Desperdício do Trem-Bala, desinteresse pela Ferrovia Norte-Sul, indispensável

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Há dias revelei aqui: está começando o “estudo” para a licitação desse meio de transporte, retardado por tanto tempo.

O preço previsto para a obra é de 76 BILHÕES. Vá lá, é importante a ligação Rio-São Paulo, mas a esse custo? E olha que é apenas previsão. Como sempre, o total será amplamente superado.

Agora a comparação, que deixou à disposição de quem quiser examinar e comentar. A importantíssima Ferrovia Norte-Sul, que realizaria verdadeira revolução nos transportes do país, e traria desenvolvimento fantástico, está parada há 17 anos, exatos e registrados.

Sabem quanto custaria hoje? 30 BILHÕES de reais, dizem que não há dinheiro. Enquanto o trem-bala se movimenta a esse custo astronômico, a Norte-Sul, progresso e prosperidade colossais, não saiu do lugar, E ACREDITO QUE CONTINUARÁ SEM SAIR. Que República.

A novela da sucessão

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Jofre Gadelha
“Helio, quando acabará essa novela política e eleitoral da sucessão do Lula? Ninguém parece ter candidato a presidente, todos se apresentam quase que diretamente a vive. Estou certo?”

Comentário de Hélio Fernandes
Acho que está, Jofre. Pelo menos por enquanto. Na verdade, existem dois candidatos, ambos “vetados”. 1 – O presidente Lula, pelo fato da Constituição não permitir outro mandato. 2 – O governador Requião, pois o PMDB se apavora só em acreditar que ocupará o Planalto-Alvorada. Novidade mesmo só depois da DESINCOMPATIBILIZAÇÃO.

Chávez: ditador, enganador, devastador, desolador

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Não engana ninguém mas se existissem dúvidas, desapareceriam com seu último ato: combater a inflação com repressão policial. Toda a Venezuela, e Chávez (e não a Venezuela) recebido no Mercosul. Mas sua entrada não está definitivamente sacramentada.

O que ele quer e precisa mesmo é palanque, microfone e qualquer forma que seja para exibir o autoritarismo. E contra o seu próprio povo.

20 anos da morte de João Saldanha, a inauguração do monumento no Maracanã. A morte, apressada, aos 73 anos, o monumento, justíssimo, quase que não vinha. Ninguém foi tão importante quanto ele (fora de campo), a não ser João Havelange. Estiveram juntos, num tempo glorioso.

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Nada mais justo do que aquele que já foi conhecido no Brasil e no mundo, como o maior estádio, o Maracanã, tivesse um monumento dedicado a um personagem fora de série. Também reconhecido como dos maiores, admirado até por quem não concordava com suas idéias.

Saldanha mereceu pelo conjunto da obra. Polêmico, o que não é depreciativo, qual dos personagens da História que não polêmico, contestado, contestador? Foi realmente incomparável, embora não gostasse de depreciar ou desprezar ninguém.

Se destacou logo, do princípio ao fim, assim que chegou ao Rio, em 1930. Veio com o pai, “revolucionário de lenço no pescoço”, grande amigo de Vargas, que quase imediatamente lhe deu um cartório de imóveis na Zona Sul. Imóveis e Zona Sul que ainda não existiam.

Apaixonado por futebol, assistiu a Copa de 1930, a primeira, no próprio Estádio do Centenário. Tinha 13 anos de idade. Nada muito estranho ou surpreendente. Desenvolvido, criado livremente, morava em Porto Alegre, praticamente bastava atravessar a rua.

Confessava que esse foi o espetáculo que jamais esqueceu, embora tivesse vivido mais 60 anos, intensamente. Sua capacidade mental e memória, inacreditáveis.

Não foi à Copa de 34 na Itália, esteve na França em 1938, navegando por mares nunca dantes navegados, e já tumultuados pela Segunda Guerra Mundial, que praticamente começava. (Não assisti nenhuma dessas três Copas, embora tivéssemos nascido no mesmo ano, e acumulássemos paixões esportivas ecléticas e movimentadas).

Meu primeiro contato com João Saldanha ocorreu em 1939, no Estádio do Vasco. A seleção brasileira jogava com a Argentina pela tradicional Copa Roca, disputada de 2 em 2 anos. O Brasil perdeu por 5 a 1. A Polícia Especial da ditadura (com aquele vergonhoso uniforme de quepe vermelho e a crueldade que exibira em 1937 e 1938, no julgamento de Prestes, defendido por Sobral Pinto, designado pela OAB) batia violentamente nos argentinos, jogadores e dirigentes.

Eu era da revista O Cruzeiro, a maior organização jornalística antes de surgir a Globo, não tenho a menor ideia de onde era João Saldanha. Mas ele já plantava a ética, estética e eclética personalidade que agora é eternizada no Maracanã, o estádio mais “reformado” do mundo.

Ficamos ligeiramente conhecidos, fomos nos reencontrar realmente muito bem a partir da Copa de 50. Pela esperança, pela certeza do primeiro título, silenciados juntos com os mais de 200 mil que estavam assistindo o jogo. (Não existiam “borboletas”, invadiram o estádio, derrubaram muros, é um episódio épico, histórico, muito pouco contado ou analisado. Foi inesquecível e insuperável até hoje, qualquer que seja o ângulo da apreciação).

Estivemos juntos em 1958, 62, 66 na Inglaterra, na primeira vez em que o Brasil não passou para o mata-mata da segunda fase. Muitos foram embora, nós para Londres, ficamos no Gosvenor House, no Hyde Park. Acordávamos cedo para ver cidadãos discursarem livremente em pé num banquinho.

Um dia, a BBC convidou Saldanha para um debate com Bobby Charlton, capitão da seleção inglesa que fora campeã, com um gol que não entrou. A conversa ia bem, até que o jogador da Inglaterra, não conhecendo João, disse textualmente: “O Brasil poderia ter mais repercussão se não fosse a violência”.

