Lei permite substituição de Gabeira e volta de Garotinho

Pedro do Coutto

Com o IBOPE  apontando 58 para Sergio Cabral e apenas 14 para Fernando Gabeira, e tendo este criticado frontalmente todos os partidos que o apóiam em coligação PV, PSDB, PPS e DEM, a impressão deixada pelo episódio é de que sua candidatura tornou-se insustentável, restando apenas formalizar a saída ou a coligação retirar-lhe o apoio. Gabeira queixou-se de falta de recursos financeiros e de sustentação, mas não levou em conta que o amplo tempo que possui nos horários de televisão é proporcionado principalmente pelo PSDB. Depois pelo DEM e um pouco pelo PPS. O Partido Verde contribui com parcela mínima. Isso porque o espaço gratuito é distribuído proporcionalmente pelas bancadas que cada legenda possui na Câmara Federal. Não posso afirmar, hoje, que a saída de cena de Gabeira vá ou não se confirmar amanhã. Traço apenas um panorama que acredito mais que possível, até provável, pelos sintomas aí colocados.

Não haverá problema para as oposições reunidas. A lei 9504/97, Lei Eleitoral, permite facilmente a substituição de qualquer candidato a posto majoritário. O mesmo não acontece em relação aos candidatos a deputado federal e estadual. Vejam só os leitores.

O art.13 diz textualmente que é facultado ao partido ou coligação substituir candidato que for considerado inelegível., renunciar ou falecer após o termo final do prazo de registro, ou ainda, tiver seu registro indeferido ou cancelado. Caso de Joaquim Roriz (PSC), candidato ao governo  de Brasília barrado pelo TER-DF. A lei não fixa prazo para a substituição.

Entretanto para mudar candidatos a eleições proporcionais, os partidos só podem formalizá-las até, no máximo 60 dias antes das eleições. Como estas se encontram marcadas para 3 de outubro, o prazo previsto na legislação esgotou-se a 3 de agosto. Para Fernando Gabeira e Roriz, por motivos diferentes, é claro, não há prazo pré estabelecido. Marcio Fortes, do PSDB, pode entrar no lugar de Gabeira e tentar obter o apoio da mesma coligação que se formou em torno do verde. Nenhum candidato pode se manter entrando em conflito com as siglas partidárias que o lançaram. O caso de Roriz é diverso.

Não acredito que possa ter êxito seu recurso ao TSE, já que o TSE recentemente aprovou uma súmula exatamente igual à decisão do TER-DF que afastou o ex governador da tentativa de voltar ao governo distrital.

No título deste artigo me referi a Anthony Garotinho. Habilitado por liminar do Tribunal Superior, ele teve seu pedido de registro deferido pelo TER-RJ. Formalizou, através do PR, sua legenda, a inscrição como candidato a deputado federal. Porém diante do esvaziamento do quadro sucessório do RJ com a fraqueza de Gabeira (só 14 pontos contra 58 de Cabral), é possível que reveja seu rumo e decida, aproveitando um atalho legal, buscar novamente o endereço do Palácio Guanabara. Já esteve nele de 98 a 2002, e o transferiu a Rosinha Matheus, sua esposa, que exerceu o governo estadual de 2002 a 2006, elegendo-se no primeiro turno. Por enquanto, a saída de Gabeira e o retorno de Garotinho são apenas suposições. Mas o quadro preocupa especialmente José Serra que, com a fraqueza de Fernando Gabeira, fica sem base alguma no terceiro colégio eleitoral do país. Pois o declínio do verde pode significar um vôo mais baixo para o tucano.

Real Madri procura comprador para Kaká

Para um vendedor apressado, deviam ser mais discretos. O clube espanhol (que defendia o ditador Franco e era protegido por ele) reconhece que fez o pior negócio de sua vida. E ficaria satisfeito se recuperasse a metade do que despendeu, perdão, desperdiçou no pagamento ao Milan.

E Kaká também não saiu nada bem. Dizia sempre: “Quero acabar minha carreira no Milan e na Itália”. Não resistiu ao volume de dinheiro. E o que disse sua própria mulher, conversando com um jornalista, que perguntou de onde viera tanto dinheiro?

Resposta simples da esposa evangélica: “Veio de Deus”. Acho que pela idade, pelos quase dois anos sem jogar e sem brilhar, “o Senhor não vai mandar mais”.

A segurança de cabralzinho, no “estilo” de Reagan

Já tratei das “voadas” de helicóptero do avoado governador. Moradores de Laranjeiras, não agüentavam, agradeceram. Agora, como ele faz, d-i-a-r-i-a-m-e-n-t-e, no chão.

Saem do Laranjeiras 5 carros, com batedores. Nos dois primeiros vão funcionários, no do meio o governador, e finalmente os outros dois. Ao mesmo tempo, pouco depois ou pouco antes, o mesmo esquema, indo para outro lado, lógico, sem o governador.

Isso foi “inventado” por Reagan, quando presidente dos EUA. E assim mesmo sofreu um atentado. Mas um governadorzinho?

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PS – O general Otavio Medeiros, chefe do SNI com Figueiredo “presidente”, era tido e havido como sucessor. (Se houvesse mais um general, seria mesmo ele. Saía com segurança espantosa),

PS2 – Terminada a ditadura, acabou a segurança. Morava sozinho, andava na rua, ia ao supermercado, ninguém jamais falava com ele, mas o conheciam.

Em 1956, há 54 anos, meu primeiro processo. Por causa dos “ACORDOS DE ROBORÉ”, Brasil-Bolívia. Eu queria DEFENDÊ-LO, Roberto Campos, IMPEDI-LO.

Muita gente me pede, por todos os trajetos, caminhos e formas de comunicação, que relembre acontecimentos de minha carreira jornalística, com repercussão não apenas pessoal. Desculpem, deveria ter escrito vários livros a partir de 1960/70. Mas ocupado em viver, combater e ser perseguido, descuidei da importância de escrever, a não ser no dia-a-dia.

(Quando descobri que essa documentação em livro era também importante, já era tarde, não dava mais tempo).

No entanto, atendendo e passando a fatos que irão levar (ou não) o Brasil ao seu destino de potência mundial, que tanto tem sido retardado, vou revelar meu primeiro processo, da forma como fiz com o meu primeiro julgamento no Supremo. Este relato é ainda mais importante, porque se relacionava com o interesse DIRETO do país.

Meu primeiro processo aconteceu em 1956, portanto há 54 anos. Não existia a Lei de Imprensa, nem prisão antecipada, os jornalistas eram enquadrados no que se chamava de “injúria, calúnia e difamação”. Alguém processava o jornalista, o juiz decidia se aceitava ou recusava a denúncia.

Debates notáveis, grandes advogados e jornalistas importantes, tribunal aberto ao público. E muitos desses mestres, atingindo mais tarde o Supremo, sonho de quase todos.

Esse processo foi insignificante em relação ao repórter, mas os fatos conseqüentes e decorrentes, de enorme repercussão. O Brasil, finalmente assinava com a Bolívia, os famosos “Acordos de Roboré”, a Bolívia precisava VENDER gás, o Brasil tinha necessidade de COMPRAR.

O representante do Brasil nesse Acordo, foi Roberto Campos (“entreguista” maior, sobre quem escrevi a vida inteira), que presidia o BNDE. (Naquela época não tinha o S de Social, hoje tem o S mas ainda não tem o Social, é dominado pelos maiores açambarcadores, que palavra, grupos multinacionais).

Inacreditável: o ACORDO (Tratado) era entre Brasil e Bolívia, mas o senhor Roberto Campos tentou de todas as maneiras, INCLUIR os Estados Unidos no relacionamento. Não me conformei, denunciei a tentativa, justificando que a intenção do senhor Roberto Campos era a de “FAZER MÉDIA COM SEUS PATRÕES”. (Textual).

