Larissa-Juliana, mais uma vitória no Vôlei Mundial

Helio Fernandes

Praticamente invencíveis, obtiveram a segunda grande conquista. Ganharam da excelente dupla chinesa, na própria China, Depois de viajarem 34 horas, ficaram 3 dias se adaptando ao fuso e ao calor e umidade insuportáveis.

Perderam o primeiro set por causa do árbitro e da sorte. Em 18 a 18, o árbitro deu um injustíssimo cartão vermelho (um ponto) para Larissa, elas sacaram, a bola bateu na rede e “pingou” na areia brasileira.

O Brasil ganhou o segundo set. Fizeram 17 a 17, as chinesas reagiram mas perderam.

O terceiro set, desempate, foi equilibradíssimo, igual aos outros. As chinesas fizeram 12 a 10, Larissa e Juliana reagiram, venceram por 16 a 14.

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PS – Emocionante, sensacional, com a vitória e ouvindo o hino nacional à 1,14 da madrugada, já deste domingo.

Absurdo e incoerência, criticarem a condecoração do Genoino.

Helio Fernandes

Não entendo algumas coisas que acontecem no Brasil. Uma delas é essa repulsa indiscriminada ao ex-presidente do PT, e ex-deputado. Recebeu a Medalha da Vitória, que além de outros objetivos, tem esse de premiar vitoriosos, ou não se chamaria assim.

Vejamos, além dessa presidência do PT, da qual aliás foi alijado, que palavra. 1 – Membro destacado do Mensalão. Continua em liberdade. 2 – Por causa da formação de quadrilha, responde perante o Supremo. Em liberdade.

3 – Também por corrupção, é um dos 40 cujo destino será decidido pelo Supremo. Em liberdade. 4 –  Foi candidato a deputado em 2010, ficou como suplente. Estava em liberdade. 5 – Só não foi eleito. É verdade o que dizem: “O povo não sabe votar”.

6 – Não tendo o que fazer, foi morar com o irmão, aquele que “guardava” dólar na cueca. Os dois em liberdade. 7 – O irmão, que conhece “todo mundo”, perguntou: “Você não é muito amigo do Ministro Jobim? Recebendo a resposta afirmativa, sugeriu ser assessor dele no Ministéria da Defesa. Em liberdade.

8 – Falou sobre o assunto com Jobim, que achou “ótima a ideia”, pediu 72 horas. Ninguém desconhece o que o Ministro precisava fazer. Conseguiu. Todos em liberdade.

9 – Com alvará de liberdade para decidir, eis Genoino no gabinete de Jobim, onde civis só aparecem “de vez em quando”. Mas Genoino era fixo. Estava em liberdade.

10 – Aí ganhou a medalha, concedida também a outros, não tão vitoriosos quanto ele. E não será absurdo que, absolvido pelo Supremo ou prescrito o processo, venha a se Ministro da Defesa.

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PS – Só conhece os militares, sabe distinguir as diferentes patentes. Absolvido, estará em liberdade para sempre. Só “perseguidores” tinham dúvidas sobre Genoino.

PS2 – Se não tivessem morrido, Castelo, Costa e Silva, Médici, Ernesto Geisel, João Figueiredo, todos vitoriosos, teriam condecorado Genoino, pessoalmente.

Di Stefano, o ditador Franco, Real Madri e Barcelona. Endeusado na Espanha, foi realmente grande jogador (“A seta rubia”). Agora exaltado no Brasil fora de campo, como “defensor da Liberdade”. Ha!Ha!Ha!

Helio Fernandes

Fui o primeiro jornalista do Brasil (e dos raros do resto do mundo) a ver Di Stefano em campo, quando começava, mas já com todas as virtudes do craque. Em 1948, o Chile organizou a “Copa dos Campeões”, lógico, da America do Sul. Viria a ser o embrião da agora disputadíssima Libertadores da America. Só que na época ninguém pensava nisso, mas competição interessantíssima.

Era disputa entre clubes campeões. O Chile, ambicioso ou sem experiência, montou esses jogos, que duraram 42 dias. Todos os clubes jogavam com todos, os dois melhores classificados disputariam a final.

Representando o Rio foi o Vasco da Gama, que era não só o melhor time da capital como do Brasil. Era chamado de “Expresso da Vitoria”. Ficavam na reserva tantos jogadores de alta qualidade, que se formou outro time, identificado como “Expressinho da Vitoria”, tão ganhador quando o principal.

O presidente do Vasco era Ciro Aranha (que tempos, que diferença) que me convidou para acompanhar o clube. Muito amigo do Ciro e adorando viajar e participar (política ou esportivamente), aceitei.

Era Secretario-Adjunto da revista O Cruzeiro, não pensei que fosse demorar tanto. Os jogos eram realizados no belíssimo Estádio Nacional. (O mesmo que serviu como penitenciária para milhares de pessoas, em 1972, quando a onda de golpes militares atingiu esse país. Costa Gavras fez um notável filme, e um dos pontos mais filmados é o Estádio Nacional. Então, prisão, centro desumano e cruel, para esconderem cidadãos torturados).

O representante da Argentina era o tambem poderoso River Plate, que timaço. Naquela época, no mundo inteiro, o que existia era o “2,3,5”, defesa, meio campo, ataque. No centro desse ataque do River, um jovem, que já vinha credenciado por atuações no próprio país.

Destacado, foi logo apelidado de “seta rubia”, pela velocidade e pelos cabelos vermelhos. Como era fácil de prever pela importância dos dois clubes e pelo futebol desses países, a final foi a esperada: Vasco-River Plate.

Pelo regulamento (ainda não havia mata-mata), se o jogo terminasse empatado, seria campeão o clube que tivesse melhor saldo de gols. O Vasco jogava pelo empate, não se acreditava nisso, pela potencia dos dois ataques. O jogo terminou 0 a 0, os grandes atacantes suplantados pelas ótimas defesas. Mas jogo emocionante.

Embora tenha sido jogador extraordinário, não pode ser dito (como escrito há dias) “Di Stefano foi o segundo JOGADOR DO MUNDO, LOGO DEPOIS DE PELÉ”. Ora, existem no Brasil e em outros países, “SEGUNDOS JOGADORES TÃO BONS quanto Di Stefano”. E até hoje, a discussao para o melhor do mundo, tem sido apenas um debate ou uma escolha entre Pelé e Maradona. Como não se decidirá pelo primeiro, sobrará apenas o terceiro lugar. Mas não ostensivamente para Di Stefano.

É difícil a comparação fora do tempo, mas Maradona não pode ser deslocado de maneira alguma do debate. Isso, levando em consideração o que aconteceu e acontece, dentro do campo.

Di Stefano, (hoje presidente de honra do Real Madri) tem sido colocado, fora do campo, num altar da Liberdade, da honra e da coragem. Aí a discordância do repórter é ainda maior. Por questões familiares, continuei acompanhando o futebol da Espanha, dentro e fora do campo. E a luta nada esportiva entre Madri e Barcelona. As cidades e os clubes.

