Márcio Thomaz Bastos “exigiu” 15 milhões para defender a Camargo Corrêa. Não é pouco?

E o jornalista que assassinou a namorada pelas costas, pagou isso ou muito mais? Depois de Einstein é tudo relativo.

A empreiteira Camargo Corrêa, responsável pela execução das maiores obras de infraestrutura e superestrutura existentes no Brasil e preocupada com o seu futuro e de alguns de seus diretores, não está fazendo economia para ser bem representada na Polícia e perante a Justiça Criminal.

Desejosa de se livrar das intermináveis acusações que diariamente estão sendo divulgadas por jornais (O inquérito não é sigiloso?) foi aconselhada a buscar assessoria jurídica de ninguém menos que o advogado criminalista Márcio Thomaz Bastos, ex-presidente da OAB nacional, ex-ministro da Justiça de Lula e seu principal conselheiro.

E segundo artigo publicado por Fernando de Barros e Silva, na “Folha de São Paulo”, citando a revista “Piauí”, “Bastos exigiu 15 MILHÕES para defender a empreiteira Camargo Corrêa, alvo da Operação Castelo de Areia da PF, que até março de 2007 se subordinava à sua pessoa. Sim, é espantoso, mas não é ilegal. Entre seus clientes atuais estão o empresário Eike Batista, que tenta se aproximar do governo, e o famoso doutor Roger Abdelmassih”. (Defender Eike Batista, é financeiramente suntuoso. Mas não é moralmente constrangedor?).

Para o citado articulista, “a advocacia criminal para empresas fez de Thomaz Bastos um homem rico. Ele ‘só fica triste quando acha que cobrou pouco’, diz uma ex-sócia”.

O atento e isento observador da vida nacional, no caso descrito, deve optar por uma de duas alternativas: ou os indícios de crime são graves, comprometedores e exigem jurisprudência especial, forte relacionamento e prestígio do advogado junto aos órgãos acusadores e julgadores ou a contratante perdeu noção do valor do real. Como lembrou a “Folha”, isso não é ilegal?

Não é ilegal, mas seria legítimo? O que diria de um advogado nessas circunstâncias, o ex-presidente da OAB nacional, o doutor Márcio? E o Ministro da Justiça e conselheiro do presidente da República, doutor Márcio? Para a empreiteira, tudo é “deduzível” e não no imposto de renda. E para o causídico?

Nos EUA, a “Emenda Miranda” deu mais direitos ao cidadão, inclusive este: “O senhor tem direito a um advogado, se não puder pagar o Estado lhe fornecerá um”. O doutor Márcio já esteve na condição de defender alguém, de graça? Defenderia?

Como foi presidente da OAB nacional, o doutor Márcio sabe muito bem, que lá, advogados e até juízes são julgados (e às vezes punidos severamente) por um órgão que se chama BAR OFFICE.

Aqui ninguém se intimida com a OAB, nem mesmo pela altura dos honorários. Lá a perda da carteira por advogados, e da toga por magistrados, é comum e assustadora.

* * *

PS- Que advertência o doutor Márcio, ex-OAB e ex-Ministro da Justiça, exigiria para um advogado que cobrasse tanto de tantos clientes? E o jornalista Antônio Marcos Pimenta Neves, há 10 anos em liberdade depois de assassinar a namorada pelas costas? Pode repetir, como Aldous Huxley, que o preço da liberdade está rigorosamente ligado ao prestígio do advogado?

PS2- Um famoso empreiteiro, não sei o nome, só que é rico e bem relacionado (todos são) foi acordado às 2 da manhã pelo gerente de uma obra, que lhe disse: “Perdemos dois funcionários, soterrados”. Antes de saber detalhes, reclamou, “soterrado não, empedrado”. Ele estava cobrando preço da movimentação de pedras, muito mais caro, embora deslocasse terra.

Sucessão 2010: quadro indefinido

Pedro do Coutto

A mais recente pesquisa do IBOPE feita por encomenda da Confederação Nacional da Indústria aponta uma apreciação mais positiva em relação ao governo Lula do que o índice extraordinário de 66% para o patamar mais extraordinário ainda de 72 pontos. Relativamente a sua imagem pessoal é ainda mais alto vai a 83%. Para 59%, inclusive a vida melhorou e isso é fundamental para fixar qualquer conceito. Aliás –creio – mais um recorde mundial para o presidente Luis Inácio da Silva. O primeiro o de ser aquele que mais vezes disputou a presidência da república: cinco. Deixou em segundo Roosevelt e Mitterrand que concorreram quatro vezes. Mas esta é outra questão embora bastante significativa.

No que se refere à posição dos candidatos a sucessão do próximo ano, as posições básicas ainda não diferem muito em relação ao levantamento de Setembro do mesmo IBOPE.

José Serra avançou 3 pontos, atingindo 38%. Mas esta é a faixa na qual sempre oscilou, manteve, portanto, mas não ganhou espaço significativo possivelmente em face de ainda não se ter definido mais concretamente, abrindo uma perspectiva de algum grau de vacilação. Dilma passou de 15 para 17 degraus, evolução quase igual a do  governador de São Paulo. Ciro Gomes desceu de 17 para 13, uma descida forte, enquanto Marina Silva declinou de 8 para 6. Este índice é importante, pois esses 6 pontos iriam para a ministra chefe da Casa Civil, não estivesse a senadora do Acre entre os postulantes. Este é o cenário básico e lógico. Mas há um outro.

Substituído José Serra por Aécio Neves, Ciro assume a liderança com 20 pontos. O que revela ao mesmo tempo uma vantagem acentuada de Serra sobre o governador mineiro e também uma tendência de Ciro arrebatar boa parcela de votos do governador paulista. Detalhe importante, pois neste mesmo quadro Dilma sobe 2 degraus apenas, Aécio avança somente 1 e Marina Silva cai de 11 para 9%.

No que se refere às posições dos candidatos à sucessão as expectativas básicas não diferem muito em relação ao levantamento de setembro do mesmo Ibope. Os brancos e nulos que eram 31 em setembro subiram para 32 no final de novembro. Alteração mínima. Dilma Roussef ainda não teve sua imagem fixada à de Lula. Mas isto poderá acontecer e, é por isso mesmo, que o quadro permanece indefinido e até enigmático. Na verdade a campanha ainda não começou. Não está nas ruas. O potencial de Lula é extraordinário. Se transfere ou não para Dilma e em qual grau, eis a questão. Vai depender do desencadear dos fatos e de como os 120 milhões de eleitores vão se sensibilizar. A força dos programas sociais de Lula e sua expressiva capacidade de transmissão serão testados. Os responsáveis pela imagem da candidata já conseguiram, a meu ver, melhorar sensivelmente uma certa agressividade original. Ela já foi substituída por uma atmosfera mais suave, de uma cordialidade e naturalidade.

No final da questão, Serra, com 38 pontos pode estar batendo no seu teto. Por isso vai depender da adição que Aécio possa lhe proporcionar e de alguma transferência por parte de Ciro. Dilma depende só de Lula. Daí a indefinição. Se Lula transfere em votos o percentual em favor de sua imagem. A chave essencial da campanha situa-se exatamente neste ponto.

Por que não convocar o Conselho da República?

Carlos Chagas

Solução, tem. Resta saber se há vontade política. Fala-se da iniciativa que o presidente Lula precisará tomar diante do escândalo do mensalão no Distrito Federal. Porque ficar de braços cruzados equivalerá a receber respingos cada vez maiores da lama atirada no ventilador pelo governador de Brasília, José Roberto Arruda, e sua quadrilha. Não haverá como o governo federal passar ao largo. A nação  espera do presidente Lula uma ação que os  poderes locais encontram-se impedidos de adotar,  precisamente por estarem implicados na lambança.

Já se cogita, nos círculos mais próximos do chefe do governo, da adoção de medidas constitucionais em condições de restabelecer a  credibilidade e  a ordem na capital federal.

Poderia ser  convocado  o Conselho da República,  capitulado no artigo 89 da Constituição como órgão superior de consulta do presidente da República, competindo-lhe pronunciar-se sobre “a intervenção federal e questões relevantes  para a estabilidade das instituições democráticas”.