Já todo poderoso e portentoso, (5 anos depois seria embaixador lá mesmo nos EUA, nomeado por Janio e mantido por Jango) me processou. Escrevi que “visivelmente tentava fazer “média” com os Estados Unidos”, que eu já combatia com todas as forças de que dispunha.

Meu advogado, Evandro Lins e Silva (que curiosamente 5 anos depois seria chefe da Casa Civil de João Goulart, ministro do Exterior e finalmente ministro do Supremo), quando leu a petição, riu, nada satisfeito.

Perguntei a razão da CONTRARIEDADE, resposta: “Imaginava que fosse um processo em que pudesse COLOCAR como bandeira o INTERESSE NACIONAL, que é o que você defende. O juiz nem receberá a denúncia”. Foi o que aconteceu.

Quando Evandro, muito tempo depois, assumia a cadeira na Academia, uma de minhas filhas, grande profissional, foi fotografá-lo para a Folha.

Evandro, que já conhecia Ana Carolina, como profissional e amiga do seu neto, falou: “Defendi teu pai 6 vezes”. E ela, irreverente: “Quantas ganharam?” Extraordinária figura, com a gargalhada característica: “ADIVINHA?”

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PS – Em tudo isso, o assombroso, inexplicável, quem pode saber? Esse Tratado Brasil-Bolívia foi retardado e impedido por quase 50 anos. Só foi assinado por Lula e o presidente da Bolívia Evo Morales.

PS2 – Por que o distanciamento desses quase 50 anos? Não consegui descobrir, mas são os caminhos e os descaminhos do capitalismo. Naquela época, serviria apenas aos dois países.

PS3 – 50 anos depois, o tumulto já estava montado e estabelecido, continuava importantíssimo para Brasil e Bolívia. Mas outros países, INTERESSADÍSSIMOS em que não se concretizasse ou consolidasse.

Itararé, a Batalha que não houve, e as “armadilhas” que o tal Google arma contra internautas desavisados

Antonio Santos Aquino:Helio, a Batalha de Itararé (a que não houve) foi em 1930“.

Comentário de Helio Fernandes:
Ah! Aquino, você insiste na confissão zoológica de “catar” pulga em elefante, desculpe o lugar comum. Em 1930, a calma e a calmaria eram de tal ordem, que Washington Luiz, presidente, e seu ministro do Exterior foram mandados para o exterior, nada aconteceu.

E mais. Getulio devia tomar posse no dia 3 de outubro, só pôde vir no dia 24, assumiu uma Junta Militar, dois generais e um almirante, ainda não havia brigadeiro (Silvio Noronha, generais Leite de Castro e Tasso Fragoso).

A Batalha de Itararé seria em 1932. Nesse 9 de julho, existiam combates, incluindo esse que não houve.

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PS – Incrível, Aquino, escrevo um artigo de 12 lauda, tudo de MEMÓRIA, com acontecimentos que raros conhecem, e você DESMENTE UM FATO RIGOROSAMENTE VERDADEIRO.

PS2 – Desculpe, mas não posso deixar de perguntar: onde você foi buscar esse “FATO“, de que a Batalha de Itararé seria em 1930?

PS3 – Eu já disse, só escrevo de MEMÓRIA, lembranças. Posso errar, reconheço. Mas você, por favor! Essa batalha que não houve, você deve ter “encontrado” num livro que não existe ou então no famoso Google.
PS4 – Aliás, há erros demais no Google, e muitos acertos, é claro. Mas se você pesquisar “Batalha de Itararé + 1932”, está lá registrada toda a história da batalha que não houve, com os revoltosos se retirando de Itararé em 1932, para concentrar a resistência no Vale do Paranapanema.

Insosso, amorfo, inodoro e inócuo

Carlos Chagas

Falamos do primeiro debate entre os candidatos presidenciais, na noite de quinta-feira. O país assistiu, se é que houve boa  audiência, a um encontro  insosso, amorfo, inodoro e inócuo.  Se os  próximos  forem como o que passou, pouco contribuirão  para esclarecer o eleitorado. De propósito, deixamos passar dois dias para que assentasse a poeira das distorções emocionais.

Prevaleceram os lugares comuns e uma visão do passado. Raras foram as propostas para o futuro, mesmo assim genéricas e incompletas.

Dilma Rousseff, José Serra e Marina Silva, apesar de divergências pontuais e de pequenas farpas periféricas lançadas entre eles,  davam a impressão de haver decorado um script único. Como denunciou o quarto participante, Plínio de Arruda Sampaio, pareciam a Poliana, expondo o bom-mocismo e não se comprometendo com mudanças estruturais. Num exemplo: os três rejeitaram a limitação das propriedades rurais e deixaram para o livre entendimento entre a guilhotina e o pescoço, quer dizer, entre  patrões e empregados,  a redução das jornadas de trabalho. Mostraram-se de acordo com o atual sistema de distribuição de renda, sendo que a do capital subiu 14% e a do trabalho caiu na mesma proporção, conforme Plínio.   Não retrucaram ao ouvir que é de  quarenta vezes a diferença de renda entre ricos e pobres.

Adiantou pouco  o candidato do Psol  apresentar-se como D. Quixote,  não raro ridículo ao dizer-se discriminado pelos colegas  e pela TV-Bandeirantes. Dilma saiu como chegou, representante do Lula,  vitrina das realizações do atual governo e vidraça para os adversários.  Serra surpreendeu quando chegou às lágrimas, fato inusitado, ao lembrar sua origem modesta e seus percalços nos tempos da ditadura. Marina mais pareceu a Irmã Dulce em sua tentativa de conciliar tudo e todos.

Em suma, os candidatos continuam devendo mais do que as promessas de diminuir os juros, recuperar portos, aeroportos e estradas,  sem dizer  quais nem como, além de investir no ensino técnico e ampliar postos de saúde. Deixaram em branco, também, a questão da segurança pública, tendo o tucano apenas repetido que criará um ministério especifico e a companheira, que multiplicará as unidades de Polícias Pacificadoras. O público merecia mais.

Tucanos depenados?

Não é apenas a direção do PT que teme não aumentar suas bancadas na Câmara e  no Senado, com as eleições de outubro. No ninho dos tucanos a preocupação parece  a mesma, para não falar no DEM. O raciocínio  é de que o PMDB crescerá um pouco, por inércia, mas  quem se beneficiará serão os médios e pequenos partidos, do PTB ao PDT, do  PPS ao Partido Socialista e ao Psol. Pode haver engano nessa previsão, mas caso  ela se confirme, mais dores de cabeça sentirá o futuro ocupante do palácio do Planalto, seja Dilma, seja Serra. Nada parecido  com uma rebelião dos nanicos, mas algo como a obrigação de abrir maiores espaços no condomínio da coisa pública.  Agora mesmo é que a reforma política não se realizará nos próximos quatro anos, pelo  menos no que diz respeito à cláusula de barreira e ao voto distrital.

Complicações no Sudeste

Os  candidatos presidenciais estão concentrando suas presenças nos estados do Sudeste, onde se localizam os  três maiores colégios eleitorais,  com São Paulo, Minas e Rio de Janeiro.  Dilma e Serra mantém preferências equilibradas na região, sendo que o PT dispara no Norte e Nordeste e o PSDB vence no Sul.

Tanto o tucano quanto a companheira tem origem no Sudeste, assim como seus candidatos à vice-presidência. Vai ser difícil, qualquer que seja o vencedor, fechar a goela dos políticos e governantes locais, quando chegar a hora de compor o ministério.

Ficam poucos ou não fica ninguém?

Na hipótese da vitória de  José Serra, todos os atuais ministros precisarão limpar as gavetas, porque não fica ninguém. No reverso da medalha, ganhando Dilma, são muitos os candidatos a permanecer, com ênfase para os cristãos-novos, aquela turma que em abril ocupou as pastas pela  desincompatibilização dos ministros  hoje pleiteando  votos. Imagina-se que ela manterá alguns, mesmo redistribuindo-os, mas a tônica será  pela composição de uma nova equipe. O primeiro a sustentar essa mudança é o presidente Lula.

