Nadal-Federer: aperitivo sem graça, para o jogo Bellucci-Djokovic

Helio Fernandes

Festival Wagner de erros não-forçados. Inicialmente parecia fácil para o espanhol, que fez 4/2, com o suíço desperdiçando todos os primeiros saques, jogando apenas com o segundo. Mesmo assim, com o miúra desaparecendo, Federer fez 5 pontos, Nadal apenas um. Lógico, Federer  fechou sem nenhuma emoção, 1 hora e 4 minutos, chatíssimos.

Fora do seu habitual, Federer reclamando muito. Com o serviço “quebrado” logo no primeiro ponto, se exaltou sem nenhuma razão. Estava perdendo o primeiro saque, passou a perder o segundo, foi “quebrado” três vezes. E um inédito e surpreendente 6/1 para Nadal. 52 minutos ainda sem emoção, não me lembro de Federer “quebrado” três vezes no mesmo set.

Terceiro set, Federer teve o primeiro tiebreak do jogo, não aproveitou. E logo foi “quebrado” no único lance (Nadal) aplaudido. Sacando em 5/3, Nadal quase foi quebrado, no raro momento interessante.

O espanhol está na final. Mas se amanhã (contra Bellucci ou Djokovic, que começaram a jogar há pouco), repetir a atuação de agora, terá garantida a vice. Precisa ser o Nadal de sempre e não o de hoje. Os dois de “cara amarrada”, passaram recibo no péssimo espetáculo.

Faz sucesso na internet uma comparação entre os preços dos combustíveis e dos carros no Brasil e na Argentina (que importa gasolina da Petrobras).

Carlos Newton

A mensagem baixo, escrita por um consumidor gaúcho que infelizmente não se identifica, está rolando na internet, onde desperta forte indignação. Foi enviada à Tribuna da Imprensa pelo advogado e delegado Manoel Vidal, ex-Chefe da Polícia do Estado do Rio de Janeiro, que está se sentindo roubado. Vejam só como o texto é interessante e revelador:

Buenas… Para  os leitores aproveitarem bem antes de abastecerem seus veículos, vou mandar alguns números da nossa vizinha Argentina. Como atualmente há uma preocupação muito grande com o preços  dos combustíveis, por lá os números  são os seguintes:

Gasolina  comum (igual a nossa, mas sem álcool) – 1,99 pesos = R$ 1,00 

Gasolina  Super – 2,30  pesos = R$ 1,15

Gasolina Fangio de  alta octanagem – 2,89 pesos = R$ 1,45 

Como sabemos, nossa gloriosa Petrobras exporta para a Argentina gasolina a R$ 0,65 o litro. Assim, podemos ver como estamos sendo roubados pelo governo, enquanto o contrabando vai aumentando. Aliás, o  contrabando de gasolina  na fronteira com o Rio Grande do Sul foi motivo de uma  reportagem na RBS TV, Rede Globo. 

Acho que a matéria foi encomendada. Nela um professor universitário de Porto Alegre decidiu alertar alertar  para os “perigos” de se abastecer os carros com a gasolina da Argentina. Segundo ele, o motor pifa “pra já”. 

Só ficou  faltando a explicação sobre os carros produzidos em larga escala aqui e exportados  para lá.  Serão um modelo especial?  Para mim, o que  pode acontecer é nossos carros engasgarem ao entrar em contato  com gasolina de verdade,  pois estão acostumados com essas ‘garapas mixurucas’ que nos vendem a R$ 2,89.  E os milhares de carros de turistas brasileiros que cruzam a fronteira e circulam à vontade por lá, sem qualquer problema?

 No  setor veículos não  é diferente. Vamos conferir a tabela dos carros  zero quilômetro:

Gol  3 portas Power – 27.600 pesos (R$ 14.800,00)

Ford F250
– 108.500 pesos (R$ 54.300,00)

Vectra CD
– 82.600 pesos (R$ 41.300,00 ) 

Ford Eco Export DIESEL 4X4  – R$ 35.000,00

Nissan Frontier
4×4 – 22.000 dólares, ou  menos de R$ 44.000,00
em uma agência em Oberá.  

E  por aí vão as  diferenças, ressaltando  que praticamente todos os carros, de qualquer marca, têm a  opção de virem com motor diesel. 

Eu estava esquecendo… As estradas pedagiadas, com terceira trouxa (terceira pista), mantidas em muito boas condições, custam para cada 300 quilômetros 3,40 pesos ou R$ 1,70.  Para  nós gaúchos, percorrermos  a mesma distância, o preço é de R$  28,00.  

Existe  uma explicação lógica para uma diferença  tão brutal? Claro que existe. Os argentinos não são explorados pelos governantes e pelos políticos, e lá os impostos não são massacrantes como no Brasil. Certamente porque somos uns trouxas, covardes, pusilânimes, pois num povo com dignidade, isso já teria mudado há muito tempo.

***

Em adendo  ao gaúcho revoltado, podemos lembrar que, com uma das cargas tributárias mais pesadas do mundo, a gasolina brasileira está entre as mais caras do planeta. Levantamento da consultoria norte-americana Airinc mostra que o galão de 3,8 litros (medida adotada nos Estados Unidos) custa, em média, US$ 7,74 no país (cerca de R$ 12,54). Nos Estados Unidos, o mesmo galão custaria US$ 3,59 (R$ 5,8). A diferença é de 115%. No Brasil, os impostos representam 43% do preço final dos combustíveis.

Entre os países produtores de petróleo, o preço do Brasil é o maior. Na Venezuela, por exemplo, o galão custa apenas US$ 0,06. Na Arábia Saudita, o valor é de US$ 0,45 e no Kuwait, US$ 0,81.

O democrata Barack Obama mentiu no pronunciamento à nação sobre Bin Laden. Mas quem se preocupa com isso? Só os republicanos, que tentam, mas não conseguem alijá-lo do poder.

Carlos Newton

Acho que não vou mais falar sobre as dúvidas a respeito da morte de Bin Laden. Ninguém aguenta mais esse assunto. Porém, por sua importância atual e futura, vale a pena fazer mais alguns comentários sobre as contradições nos relatos da Casa Branca e da Agência Central de Inteligência.

Não vi ninguém levantar dúvidas sobre o pronunciamento do presidente Barack Obama, feito às 23h35m de domingo (horário de Washington). Mas é importante voltar a esse discurso, para destacar dois trechos da maior relevância:

1) “Então, em agosto passado, depois de anos de um trabalho minucioso de nossa comunidade de inteligência, fui informado de uma possível pista que levava a Bin Laden. E levou muitos meses para acabar com essa ameaça. Encontrei-me repetidamente com minha equipe de segurança nacional enquanto nos certificávamos sobre a possibilidade de que havíamos localizado Bin Laden escondido num complexo no interior do Paquistão. E, finamente, na semana passada, determinei que tínhamos informações suficientes para agir, e autorizei uma operação para capturar Osama Bin Laden e levá-lo ante a justiça.”

Ou seja, o presidente disse ter autorizado uma operação “para capturar Osama Bin Laden e levá-lo ante a Justiça”, não para executá-lo e jogar o corpo ao mar. E prosseguiu assim o histórico pronunciamento:

2) “Hoje, sob minha direção, os Estados Unidos lançaram uma operação contra aquele complexo em Abbottabad, Paquistão. Uma equipe de americanos conduziu a operação com extraordinária coragem e capacidade. Nenhum americano ficou ferido. Eles tiveram o cuidado de evitar vítimas civis. Depois de um tiroteio, eles mataram Osama Bin Laden e assumiram a custódia de seu corpo.”

Portanto, nessa primeira versão, Barack Obama anunciou que “depois de um tiroteio, eles mataram Osama Bin Laden e assumiram a custódia de seu corpo.” Ficou claro: houve reação de Bin Laden, que teria morrido na troca de tiros.

Nas novas versões que surgiram, divulgadas pela própria Casa Branca e pela CIA, Bin Laden não reagiu, estava desarmado, mas, mesmo assim, foi executado, circunstância que levou o ex-chanceler alemão Helmut Schmidt a considerar que “foi claramente uma violação do direito internacional”.

Agora, vamos refazer a cronologia dos fatos. O ataque ocorreu à 1 hora da madrugada (horário do Paquistão, segundo o twitter paquistanês que transmitiu a notícia para a web). Em Washington, eram exatamente 11 horas da manhã (diferença de fuso: 10 horas).

O presidente Obama, a secretária Hillary e toda cúpula da segurança dos EUA acompanharam, ao vivo, a operação dos marines, que durou 38 minutos. É claro que assistiram à cena principal, a execução de Bin Laden, caso contrário a transmissão nem teria graça. Então sabiam que ele não havia reagido e estava desarmado.

Este foi o pronunciamento mais importante da vida de Barack Obama. Um discurso bem curto, de apenas 3 laudas e somente 1.329 palavras. A operação terminou às 11h38 da manhã de domingo, Obama leu o texto às 23h35. Portanto, sua equipe teve praticamente 12 horas para pensar. repensar, discutir, rediscutir, redigir e dar forma final ao curto pronunciamento.

Mesmo assim, deixaram passar a frase de que o presidente teria autorizado uma operação “para capturar Osama Bin Laden e levá-lo ante a Justiça, não para executá-lo e jogar o corpo ao mar. Com isso, simplesmente admitiam que a ordem do presidente fora desrespeitada.

Logo a seguir, no pronunciamento, o presidente anunciava que, depois de um tiroteio, eles mataram Osama Bin Laden e assumiram a custódia de seu corpo.” Ora, como Barack Obama e todo o staff assistiram à transmissão ao vivo do ataque, por que afirmar que Bin Laden fora morto depois da troca de tiros, se não houve reação, se nada disso aconteceu?

