O Banco Central cansou de jogar fora o dinheiro do contribuinte, COMPRANDO dólar, ele continuou caindo. Aumentou o IOF, não obterá o menor sucesso. Tem que mudar a “política”.

Helio Fernandes

Já escrevi muito sobre o assunto, nenhum jornalão, televisão, blog arrogante, tocou no assunto. Importantíssimo. No segundo ano do primeiro mandato, o poderoso Meirelles dizia: “O câmbio é flutuante, tem que flutuar”. Vernacularmente correto, (que surpresa), errado de todos os lados, formas, modos e maneiras.

Nessa época, ele e Palocci formavam dupla imbatível. Lula dizia, naquele tempo não tão invencível (politicamente) quanto três anos depois e até agora: “Fico esperando o Palocci me dar sinal verde para poder reduzir os juros”. Palocci entrou na relação dos que precisavam ser afastados, não resistiu às orgias e desonestidades que vinham de sua origem municipal, perdeu para um simples caseiro. Meirelles, garantido pelo FMI, mantido por Lula.

Meirelles, apesar da hierarquia administrativa mais baixa, sempre mandou mais do que Palocci. Sozinho, mudou tudo, esqueceu que “câmbio flutuante é para flutuar”, (royalties para ele mesmo), fez intervenção no “mercado”, através de compras voluptuosas, vergonhosa, onerosas em CENTENAS DE BILHÕES DE DÓLARES.

No início do segundo mandato, quando Lula ASSUMIU de verdade que era o “CARA” (que Obama só comunicaria ao mundo em 2009), Meirelles se instalou seguramente na área da realização, no sistema econômico-financeiro, no que interessava mesmo aos banqueiros internacionais: JUROS e DÓLAR. (E também a grupos nacionais subservientes a eles).

Quando o dólar estava a 3,20 (meados de 2007) e dava sinais de queda, Meirelles entrou comprando pra valer. Tinha a convicção: “COMPRANDO, o dólar cairia”, ele conhece pouca coisa, mas já haviam lhe falado sobre a “lei da oferta e da procura”.

Acontece que o sistema internacional é muito bem assessorado, aconselhado, informado. Os “mestres do capitalismo” espalham por todos os meios: “Informação é Poder”. E é mesmo, logo confirmariam. Passaram a VENDEDORES DE DÓLARES. O BC COMPRAVA, “eles” VENDIAM.

E o dólar não só não se manteve, como caiu a níveis jamais imaginados pelo BC, mas com a queda garantida.

O dólar veio caindo de 3,20, no momento em que escrevo está a 1,69. O BC COMPRANDO, os especuladores, jogadores e negocistas, VENDENDO. (Lógico, com alguns que precisavam comprar e vender, mas numa quantidade mínima).

Inauguraram então o tempo da “menas verdade”, “pagamos toda a DÍVIDA externa”. Ou então, “temos reservas colossais no exterior”. Desmenti com números tudo o que eles diziam. Mostrei com outros dados (ratificados pelo corretíssimo Secretário do Tesouro) que tudo era farsa, fraude, fantasia criminosa e comprometida.

Por que o dólar cai tanto? “Elementar, meu caro Watson”. O BC COMPRAVA diariamente e mandava para o exterior. Os empreiteiros das finanças, (tão comprometidos quanto os empreiteiros de obras públicas) VENDIAM e lucravam. Os dólares brasileiros, enviados ao exterior e “armazenados” a juros de 2 por cento (ao ano, ao ano), eram reenviados para o Brasil, “adormecidos” na Bolsa, lucrados e investidos a 10,75%.

Que maravilha viver com tanta impunidade, que é tão gratuita quando o horário eleitoral. Continuou, e este repórter escrevendo, registrando, revelando.

Precisando tomar alguma providência para mistificar a coletividade, ratificaram todas as minhas INFORMAÇÕES, fizeram um acordo com os MANIPULADORES, (que logo concordaram), aumentaram o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) de 2 para 4 por cento. Ha!Ha!Ha!

Isso recai sobre os dólares que entram no Brasil para JOGATINA, entra muito pouco para INVESTIMENTO SÓLIDO E BENÉFICO, A LONGO PRAZO.

Mais 2 por cento ao entrar no Brasil? Que bobagem. Esses 2 com os outros 2 que “remuneram” as reservas brasileiras, somam 4, que se recuperam LINDAMENTE, com os 10,75 dos juros. Sobram portanto, 6,75 por cento, até Maílson da Nóbrega sabe disso.

***

PS – Só têm uma justificativa para toda essa parafernália prejudicial ao grande interesse nacional: “Os exportadores são gravemente prejudicados”. Ora, esses exportadores continuam vendendo e recebem enormes vantagens.

PS2 – Exportam, recebem no exterior, (facilitando o subfaturamento), têm 210 dias para recolher o dinheiro e entregá-lo ao governo.

PS3 – Impingem à coletividade uma espécie de slogan visivelmente mentiroso: “Exportar é a solução”. Não é. Exportar e importar são etapas de necessidade, indispensáveis no jogo internacional.

PS4 – Mas importante mesmo no processo de DESENVOLVIMENTO SUSTENTADO, é o CONSUMO INTERNO. Isso no Brasil, na Rússia, na Tanzânia ou no Afeganistão.

PS5 – Só para terminar, por hoje, por hoje: a JOGATINA sem pano verde, continuará. E os exportadores, além dos 210 dias que têm, estão sempre pedindo prorrogação do prazo para entrega do dinheiro, a mesma alegação: “Nossos COMPRADORES NÃO PAGARAM”. E os governos, T-O-D-O-S, fingem acreditar.

Cabralzinho: “Foi minha última eleição”

Helio Fernandes

A mais satisfatória do dia, se fosse verdadeira. Mas nada no governador reeeleito pode ser tido como verdadeiro. Como já disse que cabralzinho é o Jogador Macunaíma, começou a jogar com 4 anos de antecedência.

Na verdade, governador eleito e reeleito, sobraria em 2014 para cabralzinho a eleição certa para o senado. (É da tradição brasileira, governador se eleger senador). Mas cabralzinho já esteve na capital 4 anos, passou inteiramente desprezado e desconhecido, não tem discurso para Brasília, é muito primário.

Então o que pretende? Mais do que evidente, a última jogada, ou o enterro político sem velório, seria a cremação eleitoral. Se isso acontecer, nem os comunistas (muito criativos), poderiam repetir a recomendação de 1965, para o governo da Guanabara: “Vote em Negrão com o lenço no nariz, mas vote”. Agora, se tivessem oportunidade, diriam na certa: “Mesmo com o lenço no nariz, não vote em cabralzinho”.

Palhaçada do Genoino

Helio Fernandes

Foi uma liderança importante no PT, presidiu o partido, principalmente antes de chegarem ao Poder. Chamou José Dirceu de “perigoso e confessado stalinista”, recebeu como resposta, “não ligo, você nem sabe o que é isso”, pelo menos existia.

Veio o “mensalão”, o dinheiro na cueca (do irmão), tudo o que o atingiu. Mas não tendo sido cassado, se reelegeu deputado em 2006. Agora, cometeu a tolice de se aliar ao partido de Tiririca, já se sabia que teria mais de 1 milhão de votos. (Teve 1 milhão, 350 mil). E ainda assim Genoino não se elegeu, que derrocada.

CONFIRMAÇÃO DE TIRIRICA

O Ministério Público Eleitoral pediu a cassação do agora deputado “Tiririca”, alegando que ele “é analfabeto”. O juiz INDEFERIU, dizendo, “ele sabe ler e escrever, o pedido não se justifica”.

Conversa com um leitor, sobre as vitórias do PSDB no Paraná, Minas e São Paulo

Arnaldo:
“Helio, desculpe, mas você é parcial. Fez análise da eleição dos estados, reconheço, com muito conhecimento, mas sem nenhuma isenção. Não escreveu uma linha para mostrar o fato do PSDB ter conquistado três grandes estados: São Paulo, Minas e Paraná. Isso não é vitória?”

Comentário de Helio Fernandes:
Inacreditável teu protesto, Arnaldo. Não me incomodo, desde que seja baseado em fatos. O PSDB ganhou apenas 1 Estado desses citados por você. Foi o do Paraná, com Beto Richa, que já fora prefeito duas vezes. Foi até vitória importante, mas isolada.

São Paulo e Minas, do PSDB há muito tempo, os governadores foram mantidos, eram francos favoritos. Em São Paulo, nem Lula acreditava no Mercadante, humilhado por ele, no episódio da DEMISSÃO IRREVOGÁVEL DA LIDERANÇA que continuou com ele. Por que eu diria com meses de antecedência, que Alckmin, (que sempre chamo de mediocríssimo) venceria no primeiro turno?

No caso do governador de Minas, você, Arnaldo, nem precisa ir lá. Daqui mesmo ouve o lamento da liderança e da militância petista. Não queriam apoiar de jeito algum Helio Costa, diziam a Lula, muitas vezes: “Ele não ganha, podemos ter candidato próprio e vencer”.

