Críticas justas, silêncio injusto

Carlos Chagas

Certas coisas,  não dá para entender ou entendemos muito bem. Na segunda-feira, discursando para os novos generais que lhe foram apresentados, o presidente Lula não poupou os Estados Unidos. Disse coisas que se não justificariam o rompimento de relações nem a chamada do embaixador americano a Washington,  pelo menos determinariam uma nota ou comentários  de protesto.

Para o primeiro-companheiro, enquanto os Estados Unidos exercerem o papel de tutores de Israel, não haverá paz no Oriente Médio. Mais ainda: as Nações Unidas não podem mais ficar à mercê do grupo recém-saído da Segunda Guerra Mundial. O planeta mudou, não dá para os cinco integrantes permanentes do Conselho de Segurança decidirem tudo. Outros países devem ter assento igual  naquele colegiado, como Brasil, Índia, Alemanha e Japão, por exemplo.
                                             
Naquela mesma noite os telejornais abriram espaço e tempo para o pronunciamento presidencial. Esperava-se que os jornais, no dia seguinte, não apenas divulgassem as críticas do “cara”, mas comentassem suas consequências, tanto faz se a favor ou contra. Pois bem: nem uma linha.  Nada.

Significou o quê, esse silêncio? Provavelmente, pela secular linha adotada pelos  nossos jornalões, a vontade de continuar   agradando nossos irmãos do Norte, não publicando críticas até justas aos Estados Unidos. O Lula, afinal,  teve razão em dizer o que disse.
                                             
Resta aguardar, agora, se haverá alguma retaliação. Quem sabe o cancelamento da vinda de Hillary Clinton à posse de Dilma? Improvável, porque a diplomacia americana está de olho no futuro e ficou até feliz pela troca de Celso Amorim por Antônio Patriota. De qualquer forma, é bom aguardar.

DISCO VELHO

Insiste o presidente Lula em repetir um disco velho e desafinado. Ainda esta semana voltou a acentuar que em 2005 as oposições tentaram afastá-lo do governo, votando seu impeachment por conta das denúncias  do mensalão. Falou, a um grupo de dirigentes do PT, que na época tomou a determinação de não repetir nem Getúlio Vargas, que se matou, nem João Goulart, “que renunciou”.
                                                      
Começa que  o Jango não renunciou. Foi deposto pelos militares.  Depois, porque a hipótese dele ser impedido era inteiramente inviável. O Congresso, no qual o Lula dispunha de maioria, jamais votaria a cassação de seu mandato. Acresce terem sido apenas  dois ou três senadores do PSDB a aventarem a hipótese,  mais para provocá-lo do que para obter algum resultado.
                                                      
Mesmo assim, o presidente já repetiu mil vezes haver sofrido a tentativa de um golpe,  mas que  iria para as ruas e para as favelas, onde ninguém o derrotaria, apoiando-se  no povo. Parece fantasia, à maneira dos Cavaleiros de Granada, aqueles que alta madrugada saíram em louca cavalgada, brandindo lança e espada. Para que? Para nada.
                                                      
O que importa nessa história é o mensalão, do qual jamais o presidente se valeu mas que aconteceu, até gerido pelo seu então chefe da Casa Civil, conforme acusação do Procurador Geral da República. Não vai ser fácil desfazer a trama, nem reduzi-la a uma simples coleta de dinheiro para pagamento de dívidas de campanha. Foi roubalheira mesmo. Lambança das grandes.

E AGORA?

Nestes últimos dias de glória, aliás, justas, o presidente Lula declarou que nem um centavo dos recursos destinados ao PAC seria cortado do Orçamento. Na ocasião, chegou a passar um pito no  atual e futuro ministro da Fazenda, Guido Mantega, que aventou a hipótese.
                                                      
Pois vem agora a nova relatora do Orçamento,   Serys Slhessarenko, e ao preparar o texto final, reduz de 43,5 bilhões para 40,15 bilhões o  montante  destinado àquelas obras. São pouco mais de três bilhões de corte. Como a senadora é do PT, a equação fica um pouco mais complicada. Logo virão  as explicações de que não foi bem assim, mas foi.
                                                      
Resta saber o que acha a nova presidente, Dilma Rousseff. Porque se é para cortar gastos, certamente ela não se oporá…

CHANCES PARA VIRGÍLIO
 
Antes mesmo de ser derrotado na tentativa de reeleger-se o senador Artur Virgílio viu-se acometido de prolongada pneumonia, da qual se recupera. Por isso veio apenas uma vez a Brasília, permanecendo em Manaus até o restabelecimento completo. Só que existe outra razão para ele ficar no Amazonas: corre no Tribunal Regional Eleitoral processo para impedir a diplomação ou a posse do senador Alfredo Nascimento, reeleito e já escolhido pela presidente Dilma para retornar ao ministério dos Transportes. As acusações envolvem irregularidades na campanha. Caso o novo ministro se veja arcabuzado, seria substituído por Artur Virgílio, no Senado.

E agora, José Dirceu? O tempo passou na janela.

Pedro do Coutto

Reúno trechos de dois belos poemas, um de Carlos Drummond de Andrade, outro de Chico Buarque, para tentar a síntese de um desastre chamado José Dirceu, demitido por Lula da chefia da Casa Civil e cassado pela Câmara, tudo isso no ano de 2005, no trágico episódio do mensalão.

Dirceu, que era o primeiro ministro do governo, o capitão do time como o chamava o próprio presidente da República, jogou tudo fora num projeto político dos mais rasteiros, incompatível até com sua capacidade intelectual. Capacidade inclusive destacada vê-se agora através do WikiLeaks, pelo então embaixador dos Estados Unidos no Brasil, John Danilovich. Mas o diplomata, como acentua Tatiana Farah, O Globo de segunda-feira, acrescentou outros adjetivos a sua personalidade: ”camaleão cruel e brilhante”.

Como já escrevi algumas vezes, Dirceu, um deputado eleito por São Paulo com algo em torno de 800 mil votos, jogou tudo fora. O tempo passou na janela e só ele não viu. Seria hoje o presidente da República no lugar de Dilma Rousseff. Citei Chico Buarque. Agora focalizo Drummond: a festa acabou, a noite esfriou, o povo sumiu; e agora, José?

