Diminuíram a miséria, para depois exaltar Dona Dilma

Helio Fernandes

Ela insiste que “são 16 milhões que ganham 70 reais, mensalmente”. E que vai levá-los e elevá-los para a classe média. Quanta besteira, Manuel Bandeira. 70 reais, significam 2 reais e 30 centavos diariamente, exatamente o que criticavam na Cuba de Fidel.

Antes de mais nada é preciso definir o que a presidente considera classe média. Diz que um mil, 368 reais já dá para incluir. Tolice. Enquanto não desmentirem a definição e a identificação, nada passará de mistificação. É o que Dona Dilma vem fazendo, no mais perfeito lulismo.

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MINHA CASA, MINHA VIDA

Dona Dilma mandou ontem para o Senado, medida provisória sobre o assunto. É um dos maiores fracassos de todos os governos, principalmente o de Lula, que prometeu tanto. Agora, essa medida provisória “tranca” a pauta do Senado.

Residências: o IBGE mostrou que a maioria das famílias mora sem nenhuma condição. E nem quero falar de SANEAMENTO. O IBGE desmente tudo que Dona Dilma garantiu que havia feito.

Kassab empolgado com o PSD

Helio Fernandes

Sua satisfação é enorme e não tem limite. E por enquanto, isso está corretíssimo. Toda semana, o prefeito de São Paulo (e candidato a governador), muda a data do lançamento do partido novo com nome antigo. É tanta gente querendo se filiar, que não pode lançar o partido agora.

Motivo: o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) determinou: “Para sair de um partido, sem explicação, só se for para um partido novo”.

Não sei se Kassab está com a razão. Mas disse a Afif Domingos: “Vamos eleger o prefeito de São Paulo, o governador e o presidente da República”. Que otimismo. Ou será voracidade eleitoral?

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DUTRA VAI ASSUMIR

O ex-presidente do PT será reabilitado. Demitido sem saber, com ligeira explicação de José Dirceu (que acredita que será absolvido pelo Supremo bem antes de 2014), teve que confessar “depressão e confusão mental”.

José Eduardo Dutra recebeu a garantia: “Assim que se recuperar, o senador Valadares será ministro”. Como suplente, Dutra assumirá,

Deputado cobra na Assembléia paulista a apuração do escândalo dos precatórios, denunciado com exclusividade aqui no blog da Tribuna.

Carlos Newton

Em discurso na Assembléia de São Paulo, o deputado petista Antonio Mentor abordou a denúncia publicada como exclusividade no blog da Tribuna da Imprensa, sobre o pagamento irregular de precatórios em São Paulo. O governo paulista, nas gestões de Serra e Alckmin, pagou a mais em precatórios milionários, enquanto deixava de pagar os pequenos precatórios, considerados “de natureza alimentar”.

Vamos conferir o que disse o parlamentar sobre o importante e assustador assunto levantado aqui pela Tribuna:

“Sr. Presidente, quero fazer um outro registro importante porque o Estado de São Paulo deve mais de 20 bilhões de reais em precatórios que na sua grande maioria dizem respeito a reivindicações alimentares. Esses precatórios não têm sido pagos, estão suspensos há 10 anos. Pessoas que tinham direito a receber pequenos valores – 20, 50, 100 mil reais – não chegam a esse resultado, apesar do direito garantido pela decisão judicial. E hoje mais de 380 mil cidadãos e cidadãs paulistas têm créditos junto ao governo do Estado de São Paulo, que somados chegam a alguma coisa em torno de 15 bilhões de reais.

No entanto, o governo do Estado de São Paulo paga precatórios de desapropriações em valores altíssimos relativos a acordos que foram firmados com os proprietários. E quero citar aqui um exemplo gritante: a desapropriação do parque Vila Lobos, na Avenida Marginal Pinheiros. Na época da desapropriação aquilo era um lixão. Depois de muita disputa na Justiça foi estabelecido uma acordo de pagamento em 10 anos, de 2,5 bilhões de reais – 250 milhões de reais por ano, com vencimentos no dia 31 de dezembro de cada ano. Todo precatório é assim, vence a parcela no último dia do ano correspondente.

E veja, Deputado Marco Aurélio, o que fez o Governo do Estado de São Paulo? Considerou vencida a parcela no dia 1º de janeiro, e ao pagar, no dia 31 de dezembro, acresceu juros de mora desses 12 meses, o que corresponde a algo em torno de 238 milhões de reais. E como se isso não bastasse, pagou também honorários advocatícios no valor de 10% da causa, algo em torno, portanto, de 250 milhões de reais.

Sabemos que os honorários advocatícios têm que ser pagos, mas não em percentual tão elevado para uma questão que não exigiu do escritório grandes ações, elaborações. Ao contrário: só acompanhamento, a parte da perícia, avaliação, e mais nada, além disso. E ganhou 10% de dois bilhões e 500 milhões de reais, 250 milhões de reais.

O Deputado Adriano Diogo manifesta aqui que pode ser o maior precatório da História do Brasil. É possível que seja. Uma única família recebeu do Governo do Estado de São Paulo, em detrimento de 380 mil precatórios alimentares, a família Abdala, algo como dois bilhões e 500 milhões de reais, mais juros de 238 milhões de reais, algo muito próximo dos três bilhões de reais, sem contar os honorários de 250 milhões de reais. Que Governo é esse que exclui 380 mil servidores públicos, que têm direito a precatórios alimentares com pequenos valores, de 50 mil, 30 mil, 80 mil, e paga um único precatório de três bilhões de reais?

Não tenho nada mais a dizer; esses números falam muito mais do que qualquer discurso que alguém possa fazer”, concluiu o deputado Antonio Mentor.

Barack Obama igual a Ernesto Geisel?

Carlos Chagas

Os episódios recentes no Paquistão e na Líbia lembram com clareza aquilo que o jornalista Elio  Gaspari publicou em livro, a respeito da reação do general Ernesto Geisel ao ser informado de que um grupo de subversivos chilenos havia sido morto pelas forças de segurança,  ao tentar entrar no Brasil: “Tem que matar mesmo, não é?”