Lula insistiu, não ouviu ninguém, determinou: “O candidato do PT é Helio Costa”. Aécio, que tinha em Minas a mesma popularidade (na pesquisa, na pesquisa, que igualava os dois) do presidente do Brasil inteiro, ganhou tudo, só ele já estivera no Poder 8 anos.

Por que então não aceitar as minhas análises, rigorosamente irrefutáveis. De qualquer maneira, um abraço, nenhum aborrecimento.

VARIADAS, com Lula, Artur Virgilio, Jereissati, Ciro Gomes, Demóstenes Torres, Marta, Renan, Sarney e mais e mais.

Helio Fernandes

Lula, no Amazonas, queria derrotar Artur Virgilio e eleger governador seu ex-ministro duas vezes, Alfredo Nascimento. Derrotou Virgilio por poucos votos, perdeu o governo por margem estrondosa. Seu candidato teve 3 milhões de votos, Omar Aziz, vencedor com 6 milhões. Derrota é isso.    XXX    Já no Ceará, para o mesmo Lula, pode ser dito: “Vitória é isso”. Elegeu os dois senadores, reeelegeu o governador no primeiro turno.    XXX    A derrota de Jereissati, só em parte pode ser “contabilizada” para Lula. Ele trabalhou, sem dúvida, mas o próprio senador ajudou muito. O que vinha fazendo de bobagens, chegando ao máximo no rompimento com o amigo de 30 anos exatos, Ciro Gomes, inimaginável.     XXX    Excelente para a política, a dignidade, a vida pública, a reeleição do senador Demóstenes Torres. Foi um dos “empreendedores” do projeto ficha-limpa.    XXX    A eleição de Dona Marta Suplicy, como a sua rotina, sempre trampolim.    XXX   Renan Calheiros conseguiu se reeleger, e vem disposto a presidir novamente o Senado.    XXX    Sarney sabe disso, e está “cabalando” a permanência na presidência. O PMDB com 19 senadores, fará o presidente da “casa”, mas não seguramente para o próprio Sarney.    XXX    O PT já se debate na escolha de um nome para presidir a Câmara. Quem? Ninguém sabe.    XXX    As bancadas de deputados são ridículas. O partido proporcionalmente mais forte é o PT, com 18 por cento do total, 90 em 513.    XXX   Todos os outros partidos tiveram as bancada reduzidas.

Propostas, já!

Carlos Chagas

Para Dilma Rousseff e José Serra será bobagem  ficar atrás dos votos de Marina Silva  mais ou menos  como um bebê espera a mamadeira, ou seja, chorando. O que  estão devendo são propostas de governo. Diretrizes e projetos  que não explicitaram como deveriam, na campanha do primeiro turno, tornam-se agora essenciais para o sucesso de um deles, no segundo. Coisa grande, profunda, em condições de mudar a vida de todos nós.

Não deu para o gasto falar na criação de seis mil creches em todo o território nacional, ou prometer o aumento do salário mínimo para 600 reais. Deveriam, os dois candidatos, voltar-se para lições do passado. Getúlio Vargas elegeu-se em 1950 quando pontualmente anunciou a criação da Petrobrás e a ampliação dos direitos trabalhistas. Juscelino Kubitschek, quando  sustentou   a implantação de Furnas, Três Marias, da Belém-Brasília e da própria nova capital. Aquelas  mensagens tiveram começo, meio e fim, envolvidas em slogans como Energia e Transporte ou O  Petróleo é Nosso, atingindo a alma do eleitor.

Novos objetivos capazes de sensibilizar a população não faltam, acima e além de ficar prometendo continuar a obra do presidente Lula ou afirmando ser o candidato “Do Bem”.

Que tal anunciar intensa campanha para em quatro anos tornar o Brasil auto-suficiente na produção de trigo para fazermos o nosso próprio pão,  em vez de importarmos milhões de toneladas  da Rússia? Por que esquecer, como fizeram até agora, a exploração imediata do pré-sal? Seria anacronismo lembrar a importância da volta à estabilidade no emprego e do salário-família, compensação para a redução de impostos nas folhas de pagamento das empresas? Rever as privatizações contrárias à soberania nacional ou demonstrar a oportunidade com que foram feitas? Interligar o país com ferrovias cujas obras, até agora, arrastam-se a passos de tartaruga, servindo apenas para governantes tirarem fotografias? Apresentar um elenco de projetos detalhados para mudar  a Constituição e o Código Penal,  de forma a não deixar fora da cadeia um só criminoso de colarinho branco?

Essas e  outras propostas seriam capazes de eletrizar  o eleitorado e decidir uma  eleição que promessas capengas e formuladas em pílulas não decidiram no primeiro turno. Será que falta coragem,  grandeza ou sensibilidade aos dois candidatos?

SÓ DEPENDE DO SUPREMO

Depende  do Supremo Tribunal Federal acabar com  a confusão sobre a validade da lei ficha limpa e dar destino aos milhões de votos conquistados por  208 fichas sujas nas eleições de domingo. Basta um ato de vontade para fazer entrar em  pauta um dos múltiplos recursos de candidatos que tiveram negados seus registros mas puderam ser votados. Filigranas jurídicas e ausência de prazo para a  mais alta corte nacional de justiça dirimir essa  dúvida fundamental transformaram-se numa caixa preta cada vez mais difícil de ser  aberta, dado o empate de 5 a 5 entre seus ministros,  na apreciação da matéria.

Só como piada pode-se aceitar o raciocínio de que, para decidir, o Supremo deve esperar a nomeação, pelo presidente Lula, do décimo-primeiro ministro  do Supremo. Até porque seria delegar a solução do impasse ao chefe do governo, abdicando o Poder Judiciário da maior  de suas atribuições, no caso, de interpretar a Constituição. Quem o Lula convidasse para desempatador  chegaria ao plenário com a decisão tomada e  conhecida, quem sabe até pelo palácio do Planalto.

AUMENTARÁ A ABSTENÇÃO?

Admite-se uma convenção extraordinária do Partido Verde visando  decidir para quem irá a maioria dos votos conquistados por Marina Silva no primeiro turno. Pode ser que não adiante nada, que os nossos caciques ambientalistas se dividam entre Dilma e Serra. Também, se mesmo por milagre, em uníssono, os convencionais optassem por um dos dois candidatos,  qual a garantia de que os  eleitores de Marina cumpririam a decisão?

Enquanto os verdes não se decidem, aumenta o risco de abstenção por parte dos que votaram na senadora acreana. Não quiseram nem Dilma Rousseff nem José Serra, por isso escolheram Marina. Poderão continuar não querendo.

A abstenção domingo passado chegou a 24,6 milhões de eleitores. Como a terceira candidata recebeu quase 20 milhões de votos, já imaginaram se resolvem agregar-se? Claro que jamais 40 milhões de ausentes, mas 30 já seria um desastre.

SOBRE A VONTADE TRAIR

Dizia o  senador Benedito Valadares, de Minas, que “em eleição secreta dá uma vontade danada de trair…” Já imaginaram se no próximo dia 31 os eleitores do DEM resolverem votar na Dilma ou votar em branco para vingar-se das tentativas do alto tucanato de livrar-se do insípido candidato a vice, Índio da Costa? Porque esta semana a hipótese chegou a prosperar, mesmo condenada pelo ex-governador de São Paulo.  Poder, pode. A lei eleitoral admite a retirada de candidatos e sua substituição,  às vésperas da eleição, por impedimento físico ou vontade pessoal.

O principal argumento para a manutenção do silvícola na chapa oposicionista foi precisamente baseado em Benedito Valadares: mandar o candidato a vice de volta para a selva seria abrir a possibilidade de perder preciosos votos do partido aliado. Traição com traição se paga…

Aposentadoria não é concessão: é um direito

Pedro do Coutto

Vamos voltar ao assunto dos aposentados, que precisa ser debatido por Dilma e Serra. Matéria de Gilberto Scofield, manchete principal de O Globo recentemente, assinalou que 100 milhões de brasileiros, quase a metade da população vivem com dinheiro público, procurando dar ideia de que tal fato significa uma concessão, e não um direito, na verdade uma retribuição de contribuições previdenciárias e impostos pagos.

O repórter equivocou-se na análise que tentou fazer, considerada pelos editores do jornal como uma descoberta singular. Baseou-se em opinião do economista Raul Veloso que lançou sobre a questão social a visão mais conservadora possível. Não é nada disso. Começando pelas aposentadorias e pensões.

Tanto a dos trabalhadores celetistas, paga pelo INSS, quanto a dos funcionários públicos, custeada pela Seguridade Social. O que o professor Raul Veloso não disse a Scofield foi que a massa de recursos destinada à Previdência Social provém de contribuições dos trabalhadores e das empresas empregadoras. Estas recolhem 22%, sem limite, sobre as folhas de salário. Sustentam 75% dos pagamentos feitos pelo INSS. Isso de um lado.

De outro, portanto, as aposentadorias resultantes de tais contribuições não são favores, são direitos. O mesmo quanto aos funcionários públicos federais, estaduais e municipais. Pagam 11% ao mês sobre seus vencimentos, também sem limite, para o direito à aposentadoria integral. A do INSS tem o teto fixado em 3 mil e 473 reais. Exceto aquelas excepcionais em grande parte obtidas por meios fraudulentos. Vários jornalistas estão nessa. São falsos perseguidos.