Fazem parte do Conselho da República o vice-presidente, os presidentes da Câmara e do Senado, os líderes da maioria e minoria nas duas casas do Congresso, o ministro da Justiça e seis cidadãos maiores de 35 anos.  Ignora-se quais sejam esses  representantes da nação, pois  desde que  promulgada a Constituição, em 1988,  o Conselho da República jamais se reuniu. De José Sarney a Fernando Collor, Itamar Franco e Fernando Henrique, nenhum deles entendeu necessário buscar conselhos para enfrentar crises e sucedâneos.

Mesmo assim, o Conselho da República foi regulamentado por lei de junho de 1990, sancionada pelo então presidente Fernando Collor.

Diante da situação atual,  seria uma saída para enfrentar o inusitado da corrupção praticada por um governador, seus secretários, assessores,  deputados distritais, federais,  partidos políticos e possivelmente até integrantes do Judiciário.  O Conselho da República  teria legitimidade para propor a intervenção federal em Brasília,  afastando todos os implicados de seus cargos,   de acordo com o artigo 34 da Constituição, para “pôr termo a grave comprometimento da ordem pública”. Poderia requisitar de órgãos e entidades públicas as informações e estudos que se fizerem necessários ao exercício de suas atribuições.

O respaldo desse colegiado nas instituições nacionais seria suficiente para o presidente Lula enfrentar e debelar  uma crise que, permanecendo inconclusa, manchará  não apenas a imagem da capital federal no país, mas do país no mundo, ironicamente numa época de  respeito e admiração por nós, vindos de fora.

Nem precisava

O Ibope não repetiu a Sensus, em sua mais recente pesquisa. Deixou de indagar dos consultados em quem votariam para presidente da República, sem a  indicação de candidatos. A empresa com sede em Belo Horizonte ousou fazer a pergunta omitindo a indução e o resultado foi singular,  pois deu 18% para o presidente Lula e 8% para o segundo colocado, o governador José Serra.

Para evitar ilações perigosas, a questão foi omitida pelo Ibope,  mas um velho observador das consultas eleitorais concluiu que nem assim o instituto perderá pontos no palácio do Planalto. Afinal, registrar que o índice de aprovação do presidente Lula passou de 81% para 83% afasta qualquer dúvida…

Ponto de atrito

Nada para este ano, mas, no Senado e na Câmara, os líderes são unânimes em concluir pela aprovação do projeto que restabelece a obrigatoriedade do diploma universitário para o exercício do jornalismo. A pressão das entidades de classe dos profissionais da imprensa alertou senadores e deputados, mas não parece o fator principal para essa previsão. Na verdade, levantaram-se  outras profissões também  ameaçadas da  anarquia da desregulamentação promovida pelo Supremo Tribunal Federal contra os jornalistas. A começar pelos professores, porque só  o dom de ensinar não faz um deles, assim como o dom de escrever não faz um repórter ou um editor.

Há mal-estar no Supremo, diante da decisão a  ser tomada ano que vem pelo Congresso, restabelecendo o diploma de jornalista. Afinal, foi quase unânime a sentença suspendendo a obrigatoriedade. Há quem suponha que, provocada depois da nova lei, a mais alta corte nacional de justiça voltará ao tema, batendo de frente com o Legislativo. Pelo jeito o ano que vem não será apenas um ano eleitoral. Embates variados estão na pauta.

Pulverização

As eleições para a presidência da República prendem quase todas as atenções e especulações, mas há quem se preocupe, no Congresso, com a sua futura composição.  Os partidos andam  na baixa, não se prevendo a prevalência de nenhum deles sobre os demais.  O maior de todos, o PMDB, até agora sem  candidato próprio ao palácio do planalto,  corre o risco de ter diminuídas suas bancadas na Câmara e no Senado. O PT, que ameaçava substituir o PMDB, entrou em cone de sombra, sem saber se poderá disputar com vantagem um só governo de estados importantes. Aos tucanos faltam quadros estaduais, ironicamente sobrando no plano federal. Quanto ao DEM, só mesmo se for bem votado em Brasília…

Há quem suponha uma rearrumação do quadro partidário, depois das eleições de outubro do ano que vem. Antes, é claro, de qualquer reforma política impedindo pela vigésima vez,  inutilmente,  o troca-troca de legendas.

Lula trabalha pela sexta eleição seguida, fato único no mundo ocidental. Por enquanto, só quem pode protestar, fica em silêncio, se contenta com SP

O Poder não tem agravantes, variantes, ou fatores preponderantes. Quem o ocupa não quer sair mais, quaisquer que sejam as explicações. No início do primeiro mandato, Lula foi ao Gabão, voltou empolgado e inebriado: “Puxa, 50 anos no Poder”. Era uma confissão, para quase todos faltou compromisso.

Agora Lula abre o jogo, se esquiva de todos os golpes, como se a sucessão fosse uma luta de boxe e ele um Muhammad Ali.

Reeeleição de Morales

Mais um, que induzido, que palavra, mudou a Constituição, “ganhou” ontem mais um período. Não fez nada, ficou no Poder por causa do povão que o apoiou. O que esse povão podia fazer? Entre a elite dominadora e um deles mas desinteressado, tanto fazia. A opção era votar em Morales ou ficar em casa.

Todos se reeelegem,
depois querem mais

Começou com Menem, que não podia ser reeeleito. Ganhou o segundo mandato, queria o terceiro, foi preso por corrupção. Fez acordo, desistia, seria solto. Quem não aceitaria?

Fujimori, na sequência de Menem

O peruano com dupla nacionalidade, conseguiu facilmente um mandato. Queria o terceiro, descobriram que havia roubado mais do que o “compreensível”, fugiu para o Japão. Mas querendo o Poder a qualquer custo, voltou, foi preso, ficará o resto da vida na cadeia.

FHC, o desconstitucionalista

Jamais acreditou que chegaria a presidente. Não foi preso, cassado, perseguido ou incomodado, teve o aval dos ditadores para se candidatar em 1978, em plena fúria da crueldade. Mesmo assim ficou só como suplente, já era alguma coisa.

A reeeleição que
ninguém tentara antes

O primeiro a recusar a reeeleição, foi Prudente de Moraes, o consolidador da República. Não aceitou de jeito nenhum. O primeiro a pretendê-la, foi Campos Salles, ninguém aceitava seu nome, por causa do vergonhoso acordo quer assinou em Londres, “RENEGOCIANDO” a “dívida”. Em 1900. FHC cometeu crimes piores, 95 anos depois.

Nem JK ou Jânio
pensaram na reeleição

Juscelino cumpriu 5 anos tumultuados. Eleito apenas por 36 por cento dos brasileiros, mudou para pior o futuro do país, “plantando” para todo o sempre a catástrofe da nova capital, dando outra dimensão à corrupção bem distante e quase invisível.

Jânio, o trêfego peralta

Nem pensou em reeleição, em cumprir os 5 anos do mandato e tentar outro. Lançou movimento diferente: explorar a popularidade e a vitória folgada para “voltar nos braços do povo”. Foi derrotado precisamente por causa de Brasília, que desestruturada, não permitiu que os generais se entendessem.

Brizola, governador no Rio Grande do Sul, atraiu o comandante do III Exército, general Machado Lopes, os generais tiveram que aceitar o parlamentarismo. E “plantavam” a semente de 1964, que começava em 6 de janeiro de 1963, quando o parlamentarismo foi derrubado.

A morte de Tancredo, o impeachment de
Collor, permitiram a chegada de FHC

Ninguém acreditava, nem ele. De tal modo, que em 1993, tendo que enfrentar Lula em 1994, e “sabendo” que perderia, FHC reduziria o mandato presidencial de 5 para 4 anos. Ganhou (?), achou pouco, ficou mais 4 anos, queria outros 4, deveria ter o destino de Menem. FHC foi o pior presidente da história, seu governo foi o RETROCESSO DE 80 ANOS EM 8.

No exterior, Chávez, Uribe,
e todos os outros que querem

Chávez (e sua “revolução bolivariana”), foi o mais audacioso e o que mais imediatamente compreendeu, que é fácil se aproveitar do Poder e explorar o povo. Em vez de uma reeeleição, jogou tudo na “eternidade”, lançando o MANDATO ININTERRUPTO até 2030. Vai indo bem.

Na Colômbia, quase subterraneamente, Uribe ganhou o direito de se reeeleger e a reeeleição propriamente dita. Correa, do Equador, foi na mesma balada, todos tentarão mais um mandato, terminado esse. Menem, Fujimori e FHC perderam o terceiro porque ainda não surgira a Era Chávez.