E Saldanha, olhando firme para Charlton, disparou como se perguntasse: “Bobby, você quer convencer a mim ou a qualquer telespectador, que a Scotland Yard fez fama mundial prendendo criancinhas?” O inglês não abriu mais a boca, Saldanha não tripudiou, mas disse o que precisava ser dito. Como sempre.

Nessa época, com 45 anos, Saldanha já era personalidade respeitada e temida, esportiva e politicamente. Embora tivesse péssimo relacionamento com o pai reacionário, se fixou em Botafogo por causa do cartório. Mas não morava com ele nem dependia de maneira alguma de qualquer ajuda.

Entrou no clube, fez história, se transformou numa lenda, no sentido negativo ou positivo. Só que, além dos fatos, criaram sobre Saldanha um vasto folquelore, por causa de suas convicções e do seu jeito de ser. Só vou contar o que interessa, fatos e não rumores ou boatos, deixando de lado versões inventadas ou deturpadas.

Nunca se manifestou politicamente, mas fez intensa vida jornalística e esportiva. Polêmico e dando a última palavra em tudo, foi o único jornalista a escrever diariamente para O Globo, fazer narração para a Rádio Globo, comentar jogos para a TV Globo, que estava surgindo em 1965. E era atração, simultânea e insubstituível.

Veio da Copa da Inglaterra no auge, já na ditadura, embora esta só fosse se “assumir” totalmente a partir de 1966 (final) até 1968, (com o AI-5 monstruoso) e depois cruel e atrabiliária, até ser superada por dentro (como acontece sempre) e pela resistência que ia crescendo.

Visado, vigiado, mas não atingido frontalmente, esses foram, esportivamente, os anos de ouro de Saldanha. Durante alguns desses anos, íamos diariamente à praia. (Quando eu não estava preso, raro). Ao meio-dia, saíamos do Jardim de Alah até o “Castelinho”, quando nos encontrávamos como Carlinhos Niemeyer e Sandro Moreira, que personagens. (Marcávamos na esquina de Delfim Moreira com Epitácio Pessoa. O primeiro tendo sido presidente e substituído pelo segundo).

Eu tinha paixão por corrida, o que me acompanhou a vida toda. Saldanha ficava furioso comigo, resmungava sempre: “Helio, correr não é bom, andar, até bem forte, é que faz bem”. Ele era profissional, sempre. Não atendi nunca, uma das minhas admirações era a maratona.

A mais curta, 100 metros, também muito endeusada, justamente. Só que representa total contradição: o atleta treina 10 anos para vencer e se realizar em 10 segundos. (Agora, até menos).

Em 1936, o negro americano Jesse Owens, ganhou 5 medalhas de ouro, derrotando os “arianos puros”. Obrigou Hitler a abandonar o belo Estádio Olímpico de Berlim, mais enraivecido do que o habitual.

(Nessa Olimpíada, a última antes da Segunda Guerra, dois brasileiros que ficariam famosos: Maria Lenk e João Havelange. Ela já concorrera em 1932).

Em 1969, o Brasil ia mal na eliminatória para a Copa de 1970. João Havelange, competente, conservador mas não intransigente, foi conversar com Saldanha, se acertaram, ele assumiu a seleção, classificou-a para a Copa de 1970. Isso os “presidentes” entre aspas não podiam admitir. Exigiram a convocação de Dada Maravilha, Saldanha ficou irredutível. Havelange tentou contornar, disse a ele, “convoca e escala quando você quiser”.

Saldanha respondeu com uma frase: “Eu não nomeio ministros, eles não convocam jogadores para a seleção”. Foi o fim. Havelange não pôde segurar. Mas aquela seleção de 1970 era tão fantástica e insuperável, que ganharia com qualquer técnico.

Outro técnico com a competência de Saldanha, surgiria somente em 1978. Era o capitão (mocíssimo e da ativa) Cláudio Coutinho. Não ganhou a Copa da Argentina, porque a ditadura de lá não deixou. Mas Coutinho inventou e ensinou muita coisa. Inesperadamente, morreu afogado, pescando nas Cagarras. Teria existido a Era Coutinho. Como haverá para sempre, a Era Saldanha.

Tenho que parar em algum momento, então no mais triste, a Copa de 90 na Itália. O médico tinha aconselhado (proibido) João a não viajar. Era uma vítima do cigarro, fumava intensamente, tinha o efizema que o mataria. Não viu nenhum jogo.

***

PS – Ia visitá-lo quase todo dia no hospital, como sempre fazia artigo e coluna diários. O médico me disse que ia morrer quase imediatamente. E o próprio Saldanha sabia disso.

PS2 – Passei então a pedir a Deus que ele morresse durante a Copa, para receber as homenagens que merecia. Morreu uma semana depois da final. Os estádios em silêncio. Vazios, mas chorando a sua ausência. A falta da presença de um homem que só se entregou inteiramente, a si mesmo e às suas paixões.

Informalidade é o maior desafio para o governo e JT

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Roberto Monteiro Pinho

A informalidade continua sendo o maior desafio social do governo federal, que ao longo de décadas não conseguiu criar elementos jurídicos capazes de suplantar este fenômeno de massa trabalhadora, que soma 65 milhões de pessoas e pode segundo previsões oficiais, atingir 80 milhões nos próximos dez anos. Se para os legisladores e o governo federal a equação é difícil, no judiciário a solução pratica dos julgadores é o reconhecimento de vínculo formal, concedendo ao trabalhador informal que entra na justiça, todos os direitos do formal, com isso, o volume de ações deste segmento (que reúne as cooperativas), segundo dados coletados nas estatísticas do TST, é responsável pelo total de 12% das ações existentes no judiciário laboral, o equivalente a 1,8 milhões de ações. É mais um senão, reflexo do conjunto da doutrina/jurisprudência, que estabelece regras de interpretação, entre elas a de que, “se deve preferir a inteligência que faz sentido à que não faz; deve preferir-se a inteligência que melhor atenda a tradição do direito; deve ser afastada a exegese que conduz ao vago, ao contraditório, ao absurdo”.