Gilberto Scofield e Raul Veloso cometem outro erro enorme ao colocar o aumento do salário mínimo como um encargo do governo. Não é. O país, segundo o IBGE, possui uma mão de obra ativa de 95 milhões de pessoas, Cinquenta por cento do número de habitantes. Desse montante apenas 6 milhões são servidores públicos. Logo, 89 milhões são empregados particulares. Deste total – ainda de acordo com o IBGE – 27% ganham o salário mínimo. Quem paga o salário mínimo? Os empregadores particulares.

De todos os itens relacionados pela reportagem, doação é somente o caso do Programa Bolsa Família. Este sim. Através dele são distribuídas 12 milhões de bolsas mensais, no valor de 120 reais cada uma. Um caso típico, uma vez que os beneficiários não contribuíram com nada para receber o benefício. Citado foi também o seguro desemprego. Errado. Os recursos para pagar o salário desemprego vêm do FGTS, uma contribuição empresarial privada, na envolve recursos oficiais. É preciso raciocinar e distinguir bem os campos de análise.

Não se pode dizer que os recursos oficiais sejam eminentemente assistenciais. Neste ângulo tudo que acontece no país é assistencial, já que todos nós, 195 milhões de seres humanos, agora sim, dependemos diretamente dos acertos e dos erros da administração pública nas várias escalas em que se divide. Sob este critério, não haveria a eterna fronteira entre o que é público e o que é privado. Direito não é benefício. Ele é adquirido através do tempo. E o melhor exemplo de direito adquirido não é o salário: é a propriedade. O salário pode ser interrompido. O bem particular não.

Marina e Leal esperam pelo Ibope e Datafolha

Pedro do Coutto

Cidade do Porto – Hoje, feriado nacional em Portugal pela comemoração do centenário da República, o jornal português “O Público” traz  ampla reportagem sobre as perspectivas políticas em torno do segundo turno da sucessão presidencial.  A matéria, como é natural, desloca-se sobre para quem irão os votos que Marina Silva recebeu nas urnas de domingo.
A senadora verde não se definiu ainda, deixando passar a impressão de que poderá assumir uma atitude de neutralidade . Mas seu vice, empresario Guilherme Leal, dá a entender que o PV poderá propor um programa mínimo e colocá-lo à disposição tanto de Dilma quanto de Serra. Entretanto destacou a necessidade, sobretudo, de haver um compromisso bastante firme envolvendo a ética pública. Com isso, tacitamente, referia-se sem dúvida ao escândalo administratiivo protagonisado pela ex-ministra Erenice Guerra, que na realidade foi o fato causador da descida da candidata do PT na reta de chegada, projetando a decisão final do pleito para 31 de outubro.
Entretanto, logicamente Marina Silva e o empresário Guilherme Leal devem esperar o que dizem as pesquisas do IBOPE e Datafolha que estão para sair nos próximos dias. Porque ninguém vai transferir seu apoio a quem não apresentar perspectivas de vitória. Há contudo uma questão de consciência a ser considerada com um certo peso e esta questão de consciência já colocada por Marina Silva na  primeira etapa é suficiente para que realce seu posicionamento e, neste caso significará uma neutralidade. Ela já teria marcado sua posição e deslocaria seu olhar para as eleições presidenciais de 2014.
Mas não se pode considerar seja esta a  posição de Guilherme Leal que, segundo o Jornal “O Público” desta cidade tenderia mais para Serra. Esta definição do  vice é importante porque, afinal de contas, ele sustentou financeiraamente a campanha de Marina Silva. O jornal português a que me refiro publicou excelente reportagem, porém num dos pontos cometeu um equívoco: ao citar a canção Marina Morena atribuiu sua autoria ao verde Gilberto Gil, ex-ministro da cultura de Lula. Ele cantou a música, mas ela é de autoria de Dorival Caymi.
Finalmente, claro, Lula vai se empenhar a fundo pela vitória de Dilma Rousseff, reunindo principalmente a seu lado os governadores Sergio Cabral, Tarso Genro, Eduardo Campos e Jaques Wagner. A incógnita é se José Serra vai contar com o empenho entusiasmado de Aécio Neves e Geraldo Alckmim uma vez que uma eventual vitória da tucano distanciaria ambos 8 anos da perspectiva de chegarem ao Palácio do Planalto.

Brasil: Campeonato Mundial de Vôlei

Perdendo para a Alemanha (a segunda derrota), a República Tcheca está eliminada. Amanhã, ao meio-dia, Brasil e Alemanha fazem o jogo final para o perdedor, só o vencedor vai à semifinal. Os três países empatados, podiam terminar empatados, cada um com uma vitória, decidindo pelo número de sets e de pontos.

Sinceridade de Carpeggiani

Verdadeira revolta no Paraná, com a saída do treinador, admiradíssimo. Saiu de um dia para o outro. Entrevistado, explicou: “A proposta era irrecusável, várias vezes o que eu ganhava”. Não podia negar.

A propósito, não sei porque não colocam o nome dele, quando relacionam os maiores jogadores de todos os tempos. Esquecimento?

Marina e a “onda verde” podem se aliar à candidata do PT? Mas ela não saiu desse mesmo PT, “não tenho espaço?”. Indo para o lado do PSDB, apoiando Serra, essa opção será respeitável e respeitada? Em 27 dias, 135 milhões terão que compreender

Helio Fernandes

Serão 28 dias, agora 27, mais exaustivos do que surpreendentes. Joguem as pesquisas no lixo, avaliem pessoalmente, se informem, analisem, comentem com amigos, no trabalho, no bar, no clube, na “pracinha”, constatem o ridículo a que os Institutos se expõem, quando dizem arrogante, mas desavisadamente: “Estes cálculos estão sujeitos a uma diferença de 2 pontos para mais ou para menos”.

E erram às vezes por causa de milhões de votos que separam a realidade das suas suposições e afirmações, São dezenas de casos, erraram praticamente nos mais diversos estados. Para dar apenas um exemplo, fiquemos em SP, na eleição para o Senado. Durante toda a campanha não falaram no nome de Aloysio Nunes Ferreira.

Nas pesquisas, nos cálculos, nas análises e avaliações, desde que Quércia e Tuma, favoritos, foram para o hospital, “estavam eleitos Dona Marta e Netinho de Paula”. E o Candidato do PSDB? Não existia, não aparecia, não seria eleito. Pois às 21 horas de domingo, esse “inexistente” Aloysio, surgia em primeiro lugar com mais de 11 milhões de votos.

De onde veio essa montanha de votos? E em quanto tempo, já que na própria semana, todos os Institutos, (SEM EXCEÇÃO) desconheciam completamente o seu nome? É impossível justificar isso, explicar a votação, embora no caso tenha sido uma vitória do “BEM”. Apesar dele ser amigo de Serra. E assim aconteceu praticamente no país todo, com algumas exceções de vitoriosos previstos, anunciados e confirmados.

Como eu dizia no início destas notas, o segundo turno será cansativo, exaustivo e precisa ter emoção, compromisso, projeto, afirmação, e não apenas promessas vagas. Os discursos de Dilma e Serra, logo depois da confirmação do segundo turno (a partir da afirmação do presidente do TSE, às 21,15 de domingo) foram tão vazios e melancólicos quanto as campanhas.

O dela, visivelmente ressentido. Satisfeita abertamente, caminhando alegremente para o céu, à última hora começou a ver os obstáculos, percebeu que trilhava a estrada do inferno, o que acabou acontecendo. Lula, mais lúcido, às 8 horas mandou retirar a segurança da Praça dos Três Poderes, compreendeu, antes dos outros, que não haveria comemoração, pelo menos naquele momento.

Os discursos? O dela, ressentido (como eu disse), surpreendido, não mais envaidecido. O dele, desvanecido e agradecido, inteiramente falso, agradecia a quem? Dava a impressão de ter sido o grande vencedor, quando na verdade foi a maior “carona eleitoral” da História republicana.

Os 20 milhões de votos de Marina Silva, muito bem identificados como “onda verde”, que varreram os subterrâneos da votação e chegaram aos computadores do TSE, não foram pressentidos ou percebidos pelos Institutos. Mas também não podem ser “leiloados”, “transferidos”, “serralizados ou dilmizados”, sem maiores explicações.

20 milhões (é muito) têm que constar das urnas do 31 de outubro, eles existem. Já começaram as conversas particulares e os elogios públicos, que Dona Marina merece amplamente. Mas que dificuldade, primeiro para identificar se esses acordos devem ser feitos com ela, pessoalmente, ou com o PV, legenda pela qual concorreu.

O PV, agora em evidência eleitoral e logicamente política, esteve acusadíssimo por irregularidades, (que não atingiram a então senadora) praticadas pela cúpula. E a divisão se instalou no partido, com uma trégua natural, todos precisavam de votos, nem pensavam na Presidência.

