Ações públicas consomem 40% do tempo na JT

Roberto Monteiro Pinho

Levado em conta o número de processos que ingressam a cada ano na Justiça do Trabalho (2,4 milhões/ano), segundo números do TST/CNJ, contabilizando as ações movidas por trabalhadores contra órgãos públicos (governo federal, estatais, estaduais e municipais), acrescidas das execuções do INSS, pode-se estimar em 40% o total do tempo dispensado pela máquina administrativa na solução dos processos trabalhistas.

Este dado se agravou, com a nova competência (EC n° 45/2005), da JT para julgar ações relativas aos débitos e parcelas da Previdência Social (INSS). Ocorre ainda que além do tempo dispensado pelos servidores, o juiz também se desgasta conferindo e despachando os atos processuais, consistindo assim numa flagrante agressão ao direito do trabalhador que tem que procurar nesta justiça a prioridade na solução dos conflitos laboral, mas acaba refém desta injunção.

A competência da especializada para executar débitos e parcelas do INSS, requer urgente a criação dos juizados especiais do trabalho, junto com a competência para julgar as ações da previdência social e as pequenas reclamações trabalhistas. No paradigma da Lei 10.259/01, que institui os Juizados Especiais Cíveis Criminais no Âmbito da Justiça Federal, (leia-se: “São instituídos os Juizados Especiais Cíveis e Criminais da Justiça Federal, aos quais se aplica, no que não conflitar com esta lei, o disposto na lei nº 9.099, de 26 de setembro de 1995”.). Conforme podemos observar o artigo 1º da lei 9099/95 estabelece que “o processo orientar-se-á pelos critérios da oralidade, simplicidade, informalidade, economia processual e celeridade, buscando, sempre que possível à conciliação ou a transação”.

O fato é que os objetivos instituídos para um fácil acesso ao Judiciário não podem contrariar a garantia constitucional do artigo 5º-LV da Constituição Federal, onde se estabelece: “Aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes”. E neste caso a ausência de juízes leigos, no âmbito dos Juizados Especiais Federais. No sistema da Lei n° 9.099, eles atuam como auxiliares da Justiça, sendo recrutados, preferentemente, entre advogados com mais de 5 anos de experiência (art. 7º). enquanto a CF (art. 98) admite Juizados Especiais constituídos por juízes togados ou por juízes togados e leigos, este jurisdicionado federal de forma mais política que propriamente no interesse da sociedade, achou inconveniente a existência de juízes leigos em causas submetidas à JF. Prevaleceu a idéia de que juízes leigos têm lugar apenas em causas privadas, não devendo participar de causas em que haja interesses do Estado lato sensu, dessa forma sem juízes leigos, os JEFS perdem a agilidade e produtividade.

Quando cobramos dos legisladores o fechamento do texto da reforma trabalhista, e a criação dos Juizados Especial do Trabalho, no paradigma dos JEFS, entendemos que este destrava o andamento das ações trabalhistas. Hoje é mais que justificada, não só pelas razões já expostas, mas pelo simples fato de que milhões dessas ações acumuladas na especializadas são do segmento estatal (ações contra empresas públicas), governo federal, estadual, municipal e estatais, onde se conclui das duas uma: ou elas migram para os juizados federais, ou são criadas as varas especiais no âmbito da justiça do trabalho, caso contrário vamos caminhar para o total atrofiamento da JT. Para aqueles que defendem mais investimentos no judiciário, uma péssima notícia, o governo federal acaba de anunciar, através do seu ministro da Fazenda Guido Mantega, que serão feitos cortes no Orçamento na ordem de R$ 10 bilhões, em particular esses cortes serão feitos em gastos de custeio.

Nadal, 13 vitórias seguidas no saibro

Hoje à tarde, em Madri, no importante Master 1000, continuou a série de atuações excelentes. neste 2010 não perdeu nenhuma partida, portanto ganhou todos os títulos que disputou. Está na final, amanhã, enfrentando Federer ou Ferrer, que jogam hoje também, só que muito tarde.

Nadal levou um susto no primeiro set, quando o também espanhol Almagro quebrou 3 vezes o seu saque, fazendo 1 a 0. Mas como Nadal pode dar a ele um set de vantagem, ganhou o segundo fácil, o terceiro facílimo.

Uma das piores partidas de Nadal, das melhores de Almagro,vejam a diferença.

Conversa com os leitores: “profecias” eleitorais, potencial de Requião, pessimismo com o PT e perseguição na ditadura de 64

João Nelson Torres:
“Jornalista, não tente ser profeta. Lembre que os votos femininos representam 52% do eleitorado”.

Comentário de Helio Fernandes:
Duas coisas, João Nelson, que me recuso a fazer ou ser. Não sou profeta, e detesto orador de sobremesa. Analista profissional, não tento adivinhar nem fazer projeção. Não protejo nem acuso ninguém, mas tenho noção total e absoluta de que sempre o comentário isento e convicto, desagrada mais do que agrada.

Só para simplificar. Evandro Lins e Silva (com seu extraordinário irmão Raul) foi meu advogado até 1961. Quando Jango assumiu, me chamou: “Helio, não posso mais ser seu advogado. Serei ministro e você, como sempre, oposição. Não podemos conjugar as coisas”. Acertou em cheio, e até mais do que pretendia.

Em 1963, fui preso e julgado pelo Supremo Tribunal federal. O julgamento ficou em 4 a 4, o presidente da República disse que “não sabia de nada”. Já acontecia naquela época, continuou acontecendo. Só para lembrar: 1963 é antes de 1964, e o Supremo, semana passada, não entendeu que 1981 (atentados terroristas praticados pelo SNI) vem depois de 1979 (Lei de Anistia). Acontece.

Para terminar: não entendi a referência aos 52 por cento de eleitores femininos. Quer dizer que mulher vota em mulher? E Dona Marina, não receberá nada desses 52 por cento dos votos? Acho que você está mais, muito mais para Maomé do que para Alá.

PMDB, um partido que
odeia disputar a Presidência

Welington Naveira e Silva:
”Concordo com você num ponto importante. O Brasil precisa de um homem como o governador Requião. De grande envergadura, corajoso, desprendido, culto, competente, experiente, inteligente, e que passou a vida defendendo o país, como nacionalista que é”.

Comentário de Helio Fernandes:
Você fez uma radiografia perfeita, sem precisar de muitas palavras. Ele sempre colocou o interesse do país acima do seu. Em 1994, favorito para o governo do Paraná, ofereceu seu nome ao PMDB par disputar a Presidência. O partido não aceitou, se elegeu governador até 1998, senador até 2002, novamente governador até 2006 e 2010.

Agora, com um mandato de 8 anos certo no Senado, se oferece outra vez ao PMDB. Para presidente ou vice, ambos os cargos incertos, de eleição duvidosa. Mas luta, tenta, sabe que tem condições de realizar, de chegar, se for eleito. Só que antes precisa de legenda. Do PMDB (seu partido de sempre) que odeia disputar a Presidência.

