Ou muda ou será mudada

Carlos Chagas

Diante das fortificações da Linha Siegfried, sucedâneo do lado alemão da francesa Linha Maginot, o general George Patton, dos maiores comandantes americanos, chamou as duas de grandes monumentos à estupidez humana. Em dois dias havia ultrapassado a resistência estática dos nazistas, como estes, quatro anos antes, haviam superado a tida como inexpugnável muralha da França.

A conclusão é de que tanto na guerra como na paz, a solução é o movimento. Madame acaba de declarar, na Rússia, que terminará seu mandato. Irá até o fim. Pode ser, mas, para isso, precisa fazer mais do que viajar às estepes. Para ela, o imperativo de sobrevivência está acima e além de andar de avião: significa a necessidade de mudar o governo. Trocar a maioria dos ministros nomeados pelos partidos por razões fisiológicas e escolher os melhores em cada setor, independente de filiações partidárias. Agitar a administração, a política e a economia com pessoas e ideias novas.

Ministros atuais existem que só entraram no gabinete presidencial no dia da posse. Auxiliares com os quais ela não despacha nem quer despachar, abandonados que estão pela falta de estímulos e diretrizes. Melhor livrar-se deles, não abrindo exceções sequer para o chamado grupo palaciano.

MUITA TEIMOSIA

Madame é teimosa, age como se tivessem sido escolhas dela as nomeações para a equipe de governo. Não foram, na maior parte, senão imposição de acertos partidários para a conquista de maioria no Congresso, que de resto não conquistou. Soma-se às derrotas colhidas nas últimas semanas a ausência de respeito do Legislativo para com o Executivo. A lição sobre a inoperância das Linhas Maginot e Siegfried não deixa dúvidas.

O processo político aproxima-se daquela etapa onde a presidente Dilma muda ou será mudada. Mais grave do que sua popularidade em queda livre é a falta de disposição para mudanças, que começariam pelo ministério, com a anterior elaboração de um plano diretor para o seu governo. O assistencialismo esgotou-se. É preciso quebrar estruturas e ampliar horizontes. Não bastam, sequer, os anteriores conselhos do Lula, que parece haver interrompido o fluxo de colaboração com a sucessora. Não adianta, apesar dele ter estimulado o festival de imposições partidárias.

Em suma, torna-se imprescindível uma olímpica chacoalhada no governo, de preferência antes que cheguem ao ponto de ebulição suas relações com o Congresso, o Tribunal de Contas da União, o Tribunal Superior Eleitoral e a torcida do Flamengo.

5 thoughts on “Ou muda ou será mudada

  1. O Jornalista Carlos Chagas é um dos profissionais que mais admiro pela sua expertise no ramo e pela maneira inteligente como junta as palavras, resultando num texto leve, claro e saboroso de se ler. Agora, entre Maginot e Siegfried prefiro Siegfried e Sieglind.

  2. Carlos Chagas, teu saber misturado com ódio pelo que vejo não dá para separar. Criar essa imagem da segunda guerra com o “nazista general Patton” e os movimentos de Dilma é de pasmar. (O general não era alemão e nem nazista por convicção, era nazista pelas atitudes e procedimentos como militar). Conselhos só valem se for ao pé do ouvido. Já existiu tempo em podias ir ao pé do ouvido de Dilma dar-lhe conselhos. Depois, existe sempre um depois as coisas mudaram; porque mudaram você sabe. Em verdade não tem queda e nem renuncia é só esperar para ver. Não adianta nos não gostarmos da Dilma, o governo chegará a 2018 passará governo a quem ganhar. Não pensem que Lula será candidato, não será. Aécio é o mais fraco, desgastou-se pela arrogância e continua no mesmo diapasão. Na hora da verdade não terá mais “perna”. Ficará mais um na história que desejou, amou, quis, imaginou, calculou, panejou,sonhou ser presidente e nunca chegou a ser.

  3. Na cidade aonde moro, vejo com frequência carros mal estacionados, em fila dupla e as vezes até em esquinas, com o pisca alerta ligado, e sem motorista. As pessoas cometem esse pequeno “mal feito” com a desculpa esfarrapada na ponta da língua, o tal pisca alerta ligado.
    Definitivamente, o Brasil precisa se livrar da “madame”, assim como expurgou Collor de Mello. A permanência dela é a vitória, menos da incompetência, mas principalmente do “mal feito” e da desculpa esfarrapada.

  4. Marcelo Souza, obrigado pela advertência que se perde no espaço. Só os insuficientes ideológicos e os que não me conhecem me confundiriam. Sou trabalhista seguidor de Getúlio, Jango e Brizola desde 1950. Fiz questão de me identificar como trabalhista desde que comecei a participar da “Tribuna Impressa” em 2005 e ninguém pensava em Blog. Muitos participam, dão opiniões, metem o malho nesta e naquela pessoa. Neste e naquele partido mas, não se identificam. Então Souza com”Z”, somente eu é que em respeito aos participantes e ao Hélio Fernandes e depois ao nosso amigo Newton e que me identifiquei ideológicamente. Depois você confere o que eu escrevi. Queres apostar o teu avião contra o meu iate?

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