Consultoria para intermediar empréstimos? Essa não

Pedro do Coutto

Dificilmente alguém na esfera econômica vai se deparar com uma situação mais absurda da que existir uma empresa –Sacris Consultoria- cuja atividade volta-se para intermediar empréstimos consignados em folha entre servidores do Senado e diversas bancos, entre eles a Caixa Econômica Federal, segunda agência financeira do país, e o HSBC, estabelecimento de primeira linha, inclusive patrocinador do Jornal Nacional da Rede Globo. Quase impossível acreditar, mas é verdade.

Agravando o panorama, já envolto por uma sequência de escândalos, a Sacris Consultoria tem como um dos sócios José Adriano Cordeiro Sarney, neto do presidente do Senado, e ex presidente da República José Sarney. Ele mesmo. A matéria, objeto de excelente reportagem de Rodrigo Rangel e Rosa Costa. O Estado de São Paulo de ontem, 25/06, focaliza os porões de crédito consignado, cujas articulações eram feitas diretamente pelo ex diretor adjunto da Câmara Alta, João Carlos Zeghbi, evidentemente em sintonia com o ex diretor geral, Agaciel Maia. Incrível, absolutamente incrível.

Espanta, sobretudo, a presença do HSBC e da CEF na engrenagem, ao lado de bancos menores como o Fibra, Daycoval, Finasa e Paraná Banco. A que ponto chegam as coisas. A que ponto chega a volúpia do lucro fácil e escancarado. Desde quando, estabelecimentos de crédito necessitam de intermediação para liberar créditos pessoais? Desde nunca. Basta ver que o volume de empréstimos circulando no país atinge 1 trilhão e 100 bilhões de reais. Cifra inclusive acima da massa salarial paga por ano, que é de 800 bilhões. Então, qual a explicação para o fenômeno? Não existe. Significa um claro atentado à lógica. Os próprios bancos abrem linhas de crédito a torto e a direito.

Recorrem a intermediários? Só os que aceitaram negociar com o Senado Federal e sua administração, agora substituída, tantos e tão graves acusações pesam contra ela.

Mas Agaciel e Zoghbi são funcionários. Como os senadores podiam desconhecer os passos que moviam, nas sombras, à margem da Mesa Diretora do túnel do tempo que divide as Casas do Congresso? Ninguém poderá acusar o senador José Sarney de conivência, claro. Mas sim de omissão. Será que pessoa alguma entre as tantas de sua amizade pessoal não levou a ele os fatos que estavam se passando? A pergunta fica no ar.

Mas ela independentemente da resposta, acentua a falta de nitidez que, em Brasília, no Parlamento, divide a linha do público e do particular. Para muitos, essa linha não existe. Passa-se de um lado para outro, sempre com prejuízo do interesse coletivo, com a maior facilidade e rapidez. O déficite, tão moral quanto financeiro, sobretudo ético, vai se acumulando ao longo do tempo. Os casos são infindáveis. A cada dia que passa aparece um novo episódio a emergir das águas do lago que embeleza a Praça dos Três Poderes. Os desonestos moviam-se com a leveza  dos cisnes que lá estão.

Na véspera do escândalo da presença do José Adriano Cordeiro Sarney entre os sócios da Sacris Consultoria, desvendou-se a existência de contas secretas operadas pela administração do Senado junto à Caixa Econômica Federal. Os objetivos de tais contas, suas movimentações e destinos, ainda estão por ser reveladas. Dificilmente poderá ser. Caso contrário, não haveria a necessidade de tais contas serem ocultas. No meio de tal vendaval, torna-se precária a posição do senador José Sarney na presidência do Poder Legislativo. Ele  próprio haverá de reconhecer que, pelo menos, chegou a hora de se afastar e sair do palco central da crise. Caso contrário, sua biografia, pela qual tanto se empenha, será tisnada por ele próprio. Intermediação para conceder empréstimos pessoais? Essa não.

A montanha gerou um rato

Carlos Chagas

Marcada para a próxima terça-feira, não há certeza de que venha a ser instalada a CPI da Petrobrás. Falta acordo, por enquanto, a respeito de quem será ao presidente e quem será o relator, ainda que ambos devam provir das bancadas governistas. Como a 15 de julho interrompem-se os trabalhos parlamentares, e aquele dia é uma quarta-feira, o mais provável é que os senadores enforquem a segunda e a terça, 13 e 14. Resultado: a CPI, se vier a ser instalada na próxima semana, terá apenas a seguinte para trabalhar, se puder trabalhar.