PT, o partido que ama
Niemeyer e vive fazendo curvas

Filipi:
“Jornalista, como você pode ser tão tendencioso em relação ao PT? E como pode ser tão pessimista analisando esse PT? Torço para que você esteja certo em relação ao Requião”.

Comentário de Helio Fernandes:
A propósito de Requião, peço que você aceite tudo que respondi ao Welinton Naveira. Quanto ao PT, não é possível pretender que se faça sobre ele análise horizontal, quando o partido em 30 anos de existência sempre combateu a si mesmo, se curvou a tudo.

O PT tem tal admiração por Oscar Niemeyer, é tão assíduo nas conferências do genial arquiteto sobre “linhas curvas”, que incorporou seu traço à própria linha do partido.

Num ponto, pode ficar certo: ao me chamar de pessimista, você entrou para o “Livro dos Records”, qualquer que seja o mérito ou explicação disso.

Lamento, Filipi, se você tivesse sido tão perseguido a vida inteira, preso, cassado, confinado, desterrado, sequestrado, ameaçado de todas as formas, não teria tempo de ser pessimista.

Sou básica e extremamente otimista ou já teria desaparecido. Só para você pensar antes de dormir. Em 1966, eu era candidato a deputado federal pelo MDB da resistência. Fazendo campanha, tinha que enfrentar sempre a pergunta: “Por que o senhor, um jornalista de repercussão nacional, quer se deputado”.

Resposta invariável deste repórter: “Não quero ser deputado, estou começando um projeto político. Se eu for eleito agora com a votação que projetam, em 1970 serei candidato a governador, em 1975 a presidente da República”.

Em 1966, projetavam para mim acima de 300 mil votos. (Em 1982, o extraordinário cantor popular que é o Agnaldo Timóteo, teve mais de 600 mil votos). Além do mais, no PMDB praticamente não sobrara mais ninguém, todos tiveram que ir para o exterior.

A eleição eram em 15 de novembro de 1966. No dia 12 fui cassado, preso, proibido de escrever, de dirigir jornal, de colocar meu nome em qualquer órgão. Meus advogados entraram com habeas corpus, no mesmo dia. O ministro Eloi José da Rocha, que presidira a Câmara dos Deputados, mandou registrar minha candidatura.

Foi uma pena. O Supremo perdeu junto comigo, os torturadores de plantão deram ordem ao Tribunal Eleitoral para nem contar os possíveis votos que eu teria, de eleitores que não souberam que eu havia sido cassado por 10 anos.

Em 1978, decorridos esses 10 anos, o MDB tentou lançar minha candidatura ao Senado. Resposta: “Agora a cassação não é mais por 10 anos. É PARA SEMPRE”.

Como vê, Filipi, não tenho tempo para ser pessimista.

Atropelada a Justiça Eleitoral

Carlos Chagas

O programa de propaganda partidária  do PT ganhou nota dez em matéria de produção. Mas nota zero em termos de respeito à legislação  eleitoral. Tratou-se de campanha eleitoral antecipada na medida em que o presidente Lula apresentou, enalteceu e favoreceu a candidata Dilma Rousseff, além de haver lançado farpas sobre José Serra e os tucanos. Comparou seu governo ao anterior, de Fernando Henrique. Teve nítido objetivo eleitoral, ou eleitoreiro.

A discussão deve ser mais profunda. Por que proibir a campanha  pura e simples, se não for feita com recursos públicos?  Mas se a proibição existe, como desrespeitá-la? Atropelada,  a Justiça Eleitoral terá condições de reagir?

O PSDB já começou a preparar o seu programa, para o mês que vem. Como se comportarão seus marqueteiros? Seguirão o mesmo modelo dos companheiros, apresentando José Serra como Dilma Rousseff foi apresentada?  Ignorando o Tribunal Superior Eleitoral?

Ficha limpa, adeus

O líder  Romero Jucá lançou a pá-de-cal no projeto da ficha-limpa. Não se trata, para ele, de uma proposta de interesse do governo, mas da sociedade. Deixando de lado a indagação de  para quem o governo governa, se não for para a sociedade, vale registrar que o Senado não terá pressa em votar o projeto a tempo de sua aplicação nas eleições deste ano. Porque o texto precisará retornar à Câmara. Mesmo mutilado no objetivo de impedir condenados em primeira instância de se candidatarem, nem assim poderá valer para outubro. A proibição atingiria apenas os condenados pelos tribunais, na segunda instância. Uma pena.

Lula explicará

Anunciou  o presidente Lula a disposição de estudar economia, depois de deixar o governo. Pretende inscrever-se num desses cursos livres que prescindem dos vestibulares.  Tomara que concretize a proposta e possa explicar, mesmo com atraso, porque os economistas de seu governo apanham tanto dos números. A moda, agora, é prever que o PIB crescerá até 7.5%, este ano, quando faz pouco a equipe econômica  fixava-se  nos 4%. Estimulada pelos bancos, a previsão deixa  perplexos os estudantes de economia.  Será manobra eleitoral? O eleitor comum  dá de ombros diante da mudança, ignorando o que seja PIB, mas o volume da propaganda se encarregará de sensibilizá-lo por via transversa.

Planejando o futuro

Na Câmara, mesmo a curta voz, especula-se sobre quem sucederá Michel Temer na presidência da casa, no biênio 2011-2012. Caso o PMDB mantenha a maioria entre as bancadas, reivindicará  a indicação. Henrique Eduardo Alves é candidato, desde que se reeleja em outubro, mas outros nomes existem, como o de Eliseu Padilha.

No Senado, tudo indica a continuação de José Sarney,  dispondo  de mais quatro anos de mandato pelo Amapá. Também na dependência de o PMDB formar a maior bancada.

A conclusão, sempre sujeita aos inusitados, é de que nada vai mudar no Congresso, tanto faz se Dilma Rousseff for eleita ou se o vitorioso for José Serra.  Ambos acreditam que formarão  maioria. Realmente, nada vai mudar…

O conjunto não é igual à soma das partes

Pedro do Coutto

A frase “o conjunto não é igual à soma das partes é de Einstein” e integra um dos capítulos da Ciência da Função, um de seus últimos livros escritos em torno de 1950, fase final de sua vida. Ele morreu em 55 aos 75 anos de idade. Um dos grandes pensadores da história universal, seu cérebro foi objeto de exames e mais exames. Nada de diferente –concluíram outros cientistas- do cérebro de pessoas comuns. O conjunto não é igual à soma das partes. Uma coisa é a situação estática. Outra  mesmo objeto em movimento.