Serra vence debate vago, mas assistido por 6 milhões

Pedro do Coutto

Sem dúvida alguma, analisando-se serena e objetivamente o debate da Band na noite de quinta-feira, chegamos à conclusão de que José Serra levou a melhor, embora o confronto tenha sido vago, sem número expressivo de idéias fortes e projetos concretos. O debate, bem conduzido por Ricardo Boechat, foi mais adjetivo que substantivo.

A audiência revelada pelo Ibope, de acordo com a reportagem de O Globo ontem, atingiu a média de 3 pontos, com pico máximo de 5% da audiência. Índice baixo, mas de qualquer forma reuniu no outro lado da tela cerca de 6 milhões de eleitores. Alguém pode falar com 6 milhões de pessoas numa só noite? Impossível. Daí a importância enorme da televisão.

Leitores naturalmente vão perguntar – perguntam sempre – como cheguei a seis milhões. Explico: o Brasil tem 58 milhões de domicílios. Três por cento correspondem a quase um milhão e 800 mil residências. Com a taxa de 3,5 telespectadores por unidade, oscilamos em torno dos seis milhões a que me refiro. Porém esta é outra questão, embora não menos importante do que o debate em si.

José Serra levou a melhor. Estava mais seguro, melhor informado, mais desenvolto, preocupado em mostrar que é mais preparado que Dilma, o que a meu ver conseguiu, mas excessivamente cauteloso em não colidir com o presidente da República. Chegou a elogiar a retomada do ritmo de empregos, a recuperação da indústria naval, o programa Luz Para Todos. Reconheceu a validade das cestas básicas. Esteve bem, também, apesar de enfocar superficialmente, no tema essencial da reforma agrária.

Dilma Rousseff, tensa o tempo todo, talvez temendo perder votos no universo agrário,procurou contornar a questão. Mas foi lógica ao rebater a proposta de Plínio Arruda Sampaio que deseja a desapropriação de terras acima de mil hectares. Uma utopia absoluta. Impossível. Assistindo ao debate ao lado de Elena, minha mulher, me veio à memória um artigo magistral do jornalista Paulo de Castro, em 72, quando qualificou o candidato democrata à Casa Branca, McGovern, o candidato da Utopia. Levou um banho de Nixon. O Senador por Massachussetes anunciou que taxaria os salários americanos superiores a 3 mi  dólares mensais. Foi um desastre. Alcançou apenas 30% da votação. Perdeu em 49 dos 50 estados da América do Norte.

Voltando ao debate de quinta-feira, pouco se pode dizer de Marina Silva, a não ser sua ética e sua elegância, pois ela nada afirmou a respeito de coisa alguma. É a candidata da Ecologia. Só isso. Plínio Sampaio é o candidato de uma revolução que não vai haver. Dom Quixote contra os moinhos de vento, na noite da Bandeirantes.

Lamentavelmente o tema reforma agrária, um dos pontos fundamentais da luta sucessória de 1960 entre Jânio Quadros e o general Lott, há cinqüenta anos, foi tocado genericamente. Nem o Estatuto da Terra, lei excelente produzida por Roberto Campos – lei número 4540, de novembro de 64 – foi lembrado como solução. Conclui que a reforma agrária, de verdade, não interessa a ninguém. Nem mesmo através de uma lei puramente capitalista como aquela. Um diploma legal do século 20. Mas os proprietários de terras ainda permanecem no século 19.

Me impressionou a desinformação de Rousseff sobre o trabalho efetivo e a importância das APAES. Confundiu recuperação de crianças com necessidades especiais com ações gerais de saúde. Mas no final do confronto alcançou o objetivo a que se propunha: ampliar junto à opinião pública a informação de que ela é a candidata de Lula. Come se dizia antes: discurso pode mudar opinião, mas não o voto. Vamos ver.

O governo, os bancos e “as letras pequenas”

Jorge Folena

Retomando o artigo postado em 10/07/2010, sobre a abusiva cobrança de juros, foi-me encaminhada interessante pergunta por um leitor (“por que os juros são tão altos e as letras do contrato são tão pequenas?”), que me possibilita esclarecer alguns pontos não discutidos anteriormente.

Limitação da taxa de juros

A Constituição de 1988 (art. 192,§ 3º) limitava a taxa de juros em 12% ao ano. Porém, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que a previsão constitucional não era autoaplicável, dependendo de lei complementar [Ações Diretas de Inconstitucionalidade (ADINs) n.ºs 4 e 7].

O STF, por meio de sua súmula 596, determinou que “as disposições do Decreto 22.626/33 (Lei de Usura) não se aplicam às taxas de juros e aos outros encargos cobrados nas operações realizadas por instituições públicas ou privadas, que integram o sistema financeiro nacional.”

O Congresso contra o povo

Ao invés do Congresso suprir a mora legislativa apontada pelo STF (ADINs 4 e 7), resolveu, em favor dos bancos, revogar a limitação constitucional de juros por meio da Emenda Constitucional 40/2003. Assim, a questão ficou regulamentada por uma norma sancionada pelo regime militar, a Lei 4.595/64, que trata do sistema financeiro nacional.

O Conselho Monetário Nacional

A Lei 4.595, em seu artigo 4º, inciso IX, estabelece que é atribuição do Conselho Monetário Nacional (CMN) “limitar, sempre que necessário, as taxas de juros”.

O CMN é órgão da Administração Pública, sendo um mero executor da lei e não um legislador. Desta forma, a competência a ele atribuída pela Lei 4.595 foi apenas para limitar a taxa de juros e não criá-la ou aumentá-la.

Desta maneira, o CMN, em observância ao princípio da legalidade (artigo 37 da Constituição), deveria utilizar, mesmo para os empréstimos bancários, a taxa de juros prevista no Código Civil em vigor para juros moratórios (art. 406), que deve corresponder à utilizada para “pagamento de impostos devidos à Fazenda Nacional”, no caso a taxa Selic (Sistema Especial de Liquidação e de Custodia), conforme as Leis 9.065/95 (art. 13) e 9.250/95 (art. 39, § 4º).

Isto porque, na ausência de uma lei que limite os juros remuneratórios, aplica-se a analogia, como forma de integração da norma jurídica inexistente, como dispõe o artigo 4º da Lei de Introdução ao Código Civil.

Todo poder emana do povo e o dinheiro também

Ressalte-se que a taxa Selic é juro básico remuneratório da economia do país, na medida em que reflete o custo do dinheiro para recompensar os títulos públicos federais. Ou seja, os bancos se usam os títulos públicos federais (da sociedade brasileira) em seu poder para garantir e cobrir suas operações interbancárias.

Com efeito, tanto o CMN como o Banco Central, meros executores da lei, não podem permitir “taxas de mercado” para legitimar a cobrança indevida de juro remuneratório acima da taxa Selic.

A propósito, se o Governo tem na Selic a remuneração pelo atraso no recebimento de seus tributos, por que os bancos deveriam ter um tratamento superior?  Esclarece-se ainda que a Receita Federal do Brasil informou que a taxa de juro Selic para o mês de julho de 2010, para os tributos devidos em agosto de 2010, é de 0,86%. Qual a taxa de juro que seu banco está cobrando neste mês de agosto?

Portanto, os juros máximos deveriam ser iguais à taxa Selic.

Pequenas letras, grandes lucros

Existem casos em que os bancos cobram juros mesmo sem previsão contratual, o que o Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu que é ilegal, devendo prevalecer a taxa média de mercado, se menor não for o juro cobrado pela instituição financeira (REsp. 1.112.879).

O STJ deve avançar em sua jurisprudência, a fim de limitar a taxa de juros conforme dispõe o Código Civil, e não mais aceitar a taxa média praticada pelo mercado ou mesmo os juros “inferiores” cobrados pelos bancos, que são superiores à taxa Selic.

