Outro jornal satírico francês , “Le Canard”, é ameaçado por terroristas

'Le Canard Enchaîné'Deu na France Presse

O principal jornal satírico francês, ‘Le Canard Enchaîné’, revelou ter recebido, após o atentado contra o semanário ‘Charlie Hebdo’, uma mensagem eletrônica com ameaças, dizendo que “agora é sua vez”.

O e-mail foi recebido em 8 de janeiro, no dia seguinte ao ataque contra outra publicação satírica, ‘Charlie Hebdo’, em Paris, na qual morreram 12 pessoas.

A mensagem diz que os jornalistas serão despedaçados “a machadadas”, destaca o Canard.”Dado o contexto”, escreve o jornal, “a vigilância foi reforçada” e a justiça abriu uma investigação.

Em homenagem às vítimas do ataque ao jornal ‘Charlie Hebdo’, o ‘Le Canard Enchaîné’ publicou nesta quarta-feira (14) uma edição especial. Com destaque, a imagem do cartunista Jean Cabut (Cabu) aparece no alto com a frase: “Vamos gente, não desanime”. O jornalista é uma das vítimas do ataque à redação e também chegou a trabalhar no ‘Le Canard’.

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CHARLIE ESGOTA EDIÇÃO E PEDE DOAÇÕES

Fernanda Viegas

A equipe do ‘Charlie Hebdo’, que produziu a primeira edição do semanário após o atentado que matou dez jornalistas e dois policiais, no dia 7 deste mês, também pede ajuda dos leitores para manter o jornal de pé. Em sua página na internet, que está com o fundo preto, um sinal de luto, o grupo solicita ajuda financeira.

“A liberdade de expressão é um direito. O semanário Charlie precisa de você para sobreviver. Apoie Charlie Hebdo – Jornal irresponsável – fazendo uma doação!”, solicita o texto do box inicial. As doações podem ser feitas por cheque ou por cartão de crédito.

O site do jornal está esvaziado. Existe apenas uma capa, sem links, que diz: “Eu sou Charlie. Como a pena é sempre acima da barbárie… porque a liberdade é um direito universal… porque você nos apoia… Nós, Charlie”.

A edição desta quarta-feira (14), chamada de ‘O jornal dos sobreviventes’, já se esgotou nas bancas. Mais de 3 milhões de exemplares foram vendidos. A capa desta semana contém uma charge do profeta Maomé chorando, triste com o terrorismo que tomou conta da França na última semana.

4 thoughts on “Outro jornal satírico francês , “Le Canard”, é ameaçado por terroristas

  1. Comerciantes não tem nem escrúpulo. Não importa o ramo, mas os mercadores de ideia fúteis são os mais inescrupulosos. Vivem de ludibriar as “cabeças de vidiotas”. O assassinato de 12 pessoas propiciou um ótimo negócio de ocasião. E minhões de abestalhados pela manipulação midiática fazem fila para adquirir exemplares do jornaleco do besteirol… Tudo a pretexto duma “tal liberdade de imprensa”…

  2. Independente do atentado terrorista que dizimou vinte pessoas, incluindo os autores dos assassinatos e policiais, o Charlie teve uma ascenção vertiginosa.
    Antes desconhecido, agora se tornou célebre, ocasionando dois aspectos opostos:
    O primeiro, é que as charges de gosto duvidoso contra as religiões serão bem mais divulgadas;
    O segundo, é que esta propagação poderá aumentar a ira dos radiciais, e mais atentados em consequência.
    O episódio demonstrou que a xenofobia continua latente em França, e trouxe à tona a repulsa contra o Islamismo e seus seguidores, os árabes, cujo resultado dificultará sobremaneira que um dia o mundo seja menos desigual, mais tolerante, e as pessoas mais compreensivas.
    No entanto, o problema maior não veio para debate ainda, que se trata da interpretação sobre a liberdade de expressão, o papel da imprensa, limites ou liberalidades.
    Em princípio, a proposição que a liberdade de expressão seja absolutamente sem censura, não evitará que as reações dos ofendidos – os radicais religiosos – seja na mesma proporção, isto é, se as caricaturas degradam as imagens de divindades, que seus fiéis tentem vingar a profanação com a morte.
    Por outro lado, faz-se necessário uma imprensa livre, mas as charges, as caricaturas feitas pelo Charlie, podem ser consideradas como parte da imprensa informativa e investigativa?
    Imprensa quer dizer notícia, opinião, editoriais, as linhas que regem um jornal em termos políticos e sociais, até mesmo se oposição ou situação ao governo no momento, mas desenhos apelativos, pornográficos, claramente ofensivos e agressivos, devem fazer parte desta categoria de jornalismo?
    Não estariam os autores desse tipo de veiculação de suas obras, para alguns altamente contestatórias, aproveitando-se desta condição para deleites pessoais, diversão, deboches, escárnio, querendo compor o quadro de um jornalismo pessoal, que nada contribui para a imprensa de um modo geral naquilo que lhe é peculiar?
    Decididamente, o Charlie não é imprensa, não faz jornalismo, não informa, não emite opinião, apenas degrada, desrespeita, é insolente, atrevido e provocador.
    Mais a mais, se a questão é liberdade de expressão, pois muito bem, então que o jornaleco fosse vendido embalado, sabendo quem o comprasse q

  3. Complemento o que eu mesmo interrompera acima:

    … quem o comprasse que veria charges contrárias aos cultos religiosos, mas não abertamente ao público em bancas de jornais.
    Pronto.
    Dentro da embalagem que publicassem o que quisessem, por mais ofensivo e agressivo que fosse!
    Resolvida a questão da censura e, certamente, evitaria – imagino eu – que as reações radicais fossem levadas a efeito como na semana passada.
    Enfim, é o que penso a respeito desse problema que terá muitos desdobramentos, menos analisar este tipo de liberdade de expressão, que não significa permissividade e irresponsabilidade, a meu ver.

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