Os legisladores de Brasília

Carlos Chagas

Dos 81 senadores, 27 foram eleitos em  2006 e vão continuar até 2014. Eles ou seus suplentes. E 54 senadores  foram recém-eleitos em outubro, dentro da renovação dos dois terços. Ficarão até 2017,  eles ou seus suplentes.                                                        

Os 513 deputados eleitos em 2006 precisaram renovar seus mandatos em outubro.  Nem todos, pois se uns desistiram, outros tentaram novas  funções, valendo registrar que 280 conseguiram manter suas cadeiras, ou seja 233 novos deputados  estarão assumindo junto com os velhos,  em fevereiro.�
                                                       �
Somados  aos  senadores,  os deputados perfazem 594 parlamentares  prontos para oferecer sua experiência ao aprimoramento do arcabouço legislativo nacional.
                                                      �
Conforme Jean Jacques Russeau, no “Contrato Social”, os legisladores precisam  “de uma inteligência superior, que vê todas as paixões humanas sem experimentá-las, que fazem por merecer uma glória apenas distante, talvez até mesmo trabalhando em silêncio  num século,  para benefício do seguinte”.
                                                      �
Confere? Se quiserem, acrescente-se às qualidades que deveriam ser inerentes a todo parlamentar as exigências feitas por Maximilian Robespierre, referidas em sua excepcional biografia escrita por Ruth Scurr:
                                                      �
“Seriam necessários  filósofos tão iluminados quanto intrépidos: que vivenciaram as paixões do homem, mas cuja principal paixão seria o horror à tirania e o amor pela humanidade; pisando sobre a vaidade, a inveja, a ambição e todas as  fraquezas das almas mesquinhas, inexorável quanto ao crime armado com poder, indulgente quanto ao erro, simpático à miséria e terno e respeitoso com  o povo.”
                                                       �
Pois é. Nem na França revolucionária encontraram-se modelos para preencher tais requisitos, já que Rousseau havia  morrido sem conviver com o Terceiro Estado, nem com  a Assembléia, muito menos a Convenção e o Diretório. E  Robespierre, incorruptível, foi logo depois responsável pelos dois  anos de terror que levaram dezenas de milhares de cidadãos  à guilhotina.
                                                      �
Entre nós, fica o problema: qual o papel  de nossos 594 legisladores prestes a jurar ou renovar o juramento de aprimorar as instituições? Senão filósofos, serão ao menos iluminados? Intrépidos a que ponto? Sem paixões? Com amor à humanidade, despojados de vaidade, inveja e ambição?  Inimigos do crime urdido nos escalões do poder, preocupados com  a miséria, dedicados ao povo?
                                                      �
É bom lembrar que felizmente  sem o sangue que afogou Paris, os legisladores de Brasília devem acautelar-se com as consequências do que aconteceu por lá. Os parlamentares franceses apenas prepararam o palco para a entrada de Napoleão. Os nossos correm o risco de seguir caminho  parecido. O corso daqui dos trópicos nasceu em Garanhuns, criou-se em São Paulo,  está prestes a mudar-se para São Bernardo e  terá  chances de repetir o Dezoito Brumário…

MELHOR  NO PRIMEIRO  MINUTO

Marcadas absurdamente  pela Constituição para o primeiro dia de janeiro, as posses de presidente da República e de governadores estaduais têm  gerado  cansaço, atrasos no relógio, ausências e muita improvisação. De que  maneira os governadores do Norte e do Nordeste, por exemplo, mesmo na parte da manhã, prestarão juramento nas Assembléias, assumirão e receberão os cargos nos palácios e conseguirão  viajar a Brasília a tempo de assistir, de tarde,  a entrega do poder a  Dilma Rousseff? Uma correria dos diabos, sujeita aos percalços da natureza e  do tráfego aéreo.
                                                      �
Vai uma sugestão: o primeiro dia de janeiro começa um minuto depois da meia-noite do dia 31 de dezembro. Por que os novos governadores  não prepararem as cerimônias de posse para aquele momento, de madrugada,   ficando livres para voar em seguida até a capital federal? Claro que haverá prejuízos relacionados com  as comemorações de Ano Novo, mas sacrifícios, quem não haverá de fazê-los?

This entry was posted in Sem categoria. Bookmark the permalink.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *