Críticas a Belo Monte são mais uma etapa da campanha para internacionalização da Amazônia. Acredite se quiser, essa campanha conta com apoio do próprio governo do PT, que assinou na ONU um tratado internacional traindo o Brasil.

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Carlos Newton

Toda vez que Helio Fernandes, Carlos Chagas ou algum comentarista escreve aqui no blog sobre as ameaças de internacionalização da Amazônia, sempre aparece alguém para criticar e até ironizar, garantindo que essa possibilidade não existe. Agora, com o pedido da Organização dos Estados Americanos (OEA) para impedir a construção da usina de Belo Monte, talvez esses ingênuos brasileiros enfim comecem a perceber a realidade, entendam que essa ameaça de internacionalização realmente existe.

Antes, a manobra contra o Brasil somente se desenvolvia nas Nações Unidas, parecia improvável que houvesse alguma investida por parte da OEA, onde o Brasil deveria contar com a solidariedade dos demais países da Amazônia e de outras nações amigas, com as quais mantemos excelentes relações, como Argentina, Paraguai, Uruguai e Chile, mas agora está provado que isso não existe.

É preciso analisar o que está por trás da decisão da Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA, ao pedir a suspensão imediata do processo de licença da hidrelétrica, até que sejam ouvidas as comunidades indígenas que serão afetadas pelo empreendimento.

Na carta, encaminhada ao governo brasileiro em 1º de abril último, a Comissão aprovou medida cautelar nesse sentido, alegando que a vida e a integridade pessoal dos indígenas estariam em risco, devido ao impacto da construção da usina. Adicionalmente, a comissão solicitou ao governo brasileiro que as comunidades a serem atingidas tenham acesso ao Estudo de Impacto Social e Ambiental do projeto, “em um formato acessível, incluindo a tradução para os idiomas indígenas respectivos”.

O que pouca gente sabe é que há alguns anos a ONU aprovou a Declaração dos Povos Indígenas, um tratado internacional que transforma em “nações” verdadeiras todos os territórios dos povos considerados “nativos”, e a delegação brasileira, no governo Lula, assinou essa excrescência, que representa um salvo-conduto para a emancipação de mais de 100 novos países dentro o Brasil, que ocupam uma área equivalente a 20% do território nacional.

Ao todo, calcula-se que vivem hoje 370 milhões de indígenas (populações nativas) em cerca de 70 países, segundo a própria ONU (no Brasil, são menos de 200 mil, um  percentual ínfimo em relação ao total). O texto da Declaração dos Povos Indígenas foi aprovado com votos contrários apenas de Estados Unidos, Canadá, Austrália e Nova Zelândia. Outros 143 países votaram a favor e 11 se abstiveram.

O ardil embutido no documento da ONU era evidente, a questão central de tudo isso já não se referia apenas aos “povos nativos” propriamente ditos. Ninguém está preocupado com os povos nativos da antiga Cortina de Ferro, são milhões e milhões de pessoas, nem com os aborígenes da Austrália. Tampouco se preocupam com os nativos da Argentina, que tem população indígena muito maior do que a do Brasil, acredite se quiser. O que agora está em disputa é a soberania sobre a maior floresta tropical do planeta, com suas colossais reservas minerais e sua riquíssima biodiversidade.

Esse tratado internacional foi repudiado por Estados Unidos, Canadá, Austrália e Nova Zelândia, além de outros 11 países que se abstiveram, como a Rússia e a Argentina, que têm muito mais população considerada nativa do que o Brasil. Mas o ingênuo governo do presidente Lula, que gostava de bancar o defensor da “causa indígena”, assinou o tratado sem dar muita atenção ao que estava escrito nele e sem fazer qualquer ressalva a seus dispositivos. Logo depois, o brilhante Lula criou a reserva Raposa/Serra do Sul, que cortou pela metade o território de Roraima, a área mineral mais rica do mundo.

É inacreditável que o Brasil do genial presidente Lula tenha feito questão de assinar esse tratado ardiloso, que não somente garante a criação das “nações” indígenas, como também lhes garante território próprio e inviolável, onde nenhum brasileiro poderá ingressar, nem mesmo nossas forças armadas, em caso de necessidade. Essas novas nações terão total autonomia administrativa, poderão fazer o que quiserem de seus “territórios”, inclusive abrir a países estrangeiros a exploração de suas reservas minerais.

Encoberta e incentivada pela ingenuidade dos ambientalistas  do mundo inteiro, a campanha internacional contra o país é impressionante e cada vez mais forte. E o pior é que conta com apoio crescente de significativa parcela dos próprios brasileiros, que se posicionam mais como ecoólatras do que como defensores da ecologia.

Já escrevi aqui no blog que os chamados ambientalistas hoje se dividem em três categorias distintas: os ecologistas, que defendem a natureza como um todo, querem a preservação da flora e da fauna do planeta; os ecólogos, que se dedicam ao assunto e o estudam de forma científica; e os ecoólatras, que têm um entendimento distorcido da questão e consideram os interesses da espécie humana como os de menor importância na escala animal (e vegetal).

Muitos ecoólatras brasileiros estão dando apoio integral à campanha para internacionalização da Amazônia, são inocentes úteis, nem percebem o que estão fazendo. E as Forças Armadas estão imobilizadas, sem recursos nem equipamentos para defender nosso território. Seus comandantes não podem se pronunciar a respeito, conseguiram amordaçar os militares, era só o que faltava.

O caso da usina de Belo Monte é apenas a ponta do iceberg. E só acontece no Brasil. Imaginem alguma organização internacional se metendo na construção da usina de Três Gargantas, na China, a maior do mundo. Ou se intrometendo na defesa dos povos nativos dos países da Cortina de Ferro, da Índia ou da África, eternamente espoliada pelos interesses econômicos das grandes potências, procurem saber o que acontece na Guiné Equatorial (acessem na internet), já escrevi aqui no blog a respeito.

Essas possibilidades de intervenção internacional, em casos graves e absolutamente necessários, na verdade inexistem em relação aos outros países. Mas contra o Brasil tudo é válido, tudo é permitido, com apoio do próprio governo brasileiro, que não consegue enxergar um palmo à frente do nariz, em matéria de política externa. Aqui no Brasil, todo mundo se intromete. Antigamente era o cantor Sting, que circulava pelo mundo abraçado ao cacique Raoni. Agora é o Bono Vox,  do U-2, que vive a se meter nos assuntos brasileiros, a pretexto de defender a ecologia planetária.

O assunto é importante, revoltante e apaixonante. Vamos voltar a ele, com mais detalhes sobre a Declaração dos Direitos Indígenas.

Adeus, reforma política…

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Carlos Chagas

Sobre a  reforma política,  apesar do jogo de cena promovido pelas comissões especiais do Senado e da Câmara, tudo indica que dará em nada.  Ou, no máximo, em perfumaria. O  Congresso não aprovará a proibição do voto personalizado para deputado.  Rejeitará o voto na legenda e em  listas preparadas pelos caciques partidários. Trata-se, essa proposta, de um desejo  dos  dirigentes, não das bases.  

No caso da aprovação,   os caciques seriam  eleitos  sem fazer força,  colocando-se nos primeiros lugares das listas.  Por isso, a idéia será rejeitada   também pelos parlamentares  que não tem voz ativa nem comando nos partidos, mas formam maioria nas bancadas e  nos  diretórios municiais e estaduais. Muito menos deixarão de protestar as novas gerações interessadas em ingressar na vida pública, infensas a começar na rabeira, sem chance, mesmo sendo populares e podendo dispor de  votos. Junte-se a esses setores o conjunto do  eleitorado, desde já irritado pela proposta de cassação de seu direito de eleger quem quiser, obrigado a aceitar  seu voto  beneficiando quem  não conhece,   não gosta e não escolheu.      

Outra mudança  condenada ao fracasso,  nas regras do jogo político,  seria a revogação do princípio da reeleição para presidentes da República, governador e prefeito. A tentação para os que não chegaram a esses patamares só não é  maior do que a daqueles que se elegeram,  reelegeram-se e agora aguardam a oportunidade de voltar para mais dois mandatos. Mesmo em se tratando a reeleição de uma vigarice, por conta do direito de o mandatário disputar o segundo mandato no exercício do primeiro, sem desincompatibilizar-se, está o país diante do fato consumado. É a historia contada nos nossos tempos de criança, a respeito dos tigres da Índia:  uma vez tendo provado carne humana, jamais admitiam outra  refeição. 

Uma terceira reforma de que se fala muito, também a ser desfeita no ar,  é o financiamento público das campanhas. Primeiro, porque despertará a irritação nacional diante da classe política: se faltam recursos para escolas, hospitais,  estradas, habitações e tanta coisa a mais, como  justificar dinheiro aos montes para a eleição de deputados e senadores? Depois, porque o governo, qualquer governo, pensará duas vezes na hora  de desembolsar centenas de milhões sob o pretexto de moralizar o processo eleitoral, sabendo que por baixo do pano prosseguirão os gastos não contabilizados, o  caixa dois,  a compra de votos e a corrupção. 

Sobre a cláusula de barreira, destinada a diminuir o número de partidos e acabar com as legendas de aluguel, permanecerá o mesmo obstáculo de sempre, há anos  impedindo sua aprovação: quem quer afastar a hipótese de, rompido com  seu partido, recomeçar em outro mais maleável? Existe ainda a questão dos pequenos partidos históricos, com lugar doutrinário e ideológico garantido pela lógica. Como separá-los dos partidos de aluguel?

Discute-se também, à maneira de quem enxuga gelo, a extinção dos suplentes de senador, ou, ao menos, do segundo suplente. Nem que a vaca tussa, porque em todos os estados as eleições de senador envolvem montes de composições, entendimentos e compensações. Jogar votos fora, ninguém   joga. 

Voto distrital constitui risco para boa parte dos candidatos a deputado,  de olho em receber sufrágios pingados em todo o estado. Concentrar as candidaturas  apenas num grupo de bairros, nas grandes cidades, ou num conjunto de pequenos municípios, diante de um adversário forte,  equivalerá a comprar passaporte para a derrota. Quanto ao reverso da  medalha,  o distritão em que se tornaria cada estado, poderia  ensejar a eleição apenas  dos mais votados, mas como reagirão quantos conseguem eleger-se sem alcançar o quorum necessário, nas sobras de outros? Sendo assim, também fica impossível imaginar o fim das coligações, taboa de salvação para muita gente.