Não atino bem porque Dirceu entrou em contato com o embaixador norteamericano. Este registrou informações, opiniões, os seus escapismos, e mandou até um assessor visitá-lo. Por qual motivo, afinal? O que teria o governo de Washington, era Bush, com o mensalão e os falsos empréstimos em seu rastro? Aparentemente nada. Não se justificam assim, pelo menos logicamente, as revelações e as confissões. Dirceu – está no texto – eximiu-se de culpa, mas culpou o PT e o próprio Lula, que evidentemente não ficou satisfeito com a versão 2110 de um desfecho de 2005.

Muito menos com a parte em que o ex-ministro prevê que cairia em depressão e poderia até não disputar a reeleição. E se disputar, afirmou a Danilovich, perderá. Neste ponto, Dirceu caiu na tentação de prever o futuro. Esqueceu que até hoje ninguém acertou. Nem Malthus, que profetizou a fome no mundo, nem Marx, que previu a revolução do proletariado, tampouco Einstein, que considerou a hipótese de uma hecatombe atômica, acertaram nada.  Deu tudo ao contrário.

Mais um profeta que falhou: Rudolf Diesel, o descobridor do petróleo como fonte de energia, considerava que no ano de 2000 seria o fim do ciclo do ouro negro. Esqueceu as perfurações submarinas. Muitos outros pensadores poderiam ser colocados ao lado desses gênios. Mas para quê? Os exemplos já são suficientemente fortes e até emblemáticos.

Dirceu esqueceu o day after. O dia seguinte muda tudo. É sempre assim. Os fatos, ninguém pode com eles, sucedem-se velozmente. Juscelino esperava voltar eleito, ao Palácio do Planalto em 65. Não contou com a explosão da crise política brasileira em 64. Carlos Lacerda foi, na realidade (muito mais ele do que Magalhães Pinto), o líder civil da derrubada militar de João Goulart. Quatro anos depois teria os direitos políticos cassados e seria remetido à prisão no quartel da Polícia Militar da Rua Salvador de Sá. Foi inclusive preso junto com Hélio Fernandes, que escreveu recentemente sobre este acontecimento.

Enfim, o que desejo dizer é que a dinâmica da vida é muito forte e praticamente imprevisível. As situações mudam da noite para o dia ou do dia para a noite. Aliás, como no belo título de Hélio Silva, a história não espera o amanhecer. Este volume de sua vasta obra refere-se à proclamação da República.

José Dirceu, o homem que não foi capaz de analisar a sua própria posição, entra agora na história do país pela porta do WikiLeaks. O tempo passou na janela e, ao que parece, só ele não viu.

Neste final de ano, uma bela mensagem de Natal do desembargador Eduardo Mayr, que está lançando o livro “Ouro, Incenso e Mirra”.

 Nogueira Lopes 

Pelo título, se diria que esta nova obra do desembargador Eduardo Mayr é um livro dedicado ao Natal ou a fatos ligados à religião. Na verdade, é muito mais do que isso. Aborda uma grande variedade de questões ligadas ao conhecimento humano, com importantes lições de vida colhidas na longa experiência do consagrado jurista.

“Quando olho para frente, na ideia de que os faróis de um automóvel devem ser sempre dirigidos para adiante, tenho certeza de que neste 2011 irei errar bastante também. Mas o importante é que não gastemos nossas energias nos torturando numa autocrítica pelo que não deu certo, Devemos compreender que não somos perfeitos e que não podemos acertar sempre, não podemos consertar o passado, apenas tirar dele os necessários ensinamentos para a nossa vida, perdoando-nos” – ensina Eduardo Mayr, em sua bela obra.

FESTA NA SOCIEDADE PESTALOZZI

Esta quinta-feira, a Sociedade Pestalozzi do Brasil promove sua festa de Natal. A instituição, que acaba de completar 65 anos de amparo às populações carentes, luta com dificuldades e atende atualmente a mais de 600 crianças.

Na semana passada, sua sede, que fica próxima à favela da Mangueira, sofreu mais um assalto. Foram furtadas as câmaras de segurança, além de placas de bronze, móveis da Tock & Stock, pratos, talheres, outros utensílios e grande quantidade de alimentos, deixando os alunos da instituição sem condições de almoçar.

Mas a mãe de um dos alunos, que mora na Mangueira, reconheceu os objetos da Pestalozzi sendo vendidos numa feira, no final de semana. Corajosamente, ela enfrentou os ladrões e conseguiu recuperar parte dos pertences furtados. Depois, foi à 17ª Delegacia, para comunicar o fato. Os ladrões foram identificados, mas a Polícia ainda não conseguiu prendê-los.

Por questões de segurança, a diretoria da instituição está mantendo em sigilo o nome da mãe do aluno, que será a grande homenageada na festa de Natal da instituição, quando receberá a Medalha Educadora Helena Antipoff, das mãos do pároco de São Cristovão, que rezará uma missa no local.

TRABALHO SOCIAL NO DONA MARTA

A propósito do trabalho social dos ex-alunos do Colégio Santo Inácio, o colunista recebeu mensagem do Dr. Elpidio de Figueiredo, acrescentando que “o trabalho da ASIA e dos ex-alunos vai além da parte médica (ambulatório popular com consultas e laboratórios)”.

A ASIA mantém também duas unidades educacionais no morro Dona Marta, há muitos anos, nem se pensava em UPP. Uma unidade vai até três anos de idade, e a outra, dos três aos seis anos. Contam com funcionários e voluntários (a esposa do Dr. Elpidio já foi voluntária) e são unidades de primeiro mundo, só vendo para acreditar, com assistência médica inclusive.

O Colégio Santo Inácio mantém à noite um curso noturno, tipo intensivo, para inclusão dos mais carentes. Os ex-alunos montaram também um curso noturno pré-vestibular, no qual trabalham como professores-voluntários. Tem dado muita alegria a famílias carentes, pois diversos alunos já se formaram nas faculdades do Rio, inclusive na PUC. O nome do pré-vestibular é Invest (bastante sugestivo).