Terminemos por hoje, aqui no Brasil. Escondido pelo biombo da inexistente Dona Dilma, Luiz Inácio Lula da Silva, nem pensa em se despedir do mandato. Falta praticamente 1 ano, ele descobriu (ou inventou) a pólvora: a força do exterior se reflete e se projeta de maneira quase incontrolável no interior. Por isso, diariamente acorda mais cedo para viajar.

Ao mesmo tempo em que finge fazer campanha para a sua “candidata”, vai monitorando e mobilizando a sua própria permanência. Já teve três hipóteses ou opções, agora se concentra apenas em uma, não há duvida, a mais suculenta e abrangente.

Seria a prorrogação de todos os mandatos no Executivo, Legislativo e Judiciário, até 2012. Aí então, todos “limpariam a pedra”, e poderiam disputar mandatos mesmo já exercidos. Só que a partir daí não haveria mais REEELEIÇÃO para ninguém.

Aguardem. Com essa fórmula, Lula ganharia mais 2 anos até 2012 e mais 5 até 2017. (São os cálculos). Deixaria o Poder com 72 anos, seria o patriarca do nordeste paulista.

Tomem nota e não esqueçam: tudo estará resolvido até 31 de março (ou 2 ou 3 dias depois) com a desincompatibilização. Lula não precisa sair. Se sua jogada der certo, ficará no Poder como candidato. Se não der, ficará também, como alavanca e ponto de apoio, mas de quem?

* * *

PS- E não desgrudem das palavras e das ações de José Serra. A propaganda eleitoral do PSDB, com ele e Aécio se elogiando aleatoriamente, pode não ser por acaso. Se ele deixar o governo, é que o plano de Lula não deu certo.

PS2- Se ficar no governo, é que disputará novo mandato em São Paulo, até 2015. E em 2017, com 75 anos, tentará a conquista do Planalto-Alvorada. Mocíssimo.

PS3- Para quem disse, “em 2002, com 60 anos, é a minha vez”, a certeza de que política e eleitoralmente, o tempo pode ser vencido. Serra então com 75 anos e Lula com 72, serão companheiros, comensais, confraternos e coadjuvantes. E pensando no futuro, juntos e sem divergências.

Lembrai-vos de Ademar de Barros

Carlos Chagas

Serve para melar um pouquinho mais o quadro sucessório paulista o  anúncio feito segunda-feira por  Eduardo Suplicy, de que disputará no PT a indicação para concorrer ao governo do estado. Condições não lhe faltam: é senador de 6 milhões de votos e deixará qualquer companheiro para trás, seja Antônio Palocci, seja sua ex-mulher,  Marta Suplicy.  A pimenta que tornará ainda mais indigesta a disputa pelo palácio dos Bandeirantes refere-se à primeira conseqüência da decisão de Eduardo, que será o afastamento da já combalida candidatura de Ciro Gomes, desejada pelo presidente Lula mas rejeitada pela maioria do PT.

Mesmo sem dominar a cúpula do partido, o senador levará o resultado para as bases, que mais se aproximam dele. E deixará em sinuca o outro lado, ainda indeciso entre Geraldo Alckmin e Aluísio Nunes Ferreira.

Por mais estranho que pareça, a pulverização  do eleitorado favorecerá Paulo Maluf, valendo lembrar paralelo igual verificado nos idos de 1962, quando depois de duas vezes derrotado para a presidência da República  e duas para o governo de São Paulo, desgastado e ridicularizado, Ademar de Barros despontou como vencedor.

Os reflexos dessa situação inusitada se farão sentir na sucessão presidencial a ser disputada no mesmo dia. José Serra arriscaria o Planalto sem a garantia de  uma retaguarda imprescindível em São Paulo ou optaria por uma reeleição tranqüila? Suplicy se esforçaria por tornar Dilma Rousseff vitoriosa entre os paulistas? E Maluf, serviria de fiel da balança, podendo inclinar-se para os tucanos ou para os companheiros?

Confusão  nas Gerais

Em Minas não é menos complicada a armação sucessória. O PT oscila entre Patrus e Pimentel enquanto o governador Aécio   Neves, da mesma forma como José Serra, para chegar ao Planalto necessita  sedimentar a retaguarda com seu candidato, o vice-governador Anastásia. No PMDB, o ministro Hélio Costa reage à possibilidade de apoiar o candidato do PT, qualquer que seja, batendo de frente com o ex-governador Newton Cardoso.

O presidente Lula hesita em definir-se, irritando  o PT mineiro, de um lado, e de outro  fornecendo motivos para o PMDB nacional fazer caretas na hora de oferecer o companheiro de chapa de Dilma Rousseff.  Com as dificuldades que agora cercam Michel Temer, até que Helio Costa preencheria a vaga, mas sua disposição é de não recuar na pretensão de ocupar o palácio da Liberdade, com base no mote popular de que melhor ter um pássaro na mão do que dois voando. Para complicar, Aécio Neves não sabe o que fazer com Itamar Franco, a quem já prometeu uma das candidaturas ao Senado, capaz de ser a sua própria, caso malogrem seus sonhos presidenciais.

Lobão no páreo

Senão com  um suspiro de alívio, pelo menos aproveitando razoável   moratória encontram-se o presidente Lula e a candidata Dilma Rousseff, depois que ventos de tempestade começaram a soprar sobre Michel Temer. Chegaram a engolir em seco quando parecia provável a indicação do presidente da Câmara, mas precisariam aceitá-la.   O Lula  não gosta dele, para Dilma tanto faz  a certidão de batismo de seu vice. Tornando-se mais difícil a indicação do presidente licenciado do PMDB para companheiro de chapa da ministra, outros nomes começam a ser especulados. Helio Costa não quer, Nelson Jobim é cristão-novo, Geddel Vieira Lima fixou-se na Bahia. Sendo assim, desponta o nome do ministro Edison Lobão, com a vantagem de ser do Nordeste e tido pelo presidente da República como grata surpresa no comando do ministério das Minas e Energia.

Panorama visto da ponte

Eram quinze, hoje são dezoito os diretórios estaduais do PMDB que endossam a proposta de um candidato próprio do partido à presidência da República. Com cautela, o governador Roberto Requião continua trabalhando as bases peemedebistas, fiado na evidência de que em maioria  elas rejeitam o acordo celebrado pela direção nacional, de apoio a Dilma Rousseff.

Requião não faz críticas à candidata do PT, muito pelo contrário, transitando numa avenida de duas mãos. Caso a convenção nacional do PMDB venha a optar pela aliança com a candidata do governo, poderá apoiá-la.  Mas se por hipótese Dilma não decolar, com quem ficaria o presidente Lula? Serra, Aécio, Marina,  Ciro e Heloísa não são hipóteses plausíveis.  Vai daí que…

Cony e Collor

Estava viajando mas nada impede que destaque o artigo de Carlos Heitor Cony, manifestando a confiança no espírito público, na integridade pessoal, na isenção, na inteligência, no amadurecimento e no patriotismo do ex-presidente e agora senador Fernando Collor. Cony compara, “sem radicalismo, nem para o bem nem para o mal”, o antigo Collor, jovem, dado a rompantes, com 40 anos de idade, que pretendia resolver os graves problemas brasileiros do dia para a noite. E o pior: sem praticamente nenhuma sustentação política no Congresso, com o dr. Jekill e mister Hyde, que se misturavam num só para praticar sandices e horrores. Cony se mostra aliviado e contente, como milhões de brasileiros que sempre confiaram nele, que o agora sessentão Fernando Collor mudou para melhor. É homem mais centrado, sem contudo perder sua vigorosa personalidade e que, portanto, frisa Cony, “ainda tem muito a oferecer ao Brasil e aos brasileiros”. Abro novas aspas para o atilado Cony:”Pouco a pouco, a estranheza que provocara entre seus pares, obrigados a conviver com um réprobo, vai se diluindo diante da evidência de sua capacidade de trabalho e sua correção para com os assuntos importantes.” Por fim, a meu ver, digo ao acadêmico e veterano jornalista Cony, que Mister Hyde foram os calhordas, covardes, oportunistas e hipócritas que arrancaram Collor da Presidência da República. No pouco tempo no cargo, Collor tirou o Brasil das amarras do atraso e da servidão. As pessoas inteligentes, sem amarguras no coração, como Carlos Heitor Cony, acabam gostando de Collor e fazem questão de reconhecer e proclamar suas virtudes de cidadão e homem público.