No caso, matar sem julgamento, em especial nos países onde não há pena de morte. Qual a diferença entre o tonitruante general-presidente e o ameno Barack Obama, para quem justiça foi feita com o assassinato de Osama Bin Laden?

Ambos justificaram as mortes sem sentença judicial por conta do execrável   comportamento de subversivos e terroristas, uns explodindo as Torres Gêmeas, quartéis, navios e embaixadas, outros sequestrando, assaltando bancos e matando.

Abre-se o século sob discussão que vem de tempos imemoriais: deve o poder público adotar as mesmas táticas dos adversários postados à margem da lei? Prevalece na Humanidade o Talião, aquele do “olho por olho e dente por dente”?  

Torna-se difícil explicar às famílias de centenas de milhares de vítimas que o Estado tem limites, quando constituído para gerir a sociedade organizada segundo princípios justos e democráticos. Não sendo assim, prevalecerão  a barbárie, a vontade e os interesses do mais forte.

Assistimos, na mesma semana, a execução sem julgamento de Bin Laden e, não muito longe, na Líbia, o bombardeio dos palácios de Kadaffi, onde morreram um filho e netos do ditador. E pela ação dos mesmos, afastado o eufemismo de que foram aviões da OTAN a atacar Trípoli. Eram americanos, da mesma forma como os helicópteros utilizados no Paquistão.

Seria bom meditar na evidência de que Barack Obama e Ernesto Geisel possuem muito mais semelhanças do que diferenças.

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ALIANÇA CONTRA SERRA

Consolida-se a aliança entre Geraldo Alckmin e Aécio Neves, ambos sustentando a incorporação do DEM ao PSDB e, mais ainda, favoráveis à permanência de Sérgio Guerra no comando dos tucanos.  Ainda que precária, trata-se de uma frente única contra José Serra, que pretendem afastar das hipóteses sucessórias para 2014. Ao contrário do que sustenta o candidato derrotado ano passado, a crise no PSDB não é apenas paulista. É nacional, apesar dele ter lembrado os 44 milhões de votos recebidos em todo o país,  na recente sucessão.

Resta saber como reagirá José Serra, mas se abrir luta em duas frentes correrá o risco de acabar como acabou o III Reich.  Está sendo aconselhado a escolher um adversário e celebrar pacto de não agressão com o outro, mas como Aécio não é Stalin, muito menos Alckmin será Churchill, fica difícil selecionar quem receberá o primeiro ataque…

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MICHEL ABENÇOADO

De novo no Brasil, depois de representar o país nas cerimônias de beatificação de João Paulo II, no Vaticano, Michel Temer desembarcou retemperado e até abençoado por Bento XVI. Mostra-se disposto a seguir adiante na missão de abrir espaços para o PMDB no segundo escalão do governo, agora que a nova direção do PT entrou em rota de colisão  com a presidente Dilma Rousseff.
Sua primeira iniciativa foi acalmar os ânimos de Henrique Eduardo Alves, o mais decepcionado de seus companheiros diante da parcimônia com que o palácio do Planalto contempla os pleitos do partido. Parece que conseguiu.

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MURALHA INTRANSPONÍVEL?

Apesar de durante a campanha, Dilma Rousseff haver-se pronunciado favorável ao financiamento público das campanhas, a equipe econômica erigiu forte muralha diante da proposta defendida pelo PT e adjacências. A presidente parece sensibilizada pelos argumentos de Mantega, Palocci e companhia, a respeito de numa hora de contenção como a atual, ficar difícil encontrar dinheiro para dar a partidos e candidatos gastarem em campanhas eleitorais.

Até porque, não haverá como a Justiça Eleitoral fiscalizar o uso do chamado caixa dois, ou o emprego de recursos particulares na conquista de votos. Seria necessário, primeiro, aparelhar o Tribunal Superior Eleitoral e os Tribunais Regionais para essa tarefa, mas como os concursos e nomeações encontram-se proibidos, onde buscar montes de fiscais?

Por que Obama optou por matar e não capturar Bin Laden?

Pedro do Coutto

É a pergunta que se pode colocar em relação ao desfecho de domingo à noite, quando um comando da Força Seal, da Marinha, localizou e eliminou o terrorista Bin Laden na mansão em que residia na cidade de Abotabad, a 35 quilômetros da capital, Islamabad. O comando, como se vê nas detalhadas reportagens de O Globo, O Estado de São Paulo e Folha de São Paulo, estava supertreinado e assim capaz de enfrentar diversas alternativas e emergências que sempre ocorrem em ações desse tipo.

A descida dos helicópteros que cercaram a residência e a invasão durou 40 minutos. Tempo suficiente para que o presidente dos Estados Unidos decidisse totalmente o caminho a seguir. O Estado de São Paulo de terça-feira 3, inclusive, publicou excelente foto na primeira página focalizando quando Barack Obama, Hillary Clinton, o vice  Joe Biden, o diretor da CIA, Leon Panetta, futuro Secretário da Defesa, assistiam na Casa Branca, em tempo real, a ação da força de elite da Marinha.

Claro que a vitória política de Obama foi total. Desarmou inclusive a oposição Republicana a seu governo e prometeu indiscutivelmente a recuperação plena da popularidade que o levou à vitória nas urnas de 2008. Tem-se a impressão, hoje, que o ataque bem sucedido assegurou sua reeleição no ano que vem. Se o Partido republicano já vinha encontrando dificuldade em escolher um adversário à altura, que dirá agora?

Mas a questão não é totalmente esta. Pode-se considerar que ainda melhor seria para o governo dois EUA capturar Bom Laden vivo e levá-lo a julgamento. Talvez não tenha sido possível tentar a prisão. Afinal o terrorista mais procurado do mundo, aliás o maior da história universal, responsável pela tragédia de 11 de setembro, estava nas mãos americanas após quase onze anos seguidos de sucessivas buscas e aproximações para localizá-lo. Como os criminosos sempre selam seu destino, título de antiga série publicada pelo Globo, Osama selou o seu. É sempre assim.

Ao longo dos séculos, pouquíssimos criminosos alcançaram escapar. O nazista Martin Borman, da alta hierarquia do governo Hitler, foi a exceção. Eichman foi preso por um comando israelense em Buenos Aires, 1959, quatorze anos depois do fim da guerra, Klaus Altman, na Bolívia, em 76. Bin Laden é mais um assassino terrível a cair no abismo que armou para si próprio.

Lí, com atenção, as reportagens de Fernando Eichenberg, correspondente de O Globo em Washington, de Adriana Carranca, enviada especial de O Estado de São Paulo, e da correspondente na capital americana Denise Crispim Marin. Edições de 3 de maio. Relataram detidamente todas as etapas e detalhes da operação. Moravam 22 pessoas na casa de Abotabad. Provavelmente – opinião minha – pelo que se depreende dos textos, havia uma dissidência na Al Qaeda. Uma trilha, portanto, para a CIA que possui flexibilidade e autonomia financeira. Uma rota certa para os helicópteros que bombardearam a mansão e de cujos cabos lançados no ar desceram os integrantes do comando fatal. O ataque estava programado para a noite de sábado. O mau tempo impediu e levou ao adiamento de 24 horas. Qual teria sido o pensamento de Obama nesse espaço de tempo? A decisão final teria sido sua ou coube ao desenrolar dos fatos?

Não creio que a al-Qaeda tente atentados agora, em represália. Ela sofreu um golpe duríssimo em sua estrutura. Não só a que se refere a suas ações. Mas também a que está relacionada com o comércio de armas, com o comércio da morte. Para este comércio é preciso mobilizar dinheiro e formas clandestinas de pagamento. O terror conseguirá preencher a lacuna? Eis aqui uma segunda pergunta.

Santos só fez um gol, continua na Libertadores

Helio Fernandes

Em casa fez 1 a 0, teve chance de fazer mais. A volta, no México, parece que se baseou nessa vantagem. Teoricamente, foi, apenas teoricamente. O time mexicano jogou melhor, teve possibilidades, se preocupou em bater em Neymar e Ganso.

Basta dizer: os melhores jogadores em campo foram o goleiro Rafael e o zagueiro Leo. Do Santos.

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OS 29 ANOS DE FEDERER, PESANDO

É uma idade complicada para qualquer atleta. Ainda não é velho, mas já não é moço. Precisou de 3 horas e 3 tiebreaks para vencer o espanhol Feliciano Lopes, para quem jamais perdeu.

1) – 40 games, Federer precisou fazer 15/13.

 2) – Lopes venceu os 12 pontos normais e um tiebreak facílimo, 7/1.

3) – Nenhuma quebra, o último tiebreak, Feliciano sempre na frente. O espanhol 5/2 no tiebreak, perdeu uma bola facílima, teria feito 6/2. Deu vida a Federer, que conseguiu fechar em 9/7. No total, 76 games.

A presidente Dilma Rousseff não pode ficar doente. Dizem logo que o câncer voltou.

Carlos Newton

Toda a vez que a presidente Dilma Rousseff fica doente, como agora com a pneumonia, logo corre na internet o informe de que o câncer linfático teria se manifestado de novo. É uma boataria danada.

Mas acontece que esse tipo de câncer pode ser controlado. Estatísticas apontam que o linfoma não-Hodgkin afeta 1,5 milhão de pessoas em todo mundo. É uma doença que pode ocorrer em qualquer faixa etária.

Se um paciente com linfoma não-Hodgkin agressivo – o mesmo que atingiu Dilma Rousseff – é diagnosticado precocemente, a chance de cura chega a 95%. Isto porque, apesar de se tratar de um câncer severo, os avanços da medicina proporcionam tratamento complementar à quimioterapia, com uma droga inteligente, chamada de terapia-alvo e que age diretamente na célula tumoral. Assim, quando não proporciona a cura (remissão), o tratamento permite que o paciente conviva com a doença, mantendo a qualidade de vida e trabalhando normalmente.

Detalhe: um dos sintomas da volta da doença é perda de peso. Que não é o caso, convenhamos. Então, vamos deixar a presidente se recuperar plenamente da pneumonia e afastar do Planalto as aves de rapina que sempre o cercam, torcendo pelo pior.

Comentário de Paulo Sólon sobre as reflexões quanto ao islamismo

Paulo Sólon

Perfeito, Carlos Newton. Os árabes (e outros povos muçulmanos) não vão se ocidentalizar, nem a curto, nem a longo prazo. A cultura ocidental, mesmo para os que vieram para o Ocidente, é uma cultura degenerada. Conforme você falou, eles não se misturam. Mesmo no Oriente-Médio, quando houve adesão árabe ao cristianismo no Líbano, por exemplo (influência francesa), tal adesão foi mínima. O próprio Kissinger declarou ao presidente Soleiman Frangié que o cristianismo no Oriente era uma anomalia.

Quando houve aqueles “acordos secretos” entre Kissinger e Assad, o sentido final seria evacuar todos os cristãos daquela região. Pode-se até associar Israel ao mercado sírio-americano e pensar que se os cristãos houvessem partido, seriam substituidos pelos refugiados palestinos.

Kissinger chegou a declarar que havia uma flotilha pronta a evacuar os cristãos. Que “os cristãos  no Líbano eram uma anomalia, os cristãos do Oriente, isto não pode existir”. Estávamos em 1973. Quem salvou os cristãos libaneses de serem deportados, de serem “ocidentalizados”, foi o cardeal Villot, Secretário de Estado da Santa Sé.

Jamais haverá compromisso possível entre o Islamismo e o Cristianismo. Como o Islamismo tende a ser mais puro e a se proliferar, inclusive no Ocidente (como você falou), fica difícil qualquer assimilação, com ou sem Bin Laden.