Vale a pena uma visita à ASIA e também a divulgação para conseguir mais contribuintes, pois lá efetivamente o dinheiro é bem aplicado. Dr. Elpidio de Figueiredo e seus companheiros estão de parabéns e realmente merecem um Feliz Natal.

ERIC CLAPTON FAZ LEILÃO 

O músico inglês Eric Clapton vai vender mais de 70 guitarras de sua coleção pessoal em um leilão em Nova York, e o dinheiro resultante será revertido para seu centro de reabilitação de drogas e álcool na Ilha de Antigua, no Caribe.

A casa Bonham’s cuidará do leilão marcado para 9 de março de 2011, que também terá instrumentos doados por Jeff Beck, J.J. Cale, Joe Bonamassa e outros guitarristas.

Clapton, que era viciado em drogas, conseguiu se salvar e hoje dedica a vida a salvar os outros. Também merece um Feliz Natal.

VEM AÍ A “CONVERSA GIRATÓRIA”

Já está pronto para ser impresso o novo livro deste colunista da Tribuna, “Conversa Giratória”, que reproduz os principais trechos de uma entrevista concedida ao jornalista Gilberto de Souza, diretor do jornal “Correio do Brasil”.

Este livro aborda a situação do Brasil e do mundo neste início do Terceiro Milênio e será lançado na Livraria Argumento, na Rua Dias Ferreira, no Leblon. 

A VOLTA DO BAR DO COPA

O chamado “Bar do Copa”, no Hotel Copacabana Palace, que já é sucesso com a garotada nos finais de semana, começou no início desse mês, abrindo nas 4ª feiras para  quem quiser dançar, encontrar amigos ou comemorar aniversários.

A entrada é aberta, não precisa ser convidado – nem ter nome na lista – não tem fila – não cobram ingresso – não tem consumação mínima e paga-se somente o que for consumido. Ainda está em fase de teste, para ver se a proposta vai gerar público suficiente para manter o local aberto.

O Rio está tão carente de locais para se ouvir uma boa música e dançar, que não se pode deixar essa idéia não ir avante. A noite começa às 21 h. e a entrada é pela Av. Atlântica.

 

José Roberto Guimarães confirma que é um supertécnico de vôlei

Helio Fernandes

José Roberto Guimarães, vitorioso campeão olímpico com a seleção de homens, repetiu com a seleção de mulheres, novo ouro. Convidado para ser o treinador do Fenerbahçe, da Turquia, aceitou o desafio, ganhou o título nacional.

Hoje, na final do Campeonato Mundial Feminino de Clubes, foi novamente campeão. Ganhou do Osasco, grande time brasileiro, dirigido pelo ótimo Luizomar de Moura. Satisfação dupla.

Faltam 10 dias para Lula DEIXAR o Planalto-Alvorada. Ele mesmo declara “já estou com saudades”, nada mais compreensível. Dona Dilma é estrategista?

Helio Fernandes

Historicamente, é a primeira SUCESSÃO VERDADEIRA. Na República VELHA, os sucessores eram “destinados” até com 12 anos de antecedência (12 anos, três presidentes, não existiam reeeleições). Fizeram a chamada “Revolução de 30”. Como sucessão, farsa completa. Vargas, que assumiu da mesma forma que Deodoro (como Chefe do Governo Provisório), não tinha nem vice. Para quê?

Derrubada a ditadura em 29 de outubro de 1945, novamente nada de SUCESSÃO. Como a legislação era diferente, qualquer um podia se candidatar a deputado por sete estados e a senador por outro. O Marechal Dutra não perderia. Além do mais, era chamado normalmente de “CONDESTÁVEL DO ESTADO NOVO”, mandava mesmo, foi o substituto de Vargas. Que sucedeu-o em 1951, não sabia exercer o Poder a não ser ditatorialmente.

Depois, por peripécias e destinações, só Juscelino cumpriu o mandato inteiro, com que dificuldade. A partir da eleição de 60 e a posse de Janio em 31 de janeiro de 1961, três presidentes (com aspas e sem elas, sem falar na figura do Primeiro-Ministro, Tancredo Neves) no mesmo período  PARLAMENTARISTA. Até 6 de janeiro de 1963, quando uma fábula de dinheiro nunca vista, REINTEGROU, REINVENTOU, REIMPLANTOU O PRESIDENCIALISMO.

Alguns, naturalmente, podem (e irão) dizer: “A sucessão de FHC a Lula foi democrática”. Quanta besteira, Manuel Bandeira. Em 1994, julgavam Lula franco favorito, então o adversário (?) dele, FHC, julgando-se derrotado, reduziu o mandato de presidente de 5 para 4 anos.

Aproveitavam o que diziam sempre, nas mais diversas épocas: “Qualquer presidente, no primeiro ano, tem que conhecer as coisas, ir destruindo as armadilhas. Governa dois anos, no último já não manda mais nada”. Negrão de Lima, que foi tudo, até prefeito e governador, deixou a observação: “No último ano, o governante toca a campainha, não aparece nem o contínuo para servir café”.

Sem esperar e sem perceber, FHC, que havia tirado um ano de Lula, comprou a REEELEIÇÃO, tirou quatro anos do País, da coletividade, do cidadão-contribuinte-eleitor. Além disso, dominado pelos piores grupos multinacionais, DOOU AS RIQUEZAS nacionais, foi escorraçado do Poder, não elegeu o sucessor. (Como podia eleger alguém, com o RETROCESSO de 80 anos em 8?)

Não houve sucessão, só a decepção de José Serra, que este repórter adiantou, com prazo de validade para 2002, 2010 e mais o que vier.

Portanto, em 121 anos de República manchada, marcada, contaminada, complicada, só uma sucessão é muito, quer dizer, é pouco.

Na campanha se brigava muito por palanque. Agora cobram a participação nesses palanques, alguns mostram até quantos dias, semanas, meses, estiveram nesses palanques.

Esses palanques estão armados no próprio Planalto, ali se trava, nos bastidores, a luta dos “últimos dias de Pompéia”. E pelos cargos que sobraram, pelo menos numericamente. São 20 os garantidos (?), como eram 37 com Lula, digamos que faltam 17.

 ***

PS – Os Ministros são muito criticados, rebaixados, no mínimo dizem: “Foram todas indicados por Lula e não por Dona Dilma”. Ha!Ha!Ha! Estão tetricamente iludidos. Não brigam pelos cargos de Ministros e sim pelo Poder.