Vicente Limongi Netto
Brasília – DF

Copenhague, hoje, capital da desesperança

Estão quase 200 países reunidos lá. Para quê? Para nada. Como vão discutir metas para 2020 e 2030, não demora muito e todos esquecerão.

E as duas potências que mais contaminam o ambiente, EUA e China, esqueceram das divergências e se juntaram para enganar o mundo. Inicialmente estavam abertamente contra a redução do carbono.

Pressionados por todos os lados, recuaram, “assumiram compromissos”, mas quem acredita nessas potências? Diga-se a bem da verdade que a pressão positiva partiu do Brasil e do presidente Lula.

Pão de Açúcar-Casas Bahia

Inesperadamente surge a idéia: a “compra”, (as aspas pela divulgação de que não houve dinheiro), a menor incorporou a maior. Quem saiu ganhando, quem saiu perdendo?

Quanto mais se concentram (monopólio) os vendedores, mais o público consumidor fica desarvorado e sem defesa.

Por que as Casas Bahia venderiam “sem dinheiro” para o Pão de Açúcar, quanto mais concentrado, melhor. Agora que se discute muito a importância da publicidade, se confirma o slogan do Pão de Açúcar: “Lugar de gente feliz”. Acertaram.

Há mais de 50 anos, quando o “maluco genial”, Howard Hughes, comprou a TWA pagando 770 milhões de dólares, o mundo empresarial e não empresarial, ficou assombrado: 770 milhões.

Depois veio a Era do BILHÃO, depois a do TRILHÃO. Agora Abílio Diniz “inventa” a compra sem dinheiro, e fica com 51 por cento do concorrente.

Painel e panetone

No primeiro escândalo, Arruda se salvou, por causa do discurso e de ter chorado, mas também por outro fator importantíssimo: o senado tinha medo de ACM-Corleone. Roberto Arruda era quase 10 anos mais moço, fez campanha de recuperação a partir das cidades satélites e da promessa de concessão de terras.

Arruda-Roriz-Paulo Otávio

Teve tanto “sucesso na campanha”, que Paulo Otávio, que já era candidato muito antes, mandou fazer pesquisa, viu que não ganhava de Arruda, concordou em ser vice dele, com a “promessa” de sucedê-lo.

O filósofo multibilionário

Riquíssimo, dono de tudo em Brasília, Paulo Otávio seguiu o conselho recomendação do filósofo: “Se não puder vencer o adversário, junte-se a ele”. Só que nas irregularidades, Paulo Otávio não deveria seguir Arruda.

Haraquiri imprudente

Não disputar com Arruda, foi medida prudente. Mas segui-lo na profusão de dinheiro “captado e capturado” de todas as formas, total imprudência e imprevisão. Se tivesse ficado de longe (não precisa de dinheiro para nada) seria governador certo.

O tamanho da corrupção

Os que sabem das coisas, têm certeza: os números da “arrudice” são tão pequenos (os publicados), que provocam gargalhadas. Só que todos se assustam com a palavra que Arruda manejou com sabedoria: r-a-d-i-c-a-l-i-z-a-ç-ã-o. O ainda governador é um arquivo de tamanho grande que impõe silêncio e impede qualquer ousadia.

Quem tem medo de Romeu Tuma?

O nome dele foi jogado na “fogueira”, deliberadamente. Primeiro trouxeram Temer, Eduardo Cunha, Henrique Eduardo Alves, e mais alguns do PMDB, com passado abaixo de qualquer suspeita. E não apenas pela corrupção do dinheiro. Existem outras formas de comprometer as Instituições, sem envolvimento de dinheiro. E esses são mestres, nisso, não sei porque “protegeram” Quércia.

Medo e não repercussão

Tuma é um vespeiro vivo, por causa disso colocar o seu nome em acusações, foi uma tentativa de tumultuar as coisas. Só que perto de Tuma (e do seu fabuloso arquivo), Arruda é um ingênuo, sem lenço nem documento.

Até a mídia se apavorou

Não tenho a menor idéia de quem se lembrou do ex-diretor do Dops de SP, de tantos serviços à ditadura. Mas como a mídia, (jornais, revistas, rádios e televisões) também serviu abertamente ao regime autoritário, mercenário e truculento, silenciaram.

Arruda mais “desafogado”

Desde sexta-feira, a situação do governador melhorou dentro do partido. Não será mais expulso. A melhor prova disso: foram buscar para “denunciar” Arruda, um ex-deputado que é EX, não por vontade própria mas por execução eleitoral.

Mas não se reabilitará como
aconteceu na violação do painel

Não sendo expulso, Arruda pode até continuar no governo. Mas será um velório a longo prazo, (nem tão longo, apenas 1 ano) a ressurreição não acontecerá. A primeira vez, digamos “infelicidade”. Agora, com a corrupção aberta e escancarada, Arruda é um painel aberto.

Ninguém se jogará contra Tuma, mas não darão outra oportunidade a Arruda. Este, saído da cumplicidade Roriz, não poderá voltar. Até porque, Roriz, que renunciou ao mandato inteiro no senado, quer a segunda chance. Roriz pretende dizer a Arruda, “eu sou você, amanhã”.

A salvação (?) do DEM

A cúpula do partido considera que a grande aposta é manter Paulo Otávio no jogo. Com ele assumindo, ganharia a reeeleição de 2010, quando tudo acontecerá. Mas para se salvar, salvando Paulo Otávio, o DEM precisa mudar de estratégia, expulsando Arruda. O melhor mesmo seria o impeachment. Mas como conseguir isso com deputados que têm medo de votar a PRÓPRIA CASSAÇÃO?

O segundo tempo começa hoje

Haja o que houver, os sinos estão dobrando, Arruda não sabe, mas os sinos dobram por ele. Agora, Arruda não pode nem chorar. Na vida pública e para salvação da imagem, só se pode chorar uma vez.

A primeira, até emociona, a segunda provoca ridículo e compaixão. E estas palavras soterram (como dizem os empreiteiros que têm negócios com governos) qualquer reputação. E a de Arruda já está derrubada há muito tempo.

Flamengo, tua gloria é lutar, Marcio Braga não vai voltar, 76 anos sem nunca trabalhar, 333 milhões, quem vai pagar?

Antigamente, numa época em que a política era mais risonha e franca (e menos corrupta), se dizia com insistência: “Os comunistas só se unem na prisão”. O Grêmio e o Internacional não se entendem nem mesmo em liberdade ou na luta pela liberdade de ganhar ou perder.

Transferem para fora do campo a paixão que sacrifica a ética, que deveria ficar apenas dentro dele, quando se enfrentam e até contaminando a atuação que pode favorecer adversários.

Essa paixão que pode ser aceita até mesmo como tresloucada, não resiste à indignidade de entregar um jogo. Prejudicar um rival mesmo comprometendo a sua história., pode ser defensável? Em vez de paixão, se parece, se compromete e aparece como visível traição.

Vou vendo o jogo, escrevendo, refletindo, e transferindo o que acontece. Me surpreendo com o Flamengo jogando parado, 4 minutos e a bola não sai da área do time. Por que esse ritmo? Falta agitação, falta cadência, falta o vigor que o time ganhou a partir de determinado momento.

O Grêmio vai dominando o jogo, ao mesmo tempo dissipando e destruindo o que se falou durante toda a semana: que entregaria o jogo. E se alguém tivesse dúvida, o gol do Grêmio fortaleceu a tese da crença na humanidade. 1 a 0 contra o Flamengo, o Maracanã estremecendo não pelo excesso mas pela angústia dos quase 90 mil torcedores, sofriam tremendamente. Dentro do campo, os jogadores passavam o mesmo sentimento.

No segundo tempo, embora não fosse o mesmo Flamengo que veio com o surgimento e o fortalecimento do Andrade, era outro time, com outra meta a obter.

Consequência natural da conversa do Andrade, com a competência habitual, e a mesma humildade não subserviência que é a sua marca mais poderosa.

Apesar de tudo, o Flamengo jogava mal. O gol do Grêmio, foi marcado diante de 5 jogadores que assistiam, deixando a todos perplexos. Já no segundo tempo, o goleiro do Grêmio passou a ser um dos melhores em campo, méritos para ele e para o Grêmio, embora este não seja o Grêmio de outras épocas.

O segundo gol veio na hora certa, mas ficou nisso? Por quê? O que faltou? Essa vitória com um gol apenas de diferença, era o que se esperava? Foi o pior jogo do Flamengo depois de Andrade, excluindo naturalmente a derrota para o Barueri, que parecia o fim de tudo.