A conclusão surge clara: só no segundo semestre, a partir de agosto, terão início as investigações sobre a Petrobrás. Com a oposição reduzida a ínfima participação na CPI, só serão convocados depoentes que o palácio do Planalto aceitar. Bem como apenas serão examinadas denúncias aprovadas pelo governo.

Numa palavra, e fora surpresas, a montanha gerou um rato. A maior empresa nacional passará incólume pelo que se supunha ser uma tempestade e nem chegará a simples ventania.

Melhor para a imagem externa da Petrobrás, é claro, à qual o Brasil deve pelo menos a metade de sua nova imagem no planeta. Mas pior para o que se vai tornando uma constante entre nós, ironicamente dando razão ao próprio presidente Lula, para quem as denúncias sempre dão em nada.

O número de altos diretores da Petrobrás indicados pelo PT não deixa ninguém mentir: todos, menos um que o PMDB apadrinhou. Já se encontram previamente blindados. A começar pelo seu presidente, só prestarão depoimento se o governo  permitir.

Para as oposições, restará apenas centrar pontaria nas empresas privadas que prestam serviços à Petrobrás. As terceirizações. Será esse o objetivo pretendido pelos tucanos e alguns dissidentes do PMDB? Como instrumento eleitoral, a CPI da Petrobrás dará em nada.

Uma polêmica intrincada

Declarou o presidente do Supremo Tribunal Federal,   Gilmar  Mendes, que o Congresso não pode reverter decisões da mais alta corte nacional de justiça. Há dúvidas transcendentais a respeito. Estaria a harmonia e independência entre os Poderes posta em frangalhos caso o Legislativo não pudesse, dentro de suas atribuições, votar leis acordes com as necessidades e as circunstâncias.

Em favor dessa evidência desembarca o  advogado mais competente em Direito da Comunicação, José Paulo Cavalcanti Filho. Em artigo publicado ontem na Folha de S. Paulo, ele acentua que apesar do  recente julgamento extinguindo a obrigatoriedade do diploma  para o exercício da profissão de jornalista,   o requisito poderá ser exigido numa outra lei.

Trata-se, por enquanto, de uma discussão  acadêmica, porque não se tem notícia de estar em elaboração, no Congresso, qualquer projeto nesse sentido. Nem mesmo a proposta colateral referente ao direito de resposta foi apresentada.

Desde a anterior revogação integral da Lei de Imprensa que deputados e senadores fingem-se de mortos.   Recusam-se a botar a mão no vespeiro capaz de cortar-lhes a carreira política, porque ninguém resistirá a um boicote determinado pelos barões da imprensa.

Com a palavra deveria estar o deputado Miro Teixeira, autor da consulta que redundou na ida da Lei de Imprensa para o ralo. Ele tem participado de seminários, conferências e entrevistas sobre a questão, mas produzir alternativas ao vazio jurídico, nem pensar. Ter ou não ter Lei de Imprensa depende da formação dos estados nacionais, lá no passado remoto, assim como das circunstâncias e  das necessidades atuais.  Mas urge  pelo menos uma atualização do Código Penal,  para capitular crimes e abusos cometidos através dos meios de comunicação.  Do jeito que está é que não pode ficar.

Morte cardíaca ou cerebral de Michael Jackson

Às 19:10 o site do “Los Angeles” anunciava que o famoso cantor poderia ter morrido. Mas surpreendentemente quem transmitiu a “noticia”, com as maiores ressalvas, foi a CNN. O jornal, importante, atendendo a centenas de perguntas pedindo a confirmação da morte, respondia invariavelmente: “Nosso site será atualizado”. Mas ninguém queria esperar, todos pretendiam chegar primeiro ao coração do cidadão.

Jackson foi um dos mais famosos, importantes e influentes cantores de sua epoca e geração. E sem qualquer duvida, foi o primeiro negro a ser admirado e adorado pelos brancos.  (Antes que a intervenção da Suprema Corte acabasse ou começasse a acabar com o odioso preconceito).