O resultado,  sem a emissão de juízo  de valor sobre ser um bem ou um mal é que reforma política, adeus…

Tanatus, o impulso destrutivo, a grande descoberta de Freud

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Pedro do Coutto

Somente uma psicopatia profunda, e no caso macabra, inspirada na figura de Tanatus, da mitologia Grega, a maior descoberta de Freud em sua obra monumental, poderá traduzir, não explicar, o universo interior do assassino Welington Menezes de Oliveira que, pelos crimes em série praticados contra crianças e adolescentes na Escola Tasso da Silveira, traumatizou a todos.

E até abalou o próprio país pela crueldade e absurdo. Um fundamentalista, falso religioso, dentro de sua mente doentia criou um culto e um altar a si mesmo. Não fosse a bravura e ação rápida e firme do sargento Marcio Alves, da PMRJ, as proporções da tragédia seriam ainda maiores.

O hediondo episódio foi destaque em todos os grandes jornais do mundo. Sua dimensão foi terrível. Ficará eternamente na história da criminalidade e dos assassinos seriais. Não morresse nas escadas de Realengo, mais vítimas inocentes estariam em seu caminho.

Por que cito Freud? Porque foi o gênio de Viena, no final do século 19 que, ao aprofundar a psicanálise, foi buscar exemplos sólidos na mitologia da Grécia antiga em busca de definir comportamentos humanos a partir do passado, colocando-os no comportamento do ser humano. Eros e Tanatus foi um notável ensaio de Sigmund Freud colocado adicionalmente a uma das obras da coleção de 22 volumes que legou ao universo, chamada Além do Princípio do Prazer.

Eros representava a divindade do amor, do sexo, da vontade construtiva, objeto de cultos exaltando tais qualidades, séculos antes do nascimento de Jesus. Na mesma época remota dos tempos, Tanatus ou Thanatos, era o deus da morte, da destruição, o filho da noite. Talvez na época, não tenho certeza, noite poderia ser sinônimo de trevas no contexto mitológico. Neste caso, encontrar-se-ia uma semelhança com o filho da escuridão, fazendo sua figura convergir com a do demônio, anjo decaído, expulso da história, mas nela mantendo eterna presença como símbolo do mal.

Freud mergulhou na alma humana e, ao longo de sua vida, morreu em 1939 aos 87 anos de idade, foi de descoberta em descoberta, passo a passo desvendando e iluminando faces ocultas da espécie. Em si um mistério milenar. Mistério inclusive expressado na fé. Logo, o mistério existe e é realçado todos dias sem que nós o percebamos nítida e diretamente. A frase fica na penumbra.

Freud, que deu sequência às experiências hipnóticas e teatrais de Charcot, trouxe o esforço de compreensão da alma humana para o universo da linguagem clara, direta, não impressionista. Mas, homem culto e erudito, não limitado somente à  Medicina, foi buscar na arte e na História exemplos que incorporou ao tempo de sua época. Alguns exemplos ficaram para sempre. Como Eros e Tanatus. Outros, como Édipo, de Sófocles, tragédia grega também, foram revisados através das décadas. Electra, por exemplo. Édipo inclusive, pelo próprio Freud.

Mas a imagem de Tanatus é fortíssima. Continua a mesma. Traduz tanto as exacerbações que culminam com assassinatos, como os da Escola Tasso da Silveira, como comportamentos não criminosos, porém extremamente  prejudiciais. O Tanatus nasce de uma rejeição humilhante a si mesmo e leva ao impulso de destruir a personalidade e a existência dos outros. Para os que vivem em Tanatus, como se fosse um planeta, o êxito e o brilho dos outros incomoda. É um sofrimento. Ao longo da vida conheci vários assim. Conheci não, conheço. Aliás quem não conhece? Os assassinos são raros. Os recalcados  muitos. Aparecem a toda hora.

A septuagenária Justiça do trabalho e a semente do bem

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Roberto Monteiro Pinho

Em 1932, brotava uma das sementes históricas mais importantes no contexto da sociedade brasileira, a Justiça do Trabalho, que foi inserida na República, na esteira dos Tribunais Rurais criados pela Lei paulista n° 1.968 de 10 de outubro de 1922. O embrião foi fecundado nas Comissões Mistas de Conciliação com objetivo de harmonizar os conflitos do trabalho, os dissídios coletivos, com isso em novembro do mesmo ano, surgiram as Juntas de Conciliação e Julgamento para os dissídios individuais, através dos Decretos nº 21.396 e 22.132, respectivamente, ambas vinculadas ao então Ministério do Trabalho.

Em 1940 o Decreto-Lei 6.596/40, (entrou em vigor no dia 1° de maio de 1941, data comemorada como o “Dia do Trabalhador”), para assim ganhar formato de Justiça do Trabalho. Para subsidiá-la juridicamente, nascia a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), que unia num só Código um elenco de normas trabalhistas através do DL n° 5.452, de 1° de maio de 1943, se constituindo, conforme denomino de “o projeto social mais importante do planeta”.

A confirmação de órgão público dentro da estrutura da União, veio pouco mais à frente no Decreto-Lei nº 9.797, de 1946, e assim os 8 (oito) dos seus Conselhos Regionais do Trabalho passaram a se denominar Tribunais Regionais do Trabalho (TRTs) e o Conselho Nacional Trabalho, em Tribunal Superior do Trabalho (TST).

Apesar de sua deformação, o conteúdo social da especializada sobrevive, na prática, sua tarefa de entregar ao trabalhador a pecúnia fruto do seu trabalho, está  a cada ano mais demorada, em muitos casos, embora ganhe a ação, o reclamante não consegue receber. Perto de comemorar “70 anos”, a JT, divide a alegria de ter suportado os revezes no Congresso, onde não faltaram propostas para sua extinção e flexibilização das suas leis, e a decepção de ver seus próprios integrantes, mais preocupados com seus interesses corporativos, em detrimento da vocação de servir a causa do trabalhismo.

Protegida pela combatente massa de sindicalistas, principal combustível que ao lado dos advogados trabalhistas, alimentam esta gigantesca máquina jurídica, (são 24 tribunais, 1.360 Varas e um Tribunal Superior), se mostra frágil por suas mazelas jurídicas. Distante de ser a solução para exercer o papel moderador, através da conciliação, a JT se tornou uma justiça complexa, descuidada na feitura das suas decisões, insubordinada as regras superiores, e incompetente na execução, promovendo a debandada de micro e pequenos negócios para a informalidade.

A setuagenária resiste, assim foi na Constituição de 88, quando ganhou densidade com a representação classista, e no limiar (2001) do governo FHC, que tinha firme propósito extirpar direitos dos trabalhadores, através da flexibilização do artigo 618 da CLT, que é um dos seus pilares de sustentação. Para ampliar sua competência (EC n° 45/04), que a especializada mergulhou de vez na sua vertiginosa queda de produção, dando sinais de fadiga ideológica, passando ser a cobradora de “luxo” da Previdência Social (INSS).

Sem dar cabo de seu compromisso político com a União, após receber uma enxurrada de ações de execuções que era da Justiça Federal e as novas  execuções de oficio, acabou engessada. O texto legal é impositivo: “O art. 114 da Constituição Federal, ao dispõe que, compete à Justiça do Trabalho, processar e julgar: I – as ações oriundas da relação de trabalho, abrangidos os entes de direito público externo e da administração pública direta e indireta, da União, dos Estados, dos Municípios; II…… VIII a execução de ofício, das contribuições sociais previstas no art. 195, I – a, e II, e seus acréscimos legais, decorrentes da sentença que proferir”.

A Súmula 368 do C.TST, que deu interpretação ao citado preceito Constitucional, determina a limitação da competência para a execução, pela Justiça de Trabalho, dos títulos que foram objeto da condenação em pecúnia, de natureza salarial, sobre os quais incidam a contribuição previdenciária.

Assim positivamente com advento da Lei nº.11.457 de 16.03.2007, que imprimiu nova redação ao parágrafo único do art. 876 da CLT, não há mais dúvida quanto à competência material da Justiça do Trabalho, não apenas para executar as contribuições que derivam dos títulos da condenação sentencial, mas, também, para determinar os recolhimentos da contribuição, em face do reconhecimento do vínculo incidente sobre os salários pagos na vigência do contrato de trabalho, o que vai de encontro ao entendimento da Súmula 368.

Por ilação, em se tratando de contribuição previdenciária sobre os salários pagos na vigência do contrato de trabalho, em atraso, é competente a Justiça do Trabalho para determinar os recolhimentos de responsabilidade do empregador. São duas execuções, a procuradoria do INSS liquida seus cálculos o processo retorna e o juiz faz a execução, um processo ordinária, acaba virando dois, a União é a responsável pro 25% das ações existentes na JT. Seu espaço físico foi invadido por milhões de execuções previdenciárias, fazendo com que as ações que tratam da indenização e execução do titulo laboral se tornassem mais lentas.

Entenda o que está acontecendo na Líbia e por que é tão difícil derrubar Kadafi.

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James Petras

Nas últimas semanas a Líbia sofreu o mais brutal ataque imperialista, por ar, por mar e por terra, da sua história moderna. Milhares de bombas e de mísseis, lançados de submarinos, vasos de guerra e aviões de guerra, americanos e europeus, estão destruindo as bases militares líbias, os seus aeroportos, estradas, portos, depósitos petrolíferos, posições de artilharia, tanques, porta-aviões blindados, aviões e concentrações de tropas.

Dezenas de forças especiais da CIA e do SAS têm treinado, aconselhado e apontado alvos para os chamados ‘rebeldes’ líbios empenhados numa guerra civil contra o governo de Kadafi, as suas forças armadas, as milícias populares e os apoiadores civis ( NY Times 30/03/11).  
 
Apesar deste enorme apoio militar e do total controle dos céus e da linha costeira da Líbia pelos seus ‘aliados’ imperialistas, os ‘rebeldes’ ainda não foram capazes de mobilizar o apoio de aldeias e cidades e encontram-se em retirada depois de enfrentarem as tropas governamentais da Líbia e as milícias urbanas, fortemente motivadas ( Al Jazeera 30/03/11).  
 
Uma das desculpas mais idiotas para esta inglória retirada dos rebeldes, apresentada pela ‘coligação’ Cameron-Obama-Sarkozy, e repetida pelos meios de comunicação, é que eles estão ‘menos bem armados’ ( Financial Times, 29/3/11). Obviamente, Obama e companhia não contabilizam o grande número de jatos, as dezenas de vasos de guerra e de submarinos, as centenas de ataques diários e os milhares de bombas lançadas sobre o governo líbio desde o início da intervenção imperialista ocidental.