PS2 – Haja o que houver, esse Poder será disputado e não dividido, entre Lula e Dona Dilma. O Secretário PESSOAL de Lula, que passou a Secretário Geral, Gilberto Carvalho, afirmou: “Se for preciso, Lula pode voltar”.

PS3 – Como dizem que “no capitalismo, nem mesmo um almoço é de graça”, nessa disputa de lugar no Planalto, também ninguém fala por falar. E Gilberto Carvalho não se mantém como falastrão, e sim como porta-voz.

PS4 – E essa afirmação, com variadas interpretações, só pode ser feita por alguém, “portanto a voz de quem é muito poderoso”, e sabe disso.

PS5 – Nestes dias de festa e de expectativa, nenhuma clareza, só esperteza. E por tudo o que está acontecendo ou deixando de acontecer, fico com a impressão, que não é convicção, mas transmito: Seria Dona Dilma estrategista?

PS6 – É quase uma réplica do passado, quando perguntavam: “Serão os DEUSES astronautas?” Esperemos, amanhã só faltarão 9 dias.

Em Brasília nada muda: Roriz e Arruda continuarão mandando. E muito.

Helio Fernandes

Todo o setor de infraestrutura do “novo” governo do Distrito Federal estará, como sempre esteve, com o PMDB, do vice-governador Tadeu Fillippelli.

Secretaria de Obras e Transportes, Novacap, CEB (Companhia de Eletricidade De Brasília), CAESB (Companhia de Águas e Esgotos de Brasília), leia-se: todos os lugares onde o dinheiro jorra fartamente CONTINUARÃO COM OS MESMOS CORRUPTOS. Alegria geral para os aproveitadores dos recursos públicos, decepção total para o eleitor, que, mais uma vez se sente logrado.

Luis Pitiman, deputado federal eleito pelo PMDB, homem da copa e da cozinha de Fillippelli e que foi presidente da Novacap no governo de José Roberto Arruda, por indicação do hoje vice- governador eleito. é o mais bem cotado para comandar a Secretaria de Obras, onde as verbas são fartas.

O PMDB está cobrando alto e ferozmente a fatura do apoio dado a Agnelo Queiroz. Os petistas de carteirinha, a militância partidária, inocente e agora inútil, além do eleitor, que votou acreditando em mudanças, não escondem sua baita decepção.

Por estar tendo dificuldades, com seu próprio partido para compor o governo, Agnelo parece que mudou seu plano de anunciar hoje TODO O SECRETARIADO. A exemplo do que ocorre na esfera federal,os governadores petistas estão sentindo na carne o preço do apoio dado pelo PMDB.

O grande absurdo da Constituição Cidadã: a posse dos presidentes no dia 1º

Helio Fernandes

A posse dos presidentes da República era em 31 de janeiro, mesma data dos congressistas. Os constituintes de 1988 resolveram inovar. Passaram para 1º de janeiro, quando Lula entregará (?) o cargo a Dona Dilma.

Qual o presidente ou primeiro-ministro que virá à transmissão? Terá que viajar no dia 30 ou 31, chegaria aqui em cima da hora.

Certo, a Secretária de Estado Hillary Clinton, está sempre viajando. Vai embora no mesmo dia 1º à noite, não é desconsideração, ficou o tempo do reabastecimento. Depois do Wikileaks, é o máximo da diplomacia ultrapassada.

Dirceu: devassado pelo WikiLeaks, queria ser “temido” e “admirado” pelos americanos

Helio Fernandes

O ex-Chefe da Casa Civil foi alvejado pelas revelações de Julian Assange. O próprio José Dirceu estava surpreendido que não aparecesse nada sobre ele. Mandava mesmo, seu Poder era incontestável e incontrastável.

Daí que falava muito, queria que todos soubessem de sua força intransponível. E conversava até com “representantes” americanos, como o WikiLeaks divulgou. (Falta de cuidado de Dirceu, queria ser lembrado, temido e admirado pelos donos do mundo, os americanos?)

Dirceu pretendia ser lembrado e citado, mas não com esta declaração: “O MENSALÃO, esquema louco e perverso”. Isso em sigilo, nenhuma importância. Revelado, pura autodestruição. E já está sendo cobrado pelo próprio PT-dirceusista, que esperava que o levasse ao Poder.

O narcisismo dos vencedores, Joaquim Nabuco, Freud, Gilberto Freire, agora exaltado pelo treinador de futebol José Mourinho, IMODESTO.

Helio Fernandes

O narcisista José Mourinho, do Real Madri; “Graças a Deus não sou modesto. Por que vou negar ou esconder que sou o melhor?”

De certa maneira, tem razão. Se formos fazer relação de grandes personalidades, constataremos que quase todos adoravam a si mesmo. Mas realizaram, foram notáveis, se destacaram. Depois é que se deslumbraram.

Joaquim Nabuco, um dos estadistas brasileiros, aos 25 anos precisava de emprego. O pai, também excelsa figura e importante, encaminhou-o (no Império, lógico) ao Primeiro-Ministro Cotegipe. Recebido, disse logo ao barão, chefe do Gabinete; “Só posso aceitar um cargo de Ministro”. Saiu sem nada, o que não o impediu de fazer carreira extraordinária, jamais será esquecido.

Gilberto Freyre gostava de contar fatos exaltando sua personalidade, de alguns ele mesmo ria. Por exemplo, um “episódio” que repetia: entrou na Catedral de Westminster ao lado de Churchill, autoridades perguntavam: “Quem é aquele gordinho ao lado do mestre de Apipucos?”

Freud, que fez praticamente a humanidade se descobrir ou se revelar, era dominado por narcisismo-exibicionismo imperdoável. Mas quem vai esquecê-lo ou negá-lo? No máximo podem discuti-lo.

 ***

PS – Embora não devesse ser citado na categoria desses, FHC entra duas vezes. 1 – Uma editora mandou um livrou de Platão, abriu, não tinha dedicatória, jogou de lado. 2 – Perguntaram, ainda no Planalto, qual o povo que mais admirava. Respondeu rápido: “Os fenícios”. É que eles inventaram o espelho.