Penso que a definição de Einstein ajusta-se perfeitamente também ao futebol e estou me lembrando dela porque li o artigo de Tostão sobre as convocações de Dunga, Folha de São Paulo, edição de 12 de maio. Uma seleção – disse o tricampeão de 70, que a meu ver integra o selecionado brasileiro de todos os tempos – não deve estar pronta antes da hora. As grandes seleções –acrescentou – são as que se tornam grandes durante a competição. Surpreendem e encantam.
O encantamento – digo eu – não faz parte do calendário do treinador que, a seu favor, possui na bagagem a conquista da Copa América e da Copa das Confederações. A mim parece que ele arma o time à sua imagem e semelhança. Daí a exigência da aplicação total, de amor à camisa, de desenhos táticos e estratégicos prévios. Tudo bem, ele tem resultados em seu crédito. Possui também o título de tetracampeão do mundo, no escrete de 94, de Parreira e Zagalo. Um futebol mais defensivo que criativo, à base da ocupação de espaços. Daí a convocação de Kleberson, peça-chave do esquadrão na vitória de 2002. Alguém que ataca e participa ativa e empenhadamente das ações defensivas. Não se sabe, entretanto, se Kleberson 2010 ainda é o Kleberson da Copa do Japão. Fomos campeões vencendo a Alemanha na final, por dois a zero, dois gols de Ronaldo Fenômeno. Mas esta é outra questão.

Os esquemas rígidos em futebol não funcionam dentro das regras de projetos originais. O imponderável entra em campo. Ele não torce nem é justo. Apenas acontece, disse Tostão. O imprevisto, acentuo eu, é o essencial. Porque o futebol é uma janela aberta sobre o infinito. Os espaços e as situações são objeto de disputa a todo momento. Além do mais, trata-se do único esporte em que a tática pode neutralizar a técnica e até a arte, como aconteceu em 1950, na final entre Brasil e Uruguai. Primeiro quatro-três-três da história, o meio campo uruguaio, sob o comando de Obdúlio Varela, herói da partida, voltava para defender. O nosso não.

Homens da meia cancha como Danilo e Jair da Rosa Pinto não recuavam para dar cobertura ao lateral Bigode, que vinha sendo ultrapassado por Gighia seguidamente. Aliás a esse respeito, em matéria de atacar e defender, devemos levar em consideração que as equipes do passado atuavam com onze jogadores. As do presente com quinze. Absurdo? Não. Dois laterais, hoje, ao mesmo tempo zagueiros e pontas. Dois homens do meio campo avançam para atacar, recuam para defender. Temos aí, portanto, duas duplas ocupações de espaço. Fisicamente são onze peças. Em movimento quinze. E o conjunto continua não sendo igual à soma das partes. Isso de um lado.

De outro, nem todos os craques em seus times repetem o desempenho quando no escrete. Tostão tem razão. A realidade é que vai determinar o desempenho brasileiro na Copa da África do Sul. Surpresas vão surgir, elas surgem sempre no futebol, um esporte mágico, sensacional. E entra em campo o imponderável, como disse o craque do passado. Nós torcedores brasileiros, somos 190 milhões, não devemos nos precipitar. Vamos em frente. Em Joanesburgo a formação ideal vai surgir. Com Ganso ou sem ele. Ainda há tempo para acertos.

Consagração e prestígio: ministro Marco Aurélio volta ao Tribunal Eleitoral

Ontem, no fim da noite, terminou uma das mais concorridas reuniões de Brasília. Concorrida e consagradora. Quem era quem na capital, estava no TSE para a posse do ministro. Com destaque para a OAB.

Já presidiu o TSE por duas vezes (1996/97 e 2006/2008), agora será o “fator de equilíbrio”, numa tumultuadíssima fase eleitoral. Elogiado por juristas, advogados de prestígio, participantes de importância no processo, foi a grande atração da solenidade.

Todos elogiavam a indicação de Marco Aurélio, diziam: “Sua passagem pela presidência, foi um grande momento do TSE”.

O ex-presidente do TSE, Ayres Brito, assume a vice-presidência do próprio Supremo. Se tiver tempo, será o próximo presidente.

Jango teve mais votos para vice do que JK para presidente

Valmor Stedile (e Hugo de Almeida):
“Hélio, baseado na sua análise sobre os vices, quero lembrar que João Goulart foi eleito diretamente para vice-presidente e teve votação superior ao presidente eleito, Juscelino Kubitschek. Muita gente esquece isso”.

Comentário de Helio Fernandes:
Tanto Valmor quanto Hugo estão corretíssimos. Mas deixei bem claro, que a partir da Constituição de 1946, os vices passaram a ser eleitos separadamente. Isso só aconteceu com Vargas (1950, sua primeira eleição presidencial, Juscelino e Jânio.

Já escrevi muito sobre Café Filho, vice junto com o mandato de Vargas. Tratemos então de João Goulart, duas vezes vice-presidente. Uma, com Juscelino, outra com Jânio Quadros. Muita gente me pergunta a razão dele ter sido reeleito, numa época em que a Constituição ainda não havia sido violada e violentada.

O fato: vice no período de Juscelino, como não ocupou o cargo nenhuma vez, Jango saiu em abril de 1960, se desincompatibilizando, e assim podendo ser vice no período seguinte. Como Hugo e Valmor escreveram, Jango se elegeu pelo voto direto, na chapa contrária a Jânio.

Contrária, efetivamente, mas como acontece no Brasil (e vem se repetindo agora de várias maneiras), fizeram um “acordo branco”, Criaram então a chapa “Jan-Jan”, as três primeiras letras de Jânio e as três de Jango. É histórico que Jânio não queria Milton Campos como vice.

Jânio se baseava no que ocorreu em 1952. Vargas presidente, 69 oficiais assinaram um ultimatum, chamado de “Manifesto dos Coronéis”, com a primeira assinatura sendo de Amaury Kruel. O que pretendiam? A demissão do ministro do Trabalho.

Quem era o ministro do Trabalho? João Goulart. O presidente e o ministro não podiam aceitar a exigência. Mas aceitaram. Jango disse a Vargas, (eram amicíssimos apesar da diferença de idade); “Presidente, eu saio sem nenhum problema, no momento não tempos condições de resistir, mas mantemos o Poder”. E saiu.

Aconteceu quase o mesmo em 1961, com a renúncia de Jânio. Os 4 comandantes de Exércitos, não queriam a posse do vice Jango, que estava do outro lado do mundo, em viagem planejada e determinada por Jânio. Por causa da resistência de Brizola, os generais foram derrotados em parte. Exigiram o “Parlamentarismo com Tancredo Neves de primeiro-ministro”.

Jango aceitou, Brizola aconselhou: “Já ganhamos, tome posse integral”. E Jango: “Tancredo é nosso amigo, não haverá problema, já aceitei”.

***

PS – Isso aconteceu em agosto de 1961. Jango ficou trabalhando, manobrando, mobilizando. 1 ano, 4 meses e 9 dias depois, (em 6 de janeiro de 1963) houve o PLEBISCITO, o parlamentarismo foi derrotado, João Goulart presidente.

