Os ministros que saíram para tentar outros voos, podem aterrisar no vazio, posando para a eternidade, mas na verdade, pousando numa paisagem destruidora. Os que ficaram, esperam farta compensação

Dez ministros deixaram os cargos. É exigência constitucional, apesar do Brasil ter tantas Constituições, muitas delas não valem nada. Algumas foram ultrapassadas pelo Estado Novo, outras por Atos Institucionais. Mas a desincompatibilização é ritual que não pode ser desobedecido.

Dos 37 ministros de Lula, 27 ficaram nos cargos, não por fidelidade, mas por saberem que não têm votos para coisa alguma. Apenas 10 fizeram a opção por candidaturas por se acharem bons de votos ou por confiarem no apoio de Lula.

Vejamos o que almejam ou pretendem alguns deles, e as possibilidades.

Geddel Vieira Lima

Deixou de ser ministro por mais 9 meses, não é o mais grave ou o mais importante. O pior é ficar 4 anos sem mandato, por conta da absurda coincidência das eleições, único país do mundo onde existe essa impropriedade.

Depois de dizer horrores (pior até do que o prefeito Eduardo Paes) de Lula, agora precisa do apoio do presidente, pelo menos para fingir que vai para o segundo turno. Não vai.

Lula não pode deixar de pedir votos para Jacques Wagner, que sempre foi leal e é do PT. Além do mais, a luta é com Paulo Souto, franco favorito em 2006, que agora tem tudo para ir á forra. Que tristeza para Geddel.

José Pimentel

Ministro da Previdência praticamente desconhecido, deixa o cargo, declarando: “Não sei se serei candidato a governador, senador ou deputado federal”. Ha!Ha!Ha! Quem coloca tantas opções, não tem nenhuma. Será deputado federal. Governador reeleito, Cid Gomes, inacreditavelmente sem adversários. Surgiu um do interior, quase que imediatamente desistiu.

Os dois senadores serão o ex-ministro Eunicio de Oliveira e Tasso Jereissati, reeleito. O candidato do PMDB terá, proporcionalmente, a maior votação para o cargo. Jereissati também muito bem votado, logo depois de Eunicio.

Carlos Minc

Da mesma forma que o prefeito de Paris, sempre disse: “Não quero sair do Rio, é a minha cidade, minha paixão, minha razão de existir”. Surpreendentemente, foi feito ministro, o melhor de todos os 37 de Lula. Fez, não deixou que fizessem o que contrariava suas convicções.

Pela atuação, teria que ser governador do Estado do Rio, ganharia de Cabral de mil a zero. Ou senador. Só que pelo destruidor sistema político-partidário-eleitoral do Brasil, será mais uma vez deputado estadual.

É o que ele quer, pretende e deseja. Confesso que conhecendo o Minc desde os tempos de Pedro Álvares Cabral (perdão pelo sobrenome), não acreditei que ele se saísse tão bem. Terá a maior votação do Estado do Rio, ótimo para ele. Mas não para o Brasil, que deveria aproveitar esses grandes valores.

Reinhold Stephanes

Ficou sempre entre o Ministério da Agricultura e a Câmara dos Deputados. Agora, deixando o ministério volta à Câmara. E pode até ser ministro novamente, com Dona Dilma ou Serra.

Tem uma condição cada vez mais rara na vida pública: não se interessa em desviar ou deixar desviar o dinheiro público.

Alfredo Nascimento

É o grande aproveitador do defeituoso sistema brasileiro da acumulação de cargos e a superposição deles. No primeiro mandato de Lula foi ministro dos Transportes. Quando foi se despedir para ser senador, Lula pediu: “Põe o João Pedro como suplente”. Sabia que se ganhasse (ganhou) voltaria ao ministério para João Pedro assumir como suplente. (Já está há 3 anos no Senado, sem povo, sem voto, sem urna).

Agora é candidato a governador, mas tem mandato de senador até 2014. Se for eleito, o amigo de Lula, João Pedro, ganha mais 4 anos no Senado, não mais como suplente e sim como efetivo. Nascimento já foi favorito, está ameaçado de perder para o vice do governador Eduardo Braga. Mas Lula disse a ele: “Vou ao Amazonas quantas vezes for necessário, para eleger você e derrotar Artur Virgílio”.

Edison Lobão

Em vez do Ronaldo, é o verdadeiro fenômeno. Sem a menor preocupação com coisa alguma elevada e consagradora, foi senador, governador, ministro, que República. Comandando as Minas e Energia no apagão, deu a mais tola e idiota das “explicações”, devia ter sido demitido.

Ainda “torce” para ser vice de Dona Dilma, acha que ela não perde. Um fato melancólico: seu filho será novamente o “suplente 30”.

Fato auspicioso e que deveria ser comemorado em praça pública: o ministro já é Mauricio Zimmermann, a maior autoridade do Brasil em energia elétrica.

Henrique Meirelles

Dos que permanecem, o mais indeciso e retardado (nos dois sentidos da palavra) foi o presidente do Banco Central. Na verdade não sabia o que era melhor, sair ou ficar, tentou negociar com Lula. Como este resolveu endurecer, não conseguiu.

Já “mantido”, lamentou publicamente: “Não me vejo disputando eleição dentro de 4 anos”. Ha!Ha!Ha!

Guido Mantega

Tinha como certo que Meirelles sairia, conquistaria a liberdade. No esquema hierárquico, o BC vem depois do Ministério da Fazenda. Na realidade, Mantega era chamado sempre depois de Meirelles, o que fará da vida?

Paulo Bernardo

Aprisionado pela própria inércia, que é sinônimo de incompetência, não pôde sair, o que é diferente de “decidir ficar”. Só um objetivo: eleger a mulher para o Senado. Em 2006 não conseguiu, as chances agora, muito maiores.

Celso Amorim

Há meses anunciou que podia ser candidato ao Senado. Logo, logo corrigiu, “serei candidato a deputado”. Ficou no cargo, todo o esforço agora, é conseguir um bom posto diplomático, com Serra ou com Dilma.

Carlos Lupi

Há meses fez pesquisa sobre o futuro eleitoral, a conclusão: não se elege nem deputado estadual. Assim, melhor continuar 9 meses ministro.

Quem sabe não ganha um novo cargo? Embora seja repudiado pelo próprio PDT. Com Brizola, foi duas vezes candidato a senador, nas duas ficou longe.

Nelson Jobim

Dava a impressão de ser candidato a tudo. Principalmente por já ter sido Executivo, Legislativo e Judiciário. No fim do ano, espera ser “promovido” a Brigadeiro. Por causa dos caças. Devia ter sido cassado quando confessou ter fraudado a Constituição de 1988.

***

PS – Dos que saíram e dos que ficaram, todos dependem de Lula. Para uma vitória agora, ou uma volta se Dona Dilma vencer. Incrível: mesmo os que acham que ela vence, só pensam (?) em Lula como fonte do Poder.

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