Conversa com leitor-comentarista sobre o número de desempregados

Sebastião Assis (Ceará): “Helio, obrigado, eu e muita gente não sabiamos o que significava esse número do Lula, você explicou sem nenhuma dificuldade. Por isso, o meu café da manhã é vendo o blog, com tanta gente debatendo e esclarecendo”.

Comentário de Helio Fernandes:
Nem acredite muito nesse número espalhado, eu mesmo fiquei em dificuldades. Devem ser muito mais do que esses 4 milhões, é duvidoso. Colocaram como EMPREGADOS, os “contratados” temporários de novembro-dezembro, por causa das festas.

É natural e compreensível que alguns milhares, ou no Brasil todo, centenas de milhares trabalhem pelo menos esses dois meses. Mas em janeiro já estarão DESEMPREGADOS. Só criam emprego na “cabeça” do Lupi e na volúpia do exibicionismo do Lula. Por que não dizem pública e oficialmente o que representam em DESEMPREGOS, esses 5,7 por cento?

 

A liberdade da internet é incompatível com as ditaduras.

Ofélia Alvarenga: “Hélio, quando leio você escrever sobre o SNI, eu me pergunto como teria sido a ditadura brasileira se fosse em tempos de internet. Nos idos militares, se driblava a censura com simples troca de nomes – os pseudônimos. Um pseudônimo não tira do autor a sua personalidade. Mas hoje, o que a internet mostra não são pseudônimos, mas heterônimos, porque uma mesma pessoa se esconde sob personas diferentes, capazes até de brigar entre si. Como funcionaria a ditadura na internet? A internet sairia do ar?”

Comentário de Helio Fernandes:
Mesmo subdividida, Ofélia, a colocação é excelente. Primeiro, o fato de pouca gente se identificar, esse é o ponto positivo e ao mesmo tempo negativo, da internet. Com ela, qualquer um chega, escreve, dá sua opinião sem aparecer ou se comprometer.

Antes, teria que mandar cartas para os jornalões, e se submeter ao “crivo” que palavra, editorial. No mundo inteiro, muitas cartas são “editadas” e não se podem desagravar os interesses dos jornalões. Por que ninguém escreve para o jornalão sobre as DÍVIDAS, o empobrecimento, o poder fascinante dos bancos? Devem escrever, lógico, só que não é publicado.

Ofélia, nenhuma possibilidade de convivência entre um regime ditatorial e a internet. E o SNI, da forma como foi criado, mantido e elevado à condição de quinta potência, só numa ditadura. Fora de 1930 a 1945 e de 1964 a 1985, nada parecido com a internet, sobreviveria.

“Serviços de Inteligência”, nesses regimes ditos democráticos, não têm o Poder que acumulam numa ditadura declarada, aberta, necessariamente prepotente e destruidora. Ainda podemos ter a satisfação de discordar um dos outros, e até de todos.

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PS – Num sistema declaradamente ditatorial, não existira internet, mesmo mudando de nome. Nas ditaduras, é simples; “crê ou morre”.  Como a internet não tem donos, chefes ou patrões, não tem o direito de CRER, morre antes de existir, alguns chefetes acabam com tudo. Se a internet é o apogeu da EXPRESSÃO sem INTERVENÇÃO, como existir contestando a ditadura?.

Nem os americanos acreditaram

Carlos Chagas 

Se verdadeiras as afirmações de José Dirceu e do próprio presidente Lula de que o mensalão não existiu, porque para eles  a  distribuição de dinheiro a parlamentares envolveu apenas liberação de recursos para enfrentar as despesas da campanha de 2002, como ficarão candidatos e  partidos em 2011, quando as contas precisarão ser saldadas? De novo a palavra vai para o ex-chefe da Casa Civil, a respeito de que  os  candidatos, inclusive ele,  gastam duas vezes mais do declaram. 
                                             
Deve ter gente,  em todos os  partidos, com a corda no pescoço para pagar as dívidas contraídas para as eleições do último  mês de outubro. A maioria, inclusive, apoiou a candidatura de Dilma Rousseff.  Vão fazer o quê?  Chamar outra vez o Delúbio Soares?

Cada vez que vem à tona a questão do mensalão, mais se caracteriza a lambança.  Fica estranho assistir o presidente Lula declarar a disposição de  dedicar parte de seu tempo, depois de deixar o poder, a provar que o mensalão não existiu.  Nem se enganaram os ingênuos e tranqüilos embaixadores que os Estados Unidos mandaram para o Brasil, nos últimos anos. Os memorandos pouco éticos e nada vernaculares que enviaram para Washington comprovam não acreditarem nas versões de Dirceu, a quem  não pouparam em seus comentários, divulgados em pílulas pelo WikiLeaks.
                                             
Deve cuidar-se a  presidente prestes a receber a faixa presidencial.  Um monte de políticos eleitos e não eleitos este ano estarão maquinando fórmulas pouco claras de pagar aos seus, digamos assim, “fornecedores”.  Ao primeiro sinal de negócios escusos ela deve estar de tacape e borduna na mão, pronta para vibrar inesquecíveis golpes em quem se arriscar a buscar dinheiro sujo.

COINCIDÊNCIAS OU CONTRADIÇÕES?

A política praticada pelo presidente Lula continua cheia de coincidências, para não dizer  contradições. Ontem, em Brasília, o primeiro-companheiro recebeu os generais promovidos no Exército, almoçou  com eles, fez um discurso elogiando as Forças Armadas e ainda entregou novos helicópteros  à Aeronáutica.
                                             
À tarde voou para o Rio e, entre outras solenidades, lançou a pedra fundamental da nova sede da União Nacional dos Estudantes, no mesmo lugar da velha, queimada e demolida pelos militares quando chegaram ao poder. Também com direito a um pronunciamento onde deixou clara sua simpatia pelos jovens que, de 1964 em diante, enfrentaram a ditadura.
                                             
Tudo no mesmo dia, demonstrando conciliação ou confusão? Precisamente quando os jornais publicaram entrevista do ministro chefe da Secretaria dos Direitos  Humanos, Paulo Vanucci, desancando o ministro da Defesa, Nelson Jobim, acusado de haver manchado a própria biografia ao ter atacado “de modo indesculpável” o projeto de criação da Comissão Nacional da Verdade, uma resposta do poder público aos familiares dos desaparecidos políticos.