PS2 – Não adiantou muito. Depois dessa vitória, governou 1 ano e quase 4 meses, foi obrigado a deixar o Poder. Motivo? Abandonou Brizola, recebia quase que diariamente Roberto Marinho e o embaixador do golpe, Lincoln Gordon.

PS3 – Cunhado, (como dizia Brizola) não pode ser parente, mas no caso era um grande conselheiro. O “maquiavelismo”, fora de Firenze, e sem muito conhecimento e convicção, é perigoso e quase sempre destruidor.

PS4 – Depois de vetar Brizola para ministro da Fazenda (tinha o apoio do marechal Lott), o senhor Roberto Marinho colocou no seu jornalão uma foto grande de Jango, na segunda página, com a legenda: “O estadista”. Meses mais tarde, apoiou integralmente o golpe que derrubou o mesmo João Goulart.

PS5 – Que República. Mas quem pode contar a história verdadeira, não só da República, mas até mesmo do Império? Agora, “desvairadamente nacionalistas”, querem punir empresas de comunicação, que têm mais de 30 por cento de capital estrangeiro. Eu apoio integralmente.

PS6 – Mas as Constituições PROIBIAM sempre, qualquer empresa de comunicação, ter sequer 1 por cento de capital estrangeiro. Há tempos, compreenderam que era ÓTIMO PARA ELES, fizeram aprovar no Congresso, essa participação GLOBALIZADA de 30 por cento. Agora, QUEREM ASSUSTAR OS SÓCIOS. Ha!Ha!Ha!

Jorginho, auxiliar de Dunga, já tem vaga garantida na Record

O que se fala em São Paulo, Brasília e na CBF: “Assim que acabar a Copa do Mundo, o auxiliar de Dunga ocupará cargo importante nessa televisão”. Mas há mais e também tido como consumado: Jorginho seria o principal cabo eleitoral do senador Marcelo Crivella.

Tudo isso se a seleção não ganhar o título. Se ganhar, bem, aí as oportunidades serão tantas e tão vastas, que Jorginho terá que fazer uma seleção. E isto não é um jogo de palavras, e sim reverência (?) à sua fé, e não apenas esportiva.

“Menas” verdade de Dunga

Declaração textual do auxiliado de Jorginho: “Se fosse o treinador em 1958, levaria o Pelé até com as duas pernas quebradas”. Fanfarronice sem qualquer base. Na Copa da Suécia, o agora treinador nem era nascido. O próprio Pelé diz: “Não imaginava que aquilo me aconteceria com 17 anos”.

Se existe uma coisa que não pode ser negada ou até mesmo esquecida, é esta: Pelé (e Garrincha) só entrou na seleção, por causa de um movimento liderado pelo jornalista Sandro Moreira. Importante, percebeu que as coisas não iam bem, usou seu conhecimento, prestígio e competência, para mudar tudo. É assim que se ganha, e não usado a “coerência”, com todas as aspas possíveis.

O secretário de Justiça (em férias), o dossiê-boomerang, Mão Santa e a revista pombo-correio

Falei ontem que Tuma filho errou em sair de férias, apesar de se julgar garantido por um dossiê. Logo, logo, me disseram, “não há dossiê algum, só a credibilidade da família”. Não sei se era gozação, informação, deformação.

Exemplo e mais nada: o dossiê de Arruda jamais apareceu. Nada a ver com o dossiê  que a empresa “Marcello & Filhos” publicou sobre cabralzinho. Era tudo rigorosamente verdadeira, mas podem chamar de dossiê-boomerang.

Desprezado pelo PMDB, Mão Santa
faz sucesso num pequeno partido

Antigamente, senadores tinham legenda certa para a reeleição. Ex-governador e senador garantido, Mão Santa (ganhou o apelido por ser obstetra e fazer centenas de partos de graça) não teve legenda.

O PMDB, pressionado por Lula, não permitiu que o senador usasse a legenda de sempre, Então ele saiu, foi para um partido pequeno, lidera as pesquisas. Enquanto isso, preside e fala diariamente no Senado.

“Veja”, a revista que
virou pombo-correio

Estava encalhando tanto, que passei a chamá-la assim, o semanário que “vai, mas volta”. Agora esse slogan está ultrapassado, e não há como substituí-lo, pois estão voltando mais exemplares do que chegam.

Presidentes repelem conselhos

Carlos Chagas

A Constituição de 1988 criou o Conselho da República como órgão superior de consulta do presidente da República, dele participando o vice-presidente, os presidentes da Câmara e do Senado, os  lideres da maioria e da minoria nas duas casas do Congresso, o ministro da Justiça e mais seis cidadãos brasileiros natos,  designados dois pelo presidente, dois pela Câmara e dois pelo Senado.

O Conselho da República tem como competência pronunciar-se sobre intervenção federal, estado de defesa e estado de sítio, bem como sobre questões relevantes para a estabilidade das instituições democráticas.

Comporta-se o governo como se essa instituição não existisse. Jamais o presidente Lula reuniu o Conselho da República. Nem  Fernando Henrique, nem Itamar Franco, muito menos Fernando Collor e José Sarney. No começo houve a designação dos seis brasileiros ilustres com mandato de três anos, como Paulo Brossard, Almino Afonso e outros. Agora, nem isso.

Exemplo mais recente de estar sendo descumprida a Constituição está na iniciativa  do Procurador Geral da República de solicitar ao Supremo Tribunal Federal a  intervenção  em Brasília.  O pedido dorme nas gavetas da mais alta corte nacional de justiça, sem prazo para deliberação, mas alguém tem notícia de que o presidente Lula convocou o Conselho da República para apreciar o ato do chefe do Ministério Público por ele mesmo nomeado?  Descumpriu-se, assim, a nossa Lei Fundamental,  sem que ninguém se desse conta.

Motivos para a convocação do Conselho da República acumulam-se através dos anos. Em 2005 as  denúncias sobre o mensalão colocaram em xeque a estabilidade das instituições democráticas, tanto que no Congresso  cogitou-se  até  do impeachment do Lula. Nada aconteceu.  Ainda agora a  tentativa de revogação da Lei da Anistia também caracterizou a hipótese de desestabilização institucional.  Silêncio total no palácio do Planalto, ainda bem que o Supremo resolveu a questão.

