Os pés de milho que Jatobá transformou num sucesso de Elba Ramalho

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No milharal de Jatobá são colhidas belas letras

Paulo Peres
Site Poemas & Canções

O arquiteto, publicitário, artista plástico, designer, diagramador, arte-finalista, cantor e compositor baiano José Carlos Augusto Jatobá compara os “Pés de Milho” com o cotidiano das pessoas. A música Pés de Milho faz parte do LP Capim Verde gravado por Elba Ramalho, em 1980, pela Sony Music.

PÉS DE MILHO
Jatobá

Pés de milhos, andarilhos,
com os nossos filhos.
Procurando vinte milhas,
pelas nossas filhas.
Protegendo milharais
como as nossas mães.
Perseguindo os animais,
como os nossos pais.
Comparando a rouxinóis,
tal nossos avós.
Flutuando pelos rios,
como os nossos tios.
Fungos, cogumelos, limos,
como nossos primos.
Tanta gente tão aflita,
que eu nem sei ainda,
se transformo trigo em Pão,
prá nossos irmãos,
ou transformo pão em trigo,
prá nossos amigos,
que estão salvos do perigo,
do primeiro abrigo,
procurando girassóis,
como todos nós.

3 thoughts on “Os pés de milho que Jatobá transformou num sucesso de Elba Ramalho

  1. “Um pé de milho sozinho, em um canteiro espremido, junto do portão, numa esquina de rua não é um número numa lavoura, é um ser vivo e independente.”
    Este é o pé de milho de Rubem Braga foi o fato mais importante da semana.
    O de Jatobá é um mortal andarilho, como nós todos mortais, que pelos caminhos da vida vai transformando em nosso pai de cada dia.

  2. “O arquiteto, publicitário, artista plástico, designer, diagramador, arte-finalista, cantor e compositor baiano…”
    Não adianta, está no sangue: o brasileiro realmente tem complexo de vira-lata. É desse complexo que saiu o doutor, o excelência, o ilustre, o notável jurista. Pô, pela mãe do guarda, isso é cafona, é retrógrado, é repugnante.
    Bastava citar o artista como cantor e compositor – é do que se trata. Se além disso ele é um sábio, super-homem, bonito, arquiteto, não interessa para o que está em foco.
    Uma historinha como exemplo. Consta que o presidente da Academia de Letras ciceroneou Einstein quando de sua vinda ao Brasil. A um certo momento, durante as várias visitas, Einstein perguntou ao cicerone por que ele fazia tantas anotações em seu caderninho. Para registrar as grandes ideias – se eu não as registrar, elas se perdem!, respondeu o presidente da academia. Einstein então comentou que em toda a sua vida só teve uma grande ideia, que lhe deu cabelos brancos. Got it?

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