A intervenção militar direta de 20 países estrangeiros, grandes e pequenos, flagelando o estado soberano da Líbia, assim como o grande número de cúmplices nas Nações Unidas, não contribui com nenhuma vantagem militar para os rebeldes – segundo a própria propaganda diária a favor deles.  
 
Mas o Los Angeles Times (31/Março/2011) descreveu como “… muitos rebeldes em caminhões com metralhadoras deram meia-volta e fugiram… apesar de as suas metralhadoras pesadas e espingardas antiaéreas serem parecidas com qualquer veículo governamental semelhante”. De fato, nenhuma força ‘rebelde’ na história moderna recebeu um apoio militar tão forte de tantas potências na sua confrontação com um regime instituído. Apesar disso, as forças ‘rebeldes’ nas linhas da frente estão em plena retirada, fugindo desordenadamente e profundamente descontentes com os seus generais e ministros ‘rebeldes’ lá atrás em Bengazi.

Entretanto, os líderes ‘rebeldes’, usando elegantes terno e uniformes feitos por medida, respondem à ‘chamada para a batalha’ assistindo a ‘reuniões’ em Londres onde a ‘estratégia de libertação’ consiste no apelo, perante os meios de comunicação, de envio de tropas terrestres imperialistas ( The Independent, Londres) (31/03/11).  
 
É baixa a moral dos ‘rebeldes’ na linha da frente. Segundo relatos críveis da frente da batalha em Ajdabiya, “Os rebeldes… queixaram-se de que os seus comandantes iniciais desapareceram. Acusam camaradas de fugirem para a relativa segurança de Bengazi… (queixam-se de que) as forças em Bengazi monopolizaram 400 rádios de campo oferecidos e mais 400… telemóveis destinados ao campo de batalha… (sobretudo) os rebeldes dizem que os comandantes raramente visitam o campo de batalha e exercem pouca autoridade porque muitos combatentes não confiam neles” ( Los Angeles Times , 31/03/2011). Segundo parece, os ‘twitters’ não funcionam no campo de batalha.  
 
As questões decisivas numa guerra civil não são as armas, o treino ou a chefia, embora evidentemente esses fatores sejam importantes: A principal diferença entre a capacidade militar das forças líbias pró-governo e os ‘rebeldes’ líbios apoiados por imperialistas ocidentais e por ‘progressistas’, reside na sua motivação, nos seus valores e nas suas compensações materiais.

A intervenção imperialista ocidental exaltou a consciência nacional do povo líbio, que encara agora a sua confrontação com os ‘rebeldes’ anti-Kadafi como uma luta para defender a sua pátria do poderio estrangeiro aéreo e marítimo e das tropas terrestres fantoches – um poderoso incentivo para qualquer povo ou exército. O oposto também é verdadeiro para os ‘rebeldes’, cujos líderes abdicaram da sua identidade nacional e dependem inteiramente da intervenção militar imperialista para os levar ao poder. Que soldados rasos ‘rebeldes’ vão arriscar a vida, a lutar contra os seus compatriotas, só para colocar o seu país sob o domínio imperialista ou neocolonialista?  
 
Finalmente, as notícias dos jornalistas ocidentais começam a falar das milícias pró-governo das aldeias e cidades que repelem esses ‘rebeldes’ e até relatam como “um autocarro cheio de mulheres (líbias) surgiu repentinamente (de uma aldeia) … e elas começaram a fingir que aplaudiam e apoiavam os rebeldes…” atraindo os rebeldes apoiados pelo ocidente para uma emboscada mortal montada pelos seus maridos e vizinhos pró-governo ( Globe and Mail, 28/03/11 e McClatchy News Service, 29/03/11).  
 
Os ‘rebeldes’, que entram nas aldeias, são considerados invasores, que arrombam portas, fazem explodir casas e prendem e acusam os líderes locais de serem ‘comunistas da quinta coluna’ a favor de Kadafi. A ameaça da ocupação militar ‘rebelde’, a detenção e a violência sobre as autoridades locais e a destruição das relações de família, de clã e da comunidade local, profundamente valorizadas, levaram as milícias líbias e os combatentes locais a atacar os ‘rebeldes’ apoiados pelo ocidente.

Os ‘rebeldes’ são considerados ‘estranhos’ em termos de integração regional e de clã; menosprezando os costumes locais, os ‘rebeldes’ encontram-se pois em território ‘hostil’. Que combatente ‘rebelde’ estará disposto a morrer em defesa de um território hostil? Esses ‘rebeldes’ só podem pedir à força aérea estrangeira que lhes ‘liberte’ a aldeia pró-governo.  
 
Os meios de comunicação ocidentais, incapazes de entender essas compensações materiais por parte das forças pró-governo, atribuem o apoio popular a Kadafi à ‘coerção’ ou ‘cooptação’, agarrando-se à afirmação dos ‘rebeldes’ que ‘toda a gente se opõe secretamente ao regime’.

Há uma outra realidade material, que muito convenientemente é ignorada: A verdade é que o regime de Kadafi tem utilizado a riqueza petrolífera do país para construir uma ampla rede de escolas, hospitais e clínicas públicas . Os líbios têm o rendimento per capita mais alto de África com 14.900 dólares por ano ( Financial Times, 02/04/11).  
 
Dezenas de milhares de estudantes líbios de baixos rendimentos receberam bolsas para estudar no seu país e no estrangeiro. As infra-estruturas urbanas foram modernizadas, a agricultura é subsidiada e os pequenos produtores e fabricantes recebem crédito do governo. Kadafi promoveu esses programas eficazes, para além de enriquecer a sua própria família/clã.

Por outro lado, os rebeldes líbios e os seus mentores imperialistas prejudicaram toda a economia civil, bombardearam cidades líbias, destruíram redes comerciais, bloquearam a entrega de alimentos subsidiados e assistência aos pobres, provocaram o encerramento das escolas e forçaram centenas de milhares de profissionais, professores, médicos e trabalhadores especializados estrangeiros a fugir.  
 
Os líbios, mesmo que não gostem da prolongada estadia autocrática de Kadafi no cargo, encontram-se agora perante a escolha entre apoiar um estado de bem-estar, evoluído e que funciona, ou uma conquista militar manobrada por estrangeiros. Muito compreensivelmente, muitos deles escolheram ficar do lado do regime.  
 
O fracasso das forças ‘rebeldes’ apoiadas pelos imperialistas, apesar da sua enorme vantagem técnico-militar, deve-se a uma liderança traidora, ao seu papel de ‘colonialistas internos’ que invadem as comunidades locais e, acima de tudo, à destruição insensata de um sistema de bem-estar social que tem beneficiado milhões de líbios desde duas gerações.

A incapacidade de os ‘rebeldes’ avançarem, apesar do apoio maciço do poder imperialista aéreo e marítimo, significa que a ‘coligação’ EUA-França-Inglaterra terá que reforçar a sua intervenção, para além de enviar forças especiais, conselheiros e equipes da CIA. Perante o objetivo declarado de Obama-Clinton quanto à ‘mudança de regime’, não haverá outra hipótese senão introduzir tropas imperialistas, enviar carregamentos em grande escala de caminhões e tanques blindados e aumentar a utilização de munições de urânio empobrecido, profundamente destrutivas.  
 
Sem dúvida que Obama, o rosto mais visível da ‘intervenção armada humanitária’ em África, vai recitar mentiras cada vez maiores e mais grotescas, enquanto os aldeões e os citadinos líbios caem vítimas da sua força destruidora imperialista. O ‘primeiro presidente negro’ de Washington ganhará a infâmia da história como o presidente americano responsável pelo massacre de centenas de líbios negros e da expulsão em massa de milhões de trabalhadores africanos subsaarianos que trabalham para o atual regime ( Globe and Mail, 28/03/11).  
 
Sem dúvida, os progressistas e esquerdistas anglo-americanos vão continuar a discutir (em tom ‘civilizado’) os prós e os contras desta ‘intervenção’, seguindo as pisadas dos seus antecessores, os socialistas franceses e os ‘new dealers’ americanos dos anos 30, que debateram nessa época os prós e os contras do apoio à Espanha republicana… enquanto Hitler e Mussolini bombardeavam a república por conta das forças fascistas ‘rebeldes’ do general Franco que empunhava o estandarte falangista da ‘Família, Igreja e Civilização’ – um protótipo para a ‘intervenção humanitária’ de Obama por conta dos seus ‘rebeldes’.

James Petras é professor emérito de Sociologia
na Universidade de Binghamton, Nova Iorque.
É autor de 64 livros publicados em 29 línguas,
e mais de 560 artigos em jornais. 
Em http://www.globalresearch.ca/index.php?context=va&aid=24142 encontra-se o texto original.  

Escrevi sobre o discurso de Aécio Neves, ficando 6 horas e 35 minutos dominado pelos holofotes. Era a estreia dele, foi um sucesso. Deixei bem claro, “não é elogio”. Dezenas de comentaristas escreveram me condenando.

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Helio Fernandes

Tenho vontade de responder com aquilo que criei há mais de 20 anos, e que o Jaguar identificou como gargalhada gráfica. Ha!Ha!Ha! Todos os que tentaram ontem abrir o seu próprio espaço, mesmo “lendo o que escrevi, usando óculos bifocais com as lentes invertidas”, não entenderam nem queriam mesmo entender alguma coisa.

Não disse em nenhum momento que Aécio seria presidente da República. Mas é evidente que depois de presidente da Câmara, governador eleito e reeleito, agora senador, está na vida pública para quê a não ser presidente?

Além de tudo isso, Aécio é Neves, não por obrigação hereditária, e sim por escolha, pessoal e intransferível. Ele devia ser Aécio Cunha, mas blandiciosamente, que palavra, considerou que Neves era herança política e eleitoral mais forte do que Cunha, se apossou dela.

Quem escreve, aparece, comparece ou desaparece neste blogue, devia ter mais cuidado com a própria opinião. Ou com a vontade premeditada de me desmentir, perdão, desmentir a si mesmo. Gostando ou não gostando de Aécio NEVES (?), é imprescindível resguardar os fatos.