Até o final de hoje, quinta-feira, o “Los Angele Times” terá confirmado a morte do cantor, embora até a policia de Los Angeles já tivesse garantido a morte. Mas amanhã, sexta, Michael Jackson estará mais presente do que nunca, nos jornais impressos do mundo inteiro. Toda morte inesperada provoca e aumenta a comoção. Principalmente quando é a morte de um canto, de um idolo e de uma personalidade como ele.

Dunga engana Joel Santana, sofre mas ganha da vuvuzela e de Mandela

Essa Copa das Confederações foi de surpresas do principio ao fim. Começou com três potencias “escaladas” para a final, quem não sabia? Brasil, Espanha e Italia, com grande vantagem para Brasil-Espanha.

Os outros todos eram coadjuvantes, só lembrados porque sem eles os outros não concorreriam ao Oscar.

A Espanha confirmou desde a estreia, 5 a 0 na Nova Zelandia. O Brasil ganhou do Egito no ultimo minuto, a Italia mostrou sua face insegura, perdendo para os egipcios, que ficaram, por pouco tempo, favoritos para a segunda vaga. Não foram.

Hoje a segunda semi, Brasil-Africa do Sul. “Comentaristas especialistas” passaram o dia garantindo, entre aspas: “Já houve muita surpresa, mas a Africa do Sul aprontar parao Brasil, é demais, não dá”.

Acontece que DEU em 45 minutos do primeiro tempo e em 42 do segundo, ninguém fez gol. O Brasil que devia fazer, foi fazer num milagre de “São Dunga”. Custou a botar em campo Daniel Alves que vem jogando bem e batendo faltas ainda melhor. Pois entrou faltando 5 minutos, houve a penalidade 2 minutos a seguir, ele chutou, a bola bateu na trave e entrou.

Nada a comentar, a lamentar ou a comemorar. O Brasil venceu. Pode ser dito que a Africa do Sul perdeu?

E domingo, colonizados ou colonizadores, penta campeões contra jamais campeões, pode haver surpresa?

Esperemos 72 horas, não é muito.

Especuladores, como sempre, comandam

Até às 13 horas, movimento familiar, quase “papai-mamãe”. Sempre em volta de 50 mil pontos. Mas por volta das 3 horas, já revertia, em alta de 1 e meio por cento, na casa de 50 mil. E no fechamento a alta já era de 3,70% indo para 51 mil e 500 pontos. Mas é só jogatina, a crise está longe da recuperação.

Não se iludam, os miseraveis sem comida somam mais de 1 bilhão de pessoas, pobres são mais do que isso, a classe media diminuiu “barbaramente” seu poder de consumo, e está mais longe da almejada nobreza financeira.

Não havia dinheiro no Brasil, apesar da alta, o volume continua não chegando a 5 bilhões. parou em 4 bilhões e 700. O dolar ficou muitas horas em 1,96 ou 1,97. Mas na ultima hora, caiu para 1,94, menos 1,42%. A hora é de expectativa, nem comprar nem vender.

Sarney, em particular, nega renuncia

Desesperado, o discreto presidente do Senado está falando demasiadamente. Hoje, às 10:25, tomando café da manhã (?) com apenas dois amigos, o normal de antes era no minimo de 10 acompanhantes.

“Não vou renunciar, não me chamo ACM (Corleone) nem Jader Barbalho, que deixaram a Presidencia do Senado, pressionados”.

Estranharam, mas, logico, intimos, não comentaram: Sarney esqueceu de citar Renan calheiros entre os que RENUNCIARAM. Se hostilizar o senador das Alagoas, não se mantém no cargo. É o UNICO que o sustenta. Que republica. (Exclusiva)

Jogatina desenfreada

A Bovespa abriu em baixa e, com 1 hora de pregão, caía 0,60 em 49 mil 561 pontos. Quando faltavam 10 para uma (duas horas depois), havia dado um salto, passado dos 50 mil pontos, coisa que não acontece há dias. 50.670, alta de 2,20%. Estranho, o volume era pequeno.

O dolar continua a ronda dos ultimos dias, entre 1,96 e 1,97, sem alta ou sem baixa significativa.

Wimbledon com morango

Estamos no quarto dia, muitos dos 128 homens e das 128 mulheres foram para casa. Hoje, morango com muito creme para as irmãs Williams, passaram para a terceira fase.

