Pacheco e Lira condenam a ofensiva de Bolsonaro contra o processo democrático

Cúpula do Congresso saiu em defesa do processo eleitoral

Pedro do Coutto

O senador Rodrigo Pacheco, presidente do Congresso Nacional, e o deputado Arthur Lira, presidente da Câmara dos Deputados, reagiram contra os ataques do presidente Jair Bolsonaro às urnas eletrônicas e ao sistema eleitoral brasileiro, considerando que tal ofensiva, no fundo, representa uma ameaça ao regime democrático do país e ao resultado das eleições de novembro.

Reportagem De Julia Lindner, Marianna Muniz, Daniel Gullino, Alice Cravo e Jussara Soares, O Globo desta sexta-feira, focalizam amplamente a reação do Congresso à sombra que Bolsonaro recoloca sobre o destino democrático do país, dando margem a que se suponha um projeto de golpe militar caso seja derrotado por Lula da Silva nas urnas de novembro.

COMEMORAÇÃO – A reação de Pacheco e Lira estende-se também à clara agressão do presidente da República ao Supremo Tribunal Federal ao promover uma comemoração no Palácio do Planalto em homenagem ao deputado Daniel Silveira exibindo o indulto assinado, cujo decreto transformou num quadro que presenteou o deputado do PTB.

Bolsonaro deixou ainda mais clara sua ofensiva contra as instituições porque não pode haver explicação para que um presidente da República faça exaltação e um deputado que atacou ministros do Supremo, ameaçando-os até de agressão física e também destacando um ataque ao STF como um todo, unindo-se assim aos que meses atrás, em manifestação na Esplanada de Brasília, ostentavam faixas propondo uma ditadura militar com Bolsonaro, o fechamento do Supremo e também do Congresso.

Rodrigo Pacheco e Arthur Lira manifestaram a reação de praticamente todos os parlamentares contra as colocações de Bolsonaro, inclusive porque, conforme escrevi há poucos dias, se concretizada uma ruptura democrática, os deputados e senadores perderiam os seus mandatos com o governo, não mais necessitando deles para aprovar leis e emendas constitucionais.

APOIO – Senadores e deputados de vários partidos apoiaram a reação dos presidentes do Senado e da Câmara Federal. A reação de Pacheco e de Lira surpreendeu certamente o presidente da República que sentiu que perdeu votos com a glorificação que praticou colocando Daniel Silveira num pedestal contra a Constituição e contra as leis do país.

Não se trata de liberdade de expressão, mas sim de uma investida antidemocrática, uma ameaça à integridade dos ministros do STF  e o descumprimento ostensivo das determinações de Alexandre de Moraes.

Os senadores e deputados revelaram terem sido tocados tanto pela necessidade de defender o processo eleitoral, quanto pela própria sobrevivência  da democracia. O presidente da República certamente não contava com a intensidade da reação de seus aliados, os quais, aliás, em consequência, devem afastar o apoio à reeleição de Bolsonaro, que perde votos há cinco meses nas urnas de novembro.

DÍALOGO –  Numa sabatina realizada pela Folha de S. Paulo e pelo portal Uol na quarta-feira, reportagem de Carolina Linhares, Folha de S.Paulo, o ex-governador João Doria defendeu uma diálogo com Lula da Silva  em nome da preservação da democracia no país e pela derrota de Bolsonaro nas eleições.

A Folha de S.Paulo e o Uol estão realizando debates com os pré-candidatos à Presidência da República deste ano. A sabatina foi conduzida por Fabíola Cidral, pelo jornalista Josias de Souza, e pela jornalista Cátia Seabra.

“Não há razão para não se manter diálogo com Lula, com o PT e com partidos da esquerda e da direita, pois se trata da defesa do regime e o fato de que a democracia pressupõe o diálogo. Tenho posições muito distantes do PT, mas isso não impede  que mantenha uma posição respeitosa com esse partido. Só nos regimes autoritários é que não existe o diálogo”, afirmou.

SEGUNDO TURNO – Doria rejeitou a hipótese de apoiar Lula no primeiro turno, mas não negou tal perspectiva quanto ao seu posicionamento num eventual segundo turno. João Doria acrescentou que a unidade da terceira via é um trabalho em progresso e o importante é que o diálogo continue para proteger o Brasil e encontrar uma alternativa para a polarização entre Lula e Bolsonaro.

Relativamente à rejeição ao seu nome para presidente, João Doria atribui ao resultado de uma máquina de destruição bolsonarista que sistematicamente o vem atacando sem cessar através do tempo.

13 thoughts on “Pacheco e Lira condenam a ofensiva de Bolsonaro contra o processo democrático

  1. Quando um navio começa a afundar, os ratos são os primeiros a abandoná-lo.
    É isso que está acontecendo.
    É bastante normal que bandidos briguem entre si após o crime cometido.
    O fim está próximo.