Na verdade até o momento não temos registro de uma ação eficaz no sentido de alcançar a solução para este problema social, que acaba corrompendo a estrutura da saúde estatal, já que neste caso, grande parte não possui previdência social e com isso deságuam nos hospitais públicos milhares de pessoas que buscam a assistência médica. De fato resta ao juízo trabalhista uma única saída que é do reconhecimento do vínculo trabalhista, eis que este direito está inserido no código de leis (CLT) e tem ampla jurisprudência neste sentido. Dois aspectos envolvem este fenômeno: as cooperativas de trabalhadores e os avulsos, ambos afetos ao dissídio individual previsto em lei, que se guarnece pela própria CLT, e o artigo 7° da Constituição federal. O primeiro ainda na polêmica da legalidade, eis que se trata de um meio, capaz de suprir em parte esta dificuldade, só que esqueceram de avisar os juizes trabalhistas, e o resultado é a repressão a esta atividade.

Convém ressaltar que as cooperativas estão abrigadas em Lei Especial, que regula seu funcionamento, no entanto existe de fato uma deturpação deste mecanismo no campo social, já que o trabalhador associado está protegido no caso de assistência social e aposentadoria, no entanto não tem outros direitos, já que recebe seu quinhão no lucro da atividade global da cooperativa. Ocorre que existe uma certa razão ao judiciário trabalhista no tocante ao funcionamento dentro das normas que regem esta atividade cooperativada, existem casos em que o trabalhador alem de não receber seu quinhão de lucro do negócio, não tem cobertura social, em detrimento de seus dirigentes que alem dos altos salários, são privilegiados em vantagens extras, que não chegam ao associado trabalhador. Esta questão é crucial para o funcionamento das cooperativas, que hoje estão na mira do judiciário laboral, como um dois vilões da exploração de mão-de-obra trabalhadora.

Não se pode olvidar que “o futuro a Deus pertence”, na concepção de Roberto Fragale Filho e Joaquim Leonel de Resende Alvim em “Trabalho, Cidadania e Magistratura” – Editora Destaque: (…) “Dessa forma, não é possível pensarmos em inserção cidadã pelo trabalho informal, já que esta inserção faz-se sem qualquer parâmetro de níveis assegurados de bem-estar social”, mas é latente que este contingente de trabalhadores informais, sem a proteção da Previdência Social, nos reserva uma catástrofe. O fato é que dentro de poucos anos, na medida em que este grupo for atingindo 70 anos, estará sem condições de subsistência, já que a aposentaria especial para o informal, ainda se prende a combalida autonomia, data venia, mal divulgada, incompreendida e de dúbia interpretação, nas relações de trabalho, envolvendo tomador de serviço temporário (através de cooperativas), terceirizadas, cujo vínculo é da prestadora (primeira contratante) e a solidariedade da segunda que se beneficiou do trabalho do autor, caindo este no lugar comum das sentenças, cujo título executório, acrescido do dano moral, são deveras alarmantes, sob tutela do Estado juiz.

Excessos contra o micro empregador

Apesar das críticas que vem sofrendo, a CLT cumpre seu papel, na proteção dos direitos do trabalhador, em que pese seus aspectos burocráticos e excessivamente regulamentador carece de uma atualização, especialmente para simplificação de normas aplicáveis a pequenas e médias empresas que dispõe de benefícios fiscais do Estado, mas não recebem este tratamento distinto na Justiça do Trabalho, o que na concepção de juristas é a fonte da proliferação de milhares de ações trabalhistas, muitas das quais de lide temerária, que inviabilizam o funcionamento do pequeno negócio, e inibi a contratação de mão-de-obra, culminado com o empregador mergulhado na clandestinidade. Em razão da suprema necessidade de adequação a realidade de mercado oxigenado pela globalização, o texto que capitania a reforma trabalhista, o PL 1987/07, de autoria do deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP), reúne em um único texto o teor de toda a legislação material trabalhista brasileira (1,6 mil artigos), com 206 leis referentes à Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), mas não trata de dois pontos vitais: a proteção ao micro e pequeno empregador e a criação do Juizado Especial Trabalhista.

Com devida venia, o trade trabalhista não vê com bons olhos a inexistência do Juizado Especial Trabalhista (JET), na JT, que poderia ter seguido o exemplo da justiça estadual com a criação dos Juizados Especiais Cíveis e Criminais (JEC/JECRIM), pela Lei 9.099/95, cujos resultados são comprovadamente os mais benéficos para a prestação jurisdicional, permitindo não só a solução rápida dos conflitos, mas também auxiliar o judiciário ordinário, assoberbado com o acúmulo de ações.

Este modelo de prestação jurisdicional projeta o Estado na modernidade, e garante ao cidadão a tutela do direito através de seus tribunais, é por isso que entendo ser compatível a implantação do Juizado Especial Trabalhista, não apenas como forma de aliviar a demanda de ações, mas também para socorrer com maior brevidade os trabalhadores que necessitam a solução do conflito para fazer jus a sua indenização, e seu formato, simples e prático, a exemplo do JEC/JECRIM permitirá o agendamento da audiência com a simplicidade, liquidando a ação na primeira audiência sem a necessidade de testemunhas e dispensando a prova pericial.

