Empresário sinaliza que Neymar vai mesmo para o Real Madri, depois de disputar o Mundial no Japão contra o Barcelona.

Carlos Newton

Vai ser de arrepiar a final do Mundial Interclubes no Japão, entre o Santos e o Barcelona, atual campeão da Copa dos Campeões. Um duelo Neymar e Messi era tudo o que esperavam os admiradores do futebol-arte. Quem é melhor? Não interessa. Os dois são ótimos.

Ontem, o Santos derrotou o Peñarol por 2 a 1, no Pacaembu, com Neymar marcando o primeiro gol, e conquistou o tricampeonato da Libertadores, acabando com um jejum de 48 anos sem ganhar o principal torneio intercontinental. O título foi inédito para o técnico Muricy Ramalho.

Agora, a grande dúvida é saber se o Santos conseguirá segurar seus craques, alvos da cobiça internacional. O jornal esportivo “Marca”, da Espanha, já publicou que Neymar, que está com 19 anos, acertou um contrato com o Real Madrid, disposto a bancar a multa de 45 milhões de euros (cerca de R$ 102 milhões) que prende o atleta ao Santos.

“É uma grossa e irresponsável mentira”, classificou o presidente do Santos, Luis Alvaro de Oliveira Ribeiro, acrescentando: “O Neymar ganha muito bem, tem tudo o que quer. É um ídolo do país, tem as namoradinhas o assediando. Para que mais?”, indagou.

Porém, o empresário de Neymar, Wagner Ribeiro, que tem relação próxima ao Real Madrid, dá informação diferente e preocupante. Primeiro, diz que “o garoto está feliz e não pensa em sair. Quer ganhar títulos”. E depois faz a ressalva: “Mas meu trabalho é não fechar portas”. E lá se vai mais um craque brasileiro para a Europa.

Ninguém reparou que a primeira-dama Adriana Ancelmo está totalmente distante do governador Sergio Cabral, neste momento tão difícil e dramático?

Carlos Newton

Desde o trágico acidente da queda do helicóptero em Porto Seguro, semana passada, ninguém explicou a ausência da primeira-dama, Adriana Ancelmo Cabral, que não viajou à Bahia junto com o marido e o enteado para festejar o aniversário do empresário Fernando Cavendish.

Somente na quarta-feira – cinco dias depois, portanto – é que a imprensa tocou no assunto, em reportagem de Fábio Vasconcellos no Globo, que dedicou ao assunto apenas uma simples frase: “A mulher de Cabral, Adriana Ancelmo, desistiu do passeio e permaneceu no Rio”.

Mas por que ela não viajou para Porto Seguro, para ficar solidária à dor do marido e do enteado, nem foi vista ao lado de Sergio Cabral Filho nas primeiras cerimônias  fúnebres realizadas no Rio de Janeiro? É que o casamento também vai mal. Como dizia o cronista Ibrahim Sued, “em sociedade tudo se sabe”. E o que se comenta nos meios sociais da elite é que Cabral e Adriana estão praticamente separados.  

De repente, parece que tudo está dando errado para  Cabral, que aos 48 anos vinha fazendo uma carreira brilhante, tornando-se uma espécie de Rei Midas da política. Tudo em que tocava virava ouro. Ficou a tal enfeitiçado que desde a gestão passada entregou o governo ao vice Pezão, para mergulhar de corpo inteiro nos prazeres do circuito Leblon-Angra-Miami-Paris.

No primeiro ano de mandato (2007), até o mês de setembro, a média de Cabral era de 1 a cada 5 dias fora do Brasil. No mês de abril, por exemplo, chegou a permanecer mais tempo fora do país do que no Rio de Janeiro, Estado que hipoteticamente governa. De lá para cá, o fascínio pelo exterior prosseguiu.

Desde o primeiro mandato, sempre foi muito difícil vê-lo despachando no Palácio Guanabara, e a desculpa era de que o prédio estava em obras. Mas na vida tudo tem um preço. De repente, sua trajetória entrou em queda livre e Cabral mergulhou num buraco negro que parece não ter fim.

Apesar de não ser ligado a nenhuma religião, desta vez ele deu graças a Deus pelo feriado prolongado de Corpus Christi. Ganhou quatro dias para respirar e tentar recuperar as forças, procurar uma saída, dar um jeito qualquer, enfim. Mas a trégua de quatro dias nem chega a ser um cessar-fogo, porque a grande imprensa enfim colocou Cabral Filho na alça de mira.
O Globo montou uma equipe exclusivamente para vasculhar suas ligações com os empresários citados aqui no blog da Tribuna, e a Folha de São Paulo, mesmo com grande atraso, já começa a noticiar os efeitos políticos do acidente com o helicóptero em Porto Seguro. Ficam faltado apenas o Estadão e o Correio Braziliense, que não tardam a seguir a Tribuna e O Globo. E amanhã já começam a ser divulgadas as reportagens das revistas semanais, que vão mergulhar firme no assunto.

Realmente, o governador do Estado do Rio de Janeiro não está numa maré de sorte. Sua situação financeira é realmente invejável, pode viver sem trabalhar até o fim de seus dias, e não faltará dinheiro para ele e a família. O problema é o meteórico desgaste de sua imagem como político e como cidadão.

É um processo que não tem fim, porque cada reportagem puxa o fio de uma meada, e as denúncias vão se multiplicando. No momento, quem está na berlinda é a Delta Construções. Outras empresas estão na fila, aguardando. Especialmente as que pertencem ao famoso Arthur Cesar, o rei da terceirização no Estado do Rio, e que é defendido na Justiça pela própria primeira-dama Adriana Ancelmo. Que vai ter muiuto trabalho pela frente, não tenham dúvidas.

A chantagem pegou nos Estados

Carlos Chagas

A moda pegou nos Estados: partidos da base dos governadores ameaçam não votar projetos de interesse das administrações estaduais  caso não sejam contemplados com mais nomeações, empregos e sinecuras. Aquilo que começou no plano federal agora se espraia por todo o país. Não demora e os prefeitos também serão atingidos.
                                                  
Do Sul ao Sudeste, Centro-Oeste, Norte e Nordeste, o quadro é o mesmo, tanto faz o partido do governador. Seus “aliados” arregaçam as mangas e já entram nos palácios dos governos estaduais com listas e outras propostas, igualzinho ao que  fazem dirigentes do PMDB, PT, PP, PR e outras legendas quando recebidos pelos principais auxiliares  da  presidente Dilma.

Chama-se chantagem essa prática difundida no país.  Até agora nenhuma executiva nacional, diretório ou presidente de partido levou ao palácio do Planalto alguma sugestão de alto nível, como colaboração administrativa. O que podem fazer os companheiros, por exemplo,  para melhorar o péssimo estado das rodovias federais? E o PMDB, diante do aumento da violência urbana e rural, que propostas levaria à presidente? O PP animou-se a preparar projetos de reforma tributária, ou o PR algum projeto  para desafogar os portos?

De goelas abertas, os partidos repetem nos planos estaduais aquilo que praticam no federal, e não se poupe as oposições, porque os tucanos fazem o mesmo com Geraldo Alckmin, em  São Paulo, com Antônio Anastasia, em Minas, Siqueira Campos, no Tocantins, e Beto Richa,  no Paraná. 

Alguns governadores resistem mais do que outros, da mesma forma como Dilma Rousseff tenta conter os gafanhotos na capital federal, mas a luta parece inglória. Os governos precisam deles… 

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GREVE CONTRA OS MORTOS

Se não tiver acabado nas últimas horas, já  avança pelo terceiro dia a greve dos coveiros, em São Paulo. Algo inominável, quaisquer que sejam suas  justas reivindicações salariais. Até pouco as greves se faziam contra o povo, como no caso dos transportes coletivos, dos bombeiros e de serviços do tipo  abastecimento de água e energia. Agora fazem greve contra os mortos.

Tudo precisaria ter limite, até as paralisações que atingem a população sem causar o menor dano aos patrões, precisamente o alvo lógico de todas as greves. Ainda esta semana motoristas e trocadores e ônibus de Brasília ensaiaram e por determinados períodos deixaram os trabalhadores sem poder deslocar-se de casa para suas atividades. Ameaçaram com a greve geral e o que aconteceu? O governo local admitiu reajustar o preços das passagens. Sem tirar nem pôr  o que desejam os proprietários das empresas. Duplo pagamento, então, para os usuários dos transportes coletivos: ficaram em condução e vão pagar mais.

Caberia ao Congresso acabar de regulamentar   o direito de greve capitulado na Constituição, mas Suas Excelências nem pensam  nisso. Perderiam votos em certas categorias, ainda que defendendo o cidadão comum.

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SALTANDO DE BANDA

Os ex-presidentes José Sarney e Fernando Collor buscaram no Itamaraty e nas forças armadas  apoio  para a  justificativa de criação do sigilo eterno.  Desmancham-se seus argumentos porque  tanto o ministério das Relações Exteriores quanto os ministérios militares informam nada ter a esconder, posicionando-se a favor da liberação de qualquer  tipo de documentos.  Os pessimistas sustentam que  o chanceler, os generais, almirantes e brigadeiros comportam-se assim porque seus antecessores faz muito deram sumiço em papéis comprometedores.

Pode ser, mas a verdade pode ser prospectada mais fundo: os dois ex-presidentes teriam coisas a esconder, praticadas durante seus mandatos.   Como a presidente Dilma ainda não teve tempo para celebrar  acordos secretos ou similares, lavou as mãos: aceitará o que o Congresso decidir.