Infelizmente, os que se destacaram e colocaram o Flamengo no apogeu e permitiram a vitória e sustentaram o título de campeão, ontem ficaram até bem longe. Mas isso não significa que o grito de campeão tenha sido injusto ou imerecido. Na verdade a justiça e o merecimento, hoje moram na Gávea. Que também hoje, terão mais satisfação: retirar Marcio Braga da circulação. E fico satisfeito com as 4 afirmações do título destas notas, escritas antes do jogo começar.

Três satisfações extra-jogo-do-Flamengo. 1- O Botafogo não ter sido rebaixado. 2- O Fluminense ter construído uma trajetória que não parecia, era IMPOSSÍVEL. A palavra não pode ser usada? Pode sim. Eu mesmo, na 18º rodada, escrevi: “O Fluminense está rebaixado”. 20 rodadas depois, na 38ª, (a última), o Fluminense se classificou com um empate contra o Coritiba.

Errei?

3- Satisfação com o fato do Palmeiras, tido e havido desde o início como supercampeão, só porque tinha um treinador de 700 mil por mês, não se classificar nem mesmo para a Libertadores.

* * *

PS- Muitos me “acusavam” e me “acusam” de flamenguista. Sou sócio proprietário do Flamengo há mais de 50 anos, remido, não pago mais nada. Não me lembro de um presidente que eu tenha apoiado, embora tenha votado em muitos que se elegeram.

PS2- Flamengo é campeão? É uma satisfação, mas não total. O que eu saúdo nesse título é por causa do Andrade, o primeiro treinador negro a ganhar um título como esse. A “elite” ambiciosa do Flamengo tem que cumprimentar e aplaudir a humildade digna e vitoriosa do Andrade.

PS3- O que me agrada no grito de campeão, é permitir que o Adriano chore em campo e na entrevista coletiva, numa grandeza que não pode ser negada. Os que não entenderam que o Adriano saísse de Roma para vir morar numa favela, precisam reinventar a roda.

Nada é simples na vida, nada pode ser entendido, e principalmente negado, sem reflexão profunda. E olhem que o Adriano me frustrou, eu queria vê-lo artilheiro, sozinho. E podia ter sido, faltou sorte.

PS4- Petkovic, numa outra linha, aplausos mais do que merecidos. Aos 37 anos, reviveu, a sua alegria, emocionante. E ele sabia sempre a hora de fazer sinal para o Andrade, pedindo para sair. Petkovic jogava com a certidão de idade na mão e na cabeça.

PS5- Bruno, Angelin, (e o milagroso gol da vitória) e todos os jogadores. E para terminar: se o Flamengo não tivesse feito o segundo gol, ficaria satisfeito com o título indo para o Internacional. Por causa do meu amigo Mário Sérgio Pontes de Paiva, jogador extraordinário, comentarista que sabe o que diz, treinador competente e dirigente de clube, no próprio Grêmio.

Nova proposta para a reforma política

Carlos Chagas

Tempo houve. Vontade, não. Sendo assim, mais um ano se encerra sem  a aprovação da reforma política. Fala-se dela através das gerações. Todos concordam com sua necessidade, dos sucessivos governos às diversas composições do Congresso. O problema é que cada um deseja reformar os outros, mantendo-se imune a modificações capazes de prejudicar seus interesses.

Mais uma proposta emerge desse pantanal de  frustrações: o senador Heráclito Fortes, do DEM do Piauí, sugere que o atual Congresso, em final de mandato, vote ano que vem  um roteiro simples, determinando que o futuro Congresso a empossar-se em fevereiro  de 2011 discuta e aprove no prazo de um ano as reformas necessárias. O processo correria em separado, primeiro na Câmara, depois no Senado, evitando-se a apreciação conjunta que favoreceria os 513 deputados federais, em detrimento dos 81 senadores.  Seria mantido o princípio federativo.

O ponto de partida da votação se resumiria às dezenas de projetos que dormem nas gavetas parlamentares, que uma comissão especial sistematizaria. Sendo aprovadas no primeiro ano de mandato dos novos deputados e senadores, as regras ensejariam tempo a que todos se adaptassem, pois só valeriam de 2014 em diante.

Limitação do número de partidos, financiamento público das campanhas, propaganda e fidelidade partidária, proibição de condenados criminalmente em primeira instância se candidatarem, votação em listas partidárias para a Câmara dos Deputados, perda de mandato para os que assumissem  ministérios, funcionamento do Congresso de segunda a sábado  e até  discussões sobre sistema de governo – tudo se debateria e aprovaria no primeiro ano da nova Legislatura.

A idéia é  boa, mas, com todo o respeito ao senador Heráclito Fortes, a gente deve repetir a pergunta feita pelo Garrincha ao treinador Vicente Feola, nos idos da Copa do Mundo de 1958: “o senhor já combinou com os russos?”

Decisão explosiva

Tudo indica que o DEM, esta semana, expulsará de seus quadros  o governador José Roberto Arruda.  A decisão parece cristalizada na indignação da maioria das bancadas do partido,  diante da lambança no governo do Distrito Federal, revelada nos últimos dias.

A grande questão é se os chamados democratas estão preparados para as conseqüências, se Arruda decidir mesmo cumprir a promessa de jogar barro  no ventilador.  As suposições são de que tenha ajudado muitos companheiros federais com as benesses distritais.  Das lícitas às ilícitas, muitos são  seus devedores.

Caso expulso, o governador nada terá a perder, pelo simples fato de haver perdido tudo. Sem legenda, não poderá candidatar-se à reeleição ou a qualquer outro mandato, sequer de deputado federal, onde buscaria blindar-se das investigações em curso  na Justiça. Por que pouparia seus algozes, alguns, quem sabe, envolvidos como ele na trama que acaba de abalar Brasília?

Bom senso

Uma palavra de bom senso teve a candidata Dilma Rousseff ao  opinar sobre a crise em Honduras. Ainda que em caráter pessoal, afirmou dever o Brasil aceitar as eleições e seus resultados, naquele país, encerrando a trapalhada em que  nos metemos ao defender Miguel  Zelaya além dos limites da prudência. Permanecer sustentando o ex-presidente e nosso incômodo hóspede equivalerá a enxugar gelo ou ensacar fumaça.

Ignora-se a existência de uma combinação entre Dilma e o presidente Lula para o encontro dessa saída, durante a prolongada permanência dos dois  no exterior, mas parece o  mais provável. Não é a primeira vez que o Itamaraty põe o presidente numa gelada.

Não pode nem pensar

Implodiria seu futuro o  simples pensamento do governador Aécio Neves, agora,  na hipótese de tornar-se companheiro de chapa de José Serra na corrida sucessória. Perderia não só as condições de continuar pleiteando a indicação presidencial no ninho tucano como se desgastaria para outros lances, como o de eleger seu sucessor no palácio da Liberdade. Nem pensar, então.

Só que por enquanto. Mais tarde, decidida a apresentação do governador de São Paulo, outro cenário estará aberto. Com a débâcle do DEM e de seu hoje inviável  candidato a vice, o governador José Roberto Arruda, cresce no PSDB o raciocínio de que se for para ganhar a eleição,  nada  melhor  do que dobradinha Serra-Aécio.

Tancredo Neves alertava para o fato de que saber administrar o tempo devia ser a principal característica dos políticos. É o que o  neto deve estar fazendo.

Brasil-Portugal, França-México, Argentina-Grécia, Itália-Paraguai, Inglaterra-Argélia, Alemanha-Sérvia, Holanda-Camarões, Espanha-Chile, passarão ao definitivo MATA-MATA

Foi o sorteio mais camarada, mais satisfatório e de acordo com os sonhos dos favoritos. Os 7 campeões do Mundo “acertaram” com os adversários que desejavam e principalmente com a movimentação (geograficamente mínima) pelas sedes.

França-México

Dos que já ganharam títulos, só o Uruguai, em plena decadência, será eliminado na primeira fase. Também, foi o único campeão que teve outro campeão do lado. E disputará com o México que já sediou duas vezes, e vem melhorando sistematicamente. Além do dono da casa, que não tem a menor chance, mas logo no segundo jogo pode endurecer com o Uruguai, ganhador do primeiro título em 1930, e o segundo em 1950, no Brasil, contra o anfitrião e 200 mil torcedores chorando e silenciosos.