Além disso, os contratos bancários estão submetidos às regras do Código do Consumidor, como decidiu o STF, na ADIN nº 2.591, devendo, então, prevalecer a proteção aos consumidores em todos os sentidos.

O governo eleito pelo povo, mas a serviço dos bancos

Os bancos se articularam, no meio governamental e político, para aprovar a “Lei do Empréstimo Consignado” (10.820/04), que se originou de medida provisória encaminhada pelo Governo ao Congresso.

Vale lembrar que o Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, e o ex-ministro da Previdência Social, o ex-senador Amir Lando, transgredindo os princípios da moralidade e da impessoalidade administrativa (artigo 37 da Constituição), em 29/09/2004, utilizaram o cadastro da Previdência Social para incentivar os segurados a tomar o aludido empréstimo, inclusive patrocinando, “gratuitamente”, a prática da usura em favor dos bancos e a institucionalização da agiotagem oficial, conforme se pode verificar a seguir:

“Caro(a) Segurado(a) da Previdência Social,

Em maio passado, o Governo Federal encaminhou ao Congresso um Projeto de Lei para permitir aos aposentados e pensionistas da Previdência Social acesso a linhas de crédito com taxas de juros reduzidas.

Agora, o Legislativo aprovou o projeto e acabamos de sancioná-lo. Com isto, você e milhões de outros beneficiários(as) passam a ter direito de obter empréstimo cujo valor da prestação pode ser de até 30% do seu benefício mensal. Você poderá pagar o empréstimo com juros entre 1,75% e 2,9% ao mês.

Esperamos que essa medida possa ajudá-lo(a) a atender melhor às necessidades do dia-a-dia. Por meio de ações como esta, o Governo quer construir uma Previdência Social mais humana, justa e democrática. Afinal, a Previdência é sua!”

Tratando-se geralmente os aposentados e pensionistas de pessoas idosas, a quem “o Estado tem o dever de amparar”, conforme determina o art. 230 da Constituição, o Executivo, em vez de estimular essa forma de endividamento, deveria intervir, de imediato, no âmbito da Administração Pública Federal, determinando a suspensão da concessão dos denominados “empréstimos consignados”, que têm apresentado casos de fraudes, como assinaturas falsas, lançamentos de débitos superiores à margem consignável etc.

Benefício de poucos e prejuízo de muitos

O Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, e o Ministro de Estado da Previdência e Assistência Social, Amir Lando, não poderiam utilizar o cadastro da Previdência Social para enviar correspondência orientando aposentados e pensionistas a tomarem empréstimo em bancos privados, o que poderia conduzir à abertura de processo de improbidade administrativa e afastamento político.

Concluindo, o Governo, ao invés de incentivar os trabalhadores a contrair empréstimos, deveria fazer cumprir a norma, limitando pelo CMN a taxa de juros aos patamares previstos na lei, não mais permitindo a cobrança exagerada e abusiva de juros remuneratórios, em taxas altíssimas que favorecem somente os bancos. Caso contrário, fica no ar a pergunta: um governo pode estar a serviço do capital financeiro?

* Este artigo está sendo republicado, por ter sido postado com erro.

Breves considerações sobre o tão ansiado primeiro debate entre os presidenciáveis, que simplesmente ESQUECERAM de se aprofundar sobre o mais importante problema do país, que fingem não existir

Mesmice, chatice, tolice. São tantas regras, tantas salvaguardas, tantas precauções, que o debate entre os candidatos não esquenta, ainda mais quando se trata de três presidenciáveis sem programas, sem compromissos, sem perspectivas, acompanhados de um presidenciável tapa-buraco, com muita experiência política, com grande cultura, mas sem nenhuma chance, e que acaba se destacando no meio da incompetência generalizada.

A estratégia da Organização Globo, com o beneplácito da CBF, (que denunciei ontem aqui), deu certo. A média de audiência do debate na Rede Bandeirantes, medida eletronicamente na capital de São Paulo, foi ridícula, segundo o Ibope. Teria ficado em apenas TRÊS PONTOS (cada ponto representa somente 60 mil domicílios na região metropolitana da Grande São Paulo).

Como era de se esperar, Dilma começou nervosa. Serra acertou ao levantar o abandono do amparo aos excepcionais, através das Apaes, mas não tocou no cerne da questão, que é o tratamento privilegiado que o governo Lula dá às ONGs, que sugam BILHÕES dos cofres públicos, enquanto as verdadeiras e tradicionais instituições beneficentes ficaram à mingua.

Serra ataca o governo Lula, Dilma ataca o governo FHC, Marina sucumbe diante da responsabilidade de ser presidenciável e fica recordando seu passado de pobreza e dificuldades. É um caminho errado, não leva a nada. E Plínio fica à vontade, aproveita para provocar os outros três, batendo a torto e a direito.

O mais importante, ficou intocado, mostrando quem realmente MANDA NESTE PAÍS. Nenhum dos candidatos se importou em procurar um debate aprofundado sobre o maior problema brasileiro: o PROGRESSIVO E SUICIDA ENDIVIDAMENTO INTERNO.

Já que estavam falando tanto do governo passado, da criminosa Era Dunga, perdão, Era FHC, por que nenhum dos “presidenciáveis” aproveitou para lembrar que o presidente Itamar Franco deixou o governo com uma dívida de apenas 60 BILHÕES, e essa mesma dívida agora já passa de 1 TRILHÃO E 500 BILHÕES e não tarda a bater a marca dos 2 TRILHÕES, realimentada, cevada e engordada pela política de juros do dr. Henrique Meirelles?

***

PS – A dívida é uma bomba-relógio, parecida com a do RioCentro, mas que está no colo de TODOS OS BRASILEIROS, e não apenas sobre as entranhas do sargento do SNI.

PS2 – Com os maiores juros do planeta, é claro que a bomba vai acabar estourando, o próximo governo que se dane, quem quiser que se vire para pagar, os banqueiros estão pouco ligando, são imediatistas, e os lucros só fazem aumentar.

PS3 – Lula, em seu despreparo e em sua ingenuidade econômico-financeira, pensa que foi o maior presidente de todos os tempos, na base do “nunca na história desse país”. Não percebe que a bomba, quando estourar, vai levar pelos ares também sua impressionante biografia. Como tenho afirmado, será o “pai dos pobres e a mãe dos banqueiros”.

PS4 – E no próximo debate, alguém levantará o palpitante assunto? É desanimador, desanimador, desesperador. Que República.

Ps5 – Resumindo, simplificando, esclarecendo. Dona Dilma errando até nas palavras, insignificante, desapareceu. Marina Silva não apareceu, nem agradou aos poucos simpatizantes. Serra, blandicioso, falastrão, se refugiando em FHC, mais um esconderijo do que outra coisa.

PS6 – O verdadeiro debatedor foi Plinio de Arruda Sampaio. Mostrou que debate não é acomodação ou citação de fatos que desconhecem. Desafiou a todos, dominou inteiramente, ninguém debateu como ele.

PS7 – Quanto à proclamada falta de audiência de pesquisa, nenhuma importância. Só se fala na Bandeirantes. É o que se pode chamar de REPERCUSSÃO REFLEXA. Parabéns.

A Justiça (CNJ) CONDENA “magistrados” que praticaram CRIMES DE CORRUPÇÃO E PREVARICAÇÃO. Mas o máximo da PUNIÇÃO legal, é a APOSENTADORIA com ALTOS SALÁRIOS

Esse julgamento de um ministro do STJ, (o segundo mais alto tribunal do País) e de um desembargador federal de São Paulo, (cargo altíssimo) tem duas interpretações. E as duas concluindo de forma lamentável.