É claro que, eleitoralmente, essas contradições em nada prejudicam a reeleição de Barack Obama, que já está com os dois pés no novo mandato. Sejamos realistas: o povo norte-americano, com justa razão, queria mesmo é que Bin Laden fosse morto, e da maneira mais perversa possível. Os americanos estão se lixando para “violações do direito internacional”. 

A única coisa que poderia evitar a reeleição de Obama seria a certidão de nascimento falsa, caso os republicanos realmente comprovassem que o presidente nasceu no Quênia e não no Havaí. Mas até agora não fizeram nada, eles apenas denunciam, mas não provam.

O Supremo, se antecipando ao Congresso, acabou a violenta-violação dos direitos dos homoafetivos. Mas os 10 ministros reconheceram: “O Legislativo pode e deve regulamentar a decisão”.

Helio Fernandes

Ninguém esperava, admitia ou acreditava que o Supremo examinasse a Ação Direta de Inconstitucionalidade, na questão dos “gays”, chamados pelos 10 ministros de “homoafetivos”. Geralmente a ADIN é impetrada contra um ato ou fato considerado inconstitucional.

Mas desta vez, no que chamei ontem de decisão histórica, o Supremo aceitou a ADIN, examinou o mérito, e por unanimidade fez a inversão de Julgamento. Considerou que os direitos das minorias deveriam ter sido preservados, resguardados e estabelecidos formalmente por decisão do Congresso.

Há 15 anos está no Congresso, “dormitando” por ser um assunto polêmico e altamente controverso, projeto estabelecendo o que o Supremo garantiu ontem. Alguns ministros chamaram a não-votação pelo Congresso de “inércia, omissão e negligência”. Mas também reconheceram, corajosamente, duas questões.

1 – Como os parlamentares precisam do voto, são representantes, vá lá, da opinião pública, e não conseguiram identificar a tendência do cidadão-contribuinte-eleitor, não se manifestavam. O projeto não saía das gavetas, nem mesmo por decisão dos que votariam a favor dos direitos dos que eram tendenciosamente chamados de “gays”.

2 – Vários ministros, nos votos, consideraram estranha a posição do Supremo, decidindo antes do Legislativo. Mas faziam questão de deixar bem claro que a vez “agora” é do Legislativo, que deve votar sobre o assunto, regulamentar o que o Supremo referendou.

Mas ficou bem claro, sem qualquer restrição, que a intolerância, o privilégio e a discriminação, foram completamente derrotados, isso está valendo a partir de agora. Nenhuma dúvida, ficou bem esclarecido nos votos dos 10 ministros.

Comentaristas de jornais, televisões e em blogs, disseram ontem, examinando o julgamento: “Não ficou estabelecido quais DIREITOS DOS HOMOAFETIVOS FORAM CONSAGRADOS E GARANTIDOS”. Ora, os ministros votaram abertamente, relacionaram todos os direitos, o que se continha nos votos que proferiram.

Quatro ministros, (sem falar no voto do relator, Ayres Brito, que chamei de maravilhoso, mas reconheço que o presidente Peluso definiu melhor, usando a palavra ILUMINADO) esclareceram: “A partir de hoje, os DIREITOS DOS HOMOAFETIVOS SÃO RIGOROSAMENTE IGUAIS AOS DOS HETEROAFETIVOS”.

Fora do Supremo, tentaram diminuir a importância do que estava sendo julgado, dizendo: “São apenas 60 mil casais”. Esse número é falso, hipócrita e naturalmente preconceituoso e discriminador. Não existem cálculos efetivos e afetivos para contaminar o número como restrição e “perda de tempo do Supremo”.

Dois exames. No mundo inteiro, os gays ou homoafetivos, sofrem com a intolerância. Por isso, foi transformada em rotina habitual, a definição deles. Dizem: “Saíram do armário”.

Outro fato importante: todas as chamadas “passeatas gays”, têm no mínimo 1 milhão de pessoas, quando se realizam em cidades como o Rio e São Paulo, de grande população. São simpatizantes? Ou o número cresce com a presença dos que não admitem violência, seja contra quem for?

Um fato que dever ser citado a respeito da “redução” do número dos homoafetivos. Há dias, um jogador de vôlei, publicamente identificou a sua condição. Caiu em cima dele um temporal, mas foi também muito aplaudido.

Imediatamente, Giovani (campeão olímpico de vôlei e agora vencendo a Superliga como treinador), importantíssimo, elogiou o comportamento do jogador. E deixou implícito e explicito: “Não pensem que é apenas um gay. No vôlei, são muito mais”. Isso mostra a falsidade dos que “garantem” que os homoafetivos dos dois sexos, representam apenas um número irrisório.

Posso citar todos os ministros, (como fiz ontem), mas hoje quero resumir tudo o que foi dito, com o voto do decano Celso de Mello. Relacionou um por um, todos os direitos que estavam conquistando, sem esquecer nenhum.

E para que ficasse sem qualquer dúvida, questionamento ou restrição, concluiu: “E se os heteroafetivos ganharem algum PRIVILÉGIO, ELE DEVE SER TAMBÉM ATRIBUÍDO AOS HOMOAFETIVOS”. Portanto, como dizer que os ministros não foram claros? Deixaram dúvidas sobre as conquistas de agora?

Pode ser que essas “dúvidas” tenham surgido do fato do próprio Supremo reconhecer que o Legislativo precisa e DEVE se manifestar. Isso foi, digamos, generosidade dos ministros, mas reconheciam e reconheceram: “O Legislativo devia ter se manifestado antes, preenchemos uma lacuna”. (Não gosto da palavra, mas foi usada por quase todos).

Naturalmente ainda não houve tempo para a decisão ser entendida, aceita ou assimilada. Foi ontem, vem o fim de semana, se a discriminação era tão violenta (patrocinada por católicos e evangélicos) que ficam na expectativa de conseguirem ANULAR O QUE SUPREMO DECIDIU”. Os próprios ministros acharam estranho mas histórico, o que estavam votando e decidindo. E reconheceram a importância do Legislativo, mas não para EXCLUIR alguns dos DIREITOS reconhecidos.

Fiquei, na quinta-feira, 5 horas assistindo a sessão do Supremo, como faço habitualmente. Ninguém escreve tanto sobre decisões do Supremo, criticando ou aplaudindo, como este repórter. Um dos grandes elogios que reservei para o Supremo: a UNANIMIDADE. O que deu à conquista um valor irreversível e incontestável. Não é elogio e sim reconhecimento.

Do julgamento, dois fatos inesquecíveis. 1 – O parecer extraordinário do Procurador Geral. O Supremo não pode votar sem ouvir antes o Procurador Geral. Podem até votar contra, mas têm que ouvi-lo. Só que todos os ministros elogiaram nominalmente Roberto Gurgel, que a cada momento ou julgamento mais se inscreve entre os grandes Procuradores da República.

2 – O voto do ministro relator, Ayres Brito. Afirmei ontem, e reafirmo agora: foi uma sorte enorme (sem desfazer de ninguém) que Ayres Brito fosse o relator.

***

PS – Nas 49 laudas do seu voto, a constatação: o homem pode se realizar de muitas formas. Mas é escrevendo que atinge o ponto mais alto da vida. Ainda mais quando o conteúdo dessas 49 laudas destrói um preconceito, que muitos acreditavam que ficaria para sempre.

A política vive uma fase “Big Brother”, ninguém sabe se vai piorar ou não com candidatos tipo Luciano Huck. As pessoas não se interessam por política, acham normal que haja corrupção. “Político é assim mesmo”, é o que todos pensam.

Carlos Newton

O mundo mudou muito rapidamente, com a migração da população rural para as cidades e a consequente criação das megalópolis. Que aqui no Brasil chamamos de região administrativa ou Grande São Paulo, Grande Rio, Grande Belo Horizonte. E é um fenômeno que parece não ter fim, vejam o que acontece hoje com Brasília, Salvador e Recife.

Tudo mudou, as pessoas perdem horas se deslocando entre a casa e o trabalho, não há tempo para nada e têm medo de tudo, porque o inchaço das cidades, o desemprego e as drogas fizeram explodir a violência urbana, com a impunidade facilitada pelo anonimato dos rostos na multidão, onde ninguém se conhece ou reconhece.

As relações humanas também vêm se modificando completamente. Nos bairros verticais perde-se cada vez mais a noção da vizinhança, não há um relacionamento estreito com o vizinho que vive no apartamento ao lado, é muito diferente da época em que as pessoas moravam em casas, com jardins e quintais, as crianças crescendo e brincando juntas.

Salvo as sempre honrosas exceções, os relacionamentos se fazem de maneira distante, através dos meios de comunicação, e agora migram para as chamadas redes sociais, como Orkut e Facebook. Perde-se (ou ganha-se, depende da ótica) cada vez mais tempo diante da televisão e do computador, namoros e casamentos surgem a partir de diálogos via monitor, as pessoas só vão se conhecer realmente depois, quando enfim se encontrarem. Pode dar certo ou não. Tudo é mesmo relativo, à moda de Einstein.

Nesse quadro de mudanças sociais, que atingem não só o Brasil, mas o mundo inteiro, fazem surpreendente sucesso os programas de “reality show”, como “Big Brother”, “A Fazenda” e “Casa dos Artistas”? Os espectadores se identificam com as pessoas que estão lá. Todos sabem que os participantes não têm nenhum grande predicado, são pessoas comuns, algumas bonitas, outras mais ou menos e até feias, uma ou outra inteligente, a maioria completamente tapada, quase todos da classe média baixa.

O telespectador se identifica mesmo, porque pensa que também poderia ter sido escolhido e estar lá, disputando. A cada novo programa, milhões de pessoas se inscrevem, enviam vídeos, vivem o sonho de serem selecionados para participar. Mas como diz a Bíblia, muitos são chamados, poucos os escolhidos. Quando o programa enfim começa, o telespectador então se identifica com algum participante e passa a torcer por ele, manda mensagens e torpedos, vota no paredão, é tudo pago, e as emissoras então enchem as burras às custas da ignorância alheia. É assim no Brasil e no mundo, vejam só a que ponto de civilização chegamos.

