Oswaldo Aranha, brilho eterno na estrada da História, na visão de Augusto Nunes

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Aranha foi até capa da revista “Time”

Pedro do Coutto

Magnífico, brilhante, emocionado e emocionante o texto do jornalista Augusto Nunes sobre Oswaldo Aranha, personagem  marcante da História brasileira e também da História do mundo, pois foi ele o primeiro presidente da ONU, em 1947, único a ser reeleito no organismo internacional até os dias de hoje. Em seu artigo, Augusto Nunes destacou o livro que acaba de ser lançado, uma fotobiografia de Aranha, cujo autor é o diplomata Pedro Correa do Lago.

Augusto Nunes traça um perfil essencial que tanto unia quanto separava Oswaldo Aranha e Getúlio Vargas, fenômeno assinalado em vários momentos da trajetória que percorreram. A começar pela Revolução de 30. Governador do Rio Grande do Sul, Vargas hesitava em deflagrar o movimento que o conduziria a 15 anos de poder, oito dos quais como ditador.

EMOÇÃO PURA – Acho que Aranha era a emoção pura que faltava a Vargas, que, por seu turno, era a frieza que não motivava o comportamento emotivo do organizador da Conferência Pan-Americana do Rio de Janeiro em fevereiro de 42, no Palácio Tiradentes, quando Aranha em discurso arrebatado lançou a tese do alinhamento do governo brasileiro com os EUA e a Inglaterra.

Na América do Sul, o Brasil foi o único país a declarar guerra ao Eixo Nazifacista formado pela Alemanha de Hitler, pela Itália de Mussolini e também peloJapão, que em dezembro de 41 desencadeara a guerra no Oriente contra os EUA.

Falei em temperamento emotivo de Aranha e aqueles que o conheceram chamavam atenção para um aspecto essencial e definitivo: emocionava-se no trato com as pessoas e efusivamente seus olhos nunca estavam longe das lágrimas e de seu ímpeto conciliador e fraterno.

AMIGO DE ROOSEVELT – Vargas nomeou-o embaixador nos Estados Unidos, quando se tornou amigo do presidente Roosevelt e como ele assumia o papel de defensor da liberdade e dos direitos humanos.

Foi um elo decisivo na aliança Brasil/Estados Unidos. Pouco antes da conferência de 42, Vargas nomeou-o Ministro da Relações Exteriores.

Aproximava-se o fim da guerra e também a data prevista para as eleições brasileiras de 45. A figura de Aranha crescia excepcionalmente. Getúlio Vargas desejava alcançar um futuro mandato.  Aranha, pelo prestígio de possuía, tornou-se seu rival. No final de 1944, Aranha formalizava uma indicação para o Itamarati que necessitava da assinatura de Vargas.

Vargas não assinou, Aranha demitiu-se do posto. Era uma atitude de independência que marcou uma geração de políticos, como Augusto Nunes lembrou bem.

PASSADO E PRESENTE – Hoje, digo eu, o panorama mudou. Basta citar que o presidente Michel Temer recebeu com satisfação o despacho do Ministro Edson Fachin enviando Rocha Loures para a prisão domiciliar vinculado a uma tornozeleira eletrônica. Augusto Nunes acertou em cheio ao fazer a comparação entre o passado e o presente do poder no Brasil, para concluir que o nível de hoje encontra-se abaixo de zero.

Oswaldo Aranha tornou-se fundador da UDN e na campanha da redemocratização de 45 apoiou o brigadeiro Eduardo Gomes, comparecendo ao famoso comício dos lenços brancos no Largo da Carioca. O brigadeiro perdeu a eleição. Vargas apoiou o general Dutra.

DE NOVO, MINISTRO – O afastamento permaneceu por nove anos. Em setembro de 53 houve o reencontro com Vargas, então presidente pelo mandato conquistado nas urnas de 50. Oswaldo Aranha foi nomeado ministro da Fazenda, para uma curta permanência, porque em agosto de 54 o governo terminava com a tragédia e com a posse do vice Café Filho.