Em relação ao que escrevi sobre a sua estreia, posso voltar a afirmar e reafirmar: A estreia de Aécio foi sucesso total, não me lembro de nenhuma outra igual a essa. Toda planejada e executada para conseguir o que conseguiu, virou “notícia total”. Interna (dentro do PSDB) e externa, (debatendo com a base), não apenas nas 6 horas e 35 minutos da tribuna, mas a consequente repercussão.

Agora, como pessoas supostamente equilibradas, sensatas, gostando ou não gostando de Aécio, examinemos os fatos, o cenário político e eleitoral do país (apesar do tempo que falta), a colocação do cidadão Aécio Neves (?) dentro desse quadro. Dele e dos outros.

Em nenhum momento afirmei que Aécio será candidato a presidente, fosse em que data fosse. Mas falando em sucessão, citei (apenas como fato e não como análise) 2014 e 2018. E sem que seja necessária uma palavra minha, o nome de Aécio surge naturalmente. Por que isso?

Aécio Neves (?) fez 51 anos no último dia 10 de março. Portanto, nesse quadro que tem personagens que estão aí há 20 anos, por que esquecer o ex-governador?  Em março de 2014 (data de desincompatibilização para alguns), ele estará completando 54 anos. Em 2018 (só para citar as datas), terá completado 58 anos. Como esquecê-lo?

O discurso-lançamento de Aécio teve como objetivo mobilizar o PSDB e não ameaçar o PT-e-a-base-de-apoio. Ele sabe muito bem, que dentro de um quadro normal e com alterações apenas normais, sendo candidato (se fosse), enfrentará em desvantagem Dilma ou Lula.

Isso é irrefutável, indiscutível, uma base quase intransponível. Seu problema é com o PSDB, que como vem acontecendo há anos (digamos a partir de 2002) tem os mesmos candidatos, Serra e Alckmin. Nenhum dos dois convidado, Serra sem constrangimento, Alckmin não queria aumentar a repercussão para o ex-governador de Minas.

Serra apareceu, provando o que tenho comentado aqui, diversas vezes, a partir do que ele falou, no dia mesmo da derrota, na proclamação de Dona Dilma: “Isto não é um adeus, é um até logo”. Era tão óbvio, que tirei conclusões e transformei isso numa “plataforma-advertência” de Serra.

E só tenho motivos para confirmar, com minhas fontes e até a dos outros. Jorge Bastos Moreno, na sua ótima coluna, sem mentir ou inventar, contou ontem a seguinte conversa entre Dona Dilma e Kassab, num encontro que ninguém noticiou, jornais, televisões, sites, internetes, foram “furados” por um colunista semanal. Que se fosse diário, seria invencível e insuportável, até para os personagens.

Repetindo o diálogo Dilma-Kassab, como foi contado pelo jornalista. Ele: “Presidente, se o Serra for candidato a prefeito ou governador, não posso deixar de apoiá-lo”. Ela: “E para presidente?”. Ele: “Aí terá que ser internado, estará louco”.

Deixando as fontes de Moreno e recorrendo às minhas. Amigos do ex-prefeito e governador afirmam perguntando: “Serra, você não pode ser presidenciável pela terceira vez, e aos 72 anos, é temerário”.

Serra, sem dúvida ou constrangimento: “Serei presidente na terceira candidatura, perdi apenas duas vezes, com o povo mostrando que desejava que eu fosse presidente”. Parou, continuou: “Lula Perdeu três vezes, ganhou na quarta. Quanto aos 72 anos, é amanhã, estou em forma física, política e eleitoral melhor do que todos os outros”. Acabou a conversa.

É mais do que lógico e visibilíssimo, que Serra não abandonará o Maracanã de suas ambições. Não suportará ir para casa, viver o resto da vida isolado pelo silêncio do ostracismo. E como todos sabem que adora dormir de dia e ficar acordado durante a noite, quem poderá acompanhá-lo?

Como Serra é matreiro, esperto (embora se julgue inteligente, nada a ver), poderá usar um GPS, para em plena campanha eleitoral, mudar o rumo e ficar em São Paulo mesmo. Apoiando Alckmin para presidente. No acordo, seria novamente governador, nenhum desprestigio ou demérito, afinal São Paulo é o segundo cargo da República, lógico, também o segundo orçamento.

***

PS – Com toda antecedência, é facílimo afirmar que Serra não apoiará um mineiro contra um paulista. Por isso e pelos interesses pessoais, não apoiará Aécio, haja o que houver.

PS2 – Não é arriscado nada do que está dito aqui. Não existe preferência por nenhum nome, embora dificilmente Dona Dilma e Lula deixem de ser favoritos.

PS3 – Ela por direito de conquista e ratificado pela pergunta que fez a Kassab sobre Serra. Na ordem natural das coisas e pelo direito à reeeleição.

PS4 – Até agora, Dona Dilma está no mesmo patamar da entrada no Planalto-Alvorada. E assim mesmo, ainda não fez nada, mas também não se desgastou. Depois do primeiro ano é que se confere o bilhete da loteria imaginária mas existente. A cotação de Dilma começa a valer a partir do substituto de Mantega.

PS5 – Lula estará presente em tudo, 2014 e 2018. “Nunca, em toda a História, houve um presidente como ele”. Essa tão retumbada popularidade está mantida no freezer do futuro?

A presidente Dilma Rousseff deveria ter comparecido ao velório das vítimas do massacre no Rio. Preferiu ficar em Brasília para almoçar com o roqueiro Bono Vox, que tenta impedir Belo Monte.

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Carlos Newton

Foi realmente uma pena a presidente da República ter permanecido em Brasília, ao invés de dar um pulo no Rio de Janeiro para prestar solidariedade às vítimas da chacina de Realengo. Na manhã de quinta-feira, ao tomar conhecimento da tragédia, a presidente derramou lágrimas diante de uma plateia de empresários, no Planalto.

Ainda na quinta-feira, a assessoria da Presidência da República chegou a anunciar que a chefe do governo participaria na sexta-feira do velório de algumas das crianças mortas pelo franco atirador Wellington Menezes de Oliveira, em Realengo. Mas ela não veio.

O pior foi saber que a presidente preferiu receber no Palácio da Alvorada o líder da banda U2, vocalista Bono Vox. Acompanhada do ministro da Casa Civil, Antonio Palocci Filho, a presidente Dilma Rousseff ofereceu ao vocalista do U-2 um almoço na residência presidencial.

E que foi fazer Bono Vox lá? Ora, meus amigos, seu único objetivo ao visitar a chefe do governo brasileiro foi fortalecer a campanha internacional contra a construção da usina de Belo Monte, que é imprescindível ao desenvolvimento nacional. O que será que Bono prefere? Que construamos mais usinas nucleares?

O assunto Belo Monte é importantíssimo. Vamos voltar a ele amanhã, para mostrar o crime de lesa-pátria que o governo do PT cometeu, ao assinar um tratado internacional das Nações Unidas que fere diretamente os interesses nacionais.

A presidente Dilm Rousseff deveria ter mandado o Sr. Bono Vox cantar em outra freguesia, como se dizia antigamente. Esse cara não merece ser recebido no Planalto nem no Alvorada. Que país é esse, Francelino Pereira? Ora, pode-se dizer, sem medo de errar, que é um país que não se dá ao respeito.

Depois da China, a América Latina

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Carlos Chagas

Depois da China, a América Latina. Mais do que uma rima, trata-se de uma necessidade. A presidente Dilma Rousseff  passa a semana do outro lado do mundo,  mas, quando voltar, em termos de política externa, deverá dedicar-se à América Latina. Pretende visitar nossos vizinhos e afins, dentro do espírito de solidariedade e colaboração, ainda que com características diversas daquelas adotadas pelo presidente Lula.

Porque o antecessor, com todo o respeito, foi complacente demais com nossos hermanos. De uma posição de supremacia que nos é inerente, acabou dando  a impressão de fraqueza diante do Paraguai, Bolívia, Equador, Venezuela e até Argentina. Não é o que  vai repetir-se no atual governo.  O Brasil estará pronto a dialogar com todos, até mesmo a celebrar acordos capazes de beneficiar economias mais fracas, mas jamais aceitará jogos de cena,  imposições ou declarações mal-educadas.

O Paraguai continuará a receber nossa compreensão, ainda que nada vá conseguir fazendo exigências descabidas com relação à energia de Itaipu, para a qual contribuiu apenas com parte da água do rio Paraná. A Bolívia deve esquecer a prática de nacionalizar empresas brasileiras sem antes negociar ao extremo, muito menos ocupando-as militarmente. Vale o mesmo para o Equador.

Dilma jamais admitirá comentários pouco protocolares por parte de Hugo Chávez, devendo cobrar, também, a participação da Venezuela em projetos comuns.  Em paralelo,  não se admitirá Cristina Kirchner  repetindo  o gesto do falecido marido, que quando presidente da Argentina  ficou falando ao telefone celular enquanto o Lula discursava,   retirando-se da mesa dos trabalhos sem dar satisfação aos presentes.

Em suma, a estratégia será a mesma, diferindo apenas a tática. Firmeza e respeito são preliminares para os diálogos futuros.

EM DEFESA DE ULYSSES

Afinal, uma voz em favor de quem não pode mais defender-se. O senador Jarbas Vasconcelos foi à tribuna para desagravar a memória de Ulysses Guimarães, agredido na biografia autorizada de José Sarney, recém-publicada.  O ex-presidente da República refere-se ao saudoso comandante das oposições como um político menor, sem espírito público, interessado apenas no poder. Sem dúvidas, um diagnóstico infeliz, em especial por ser feito tanto tempo depois da morte de Ulysses. Coube ao ex-governador de Pernambuco repor a História em seus devidos termos.

EMPURRANDO COM A BARRIGA

A Constituição de 88 ampliou os  limites da democracia direta, regulando o referendo e o plebiscito, duas formas de a sociedade manifestar-se sem intermediários. Desde sua promulgação, nossa lei maior ensejou diversos pronunciamentos, desde o regime ao sistema de governo e até a propriedade de armas de fogo. 

Agora que o Congresso examina a reforma política, nada  mais natural do que submeter ao  eleitorado as propostas afinal aprovadas pela maioria dos deputados e senadores.

Só que tem azeitona nessa empada. Já flui pelos corredores do Legislativo a idéia de que a referida consulta popular deve acontecer em outubro do ano que vem, junto com as eleições municipais. Quer dizer, uma reforma imprescindível, que se espera votada ainda neste primeiro semestre, ficaria mais de um ano na geladeira. E nem valeria para as eleições municipais de 2012. Só se aplicaria, caso recebendo o apoio  popular, em 2014.  País que tem tempo é outra coisa.