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DESCONFORTO CRESCENTE

Dos 38 ministros, pelo menos 11 foram impostos à presidente Dilma Rousseff pelos partidos da base oficial. Precisou engoli-los, tanto faz se os padrinhos tenham sido o Lula, Michel Temer, Eduardo Campos, José Sarney e outros. Um certo gelo tem sido dado pela chefe do governo em  alguns ministros, existindo  até os que  esperam convocação para despachar pela primeira vez com ela. Mesmo assim, o desconforto é crescente, de parte a parte. Há quem preveja, agora que o ano chega à sua metade, uma espécie de reajustamento do dispositivo, mas não será fácil. Os padrinhos continuam vigiando e se neste ou naquele caso não  puderem resistir,  reivindicarão novas indicações, o que  dará quase no  mesmo.

Sarney tem razão: orçamentos da Copa de 2014 têm que ser públicos

Pedro do Coutto

O presidente do Congresso, José Sarney, – reportagem da Gabriela Guerreiro, Folha de São Paulo de terça-feira – anunciou seu empenho para derrubar, no Senado, o projeto aprovado pela Câmara que prevê sigilo em torno dos preços das obras (públicas) destinadas à Copa de 2014 e às Olimpíadas de 2016. Tem razão, está correto seu posicionamento. Pois se as obras são públicas, expostas aos olhos de todos, pagas na verdade por todos os brasileiros, não há motivo para que seus preços sejam secretos. Não há motivo, muito menos legal e até constitucional.

Há poucos dias escrevi neste site artigo focalizando os artigos 70 e 71 da CF que regem as atribuições do Tribunal de Contas da União. Onde quer que haja recursos públicos, o TCU tem que estar presente, acompanhar as despesas, impedi-las se forem extravagantes ou conterem (o que acontece muito) superfaturamentos.

Estes dispositivos da Constituição de 88 já seriam suficientes. Mas lendo a emenda constitucional 45 de dezembro de 2004, em pleno vigor, encontro argumentos adicionais. Está nos itens 9 e 10 da emenda. Pelo item 9, todos os julgamentos serão públicos e publicamente fundamentadas as decisões, sob pena de nulidade. O item 10 vai mais além: todas as decisões administrativas dos tribunais, portanto entre elas as do TCU, serão em sessões públicas.

Mais claro, impossível. Não podem haver, assim, contratos sigilosos uma vez que implicam eles em julgamento de alguma forma e tal julgamento tem que ser aberto a todos. O que pode haver, a Constituição Federal prevê na emenda 45, é a limitação das pessoas presentes. O que se compreende, para evitar superlotação. 

É  sempre bom dar-se uma olhada na CF. Nessa altura, iluminam-se descobertas preciosas:”a todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados a razoável duração dos processos e dos meios que garantam a celeridade de sua tramitação”. Vale a pena gravar este dispositivo na memória.

O texto constitucional brasileiro, numa infinidade de capítulos, funciona para mostrar o contraste entre o que está escrito no papel e o que se exerce na prática. Um exemplo concreto é o artigo 201 que trata das aposentadorias pelo INSS. Nele está dito que será assegurado o reajuste através do tempo a fim de que seja garantido o valor monetário inicial. O INSS jamais cumpriu tal obrigação. Tanto assim que as pessoas – são milhões que, ao se aposentar, recebiam o teto de dez salários mínimos, e hoje recebem cinco pisos apenas.

Esta defasagem atinge em cheio a aproximadamente seis milhões de pessoas, um quinto dos quase trinta milhões dos aposentados e pensionistas da Previdência Social. Isso porque 80% recebem apenas o salário mínimo. Está na CF, mas a obrigação é ignorada quanto à necessidade da correção ao longo do tempo. Incrível.

Incrível é também a omissão dos Poderes Públicos. A jornalista Eliane Catanhede publicou primoroso artigo, também na FSP de 21, destacando o fenômeno de que as decisões de maior impacto somente são tomadas em função do clamor público com que os jornais destacam as questões. Tem razão. E tem mais um detalhe essencial: a força desse clamor tem que vir no papel escrito. Na Internet, por si, pouco motiva. Mas seu efeito se amplia quando se desloca para as páginas impressas. O mesmo processo ocorre com a televisão e o rádio.

Eliane Catanhede desfilou exemplos: consultorias e apartamento de Palocci, emenda que anistia desmatadores embutidas no Código Florestal, os contratos da Copa do Mundo, o recuo da presidente Dilma quanto ao sigilo eterno dos documentos nacionais. São fortes, todos eles, bastante emblemáticos. A eles pode-se adicionar o caso do Mensalão em 2005, dos Aloprados em 2006. Os responsáveis foram punidos. Mas só através da opinião pública. No Brasil, prisão só para os pobres. Nada de segredo para a Copa. Segredo é para quatro paredes, compôs Herivelto Martins, há 64 anos.

A economia brasileira vai bem, muito bem, mas a Bovespa vai mal, muito mal, numa situação que nem Freud explicaria.

Carlos Newton

Parece brincadeira, mas a agência de classificação de risco Moody’s anuncia ter elevado o “rating” (nota de risco de crédito) da dívida soberana brasileira de “Baa3” para “Baa2”, com perspectiva positiva.

Isso significa que o Brasil já é considerado um país “grau de investimento”, isto é, mais seguro para investidores, e a nova nota melhora a cotação. A perspectiva positiva significa que, na próxima avaliação, a tendência é de que o “rating” do país melhore ainda mais.

Os economistas da Moody’s apontam a expectativa de que a relação dívida pública sobre PIB mantenha uma tendência declinante. Essa relação é uma medida consagrada para constatar a “saúde financeira” de um país, isto é, sua capacidade de saldar os compromissos financeiros.  Por exemplo: alguns dos países da Europa mais problemáticos devem mais de 100% de seu PIB, e um deles é a Itália, que ainda não quebrou, mas um dia chega lá. No Brasil, essa relação ainda está abaixo de 50%, no sistema governamental de calcular a dívida interna, mas há controvérsias, como os comentaristas e leitores da Tribuna estão cansados de saber.

Ao mesmo tempo, a previsão para inflação caiu pela sétima semana consecutiva, segundo informações do boletim Focus, divulgado pelo Banco Central. Assim, a expectativa para a inflação oficial este ano passou de 6,19% para 6,18%, enquanto as estimativas para o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) em 2011 e 2012 também foram mantidas em, respectivamente, 3,96% e 4,10%.

Nada mal, num mundo em crise. Mas é interessante notar que, ao mesmo tempo, a Bolsa de Valores brasileira atravessa uma fase terrível. A economia do país vai bem, muito bem, mas o mercado de ações, de novembro para cá, já caiu praticamente 12 mil pontos. Uma verdadeira tragédia, fazendo com que a relação entre o valor das ações e o lucro das empresas seja uma das menores do mundo.

Traduzindo: um investidor esperto hipoteticamente poderia adquirir uma empresa brasileira, comprando as ações dela na Bovespa, por um preço que na verdade equivaleria à apenas metade do valor real. Isso significa que nem Freud conseguiria explicar a situação da economia brasileira. Quanto mais os economistas que servem ao governo, que não sabem nada mesmo.

No plano municipal, estadual e federal, as maiores realizações de nossos governantes são os “factóides”, projetos criados apenas para serem divulgados e jamais saírem do papel.

Carlos Newton

A prefeitura do Rio, como todos sabem, é comandada por um político da escola de Cesar Maia, que se notabilizou em seus mandatos pela farta produção de factóides, ou melhor, pela divulgação de pretensos fatos administrativos que jamais se tornam realidade, e são lançados única e exclusivamente para badalar o político na mídia. E isso vale para todos os governantes, sejam municipais, estaduais ou federais, pois transformaram o Brasil num gigantesco factóide.

Desde o início do mandato de Eduardo Paes, que já passou da metade e agora caminha para um final melancólico, tivemos de encarar vários factóides. Um dos maiores foi o anúncio do planejado fechamento da Avenida Rio Branco entre a Candelária e a Cinelândia, para transformar a área num gigantesco parque urbano, exclusivamente para pedestres.

Até agora, o projeto factóide não saiu do papel, porque seria um desastre para a cidade e representaria diariamente um sofrimento para um milhão de pessoas, pelo menos, que se deslocam de um bairro a outro passando pelo Centro. Não faz o menor sentido.

Para criação do parque urbano, para onde seria desviado o tráfego que vem da Praça Mauá e se dirige à Zona Sul para pegar o Aterro? Teria que ser praticamente todo deslocado para o elevado da Perimetral ou para o mergulhão da Praça XV. E como ficaria o trânsito dos que se deslocam através da Av. Chile ou da Av. Almirante Barroso? Ninguém responde, silêncio absoluto.

É conversa de maluco. Pararia a cidade. O refluxo de ônibus e carros seria colossal. Uma catástrofe. O custo, em tempo e poluição, seria imenso. O pior é que o fechamento da Av. Rio Branco se contrapõe a outro factóide, que é a destruição do Elevado da Perimetral, a pretexto de embelezar e valorizar a velha área portuária, no modelo de Buenos Aires, mas esquecem que na capital argentina o porto não é a mais importante via de passagem da cidade. E tudo isso ao modesto custo inicial de R$ 3 bilhões (25% do orçamento municipal), que todos sabem logo se transformará em R$ 10, 20 ou 30 bilhões, na mágica ilusionista de aumentar gastos públicos, em que os políticos brasileiros se revelam grande mestres.