Tanto Saddam Hussein, quanto Bin Laden, não podem ser exemplos de arautos do Islamismo, já que ambos foram colaboradores dos americanos.

A atual administração do presidente Obama divulgou que sepultou o corpo de Bin Laden no mar “porque nenhum país iria receber o corpo do maior terrorista em seu território”.
Claro que nenum país iria recebê-lo, penso. Mas não por isso. A Russia e qualquer país árabe não iriam recebê-lo exatamente por ter sido um grande colaborador dos americanos por ocasião da guerra contra os russos no Afeganistão.

Sempre falei que qualquer país se utiliza dos colaboradores, mas os desprezam. O que faz sentido. Quando o colaborador se sente desprezado, após ter prestado seu serviço sujo de colaboração, ele passa a nutrir ódio contra o país para o qual colaborou. Se possuir poder, ou fortuna, tal ódio vai se manifestar em campanhas contra, e até em ações armadas.

Não sei por que, mas toda vez que penso em colaborador me vem à mente aquela expressão de menopausa intelectual e de covardia de colaborador do ex-presidente FHC. Diz o Helio Fernandes que ele sempre foi financiado pela Fundação Ford. Mas, claro, isto não impede de ser e de se sentir desprezado pelos americanos, os quais odeiam traidores.

Bin Laden foi financiado pela Fundação U.S.A., e deu no que deu.

Reflexões sobre o islamismo e sua influência no mundo, com ou sem Bin Laden

Carlos Newton

Um jovem islamita envolve seu corpo em explosivos, entra num supermercado e detona a bomba, matando a si próprio e a dezenas de pessoas. A notícia logo se espalha, e em sua casa começa a festa. Os pais, orgulhosos e emocionados, choram de alegria, dizem terem sido abençoados, os amigos e parentes chegam, a família toda comemora, cantam e dançam, a festa não tem hora para terminar.

Enquanto isso os vizinhos, envergonhados, criticam os filhos que ainda não se tornaram mártires, não serviram à guerra santa, não ganharam direito ao Paraíso, onde as jovens virgens, as calorosas viúvas e os gentis eunucos os aguardam, para lhes conceder na vida eterna todos os prazeres que eles não conseguem aqui na terra.

Mas nem sempre foi assim, pois há mil anos atrás, nos tempos do poeta e matemático persa Omar Khayan, os árabes podiam se deleitar em vida com muitos prazeres, entre os quais o vinho, que Khayan tanto apreciava, segundo está registrado em sua obra-prima, o livro “Rubayat”. Bons tempos.

Mas esse passado se esvaiu, e hoje é bem outra a realidade dos islamitas radicais, do tipo Osama Bin Laden e seus seguidores. Detalhe: a religião islâmica é a que mais cresce no mundo, não há controle da natalidade, multiplicam-se incessantemente. Migram para os mais variados países, mas não se miscigenam, não adquirem novos costumes, mantém-se refratários e hostis às conquistas sociais do Ocidente.

O que se pode fazer contra eles? Nada. Eles são invencíveis, porque consideram a morte como um alívio, uma recompensa, uma bonificação. Os islamitas não têm a menor dúvida sobre essa “realidade” de seu Paraíso particular, que é vedado às outras religiões. Ao mesmo tempo, os povos ocidentais estão cada vez mais descrentes sobre a vida eterna, por isso almejam aproveitar aqui o máximo que podem, tentando desfrutar uma vida de consumismos, fantasias e ilusões. São contradições que não levam a nada.

Nas Cruzadas da Idade Média, os árabes eram os infiéis. Agora a situação se inverteu, os infiéis são os ocidentais, seja de que religião forem. Há quem tenha esperanças de que as rebeliões sociais que estão acontecendo no mundo árabe possam mudar esse quadro. Minha crença em milagres, infelizmente, não chega a tanto.

É mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que os povos árabes se ocidentalizarem, num futuro a curto prazo. Até agora, os “reis”, “emires” e “sheiks” somente se ocidentalizaram no mau sentido, construindo pistas de Fórmula 1, edificando luxuosas e desnecessárias cidades que avançam pelo mar, levantando prédios e hotéis inimagináveis, torrando sem piedade os petrodólares, enquanto a maioria da população enfrenta graves dificuldades. Para se ter uma ideia, o país árabe de maior renda per capita é a Líbia. Ou melhor, era, porque agora já está toda destruída.

Por tudo isso, o horizonte que é possível enxergar no mundo de hoje continua a vislumbrar somente radicalização e terrorismo, com as riquezas do petróleo do mundo árabe como pano de fundo e motivo de tudo. É duro aceitar essa realidade. Com Bin Laden ou sem ele.

A farsa da Casa Branca, “comunicando” ao mundo que Obama ASSISTIU EM TEMPO REAL, todo o acontecimento envolvendo Bin Laden.

Helio Fernandes

Todo o episódio é muito estranho, embora o presidente dos EUA tenha feito a mesma análise deste repórter. Só que naturalmente com outras palavras, ele é o mais poderoso personagem do pais mais importante do mundo. Chamou a atenção de “TODOS OS AMERICANOS, QUE MORAM OU ESTEJAM NO EXTERIOR, PARA QUE TENHAM A MAIOR CAUTELA”.

Reconheceu o estado de BELIGERÂNCIA com o TERRORISMO, embora não saiba de onde virá ou virão as represálias. A mesma coisa que eu disse na segunda-feira, para “postar” na terça. Obama foi mais cauteloso, não quis aumentar o susto que está em todos os lugares, na mente das mais diversas pessoas. Trilionários, bilionários, da classe média de Dona Dilma, os mais de 2 bilhões do mundo todo que vivem abaixo da linha da pobreza.

Não existe a menor dúvida a respeito do que chamei de BIPOLARIDADE TERRORISMO E ANTITERRORISMO, ou mais direto e significativo: o TERRORISMO de um lado e o TERRORISMO do outro. Pode ser a mesma coisa, só que de forma mais clara e compreensível.