O MAIOR MURO DO MUNDO

Com toda razão preocupado com a fragilidade de nossas fronteiras,  lembrou o senador Marcelo Crivella recente visita feita aos Estados Unidos. Lá, apesar de todos os  meios de vigilância na fronteira com o México, os americanos ainda erigiram um muro.  Aqui, seria impossível repetir a experiência, dada a extensão de uma fronteira terrestre que começa no Amapá e termina no Rio Grande do Sul.  Para evitar a entrada de drogas e de contrabando,  a solução seria multiplicar os postos militares de fronteira. Ampliar a presença do poder público nas  faixas de limite com nossos vizinhos. Sem isso a droga e as armas continuarão entrando com toda liberdade  em nosso território.

Peluso propõe audiência prévia dos projetos de lei ao STF?

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Pedro do Coutto

Ao ser homenageado pelo Instituto dos Advogados de São Paulo com um almoço no Jóquei Clube de Cidade Jardim, o ministro Cezar Peluso, presidente da Corte Suprema, colocou uma questão difícil de ser realizada concretamente na prática: a análise prévia de projetos de lei pelo STF para que possa ser definida sua constitucionalidade ou inconstitucionalidade. Evitaria casos, disse ele, como a controvérsia em torno da Lei da Ficha Limpa.

Reportagem de Donizeti Costa e Sérgio Roxo, O Globo de 26 de março, focaliza nítida e amplamente a hipótese levantada. Não é exeqüível. O Supremo já se encontra sobrecarregado pelo número excessivo de recursos que se vê obrigado a apreciar e julgar. Caso tivesse que adicionar às suas atividades constitucionais outras tarefas extra constitucionais, não teria tempo sequer para decidir questões fundamentais à vida do país.

Vejam os leitores como se estendeu no tempo o debate sobre as células-tronco, marcado inclusive por diversos pedidos de vista que levaram a adiamentos em série. Vejam os leitores o que acontece a respeito do processo do Mensalão. O escândalo explodiu em 2005, acarretando a demissão do ministro José  Dirceu da chefia da Casa Civil e a cassação de seu mandato de deputado. Somente em 2007, a denúncia da Procuradoria Geral da República foi aceita pelo ministro Joaquim Barbosa, relator do caso. Estamos em 2011: os principais acusados sequer tiveram seus julgamentos marcados.

Matérias tramitam décadas no STF. A indenização à Tribuna da Imprensa pela censura que sofreu ao longo dos governos Médici e Geisel, além de ter suas máquinas explodidas e seu prédio incendiado por um comando terrorista, em 81, até hoje não foi concretizada.  Uma série de outros exemplos não tão longos quanto a omissão citada poderiam facilmente ser relacionados.

O sistema judicial brasileiro divide-se em dois estágios que deveriam encontrar-se sintonizados em apenas um. O reconhecimento do direito e a conseqüência prática desse reconhecimento. Uma forma de protelação que atravessa o tempo e se mantém há pelo menos cem anos. As sentenças não são líquidas. Definido o primeiro estágio, ingressamos no segundo: o dos cálculos. Aí as ações tornam-se intermináveis. Situação mais emblemática: os processos contra o INSS. Demoram décadas, É demais. Demasiados são também as instâncias de recursos, como o próprio Cezar Peluso afirmou aos advogados paulistas.

Imagine-se somar-se a este quadro o exame prévio de constitucionalidade dos projetos em tramitação no Congresso Nacional. Ou na véspera de sua sanção pela presidente Dilma Rousseff. Não haveria tempo material para a adoção sequer de tal esquema de propósito. Além do mais, se o Legislativo tem o poder de mudar dispositivos da Constituição do país, pela maioria de 60 por cento dos votos tanto na Câmara quanto no Senado, como poderia tornar-se objetivo de aprovação prévia de suas iniciativas por um outro poder da República? Não faz sentido.

Cezar Peluso, no texto de Donizeti Costa e Sérgio Roxo, refere-se ao caráter vinculante das súmulas do Supremo Tribunal Federal. As atribuições da Corte estão contidas no artigo 101 ao artigo 103 da Carta de 88. Uma delas a decisão vinculante. Mas somente no caso de a decisão ter sido tomada por dois terços de seus membros. Não é absolutamente o caso da Lei da Ficha Limpa, que está causando uma tempestade institucional na medida do inconformismo que o julgamento despertou na opinião pública. A decisão do STF criou um abalo muito maior d que a lei que lhe deu origem. O assunto já estava encerrado. Agora, surgem novos capítulos.

Ex-deputado José Carlos Aleluia, professor universitário, divulga carta aberta ao reitor da Universidade de Coimbra, protestando contra o título concedido a Lula.

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 Carta aberta ao prof. João Gabriel Silva, Magnífico Reitor da Universidade de Coimbra,

 Na condição de professor universitário venho perante Vossa Excelência manifestar a minha perplexidade e – porque não dizê-lo – indignação, diante da concessão do título de doutor honoris causa, pela instituição que ora Vossa Excelência representa, ao ex-presidente da República do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva.

Tomando como referência o significado que tem, para nós brasileiros, a Universidade de Coimbra, entendo que a iniciativa destoa aberta e completamente de toda a sua tradição. Aprendemos que as personalidades que lideraram o processo da Independência e que assumiram os destinos do novo país – a começar do Patriarca, José Bonifácio – formaram seu espírito na Universidade de Coimbra.

Aplaudimos com entusiasmo a concessão daquele título a ilustres representantes da contemporânea cultura brasileira, a exemplo do saudoso Miguel Reale. Em eventuais excursões a Portugal, todo membro da comunidade acadêmica brasileira sente-se no dever de conhecer a instituição que consideramos parte integrante de nossa História.

A concessão do mencionado título contraria frontalmente toda a idéia que nós fizemos da Universidade de Coimbra pelo fato, sobejamente conhecido, de que o ex-presidente sempre se vangloriou de não haver freqüentado qualquer curso. Insistentemente, perante a nossa juventude, buscou inculcar a noção de que o sucesso pessoal independe de qualquer esforço no sentido de aprimorar o conhecimento. E, sobretudo, por uma administração desastrosa em matéria educacional.

No plano estritamente político, notabilizou-se por institucionalizar a corrupção, alegando inclusive tratar-se de fenômeno arraigado, que não lhe competia combater.

Esteja certo de que, com esse passo temerário, de um só golpe, a Universidade de Coimbra deu-nos uma clara demonstração de não ter qualquer compromisso com o respeito à memória que seus antecessores souberam construir.

José Carlos Aleluia, ex-deputado federal,
professor universitário, membro da Comissão
Executiva do DEM e Presidente da Fundação Liberdade e Cidadania

 

Para relaxar. Faz sucesso na internet um texto de dicas para a Terceira Idade, mostrando como se pode levar a vida da melhor forma possível.

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Poupe um pouco para sempre ser independente financeiramente. Não precisa ser muito, não comprometa o prazer que o dinheiro pode lhe dar em razão de um tempo maior de velhice, que pode até não acontecer, se você morrer breve.

Além disso, um idoso não consome muito além do plano de saúde e dos remédios. Provavelmente, você já tem tudo e mais coisas só lhe darão trabalho. Pare também de se preocupar com a situação financeira de filhos e netos, não se sinta culpado em gastar consigo mesmo o que é seu de direito. Provavelmente, você já lhes ofereceu o que foi possível na infância e juventude, assim como uma boa educação. Portanto, a responsabilidade agora é deles. Não seja arrimo de família, seja um pouco egoísta, mas não usurário.

Tenha uma vida saudável, sem grandes esforços físicos. Faça ginástica moderada, alimente-se bem, mas sem exagero. Tenha a sua própria condução, até quando não houver perigo. Nada de estresse por pouca coisa. Na vida tudo passa, sejam os bons momentos que devem ser curtidos, sejam os ruins que devem ser rapidamente esquecidos.

Namore sempre, independente da idade, com sua “velha” companheira de caminhada. O amor verdadeiro rejuvenesce. As “Maria-gasolina” estão por ai e, um idoso, mesmo da classe média, é sempre uma garantia de futuro para as espertalhonas.  

Esteja sempre limpo, um banho diário pelo menos, seja vaidoso, frequente barbeiro, pedicure, manicure, dermatologista, dentista, use perfumes e cremes com moderação e por que não uma plástica? Já que você não é mais bonito, seja pelo menos bem cuidado.

Nada de ser muito moderno, tente ser eterno. Leia livros e jornais, ouça rádio, veja bons programas na TV, acesse a internet, mande e responda e-mails, ligue para os amigos. Mantenha-se sempre atualizado sobre tudo. Respeite a opinião dos jovens, eles podem até estar errados, mas devem ser respeitados. Não use jamais a expressão “no meu tempo”, pois o seu tempo é hoje.  

Seja o dono da sua casa por mais simples que ela possa ser, pelo menos lá você é quem manda. Não caia na besteira de morar com filhos, netos, ou seja lá o que for. Não seja hóspede, só tome esta decisão quando não der mais e o fim estiver bem próximo.

Cultive um “hobby”, seja caminhar, cozinhar, pescar, dançar, criar gato, cachorro, cuidar de plantas, jogar baralho, golfe, velejar ou colecionar algo. Faça o que gosta e os seus recursos permitam. Viaje sempre que possível, de preferência, vá de excursão, pois além de mais acessível, pode ser financiada e é uma ótima oportunidade para se conhecer novas pessoas.  

Aceite todos os convites de batizado, formatura, casamento, missa de sétimo dia, o importante é sair de casa. Fale pouco e ouça mais, sua vida e seu passado só interessam a você mesmo.  Se alguém lhe perguntar sobre esses assuntos, seja sucinto e procure falar coisas boas e engraçadas. Jamais se lamente de algo.

Fale baixo, seja gentil e educado, não critique nada, aceite a situação como ela é. As dores e as doenças estarão sempre presentes; não as torne mais problemáticas do que são, falando sobre elas. Tente sublimá-las, afinal, elas afetam somente a você e são problemas seus e dos médicos.

Não fique se apegando em religião, depois de velho, rezando e implorando o tempo todo como um fanático.  O bom é que, em breve, seus pedidos poderão ser feitos pessoalmente a ele.

Ria, ria muito, ria de tudo, você é um felizardo, você teve uma vida, uma vida longa, e a morte será somente uma nova etapa incerta, assim como foi incerta toda a sua vida. E se alguém disser que você nunca fez nada de importante, não ligue. O mais importante já foi feito: viver!