1 – O CNJ (Conselho Nacional de Justiça) por u-n-a-n-i-m-i-d-a-d-e condenou Paulo Medina e Carreira Alvim, por VENDEREM SENTENÇAS. A fundamentação do CNJ é irrefutável, nenhuma discussão: “Vendendo sentenças, praticaram crimes de CORRUPÇÃO e PREVARICAÇÃO”.

É preciso explicar, para os que são desinformados. Não vendiam sentenças para “aliviar” decisão controversa sobre crime leve e praticamente impunível, ou a respeito de um suposto crime mal julgado. Nada disso.

Favoreciam a violenta e poderosa máfia dos caça-níqueis, um dos melhores e mais suculentos negócios criminosos. Tão rendosa e fascinante a exploração dessas máquinas, que nos últimos 4 ou 5 anos, entre 35 e 40 criminosos foram morto pelos outros criminosos.

E já existe, surpreendentemente, movimento para OFICIALIZAR a colocação dessa máquinas, com a “justificação” de que CRIAM EMPREGOS, trazem movimento para os bares e as CASAS que exploram as máquinas liberadas pelos MAGISTRADOS. É assim que devem ser chamados, mesmo depois de “CONDENADOS ou CRIMINALIZADOS”?

O inquérito a respeito do ministro Paulo Medina não deixa dúvida. DE UMA VEZ SÓ, LIBEROU 900 MÁQUINAS e recebeu 1 MILHÃO PELO SERVIÇO PRESTADO.

Já foi um absurdo que se esperasse mais de 3 anos para que esse crime gravíssimo fosse apurado. A própria Justiça deveria se JULGAR (é a palavra) , constrangida, assistindo o tempo passar, e a demora PROTEGENDO A IMPUNIDADE de um “magistrado”, que em vez de punir, se beneficiava com a CORRUPÇÃO (e não existe atenuante, um juiz que libera 900 dessas máquinas, sabe o que está fazendo).

Nesses três anos, ficaram “afastados”, mas recebendo integralmente os salários, e não só os dois, mas todos os outros (mais de 20) apanhados na mesma operação, com escuta autorizada pela própria Justiça. (A parte elogiável é que deve ser reverenciada).

Terminando essa parte da primeira interpretação: na época, (abril de 2007) o fato teve enorme repercussão, a Justiça é o último refúgio e a última esperança do cidadão, pois dá a ÚLTIMA PALAVRA EM TODOS OS CASOS. E se essa Justiça se transforma em criminosa ou incentivadora e cúmplice do crime, para quem apelar?

Agora “o julgamento”, com
todas as aspas possíveis,
imagináveis e inacreditáveis

Há mais de um mês, se esperava a decisão do CNJ. Alguns advogados destacados e inatacados (ou inatacáveis) foram me dizendo: “Membros do CNJ não escondem que estão envergonhados, até mesmo em falar ou admitir a obrigação de decidirem”. Era verdade e se transformou num julgamento, que não será esquecido, pelo fato de ter sido realizado.

Mas do ponto de vista da maioria, em vez de julgamento, uma CONTRADIÇÃO TOTAL E INACREDITÁVEL, pelo que aconteceu. O CNJ RECONHECEU A CULPABILIDADE dos juízes, PROVOU e COMPROVOU o crime, mostrou que VENDERAM SENTENÇAS e a forma como faziam essas VENDAS, enquadrou-os na prática da CORRUPÇÃO e PREVARICAÇÃO, e na hora de APLICAR a SENTENÇA, o que fizeram?

CONDENARAM o ministro e o desembargador federal (só esse de São Paulo? Nossa Senhora, quantos existem em todas as regiões?) e imediatamente, “estrangulados” pela legislação, só puderam aplicar aos CONDENADOS, a PUNIÇÃO ADMINISTRATIVA: ou seja, foram APOSENTADOS COM SALÁRIOS INTEGRAIS.

O presidente da OAB nacional, Ophir Cavalcanti, lamentou que ainda exista a legislação que só permite esse tipo de “PUNIÇÃO“. Transitam no Congresso, há muito tempo, projetos acabando com isso, Mas estão sempre ENGAVETADOS por deputados ou senadores ENGRAVATADOS.

***

PS – E o cidadão comum, enquadrado no crime de CORRUPÇÃO e PREVARICAÇÃO (se for funcionário público). será ABSOLVIDO ou CONDENADO? Parabéns ao CNJ, mas restrição total à legislação, AFRONTA À OPINIÃO PÚBLICA.

PS2 – Aproveitando a oportunidade: e o jornalista Pimenta Neves, que assassinou C-O-V-A-R-D-E-M-E-N-T-E a namorada, com dois tiros pelas costas, crime que horrorizou o Brasil inteiro?

PS3 – Condenado, está há 6 anos em LIBERDADE, esperando a DECISÃO FINAL SOBRE O RECURSO. Que recurso pode se deferido, favorecendo o autor de um crime como esse.

PS4 – Nos Estados Unidos, se diz abertamente: “No país temos a melhor Justiça, desde que você contrate um grande advogado”. O jornalista Pimenta Neves seguiu integralmente o que se DIZ e se FAZ lá na Matriz.

A GOL desapareceu, Jobim apareceu

Essa empresa é campeão de problemas, e como é natural, seus proprietários também. A empresa não “voa” sozinha. Por que isso aconteceu com uma empresa e não com as outras? Agora falam em MULTA DE 2 MILHÕES, e ainda assim no condicional. “PODE SER MULTADA”.

Visivelmente a ANAC tentou esconder tudo. Os problemas INTERNOS da GOL se transformaram em EXTERNOS, milhares e milhares de passageiros fora atingidos sem serem atendidos.

A ANAC, quando apareceu foi para copiar o velho e saudoso Chacrinha: “Vim para COMPLICAR, e não para EXPLICAR“. Que República.

Jobim existe, que calamidade

Com um ego do tamanho do Maracanã, ficou quase 72 horas para “aprender” as bobagens que iria dizer. E disse. Nada que agradasse os passageiros, que continuam sem saber quando terão DEFESA por parte do governo. Infelizmente representado por Jobim, e o proprietário da empresa, que não merece nenhuma credibilidade no chão, quanto mais no ar.

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PS – Voar é seguríssimo, muito mais do que transitar, de carro, numa das rodovias abandonadas do Brasil. Mas tentam complicar, como a presidente da ANAC, que disse publicamente: “FALTOU SORTE À GOL“.

PS2 – Devia ser DEMITIDA imediatamente. SORTE é obrigatória para ganhar na loteria ou na megasena. Mas para uma empresa de aviação fazer seus aviões voarem na hora?

PS3 – Esse indefectível Jobim, (expulso do Supremo por exigência de advogados do seu estado) reapareceu com o rotineiro lugar comum. Vou citar apenas dois. A) “A ANAC está tomando as providências absolutamente (?) corretas e necessárias”. B) “Essa síndrome da conspiração e do acidente, não existe”. Ha!Ha!Ha! Quem falou nisso?

Maluf, irreverente, displicente, indecente

“Vou completar 80 anos (em 2011) em plena liberdade”. Tem dito isso aos amigos, com muita insistência, acrescentando: “Posso ser candidato a presidente da República ou voltando ao governo de São Paulo também em 2014, como mais velho vencedor”.

Se isso acontecer, seria governador 35 anos depois de exercer o cargo. E candidato a presidente 45 anos depois da primeira derrota.

Ha!Ha!Ha! Projetos rigorosamente verdadeiros, nada surpreendentes. Que República, (Ele só não fala nos 442 milhões de dólares que NUNCA TEVE NO EXTERIOR.

O disputado governo do Paraná

Enquanto as vagas do Senado estão praticamente preenchidas, Requião certo e Dona Gleyse (mulher do ministro Paulo Bernardo) incerta, o governador será decidido provavelmente no último lance.

Beto Richa e Osmar Dias estão na frente. O candidato do PSDB levando vantagem em Curitiba, Osmar no interior. O ex-vice de Requião, agora “governador” com aspas e paetês, pode até ir para o segundo turno. Às vezes, milagres acontecem. Que idéia do Requião, fazer uma “invenção” dessas.