Naquela época, o passaporte para jogar no exterior, não era apenas a qualidade do futebol. Isso era exigência fundamental, lógico. O Real Madri tentou logo contratar o craque da Argentina, mas e o dinheiro?

Entrou em campo a política e o ditador Franco, que dominava ferozmente o país. Seu palácio era naturalmente em Madri, capital. Ele fingia gostar de futebol, e abusivamente torcia pelo importante clube de Madri.

Já existia a rivalidade esportiva que dura até hoje. Como mostram os três jogos que disputaram e o quarto de terça-feira. Di Stefano foi elogiadissimo, por ter criticado seu próprio clube, “por não ser ofensivo”. E virou um “campeão da honra e da liberdade”. Mas nada disso está no seu passado.

Franco massacrou a Espanha durante 36 anos, de 1939 (quando derrubou o presidente Rivera, eleito pelo povo) até 1975, derrubado, mas levou com ele a República. Nessa maior guerra civil do ocidente, (proporcional à população), morreram mais cidadãos do que na Guerra da Secessão (EUA, 1860) e na Guerra da Rússia, 1917, que acabou se transformando em União Soviética.

O ditador financiou toda a contratação de Di Stefano, o que não é o mais condenável. As provocações que fazia e a tortura em massa, isso sim, não tem salvação. Quando jogavam Real e Barcelona, na capital, ele ia ao jogo, se exibia como esportista. Mas mesmo com “100 mil seguranças”, jamais foi a um jogo em Barcelona, tinha medo da oposição da Catalunha.

O grande Di Stefano, fora do campo era um adorador do ditador. Aceitava as provocações feitas por Franco ao país e aos adversários, estava sempre ao lado dele, gostava de se exibir. Quando a ditadura acabou, Di Stefano estava com 49 anos, já havia parado de jogar, é evidente. Mas mandava muito no Real Madri.

Agora, com 85 anos, é presidente de Honra há muito tempo, mas desapareceu para sempre. Só os adoradores dos “bezerros de ouro”, se lembram dele para chamá-lo de herói da humanidade. Eu lembrei as duas fases, a elogiável e a execrável. Conheço muito bem as duas.

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PS – Quem foi também ao Chile, estou me lembrando, o radialista Oduvaldo Cozzi. O melhor de sua época, craquissimo, só não posso dizer se era da Mairink Veiga ou da Nacional.

PS2 – O técnico do Vasco, nesse 1948, era Flavio Costa, dois anos depois, 1950, tecnico da seleção . 1948 para lembrar, 1950 para esquecer. Como posso esquecer a minha primeira Copa do Mundo?

O preconceito da Folha, estampado em manchete

Helio Fernandes

Manchete, constrangida, sabendo que não era jornalística, difícil de superar: “Pais está MENOS branco”. Como o fato era indiscutível, garantido pelo IBGE, a forma deveria ser respeitada e não atropelada.

O que deveria ser colocado: “O Brasil está mais NEGRO”. E o sofrimento, constrangimento, lamento? Com esta segunda frase, o leitor não precisaria interpretar.

Eleição pelo voto ou pelo Tribunal Eleitoral?

Helio Fernandes

Elmano Ferrer, do PTB, perdeu a eleição para prefeito de Teresina. Entrou na Justiça, voltou ao cargo. Não tem muita importância, ou tem toda a importância. Se ele ficasse de fora, assumiria o segundo colocado, não era a vontade do eleitor.

A filha de Sarney ganhou como segunda colocada. Como já protestei várias vezes, com esse absurdo de “eleger” o segundo, Dona Roseana, no Maranhão, perdeu a eleição, entrou na Justiça, “destrancaram” o vencedor, deram a “vitoria” para ela. No governo, se “reeelegeu”, esperavam o quê?

A morte de Ernesto Sabato

Helio Fernandes

Com 99 anos, Deus (desculpe, Paulo Sólon) deveria ter esperado que ele completasse os 100 anos. Seria mais justo, com mais homenagens. Afinal, ele merecia as de agora e as maiores ainda, dentro de um ano.

Foi um dos maiores escritores da Argentina. Chorem por ele (como pedia Gardel), extraordinária personalidade. Conhecido e amado pelo povo, o que não é habitual na vida de escritores.

O contra-ataque das oposições

Carlos Chagas

A  crônica das guerras recentes ou antigas registra que após uma vitória, o exército vencedor deve esperar o contra-ataque do adversário. Depois de ocuparem um terço do território russo, os alemães cederam ao impacto do Exército Vermelho. Em seguida ao desembarque na Normandia, os aliados foram surpreendidos com a ofensiva nazista nas Ardenas, que quase  devolveu ingleses e americanos  ao mar.

Assim, não é de estranhar que progridam em ritmo bem mais avançado do que a mídia registra  os entendimentos entre PSDB e DEM para uma próxima fusão ou incorporação dos dois partidos. Pode ser  a forma de reação ao que seus dirigentes  chamam de manobra solerte do palácio do Planalto ao estimular Gilberto Kassab e uns tantos trânsfugas da oposição para formar o PSD e aderirem ao governo.

Os obstáculos são grandes, até pouco parecia impossível a hipótese, mas de Fernando Henrique a José Agripino, a proposta do casamento é bem recebida como forma de recompor as combalidas esquadrilhas de tucanos e a infantaria dos democratas. Mais do que visar as eleições municipais do ano que vem, eles se voltam para as eleições de 2014, quando poderiam ampliar o número de governadores e disputar a sucessão presidencial.

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DOAÇÃO DE  250 MIL VOLUMES

Ao longo de sua vida de economista, professor, ministro, embaixador e deputado, hoje  entrando nos oitenta anos de idade, Delfim Netto conseguiu reunir 250 mil  livros. E não apenas de economia e finanças, mas  de  política,  História, filosofia e muita coisa a mais. Quando em Paris, ficou conhecido como o “rei dos sebos”, título que mantém até hoje em São  Paulo. 

Delfim tomou uma decisão:  doar todos os volumes para a USP, em tempo recorde. Esse acervo formidável  ficará  à disposição de estudantes,  de pesquisadores e dele mesmo, sempre que necessitar de alguma consulta. Exemplos como esse são raros, talvez apenas o saudoso dr. Mindlin tenha feito o mesmo.

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CABRAL REPELE A ACUSAÇÃO

Mais do que irritado, o governador Sérgio  Cabral mostra-se decepcionado  com a acusação de haver mandado preparar um golpe contra o senador Aécio Neves através da polícia de trânsito do Rio de Janeiro. Se o ex-governador mineiro foi parado numa blitz às três da madrugada, no Leblon, com a carteira de habilitação vencida, deveu-se o episódio à rotina de um  policiamento digno de louvor, jamais a manobras de perseguição contra adversários políticos.