(Texto enviado pelo engenheiro Eduardo König, ex-presidente da SEARJ (Sociedade dos Engenheiros e Arquitetos do Estado do Rio de Janeiro)   

O massacre do Realengo? Por que aconteceu? Jamais imaginávamos esse fato. Além e acima da tragédia, o relato (reportagem vivida) da menina Jady Ramos de Araújo, 12 anos, e que emoção e capacidade, escrevendo

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Helio Fernandes

Não pretendia, não iria, e muito menos me considerava obrigado a escrever sobre o que se chama, sem qualquer dúvida, de MASSACRE DO REALENGO. O episódio, o drama, o trauma, a tragédia (a palavra insubstituível) é maior do que todos nós. Como tragédia, drama, fato lancinante, que não se apagará jamais.

As tragédias são para sempre, ficam na memória dos que foram envolvidos diretamente, dos que morreram, dos que estão no hospital em estado grave ou gravíssimo, dos familiares de todos os graus. E mais: das dezenas de milhões de pessoas, dos mais diversos pontos do país, que foram atirados ou atingidos nessa verdadeira comoção nacional.

Cobrado de todas as maneiras pelas mais diversas formas de comunicação. Interrogado na rua. Ontem, na minha caminhada diária no belíssimo Parque do Jardim Botânico (onde há 200 anos Dom João VI se escondia e fugia de Napoleão), duas pessoas me acusavam (isso mesmo: ACUSAVAM) de me refugiar no silêncio. Ainda aí mantive a decisão e a convicção de não escrever.

Só que ontem, lendo na primeira de “O Globo” o depoimento de uma sobrevivente de 12 anos, salva pelo irmão, fiquei perplexo, estarrecido, assombrado com tanta clareza, discernimento e capacidade de sublimar a própria emoção, de transferir para todos a sua tristeza, lamento, dor e sentimento incomparável.

É incomparável pela razão muito simples e muito profunda, de que jamais esperávamos, imaginávamos, suspeitávamos de que isso pudesse acontecer no Brasil. Jamais aconteceu, tudo tem uma primeira vez, mas não precisava ser tão trágico, tão dramático, tão irreparável. E que fica ainda maior e mais destruidor, nas palavras dessa menina, que sobreviveu à tragégia e vai sobreviver à vida.

Pode parecer contraditório, que empolgado pelas palavras emocionantes e emocionadas, eu tenha decidido escrever. Na verdade é um preito à sua coragem, é uma forma de louvação, não diria nem homenagem, ela se colocou acima de qualquer coisa.

Como entender a capacidade que se apossou dela, nesse depoimento quase inacreditável, pelo texto, pelo conteúdo, pela substância, pela oportunidade? Não posso deixar de reproduzir trechos, na verdade é um todo, inseparável e insuperável. Mas logicamente alguns são mais emocionantes do que os outros. Como essa menina Jady Ramos de Araújo (guardem o nome dela), 12 anos, conseguiu reter e repetir tanta coisa?

Leiam: “Já tinha um monte de gente agonizando no chão. Ele dava tiro nos pés das crianças. Mandava virar para a parede e dava tiro. Só atirava na cabeça. Olhava para a frente e seguia em frente. A sala ficou cheia de sangue. Ele estava carregando a arma, deu muito tiro, deu tiro, muito tiro”.

Mais um trecho, apenas outro, toda a reportagem deve ser lida, meditada, refletida, sem que se pense no futuro, mas sem esquecer dele. O que tem que ser feito tem muitos caminhos e descaminhos, alguma coisa pode ser sugerida, mas não existe solução à vista. Principalmente em cima de tanta dor. Lamento, tristeza, momentos inesquecíveis.

Só que a menina Jady termina sua reportagem com palavras quase proféticas, mostrando o que estava acontecendo naqueles momentos em que estava no centro de tudo, mas deixando claro que não deseja que passe a fazer parte da rotina dessa escola e de todas as escolas.

“Vinha aquele sangue escorrendo feito água. E muita gente morta na escada. Tinha mais meninas mortas do que garotos. Muita gente entrou em choque, desmaiou na escada. Essas ele matou”.

Como a menina de 12 anos guardou tudo na memória, reproduziu os lances das escadas, a lembrança de que morreram mais “meninas do que garotos”, constatação que foi feita muito tempo depois?

As últimas três linhas do depoimento-reportagem da menina Jady têm muito mais coisas do que cabem num trecho tão curto. Pois carregam advertências, constatação, a esperança de que as “soluções” não sejam contraproducentes, não destruam o que existe de tão satisfatório nessa idade, nessa convivência, na satisfação do dia a dia.

Textual de JAdy: “Achava a escola segura. Agora eu fico com medo”.  

Como é que naquelas cenas arrepiantes, gente morrendo, a lembrança do sangue “descendo pelas escadas”, a Jady ainda teve tempo e condições de lembrar, meditar e transmitir a insegurança para o futuro?

Pois é da insegurança que se trata. A pretexto ou como “solução imaginada”, muitos pretendem transformar as escolas em verdadeiras fortalezas. Até agora, consideram que “a solução” está na escola e não fora dela. Então, sugerem que as escolas devem ficar quase inacessíveis, com aparelhagem a mais sofisticada, para “fortalecer” as escolas.

***

PS – É sobre isso que a Jady, com apenas 12 anos, chama a atenção, faz a sua advertência. Quando ela diz, “agora eu fico com medo”, não existe a menor dúvida de que esse medo está localizado mais na mudança do que na permanência.

PS2 – A proteção das escolas pode ser executada das formas mais diversas. É evidente que o número espantoso de armas tem que ser um dos alvos. Não precisamos exagerar com a quase certeza de que o fato irá se repetir certamente.

Ps3 – O assassino era um doente mental. Existem centenas, milhares de outros doentes mentais.

PS4 – Para eliminá-los, não podemos eliminar também o prazer e a satisfação de ir à escola. Sempre, mas principalmente nessa idade, não há nada mais maravilhoso do que estudar.

Pior do que cartão de crédito, em matéria de exploração, só os planos de saúde. O cidadão-contribuinte-eleitor não tem direito a coisa alguma, são poderosos.

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Helio Fernandes

As maiores reclamações são sobre esses dois fabricantes de riquezas e mais as companhias telefônicas. Mas cada vez mais os bancos donos dos cartões aproveitam o mundo informatizado para criar condições e prejuízos para os clientes.

Aconteceu com a secretária da Comunicação Social de Furnas, Marilza da Cunha. Ela não se conformou (como tantos) e entrou na Justiça contra o Itaú, pois usa o Itaucard.

1 – Fez compras no Supermercado Extra no dia 27 de novembro de 2008, a fatura era de 354,80 reais. 2 – Pagou com pequeno atraso, dia 3 de dezembro, quer dizer, uma semana.

3 – Continuou usando o cartão Itaucard. 4 – No dia 27 de abril, 2009, recebe cobrança de 780,36 reais, incluindo o valor de 354 reais, que havia pago.

5 – Na realidade ela devia 420,57, que pretendia pagar. Que faz o Itaucard? Não recebeu e mandou o nome dela para a Serasa, como devedora relapsa, inadimplente.

6 – Um absurdo, que se repetiu no mesmo dia, quando recebeu uma fatura-cobrança de 1 mil, 596 reais. Continuaram incluindo os 354 reais, que já havia pago.

7 – Foi obrigada a pagar, para tirar seu nome do índex eletrônico, informatizado e automático. 8 – Agora, a cliente Marilza da Cunha exige duas coisas do Itaucard. Que retirem seu nome da Serasa e lhe devolvam os 354 reais, que já pagou e continuam lhe cobrando.

9 – Ela entra em contato com o banco, mandam que acesse o computador, pela internet. Como computador não tem alma nem coração, não resolve coisa alguma. E ela já está na Justiça, também tem que esperar.

***
PS – Tudo é assim, por causa disso, o Itaú (e outros bancos) cada vez apresentam mais lucros por trimestre. A apresentação por trimestre tem um motivo: se apresentasse por ano, seria tão absurdo, poderia haver revolta popular.

Ministério do Trabalho lança uma campanha falsa, para fingir combater as terceirizações, que hoje são o maior foco de corrupção administrativa

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Carlos Newton

O Brasil é um país cada vez mais surrealista, cujas autoridades parecem viver num mundo de fantasias e faz-de-conta. Vejam a atual campanha lançada pelo Ministério do Trabalho e Emprego, oferecendo um número 0800 para que os trabalhadores de “cooperativas” denunciem estar sendo explorados.

“Se você é cooperativado e tem um chefe, denuncie”, pede o Ministério, numa campanha cujo objetivo é combater as falsas cooperativas, criadas para burlar as leis trabalhistas. Mas como acreditar numa campanha dessas, se o governo é o maior incentivador das falsas cooperativas, que terceirizam suas atividades? A Caixa Econômica, por exemplo, está cheia de terceirizados/cooperativados. Leia essa mensagem enviada por um leitor da Tribuna:

“Parabenizo à todos que se levantam contra os desmandos na administração pública e aproveito para sugerir matéria sobre as terceirizações na Caixa Econômica Federal. É fato que mesmo após a realização de concurso no ano passado (2010) para o cargo de advogado em diversos estados da Federação, bem como a aprovação de aproximadamente 1.500 pessoas, em uma processo seletivo rigoroso, os aprovados assistem com revolta quase que diariamente a contratação de escritórios terceirizados para a realização exatamente das mesmas atividades para as quais o concurso foi realizado. Não podemos mais nos calar! A Constituição Federal simplesmente é ignorada e mais, os terceirizados contrariamente ao que podem muitos pensar, representam gasto muito superior ao da contratação regular dos concursados! Então resta uma pergunta: A quem interessa a manutenção desses desmandos???”

A Petrobras também turbinou a contratação de funcionários terceirizados e está usando esse tipo de mão de obra de forma irregular até em atividades estratégicas e de alto risco, como a fiscalização de serviços de prospecção de petróleo nas plataformas em alto-mar. Os terceirizados chegam perto de 300 mil funcionários em todo o sistema. Com base em cálculos do Ministério Público do Trabalho e do Tribunal de Contas da União, em torno de 80% estão em situação irregular, exercendo atividades-fim que só poderiam ser executadas por concursados, segundo determina a Constituição, no artigo 37.

