Os jornais e o Google: uma linha ou três linhas dá no mesmo

Pedro do Coutto

A Folha de São Paulo publicou uma reportagem da Sucursal de São Paulo revelando que a Associação Naconal dos Jornais (entidade empresarial) e o Google fizeram um acordo através do qual o site de busca na Internet passará a publicar apenas uma linha de cada matéria procurada pelos que navegam cortando os espaços da cibernética. Atualmente, o Google Notícias publica três linhas.

Os proprietários das empresas jornalísticas acham que três linhas tiram leiitores, uma linha, ao contrário, passará a acrescentar. Não acho. Para mim, nem uma coisa bem, outra. Na minha impressão (é verdade que ainda não firmei uma opinião), tanto o Google quanto o Yahoo e demais sites de busca, numa primeira etapa, podem contribuir para uma retração de vendas. Mas, a partir de um segundo estágio, acrescentam.

No fundo, a questão colocada pela ANJ baseia-se numa luta de mercado, uma vez que o volume publicitário encontra-se em função de três fatores sintetizados nas páginas dos jornais: circulação, índice de leitores por exemplar (algo em torno de 3,5) e poder aquisitivo dos assinantes e dos que preferem adquirir seus exemplares nas bancas. Estes, para os que não são da nossa profissão, os fundamentos básicos.

Com base neles, alguns temem pelo destino dos jornais. Eu não. Para mim a linguagem escrita é eterna. A Bíblia completa, abrangendo o Velho e o Novo Testamento, portanto a versão judaica e a cristã, foi imprensa pela primeira vez por volta de 1445, a galáxia de Gutemberg que mudou o mundo, e até hoje é o livro mais lido e comercializado do planeta. Este um exemplo essencial. Outro, o de que o surgimento da imprensa no século 15 não acabou com a edição de livros. Ao contrário: democratizou o mercado editorial.

Quatrocentos anos depois surgiu o rádio de Marconi, que incorporou bilhões de pessoas ao universo da comunicação, mas não terminou com os jornais. Em 1934, foram realizadas as primeiras experiências com a televisão, nos EUA, o meio e a mensagem, para citar McLuhan, não acabaram nem com o rádio, muito menos com a imprensa. Um sistema vai se acoplando a
outro, vai se acrescentando a outro.

Tanto é assim que no meio deste ano, a mesma FSP publicou um levantamento do Datafolha revelando que a tiragem dos principais jornais do país passou de 9 milhões de exemplares por dia, acrescendo em torno de 6% em relação ao ano anterior. Crescimento expressivo, pois enquanto os jornais aumentaram suas vendas em 6%, a população, no mesmo espaço de tempo, cresceu apenas 1,2.

Portanto, como se constata, elevou-se o hábito de ler a mídia impressa.
Estou ressaltando isso para sustentar que a Internet excita o mercado de informação, não o satisfaz em plenitude. Esta plenitude está na comunicação escrita. Está nas páginas, não na tela. A tela é para se ver. A página para se ler.

A Internet, claro, é insubstituível, e será cada vez mais em matéria de pesquisa. Sobretudo a instantânea. Para informar, não para opinar ou refletir pontos controversos. A opinião e as contradições estão nas linhas fixas do papel. Elas passam a certeza de que não fugirão da vista e da percepção mais demorada.

Em 1961, eu trabalhava no Correio da Manhã, jornal que não existe mais. A CBD – hoje CBF – proibiu o televisamento direto de jogos de futebol. O argumento era que retirava público dos estádios. A tese estava totalmente errada. Basta ver o que acontece hoje. A TV acrescenta público. Sobretudo porque a população não para de crescer. E os estádios não podem se expandir. Pelo contrário. Por exigência da FIFA, diminuem. Como seria, não fosse a TV?

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