As relações perigosas de Eike Batista com o BNDES

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Da repórter Samantha Lima na Folha Online:

BNDES vendeu ações a Eike Batista por valor menor que o de mercado

Em um ano em que teve fraco desempenho com ações, o BNDES conseguiu arrumar espaço para uma operação com Eike Batista que representou ganho de cerca de R$ 67 milhões para o empresário.

Em 28 de agosto, o BNDES sacou de sua carteira 41,6 milhões de ações da empresa de logística LLX para vendê-las ao empresário (fundador e controlador da companhia) e a um fundo de pensão canadense, também acionista da empresa.

A venda das ações foi concluída a preço cerca de 48% abaixo da média de mercado.

Na época, as ações da LLX valiam cerca de R$ 5. Mas Eike pagou ao banco em torno de R$ 2,30 por ação.

Considerado o preço médio dos 60 pregões anteriores (uma prática de mercado em negociações do tipo), de R$ 4,44, Eike e o fundo canadense pagaram 52% do que elas valiam.

A possibilidade de comprar ações a esse preço foi aberta para Eike em 16 de março, e todas as operações realizadas foram comunicadas ao mercado.

Nessa data, o BNDES entrou como sócio de sua empresa, aportando R$ 150 milhões na compra de 83 milhões de ações, a R$ 1,80.

Esse preço representa um ágio de 27% sobre as cotações dos 60 pregões anteriores. Além de pagar mais do que o valor médio, o BNDES deu a Eike a chance de comprar as ações de sua empresa por R$ 1,80 nos 36 meses seguintes. Mas o BNDES não tinha o direito de vender as ações a esse valor caso o preço na Bolsa caísse.

Diante da melhora do desempenho das ações da LLX na Bolsa, Eike decidiu exercer esse direito apenas cinco meses depois. Conforme previsto no contrato, pagou juros de 15% ao ano e correção monetária, além de ágio de 20% por ter feito a compra antes de seis meses de contrato. O valor final deve ter chegado, portanto, a R$ 2,30 -o BNDES não confirmou.

Dessa forma, Eike desembolsou cerca de R$ 72 milhões por algo que já valia pelo menos R$ 139 milhões.

O fundo de pensão canadense, também beneficiado pelo acordo, pagou R$ 24 milhões por 10 milhões de ações.

Se tivesse negociado as ações pelo valor médio das últimas cotações, pagaria R$ 46,2 milhões -economizou, portanto, R$ 22,2 milhões.

O BNDES não perdeu dinheiro com a operação, já que vendeu as ações pelo preço de compra, com juros, correção e ágio. Mas deixou de lucrar com sua valorização na Bolsa. No dia 30, as ações da LLX foram negociadas a R$ 10,11.

A fatia do banco na empresa, hoje de 4,25%, vale R$ 272 milhões. Quando virou sócio de Eike, essa fatia do BNDES valia R$ 53 milhões.

Questionado sobre por que precisou dar uma opção de compra ao empresário para fechar o negócio -já que ter o banco como sócio pode ser considerada, por si só, uma vantagem-, o BNDES informou que “a operação deve ser analisada como um todo”, e não ater-se à venda de ações, e que considerou “muito boa” a rentabilidade obtida com o negócio, a correção e o ágio. O empresário Eike Batista não comentou.

Comentário de Helio Fernandes
Magnífico, Samantha Lima. O texto, o conteúdo, as informações, e a disposição de enfrentar um homem TÃO PODEROSO, que no próprio BNDES, ficou sentado, enquanto o presidente da República, chamava-o de “GENIAL”. O BNDES é assim mesmo, desde 1957, quando era apenas BNDE, presidido pelo senhor Roberto Campos. Não tinha o S de Social. Hoje tem o S, mas continua desvinculado do Social.

O Bradesco conseguiu empréstimo altíssimo no banco oficial, para comprar ações da Vale. Paga 4 por cento ao ano, cobra dos “clientes”, 7, 8 ou 9 por cento, ao mês.

Para terminar com os parabéns pela matéria, lembrando o que disse Carlos Lessa, que “passou pelo BNDES rapidamente, queria acabar com os privilégios”. Contou tudo ao presidente Lula, assim: “O BNDES empresta à Petrobras e paga 4 por cento a um intermediário, como se a Petrobras precisasse de garantias”.

Copa da Argentina, 1978 Havelange nada a ver com isso

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RFNeder
“Caro Hélio, há um fato importante a ser esclarecido em relação a  João Havelange. Qual foi a participação do então presidente da FIFA na humilhante Copa de 1978 na Argentina? O ex-general Videla, hoje, cumprindo pena num quartel do exercito até o fim da vida (muito justo, HF), chamou João Havelange para cuidar da escolha do país.
A participação do Sr João Havelange neste fato histórico, a escolha da Argentina, dando a esse país a Copa de presente, macula a biografia do senhor Havelange”.

Comentário de Helio Fernandes
Neder, não sou porta-voz do ex-presidente da Fifa, ele tem mais recursos e mais penetração na mídia para se defender. Mas existem fatos que são públicos e notórios, inquestionáveis, e que não podem ser desmentidos de maneira alguma. O debate pode continuar, em termos civilizados e sem hostilidade.

Copa da Argentina – Foi realizada em 1978. A sede da Copa e da Olimpíada são escolhidas com 6, 7 e até 8 anos de antecedência. A Copa de 2014 no Brasil, foi decidida em 2008. A Olimpíada no Rio, 2016, determinada em 2009, portanto 7 anos de diferença.

A de 1978 na Argentina, foi escolhida em 1972, João Havelange só foi eleito em 1974, como poderia INFLUIR? Além do mais, Havelange foi candidato com oposição da Europa, América do Norte e Central. A favor dele, uma parte da África Negra e quase todos os árabes.

Os que controlavam a FIFA, diziam: “Esse sul-americano não será candidato, não tem votos, mesmo se ganhar, em menos de 1 mês pedirá para ir embora”.

Naquela época, as Copas eram realizadas alternadamente na Europa e na América do Sul, que totalizavam os ganhadores das Copas. 1974, Alemanha, 1978, Argentina, 1982, Espanha, 1986, seria na Colômbia. A escolha, nos prazos normais e habituais, em 1980.

A Colômbia desistiu, não tinha condições. Havelange já então poderoso presidente da FIFA, pediu audiência ao “presidente” Figueiredo. Motivo: queria que a Copa de 1986 fosse no Brasil. Figueiredo ficou irredutível, encerrou a conversa com Havelange, com estas palavras: “Não temos nenhuma condição de realizar a Copa, Havelange, está é uma decisão definitiva”.

Raros conhecem o fato, a Copa foi então para o México, que estava sempre preparado. Realizou a Olimpíada de 1968, (construiu um estádio belíssimo, sem cobertura, que denominei de “Estádio Socialista”. O presidente, os ministros, o povo e a elite, pegavam sol e chuva juntos e “irmanados”). Fizeram a Copa de 1970 e a de 1986.

Se a África do Sul falhasse, o México estava de prontidão para esta Copa de agora.

Em 50 anos, a TV brasileira produziu apenas um gênio

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Foi Assis Chateaubriand que trouxe a televisão para o Brasil. Em 1960, montando a Tupi no antigo Cassino da Urca, que havia sido fechado, (junto com o Copacabana e o Atlântico) em 1946.

Chateaubriand foi (proporcionalmente) o maior empresário de comunicação do mundo. Chegou a ter 76 empresas. (Jornais, rádios, televisões, além da maior Agência de Notícias, que era a Meridional). Nem Murdoch, hoje absoluto, chegou a esse nível assombroso.

A TV Globo apareceria em 1965, e nesses 45 anos, criou o único GÊNIO da televisão brasileira, que é Chico Anísio. (Há dias, apresentou uma retrospectiva de seus trabalhos, é impressionante a capacidade que ele tem de criar, dar vida e interpretar personagens praticamente inimagináveis). Genial.

Em 2008, Joe Wallace, um dos funcionários que Roberto Marinho cooptou do Time-Life, deu entrevista à revista Trip, e fez duas afirmações. 1 – Walter Clark era um gênio, foi demitido por causa da bebida. 2 – O Boni não participou da ascensão da Globo, ficou 4 anos na TV Tupi, enquanto Clark fazia a Globo viver.

Dizem que é verdade, muitos confirmam. Mas GÊNIO mesmo, indiscutível, só CHICO ANÍSIO.