França e México estarão nas oitavas. É a esperança de pelo menos 24 países que não esperam mais do que isso.

Brasil-Portugal

Serão os representantes do Grupo G. Portugal fez um péssimo inicio de classificação, precisava vencer todos os jogos para chegar à repescagem, ganhou. Nessa repescagem foi tão favorecido que houve até insinuações. Portugal será segundo, enfrentará o Brasil já com os dois classificados.

Muitos lembram do jogo Brasil-Portugal, em 1966, a primeira e única vez que o Brasil “parou” na chave. O Brasil era a reminiscência, que palavra, de 1958 e 1962. E Portugal tinha a sua melhor seleção em toda a história. Perdiam para a Coréia do Norte por 3 a 0, Eusébio fez 4 gols seguidos, venceram por 5 a 3.

Argentina-Grécia

A chave favorece de tal maneira a Argentina, que nem precisavam jogar. E o segundo colocado será a Grécia (que ganhou a Copa de Seleções da Europa, vencendo Portugal em casa), que com muitas surpresas, poderia (mas não pode) perder a vaga para Nigéria ou Coréia do Sul.

A Argentina sofreu nas eliminatórias, mas nessa chave não há sofrimento possível. A partir daí, a Argentina estará sempre a perigo, como aconteceu sempre. Com exceção de 1978 em casa, quando os generais da ditadura (todos punidos) ganharam no vestiário. E em 1986, quando Maradona ganhou sozinho.

Inglaterra-Argélia

É a chave mais fraca do princípio ao fim. Até a Inglaterra é discutível. Só ganhou um título, em 1966, em casa, com um gol que é discutido até hoje. Mas os outros são tão fracos que não eliminarão os ingleses. O segundo colocado deve ser a Argélia, que decide seu destino, não contra a Inglaterra e sim conta os EUA no último jogo. Mostrarão realmente quem continuará.

Alemanha-Sérvia

Excetuada as duas Grandes Guerras, a Alemanha é sempre favorita. E essa chave foi feita para ela. Não pode perder para Gana ou Sérvia. Austrália nem se fala, classificada por ter mudado de continente. Logo no primeiro jogo, Gana e Sérvia decidirão quem faz companhia à Alemanha. A africana deve ficar ali mesmo na casa da anfitriã, também africana.

Holanda-Camarões

A grande sensação das eliminatórias da Europa, não perdeu nenhum jogo, estaria classificada em qualquer chave. E nessa então nem se discute. Camarões vem com toda força e prestígio, deve vencer a Dinamarca no segundo jogo e ir em frente.

Itália-Paraguai

Outro grupo camaradíssimo. Não só a Itália também para o Paraguai. E mais uma chave sem qualquer surpresa possível. O Paraguai foi o segundo da América do Sul, nunca esteve a perigo.

E a Itália é a Itália, pode não ser campeã, mas estará no mata-mata, pelo menos inicial. O primeiro jogo, logo entre os dois favoritos, dando esperança aos outros. Mas essa esperança não sobreviverá.

Espanha-Chile

Outra chave “repetição”, sem emoção ou qualquer dúvida. A Espanha que jamais ganhou um título, nem mesmo em casa (1982), agora vem fortíssima, como demonstrou nas eliminatórias. Não perde para a Suíça, e contra Honduras só se o golpista Zelaya entrasse em campo.

No último jogo, quando se enfrentarão, Espanha e Chile já estarão tranquilos e classificados. O Brasil pode enfrentar a Espanha no primeiro jogo do mata-mata, visivelmente quer fugir desse encontro.

Pode parecer análise arriscada, mas a sedução e a obrigação jornalística são maiores do que os riscos. Dificilmente errarei nos 8 cabeças de chave. Nos 8 segundos pode haver ligeira e improvável alteração.

* * *

PS- Abandonando as Copas de 30 e 34, (não deve haver ninguém mais vivo e eram apenas 8 convidados e mais nada) ficamos com 15 Copas, das quais o Brasil ganhou A-P-E-N-A-S 5. Deveria ter ganho mais 6: 1950, 1974, 1978 (a ditadura daqui perdeu para a ditadura de lá), 1982 (injustiça de Deus), 1986 (com o mais empolgante jogo de todas as Copas, Brasil-França), 1998 (a Copa das convulsões).

PS2- Faltou a coragem e a consciência do risco da análise jornalística. Não tenho a menor dúvida de que o que analisei, acontecerá. Só não sei quem continuará a partir das oitavas ou quem será campeão. Esta Copa tem candidatos tão frágeis quanto a de 1994, decidida nos pênaltis.

Governo mantém reforma laboral sob nebulosa

Roberto Monteiro Pinho

Em maio deste ano o presidente da Organização Internacional do Trabalho, Juan Somavía, informou que o ano de 2009 deve terminar com 239 milhões de desempregados ao redor do mundo, os números tiveram como suporte as informações do Fundo Monetário Nacional (FMI), sobre a recessão econômica. Segundo o relatório da OIT, os países desenvolvidos, nos quais começou a atual crise financeira e econômica, serão os que mais demitirão. É “provável” até que a região concentre “de 35% a 40% do aumento total do desemprego em nível global, apesar de constituir menos de 16% da força total de trabalho no mundo”. Já na América Latina, onde a taxa de desemprego em 2007 foi de 7,1% e a de 2009 deverá oscilar entre 8,4% e 9,2%, “houve uma capacidade de resistência”, segundo Somavía.

Neste mesmo semestre a ONU emitiu um relatório anunciando que em 2009 o mundo vai ter mais de 1 bilhão de indivíduos desnutridos, (quase a população da China), com um aumento na ordem de 100 milhões somente neste ano, e segundo a Organização a crise mundial foi a responsável pelo agravamento desta situação. A Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação – FAO, emite anualmente um relatório sobre a segurança alimentar no planeta, e ela adverte as nações que pela primeira vez em toda a história da humanidade a barreira de 1 bilhão de seres humanos sofrendo de desnutrição alimentar será superada, um marco que não deve ser comemorado, ao contrário, exige medidas sérias, urgentes e efetivas. O aumento do número de desnutridos somente em 2009 deve ser na ordem de 11%, o que significa 1,02 bilhões de pessoas com fome no mundo.

E o que tem ver essas informações com o trabalhismo no Brasil?, muito, este é o maior fenômeno capaz de diminuir a fome no mundo e por conseqüência no Brasil, através do emprego formal, mas para isso é preciso incentivar a produção, e para poder produzir tem que existir consumo, este tripé, consumo/produção/trabalho, não pode andar separados sob risco de mergulhar o Estado na pobreza, em suma uma classe produtora (empresários), necessita da mão-de-obra para produzir riqueza, e por conseqüência, traz o consumo que diminui a pobreza no país. Mas o que está ocorrendo com o trabalhismo no Brasil? O estado intervencionista não consegue dar ao trabalhismo a liberdade que ele necessita para a livre negociação do capital/trabalho? O que temem as autoridades, os legisladores, os magistrados trabalhistas e o governo executivo? Entendo com toda máxima vênia, que estamos diante de um quadro totalitário de judiciário estatal que sob a égide do protecionismo ao hipossuficiente, concede excessiva liberdade para o julgador estatal. A reforma trabalhista não anda propositalmente, existe uma nebulosa envolvendo seu desenvolvimento e conclusão.

O Well Fare State é o sistema adotado mundialmente e que tem vigência sobre todas as nações, como raras exceções. Tendo como premissa o bem comum, segundo seus artífices, “o fato de o Estado atuar na vida íntima das pessoas não é um problema, é uma necessidade. Para que se proteja o meu bem e o seu, deve se fazer presente a figura do Estado como gestor das relações sociais. Caso não houvesse essa proteção, estaríamos fadados ao estado de natureza, onde o homem é o lobo do próprio homem. É assegurado para todos a intimidade e a vida privada. Esta é a regra. Como exceção, ao Estado é dada a função de intervir neste direito quando houver a subversão na utilização desta garantia à liberdade individual. Este mesmo Estado que detém esta prerrogativa, nos concede por igual via a proteção contra o abuso em seu exercício. Não se extrapola a vida privada sem hipótese contemplada em lei. Assim sendo, todo ato que vier a ferir a privacidade, a propriedade ou outro direito inerente ao cidadão somente será legítimo se emanado de autoridade competente e com previsão expressa em lei”.