Morango amargo pra Del Potro, o quinto do mundo. Perdeu para Wuitt, que já foi o numero 1 do mundo, aos 30 anos, não se esperava tanto. Mas merece.

Repercussão da decisão da juiza Marisa Simões Mattos sobre o Flamengo

Três fatos que devem ser registrados inicialmente. 1) A absolvição de um socio-conselheiro que denunciou bandalheiras. 2) A falta de sensibilidade dos orgãos de comunicação, que fingem “lutar pela liberdade”, mas esquecem da sentença de uma juiza que devolveu a socios de clubes o DIREITO DE FAZER OPOSIÇÃO.

3) Apenas um trecho da sentença, que deveria ser “grafitada” nos muros do clube, pois só o engrandece e imortaliza: “Não há nada que diga respeito ao Flamengo que fique restrito às paredes de sua sede. Diante do gigantismo de sua torcida, a paixão que provoca nos milhares (MILHÕES) de torcedores e a fortuna que movimenta, nenhum assunto do Flamengo tem carater exclusivamente interno, algo que diga respeito à sede do clube”.

Reintegrado, Paulo Cesar Ferreira devia ser homenageado, obteve uma decisão, que o Flamengo é realmente “UMA NAÇÃO”, e que sua SEDE NÃO É APENAS UMACAIXA PRETA, como se fosse um avião desgovernado.Um clube desgovernado, isso constatou a juiza Marisa Simões Mattos, CONSTATOU e CONDENOU.

Ministro dá-se por suspeito 7 anos depois de ser designado relator

A  Quarta Turma do Superior Tribunal de Justiça julgou no último dia 18 processo do interesse da TV Globo Ltda. contra a União Federal e no qual ficou assentado que os direitos autorais por obra artística de natureza coletiva pertencem à empresa produtora, ainda que para sua execução participem os profissionais protegidos pela Lei no. 6.533, de 1978,  desde que ressalvados os direitos conexos dos artistas participantes.

No Superior Tribunal de Justiça, esse recurso especial da União contra a TV Globo Ltda. foi distribuído ao ministro Aldir Passarinho Junior, da Quarta Turma, no distante 18 de julho de 2002.

Passados quase 7 anos como relator do processo, o ministro Aldir Passarinho, por despacho publicado no DJE  em 28 de abril de 2009, resolveu dar-se por suspeito com base no parágrafo único do artigo 135 do CPC, que diz: ” Poderá ainda o juiz declarar-se suspeito por motivo íntimo”.

Como  o ministro não é obrigado  a declinar os motivos da suspeição por foro íntimo, não se saberá também por que demorou tanto tempo para explicitar essa suspeição. Aliás, o CNJ – Conselho Nacional de Justiça quer que os juízes fundamentem e provem a alegada suspeição por foro íntimo, o que ainda é só uma proposta de transparência a ser discutida.

Declarado impedido o ministro Aldir Passarinho, o julgamento do REsp 438138 teve a participação dos ministros João Otávio de Noronha (relator),  Fernando Gonçalves e Luis Felipe Salomão.

De se enaltecer no presente caso, a rapidez com que o ministro João Otávio de Noronha, novo relator,  examinou as quase 1.500 páginas do complexo  recurso. Os autos do processo entraram em seu gabinete no dia 11 de maio e já no dia 10 de junho tinha sido incluído na pauta de julgamento do dia 18 de junho.

É isso que a população quer: justiça rápida e eficaz porque justiça tardia é injustiça manifesta e qualificada.

Vice inexistente de candidata sem existencia

Ele é Michel Temer, ela é Dilma Rousseff. O PMDB ainda não sabe bem o que quer, e o presidente não é o mais indicado para explicar. É apenas o porta-voz do nada.

E quer ser vice de uma candidata monitorada por um candidato mais autentico, com mais voto, mais poder e mais partido. Dona Dilma pode dizer o mesmo?

Tragédia e vingança

Em 1979, veio o que se chamou de “anistia ampla, geral e irrestrita”. A ditadura estava no fim, ficara decidido que não haveria mais nenhum general no poder, mas o SNI lutava  em várias frentes, não aceitava perder a força.