Tudo parece uma grande brincadeira. Pelo cotejo dos “projetos”, verifica-se o rematado absurdo dessas medidas. Sem o elevado da Perimetral, por exemplo, como ficará o acesso à ponte Rio-Niterói? Ninguém explica, porque não tem mesmo explicação. Outra visão relativa projeta-se como algo totalmente sem sentido, porque o elevado seria substituído por um mergulhão. Em vez do andar de cima, o andar de baixo. Seria como trocar seis por meia dúzia, mas quanto vai custar esse mergulho sob o asfalto selvagem?

No meio de tudo isso, surge mais um factóide, a nova Rodoviária a ser construída no Irajá, logo ali, bem pertinho, para não dizermos o contrário. E o prefeito anuncia esses factóides impunemente, com ar triunfante, como se fosse um novo Nero antes de atear fogo à cidade. E ninguém chama a ambulância? Onde está o Samu, criado justamente para atender a essas emergências. E o que faz o plantão psiquiátrico do famoso Hospital Philippe Pinel? Não há nenhum psiquiatra de plantão na rede pública de saúde, para meter Sua Excelência numa camisa-de-força, aplicar-lhe um haloperidol na veia e acabar com esse suplício? Alguns meses de internação talvez resolvessem o problema, o paciente enfim poderia superar o furor factóide que o acomete desde o início do mandato.

Tanta coisa a ser feita, numa cidade problemática como o Rio de Janeiro, às vésperas de uma Copa do Mundo e de uma Olimpíada, e as autoridades a delirar, a sonhar com o intangível, a projetar obras surrealistas que prejudicarão a vida de todos os habitantes. O mandato de Sua Excelência caminha para o final. Ainda não conseguiu concluir nem mesmo a Cidade da Música, outra delirante criação de seu antecessor e ex-mentor Cesar Maia, que inventou essa moda dos factóides, da qual parece que não conseguiremos nos livrar nunca, pois vem sendo reproduzida também nos níveis estadual e federal.

Na verdade, os governantes dessa geração parecem detestar soluções claras e simples. Se podem complicar, por que simplificar? Eles têm a visão distorcida pela sofisticação, como se ela fosse sinônimo de capacidade técnica e cultural. Sempre que podem, viajam ao exterior e voltam totalmente modernizados, a querer instalar trens-bala até na subida do Corcovado.

E não lhes preocupa saber quanto custa, quem irá pagar a conta e quem será beneficiado (além dos empresários, empreiteiros e corruptos de plantão, é claro). Já não ganharam as obras da Copa e da Olimpíada sem licitação, sem coordenação e sem fiscalização? O que mais querem? Não se satisfazem nunca?

O governo não se entende. A ministra Ideli diz uma coisa, o líder Jucá diz outra, e a nave segue totalmente à deriva.

Carlos Newton

O Ministério das Relações Institucionais realmente não está funcionamento. É uma espécie de Ministério da Pesca, em versão política. Ambos não servem para nada, podem trocar um ministro (ou ministra) pelo outro, não há diferença, é como trocar seis por meia dúzia.

Os titulares de uma pasta ou da outra, não há dúvida, apenas lançam o anzol e fica esperando para ver se acontece alguma coisa. Não é sem motivos, portanto, que a presidente Dilma Rousseff já fale em chamar outros ministros para participar dos encontros com parlamentares da base aliada.

Vejamos o que se passa no Senado, por exemplo. A ministra Ideli Salvatti afirmou ontem que o governo não pretende fazer modificações na inacreditável medida provisória que determina o sigilo no orçamento das obras da Copa de 2014 e da Olimpíada de 2016, e dispensa licitações.

Acontece que horas antes, o líder do governo, Romero Jucá (PMDB-RR), já tinha anunciado que os senadores poderiam “promover ajustes” na medida provisória aprovada pela Câmara. Jucá até afirmou que pretendia poupar a presidente Dilma Rousseff da tarefa de vetar o polêmico artigo que impõe o sigilo.

Questionada sobre a fala de Jucá, a ministra se enrolou toda e disse que o fato é que houve uma interpretação equivocada da medida que prevê o sigilo. “Ela serve para manter a competitividade. Se eu quero construir uma casa, não vou anunciar quanto estou disposta a pagar”. Parece brincadeira, mas ela disse isso mesmo.

Ideli afirmou também que conversou com o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), que “compreendeu a posição do governo e que não se oporá à manutenção do texto como chegou à Casa”, mas acontece que Sarney também já havia dado entrevista dizendo ser contrário à falta de licitação para as obras da Copa, quanto mais ao sigilo. Ou seja, a ministra não sabe de nada que ocorre no Congresso.

O fato é que a Câmara aprovou o sigilo na semana passada, numa manobra de última hora, incluindo-o na medida provisória que altera a Lei das Licitações e flexibiliza os contratos de obras e serviços dos dois eventos esportivos, dispensando licitações.

A mudança no texto tirou dos órgãos de fiscalização, como os tribunais de contas, o direito de consultar os orçamentos estimados pelo governo antes da escolha das empresas responsáveis pela execução dos projetos. A que ponto chegamos. Desse jeito, seria melhor fechar o TCU e jogar a chave no lixo. Por isso, o Senado reagiu e o governo vai sair mal desse episódio.

Cabral viajou à Bahia no jatinho de Eike Batista? Há controvérsias, porque ainda pairam muitas dúvidas sobre o acidente que vitimou sete pessoas no trágico fim de semana.

Carlos Newton

Inicialmente, deve-se destacar que os editores de O Globo demonstraram muita coragem e independência editorial, ao publicar na terça-feira uma extensa matéria sobre as “relações delicadas” entre o governador Sergio Cabral Filho e um grupo de empresários de má fama, inclusive um doleiro que teve de fugir do país para não ser preso pela Polícia Federal. Embora o governo do Estado do Rio seja hoje um dos maiores anunciantes da Organização Globo, os editores do jornal realmente não tiveram dúvidas em acompanhar a denúncia do blog da Tribuna, feita um dia antes, na segunda-feira, às 5h10m.

É importante a entrada de O Globo nesse trabalho de jornalismo investigativo, porque ainda há muita coisa a ser revelada, não apenas sobre as relações entre o governador e esses empresários, mas também quanto à própria viagem de Sergio Cabral e sua comitiva à Bahia, a pretexto de comemorar o aniversário de Fernando Cavendish, dono da Delta Construções.

Dotado de uma grande equipe e contando com recursos abundantes, O Globo tem todas as condições para apurar melhor os fatos e dirimir as dúvidas deixadas por seu próprio noticiário, porque muita coisa decididamente não se encaixa.

Na edição de terça-feira, por exemplo, O Globo publica sem qualquer contestação a notícia de que o governador Sergio Cabral, o filho e a namorada teriam viajado para a Bahia junto com a família Cavendish, no final da tarde de sexta-feira, num jatinho Legacy de Eike Batista, que teria decolado do Santos Dumont às 17 horas, segundo informação oficial da assessoria do governador.

Acontece que na extensa reportagem anterior, publicada no domingo, o próprio O Globo noticiava que Sergio Cabral estava em Porto Seguro desde a sexta-feira de manhã, pelo menos, segundo relato do  prefeito Gilberto Pereira Abade, que encontrou o governador passeando pela cidade, segundo declarações publicadas pelo maior jornal baiano, A Tarde.

E mais: a reportagem de O Globo também divulgava que “o acidente aconteceu após um almoço do grupo no Villa Vignoble Terravista Resort, em Trancoso. De lá, os convidados começaram a ser levados para o Jacumã Ocean Resort, a uma distância de 15 km. Como eram várias pessoas, foi preciso fazer várias viagens”.

Como se vê, a “informação oficial” da assessoria do governador desmente e desmoraliza a matéria de O Globo, como se os repórteres tivessem inventado não somente a realização de um almoço em Trancoso, mas também desmentem o fato de o prefeito de Porto Seguro ter se encontrado com Cabral na sexta-feira de manhã.

Mas ao que parece a versão de O Globo é muito mais factível do que a informação divulgada pela assessoria do governador. Vamos conferir os fatos:

1) A viagem Rio-Porto Seguro, em boas condições meteorológicas, dura bem mais de uma hora, porque a distância é de 400 milhas náuticas (740 km) e a velocidade máxima do Legacy é de pouco mais de 800 km/h.

2) Contando o tempo perdido em decolagem, aterrissagem e outros procedimentos, a viagem teria durado bem mais de um hora, porque o tempo estava ruim.

3) Assim, se o jatinho de Eike decolou do Rio às 17 horas, a que horas chegou a Porto Seguro?

4) Como foi amplamente divulgado, o helicóptero levava 10 minutos no percurso Porto Seguro-Jacumã. A decolagem fatídica do helicóptero ocorreu às 18h31m, segundo O Globo. Como antes, ele já havia feito uma viagem, conduzindo o governador e a esposa do piloto, e depois voltando a Porto Seguro, o tempo vai ficando cada vez mais escasso para confirmar a versão da assessoria de Cabral, de que o jatinho decolou às 17 horas.

5) Ou seja, para confirmar a versão “oficial”, o jatinho teria chegado a Porto Seguro no máximo às 18 horas. Para então o grupo desembarcar, malas inclusive, dirigir-se correndo ao heliporto, que fica em outra parte do aeroporto, para embarcar com a máxima pressa.

Esses horários superapertados significam que a versão da assessoria do governador pode estar toda furada e ser tão mentirosa quanto a primeira versão impingida a O Globo, dando conta de que Cabral teria viajado para a Bahia depois do acidente, para acompanhar as buscas, conforme o jornal publicou na matéria de sábado, em 3ª edição.