Admite-se que no ministério existam  divergências de caráter ideológico, mas na  agenda do presidente da República, fica meio estranho.

NÃO FALTAM CANDIDATOS

Na entrevista a uma rede de televisão, na madrugada de ontem, o presidente Lula admitiu que poderá ser candidato ao palácio do Planalto, no futuro, mas sustentou ser muito cedo e que “quando chegar a hora, a gente vê o que vai acontecer”. 

Citou como possíveis candidatos, a própria Dilma Rousseff, ocupando a pole-position, mais os governadores Eduardo Campos,  Jaques Wagner e Sérgio Cabral, esquecendo-se de Tarso Genro e   referindo-se também a Aécio Neves e José Serra.
                                             
“O que não falta é candidato”, acrescentou o Lula, para quem o simples fato de estar vivo não fecha a porta a nenhuma possibilidade. Traduzindo a linguagem cifrada do primeiro-companheiro,  também presidente de honra do PT: é candidatíssimo a voltar…

RECARREGANDO AS PILHAS

Parte dos ministros já escolhidos por Dilma Rousseff obteve dela licença para submergir por uns poucos dias, não mais do que uma semana, antes da posse. É fundamental para os que vão enfrentar  desafios e  obstáculos  estar descansados ao menos da pedreira que foi a campanha.

Pelo jeito, só ela permanecerá com a mão no leme,  menos por inviáveis tempestades, mais para acostumar-se à máxima lusitana de que se o dono do botequim não estiver na caixa, o negócio não anda…

De Vargas a Lula, a razão da popularidade

Pedro do Coutto

No final da semana, os três grandes jornais do país – O Globo, Folha de São Paulo, O Estado de São Paulo – editaram cadernos especiais analisando o que significaram para o país os oito anos da era Lula que marcam o fim de seus dois mandatos mas não terminaram com sua influência, pois foi realçada com a vitória de Dilma Rousseff nas urnas de  outubro.

O Globo, a FSP, O Estadão apontaram avanços e estagnações, analisando o desempenho do governo sob vários ângulos, inclusive o político, abalado por escândalos como os protagonizados principalmente pelos que ocuparam a Casa Civil, José Dirceu e Erenice Guerra.

José Dirceu, primeiro ministro, jogou a presidência da República fora no episódio. Erenice Guerra impediu que Dilma vencesse no primeiro turno. Tiveram reflexos, portanto. Os três jornais, entretanto, ao calcarem a tecla final do balanço, chegaram a um total bastante positivo do presidente cujo mandato  hoje ingressa no crepúsculo.

A popularidade é enorme. O Ibope, semana passada, matéria publicada pelo Estado de São Paulo, assinalou aprovação de 87%, rejeição de apenas 4 pontos. Na história universal não existe exemplo anterior de julgamento popular igual. Atribuir este fato ao carisma pessoal de Lula, exclusivamente, é valorizar demais a forma e reduzir o peso do conteúdo.

Há, isso sim, uma convergência dos dois fatores e vetores do sucesso. No título, eu destaquei uma estrada na história do Brasil, que possui pontos comuns. Estes pontos comuns entre Vargas e Lula, tenho certeza, encontram-se, embora sob óticas diferentes, no projeto de valorização do trabalho humano.

Getúlio Vargas, no seu período de ditadura absoluta, de 37 a 45, outorgou a lei da Previdência Social e a CLT. Foram – e são até hoje – documentos importantíssimos do progresso social do Brasil. A Previdência representa uma etapa da redistribuição da renda, na medida em que a contribuição dos empregadores é maior que a dos empregados. A CLT, de 1943, fez a passagem da semiescravidão que havia para o direito do Trabalho. Não havia férias remuneradas, indenização, limite para a jornada diária, aviso prévio para os casos de demissão.

Vargas, além disso, governou num contexto internacional dificílimo: de um lado a democracia de Churchill e Roosevelt de outro a tirania de Hitler e Stálin. Os dois maiores assassinos da história enfrentar-se-iam a partir de 41, na guerra mundial que acabou em 45. Stálin, em 35, Hitler em 38, tramaram o assassinato do presidente. Vargas, em 42, já unido a Churchill e Roosevelt, se uniria a Stálin contra Hitler. Mas esta é outro ângulo da questão, aliás pouco observados pelos historiadores.

Voltemos ao trabalho. Este é o ponto comum entre Lula e Getúlio. Lula assumiu em Janeiro de 2003 com o índice de dezembro de 9,7% sobre a força de trabalho herdado de FHC. Passa o bastão a Roussef com uma taxa de 5,7%, destacada pelo O Globo, reportagem de Fabiana Ribeiro e Cássia Almeida, edição do dia 18. Começou com um salário mínimo de 100 dólares. Deixa com um piso de 300.

No período Fernando Henrique, os salários, especialmente dos servidores públicos, perderam para a inflação do IBGE. Com Lula empataram, sendo que o salário mínimo avançou muito mais que o fator inflacionário. Não acabam aí as diferenças capazes de sensibilizar a opinião pública. A expansão do crédito pessoal é outra realidade.

Mas Lula não enfrentou os absurdos juros cobrados pelos bancos. Apenas favoreceu o acesso popular a eles. Estão aqui as razões concretas de sua enorme aprovação. Em 50, Vargas voltou ao poder para morrer. Mas em quem os trabalhadores deveriam votar? Nele, ou nos conservadores da UDN?
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Procon supera Judiciário em percentagem de solução de conflitos

Roberto Monteiro Pinho

Temos os números do programa Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), feitos pelo IBGE, divulgados dia 15 de dezembro (quarta-feira), indicando que o Procon superou o judiciário em solução de conflitos (69,4%). Foram 50,8% das pessoas que buscaram solução para os conflitos ainda não obtiveram um resultado, cinco anos depois. No período de cinco anos, das 11,7 milhões de pessoas que buscaram solução para algum tipo de conflito, 5,8 milhões (49,2%) tiveram sua causa solucionada, e 5,9 milhões (50,8%) ainda não julgados definitivamente.