Mas no momento estou interessado em desfazer ou entender o que aconteceu na Casa Branca, e o que Obama fez realmente. Apareceu duas na televisão, logicamente as duas a respeito do assunto Bin Laden. Qual teria sido a primeira?

O assassinato e morte de Bin Laden ocorreu às 23,25, hora de Washington. Quando imediatamente Obama foi à televisão, passados um ou dois minutos, não havia nem podia haver mesmo nenhuma prioridade na frente dessa comunicação.

Nem prioridade ou vontade de Obama, que quem estivesse acordado naquele momento, tomasse conhecimento do fato, a não ser pelo próprio presidente. Era tão importante, que só ele poderia dar conhecimento ao país e ao mundo.

Além do mais, essa comunicação prioritária, imperdível para o presidente. Em plena campanha eleitoral, em baixa nas pesquisas, tinha a certeza (que poderia ser também intuição irrefutável), de que sua popularidade ganharia um solavanco positivo, como logo se registrou.

Agora os detalhes para saber quem vem primeiro, a comunicação ao mundo, e a outra, feita no dia seguinte, diretamente pela Casa Branca. Com a foto de Obama ASSISTINDO TODOS OS FATOS IMPORTANTÍSSIMOS, EM TEMPO REAL. 

Às 23,27 ou 23,28, anunciando um fato que, como ele registrou, “acontecera às 23,25”, Obama estava de terno e gravata, obrigatório para um acontecimento como aquele, falava para o mundo.

Seriíssimo, conciso, nenhuma restrição à sua aparência. Acabou de falar, se virou sem olhar para as câmeras, elas o acompanharam até que chegasse à porta em frente. Passo firme, olhando seguramente para a frente, sem qualquer hesitação.

Agora, o que a Casa Branca chama de “ASSISTIR TUDO AO VIVO E EM TEMPO REAL”. Obama aparece de roupa esporte, camisa de manga, sem paletó. Com 17 pessoas, todas olhando atentamente PARA A FRENTE, como se estivessem mesmo assistindo um acontecimento histórico.

Estavam numa sala pequeníssima, visivelmente amontoados, quase sem espaço entre eles. A parte administrativa da Casa Branca tem 134 salas como essa, excluídas as das altas autoridades. E lógico, o Salão Oval. Em 1956, (dias 2 e 3 de janeiro), durante dois dias seguidos, Nixon mostrou tudo a Juscelino, que viajava como presidente eleito e ainda não empossado. Com mais três pessoas e um único jornalista.

Por que escolher aquela salinha? E de onde vieram aquelas 17 pessoas, obviamente não estavam trabalhando nem moram na Casa Branca? Como foram chamadas e chegaram à Casa Branca a tempo de assistir tudo em TEMPO REAL com o Obama?

As duas aparições de Obama são simultâneas. 1 – Comunicando pela televisão, em TEMPO INTEGRAL, na hora mesmo em que o fato aconteceu. E que o mundo inteiro, (incluindo este repórter, que não sabia de nada) conheceu por intermédio do presidente.

2 – O TEMPO INTEGRAL da fala presidencial, aconteceu no mesmo exato momento em que ele assistia, em TEMPO REAL, a morte de Bin Laden.

Ninguém percebeu que havia contradição e choque de horário?

PS – O fato é importantíssimo, coloca em DÚVIDA, e praticamente com total CERTEZA, a palavra do homem mais importante do mundo. E da própria Casa Branca.

PS2 – A partir deste exame, todo o resto do acontecimento que levou à morte de Bin Laden, pode ter sido montado com a mesma arrogância e imprudência.

Senador Valadares: discurso inútil sobre Bin Laden

Helio Fernandes

Perda de tempo total, dele e de todos os outros. Só disse bobagem. Acreditem, fez um retrospecto do 11/9, há 10 anos.

Bem que o senador queria deixar o cargo, ser ministro. Acontece que o suplente que iria substitui-lo era presidente do PT, deixou o cargo (demitido), confessou “confusão mental”. Que lástima, Valadares continuará.

Sergio Gabrielli: “Ainda não é hora de aumentar o preço do combustível”. Sabe que está muito alto. Usa esse “ainda não é hora”, conhece o Poder de fogo das multinacionais, pode receber ordens.

Helio Fernandes

A Petrobras já foi a empresa mais popular do Brasil. Veio das lutas para a sua consolidação, e a criação da frase, conhecida e repetida por todos: “O petróleo é nosso”. Não é mais.

Desde as licitações favorecendo as maiores empresas estrangeiras, que escolhiam campos prósperos e com petróleo comprovado, lutavam apenas entre elas. As licitações foram criadas por FHC, quem mais seria capaz disso? Ato explícito e implícito de covardia, não teve coragem de fazer o que fez com a Vale.

Estranho e curioso: a posição da AEPET (Associação dos Engenheiros da Petrobras) e de Dona Dilma, ainda não potência, nem imaginava que algum dia pudesse ocupar o Planalto-Alvorada, não como locatária e sim como proprietária.

A AEPET era contra as licitações, como poderia ser a favor? Só que depois, reexaminando (?) a situação, silenciou, não deu mais uma palavra sobreo assunto. Cardeais da AEPET, participando habitualmente de programas de radio com  audiência e repercussão, se escondiam no silêncio, tentavam confundir as coisas. Jamais se explicaram, apesar de intensamente cobrados.

FHC criou essas criminosas licitações, através do Decreto 7890. O pessoal da AEPET fugia de comentar essa impostura. Só este repórter tratava do assunto, condenava com veemência a entrega camuflada da nossa já visível riqueza.

Perdão, a resistência não era exercida apenas pela Tribuna da Imprensa. Dona Dilma, (com Lula já eleito mas ainda não empossado) fazia campanha duríssima contra as licitações. Teve que ser contida por diretores da AEPET. Pediram a ela: “Espere Lula tomar posse, a quinta licitação, de agora, não tem muita importância. Temos que lutar contra a sexta, é a próxima, vai demorar algum tempo”.

