Final do Mundial de Clubes

Deu exatamente o que eu esperava e acreditava: Barcelona contra Estudiantes. O primeiro, todos sabem, é da resistente, intransigente e belíssima cidade onde meu pai nasceu. O segundo, porque gosto muito do Verón, e já vi muitos jogos em Mar Del Plata, principalmente na Copa do Mundo de 1978.

(A Copa em que se enfrentaram as ditaduras daqui, já quase no fim, mas ainda torturadora. E a de lá, que duraria mais 5 anos e ganharia essa Copa nos Vestiários. Única diferença entre as duas: na de lá, todos foram punidos. A não ser os que tiveram a sabedoria de morrer antes do fim. Não deles, mas da mortandade torturadora).

Marina Silva: atração em Copenhague, desprezo partidário, total, no Brasil

É o destaque brasileiro na conferência do meio ambiente. Todos se voltam para ela, querem saber de suas possibilidades presidenciais. Enquanto isso, sem terem o que fazer, Dona Dilma e Minc brigam publicamente.

A bem da verdade, o Ministro defendeu suas convicções, foi REPREENDIDO pela quase (nunca) candidata. No vocabulário dela, REPREENDER aparece em todas as páginas.

Marina caminha para ser
uma lenda sem legenda

Nenhum partido com votos quer conversar com a ex-ministra. Então, será a Heloísa Helena de 2006, mas Dona Dilma desaparecerá logo. A não ser que Lula seja seu vice. (Como conto amanhã, em artigo especial sobre a obsessão de Lula de dominar ou comprometer a alternância de Poder).

Entrevista histórica

Vicente Limongi Netto
A excelente entrevista de Fernando Collor ao O Globo é marcante e histórica. Deve ser lida com atenção e isenção pelos brasileiros desprovidos de rancor e intolerância. Parabéns ao repórter Geneton Moraes Neto pela qualificada matéria. As explosivas revelações do ex-presidente passarão a fazer parte dos livros escolares e compêndios de história republicana. Collor deixa claro que ainda tem muito para dizer e revelar daqueles tempos sombrios e de agonia que viveu. Antes e depois do covarde e ilegal impeachment que o apeou da Presidência da República. Hoje, muitos daqueles atores canastrões que participaram daquela “pantomima”, como define o próprio Collor, cruzam e convivem com ele no Congresso Nacional. Alguns com remorso na alma, outros arrependidos e alguns com insônia, porque têm certeza que Collor sabe que não valem nada. Não honram as calças que vestem.

Comentário de Helio Fernandes
Meu artigo de hoje é precisamente sobre a entrevista do ex-presidente. Como eu digo: vi e ouvi, fiquei impressionado, principalmente pelas acusações, até contra ele mesmo. Mas as revelações superam tudo.

E as acusações, com nomes e sobrenomes, essas são realmente elucidativas. Ele explicou que seguirá o conselho de Thales Ramalho para saber a hora e a vez de publicar o livro.

Mas o importante mesmo é o que diz sobre Mercadante, outros morreram ou enriqueceram. Sobre o líder do PT, que era intimíssimo de Lula, (deixou de ser assim que se elegeu senador e podia ser um possível sucessor do próprio Lula) tenho certeza: Mercadante, hoje mesmo, da tribuna do Senado, vai negar a afirmação de Collor: “O CONFISCO era o nosso sonho de governo (Do PT). Mas achávamos que se fizesse isso, Lula seria derrubado, não governaria”.

Imaginem o ínclito, ilustre e insuspeito Mercadante APOIANDO O CONFISCO, vai desmentir. Não o fez até agora porque não havia visto a entrevista de Collor. Como costuma dizer o sábio Lula: “Não leio jornal, não ouço rádio, não vejo televisão”. Só segue o mestre que o obrigou a CONTINUAR COMO LÍDER. Do que mesmo?

Governo sem energia, não pune apagão da Light

Ultraje, desprezo, desinteresse, favorecimento ao infrator. Determinaram que a “cada duas horas sem energia, o cidadão receberá 1 real e 23 centavos”. É isso mesmo, não estão lendo errado. E o “desconto” será feito pela própria Light, que não tem a menor credibilidade. Nunca teve.

Quando começou a explorar o Brasil, há mais de 100 anos, assinou um contrato. Dizia o seguinte, na última frase: “Terminado o contrato, os bens    REVERTERÃO À UNIÃO”. Não reverteram nada, fiz uma campanha intensa, perdi, claro.

Só para ter uma idéia desses bens, vou ver se me recordo de alguns.

Galeria Cruzeiro – Era o centro do Rio, onde os bondes faziam a volta. Acabado o contrato, a Light construiu ali o Edifício Avenida Central, ganhou uma fábula de dinheiro.

Terreno na Voluntários – Com frente para essa rua e fundo para a São Clemente. Vendeu para um grupo que construiu a Cobal, o maior mercado da Zona Sul.

Corcovado – Terreno também grande no Cosme Velho, ponto de partida e chegada dos que vão visitar essa atração turística.

Largo do Machado – Terreno maior do que todos, ao lado do restaurante Lamas, tradição do Rio, a maior concentração de estudantes durante dezenas de anos. Venderam para guardarem ônibus. Outra fortuna ROUBADA da União. Em se tratando da Light, não há outra palavra, tem que ser ROUBADA mesmo.

Agora, essa Light, que pertence a uma empreiteira e a uma estatal de Minas, e outro terço à própria Light, presente do “presidente” Geisel, todo poderoso.

Pelo apagão em 17 estados (e Brasília) o cidadão receberá 3 reais e 32 centavos, avaliados e “pagos” pela própria infratora. Explicam: “Não é para COMPENSAR e sim para obrigar a Light a fazer os INVESTIMENTOS INDISPENSÁVEIS”.

Ora, para isso bastava fixar prazos para esses investimentos e a cada prazo não cumprido, MULTA VIOLENTA no infrator, perdão, INFRATORA.