Até porque, seria inadmissível que o governo fluminense andasse vigiando as andanças de Aécio pela noite carioca. Ou, pior ainda, que ele, governador, estivesse estimulando esse tipo de ação, rotineira apenas nos tempos da ditadura. Quando se encontrarem, num evento qualquer, Cabral demonstrará o apreço que tem  pelo talvez futuro concorrente à sucessão presidencial de 2014…

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PARA ATIRAR EM QUEM?

Brasília foi surpreendida, na tarde de quarta-feira, pela informação de estarem postados no teto do palácio do Planalto três atiradores de elite da Polícia Militar, com sofisticadas espingardas de  visor telescópico e outras invenções. Apontavam para a Praça dos Três Poderes, onde se realizava pequena manifestação de ex-soldados da Aeronáutica pleiteando reintegração na força. Logo surgiram fotografias dos  “rambos” em posição de tiro, felizmente sem que os manifestantes, lá em baixo, se dessem conta do papel de alvos.

Esses exageros  geram o ridículo. Quem teria dado ordem para os soldados se posicionarem como se estivessem na guerra? O ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, general José Elito? Um de seus auxiliares? Por certo a  presidente Dilma Rousseff não foi informada de tão desastrada proteção.

Certa  vez armas de fogo, inclusive metralhadoras pesadas, foram posicionadas no telhado da sede do governo, mas eram os tempos bicudos da ditadura.  O Serviço de Segurança do presidente Ernesto Geisel aventou  a possibilidade de tropas do ministro demitido do Exército, general Silvio Frota, estarem preparando um assalto ao poder, que acabou não acontecendo. Mas por causa de ex-soldados da Aeronáutica  reivindicando reintegração, não dá para aceitar…

Pensões: Garibaldi não leu a Constituição, nem a lei

Pedro do Coutto

O ministro Garibaldi Alves, em entrevista à repórter Eliane Oliveira, O Globo de 28, afirmou que, de fato, pretende mudar o critério para a concessão de pensões, por morte de um dos cônjuges, a fim de evitar o que considera um despropósito, financeiramente prejudicial à Previdência. O fato de pessoas idosas se casarem com mais jovens para assegurar a estas o direito de se tornarem pensionistas. Francamente, ao longo de meus 57 anos de jornalismo, (comecei em 54 no Correio da Manhã), nunca testemunhei absurdo maior.

Não senso total. Desconhecimento completo da Constituição do país e da lei. Garibaldi Alves acentuou que a mudança atingirá tanto os trabalhadores particulares, segurados do INSS, quanto os funcionários públicos, cuja legislação é diferente. Inclusive os servidores públicos têm suas atividades controladas pelo Ministério do Planejamento e Gestão. A esfera do Ministério da Previdência esgota-se no universo do INSS, vale frisar

Vamos por partes. Degrau por degrau. Revelando desconhecer a lei, o titular da Previdência, de forma imprevidente, disse que enquanto existe um teto de remuneração nas áreas do INSS, hoje 3.669 reais, não existe limite de remubneração no Serviço público. Errou redondamente. Se lesse a emenda constitucional 41 de novembro de 2003, governo Lula, veria que o teto de remuneração existe e não pode ultrapassar os vencimentos dos ministros do Supremo Tribunal Federal. Onde ficou a assessoria do senador pelo Rio Grande do Norte? Está no espaço, presume-se. Ou então ele não recorreu a ela. Se tivesse recorrido, certamente ficaria sabendo que as pensões, tanto a do INSS, quanto a paga pelo Tesouro Nacional, estão asseguradas aos trabalhadores e servidores pela Constituição de 88.

No caso do funcionário pelo artigo 40. No caso dos empregados particulares e das empresas estatais (regidos pela CLT) pelo item 5 do artigo 201. Para mudar o sistema, portanto, seriam necessárias duas emendas constitucionais. Projeto de lei ou Medida Provisória não resolvem. Seriam frontalmente inconstitucionais. Destacados os dois dispositivos da Carta Magna, como estou fazendo, torna-se fácil ao ministro e a qualquer um acessá-los. Basta compulsar um exemplar da Constituição. Além do mais, com o impulso que demonstrou na contra mão da lógica, Garibaldi Alves investiu contra o direito de herança. Está determinado no item 30 do artigo 5º da Carta Cidadã, como a chamou o deputado Ulisses Guimarães, presidente da Constituinte.

Se a pessoa pode legar seus bens à esposa ou companheira, totalmente se não tiver filhos, e até 50% se os possuir, é claro que tem a faculdade de deixar a pensão para a mulher com quem se casou. Dizer que este casamento, em muitos casos, é motivado por interesse, é cair no supremo subjetivismo. Campo ao qual, em relação aos seres humanos, o Poder Público não tem, tampouco poderia ter, acesso.

Garibaldi Alves, um desastre. Politicamente, inclusive. Fez um tremendo gol contra a presidente Dilma Rousseff, que terá que desmenti-lo ou então demiti-lo para sustar rapidamente os reflexos negativos para a imagem do governo. Por ironia do destino, ou pela mão de Deus, na mesma edição de 28 O Globo publicou matéria sobre as fraudes em sequência registradas no INSS, desde 1983, nas cidades fluminenses de São Gonçalo, Buzios e Cabo Frio. Prejuizo de 120 milhões de reais. O Instituto Nacional de Seguridade Social pagava aposentadorias a 440 pessoas fictícias. Pertenciam ao mundo virtual da fraude. Não à vida real. O senador Garibaldi Alves perdeu-se no labirinto sinuoso de um sistema que, como Tenesse Williams escreveu em “De Repente no Ultimo Verão”, assemelha-se ao fundo de um saco sem fundo.

Neymar, Ganso, Elano

Helio Fernandes

Sem desfazer de ninguém, todos reconhecem: são os três melhores e mais positivos jogadores do time. Provaram isso, o Santos ganhou por 2 a 0, os três participaram dos dois gols.

Primeiro – Neymar driblou dois, entregou ao Ganso, que quase sem olhar, botou a bola na cabeça do Elano. (Que sairia com lesão muscular).

Segundo – Recebendo de Elano quase no meio do campo, Neymar invadiu, imprensado, quase na cara do Rogério Ceni, viu o Ganso, ele nem demorou, colocou rasteiro, no lado oposto de onde estava o Ceni.

Finalista, enfrenta Palmeiras ou Corinthians.

Volei: Osasco e Rio, sétima final. 8 campeãs olímpicas na quadra, 4 de cada lado. 6 títulos do Rio. Incontestável.

Helio Fernandes

Foi a partida sensacional que se esperava. São as duas melhores equipes da SuperLiga, do mais respeitado vôlei do mundo (masculino e feminino). Os dois primeiros setes foram emocionantes. O time do Rio, ganhou na última bola, o máximo de vantagem registrado foi de 2 pontos para o Rio ou para o Osasco.