Médici viera do SNI, Figueiredo viera do SNI e se conseguisse “fazer” outro general-presidente, seria Otávio Medeiros, chefe do SNI. Por isso, toda a ação e atuação de REPRESÁLIA passava a ser incumbência do SNI. É quem tinha o equipamento, a sede de vingança e o alvo era a TRIBUNA.

O 26 de março de 1981 é o maior sucesso do SNI. Por volta de duas horas da madrugada, a GRANDE EXPLOSÃO QUE DESTRUIRIA O ÚNICO JORNAL QUE RESISTIU INTEGRALMENTE, NÃO TRANSIGIU POR UM MOMENTO QUE FOSSE. Não sobrou nada que pudesse atormentá-los diariamente, NEM DOCUMENTOS QUE PUDESSEM RESPONSABILIZÁ-LOS NO FUTURO.

Foi lancinante para nós todos, da TRIBUNA, e para as personalidades que foram chegando. O primeiro, Barbosa Lima,me disse: “Já vivi o suficiente para pensar que já havia visto tudo. Mas este espetáculo de destruição e desolação, é inacreditável”.

Os bombeiros pediam a todos que ficassem do outro lado, as chamas eram enormes. Me identifiquei para o comandante e ele me disse: “Não há nada para ver, nem escadas para subir, as máquinas foram destruídas e se tiver alguma pessoa lá dentro, receio que não haja sobrevivência”.

Pediu licença, voltou depois e disse: “Esta parte da frente está completamente destroçada”. Falei para ele: “É o meu escritório, onde trabalho durante o dia  muitas vezes à noite”. Me olhou como se estivesse assistindo  uma ressurreição.

Já havia uma multidão, foram chegando mais personalidades: Sobral Pinto, Alceu Amoroso Lima, Bernardo Cabral, Austregesilo de Athayde.

A reconstrução levou 9 meses, com o dinheiro que não tínhamos, o jornal saindo em formato tablóide. É que o SNI intimidou todas as gráficas, “não podem de jeito algum imprimir a Tribuna da Imprensa”. Só conseguimos rodar em Nova Iguaçu, esqueceram.

Repetiram o que fizeram em 1967. Vim de Fernando de Noronha, já com um livro pronto.  Carlos Lacerda quando foi me visitar, viu que eu estava preparando “As Recordações”, me disse logo: “Esse livro é meu” (Nova Fronteira). Alfredo Machado (da Record, nada a ver com o “bispo”) também queria, outras editoras fizeram propostas, logo se soube. O SNI entrou em ação. Até Lacerda se intimidou, junto com os outros, a perseguição era brutal.

Consegui quase que misteriosamente imprimir mil exemplares que presenteei a amigos. Mas a intimidação era de tal ordem, que muitos ficaram com medo do presente.

PREJUÍZOS IRRECUPERÁVEIS, Barbosa Lima e Prudente de Moraes, neto (duas das maiores figuras do Brasil de todos os tempos), queriam que entrássemos com nova ação. Não quis, considerava que a primeira resolveria tudo. Mas a repercussão foi impressionante.

Funcionava no Senado, a “CPI do Terror”, que investigava alguns casos. Presidida por Mendes Canale (Mato Grosso) e como relator, Franco Montoro. Este telefonou para Barbosa Lima,marcou para o dia seguinte, um encontro comigo, no gabinete do presidente da ABI.

Franco Montoro me disse: “Hélio, você já estava pautado para ir depor, mas temos que ouvir você imediatamente”. Voltou para Brasília, afirmando: “marcarei o depoimento, te telefono”.

Menos de uma semana depois eu estava depondo. Senadores (e até deputados) foram à CPI. Meu depoimento levou 6 horas. Dei os nomes de todos, civis e militares que participaram do atentado. Disse textualmente: “Tudo chefiado e organizado pelo general Otávio de Medeiros, atrabiliário, prepotente e arrogante CHEFE DO SNI”.

Agora o final espetacular e aparentemente surpreendente, menos para quem não leu ou não tomou conhecimento do que eu disse. Passados alguns anos, precisei de detalhes do depoimento, e como só falo de improviso, recorri ao Senado para obter as notas taquigráficas, agora  eletrônicas. HAVIAM SUMIDO DOS ANAIS. NÃO HAVIA EXPLICAÇÃO. MAS ERA EVIDENTE: UM DEPOIMENTO TÃO CONTUDENTE NÃO PODIA FICAR COMO PROVA, À VONTADE.