Um torpedo amigo e um navio sem rumo

Carlos Chagas

Pode estar em gestação uma crise dos diabos,  capaz de atingir o governo  Lula abaixo da linha d’água e, por tabela,  Dilma Rousseff. Nada que leve a candidata a pique, muito menos que desestabilize o presidente, mas em condições de deixar o barco sem rumo.

De repente, pelo torpedo  amigo  lançado por  sindicalistas do PT, ficamos sabendo que a ex-modelo e atual administradora de empresas, Marina Mantega,  representa  um  bilionário grupo dos Emirados Árabes de investimentos, o Al Ahli Group.  Deixando de lado a denúncia não comprovada  de que a referida senhorita tentou fazer  tráfico de influência junto ao Banco do Brasil, surge a pergunta mais simples: ela foi escolhida pelos sheiks por conta das poses, dos desfiles e das fotografias decorrentes de  sua antiga profissão, por apresentar excepcional capacidade financeira   ou por ser filha do ministro da Fazenda?

Guido Mantega teria sido envolvido pelo cartel árabe, presumindo-se que não tenha tomado qualquer iniciativa para viabilizar o convite à filha?

É claro que todo mundo tem o direito de trabalhar, da família de ministros à família de presidentes. Apenas no período em que éramos colônia de Portugal as benesses e as penas ultrapassaram a pessoa dos beneficiados e dos condenados.

O episódio que ameaça desdobrar-se em guerra sem quartel na campanha presidencial acaba de ser aproveitado por José Serra, cuja malícia é conhecida de todos. Indagado a respeito, o candidato tucano  saiu-se com redobrados elogios à honestidade do ministro. Estava sendo sincero ou aproveitando-se da confusão?

Em outros tempos a acusação já teria produzido efeitos. Tempos de Itamar Franco, por exemplo, que afastava os auxiliares mais próximos para se defenderem e, comprovada a inocência, retornassem pisando tapetes vermelhos. O estilo do presidente Lula é outro. Ele demora para tomar iniciativas que prejudiquem a sua turma. Custou a livrar-se de José Dirceu, Antônio Palocci e Luiz Gushiken, que por sinal não retornaram. Nesse mar de almirante que tem sido o governo, o navegador responsável pela rota segura é   Guido Mantega. Qualquer torpedo, mesmo amigo, deixará o navio sem rumo,  se o piloto for lançado ao mar.

Os sindicalistas e os tenentes

Pouco depois da Revolução de 30 perguntaram a Getúlio Vargas como havia se livrado  da impertinência dos tenentes, em grande parte responsáveis por sua ascensão à presidência da República.   Entre duas baforadas do charuto, ele explicou: “promovi-os a capitão…”  Foi mais ou menos assim, pois  o caudilho reincorporou os tenentes ao Exército, tendo também nomeado muitos deles para interventores nos estados.

Pois não é que mesmo sem dar qualquer  resposta, o que fez o presidente Lula com os principais lideres  sindicais que respaldaram sua liderança e o levaram ao palácio do Planalto?

Como os  tenentes do passado, esses líderes também se julgaram condôminos do poder e imaginavam governar junto com o chefe. Para evitar que criassem problemas, o Lula incorporou muitos ao  governo, na direção de empresas estatais e congêneres,  estimulando outros a disputar eleições e seguir carreira política. Livrou-se deles, seguindo as lições de Getúlio.

O  segundo turno e a natureza das coisas

Alguns cientistas políticos e muito diletantes da vida partidária costumam dizer que o segundo turno é uma outra eleição, uma espécie de apagador passado no quadro negro, podendo seus resultados desmentirem os primeiros.

Com todo o respeito, não é bem assim.  Nas eleições presidenciais  de 1989, 2002 e 2006, quem venceu no primeiro turno também venceu no segundo. Fernando Collor contra Lula, depois Lula contra José Serra e contra Geraldo Alckmin.  Em 1994 e 1998, Fernando Henrique venceu nas votações iniciais, tornando desnecessária a segunda volta.  Apenas  na escolha dos governadores, como exceção, o segundo mais votado virou primeiro,  lembrando-se que em Minas  Helio Costa chegou na frente, mas sem a metade  mais um dos votos, perdendo no segundo turno para Eduardo Azevedo.

Neste ano, se nenhum dos candidatos alcançar de imediato o percentual necessário, os dois melhor colocados se defrontarão sozinhos. Muito provavelmente, Dilma Rousseff e José Serra. Quem chegar em primeiro manterá a escrita?

Dossiê Marina Mantega, quase um thriller 007

Pedro do Coutto

A excelente reportagem de Tatiana Farah, O Globo de 4 de agosto, sobre o dossiê anônimo publicado simultaneamente pela Folha de São Paulo e pelo Valor envolvendo ao mesmo tempo setores do PT, a atriz e modelo Marina Mantega, além de empresários brasileiros e dos Emirados Árabes, tem quase todas as conotações de mistério e ação que assemelham o episódio aos filmes de 007. Exceto as lutas e tentativas de assassinato que se movimentam em torno de James Bond, a narrativa é dinâmica, as indagações são muitas, as sombras maiores ainda. Personagens enigmáticos passam pelo foco das câmeras e dos textos do script. O diretor do espetáculo ainda não apareceu. Bota mistério nisso.

A filha do ministro da Fazenda, segundo ela própria revelou, opera uma base em Dubai, outra em São Paulo. Viaja com freqüência entre o Brasil e o Oriente Médio. Lá, ou aqui, tornou-se representante do Al Ahli Group e pessoa de confiança do dirigente do conglomerado, Mohamed Kammas. Ao mesmo tempo, passou a ser amiga do empresário Ricardo Staub, controlador da Gradiente. Marina Mantega, ao que parece, deixou as luzes do palco, trocando-as por consultorias econômicas.

Entre os refletores da Folha de São Paulo, do Valor e agora também do Globo e as sombras do mundo de negócios, as ações se desenrolam. Marina – diz Tatiana Farah – procurou Paulo Caffarelli, vice-presidente do Banco do Brasil, departamento de Cartões de Crédito, para solicitar algo, ou para a empresa árabe de Mohamed Kamas, ou para a Gradiente. Ela nega os encontros. Caffarelli confirma. Pelos sintomas clássicos colocados nas páginas, as solicitações não foram atendidas. Mohamed Kamas a teria designado representante do Al Ahli Group em vão. Sem dúvida uma tentativa ousada em matéria de consultoria econômica.

Mas este fato não cortou o thriller. Pelo contrário. Paulo Caffarelli, depois de convidado pelo ministro Mantega para assumir a Previ, Fundo de Aposentadoria Complementar do Banco do Brasil, foi desconvidado pelo titular da Fazenda,. Caffarelli substituiria Sérgio Rosa cujo mandato terminara. Nem Rosa nem Caffarelli, o designado agora é Joilson Ferreira. A que setor do PT pertence? Especula-se, mas não se sabe direito. Porém, seguindo a intuição de Sherlock Holmes, não só a de Ian Fleming, a quem interessaria a divulgação do dossiê ou da carta anônima, como a candidata Dilma Roussef qualificou o documento apócrifo produzido nas sombras? Produzido nas sombras de onde e de quem? E aí, de 007 e Connan Doyle, passamos a Hitchcock, à semelhança de Intriga Internacional com Cary Grant, Eve Marie Saint e James Mason.

Sim. Porque a matéria foi produzida no sentido nítido de abalar a posição do atual ministro da Fazenda, pai de Marina. Como os redatores anônimos podiam saber das representações atribuídas à jovem modelo? Quais as fontes de informação? Da própria área da Fazenda, pouco provável. Do Banco do Brasil, de um informante cujo interesse teria sido contrariado? Do Banco Central que possui o controle dos relacionamentos financeiros internacionais? Não são muitas as alternativas. Enigma.