Suponhamos a eclosão de uma crise nas instituições democráticas, como a decisão do Piauí de separar-se da União ou a mobilização dos monarquistas para coroar o Lula como Imperador Perpétuo do Brasil. Bobagens, dirão os doutos, mas possíveis, alerta  a Constituição pela simples criação do Conselho da República em seus artigos 89 e 90. O problema é que se o presidente fosse obrigado a convocá-lo, da noite para o dia, não teria como. Porque não está constituído. Faltam os seis cidadãos maiores de 35 anos…

Na Defesa, repete-se a omissão

Outro órgão constitucional  de consulta do presidente da República igualmente ignorado e desprezado pelos detentores do poder é o Conselho de Defesa Nacional, polvilhado de mais ministros e de comandantes militares.   Também jamais se reuniu, ainda que em suas atribuições encontre-se opinar sobre a  decretação de intervenção  nos estados e no distrito  federal.

A omissão do palácio do Planalto surge até mais gritante do que no caso do Conselho da República. Tome-se, em sua competência variada, a obrigação do Conselho de Defesa Nacional “de  propor critérios  e condições de utilização de áreas indispensáveis à segurança do território nacional e opinar sobre seu efetivo uso, especialmente na faixa de fronteira e nas relacionadas com a preservação e a exploração de recursos naturais de qualquer tipo”.

Há quanto tempo imensas glebas  tem sido entregues a tribos indígenas? E nas faixas de fronteira, como o território hoje em poder dos Ianomani, como a  reserva Raposa-Serra do Sol,  posta à disposição de diversas etnias.  Por coincidência, recursos naturais existem aos montes nessas regiões, de minerais nobres como nióbio e  urânio até jazidas variadas de ouro e diamantes. Deram de ombros  Fernando Henrique, que inaugurou essa singular temporada de doações próximas da irresponsabilidade e à disposição da cobiça internacional, e Luiz Inácio da Silva, que vem completando com rara diligência a alienação de partes do país.

Não teria sido o caso de múltiplas reuniões do Conselho de Defesa Nacional, nos últimos dezesseis anos, ao menos para apreciar a lambança?  Mas alguém se reuniu?

Há quem atribua ao corporativismo partidário tamanha ausência de iniciativas obrigatórias. Primeiro os tucanos, agora os companheiros, igualam-se no desprezo e  no medo da participação de setores infensos a rezar pelas  suas cartilhas de governar. O absolutismo dos presidentes da República e de seus acólitos  revela-se como razão maior desse comportamento egoísta. São eles que devem decidir sobre tudo, sem conselhos de qualquer espécie…

Por último, os ex-presidentes

Tanto na lei quanto nos costumes,  são muitos os países onde seus ex-presidentes são freqüentemente convocados pelos governos atuais. Mesmo adversários, pertencendo a partidos distintos, em momentos cruciais eles contribuem com sua experiência para a solução de problemas graves. Alguns, até, tem assento nos respectivos  Senados, faltando-lhes apenas o direito de voto, entre  os demais.

Não raro a gente vê na televisão ex-presidentes dos Estados Unidos cumprindo  missões ou reunidos para assessorar o último sucessor. Como ex-presidentes da França, também.

Aqui entre nós, numa única oportunidade, nos últimos oito anos, o presidente Lula reuniu seus antecessores, mesmo assim excluindo Fernando Collor, então respondendo a processo no Supremo Tribunal Federal. Foi quando voaram com ele, para  Roma,  José Sarney e Fernando Henrique, unindo-se lá a Itamar Franco, então embaixador do Brasil na Itália,  para a coroação  do papa Bento XVI.

É claro que agora, em período eleitoral, ficam mais difíceis os conselhos e até os diálogos entre personalidades tão díspares, mas o futuro presidente da República, seja José Serra, seja Dilma Rousseff, só teriam a ganhar se de quando em quando convocassem os antecessores, a começar pelo Lula, Fernando Henrique, Itamar Franco, Fernando Collor e José Sarney.  Ou se deixarão levar pelo absolutismo?

TSE reduz número de candidatos ao Senado

Pedro do Coutto

Respondendo a uma consulta do senador Francisco Dornelles, o Tribunal Superior Eleitoral decidiu que as coligações partidárias em torno das candidaturas aos governos estaduais têm que concorrer ao Senado no máximo com dois candidatos dos partidos em alianças, pois a Lei Eleitoral atribui às coligações o mesmo tratamento dado às agremiações políticas. Portanto, para duas vagas, renovação de dois terços este ano, somente dois candidatos.

Matéria sobre a decisão do TSE, que foi tomada na noite de terça-feira, foi publicada pelo O Globo na edição do dia seguinte, 12 de maio. A restrição atinge a coligação PSDB-DEM-PPS, que apóia Fernando Gabeira para governador. O PV, uma das legendas da aliança, havia lançado a vereadora Aspásia Camargo. Mas o DEM apresentou o ex-prefeito Cesar maia e o PPS o ex-deputado Marcelo Cerqueira. São três os nomes, portanto. Não vai dar. Um deles terá que ser cortado. Cesar Maia, que firmou acordo com Gabeira, inclusive com parte do projeto de oferecer uma base no Rio a José Serra, vai ser mantido. Assim, ou sai Marcelo Cerqueira do PPS, ou sai Aspásia Camargo, do PV. Alguém terá que ser afastado do panorama.

Este panorama prevê as candidaturas a senador de Marcelo Crivella, que busca a reeleição, Jorge Picciani, pelo PMDB, Lindberg Farias pelo PT, Cesar Maia pelo DEM, mais provavelmente Marcelo Cerqueira, já que o candidato ao Palácio Guanabara pertence ao Partido Verde. A impressão que se tem, hoje, é que de todos, o favorito é Marcelo Crivella, embora seu desempenho no Senado tenha sido fraco.

Porém ele possui uma base de votos em torno de 20% do eleitorado, alcançou isso em todas as disputas das quais participou: Senado em 2002, Prefeitura do Rio em 2004, governo do RJ em 2006. Tem a seu lado a força da Rede Record de Televisão, a organização da Igreja Universal, além do apoio que recebeu do presidente Lula. Cesar Maia, Picciani, Lindberg e Marcelo Cerqueira vão lutar pelo segundo posto.

Um enigma. O desfecho vai depender mais da habilidade de cada um destes do que propriamente de suas qualidades ou defeitos. É que na renovação de dois terços do Senado, cada eleitor pode votar em dois candidatos. A malícia está na perspectiva de uma corrente receber votos de outra e não devolver a votação, ou seja, o DEM votar só em Cesar Maia, o PT apenas em Lindberg. O PMDB exclusivamente em Jorge Picciani e o PPS dirigir sufrágios somente para Marcelo Cerqueira. A eleição, desta forma, vai ficar confusa.

Há precedentes na história do Rio de Janeiro. Em 1954, por exemplo, quando Caiado de Castro chegou em primeiro lugar, a UDN concorria com o líder católico Hamilton Nogueira, o antigo PSD com Gilberto Marinho. Carlos Lacerda, o deputado mais votado, fechou com a chapa Hamilton-Gilberto. O PSD não. Votou somente em Marinho. Resultado: elegeram-se Caiado e Gilberto. Em 62, o fenômeno se repetiu. Brizola apoiou Aurélio Viana, que venceu disparado. Lacerda, então governador da Guanabara, lançou Juraci Magalhães, apoiando também Gilberto. O PSD voltou a se concentrar apenas em Gilberto, que recebeu os votos de Juraci e não devolveu. Resultado: voltou a ser eleito novamente em segundo lugar.