Esse segundo set ficou empatado várias vezes, sendo que foram juntos de 20 a 20 até 28 a 28. Quando o time do Rio chegou a 30, num ponto sensacional de Sheila.

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NO 3º SET, APENAS UM TIME

Depois de perder os dois primeiros setes pela diferença mínima exigida, era natural a queda e o desalento do Osasco. Pela primeira vez o Rio colocou 5 pontos de vantagem do inicio até o fim. E ao contrário dos outros setes, ganhou facilmente.

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PS – O jogo não tinha “cara” de 3 a 0, mas aconteceu e merecidamente. É o sexto título do Rio, nenhuma restrição.

PS2 – Registro obrigatório; Sheila foi a maior pontuadora e a melhor jogadora. Não só da quadro, do Brasil e do mundo.

PS3 – Foi a grande contratação do Rio. Antes dela, o time de Bernardinho era excelente, com ela vira seleção.

PS4 – Por causa disso, assombrou no exterior, foi “repatriada”, com justíssimo e altíssimo salário.

Ministro Garibaldi sonha em dificultar pensões por morte no INSS, quando deveria sonhar em perseguir os sonegadores e devedores, jamais os contribuintes.

Carlos Newton

O ministro da Previdência, Garibaldi Alves Filho, confirmou que o governo pretende fazer ajustes para acabar com “irregularidades” no pagamento de pensão por morte, tanto no INSS quanto no sistema previdenciário do setor público.

Técnicos da área econômica reforçaram essa preocupação, dizendo que as regras atuais dão margem a distorções, incluindo o pagamento indevido de pensão vitalícia e o acúmulo de benefícios. Garibaldi citou como exemplo um casal de promotores, reclamando que, após a morte do marido, a mulher passou a receber a pensão dele. Reclamou também de pessoas velhas que se casam, só para deixar a pensão quando morrerem.

Mas na verdade, não há “irregularidades”; o que existe são “direitos”, coisa bem diferente. Como diz o ex-juiz de futebol Arnaldo Cesar Coelho, a regra é clara. Em caso de morte de um segurado do INSS, os dependentes têm direito à pensão por morte. Há três classes de dependentes que podem ter o benefício, em escala de prioridade: 1º) cônjuge, companheiro e filho inválido ou menor de 21 anos não emancipado; 2º) pai ou mãe; 3º) irmão inválido ou menor de 21 anos não emancipado.

O benefício pode ser pago tanto para mulheres quanto para homens, além de amantes e companheiros homossexuais, desde que comprovem a união estável. Para que a pensão seja concedida, não há número mínimo de contribuições que o ex-segurado precisa ter feito ao INSS, mas, na ocasião do óbito, ele deve ter a qualidade de segurado. Repita-se: quem não era casado no papel tem direito à pensão, desde que comprove a união estável.

Essas são as regras, pois a Constituição Federal de 1988 instituiu direitos iguais entre homens e mulheres, ficando estabelecido que qualquer cônjuge pode requerer a divisão de bens ou a pensão alimentícia ao outro, estejam eles em uma relação matrimonial ou convivendo em uma união estável, inclusive homossexual (masculina ou feminina). O mesmo vale para o INSS.

O ministro Garibaldi Alves está delirando, se acha que vai mudar as regras previdenciárias. Uma das idéias geniais dele é cortar a pensão da viúva que se casar novamente. E por que ela se casará de novo, se souber que a pensão será cortada? Claro que não se casará, apenas viverá maritalmente com o novo companheiro, sem assinar papéis, como já acontece hoje, no caso de viúvas pensionistas da Petrus (Petrobras), Previ (Banco do Brasil) ou Fapes (BNDES). Portanto, essa idéia genial vai ser uma lei tipo vacina, que não vai pegar.

Garibaldi alega que há uma “frouxidão total” no Brasil em relação às pensões por morte, à arrecadação da dívida ativa e à negociação de imóveis em nome do ministério. Ora, se há “frouxidão”, que se dedique então a “apertar” o cerco aos devedores/sonegadores e estude como negociar imóveis inativos do INSS, de uma forma lucrativa. E deixe as viúvas em paz.

FHC volta ao que sempre foi: extremado defensor da “direita”. Se não fosse, como poderia ser patrocinado pela Fundação Ford?

Helio Fernandes    

Não admite o ostracismo. Faz qualquer coisa para voltar à ribalta, essa palavra é invenção ou obrigação do próprio ex-presidente, que afirmou: “Sou um ator como todos os políticos”. Reconhece que é ator, ribalta é natural.

Depois de dois jantares com Gilberto Kassab (que pagou os dois, mesmo sendo em Higienópolis, território de FHC), aceitou a “sugestão” do prefeito, e passou a defender a fusão PSDB, DEM, PSD.

Essa fusão-coalizão-participação, é a mais “compreensível e imaginável”. O PSDB fingia de “esquerda”, na verdade foi criado em 1986, depois da derrota para Orestes Quércia, Consideravam que não podiam continuar no mesmo partido.

Agora, esse PSDB, decide que o mundo não tem mais ideologia (digo isso há tanto tempo), devem ter aprendido alguma coisa fora da sociologia-de-parceria. E a subserviência dos “Encontros de Washington”.

O DEM, quase sem representação, vem em linha reta da Frente Liberal, um dos braços da ditadura. Para se manter no chamado período de transição. Ninguém desse PFL, agora DEM, foi perseguido ou cassado pela ditadura. Cassação que também não aconteceu com FHC. Melhor prova: foi o único que se intitulou “cassado”, mas disputou eleição em plena ditadura, 1978,

Perdeu mas ficou como suplente do senador Montoro, das grandes figuras do PMDB. Que colocou como vice-governador, precisamente Orestes Quércia.

Essa união de contrários que nunca se encontraram, é a coisa mais hilariante. Pela idade, o único que pode ter pretensões é o próprio Kassab. No início ninguém acreditava, nem este repórter. Agora, se conseguir juntar todos esses agregados, pode ter pretensões, é o mais pretensioso de todos.

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PS – E sempre poderá contar com a “simpatia”, desculpem, de José Serra. É preciso esperar, o candidato derrotado duas vezes a presidente, já trabalha para 2014.

PS2 – Afirmei isso, no dia em que perdeu o segundo turno e fez o discurso, “isto não é uma despedida e sim um simples até logo”.

PS3 – De qualquer maneira, o PSD, o mais antigo e poderoso partido do Brasil (de 1945 a 1964), pode ganhar espaço. Nem que seja para usar a verba partidária, e aparecer na televisão.

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ROBERTO FREIRE E O PPS

O PPS, sucessor do “Partidão”, é aliado de FHC e da antiga direita. Seu fundador, Roberto Freire, único destaque, tinha como objetivo se manter no jogo político, precisava apregoar as convicções de “esquerda”. Ficou surpreendidissimo, ao se eleger senador por Pernambuco. Acabados os 8 anos, voltou a se deputado, depois de uma interrupção, e mudança de domicilio eleitoral. (Chegou a ser candidato a presidente, com boa campanha. Muita gente dizia: “Se não fosse comunista, votaria nele”).

