Os milicianos da OEA

Sebastião Nery

VITORIA – Logo depois da revolução de 1930, os jornais noticiaram a possibilidade de os Estados Unidos penhorarem o ouro brasileiro depositado lá, para pagamento da nossa dívida externa. Getúlio ficou irritadíssimo.

  Getúlio deu uma baforada…

Chegou um amigo de Nova York e foi conversar com ele:

– Getúlio, tu precisas ir lá. Os Estados Unidos excedem em tudo quanto se possa imaginar. Nova York é uma cidade ciclópica e tentacular, alguma coisa de inacreditável pela grandeza, pelo progresso.

Getúlio ouvia em silêncio, charuto na boca:

– Nada disso. O cérebro deles é de cimento, chiclete e matéria plástica.

E nunca foi lá. Quando, na segunda guerra, Franklin Roosevelt quis conversar com ele, teve de vir ao Brasil, mesmo de cadeira de rodas.

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GETULIO

Lourival Fontes, chefe da Casa Civil de Getúlio Vargas, ligou para Heron Domingues, do “Repórter Esso”:  – O presidente quer falar com você.

Heron foi. Getúlio o recebeu de charuto nos dedos e o gordo sorriso:

– Heron, tu tens dado toda manhã, na primeira edição, os preços do café e do cacau nas Bolsas de Nova York e Chicago. Continua dando. Tenho recebido muitos pedidos e pressões para mandar a Rádio Nacional parar de dar os preços dos produtos agrícolas nas bolsas lá de fora. Mas  não vou mandar. Quando os agentes do mercado internacional vão procurar nossos produtores e vendedores do interior, querendo pagar menos, dizendo que os preços estão baixos no exterior, eles já ouviram de manhã cedo você dando o preço exato e não se deixam enganar. Saiba então do serviço que você está prestando ao país com a sua voz. Pode ir e continue um radialista de cá para lá e não de lá para cá. Nosso e não deles.

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OEA

Há meio século, quando os estudantes brasileiros denunciavam o saque do “imperialismo americano” sobre nossos minérios, inclusive aqui no Espírito Santo, os jornais da “grande imprensa”, sempre serva, servil e serviçal, nos acusavam de querer impedir o progresso. Mais de 50 anos depois, eles continuam nos tratando como debiloides colonizados.

Terminou em São Paulo a reunião da SIP (Sociedade Interamericana de Imprensa)” e da CIDH (Comissão Interamericana de Direitos Humanos), duas escancaradas milícias da OEA e dos Estados Unidos. Todos os dias, nossos jornalões, sobretudo o “Globo” e o “Estadão”, publicaram vendidos editoriais repetindo e apoiando o que eles diziam.

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DILMA

Conhecido picareta internacional, José Miguel Vivanco, diretor da ONG “Human Rights Watch”, ganhou manchetes para agredir o Itamaraty:

1.- “O Brasil é omisso frente às manobras de muitos países que buscam enfraquecer a Comissão porque cometem abusos e tolhem direitos. Curioso é que o país tem pretensões de jogar nas grandes ligas com assento no Conselho de Segurança das Nações Unidas, mas tem “faniquitos” (sic!) quando é confrontado pela OEA. Veja a atitude infantil, adolescente. do Brasil quando a CIDH pediu informações sobre a Usina de Belo Monte”.

(Ele se referiu à atitude altiva da presidente Dilma reagindo à OEA).

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DOLARES

2. – “ O Brasil teve um ataque. Pode até ser que o governo brasileiro considere o pedido da CIDH sem pé nem cabeça, mas o país deveria ter agido com serenidade. Mas o que fez? Tirou o embaixador junto à OEA, que até agora não reassumiu o posto, cortou por seis meses a contribuição de US$ 100 milhões do país ao orçamento do organismo”. (Os milicianos da OEA vivem dos milhões de dólares que gigoloteiam do Brasil e países latinoamericanos). “O candidato do Brasil à CIDH, Paulo Vanucci, retirou sua candidatura. A Comissão suspendeu o pedido de informações, mas o que o Brasil considera uma vitória é uma vergonha (sic!) sem precedentes”.

3. – “Por que não se objetam as tentativas de enfraquecimento e desmoralização da OEA? O Brasil é um acionista (sic!) importante da OEA. A CIDH está sob ataques de países que argumentam que a OEA, a SIP, a CIDH são “braços disfarçados de intervenção do imperialismo americano”, o que é uma bobagem. Este discurso serve para tentar encobrir abusos nesses países, denunciados pela Comissão. A CIDH corre um risco enorme de ser esvaziada com o silêncio cúmplice do Brasil”.

Essa chiadeira dos malandros é por causa dos 100 milhões de dólares.

sebastiaonery@ig.com.br

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