Assim em letra maiúscula, ele merece.

A verdadeira história de Arraes e Francisco Julião. O primeiro, servindo a si mesmo no “exílio dourado”. O segundo, só à coletividade, sem qualquer mordomia

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 Francisco Julião,
grande brasileiro.
nada a ver com Arraes

Valdir Stédile
“Hélio, faço votos que a candidatura do Governador Requião à Presidência da República seja vitoriosa, pois é um político preparado, corajoso e que tem condições de acabar com a bandalheira que tomou conta do Brasil. É uma alternativa válida, para destruir a malfadada e antidemocrática bipolarização que Lula pretende impor.

O PDT também deve lançar candidato, como você diz, no primeiro turno, todos os partidos deveriam apresentar nomes. No segundo turno então estudariam a melhor proposta para o país, pois só disputam os dois primeiros.

A respeito das tuas notas sobre Arraes e Francisco Julião, tive a honra de conhecer o Líder das Ligas Camponesas, Dr. Francisco Julião, um dos maiores brasileiros do século passado. Participei com ele de algumas reuniões e organizei no Paraná uma palestra na Casa do Estudante Universitário. Essa palestra serviria para a apresentação de Francisco Julião. Só que o Reitor vetou a reunião, com o vil argumento de que “um comunista não podia falar para universitários”.

Mais tarde, na casa de uma sua filha, Dona Anatilde, doutor Julião nos confidenciava suas decepções com Arraes. E contou que ARRAES, JUNTO COM OUTROS, TRAMOU PARA QUE BRIZOLA NÃO VOLTASSE DO EXÍLIO. Essa é a História, Helio”.

Comentário de Helio Fernandes
Excelente, Stédile, as informações e as opiniões sobre os dois assuntos. É depoimento de quem participou, se envolveu, não fugiu de coisa alguma. Vejamos, em primeiro lugar, (temos que começar de alguma forma) a candidatura própria dos partidos. O PMDB que dizia que “a maioria não quer um candidato, por isso não temos quem queira se apresentar”, agora perdeu a desculpa. Está aí o governador Requião, deixando o cargo pela terceira vez, tem voto, coragem, vontade e desprendimento.

Poderia cuidar apenas dos seus próprios interesses, voltar para o Senado, mais 8 anos de vida garantida. Também, não é um iniciante como presidenciável, em 1994 tentava obrigar o PMDB a ter candidato, a cúpula era praticamente a mesma, não houve chance. Eleito senador, insistia em 1998, quem conseguiria convencer a esses aproveitadores a se arriscarem, já que a lei não obriga (devia obrigar) à candidatura presidencial?

Você fala pelo PDT, o partido que foi de Brizola, e que ele começou a fundar quando perdeu o PTB. Por causa da interferência de Golbery, que cooptou Dona Ivete, e entregou a ela o PTB. E assim, tratando dessa dupla traição, entramos no segundo episódio, mais traição e novamente contra Brizola. Que sempre soube de tudo, e não aceitava Arraes de modo algum. Dizia: “Ele não tem nada a ver com a minha história”. Era verdade.

Fui muito amigo de Julião, nunca, nem uma vez que fosse, falei com Miguel Arraes. Podem dizer que os 15 anos em que fiquei no Brasil e Arraes e Julião foram para o exterior, criaram uma barreira de relacionamento intransponível. Mas antes disso, tivemos outros 15 anos de participação, (antes do golpe) fiquei muito amigo de Julião e jamais quis me aproximar de Arraes.

O depois governador de Pernambuco várias vezes, não admitia concorrência com a liderança de Julião. Quando este criou as Ligas Camponesas, Arraes já governador, montou o que chamou de Sindicato Rural. Visível, ostensiva e perseguidora ação contra Julião. Este, desprendido, generoso, construtivo, não protestou, continuou na luta, só muito mais tarde revelou a trama contra a coletividade, na verdade um golpe contra os que não o apoiavam.

O que você conta no final do post, Stédile, revelação de Julião, era do conhecimento de Brizola há muito tempo. O governador do Rio Grande do Sul e da Guanabara costumava fazer comparação com o comportamento da ditadura, em relação a ele, Brizola e na proteção, (como ele dizia) a Arraes.

Brizola, textual, nas suas conversas que não paravam nunca: “A ditadura deixou Arraes escolher para onde ir, eu tive que fugir para Montevidéu, ou seria assassinado”. Totalmente verdade. E continuando: “Dias depois de chegar a Montevidéu, a ditadura pediu o meu INTERNAMENTO numa praia deserta, longe da capital”.

E insistia, aí no que era público e notório: “Arraes teve um asilo maravilhoso, tendo a Argélia à sua disposição, amigo do ditador comunista, passava fins de semana em Paris e em outros lugares praticamente vizinhos”.

“Sofri na carne o fato de ser oposição mesmo, fomos governadores, (Arraes também), mas sem diálogo, não podia esquecer das manobras dele contra mim”. Brizola gostava de informação, não havia nada, em matéria de política, que desconhecesse. Não espalhava nem admitia intrigas, mas tomava conhecimento do que se passava nos bastidores.

Todos respeitavam Brizola, ninguém ou poucos se aproximavam de Arraes. Vejam o que Brizola realizou, principalmente no Rio Grande do Sul. Em Pernambuco, Arraes foi o Campeão Mundial do NADA.

* * *

PS – A última vez que vi Julião, na inauguração da Linha Vermelha. Fui com Brizola, ele fez questão de convidar o fundador das Ligas Camponesas, não admitia de maneira alguma, que algum protocolo, botasse o nome de Arraes. Se colocassem, ele tiraria, muito justamente.

PS 2 – Eu e Julião trocamos longo e emocionado abraço. Como demorasse a inauguração, (o atraso foi inexplicável, Brizola cobrava muito), ali no asfalto, em pé, nós três, em algumas horas, bastaria que tivéssemos a conversa gravada e poderíamos editar um livro de História. Vivida, sofrida, escolhida pela convicção de cada um.

PS 3 – Se fosse um livro individual, poderia ter o mesmo título que Pablo Neruda colocou no seu: “Confesso que vivi”.

Doações ocultas, candidatos aparentes

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Pedro do Coutto

Setores empresariais – reportagem de Valdo Cruz, Folha de São Paulo de domingo – resolveram que as doações financeiras que habitualmente  fazem a candidatos, no caso do pleito deste ano, não serão destinadas nominalmente e sim aos partidos políticos. Estes então as repassariam. Seria uma forma de não revelarem conexões ou comprometimentos pessoais. Tudo bem. Mas, pela Lei as agremiações têm que prestar contas à Justiça Eleitoral, bem como os próprios candidatos devem relacionar as respectivas despesas. Se as direções partidárias recebem, e, portanto têm que redistribuir as quantias, neste ponto tem que aparecer inevitavelmente o nome dos beneficiários e qual a parcela que coube a cada um. Isso de um lado. De outro, se as doações de fato forem feitas às direções, todos os que vão disputar o pleito vão pressioná-las em busca de pelo menos critérios razoáveis. Tal igualdade é impossível. Pois inclusive  há candidatos mais fortes e outros menos. Existem candidatos que ocupam posições de liderança e são mais influentes. Uns mais fortes e outros mais fracos.

Mas a questão não termina aí. Todos os candidatos, também pela legislação, têm que apresentar a relação de seus bens e suas despesas. O problema do peso do poder econômico não está no repasse direto ou indireto. Não está na forma. Está no conteúdo. Não está no papel. Está na fiscalização efetiva. Será esta possível em sua plenitude? Ficas a pergunta que, por si, já indica uma resposta.

Sinaliza uma impossibilidade. Não tem solução. Inclusive porque doação não é somente em dinheiro. Há muitas outras formas não aparentemente contábeis. A questão não se encontra no repasse. As doações, em todas, estão vinculadas a recibos. Não são dedutíveis do Imposto de Renda, aliás como poderia ser feito. Doação ao Partido e não ao candidato não assegura controle efetivo. Pelo contrário. Será uma forma de deslocar as atenções, através de uma generalização só de superfície. O fato é que é ilusão tentar-se acabar com todas as conexões tradicionais. Há uma série de caminhos de empresas ajudarem estes e aqueles, priorizando as doações concretas. Procedimentos impossíveis de serem impedidos.