Pelo último balanço oficial da estatal, relativo a 2009, para cada funcionário concursado a Petrobras tinha 3,8 terceirizados. Em 2010, a proporção teria sido de 3,6, segundo a estatal: 291 mil terceirizados para um quadro de carreira de 80 mil funcionários.

Confirmado esse quadro na divulgação do próximo balanço de sustentabilidade, a Petrobras terá contabilizada a contratação de 135 mil terceirizados desde 2005 – quando 92 mil foram aprovados em concurso – enquanto o quadro de concursados aumentou em 26 mil. Nos últimos cinco anos, para cada concursado admitido pela empresa, entraram cinco terceirizados/cooperativados.

Nos governos estaduais e nas prefeituras, o panorama é o mesmo. Proibição de concursos públicos e liberdade total à terceirização, que é uma das formas mais criativas de favorecer a corrupção na administração pública, daí o sucesso da prática nas últimas décadas.

Em meio a essas irregularidades, vem o Ministério do Trabalho e lança uma campanha falsa, tão falsa quanto as cooperativas que fornecem mão de obra especializada aos governos, em seus vários níveis. Mas que país é esse, Francelino Pereira? Ora, é o pais das maravilhas, onde Alice, Peter Pan e a Fada Sininho circulavam num mundo do faz-de-conta e do nunca-jamais.

O referendo vai derrotar a reforma política

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Carlos Chagas

Podem deputados e senadores optar pelo que bem entender, em matéria de reforma política.Voto  em  listas partidárias, sem o eleitor escolher seu candidato a deputado, dinheiro do governo para financiar eleições, voto  facultativo, diminuição do número de partidos e quanto mais  queiram. Tanto faz se essas mudanças venham a ser aprovadas pelos plenários da Câmara e  do Senado, mesmo invertendo-se a aprovação nas duas casas.

Na verdade, essa terá sido a reforma política feita  pelos políticos, como de tantas vezes anteriores. Elaboradas por eles, para eles. Sem maior identidade com o sentimento nacional. Por isso, e sem questionar a prerrogativa natural de o Congresso mudar, suprimir ou aprimorar as leis, ficaremos diante de um impasse de graves conseqüências. Porque certas decisões precisam transcender das clássicas atribuições parlamentares.

Tome-se a questão do desarmamento. Anos atrás Câmara e Senado aprovaram projeto proibindo qualquer cidadão de possuir armas em casa. As elites aprovaram, a mídia também. Felizmente a matéria foi ao referendo popular. Qual  o resultado? A sociedade discordou de seus representantes. Desarmar, sim, mas primeiro os bandidos, infensos a aceitar a lei. Enquanto eles existissem, deveria o cidadão comum dispor de condições para  defender-se, já que o poder público deixava de cumprir o seu papel.

Na reforma política é a mesma coisa. Proibir o eleitor de escolher pessoalmente o seu candidato, votando nos partidos, pode constituir-se  solução  ideal, mas desde que os partidos deixem de comportar-se como   quadrilhas. Crie-se, primeiro, a verdade partidária. Depois, será passado um cheque em branco para cada legenda.

Assim as demais propostas em exame. Financiamento público das  campanhas?  Ótimo, mas desde que extirpados os gastos particulares que certamente  continuarão por muitos anos. Depois, se houverem recursos  disponíveis no tesouro público, em seguida ao seu uso  para desatar o nó na educação e na saúde pública.  Nos transportes coletivos, também.

Resultado: a reforma política precisará ser submetida  a um referendo. Imaginem qual o resultado…

QUANTOS EMPREGOS A MAIS?

Os trágicos acontecimentos numa escola do Realengo,  no Rio, levam à  conclusão de que ensino  não se limita a salas de aula e  à merenda escolar.  É preciso proteger as escolas e os alunos.  Dar-lhe condições de não ser invadidos e assassinados. Tivessem as autoridades se preocupado com  a segurança dos jovens,  contratando guardas e vigias em número suficiente  para  cada unidade.  e esse animal  responsável pela morte de nove meninas e um  menino não teria sequer entrado no estabelecimento em questão. Muito menos armado de dois revolveres, transitando como  bem  entendeu pelos corredores e salas de aula.

Recursos? Ora, e as centenas bilhões de dólares remetidos todos os anos para o exterior, como remessa de lucros do capital especulativo que chega aqui sem a menor preocupação  com nosso sistema de ensino? Sem falar na fonte de empregos criados com a imprescindível segurança…

QUEM CHAMA QUEM?

Transcorridos cem dias do governo Dilma Rousseff, dos 37 ministros, mais dois que assumem nos próximos dias, pelo menos oito ainda não receberam qualquer convocação da presidente da  República, salvo para comparecer às duas reuniões conjuntas do  ministério, realizadas  até agora. Viram a chefe de longe, sem a oportunidade de mostrar planos, propostas e dificuldades. Vamos evitar o constrangimento de fulanizações, mas a verdade é que não foram chamados e nem se animam a pedir para  despachar  isoladamente. Talvez temam repreensões e reprimendas, quem sabe estejam agastados coma falta de atenção.

Esse pode ser um dos males de grandes ministérios. Napoleão dizia ser impossível ganhar uma batalha  com mais de nove generais a ele subordinados. Com  37 então, nem  se fala.  O então presidente Fernando Collor percebeu essa aberração, nomeou apenas seis ministros, mas, com todo o respeito,  nomeou tão mal que nada funcionou.

Para Dilma, agora não dá para começar a extinguir ministérios, mas bem que ela podia receber os ministros que faltam conhecer o  seu gabinete.

QUANTOS MAIS VIRÃO?

Dois políticos de primeiro time foram implacavelmente alvejados por José Sarney, na sua biografia autorizada recém-publicada, aliás elogiável, escrita por Regina Echeverria: Ulysses Guimarães, que não pode mais defender-se, e Bernardo Cabral, que deve estar preparando a réplica.

A informação é de que o ex-presidente da República dá os retoques finais às suas memórias, certamente bem mais apimentadas e profundas do que a biografia. Outros alvos serão objeto de sua pontaria, a ser verdadeiro o comentário de Fernando César Mesquita, de que Sarney não esquece agravos. Guarda-os na geladeira para devolvê-los na melhor oportunidade. Tem gente tremendo por antecipação.

Lula acertou: certos julgamentos, no Brasil, são para as calendas gregas.

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Pedro do Coutto

Logo após fazer em Washington palestra para a Microsoft, entrevistado pela correspondente da Folha de São Paulo, Andréa Murta, ao falar sobre como interpretava as novas denúncias em torno do mensalão de 2005, o ex-presidente Lula respondeu textualmente: caso entrem nos autos, o processo somente será julgado pelo Supremo Tribunal Federal em 2050.

Claro que Luís Inácio recorreu à ironia para minimizar ou mesmo desclassificar a reportagem da Revista Época que circulou sábado, 2 de Abril. Retirando do contexto tal aspecto nada ético, que pode ser também interpretado como um desapreço à opinião pública e ao próprio STF, ele, a meu ver, não está muito longe da verdade.

Pois há processos que se arrastam ou arrastaram no tempo indefinidamente. O caso da Tribuna da Imprensa, por exemplo. O jornal brutalmente censurado nos governos Médici e Geisel, explodido no governo João Figueiredo, foi vitorioso na Corte Suprema por unanimidade. Até hoje não conseguiu ser ressarcido dos prejuízos no processo que tramita 32 anos. 

A propriedade verdadeira dos Diários Associados, de Assis Chateaubriand, arrasta-se há mais de 40 anos também no Supremo. O ex-senador e embaixador na Inglaterra morreu em 68. Tinha três filhos, dois dos quais ainda vivos. Rompido com todos eles, criou um Condomínio ao qual transferiu as ações de suas empresas. Gilberto Chateaubriand e Teresa Alckmim conseguiram anular o atentado a seus direitos. Recursos em cima de recursos o caso não acaba. Continua.

Desde 62, ainda no Supremo, o conflito envolvendo os herdeiros do ex-governador Ademar de Barros e os herdeiros do ex-governador Chagas Freitas pela propriedade do antigo  jornal A Notícia que não circula mais. O Dia, ainda em ação, nasceu da Notícia. Neste caso o direito de propriedade de Chagas Freitas não foi contestado. Tanto assim que ele o vendeu a Ari de Carvalho liderando um grupo não aparente. Ari de Carvalho morreu. Sua viúva e suas três filhas  venderam O Dia ao conglomerado português GOING, que edita também o Brasil Econômico, jornal lançado para competir com o Valor.

A propriedade do jornal Última Hora, que foi de Samuel Wainer, que o vendeu a Maurício Alencar, irmão do ex-governador Marcelo Alencar, que o revendeu também a Ari de Carvalho, é um mistério. Funcionava num prédio da Rua Equador, de propriedade de Ronald Levinhson. Este, depois de montada a moderna gráfica de O Dia, rompeu com Ari de Carvalho, que havia  afundado o jornal a partir do momento em que escalou Reinaldo Jardim para dirigi-lo. O caso da UH, francamente, não sei em que pé está. Peço até ao Hélio Fernandes que, se souber e desejar, esclareça aos leitores.

Poderia alongar indefinidamente os exemplos, incluindo o conflito envolvendo a herança do senador Antonio Carlos Magalhães. Mas estes que alinhei são emblemáticos. Decido, contudo, acrescentar mais dois, pequenos diante do oceano dos demais: ação minha contra o INSS que venci há exatamente vinte anos e estou esperando os resultados concretos. Ação dos servidores da Assembleia Legislativa contra ato de maio de 95 do então deputado Sergio Cabral, ajuizada através do Sindalerj. Estendeu-se por onze anos no Supremo. Os funcionários venceram por unanimidade em 2006. O pagamento, parece, vai sair só agora, este ano.

Mas falei em calendas gregas. Por que são exemplo de espera eterna? Porque as calendas pertenciam ao calendário romano que – vejo na Delta Larousse – dividia os meses e anos em três partes. Caso não resolvido numa calenda ficava para a seguinte. Mas na Grécia não era assim. Não existiam as calendas. Por esta razão é que, quando não se deseja resolver algo nunca diz-se que fica para as calendas gregas, ou seja para um tempo que não existe.

Lula enfocou objetivamente a sombra. O mensalão ocorreu em 2005. O ministro Joaquim Barbosa, do STF, aceitou a denúncia em 2007. Agora estamos em 2011. Pela conta do ex-presidente, ainda teremos 39 anos pela frente.

