta é a realidade dos tempos atuais, deixemos de hipocrisias. Se estivesse numa igreja em que o pastor realmente se preocupasse com os fiéis, alguém teria percebido que o rapaz tinha problemas mentais e tentaria encaminhá-lo a tratamento.

Chegamos, então, a outro ponto crucial. Com a progressiva derrocada da rede pública de saúde, como oferecer assistência psiquiátrica e psicológica a um paciente como esse, que precisa de tratamento intensivo, com uso de medicamentos caros e assistência permanente?

Então, a culpa não é somente do pastor, que até agora não foi identificado. Boa parcela da culpa reside no descaso das autoridades brasileiras, que nas últimas cinco décadas, pelo menos, se dedicam a destruir o sistema público de saúde, para beneficiar os hospitais e clínicas particulares. Esta é uma verdade que não admite contestação. Todos sabem, todos percebem, e ninguém reage, ninguém toma providências. Saúde é um direito constitucional, tinha de ser garantido a todos.

Mas para que serve mesmo a Constituição? Ora, acaba de servir para manter na política uma série de pilantras, conhecidos como fichas-sujas, como Maluf, Barbalho e muitos outros seguidores fiéis, que são como grande número de pastores e estão obcecados por uma divindade etérea, que somente se materializa nos caixas dos bancos. Aleluia, irmão!

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