Os três apitos da fábrica de sonhos de Noel Rosa

O cantor, músico e compositor carioca Noel de Medeiros Rosa ( 1910-1937) compôs “Três Apitos”, em 1933, samba que traz no título o espaço social da época, onde se desenvolve a emergente sociedade industrial brasileira, que originava duas classes sociais nascentes: a burguesia industrial e o proletariado tipicamente urbano, que começa a surgir com o início do desaparecimento das oligarquias agrícolas. Tanto que a letra do samba-canção relata a paixão de Noel Rosa por uma moça que trabalha em uma fábrica de tecidos, portanto, no novo espaço criado pela industrialização implantada no pais. “Três Apitos” foi gravado por Aracy de Almeida, em 1951, pela Continental.

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TRÊS APITOS

Noel Rosa

Quando o apito da fábrica de tecidos
Vem ferir os meus ouvidos
Eu me lembro de você
Mas você anda
Sem dúvida bem zangada
Ou está interessada
Em fingir que não me vê
Você que atende ao apito de uma chaminé de barro
Porque não atende ao grito
Tão aflito
Da buzina do meu carro
Você no inverno
Sem meias vai pro trabalho
Não faz fé no agasalho
Nem no frio você crê
Mas você é mesmo artigo que não se imita
Quando a fábrica apita
Faz reclame de você
Nos meus olhos você lê
Que eu sofro cruelmente
Com ciúmes do gerente
Impertinente
Que dá ordens a você
Sou do sereno poeta muito soturno
Vou virar guarda-noturno
E você sabe porque
Mas você não sabe
Que enquanto você faz pano
Faço junto ao piano
Estes versos pra você

(Colaboração enviada pelo poeta Paulo Peres – site Poemas & Canções)

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