Elevador-prisão – No apagão total, milhares ficaram enclausurados, não sabiam por quanto tempo. Souberam depois, foram horas. Agora, todos os dias, nos mais diversos bairros, acontecem apagões de 40 minutos, 1 hora, por aí. Não serão indenizados, não eram consumidores, apenas fechados em elevadores. É uma indecência, ninguém vai protestar, este é um país de cabisbaixos.

Collor em entrevista à Globonews: “Escrevi um livro que vai abalar o Brasil”. Depois, mudando de tom: “Mas só vou publicar quando todos estiverem mortos”. Desde já, deu nomes e comprometeu muita gente

O ex-deputado Cleto Falcão, a pessoa mais ligada ao (futuro) presidente Collor, até a eleição e a posse, deu entrevista aberta e escandalosa, ao repórter Genetton Moraes. A Globonews publicou. Comentei logo a seguir. A entrevista é jornalisticamente importantíssima, mas por que publicar neste momento?

20 anos depois da eleição. 17 anos transcorridos do impeachment. 3 anos a partir de sua volta como senador e como personagem temido e polêmico, pelas coisas que diz e principalmente pelo que sabe e não se cansa de dizer: “Vou publicar”. Como a Organização não tem fanatismo jornalístico, alguma coisa aconteceu.

Alguns não falam nada a respeito da entrevista do Cleto, que não repercutiu, o personagem é conhecido demais. Outros falam que Collor pediu direito de resposta. Pessoas ligadas aos dois lados, me dizem: “Ele não PEDIU e sim EXIGIU esse direito”. Está em condições de fazer isso, pelo que pode publicar. E ele mesmo falou em entrevista: “Sempre diziam que eu era maluco”. E deu uma gargalhada, a única num depoimento sóbrio, discreto, cheio de nomes e relatos.

Como Collor foi o presidente mais moço, ganhando em 1989 de Ulisses, Covas, Brizola, Lula e que sofreu o primeiro impeachment da nossa história, vou comentar.

O  mesmo Genetton (bom repórter, nenhuma intimidade com a televisão, apanhava das câmeras e até dos papéis, mas tinha à disposição assunto fascinante) fez a segunda entrevista. Como levou 45 minutos, preciso destacar os pontos mais importantes, embora tenha tudo na memória.

Eleição: “Sabia que ia vencer, nunca tive a menor dúvida”.

Dinheiro: “O financiamento foi difícil para o primeiro turno, os recursos não entravam”.

Segundo turno: “Depois, foi uma avalanche. O que entrava de dinheiro provocava surpresa total. Até eu ficava assombrado com o volume que chegava para a campanha”.

O repórter pergunta para onde foi tanto dinheiro: “Financiamos a campanha de muita gente, governadores, deputados”. Hesita um pouco e acrescenta: “Também senadores”. E sobrou, pergunta Genetton: “Sobrou muito depois de tudo isso. Mais de 50 milhões, acho que mais de 55 milhões, quem controlava tudo era o Paulo César”.

Inflação: “Entre a eleição e a posse, minha grande preocupação era como controlar a inflação, que estava em números assustadores”. (A Era Maílson, com a inflação em mais de 80 por cento ao mês). “Sabia que precisava dar um choque, conversei muito com economistas da campanha e outros, como Mário Henrique Simonsen, que convidado, não aceitou, mas colaborou com sugestões sobre o choque”.

Circulação de dinheiro: “Sem consultar ninguém eu achava que havia muito dinheiro, e isso alimentava a inflação. Era preciso cortar esse volume, só não sabia como, embora tivesse que ser medida radical, sem paliativo. Estava convencido, mas queria ouvir economistas”.

André Lara Resende: “O choque terá problemas políticos, mas é tecnicamente possível e aceitável”. (Collor se estende na conversa sem explicar, só fala “André”, que não era luminar. Ganharia projeção “indevida” com o Plano Real, não era o mais brilhante. Mas pessoalmente foi vitorioso, mora e vive luxuosamente na Europa).

Mário Henrique Simonsen: O ex-presidente conta: “Conversei muito com ele, convidei-o (não diz para quê, pressupõe-se que para cargo imperial no governo), ele disse que não, mas garantiu que faria sugestões”. E fez, diz Collor, “favoráveis ao choque”. Sem saber da idéia do André, disse a mesma coisa. “Era a SOLUÇÃO, tecnicamente possível”.

(O próprio Collor mostra que não estava bem orientado. Simonsen era homem de esquemas e não apenas teóricos. Como poderoso Consultor da CNI  ( Confederação Nacional da Indústria) proporcionou lucros de bilhões e bilhões para as fábricas de bebidas e cigarros. Em plena Era da Inflação, os maços de cigarros e as garrafas de bebidas vinham com os impostos colados em selos. Simonsen mudou, elas passaram a recolher o “SELO POR VERBA”.

Era o seguinte: não colavam mais nada, tinham 30 dias para pagar. Em plena inflação e o domínio do que se chamava de “Open Market”, enriqueceram. Simonsen mais tarde foi Ministro da Fazenda do “presidente” Geisel, ficou um pouco com Figueiredo. Saiu, foi ser executivo do Citibank. Passei a chamá-lo de CITISIMONSEN).

Aloísio Mercadante: “Economista muito ligado a Lula, (seria seu vice-presidente em 1994, segunda candidatura) procurou Zélia Cardoso de Mello, que já se sabia que seria a minha Ministra da Fazenda, E não escondeu: “Esse choque com confisco do dinheiro é nosso (do PT e de Lula) sonho de governo. Mas estamos convencidos de que se fosse eleito e fizesse isso, Lula não governaria, seria derrubado”. (Textual de Collor e textual dele sobre Mercadante).

O confisco: “não era para atingir tudo, as ações e os bens não seriam prejudicados. Mas o mercado é muito esperto (textual), começou a transferir para ações e imóveis, fugindo da poupança. Tivemos que radicalizar, confiscar até títulos ao portador”.