Além de tudo, perda irreparável. Meu arquivo pessoal, documentos contábeis, contratos de publicidade, balanços contábeis da editora, recordações e participações de uma vida inteira COMPETENTEMENTE FORAM MANDADOS PELOS ARES.

Cartas trocadas com as maiores personalidades, lembranças e recordações que pretendia transformar  em livros quase didáticos dessa fase ESPANTOSA DA HISTÓRIA BRASILEIRA, desapareceram, como reconstituir?

Choro e lamento essa perda há 28 anos. Não choro nem lamento todo o resto, lutei por convicção e pelo amor ao país e à coletividade.

Nada disso tem preço que possa ser avaliado, indenizado ou ressarcido. São danos e prejuízos que envolvem muitas vidas e que não podem ser dimensionados na Casa da Moeda e nem no Tesouro Nacional.

Para alguns, ao  explodir o prédio da TRIBUNA, em março de 1981, os agentes da ditadura, cientes da ação indenizatória ajuizada pelo jornal, EM 1979,  tendo como réus, além da UNIÃO FEDERAL, os ex-presidentes Médici e Geisel, visaram também com o demolidor atentado destruir as provas da censura prévia e da censura de qualidade (entre 1968 e 1978)  e do prejuízo que acarretaram à nossa editora, assim buscando dificultar a comprovação da vultosa lesão financeira, patrimonial e moral sofrida  pela TRIBUNA E SÓ AGORA RECONHECIDA PELO PODER JUDICIÁRIO. DEPOIS DE 30 ANOS. Rigorosamente verdadeiro.

A imprensa é um espelho, não uma fábrica de fatos

Pedro do Coutto

Ao participar, ao lado do governador Sergio Cabral e do prefeito Eduardo Paes, de lançamento das obras de revitalização da antiga área portuária do Rio, o presidente Lula por momentos deixou o teor e o tema do evento e, deslocando-se para crise do Senado, culpou a imprensa, usando um argumento rotineiro e banal. Além de equivocado. A mídia –disse- prefere a desgraça. A afirmação, que está em todos os jornais, tornou-se um episódio infeliz. A melhor reportagem sobre o assunto, a meu ver, foi de Felipe Werneck e Alexandre Rodrigues, O Estado de São Paulo de ontem 24 de junho. Os jornais são eternamente o espelho dos fatos, não uma fábrica de acontecimentos. Refletem a realidade, não a produzem.

A força dos fatos, isso sim, está tanto no lado positivo quanto no lado negativo. Vejam só: o programa de recuperação do entorno da avenida Rodrigues Alves recebeu um destaque enorme na mídia. Qualquer um pode comprovar isso. Basta percorrer as edições publicadas. Trata-se de iniciativa positiva. De outro lado, a imprensa destaca a sequência do desastre que envolve a chamada Câmara Alta. E, no fundo, são as denúncias colocadas à disposição da sociedade que estão fazendo com que os senadores tomem providência. Não, é claro, totalmente satisfatórias na dimensão do escândalo. Mas, de qualquer forma, medidas que decorrem da pressão legítima dos jornais e das emissoras de televisão e rádio. Sem a imprensa, como digo sempre, não pode haver afirmação humana. Sem imprensa, não haveria Pelé, Garrincha, Gene Kelly, Fred Astaire, Daiane dos Santos, Michael Phelps e, para ficar em poucos exemplos, o próprio Luis Inácio da Silva. Lula, equivocando-se, omitiu sua decolagem. Foi a partir da greve de 1980 que comandou no ABCD paulista,que teve seu caminho político aberto.

A arrancada inicial ele deve exatamente aos meios de comunicação. Primeira greve depois do movimento militar que derrubou o governo João Goulart, teve seu personagem principal elevado às manchetes: Lula o metalúrgico, o texto aproveitando  a frase –título de um filme da diretora Lina Wertmuller então exibido no Rio e São Paulo. Sempre contou com o apoio da imprensa. Nas suas derrotas e vitórias. Em 82, quando concorreu ao governo paulista. Em 86, quando se elegeu deputado constituinte. Em 89, na campanha presidencial foi vítima de um golpe baixíssimo desfechado pelo adversário, Fernando Collor, cujo mandato desabou três anos depois.