Excluindo o fato de não se saber com quem conversar, o mais importante é o que conversar. Marina pode se entender com o PT e Dona Dilma? Estará então contrariando a ela mesma, deixou o PT, “não posso me realizar, não tenho espaço no partido”. Terá que ser um acordo amplo e cheio de compromisso, coisa que nenhuma das duas exibiu na campanha.

Membros da cúpula do PV, já se adiantaram e conversam com Serra. Se Marina fizer acordo com Serra, estará negando a “onda verde”, engrossando a “onda doadora-privante” do PSDB. Com Serra ou com Dilma, Marina estará desconfortável. E mais: terá que vir a público explicar a opção que fizer, e porque foi feita.

Serra e Dilma, que fizeram campanhas péssimas, terão que reformulá-las. Mas como e para onde? Marina poderá influir e influenciar essas modificações, mas quem sabe a posição de Marina diante dos grandes problemas do país? Tirando a “onda verde”, quase imposição das circunstâncias, o que se sabe das convicções da candidata do PV? Ela pode transferir votos, sem saber o que eles representam?

***

PS – Iremos tratando diariamente desse segundo turno, que não é naturalmente promissor, realizador, esperançoso. O segundo turno foi criado precisamente para isso: reafirmar compromissos, projetos, realizações.

PS2 – Mas Dilma e Serra, vazios e desinteressados, só se interessavam em fazer número nos “debates”. E fingir que eram populares e não faziam outra coisa a não ser andarem a vida toda nas ruas.

PS3 – Disse muitas vezes, insisti, repeti, lembro agora: Lula e Dilma foram insensatos (o PT não tem nada com isso), ao escolher um vice sem votos, que não acrescentou e ainda prejudicou: no PMDB, ninguém é tão sem votos quanto Michel Temer.

PS4 – Dilma precisa de mais 4 milhões de votos, Serra de 17 milhões, diferença muito grande. A maior surpresa (lógico, além da “onda verde”) foi a euforia de Serra, no discurso de A-G-R-A-D-E-C-I-M-E-N-T-O. Puxa, ninguém sabia que o Serra era tão querido e admirado.

PS5 – A seguir, abaixo, análise sobre a repercussão das eleições parlamentares, quem terá mais Poder e influência nessas eleições e no misterioso (até agora, mas não por muito tempo) segundo turno.

O TSE se equivocou, dando governos a derrotados

Dois anos depois da eleição e da posse, candidatos que não obtiveram a vitória, receberam os governo, DOAÇÃO do maior tribunal eleitoral. Até considero que isso pode acontecer, mas com nova eleição.

PARAÍBA DE MARANHÃO

José Maranhão não ganhou mas recebeu o governo de graça. Agora, repudiando o vernáculo e a gramática, disputou a REEELEIÇÃO sem ter sido ELEITO. Foi novamente repudiado pelo povo, vai para o segundo turno, explorando a máquina.

MARANHÃO DE DONA SARNEY

A mesma coisa com ela. Perdeu, e apesar de usar todos os recursos pessoais e do pai, de quem Lula falou: “Não se pode acusar um homem como Sarney”. Perdeu, mas disputou a REEELEIÇÃO.

Teve 0,7 por cento acima dos 50 por cento, isso só foi decidido no escuro final. Se não fosse esse 0,7 (ou 007?), iria para o segundo turno e perderia para Flavio Dino, o melhor candidato.

FHC AINDA TENTA SE EXIBIR

Procura “capitalizar” (palavra adequada para o ex-presidente, principalmente em relação à própria reeeleição) a vitória estrondosa de Aloysio para o Senado.

Na verdade, os 11 milhões de votos têm esta origem e identificação. 1 – Suas próprias qualidades, responsabilidade e dignidade. 2 – O apoio de Alckmin, eleito no primeiro turno. 3 – O voto decidido de Quércia, que estava quase eleito, se retirou por doença, mandou votar nele. 4 – Os votos do prefeito Kassab, que apesar de serem duas as vagas, tinha Aloysio como prioridade.

5 – O governador Alberto Goldman, elogiado pelo presidenciável como “lealíssimo”. 6 – Lógico, não pode ser negada a contribuição eleitoral de Serra, importante, são intimíssimos. 7 – Aí “aparece” FHC, impossível deixar de citá-lo. (Como ex-presidente, não como eleitor).

HELIO COSTA, SEMPRE DERROTADO

Foi uma das minhas certezas, reiterada sempre. Disse várias vezes que conheceria a terceira derrota. Da última vez, teve quase 49 por cento no primeiro turno, perdeu feio no segundo. Agora, se dizendo “antecipadamente eleito”, teve 3 milhões de votos contra 6 milhões de Anastasia, que disputava a primeira eleição.

EM ALAGOAS, TRÊS GOVERNADORES

Teotônio Vilela Filho, Fernando Collor e Ronaldo Lessa, um no Poder e os dois tentando voltar, luta duríssima. Teotônio teve 150 mil votos mais do que Ronaldo Lessa (acusado de irregularidades), mas vai para o segundo turno. Collor, que continua senador, perdeu para Lessa por menos de 5 mil votos.

Renan Calheiros quase ganha do ex-amigo milionário. Benedito de Lira, ficou em segundo. Ninguém consegue explicar a baixíssima votação e a derrota de Heloisa Helena.

OS IRMÃOS VIANA, NO ACRE

O senador Tião, franco favorito, quase não se elege, teve apenas 4 mil votos a mais. Curiosidade: os dois senadores tiveram mais votos do que o governador, fato raro. Um deles, Jorge, irmão de Tião, que já foi governador. O outro, Sérgio Petecão, do PMN.

A ABSTENÇÃO FOI ALTÍSSIMA

Praticamente 27 milhões de eleitores não votaram. Dos 135 milhões de inscritos, mais de 22 por cento não votaram. Não era a previsão ou expectativa.

LULA ERROU, PODE ESTAR ACERTANDO

Estava eufórico, arrogante e certíssimo da vitória, se recolheu e desapareceu no domingo, com a derrota. Mas hoje pela manhã (segunda-feira) já estava no Planalto. E fez uma declaração, respirando euforia: “Vai demorar apenas mais 30 dias”. Pode estar acertando, depois de ter errado no primeiro turno.

FICHA-SUJA PODE PERDER MANDATO

Os que estavam enquadrados no ficha-limpa, que se elegeram e foram empossados, podem perder os mandatos depois. Existem muitos nessa situação, como Maluf e até governadores. Jader Barbalho nem conseguiu concorrer.  Garotinho disputou com liminar, depende de confirmação. Mas é duro cassar um deputado com 700 mil votos.

CÂMARA E SENADO, FRAGILIZADOS

Deputados (513) e senadores (81) estão muito divididos. Haja o que houver, serão necessárias e imprescindíveis diversas modificações, que provavelmente não serão feitas. Mas para fazer, terão que “conversar” muito, as bancadas dos maiores partidos são mínimas. Analisaremos, esperemos a confirmação.

A QUEM PERTENCE O VOTO?

Na iminência de muitas cassações de eleitos, é preciso lembrar decisão do Supremo: “O voto pertence ao partido”. O Supremo tem errado (ou se omitido) muito. Mas nesse caso, não há dúvida, ninguém pode concorrer sem partido. Até 1934 havia o voto independente, que tanto serviu a Rui Barbosa. Agora acabou.

E ainda acreditam nas pesquisas

Carlos Chagas

Desmoralização, mesmo, aconteceu com os institutos de pesquisa. Erraram no atacado e no varejo. Ate na boca de urna concluíram pela vitória de Dilma Rousseff no primeiro turno. Ignoraram a potencialidade de Marina Silva. E surripiaram centenas de milhares de votos de José Serra.

No plano estadual, jogaram todas as fichas na vitória de Agnelo Queirós no primeiro turno, em Brasília, apostaram na eleição apoteótica de Geraldo Alckmin, em São Paulo, e de Marconi Perilo, em Goiás, bem como  na passagem de Fernando Collor para o segundo turno, nas Alagoas. Minimizaram as chances de Beto Richa, no Paraná, e não perceberam a vantagem olímpica de Renato Casagrande no Espírito Santo.

Pior performance tiveram, os institutos de pesquisa, nas eleições para o Congresso. Deram Paulo Paim como derrotado para o Senado, no Rio Grande do Sul. Jamais admitiram a queda de Tasso Jereissati, no Ceará. Muito menos a vitória de Aloísio Nunes Ferreira, em São Paulo, onde previram Marta Suplicy em primeiro lugar.

Na Câmara, ignoraram o crescimento das bancadas do PT e desprezaram a votação de Anthony Garotinho, pelo Rio de Janeiro. Supuseram a eleição do Tiririca, por São Paulo, mas jamais pelos avassaladores um milhão e trezentos mil votos.

Apesar de falhas  tão  flagrantes,  ainda mais maquiadas pelas  abomináveis margens de erro de até três pontos para mais ou para mais menos, os institutos saíram-se com a  clássica desculpa de que estavam certos o tempo inteiro, “o povo é que mudou nas horas finais”. Vão continuar abusando da credibilidade popular. Hoje mesmo, ou amanhã, começarão  a divulgar novos números.