Demorou tanto que a AEPET já não combatia o Dec. 7890, e Dona Dilma, assumindo Poderes cada vez maiores, pretendia (e tratou de obter) a oficialização desse decreto, considerando-o c-o-n-s-t-i-t-u-c-i-o-n-a-l e reduzindo o prazo entre as licitações. Um escândalo, qual a surpresa?

Continuei a campanha combatendo esse absurdo. O Procurador-Geral do Paraná, entrou então no Supremo com uma ADIN (Ação Direta de Inconstitucionalidade), tínhamos a certeza de que o 7890 seria sepultado.

Nelson Jobim presidia o Supremo (por causa do rodízio), foi chamado à Casa Branca de Brasília (desculpem, o Planalto ainda não Alvorada) por quem? Lógico, Dona Dilma.

Jobim saiu do encontro com Dona Dilma, com a incumbência: transformar em constitucional o 7890. Já estava em votação, não perceberam, a ADIN do Procurador-Geral do Paraná vencia por 3 a 0. Como fazia sempre, Jobim olhou para o Ministro Eros Grau, ele “pediu vista”. Ficou com o processo meses, enquanto Jobim e Dilma “trabalhavam”.

Quando se convenceram da vitória, colocaram em votação, o 3 a 0 a favor da ADIN se transformou num 7 a 4 contra. Aí as licitações foram sendo aceleradas, a Petrobras foi tendo sua participação diminuída e dinamitada. Sem um protesto, lógico, quem ganhava era o lado mais forte, e esse lado não era o da Petrobras e da coletividade, e sim o do governo. Parece a mesma coisa, erro e equivoco cometido por muita gente.

Aí, honrando o 7890, o PSDB começou um movimento orquestrado contra a Petrobras. Consideravam que isso seria popular e daria votos. Todos foram derrotados na eleição de 2010, começando pelo então senador Jereissati, que apresentou o pedido de CPI.

Esse senador respondia a processo desde 2001, quando governador do Ceará, acusado de ter falido o Banco do Estado. Como se elegeu senador logo em 2002, o processo foi para o Supremo. Onde ministros “prestimosos” vigiavam para que não saísse das gavetas,

Agora, descobriram que a Petrobras não é mais majoritária. E não é só isso: publicam que não é autossuficiente na produção, estaria importando, ela que se considerava potência, queria até pertencer à OPEP.

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PS – Tudo farsa, mistificação, campanha dirigida para derrubar a empresa, desmoralizá-la diante da opinião pública.

PS2 – No momento se trava grande batalha dentro da empresa. O grupo nacional não quer aumento do combustível, já é um dos mais caros do mundo.

PS3 – Os multinacionais, favorecidos pelas licitações, querem aumento imediato, conseguirão? A não ser que haja campanha contra esse aumento, realmente inacreditável. E Dona Dilma. Voltará para 2001, mudará para 2003, ou fará  o quê?

Reclamação dos trabalhadores pela ausência dos senadores

Helio Fernandes

As comemorações pelo 1º de Maio (Dia do Trabalhador) aconteceram precariamente. Caiu num domingo, segunda e terça não é dia de trabalho (no Congresso), é possível que aconteça hoje.

Os trabalhadores têm muitas queixas e querem mostrar ao Senado que ganham pouco e em condições péssimas. Levarão o resultado do IBGE: “A maioria das famílias ganha menos de um salário mínimo, Vão dizer: “Somos nós.

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MEDIDAS PROVISÓRIAS

Todos os dias, na Câmara e no Senado, protestam contra esse PODER TOTAL, dado ao Executivo. FHC afirmou quando era presidente: “Sem Medida Provisória não há governabilidade”.

Qual a proposta de Dona Dilma? Fazer como Lula, que ignorou a Constituição e mandava Medida que não tinha URGÊNCIA ou RELEVÂNCIA, como determina a Constituição?

Conversa com o comentarista Paul Kotzenmann, sobre Einstein e Galileu

Paul Kotzenmann: “Amado Helio. A teoria da relatividade foi “criada” desde Galileu, e a matemática pelo, esse sim, gênio Henri Poincaré. Einstein sempre foi ruim de matemática.”

Comentário de Helio Fernandes:
Paul Kotzenmann diz que Galileu “criou” essa Teoria, e Einstein era ruim de matemática. Ha!Ha!Ha! Einstein nasceu em 1876, e em 1905, apresentou o que logo foi chamado como é até hoje.

Como era bem moço, (menos de 30 anos) foi realmente muito criticado, principalmente por inveja. Ter a coragem de dizer que “a energia é igual à massa sobre o quadrado da velocidade da luz”, é (ou era) tão audacioso que tentaram desmoralizá-lo. Depois, foi consagrado.

Quanto a Galileu, g-e-n-i-a-l. Com a coragem de desafiar a Inquisição, teve que recuar. Mas nada a ver com a Relatividade. De qualquer maneira, Kotzenmann, tudo é relativo.

Uma vez Flamengo, Flamengo até morrer

Helio Fernandes

Patrícia Amorim, superatleta da natação do clube, (Carioca, Brasileiro, Sul-americano) teve um primeiro ano cheio de problemas, o que era previsível. Conseguiu um título, mesmo vencendo os três últimos jogos nos pênaltis. Não perdeu nenhum dos 24 jogos disputados.

Se ganhar a Copa do Brasil, tem garantida a vaga na Libertadores, disputará o Brasileirão com muito mais tranqüilidade. Fez muitas obras, pagou salários de vários esportes, atrasadíssimos. Os jogadores de basquete não recebiam há 8 meses. (Inacreditável).

Marcio Braga deixou para ela, uma divida de 333 milhões. Muito comentada a dívida, por causa do número “dízima periódica”. Pagou 21 milhões de juros dessa dívida. Era muito mais, a presidente negociou, tem extrema capacidade. Naquele inferno de politicalha que é “o bastidor” do clube, conseguiu ser indicada e vencer, que façanha.