·        Nos níveis  federal, estaduais e municipais. O presidente da República, os governadores, os prefeitos, os ministros têm candidatos de sua preferência. É natural, tendências fora de controle. O presidente Lula, por exemplo, tem a ministra Dilma como sua candidata. É claro que a influência da administração será dirigida a seu favor. Estaria voltada também para o governador José Serra? Não. E nem poderia ser o contrário. De outro lado, há senadores e deputados que apoiam o governo, outros se opõem. Não haverá tratamento diferencial? Claro que sim. É inclusive um dos ângulos da democracia, impulso do voto e do povo. Quanto às doações, elas se desenrolam de várias maneiras. Impraticável coibi-las. Mas fácil limitá-las,  mas esta é uma outra questão. De qualquer forma as doações empresariais vão continuar influindo individualmente. O fato, contudo, é que pesam mais nas eleições proporcionais do que nas majoritárias. Não garantem a vitória de modo infalível. Ela depende mais dos candidatos aparentes do que das doações ocultas.

Marionetes ou video-tapes?

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Carlos Chagas

Começam mal o ano os candidatos já dispostos para a corrida sucessória presidencial. Porque insistem, como se vê na mídia, em relacionar obras inauguradas ou por inaugurar, com a peculiaridade de que nem lhes pertence totalmente a autoria.  Dilma Rousseff expõe realizações do governo Lula e fala, no máximo, em continuidade. José Serra, mesmo a contragosto, vai desfiando a ladainha do modelo aplicado por Fernando Henrique Cardoso. Dos outros pretendentes,  nem se fala.

Esquecem os dois principais  candidatos ser o futuro bem mais necessário do que o passado, se querem ganhar a eleição. O que farão, uma vez instalados no palácio do Planalto? Que planos, programas e metas pretendem atingir, além de funcionarem,  ao menos até agora,  como vídeo-tapes de mentores e antecessores?

Em seguida à boa fase da economia nacional, quais os pontos de estrangulamento a enfrentar? Como multiplicar a imprescindível infra-estrutura hoje revelando portos inadequados e insuficientes, rodovias esburacadas e ferrovias inexistentes? Onde ampliar a fronteira agrícola, em que termos e objetivos? De que forma reduzir a orgia financeira que só faz engordar os bancos e seus lucros, sem maiores  reflexos no crédito ou, muito menos, na redução da carga fiscal?

Sequer demonstrar a fonte de recursos e de tecnologia para futuras gerações usufruírem a riqueza por enquanto ilusória  do pré-sal eles demonstram. Como, da mesma forma, ignoram de que forma  transformar o assistencialismo do bolsa-família em força motriz do aprimoramento social.

Já era para estarem apresentando as linhas-mestras com as quais disputarão o voto popular, mas, por cautela, temor ou incapacidade, preferem comportar-se como marionetes sem vontade própria.

Ficou para agosto, pode ficar para novembro…

Não se passaram 24 horas do comentário aqui exposto, sobre estarem os partidários de Dilma Rousseff adiando a previsão da decolagem de sua candidatura. Esperavam outubro do ano passado como o período da virada,  adiaram para dezembro, em seguida fixaram março. Pois não é que vem o ministro  Tarso Genro,  anunciando que só em agosto a candidata poderá ultrapassar José Serra? O competente titular da pasta da Justiça é antes de tudo um realista e prevê que apenas com o início da propaganda eleitoral gratuita dona Dilma crescerá como opção viável. Quem garante, porém, que mais um adiamento se torne inevitável? Setembro? Outubro já não dará  mais, devendo a s eleições realizar-se no domingo, dia 3. Por que não novembro?

Embalagens e conteúdo

Virou moda, faz muito, embrulhar coisas sem nenhum valor em embalagens preciosas. Com todo o respeito,  vamos abordar hoje a figura de  outro barbudo, não esse que o leitor estará imaginando, hóspede do palácio da Alvorada.

Falamos daquele quatro mil anos mais velho, que não sabemos exatamente onde habita, em especial depois da  descoberta de que a Terra é redonda, ou seja, tornando difícil identificar se  o céu está em cima, em baixo ou do lado.

O Personagem já foi acusado de vingativo, vaidoso, invejoso e presunçoso, sem senso de justiça. Nem ao menos quis morar no mundo que dizem haver criado em sete dias, ignorando-se estar  instalado nas aglomerações de esferas em chamas ou no caos permanente das frias  nebulosas sem rumo. Absurdo, mesmo, é imaginar que tenha oferecido seu Filho em sacrifício para conjurar a maldade dos homens que Ele mesmo criou. Porque se teve um Herdeiro único, como explicar sua passividade de Pai diante da violência perpetrada na cruz contra um Inocente?

Manteve suas Vastas Mãos abanando, em inexplicável desdém, chamado por uns de Padre Eterno, por outros de Jeová, sem esquecer os que O veneram como Alah, Tupã, Icknaton e sucedâneos.

Mesmo correndo o risco da incompreensão e da sagrada ira dos que  acreditam,  vale deixar uma conclusão.   Nada mais edificante do que assistir tantas demonstrações de fé e estoicismo, não obstante excessos  praticados em nome desses sentimentos.  Multidões queimaram na fogueira, na Idade Média, como hoje explodem em atentados irracionais no Oriente também Médio.  Antes, em defesa ou contra a Reforma. Agora, chamados xiitas  ou sunitas em conflito.  Embalagens, todas,  mas,  e  o conteúdo?

Fugir para Minas

Estão os tucanos preparando imensa concentração em Belo Horizonte,  até contrariando o maior de nossos poetas, aquele que quando quis fugir para Minas,  verificou que Minas  não havia  mais. Pois agora há. O objetivo da reunião é  obter do governador Aécio Neves que não feche as portas para a formação da chapa sucessória quase imbatível com José Serra na cabeça. Longe de exigir dele que aceite desde já a composição, Sérgio Guerra, Fernando Henrique e o ninho inteiro vão prestar-lhe a vassalagem necessária para  que admita a hipótese, no futuro. Pelo menos, para não sepultá-la de vez. Como dizia o avô, o tempo é o senhor das circunstâncias…

Havelange – Galvão Bueno

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Vicente Limongi Netto
“Excelente a entrevista de Galvão Bueno com o presidente de honra da Fifa, João Havelange, no canal SporTV. Por incrível que pareça, vimos um Galvão Bueno contido, fazendo boas perguntas. Realmente um feliz momento profissional de Bueno. Parabéns. Havelange é o dirigente e desportista que uniu povos e nações com o futebol. Durante 24 anos presidiu a Fifa com competência. Foi decisiva sua participação para que o Brasil fosse escolhido para sediar a Copa de 2014 e o Rio de Janeiro as Olimpíadas de 2016. Deus o mantenha forte, lúcido, altivo, solidário e respeitado no mundo inteiro. Para o bem do futebol.”

Comentário de Helio Fernandes
Concordo inteiramente com você, Limongi, foi dos melhores momentos do Galvão, comedido, discreto, não pretendendo se destacar mais do que o entrevistado. Meus parabéns ao Galvão. Só que a conversa foi muito pessoal, (o que não é restrição) apenas deixou de fora, fatos marcantes de Havelange como presidente da Fifa. Vou citar três fatos que mudaram a história da Fifa e do próprio esporte mundial.

1 – Já falei no “Havelange conservador mas não intransigente”. Episódios que poucos conhecem. Em 1976, ainda “engatinhando” na presidência da Fifa, foi procurado pelo presidente da Federação da África do Sul, que comunicou: “Presidente, vim lhe dizer que não disputaremos a Copa da África, não jogamos com negros”.

Havelange, em pleno Apartheid, perguntou: “Vocês têm o apoio do seu governo?”. Confirmado, Havelange decidiu: “Se não jogam com negros não jogam também com brancos”. E expulsou a África do Sul. Que só voltou depois da libertação de Mandela e do fim da discriminação e violentação.

2 – Um pouco mais tarde, Havelange se convenceu que a China comunista, de 1 bilhão de habitantes (na época) não podia ficar fora da Fifa. Conversou com o general Chiang-Kay-Chek, este ficou irredutível: “Se a China comunista entrar, nós saímos”. Havelange respondeu simplesmente: “É o que vai acontecer”. Aconteceu.