A Justiça do Trabalho através de seus integrantes conspiram contra as micro e pequenas empresas do país, os magistrados pelo método de interpretar texto de lei, diferente do equilíbrio e aplicabilidade do judiciário estadual, que não reflete a coloração corporativo ao emprego, em detrimento do mercado de trabalho. O fato é que os temas processuais relevantes, aliando a teoria à prática, vêm contribuindo de maneira decisiva, para a consolidação da autonomia doutrinária do Direito Processual do Trabalho, mas na relação eficácia da lei e sua aplicabilidade, existem enormes fronteiras que separa a solução do litígio da realidade social do sistema político vigente, daí que em contraste ao protecionismo ao trabalho, tratado de hipossuficiente, na relação estado e sociedade os limites do tratamento são imperados por lei que determina o trato, muito embora, inexplicavelmente não adotado pelo juiz do trabalho, já que por empréstimo, vigora com seus efeitos, o Estatuto da Micros e Pequena Empresa.

Lula em sinuca de bico

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Carlos Chagas

Com o presidente Lula outra vez na capital federal, a expectativa é de que ainda esta semana ele tome medidas para sustar os efeitos da primeira crise do novo ano, eclodida em torno do Programa Nacional dos Direitos Humanos. Antes de sair de férias, o primeiro-companheiro prometeu ao ministro da Defesa, Nelson Jobim, e aos comandantes das forças armadas, que iria rever o documento já publicado, “que assinou sem ler”. O ministro e os chefes militares ameaçaram, por carta, demitir-se de suas funções caso permanecesse no texto a perspectiva de revogação da Lei de Anistia, para permitir a punição de agentes do poder público envolvidos na prática de tortura durante os anos da ditadura. Exigiram, ao menos, o mesmo tratamento para quantos, naquele período, dedicaram-se à luta armada, cometendo crimes como sequestros, assaltos a bancos, assassinatos e similares. Existem ministros implicados nessas ações.

Os protestos contra o decreto dos Direitos Humanos não pararam por aí. O ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, rotulou de preconceituosa a proposta de limitação da reintegração de posse, pela Justiça, de terras invadidas pelo MST. Associações de produtores rurais e seus representantes no Congresso fizeram coro com as palavras do ministro, para quem o agro-negócio sofrerá duro golpe. Integraram-se nas críticas as empresas concessionárias de emissoras de rádio e televisão, por conta de outra inovação do decreto: para renovar as concessões o governo criará um conselho encarregado de monitorar o conteúdo editorial dessas empresas, podendo concluir pela cassação das concessões, uma evidente censura à liberdade de manifestação do pensamento.

Está o presidente Lula em sinuca de bico. Porque se cumprir a promessa feita ao ministro da Defesa, estará contrariando a opinião da maioria do governo e do PT, além de provocar a demissão do ministro dos Direitos Humanos e, quem sabe, do próprio ministro da Justiça. Mas se não fizer nada, empurrando a crise com a barriga, arrisca-se a ficar sem maioria no Congresso, vendo derrotados muitos dos 27 projetos de lei que o decreto impõe.

Outra conseqüência inevitável dirá respeito à candidata Dilma Rousseff: ela será obrigada a pronunciar-se a respeito das sugestões dos Direitos Humanos. Concordando com todas, perderá apoio precioso nos partidos da base oficial. Discordando de uma, talvez não conserve o apoio do presidente Lula…

Etanol em baixa

O recente aumento nos preços do litro do etanol, nas bombas, reflete o descaso com que o governo cuida da outrora maior prioridade econômica nacional. Nenhuma iniciativa se viu, para conter a decisão dos produtores de transferir para os consumidores gastos que poderiam ser minimizados com programas de financiamento ou, mesmo, com um pouco de firmeza por parte do poder público. Por conta do petróleo localizado no pré-sal, que por muitos anos ainda continuará nas profundezas, retirou-se do combustível tirado da biomassa aquele caráter prioritário de tempos atrás. Nem o presidente Lula fala mais do etanol, quando viaja ao exterior, nem prosperou a idéia da criação de uma empresa estatal específica para cuidar da produção, comercialização e promoção do álcool, que um dia salvaria o planeta da poluição. Enquanto isso o petróleo poluidor ganha sua segunda estrutura, paralela à Petrobrás. Estão contando com o ovo ainda na barriga da galinha.

Candidato próprio do PMDB e debate franco

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Márcia Bittencourth
”Helio, aqui da Paraíba, minha satisfação pelo teu belo artigo e exigência do candidato próprio para presidente do meu PMDB. Não tenho voz nem voto, mas o que não me falta é esperança. Sou muito moça, não é que eu ache que devemos esperar, mas pelo menos tenho tempo”.

Comentário de Helio Fernandes
Notável, Márcia, o que o Brasil precisa mesmo é de tempo. Quer dizer, tempo aproveitável. Tempo perdido e esbanjado existe de forma lamentável. Deviam obrigar os partidos a terem candidato próprio. E a lerem a carta de Pero Vaz de Caminha.

Valdir Stédile
”Desejo que o governador Roberto Requião consiga a façanha de vencer as manobras da cúpula do PMDB, tendentes a fazer aliança com o PTL (Partido dos Trabalhadores do Lula), e possa ser candidato a presidente, servindo de exemplo para que o PDT também lance candidato próprio a presidente. Nós não queremos o governo para dizer amém a tudo, vamos cooperar para que o presidente Lula erre menos”.

Comentário de Helio Fernandes
Obrigado, Valdir, o que você e seu irmão Valmor tem contribuído para revelação e esclarecimento de fatos históricos, inimaginável.

Tenho que agradecer também a muitos outros, como Aquino, Werneck, Rubem César, e mais e mais, por tudo que tem trazido a público. O objetivo deste blog (que já foi identificado como “o mais instigante”, por permitir o debate franco e aberto) é exatamente esse: debater sem hostilidade, sem obrigação de elogiar uns aos outros, mas também sem a necessidade de agredir.

Quem se responsabiliza pelas mortes de Angra, Ilha Grande e as outras?

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Fortalecido pela Constituição de 88, o Ministério Público vem cumprindo suas funções. De forma exemplar, apesar da resistência dos poderosos. Agora estão investigando para saber quais são os culpados do que chamam de tragédia. (Não deixa de ser, mas não como se fosse “combustão espontânea”).