O início do impeachment: “A reação foi violentíssima, muito maior do que imaginávamos. Começaram a surgir protestos e ameaças de todos os lados, aparecia a palavra impeachment. Como tinha mais de 400 deputados FIÉIS, não me preocupei”.

A maioria desapareceu: “À medida que os protestos aumentavam, a vantagem na Câmara diminuía”. O repórter fala sobre as aventuras do “presidente Batman”, Collor ri, fica logo sério, e diz: “Precisava me projetar junto ao povo, e eu já disse que era tido como MALUCO. (Repete a identificação feita por ele mesmo).

A traição: “Comecei a sentir que estava ficando isolado, aí realmente passei a pensar sobre o assunto”. Genetton aproveita a pergunta, “as entrevistas do seu irmão com acusações pesadas, tiveram importância?”. Vem a primeira e grande gargalhada, demorada, e a resposta: “Nada a ver. Eram apenas problemas familiares, nenhuma ligação política ou com impeachment”.

O vice conspirador: faz a primeira acusação frontal contra alguém, dizendo: “Itamar Franco comandou um movimento para a minha derrubada e a transferência do Poder para Ulisses Guimarães. Este, que me apoiava, passou a me evitar, e logo ficou contra, queria assumir a presidência, que tentou a vida toda. Depois, morreu, acabou tudo”.

(Equívoco de Collor. Que o vice conspirasse, nada surpreendente, é sempre assim. Mas que conspirasse para entregar o Poder a outra pessoa, isso não tem sentido, é rigorosamente inacreditável).

A derrota na Câmara: “O impeachment avançou com violência, os 400 deputados votaram contra mim, não fiquei surpreendido, mas compreendi muita coisa. E fiquei pensando no que fazer”.

A renúncia: “Faltava o Senado”. Usa o chavão, “nada melhor do que um dia depois do outro com uma noite no meio para decidir. Então pensei, se perdi na Câmara, vou perder no Senado. Durante a noite redigi o pedido de renúncia, que pela manhã foi entregue ao presidente do Senado. Não aceitaram, tudo estava decidido”.

A volta: “Retirado do governo por acusações sem nenhuma base, o Supremo me absolveu por 5 a 3. Compreendi que havia confiado demais, precisava fazer uma análise sobre o meu próprio comportamento e os erros cometidos”.

O livro-bomba: Diz, “logo, logo comecei a escrever tudo o que acontecera, fui botando no papel, ficou pronto, vi que era uma bomba, (ele mesmo coloca essa palavra como a chave do livro) o país não aguentaria, iria politicamente pelos ares”.

Thales Ramalho: “Resolvi ir com mais calma, achei que tinha que dar um tempo, vou publicar o livro, mas precisava me aconselhar. Procurei então o Ministro Thales Ramalho, grande articulador, que me mostrou coisas que eu não havia visto”. Me disse: “Presidente, por que fazer isso agora, estão todos ainda aí, vivos e atuantes, o senhor sabe o que pode acontecer? Não é melhor esperar?”.

Mais calmo: “Concordei com sua sabedoria, não era a hora, mas não desisti, apenas vou esperar”.

* * *

PS – Em suma: não há suma nem súmula. Todos os que estão citados NOMINALMENTE não podem fugir da resposta. Têm que se explicar, gastaram a reputação, esbanjam o que ganharam com a perda da reputação.

PS2 – Só o Ministro Citisimonsen, (escrevi tudo sobre ele, quando era todo poderoso, até o apelido ele recebeu em plena atividade) está livre de explicações. Morreu moço e sem qualquer desfalque visível.

PS3 – Teve antes, a mesma sabedoria de Sérgio Motta, que morreu também moço, apenas desfalcado em vida pelo fato de ter sido sócio de Golbery (Durante a ditadura). E financiador da REEELEIÇÃO de FHC. Sua morte sepultou o terceiro mandato.

PS4 – Gosto muito deste tipo de matéria. 45 minutos vendo, ouvindo e guardando na memória. Para transformar em palavras, na hora necessária. Os que terão que se explicar com a comunidade, algum prazer? Se conseguirem desmentir Collor, estarão se defendendo e servindo à coletividade.

Greve se faz contra patrão

Carlos Chagas

Prática milenar é de que greve se faz contra patrão. Nem mesmo as greves políticas escapam dessa evidência, feitas contra o governo ou o regime, patrões maiores da população.

No Brasil tem acontecido freqüentes inversões dessa máxima, quando paralisações atingem o povo ou segmentos específicos da sociedade. Na maioria dos casos, os patrões morrem de rir, quando não estimulam as greves. É o caso dos transportes coletivos, agora ameaçados por óbvia iniciativa dos aeroviários, prometendo interromper as atividades em aeroportos e aeronaves na véspera do Natal.

De início é bom ressaltar: a categoria ganha pouco, trabalha demais e é explorada por empresas que se sucedem no transporte aéreo, a maioria falindo depois de certo tempo,  mas engordando o patrimônio de seus antigos diretores. De uns anos para cá o costume é tratar o passageiro como gado, apertado  em latas de sardinha e sujeito a sanduíches podres ou barras de cereal, enquanto não se generaliza o abuso de precisar pagar para comer ou beber.

Tem os aeroviários todo o direito à luta por melhores salários e condições  de trabalho, mas, convenhamos, entrar em greve nesse período de festas de fim de ano  é sacanagem. Contra a Tam, a Gol e penduricalhos? Nem pensar. Elas já se preparam para cobrar do governo, na justiça, as indenizações correspondentes. A greve se fará contra milhares de famílias que imaginam aproveitar os próximos dias  para rever pessoas queridas ou descansar.

Com todo o respeito, parece chantagem, porque só o povo sofrerá. As empresas lavarão as mãos, sem prejuízo de espécie alguma,  certas de que um futuro aumento no preço das passagens cobrirá com vantagem os reajustes salariais.   O governo  também não se mexe. É bom tomar cuidado, porque qualquer dia desses o apagão aéreo vira rebelião.