Apesar de tantas mudanças, é um nome que manteve a respeitabilidade política, as restrições são apenas eleitorais. Em matéria de dinheiros públicos, está acima de todos os outros.

Jaqueline Roriz quer ser julgada pela “ética” do Senado

Helio Fernandes

Está há muito tempo acusada e de forma irrefutável. Já tirou duas licenças medicas, agora acredita que não há mais saída. Só que com a escolha e posse da Comissão de Ética (?) do Senado, como se diz popularmente, “ganhou alma nova”.

Está conversando, defende que seja examinada (não fala em julgamento) pelo Senado. Diz: “Sou parlamentar, a Câmara ainda não constituiu sua Comissão, não posso ficar sendo caluniada o tempo inteiro”. E fala para amigos: “Nessa Comissão do Senado, serei absolvida por unanimidade”.

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O SUSTO DO REPÓRTER

Quando saiu a relação dessa “ética” do Senado, fiquei assombrado: não vio nome de Gim Argelo, o que merecidamente assumiu (?) quase todos os 8 anos de Roriz. Fui conferir, alívio, estava lá o antigo vendedor de carros usados.

(Na campanha de Nixon para presidente, perguntavam: “Você compraria um carro usado desse homem?”. Em 1960, não compraram, foi derrotado. Em 1968, compraram, eleito. Veio o arrependimento, em 1974, voltaram a desconfiar de Nixon, teve que renunciar para não sofrer impeachment). Quanto a Gim Argelo, basta olhar para ele, ninguém compra nada.

Em relação a Romero Jucá, justíssimo participar dessa “ética”. Líder de FHC, de Lula, de Dilma, ministro da Previdência acusadíssimo de irregularidades, a inclusão do seu nome nessa “ética” está no próprio currículo. Sendo membro, não pode ser julgado. 

Conversa com Santos Aquino sobre o jovem Fidel Castro e o “Bogotazo”

Antonio Santos Aquino: “Helio, não acredito que Fidel Castro tenha participado do “Bogotazo” de 1948. Deve ser exagero dos seus admiradores”.

Comentário de Helio Fernandes:
Não participou de nada, Aquino. Estava lá, não tinha o que fazer. Aos 22 anos, uns dizem que se formou em Direito. Outros garantem que fez apenas o primeiro ano, como Roberto Marinho, mas este exigia ser chamado de doutor.

Deixei bem claro, antes, que ninguém sabia quem ele era, registrei: Joel Silveira jamais citou seu nome, nas matérias completas que enviou de lá. Na verdade, isso não é contra ele. Aos 22 anos não tinha projeto, o “Bogotazo” foi um acidente de percurso, ninguém sabia que iria acontecer, nada foi planejado. Só 11 anos depois, Aquino, com 33, tomou o Poder em Cuba, entrou na História.

Sobre os quase 50 anos que ficou no Poder (não completou os 50 anos por causa da doença, cada um pode analisar ou se satisfazer, CONTRA ou A FAVOR. Usei a palavra SATISFAZER deliberadamente. Os dois lados, vibram com Fidel.

Inconstitucionalidade da reforma política

Helio Fernandes

Como eu disse, não pode ser aprovado nada do que está sendo “debatido”. Minha esperança e do país, é que seja mantido o voto direto. Tenho certeza que na Câmara nada disso será aprovado. Os deputados serão prejudicados, a não ser num caso. Que pertençam às cúpulas ou sejam caciques partidários.

Os que são chamados depreciativamente de “representantes do baixo clero”, perderão os mandatos, não entrarão nas listas, qualquer que seja o partido. Portanto, ficarão de fora.

E nem poderão reclamar, NÃO TERÃO VOTO ALGUM, o voto será SOMADO apenas para a cúpula. Se os deputados referendarem o que o Senado está decidindo, estarão mortos politicamente, cometendo haraquiri.

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ÚNICO PONTO POSITIVO

No voto proporcional, acabando as coligações, é o único ponto positivo. Há anos, muitos e muitos anos, clamo, escrevo, maldição contra esses acordos. Agora, com a certeza de que a reforma (?) dificilmente será referendada, torpedearam essas coligações. Muitos parlamentares das mais diversas legendas, depois da ditadura, fizeram coligação com Brizola, Moreira, Marcello, Garotinho, Dona Garotinha, todos. A lei permitia. Membros da Comissão da Reforma Partidária defendiam isso abertamente.

 

O Democratas acusa o Palácio do Planalto de articular o PSD.

Carlos Chagas

Grave denúncia foi formulada pelo presidente do Democratas, senador José Agripino. Para ele, vem sendo articulada no palácio do  Planalto a criação do novo partido liderado pelo   prefeito Gilberto Kassab.  A intenção do governo seria desconstruir a oposição, atingindo o seu partido e, também, o PSDB.

Como reação, o senador pelo Rio Grande do Norte passou a admitir a hipótese da fusão do DEM com os tucanos, ainda que com a ressalva da necessidade de consultas prolongadas às bases de ambos.

Falar em palácio do Planalto e em governo constitui um eufemismo para designar Dilma Rousseff. Porque se verdadeira a denúncia, não há como argumentar que ela  não sabia de nada e que tudo se passa sem o seu conhecimento. 

Vem então a pergunta: para que a presidente da República se empenharia em enfraquecer ainda  mais uma oposição  debilitada? Ou, no reverso da medalha: de que adiantaria ao governo  dispor de mais alguns deputados e senadores na base oficial, se há número mais do que suficiente para não sofrer derrotas no Congresso?

José Agripino chama de trânsfugas seus ex-companheiros do DEM já de malas prontas para o PDS. Reconhece o impacto que está sendo a debandada de perto de 30 deputados, sem esquecer o governador de Santa Catarina e provavelmente dois senadores. Daí o contra-ataque que seria a união com o PSDB, tanto faz se denominada de fusão ou de incorporação. Significativa foi a adesão do ex-presidente Fernando Henrique ao casamento das duas legendas, ainda que a maioria dos tucanos rejeite qualquer mudança de sigla.

GREVE DOS JUÍZES FEDERAIS 

Certas coisas são inaceitáveis. Entre elas, a greve de categorias especiais de funcionários do estado, como os juízes federais. Movimentos semelhantes de policiais já ultrapassam os limites da ética e  do bom senso, mas a atual paralisação abre as portas do absurdo. Só falta mesmo as forças armadas entrarem em greve, ou os diplomatas. Quem sabe a presidente da República e seus ministros?