Para dirimir as dúvidas, modestamente o blog da Tribuna sugere à reportagem de O Globo três pautas (se ainda não tiverem sido feitas, pois escrevo este texto por volta das 20 horas de terça-feira):

1) apurar no Santos Dumont a que horas realmente decolou o jatinho de Eike, na sexta-feira e se Cabral estava nele, porque o blog da Tribuna tem informação confiável de que Cabral veio de Miami direto para Porto Seguro;

2) entrevistar o prefeito de Porto Seguro para que confirme ou não se encontrou Cabral passeando na cidade sexta-feira de manhã;

3) apurar no Villa Vignoble Terravista Resort, em Trancoso, se o governador almoçou ou não lá na sexta-feira com o grupo, ou se almoçaram sem a presença dele.

Aí seriam afastadas todas as dúvidas sobre o trágico acidente. Quanto às relações fraternas do governo Sergio Cabral com empresários de péssima categoria, o Globo nem precisa perder tempo dos repórteres, porque os fatos já falam por si. não existe a menor dúvida desse envolvimento mais do que suspeito.

É preciso limpar as ruas

Carlos Chagas

Nada a opor, pelo contrário, elogios para um governo que se preocupa com o crescimento da inflação, promove cortes orçamentários, debate o sigilo eterno de documentos oficiais, estimula o trem-bala, desencadeia operações especiais para acabar com a miséria, reajusta o bolsa-família, constrói  casas populares e não se descuida das obras do PAC.

Há, no entanto, um vazio imenso quando se trata de enfrentar aquele que,  sem dúvidas,  constitui-se no maior problema nacional da atualidade: a violência urbana e rural. Correm à curta voz estatísticas que o governo não revela, dando conta de que jamais a insegurança do cidadão comum alcançou os níveis atuais. Tanto faz se as causas estão no crescimento demográfico desordenado, no desemprego, na fraqueza dos aparelhos policiais nos estados, na omissão da justiça ou até na descrença dos valores éticos das pessoas.

O que importa é  a multiplicação de assaltos, roubos, sequestros, estupros, vendetas, tráfico de drogas e toda uma cascata de ilícitos que transformam numa perigosa aventura sair de casa ou até permanecer nela, à mercê de todo o tipo de criminosos. Nas cidades e no campo. Basta ligar a televisão, ouvir o rádio ou ler os jornais para se ter a noção de como cresceu a insegurança nacional.

Vale repetir, para não alarmar a população as autoridades mantém em segredo os números dessa avalancha  desumana que nos atinge em velocidade vertiginosa.

Fazer o quê? Bancar o avestruz, enfiar a cabeça na areia em meio à tempestade e concluir  tratar-se  a questão exclusiva dos governos estaduais? Não dá mais, pelas óbvias deficiências das unidades federativas. A violência tornou-se problema federal, a exigir de Brasília ações coordenadas com os estados, vultosos investimentos e determinação  férrea de proteger o cidadão.

Caberia ao ministério da Justiça uma iniciativa imediata capaz de sobrepor-se a projetos econômicos, sociais e políticos específicos. Breve o Brasil se tornará um país inviável para se viver e o primeiro passo precisa ser limpar as ruas.  Depois se cogitará da recuperação dos bandidos, de sua reeducação e reaproveitamento na sociedade. Antes, porém, aumentar os contingentes policiais civis e militares,  mobilizar Forças Armadas, Forças de Segurança e equivalentes, levando os animais  para trás das grades. Sem contemplação nem recursos jurídicos responsáveis por devolvê-los ao crime. Fora daí não haverá salvação. A barbárie encontra-se a um palmo de todos nós.

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FALANDO GROSSO

Apesar de palavras doces de congraçamento, unidade e objetivos comuns, parece que a ministra Idely Salvatti falou grosso com o PMDB, ontem. O partido, ou melhor, os partidos da base oficial,  não podem fazer do fisiologismo a pedra de toque de sua ação política e parlamentar. Exigir nomeações e liberação de verbas como preliminar e  objetivo principal equivale a inverter a equação com o governo. Esse aproveitamento  é necessário, compõe um quadro de integração do  Congresso com o  palácio do Planalto,  mas sob nenhuma hipótese deve  constituir-se na condição essencial do relacionamento entre eles.

Se o PMDB entendeu ou não o recado, ninguém sabe. Provavelmente seus caciques e seus índios concordaram, mas se vão  mudar de estratégia, é outra história que apenas votações da Câmara e no Senado revelarão.

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DEITANDO AO MAR CARGA PRECIOSA

Continuando as coisas como vão, logo estarão completamente separados o PV e a ex-ministra Marina Silva. Os verdes jogarão fora não apenas 20 milhões de votos por ela  obtidos  em outubro passado, mas um ícone  daqueles que só se cristalizam de geração em geração. Dirigentes  cujo nome a gente nem lembra tentam dominar o partido,  que nem existiria não fosse Marina Silva. Seria a mesma coisa do que admitir a existência do PT sem o Lula, ou, pior ainda, que o PT decidisse livrar-se de seu fundador.

De vez em quando essas coisas acontecem, por inveja, mesquinharia ou sucedâneos, valendo também lembrar que o Partido Comunista Brasileiro começou a mergulhar nas profundezas bem  antes que Roberto Freire trocasse sua sigla para PPS e seus ideais por um disfarçado neoliberalismo. O “partidão”  sumiu quando expulsou Luís Carlos Prestes de suas fileiras.  Faria o PV o mesmo?

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PENSANDO NO FUTURO

Diz o provérbio árabe que bebe água limpa quem chega primeiro na fonte. Os mandatos de José Sarney e de Marco Maia nas presidências do Senado e da Câmara  vão até fevereiro de 2013, mas já há quem cuide da sucessão de ambos.  Pode não estar valendo mais o acordo que PT e PMDB celebraram para que sucedendo      o companheiro, viesse a presidir  a Câmara um peemedebista, apesar de a maior bancada permanecer do PT. Na hipótese do revezamento, Henrique Eduardo Alves ocupa a pole-position, ainda que não seja o favorito do palácio do Planalto. Se os petistas insistirem em manter o cargo, Cândido Vaccarezza é nome forte, em especial se o PMDB, no Senado, negar o rodízio ao PT. Assim, Renan Calheiros poderia substituir José Sarney. Traduzindo esse emaranhado: garantir, ninguém garante nada…

A qualidade da Globo é que assegura sua liderança na televisão

Pedro do Coutto

É a alta qualidade da Rede Globo, mais do que qualquer outro fator, que assegura à emissora o predomínio na televisão brasileira. Falei predomínio e explico: não é apenas a liderança absoluta de audiência, como revelou a repórter Keila Jimenez, Folha de São Paulo, ótima matéria de página inteira, edição de domingo. É também o êxito mercadológico, setor talvez onde se encontra sua maior e mais decisiva vantagem, a que lhe garante a manutenção no primeiro lugar. A Vênus Platinada, como é conhecida, amplia seu domínio principalmente nas classes A e B, exatamente de maior poder de consumo.

Keila Jimenez, com base em dados do IBOPE, apontou audiência da Globo, ao longo das 24 horas do dia, da ordem de 16,5 pontos. A Record alcança 7,4; o SBT 5,4%. Somados todos os outros canais, a Globo, sozinha, atinge 50%. Cinquenta por cento mais um, se fosse eleição, vitória por maioria absoluta. Não é esta, entretanto, a primeira pesquisa publicada a respeito. A mesma Folha de São Paulo, edição de 12 de junho, publicou matéria publicitária de página inteira apontando 17,4 para Globo e 16,5 para todas as outras redes juntas.

Somente a Globo possui audiência acima de 15 pontos. A contagem por pontos é fundamental. O Brasil tem praticamente 60 milhões de domicílios. A televisão está presente, segundo o IBGE, numa escala de 96% deles. Logo esse ponto percentual equivale quase a 600 mil residências. Cada residência reune, em média, creio eu, 2,5 telespectadores. Um ponto, assim, representa em termos nacionais 1 milhão e 500 mil em frente às telas. As agências de publicidade e os grandes anunciantes baseiam-se nestas duas escalas para uma avaliação sobre o potencial de poder de compra que possuem.

Não é nada complicado entender esse processo. Sua lógica é nítida.
Entretanto, a FSP acentuou na reportagem e que me refiro ao fato de a Globo, no ano 2000, ter apresentado a média diária de 21 pontos, ao longo de 24 horas. E agora, onze anos depois, estar com 17 pontos. O diretor do Centro de Comunicação da Globo, Luiz Erlanger, observa que, no entanto, a Record e o SBT somados permaneceram nos treze pontos ao longo da década. O avanço da Record foi em cima do SBT. Não em cima da Vênus.
Acredito que Erlanger pudesse ser capaz de aprofundar a análise estatística se lembrasse que a audiência dos canais também aumentou. E se considerarmos a TV paga, e não só a aberta, vamos verificar desempenho positivo da Globo News, melhor que os da Record News e Bandnews. Na televisão por assinatura, o SBT não tem pontos. A Globo, além da Globo News, também reune a Sport TV e os Canais Pay Per View. Com a firmeza de sua audiência, a Globo absorve uma receita anual em torno de 19 bilhões de reais. Pelo menos.