3 – Quando Havelange assumiu, a Fifa não era nada, funcionava numa salinha, quase não tinha patrocinadores. Os patrocinadores surgiram para transmitirem a Copa, Havelange exigia: “A África Negra (37 países) tem que receber as imagens de graça, não pode pagar”. Todos concordavam, queriam a Copa para o resto do mundo. Até hoje, a África Negra, vê e ouve a Copa com a mesma imagem e som dos outros países. Havelange é o que se pode identificar como “conservador-progressista”.

Aécio senador

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Não é a sua prioridade, mas pode ser a única oportunidade. Tem várias opções, como já foi reeeleito, precisa deixar o governo na data chave. Mas pode fazer a definição mais tarde. (Coisa que Serra quer fazer). De qualquer maneira três excelentes nomes apenas para duas vagas no Senado. (Os outros, Itamar e Alencar).

Helio Costa, favorito
para governador

Por enquanto está na frente. As negociatas que fez no Ministério FAVORECENDO a Globo, não contam. E as irregularidades em dinheiro, pagando 500 milhões a um amigo que tinha empresa com capital de mil reais (contei tudo na época, em cima do laço) não prejudicam.

MINAS-CEMIG-ODEBRETCH-
LIGHT-BNDES-TV GLOBO

Na definição do padrão da televisão, a Globo colocou um diretor importante numa sala, “colada” à sala do Ministro. No pagamento que era de 1 BILHÃO, (sem estar transitado em julgado) e foi reduzido para 500 MILHÕES À VISTA, a Globo não participou. Isso era “fichinha” para a Organização, ficou tudo para o Ministro. (Resolver).

Aécio também participou
de negociata com a GLOBO

Essa foi muito mais suculenta, pois conforme contei em abril de 2007, (quando aconteceu) e reproduzi ontem, era de BILHÕES. Mas nada disso vai atingir Aécio como candidato a qualquer coisa.

Será protegido pela Light, Odebretch, BNDES, Cemig, Bradesco, (“seu” Brandão é muito compreensível) e logicamente a TV Globo e toda a Organização.

Helio Costa pode não
ter o apoio da Globo

O ainda Ministro é favorito, por enquanto, nada definido. Nem mesmo no PMDB, Helio Costa tem garantida a legenda. A não ser para afastá-lo de uma possível inclusão na “lista tríplice” para vice.

Examinando os “favores” que fez, tem todas as credenciais para a indicação. Voltando ao Senado, desbanca o cabeludo mais suplente que já existiu.

João Pedro, o
suplente feliz

Não disputou um voto, nenhuma eleição, está no Senado desde janeiro de 2007. Lula pediu ao candidato ao Senado: “Coloca o João Pedro como suplente”. Alegremente colocou, foi novamente Ministro.

Agora é candidato a governador do Amazonas, favorito. Se ganhar, o que pode acontecer tranquilamente, o SUPLENTE João Pedro, passa a EFETIVO. Mais 4 anos no cargo, continuando sem voto, sem povo, sem urna. Que República.

O suicídio político
eleitoral de Mercadante

Candidato a vice com Lula em 1994, ficou 4 anos sem mandato. Senador em 2002, termina agora. Assustado diante da fantástica máquina de Poder montada por José Serra, considera que não volta ao Senado.

Espalha então, que será candidato a governador. Mercadante que se intitulava “analista”, agora devia ser “analisado” profissionalmente. Para o Senado, tem alguma chance. Para governador, nenhuma. Se o próprio Serra for candidato, (à reeeleição) é melhor desistir. Como ficará sem mandato, pode dizer, “desisti, não fui derrotado”.

Estado do Rio

11 personagens tentam 4 cargos. Governador e vice, duas vagas no Senado. Alguns estão na luta há 20 anos, já foram quase tudo, como Dona Benedita. Agora pretende ser novamente senadora, está difícil. Para não variar, o PT não tem votos, mas a hostilidade é total. Ela e Lindberg, se trituram e não se elegem.

Os indecisos

César Maia não se elege nada, já foi derrotado para governador, depois da primeira vez prefeito. Sobrou a vaga de deputado, “e o meu garoto?”, perde o mandato?

O trabalho escravo
do eterno Picciani

Não vai sair da Alerj, que não é trouxa, muito pelo contrário. Não tinha nada quando apareceu, agora tem tantas fazendas, que quase não vai à Alerj. Indiciado por exploração de trabalho escravo, “gostaria” de ir para o Senado. E diz para os amigos: “Fico aqui na Alerj, perco aquele filão maravilhoso que é o Senado”. Ainda não decidiu, entre o medo e a segurança.

Presidente Marcio Braga, o que errou desbragadamente

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Deixou a presidência e mandou carta, exaltando o próprio ego, e exagerando na prática da “menas” verdade. Garante: “Fui o presidente mais vitorioso da história do clube”. Se projetarmos o tempo em que ficou, a proporção será contra ele. No título de 2009, licenciado, não teve a menor participação, nem na mente nem no coração, este apenas clinicamente.

Também declarou: “Meus últimos trabalhos foram dois contratos de patrocínio, um de 25 milhões, já assinado e mais 15 que virão”. Aceitemos. Só, que como deixa DÍVIDA DE 333 MILHÕES, esses 40 milhões, não cobrirão nem os juros.

Patrícia Amorim vai sofrer para reverter a situação. O “comprometimento” geral de tudo no Flamengo, é criminoso, espantoso, perigoso e vertiginoso. Sorte, Patrícia, e muita competência, nenhuma concessão.

* * *

PS – Nem falei do déficit operacional, que levou a dívida a esse total inimaginável. Se esse déficit não for contido, na fonte, chegará rapidamente a números mirabolantes. O que é um absurdo se tratando de um clube, (a Nação rubro-negra) com potencial de faturamento incalculável.

Dona Dilma “mandona”

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O que mais atinge e deprime a Chefe da Casa Civil, é identificá-la com essa palavra que está no título. Bate o desespero, pede para desmentirem. Foi o que aconteceu com o Ministro da Justiça, (Tarso Genro, não confundir com Marcio Thomaz Bastos) que a pedido dela teve que proclamar: “A Dilma não é mandona. Como é mulher, bateu o velho preconceito”. Então é isso, Tarso? E as centenas de “companheiros” que dizem o contrário?

Frases que ficaram para 2010

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Surpreendente

Do presidente Obama: “Depois da bomba, a paz”. (Devia lembrar de Einstein: “Depois da bomba, só paus e pedras”.)

Ridícula e bravateira

De um anônimo conhecido como Nuzman: “VENCI Bush antes e VENCI Obama agora”. (Que ego. Esqueceu que a Olimpíada, que bota na conta dele mesmo, foi GANHA na votação por Havelange, e na PRESENÇA, por Lula).

A língua não ajuda,
a Serra ou Dilma

Os dois, distantes mas semelhantes, na passagem do ano: “Começa agora a contagem ofensiva”. É evidente que pretendiam falar, REGRESSIVA. (O grande obstáculo, o temperamento e a idolatria por eles mesmos, que alguns chamam de auto-idolatria).

O ego financeiro
de Eike Batista

Elogiado sentado pelo presidente Lula de pé, que República, organiza um jantar para ele, com apenas 10 pessoas. 6, obrigatórias. Faltam 4. (Recebeu telefone do “seu” Brandão e de Roger Agnelli, insinuando convite e presença. Respondeu aos dois: “Só convido quem vale”. Continuam sem saber se vão ou não vão.

FELIZ ANO VELHO PARA MINC E DILMA, DOIS EX-COMPANHEIROS DE LUTA ARMADA QUE HOJE SE ODEIAM E SE HOSTILIZAM INCESSANTEMENTE

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Nos bastidores do Planalto, aumentam progressivamente as divergências entre os ministros da Casa Civil e do Meio Ambiente. Embora tenham sido colegas na luta armada contra a ditadura, hoje Dilma Rousseff e Carlos Minc mal se toleram e a briga entre os dois vai se arrastar em Brasília até o final de março, quando deixarão os cargos para se candidatarem.

Dilma é altamente centralizadora e se julga dona do Poder, que Lula exerce apenas de forma representativa. O presidente brasileiro é como a rainha da Inglaterra, que reina, mas não governa. Jamais na História deste país (e de nenhum outro), um chefe de governo viajou tanto, passou mais tempo fora do palácio de governo. É recorde mundial, absoluto, digno do Guinness. Por isso, quem governa é a Casa Civil. Primeiro, com o Zé Dirceu, depois, com a Dilma.

