Os palanques presidenciais tumultuam e confundem as sucessões estaduais. 130 milhões iludidos e enganados. Exemplo: votam em Gabeira, que sempre foi PT-PV, elegem cabralzinho ou garotinho

Esperamos tanto por esta eleição de 2010, agora não temos a menor condição de entendê-la, desvendá-la, analisá-la, qualquer que seja o ângulo ou o horizonte em que nos coloquemos. Não é que seja a eleição mais complicada, disputada, dificultada. Essas palavras, adequadas, mas não inéditas nas sucessões brasileiras.

É bem verdade que pela primeira vez, querendo ou não querendo, gostando ou não gostando, teremos a chamada eleição plebiscitária. Não porque Serra ou Dilma representem alguma tendência que se aproxima do que deseja a comunidade (também chamada de SOCIEDADE pelo “ficha limpa” Romero Jucá, Ha!Ha!Ha! Romero Jucá), mas porque as legendas só são concedidas aos “iluminados” das cúpulas partidárias.

(Não esqueço de Marina Silva e Plínio Arruda Sampaio, mas eles estão fartos de conhecer o processo político-eleitoral do país. Candidatos com excesso de espírito ético e cívico, sabem que agora, no início das pesquisas, aparecem com 6 ou 7 por cento dos votos, que irão diminuindo à medida que a eleição for se aproximando. Uma pena.)

E como a eleição será decidida entre Serra e Dilma, a influência dos dois sobre os estados, enorme e cada vez mais importante. Então, se trava a batalha ou até mesmo a guerra pelos “palanques”.

As combinações mais espúrias e mais esdrúxulas são realizadas, sem que alguém (leia-se: Serra ou Dilma) tenha o menor receio de ao subir nesses palanques, sofrer uma queda, não física, mas ética, moral e cívica. Com estas três palavras, nem se incomodam.

Com isso, torpedeiam, enlameiam, complicam, desvirtuam e contaminam (royalties para o procurador-geral da República) as eleições estaduais. Das quais surgirão governadores, 2 senadores, deputados federais e estaduais.

Todos escolhidos no mesmo dia, mas por coligações que não deveriam existir de maneira alguma. O Tribunal Eleitoral tem se limitado a trocar de governadores, expulsando o que ganhou e empossando o que perdeu, sabendo que todos participavam do mesmo processo.

Agora, com esses acordos estaduais, o cidadão-contribuinte-eleitor acredita que está votando num candidato, numa legenda, numa ideia ou numa esperança, e simplesmente está referendando um acordo do qual não participou. E que representa exatamente  o contrário do que esperava.

Posso dar 26 exemplos estaduais, um para cada unidade da Federação. Excluindo naturalmente Brasília, que não é exemplo e sim contradição. Exemplo mesmo é o Estado do Rio. Fernando Gabeira, que apareceu como cidadão capaz de restaurar a moralidade e a eficiência da administração, naufragou antes mesmo de entrar no mar.

Gabeira desmentiu Sergio Porto (“Restaure-se a moralidade, ou todos se locupletem”), recitou sua “poesia”, exatamente ao contrário: “Todos se locupletem, para que não se restaure a moralidade”.

Assim, aderiu ao PSDB do Rio, que junto com o DEM, forma a dupla mais indefensável e mais desmoralizada do Estado e do Rio capital.

“Deixou” o PV, que no Rio não era nada melhor. Quando o jornalista Carlos Newton (editor deste blog) denunciou irregularidades monstruosas no partido (isso começando na Tribuna impressa e acabando aqui), todas as lideranças desse PV do Rio-Estado do Rio, tiveram oportunidade de defesa.

Gabeira recusou, dizendo textualmente: “Não posso falar, isso prejudicará minha campanha para prefeito”. Até o presidente do partido confirmou as denúncias, era realmente impossível desmenti-las. Fez “acordo” com o TSE, repôs o dinheiro desviado, pagando com recursos do próprio Fundo Partidário (leia-se: dinheiro público, repassado ao PV).

No rastro dos números de 2008, Gabeira apareceu como candidato a governador para 2010. mas impensadamente enganou o cidadão-contribuinte-eleitor, se definindo contraditoriamente, ora para governador, ora para senador, complicando e decepcionando a todos.

Depois de muita hesitação, garantiu, sem convencer ninguém nem a ele mesmo: “Serei candidato a governador do Estado do Rio”. Só que revelando insegurança a cada passo, mostrou que não precisava de tanga e sim de bengala.

Inicialmente provocou protestos gerais, “confirmando” Cesar Maia, como candidato a senador junto a ele. O ex-prefeito, que deixou como “grande realização” a inacabada e dispendiosa “Cidade da Música”, apresentava duas irresponsabilidades. Era impensável como companheiro de chapa de um candidato que pregava a reabilitação da administração e da participação na vida pública. E tinha acordo firmado com garotinho, já lançado candidato a governador.

A revolta foi geral, Gabeira aí, errou (outras duas vezes) e mais gravemente. Veio a público, vetou Cesar Maia (que ele mesmo revelara e ratificara), dizendo que pelo passado, o ex-prefeito não podia ser senador com ele. Percorrendo um caminho cheio de erros e tropeçando nos mais diversos obstáculos, voltou atrás novamente e atropeladamente, “aceitou” Cesar como “companheiro”, apesar de ter condenado explicita e expressamente seu nome.

Mas Gabeira continuava a sinalização errada em relação a Cesar Maia, seu GPS eleitoral, ético e político, não funcionava. Estando apoiado pelo PSDB de FHC e da empresa “Marcello Alencar & Filhos”, achou que para agradá-los devia praticar intensamente o retrocesso.

Assim, como Cesar Maia é do DEM, aliado moral, natural, conjuntural e estrutural do PSDB, o ex-prefeito exigiu que pressionasse Gabeira para reincluí-lo na chapa. Fizeram o que ele exigia. Gabeira aceitou sem qualquer dúvida. E o cidadão-contribuinte-eleitor, que decidira que votaria em Gabeira pelo seu presente, terá que votar em Cesar Maia, apesar do seu passado.

Os mandatos do ex-prefeito não ficaram marcados apenas pela “Cidade da Música” e outras irregularidades. Começaram com o belo apartamento em São Conrado, doado (e recebido) em troca da autorização para a construção ILEGAL do prédio. Para conversar com ele, Gabeira deve ligar logo o taxímetro. (Pois desse tipo de transporte, Cesar entende como ninguém).

***

PS – cabralzinho e garotinho vibram com Gabeira. Da forma como vem agindo, mostra que abandonou a vontade de ser governador. Ainda não decidiu quem apoiará no segundo turno.

PS2 – Para senador não tem mais condições, sabe disso. O que parecia inicialmente mais fácil, se tornou impossível. Senador? Com que votos?

PS3 – Não demora e anunciará que será outra vez deputado federal, sem risco e ameaças. Seu vice-financiador, que teve vários mandatos de deputado, nas últimas eleições foi derrotado.

PS4 – Gabeira cometeu os mesmos equívocos que a juíza aposentada, Denise Frossard, que foi para o segundo turno, podia ter ganho de cabralzinho, até com facilidade.

PS5 – A escolha do “jurista” Michel Temer para vice de Dona Dilma, representa o tom histriônico da campanha. Na última vez não se elegeu deputado, ficou como suplente e assumiu. Acrescenta o quê, numa campanha bancada por Lula sozinho? E agora, o que Lula diz ao PT? Ou nem precisa dizer, todos assistem televisão?

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