No Brasil e no mundo (o primeiro “reality show” foi criado na Holanda), essas mudanças sociais marcam o fosso existente entre o cidadão comum, que não perde o “Big Brother”, e as pessoas que têm alguma coisa na cabeça e antigamente compunham o que se chamava de opinião pública. Hoje, a opinião pública influi cada vez menos.

Não foi por mera coincidência que o então presidente Lula, no auge da campanha eleitoral para eleger Dilma Rousseff, em 18 de setembro, fez a seguinte afirmação: “Tem dias em que alguns setores da imprensa são uma vergonha. Os donos de jornais deviam ter vergonha. Nós vamos derrotar alguns jornais e revistas que se comportam como partidos políticos. Nós não precisamos de formadores de opinião. Nós somos a opinião pública”.

Com sua impressionante intuição, Lula estava acertando na mosca. A opinião pública e os formadores de opinião parecem não ter grande importância nos dias de hoje, em que a sociedade se divide flagrantemente entre uma minoria que tem alguma opinião e uma esmagadora maioria que não têm opinião alguma, salvo as sempre honrosas exceções. O desabafo de Cazuza, “ideologia, eu quero uma para viver”, é cada vez mais atual para quem enxerga um palmo adiante do nariz.

Essas mudanças sociais, é claro, têm reflexos enormes na política. O crescimento absurdo das cidades, a luta pela sobrevivência, o consumismo desvairado, acabando com as matérias-primas e destruindo o meio ambiente, tudo colabora para o enfraquecimento da política. Cada um que cuide de si, este parece ser o lema geral desta sociedade cada vez mais estranha e neurótica, que considera a corrupção como algo rotineiro, comum a todos. Se você toca no assunto, logo alguém diz que “os políticos são mesmo assim”. O conformismo é geral.

Nesse contexto absurdo, a disputa eleitoral hoje é encarada como uma espécie de Big Brother político, um cenário feito sob medida para um líder como Lula, que veio de baixo, cuja formação é semelhante à da esmagadora maioria dos brasileiros. O povo gosta dele, identifica-se com ele, torce por ele. Por isso, enquanto existir Lula, a política brasileira estará “dominada”, no melhor estilo Big Brother, como se estivéssemos em regime de partido único.

Na fase atual de nossa política, tudo depende de Lula. Se ele for o candidato do PT em 2014, é uma realidade. Se for a presidente Dilma, tentando a reeleição, é outra realidade. Se os dois ainda estiverem unidos, é uma realidade. Se até lá os dois tiverem rompido e Dilma enfrentar Lula nas urnas, é outra realidade, porque abre a possibilidade de surgir uma Terceira Via.

Por isso, quando falam na candidatura do apresentador Luciano Huck, não parece ser brincadeira. Pelo contrário, é apenas mais uma etapa de nosso “Big Brother” político. O apresentador de TV Wagner Montes sempre lidera as pesquisas para governador no Estado do Rio. Só não se elege, porque nunca se interessou. Prefere ser deputado.

Lambança no festival de contradições

Carlos Chagas 

À medida em que o tempo passa, mais se avolumam as contradições do governo dos Estados Unidos diante da operação que eliminou Osama Bin Laden. Depois de informarem que o abominável criminoso defendeu-se de  armas na mão  e por isso foi morto em combate, a Casa Branca volta atrás e confessa que Bin Laden estava desarmado. Viu-se,  então, assassinado, em vez de ser preso e levado a julgamento.

Confirmou um dos chefes da CIA a prática de torturas em presos políticos, inclusive  a simulação de afogamento. Até filmes já haviam sido mostrados sobre o horror verificado na prisão de Guantanamo,  mas, agora, é o próprio governo  que reconhece a barbárie.

As Nações Unidas exigem a divulgação de fotos do cadáver de Bin Laden, mas a Casa Branca hesita porque as imagens mostrarão  ter sido ele  desfigurado com vários tiros.

Desmentida também foi a primeira  versão, de que o terrorista havia usado sua mulher como escudo. Aliás, ela não morreu, mas levou um tiro na perna, ironicamente quando se encontrava no andar de baixo, não no aposento de Bin Laden.

Saber o que foi feito com o cadáver é outra dúvida. A versão oficial é de que foi jogado no mar, depois de cumpridos os rituais fúnebres  islâmicos, mas imagens não foram divulgadas  a respeito.

Também permanece um mistério  o teste de DNA,  para provar a identidade do morto: onde aconteceu? Em que laboratório? Utilizando que parte de seu corpo?

Por último, de quem partiu a ordem para executar Bin Laden, à revelia da Constituição americana,  sem prendê-lo nem submetê-lo a julgamento? De tudo, emerge uma conclusão: caíram as máscaras. 
 
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BRASIL ANDA PARA A FRENTE 
 
Getúlio Vargas quebrou a perna duas vezes. A primeira, quando na rodovia Rio-Petrópolis, sofreu um atentado. Uma pedra rolou sobre o carro que o conduzia, matando um ajudante de ordens. A outra, já em seu governo constitucional, aconteceu quando escorregou no banheiro. Ninguém soube  de nada.

Também no exercício do poder, Juscelino Kubitschek sofreu um enfarte, convalescendo dez dias sem despachar, sob a total ignorância do país. João Goulart desmaiou, em viagem ao México, por problemas cardíacos, mas a causa não foi revelada. Costa e Silva sofreu um derrame cerebral,  que o Gabinete Militar, por três dias, tentou simular como gripe. João Figueiredo foi para os Estados Unidos para colocar pontes-safena no coração mas a informação era de que se  submeteria a exames de rotina. Durante duas semanas inventou-se que Tancredo Neves tivera uma crise de apendicite, depois diverticulite, em seguida um tumor benigno, quando na verdade o câncer já se havia espalhado pelo  seu organismo.

A moda era esconder as doenças dos presidentes, como se eles fossem super-homens imunes ao que atinge todos os mortais. Pois quando o câncer linfático foi detectado em  Dilma Rousseff, a imprensa viu-se  logo informada,  acompanhando  seu tratamento.  Agora, já empossada, uma gripe transformou-se em pneumonia, podendo todo mundo saber de sua passagem por um hospital em São Paulo, de seu retorno a Brasília e dos cuidados que ainda agora recebe.  Realmente, avançamos.   

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 BRIGA DE FOICE EM QUARTO ESCURO
 
Está longe de arrefecer a crise no PT. Ficamos sabendo, agora, que para impedir a eleição de  Humberto Costa para presidente do partido, o ex-deputado José Dirceu ameaçou candidatar-se. Dispondo de maioria no Diretório Nacional, seria eleito, numa obvia contestação ao ex-presidente Lula e à presidente Dilma Rousseff, comprometidos com o senador por Pernambuco. Para evitar o desgaste que seria a ascensão de Dirceu junto com a reintegração de Delúbio Soares, a solução foi  manter Rui Falcão, interino,  na presidência do partido.

O antecessor e a sucessora engoliram, mas não querem conversa com a ala paulista do partido,  responsável por toda a trapalhada. Se não acontecer antes, o próximo round envolverá  a escolha do candidato ou candidata à prefeitura de São Paulo, nas eleições do  ano que vem.  Se insistirem em  Marta Suplicy, assistiremos muitos companheiros pedindo inscrição no PSD de Gilberto Kassab. 
 
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O ERRO DE FAVORECER AS IMPORTAÇÕES.
 
Tanto faz o motivo, se é para compensar os estados de perdas de investimentos federais ou de quedas na arrecadação do ICMS, mas não poderia ser pior a compensação defendida pela equipe econômica. Estão os gestores da política econômica prometendo reduzir ou até extinguir impostos de produtos de importação. Argumentam que muitos governadores gostariam de oferecer mais vantagens a empresas estrangeiras dispostas a se instalar no Brasil. Assim,  fábricas multinacionais,  muitas delas sucata pura, poderiam  entrar de graça  em alguns estados. Ótimo para a Nordeste, por exemplo, mas péssimo para a economia nacional.

Nos EUA: 56% a favor da divulgação das fotos; 36 contra

Pedro do Coutto

Os argumentos do presidente Barack Obama usados para não divulgar as fotos e os filmes que registraram o ataque final a Bin Laden na incursão do comando americano no Paquistão (que, claro, hospedava o terrorista) não convenceram a opinião pública americana. Pesquisa da CNN, objeto de reportagem de Fernando Eichenberg, correspondente de O Globo em Washington, publicada na edição de quinta-feira, apontou ampla maioria pela liberação das imagens: 56%. Contra a divulgação, portanto ao lado da posição de Obama, 39%.

Esta diferença, a meu ver, levará o presidente da República a partir para uma nova versão em torno dos fatos da noite de domingo, a terceira da série. Sim. Porque como o próprio O Globo, a Folha de São Paulo e O Estado de São Paulo publicaram houve uma primeira sucedida por uma segunda. Na primeira, a tendência era divulgar as fotografias. Na segunda, um posicionamento contrário.

Estranho porque Barack Obama – viu-se a foto nos maiores jornais do mundo – na hora da invasão encontrava-se na Casa Branca diante de uma tela acompanhando todos os lances em tempo real. Portanto,  aprovou  o ataque todos os momentos. Se ele, como aconteceu, tornou-se responsável pelo êxito da operação, natural que seja também pelos seus desdobramentos.
O primeiro deles a constatação histórica através do material visual disponível. Pode até não ser o filme com todos os detalhes da violência. Mas a imagem do terrorista de onze de setembro morto é, acredito, inexcusável.