Isso porque o mercado publicitário, como a mesma FSP revelou há alguns meses, fechou 2010 com a cifra de 39,6 bilhões. Deste total, 60% destinaram-se a anúncios nas telas coloridas que tanto atraem quanto exercem magia sobre as multidões. Fascínio mais alto quando se trata de futebol e novelas. A Globo reina absoluta. Não sei como perdeu a concorrência para transmitir as Olimpíadas de 2012 em Londres. Deve ter sido uma falha enorme de seu sistema comercial. A Record venceu. A Globo tenta acionar a SportTV na tentativa de compensar pelo menos uma parte da derrota.

Erros ocorrem como aquele do carnaval de 84 em que ela decidiu não transmitir. Resultado: deu 6 pontos, menor índice de sua história. A Rede Manchete alcançou 47. Isso define, como sempre sustento, ao contrário do que pensou Mcluhan, o meio não é mais forte do que a mensagem. Os dois se completam.

Morre aos 94 anos um dos últimos participantes da campanha “O petróleo é nosso”, o jurista mineiro Washington Peluso de Souza.

Laerte Braga

No momento em que o governo Dilma Rousseff começa a privatizar a frota nacional de petroleiros através da empresa Sete Brasil (noventa por cento do controle acionário ficam com o Bradesco e o Santader, um dos clientes da consultoria de Palocci) morre em Belo Horizonte o professor Washington Peluso Albino de Souza, aos 94 anos, talvez o último dos brasileiros que participaram diretamente da luta “O petróleo é nosso”.

Um dos maiores vultos do nosso Direito, o professor Washington Peluso de Souza foi o responsável pela famosa “tese mineira” do petróleo. Foi também um dos últimos grandes pensadores do Direito e não se alinhava com o entreguismo udenista que fazia coro, àquela época, a entrega do petróleo a empresas estrangeiras.

Autor de mais de 20 obras, era considerado pioneiro do Direito Econômico no Brasil, tendo sido responsável, em 1972, pela introdução da disciplina Direito Econômico na grade curricular do curso de Direito. Teve experiência como jornalista, passando pelos Diários Associados e Folha de Minas, Rádio Inconfidência, Revista da Produção e Diário do Comércio.

Na administração pública, ocupou a chefia de gabinete do secretário de Estado do Interior no governo Milton Campos (1949-1950) e foi secretário da Fazenda de Belo Horizonte (1951-1953), na gestão do prefeito Américo Rennê Giannetti. Foi presidente da Fundação Brasileira de Direito Econômico, sendo um de seus fundadores, e membro da Association Internacionale de Droit Èconomique, Bélgica.

Washington Peluso de Souza é um nome a ser lembrado, na História da defesa dos interesses do país.

Dize-me com quem andas, Sergio Cabral, e todos saberão que tipo de governante você se tornou.

Carlos Newton

Por muito menos, pediram o impeachment de Fernando Collor. Não há comparação entre as trajetórias do então presidente e a do atual governador do Rio de Janeiro. Os “empresários” Marcelo Mattoso de Almeida, que morreu pilotando o helicóptero na Bahia, Fernando Cavendish, Sergio Luiz Côrtes da Silveira e Arthur Cesar Soares de Menezes Filho – são estes os principais parceiros de Sergio Cabral Filho, um jovem suburbano que abraçou a política e daí passou a flertar com a elite e frequentar o eixo Leblon-Angra dos Reis-Miami-Paris.

Parceiro 1 – Marcelo Mattoso de Almeida era um ex-doleiro, que se autoexilou em Miami, fugido de uma operação da Polícia Federal, onde abriu uma revendedora de carros de luxo (por coincidência, o nome da agência era First Class, o mesmo do empreendimento na Bahia). Voltando ao Rio de Janeiro, passou a frequentar a casa do governador, tornando-se assíduo no Palácio Laranjeiras. Por coincidência, há informações circulando de que na semana passada Cabral voltou de Paris fazendo escala em Miami.

Parceiro 2 – Fernando Cavendish, dono da Delta Construções, era um empreiteiro de terceiro time e rapidamente se tornou um dos mais ricos do país, depois que se aproximou do governador Sergio Cabral Filho, ganhando as mais importantes licitações do Estado do Rio de Janeiro, inclusive a reforma do Maracanã e a construção das novas lâminas do Tribunal de Justiça.

Parceiro 3 – Arthur Cesar Soares de Menezes, o “Rei Arthur”, assim chamado porque é o grande artífice e planejador das terceirizações e licitações no governo Sergio Cabral. Em 2008, recebeu 23,5% (R$ 357,2 milhões) de tudo o que o governo estadual pagou. Na verdade, o reinado de Arthur César, do grupo Facility, se iniciou na gestão de Anthony Garotinho e desde então jamais foi destronado. Mas nem Garotinho ousou pagar tanto, em 2003, por exemplo, Arthur César só levou R$ 58,5 milhões.

Parceiro 4 – Sergio Luiz Cortes da Silveira é o homem de Cabral na área da saúde. O governador tentou emplacá-lo como ministro do governo Dilma Rousseff, que declinou quando viu a lista dos processos que o secretário responde por improbidade administrativa. A corrupção de Côrtes virou manchete dos jornais e ele jamais explicou como comprou o luxuoso apartamento de cobertura na Lagoa, que seu salário de Secretário de Saúde não poderia pagar. A atuação de Cortes rendeu ao governador uma interpelação judicial no STJ (IJ nº 2008/0264179-0), promovida pelo Sindicato dos Médicos do Rio de Janeiro e pela Federação Nacional dos Médicos.

Além dos quatro parceiros, o governador tem forte apoio da própria mulher, Adriana Ancelmo Cabral, que se tornou o maior fenômeno da advocacia nacional. Saiu da função de advogada assistente na Alerj (2001 a 2003) para catapultar sua carreira e fundar, em 2004, o Escritório Coelho, Ancelmo & Dourado Advogados Associados, sociedade que mantém o maior número de causas milionárias em que o Estado do Rio de Janeiro, suas autarquias e fundações funcionam como parte ou contraparte.

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O ENRIQUECIMENTO DE CABRAL

Sérgio Cabral Filho vem de uma família de classe média baixa, nasceu no Engenho Novo e foi criado no bairro de Cavalcanti, subúrbio do Rio. O pai, conhecido jornalista e crítico musical, se candidatou a vereador e foi eleito em 1982 e reeleito em 1988 e 1992. Cabral Filho se integrou à equipe do pai, acabou nomeado diretor da TurisRio, no governo Moreira Franco.

Em 1990, pegou carona no nome do pai e foi eleito deputado estadual, tornando-se uma espécie de político-modelo. Recusou as mordomias da Alerj, não usava o carro oficial, dirigindo seu modesto Voyage. Defendia duas classes sociais: os jovens e os idosos, organizando os famosos bailes da Terceira Idade, primeiro no Clube Boqueirão do Passeio, depois no Canecão.  Fazia uma carreira impecável, trocou o PMDB pelo PSDB e tinha tudo para dar certo na política.

Até que se candidatou a prefeito do Rio, em 1992, e descobriu as famosas “sobras de campanha”. Foi quando começou a enriquecer. Reeleito deputado estadual em 1994, ligou-se a Jorge Picciani, que durante 6 anos foi primeiro-secretário da Alerj, no período em que Cabral presidiu a casa (1995-2007). Em 1994, foi novamente candidato a prefeito, amealhando “mais sobras de campanha”.

Em 1998, tinha declarado um patrimônio de R$ 827,8 mil, mas já dava demonstrações explícitas de enriquecimento ilícito. Ainda estava no PSDB, mas rompeu com o então governador Marcello Alencar, que o denunciou ao Ministério Público Estadual por improbidade administrativa (adquirir bens, no exercício do mandato, incompatíveis com o patrimônio ou a renda de agente público), pela compra de uma mansão no condomínio Portobello em Mangaratiba, e pela aquisição também de um luxuoso apartamento no Leblon.

Mas essa investigação foi arquivada pelo subprocurador-geral de Justiça Elio Fischberg, em 1999, porque Cabral alegou que fazia “consultoria política” para a agência do publicitário Rogério Monteiro, que lhe pagaria R$ 9 mil por mês, quantia insuficiente para justificar os elevados gastos de Cabral, mas o subprocurador parece que não era bom em aritmética.

Em 1999, Cabral volta para o PMDB, e ainda como presidente da Alerj, se aproxima do então governador do estado, Anthony Garotinho, que o ajuda a se eleger senador em 2002, e depois o apóia na campanha para governador em 2006, com mais “sobras de campanha”.

Como governador, estrategicamente Cabral logo rompeu com seu protetor Garotinho, mas manteve o “reinado” de Arthur César Soares de Menezes Filho. E se ligou aos outros três mosqueteiros: Marcelo Mattoso de Almeida, o ex-doleiro que morreu sexta-feira pilotando o helicóptero na Bahia, o empreiteiro Fernando Cavendish, e o secretário Sergio Luiz Côrtes da Silveira. Com isso, foi aumentando desmesuradamente a fortuna, que já não dependia dos serviços de “consultoria” à agência do amigo Rogério Monteiro.

Hoje, o deslumbramento e o exibicionismo novo rico da família Cabral chega a tal ponto que uma foto publicada por O Globo esta terça-feira diz tudo. O filho de Cabral, Marco Antonio, aparece usando um relógio Rolex Oyster Perpetual Daytona de Ouro Branco, que custa nas melhores lojas do país a bagatela de R$ 50 mil. Não é preciso dizer mais nada.

Agência Nacional de Saúde Suplementar faz um esforço enorme para fingir que está controlando os planos de saúde.