Esta característica vai reger novamente as eleições deste ano para senador pelo Rio de Janeiro. Quem motivar e iludir melhor os eleitores dos outros, vence, assegurando a segunda cadeira. A primeira parece ser a de Crivella. Vamos ver.

Injustiça com o secretário de Justiça

“Imprensadíssimo” (?) e sem conseguir desfazer as acusações, resolveu tirar férias. Só que errou no tempo. ia ficar fora 10 dias, passou para 30, sua integridade não resiste a essa eternidade.

Pensando mais claramente, até já se defendeu ao dizer: “Eu não sabia que o chinês era o que estão dizendo dele”. Hoje, o “eu não sabia”, incorporado à vida pública.

O que se diz em Brasília: Tuma filho não é demitido pelo dossiê que muitos temem e acreditam que existe em poder do Tuma pai. Esse é o típico “dossiê ficha limpa”, quem sabe quanto tempo resistirá ou existirá?

Flamengo horrível, e bobeada do treinador do Santos

Em vez de um treinador, Patricia Amorim deve contratar um ministro da Educação. Perde seguidamente, aqui e lá, para as duas Universidades do Chile. A do Chile (é o título) e a Católica, deve ser visceral. Ontem perdeu de forma irrefutável, e se não ganhou no Maracanã, não ganhará lá, onde perdeu várias vezes.

Adriano começou bem, fez 1 gol, vibrou muito. Mas desapareceu. Perdão, antes deu uma cabeçada ótima, mas a bola bateu na trave, aí sim, sumiu. Perdeu dois gols, que não consigo entender como “conseguiu”.

O Bruno, tão exaltado, o que é justo, quando faz grandes defesas, é “acarinhado” quando erra. Ontem, duas falhas incríveis. Num gol, dois chilenos passaram a bola entre seus braços, ele não viu nada. No terceiro, a bola “passeou” na frente do gol, o chileno veio de charrete e teve tempo de marcar. O Flamengo precisa na volta de ganhar de 2 a 0, i-m-p-0-s-s-í-v-e-l.

Durval trocou mal

O treinador do Santos, diante da repercussão obtida pelos meninos da Vila, explicava sempre; “Deixo eles jogarem, é um assombro o que eles estão fazendo.

Pois ontem, quando ganhava de 2 a 0, dominava e o Ganso teve uma bola magistral batida na trave, mexeu no time. Nossa Senhora. Botou o Mancha, que logo nos primeiros lances, permitiu que o Grêmio ressuscitasse (estava morto), não só empatasse, como virasse o placar.

Ai, insensatamente tirou o jogador que colocara sem necessidade.

E só foi fazer o terceiro gol no finalzinho, num passe maravlhoso de Ganso, concluído de forma magistral pelo Robinho.

Depois de não conquistar o sonho de ser prefeito, Gabeira desperdiça a alucinação de governar o Estado do Rio. E referenda insensatamente, Cabralzinho e Garotinho. Um no Poder, o outro que já usufruiu e desperdiçou esse Poder

Perdeu para Eduardo Paes por pequena diferença, o que provocou enorme repercussão. E imediatamente lançaram seu nome para governador ou senador. Entusiasmado e ainda deslumbrado com a votação que não esperava, começou a aceitar, a vacilar, a se contraditar, e naturalmente a desmoronar.

Cada uma dessas 4 palavras nem precisa de explicação. Isoladas, acumuladas ou somadas, representam total e irrefutável decepção ou frustração para quem pretendia renovação ou pelo menos alguma (mesmo pequena) modificação no quadro administrativo do Estado do Rio.

Dois anos depois de ter se oferecido para ser prefeito, e portanto garantindo que poderia representar mudanças municipais, mas valiosas por se tratar do importantíssimo Rio, capital do estado e ex-capital do país, aparece disposto a reformas mais amplas por se tratar do estado inteiro.

Só que, por causa das indecisões e indefinições do próprio Gabeira, seu túmulo eleitoral começa a ser fechado, devido à contradição política. Não percebeu que poderia ter ganho em 2008 se não pertencesse ao PSDB. O do Rio-capital e o do estado inteiro, marcados e irrecuperáveis pelo fracasso da experiência tucana.

E não foi apenas por causa de falhas de gerência, e sim pela ganância e voracidade de se apossar dos dinheiros públicos. O que fizeram com velocidade de Fórmula 1, mesmo sabendo que uma parte desse dinheiro (a mínima) é gasta aqui. E a outra (a máxima) no exterior. Um tempo, (mais ou menos 7 anos) nos EUA. Depois, (3 ou 4 anos) numa belíssima quinta de Portugal. Onde o dinheiro do contribuinte continua financiando dispendiosa forma de viver.

Sem nunca ter trabalhado, nem ele nem o irmão-também-filho. Mas construíram um futuro maravilhoso, transitando pela vida de carro ou a cavalo, preenchendo suas preferências, prazeres e satisfações.

Surpreendendo a todos, Gabeira tentou fugir da rotina de deputado com aparições espalhafatosas, mas não construtivas, abandonando o porto seguro de antes para se refugiar nesse bunker inqualificável que é o PSDB do Estado do Rio e do Rio-capital.

Sempre se elegeu pelo PT e PV, agora quer alçar vôo, pilotando (ou pilotado?) a pior carcaça do PSDB. Não que aqui o PT e o PV sejam melhores do que os outros, ou que o PSDB esteja mais perto da esperança. Todos são frágeis e vulneráveis.

O PSDB é mistificação nacional provada, comprovada e avaliada, não se sabe como chegou ao Poder a partir de 1994 com FHC. Naturalmente deve tudo a Itamar, que desde 1995 não dorme direito, quando lembra que foi ele que PATROCINOU o retrocesso dos 80 anos em 8. E que por causa disso, pode ter que abandonar o projeto de voltar ao Senado certo, para “disputar” uma vice incertíssima na chapa com Serra, remanescente do próprio “fernandohenriquecardosismo”.

No momento só existem dúvidas em relação a Gabeira, dá a impressão de ter abandonado a candidatura a governador, sem confirmar a de senador. E se fala abertamente, que Gabeira não demora e confirmará a volta à Câmara, pretenderia continuar como deputado federal, sem riscos, mesmo no PSDB.

***

PS – Seu partido, o PV, tem candidato a presidente, Dona Marina. O PSDB que o abrigou também tem, José Serra. Dizem que Gabeira apoiará Marina no primeiro turno e José Serra no segundo.