Vão chegar ao ponto fundamental da questão: morreram mais de 60 pessoas, milhares foram atingidos, sofreram, perderam tudo (não apenas materialmente) e ninguém é culpado ou responsabilizado?

Conversa com os leitores

Raimundo Barros, Aldir Machado, Carlos Augusto e diversos outros estranharam o fato de não ter escrito sobre a tragédia de Angra e da Ilha Grandes.

Comentário de Helio Fernandes

Já fui criticado pelo excesso de notas contra o governador Cabral. Mas pela omissão, é impossível. Revelei que ele assinou e publicou em junho de 2009 decreto autorizando novas construções em locais arriscadíssimos.
Fui a único a dizer que ele estava no belo “descanso” de Mangaratiba, a 50 quilômetros de Angra, com helicóptero na porta, e nem se levantou. (Citei até Ascenso Ferreira).

Vôlei, solidariedade com o Maracanãzinho quase lotado

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O jogo do Rio contra o São Caetano, rivais esportivos, foi compreendido inteiramente pelo público. A entrada custava menos para quem levasse alimentos não-perecíveis. Foram 9 toneladas, um desprendimento que deve ser repetido.

O Rio ganhou por 3 a 0, mas o mais importante foi a ideia e a resposta do povão. Parabéns, o jogo acabou às 11 da manhã. Ainda deu praia para muita gente.

Lula descansa carregando pedra, perdão, isopor, todos dependem dele. Correligionários e adversários. Podem até não gostar, como não gosto, mas é rigorosamente verdadeiro

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Lula, arquiteto da sucessão dele mesmo, ficou perplexo duas vezes, e continua até agora. 1 – Aceitou que lançassem Michel Temer, impressionado: nenhuma repercussão, nem veto nem apoio, é como se ele não existisse. (E existe? Quem diz que não é um pseudônimo, já que anônimo ele é, por direito de conquista).

2 – Falou então, ligeiramente, na lista tríplice, o PMDB desabou sobre sua cabeça. E apareceram dois nomes campeões de irregularidades e, portanto, de indicações: Edison Lobão e Romero Jucá. Nenhum deles pode explicar como viveu até hoje, jamais tiveram um emprego na vida, a não ser os parlamentares e ministeriáveis.

Acusados de tudo, e não foram “SUPOSTAS” e sim verdadeiras. Curiosamente o mandato dos dois termina agora, o que acontecerá? Líder (?) de FHC e de Lula, se for reeleito, continuará com quase todos. Menos naturalmente com Dona Marina, Requião e Minc, se fosse candidato o que deveria acontecer, pois foi, DISPARADO, o melhor ministro dos 36 que existem. Existem?

A luta que assombra e assusta o PMDB: a vice com Lula, direto ou indireto. Todos vulneráveis.

Acho que a movimentação dos partidos e das personalidades, se dará apenas nos bastidores. A tradição, o hábito e o costume brasileiro, de não fazer nada antes do carnaval, levará esse “recesso”, até a data dos que estão em alguns cargos, saírem por exigência constitucional.

Quase todos, que têm chance por pertencerem a partidos grandes, precisam deixar os cargos. Para uns, (Dona Dilma) é ruim. Ou melhor, neutro, pois continuará fazendo a mesma coisa “que faz hoje”, ou seja, nada. Lula domina de tal maneira, que mesmo com o isopor na cabeça, continua carregando todos eles. Todos dependem dele.

Serra também tem prazo. Como ainda não decidiu se fica em São Paulo ou muda para Brasília, vai utilizar o tempo todo. O PSDB não pode contrariá-lo, a legenda é dele por direito de conquista (?). Aécio tem que sair, obrigatoriamente, só que não sabe para onde ir. Cada diz uma coisa, ele mesmo se confunde.

* * *

PS – Como a luta é por palanques e tempo de televisão, todos os estados serão atingidos. A confusão é total. (Royalties para Machado de Assis).

PS2 – Em setembro, fiz análise completa sobre a luta eleitoral no Estado do Rio. Concluí e revelei: existem 11 personagens para 4 cargos: governador, vice e duas vagas de senador. E encontrei uma “incógnita”.

PS3 – Até agora, 4 meses depois, alguns dos 11 não se definem, se assustam, se confundem. E a “incógnita”, tem bastante tempo para decidir.

No Qatar, Nadal não ganhou, mas aumentou a conta bancária

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Estranho, esquisito, estapafúrdio, mas de certa maneira, estupendo. Nadal venceu o primeiro set em 19 minutos, 6/0, o público ainda chegando. No segundo, reação total de Davidenko, Nadal manteve o ritmo, foram para um teibreak, com todos os sinais de merecer os aplausos para os dois tenistas.

Davidenko fez 4/1 com duas quebras a favor, e sacando duas vezes. Perdeu os dois, lógico, 4/4. Foram alternando erros, vantagens para Nadal e Davidenko, finalmente o russo fez 10/8, empatou em sets. A torcida, satisfeitíssima, que final de tarde.

O terceiro foi esdrúxulo, que palavra, muito alternado. Nadal quebrou logo o serviço de Davidenko, ia quebrando o segundo, Davidenko se salvou. E aí ganhou o jogo, sem chance para Nadal. Foram 2 horas e 46 minutos, 46 games, 3 sets. Davidenko, que no final de 2009 derrotou Federer, no início de 2010 liquidou Nadal. “Apenas”, o número 1 e o número 2.

Gastaram fortunas com a guerra fria. Mais do que, todos juntos, desperdiçaram na Segunda Guerra Mundial. Ninguém ganhou. Nem o prepotente capitalismo, nem o suposto e pretenso socialismo soviético

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Sandra
“Caro Helio Fernandes. Vosso panorama aponta que “o fim” (está no original) da guerra fria foi um blefe. O que os comunistas conquistaram ou conquistarão nessa vitória mundial?”