  2. O que esses caras dizem não serve nem para colocar em penico. São uns bolhas, nada fazem para o bem comum – são sabidos e descomprometidos com o povo e com a nação. A lealdade deles é com o poder, a ganância, o status privilegiado. No STF se repete a mesma história; na presidência é a mesma indecência. Para esses bolhas a pátria-amada não vale mais nada.

  3. Dória falou em diálogo com Lula, mas falou também em diálogo com Ciro Gomes e união da terceira via.
    O que tenho percebido é que a mídia, principalmente a Globo, é proibido citar o nome de Ciro Gomes, fala uma vez ou outra para não pegar mal. Ciro é o único que pode ganhar do Bolsonaro e do Lula,
    Bolsonaro só pode ganhar do Lula e vice versa.
    Há o grande risco de Bolsonaro se reeleger, não precisou deixar o cargo para fazer campanha, tem a chave do cofre na mão e o aparato estatal,
    Não quero ser obrigado a votar no menos ruim, quero votar no melhor, no candidato que é contra esse sistema corrupto

  4. Rodrigo Pacheco e Arthur Lira, presidentes do Senado e da Câmara respectivamente, os legítimos representantes do Poder Legislativo não poderiam se eximir da declaração contra o Sistema Eleitoral e as declarações de Bolsonaro contra o Regime Democrático de Direito, ameaçando o país, caso o resultado das eleições de outubro, não seja favorável a ele.
    São fatos repetitivos, numa escalada insana, que pode gerar conflitos generalizados, se os apoiadores do Mito de pés de barro, imitem os partidários de Donald Trump, que invadiram o Capitólio inconformados com a derrota do empresário sonegador de impostos, Trump, nas urnas.
    A tentativa de golpe na América fracassou, mas, cinco pessoas morreram. Se os seguranças do Congresso dos EUA, não tivessem contido os extremistas do Q Annon, que apoiavam o presidente na tentativa de melar as eleições e impedir a vitória de Joe Biden, estaríamos diante do assassinato de deputados e senadores, inclusive do vice presidente, que estava presente na solenidade de posse do presidente eleito.
    Rodrigo e Lira, provavelmente foram avisados, de que suas cabeças poderiam rolar na guilhotina, caso o Congresso fosse invadido pelos inconformados imitadores do processo eleitoral americano.
    Aqui como ocorreu na América, não faltariam aquela gasolina e um estopim para deflagrar os piores sentimentos contidos nessa galera, que adora fazer justiça com as próprias mãos e que estão sendo criminosamente armadas para agir em bandos de desordeiros, dispostos a tudo para fazer valer suas ideias em detrimento da maioria da nação.
    A polarização política está atingindo um grau de beligerancia insustentável, na medida em que vai se dissipando a possibilidade de surgimento de um candidato da Terceira Via que empolgue o eleitorado. Sérgio Moro estava ultrapassando a marca dos dois dígitos, quando surpreendentemente abandonou o Podemos e migrou para o União Brasil, sendo rifado pelos caciques Bivar e ACM Neto.
    Ciro não passa dos 8% nas pesquisas e a turma do andar de baixo oscila entre 1% e 2%.
    João Dória, o candidato da Elite empresarial de São Paulo, exibe uma tristeza infinita, porque sua candidatura vem sendo solapada no front interno do tucanato, com os cavalos de Tróia, Aécio Neves e Eduardo Leite. Portanto, já percebeu o erro de abandonar o mandato de governador para se aventurar nessa candidatura a beira do colapso. Vem admitindo nas conversas da Terceira Via, que pode vir de vice. Mas, de quem, se os outros candidatos estão piores do que ele, caso de Simone Tebet, também sofrendo dissidencias no MDB.
    O quadro pode mudar até outubro, mas, só um milagre ou algum imponderável da vida humana para evitar o baião de dois nas Urnas de outubro: Bolsonaro ou Lula
    Por falar nisso, toda vez, que sai o resultado das pesquisas e o capitão constata seu percentual em torno de 30%, os ataques ao STF e a fragilidade das Urnas Eletrônicas bombam nas Lives de quinta e nos discursos antecipados da campanha.
    Vem coisa pior por aí, mirando o Congresso Nacional, já que não pode colocar a culpa pelo fracasso econômico, na guerra da Ucrânia nem no russo PUTIN.

  5. Uma ‘porcariazinha’ de menos de 2000(dois mil) extremistas que começaram a jogar de cabeça os deputados que não os agradavam nas latas de lixo, conseguiram destituir o presidente pró Rússia, e emplacar o fantoche Zelensky. Como prêmio, entraram para o exército como batalhão de Azov.
    Agora os russos vão comer todos ensopados com batatas e os covardes como instrumento de propaganda, levaram uma quantidade igual em número de mulheres, velhos e crianças para servirem de ‘escudo’ como os fundamentalistas árabes fizeram.
    Os russos já liberaram os civís, mas o nazistas não abrem mão e o ocidente lava as mãos, como Pilatos.
    PS: Tudo isso para ficarmos de barbas de molho com estes radicalóides extremistas.
    Seja a cor que tiverem.

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