Carlos Newton

Existem várias maneiras de administrar. Uma delas é simples fingir que está administrando, através da criação de factóides (pseudas realizações). Não significa nada, porque as coisas continuam como estão, mas é de rara eficiência para o “administrador”, porque geralmente consegue mantê-lo no cargo. Esta sistemática está sendo usada com sucesso pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), sempre alvo de muitas críticas, porque teoricamente é responsável pelo atendimento dos planos de saúde.

De acordo com a própria Agência, 9% das reclamações recebidas são sobre demora no atendimento e 60% sobre negativa de cobertura por parte do plano de saúde, segundo as estatísticas do Disque ANS (0800 701 9656), de segunda a sexta-feira, das 8h às 20h.

E o que faz a Agência? Ao invés de cuidar da maioria absoluta das queixas (60%), baixando normas rigorosas para evitar que os planos de saúde neguem cobertura aos segurados, a ANS se preocupa exatamente com as reclamações mínimas (9%), sobre demora no atendimento de médicos, dentistas e laboratórios. E ainda alardeia que, antes de publicar a resolução, realizou consulta pública, quando teria recebido mais de 3 mil sugestões.

Assim, ficou parecendo que está fazendo um grande trabalho, não é mesmo? Mas vamos ver o que aconteceu. A Agência, na realidade, simplesmente estabeleceu prazos para os pacientes serem atendidos pelos médicos e laboratórios e fixou uma multa e caso de descumprimento. Os prazos máximos estipulados variam de três a 21 dias, dependendo da especialidade médica e tipo de atendimento.

Em caso de o usuário não conseguir o serviço e o plano não oferecer alternativa, o consumidor pode procurar atendimento com médico ou dentista não credenciado ao plano e solicitar reembolso à operadora, conforme previsto na Resolução 259, publicada segunda-feira.

As operadoras que descumprirem os prazos poderão ser multadas em até R$ 80 mil ou sofrer intervenção, se é que alguém acredita que a Agência chegaria a tanto. Mas as normas são tão tranqüilas que os próprios representantes das operadoras de planos de saúde avaliam ser factível cumprir os prazos para atendimento dos seus usuários. Em nota, também a Federação Nacional de Saúde Suplementar (FenaSaúde) disse que os prazos “são razoáveis de serem cumpridos”.
E a própria Associação Brasileira de Medicina de Grupo (Abramge) afirmou que os prazos já vêm sendo praticados pelo mercado, e llembrou que a marcação de consultas ou exames é controlada exclusivamente pelos médicos ou laboratórios.

Traduzindo: é tudo uma grande conversa fiada. Os clientes de planos de saúde raramente reclamam de demora para serem atendidos em consultórios ou para fazer exames. Em praticamente todos os planos, o número de médicos, dentistas e laboratórios é enorme. São múltiplas as opções, sem falar que, em último caso, basta recorrer às emergências dos hospitais conveniados, que atendem a qualquer tipo de doença, indistintamente.

Na verdade, aqueles 9% de reclamações se referem quase sempre à demora na realização de cirurgias, partos tipo cesariana e outros procedimentos médicos que exigem marcação com antecedência e existência de vagas nas salas de operações e até nas UTIs, de acordo com a complexidade do caso.

Note-se, portanto, a criativa ardilosidade da Agência Nacional de Saúde Suplementar, “mostrando serviço” ao estabelecer normas absolutamente desnecessárias, com multa rigorosa que jamais será aplicada.

Mas é para isso que foram criadas no governo FHC as tais agências reguladoras?  Temos agências para tudo: telecomunicações, aviação civil, transportes, previdência privada, petróleo e por aí a fora. Nenhuma delas funciona. São apenas cabides de empregos, com altos salários e ingresso sem concurso público, unicamente via apadrinhamento político. Recentemente, o deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP) e o ex-ministro José Dirceu estavam brigando para nomear o presidente da Agência Nacional de Telecomunicações.

E o pior é que um jornal como O Globo, carro-chefe do maior grupo de comunicação do país, dá uma notícia factóide dessas como manchete. Não é preciso dizer mais nada. Este é o país em que vivemos.

Comentaristas divergem sobre a posição da Tribuna, que apontou ontem as relações perigosas entre o governador e o empresário que reforma o Maracanã.

Carlos Newton

O comentarista Luiz Fagundes criticou ontem a Tribuna por ter divulgado as relações entre o governador Sergio Cabral e empresário Fernando Cavendish, dono da construtora Delta, empreiteira responsável pela reforma do Maracanã (em associação com a Odebrecht e a Andrade Gutierrez): “Realmente um bando de idiotas. Pessoas morrem e os “JUSTICEIROS” só querem fala em corrupção… Caso tenha corrupção, que seja investigada… Mas respeitem os finados e seus familiares!” – assinalou Luiz Fagundes.

O deputado federal Chico Alencar, porém, demonstrou pensamento inteiramente oposto. Em comentário enviado à Tribuna, afirmou o seguinte: “A tragédia que ceifa vidas, inclusive de crianças de colo, é terrível e só não choca os insensíveis. E é também chocante que só através dela – que provoca muita consternação, ainda mais quando sabemos da irresponsabilidade do piloto/empresário – venhamos a ter ciência de uma relação no mínimo duvidosa: é republicana esta convivência íntima, regada a presentes finos, entre a autoridade pública e empresários que disputam obras de milhões, além de financiarem campanhas?

Aliás, a mentira oficial da assessoria do governador, (des)informando que ele só foi lá após o acidente fatal, revela a ‘má consciência’ (até entre eles) com esta aproximação. Parabéns pelas excelentes matérias e comentários. Na 6ª feira, antes do tenebroso episódio, a FSP publicou artigo meu que aborda exatamente este ‘casamento espúro’ entre interesse público e negócios privados: http://bit.ly/mBBYzF”, salientou Chico Alencar, repetindo o texto do blog da Tribuna: “Foi preciso cair um helicóptero na Bahia, num terrível acidente em que sete pessoas morreram, para que viessem a público as estreitas ligações do governador Sergio Cabral com o empresário”.

Coincidentemente, a Delta Construções, além de estar reformando o Maracanã, é também a empreiteira que mais recebeu recursos do Programa da Aceleração do Crescimento (PAC). Segundo o portal Transparência, da Controladoria-Geral da União, do total de R$ 11,8 bilhões já despendidos pelo governo federal este ano, a Delta Construções foi a que recebeu a maior fatia: R$ 254,6 milhões.

No Estado do Rio de Janeiro, as relações da empreiteira com o governo do  vêm desde a gestão de Anthony Garotinho, que em 2006 ajudou a eleger Sergio Cabral, mas logo depois da posse o novo governador arranjou um jeito de romper politicamente com seu antecessor.

Outro dado que a grande imprensa ainda não divulgou: o presidente da Delta Construções, Fernando Cavendish, conquistou muito negócios com o governo federal, porque contratou em 2009 o ex-ministro José Dirceu para atuar como lobista e obter facilidades no governo federal.

A princípio, Cavendish negou ter contratado Dirceu e até atribuiu a denúncia à contenda jurídica entre a Delta e os engenheiros José Augusto Quintella Freire e Romênio Machado. Os dois engenheiros acusaram Cavendish de contratar, em 2009, a JD Assessoria e Consultoria, de Dirceu, para se aproximar do governo petista. Criou a polêmica, mas no final a Delta e Dirceu tiveram de confirmar a contratação, mas alegaram que “o objetivo era assessorar a empresa em negócios no exterior”, uma desculpa esfarrapada, porque a Delta jamais fez qualquer obra fora do País.

Na realidade, a empreiteira vem subindo como um foguete no ranking anual das construtoras da revista “O Empreiteiro”: em 2009, quando contratou José Dirceu a Delta já figurava em sétimo lugar, com faturamento de R$ 2,1 bilhões. E há anos é a primeira colocada em obras para o DNIT, antigo DNER, na construção e reparo de rodovias federais.

Nessa escalada financeira, é claro, a construtora Delta não tem medido esforços, digamos assim, pois em agosto de 2010 um de seus diretores, Aluizio Alves de Souza, foi preso pela Polícia Federal em Belém por envolvimento num esquema de fraudes em licitações, superfaturamento, desvio de verbas públicas e pagamentos indevidos em obras rodoviárias no Ceará, Rio Grande do Norte e Pará, inclusive em projetos do PAC.

É com esse tipo de empresário que o governador passa fim de semana e leva a família. Ocorreu uma tragédia, com a morte de sete pessoas, inclusive crianças de colo, todos lamentam, mas a queda do helicóptero é que veio revelar a proximidade entre o governador e o empreiteiro que reforma o Maracanã. E a imprensa não pode nem deve se omitir.

É claro que a Tribuna e o deputado Chico Alencar também lamentam essa perda de preciosas vidas, mas é preciso ficar claro que isso só ocorreu porque um empresário exibicionista resolveu fazer num helicóptero lotado – e com mau tempo – um percurso de apenas 15 km, menos do que a distância da ponte Rio-Niterói,.

É muito esnobismo, muita pretensão, muita falta de responsabilidade com a vida alheia. E quem deve lamentar mesmo tudo isso é o governador Sergio Cabral, que decidiu levar o filho e a namorada para curtirem um fim de semana na Bahia, com seus amigos milionários, apenas para tirar uma onda e bancar o novo rico, coisa que realmente demonstra ser, com um orgulho deplorável.

Criado no subúrbio de Cavalcanti, de classe média baixa, hoje Sergio Cabral é mais um milionário no eixo Leblon-Mangaratiba-Paris, coisa de bacana. Se tivesse mantido as mãos limpas e a consciência tranquila, como fez no início da carreira política, quando se recusava até a usar carro da Alerj e dirigia seu modesto Voyage, sem se transformar no político totalmente comprometido que é hoje, Sergio Cabral teria trabalhado normalmente na sexta-feira, sem inventar esse fim de semana prolongado.

