Outra que não vai pegar

Carlos Chagas

A Comissão de Constituição e Justiça da Câmara aprovou o fim da prisão especial para quem dispõe de diploma  universitário, bem como para os detentores de cargos eletivos. Prisão especial, depois da aprovação do projeto,  só para quem estiver correndo risco de vida no convívio com outros  presos.

Além de  subjetiva a  ressalva, a depender da interpretação da autoridade policial, salta aos olhos a inocuidade da proposta. Irá para o xadrez  coletivo de uma delegacia qualquer  o deputado ou senador preso em flagrante por algum crime,  ou engenheiro milionário, dono de uma mega-empresa,  acusado de remessa ilegal de dinheiro para o exterior?

Acresce ter sido essa profilática medida diversas vezes anunciada e até aprovada em sucessivas reformas do Código de  Processo Penal  que não  pegaram. Nem pegará, depois que a lei for sancionada. O problema é econômico, tanto quanto de poder. Cadeia, mesmo, daquelas imundas e promíscuas, só  para pobres e desprotegidos. Isso quando os ricos e poderosos tiverem caído nas malhas do Código Penal, coisa muito difícil de acontecer enquanto estiver em vigência a prática da impunidade, para o senador  Pedro Simon o  maior  dos  males nacionais. Não se trata de mais   leis, senão de menos pudor, característica de uma sociedade como a nossa.

Na carroceria de um caminhão

Ameaça o presidente Lula, quando a legislação  eleitoral  permitir, postar-se na carroceria de um caminhão a fim de  pedir votos para Dilma  Rousseff.  Precisará, primeiro, licenciar-se da presidência da República, hipótese que  volta a ser cogitada para o   período  entre agosto e setembro. A história de que popularidade não se transfere, muito menos votos, começou a ser desmentida pelas últimas pesquisas e poderá seguir adiante. A eleição da candidata deixou de constituir-se num sonho  impossível, ainda que certeza dos resultados de outubro ninguém tenha. O importante é que, se conseguir eleger Dilma, o presidente Lula estará consagrado como nenhum de  seus antecessores.

A pergunta que se faz,  então, é se o primeiro-companheiro, depois de terminado seu mandato, conseguirá  descer da  carroceria do seu caminhão. Permanecendo nele, começará a incomodar precisamente o objeto de seus atuais  esforços,  a suposta nova detentora do poder. Os mais otimistas, no PT e adjacências, começam a preocupar-se com o day-after, a convivência entre o criador  e a criatura.  Os pessimistas acham que vai dar bolo…

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