Os mistérios das estrelas errantes, na visão do poeta simbolista Cruz e Sousa

Nada há que me domine e que me vença... Cruz e SousaPaulo Peres
Poemas & Canções

O poeta João da Cruz e Sousa (1861-1898) nasceu em Desterro, atual Florianópolis. No soneto “As Estrelas”, ele questiona se tais astros não são sentimentos dispersos de primitivos grupos humanos.


AS ESTRELAS
Cruz e Sousa

Lá, nas celestes regiões distantes,
No fundo melancólico da Esfera,
Nos caminhos da eterna Primavera
Do amor, eis as estrelas palpitantes.

Quantos mistérios andarão errantes,
Quantas almas em busca de Quimera,
Lá, das estrelas nessa paz austera
Soluçarão, nos altos céus radiantes.

Finas flores de pérolas e prata,
Das estrelas serenas se desata
Toda a caudal das ilusões insanas.

Quem sabe, pelos tempos esquecidos,
Se as estrelas não são os ais perdidos
Das primitivas legiões humanas?!

One thought on “Os mistérios das estrelas errantes, na visão do poeta simbolista Cruz e Sousa

  1. Fundo melancólico da esfera?! Quem disse que o universo é uma esfera? Essa noção é muito, mas muito antiquada. Pensavasse que o céu (?) era uma esfera de gelo com estrelinhas encrustadas, mas isso um pouco depois de Adão comer a maçã! A forma esférica era aceita para denotar a perfeição da criação divina. Haja licença poética…

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