Cosquinha coisa nenhuma

Ou o presidente Lula e o PT enquadram  Dilma Rousseff ou logo darão adeus à esperança de continuarem no poder.  A incontinência verbal da candidata só perde para a de seu patrono. Em Copenhague,  saiu-se com mais uma: “um bilhão de dólares não faz nem cosquinha”…

Insurgia-se, a chefe da delegação brasileira à Conferência Mundial sobre o Meio Ambiente, contra comentário da ex-ministra Marina Silva de que o Brasil poderia contribuir com aquela quantia para um fundo internacional  destinado a combater  o aquecimento do planeta.

Se tivemos alguns bilhões de dólares para socorrer o Fundo Monetário Internacional,  bem como  centenas  deles para salvar bancos e indústria falidas, na recente crise econômica, como deixar de dar o exemplo e contribuir para um esforço mundial cujo objetivo é salvar a Terra e seus habitantes?

Acresce que  um bilhão de dólares faz mais do que cosquinhas na planta dos pés ou no suvaco das pessoas. É dinheiro para ninguém botar defeito, à exceção de Daniel Dantas ou  Eike Batista.  Seria uma contribuição penosa, mas ética e necessária para demonstrar que não somos um país malandro.

Os três grandes e um maior

Os dinamarqueses acabam de revelar humor, talvez  malícia. Não passou despercebido de sua imprensa o fato de três candidatos à presidência do Brasil encontrarem-se em Copenhague para tirar  uma casquinha na exposição explícita de líderes mundiais. Dilma Rousseff, José Serra e Marina Silva badalam pelos corredores e auditórios da Conferência do Meio Ambiente, sempre atentos às câmeras e microfones com logotipos nacionais.

Um repórter local aproveitou para comentário singular, no rádio, referindo-se ao fato de que o Brasil havia mandado os três grandes em disputa pelo poder no país,  mas um maior estava chegando. Será que  falava da próxima sucessão? Por acaso ou  de propósito?

Ainda vai me agradecer…

A sucessão presidencial estava na rua, em novembro de 1937, com dois políticos  em campanha: José Américo de Almeida, do governo, e Armando de Salles Oliveira, pela oposição. Foi quando o presidente Getúlio Vargas deu o golpe e ficou no governo por mais oito anos,  alegando o perigo comunista. Sempre gentil, mandou recado para o seu suposto candidato: “Diga a ele que ainda vai me agradecer…”

Se José Américo agradeceu ou não, é dúvida, mas acabou nomeado  ministro do Tribunal de Contas da União, outra vez governador da Paraíba e ministro da Viação no segundo governo Vargas.

Com todo o respeito e guardadas as proporções, Michel Temer ainda vai agradecer ao presidente Lula por haver sido garfado em sua pretensão de tornar-se candidato único à vice-presidência, na chapa de Dilma Rousseff. Afinal, se derrotada a candidata, Temer perderia a presidência da Câmara, a cadeira  de deputado federal e,  muito provavelmente,  o comando do PMDB…

Oscar Niemeyer: 102 anos, sem festa e muito trabalho

Que existência, que vida, que resistência, que talento, sem exibicionismo ou espetaculosidade. Há quase 60 anos, almoçávamos várias vezes por semana. No Lucas, um restaurante caseiro da Avenida Atlântica.

Ele tinha escritório na rua Joaquim Silva, na Lapa, (que era o centro do Rio, como voltou a ser, agora para os mais jovens) o Partido Comunista estava na “legalidade”, o arquiteto deu o escritório para Luiz Carlos Prestes, foi morar e trabalhar na Avenida Atlântica. Ele e o repórter, mais os arquitetos que trabalhavam com Oscar, Helio Bolonha, Gauss Maria Estelita, assíduos.

Foi preso, não se submeteu aos carcereiros, quando perguntaram se ele era comunista, disse mais do que um palavrão, uma frase inteira que não recebeu represália porque os torturadores respeitam os que reagem.

Há anos, um dos jornalistas mais presos e perseguidos pela ditadura, diretor da revista “Justiça & Cidadania”, criou uma estatueta identificada como “Don Quixote”. Só recebia a premiação, quem tivesse realmente serviços prestados à coletividade. Nossa Senhora, precisaria um blog inteiro para citar metade dos que têm essa estatueta, que além do mais é belíssima.

Em 2007, Orpheu Salles, resolveu entregar um “Dom Quixote” ao grande arquiteto. E me pediu para fazer a saudação, sempre acontece isso. Foi no enorme salão do Tribunal de Justiça, lotado.

Conhecendo Oscar há tanto tempo, pensei que nada me surpreendesse. Errei, dois fatos incríveis. Niemeyer, fazendo 100 anos, falou 23 minutos de relógio, sem um pausa nem para beber água. E contou na íntegra, com todos os palavrões, o que acontecera com sua prisão. Depois do próprio Oscar, defendi que ninguém mais devia falar, fui obrigado.

O outro fato: Niemeyer foi “saudado” por um advogado famoso, com escritórios no Brasil todo, ideologicamente de extrema direita. Nunca soube como esse causídico tão reacionário pudesse sequer conhecer um stalinista histórico como Niemeyer.

Lula não percebeu, foi goleado pelo Flamengo

Incrível, um presidente que gosta de futebol (os generais da ditadura também gostavam, não perdiam um jogo no Maracanã, Lula nunca foi lá, nem em jogo da seleção), repudiado por jogadores. Praticamente só Adriano foi. Fora de campo, o treinador Andrade, a presidenta eleita, (muito justo) e o presidente licenciado (como perder essa oportunidade?) Márcio Braga.

Assim, não tendo com quem conversar, ficou segurando o troféu (não é assim que os comentaristas dizem?), conversando com Adriano. Tentando lembrar ao Dunga que “gostaria de ver Adriano convocado”. (Os generais não “convocaram” o Dario, levando João Saldanha à demissão em 1970, depois de classificar a seleção?).