Mundo sem lei

Carlos Chagas

Saber quem nasceu primeiro, se o ovo ou  a galinha, faz muito  tornou-se  discussão diletante e inócua. A verdade é que os dois existem, num moto contínuo onde um sai do outro. Grave, mesmo, é verificar como a  nação  tecnologicamente mais poderosa do planeta desvirtuou-se  a ponto de seu governo autorizar, estimular e promover,  através de suas avançadas estruturas da ciência e da  inteligência,   a morte da lei e dos princípios democráticos inerentes à sua própria existência.

Osama Bin Laden era um assassino monstruoso, algoz de centenas de milhares de vítimas, fanático. Se quiserem, o filho predileto de Satanás. Merecia ser caçado pela eternidade. Para isso serviu, melhor do que tudo, o aparato econômico e militar dos Estados Unidos.

Mas executar o bandido sem julgamento, depois de preso, já com a decisão tomada de dar-lhe um tiro na cabeça – convenhamos, trata-se da inversão dos  valores que diferenciam uma nação civilizada de um aglomerado de trogloditas. Foi no que se transformaram os senhores dos Estados Unidos  ao determinar   o assassinato do  inimigo número  um da Humanidade. 

Que nazistas e stalinistas assim agissem, demonstrou a História sua condenação perpétua. Mas aqueles que se apresentam  como baluarte da democracia e da liberdade, de jeito nenhum. Levá-lo a julgamento num tribunal de Nova York constituía solução ética e lógica. Mesmo prevendo-se sua inexorável  condenação à pena capital.

Sinal dos tempos travestidos que vivemos foi a reação da sociedade americana às primeiras notícias do desenlace do episódio: jovens e velhos nas ruas,   urrando como animais, festejando a morte  já anunciada  de Bin Laden como quem celebra a conquista de um campeonato de futebol.

Ficou óbvia, neste início de século, a transformação do poder público em poder celerado. Dirão alguns ingênuos e outro tanto de truculentos que tinha de ser assim mesmo. A palavra de ordem era “fazer justiça”, como disse o presidente Barack Obama. Que tipo de justiça ele não explicitou. Jamais, porém, a justiça devida ao ser humano, mesmo o mais vil de todos, prerrogativa decorrente de instituições que a civilização aprimorou através dos tempos. Até  um criminoso como Bin Laden dispunha  do  direito a uma sentença,  assim como  o governo de Washington, da  obrigação de encaminhá-lo a um julgamento imparcial.

O argumento ouvido de áulicos e sabujos dos atuais detentores do poder mundial  é de que se Bin Laden não fosse logo eliminado serviria de mártir para a banda podre do islamismo, provocando manifestações, atentados e, depois de condenado e executado,   peregrinações ao seu túmulo. Por essas razões os russos sumiram com o cadáver de Adolf Hitler e os próprios americanos tentaram por décadas esconder os restos mortais de Che Guevara. Não adiantou nada. 

Está o mundo estarrecido, ainda que com medo de demonstrar, diante da negativa dos mais elementares direitos do homem, por decisão dos governantes da nação imperial.  Assistimos um sofisticado esquadrão da morte e seus mentores agindo como detentores absolutos da ciência do Bem e do Mal. Tratou-se apenas de um exemplo, entre tantos registrados desde que o terrorismo assumiu proporções inimagináveis. Igualaram-se aos terroristas, no entanto, os responsáveis pelo assalto à cidadela onde se escondia o adversário. Não há evidências nem depoimentos de que os comandos americanos mataram Bin Ladem em defesa  própria, no meio de um  tiroteio. Entraram para matar.  Tanto que já sabiam o que fazer com o defunto: joga-lo no mar, para que dele não restasse o menor vestígio.  

Está o mundo sem lei, quando um dia imaginou-se que sem ela não haveria  salvação. Não há mesmo.

Razão alguma existiria para esse espetáculo de vergonha encenado no Paquistão, como da mesma forma nenhum argumento justificou  a carnificina tantas vezes promovida  pelos irracionais chefiados por Bin Laden. O resultado é que agora parte do Islã julga-se na obrigação  de prosseguir na  matança e na  revanche capaz de gerar no Ocidente  mais ódio,  mais  vingança e menos lei.  Regride a Humanidade, sabe-se lá até que ponto, valendo voltar ao mote inicial deste  desabafo:  importa pouco  saber quem nasceu primeiro, se o ovo ou a galinha…

Shakespeare no STF: inelegibilidade é pena ou exigência ética?

Pedro do Coutto

Este é o dilema que, além de irretroatividade da lei, levantada pelo ministro Celso de Mello em seu voto contra a vigência da Lei da Ficha Limpa nas eleições de 2010, envolve a elaboração do texto final do acórdão sobre a matéria. Há uma semana, escrevi a respeito das dificuldades que o Supremo, e também o Tribunal Superior Eleitoral têm pela frente para elucidar completamente a questão, de forma a não deixar dúvidas. Elas persistem hoje apesar do julgamento de 6 a 5 contra a lei do ano passado, desempatado pelo ministro Luiz Fux. O país tem que esperar a publicação do acórdão.

Primeiro, para definir quem deve ser empossado no mandato e quem deverá desocupar a cadeira. Mas não é somente isso. As votações das legendas dos partidos e das coligações terão que ser recalculadas em face das substituições dos deseleitos na primeira instância pelos eleitos na segunda. Sem falar na situação do ex-deputado (renunciou) Jader Barbalho, mais votado para senador pelo Pará, mas sobre quem pesam diversos processos criminais. Não termina aí a odisséia de Homero, que o STF terá que percorrer. Vale a pena analisar, em seu conteúdo, o voto de Celso de Mello.

Ele se baseou (caso complicado ) em três princípios da Constituição: 1) item 39 do artigo 5º, que sustenta não haver crime sem lei anterior que o defina, nem pena sem prévia cominação legal; 2) o item 40 do mesmo artigo afirma que a lei penal não retrocederá, salvo para beneficiar o réu; 3) finalmente, o item 57 do artigo 5º diz que ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória.