Na opinião também do presidente da Federação Nacional dos Jornalistas, Celso Scroeder: “São momentos históricos –disse- .Ficam para sempre”. Pode inclusive haver uma seleção que não edite as imagens mais grotescas. Para o professor Fernando Paulino, da Universidade Nacional de Brasília, a sociedade tem o direito de saber. Alberto Dines, que foi editor-chefe do Jornal do Brasil em sua melhor fase, defende a divulgação, respeitados os preceitos morais e éticos. As declarações dos três encontram-se embutidas na reportagem de O Globo a que me referi.

Inclusive, o que na bela e inultrapassável definição de Macluhan divide a história universal são as eras do relato e do registro. Se nós focalizarmos as duas maiores tragédias do tempo humano, a crucificação de Cristo e o nazismo, vamos perceber nitidamente a diferença. A crucificação é um relato. O nazismo de Hitler um registro. Já havia a imprensa, a fotografia, o rádio, o cinema.

Aliás o marco entre um período e outro está na criação da imprensa por Gutemberg, no final da primeira metade do século 15. No final da guerra na Europa, em maio de 45, o general Eisenhower, que anos depois seria eleito presidente dos Estados Unidos, ao visitar os campos de concentração e extermínio, pediu que repórteres, fotógrafos e cinegrafistas registrassem a inspeção. Documentem tudo, ressaltou. Para que no futuro não apareça alguém capaz de sustentar cinicamente que as atrocidades não aconteceram. Assim foi feito.

Um bom exemplo a ser seguido por Barack Obama na futura terceira etapa envolvendo o episódio de domingo passado, primeiro de maio, quando as cortinas do palco se abrirem mais uma vez. Obama disputa a reeleição em 2012. Está em plena campanha, tanto assim que na quinta-feira visitou o marco zero em Nova Iorque local das Torres Gêmeas, destruídas por Bin Laden.

Divulgar as imagens, com base na pesquisa CNN, é ir ao encontro da verdade e da opinião pública. Não só no caminho das urnas, mas sobretudo no rumo da certificação histórica. Pois como sustentou Eisenhower em relação ao nazismo, no futuro não faltará alguém para afirmar que Bin Laden escapou com vida. Ou pior: ressuscitou.

HELIO FERNANDES AMANHÃ

Ninguém acreditava na conquista
dos que eram perseguidos, humilhados,
discriminados, violentados de todas as
formas. Mas o Supremo decidiu:
“Os homoafetivos têm até os
PRIVILÉGIOS dos heteroafetivos”.

 

Bellucci, pela primeira vez na semifinal de um Master Mil

Helio Fernandes

A vitória de hoje, sobre Berdych, de certa forma, mais importante do que a de ontem, contra Murray. Este ficou meses parado, contusão no cotovelo. Nas ultimas vezes, depois da volta, saiu na estréia ou no segundo jogo. Berdych (número 7) não para de jogar. A vitória, indiscutível.

Com 23 anos, (a idade de Guga quando venceu a primeira em Roland Garros), ganhou apenas dois Torneios sem importância. Na hierarquia do circuito, Torneio é o último, soma apenas 250 pon tos.

Amanhã, sem saber qual será o adversário, tudo pode acontecer. Se jogar como ontem e hoje, nada será surpreendente.

***

PÂNICO NO FLAMENGO

Com a derrota para o Ceará, ontem, (acabando à meia noite, exterminou o que se chamava de “lua de mel”. Não é o fim. No jogo da volta, em Fortaleza, se ganhar por 2 a 1, vai para os pênaltis. O problema é fazer esses dois gols. O clube hoje, em polvorosa, que palavra.

O que a morte de Bin Laden tem a ver com a morte de Chico Mendes? Quase nada, mas são duas histórias muito estranhas e mal-contadas, com um jornal no meio.

Carlos Newton

Quando Chico Mendes foi assassinado, em 22 de dezembro de 1988 (parece que foi ontem) a história foi muito mal-contada. Tratava-se de uma “morte anunciada”, várias pessoas sabiam, não só em Xapuri, onde o líder seringueiro morava, mas também na capital, Rio Branco, o assunto foi até levantado numa mesa de poquer no principal clube da cidade.

Na época, denunciei insistentemente essa “morte anunciada”, mostrando que os editores do principal jornal de Rio Branco tinham sido previamente informados do assassinato, nada fizeram para impedi-lo e até prepararam uma cobertura especial para noticiar o crime.

Xapuri fica muito distante de Rio Branco, a rodovia é de terra e em dezembro chove todo dia. Demoram-se horas e horas para fazer o percurso na temporada das chuvas torrenciais, especialmente à noite. E  Chico Mendes foi assassinado exatamente à noite, quando saiu de casa para ir ao banheiro (que lá é chamado de “casinha”, porque fica fora da casa, no fundo do quintal).

Como é que na manhã seguinte, bem cedo, o jornal já estava sendo distribuído não só com a manchete do assassinato, mas com a foto do corpo de Chico Mendes?

É um exemplo de missão impossível. Jamais o jornal poderia ter essa foto. A notícia, sim, poderia ser passada por telefone, mas a foto, não. Na explicação do editores, teriam recebido um telefonema informando o crime, imediatamente enviaram um repórter a Xapuri, de carro. Lá, ele fez a cobertura do fato, depois fotografou o corpo (que até já havia sido levado do local), voltou a Rio Branco, redigiu a reportagem, o filme foi revelado, a matéria foi diagramada e incluída na edição. As páginas foram passadas para fotolito, depois transformadas em metal, enfim adicionadas à rotativa, e o jornal foi rodado com a notícia sensacional, tudo isso a tempo de estar cedinho nas bancas.

Era impossível. Só haveria um repórter capaz de fazê-lo, o famoso Clark Kent. Como Kent ainda trabalha no velho Planeta Diário, ficou provado o seguinte: o editor ou editores do jornal foram informado previamente que Chico Mendes ia ser assassinado naquela noite, mandaram o repórter para Xapuri e lá ele ficou esperando, fez a cobertura do crime, fotografou o corpo e voltou a Rio Branco. E deu tempo para publicar na edição do dia.

Na época, fiz uma série de reportagens a respeito na Ultima Hora, mas as chamadas autoridades não tomaram a menor providência, não se interessaram em colher o depoimento do repórter ultraveloz e do editor do jornal, que com certeza era o homem que sabia demais, como no filme de Hitchcock.

Teria sido muito mais fácil se chegar aos mandantes, mas as chamadas autoridades não quiseram incomodar os jornalistas. Até hoje tenho dúvidas de que chegaram aos verdadeiros mandantes. Será que o fazendeiro-seringalista Darli Alves da Silva e seu filho Darcy foram os únicos responsáveis? 

Agora, na morte de Bin Laden, também aparece um jornal com informações privilegiadas. Foi o ultrapoderoso The New York Times que deu o furo, anunciando que o corpo de Bin Laden fora sepultado no mar. E deu a notícia no início da madrugada de segunda-feira, pouco depois do pronunciamento de Obama. Isso significa que o corpo de Bin Laden teria sido atirado ao mar assim que o helicóptero retornou ao navio da Marinha, no litoral do Paquistão. Mas quem é que pode acreditar nisso? O corpo do homem mais procurado do mundo sendo desovado assim, às pressas, como se os marines fossem criminosos tentando se livrar logo das provas, fazendo sumir o cadáver da vítima?

O pior é que ainda nem teria dado tempo para se livrar do corpo, como veremos a seguir. Segundo o New York Times, o corpo do terrorista foi levado para o Afeganistão e depois sepultado no mar, seguindo as tradições muçulmanas. Quer dizer que o mais importante jornal do mundo publica uma bobagem dessas e ninguém contesta? A versão do NYT é tão furada quanto a cobertura do jornal do Acre sobre a morte de Chico Mendes. Ora, por que os helicópteros da Marinha saíram do Paquistão e levaram o corpo de Bin Laden para o Afeganistão, se ele ia ser atirado ao mar?

É incrível que a Casa Branca desconheça que o Afeganistão é um país sem litoral, que fica centenas de quilômetros distante do mar. Por que os helicópteros sairiam do Paquistão e, ao invés de seguirem para o mar (ponto do “sepultamento”), fariam caminho inverso, indo para o Afeganistão, para só depois voarem mais centenas de quilômetros, até desovarem o corpo no Mar Arábico. É como se estivessem em São Paulo, precisassem jogar um corpo ao mar, mas antes foram para Mato Grosso. Quem acredita nisso?

É sabido que nos Estados Unidos não se dá muita importância ao ensino de geografia nas escolas, mas assim também é demais. Os estrategistas dessa operação para matar Bin Laden fizeram o corpo dele passear de helicóptero para quê? Não sabiam que a menor distância entre dois pontos é uma linha reta? Ou preferem uma curva delirante e vadia, como uma onda no mar? O pior é que, se os helicópteros realmente fizeram esse delirante percurso noticiado pelo NYT, não daria tempo. Portanto, o jornal teria anunciado a desova do corpo antes mesmo disso ter acontecido.  

A história da morte de Bin Laden, contada pela Casa Branca e pela CIA, é totalmente furada, representa uma afronta à inteligência alheia. O presidente Barack Obama tem todo direito de disputar a reeleição. Mas tentar ganhá-la desse jeito é uma bestial insensatez.  Se Bin Laden está morto, ótimo, é motivo de alívio, menos um. Mas por que não contar a história da forma como realmente aconteceu? 

Tudo isso é incrível e decepcionante. Amanhã a gente volta ao assunto, com novas provas que desmontam essa versão de Casa Branca e da CIA.

O assunto Bin Laden é inesgotável. Tanto quanto o terrorismo. Bin Laden morreu? Se isso aconteceu, o terrorismo ganhou vida longa. Junto com “maquiavelismo” de Obama?