Lula não se lembrou de perguntar ao Márcio Braga: “Como é que você conseguiu fazer prescrever o processo por irregularidades quando era Secretário Nacional de Esportes?”. Podia até mudar de assunto e confessar: “Puxa, Márcio, trabalho desde garoto, você tem 76 anos e nunca trabalhou, como é que se consegue?”.

Lula jura, “não aumento juro”

É mais uma afirmação daquelas que desmente logo depois. Só que nessa terá algum tempo para negar. “Pontífices” da economia garantem que “em março haverá o aumento negado pelo presidente”. Entre esses “pontífices”, o próprio Meirelles da Filial do FMI no Brasil, o Banco Central.

Se houver aumento, nada surpreendente, afinal, o juro brasileiro ESTÁ APENAS 34 vezes acima do juro americano. E o presidente do FED, ao confirmar a taxa de meio por cento, (AO ANO, AO ANO) garantiu: “Isso será por um longo período”.

O dólar sobe

É evidente que alguém estará errando. O que nem chega a ser surpreendente. Economistas bem informados (?) diziam: “O dólar fechará o ano em R$ 1,60 ou abaixo disso”. Vem ficando, como hoje, na casa de 1,75 e parece que os economistas serão desmentidos mais uma vez.

Se o juro cair, a entrada de dólares no Brasil será reduzida. Sem prejuízo para o país, é tudo para jogatina. Quem não quer “trazer” dinheiro que rende 34 vezes mais? É bem verdade que nos tempos do RETROCESSO de FHC, o lucro GLOBALIZANTE era muito maior. E não apenas na moeda, passaram a donos do nosso patrimônio.

Frases de personalidades importantes, mas que não fazem sucesso em Copenhague

1 – Do paleontologista  Stephen Jay Gould: “É melhor assinar os papéis, enquanto o planeta está querendo fazer acordo”.

2 – De Carl Sagan, astrônomo: “O Universo não é obrigado a estar em perfeita harmonia com a ambição humana”.

3 – Do Time Magazine: “Em um país subdesenvolvido, não beba água. Em país desenvolvido, não respire ar”.

4 – Edward O. Wilson, professor de Entomologia de Harvard: “Se toda a humanidade desaparecesse, o mundo voltaria ao rico estado de equilíbrio que existia há 10 mil anos. Se os insetos desaparecessem, o ambiente iria do colapso ao caos”.

5 – De John Young, ex-astronauta: “Se você quiser ver uma espécie em perigo, levante-se e olhe no espelho”.

6 – Hans Christian Andersen, ele mesmo, o famoso escritor: “Somente viver não é o suficiente. É preciso ter raios de sol, liberdade e um pouco de flores”.

7 – Herman Daly, ecologista: “Há algo fundamentalmente errado em tratar a Terra como se fosse um negócio em liquidação”.

8 – Einstein: “Sobreviver irá exigir da raça humana uma maneira substancialmente nova de pensar”.

9 – John Baldacci, político dos EUA: “O consumo de energia é um assunto que interessa tanto ao nosso ambiente quanto à nossa economia”.

10 –Elwyn Brooks White, escritor e poeta: “Eu me sentiria mais otimista sobre um futuro brilhante para o homem, se ele gastasse menos tempo provando que pode levar a melhor sobre a natureza, e mais tempo saboreando a doçura e respeitando sua maturidade”.

Brasília, a ilha da fantasia, da mordomia, da hipocrisia, agora, pela mediocridade, é da não hierarquia

Arruda já era uma concessão ou uma agressão à ética, por causa do passado. Violou o painel do Senado, ia ser cassado, renunciou. Refez a caminhada, deputado, governador, já começava a se “sentir” reeeleito.

Aí surgiu dentro dele mesmo, a idéia da nova violação, não do painel, mas da ética, da dignidade, dos dinheiros públicos. Perdeu a segunda chance, não terá a terceira.

Mas abriu chance para o mais desolador e desagregador lote de “candidatos”, que já trabalham para se elegerem. O mais insistente é Joaquim ARRUDA Roriz. Assumindo como senador, renunciou a 7 meses e meio de mandato para não ser cassado. Alguma semelhança com Arruda?

Esse Roriz já fez acordos e combinações para ser o sucessor de Arruda. Dinheiro não falta, e ingenuidade dos eleitores também. Estarrecedor. Mas ainda pior, se é que citando esses nomes podemos situar o pior.

Joaquim ARRUDA Roriz terá que disputar com seu antigo suplente para quem deixou o mandato inteiro. E enquanto o ex-governador (muitas vezes) arrisca tudo, o suplente em exercício não arrisca nada. O mandato que “herdou” do próprio Roriz vai até 2014.

Assim, se ganhar, vira governador. Se perder, fica com o mandato do próprio Roriz, pode até fazer oposição a ele. Não, isso não.

Como esse “senador” começou como vendedor de automóveis, podem fazer a ele a pergunta que faziam a Nixon, quando foi candidato a presidente pela primeira vez e perdeu: “Você compraria um carro usado desse homem?”.

Presidente do Bahia: “Renato Gaúcho é um vencedor”

Precisa domar e dominar as palavras. Se dissesse, “Renato Gaúcho é famoso, por isso foi contratado”, estaria bem perto da realidade. Vencedor? Quando e onde?

Ficou oscilando entre Vasco e Fluminense, servindo a Eurico Miranda, e isso não tem nada a ver com vencedor. Ou se submetendo ao jogo do patrocinador contra o presidente do Fluminense, outro Eurico Miranda do futebol.

Não queria sair do Rio, ficou esperando, sobrava o Botafogo, que nunca se interessou por ele. Cheguei a escrever: “Renato Gaúcho vai acabar no Ipatinga”. Nenhuma depreciação, é que lá não tem praia. Na Bahia tem muita, que não faz do treinador um vencedor. Mas é um marqueteiro nato.