Resposta a comentaristas que estão protestando contra supostos ataques às igrejas evangélicas

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Carlos Newton

O comentarista Sergio de Freitas enviou à Tribuna a seguinte mensagem: “Caro Newton. Como leitor assíduo deste blog e membro de uma igreja evangélica, discordo totalmente quando diz que este assassino seja evangélico. pois a característica do povo evangélico é o amor e o respeito entre todos, o que não condiz com este assassino. Pregamos a Palavra de Deus, conforme a Bíblia Sagrada, que exemplifica a amor de Jesus que diz: “Amai o próximo com a ti mesmo”. Este assassino pode ser um psicopata e membro de alguma seita, mas dizer que é evangélico e sofreu lavagem cerebral é denegrir, em muito, os milhões de evangélicos deste Pais. Um abraço. “

Realmente, Sergio de Freitas e outros comentaristas que protestaram têm alguma razão, em vários pontos posso até ter cometido excessos. Mas é bom observar que, em meu texto, em nenhum momento fiz generalizações. Por exemplo, me referi ao fato de o jovem ser “evangélico mais do que convicto, que nas mãos de algum pastor incompetente sofreu uma lavagem cerebral e passou a dividir a sociedade entre puros e impuros”.

Agora se sabe que o rapaz era de uma família da corrente Testemunhas de Jeová. É realmente uma igreja evangélica, não há dúvida, que segue Jesus Cristo, como as outras. No artigo, não critiquei os pastores evangélicos como um todo. Pelo contrário. Vamos reler.

Esse tipo de pastor só pensa em faturar fieis, porque isso significa faturar dízimos, esta é a realidade dos tempos atuais, deixemos de hipocrisias. Se estivesse numa igreja em que o pastor realmente se preocupasse com os fiéis, alguém teria percebido que o rapaz tinha problemas mentais e tentaria encaminhá-lo a tratamento”.

Assim, está mais do que clara a minha posição. Pessoalmente, sou religioso e respeito as igrejas evangélicas, como respeito TODAS as religiões. O que me incomoda é a existência de igrejas evangélicas que se dedicam a ter o dízimo como obrigação e dever do fiel. Isso é um exagero e uma exploração. Duvido que Jesus aceitasse isso, ou melhor, aceitasse que essa exploração dos fiéis fosse feita em seu nome. Pense nisso, Sergio, e verá que estamos juntos.

***

HELIO FERNANDES, AMANHÃ:
Não queria escrever sobre essa chacinao ou
massacre do Realengo. O texto de Jady Ramos de Araújo,
12 anos, na primeira de O Globo, me emocionou.
Não posso superá-la, esquecê-la, ignorá-la.

Hugo Chávez tinha tudo para dar certo. Mas a ânsia de perpetuação no poder fala mais alto e ele caminha para se tornar um ditador sanguinário.

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Carlos Newton

Oficial militar de carreira, no início da década de 90 o coronel Hugo Chávez liderou um golpe de estado mal-sucedido contra o governo de Carlos Andrés Perez, um dos mais corruptos da Venezuela e que acabou sofrendo impeachment. Chavez foi preso, depois se lançou candidato em 1998 e foi eleito presidente.

Tinha tudo para dar certo. O combate à corrupção começou a mostrar resultados, pela primeira vez a refinaria que a Venezuela possui nos Estados Unidos deu lucro (500 milhõs de dólares em um ano), Chávez se fortalecia cada vez mais, com a política bolivariana. Mas resloveu se perpetuar no poder. Com o respaldo de numerosos plebiscitos e eleições, Chávez logrou a possibilidade de se reeleger, vencendo os pleitos de 2000 e 2006.

Agora, o coronel Hugo Chávez se prepara para continuar no poder pela força. Acaba de reformar a legislação das Forças Armadas, legalizando as milícias que dão apoio a seu governo. Não satisfeito, institucionalizou a formação de milícias a todos os níveis de educação. Assim, os estudantes terão treinamento com armas. Para quê? Segundo o ditador, o objetivo é se preparar para defender a nação.

“Pátria ou morte, ordenou o meu comandante!”, devem repetir as crianças das escolas da Venezuela, onde aprenderão de forma obrigatória o treinamento militar, incluindo formação, desfile, doutrinação e treinamento em armas para “defender a nação”.

Detalhe: uma Resolução baixada a 24 de março pelo Ministério da Defesa, intitulada “Educação para a Defesa Integral”, atribui à milícia nacional e não às Forças Armadas a missão de dar aulas obrigatórias de instrução militar nas escolas, institutos e universidades.

Desse jeito, Chávez vai acabar transformando a Venezuela numa nova Líbia sul-americana. Ninguém aguenta mais as ditaduras. Os jovens vão aprender a manejar armas, mas o alvo principal delas será o próprio Chávez.

Aécio Neves ficou 6 horas e 35 minutos na tribuna. Retumbou: “Sou o líder da oposição e candidato à sucessão”. Não disse se será em 2014 ou 2018. Quando acaba seu mandato no Senado e completa 58 anos.

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Helio Fernandes

Não posso ficar em silêncio diante do importante e competente pronunciamento do ex-governador de Minas. Mesmo correndo o risco de ser acusado de favorecê-lo, glorificá-lo, prestigiá-lo. 2014 e 2018 ficam tão distantes, que mesmo que pretendesse apoiar Aécio, daqui a pouco ninguém se lembraria.

Visibilíssimo: Aécio Neves estreou no Senado, se colocando de tal maneira como líder da oposição e tão candidatíssimo a uma próxima sucessão, que só restou a José Serra, presente o tempo inteiro, sem se afastar um minuto, apenas o espaço de duas afirmações inconsequentes.

1 – “É estranho assistir a pessoas falarem sobre você, presente, e não poder responder”. 2 – “2014 está muito longe”. Nas duas oportunidades “ria amarelo”, sabia sem nenhuma dúvida, sem poder negar, que o triunfo da apresentação de Aécio era irrefutável.

Aécio programou tudo nos mínimos detalhes, e as coisas não saíram do planejado. Ele fugiu do discurso rotineiro, sozinho na tribuna, os outros senadores entrando e saindo, exclamando ou até dizendo baixinho: “Puxa, ainda não acabou? Quanto tempo ainda temos que esperar?”

Mobilizou o Senado inteiro, não apenas Serra que ficou ouvindo. Aécio deliberadamente convocou o Senado não só para ouvi-lo, para debater com ele, dividiu os holofotes, ninguém podia recusar. Numa quarta-feira reservada para sessão deliberativa, “sem nada para deliberar”, Aécio conseguiu que o tempo todo fosse destinado para atender à sua convocação de debater, contradizê-lo, até desmenti-lo, como fez o primeiro aparteante.

Esse foi Lindberg Farias, o mais duro, o mais demorado, o mais incisivo, pois desmentia “os números do seu governo, que são rigorosamente falsos”. Interrompia não o aparte mas o discurso paralelo, para dizer: “Senador, nada pessoal, sou admirador de Vossa Excelência, é apenas política”.

Em mais de meia, repetiu isso 9 vezes. Era exatamente o que Aécio queria. Aí, respondia tranquila e cordialmente, colocava os programas, levava alguns minutos nos elogios abertos ao aparteante, sem nem de leve responder crítica com crítica. Conseguiu o que pretendia.: criar um clima de cordialidade que dominou a tarde-noite inteira.

Isso animou a todos, principalmente os representantes da “base de apoio”. Compreendendo que poderiam criticar o governador-senador sem serem atingidos por ele, formaram filas para responder. E se satisfizeram com a reação, ao mesmo tempo satisfaziam o senador.

Como os representantes do PSDB eram minoria, e os do DEM, que ainda não se definiram, possíveis partidários de Aécio mas não identificados, o debate ficou restrito à “base de apoio”, exatamente o pretendido, projetado e planejado por Aécio aconteceu rigorosamente.

Das 6 horas e 35 minutos em que Aécio ficou na tribuna, o discurso inicial não tinha nem 1 hora. Mas os apartes foram quase sempre muito restritivos, e as respostas conceitualmente amenas, o que resultou: esse tempo integral ficou sendo todo de Aecio. E na verdade foi assim o que aconteceu.

E é preciso ressaltar: hoje o tempo é todo limitado, ninguém pode falar mais que determinado tempo, mínimo, que impede os grandes discursos do passado. Mesmo porque os oradores de antigamente valorizavam o tempo, tinham substância até mesmo para garantir audiência.

No Império, o Visconde do Rio Branco falou 8 horas seguidas, para defender o filho, o Barão do Rio Branco. Este, representante (ainda não existia embaixador) na Argentina, foi acusado por outro deputado de “negligência”.

Convenceu inteiramente, ninguém se retirou. Registre-se como curiosidade. O pai foi apenas Visconde, o filho, Barão, superior. O pai é nome de uma “ruazinha” minúscula, perto da Praça Tiradentes. O filho identifica a mais importante avenida, que se chamou inicialmente, desde que foi aberta em 1905, de Avenida Central.

Aécio conseguiu fixar sua posição de LÍDER DA OPOSIÇÃO (e garantiu que ela existirá) e candidato dessa mesma oposição. Não fixou data. Foi o derrotadíssimo José Serra que, contraditoriamente, socorreu o próprio Aécio: “2014 está muito longe”. O ex-governador mineiro deixou bem claro que é candidato. Mas com pouco mais de 50 anos, não precisa andar de calendário na mão.

***

PS – Notem, principalmente os que já se preparam para discordar e dizer, “Aécio não merece esses elogios”, que não elogiei o discurso. Nem sequer analisei o conteúdo, portanto não elogiei nada.

PS2 – Me fixei no triunfo do planejamento, da confirmação da presença do Senado inteiro, que era o que ele pretendia. Que consagração maior para um estréia do que ser “criticado” duramente por Romero Jucá?

PS3 – Lide do presidente FHC, de Lula e de Dona Dilma, Romero Jucá precisava mostrar ao Planalto-Alvorada, “serei líder não até 2014, e sim até 2018”. Pelo menos, quando acaba seu último mandato.

PS4 – Quase às 9 horas da noite, Aécio deixava a tribuna. Mas não saia simplesmente. Convocava todo o Senado “para um debate na próxima quarta-feira, quando estaremos fixando os caminhos e os compromissos para o futuro do país”.

PS5 – Que estreia. Nos próximos tempos, receberá os dividendos. E Aécio teve o cuidado de não dizer nada, mas ter o Senado inteiro para concordar com ele.