Não teria pedido emprestado o jatinho Legacy de Eike Batista, ao qual também é tão ligado, não teria obrigado o filho e a namorada a perderem o dia de aula, nada disso teria acontecido, e ele não estaria chorando a morte da jovem que seu filho Marco Antonio tanto amava. Esta é a realidade de uma tragédia que nunca deveria ter ocorrido, na trajetória de um político que nasceu limpo e nunca deveria ter se enfeitiçado pelo fascínio da riqueza corrompida.

Uma nova onda no fim da linha

Carlos Chagas                                               

Neste começo de Século XXI, cresce  uma nova onda no planeta, com muitas probabilidades de inundar não apenas a Europa: protestam as populações sempre sacrificadas pela incúria e a ambição das  minorias privilegiadas. Só neste fim de semana foram 200 mil nas ruas de  Madri e outras cidades da Espanha,   mais  100 mil em Atenas, para não falar de 20 mil   em Paris. E mais a presença permanente de grupos organizados em Lisboa, Dublin e outras capitais.  As manifestações são pacíficas, mesmo diante da truculência do aparato policial designado para contêlas. 

A razão é uma só: o povo e especialmente os jovens insurgem-se contra as soluções anunciadas e até adotadas pelos respectivos governos para conter  a crise econômica  gerada por suas elites.   Aumento de impostos, redução de salários, desemprego em massa, desconstrução da previdência social pública  e  extinção de investimentos sociais em saúde e educação. 

No reverso da medalha, bilhões de euros canalizados pelos países ricos  aos países em dificuldades, dos quais nem um centavo chega aos destinatários. São empréstimos virtuais  que ficam na origem para saldar dívidas e fazer lastro, servindo também para remunerar especulações financeiras e encher os cofres dos mesmos de sempre, aqueles  que fingem emprestar e enriquecem com os juros  pagos pelos  que fingem receber e empobrecem mais ainda. 

Essa formula  imperou durante o Século XX e os anteriores com pouca  reação dos explorados, a não ser eventuais revoltas e muitas  tentativas de mudar a situação através das urnas.  Todas geraram  apenas frustrações. As revoluções populares transformaram-se em ditaduras que privilegiavam minorias, às custas  das massas. Os líderes e partidos porventura eleitos para mudar democraticamente  a situação acabaram, sem exceção, aderindo à receita dos poderosos. Ai estão os exemplos da social-democracia e até de partidos socialistas cooptados pelas elites, para não falar de trabalhistas.  

Chegaram ao fim da linha os  explorados, aqueles que pagam as contas. Demonstram que a hora é de ganhar as ruas com os gritos de “basta!” e de “fora!”. É bom que nos preparemos todos. 

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SE JOBIM SAIR, COMO FICA A DEFESA?
                                                  
Volta e meia ressurge o boato: Nelson Jobim pediu para sair, aliás, já tinha pedido quando Dilma o nomeou para continuar no ministério da Defesa.  Se for verdade, eis mais um problema para a presidente da República: quem designar  para o  ministério?

Dificuldades, propriamente, Dilma não encontrou para substituir Antônio Palocci e Luiz Sérgio. Como não encontrará para trocar a maioria dos  outros auxiliares. Na Defesa, porém,  é diferente. Trata-se de uma pasta delicada, daquelas exigindo não apenas competência, mas muito jogo de cintura para lidar com as forças armadas.

O Lula enfrentou situação similar e precisou apelar para o então  vice-presidente José Alencar, que aguentou o tranco e  fez o sacrifício, sendo afinal sucedido por Nelson Jobim. Só que agora não seria o caso de pensar em Michel Temer. Antes de ser vice-presidente, ele é chefe do maior partido nacional, não se misturando as  quantidades. José Genoíno, feito auxiliar principal do ainda ministro não se coaduna com a função, menos por ter sido guerrilheiro,coisa que Dilma também foi, mais por desconhecimento das questões castrenses.

Nome senão ideal, mas palatável, seria o ex-presidente José Sarney, mas suas funções no Senado tornam a hipótese inviável.  Seria sonho de noite de verão imaginar uma mulher ministra da Defesa. Sendo assim, melhor para todos parece mesmo receber como boato e possibilidade inverossímil a saída de Nelson Jobim.

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 MUDOU O SENTIDO DE “CAIR DO CAVALO”
                                               
Até meados do século passado usava-se a valer a expressão “cair do cavalo”, significando a perda de poder, cargos, funções e até riqueza de quem as possuía ou ocupava.  O nobre animal perdeu seu lugar na sociedade. Como regra,  só o utilizam nos jockey clubes ou no circo, mesmo sem esquecer certas  fazendas e regiões mais isoladas do país.
                                              
Sorte de Aécio Neves, que apenas  literalmente caiu de sua montaria, no fim de semana, fraturando a clavícula e algumas costelas. Continua absoluto no PSDB e  no Senado, ainda que por  duas semanas  necessite ficar de molho, em casa. Tivesse a queda significado perda de prestígio e seria necessário mudar o bicho, mas cair do ninho não parece que o grão-tucano cairá…

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 A FESTA DE SÃO JOÃO
                                               
Há dúvidas se dona Marisa, depois de oito anos, deixará passar em branco a festa de São João. Enquanto o Lula exerceu a presidência da República a primeira-dama não perdeu um ano sem transformar a Granja do Torto num arraial, com direito a bandeirolas, chapéus de palha, padres, delegados e muito quentão. Mas agora, fora do poder, onde a família Silva oferecerá sua festa? No apartamento de São Bernardo não dá. Alugar um clube seria perigoso, tendo em vista o risco de  desagradar companheiros, sem poder  convidar a todos.   O mais provável é que o casal aceite convites para participar de alguma festa de São João, mas com  a certeza de que não será na Granja do Torto,   já que dona Dilma não pensa em realizar comemoração alguma.

Meirelles, como Proust, parte em busca do tempo perdido

Pedro do Coutto

O título desta matéria seria outro: afinal, Henrique Meirelles assume ou não a Autoridade Pública Olímpica. Mas no momento em que escrevo, noite de sexta-feira, o editor deste site, Carlos Newton, me informa que, finalmente, foi publicada a nomeação do ex-presidente do Banco Central, para a presidência do Conselho da APO. A lei que criou a Autoridade Olímpica, que terá também a seu cargo controlar os investimentos e serviços para a Copa do Mundo de 2014, foi sancionada pela presidente Dilma Rousseff a 22 de março. Mas a posse de Meireles estava custando muito a se concretizar.

O vazio administrativo acumulou-se ainda mais, em face do espaço existente entre dezembro de 2010 e junho de 2011. Se no seu relatório sobre o desempenho da administração brasileira relativo ao ano passado, o Tribunal de Contas – Diário Oficial de 3 de junho – apontou a existência de largos atrasos e grandes problemas para a realização da Copa de dos Jogos Olímpicos, que dirá, após a inércia constatada, como está a situação agora em junho?

Só pode ter se agravado. Henrique Meirelles, a exemplo da notável obra de Marcel Proust, considerada um dos maiores romances de todos os tempos, terá assim que partir em busca do tempo perdido. Não será fácil. Mas ele tem experiência acumulada na presidência do Bank Boston e na do Banco Central, neste caso durante oito anos do governo Lula.

Panorama difícil porque os problemas não estão só no ritmo das obras dos estádios. As do Coríntians, em Itaquera, por exemplo, sequer começaram. Encontram-se dificuldades igualmente nos projetos de ampliação dos aeroportos. Estes não estão preparados para suportar um fluxo diário adicional de enorme número de passageiros. E tem mais um aspecto, observado por minha mulher, nos estádios obras são feitas com eles fechados. Nos aeroportos, têm que ser executadas com eles funcionando. Não há outra hipótese.

A presidente Dilma Rousseff demorou demais para oficializar a investidura de Meirelles. Ele vai supervisionar os gastos do governo federal, dos governos estaduais e dos prefeitos municipais com a execução das obras de edificação e modernização de serviços. Dilma tomou a iniciativa de centralizar a fiscalização certamente para impedir que se repitam os problemas que marcaram o custo dos Jogos Panamericanos. Os preços subiram de uma previsão inicial de 400 milhões para uma finalização de 1 bilhão e 200 milhões de reais. Houve uma evaporação de recursos.
                                          

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HADDAD, FINALMENTE, SAI DO MEC

Outro assunto. Falamos na nomeação de MeireLles. Agora focalizamos a demissão de Fernando Haddad. Reportagem de Vera Magalhães, Folha de São Paulo de sexta-feira, não deixa dúvida. Ele finalmente vai se afastar do Ministério da Educação. Depois do fracasso da prova do ENEM, da Cartilha oficial contendo erros clamorosos de português, da Cartilha sobre a homofobia e dos erros apresentados em operações de soma e subtração, em mais uma cartilha elaborada por uma ONG, Fernando Haddad, ele próprio, anuncia que vai sair.

Deseja ser candidato à Prefeitura da cidade de São Paulo, desde que tenha o apoio de Lula. As eleições são em outubro do ano que vem, e o prazo de desincompatibilização no início de abril. Mas ele deseja deixar o cargo bem antes, mesmo que perca a convenção do PT para a escolha do candidato ou candidata. Nesta segunda hipótese, o nome mais forte, sem dúvida, é o da senadora Marta Suplicy, vitoriosa nas urnas de outubro. O caminho para tentar suceder Kassab não está fácil para Haddad. Porém a impressão que predomina, pela antecedência, é que sua permanência no MEC tornou-se ainda mais difícil. Para a presidente da República, que só o manteve na passagem de governo a pedido do grande eleitor que a antecedeu e assegurou sua vitória.