O maior percentual de indicação dos conflitos não solucionados (56,5%) ficou com a justiça e as áreas trabalhista, de família e criminal representam, respectivamente, 23,3%, 22,0%, (somadas acumulam 45,3% do total das ações não solucionadas), justamente, ironicamente e lamentável, ambas as ações de natureza social. Das 12,6 milhões de pessoas de 18 anos ou mais de idade que tiveram situação de conflito, 92,7% (11,7 milhões) buscaram solução, sendo que 57,8% recorreram principalmente à Justiça e 12,4% ao Juizado Especial. Aqueles que não procuraram a solução na Justiça para os conflitos (29,8% ou 3,8 milhões de pessoas), apontaram alguns motivos para não fazê-lo. Dentre eles, “o fato de a solução do problema ter ocorrido por meio de mediação ou conciliação”, 27,6%; e a percepção de que “na Justiça demoraria muito”, manifestada por 15,9% dos entrevistados. (Fonte: IBGE e Uol).

Vale lembrar que em 2004 a Emenda Constitucional nº 45/04 corrigiu a omissão constitucional quanto ao limite para solução do processo, inserindo expressamente, no rol do artigo 5°, a garantia da razoável duração do processo. Mas a conta da morosidade acabou sendo cobrada tão somente ao devedor, para mandara a fatura, os juízes adotaram a procrastinação (termo usual no judiciário, quando o recurso visa retardar o andamento da ação), o que acirra a discussão acerca da reparação por danos morais em razão da demora do processo.

Mas em tese a prestação jurisdicional como um serviço público monopolizado pelo Estado, deve ser entregue de forma adequada e eficiente, igualmente ao litigante comum o Estado/juiz, é submetido às sanções do Código de Defesa do Consumidor (CDC) – inclusive condenação decorrente da má prestação desse serviço. Ocorre que a jurisprudência brasileira é conservadora, o nosso judiciário é corporativo, e os legisladores descomprometidos com este instituto. Em comparação a países como a Espanha, França e a Itália a regra legal reconhece o dever de indenizar, já que a demora na prestação jurisdicional é considerada violação de direito fundamental do ser humano. Neste sentido seguindo a orientação da Corte Européia de Direitos, cabe indenização por danos morais sofridos em razão do estado de ansiedade prolongada causado pela espera da demanda.

De toda forma a garantia da razoabilidade prevista no texto constitucional é direcionada para nortear a legislação ordinária acerca da necessidade de se fixar parâmetros objetivos e ainda como fundamento para eventuais indenizações acerca de dilações processuais descabidas, este último à conta deve ser cobrada do mal julgador. Diversamente, nos Estados Unidos há um grande investimento das cortes para se aperfeiçoar o sistema processual e reduzir o “de lay“, (To put off; to defer; to procrastinate; to prolong the time of or before). Programa pratico da American Bar Association (ABA) estabeleceu prazos quantitativos para conclusão dos processos, em razão do tipo e da natureza da demanda. As causas cíveis em geral devem ser julgadas, no máximo, em 12 meses e as “small claims”, (pequenas causas subsidiadas) em 30 dias, e, em segundo grau, a duração deve ser reduzida à metade. Ademais, a ABA determinou que os prazos de todos os procedimentos devem ser fixados objetivamente, em número de dias ou meses, pela lei.

Lula retumbou, jornalões repercutiram, televisões enriquecidas e abastadas avalizaram: “Temos a menor taxa de desemprego, 5,7%”. Mas 5,7% de quê mesmo?

Helio Fernandes

Um cunhado meu, ex-ministro e Embaixador no Equador, morou aqui muito tempo, se formou em Direito, casou com uma das minhas irmãs, tem grandes amigos, dizia sempre: “No Brasil tudo é transformado em sigla, é preciso um esforço grande para compreender ou entender as coisas”.

Há mais ou menos três meses, escrevi: “Os EUA estão com quase 16 milhões de desempregados”. Comparei esse número com  os 16 milhões do primeiro mandato de Franklin Roosevelt, em novembro de 1932, posse em março de 1933. Ressaltei um fato importantíssimo: como a população americana era muito menor, as dificuldades, maiores.

Há dez dias, Obama veio a público, confirmou meus números, mas não escondeu nem tentou esconder coisa alguma. Afirmação; “Estamos com 9,8 por cento de DESEMPREGADOS”. E logo explicou, informou, decodificou o número proporcional, poucos poderiam saber o significado.

Serena e tranquilamente para uma multidão de jornalistas, no auditório da Casa Branca; “São 15 milhões e 400 mil DESEMPREGADOS”. Como chegou a esse resultado? Os EUA têm 300 milhões de habitantes, essa “força de trabalho” é de 160 milhões, geralmente é calculada sobre metade da população, a que trabalha. Excluídos: crianças, aposentados, donas de casa. Que trabalham, lógico, mas não para a estatística.

Agora vejamos os números do Brasil, seqüestrados pela desinformação e escondidos pela vontade de aparecer como grandes realizadores. Com apoio da chamada “mídia”, que elevou esses 5,7 por cento a uma conquista jamais obtida.

Lula falou nos 5,7% de DESEMPREGADOS, correu para os abraços, ele que dizia “não leio jornal”, foi ler todos, sabia que ia ser vastamente elogiado. O que deveria acontecer mesmo, se fosse verdade ou estivesse pelo menos perto da realidade. Como nenhum amestrado se interessou em informar, vou colocar as coisas publicamente.

O censo feito pelo IBGE (um dos órgãos mais respeitados do Brasil em qualquer época) constatou: “O Brasil tem 190 milhões de habitantes”. Respeito, por causa do IBGE, acreditava que já tivéssemos ultrapassado os 195 milhões.

Dessa forma, a “mão de obra, ou força de trabalho”, deve ser de 95 milhões de pessoas, metade da população. Mas para não estragar a festa de Lula e o relacionamento dele com a mídia amestrada, vou colocar esse índice em 70 milhões. Não há possibilidade disso, mas estou com espírito “natalino”, ajudemos um personagem que DEIXA o Poder querendo FICAR.

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PS – Assim, 5,7 por cento de 70 milhões (desculpem), dá exatamente 3 milhões e 990 mil DESEMPREGADOS. Duvido que consigam um número menor. Já fiz todos os descontos, concessões ou abstrações.