PS2 – Isso é a consagração da falta de convicção. Trocando de candidato para o segundo turno, desde agora Gabeira demonstra que não tem a menor confiança na candidatura de Dona Marina.

PS3 – Isso é quase uma unanimidade. Mas dito por um correligionário, parece mais traição do que indecisão, no plano nacional. E no estadual, “fortalece” Cabralzinho e Garotinho. E ainda vem com César Maia a tiracolo.

A queda do presidente do Supremo Tribunal Federal

Não caiu do cargo e sim de uma cadeira na Câmara. Menos mal que poucos notaram, ao contrário do que aconteceu quando caiu da CADEIRA presidencial, ao votar A FAVOR DA ANISTIA A TORTURADORES.

A queda verdadeira provocou estrondo e teve espantosa repercussão contra. Como a presidência é exercida em rodízio e por prazo certo (2 anos), Cezar Peluso, nunca mais.

A “Pátria de chuteiras”

Nelson Rodrigues jamais imaginou que sua definição (?) fosse ganhar tanta repercussão, 30 anos depois. Usada e abusada por um treinador neófito, escalafobético e antiético, que não se define nem mesmo em relação à ditadura e à escravidão.

Quanto à primeira, sentenciou a todos que discordarem o mínimo de suas “convicções”, a serem condenados por falta de patriotismo. E em se tratando de escravidão, deve ter convocado o Grafite para humilhá-lo com a reserva. Só pode ser.

Tentou justificar a não convocação de Ganso e Neymar, com o fato de “não terem ido bem na seleção sub-20 e sub-17”. E como eu disse ontem, só quer saber da “família”, é o sub-Felipão. (Por causa disso, manteve todos aqueles “dungatórios” que transformam o meio do campo num purgatório).

Toda a sua argumentação é alicerçada na COERÊNCIA, que é uma das coisas mais retrógradas, atrasadas e prejudiciais do mundo. Muitas vezes ou quase sempre, a COERÊNCIA CONSISTE EM MUDAR E NÃO EM INSISTIR. O MUNDO É DINÂMICO E NÃO ESTÁTICO. Que pena, Dunga, a COERÊNCIA no injustificável, ressuscitou a Era Dunga, e novamente contra voce.

Down Street, 10

É o símbolo do poder da Grã-Bretanha, o endereço singular de Londres, não tão majestoso, mas até mais importante, política e eleitoralmente, do que o Palácio de Buckingham.

Por causa disso, assim que fez “acordo” com os “reacionários” de Nick Clegg, o “conservadoríssímo” David Cameron apareceu para o mundo numa foto em frente à casa famosa.

Logicamente com a mulher, grávida de seis meses. Diante do fato e da precária situação da coligação Cameron-Clegg, é obrigatório perguntar: o filho do novo primeiro-ministro nascerá mesmo na residência oficial?

Euro-dólar-libra

Os ingleses, que não quiseram fazer parte da UE (União Européia), por não aceitarem o fim da libra, substituída pelo euro, estão vibrando: Motivo: o EURO, que assustava o DÓLAR dos EUA, em plena crise. Enquanto na Grã-Bretanha, a crise é política, mas não atinge a LIBRA. (Por enquanto).

Quase uma perda de tempo

Carlos Chagas

Viajou ontem o presidente Lula, para uma semana visitando Moscou, Teerã, Madri e Lisboa. Nem a recém-anunciada seleção brasileira de futebol faria sucesso igual, com a vantagem para o primeiro-companheiro de que não precisa fazer gols e pode até perder um pênalti, como deverá acontecer no país dos aiatolás. A viagem ao Irã, mais do que um desafio,  deverá revelar-se uma derrota de nossa diplomacia, ou melhor, do próprio Lula. Só por milagre ele conseguirá que o governo local se curve às imposições da comunidade  internacional para  permitir fiscalização em suas usinas de enriquecimento de urânio.

Da mesma forma, nem de longe estará agradando os  Estados Unidos e a  Europa em sua tentativa de interromper a marcha das sanções econômicas programadas contra o Irã. Intromete-se numa disputa para a qual não foi chamado, podendo prometer muito pouco em termos de cooperação do Brasil com aquele país. Ao tempo em que se arrisca a despertar a  má vontade das potências ricas e nucleares.

Não deixa de ser curioso imaginar os encontros com os presidentes da Rússia e do Irã, assistidos por intérpretes pressurosos em traduzir salamaleques  de parte a parte. Tempo perdido? Talvez não, na  medida em que conhecerá as excentricidades de dois antigos impérios hoje fazendo parte mais da História: o soviético e o persa, de glórias passadas e de futuro ainda incerto.

Com todo o respeito, mas melhor teria feito o presidente Lula caso permanecesse entre nós, visitando obras do PAC e emprestando seu prestígio à candidatura de Dilma Rousseff.

Recuperando Meirelles

Por falar na candidata, ela também aproveitará para viajar ao estrangeiro, semana que vem. Participará das homenagens que entidades econômicas americanas prestarão em Nova York ao presidente do Banco Central, Henrique Meirelles.  O singular é que José Serra  poderá estar presente, nessa espécie de exaltação  da imagem do ministro que queria ser candidato a  vice-presidente, governador ou senador, mas acabou  condenado a permanecer onde se encontra desde 2003.

Nem Dilma nem Serra foram favoráveis à recente alta de juros, imposta por Meirelles, mas como ambos precisam fazer média com os barões do sistema financeiro e bancário,  lá estarão na primeira fila dos convidados. Vitoriosa a candidata, em outubro, certamente manterá o homenageado no Banco Central ou o promoverá a ministro da Fazenda ou do Planejamento. Ganhando o ex-governador de São Paulo, Goiás que se prepare para hospedar sua nova incursão  político-eleitoral, prevista para 2014.

Uma de Winston Churchill

Fala-se  de Winston Churchill que por conta de seus defeitos, certa vez, numa recepção, uma daquelas inglesas de nariz em pé o agrediu, dizendo que se fosse casada com ele, botaria veneno no seu chá. Resposta: “Madame, juro que se eu fosse seu marido, tomaria a  xícara inteira…”

A historinha se conta a propósito  das relações entre o PMDB e o PT, longe de chegarem a bom termo. O presidente Lula e Dilma Rousseff parece que vão engolir Michel Temer como candidato a vice, mas o presidente da Câmara, se eleito, precisará sorver doses diárias de arsênico, senão no chá, ao menos no café…

Mais um

Em agosto deve aposentar-se o ministro Eros Grau, no Supremo Tribunal Federal. Mais uma vaga será preenchida pelo presidente Lula, completando nove nomeações, computada a do falecido ministro Meneses Direito. A corrida já começou, ainda que dentro do maior recato. Mas não errará quem se voltar para as preferências do ex-ministro Márcio Thomas Bastos. Não que ele pretenda voltar a morar em Brasília. De jeito nenhum, seu escritório de advocacia vai muito bem, obrigado, em São Paulo. Quem ele indicar,  porém, já pode encomendar a toga…

Política é como nuvem: Serra se descontrola

Pedro do Coutto

O governador Magalhães Pinto, sem dúvida uma grande figura do passado nacional, deixou no seu legado uma definição poética e eterna sobre a política: é como a nuvem. Muda de forma e direção a todo instante. Veja-se agora o descontrole revelado por José Serra, em entrevista à rádio CBN, manhã de segunda-feira, ao responder uma pergunta da jornalista Miriam Leitão, feita pelo telefone. Irritou-se, atirou em várias direções ao mesmo tempo contra o governo Lula. Ninguém esperava por tal rompante. Surpreendeu a todos. A melhor matéria sobre o inusitado episódio foi do repórter Flávio Freire, publicada no O Globo de terça-feira, 11, manchete principal da edição.