Temer: se lançou vice de Dona Dilma, mas quer mesmo apoiar Serra, medo de Quércia

Deputado sem voto, mas que desde já se julga presidente da Câmara em 2011, (e a eleição de 2010, não vale nada?) teve sua caminhada sorrateira e isolada, embalançada por uma proposta-sujeição-estarrecimento: a vice-presidência da República.

Mal se elegendo para a Câmara (com exceção da última, quando ficou como suplente e assumiu) ficou sempre como deputado. Por causa da burrice brasileira de fazer “coincidir” todas as eleições, e não querer arriscar o único cargo com alguma chance.

No seu eterno malabarismo, Lula aproveitou o fato de Dona Dilma precisar de alguém de São Paulo, para especular com seu nome como vice. Depois que fez a jogada, Lula ria até sozinho, pois Temer passou recibo, aceitou correndo.

Agora, sempre se contradizendo, Lula explicou, “o PMDB tem muitos nomes para vice”, e citou três deles. O que irritou Temer. A luta deste é com Quércia, que se elege e reelege presidente do partido em São Paulo. Se Lula quer que Serra ganhe a eleição, está agindo muito bem. Se quer favorecer Dona Dilma, (se ela for candidata), por que não convida Quércia para vice? Estaria atingindo Serra.

Novas investigações da polícia vazam nomes de senadores, deputados e autoridades que até prova em contrário nada devem. A quem serve a precipitada e ilegal divulgação?

Causou surpresa  a divulgação pela imprensa de que a Polícia Federal, atendendo  solicitação do Ministério Público Federal, iria aprofundar as investigações da chamada “Operação Castelo de Areia”, envolvendo supostas transferências de recursos da construtora Camargo Correa para senadores, deputados federais, secretários de estado, conselheiros de Tribunais de Contas e graduados funcionários do governo federal (ao todo, mais 18 investigados). Os nomes de todos eles foram divulgados pelos principais jornais, emissoras de rádio e de TV e internet, como se já fossem indiciados, senão culpados por algo que nem eles sabem de que se trata.

Segundo noticiado pela “Folha de S. Paulo”, “a Polícia Federal deflagrou a operação em março passado, a princípio com o objetivo de apurar crimes financeiros que teriam sido cometidos por executivos da empreiteira, em conjunto com doleiros. Porém, o relatório final do caso concluído pela PF em novembro levou a Procuradoria  da República em São Paulo a preparar 18 representações a outros órgãos com a indicação de provas ou indícios que podem resultar em novos inquéritos ou processos penais”.

Como não há prova alguma contra essas pessoas, nem procedimento administrativo, nem inquérito, nem processo penal e muito menos condenação, pergunta-se, a que título e com que poderes, pode um servidor público remunerado pelos cofres públicos, antecipar e vazar tão comprometedoras suspeitas contra cidadãos que têm profissão, qualificação, família e nome a preservar e que de um jeito ou de outro terão suas biografias, irremediavelmente, comprometidas por tão avassaladoras e destruidoras suspeitas?

Desde quando indícios ainda não investigados justificam que se enodoe o currículo  de outros servidores públicos, em nome da pretensa defesa da moralidade pública e da probidade administrativa? Isso não se chama abuso, atitude arbitrária, violação criminosa da intimidade e da privacidade do cidadão, como acentuou outro dia o presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Gilmar Mendes, em controvertido julgamento de reclamação proposta pelo jornal “O Estado de S. Paulo” contra teratológica e preocupante censura judiciária PRÉVIA?

Aqui está se condenando a afoiteza e a leviandade do vazamento de informação por SERVIDOR PÚBLICO e referente a um procedimento investigativo ainda  interno e que, por sua incipiência e falta de fundamentação, jamais poderia ter sido levado ao conhecimento da imprensa para divulgação.

Aliás, nesse caso, até agora,  se crime há a investigar é o do funcionário público que, por razões estranhas, vazou informação sigilosa, descumprindo seu dever funcional. Isso é crime e precisa ser também combatido.

Por isso mesmo, como entre os possíveis futuros investigados, estão senadores da república, deputados federais, secretários de Estado, conselheiros de tribunais de contas, diretores de estatais federais e estaduais, aguarda-se,  para se pôr fim  a esses rotineiros  desvios funcionais, que o presidente da Câmara, deputado Michel Temer, uma das principais vítimas,  o presidente do Senado, José Sarney, o governador do Estado  de São Paulo, José Serra, e outras autoridades, requeiram imediatas explicações acerca dessas denúncias veiculadas pela Imprensa ao ministro da Justiça, Tarso Genro, ao Diretor-Superintendente da Polícia Federal, em Brasília, e ao Procurador-Geral da República. Por certo, a grave ocorrência poderá ser também  examinada pelo Conselho Nacional do Ministério Público, em Brasília.

Se as autoridades acima mencionadas nada fizerem agora, estejam certos de que o comprometedor silêncio será interpretado como covardia, temor, reconhecimento de possível culpa e o que mais encorajará a prática de futuros vazamentos por parte desse funcionário que não respeita a lei e nem os direitos e garantias fundamentais dos cidadãos e que, por isso mesmo, deveria ser excluído da Administração Pública, a bem do serviço público.

O jornal “O Estado de S. Paulo”, de 13 de dezembro de 2009, comentou o ilegal  procedimento do servidor “vazador” da informação, sob o título “O “ópio” do Ministério Público”, enfatizando que “no limite, o que está em jogo não são apenas as salvaguardas de figurões dos negócios e da política. Trata-se do respeito à incolumidade das pessoas comuns ANTES QUE SEJAM DECLARADAS RÉS EM UM PROCESSO”.

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PS- A reprovável conduta desse servidor, diminuiu a admiração e o respeito que a população aprendeu a dedicar ao Ministério Público e à Polícia Federal, por conta dos inestimáveis serviços que têm prestado ao país, com funções e atribuições mais expressivas asseguradas pela Constituição Federal de 1988, a “Constituição Cidadã”.

A reação de temer: incidente ou acidente?