É fácil culpar a imprensa. Se um casal torpemente alucinado mata a filha e a arremessa do sexto andar de um edifício, quem é o culpado? O casal ou os jornais? Quando pessoas estão em perigo ou são vítimas da inércia da administração pública, a quem recorrer? À imprensa, às rádios, às televisões. À mídia, na qual todos, no fundo, buscam apoio. E depois, de modo primário e banal, a condenam. É fácil agir assim. A ingratidão faz parte do comportamento humano. Infelizmente. É lugar comum os beneficiados voltarem-se contra quem os ajudou. Que fazer? Nada. Apenas constatar o absurdo através do pensamento. Os exemplos são infindáveis.

Deu apenas um, que julgo definitivo. Quando as pessoas vão a um museu, a uma retrospectiva, assistem a uma reportagem história, e vêem fotos e filmes da bomba atômica explodindo em Hiroshima ficam alguns instantes impressionados. Seguem em frente, como é natural. Mas esquecem que naquela tarde de agosto de 45, havia repórteres, fotógrafos e cinegrafistas lá para cumprir o dever de documentar para a história. Podiam morrer. Poderiam ser atingidos pela irradiação. Alguns devem ter sido. Mas fizeram seu trabalho e seu papel. Lula deve pensar nisso.

A Espanha, favoritissima, volta ao passado de sempre, eliminadissima

Ninguém esperava que os EUA chegassem à semifinal. Italia absoluta, depois Egito, nos calculos os EUA nem apareciam. Pois apareceram. Só que os especialistas lamentavam: “Teve a sorte de chegar, mas de que adianta, se vai enfrentar a Espanha?”.

Sempre adianta.

Unanimidade para a final Brasil – Espanha, agora já completamente desfigurada. Pois os maiores comentaristas não têm duvida, a final será Brasil – EUA. Durmam tranquilos e amanheçam não tão otimistas. (Pelo menos Dunga está atento).

Joel Santana, cumprimentando respeitosamente a extraordinaria figura de Mandela, mostrava confiança e ganhou um sorriso e um aperto de mão de confiança.

E se a final for entre EUA e Africa do Sul? Pode não ser um sucesso de bilheteria. Mas será certamente de critica e de satisfação. Até para mim, por Joel Santana e principalmente por Mandela.

O Brasil ainda tem muito para ganhar.

Da alta de 1,70% para a queda de 0,30%

Jogatina é assim. Você olha está em alta, vira pro lado, já está em baixa. (Era o que Magalhães Pinto dizia da politica, comparando-a com as nuvens). Às 13 horas, alta, que muitos consideravam que iria aumentar. Pois caiu. Fechamento em 49.800, menos pouquinho.

O dolar que estava em 1,97 baixo, acabou em 1,96 alto, quase a mesma coisa. O volume não chegou a 5 bilhões. Tenho que pedir desculpas por ontem: afirmei (depois de falar com corretores) que o volume passara dos 5 bilhões, fechara em 7 bi. Só que mais de 2 bilhões fora de uma operação (direta e fechada) de telefonica. Portanto, hoje, 17 dias sem chegar a 5 bilhões.

Rigorosamente verdadeiro

O presidente Lula foi aconselhado (e o “conselho” não veio do Senado) a não se ligar tão veementemente ao presidente Sarney, em situação precarissima.

Dos que não têm mandato, quem pode dizer isso ao presidente Lula? Garamtem: “Sem serem ministros ou parlamentares, só duas pessoas têm gabarito para isso”. Completam: “Agora o senhor tem que apoiar Tião Viana, que já é candidato”. (Exclusiva)

Verdadeiro, textual e entre aspas

Da revista Forbes: “Obama ganhou no ano passado, só em direitos autorais, mais de 2 milhões e meio de dolares”. É o primeiro presidente dos EUA a conseguir esse resultado. Dá para lembrar de FHC, antes, durante e depois de ser presidente?

Do Ministro Carlos Minc para o também Ministro Alfredo Nascimento, cara-cara: “Você me espinafra em todos os lugares, por quê? Por acaso eu chamei você de veado?”. Como foi em publico, perplexidade geral.

De um senador que pediu sigilo: “A transformação da posição politica de Renan Calheiros é impressionante. Estava com a corda no pescoço, agora está com a corda toda”. Confere em genero, numero e grau.