Diante da realização  do segundo turno  nas eleições presidenciais,  só falta mesmo anunciarem como resultado a possibilidade de ganhar Dilma ou de ganhar Serra, com margens de erro de no mínimo  cinco pontos…

EXAGEROS

Nada mais justo do que exaltar a performance  de Marina Silva nas eleições para o primeiro turno. Sua mensagem, sua postura e sua determinação despertarão consequências, tanto no segundo turno quanto em futuras eleições.  Como o PT e o PSDB estão de chapéu na mão na porta da senadora, explicam-se até alguns  exageros de apreciação. Porque, afinal, Marina foi derrotada. Tirou o terceiro lugar. Obteve 20% da votação. Mas é a heroína da eleição.

QUATRO SEMANAS

De  hoje ao domingo, 31, serão quatro semanas das quais Dilma e Serra não pretendem economizar um minuto sequer. Apesar da falsa verdade absoluta de que o segundo turno configura uma nova  eleição, não parece bem assim. Trata-se, o segundo turno, de um prolongamento do primeiro. A candidata do PT chegou na frente, com 47% da votação nacional. O tucano teve 33%. Ambos precisam conquistar mais votos, 17% para Serra, 3% para Dilma. Os percentuais dão a medida das  necessidades.

Pelas informações de ontem, continuarão as viagens pelos estados. Os governadores eleitos ou reeleitos vão grudar nos candidatos, sabendo que sua contribuição para a vitória de um  ou de outro renderá vultosos dividendos no palácio do Planalto.

VAI SOPRAR O MINUANO

Ganhando Dilma ou ganhando Serra, quebrou o eixo do caminhão dos companheiros. Tarso Genro, eleito governador do Rio Grande do Sul, é a  liderança capaz de conduzir o partido, tanto no governo quanto na oposição. O próprio Antônio Palocci deve entrar em cone de sombra, onde já se encontram José Genoíno, José Dirceu e outros.  José Eduardo Dutra mantém o equilíbrio na presidência do PT, mas enquanto o já ex-presidente Lula se mantiver preservado, soprará o minuano.

Planejamento ilude O Globo: aposentados não dão déficit

Pedro do Coutto

Um  bom tema para discussão no segundo turno é a questão dos aposentados. Com base  em dados (distorcidos) do Ministério do Planejamento, O Globo publicou recentemente uma reportagem de Cristiane Jungblut apontando os 939 mil servidores civis e militares aposentados e reformados, junto com os pensionistas, de serem a causa de um déficit nas contas do Tesouro de aproximadamente 49 bilhões de reais neste ano. Falso. Os inativos custam ao governo 71 bilhões, mas não se pode confundir custo com prejuízo. O mesmo de alguém dizer que, não fosse a sua alimentação e de sua família, teria mensalmente uma sobra maior de dinheiro. Vamos por etapas para clarificar a questão.

O orçamento federal para 2010 eleva-se a 1 trilhão e 766 bilhões de reais, de acordo com o que a Secretaria do Tesouro publicou no Diário Oficial da União no dia 30 de julho, página 23. Deste total, apenas 169,5 bilhões referem-se ao funcionalismo como um todo, portanto incluindo os inativos paisanos e fardados. Percentual da folha em relação ao teto orçamentário: cerca de 9%.

Muito bem, vamos em frente. Da parcela de 169,5 bilhões, sessenta por cento são para pagar 1 milhão e 85 mil ativos. Quarenta por cento são para pagar os aposentados e reformados. Por isso é que o Planejamento assinala uma despesa da ordem de 71 bilhões. Mas como os funcionários (ativos e inativos) contribuem mensalmente com 11% de seus vencimentos, sem limite, para a Seguridade Social, o MP encontrou uma receita de 22 bilhões. Setenta e um menos 22, eis o subtotal de 49 bilhões de reias. Déficit? Mentira. E quanto esses 939 mil inativos de hoje pagaram ontem, através de descontos ao longo de 35 ou 30 anos de serviço para o Tesouro? Esta parcela não conta para o Planejamento. Onde está esse dinheiro? Com quem ficou? Como o governo aplicou ou o utilizou? Cristiane Jungblut foi iludida por tecnocratas. Acontece.

É freqüente em nossa profissão. Posso sustentar isso, uma vez que sou jornalista há 56 anos, desde o tempo em que o Correio da Manhã figurava entre os maiores jornais do país e era fortíssimo em matéria de opinião. Pesava muito na realidade nacional. É preciso analisar-se a informação recebida, pois em inúmeros casos, de forma ingênua, estamos sendo manipulados pelos mais diversos interesses, nem todos legítimos.

Alguém deseja mandar um recado com testemunhas? Recorre-a um repórter. Apresenta gráficos coloridos, joga com os números como se fosse um lance da dados, adiciona uma dose de mágica e pronto. Sai num grande jornal, como O Globo, uma reportagem capaz de deixar mal os aposentados e pensionistas, quando eles são as vítimas de um processo cruel de desapropriação salarial. Passaram o governo FHC todo quase sem reajuste algum. Perderam para a inflação. Atravessam o período do Lula somente tendo seus vencimentos revistos nos anos mais próximos das urnas. Vamos concordar que isso faz parte do jogo político e da própria verdade política.

Mas isso não significa que devemos aceitar os comentários do ex-ministro da Previdência, José Sechin, e do economista Raul Veloso, tentando avalizar os números do Planejamento que parecem dançar um tango rivalizando-se entre si e a realidade. Sejam honestos, por favor. Dirijam-se claramente à opinião pública. Reconheçam que a emenda 41 de 2003, governo Lula, portanto, é absurda na medida em que obriga os aposentados a continuarem contribuindo para uma aposentadoria que já conquistaram ao longo de seu tempo de serviço. Trata-se de um confisco. Se desejam que alguma economia se faça, defendam a redução dos juros (140 bilhões por ano) que o governo paga aos bancos para rolar a dívida interna do país. Único caso no mundo em que o devedor propõe aumento dos juros contra si próprio. Incrível.

Aprenda com o presidente do Banco do Brasil como fazer um grande negócio. Basta guardar dinheiro vivo em casa, ao invés de aplicar em investimentos ou poupança, como o próprio BB recomenda. É simples assim.

Nogueira Lopes

Divirta-se com o presidente do Banco do Brasil. Os jornais noticiaram que o dirigente do BB, Aldemir Bendine, comprou um apartamento e pagou em dinheiro vivo. Se fosse um bicheiro, taxista ou dono de botequim, tudo bem, o dinheiro vivo se justificaria, mas um presidente de banco? Que belo exemplo para os correntistas…

O pior ainda estava por vir e não foi amplamente noticiado. O imóvel, com 160 m2 de área, tem duas vagas para automóveis, e foi declarado na escritura por R$ 150 mil. Mas o apartamento vizinho, no mesmo andar, está à venda por R$ 310 mill, mais do que o dobro. So aí ficam duas dúvidas: 1)  Como o presidente do BB conseguiu comprar por 150 mil um imóvel que vale 310 mil? 2) Ou será que comprou por 310 mil e só declarou 150 mil, para se livrar de impostos?

Adelmir Bendine diz que declarou à Receita que guardava R$ 200 mil em casa, em dinheiro vivo. Teria gasto uma parte deste total para adquirir o apartamento. De acordo ainda com assessores de Bendine, os recursos que ele tinha em aplicações financeiras seriam insuficientes para fazer frente ao gasto.Quer dizer, ele não teria nem 150 mil em sua conta, incluindo aplicações? Que presidente de banco é esse?

De toda maneira, tudo é inexplicável nesse “negócio”. A lei permite que um imóvel seja quitado em dinheiro vivo. Não é ilegal, mas no caso é imoral. É incrível que o presidente do BB ainda não tenha sido demitido.

PREÇOS DE GENÉRICO PODE VARIAR ATÉ 523,81%

Levantamento que acaba de ser realizado pelo Procon em São Paulo, -SP mostra que os preços dos medicamentos genéricos apresentaram variação de até 523,81%, enquanto entre os chamados remédios de referência a vairação chega a 100%. Qual é a justificativa dessa situação. Não há. Apenas revela um dado preocupante, que demonstra até onde vai a omissão do governo, no setor da saúde.

VAMPIROS DECIDEM FILMAR NO RIO DE JANEIRO

A atriz americana Ashley Greene revela que o quarto filme da vampiresca saga “Crepúsculo” terá cenas gravadas no Rio de Janeiro. As filmagens no Brasil já haviam sido consideradas, mas foram descartadas por problemas de segurança, porque até os vampiros têm medo de circular por aqui. Mas agora mudaram de ideia e decidiram vir, porque souberam que as elites brasileiras e a classe política vivem sugando o sangue do povo e nada lhes acontece.

ORGANIZAÇÃO DOS JOGOS RECEBE DENÚNCIAS

Responda rápido: qual é o país responsável pela organição de importantes jogos esportivos que está sendo sido criticado por denúncias de corrupção, atraso nos prazos de entrega dos locais de competição, péssimas condições na vila dos atletas, entre outros pontos? Se você respondeu Brasil, errou, pelo menos por enquanto. A resposta certa é a Índia, onde começaram a ser realizados domingo os Jogos da Comunidade Britânica, na cidade de Nova Déli.