Como a popularidade do presidente nada sofre com esse distanciamento do Poder, tudo aparentemente fica bem para eles. Mas por trás das cortinas, o circo pega fogo. E o motivo principal é o autoritarismo de Dona Dilma, que concentra tudo e não dá espaço aos demais ministros. Nada de importante se faz no governo sem a aprovação dela (ou de Meirelles, na política monetária, já que ele é uma espécie de Dona Dilma em travesti econômico).

Minc desnudou a “guerrilheira” Dilma

No caso de Minc e Dilma, o velho companheirismo da luta armada e amarga já virou pó. Hoje, não se suportam.

Tudo começou em fevereiro de 2009, quando a revista Playboy publicou entrevista de Minc, em que o ministro do Meio Ambiente afirmou que a chefe da Casa Civil teria desempenhado papel de pouco destaque na organização clandestina VAR-Palmares, da qual ambos participaram no fim dos anos 60.

Minc disse que Dilma não atuou na mais conhecida ação da VAR-Palmares: levar 2,6 milhões de dólares de um cofre do ex-governador paulista Adhemar de Barros, em julho de 1969. Minc foi além, muito além. Perguntado se Dilma liderava a organização, o ministro garantiu que os relatos sobre a atuação dela são exagerados: ”Realmente não é verdade. Numa certa época nós fomos do mesmo grupo, mas ela não tinha nenhuma proeminência”.

Foi o estopim da briga, que continuou com frequentes desentendimentos públicos, pois Dona Dilma não aceita aprofundar as discussões sobre impacto ambiental de grandes projetos, querendo aprová-los na marra, como já tentara na época em que a senadora Marina Silva esteve à frente do Ministério do Meio Ambiente. Por causa disso, Marina largou o governo e depois largou o próprio PT, para se lançar candidata contra Dona DIlma. (Aguardem os debates entre as duas na campanha presidencial, serão imperdíveis).

Minc seguiu o exemplo de Marina e enfrentou Dilma nos grandes projetos, principalmente de hidrelétricas. E o circo começou a pegar fogo.

Dilma anuncia metas “inviáveis” e inatingíveis”

Em outubro, quando o governo se preparava para a Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas em Copenhague, novo capítulo da novela. Sem ouvir Minc, Dona Dilma invadiu a área do Meio Ambiente e deu entrevista anunciando pretensas metas do governo. Foi desmentida no ato. Minc afirmou que as tais metas eram “inviáveis” e “inatingíveis”.

Dilma deu o troco no dia 10 de novembro, quando conseguiu que Lula a indicasse como chefe da delegação brasileira, Minc não passou recibo. Garantiu estar “confortável” diante da situação e disse que “o fato de ela chefiar a delegação tem várias leituras, cada um fará a sua”.

A participação de Dona Dilma foi um fiasco. Em sua primeira conversa com jornalistas em Copenhague, deixou como coadjuvante o ministro do Meio Ambiente, que teve que cancelar sua própria entrevista. Neste encontro com jornalistas, Dilma mal deixou Minc falar. Chegou a dizer que um dos programas aos quais o ministro se referiu não tinha “nada a ver” com o que fora perguntado.

O pior viria depois. Dilma cometeu uma gafe histórica ao abrir evento brasileiro sobre a Amazônia, proclamando que “o meio ambiente é um obstáculo ao desenvolvimento sustentável”.

Ainda não-satisfeita, voltou a desautorizar o ministro do Meio Ambiente, ao afirmar que o Brasil, em nenhum momento, pediu recursos para se adaptar às mudanças climáticas. (Mais cedo, Minc, durante entrevista, dissera que o Brasil abrira mão dos recursos).

A senadora Marina Silva, que era uma das estrelas da Conferência da ONU, entrou na briga. Em entrevista à Rádio CBN, disse que havia um “estranhamento” em Copenhague com a chefia da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, na delegação brasileira. “Quando eu era ministra do Meio Ambiente, assumíamos os processos negociais em todas as COPs que participamos. Mesmo quando vim com o ministro Celso Amorim, ele era muito respeitoso em relação a minha titularidade”, comentou Marina.

Marina voltou a defender a participação do Brasil no fundo climático, e afirmou que repercutiu “muito negativamente” a recusa de Dilma em contribuir com 1 bilhão de dólares para os países pobres. E logo depois Dona Dilma acabou sendo desautorizada pelo próprio Lula, que anunciou a disposição brasileira de destinar recursos às nações carentes.

Comissão de Ética do Planalto “investiga” Minc

Por coincidência, mera coincidência, dia 15 de dezembro, no ápice da Conferência de Copenhague, em Brasília foi divulgada a notícia de que a Comissão de Ética Pública da Presidência decidira abrir um procedimento ético disciplinar contra o ministro Minc.

A comissão pretende que o ministro explique as relações com a deputada federal Cida Diogo (PT-RJ) em nomeações para cargos públicos. Motivo: a parlamentar petista contratou como funcionária de seu gabinete a mulher do ministro, Maria Margarida Parente Galamba de Oliveira, a Guida, enquanto Minc contratou a servidora Flávia Martins Marques, que trabalhava no gabinete de Cida.

* * *

PS – Como se sabe que no Planalto nada de importante ocorre sem a aprovação da toda-poderosa ministra Dilma, a investigação contra Minc é bastante significativa. Afinal, na Comissão de Ética da Presidência não há qualquer investigação em curso sobre Meirelles, que responde a vários processos abertos no tempo em que era presidente do Banco de Boston.

PS2 – Também não existe investigação sobre outros ministros, como Edson Lobão, que no governo do Maranhão tornou famoso o filho Edinho (hoje senador, pois é suplente do pai), que merecidamente até ganhou o apelido de Edinho 30%. Por que dar essa “preferência” a Minc? É a “vingança da porta”, Dona Dilma não é mais do que isso, só que se julga muito mais. Até mesmo do que Lula, seu patrocinador. Lula é a Coca-Cola ou a Nike de Dona Dilma, favorece sua campanha com dinheiro do cidadão.

Do turfe ao futebol, uma sucessão imprevisível

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Carlos Chagas

Para quem ainda cultiva o desvalido esporte do turfe, senão  na reta final, entra a sucessão presidencial na reta oposta.  Dilma Rousseff não decolou, ao menos como precisava. Seus mentores vão adiando o tempo da virada: agora esticaram para março a chegada da candidata aos 20% das preferências nas pesquisas, mas já estão preparados para sustentar que junho será o mês das decisões. José Serra marca passo um pouco abaixo dos 40% e assusta os tucanos por não haver crescido depois da retirada de Aécio Neves do páreo, por enquanto infenso a compor a chapa com o governador paulista.  O favorito  também não tirou  vantagem da indecisão de Ciro Gomes. Acresce que os  votos  escapulindo  do ex-ministro da Integração Nacional não irrigaram a floresta de Marina Silva.

A chave para se decifrar o enigma chama-se PMDB, fracionado depois que o presidente Lula rifou Michel Temer como candidato a vice da companheira. Sérgio Cabral volta a ser uma hipótese, ouve-se falar  de Hélio Costa, mas  um prefere ficar no governo do Rio e outro, conquistar o governo de Minas.  Henrique Meirelles parece carta fora do baralho, Edison Lobão não tem nada de bobo.  Quem se beneficia da confusão  é Roberto Requião, já tendo colocado na rua a procissão da candidatura própria, capaz de aglutinar os diversos setores  conflitantes do partido. Inclusive Orestes Quércia, que só  fica com José Serra  se Requião refluir, valendo o mesmo para Jarbas Vasconcelos.

Em suma, e  mudando do turfe para o futebol, a verdade é que embolou o meio campo sucessório. Não há certeza de que a popularidade ampla do presidente Lula poderá transferir-se para Dilma Rousseff. A cautela de José Serra faz supor   dificuldades de a eleição ser decidida no primeiro turno, bem como a evidência de que, no segundo, tudo pode acontecer.

O Poder e a Ética

Vem de tempos imemoriais a conclusão de que as leis constituem invenção dos fortes   para continuarem a   governar  os fracos.  Assim  como, no reverso da medalha, a evidência de que os fracos inventaram a ética  para limitar o poder dos fortes.

A verdade pode estar no meio dessas duas paralelas que o presidente Lula manobra  melhor do que ninguém. Seu governo é, ao mesmo tempo, dos fortes e dos fracos. Das elites, que privilegia como nenhum outro governante antes dele, e das massas, cujas necessidades  atende de forma jamais registrada na República.

