Pacheco e Lira desafiam ordem do STF e tentam ganhar tempo para manter orçamento secreto

Charge 09/11/2021

Charge do Marco Jacobsen (Arquivo Google)

Míriam Leitão
O Globo

Mais um capítulo da novela Orçamento Secreto e emendas do relator. Agora, o senador Rodrigo Pacheco quer seis meses para cumprir a ordem do Supremo de dar transparência a essas despesas. É uma forma de ganhar tempo e de liberar o dinheiro das emendas de 2021 que está retido por ordem do STF.

Quando saiu a ordem da ministra Rosa Weber, referendada pela maioria do Supremo, de que era para divulgar os nomes dos parlamentares que liberaram as emendas, e que emendas foram liberadas, na chamada RP9, emendas do relator, os presidentes das duas casas, senador Rodrigo Pacheco e deputado Arthur Lira soltaram um pronunciamento conjunto dizendo ser impossível cumprir a ordem. Isso colocava o Congresso na situação de descumprir ordem judicial.

MENTINDO AO STF… – O senador Alessandro Vieira acusou a cúpula do Congresso de mentir para a ministra Rosa Weber e está coletando assinaturas para uma CPI para investigar as emendas de relator.

Agora Lira e Pacheco voltaram atrás. O senador Rodrigo Pacheco enviou à ministra uma manifestação prometendo cumprir a ordem de transparência em relação às emendas. Mas diz que precisa de seis meses.

Se Pacheco e Lira disseram antes que é impossível divulgar e depois passam a dizer que podem divulgar, mas apenas em seis meses, é porque de fato estavam mentindo da primeira vez. Mas essa nova posição é aceitável?

NÃO HÁ CONTROLE? – O líder da oposição, senador Randolfe Rodrigues, disse que esse prazo não é razoável. Segundo ele: “se precisa de 180 dias para saber as indicações das emendas isso é extremamente grave. É algo grave porque mostra que não há controle”.

O assunto continua enrolado, só comprovando que o Orçamento era mesmo secreto, como definiu a premiada série de reportagens do  “Estado de S.Paulo”. E é secreto porque é com base nessa distribuição farta de dinheiro que o governo tem comprado apoio no Congresso.

Com o passado e o presente não resolvido, a Comissão Mista do Orçamento vai votar essa semana a aprovação dos R$ 16 bilhões de emendas do relator para 2022. A novela vai continuar e o único fim aceitável é divulgar com toda a transparência possível os parlamentares que em 2020 e 2021 liberaram despesas executadas pelos ministérios. Não pode haver segredo com dinheiro público. Isso é uma ordem da Constituição.

3 thoughts on “Pacheco e Lira desafiam ordem do STF e tentam ganhar tempo para manter orçamento secreto

    • Rosa Weber, Pacheco e Lira, certamente por não terem muito o que fazer, resolveram brincar de “mamãe, posso ir?” .

      A que ponto chegamos na vida pública brasileira. O STF, que já dizem ser o Spremo Tribunal do Fulano” , parece só ter autoridade quando é para defender o interesse individual, principalmente, dos ex presidentes que enviaram os seus paus mandados, como foi o caso novelesco de reduzir a prisão de Luiz Inácio e por fim anular sua condenação com a “piada do ano” de que o foro que o condenou não era adequado, isso depois de 5 anos, e nem se levou em conta a dinheirama que se gastou para investigar, denunciar, processar, julgar e condenar o rato barbudo.

      Nosso país vê crescer a violência pela falta de seriedade dos dirigentes que ganham salários e benefícios desproporcionais às riquezas geradas pela inciativa privada, e não satisfeitos, ainda promovem a maior corrupção institucionalizada do mundo.

      No estrangeiro, já somos vistos como um país sem direção, e nossos dirigentes não se envergonham de não poder estar nas ruas, nos aeroportos ou em qualquer lugar público sem serem repudiado com veemência pelos cidadãos inconformados com tal situação.

      Todos sabemos que o fim disso tudo será muito ruim para eles que não se incomodando, a não ser com seu ganhos injustos às custas da miséria do povo brasileiro.

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