Serra, que vinha taticamente elogiando o presidente Lula, de repente irritado com a pergunta, assentou as baterias contra o atual governo, escolhendo como alvos principais o Banco Central, a recriação da Telebrás, a construção da hidrelétrica de Belo Monte e até a política do Mercosul. Como explicar a repentina mudança de estilo? Impossível. O ex-governador de São Paulo transtornou-se com a indagação de como agiria relativamente ao Banco Central se viesse a ser eleito em outubro. De tal maneira que Miriam Leitão teve que desenvolver um esforço para poder concluir a pergunta. Mal ela tocava no tema era atropelada pela interrupção do entrevistado que assumia uma posição de mal educado, na medida em que não permitia à interlocutora pelo menos concluir o pensamento e a frase. Foi uma atuação lamentável. Perdeu votos com isso. Substituiu a imagem de homem sereno e gentil, articulado e lúcido, pela de um político raivoso pronto a explodir a qualquer momento.

Trocou a razão pela emoção pessoal, quando ao longo de sua campanha se posicionava exatamente ao contrário do que fez segunda-feira. De um técnico frio e sereno, deixou surgir um outro personagem, alguém incapaz de suportar qualquer divergência de pensar. Qual dos dois Serras é o mais real? O da entrevista à CBN ou o que fez questão de posar de tolerante? O fato vai gerar conseqüências. Inclusive funcionou como um jato de água gelada no PSDB, DEM e PPS, aliados de sua candidatura ao Planalto. Principalmente porque a opinião pública não reage favoravelmente a explosões e irritações desse tipo.

Além do mais, parecendo até adversário de si mesmo, José Serra deixou escapar uma frase que pode até vir a ser usada contra ele mesmo na campanha: não dá para ter bom humor às oito horas da manhã. Publicada pelo O Globo na chamada da primeira página no texto que sustentou a manchete. A que horas, afinal, costuma acordar o governador José Serra?

Inclusive não se trata de bom ou mau humor. Trata-se de respeito às pessoas, entrevistadoras e ouvintes da CBN. Acordar cedo é ruim? A que horas o governador desejaria ser despertado para retornar do sono reparador para atividade normal, portanto para o trabalho? Passou a impressão que se trata de alguém que dorme até tarde, ao contrário da esmagadora maioria da população brasileira. E olha que é alguém que dispõe de carro, motorista, auxiliares diretos em boa quantidade e presume-se – de qualidade. Governar é acordar cedo, dizia sempre o presidente JK. Trabalhar para os interesses coletivos deve ser um prazer, não um peso a ser carregado. Todos temos obrigações na vida, mas ninguém é obrigado a ser político. É uma opção que implica na aceitação tácita das dificuldades que envolvem a vida pública. Serra desconstruiu a imagem que criara de si mesmo. Deixou no ar uma dúvida sobre si mesmo. Cometeu um erro. Grave.

Intervenção diretíssima de Lula, tumulto eleitoral no Amazonas

Tenho analisado as eleições de vários estados, quase todas com elevado grau de complicação. O que não é surpreendente pela ausência total de partidos, dominados, t-o-d-o-s, por cúpulas comprometidíssimas.

Mas o estado de mais difícil análise é o Amazonas. Motivo: existe um nome destacado para o Senado, o ex-governador Eduardo Braga, e os outros cargos, praticamente dependendo dele.

Para governador: Omar Aziz, vice de Eduardo Braga, agora no governo e candidato, vem subindo muito, pela escada construída e implantada por Braga. E Alfredo Nascimento, ex-ministro (duas vezes) e senador, já foi mais favorito,vem diminuindo esse favoritismo. Curiosidade: os adversários e até inimigos se reconciliam, se juntam, abandonam a hostilidade.

Para senador, Artur Virgilio, já esteve em situação mais difícil para a reeleição, mas vem em recuperação. Vanessa Graziotin, ao contrário. Deputada federal em 2002 com 180 mil votos, reeleita em 2006 com apenas 90 mil, a metade. É do PCdoB, com o marido, ex-secretário, que também pretende ir para a Câmara. Só que os votos não elegem marido e mulher. (Por enquanto, ela continua pretendendo o Senado, esperando a ajuda de Lula).

Eduardo Braga, além de ser hoje a figura eleitoralmente mais importante do Amazonas, tem projeto ambicioso, que vou revelar na totalidade.

1 – Candidato a senador. 2 – Colocou a mulher como primeira suplente. 3 – Quer ser ministro do Meio Ambiente (sua grande obsessão) com Dilma ou Serra. 4 – Assim, a senatoria ficará ou ficaria com a mulher, que é participante. 5 – Nomeado ministro, fica no cargo até abril de 2012. 6 – Se desincompatibiliza, será candidato a prefeito de Manaus. 7 – Por que toda essa estratégia, prefeito depois de governador, senador e ministro? 8 – Textual: “Quero ser prefeito da capital do Amazonas, Manaus, durante a Copa de 2014”.

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PS – Tudo isso já desenvolvido e em fase de conclusão, até ontem (terça-feira), quando Alfredo Nascimento (repetindo: duas vezes ministro de Lula) chegou ao Planalto-Alvorada levando Serafim Correa.

PS2 – Quem é e o que fazia por volta das 7 da noite naquele local? Foi prefeito de Manaus, tem prestígio pessoal, mas não conhecia o presidente. Foi apresentado a ele, assim: “Será o vice-governador na minha chapa”.

PS3 – Lula vibrou, havia autorizado “a visita”. O encontro durou 17 minutos, mas caminhava o objetivo de tudo: eleger Nascimento, derrotar Artur Virgilio, que disputa a reeleição, e garantir mais 4 anos no Senado ao suplente João Pedro, que passará a efetivo.

PS4 – Ainda na Tribuna papel, revelei que o Amazonas era prioridade de Lula, por causa do “ódio a Virgilio”. Com isso, sem dúvida, fortalece o palanque de Dona Dilma. No Amazonas, Serra mal chega aos 20 por cento dos votos.