Aranha poderia ter mudado o curso do processo de 1964 se na eleição de 1960 tivesse sido candidato a vice-presidente na chapa do General Lott. Naquele tempo o presidente era eleito independentemente do vice, que disputavam uma outra eleição. Aranha podia ser derrotado por Milton Campos. Em qualquer hipótese, João Goulart não assumiria o governo na renúncia de Jânio Quadros. O homem e o seu destino.

Mas acontece que oito meses antes da eleição, em 27 de janeiro de 1960, após ser homenageado num jantar no Hotel Glória, Aranha faleceu aos 66 anos. E até hoje  o brilho de sua personalidade continua iluminando as páginas da história.    

11 thoughts on “Oswaldo Aranha, brilho eterno na estrada da História, na visão de Augusto Nunes

  1. O grande e experiente Jornalista Sr. PEDRO DO COUTTO, que conheceu pessoalmente o grande Ministro/Embaixador/Advogado Militante OSWALDO ARANHA, nos traz à lembrança desse grande Brasileiro.
    Prestou realmente, com sua competência e brilhantismo, um grande serviço ao Rio Grande, e principalmente ao Brasil.

  2. “Ah, pátria amada Alegrete, patrimônio histórico há muito tombado nos anais da minha saudade e definitivamente catalogado entre os meus afetos! Irreversível nas minhas remembranças”.
    José Bicca Larré

    São de Alegrete o grande poeta de todos os tempos – Mário Quintana e o grande politico que se destacou no cenário mundial Oswaldo Aranha.
    Está faltando no meio político brasileiro Oswaldos Aranhas

  3. Terra Onde Nasci
    Wilson Paim
    Muita gente me pergunta
    Qual a terra onde nasci
    Meu berço é lá na fronteira
    Vou contar onde vivi
    Lembrando a simplicidade
    Trago no peito a saudade
    Dos meus tempos de guri

    {Lembrando a simplicidade
    Trago no peito a saudade
    Dos meus tempos de guri}
    Velha capela queimada
    Foi o seu primeiro nome
    Saudade que me consome
    Lembranças que vão e vem
    Terra de muitas façanhas
    Foi berço de Oswaldo Aranha
    Mário quintana, também

    {Terra de muitas façanhas
    Foi berço de Oswaldo Aranha
    Mário quintana, também}
    Quem visitar minha terra
    Vai entender o que canto
    Te aprochegue e te garanto

    Vais te sentir a vontade
    Dentro do teu coração
    Vai sentir que no meu chão
    Não falta hospitalidade
    {Dentro do teu coração
    Vai sentir que no meu chão
    Não falta hospitalidade}

    É o rio ibirapuitã
    Que banha minha cidade
    Falo com sinceridade
    Canto com muita emoção
    Que a minha terra é amada
    E também muito lembrada
    No toque de uma canção
    {Que a minha terra é amada
    E também muito lembrada
    No toque de uma canção}

    Agora você já sabe
    A terra que me viu nascer
    Te convido a conhecer
    E este meu canto é um lembrete
    Não faça de outra maneira
    Quando for lá pra fronteira
    Vá visitar alegrete
    {Não faça de outra maneira
    Quando for lá pra fronteira
    Vá visitar alegrete}
    Vá visitar alegrete
    Vá visitar alegrete

    • Querida Carmen Lins,

      Uma das canções gaúchas mais tocadas na história desse Estado é Canto Alegretense.

      Composta por Nico e Bagre Fagundes, a música é belíssima, e se trata do hino da cidade, que fica na Região da Campanha do RS, em direção à Uruguaiana, fronteira com a Argentina.

      Peço que ouça esta composição, assim como os demais colegas que, certamente, aplaudirão esta bela música!

      https://www.youtube.com/watch?v=vzZrLxvTNuY

      Um abraço, Carmen.
      Saúde e paz.