O primeiro-companheiro alcançou uma situação  difícil de ser imitada, emergindo daí a pergunta que não quer calar: acontecerá o que quando seu sucessor, qualquer que seja, inevitavelmente quebrar esse ponto de equilíbrio?

As elites, felizes com o Lula, desconfiam de Dilma Rousseff, apesar dela jurar  vinte vezes por dia que seu governo será de continuidade. Da mesma forma as massas olham de viés para José Serra, não obstante ele estar a quilômetros de distância do modelo tucano de governar, expresso por Fernando Henrique.

Tanto faz quem se eleja, contará com a hostilidade dos derrotados, num grau muito maior do que aquele  hoje encenado pelas  oposições de mentirinha.

Quem garante que no fundo dessa crise eclodida em torno do decreto  dos Direitos Humanos não repouse a intransigência das Forças Armadas diante da hipótese de  prestar continência a uma ex-guerrilheira?  Ou que as esquerdas lideradas pelo PT, a CUT, o MST e afins irão comportar-se diante do governo Serra com a mesma tolerância e até subserviência  como se comportam diante do governo Lula?

A conclusão fica por conta de quem quiser, e de quem vier…

Requião, precatórios, Miguel Arraes e outros

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Tirei dados do relatório da CPI dos Precatórios, publicado nos mais diversos lugares. O então senador Roberto Requião construiu um libelo, não livrou nem o Bradesco nem o senhor Miguel Arraes. O filho dele tentou me responder, só que se excedeu nos termos impublicáveis. Diz, “meu pai era um homem honesto”, a única coisa aproveitável.

É possível que fosse mesmo, em matéria de dinheiros públicos ou não. Mas era vingativo, perseguidor, com uma ambição monumental. Fez a mais tremenda campanha contra o grande Francisco Julião, também comunista, mas que caráter, que dignidade, que solidariedade com o povão.

Arraes ficou 15 anos servindo (e se servindo da ditadura da Argélia), martirizando os brasileiros que também foram para lá. Tinha todas as mordomias, carrão com motorista, palácio, era chamado de “Vice-Rei”. Os brasileiros foram expulsos, só Arraes ficou. (Expulsos por ele).

O filho diz que o pai foi inocentado na Justiça, deve ter sido mesmo, acontece. Collor sofreu impeachment e foi absolvido várias vezes no Supremo. Outros, a mesma coisa. Ricardo Teixeira foi acusado por uma CPI, de 7 crimes, está aí, cada vez mais poderoso. Meirelles, ACUSADO e INDICIADO por 5 crimes financeiros, vai completar 8 anos presidente do Banco Central.

Citou personagens sem a menor dignidade, como Samuel Wainer, tido como comunista, mas antes dirigiu o jornal “Meio Dia”, órgão no Brasil do governo nazista de Hitler. Por aí se vê a seriedade e a credibilidade desse senhor, que em outros termos, poderia até defender o pai.

Me acusa de “lacerdista”, porque fui amigo de Lacerda, fui também de Brizola, dirigi a campanha de Juscelino (o anti-Lacerda), participei da metade final da campanha de Jânio. Antes da eleição, fui com Jânio a Cuba, conversar com Fidel e Che Guevara, durante 12 dias.

O filho de Arraes: perda de tempo, de veracidade e falta de argumentos, se refugiando então na baixaria.

Presos políticos-traficantes e bicheiros, MDB, depois PMDB

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Antônio Santos Aquino

“Hélio, há muito de folclore na influência que os presos políticos tiveram sobre os marginais. Tudo começou com os assaltos a bancos. Os marginais, liderados por Escadinha, Gordo e outros, também começaram a assaltar, ficando a ditadura sem saber quem era quem. Passaram a enquadrar todos na lei de segurança e colocá-los juntos na Ilha Grande.

A influência não se deveu ao tóxico; foi muito mais na organização. Os presos políticos se organizavam repartindo o que chegava de fora e discutiam a melhor maneira de enfrentar as dificuldades. Foi nessa época que o traficante, assaltante e outros “afazeres”, conhecido por “Bagulhão”, criou a “Falange Vermelha” que muito depois virou “Comando Vermelho”. (Isso mais ou menos na época em que Aldo Moro foi sequestrado e morto pelas “Brigadas Vermelhas” na Itália).

Esse contato com os presos políticos foi relativamente curto. Quanto ao tóxico, já existia a venda de maconha na Praça Mauá em 1950 por um tal de Henrique Fim Fim (naquela época tudo de ilegal na Mauá girava em torno do portugês Zica, dono do bar Flórida). A cocaína se disseminou logo após o golpe de 1964. Quando prendiam alguém com sacolés de cocaína, estampavam nos jornais: foi preso fulano de tal com sacolés de “brizola”, no propósito de desmoralizar Leonel Brizola.

Quanto ao “capitão Guimarães”, esse não foi preso em 1968, Castor e Anísio sim. O “capitão Guimarães” entrou na contravenção em 1977 quando já tinha sido expulso do Exército. Isso vai longe.

Hélio, somente você que viveu este período com intensidade, tendo conhecido todos os movimentos que antecederam o PMDB. (Estou falando do MDB e da ARENA, partidos da “Ditadura Militar”; na ARENA estavam os políticos do sim senhor, no MDB os do sim, e alguns políticos muitas vezes se rebelavam).

Você em 1966 entrou no MDB e poucos dias antes da eleição a ditadura te cassou. Com a anistia em 1979, o MDB se transformaria no PP, liderado entre outros por Tancredo Neves. Não deu certo porque, criado o PP, pulverizaria o MDB, favorecendo Brizola que tentava refundar o PTB, sendo notório que uma grande quantidade de trabalhistas estava no MDB. Assim sendo, o PP, onde ias te filiar, nasceu morto, e o MDB, que ia morrer, continuou vivo com o implante da letra “P”. É por esta razão que dizem ser o PMDB uma Federação imposta pelos militares. Vi assim os acontecimentos. Mas não sou o dono da verdade.”

Comentário de Helio Fernandes

Antonio Santos Aquino me escreve sobre os dois assuntos, que clareza, conhecimento, facilidade na explicação. Mostra dados que não vieram a público, dá aula sintética que poderia ser muito mais longa, corrige, discorre com facilidade sobre os prisioneiros da Ilha Grande. (Começamos antes da terrível calamidade).

Diz quem é quem, e quem foi quem em 1969/79. E termina afirmando: É a minha visão e o meu conhecimento, NÃO SOU DONO DA VERDADE”.

Obrigado, Aquino, mas se não é, está muito perto, principalmente por ter vivido intensamente os maiores acontecimento de uma época.

Lula, já fora de Brasília, passando por São Bernardo, não podendo ficar quieto, foi para a Bahia. Assustado, recebeu a informação: “O PMDB terá candidato”

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Esse fato mudará todo o roteiro, maliciosamente preparado pelo próprio Lula. Ficando pouco tempo no Brasil, era comunicado momento a momento, com a moderna tecnologia. E era sempre informado: “Sua candidata está absoluta, a base está toda com ela”. O presidente acreditava.

Na verdade o presidente tem duas convicções que ninguém consegue abalar. 1 – As pesquisas não falham, às vezes são contra ele, acha que tem mais de 80 por cento de popularidade. 2 – Tendo mesmo essa repercussão, vai transferir tudo para Dona Dilma, e não esconde: “Ela pode ganhar no primeiro turno. Vai depender de mim”.

Lula, sem base no PMDB

Não acreditou na “notícia do candidato próprio” do PMDB. É o maior partido da base, e o que tem voto mesmo. Mas veio a surpresa, e das grandes: tentou falar com algum “maioral da cúpula”, não encontrou ninguém. Ficou “meditando”: seriam as festas ou já estariam abandonando a cidadela que parecia inexpugnável? (Que palavra).

Em pleno ar, como sempre, começou a refletir se não seria melhor ligar logo para Requião ou Paes de Andrade (grande força no PMDB), saindo na frente dos adesistas? Retrocedeu, achou que não ficaria bem, resolveu esperar. E disse para um companheiro: “Não falo com os dois há tanto tempo”, parou por aí, não concluiu.