TODA NUDEZ SERÁ CASTIGADA? CLARO QUE NÃO

Desde os primórdios da humanidade, os homens se curvam diante das mulheres. De lá para cá, nada mudou. Veja-se o exemplo da atriz Cleo Pires. Antes de posar nua para a revista Playboy, ela cobrava R$ 25 mil para marcar presença em festas e eventos, tirar fotos com participantes, bobagens assim. Agora, o cachê subiu para R$ 40 mil.

NA POLÍTICA, PODE-SE MORRER MUITAS VEZES

Na ressaca da votação de domingo, é sempre bom lembrar o estadista britânico Winston Churchill: “A política é quase tão excitante quanto a guerra, e quase tão perigosa. Na guerra, você só pode ser morto uma vez, mas, em política, muitas vezes”.

Processo contra a TV Globo/SP foi julgado dia 24 de agosto e até hoje não houve publicação do acórdão. Motivo: o Ministro Luis Felipe Salomão, do STJ, ainda não encaminhou seu voto

Carlos Newton

Há exatos 40 dias, a 4ª Turma do Superior Tribunal de Justiça negou provimento ao recurso interposto pelos herdeiros dos antigos acionistas da TV Globo de São Paulo contra decisão do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, que julgara prescrita a Ação Declaratória de Inexistência de Ato Jurídico por eles ajuizada contra Roberto Marinho e seus filhos, que a teriam adquirido de Victor Costa Junior, apesar de o vendedor nunca ter sido acionista daquela empresa de comunicação.

O relator do importante processo foi o ministro João Otávio de Noronha, presidente da 4ª Turma, e cujo voto longo foi acompanhado pelos demais ministros. O voto do ministro relator, devidamente revisado, foi então enviado à Coordenadoria da 4ª Turma no dia 1º de setembro, mas o acórdão ainda não foi publicado, para possível recurso dos interessados, porque o ministro Luis Felipe Salomão, que acompanhou o voto do relator, ainda não concluiu sua manifestação.

Uma pergunta: se todos concordaram com o voto do ministro relator, por que demorar 40 dias para expor por escrito a sua concordância com o voto?

Recentemente, a ministra Eliana Calmon, do STJ, corregedora do Conselho Nacional da Justiça, disse que o Judiciário está  “100 anos atrasado” e que espera combater a morosidade do sistema, da qual ela própria se diz vítima. Por isso, diz que prefere resolver seus problemas sem a intervenção da Justiça. “Eu sou uma magistrada que teme precisar da Justiça”, afirmou ao jornal “O Estado de S. Paulo” na quinta-feira passada.

Concordamos em gênero, número e grau com a corajosa e independente magistrada baiana, que, em entrevista à revista Veja, chegou a frisar que o Judiciário está contaminado pela politicagem miúda, o que faz com que juízes produzam decisões sob medida para atender aos interesses dos políticos, que, por sua vez, são os patrocinadores das indicações dos ministros”.

Decisão ficou para 31 de outubro

Pedro do Coutto

Roma – O Corriere della Sera, mais importante jornal italiano, publicou hoje o resultado das eleições presidenciais no Brasil que remeteu a decisão final para o segundo turno marcado para 31 de outubro. O jornal colocou na primeira página a foto de Dilma Roussef acompanhada de uma legenda que acentua ter recebido o apoio total de Lula e ao mesmo tempo lembra seu passado de guerrilheira contra a ditadura militar instalada no Brasil em 64 e que terminou em 85.

O jornal espanhol El Paiz foi pelo mesmo caminho, mas ainda não tinha certeza quanto ao segundo turno. O Correio da Manhã, de Portugal encontrava-se também em dúvida, porém lembrando que as pesquisas de boca de urna apontavam a vitoria de Dilma já no primeiro confronto.
As pesquisas, sob este aspecto, falharam. Os números não foram confirmados nas urnas. Houve mudanças de última hora. É como se pode interpretar o desfecho de ontem. Cada vez mais se observa nas eleições brasileiras a tendência para uma forte mobilidade do eleitorado nas últimas 48 horas, talvez até mesmo no próprio dia do voto. Dilma Roussef recuou 4 pontos, José Serra subiu três, Marina Silva saltou seis degraus subindo para 20%. O quadro agora, entretanto pode ter sido de surpresa mas não é desfavorável à candidata de Lula.
Para onde irão os votos de Marina Silva? Qual a definição que vai adotar em relação ao segundo turno? Se ela liberar seus eleitores uma parte irá para Dilma outra para José Serra. E aí fica difícil quebrar a vantagem obtida no primeiro turno  pela petista. Fica um enigma que nospróximos dias teráque ser revelado.
O Corriere Della Sera, cuja cobertura foi ao mesmo tempo a melhor e mais ampla sobre a sussessão brasileira, atribui o recuo de Dilma na reta de chegada à explosão moral que tem o nome de Erenice Guerra.Foi ela a melhor aliada da oposição para adiar a escolha do futuro presidente para o final do mês. Das urnas do país emergem no primeiro plano o senador Aécio Neves, o governador Geraldo Alckmim e o governador Sergio Cabral, vitoriosos depois do vendaval que passou pelas urnas.

Todos erraram, principalmente as pesquisas. Não houve decisão no primeiro turno, nem Dilma nem Serra foram vitoriosos. Dilma tem que culpar Marina, Serra agradecer a ela. Será outra eleição?

Helio Fernandes

Depois que foi criado o segundo turno, este, Dilma-Serra é o mais surpreendente e até rigorosamente inesperado. Na verdade foi uma eleição traumática e traumatizante, principalmente para personagens considerados como grandes lideranças, que não se reelegeram governadores ou senadores.

Essas derrotas e alguma vitórias esperadas mas não tão garantidas (excetuada a de Aécio Neves) influirão seguramente no resultado do dia 31 de outubro. Franca favorita, Dona Dilma esteve pertíssima de conquistar a Presidência, imediatamente. Não conquistou, tem 28 dias para is buscar os quase 4 por cento dos votos que não obteve agora.

Para o segundo turno o resultado é irreversível, democraticamente, eleitoralmente, politicamente. É uma nova eleição? Claro que é, embora os fatores que impulsionaram a votação de uma cidadã que jamais soube o que é uma campanha, continuem visíveis e analisáveis. Vejamos ligeiramente, já na madrugada, teremos até o dia 31 para avaliar mais seguramente o que se aproxima.

Serra tem os mesmos 28 dias para buscar os quase 16 por cento dos votos que não conseguiu agora. O governo de São Paulo, conquistado por Alckmin, era tão certo, que não significava alteração. (Alteração mesmo foi a eleição para o Senado de Aloysio Nunes Ferreira, excelente figura, ligadíssimo ao ex-governador).

A eleição de Aécio, é considerada como reforço para o ex-governador de São Paulo, muitos já dizem ou tentam interferir com a afirmação: “Aécio agora pode apoiar Serra para presidente, e fazer um acordo para 2014”. É evidente que as coisas não se resolvem assim, embora possa realmente acontecer. Duvido no entanto que Aécio se decida imediatamente ou a longo prazo.

É preciso considerar, nesse segundo turno, não apenas a capacidade do presidente Lula transferir votos, cansado, em fim de mandato, com essa nova eleição que ele sabidamente não imaginava que fosse existir ou acontecer. Admitamos que Lula transfira os mesmos 46 por cento dos votos, de onde virão os outros imprescindíveis 4 por cento?

Elementar, da grande vencedora da eleição, Marina Silva, que impediu Dilma de vencer, conseguiu a façanha de levar Serra ao segundo turno. Com o tipo de legislação eleitoral que existe no Brasil, os 20 milhões de votos dados a uma candidata, votos dela, pois sua legenda ainda tem pouca representatividade, servirão a um outro candidato.

Marina Silva tem os mesmo 28 dias para decidir o que fazer, como fazer e porque fazer. Normalmente, naturalmente, política e eleitoralmente, pode transferir parte substancial desses votos. Mas não pode acreditar que “faz e desfaz com esses 20 milhões de votos”.

Por agora, Marina é heroína de uma eleição sem vencedores, com dois candidatos que dependerão de muitos fatores e acontecimentos, mas principalmente dela. E também de senadores, deputados e governadores dos mais diversos Estados.

***

PS- Como se esperava, Tiririca teve 1 milhão e 300 mil votos, o professor Chalita quase 700 mil  os mesmos 700 mil Garotinho no Rio.

PS2 – A seguir, relação dos senadores que se elegeram nos principais estados. Que podem influir no segundo turno e no jogo político depois da posse.

ESTADO DO RIO

Nenhum surpresa para governador, a reeeleição trombeteada, se confirmou até com mais votos. Foi a vitória das máquinas, raramente se juntam (ainda mais num grande estado) a nacional e a estadual. Sergio Cabral é um grande jogador político, o próprio Macunaíma, o que fazer?

Vitória completa de Lula, que apoiou a reeeleição de cabralzinho, e Lindberg e Crivella para o Senado. O governador reeeleito, apoiou Picciani e Lindberg, perdeu com o primeiro, ganhou com o segundo. Na verdade, quem ganhou mesmo foi Lula, que mandou votar nos dois vencedores. Cabralzinho pegou “carona” no Lindberg, não teve prestígio ou votos para “fazer” Picciani senador. Aliás, o que Picciani faria como senador?

