Os lobistas mudaram de tática na questão da presidência da Câmara. Pretendiam apenas 1 candidato para derrotar Marco Maia. Era pura intimidação, revelei aqui. Agora, querem vencer no segundo turno.

Helio Fernandes

Logo depois da formação (?) do Ministério, disse aqui: o primeiro grande problema político de Dona Dilma, seria a eleição do presidente da Câmara. A escolha ficaria entre PT e PMDB, os dois majoritários. A dúvida residia apenas num detalhe: quem assumiria nos primeiros 2 anos (no dia 1º de fevereiro) ou nos últimos 2 anos, a partir de 1º de fevereiro de 2013.

PT e PMDB se acertaram, o PT começaria, e não havia dúvida de que Candido Vaccarezza, do PT, seria eleito agora. Existiam outros candidatos, do mesmo PT, que já ocuparam o cargo. Os lobistas (Eduardo Cunha, Geddel Vieira, Aldo Rabelo, Henrique Eduardo Alves e muitos outros) queriam “eleger” João Paulo Cunha, que era presidente na época do mensalão. Não conseguiram apoio.

Arlindo Chinaglia também queria voltar, foi um bom presidente. Mas sendo honesto e não lobista, ficou sem possibilidades, tentou o Planalto, não conseguiu nada, desistiu. O Planalto-Alvorada, então, apressadamente, retirou todos os outros petistas, se firmou em Marco Maia, do partido e já vice-presidente da própria Câmara. Parecia uma solução natural.

Só que com lobistas não há nada natural, a não ser o interesse deles. Como a escolha de 37 ministros, centralizados em dois partidos, deixa insatisfações, ressentimentos, decepções, começaram as articulações para lançar um candidato que pudesse enfrentar Marco Maia, o nome comprometido com o PT e o PMDB.

Só que imediatamente, mas indiretamente, surgiu o nome de Aldo Rebelo, do PCdoB, que só tem voto para ser deputado federal, mas na Câmara está sempre de plantão. Quando Fernando Gabeira, “no grito”, tirou Severino Cavalcanti da presidência, o PCdoB logo se apresentou com o inalienável Aldo Rebelo. Ganhar de Severino era uma coisa, derrubar o candidato oficial inteiramente diferente.

Aldo contava com a garantia do Ministro dos Esportes, Orlando Silva, (do PCdoB), mas mantido no cargo pelo próprio Lula. E o governador de Brasília, Agnelo Queiroz (ex-PCdoB, agora PT), eleito diretamente por Lula, apesar (ou por causa?) das acusações de enriquecimento ilícito, também não garantiu nenhum voto para Aldo Rebelo.

Outra decepção: contavam com os votos dos deputados do PSDB e do DEM, encontraram muita resistência. Esses dois partidos, altamente divididos, não decidiram os caminhos que pretendem transitar. Depois de muitas conversas, arranjaram alguns votos, só que com muitas restrições.

Reunidos praticamente dia e noite, nenhum ali tem voto a não ser para deputado, conhecem os bastidores da Câmara muito bem. Fizeram as contas, concluíram: “O candidato oficial, Marco Maia, não tem os 257 votos indispensáveis para se eleger”.

Mas decepcionados, tiveram que confessar: “Também não temos os 257 para eleger o Aldo ou qualquer outro candidato”. Diante dessas duas conclusões, “inventaram” a pólvora: “Eles e nós só podemos ganhar num possível segundo turno”. E quanto mais candidatos de “oposição” melhor, desde que todos se comprometam a votar em massa, no mais votado deles.

Confiantes no compromisso da “elegibilidade” do mais votado deles, se convenceram: “Se lançarmos 5 ou 6 candidatos, podemos obter os 257 votos no segundo turno”. Então, já contam com 3 candidatos, procuram mais dois ou três.

Essa “estratégia” seduziu o PSDB, (o DEM ainda não falou, está difícil a luta pela presidência) apoiariam um candidato com simpatias dentro do partido, desde que não fosse filiado. Aldo concordou logo, mas perguntou: “Se formos para o segundo turno, vocês votam conosco?” Nem o PSDB sabe.

Aldo Rebelo, Julio Delgado (Minas), Sandro Mabel (Goiás), certíssimos. Onde encontrarem os dois ou três? Nomes, nada difíceis, precisam de estados importantes. Já têm de São Paulo e Minas, do Estado do Rio, ninguém. Da Bahia e Pernambuco, não aparecerá nenhum nome, Jaques Wagner e Eduardo Campos vetarão quem quiser se exibir.

 ***

PS – Dentro do governo, dois grupos, duas ideias, duas orientações.  1 – “O governo não pode arriscar, deve ceder alguns cargos (já cedeu tantos) para que Marco Maia seja candidato único”.

PS2 – O segundo grupo, considera e defende: “O governo não pode recuar e se deixar intimidar. O candidato oficial é Marco Maia, e ponto final”.

PS3 – Gilberto Carvalho, “o espião que ficou no frio”, já deu a palavra de ordem: “Se pedirmos ajuda ao presidente (não usa o ex-) Lula, ele ganha a eleição na hora?” É incrível a pressão que fazem sobre a presidente Dilma.

PS4 – De qualquer maneira, o governo não pode perder uma disputa tão importante como essa. É preciso ficar atento, é uma das armadilhas do execrável (que precisa ser destruído) p-l-u-r-i-p-a-r-t-i-d-a-r-i-s-m-o.

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