De qualquer maneira, política e consequentemente de forma eleitoral, a cara da campanha não está muito risonha e franca para o Planalto-Alvorada. Pelo menos para os que ainda estão lá. Para os que pretendem ocupar os dois palácios, o momento cresce em matéria de satisfação.

Efeito repetitivo

Até Serra se preocupou com a candidatura própria do PMDB. Já cooptou uma parte do partido, a que na certa se fortalecerá. Só que, como precisa decidir nos próximos três meses, se isolou, não quer conversas. Por enquanto.

No PMDB, a banda podre, reunida mas apavorada

Só que Requião e Paes de Andrade, como conhecem muito bem o partido (o único sempre, dos dois), acompanham os movimentos da cúpula, não se surpreendem. E aparentemente decidiram: “Assim que Lula reassumir, entre 9 e 11 deste janeiro, pediremos uma conversa com ele”. Ressalvam: “conversa e não audiência”.

A lista tríplice pode dividir mais a banda

Quando “indicou” Michel temer, Lula desagradou uma porção (um terço) do partido. Mudou para a já famosa “tríplice”, contrariou outro terço. Como pelo menos (pelo menos) um terço não quer nada com Lula, o morador do Planalto-Alvorada tem manobrado tão mal, que perdeu três terços do PMDB.

Mas alguns bajuladores dizem a ele: “Não faz mal, presidente, perdemos três terços, mas ficamos com resto”. (O presidente, que adora o “resto”, ficou satisfeito).

Unanimidade

Como os partidos não se juntam em nenhum momento, agora vibram com a notícia: “Todos estão contra Meirelles na vice”. Puxa, ponto a favor do candidato próprio e com chances de vencer. E mesmo os que são contra, dizem: “Esse candidato só pode ser o governador do Paraná”. Evitam pronunciar seu nome, mas já preparam a rendição, Ou melhor: a mudança de convicção, o apoio à CANDIDATURA PRÓPRIA.

Requião-Paes de Andrade e a sucessão de Lula

Roberto Requião é presidenciável desde 1994. Acabava seu primeiro mandato de governador do Paraná, foi ao mesmo tempo candidato a presidente e a senador. O partido não tinha audácia para acompanhar Requião, ele se elegeu senador. (Agora, a mesma opção, mas as coisas estão diferentes)

Tumultuou o Senado, se projetou nacionalmente, foi relator da CPI dos Precatórios, não “encampou” ninguém, indiciou todos. Em 2002, quando acabava seu mandato de senador, se elegeu governador. Se reeelegeu em 2006, agora tem de sair. Tem uma vaga segura para o Senado, pretende ser presidenciável, sempre pelo PMDB.

* * *

PS – A partir deste 2010, pretende percorrer o Brasil junto com Paes de Andrade. Este, que foi sempre do MDB e do PMDB, presidente e agora presidente de honra, só tem um candidato: Requião.

PS2 – Embaixador, acima de qualquer suspeita, pretende acompanhar o ainda governador pelo Brasil todo. Os dois virão ao Rio, espero que não visitem Sergio Cabral. Tem gente com mais voto (dignidade e competência, nem se fala) do que ele. O governador, apavorado com a (possível?) não reeeleição.

Bancos cobram por mês valor da Selic por ano

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Pedro do Coutto

Reportagem de Aguinaldo Novo, publicada no Globo de 29 de dezembro, com base em dados do PROCON, focaliza, se, sobretudo acentua, uma realidade impressionante: bancos cobram por mês, nos saldos devedores de cheques especiais, o valor da Selic por ano. O governo remunera a rede bancária, com juros anuais de 8,7% a rolagem da dívida interna que oscila em torno de 1 trilhão e 300 bilhões de reais. Muito bem. Esta percentagem que incide sobre tal montante em títulos no mercado mobiliário, é exatamente a que os bancos cobram por mês. A taxa recuou 0,5% ao longo dos últimos doze meses. No mesmo período, a Selic desceu 5 pontos: de 13,75 para 8,75. A proporção, como é evidente, comprova que um índice não está ligado a outro. Mas  isso nos cheques especiais. Nos empréstimos pessoais comuns, Aguinaldo Novo encontrou a média de juros de 5,4%. Os índices cobrados pelo comércio giram em torno do mesmo valor. O refinanciamento dos cartões de crédito aponta juros mensais superiores a 10%. As menores taxas do mercado são as que incidem sobre a compra de automóveis. Este é o panorama do custo do dinheiro para a população. O que surpreende é como o movimento comercial e o de crédito bancário permanece aquecido e a inadimplência é de aproximadamente entre 5 a 8%. E os índices de satisfação geral e de confiança nos resultados de 2010 são bastante positivos.

A impressão que se tem é que a realidade criou um padrão monetário escritural paralelo à moeda circulante. O mercado de trabalho criou 1 milhão e 400 mil empregos com carteira assinada. Neste total aparentemente  não estão consideradas as demissões do período que levam a saques  no FGTS. Assim é importante comparar os dois lados. Pois se 1 milhão e 400 mil empregos novos for o saldo de 2009 é porque as contratações teriam que atingir 2 milhões e 600 mil, já que as demissões, como revelam os relatórios da Caixa Econômica publicados em Diário Oficial, situam-se em torno de mais de um milhão de casos. De qualquer forma, houve um avanço positivo em 2009 e isso está refletido nos índices de satisfação. Deve-se considerar, também, para tal efeito, o fato de o Brasil ter conseguido sediar a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016. As duas conquistas influem na psicologia coletiva, gerando pontos de alegria e energia que se refletem na autoestima. Importante aspecto sobretudo ne4ste ano eleitoral. Se reflete ou não a favor da candidatura da ministra Dilma é outra questão. Deve refletir, logicamente. A pergunta então é se a ponto de levá-la à vitória.

Reunindo todos os fatores positivos conquistados, o governo Lula emprenha-se em conduzir debate ao segundo turno, quando então o provável caminho, para o Planalto é levar a uma comparação entra a atual administração e a do presidente Fernando Henrique. Um desafio para o PSDB e especialmente para o governador José  Serra o de evitar o deslocamento de foco que em tudo favorece o presidente Lula, comprovadamente como assinalam todas as pesquisas publicadas, principalmente as do IBOPE e Datafolha. Mas desfechos eleitorais dependem do desempenho dos candidatos na campanha. Porém, sem dúvida, o clima gerado pelo mercado de consumo baseado nu sistema de moeda escritural vai influir. O enigma, entretanto, é até que patamar. A política é marcada por dúvidas. Seu fascínio, aliás, está exatamente aí.

O PMDB, o maior partido do Brasil, deveria ser obrigado a ter candidato a presidente. Não só ele, como todos os outros, sempre.

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Roberto Alcântara
“Ao iniciar o ano de 2010, o povo brasileiro precisa ficar alerta, o golpe está sendo preparado. Não querem fazer eleição, nem para presidente, governadores ou parlamentares. Não conseguirão, mas de qualquer maneira, como o senhor diz sempre, o povo não se interessa em aproveitar o voto, e os partidos, como o PMDB, não têm também a menor vontade de estabelecer o voto representativo.”

Comentário de Helio Fernandes
A História do Brasil está cheia de golpes, sucessivos, às vezes sem ninguém perceber. A República foi um golpe, a Revolução de 30, novo golpe e a ditadura ostensiva. O Estado Novo de 1937, um terror. A derrubada da ditadura, em 29 de outubro de 1945, farsa completa, TODOS voltavam 33 dias depois, na eleição (eleição? Mais outra mistificação) com o marechal Dutra na Presidência. Quem era o marechal? O Ministro da Guerra que manteve Vargas ditatorialmente por 8 anos, e que era chamado de “Condestável do Estado Novo”.

Ficou 5 anos, preparou a eleição de quem? Do próprio Vargas, derrotado em 1930 por Julio Prestes, candidato do presidente Washington Luiz, derrubado e deportado no final de 1930.

No momento não acredito em golpe, mas também não tenho certeza de eleição legítima. Incoerência, contradição, falta de segurança na análise? É possível. Mas o que acontecido na História brasileira, a não ser o impossível que se realiza na nossa frente, sem que vejamos coisa alguma?

Um partido sem rosto

Paulino Ferreira Campos
“Se o PMDB não definir candidato próprio a presidente, simplesmente mostrará que é mesmo um partido sem rosto”.