Helio Fernandes

Em 1961, tomando posse no dia 20 de janeiro (data que era utilizada pela primeira vez desde a emenda constitucional de 1952), o presidente Kennedy, contra a vontade, teve que invadir Cuba, no que se chamou de ataque da “Baía dos Porcos”.

Não pôde recusar. A derrota levou-o ao desespero, principalmente por ser público que não apoiava o ataque. Os jornalões não puderam publicar coisa alguma, apesar da EMENDA NÚMERO 1.

Agora, querendo mostrar que é todo-poderoso e que faz o que bem entender, Obama se recusa a mostrar o corpo de Bin Laden. Diz: “As fotos são horrorosas”, vai haver “comoção do público nos EUA”. Só pensou no povo americano, e o resto do mundo?

Logo depois, numa outra mistificação, divulgou: “Os membros da al-Qaeda podem acreditar que é provocação, se julgarem na obrigação de fazer retaliação imediata”. Só imediata?

Já escrevi que haverá retaliação, mas provavelmente não será imediata, podem ou devem querer manter o medo num suspense mais do que intranquilizador. E as autoridades americanas contribuem para aumentar essa sensação de angústia, tensão, a incerteza do que pode acontecer.

A Secretaria Nacional de Segurança afirmou publicamente: “Estamos reforçando todos os pontos prováveis de acesso de terroristas, principalmente aeroportos”? Mais? Um chanceler brasileiro foi obrigado a tirar os sapatos. Agora com a segurança reforçada, terão que tirar a roupa?

A Secretaria duvida do presidente, ou pensa (?) diferente? Obama pediu “cautela” a americanos no exterior, a trabalho ou passeio. Com isso aumentou o risco, e quase acertou, pois provavelmente, pelo menos inicialmente, a retaliação não precisa ser feita dentro dos EUA. É o que deve acontecer.

Assim que “determinou” onde Bin Laden estava com a “complacência” do Paquistão, Obama deu a ordem: “Tem que ser morto, não pode ser preso, isso seria um desastre para os EUA”. Aí teve, digamos, a intuição certa. Preso vivo, teria que ser levado a julgamento lá mesmo no país.

Sem dúvida, esse seria o JULGAMENTO DO SÉCULO, tudo o que al-Qaeda precisava, pretendia e esperava. Dentro do quadro da ilegalidade, a determinação, “Bin Laden não ser preso vivo”, perfeitamente coincidente e compreensível. Surgiriam dezenas ou centenas de advogados de todas as partes do mundo, sem esquecer dos que vivem e advogam nos EUA.

Obama está sofrendo pressão para mostrar as fotos e imagens dos fatos, que aconteceram ou “aconteceram”? Resiste de todas as maneiras, foi categórico: “Nada será mostrado”. Falou então que as fotos são “horrorosas, ninguém resistirá à exibição?

Afinal, o que fizeram com o corpo do terrorista? Amigos dos EUA me contam o que se especula: Bin Laden estaria sem cabeça, o corpo tão desfigurado, que justificaria a palavra usada, “horrorosa”. (Tudo é parte da especulação, o que não é proibido. Obama foi um dos primeiros a ver as fotos, garantem que nesse momento decidiu manter tudo longe do alcance do público).

Apesar de todas as ilegalidades, Obama não pode praticar mais essa de se recusar a liberar fotos e imagens do episódio que terminou com a morte do terrorista procurado há 10 anos. É a própria Constituição que não dá esse direito a Obama, mesmo que se considere distorção usar a palavra “direito”.

A Suprema Corte, em 1974, no caso Watergate, decidiu: “As fotos e as imagens não pertencem ao presidente e sim à coletividade”. A situação de agora tem toda a semelhança (e ainda maior repercussão) com o fato que levou à renúncia de Nixon. Estabelecendo pela primeira vez nos Estados Unidos um governo com presidente indireto (Gerald Ford, presidente da Câmara) e o vice Nelson Rockefeller, escolhido por ele (também, indireto).

Aliás, a Tribuna da Imprensa, há 37 anos, foi o primeiro jornal do mundo a prever que “Nixon não resistiria e renunciaria”. Matéria do correspondente Paulo Francis, o primeiro jornalistas a fazer coluna diária, de um país para outro, sem a fantástica tecnologia de agora.

O procurador-geral acusou o presidente Nixon de “obstrução à Justiça”. A arguição chegou à Suprema Corte no dia 8 de julho, a decisão (em 25 laudas) foi publicada no dia 24 do mesmo julho, 16 dias, comparem com a Justiça brasileira.

Não acreditem na afirmação do diretor-geral da CIA; “O endereço onde estava Bin Laden, foi obtido depois de prolongadas sessões de tortura, com os mais diversos prisioneiros. Tortura efetiva e tortura simulada, como confessou.

Pode ser verdade ou mentira, a CIA adora aparecer como corrupta e torturadora. Qual o órgão que confessa publicamente que TORTURA? A não ser que seja arrogante, prepotente e sem princípios como a CIA.

*** 

PS – O presidente Obama “homenageou” as vítimas do 11/9. Não foi bem homenagem aos 3 mil que morreram, mas quase um apelo aos 30 milhões que devem votar na tentativa de reeleição, no ano que vem.

PS2 – Tanto isso é verdade, que convidou, PESSOALMENTE, o ex-presidente Bush. Ele disse que gostaria de ir, “mas não estou saindo de casa, vou ver”.

PS3 – Só que como tudo se sabe, a direção do Partido Republicano logo se comunicou com ele, dizendo: “Você é Republicano, não pode estar aparecendo ao lado de um presidente Democrata, em plena campanha”.

PS4 – Bush não foi, Obama lamentou. O que eu chamei de REVERSÃO DA SUA POPULARIDADE, ele sentiu que está acontecendo. A CIA pode adorar TORTURA, mas o cidadão tem horror a isso.

Os chamados “casais gays” tiveram sorte. O relator da oficialização dos seus direitos foi o ministro Ayres Brito. Que voto, maravilhoso no texto e no conteúdo, aprovado por UNANIMIDADE.

Helio Fernandes

A questão poderia ter sido decidida anteontem, quarta-feira, na sessão plenária habitual, resolveram adiar o julgamento para ontem, quinta-feira. Justificativa: “Um dos ministros não estava presente”. Inacreditável.

A sessão de ontem começou muito tarde. Os senhores ministros entraram no plenário precisamente às 14,34. Como depois do relator, votam os ministros de nomeação mais recente, passou a votar o ministro Luiz Fux.

Começou meio reticente, mas quando terminou, 38 minutos depois, havia dado um voto de alta qualidade. Chamou os que pleiteavam um direito legítimo, de homoafetivos, forma delicadíssima de identificá-los. E ao encerrar, falou: “Voto INTEGRALMENTE acompanhando o voto belíssimo do ministro Ayres Brito, exemplo de magistrado e de homem”.

Se pudessem, aplaudiriam de pé, no exato momento em que votava a ministra Carmem Lucia. Seu voto foi magistral, só que num trajeto totalmente diferente de Fux, sem qualquer discordância. É que ela acentuou a violência que é cometida contra os que pretendem viver da maneira que consideram que lhes dará felicidade.

Quando Carmem Lucia estava votando, foi interrompida pelo ministro Gilmar Mendes, que usou 9 minutos que não eram dele. Sua vez de votar seria bem depois, mas não aguentava ficar em silêncio.

A ministra continuou seu voto, depois da extravagante obstrução da egolatria evidente. Votou elogiando Ayres Brito, e garantindo que os chamados de “gays têm o direito de viverem sexual, sentimental, e como quiserem procurar a felicidade”. 18 minutos magníficos e positivos.

Às 15,47 começava a votar o ministro Lewandowski, que disse logo: “Votarei de acordo com o relator, Ayres Brito, com algumas considerações”. Só que levou 12 minutos para concordar inteiramente com o relator. As “considerações” que fez, não alteraram o voto, e se manifestou a favor dos homoafetivos.

Às 16,10 passava a votar o ministro Joaquim Barbosa, citando um jurista de Israel, inteiramente desconhecido. Mas no encaminhamento, deixou bem claro como votaria, ao definir: “O direito dos homoafetivos é rigorosamente igual ao direito dos heteroafetivos”. Magnífico, seu voto poderia ter a duração que tivesse, mas não seria contrário ao que relatou magistralmente, o ministro Ayres Brito.

Elogiou “o brilhante voto de Ayres Brito”, e citou duas vezes (muito justamente), o professor-advogado Luiz Roberto Barroso. Levou apenas 8 minutos para respeitar o direito, que o preconceito e a intolerância tanto perseguem.

Às 16,25 a sessão foi suspensa. Faltavam votar 5 ministros, e é preciso registrar, com antecedência, o ministro Dias Toffoli comunicou que estava impedido de votar. Como não é necessária explicação para o alegado impedimento, ficaram 10 ministros.

A sessão foi reaberta às 17,15 já com Gilmar Mendes votando. É num momento desses que lamento ter que acompanhar o ministro, um cansaço. Em determinado momento, me dá razão, ao dizer: “Abrindo o texto constitucional” e mostra a Constituição. Aí todos entendem o que o ministro pretendia falar: “Abrindo a Constituição”. Bem diferente.

Na verdade, Gilmar Mendes jamais vota, “dá aula”. Foi o que aconteceu. Lembrou ERRADAMENTE o divórcio, “que por ironia foi aprovado por causa do pacote de abril”.

Quanta besteira, Manuel Bandeira, não houve ironia ou coincidência. O senador Nelson Carneiro já havia ganho a votação três vezes, por maioria simples. Só que a Constituição exigia dois terços. Como Geisel era pragmático, não tinha fé, esperança, convicção, era duramente criticado pela Igreja e a CNBB, resolveu se vingar.