Mas tem mais. Os meretíssimos decidiram parar porque pretendem aumento salarial, mais auxílio-alimentação e outras vantagens. Os vencimentos iniciais da carreira de juiz federal  somam 22 mil reais por mês. Um senhor salário. Maliciosamente, é por tabela que  eles reivindicam 14.79 %: pretendem esse reajuste para os ministros do Supremo Tribunal Federal, sabendo que se  concedido lá em cima, virá o efeito cascata para todo o Poder Judiciário.

Desde os tempos de Ramsés II que greve se faz contra patrão,  público ou privado. No caso dos juízes federais, está sendo feita contra o povo que recorre aos tribunais. Exatamente como as greves de ônibus, onde o prejudicado é o cidadão necessitado de transporte público.

SÓ FALTA DELÚBIO NA TESOURARIA

O PT reabrirá suas portas, no fim de semana, para receber Delúbio Soares com  toda pompa e circunstância. Até tapete vermelho, ele que havia sido expulso do partido  como um dos responsáveis pelo escândalo do mensalão. Importa menos que responda a processo no Supremo Tribunal Federal, como réu, denunciado por formação de quadrilha, corrupção e outras acusações. Também, seria discriminação recusar-lhe a volta, já que entre os 40 processados encontram-se diversos integrantes do Diretório Nacional do PT.

O episódio reacende as dúvidas sobre o julgamento na mais alta corte nacional de justiça. Quando acontecerá? Ninguém sabe, talvez nem o ministro-relator, Joaquim Barbosa.  Não demora muito e prescreverão  todos os crimes de que os mensaleiros são acusados. Mensalão? Que mensalão?…

ENFIM, UNIÃO ENTRE CUT E FIESP.

Na reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social registrou-se uma unanimidade: os 90 integrantes do colegiado condenaram a política de juros do governo.  Do presidente da CUT, Artur Henrique,  aos presidentes da FIESP, Paulo  Skaf,  e da Confederação Nacional da Indústria, Robson Andrade,  todos criticaram a equipe econômica. Adiantou alguma coisa? Nem pensar.

Os ministros Antônio Palocci, Guido Mantega e Alexandre Tombini deixaram claro que nada vai mudar em termos de juros. A meta de sua redução é longínqua. Pelo menos ficou claro estar a equipe econômica unida e contando com o apoio da presidente Dilma Rousseff.  Mas o que importa é a unidade do outro lado: sindicalistas e empresários  continuarão formando a Frente Anti-Juros. Trata-se de  um bom sinal.

A fúria de Requião e o surpreendente silêncio da ABI

Pedro do Coutto

No episódio em que, tomado de fúria irracional, arrebatou o gravador das mãos do repórter Vitor Boyadijan, da Rádio Bandeirantes, o senador Roberto Requião revelou sua face de intolerância antidemocrática e seu impulso de somente aceitar o debate e responder perguntas quando lhe convém. Quando estas o incomodam e expõem contradições suas, como a de receber pensão mensal de 24 mil reais como ex-governador, embora ao longo de sua carreira política cobrasse dos outros a ética que afasta ao se tratar dele mesmo, ele se revolta, enfurece, parte para a agressão.

No fundo, um moralista quando expõe os tropeços dos adversários. Para ele, os seus próprios tropeços são imunes a quaisquer críticas. Aliás, o repórter da Bandeirantes não fez qualquer crítica ou provocação. Apenas perguntou como o senador se colocava diante do recurso à Justiça contra tais privilégios (não somente dele) encaminhado pelo atual chefe do executivo do Paraná Beto Richa.

Requião, como todos os grandes jornais publicaram, arrebatou o gravador das mãos de Boyadijan e sequestrou o instrumento de trabalho profissional. Praticou assim um crime. Não tinha absolutamente o direito de se apoderar de algo que não lhe pertence. Mas não foi só. Destruiu o material gravado e com isso tornou-se duplamente responsável pelos danos que causou ao repórter e à emissora. Mas, ironia amarga do destino, com o ato impensado causou muito maiores prejuízos a si próprio. Denegriu sua própria imagem. Vai custar a se recuperar perante a opinião pública.

Nas edições de quarta-feira 27, O Globo e a Folha de São Paulo publicaram os protestos veementes do presidente do Sindicato dos Jornalistas de Brasília, Lincoln Maia, do presidente da Associação Brasileira de Rádio e Televisão, Emanuel Soares Carneiro, do presidente da Associação Nacional dos Jornais, Francisco Mesquita Neto. Entre os justos e indignados protestos, surpreendentemente não se encontra o da Associação Brasileira de Imprensa. A ABI, que em passado recente, lutou pela redemocratização de 85, pelas eleições diretas, contra a ditadura militar e as torturas. Fez história. Ao lado da OAB, subscreveu o processo de impeachment contra o presidente Fernando Collor. O notável jornalista Barbosa Lima Sobrinho, na presidência da ABI, retornou em 92 à tribuna da Câmara que dignificou da Constituinte de 46 a 1962, para, em seu nome e em nome de Lavanere Vanderlei, presidente da Ordem dos Advogados, desfechar a peça de acusação a  um curto período negro da vida nacional.

A Associação Brasileira de Imprensa estava – e está – investida da obrigação de manifestar seu repúdio a atitude de Roberto Requião. Da mesma forma o Sindicato de Jornalistas do Rio de Janeiro, o Sindicato dos Jornalistas de São Paulo, os sindicatos de jornalistas e radialistas de todo o país. Fica assinalada a triste lacuna.

A Folha de São Paulo e O Globo, também no dia 27, publicaram o pronunciamento de Roberto Requião, terça-feira no Senado, quando apresentou projeto de lei capaz de assegurar o direito de resposta. Ele sustentou que, depois que o STF revogou grande parte da Lei de Imprensa, este direito desapareceu. Uma farsa. Total. Em primeiro lugar, no episódio ocorrido ele se apoderou do gravador do repórter e não procurou exercer direito de resposta algum. Em segundo lugar, apagou a gravação. Como poderia desejar responder ao que ele mesmo destruiu? Terceiro ponto: demonstrou desconhecer o item 5 do artigo 5º da Constituição Federal que assegura taxativamente o direito de resposta. Este dispositivo constitucional, de uma linha, não precisa de lei complementar: é autoaplicável.

Bélgica, um ano sem governo. E não acontece nada. Se fosse aqui…

Percival Puggina

Barra-me na rua conhecido anarquista. “Viste a Bélgica? Está há um ano sem governo, provando a inutilidade dessa instituição. Quando é que vamos aprender, Puggina?”. Pensei em sugerir a ele muita calma, mas ponderei que a calma não costuma integrar o arsenal psicológico dos radicais. Apelei, então, para as palavras mais sábias de meu repertório, aprendidas do amigo José Antônio Celia: “Não é bem assim, meu caro”. Essa frase, para quem ainda não foi advertido sobre seu extraordinário potencial retórico, é como aquelas poções dos ambulantes medievais. Serve para tudo. De um lado é compatível com quaisquer refutações moderadas que se faça. De outro, raramente admite contestação plena.