Comentário de Helio Fernandes
Foi a colocação mais rápida e mais fulminante. Paulino, meus parabéns e meus pêsames. É impossível ser mais didático e elucidativo. Mas também, desculpe, somos todos inúteis e desperdiçamos tempo, querendo que o PMDB mostre o rosto. Que rosto? Não seria melhor pedir para mostrar a cara? Só que correríamos o risco de comparar com Obama, quando disse que Lula é o cara.

Um partido que esqueceu as raízes

Joaquim Drummond Alves
“O PMDB, sucessor do MDB, em linha reta, lutou contra a ditadura, mas já esqueceu suas raízes há muito tempo. Nada como a história e o tempo para que algumas situações sejam esclarecidas”.

Comentário de Helio Fernandes
De certa maneira você tem razão. Mas indo na profundidade, não há raiz alguma. O MDB, que acabou em 1981, antes da primeira eleição direta para governador, era metade “autêntico” e metade “corrupto”. Chagas Freitas e Miro Teixeira dominaram o MDB da Guanabara (depois novamente Estado do Rio) e continuaram por 12 anos, mandando e desmandando.

Eu era desse MDB antes deles, fui cassado em 1966. Chagas, que roubara o jornal de Ademar de Barros quando este fugiu para o Paraguai (por causa do roubo da urna marajoara) foi o mais subserviente “governador” que a ditadura “elegeu”. E reelegeu, com a interrupção de 4 anos. Quer dizer: ficaram de 1970 a 1974, e depois, de 1978 a 1982.

Fiz oposição a eles, diariamente. Durante esses 12 anos, a Tribuna não recebeu um centímetro de publicidade. Também, não conseguiram conversar comigo. Chagas morreu, Miro era muito moço, hoje é campeão das Liberdades, vida magnífica, não trabalhou um dia que fosse. Deputado desde 1970, não sai disso. Nos intervalos disputava (e perdia) a eleição para prefeito. Concorreu uma vez para governador, ficou sem mandato.

Vai morrer com 150 anos, sempre deputado. Andou por vários partidos. Quando o MDB “ganhou” o P e virou PMDB, também metade era de resistentes, a outra metade de corruptos. Até hoje.

O que fazer, Joaquim?

Melhor do que ter Presidente, é dominar

Aurélio Gomes de Abreu
“Helio, você fez o grande favor de alertar o PMDB para o perigo de não lançar candidato próprio a presidente. Sua definição é indiscutível: melhor do que ter o Presidente, é dominar a Presidência e o Presidente, E ninguém lhe responde?”

Comentário de Helio Fernandes
Obrigado, Aurélio, foi uma revelação e um alerta mesmo. Agora, tenho alguma esperança que isso aconteça. Não por nomes, mas pela concretização das ambições, e o medo de perderem com Dona Dilma. Nessa situação doméstica, a cúpula do PMDB pode até se aliar aos que querem o candidato próprio. Se perderem, continuará no Poder. Eles sabem que SEM O PMDB NÃO HÁ GOVERNABILIDADE. A impressão, neste início de 2010, é que o PMDB está apenas à frente do supermercado, negociando o melhor preço.    

Pode um presidente da República assinar algum documento sem ler?

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Carlos Chagas

O mais  grave nessa que parece a última crise política do finado ano de 2009 foi a explicação dada pelo presidente Lula ao ministro da Defesa e aos comandantes das três forças armadas: assinou sem ter lido o inteiro teor do decreto criando o Programa Nacional dos Direitos Humanos…

Tanto Nelson Jobim quanto o general Enzo Peri, o brigadeiro Juniti Saito e o almirante  Julio Moura Neto entregaram carta de demissão,  insurgindo-se contra o texto assinado pelo presidente da República a pedido dos ministros Paulo Vanucchi, dos Direitos Humanos, e Tarso Genro, da Justiça.  Pelo decreto, será criada uma comissão, no Congresso, encarregada de rever a Lei de Anistia, promovendo investigações e abrindo a possibilidade de punição criminal para agentes do poder público que se dedicaram a práticas de tortura durante o regime militar.

Os demissionários refluíram no propósito de deixar o governo, mas, no reverso da medalha, quem agora ameaça sair é o ministro dos Direitos Humanos.

Não fossem  as festas de Natal e Ano Novo, bem como  a volta do Lula a Brasília apenas dia 11,  e a temperatura estaria em grau de ebulição. Parece óbvio que os comandantes militares não agiram isoladamente, mas consultaram os escalões abaixo de seus comandos.  Solidarizando-se com eles, o ministro da Defesa assumiu o papel de portador da carta e interlocutor junto ao presidente. Há muito que Jobim defende o ponto de vista de haver a Lei de Anistia apagado o passado, valendo para os dois lados um dia empenhados na abominável ação da tortura, uns, e na tentativa de mudar o regime pela violência, atentados, furtos e até assassinatos, outros.

É claro que se os três comandantes se insurgem contra a abertura de processos será por  reconhecerem  excessos praticados por militares,  no passado, mesmo sem terem  tido a  menor responsabilidade no acontecido. O problema é que a anistia, pelo Bom Direito, significa esquecimento. Rever a lei de tantos anos atrás, para eles, seria revanchismo, em especial quando o decreto presidencial não se refere à possibilidade de investigação e punição dos envolvidos em  práticas  terroristas, alguns até ministros de estado, hoje.

Em suma, para começar o ano, uma confusão dos diabos, deixando em aberto a questão principal: pode um governante assinar algum documento sem ler?

Plebiscito coisa nenhuma

Apesar dos esforços do presidente Lula para dar às eleições de outubro o  caráter de um  plebiscito  entre o governo dele e o passado governo de Fernando Henrique Cardoso, vai ficando cada vez mais difícil imaginar o processo eleitoral circunscrito a esse sonho. Primeiro porque parece impossível a conciliação entre os candidatos do PT e do PMDB aos governos de muitos estados, em especial os mais importantes politicamente.  Depois porque, além de Dilma Rousseff, representando a continuidade, e José Serra, mesmo a contragosto vinculado ao sociólogo, estão em campo outras candidaturas. Marina Silva cresce de pesquisa em pesquisa, ao tempo em que Ciro Gomes, mesmo sem definir-se, atinge os mesmos percentuais da candidata do governo.

Acresce vir a disputa pelas maiores bancadas no futuro Congresso uma briga de foice em quarto escuro. Nenhum partido alcançará maioria para governar sozinho e as alianças nos estados vem pressagiando contradições homéricas.

Numa palavra, não dá para esperar um roteiro de filme de faroeste nas eleições, ou seja, mocinhos de um lado, índios do outro, qualquer  que seja o ângulo de observação do tiroteio.

O Globo, manchete da enganação: “O réveillon da pacificação”

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Para demonstrar que continuará o mesmo neste 2010 que começa, insistiu na “tese” das favelas “pacificadas”, usou a palavra bem lá no alto da Primeira. E ainda chega ao absurdo de afirmar: “Aplaudidos pela multidão, ASFALTO e MORRO celebram a paz na chegada de 2010”.

Além de violentarem a “língua” (não é CELEBRAM e sim FESTEJAM), o culto da inverdade. Não há PACIFICAÇÃO alguma, como já demonstrei, o que há é um acordo espúrio e desanimador. Além do mais, essas passagens de anos, sempre foram CELEBRADAS, Há!Há!Há!, na maior tranquilidade. Não existe registro, no Rio ou em São Paulo, de qualquer baderna ou desordem nas festas do réveillon.

Além do mais, mesmo se quisessem, não poderiam brigar, não havia espaço para nada. A Polícia Militar, que tradicionalmente faz o melhor cálculo de multidões, confirmou os 2 milhões, com tendência de um pouco acima.

Portanto, como não haver paz? Paz, mas não a mentirosa “pacificação”. Há alguns anos, as desordens nas praias do Leme e Arpoador, eram provocadas por baderneiros profissionais, que desciam em massa de ônibus, se despejavam nas areias. Claro, durante o dia, havia muito espaço para correrias e para o noticiário.

PS – Perguntinha inútil, inócua, ingênua: como as favelas estão “pacificadas” e sem traficantes, não há quem venda ou compre drogas? Serginho Cabralzinho, então, está fazendo publicidade errada. Devia insistir por todos os meios de promoção e comunicação: “LIQUIDAMOS COM O VÍCIO, NINGUÉM MAIS CONSOME, CHEIRA OU SE INJETA DROGA”. Um vitorioso.