PAC 2: 48 mil projetos, apenas 15% prontos e 57 funcionando

Paulo de Tarso Lyra
Correio Braziliense

O arrocho fiscal que será imposto pela futura equipe econômica ao longo dos próximos dois anos fará com que o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) e o volume dos investimentos em infraestrutura — como antecipou o Correio há três semanas — sofram uma redução brutal. Mas o primeiro mandato da presidente Dilma Rousseff, iniciado em 2011 e que se encerra no término deste mês, também foi pouco deslumbrante no quesito liberação de verbas e conclusão de obras.

Na prática, isso significa que pelo menos seis dos oito anos de Dilma à frente do Palácio do Planalto — três quartos do tempo — serão de investimentos aquém do que o país precisa para retomar o ritmo de pujança da economia. “Existem vários nós que precisam ser desatados no setor de investimento em infraestrutura. E a presidente Dilma precisa aprender que esses problemas não são resolvidos apenas na base do grito”, destacou o fundador da ONG Contas Abertas, Gil Castelo Branco.

Levantamento feito pelo Contas Abertas a pedido do Correio mostra que, durante as duas etapas do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC 1 e 2), entre 2007 e 2014, foram aplicados cerca de R$ 1,49 trilhão. Desse total, apenas 10% saíram do Orçamento Geral da União (OGU). O investimento das empresas estatais contribuiu com quase 30% do total, ou R$ 434 bilhões.

BALANÇO DO PAC

O setor privado aplicou outros 20% do total investido no PAC, por meio das parcerias público-privadas e das concessões em obras de infraestrutura. A maior parcela (34%) é composta por empréstimos habitacionais, como os do programa Minha Casa, Minha Vida e outros, concedidos pelos bancos públicos. Os dados são do último balanço do PAC, divulgado em abril.

Se as cifras são impressionantes, os resultados finais, porém, decepcionam. Dos pouco mais de 48 mil empreendimentos incluídos no conjunto de ações do PAC 2, apenas 15,8% — pouco mais de 7,7 mil — foram concluídos. Desse total, apenas 0,1% (57) está em funcionamento. Quase metade das obras, mais precisamente 45,6%, equivalente a 22,2 mil empreendimentos, não saiu do papel. Outros 18,8 mil (38,6%) estão em execução.

3 thoughts on “PAC 2: 48 mil projetos, apenas 15% prontos e 57 funcionando

  1. Lembra os Planos Quinquenais da extinta URSS, que tinham como ponto central a aceleração do crescimento e o desenvolvimento econômico, coisa que somente começou a acontecer após o esfacelamento do regime comunista e com a devida instalação do capitalismo na Rússia atual e demais territórios livres outrora anexados.

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