Comentário de Helio Fernandes
O assunto é fascinante, mas desculpe, não entendi o que você quis dizer ou onde pretendeu chegar. De qualquer maneira, conversemos.

Blefe, farsa, mistificação, qualquer que seja a palavra, cabe inteiramente no que chamaram de guerra fria. Mesmo contabilizando o que os EUA e a então União Soviética, tiveram que gastar na Segunda Guerra Mundial, o que “investiram” nessa denominada guerra fria, é no mínimo 10 vezes mais. Sem o menor exagero.

E também, Sandra, não houve vitoria para nenhum lado, seja o americano ou o soviético. Os comunistas não conquistaram nenhuma vitória. Pelo contrário, mergulharam numa tal HOSTILIDADE DE COMPRA E FABRICAÇÃO de equipamentos militares, que não houve e nem podia haver mesmo VITORIA COMUNISTA. Ou AMERICANA.

Os americanos precisavam desgastar o regime soviético, desmoralizá-lo, e liquidar o seu orçamento militar. De tal maneira, que quando os gastos militares da União Soviética chegaram a 70 por cento do total,  não dava mais para resistir, lutar, manter a guerra fria. Não tenho lado nessa guerra inglória, fulminaram o dinheiro do povo, sem que esse povo fosse consultado.

Não havia consulta na União Soviética porque, é evidente, o regime não permitia. Fracasso total. Foram os primeiros a irem ao espaço (Gagarin), mas nunca chegaram à Lua. Construíram os submarinos nucleares, mas não sabiam fabricar um liquidificador. Automóvel? O máximo a que chegaram, foi ao inútil e imprestável LADA, uma vergonha.

Stalin, tão carniceiro quanto Hitler, durante os primeiros 15 anos de governo, da morte de Lenin (1924), até o início da Segunda Guerra (1939), seu pânico, terror e obsessão, se dirigiam para o ASSASSINATO DE TROTSKY, único intelectual verdadeiro da União Soviética. Morto Trotsky em 1940, Stalin se voltou para a conquista do mundo. Não tinha talento nem liderança para isso. Os novos arquivos ABERTOS sobre Stalin e seu “governo”, espantosos, mostram a loucura, o delírio e a falta de credibilidade desse ASSASSINO.

Os EUA, com um regime política e eleitoralmente aberto, não precisavam consultar ninguém. Instalados no Poder, dominavam tudo. Seus mandatos eram ININTERRUPTOS até as 4 eleições de Roosevelt. Aí Democratas e Republicanos se assustaram, em 1952 RADICALIZARAM. Agora, os presidentes só podem ficar 4 anos, se reeleger por mais 4, e fim da vida pública.

Só que limitados a 8 anos, ganharam em autonomia, dificilmente podem ser contrariados. Foi o que aconteceu na chamada “guerra fria”, na qual, EUA e União Soviética arruinaram em matéria de dinheiro, importâncias que poderiam acabar com a miséria NO MUNDO INTEIRO. Mas como resistir ao famoso COMPLEXO INDUSTRIAL MILITAR?

* * *

PS – O escritor americano, Tim Weiner, escreveu livro maravilhoso sobre a guerra fria e a participação da CIA nesses 65 anos. Ganhou merecidamente o Prêmio Pulitzer. E mais merecidamente ainda, a admiração pelo trabalho que produziu em 20 anos de pesquisa. Assombroso.

PS2 – A Record editou o livro com o título: “Legado de Cinzas: uma História da CIA”. E termina com a frase confissão: “O que escrevi não é a verdade completa. Mas até onde minha capacidade permite, é pura verdade”.

PS3 – Você, Sandra (e quem se interessa pelo assunto e o destino do mundo), encontrará ali, tudo o que necessita. Imperdível.

Serra teme o debate com Lula

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Pedro do Coutto

Provavelmente um dos motivos que está levando o governador José Serra a adiar o gesto de se declarar candidato à presidência da República é o de evitar travar qualquer debate com o presidente Lula, que atinge a índice impressionante de popularidade. Serra teria como estratégia aguardar o momento em que a ministra Dilma Roussef formalize sua condição plena de candidata. Então, o debate de idéias em torno de temas definidos seria com ela, diretamente, e não com Luis Inácio. O governador de São Paulo, com isso, pode estar contrariando correligionários e candidatos a governos estaduais que se propõem a abrir palanques para ele. É certo. Mas, em contrapartida, tenta impedir que a campanha ganhe um caráter plebiscitário em torno do desempenho do Palácio do Planalto, ancorado pela aprovação praticamente generalizada  da opinião pública. Os efeitos do apoio de Lula a Dilma já se fizeram sentir na mais recente pesquisa do Datafolha. Ele, Serra, manteve seu nível de 37 pontos, mas a chefe da Casa Civil avançou de 17 para 23%. Se o apoio inicial de Lula foi suficiente para melhorar a colocação da candidata, quanto mais ele se empenhar, melhor para ela.

Há uma  transferência nítida. Até que ponto chegará eis a questão. O lançamento de Serra antes do lançamento de Dilma poderia conduzir parte substancial do eleitorado a fixar uma visão dfo confronto da qual o candidato tucano tenta evitar. As eleições não são entre Serra e Lula, tampouco entre a atual administração e a de Fernando Henrique.

Porém se houvesse um debate entre Lula e Serra parte expressiva do eleitorado poderia traduzir como um confronto entre o presidente e aquele que, através da oposição, busca sucedê-lo. De qualquer forma, o posicionamento de Serra está deixando uma sombra envolver sua disposição. Se existem aqueles que interpretam a cautela como uma dúvida do próprio governador, outros identificam no recolhimento aparente uma estratégia mais sofisticada. Pois quanto mais debate houver ou houvesse entre Lula e Serra, mais facilmente o presidente colaria a imagem da ministra na sua própria imagem e na imagem do governo. A política tem dessas coisas. Lula tem como estratégia centralizar o debate, Serra empenha-se para evitar que as imagens de Lula e Dilma se confundam e transformem os dois num só personagem eleitoral.