César Maia, como registrei sempre aqui, jogava todo o futuro na conquista do Senado. Nunca tive dúvida e proclamei: eleito, Maia será o grande líder da oposição, candidato do DEM (contra o PSDB) em 2014. Acabou, afinal, era muita irregularidade, que riqueza acumulada.

AMAZONAS

A maior derrota de Lula; a não eleição de Alfredo Nascimento, seu Ministro dos Transportes duas vezes. (Saindo em 2006 e 2010 para se desincompatibilizar). Era franco favorito, perdeu no primeiro turno. O ex-governador Eduardo Braga, se elegeu senador e garantiu o seu vice, Omar Aziz, como seu sucessor.

Artur Virgilio e Vanessa Graziotin (PCdoB), como se esperava, disputaram voto a voto a outra vaga no Senado, ela levou a melhor.

SERGIPE

Marcelo Déda (PT) vem fazendo longa carreira no estado. Duas vezes prefeito, governador reeeleito, Surpresa: a derrota de Albano Franco (PSDB) para o Senado. Já foi senador, duas vezes governador, uma das maiores fortunas do estado e da região. Se elegeram senadores Eduardo Amorim (PSC) e o ex-governador Antonio Carlos Valadares (PSB).

SANTA CATARINA

Outra grande derrota do PT e de Lula: Ideli Salvatti, líder do partido no Senado, tirou terceiro para governador. Raimundo Colombo (DEM), eleito no primeiro turno. O ex-governador Luiz Henrique (PMDB), que já tentou se presidenciável, se elegeu senador, junto com Paulo Bauer (PSDB).

ESPÍRITO SANTO

Foi o primeiro a consagrar o governador e os dois senadores. Renato Casagrande teve votação extraordinária, principalmente por ser do PSB (Partido Socialista) sem tradição eleitoral. Magno Malta (PR) se reeelege para o Senado. Ricardo Ferraço (PMDB), que era candidato a governador, fez acordo com Renato Casagrande, está eleito senador.

CEARÁ

Nenhum escândalo ou irregularidade atingiu o governador Cid Gomes (PSB). Reeleitíssimo no primeiro turno, como todos previam, diziam e sabiam. Teve ainda mais votos do que se esperava.

Eunício de Oliveira (PMDB), ex-ministro de Lula (apoiado pelo presidente e pelo governador) foi o senador mais votado. O outro, o ex-ministro José Pimentel (PT).

Quando eu disse que Tasso Jereissati “dificilmente seria reeleito”, quase me mataram. (Menos Mateus, elegantíssimo). Mas o próprio Jereissati se derrotou. E o processo contra ele, que está há 8 anos no Supremo, como ficará?

MINAS GERAIS

Aécio foi o grande vencedor, política e eleitoralmente. (um parênteses para lamentar a morte do pai, grande figura, ex-deputado federal seis vezes, entre 1963 e 1987). Além de se eleger senador, Aécio carregou Itamar Franco (PPS)e colocou como governador, o seu antigo vice, Antonio Anastasia.

Aos 50 anos, nem é preciso falar no seu futuro. Teve a frieza,a serenidade e a capacidade de escolher o caminho certo. Não quis ser vice de Serra, garanti em dezembro-janeiro: “Se Aécio for vice de Serra, podem dizer que sou o pior analista do mundo”. É lógico que nada será fácil, mas 2014 está aberto e não apenas para o PT.

BAHIA

Jaques Wagner (PT) ganhou no primeiro turno, facilmente. Nada surpreendente, se compararmos com a eleição de 2006, a sua primeira, quando o franco favorito ser ao “carlista” Paulo Souto. Wagner “vem” para o plano nacional.

Walter Pinheiro (PT), e Lidice da Mata, (PSB), são os senadores. PMDB,  DEM, PSDB, PP, PCdoB, não elegeram ninguém.

RIO GRANDE DO SUL

Contei aqui, que encontrando (num restaurante) com Tarso Genro, ele me disse: “Helio, pode publicar, vou ganhar no primeiro turno”. Ganhou mesmo. Fogaça (PMDB), ex-senador e prefeito eleito e reeeleito de Porto Alegre, ficou lá no fim de tudo, sem chance.

Ana Amélia Lemos (PP), tida como fácil vencedora para o Senado, se elegeu, mas em segundo. O mais votado, Paulo Paim, do PT, mas inteiramente abandonado pelo Planalto-Alvorada. Esperava ser Ministro do Trabalho no primeiro mandato de Lula, jamais foi convidado nem mesmo para um jantar.

Germano Rigotto (PMDB), que já tentou ser presidenciável, não se elegeu senador, apesar de ter sido governador. Melancólico.

PERNAMBUCO

Antes da eleição, Jarbas Vasconcellos (PMDB) aparecia como favorito, por causa do passado. Mas quando começaram (não as pesquisas, mas a realidade), o quadro mudou completamente. E terminou antes das 8 da noite, com a votação-consagração de Eduardo Campos.

Para o Senado, era dada como certa a eleição de Marco Maciel (o grande carreirista da ditadura) e Armando Monteiro (PTB) brigando com Humberto Costa (PT), ex-ministro. Mas a partir de 15 dias começaram a rolar informes (que se transformaram em informações) sobre a derrota de MM. Humberto Costa foi o mais votado e Armando Monteiro o segundo.

(É sempre uma satisfação, MM fora da vida pública, não deixei de dizer com insistência. Até revelando que fui amicíssimo do primeiro Armando Monteiro, constituinte de 1946).

MATO GROSSO DO SUL

André Puccinelli (PMDB) teve a reeleição fácil que se esperava. Delcidio Amaral (PT), que pretendia ser governador, não conseguiu legenda, ganhou mais 8 anos no Senado. E uma boa expectativa para governar o seu estado em 2014. Waldemir Moka (PMDB) ficou com a outra vaga de senador.

PARANÁ

Beto Richa (PSDB) foi eleito governador, facilmente. Derrotou, e no primeiro turno, o fortíssimo e tradicional Osmar Dias (PDT). Portanto, é governador, mas péssimo analista. Estando na frente (como se viu), pediu que fossem suspensas as pesquisas, a Justiça concedeu.

No segundo mandato de prefeito, cumpriu apenas 15 meses, saiu para ser governador. Entusiastas dele (no PSDB), admitem que pode não completar também o novo mandato, para ser presidenciável. Apenas para registrar: é muito cedo, 2014 é outra história.

Gleisi Hofman (mulher do ministro Paulo Bernardo, mas tendo luz e vôo próprio) foi a mais votada para o Senado. Houve muita discussão, queriam que disputasse o governo pelo PT, recusou sempre.

O outro senador, o ex-governador Requião (PMDB), tido como franco favorito, ficou a apuração quase toda atrás de Gustavo Fruet (PSDB), um belo personagem. Requião se garantiu no último lance, como aconteceu em 2002, sobre Osmar Dias.

BRASÍLIA (DF)

A capital não deixa ninguém se conformar ou se tranqüilizar. Agnelo Queiroz, do PT e candidato de Lula, era tido e havido como eleito no primeiro turno. Vai para o segundo com a mulher de Roriz (PSC), mesmo com os votos no nome dele não dela.

Cristovam Buarque (PDT)  e Rodrigo Rollemberg (PSB) foram eleitos por serem honestos, e pelo fato de terem aberto uma cratera na política da capital. Quem? Arruda, Paulo Otavio, o próprio Roriz candidato, que renunciou mais uma vez.

SÃO PAULO

Alckmin custou a ultrapassar os 50 por cento para vencer no primeiro turno, e repetir e mediocridade dos governos anteriores. Mas passou. Aloyzio Nunes Ferreira (PSDB), em 20 dias veio do terceiro para o primeiro lugar no Senado. E Dona Marta (PT), que desde o início estava em primeiro lugar fácil, sofreu para ganhar de Netinho de Paula (PCdoB), por 2 por cento dos votos.

Nesta eleição, a internet enfim passou a ser usada como importante peça de campanha. Criou-se, para valer, o cabo eleitoral virtual.

Carlos Newton

Pela primeira na política brasileira, os partidos e candidatos usaram para valer a figura do cabo eleitoral virtual. Mobilizados pelas cúpulas partidárias, um número imenso de militantes, principalmente petistas, tucanos e verdes, durante toda a campanha acompanharam atentamente os sites e blogs de política, como a Tribuna da Imprensa, inundando-os com comentários altamente facciosos.

Foi um verdadeiro festival. Qualquer reportagem ou análise, a favor ou contra algum candidato, era logo seguida de diversos comentários enviados pelos militantes virtuais. Até Joaquim Roriz passou a usar esse sistema. Aqui no blog da Tribuna, tudo que sai contra Roriz recebe imediata resposta, quase sempre hilariante.