A Bélgica não está sem governo porque o queira, mas porque os partidos não conseguem compor um. O rei se inquieta e até os estudantes saem às ruas para protestar. Os jovens belgas querem governo e, se meu amigo anarquista deseja extrair uma lição daqueles fatos, tome essa entre as mais significativas. Comendo suas batatas fritas, tão notáveis, encorpadas e saborosas que se constituem em símbolo nacional, a moçada exige, nas ruas, governo e governabilidade.

Os belgas conseguem atravessar esses meses todos sem governo porque lá, como em qualquer país racionalmente organizado, existe clara separação entre o Estado, o governo e a administração. O funcionamento regular da administração, profissional e apartidária, mantém ativos os serviços públicos. É essa separação, então, que torna possível conviver com hiatos de governabilidade, vale dizer, sem expressão das ideias políticas majoritárias na condução dos rumos nacionais.

Por outro lado, a função governo, em países que fazem a conveniente distinção acima mencionada, é sempre enxuta, modesta nas suas proporções e econômica nos seus custos. Neles, quando muda o governo, substituem-se umas poucas centenas de servidores e em nada fica afetada a administração. Já no Brasil, são dezenas de milhares de cargos e fontes de receita em torno dos quais se engalfinham as lideranças políticas que chegam ao pote do poder. Compor governo, na Bélgica, pode ser um problema. No Brasil, país onde o povo, em vez de domar os poderes à sua justa medida ajoelha-se ante seus favores, governar é um regabofe. Se meu amigo anarquista quer outra lição dos fatos belgas, tome também esse entre os mais significativos.

O Reino da Bélgica é uma composição federal de regiões com diferentes origens, cujo hino nacional tem versão em três idiomas, holandês, francês e alemão. Nasceu como nação independente há menos de dois séculos, numa das revoluções europeias de 1830, pela vontade dos cidadãos de Bruxelas. Não havendo quem os defendesse, foram às ruas lutar por independência. Conta-se que quando Sylvain Van de Weyer retornou para Bruxelas, juntando-se à população, uniu-se ao comando um republicano, de perfil autoritário, chamado Louis de Potter. Inquirido por um auxiliar sobre onde deveria instalar, no Palácio Real, aquele novo membro do governo provisório, Van de Weyer, que era um liberal, indagou se havia alojamento vago no segundo andar. Diante da resposta afirmativa, determinou: “Coloque-o lá. Não existem ditadores de segundo piso”.

A realidade brasileira é tão diferente! Aqui o autoritarismo se instala onde quer que haja um gabinete, uma caneta e uma sala de espera. Querer apropriar entre nós, de modo permanente, a atual e provisória situação belga, é um despropósito. Precisamos ter menos governo e mais sociedade, precisamos ter mais município e menos Brasília. Comecemos por aí, então, quem sabe estudando a experiência belga e de tantos outros países com elevado grau de desenvolvimento político, econômico, social e cultural. Aprendamos o bê-á-bá da cultura política, da conduta reta, do interesse público, da austeridade e da organização de um Estado na justa medida, alinhado com as demandas da modernidade.

Percival Puggina é titular do blog www.puggina.org,
articulista de Zero Hora e de dezenas de jornais e sites no país.

Mais uma afronta à cidadania: Genoino, réu no Supremo por corrupção e formação de quadrilha, é condecorado pelo ministro da Defesa e ganha a Medalha da Vitória.

Carlos Newton

O jornalista Ricardo Setti, em seu blog, chamou atenção para um importante assunto que passou meio despercebido pela chamada grande imprensa: o fato do ex-deputado José Genoino ter sido agraciado pelo ministro da Defesa, Nelson Jobim, com a Medalha da Vitória.

Esse tipo de honraria não é para qualquer um. Vejam o que diz o decreto presidencial que criou a condecoração:

“Art. 1º Fica criada a Medalha da Vitória, em reconhecimento à atuação do Brasil em defesa da liberdade e da paz mundial, em especial na II Guerra Mundial.

Art. 2º A Medalha da Vitória poderá ser conferida aos militares das Forças Armadas, aos civis nacionais, aos militares e civis estrangeiros, aos policiais e bombeiros militares e às organizações militares e instituições civis nacionais que tenham contribuído para a difusão dos feitos da Força Expedicionária Brasileira durante a II Guerra Mundial, participado de conflitos internacionais na defesa dos interesses do País, integrado missões de paz, prestado serviços relevantes ou apoiado o Ministério da Defesa no cumprimento de suas missões constitucionais.”

Por gentileza, que alguém explique onde José Genoino está enquadrado aí acima, para merecer a medalha.

Como o jornalista Ricardo Setti destacou, o ex-deputado José Genoino, assessor do ministro Nelson Jobim, é réu do escândalo do mensalão, tendo sido denunciado pelo procurador-geral da República pelos crimes de corrupção ativa e formação de quadrilha. A denúncia foi aceita pelo Supremo Tribunal Federal e está em processo de julgamento.

A nomeação de Genoino para assessor do Ministério da Defesa já foi um escárnio. Mas a condecoração é muito mais grave, é uma ofensa à cidadania, um desacato a quem realmente merece a Medalha da Vitória e nunca recebeu.

Fica parecendo que as autoridades brasileiras fazem questão de tripudiar sobre o cidadão, de mostrar quem manda neste país, de exibirem poder e demonstrarem menosprezo pela opinião pública. Decididamente, não têm pudor. Aliás, Francelino Pereira, já ia esquecendo: Que país é esse? Ora, meu amigo, é o país do dólar na cueca e do corrupto condecorado.

Moreira Franco presidindo o “Conselhão”, dezenas postaram notas. A maioria escrevendo “pensei que ele estivesse morto”. Aos 66 anos, quantas acusações, continua “muito vivo”.

Helio Fernandes

Nem ele acreditava que fosse presidir o mais alto Conselho da República, alto até mesmo em número. Mas presidiu, e com um fato que deve ser ressaltado, registrado e ressalvado: presidiu, com a presença da própria presidente da República.

Foi exigência do PMDB, da cúpula, do vice Michel Temer, que não escondia para correligionários: “Estou em dívida com Moreira Franco, a Secretaria (chamado de Ministro) de Assuntos Estratégicos, não era o que ele pretendia”.

Nessa matéria, Temer não pode ser desmentido de forma alguma, se mantém bem no alto do PMDB, apesar de não ter votos para coisa alguma. Nem mesmo para deputado federal. Em 2006 ficou como suplente, o último foi cassado, entrou.

Ele e Moreira Franco são amicíssimos, mas não de muito tempo. Moreira Franco tem uma carreira tumultuada, agitada, encrencada (não foi estraçalhada por circunstancias inexplicáveis) de mais de 35 anos. Em 1982, a primeira eleição direta para governador, que a ditadura foi obrigada a conceder, mas ressaltando: “Para governador, vá lá, mas para presidente, de jeito algum”.