Carlos Chagas

Sem nenhuma referência à família Sarney, o  Maranhão parece não fazer bem ao presidente Lula. Foi lá, semana passada, que ele soltou a língua e utilizou mais de uma vez aquele substantivo de cinco letras significando matéria orgânica.  Pegou mal, apesar de sabujos e sociólogos sustentarem ter sido o chefe do governo autêntico como um torneiro-mecânico. Afinal, estava num palanque, não na frente  de um torno.

De qualquer forma, foi também no Maranhão que o Lula atropelou não apenas o vernáculo, mas o PMDB. De caso pensado, anunciou a intenção de decidir quem será o vice de Dilma Rousseff a partir de uma lista tríplice de peemedebistas, não aceitando a indicação de um só.

Ora, o “um só” tem nome e endereço na lista telefônica de São Paulo: chama-se Michel Temer, presidente da Câmara e presidente licenciado do PMDB. Mesmo sem muita certeza de querer partir para a aventura petista, o deputado sentiu-se ofendido e agora reagiu.

Na convenção paulista do partido, domingo,   deu força a Orestes Quércia, que oscila entre apoiar José Serra ou a candidatura própria do governador Roberto Requião. Também referiu-se explicitamente à lista tríplice, acentuando “não  ter sido uma fala feliz do presidente da República”. Acrescentou que o PMDB jamais diria ao PT o que fazer, em nome da soberania interna. E jogou sobre os ombros do Lula a responsabilidade sobre o suposto lançamento de seu nome, ao dizer  que ele, Temer, poderia ser o vice. Sua resposta, na época,  foi mais  mineira do que paulista: “Vamos primeiro fechar a aliança e depois verificar qual o nome que soma melhor para a candidata”.

O presidente da Câmara anda irritado, a partir de denúncias de que estaria entre os beneficiados pelo mensalão do governador José Roberto Arruda, de Brasília. Por isso reagiu à lista tríplice do presidente Lula e até acrescentou pimenta no prato já condimentado de sua irritação.  Prometeu levar à convenção do PMDB, em junho, a proposta da candidatura própria do governador Roberto Requião, da mesma forma como não descartou uma aliança com os tucanos de José Serra.  Em suma, haverá que aguardar para saber se estamos diante de um pequeno incidente de percurso no processo sucessório ou de um acidente de razoáveis proporções.

Malandros de lá e de cá

Instalou-se na noite de segunda-feira, em Brasília, a Conferência Nacional de Comunicação, patrocinada pelo governo. Setores mais à esquerda da mídia oficial estão propondo o que chamam de controle social dos meios de comunicação, alguma coisa um tanto  confusa que se exerceria através de conselhos compostos pelo próprio  governo, em condições de cheirar a censura prévia.

No reverso da medalha, os barões da grande imprensa, a começar  pela eletrônica, tomados de arrogância e de medo, decidiram boicotar a Conferência. Com a Abert e a ANJ à frente, não comparecerão, deixando espaço vazio para aventuras retóricas mais capazes de fazer fumaça do que fogo.

De parte a parte, prevalece o radicalismo. Bem como a prática de enxugar gelo. Entre os temas que certamente não serão debatidos esta semana está o da desmedida propaganda do governo nos meios de comunicação. Saídas dos cofres das empresas estatais e da administração direta, fortunas são dirigidas, todos os meses, para televisões, rádios, jornais, revistas e sucedâneos. Seria apenas para os leitores, ouvintes e telespectadores abastecerem seus carros nos postos da Petrobrás? Para  abrirem contas no Banco do Brasil e na Caixa Econômica? Ou para obterem a boa vontade dos noticiários e comentários da mídia que nada tem a ver com consumo de gasolina ou investimentos financeiros?

O curioso nessas operações é que   as empresas  agora pretendendo  sabotar a Conferência Nacional de Comunicação não reclamam do dinheiro que abastece seus caixas. Pelo contrário, até exigem mais.  Muito menos o governo desperta para o desperdício. Numa palavra: malandros há,  lá e  cá.

Chamuscado mas não queimado

Salvo milagre ou inusitado, o governador José Roberto Arruda, do Distrito Federal, encontra-se garantido em seu mandato. Não terá seu impeachment decretado pela Câmara Legislativa ou, muito menos, será posto para fora através de ação penal a tramitar na Justiça. Neste caso, porque bons advogados e prolongados recursos fariam qualquer processo estender-se até muito depois de 31 de dezembro de 2010. No primeiro, porque pelo menos dezesseis dos vinte e quatro  deputados distritais pertencem à copa e  cozinha do governador.

Como a indignação pública  da população local tende a esvaziar-se, melhor será a população conformar-se em que, no máximo, poderá votar melhor no próximo outubro, ao contrário de como  votou naquele mês,  em 2006.

Murro em ponta de faca

Prepara-se o presidente Lula para daqui a poucas horas, em Copenhague, dar mais alguns murros em ponta de faca. Se tiver sido alertado, leva em sua bagagem algumas luvas de ferro.   Porque não conseguirá mudar a tendência dos países ricos de eximirem-se das causas do aquecimento global e, muito mais, de contribuírem para melhorar o meio ambiente através de recursos de seus tesouros.

Não deixa de ser chocante verificar que Estados Unidos, Inglaterra, Alemanha, China, Japão e outros utilizaram, há pouco mais de  um ano,  trilhões de dólares para salvar seus bancos falidos. Salvaram o sistema financeiro mundial, o mesmo que já volta às práticas anteriores de exploração e especulação contra suas populações e, em especial, contra os países pobres e em desenvolvimento.