        • Não, minha querida, mas viajei durante anos a fio para Alegrete, que compunha a Região que eu trabalhava.

          Era ainda época onde se andava de trem.
          Primeiro no Maria Fumaça, a carvão, depois a diesel, mais tarde o famoso trem húngaro, pois Alegrete está a 500km de Porto Alegre.

          Nasci em Porto Alegre, Carmen.

          Outro abraço.
          Mais saúde e mais paz.

  4. Certa feita o grande jornalista Hélio Fernandes se dirigiu diretamente a mim, no seu blog, e exclamou:

    – Bendl, se quiserem escrever sobre a História do Brasil, ela começa pelo Rio Grande do Sul!

    Na verdade, o meu RS é caracterizado pelos episódios mais importantes em termos políticos acontecidos no país.

    Certamente em razão de a sua situação geográfica estar ao lado de países como Uruguai e Argentina, e a nossa caminhada para pertencermos ao Brasil ter sido de lutas constantes, o gaúcho se acostumou a enfrentar os desafios com muita naturalidade, resgatando eu a Guerra dos Farrapos, quando rompemos com a Corte em face do problema com o charque e, mais tarde, a Revolução Federalista entre chimangos (comandados por Gaspar Silveira Martins) e maragatos (seguidores do positivista Júlio de castilhos), a mais violenta surgida na América do Sul até os dias de hoje!

    A maior revolução que a história registra, durou quase dez anos, mas o sulista se fez notar pela sua persistência e posição política, obtendo o respeito nacional neste aspecto.

    Claro que mudamos, e não foi para melhor, admito, mas o gaúcho tem muito do que se orgulhar com inúmeros personagens nacionais que elevaram o nome do Brasil no exterior e enalteceram esta terra internamente.

    E, indiscutivelmente, Osvaldo Aranha é um de nossos maiores expoentes!

    Agradeço ao célebre jornalista Pedro do Coutto, a lembrança do artigo de Augusto Nunes, que trabalhou no meu Estado, no jornal Zero Hora, e conviveu conosco por um certo tempo.

  5. Concordo, pelo pouco que sei, que Hélio Fernandes tem razão. Sei de muitos gaúchos ilustres, também na literatura. Amo Érico Verissimo. Sabe, Clarissa de autoria dele, foi o primeiro livro que peguei emprestado de uma biblioteca!

  6. Carmen,

    Existe uma turma de expressão entre a gauchada, e conhecida nacional e internacionalmente:

    Érico Veríssimo foi o mais famoso, assim como a sua maior obra O Tempo e o Vento;
    Josué Guimarães, a Ferro e Fogo;
    O poeta Mário Quintana;
    Lya Luft;
    Barbosa Lessa;
    Osvaldo Aranha;
    Teixeirinha;
    Getúlio Vargas;
    Leonel Brizola;
    João Goulart;
    Costa e Silva;
    Garrastazú Médici
    Ernesto Geisel:
    Borges de Medeiros;
    Flores da Cunha;
    Iberê Camargo;
    Barão de Itararé;
    Cyro Martins;
    Lupicínio Rodrigues;
    Caio Fernando Abreu;
    João Simões Lopes Neto;
    Dyonélio Machado;
    Paulo Brossard;
    Tabajara Ruas;
    Martha Medeiros;
    João Gilberto Noll:
    Dunga;
    Everaldo;
    João Saldanha;
    Moacyr Scliar;
    Bento Gonçalves;
    Júlio de Castilhos;
    Fernando Ferrari;

    Enfim, há uma infinidade de nomes de repercussão nacional e internacional, enaltecendo o Brasil e suas Regiões, mediante a cultura, folclore e tradições de cada Estado, e compondo um painel interessante sobre o nosso país.

    Outro abraço.

  7. Todos “orgulho gaúcho”. Escritores, poetas, politicos, esportistas, um número sem fim de famosos do Rio Grande do Sul. Salve POA, Salve o RS. Abraço, Bendl. Vou levar esses videos para uma amiga.

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