Judiciário sagaz e arrecadador estimula a litigância

Roberto Monteiro Pinho

Criada para reduzir as diferenças sociais existentes entre empregados e empregadores, e compensar o desequilíbrio econômico nas relações laborais, a Justiça  do Trabalho, passou a ser utilizada como mecanismo de arrecadação de tributos (leia-se contribuições fiscais e previdenciárias da União), consequentemente se distanciou dos princípios que a tornaram social.

Estudo divulgado recentemente pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), a União aparece no topo da lista dos cem maiores litigantes por setor público no judiciário brasileiro com 16,8%, seguido pelo Instituto Nacional de Seguro Social (INSS), com 6,4%. Em terceiro lugar está a Fazenda Nacional (3,3%), em quarto, a extinta RFFSA (0,4%) e em quinto, a Infraero, com 0,4%. No setor público federal, é a União a campeã de ações na JT. Como se vê a máquina abastecida pelas ações garimpadas pelos advogados laborais, é hoje o melhor escritório de venda a varejo na captação de tributos, já que esses estão embutidos a cada ação existente na especializada. 

Num capitulo a parte podemos interagir com a arrecadação previdenciária lembrando que a EC n° 20/1998 foi concebida à Justiça do Trabalho a competência para executar as contribuições previdenciárias decorrentes das sentenças que proferir. Com o advento da EC n° 45/04 e pela Lei 11.457/2007, dirimindo várias dúvidas a respeito do alcance desta competência material executória, afasta-se deste contexto à competência para executar as chamadas contribuições de terceiro, evidenciando o óbvio, sendo assim estaria a JT trabalhando a favor de um alienígena, já que inexiste o nexo de vínculo de emprego na supra mencionada execução. Cotejando o artigo 876, parágrafo único da CLT encontramos a redação dada pela Lei 11.457/2007, in verbis:

“Serão executadas ex officio as contribuições sociais devidas em  decorrência de decisão proferida pelos Juízes e Tribunais do Trabalho, resultantes da condenação ou homologação de acordo, inclusive sobre os salários pagos durante o período contratual reconhecido”. A partir daí o juiz do trabalho, contratado com o afinco da estabilidade, para querelar, e julgar conflitos trabalhistas, se tornou o maitre do banquete arrecadador da União. 

No balanço dos resultados estima-se que a Justiça do Trabalho, repartido o bolo de ações em tramitação, tenha como resultado efetivamente concreto na arrecadação de tributos, nas execuções dirigidas aos empregadores privados, já que o Estado é responsável por 80% do total de ações existentes (são 16,5 milhões). Números que refletem diminutamente no resultado final do total arrecadado, vez que nem a União, Estados, Municípios e empresas públicas honram suas obrigações tributárias perante o judiciário trabalhista. Recente o ministro e presidente do TST Orestes Dalazen engajado nas propostas dos juízes que apontam, na direção dos recorrentes a principal causa da morosidade, reconheceu publicamente que de cada grupo de 100 pessoas que ganham causas na JT, apenas 31 recebem o crédito, por absoluta eficiência do atual processo de execução empreendido neste judiciário.

O quadro debilitado da especializada não tem influência na parte processual e sim na material, de pessoal e de gerenciamento dos tribunais, e a sociedade já percebeu esta anomalia, tanto que uma pesquisa realizada pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), em parceria com o Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), revelou que  percepção negativa do Poder Judiciário. A FGV também mostrou que, apesar da percepção negativa, 80% dos entrevistados afirmaram que recorreriam à Justiça. 

A efetividade na prestação jurisdicional não se resume apenas na forma material, mas na operacional, o que requer a atuação dos serventuários, e do próprio juiz no andamento da ação. Com o substancial aumento dos procedimentos nas varas, podemos avaliar que a lentidão se agravou e se não solucionada, vai travar a JT. Dados do programa “Justiça em Números — Indicadores Estatísticos do Poder Judiciário”, tendo como base um levantamento do Conselho Nacional de Justiça, com números referentes a 2006, indicam que continuavam chegando aos juízos e tribunais do Trabalho mais processos do que conseguem julgar. Em 2006, ingressaram na Justiça do Trabalho 3.504.204, foram julgados 3.306.831.

A conclusão é que no final do ano havia quase 200 mil processos a mais nas gavetas da Justiça do Trabalho, que se somaram ao estoque de anos anteriores de cerca de 3 milhões de causas. Hoje este número está perto de 1,5 milhões de processos, que não foram sequer examinados pelos 27 ministros do TST, 2.892 juízes, (2.430 estão na primeira instância e 462 na segunda), e 76 mil servidores que compõe o quadro efetivo.

Silvio Santos tenta passar a borracha em seu passado de bajulador dos sucessivos governos militares.

Carlos Newton

Morreu na semana passada Dom, o remanescente da dupla Dom & Ravel, que surgiu em meados da década de 60 e conquistou o país com a música “Eu te amo, meu Brasil”, que estourou nas paradas de sucesso quando a seleção saiu-se tricampeã no México. Ravel, já havia morrido há alguns anos.

Na época, Silvio Santos se aproveitou do sucesso da dupla, incentivando os dois irmãos a continuarem compondo músicas ufanistas, que apresentava em seu programa aos domingos, para bajular os governantes militares. Quando pleiteava sua primeira estação de TV, Silvio Santos fez com que a dupla Dom e Ravel, no auge da fama, viajasse a Brasília para pedir ao presidente Geisel que desse a concessão ao homem do Baú, e foram atendidos.

Vejam como as coisas mudam. Agora, na morte de Dom, o telejornal do SBT esqueceu (ou passou a borracha) na ligação entre a dupla e Silvio Santos. O texto lido pelos apresentadores era só de críticas a Dom & Ravel, por seu apoio ao regime militar.

Quanta hipocrisia. Silvio Santos agora é de esquerda, coloca no ar uma novela (“Amor e Revoluçao”) exaltando os que lutaram contra a regime militar de 64, dá um golpe espetacular na Caixa Econômica Federal, passa adiante o Banco PanAmericano, completamente falido, não acontece nada, e adivinhem quem patrocina o Jornal do SBT. Ora, a Caixa Econômica Federal, é claro. Afinal, não são parceiros?

Sete anos sem Brizola, e o Movimento de Resistência convida para missa amanhã, no Rio, para homenagear o criador do PDT.

Carlos Newton

O Movimento de Resistência Leonel Brizola é uma dissidência do PDT, que defende a purificação do partido e o consequente alinhamento à defesa das teses de Alberto Pasqualini e do próprio Brizola.

O texto do convite afirma que “no sétimo ano de sua morte, Leonel Brizola permanece vivo nos corações e mentes de todos os trabalhistas, que tinham nele o grande líder revolucionário, portador de um projeto nacional de desenvolvimento para tornar o país livre, soberano e com justiça social”.

Na oportunidade falarão sobre o significado de Brizola para a política Nacional alguns pedetistas que mais de perto conviveram com ele, como os ex-deputados federais Vivaldo Barbosa, José Mauricio e Carlos Alberto de Oliveira. A missa para homenagear a memória do fundador do PDT será rezada esta terça-feira, às 12h15m horas, na Igreja Nossa Senhora do Bom Parto, Rua Rodrigo Silva, nº 7 (esquina com Rua São José), Centro.

Secretario-geral da ONU afirma que Amazônia não é problema brasileiro, ninguém diz nada e o governo Lula Rousseff ainda apoia a reeleição dele.

Carlos Newton                                                         

Em sua coluna de domingo, Carlos Chagas voltou a advertir sobre a cobiça internacional em relação à Amazônia. Criticou especificamente a brecha aberta pela  Lei  de Concessão de Florestas Públicas, aprovada no governo Lula e que propiciou, por exemplo, que um milionário sueco-americano se tenha vangloriado de haver adquirido,  na Amazônia, área igual à da Grande Londres, anunciando que, através de parcerias com grandes grupos internacionais privados, buscará  tirar proveito comercial, explorando e vendendo tudo o que existe em seus limites, da madeira à biodiversidade e ao subsolo.

Por coincidência, ao mesmo tempo os jornais noticiavam que o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, em visita ao país, afirmou que a questão da Amazônia “não é um assunto do Brasil. É um assunto global que afeta o mundo todo”. Sobre o desmatamento no Brasil, ele disse que a forma como o governo brasileiro enfrenta o problema prejudica o mundo inteiro. Acrescentou que o desmatamento é uma grande preocupação da ONU, uma vez que “em todo o mundo o problema responde por 20% das emissões de gases que provocam o efeito estufa”.

“Como vocês fazem afeta o mundo todo. Espero que o governo brasileiro, a indústria agropecuária discuta esse assunto com seriedade. Esse não é um assunto do Brasil. É um assunto global que afeta o mundo todo”, insistiu.

Ban Kim-moon, que é coreano do sul e não sabe distinguir um abacate de um abacaxi, vem ao Brasil, fala que a Amazônia não é problema brasileiro, inventa que o desmatamento da Amazônia responde por 20% do efeito estufa (possibilidade jamais comprovada), e ninguém diz nada, nenhuma autoridade responde a ele, a imprensa também se acovarda, e o Planalto ainda promete votar nele para ser reeleito para a Secretaria-Geral da ONU. Que país é esse, Francelino Pereira?