A vida real, como é chamada, mais uma vez ao mesmo tempo abastece e desafia a ficção das tramas policiais. A volumosa literatura criminal, no caso do dossiê Marina, recebe a adição de mais um capítulo de mistério ao qual, como quase sempre, não faltam detalhes de puro humor. Só resta o autor do dossiê ser o mordomo.

As ligações da PODEROSA TV Globo, com o PODEROSO chefão da CBF

Quarta-feira passada (da outra semana) dois jogos simultâneos e importantes: o primeiro Internacional-São Paulo, idem, idem, Santos-Vitória. Ontem, os jogos foram separados. O segundo jogo Santos-Vitória, e o outro Internacional-São Paulo, que ficou para hoje, quinta-feira.

Surpreendente: ontem, só o jogo do Santos, hoje só o do São Paulo? Muita gente me perguntando, fui investigar, eis a resposta para todos que estavam curiosos.

Hoje, quinta, à mesma hora, a Bandeirantes faz o primeiro debate entre os quatro principais presidenciáveis, incluindo Plínio Arruda Sampaio, do PSOL.

Para prejudicar a audiência presidencial, a TV Globo e Ricardo Teixeira passaram a final São Paulo-Internacional para hoje.

***

PS – Que muita gente irá preferir o futebol, (principalmente) em São Paulo, nenhuma dúvida. Inacreditável, mas rigorosamente verdadeiro.

A glorificação dos “meninos” da Vila, que já dão adeus ao Brasil

Ontem pela manhã, confessava que torceria por eles, que devolveram a todos o prazer de assistir futebol. Foi um jogo emocionante, embora debaixo de chuva. Terminava o primeiro tempo, o Vitória precisava de 4 gols, naturalmente se acomodaram.

O Vitória (bravíssimo time que merece elogios) fez o primeiro, demorou a fazer o segundo, aí tudo dependia do momento. Mas como já era possível sensação.

Pena que o time dos “meninos” será DESMANCHADO por falta de estrutura do Brasil. André já vai para a Ucrânia, Robinho voltou para a Inglaterra. Wesley para Portugal. Questão de tempo para Ganso, Neymar, Arouca e os outros.

Mas foi dupla a grande vitória, duas no mesmo dia: a glorificação dos “meninos” e o fim da vida pública (roubalheira) de Roriz. Grande 4 de agosto de 2010.

A segunda batalha de Itararé da História de São Paulo. Em 1932, armada, não houve. 78 anos depois, desarmados, Alckmin e Marta Suplicy, vitoriosos. Deve voltar também o “Disque Quércia para a corrupção”.

São Paulo sempre teve enorme importância. Pelo tamanho, pela produção de café, pela população, e quando as eleições passaram a ser verdadeiras (?), pelo eleitorado, o maior do país. Na República, os três primeiros presidente foram de São Paulo (Prudente, Campos Salles, Rodrigues Alves), alimentando o ego individual e coletivo.

Isso se traduzia na elucubração, que palavra, mas é exata, do SEPARATISMO. Em 1918, Rodrigues Alves era eleito novamente, com 70 anos, impensável para aquela época, não tomou posse. Não fizeram o presidente em 1919 (substituição de Rodrigues Alves) ou 1922. Mas em 1926 elegeram Washington Luiz, que era governador do estado.

Em 1924, na Câmara Federal, o aristocrata do café, Alcântara Machado (que teve filhos destacados), respondendo ao que considerou agressão, retumbou: “Paulista sou, de 400 anos”. A frase foi muito citada, (sem o autor) se transformou em “bordão” ou porta-bandeira desse “separatismo”, (que só era mesmo para valer no Rio Grande do Sul).

Chegaram a criar o slogan, pré-fabricado e que hoje teria grande repercussão: “São Paulo é uma locomotiva que carrega 21 vagãos vazios”. Acreditavam mesmo nisso, embora os paulistas mais lúcidos, alertassem: “São Paulo produz e vende, mas precisa do resto do país como consumidor”. Com a derrubada de Washington Luiz e o fim do já escolhido presidente (Julio Prestes), o “separatismo” amainou.

Mas a grande derrota do orgulhoso “separatismo”, chegou 1 ano antes, com o chamado “crack” da Bolsa dos EUA, evidente repercussão total. O Brasil vendia 96 por cento de todo o café bebido pelo mundo, sendo que 92 por cento plantados, colhidos e exportados por São Paulo. (Os outros 4 por cento se dividiam entre o Estado do Rio e o Espírito Santo).

Com a crise mundial, o Brasil passou a vender menos de um terço do que vendia. Em vez de administrar com inteligência e objetividade, burrice em cima de burrice. Mantiveram os preços altos e como a produção ainda fosse enorme, passaram a QUEIMAR milhões de sacas, e depois, para esconder o fato, a jogar MILHÕES DE SACAS no mar.

A partir de 1931, tendo perdido o poder POLÍTICO, e desbaratado o prestígio ECONÔMICO e FINANCEIRO, passaram a “defender” a “CONSTITUCIONALIZAÇÃO” do país”, que enveredava para uma visível ditadura. Acertaram, mas não precisavam da batalha de 9 de julho de 1932. Que valeu apenas pela empolgação dos jovens, “motivados” pelo jornal “Estado de S. Paulo”, na época com grande prestígio.

Vargas dominou facilmente essa “rebeldia”, e depois da famosa “Batalha de Itararé” (famosa principalmente por não ter acontecido), dominou tudo, decretou a intervenção em São Paulo. Quem nomeou interventor? Armando Salles de Oliveira, cunhado do doutor Júlio Mesquita, dono do jornal “Estado de S. Paulo”, que fomentara e alimentara a “revolução”. No Brasil, a partir de 1889, sem nenhuma dúvida, tudo merece a exclamação: “Que República”. (Tão verdadeira e compreensível que nem precisa da exclamação gráfica).

O estado de São Paulo perdeu totalmente a influência, caiu tanto que elegeu governador alguns dos maiores CORRUPTOS da República. Chegou a se deliciar com “o rouba mas faz” de Ademar de Barros, não teve nem força nem vontade para impedir a chegada, e-s-t-a-r-r-e-c-e-d-o-r-a, de Paulo Maluf, que era e continua sendo Ademar de Barros elevado ao quadrado.

Fabricou Janio Quadros, o ilusionista, que em 12 anos chegou de suplente de vereador (1948) a presidente da República (1960), passando pela prefeitura e pelo governo do estado.

Com tudo isso, “aceitaram” sem o menor constrangimento todos os “eleitos” pela ditadura, e além da incompetência, ainda conviveram com a corrupção e o DOI-Codi.

Depois da ditadura, veio Franco Montoro, correto, mas fabricando o incorretíssimo FHC, que inacreditavelmente (até para ele) chegou a presidente.

E entra na História como o mais DESTRUIDOR do patrimônio brasileiro, (com as DOAÇÕES) e o mais ENRIQUECEDOR de alguns economistas (e outros acompadrados) que ganharam BILHÕES e BILHÕES, com a transição do REAL, de 1 DÓLAR ( o equivalente) para 3 DÓLARES.

Nossa Senhora, que lucros espetaculares. Uma desafiadora fortuna em apenas uma semana, concretizada a volúpia do enriquecimento ETERNO, COM O DINHEIRO VIAJANDO POR UMA SEMANA, da MATRIZ para a FILIAL, da FILIAL para a MATRIZ, e encerrando a ASSOMBROSA caminhada, definitivamente voltando para a FILIAL.