Coloca-se então a questão essencial: inelegibilidade é pena ou exigência ética da Lei de Ficha Limpa? É a pergunta básica indiretamente embutida no voto de Celso de Mello. Se predominar a pena no texto final do acórdão, neste caso a lei da iniciativa popular irá para o espaço. Não terá validade para 2010, mas não valerá para 2012, não valerá nem para 2014. Pois nenhum implicado nas tramas obscuras de hoje cometeu crime algum antes do exercício passado quando ela foi sancionada pelo presidente Lula.

Contra esta interpretação argumenta-se que inelegibilidade não pode ser remetida à condição de pena, pois os magistrados são inelegíveis sem que sobre eles recaia qualquer acusação. Da mesma forma, os ministros de estado que não tenham deixado os postos até seis meses antes das eleições. Estar inelegível – como os parentes dos governadores, prefeitos, presidente da República – não representa condenação e sim exigência da Lei Eleitoral.

A questão é complexa. O ministro Cezar Peluso, presidente da Corte Suprema, terá que convocar uma nova votação para que, por fim, possa se chegar a uma definição. Pois agora, depois dos 6 a 5, o que está em jogo não é mais a aplicação imediata da Ficha Limpa, mas sua validade concreta na legislação política brasileira. Isso de um lado. De outro o problema da posse dos eleitos depois das urnas, em consequência do voto do ministro Luiz Fux.

Pode-se tornar algo interminável, aliás como uma série de questões judiciais. Outro dia,  ao falar nas calendas gregas mencionadas pelo ex presidente Lula da Silva, referindo-se ao Mensalão, citei o caso da Tribuna da Imprensa (32 anos), dos Diários Associados (42 anos) do conflito Chagas-Ademar (48 anos no STF). Hoje, acrescento mais um, este referente a resultado eleitoral. Em 1947, Barbosa Lima Sobrinho venceu as eleições para o governo de Pernambuco. Neto Campelo contestou. Demorou 4 anos. Campelo venceu. Mas quem governou o estado foi Barbosa Lima. Aliás grande vulto da política brasileira. Quem ganhou no tapete do Supremo pode vencer mas não levar.

Barcelona, finalista da Liga dos Campeões da Europa. Em 4 jogos com o Real, ganhou um, perdeu um, empatou dois.

Helio Fernandes

Foram 4 jogos que movimentaram o mundo. E não apenas esportivo. Já mostrei aqui, que sempre houve rivalidade entre os dois clubes, envolvendo o ditador Franco. Rivalidade política e ditatorial.

Mas agora o Barcelona é muito melhor do que o adversário. Empatou um jogo, perdeu outro, ganhou o terceiro na casa do adversário, o que lhe deu para hoje, terça-feira, vantagem bem grande. Além do mais, jogava no seu estádio, diante de quase 100 mil pessoas. Quase todos do coração.

Aos 20 minutos do segundo tempo, o Real aproveitou descuido da defesa, empatou o jogo. Mas o Real precisava de mais 2 gols, fazer 3 a 1 (portanto, sem o Barcelona fazer mais nenhum) para se classificar.

O Messi, que não estava esplêndido e esplendoroso, ninguém pode ser genial sempre, (exceção feita para o Lula) e além do mais “apanhou” muito. Quase tanto quanto o Neymar.

*** 

PS – Aos 42 minutos, precisando fazer mais 2 gols, faltando apenas 3 minutos, a torcida do Barcelona festejava na chuva que não parava.

PS2 – Não foi um grande jogo. O maior dos quatro foi o terceiro, realmente sensacional, com a melhor atuação dos últimos tempos. O Barcelona, em outra final da mais importante competição de clubes da Europa.

PS3 – O Fenômeno comentou (?) o jogo, novamente sem sair de São Paulo. Não aumentou um pouco que fosse a audiência da Globo.

Odeio prepotência

Paloma Jorge Amado

Era 1998, estávamos em Paris, papai já bem doente participara da Feira do Livro de Paris e recebera o doutoramento na Sorbonne, o que o deixou muito feliz. De repente, uma imensa crise de saúde se abateu sobre ele, foram muitas noites sem dormir, só mamãe e eu com ele. Uma pequena melhora e fomos tomar o avião da Varig (que saudades) para Salvador.

Mamãe juntou tudo que mais gostavam no apartamento onde não mais voltaria e colocou em malas. Empurrando a cadeira de rodas de papai, ela o levou para uma sala reservada. E eu, com dois carrinhos, somando mais de 10 malas, entrava na fila da primeira classe. Em seguida chegou um casal que eu logo reconheci, era um politico do Sul (não lembro se na época era senador ou governador, já foi tantas vezes os dois, que fica difícil lembrar).

A mulher parecia uma arvore de Natal, cheia de saltos, cordões de ouros e berloques (Calá, com sua graça, diria: o jegue da festa do Bonfim). É claro que eu estava de jeans e tênis, absolutamente exausta. De repente, a senhora bate no meu ombro e diz: “Moça, esta fila é da primeira classe, a de turistas é aquela ao fundo”. Me armei de paciência e respondi: “Sim, senhora, eu sei”. Queria ter dito que eu pagara minha passagem enquanto a dela o povo pagara, mas não disse. Ficou por isso. De repente, o senhor disse à mulher, bem alto para que eu escutasse: “Até parece que vai de mudança, como os retirantes nordestinos”.

Eu só sorri. Terminei o check in e fui encontrar meus pais. Pouco depois bateram à porta, era o casal querendo cumprimentar o escritor. Não mandei a putaquepariu, apesar de desejar fazê-lo, educadamente disse não.

Quando vi na TV o senador dizendo que foi agredido por um repórter, por isso tomou seu gravador, apagou seu chip, eteceteraetal, fiquei muito retada, me deu uma crise de mariasampaismo e resolvi contar este triste episódio pelo qual passei. Só eu e o gerente da Varig fomos testemunhas deste episódio, meus pais nunca souberam de nada.

Paloma Jorge Amado é psicóloga. O texto
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