Deixou a reforma constitucional com o quorum apenas de maioria, Nelson Carneiro aproveitou e imediatamente apresentou o projeto que foi logo aprovado. Todos sabiam que foi uma jogada do “presidente Geisel”, só Gilmar Mendes não percebeu.

E sem que represente elogio, foi enorme avanço, o Brasil se equiparava ao que já existia no mundo todo. O DIVÓRCIO, muito diferente e POSITIVO, longe do DESQUITE, aberração NEGATIVA.

Às 18 horas, cravadas, Gilmar afirmava: “Estou de acordo com o voto do relator”. Mas não acabou e usou mais 17 minutos para falar das “surpresas e preocupações” como esse “matrimônio”. Com isso completou 1 hora e 20 minutos, o que chamou de “breves considerações”. Como alguns riram, reconheceu, “não tão breves assim”.

Às 18,20 começou a falar a presidente Ellen Gracie, usou apenas 2 minutos, “pedindo para que seu voto escrito fosse publicado”.

Marco Aurélio Mello também levou voto escrito, ele mesmo ressaltando que “isso, nele, é quase inédito”. Fez considerações verbas, dessas não conseguia escapar e não queria mesmo. Assim mesmo, Marco Aurélio falou 43 minutos, diretos, não parou nem para beber um pouco dágua.  

Às 19,17 começou a votar o decano, Celso de Mello. Seu voto, como de todos, longo, tem uma definição majestosa: “São irrelevantes as opiniões da Igreja, condenando essa ligação homoafetiva”.

E dando ainda mais ênfase à definição, amplia: “Mesmo se a opinião da Igreja fosse unânime, ainda aí, seria irrelevante”. Insistiu acima de tudo “no DIREITO das MINORIAS, que não podem ficar restritas à vontade das maiorias”.

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PS – Finalmente votou o presidente, com duas observações excelentes. 1) Chamou de ILUMINADO o voto do relator Ayres Brito. 2) Elogiou “a vontade e a decisão consensual do Supremo”.

PS2 – O Supremo apagou possíveis erros ou equívocos. Amanhã ou domingo, analiso essa decisão histórica, que vem restabelecer o direito à vida e à felicidade, como quase todos os ministros ressaltaram.

Não dá para julgar os outros

Carlos Chagas 

Aparício Torelli, gaúcho, estudante de Medicina em Porto Alegre, logo ganhou  horror à profissão que escolhera. Preferia muito mais  a boemia e  o jornalismo. Mesmo assim, compareceu às provas iniciais, inclusive aquela vetusta e medieval prova oral,  quando o aluno se apresentava  perante a banca de três engalanados professores, instalados num tablado que os deixava em nível bastante superior, olhando de cima o infeliz que iriam sabatinar.

Os demais colegas tinham que assistir em silêncio o sacrifício, apavorados porque a vez deles  ia chegar. Aporelli, como ele  já se assinava em artigos humorísticos, recebeu uma saraivada de indagações feitas pelo presidente da banca, de colarinho duro e sobrecasaca, pois o ano era de 1928.

Não respondeu nenhuma, incompatibilizado que estava  com os livros. Humilhado,  ouviu o mestre  catedrático    dirigir-se a um contínuo  postado às suas costas, ordenando: “Seu José, traga um monte de capim!”

A ofensa não poderia ser pior, diante da classe inteira. Foi quando a verve  livrou Aporelli  do rótulo de “burro”,  ao atalhar: “E para mim um cafezinho…”

Essa historinha tão galhofeira quanto verídica se conta a propósito da empáfia com que certos caciques do  PSDB vêm tratando os raros companheiros ainda empenhados em conduzir o partido ao  leito inaugural da opção socialista de  antes.  Dirigem-se a eles, os doutos do Alto Tunanato, reprovando-os e chamando-os de anacrônicos trogloditas.  Exortam  os bedéis a buscar feixes de capim na forma de textos e  livros sobre a nova economia globalizante e neoliberal.  Chegam a sustentar  o fim da História e a submissão de todos à prevalência do mais forte sobre o  mais fraco, ou  à livre competição entre quantidades e valores  desiguais.

Está faltando um  Aporelli para, nesse instante, pedir também, à maneira do cafezinho,  um exemplar de “O Capital”, da Karl Marx…
 
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ENTRE SEM BATER
 
Para continuar no universo de um dos mais completos jornalistas registrados em nossa crônica, vai outro episódio singular. Integrando as tropas gaúchas que tomaram de assalto o Rio e o país, com a Revolução de 30, Aparício Torelli logo desligou-se da horda de centauros instalada no governo e passou a praticar a mais contundente forma de jornalismo jamais  registrada no planeta: o humorismo.

Lutava com dificuldade para manter suas publicações, uma delas “A Manha”, que se contrapunha ao “Correio da Manhã” e botou a imaginação para funcionar.
Naqueles tempos bicudos em que o poder militar mesclava-se ao pretenso poder civil de Getúlio Vargas, ficou sabendo da existência, numa das favelas do Rio, do célebre Almirante Negro, que no começo do século liderara a revolta da Armada e humilhara os poderes constituídos, até ser miseravelmente traído pelos próprios. Depois de sofrer horrores e de ficar perturbado da cabeça, o ex-cabo João Cândido morava de favor no alto de um morro, esquecido e abandonado.

Já então se intitulando  o “Barão de Itararé”, em homenagem à batalha que não houve, na divisa do Paraná com São Paulo, Aporelli aproximou-se do ex-herói e, em seus momentos de lucidez, foi recolhendo espetacular e verdadeiro depoimento sobre a revolta dos marinheiros, que puseram de cócoras  o Rio de Janeiro  e o governo Hermes da Fonseca.

A antiga  capital federal entrou em convulsão quando apareceu publicado  o primeiro capitulo do que seria uma longa série de reconstituições de nossa História. Não mais os vencedores a estavam escrevendo, deturpada e mentirosa. Era a versão dos vencidos.
Não se passaram 24 horas quando a pequena sala onde Aporelli trabalhava, na Avenida Rio Branco, viu-se invadida por um grupo de  oficiais de Marinha. Ele foi agredido, seqüestrado e levado para um ermo do antigo Distrito Federal, que nem se chamava Barra da Tijuca, naqueles idos.

Quase nu, amarrado a um poste, viu-se obrigado a engolir as páginas de sua reportagem inicial. Libertado pela benesse de alguns pescadores, logo retornou às atividades jornalísticas, mas,  por cautela, suspendeu a série de reportagens mal iniciada,  que décadas depois levou para o túmulo sem revelar o conteúdo.

Mas vingou-se. Na porta de seu modesto gabinete, mandou afixar uma placa: “Entre, sem bater”…

Registra-se também um paralelo entre a lição do passado e o tempo presente.  Será por conta da infausta experiência do Barão que o PT   desistiu de compilar em livro o sacrifício  dos companheiros que nos tempos bicudos da ditadura tiveram de engolir, e muito mais, sofrer por conta de sua resistência? Ficando em silêncio  até hoje?

*** 
 
AQUELE MALDITO CAFEZINHO
 
Melhor continuar como mesmo personagem. Deflagrada a ditadura do Estado Novo, em 1937, a aparência era de que Getúlio Vargas transformara-se no grande ditador, responsável por tudo o que de horror acontecia no país em matéria de tortura,  censura, lesão aos direitos humanos e sucedâneos. Claro que era, apesar dele  preocupar-se muito mais com a legislação trabalhista e a concessão de direitos sociais ao povão, das  férias remuneradas à estabilidade no emprego, da jornada de oito horas aos institutos de previdência social e à organização dos trabalhadores em sindicatos.

Aparício Torelli sobrevivia, mas depois do golpe passou a frequentador assíduo das delegacias de polícia e cárceres variados. Já pertencia ao Partido Comunista e continuava exercendo a única profissão a que se dedicou por toda sua longa vida, o jornalismo.
Certa feita encontrava-se redigindo-se um de seus artigos de crítica ao regime quando sentiu falta de um cafezinho.  Desceu até o botequim   mais  próximo e estava para sorver a xícara quando uma poderosa mão assenta-se sobre seu ombro e um investigador de polícia dá-lhe voz de prisão. Conduzido à Penitenciária da rua Frei Caneca, surpreende-se porque os dias se sucedem, na cela, sem que tenha sido interrogado, maltratado ou processado.

Passam-se as semanas, até os meses, e nada. Num daqueles surtos de falsa liberalidade que marcam todas as ditaduras, e diante  de denúncias que corriam de boca em boca, sem a participação da imprensa censurada,  o Supremo Tribunal Federal decide investigar lesões praticadas contra os direitos humanos pelos esbirros da ditadura.

Chega à cela do  Barão o ministro Castro Nunes, sequioso de perscrutar apenas uma parte da violência verificada contra cidadãos presos sem culpa  formada e indaga: “Sr. Aparício, pode me dizer por que está preso?”

A resposta foi  fulminante: “Pensei que o senhor é que me informaria da supressão de minha liberdade.”

Estabeleceu-se um daqueles momentos  surrealistas que depois de algum  silêncio foi cortado por Aparício  Torelli, para satisfação do ministro:  “Só posso  supor uma hipótese!”

A atenção foi total, uma  das páginas obscuras da ditadura poderia ser revelada, e o Barão completou: “Foi por causa daquele maldito cafezinho! Eu estava pronto  para tomá-o quando um  policial impediu-me, levando-me preso. Será o  cafezinho a mais evidente prova  da subversão no país?…”

Pois é. Assim se encontra o  PMDB, ávido de conquistar cada vez mais cargos e funções no segundo escalão do  governo,  mas colocado de quarentena sem saber o  porquê o gelo recebido do palácio do  Planalto.  Qualquer dia um peemedebista encontrará a explicação: “porque queremos colaborar com o governo…”

Faixa de miséria no país é muito maior que os 8,5% do IBGE

Pedro do Coutto

Com base em levantamento do IBGE, o governo Dilma Roussef vai elaborar, ou já está elaborando, de acordo com o que anuncia a ministra Tereza Campello, do Desenvolvimento Social, um plano para erradicar a miséria absoluta no país. Claro, a tarefa é dificílima e demanda, segundo a vontade da presidente da República, pelo menos um período de quatro anos.