Por esse motivo, e outros que vão surgir, é que o confronto de 2010 ganha caracteres bastante particularizados. Incluindo-se no quadro o rumo a ser adotado por Ciro Gomes, cuja presença garante o desfecho de outubro no segundo turno. Daí a dúvida se ele será mais útil ao governo disputando a presidência pelo PSB, com reduzido tempo no horário eleitoral, ou lançando-se candidato ao governo de São Paulo. Deu um passo nesse sentido, transferindo seu domicílio político. O problema do tempo na TV pesa muito. A senadora Marina Silva vai se deparar com ele em sua campanha pelo Partido Verde. Isso no plano federal. É difícil que o PV forme coligações capazes de ampliar seu espaço. Obstáculo que prejudica a candidatura Fernando Gabeira ao Senado pelo Rio de Janeiro. Quando disputou a Prefeitura do Rio firmou aliança com o PSDB e o PPS que lhe assegurou tempo precioso de exposição. Mas este ano, sem o PSDB, a conquista do passado recente desaparece no futuro próximo. Para obter tempo na TV seria necessário um novo acordo com o PSDB, fornecendo espaço a Serra no Estado. Mas, para isso, Marina Silva teria que retirar sua candidatura, já que a lei não permite que o partido que possui uma candidatura à presidência possa formar coligação com legenda diversa no plano estadual. Como se vê, a questão tempo é mais complicada do que parece ser à primeira vista. O mesmo pode se aplicar ao retraimento de Serra. Política é assim.

Respostas duras, mas de maneira amigável…

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Carlos Chagas

Vale começar com a diretriz que o então chefe  da Quinta Frota da Marinha dos Estados Unidos,  no Pacífico,  enviou aos  navios sob seu comando: “A GUERRA COM O JAPÃO TERMINA ÀS 12 HORAS DO DIA 15 DE AGOSTO DE 1945.  É POSSÍVEL QUE DEPOIS DISSO OS KAMIKASES ATAQUEM A FROTA, NUMA ARREMETIDA FINAL.  QUALQUER AVIÃO INIMIGO QUE ATAQUE A ESQUADRA DEVE SER DERRUBADO DE MANEIRA AMIGÁVEL.”

Aplica-se a lição para o confronto verificado entre o PT e o PSDB, quer dizer, entre os partidários de José Serra e de Dilma Rousseff.  Derrota, propriamente, não houve de nenhum dos lados, a batalha final só será travada em outubro. Mas assessores de lá e de cá, aproveitando as Festas de Natal e Ano Novo, celebraram uma espécie de cessar fogo nas baixarias. Nem o governador  aproveitará para desancar o governo Lula, nem a chefe da Casa Civil centralizará sua campanha nas omissões do governo Fernando Henrique. Ambos, ao menos no plano das intenções, deverão voltar-se para o futuro, ou seja, pedir votos relacionando programas  a desenvolver e objetivos a alcançar. Tudo  muito bonitinho, a ver se acontece mesmo.

O problema é que importante  cacique do PT, preocupado, procurou o ainda presidente do partido, Ricardo Berzoini, para saber como reagir se algum tucano atabalhoado, á maneira dos kamikases, investir com virulência  sobre o presidente Lula e seus ministros. A resposta foi muito semelhante à do comandante da Quinta Frota: “amigavelmente, pau nele!”

A gente fica pensando até quando o espírito natalino presidirá as preliminares da campanha eleitoral, mas, ao menos até agora, tanto Serra quanto Dilma dão a impressão de respeitar  o armistício.

Um novo governo Lula?

Não dá para entender  o tal decreto do Plano Nacional dos Direitos Humanos,  que o presidente Lula assinou sem ler. Porque a leitura detalhada do  texto revela a divulgação de um novo e monumental  plano de governo. Se quiserem, até mesmo de  um anteprojeto de  revisão da  Constituição, tantas e tamanhas  as propostas enunciadas, aliás, jamais sugeridas ou implementadas  nos últimos sete anos. Uma revolução do tipo Hugo Chavez.

O decreto transcende olimpicamente a questão dos direitos humanos. Vai além da necessidade de revisão da Lei de Anistia e da punição para  torturadores, inclusive  dos tempos do regime militar.

Prega a criação de empecilhos  à outorga e renovação das concessões para empresas de rádio e televisão,  subordinando-as  a “critérios de acompanhamento editorial”, isto é,  aos interesses políticos de quem estiver detendo o poder. Ressuscita a taxação de grandes fortunas,  estabelecendo  um novo imposto a ser lançado conforme visão  específica  do governo federal. Diferencia os regimes de fiscalização de  empresas brasileiras e de empresas multinacionais.  Agride a  competência do Congresso, que até hoje não quis aprovar  o financiamento público das campanhas eleitorais.  Pretende vulgarizar  a realização de  plebiscitos,  referendos, leis de iniciativa popular e vetos populares, novamente atropelando as prerrogativas parlamentares.  Reconhece o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo.  Altera o papel das Polícias Militares, atingindo a autonomia dos governos estaduais.

Em suma, o governo define  inovações  daquelas possíveis apenas  por ação do  poder constituinte  originário, das Assembléias Nacionais Constituintes, ou derivado, dos Congressos.  Seria esse decreto um programa  para Dilma Rousseff? Ou um plano que o presidente Lula não poderia  executar apenas  nos meses que lhe restam de mandato, abrindo as portas, assim, para… (cala-te, boca).

Pode também não ser nada disso. Só  fantasias  de algum aloprado.