Desde Pedro Álvares Cabral, foi o maior e mais COLOSSAL ENRIQUECIMENTO de um grupo, ao mesmo tempo que acontecia o ESPANTOSO EMPOBRECIMENTO do país. E os AFORTUNADOS, quase todos de São Paulo. Jamais haverá ESCLARECIMENTO sobre esse fato, até hoje desconhecido? Nem precisariam de 91 mil documentos, com muito menos, poderiam RESPONSABILIZAR e IDENTIFICAR os AUTORES desse FASCINANTE GOLPE FINANCEIRO. (Ou que outro nome possa ter, mas de qualquer modo, TOTALMENTE PAULISTALIZADO),

A ERA Covas foi de honestidade e inutilidade. E muita doença. Sem maiores profundidades, se juntou a Alckmin, que continua VIVO até hoje, enquanto Covas MORRERIA logo depois, com 70 anos completados pouco antes. Mas fez praticamente a carreira majoritária, menos nas campanhas e mais nos hospitais.

Em 1986, candidato ao Senado, teve que parar tudo por causa de um enfarte e três pontes safenas. Saiu do hospital e se elegeu, não havia adversário.

Em 1989, candidato a presidente, não foi para o segundo turno, mas teve quase 12 por cento dos votos, enquanto doutor Ulysses passava pouco dos 4 por cento. Na campanha teve outro enfarte, ‘escondido”.

A felicidade e o futuro de Geraldo Alckmin, vieram com a escolha para vice de Covas. Este, com a saúde abaladíssima, se elegeu para o mandato de 1994 a 1998. os dois primeiros com Covas sofrendo e os dois últimos, o vice exercendo. Em 1988 Covas foi reeleito, mas aí não exerceu nada, morreu em 2001, Alckmin assumindo o cargo que já exercia.

(Inconstitucionalmente, foi candidato em 2002, era o TERCEIRO MANDATO, que nem FHC CONSEGUIU. Constatem: desde 1994 Alckmin está aí, sempre nas manchetes. E agora, novamente governador, só não ganha no primeiro turno, porque são muitos os candidatos).

Alckmin e Serra ficaram esses últimos anos juntos, mas com Serra humilhando, desgastando e desprezando Alckmin. Em 2008 chegou a ponto de apoiar Kassab e fazer campanha a seu favor, abandonando o correligionário (?).

Agora, Alckmin ficará em vantagem sobre Serra. Será governador do segundo Estado da Federação, o “amigo” perderá pela segunda vez para presidente.

Serra, que SABE QUE NÃO SERÁ PRESIDENTE, não descarta a possibilidade de voltar ao governo de São Paulo em 2014. Estará com 72 anos, MOCÍSSIMO, segundo ele mesmo.

Acontece que muitos vencedores de agora, têm o mesmo projeto e ambição. Nada absurdo, investir (?) o segundo orçamento da República.

***

PS – Começando pelo próprio Alckmin, o mais moço de todos, agora com 58 anos, Aos 62, sem maiores cavalgadas, tentar se reeleger e no cargo, que maravilha viver.

PS2 – Marta Suplicy, eleita agora aos 65 anos, (desculpe, não se diz a idade das mulheres) terá chance quase aos 70 anos. Tem uma biografia fascinante e conhecimentos que só a elite exibe, mas com vetos cristalizantes, que não diminuem. Em 1998 perdeu até para Maluf, o que não é para contar aos netos. E quem governou? Precisamente o Alckmin de agora.

PS3 – Quércia, o mais velho de todos, mas com uma fortuna i-n-a-v-a-l-i-á-v-e-l, (enganou até a Organização Globo na compra e venda do Diário de São Paulo), está com 72 anos. Pode (ou DEVE?) se eleger senador. Foi governador em 1986, senador em 1990, quer voltar, 20 anos depois.

PS4 – Como se vê pelo maior estado da federação, o que falta ao Brasil é CREDIBILIDADE e RENOVAÇÃO. Todos os que dominam e concorrem agora, já “CONCORREM DESDE SEMPRE”.

Acredite, se quiser, processo contra Edir Macedo e TV Record aguarda julgamento no Tribunal Regional Federal de São Paulo há exatos 11 anos

Com frequência, recebo correspondências e e-mails de leitores, estranhando a divulgação que damos ao caso da usurpação da TV Globo de São Paulo por Roberto Marinho, com fraudes cometidas de 1965 e 1977, lastreadas em documentação falsificada e assim mesmo aceita pela ditadura militar. Pedem que eu comente também sobre a Record, a Band e a antiga Manchete.

Nosso compromisso é com a verdade e se calássemos acerca dessa negociata ninguém saberia no Brasil que os 673 verdadeiros acionistas da Rádio Televisão Paulista S/A, (depois TV Globo de São Paulo), tiveram suas ações transferidas para Roberto Marinho a custo zero, MEDIANTE DOCUMENTAÇÃO ILEGAL E SEM VALOR. Todos temem investigar essa ilícita desapropriação patrimonial. MENOS A TRIBUNA DA IMPRENSA.

Quanto à REDE RECORD DE TELEVISÃO, o título acima é a expressão da verdade e está registrado no site do Poder Judiciário Federal.   No próximo dia 28 DE AGOSTO vamos comemorar o 11º. aniversário da chegada ao Tribunal Regional Federal de São Paulo da ação civil pública proposta pelo Ministério Público Federal contra o bispo-empresário EDIR MACEDO e a Televisão Record E QUE ATÉ HOJE NÃO FOI JULGADA.

Para a Procuradoria da República, foi ilegal e inconstitucional a venda que o empresário Silvio Santos fez a Edir Macedo e à sua esposa da TV Record de São Paulo, Canal 7.

Segundo a ação civil pública ajuizada, o comprador da emissora e chefe da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD),  usou dezenas de milhões de dólares da seita religiosa para consumar a aquisição, o que é ilegal e inconstitucional. Esses recursos vultosos, (doações de milhões de evangélicos),  teriam sido “emprestados” pela IURD para que o bispo Edir Macedo  pudesse comprar a hoje segunda mais importante rede de televisão do país e na qual, nos últimos dez anos, o proprietário investiu várias CENTENAS DE MILHÕES  DE DÓLARES.

No processo que foi distribuído à  desembargadora  Salette Nascimento, da 4ªTurma do Tribunal Regional Federal de São Paulo, questiona-se a compra da emissora por pessoa que, comprovadamente, não teria bens e recursos para participar dessa vultosa transação e que, por isso, estaria de forma simulada participando de uma aquisição ilegal, dissimulada, pois, a verdadeira compradora da empresa de comunicação seria a pessoa jurídica denominada IURD – IGREJA UNIVERSAL DO REINO DE DEUS.

Os procuradores indagam: como foi possível o bispo Edir Macedo, sem patrimônio algum,  sem renda mensal (já  que trabalha por amor ao próximo e a Deus), da noite para o dia ter se transformado no segundo maior proprietário de rede de televisão do país, com o ciente e o de acordo do Ministério das Comunicações, que tem a obrigação de fiscalizar esse importante setor de prestação de serviço público?

Por fim, a pergunta que merece ser respondida pelo Conselho Nacional de Justiça: PODE UM MAGISTRADO RETER, NÃO JULGAR EM TEMPO RAZOÁVEL, UMA AÇÃO TÃO IMPORTANTE COMO ESSA e de iniciativa do Ministério Público Federal? Se um processo da Procuradoria da República leva mais de 11 ANOS PARA SER LEVADO A JULGAMENTO, o que não dizer de processos de humildes cidadãos e que não têm poder de pressão e nem sabem a quem recorrer?

Essa morosidade, essa lentidão ultrapassa as raias do absurdo. Para quem duvidar do que estou escrevendo, sugiro que acesse o site www.trf3.jus.br, processo número 1999.03.99.075971-9. Justiça lenta é justiça injusta. Os réus nesse interminável processo, que lhes foi favorável em primeira instância, são: Edir Macedo Bezerra,  Ester Eunice Bezerra, Marcelo Crivella, Sylvia Crivella, TV Record de Rio Preto S/A, TV Record de Franca S/A e Rádio Record S/A (Canal 7 de São Paulo) e outros.