Vale alertar que existe uma onda mundial de regressão do trabalho, até mesmo em países capitalistas desenvolvidos, onde impera o chamado Estado de Bem-Estar Social, a avalanche neoliberal causa estragos. Os EUA, por exemplo, é a pátria da desregulamentação, o trabalhador não tem qualquer garantia (em relação ao concedido a brasileiro) e vegeta numa situação de tensa instabilidade, tão bem descrita no livro A Corrosão do caráter, de Richard Sennett. Já na Europa, berço do Welfare State, também cresceu a investida para golpear os direitos. Trata-se de uma ação, inclusive, articulada e coordenada pelos organismos mundiais do capital, como o FMI, OMC e Banco Mundial, tanto que o economista, José Pastore, (liberal) maestro da Fiesp, prova num estudo recente que a flexibilização trabalhista é cláusula obrigatória nos acordos do FMI, embora não seja pública, é imposta nos bastidores das negociações. A reforma trabalhista no Brasil, “indispensável para elevar a produtividade”, tem as digitais do capitalismo e na recente revisão do acordo com este organismo, o governo Lula teve que suportar esta imposição, incorporando o modelo de reforma que abra espaço para negociações voluntárias e a implementação de “direitos parciais”, estendendo benefícios a quem não tem nada, sem que isso onere as empresas, tese de Pastore.

Falta 1 dia (amanhã) para o Flamengo ser campeão. Márcio Braga: “Não nasci com a bunda virada para a lua”

Já tem gente arreganhando os dentes, (desculpem pelo lugar comum) para faturar eleitoralmente 24 horas depois. O senhor Márcio Braga que está deixando para o novo presidente, uma dívida de 333 milhões, disse a frase que está lá em cima. E é mentirosa como tudo que vem dele.

Um homem que aos 76 anos jamais trabalhou na vida, como tenta dizer não nasceu com a “bunda virada para a lua?”. Aos 23 anos casou com uma sobrinha do presidente Juscelino, como presente de casamento ganhou um cartório.

(A forma mais medieval de arrecadação. Os governos criam obrigações que os cidadãos têm que cumprir, e as receitas vão para felizardos como esse senhor Márcio Braga, de 76 anos e “invicto” em matéria de trabalho).

Logo se comprovou que havia um impedimento para o gaiato do “sem trabalho” assumir a mina de ouro: ele não só não trabalhara como não estudara. Para receber a “dádiva preciosa”, precisava ser bacharel. Colocou então o cartório no nome de um amigo e se matriculou na Faculdade Fluminense.

Na época, ainda não haviam mudado a capital para Brasília (o grande crime que gerou quase todos os escândalos que têm a base a matriz lá na bela e despudorada nova capital). O Distrito Federal não tinha universidade como essa preferida por Márcio Braga. Era chamada de PP, “pagou, passou”.

Não exigia frequência, bastava mandar o cheque ou o dinheiro por portador. Por isso, há mais de 20 anos, desafio de forma ininterrupta, que o presidente mostre um só colega de turma. Impossível. Se ele não ia lá, como conhecer alguém? 3 anos depois ei-lo bacharel e mais tarde presidente do Flamengo, pela imprudência, incoerência e inconsistência dos eleitores do Flamengo.

(Espero que amanhã, os 6 mil sócios do Flamengo votem com mais conhecimento, e não se desinformem pelo que dizem. Zico não está apoiando o vice Dumbrowski e sim o seu filho. Zico está pedindo votos para Clóvis Sahione, pelo telefone e através dos irmãos).

Usando o prestígio da Nação Rubro-negra, Márcio Braga conseguiu ser nomeado Secretário Nacional de Esportes. Ficou um tempo, foi demitido e processado por irregularidades enormes. O processo prescreveu, ele conhece bons advogados. Depois, novo processo por dar surras na mulher. Como as mulheres sócias e os homens casados, poderão votar num homem como esse que trata as mulheres dessa maneira?

Ele não é candidato, o estatuto não permite. Mas já aparece como quem deflagrou, dentro de campo a recuperação do time. Reassumiu assim que o Flamengo começou a ganhar, chegando ao título amanhã. Talvez queira voltar à presidência dentro de 3 anos, quando estiver completando 80 anos.

* * *

PS- O Flamengo será campeão por méritos, credenciais e garra que revelou. Não precisa que o Grêmio entregue o jogo e considero que o time gaúcho não deve e não fará isso. Seria deturpar a relação de rivalidade com o Internacional.

PS2- Com todos os 80 mil ingressos vendidos com uma semana de antecedência, espero duas goleadas. Uma dentro de campo, pela maior margem possível. A outra, fora de campo, depois do jogo, homenageando o Grêmio, o Internacional e todos os outros. Com o aval e a compreensão de sua torcida, a sempre garantida Nação Rubro-negra.

Imagem posta em frangalhos

Carlos Chagas

O grande mal causado a Brasília pelo  governador José Roberto Arruda ultrapassa o roubo de dezenas de milhões de reais  aos cofres públicos. Transcende o descrédito das empresas privadas que prestam serviços ao estado. Vai além da quebra de confiança gerada em  partidários, amigos e familiares do governante.

Pior do que tudo está sendo o desmonte da imagem que a capital federal projetava no país.  Fala-se da verdadeira imagem, não daquela forjada por jornalões de São Paulo e do Rio, há décadas empenhados em denegrir a cidade  por conta da inveja e da frustração de suas elites, que  precisam vir aqui para decidir seus negócios e inteirar-se das grandes decisões nacionais.

Falamos  da verdadeira imagem de Brasília, agora posta em frangalhos. Porque sempre que algum pateta chamava a capital federal de “ilha da fantasia”, de “paraíso dos ratos” e sucedâneos,  podíamos responder que os ratos não eram daqui. A maioria chegava às terças-feiras e ia embora às quintas, para seus estados. Traziam a corrupção e os maus costumes, ao tempo em que em Brasília  se trabalhava. A representação política local não atrapalhava, tanto por ser mínima e desimportante quanto porque parecia imune às lambanças trazidas de fora.

Agora, não é mais. A situação mudou. Arruda promoveu a mudança, claro que acompanhado.  Mobilizou bem mais do que os quarenta ladrões, vestido não propriamente de Ali Babá, mas de Ali Babão.

Hoje, torna-se inutil defender  Brasília, coisa que talvez leve  outros cinquenta anos para tornar-se possível. Isso   caso os ladrões e os bandidos venham a ser postos para fora do poder público e das atividades econômicas. Eis o  maior mal praticado pelo infeliz governador: turvou  a imagem da capital federal.

Até o PMDB?

O mensalão era propriedade do PT. Descobriu-se depois pertencer  também do PSDB. Com a lambança divulgada agora, ganhou a adesão do DEM. Dos grandes, estava de fora o PMDB.

Pelo jeito, não está  mais.  Tomara sejam falsas e mentirosas as denúncias envolvendo grandes figuras da direção  do maior partido nacional. Pelas imagens e os diálogos  divulgados, o governador Arruda irrigava Michel Temer, Henrique Eduardo Alves, Tadeu Filipelli e outros,   com dinheiro sujo.

O ônus da prova cabe a quem alega, mas no caso dessa lambança de Brasília, seria bom que antes de mais nada  os acusados demonstrassem sua inocência.

Reflexos na sucessão

Quem ganha e quem perde, na sucessão,  com o escândalo de Brasília?

O DEM perde a chance de indicar o candidato à vice-presidência na chapa dos tucanos. O partido colabora, mesmo sem querer, para a cristalização inevitável, no momento certo, da formação da chapa pura Serra-Aécio. Estará condenado a algumas migalhas do poder, caso o PSDB chegue ao poder.

Quanto aos tucanos, não deixarão de perder pontos a partir da transformação do senador Eduardo Azeredo em réu perante o Supremo Tribunal Federal, precisamente por estar acusado de ligações com o mensalão.

Quanto ao PMDB, hoje mudando de pele, ganha  a candidatura de Roberto Requião, recém-lançada, pelo simples fato de representar o oposto do que representa a direção nacional do partido.

Dilma Rousseff, de seu turno, perde diante das dificuldades de dispor de  Michel Temer como seu companheiro de chapa.  Ganha, porém, por estar o mensalão do PT, senão esquecido, ao menos suplantado pelo mensalão do PSDB e do DEM.  Espalhou-se o virus antes privilégio dos companheiros.