Entretanto, o diretor do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, Eduardo Nunes, como base para a jornada, informa a existência de 16 milhões e 300 mil pessoas, ou 8,5% da população brasileira, abaixo da linha de pobreza. Qual o critério para tal classificação?
A renda per capita de 70 reais por mês. Absolutamente incrível. Mesmo levando-se em conta que tal valor decorre da divisão da renda familiar pelo número de seus integrantes. Como a média é de 3,3 pessoas por unidade, como o próprio IBGE divulgou nacionalmente há poucos dias, verifica-se que são miseráveis os que conseguem perceber por mês cerca de 240 reais. Basta multiplicar 70 por 3,3 para, segundo as lentes do IBGE, fotografar-se a miséria. Esta parcela não chega a obter meio salário mínimo, 545 reais em vigor no país. O que se conclui? Que o nível de miséria, o nível real, é muito maior que a percentagem de 8,5% do total de habitantes.

Pois como é possível alguém viver com 70 reais? O salário mínimo é de 545. E abrange, de acordo com o próprio IBGE, 27% da mão de obra ativa nacional. Não tem cabimento considerar-se que o Brasil reúna apenas 16,3 milhões de miseráveis, se 52% dos que trabalham ganham mensalmente até 2 salários mínimos. E a parcela amplamente majoritária daqueles cujos salários alcançam até 3 pisos é de 61%. O contingente de miséria só pode ser, pelo menos, o dobro da escala de 16,3 milhões de pessoas. Ou seja: 17% do total de habitantes.
Todos devem ler a reportagem de Marta Salomon, O Estado de São Paulo de quarta-feira 4, sustentada por ótima edição gráfica, para fixar uma noção clara e ampla do quadro social brasileiro. Não se pode brigar com os fatos e contestar uma realidade que se afirma sensível e perceptível aos olhos da maioria pensante. Pois se no país 45% dos domicílios não possuem rede de esgoto nem sistema de fossas sépticas, a miséria não pode englobar apenas 8,5%. Se assim fosse, o índice percentual das moradias com sistema sanitário seria muito maior do que é.

O esforço a que se propõe a presidente Dilma Rousseff é louvável e positivo. Uma questão inclusive de consciência e de responsabilidade humana. Mas tem que se voltar para um número muito maior de pessoas do que o estimado pelo IBGE. Caso contrário, não estará operando um universo real. E sim virtual, para se usar a linguagem moderna, a do universo da informatização.

O déficit de esgotos é enorme. O de água tratada também. Quatorze por cento dos brasileiros não contam com ela. Surge uma fonte de doenças, inclusive contagiosas, em consequência. E o déficit de residências? Muito grande, inclusive no Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília. São doze milhões de unidades no país, pelo menos, envolvendo em torno de 40 milhões de habitantes.

O quadro real da miséria, da pobreza, da carência intensa, é muito mais amplo do que parece e se anuncia. Muito profundo. A miséria, na qual percentagem acentuada da população está submersa, tem implicações negativas muito profundas. Em suas raízes, evidentemente, está a fome, gerando desespero e desesperança. Qual o peso destes fatores?

A maior vitória da carreira do brasileiro Thomaz Bellucci

Helio Fernandes

Número 36 do ranking, venceu Murray, o número 4, um dos mais conceituados do circuito. Sempre disse aqui, que não sabia por que Bellucci não “explodia”. Alto, forte, sacando bem e devolvendo melhor, perdia sempre na última hora.

Hoje isso não aconteceu. Em 1 hora e 31 minutos, e apenas em 2 sets, liquidou a partida, sem qualquer falha. É bem possível, mesmo que não passe daí, que apareça como número 25, Larry Passos, técnico do Guga e dele, viu o jogo de pé.

É tão fantasiosa a versão da Casa Branca sobre a execução de Bin Laden, que fica difícil aceitá-la. É a história mais mal-contada dos últimos tempos.

Carlos Newton

Essa morte do Bin Laden se transformou numa novela tipo “O Quarteto de Alexandria”, do indiano Lawrence Durrell, que tem quatro narradores e quatro “verdades”, digamos assim. Em Washington, a Casa Branca e a CIA se comportam em tempo de ficção, até agora sem passar à opinião pública uma versão que tenha, ao menos, um pouco mais consistência.

Desde o primeiro dia temos cobrado aqui no blog respostas precisas a determinadas questões. Então, vamos voltar, mais uma vez, às mesmas indagações feitas aqui, às 8h45m da manhã de segunda-feira: “Mas por que não foram exibidas imagens do corpo do terrorista? Em que circunstâncias foi morto? Resistiu ou foi executado?” Até agora, ninguém sabe. “Por que esse sepultamento marítimo, tão rapidamente?

Já se passaram quatro dias, e nada. Não responderam às indagações mais básicas, nem às outras dúvidas que foram se acumulando e amontoando. Quantos helicópteros eram? Um deles teve pane? Mesmo assim conseguiu voar?

Pelas imagens exibidas, o que ficou na fortaleza foram apenas alguns pedaços de fuselagem (ou carenagem, como se diz também). O helicóptero não ficou lá. Aí surge outra dúvida. O aparelho precisaria ter pousado, para que fossem retiradas as partes da carenagem que lá ficaram. Mas disseram que nenhum helicóptero pousou…

A história está tão mal-contada que agora são os próprios norte-americanos que exigem explicações da Casa Branca e da Agência Central de Inteligência, a CIA. Na verdade as autoridades não esclarecem nada, nem mesmo as condições em que teriam sido feitas as filmagens. Quantos cinegrafistas estavam lá? Como enviavam as imagens? Se eram cinegrafistas, seria necessário instalar uma unidade portátil, porque câmaras de TV não enviam imagens sozinhas . Ou as imagens foram enviadas por celulares especiais? E por acaso havia iluminação para as filmagens?

Essas indagações são pertinentes, porque a Casa Branca e a CIA se comportam como se no domingo as autoridades dos EUA estivessem assistindo a uma programação de imagens perfeitas, em alta definição. Será mesmo?

As dúvidas se multiplicam cada vez mais. Pelo que foi dito até agora, não houve reação. Mas como acreditar nisso. O barulho desses helicópteros é insuportável, verdadeiramente ensurdecedor. Por isso, são ouvidos a quilômetros de distância. Helio Fernandes já chamou atenção para isso, é preciso insistir: Como acreditar que os helicópteros tenham se aproximado da fortaleza, sem que nenhum segurança ouvisse o barulho dos reatores e disparasse contra os aparelhos?

E como acreditar que o homem mais perseguido do mundo, que sempre posou para fotos portando um moderno fuzil ou uma metralhadora portátil, estivesse sem armas em casa? Caramba, não havia uma bazuca, um lança-mísseis portátil, nada?

É como se Bin Laden fosse um amador, um alienado, que não tinha armas nem seguranças em que pudesse confiar. E que submetia membros da própria família a esses riscos. É difícil acreditar nisso. Seria Bin Laden tão despreparado assim?

Os dias passam, as dúvidas se avolumam. Surgem na internet versões de que Bin Laden era um homem muito doente e que inclusive já teria morrido há vários anos.  Um capitão médico da Marinha dos EUA, Steve R. Pieczenik, deu entrevista ao programa radiofônico The Alex Jones Show, esta terça-feira, afirmando que Bin Laden sofria de grave doença renal e teria morrido no Afeganistão. Segundo ele, constava das informações oficiais da CIA que Bin Laden tinha também Síndrome de Marfan, que afeta vários órgãos e debilita o paciente.

Pieczenik é ex-assistente do Secretário Adjunto de Estado de três administrações diferentes, Nixon, Ford e Carter, além de ter trabalhado como consultor nas gestões dos presidentes Reagan e Bush pai. Conheceu Bin Laden e atuou com ele na década de 80 no Afeganistão, contra os soviéticos. Piecznik dá declarações peremptórias sobre isso e desafia as autoridades para que o convoquem a prestar depoimento oficialmente.

E agora, em quem acreditar? Só recorrendo ao “Quarteto de Alexandria”, para escolher qual a versão que se encaixa melhor para a Casa Branca. Uma das afirmações do governo americano que decididamente não se sustenta, por exemplo, é a de que o corpo de Bin Laden teria sido “sepultado” no mar poucas horas de ter sido executado. Ora, para que tanta pressa?

Esse tese é inverossímil, não ter a menor sustentação. Basta lembrar que, como a notícia do “sepultamento’ em alto mar foi dada pelo The New York Times no início da madrugada, isso significa que Bin Laden teria sido “sepultado” pouco depois de morrer. Para que essa pressa, repita-se?

É como se o presidente Barack Obama tivesse dado declarações julgando que a plateia inteira fosse subordinada a ele e nenhuma afirmativa  jamais pudesse ser contestada. Está na hora de Obama começar a dizer a verdade.

  

Na Libertadores, o poderoso futebol brasileiro, desarmado, foi assassinado por terroristas-otimistas, precavidos.

Helio Fernandes

O ambiente e o “clima” de quarta-feira eram o mais animador possível. Quatro clubes que já se consideravam vitoriosos. Falavam de um Grenal obrigatório. O Grêmio perdeu em casa e no Chile. O Internacional, considerado em “excelente” situação, fez 1 gol aos 2 minutos, entregou tudo ao adversário, nem ligavam para ele.