Tempo quente

Vai esquentar o tempo, aqui em Brasília, menos porque o governador Arruda perdoou e espera ser perdoado, mais porque o presidente da Câmara Legislativa está reassumindo suas funções. Grupos sindicais e estudantís preparam, nesta  segunda-feira,  manifestação para ninguém botar defeito. Vão para as ruas em protesto ao retorno do deputado Prudente, aquele do dinheiro nas meias. Afinal, será ele a conduzir a tramitação dos pedidos de impeachment do governador, bem como   as investigações  sobre colegas igualmente flagrados recebendo altas somas em espécie.

A Polícia Militar parece haver tomado juízo, recolhendo a cavalaria depois do primeiro  entrevero com a população, mas se os manifestantes também  não puderem conter os seus radicais, as coisas irão repetir-se ou ficar ainda piores.  Renunciar por conta do vexame, ninguém renuncia, a começar por José Roberto Arruda.

Grupo dos 11

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Martim Berto Fuchs
“Jornalista, em 1964, eu tinha 19 anos, ouvi falar muito do “Grupo dos 11”. Gostaria de saber o objetivo desse “Grupo” organizado pelo senhor Leonel Brizola”.

Comentário de Helio Fernandes
O movimento é dos mais importantes da luta política do Brasil. Só que não aconteceu em 1964 e sim em 1961. Brizola era governador do Rio Grande do Sul, quando Jânio Quadros renunciou. Os comandantes dos Exércitos não queriam dar posse ao vice-presidente, como mandava a Constituição.

Brizola montou esse “Grupo dos 11” no próprio Palácio Piratini (do governo), e resistiu. Com essa resistência, atraiu o general Machado Lopes, Comandante do III Exército. Como os “Exércitos” eram 4, todos com o mesmo poder de fogo, os outros recuaram, fizeram a proposta aceita por Jango, com o protesto do próprio Brizola.

A proposta: “Jango tomaria posse, no Parlamentarismo com Tancredo Neves como Primeiro Ministro”.

Advertência de Brizola ao cunhado: “Já ganhamos, você vai tomar posse sem restrições”. Resposta, digamos sensata, de Jango: “Já ganhamos, mas não temos o Poder”. E tomou posse, liquidando esse Parlamentarismo em 6 de janeiro de 1963, numa fantástica exibição de dinheiro, dos dois lados.

Em 1964, Brizola não teve tempo de formar nenhum Grupo. Revelação textual dele: “Tive que fugir para não ser assassinado”. Rigorosamente verdadeiro.

Eliminado num torneio menor, Bellucci não é nenhum Guga

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Mas tem qualidades. O jogo acabou exatamente ao meio-dia, hora do Brasil. O vencedor, Berduych, é ótimo jogador. Curioso e surpreendente: o melhor do brasileiro é o saque, perdeu dois sets no tie-break.

Nada surpreendente: joga a raquete furiosamente no chão, atira a bola fora da quadra, bota as mãos nos quadris quando perde um ponto, cumprimenta friamente o adversário.

Taxação de grandes fortunas, grande escândalo da ditadura

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Enquanto carregava isopor na cabeça, em férias numa praia militar na Bahia, “Lula teve tempo enorme para pensar”. Ha! Ha! Ha!

E surgiu com um aparatoso e complicado Programa Nacional de Direitos Humanos, que deverá ser conhecido pela sigla PNDH.

Hoje só quero lembrar e mostrar um dos maiores escândalos da ditadura de 1964/1985. Um decreto da cúpula militar elitista, isentando “por 60 dias”, a transferência para os herdeiros, do que pertenceria a eles no futuro, e que se chama, juridicamente, de “adiatamento da legítima”.  (Apesar dessas fortunas serem quase todas ilegítimas e fraudulentas, além de favorecidas).

Só que a transferência, feita “durante esses 60 dias”, ficava LIVRE DE QUALQUER TAXAÇÃO. Lógico, como o decreto foi “feito sob encomenda”, a União deixou de recolher BILHÕES e BILHÕES. Consequência: QUEM TINHA OU TEM NOME E SOBRENOME, ENTROU NESSE FESTIVAL (Wagner?) DE SONEGAÇÃO.

Lula está apenas fingindo, não quer nem vai conseguir TAXAR FORTUNA ALGUMA.

Nuzman e Cabral

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Marco Tullo Sposito
“Helio Fernandes nos informa na sua TI que o Nuzman nunca trabalhou. O governador do estado diz que é “jornalista”. Alguém sabe onde trabalhou antes de ingressar no negócio das eleições? O negócio das “Olimpíadas” será bancado pela população”.

Comentário de Helio Fernandes
Podem dizer o que bem entenderem. O Nuzman, há 16 anos é presidente do COB (Comitê Olímpico Brasileiro), deu entrevista reclamando, “não ganho salário”. Antes foi jogador de vôlei (excelente) numa época em que esse esporte era quase amador. Viveu e vive como? Tem amestrados no mundo todo.

E o governador, diz que é jornalista, trabalhou em que jornal ou revista? E onde arranjaria tempo? Viveu sempre perdendo eleição, (duas seguidas para prefeito, Collor ensinou, “na minha campanha sobraram 52 milhões de reais”), acabou se elegendo deputado estadual.

Dominou a Alerj em parceria com Picciani, logo, logo acusado  e indiciado por “EXPLORAÇÃO DE TRABALHO ESCRAVO”. Cabral se livrou dessa, mas não escapou do “dossiê Marcelo Alencar e filhos”, e da revelação do enriquecimento ilícito.

Ninguém (ou poucos) sabia da maravilhosa propriedade de Mangaratiba, uma das “alavancas” desse dossiê.

PS – Rompeu violentamente com Picciani, este teve imediatamente um derrame, ficou com as marcas no rosto. Voltaram a ficar amigos, Cabral diz publicamente: “Uma das vagas para senador é do Picciani”. Ha! Ha! Ha!