Mas reservar recursos para salvar o planeta, de jeito nenhum. Cada um que cuide de si, deixando de seguir-lhes o  exemplo centenário e ainda praticado, de devastar o meio ambiente. Não há Obama que dê jeito, até porque, além de não poder, não quer. Melhor atuar para que a Amazônia seja transformada num imenso jardim botânico. E às nossas custas, até que um dia, no futuro, antes de o planeta explodir, eles tenham internacionalizado a região…

1 Bilhão de Lula para Eike Batista

Emigdio Varela, Sete Lagoas, Minas
Jornalista, acabei de ver sua revelação de que o BNDES deu 1 bilhão para o senhor Eike Batista. Como o senhor mesmo diz sempre que ele é muito rico, o que vai fazer com esse dinheiro? Prefiro até mesmo o Bolsa-Família. Desculpe e obrigado.

Resposta de Helio Fernandes
Na informação ao banco oficial, está dito: “Estou construindo uma termoelétrica a carvão, esse dinheiro irá complementar o que já investi”. Termoelétrica alimentada a carvão é uma desgraça para o meio ambiente. E exatamente no momento em que lutam (lutam mesmo?) para limpar a atmosfera, o presidente resolve “dar tanto dinheiro para contrariar o que afirma?”.

Não era mais saudável, não traria mais desenvolvimento e progresso, investir esse bilhão E TODO O RESTO em infraestrutura?

Em Copenhague, as potências enganam a humanidade. Lula finge total credibilidade e dá 1 BILHÃO a Eike Batista

Fora as chuvas e vendavais terríveis, que empobrecem mais ainda os já pobres, o grande assunto do momento é a reunião de 196 países fingindo que pretendem acabar com a contaminação da atmosfera.

EUA e China, os dois maiores poluidores, fogem de qualquer responsabilidade, mentem desaforadamente: “Concordamos em diminuir a poluição em 2020, o que falta é dinheiro”.

Com a redução (o fim jamais haverá) da poluição, os mais beneficiados serão precisamente as grandes potências. Reconheço, com 77 países (o G-77) decidindo, não sai acordo.

Para as necessidades dos bancos, seguradoras, imobiliárias e outros setores que só “pensam em fabricar lucros”, existem TRILHÕES de dólares. Para melhorar a vida de BILHÕES de pessoas, não sobrou coisa alguma.

Lula faz encenação, grita, engana. Mas o BNDES, por ordem direta dele, acabou de dar 1 BILHÃO ao “empresário” Eike Batista. Disso, quanto ele vai destinar para Madonna?

Roberto Dinamite, mais econômico do que o economista Belluzzo

O Vasco pagava, na Série B, 280 mil ao treinador Dorival Junior. Mudando de série, quis elevação de patamar, pediu 380 mil, o Vasco disse que era muito. Contratou Mancini por 120.

O economista que disse que vinha para reformar a cúpula esportiva, desandou e só fez bobagem e tolice, incluindo o palavreado. Pagou 700 mil ao Muricy, não ganhou o título ou a vaga na Libertadores.

Também não reformou nada na cúpula. E esqueceu de Havelange, Brunoro, Bernardinho, Bebeto de Freitas, José Roberto Guimarães e outros. Excluída a parte do dinheiro, Belluzzo tem todo o perfil de Ricardo Teixeira, Márcio Braga (este sem a exclusão financeira), Blater, e mais e mais.

Pão de Açúcar: “Lugar de Abílio Diniz feliz”

Depois de comprar os menores, devorou um grande, sem despender um tostão. Agora, se comprar o que sobrou na praça, o slogan vira realidade. Que maravilha viver.

Por que Lula
tanto elogia Aécio?

Não é por amizade, não é a palavra preferida do presidente. Menos ainda por gratidão, Lula acha que não deve nada a ninguém. Por cautela? Não brinquemos com coisa séria. É que Lula não tem dúvida: entre Dona Dilma, (quer dizer, ele mesmo) e Serra, não tem como perder.

O suicida Temer
em fim de carreira

O presidente da Câmara, que não rouba mas não é muito brilhante, está convencido que será “o vice de Dona Dilma”. Não será, pelo fato muito simples de que ela também corre o risco de não ser. A vantagem de Michel Temer vice, é o fim de carreira de um inútil para a coletividade.

Ricupero, grande personagem,
falou com o microfone aberto

Excelente figura, isolado e desprestigiado, “traído” pela Globo, não sabia que falava para o mundo. Disse o que não devia. Agora entrevistado pelo jornalista Marcone Formiga, afirmou: “As esquerdas perderam terreno na Itália por causa do assassinato de Aldo Moro”.

Perdão, embaixador, mas como admirador devo retificar: colocar o ladrão Berlusconi no Poder, não é perder terreno e sim enganar a coletividade. Aliás, Berlusconi não é apenas ladrão, mas também cínico, sem caráter, sem ética, sem oral e sem dignidade. Antes de falar, embaixador, olhe o microfone ou limpe a própria voz.

Bachelet-Luiz Inácio, a transferência de voto?

Ela fez realmente um bom governo no Chile. Sai com mais de 80 por cento de aprovação popular. Mas errou na escolha do candidato. Sofreu pressão do partido, teve que optar por Eduardo Frei. Este já foi presidente, período ruim para o país, e lógico, para o povo. Época de miséria, de desemprego, sem investimento. Agora, jogará tudo no segundo turno, tomara que ganhe, mesmo com Frei.

Lula assustado
com o resultado

O presidente brasileiro, que pelas pesquisas (que pesquisas?) tem quase o mesmo índice de aprovação, acompanhou a apuração. Quando não estava perto, perguntava sempre: “Como está a apuração?”, nem precisava dizer que era no Chile.

Preocupadíssimo, se disser, hoje, que transfere sua popularidade, será mera afirmação eleitoral. O Eduardo Frei de Lula é mulher. E ao contrário do Chile, o presidente daqui comanda tudo, “seu” partido, se pudesse fazer pressão, seria para “diminuir o prejuízo” e mudar de candidata. Lula não quer outra coisa, está difícil.

Dona Bachelet tenta um cargo no exterior, depois de deixar o governo. Nem é inédita: já sugeri a presidência da ONU para Lula, ficou entusiasmado. Mas se recusa a confessar, “não quero o sexto mandato, a terceira eleição”.