PS2 – Já li editoriais louvadores garantindo que “estamos caminhando para o PLENO EMPREGO”. É muita audácia, falta de caráter, de constrangimento, o apogeu da bajulação.

Se Dilma não der certo, “Lula pode ser chamado”

Helio Fernandes

Antonio Aurélio: “Helio, li estarrecido a declaração do senhor Gilberto Carvalho, intimíssimo de Lula e mantido no Planalto pela nova presidente. Mas o que ele disse pode acontecer? E como seria? Já estão pensando em tirar a Dilma de lá? A frio?”

Comentário de Helio Fernandes:

O agora secretário geral do Governo, deve vir a público dizer, como fazem, “fui mal entendido”. Mesmo porque, não há jeito de tirar um presidente eleito, a não ser de forma constitucional. Isso não serviria ao próprio Lula, o único que terá diálogo franco e aberto com a sucessora.

Vai acontecer muita coisa a partir de 2011, mas sem interferência de ninguém, a não ser dos próprios acontecimentos. E estes, por enquanto, “se recusam a acontecer”.

Dos jornais: “O surpreendente Ciro Gomes aceita ser Ministro de Dilma”. Ha!Ha!Ha!

Helio Fernandes

Faz o que quer, tem o Poder de ficar sempre no alto da correnteza, já foi tudo. No seu estado, prefeito (mocíssimo), governador. Depois, no plano nacional, ministro duas vezes, candidato a presidente da República, um tempo enorme na frente das pesquisas.

Por que não aceitaria ser ministro? Sempre soube que seria quando quisesse, apenas suspense. E não por causa do Ministério, e sim pela capacidade de “cavalgar nas nuvens”, será personagem de primeiro time.

Carlos Artur Nuzman, há 16 anos presidente do COB, é massacrado pelo Tribunal de Contas da União, que DENUNCIA dezenas de irregularidades, proíbe muitas.

Helio Fernandes

Sequências de escândalos e irregularidades, descobertas pelo TCU, levam Nuzman à condição de novo (?) Ricardo Teixeira, só que de vários esportes. Relator, ministro José Jorge. Ninguém publicou nada, embora tenha saído no Diário Oficial. Vejamos as violações comprovadas e as proibições impostas a Nuzman pelo TCU.

1 – Tem 180 dias para atualizar o regulamento de compras, diretas e indiretas. 2 – Todos os licitantes devem ter conhecimento, igualmente, das condições, dos preços e dos prazos. (O relator volta a 2006, Panamericano, nada disso foi cumprido. Todos conhecem os gastos fabulosos e desnecessários desses jogos).

3 – Para as novas contratações, o COB DEVE REALIZAR LICITAÇÃO ABERTA. Textual: “Tem que afastar a Transcopass e a Coopcarioca, BENEFICIADAS em 2007 e que falharam completamente”.

4 – Deve se abster de PRORROGAR CONTRATOS (como faz muito), isso viola a livre concorrência. 5 – Não pode praticar INVERSÃO ou COMPENSAÇÃO DE SALDOS. Em 2006, o COB ficava devedor numa conta, pagando juros, enquanto mantinha saldo positivo em outra.

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PS – O relator, ministro José Jorge, não encontrou um só comprovante de despesas, nem de justificativa para elas.

PS2 – Escândalos seguidos de escândalos, e a perguntinha inútil, inócua, ingênua: o que fará o Ministério Público Federal. Nuzman sempre foi poderoso e intocável.

Conversa com leitor-comentarista, sobre afundamento de navios brasileiros na Segunda Guerra Mundial

 João Roberto Buzato: “Hélio, a Folha de São Paulo, de 13.10.2010, edita matéria de página inteira sobre a participação do Brasil na Segunda Guerra Mundial. Após o torpedeamento de 34 navios por submarinos alemães, declaramos guerra ao eixo. Isso em primeiro de agosto de 1942, conforme a Folha. Nossas tropas, depois de treinadas, seguem no ano 1944. O que nunca entendi que motivo levou a Alemanha torpedear nossos indefesos navios de comércio e passageiros. Quer parecer que fizeram isso para ganharem gratuitamente mais um inimigo. Foram mesmo submarinos alemães autores desses crimes? O que a história oficial sonega sobre esses fatos tão dramáticos de nossa pátria?

Comentário de Helio Fernandes:

Fazia parte de uma “estratégia” de jogar mais países na guerra. Em 1917 também afundaram dois navios brasileiros. Mauricio Lacerda (pai do Carlos) fez discurso violento na escadaria do Teatro Municipal, pedindo “a declaração de guerra à Alemanha”.

O presidente Wenceslau Braz “declarou guerra”, mas mandou prender o extraordinário tribuno que era Mauricio Lacerda. Defendido e absolvido pelo jovem advogado (23 anos) Peixoto de Castro, grande revelação. Mas logo depois casava com a riquíssima Zélia Gonzaga (tinha a Loteria Federal, então particular, haras importante, imóveis e terras em todos os lugares, além de edifícios).

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PS – Um desses edifícios “marcou” a cidade para sempre, ainda está lá, no Centro. Representativo de uma época da arquitetura, se chamou e se chama “Bolo de Noiva”.

Neurocirurgião Paulo Niemeyer na televisão: “O SUS é uma grande idéia, abandonada”.

Helio Fernandes

Quando surgiu, poucos sabiam até mesmo o que a sigla representava (Serviço Unificado de Saúde). Foi um sucesso, mas as verbas dispersadas, desprestigiadas, não saíam mais.

Agora, um cirurgião do porte dele, diz: “Remanejado e com verbas convenientes e sem atraso, produzirá atendimento de saúde para toda a população”.

JATENE DEFENDIA O MESMO

Também notável cirurgião, quando ministro da Saúde, era a favor da POPULARIZAÇÃO dos serviços de saúde, continuaram ARISTOCRATIZADOS.

O diretor de televisão Carlos Alberto Vizeu, na TVE, conseguiu reunir num programa semanal não gravado, Jatene, o governador Requião e este repórter. Eram depoimentos, veio um outro diretor, acabou com o programa.