Sabiam das coisas, o primeiro presidente eleito só chegou ao Poder em 1989, por acaso, nada a ver com a primeira eleição de Lula. Que surpreendentemente passou ao segundo turno, meio por cento de votos na frente de Brizola. (Foi quando surgiu a expressão “sapo barbudo”, Brizola estava certo de que iria para o segundo turno).

Moreira Franco, como ex-prefeito de Niterói, foi candidato ao governo do Estado do Rio, já existia a criminosa fusão, feita pro Geisel, assassinando a Guanabara. Seu adversário foi Brizola, ex-governador do rio Grande do Sul, deputado mais votado da Guanabara, em 1962, com Lacerda governador.

Quando houve essa fusão, 1975, Brizola estava no exílio, Geisel no Poder e sabendo de muita coisa. É preciso não subestimar Ernesto Geisel. (Espartano e não ateniense como o irmão, vetado pelo próprio Alto Comando quando quis ser presidente, com Costa e Silva INCAPACITADO oficialmente por doença.

 Na época, com este repórter e a Tribuna da Imprensa ferozmente censurados, soube de um fato que poucos sabiam e que pode parecer surpreendente. Geisel fez a fusão, porque a Guanabara, mesmo antes, como Distrito Federal, era baluarte da oposição. Não elegia governador, votava para presidente, nada excepcional que Geisel pensasse na volta de Brizola, que ele mesmo sabia que estava perto. (Sibilinamente, deixei entrever isso, era o máximo que podia fazer).

Aconteceu (a volta) 4 anos depois. Brizola, três anos mais tarde, disputou o governo não da Guanabara, mas do Estado do Rio. E também com um Moreira Franco apenas nominal. Na verdade, os adversários: radicais da ditadura, ainda vivos, e a Organização Globo, que admitia tudo, menos Brizola governador, e do estado onde tinha sua base mais forte.

Houve o episódio da “Proconsult”, um escândalo nacional, que se tornou conhecidíssimo e estarrecedor. Nem vou me alongar, Brizola ia sendo roubado, muitos sabem da historia, embora ninguém saiba como Pedro do Coutto, que evitou tudo.

Moreira Franco ia sendo governador por causa da Globo e de alguns jornalistas da Organização, subservientes, servos e submissos. Quando Brizola tomou posse, esses jornalistas foram demitidos. Roberto Marinho, como pistoleiros famosos, não perdoava.

Moreira Franco continuou sem ser atingido, em 1986, fim do mandato de Brizola, se elegeu governador. Tomou posse em 1987, e logo apresentou o projeto do metrô de Ipanema, prioridade absoluta. Tão prioritário que foi inaugurado quase no fim de 2010, 23 anos depois, e com o preço 9 vezes mais caro.

Foi acusadissimo, primeira página sempre contra ele, permaneceu no alto da pirâmide partidária, sem uma ausência, fosse em qualquer época. Em 1998 se candidatou a senador, equivoco completo. Motivo? Era apenas uma vaga, com duas poderia se eleger.

Mas foi imediatamente convidado pelo então presidente FHC para Assessor Especial. Já com Lula foi nomeado para a Caixa Econômica, diretor do Departamento de Loterias, jamais ficou com um bilhete em branco, política e administrativamente falando. Ainda não se tornara amigo de Temer, já ensaiava uma aproximação. Que nem era necessária. Indispensável. Proveitosa.

Moreira Franco é inimaginável. Governador pelo PMDB, assessor especial de FHC, PSDB. Diretor da Caixa Econômica com Lula, PT. Agora, Ministro de Dona Dilma, presidindo reunião com ela presente. Duas vezes servindo ao PT, não é coerência, apenas circunstancia. O PT repete o governo. Moreira tem que acompanhá-lo.

Agora Moreira Franco é Ministro, ninguém vai chamá-lo de secretário. E ministro-estrategista, o que parecia privativo de militar e não de sociólogo, que nem se lembra em que faculdade se diplomou.

Com 66 anos de idade, Moreira Franco acredita muito nele mesmo, na carreira que fez. Nada a ver com a ginástica, muito com o destino. E não se descuida dos objetivos, conseguiu, vá lá, conquistou tudo que pretendeu. Não foi senador, mas se fosse, não teria sido assessor de um presidente (FHC). Onde acumulou uma fabulosa fortuna de conhecimentos. Mesmo que não saiba nada, ninguém passa pela Presidência da Republica e sai exibindo menos do que tinha quando entrou.

Sua próxima passagem, em 2014, quando estará completando 70 anos: a vice-presidencia. Sabe duas coisas. 1 – O amigo Temer não se aborrecerá. 2 – A presidência é muito, mesmo como sonho, objetivo e  ambição. Considera a vice bastante natural.

*** 

PS – Brizola não é o personagem principal destas lembranças, entrou aqui, por causa da disputa com Moreira Franco. Nada impede que cite duas afirmações sobre ele. Paulo Solon: “Brizola construiu a Linha Vermelha, sem pedágio. Grande Brizola, caudilho-democrata”.

PS2 – Antonio Santos Aquino: “Em 1962 quiseram roubar o governo ganho por Brizola”. Tenho respeito e admiração pelo Aquino, excelente colaborador, durante anos da Tribuna impressa. Mas o que admiro nele é a capacidade de ser partidário de Jango e de Brizola, ao mesmo tempo.

PS3 – Em 1963, o individualista Jango vetou o nacionalista Brizola. Quis ser Ministro da Fazenda, seria “a” Revolução. Jango ouviu Roberto Marinho e o embaixador golpista, Lincoln Gordon (que nem merece o nome), que lhe disseram: “Se você nomear Brizola Ministro, não termina o mandato”. Não nomeou e não terminou.

PS4 – O embaixador, numa cadeira. Roberto Marinho, sentando na cama do presidente. Como é que se chama isso?

PS5 – Esse é um tempo de decadência, a vida pública brasileira torturada pela audácia, pela falta de classe e categoria. Que presidente permitiria que alguem conversasse com ele, sentado na sua cama?

PS6 – No dia seguinte, ainda existiam matutinos e vespertinos, estes “fechavam” mais tarde. “O Globo”, na terceira página, destacada, uma foto de Jango, com a legenda:? “O estadista”.

PS7 – A foto e a legenda duraram pouco tempo. Menos de um ano depois, João Goulart era derrubado. Na linha militar, a força da Marinha dos EUA. Na linha civil, a Organização Globo, ainda não tão poderosa. O jornal não se destacava, a televisão surgiria e se consolidaria na ditadura.

PS8 – OS objetivos mais duros e mais dilacerantes, saíram da própria Organização. Afinal, Roberto Marinho sentara na cama de um presidente, precisava ficar no colo dos que vieram nos 21 anos que se seguiram.