Alíás, desta vez fizeram tudo quanto é baixaria na internet, contra ou a favor deste ou daquele candidato. Os militantes virtuais foram pródigos e muito criativos, inclusive na bolação das mais estranhas teorias conspiratórias, principalmente envolvendo o governo Lula, que por si só já carregava tamanhas irregularidades que nem se precisava “criar” outras.

Em termos de baixarias, mesmo, nenhum candidato foi tão vilipendiado quanto Dilma Rousseff. Goste-se ou não dela, foi feio ver distribuída na internet, com foto e tudo, a matéria sobre sua suposta amante gaúcha, que estaria entrando na Justiça para exigir os direitos de companheira estável por 15 anos. Mas era fácil ver que se tratava de uma farsa. O “advogado” citado na “matéria”, Celso Langoni Filho, não existe na listagem da OAB nacional.

E não ficaram só por aí na internet. Alardearam também que Lula e Dilma teriam um caso e que esse seria o motivo do afastamento de D. Marisa Letícia, que não participou dessa campanha – “ela, que sempre foi vista ao lado de Lula, em todos os palanques das candidaturas dele”, diziam as fofocas distribuídas por e-mails.

Aqui no blog da Tribuna, os ataques de ambos os lados foram brutais. Basta conferir os comentários às matérias que abordavam a polêmica sobre a necessidade de haver controle sobre a imprensa, tese defendida pelo próprio presidente Lula. Os comentários têm sido marcados por um impressionante radicalismo, totalmente dispensável quando se vive em democracia plena.

E daqui para frente, no segundo turno, a tendência é de haver cada vez um maior fortalecimento da campanha política pela internet, o que seria até altamente democrático, mas desde que se criem mecanismos de proteção nos blogs e sites, para que os internautas só possam fazer comentários se estiverem usando seu próprio nome e endereço de e-mail, ao invés de se permitir acesso indiscriminadamente, sob qualquer pseudônimo, como acontece hoje.

E isso não seria censura, pelo contrário. Apenas acabaria com a covardia de quem se esconde atrás de pseudônimo e e-mail falso, para denegrir os outros. Liberdade de imprensa é isso aí, requer também responsabilidade. Caso contrário, paga-se caro na Justiça.

Dez para o eleitor, zero para a Justiça Eleitoral

Carlos Chagas

Para 135 milhões de eleitores, nota dez. Para a Justiça Eleitoral, nota zero.Comportou-se o  eleitorado como se o Brasil já fosse um país de primeiro mundo. Saíram pelo ralo o voto de cabresto, a compra de votos, o roubo de urnas, a propaganda de boca de urna, a violência ao redor das sessões eleitorais, as abstenções forçadas, as apurações fraudadas e demais vícios do passado.

Já a Justiça Eleitoral, nela incluído o Supremo Tribunal Federal, Deus nos livre! Raras vezes se viu  lambança igual. A começar pela revogação do Título de Eleitor pela mais alta corte nacional de justiça. Sem esquecer a explicação dada ao público: “o eleitor não será impedido de votar caso leve apenas um documento oficial com foto”…

Ora bolas, tratou-se de uma decisão envergonhada e  negativa, mais ou menos como se no Código Penal houvesse  artigo determinando que “o cidadão não está impedido de assassinar o próximo caso se sinta ameaçado de morte”. Porque impedido de votar ficou  o eleitor que levou  apenas o documento específico para o voto…

A Justiça Eleitoral deixou de decidir em definitivo se a lei ficha limpa valeu ou não, ontem. Nem ao menos esclareceu sobre o voto nos candidatos ficha suja. Foram computados ou não? Devem ser divulgados e contarão para aumentar a legenda dos partidos?  Ou simplesmente serão ignorados? Quem  renunciou a mandatos anteriores para evitar a cassação por quebra de decoro parlamentar será diplomado?

E vai por aí, tendo em vista a confusão gerada por sentenças e interpretações conflitantes e até pela falta delas. Um horror capaz de levar o eleitorado a defender a extinção da Justiça Eleitoral, não fosse o eleitor uma criatura excepcional, tolerante e esclarecida.

CASSAÇÃO PELO VOTO

Só hoje será possível calcular o número  preciso dos candidatos ficha suja que o eleitorado cassou ontem.  Foram muitos, tanto os que disputaram governos estaduais quanto  os que pleitearam  cadeiras no Congresso. Citar apenas  alguns seria beneficiar os esquecidos.  Todos merecem ter seus nomes divulgados, assim como aqueles que foram eleitos, mesmo pairando sobre suas cabeças a sombra da impugnação.

Mérito para o eleitor que não reelegeu bandidos, vigaristas e lambões.

CARAS DE PAU

Fica para amanhã, também, desmascarar certos  institutos de pesquisa cujos percentuais de preferência popular foram desmentidos pelo próprio, ou seja, pelo povo. É claro que suas desculpas já estão preparadas: “foi o eleitor que mudou, à última hora, quando ia de casa para a sessão eleitoral…”

Não há explicação, porém, a não ser a falência das pesquisas mal-feitas, para o fato de todos os institutos, sem exceção, terem induzido os veículos de comunicação  ao ridículo.  Como? Informando que de acordo com as mais sofisticadas metodologias de consulta ao eleitorado,  poderia haver ou poderia  não haver o segundo turno.  Assim, estão apregoando  que acertaram…

Renda dos pobres subiu mais que a dos ricos? Uma fantasia

Pedro do Coutto

Mais uma dica para discussão no segundo turno: reportagem recente no caderno econômico da Folha de São Paulo, com base em estudo do economista Marcelo Neri, da FGV, sustenta que, em 2009, a renda anual dos mais pobres da população subiu três vezes mais que a dos mais ricos. Uma fantasia absoluta. Pensei, ao ler, que estivesse sonhando, mas não. O texto era verdadeiro. Já a pesquisa nem tanto. Como é possível alguém fazer uma afirmação dessas? Rompe com todo e qualquer raciocínio lógico, colide com a realidade. É só comparar o lucro do Bradesco e do Itaú, por exemplo, com o realinhamento da massa salarial. Basta cotejar  a taxa Selic anual, em torno de 10%, com os reajustes de salário, estes na escala de 5 a 6%. Além disso, é suficiente cotejar os juros anuais, do mercado, na média 40% cobrados pelos bancos e pelo comércio, com o poder aquisitivo da população.

A renda dos mais pobres não pode, de forma alguma, ter subido mais que a dos ricos, uma vez que os lucros empresariais alcançam escalas bem acima da taxa inflacionária do IBGE,enquanto os aumentos nominais aplicados aos vencimentos do trabalho, na melhor das hipóteses, empata, com os números daquele instituto e também, com os índices da Fundação Getúlio Vargas.

No meio do estudo, uma afirmação destacada pela Folha de São Paulo. O professor Marcelo Neri sustenta que a classe C agora dominante em poder de compra. Ela é que vai comandar o país, não só economicamente, mas também em termos políticos. A declaração – espantosa – é textual. Quem duvidar do que escrevo consulte a edição de 14 de setembro da Folha de São Paulo, página 3B. Incrível.

Ora, se a classe C fosse dominante, ela não seria simplesmente mais classe C. Seria B ou então A. O Anuário Brasileiro de Mídia, relativo a 2010, lançado pela Editora Meio e Mensagem, sediada na capital paulista, destaca, com base em levantamento do Datafolha, que a classe C é numericamente maior que as demais. Ela pesa 40,7% em São Paulo e 42,9% no Rio de Janeiro. Entretanto, os assalariados que a compõem encontra-se na faixa de 3 a 10 salários mínimos mensais. Faixa tipicamente de renda menor, já que inclusive ela se subdivide entre os que ganham de 3 a 5 pisos e os que percebem por mês de 5 a 10 SM. Como é possível que o rendimento da enorme parcela da população que ganha pouco pode ter avançado três vezes mais do que o rendimento dos grupos sociais de renda muito mais elevada? E como se pode cometer o absurdo, a exemplo do que praticou Marcelo Neri, de sustentar que ela – a classe C – vai comandar o país politicamente?

Se ela fosse comandar o Brasil politicamente, ela já tinha deixado de ser classe C há muito tempo. No mínimo uma ingenuidade pensar o contrário. Nós não estamos no reino Mágico de OZ, filme famoso da Metro, dirigido por Victor Minelli, o mesmo diretor de O Vento Levou, e que consagrou Judy Garland. Obra magnífica, até hoje encanta o público de geração em geração. Atravessa o tempo. Mas esta é outra história.

Deixando OZ e voltando à realidade, lendo a pesquisa do IBGE sobre a inexistência de rede de esgotos em 56% dos domicílios brasileiros ótima reportagem de Rafael Galdo, O Globo de 21 de agosto, nos vem a certeza de que, sob hipótese alguma, ou ângulo de análise correto algum, os rendimentos das classes situadas do meio da pirâmide para baixo podem ter crescido três vezes mais que a receita dos mais ricos.

Se assim fosse, o déficit sanitário do país não seria gigantesco como é. É de 56% porque a maioria absoluta da população brasileira não tem recursos para adquirir casa própria ou pagar aluguel em área atendida por esgotos. A ampliação da rede de esgotos não depende totalmente do governo. E sim do acesso a habitação mais digna. Tal acesso não existe.