O Fluminense de “guerreiros”, mas sem técnica, tática ou treinador, ganhou em casa, foi passear no exterior. Num jogo violentíssimo, podia perder de 1 a 0, na verdade sofreu três. Dois deles devem ser colocados na conta do goleiro Berna, os chutes vieram de longe, de fora da área,

Tinham como certa, uma disputa nas “quartas”, Santos-Cruzeiro. O Santos ganhou de “magro” 1 a 0 em casa, lá fora garantiu 0 a 0. Cruzeiro, que goleou todos os adversários, jogou aqui mesmo no Brasil, com o último colocado, desclassificado.

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PS – Sobrou o Santos. Será aplaudido, ou não poderão mostrar o que restar dele, “horroroso”?

Ontem falei na farsa da Casa Branca e de Obama. Hoje, a farsa do Paquistão (jogando dos dois lados), a reversão da “popularidade” do presidente.

Helio Fernandes

É muito difícil, quase impossível desvendar, analisar e desmistificar fatos importantes, no momento em que está acontecendo. Ou até mesmo saber e revelar a verdadeira exatidão de tudo, ou se não passa de farsa e mistificação. Principalmente quando esses fatos (?) envolvem o domínio do mundo, uma eleição presidencial nos EUA, a luta a respeito de um TERRORISMO que completou 10 anos. Terrorismo que não se sabe bem onde começa e onde acaba, se é que acaba ou acabará algum dia.

E tem tudo para definir a existência, o futuro e a consolidação de países, personalidades, e os mais formidáveis interesses financeiros. Impossíveis de calcular, dimensionar ou colocar nos números verdadeiros.

E isso ganha dimensão extraordinária, quando no centro de tudo está colocada a CIA, o órgão mais poderoso, mais corrupto e mais independente dos EUA e do mundo. A atuação dessa CIA (que é proibida de atuar internamente nos EUA) é espantosa.

E quando surgem números assombrosos que foram pagos, estão sendo mobilizados e ficarão à disposição para comprar quem for necessário comprar.

Não se pode deixar de citar a CIA. E nada a ver com a importância de 1 BILHÃO E 300 MILHÕES, que os EUA destinam anualmente ao Paquistão, como a outros países.

Essa soma, nada a ver com números manuseados agora, já de algum tempo. Pois essa operação não começou no domingo ou na segunda-feira, deve ter sido iniciada no próprio 11/9 ou até antes. Daí o aparecimento, em cima do fato, do incompetente do Bush.

Ainda no jornal impresso, escrevi sobre um livro maravilhoso, escrito pelo jornalista e escritor Tim Weiner. Ele mesmo confessa que levou 22 anos para investigar e escrever “Uma História da CIA”.

Ganhou o Premio Pulitzer, mas colocou a  CIA no centro dos mais corruptos acontecimentos. Levantou tudo sobre a Guerra Fria, e os pagamentos feitos pelo órgão, com total liberdade, “comprando duas ou três vezes o mesmo espião, dos EUA e da União Soviética”.

Com a entrada em cena da CIA, nada é surpreendente, examinemos o que coloquei no título destas notas. A farsa de Obama, confessando publicamente, que estava ao mesmo tempo em dois lugares, é fato consumado. E que não será desmontado, não há o menor interesse.

O Paquistão “enroladíssimo” com os EUA e com Bin Laden. Não tem como se defender ou explicar o que aconteceu. Bin Laden morava há 5 anos (ou fosse um tempo maior ou menor), no centro urbano da capital do Paquistão, num local onde existem várias unidades militares.

IMPOSSIVEL não saberem. A mansão, enorme, onde moravam mais de 30 pessoas (sem contar os seguranças do próprio Bin Laden). Esses seguranças eram indispensáveis, havia, não de agora, dissidência na al-Qaeda. Isso foi mais do que comprovado e até compreensível. Bin Laden era e continua sendo o homem mais importante do mundo (vivo ou morto), o que provoca divergências, ódios e natural dissidência.

Querem culpar o Serviço Secreto do Paquistão, absurdo completo. Nenhum órgão dito de “inteligência” (nem o SNI dos arapongas) deixaria de ver o que estava acontecendo. Recebiam ordem das mais altas personalidade do governo. O “acordo” de pouco mais de 1 BILHÂO vem de muito longe, agora na Era do TRILHÃO, pretendiam e pretendem uma renegociação.

Ninguém viu a “descida” dos helicópteros (um ou dois, sem confirmação), não se sabe onde foram parar, depois de incendiado. Barulhentos, pousaram ou ficaram “rondando”, enquanto o homem mais procurado do mundo não sabia de nada? Dormia, descuidado?

Bin Laden, certíssimo, foi traído pelo governo do Paquistão. Sem muita certeza, mas hipótese bastante razoável, foi traído pelos seguranças, talvez, “cooptados” pela dissidência dentro da al-Qaeda.

Não teve cuidado ao contratá-los? Alguns trabalhavam há 10 anos com ele, por que traí-lo agora. As propostas foram “irrecusáveis”? Feitas por quem e de que forma?

Nenhuma reação de dentro da mansão? Os que estavam com Bin Laden, praticaram o assassinato? Sem reação, nem mesmo a CIA poderia acreditar. O homem que durante 10 anos não foi encontrado pelas maiores forças civis e militares do mundo, se deixou “apanhar” dessa maneira “estranha e inocente”?

Se Bin Laden não foi morto pelos que estavam ao seu lado, na mansão, os que assaltavam com os helicópteros, seriam destruídos em pleo vôo. A mansão tinha espaços enormes e até campo de pouso, mas os helicópteros não desceram, isso está provado.

E anunciaram fartamente (a CIA e a Casa Branca): “Bin Laden estava desarmado, não foi encontrada nenhuma arma”. Essa afirmação não foge de duas conclusões. 1 – Assassinaram um homem desarmado, o que é execrável até para a CIA. 2 – Por que os helicópteros não foram metralhados. Estavam em posição altamente desfavorável, seriam destruídos em cinco minutos.

Admitamos que Bin Laden estava descuidado e desarmado. Mas os que moravam na mansão, civis e parentes de Bin Laden, se dispuseram a serem assassinatos, como aconteceu com alguns deles?

E os seguranças, aceitemos que faziam parte da dissidência contra Bin Laden, não reagiram nem mesmo para salvar suas vidas? Ou também não tinham armas? Seguranças desarmados, é o último malabarismo da CIA.

Teria havido um “acordo” entre os seguranças de Bin Laden e o alto comando da CIA? Se tivesse havido, Bin Laden teria sabido, como soube de tudo nesses 10 anos em que viajou por vários países, com toda tranquilidade.

Duas hipóteses reiteradas, para melhor esclarecimento. 1 – Houve “acordo” entre a CIA e os seguranças? Como se entenderam? Conversando por celular, não rastreável, o que no Brasil se chama de “pré-pago”?  Esses seguranças, DESARMADOS, nenhuma suspeita do experimentadíssimo e precavido Bin Laden?

Nada é fácil nesse emaranhado de interesses colossais. Se e quando resolveram publicar (ou algum Assange descobrir) quanto custou a morte de Bin Laden, o mundo ficará estarrecido. Mas a CIA e a Casa Branca podem dizer: “Salvamos o mundo, o dinheiro nós fabricamos, qualquer que seja o total”.

Mais “invencionices” e “mistério” em relação ao corpo. Onde está? Em que mar foi jogado? Por ordem de quem? Obama é que deu essa ordem para jogar o corpo no mar, mesmo correndo o risco de obrigar os jornalões do mundo todo a falar em SEPULTAMENTO? Não está errado, mas é outro fato estranho, dizer que Bin Laden foi SEPULTADO no mar.

Nas ultimas 24 horas, a Casa Branca e o próprio Obama, preocupadíssimos. Logo que se soube do assassinato, imediatamente ELEVARAM a cotação da reeleição do presidente. Ora, ele ia ganhar mesmo. Agora que todos esses fatos vão sendo contestados e esclarecidos, fica visível a REVERSÃO da popularidade de Obama.

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PS – Para que fique bem claro: nenhuma opinião do repórter, apenas análise descompromissada com qualquer lado.

PS2 – Prefiro ficar com o filósofo inglês que escreveu em 1669: “NÃO HÁ SEGREDO QUE O TEMPO NÃO REVELE”.

Caso Bin Laden: responsabilidade inútil

Helio Fernandes

A ONU quer saber da Casa Branca, o seguinte: “No assassinato (ela não usa a palavra) de Bin laden, foram respeitados os direitos do cidadão?” O órgão não está interessado no Paquistão, embora tenha mais do que certeza de que houve “colaboração”.

Praticamente com unanimidade, a UE (União Europeia) pretende EXIGIR (a palavra que manejam) do Paquistão: o que realmente aconteceu. Esse país pode até sair com “mesada” maior, mas sem o menor respeito ou credibilidade.

Diminuíram a miséria, para depois exaltar Dona Dilma

Helio Fernandes

Ela insiste que “são 16 milhões que ganham 70 reais, mensalmente”. E que vai levá-los e elevá-los para a classe média. Quanta besteira, Manuel Bandeira. 70 reais, significam 2 reais e 30 centavos diariamente, exatamente o que criticavam na Cuba de Fidel.

Antes de mais nada é preciso definir o que a presidente considera classe média. Diz que um mil, 368 reais já dá para incluir. Tolice. Enquanto não desmentirem a definição e a identificação, nada passará de mistificação. É o que Dona Dilma vem fazendo, no mais perfeito lulismo.

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MINHA CASA, MINHA VIDA

Dona Dilma mandou ontem para o Senado, medida provisória sobre o assunto. É um dos maiores fracassos de todos os governos, principalmente o de Lula, que prometeu tanto. Agora, essa medida provisória “tranca” a pauta do Senado.

Residências: o IBGE mostrou que a maioria das famílias mora sem nenhuma condição. E nem quero falar de SANEAMENTO. O IBGE desmente tudo que Dona Dilma garantiu que havia feito.