O dono da ética

Repercute até hoje o desabafo do senador Petro Simon, da tribuna, lamentando haver perdido a esperança de ver o país no rumo da ética.  A sucessão de atos de corrupção ameaça tornar inviável qualquer refluxo, parecendo impossível a punição e sequer o afastamento dos corruptos. A imagem dos políticos torna-se a pior possível e a púnicva esperança ainda possivel seria a ira do povo.

Quem apoiou o senador gaúcho foi seu colega de Brasília, Cristóvam Buarque, também extremanente pessimista.    Para ele, os maus costumes transcendem dos políticos. Estão no Judiciário, no Executivo, nas empresas privadas, na administração pública, na mídia e em tudo o mais.

Começou a Copa do Mundo

Às 4 e meia, todos os países conheciam seus adversários. Por ter comparecido a 9 Copas (lógico, onde se realizavam) fui assistir, por simples curiosidade. Com duas observações. 1- É obrigatório o sorteio dirigido, mas há suspeitas ou sussurros, de que nos bastidores existem “sorteios”.

2- De qualquer maneira não altera nada. O país que tem pretensões a campeão, não pode escolher adversários. Todas as chaves são equilibradas ou desequilibradas, com duas seleções tidas como as mais fortes. Isso em cada chave. Como gostam de falar, a “chave da morte” é a da África do Sul. Terá que jogar mais do que sabe para seguir no mata-mata. (As oitavas).

O Brasil, sempre favorito, está num grupo camarada. Se não for em frente, como aconteceu uma única vez em 1966, na Inglaterra, é porque não merecia.

Para terminar, duas observações-revelações-lembranças. Em 1976, a África do Sul, dominada pela crueldade do Apartheid, procurou João Havelange, presidente da Fifa, e fez a declaração de guerra: “Não disputaremos a Copa Africana, não jogamos com negros”. Havelange respondeu: “Se não joga com negros também não joga com brancos”. E expulsou-a. Agora, 34 anos depois, a África do Sul, democratizada, realiza a Copa de 2010.

Uma das celebridades mais mostradas, foi o inglês David Beckham. Quase não comparecia por dois motivos. 1- Morreu seu avô. 2- Perdeu muito dinheiro “investido” em Dubai. Outros famosos também perderam.

Na Davis, o verdadeiro Nadal

Não estava firme no primeiro set, lutou até o 5 a 5. Quebrou Berduych, fez 6 a 5, fechou. No segundo, absoluto, o espanhol marcou 6/0.

Veio o terceiro, a expectativa era de recuperação, tem acontecido.

Mas Nadal continuava firme, ganhou o terceiro set, vibrava muito. Não sei se pelo fato de jogar bem, ou se comemorava a volta ao saibro.

Eram 3:40, o Brasil, do outro lado do mundo, conhecia seus adversários. Em 2006 teve que enfrentar a ele mesmo e ao exibicionismo de Parreira.

No DEM, Arruda conquista espaço

Infelizmente é isso. A situação começa a favorecer o governador corrupto. Pelo menos a tendência “é dar mais tempo para que possa se defender”. O que muitos garantem: “A palavra RADICALIZAR é muito forte, e seu primeiro sintoma é a perda de sono”. E pela quantidade cada vez maior de venda de “soníferos”, todos gostam de dormir bem. (Ou DEM).

A Assembléia não
votará o impeachment

Não tem condições, vontade, segurança ou até número. Não importa ou interessa quantos pedidos de impeachment existam. São 24 deputados, 9 envolvidos, como conseguir devolver Arruda à planície, tirando-o do planalto estadual?

Ampliando a “radicalização”

Agora surgiram revelações sobre o PMDB. É lógico que no partido maior da base, existem muitos “arrudas”. Henrique Alves e Eduardo Cunha nem precisam de investigação. O primeiro trucidado pelo depoimento da ex-mulher, invencível e irrefutável.

O segundo, chamado de ladrão pela televisão. E quando se votava a CPMF, havia uma emenda. Era de Eduardo Cunha. O líder do PSDB, Artur Virgílio e o do DEM, Agripino Maia, disseram: “Emenda de Eduardo Cunha é para negociata”.

Acusações contra Michel Temer

Não gosto do “estilo carreirista” do presidente da Câmara e do PMDB, acumulação vergonhosa. Mas nunca soube ou recebi qualquer denúncia de que Temer se apropriou de dinheiros públicos. Mas também jamais protestou contra qualquer irregularidade no seu partido ou em outros.

É publico e notório que o PMDB está cheio de “disque Quércia para a corrupção”. Temer não toma conhecimento, “deixa que a corrupção prospere”. Deve ser por isso, que sem votos para coisa alguma, “esteja sempre por cima”.

“Descobertas” contra Tuma,
por ocultação de cadáveres

Também nunca soube nada sobre isso em relação a ele. Mas sempre desconfiei, (sem conseguir provar) que sua situação na ditadura era muito estranha.  O segundo homem de Sérgio Fleury, (o maior torturador e o maior assassino oficial de São Paulo) diretor do Dops doEestado, nunca tivesse sido sequer investigado.

Fleury era vítima de “queima de arquivo”, (morreu “acidentalmente” batendo com a cabeça na quina de um barco), Tuma se elegia senador e corregedor, os filhos deputados.

Por que agora, acusado de “ocultação de cadáveres”? E com Paulo Maluf, de quem se pode dizer tudo, menos que seja assassino. Corruptos, geralmente não usam da violência. Maluf NÃO TEM 300 milhões de dólares nos EUA à toa. E a “descoberta” sobre Tuma, “coincidência”?

“A democracia está em perigo”

Quem disse isso? O golpista Zelaya. Pediu para voltar ao governo de Honduras até 27 de fevereiro, quando teoricamente terminaria seu mandato. Isso antes de trair a Constituição, pedindo “referendo para a própria reeeleição”. O que é proibido expressamente pela Constituição.

O pedido para Zelaya voltar ao governo foi votado pelo Congresso e a favor dele, ficaram apenas 14 deputados.

Tem que sair da embaixada do Brasil

O vergonhoso episódio de sua “hospedagem” no território do Brasil, precisa terminar. O Brasil deveria dar 48 horas para ele ir embora. No Itamaraty de outras épocas, Zelaya jamais teria sido “hospedado”. Mas no Itamaraty de Celso Amorim, tudo é possível.

O Citibank terá que pagar 475 milhões a uma firma que levou à falência por causa de uma dívida de 200 mil dólares

O STJ não teve “medo de cara feia” do banco americano. Condenou-o a pagar o valor que está no título destas notas. Cabe recurso para o Supremo Tribunal. Lógico, quando houver julgamento, Gilmar Mendes não será mais presidente. Mas estará pessoal e tecnicamente impedido.

Julgamento do senador Azeredo,
foi aceito pelo Supremo Tribunal

Apenas o recebimento da denúncia, mas importantíssimo. Se o resultado fosse contrário, o senador estaria satisfeitíssimo, o caso, superado.

O PSDB ensaia defender o companheiro, mas esquece deliberadamente o comportamento quando foi descoberto esse mensalão, na época chamado de Valerioduto. No Estado do Rio já existia o propinoduto, do qual ninguém mais ouve falar.

Na época, Azeredo era presidente nacional do PSDB. Assim que explodiu o escândalo, o partido afastou o senador da presidência. Quer dizer: JULGOU o companheiro, coisa que o Supremo não fez. O mais alto tribunal do país, apenas RECEBEU a denúncia. E o próprio Azeredo saudou a decisão, dizendo: “Terei oportunidade de me defender e provar que sou INOCENTE, não sabia de nada”. (Seu mandato acaba em 2010).

Com o Supremo completo, Azeredo
seria ainda mais arrasado

Os 8 ministros, (Celso de Mello, Carmem Lúcia, a grande revelação desse Supremo, e Ellen Gracie) não estavam presentes. Se estivessem, Azeredo perderia por 7 a 4. (Até César Peluso, o mais reacionário dos ministros, votou contra Azeredo. Será o próximo presidente do Supremo, na certa e quase impossível, pior do que Gilmar Mendes).

Cara a cara, olhos nos olhos,
Joaquim Barbosa dá aula a Toffoli

O relator, que já dera voto anterior, reestruturou e aprofundou seu pronunciamento. O Ministro Toffoli, estreando em julgamento de importância, recusou a denúncia, mas num voto fraquíssimo.

“O senhor não leu meu voto”

Chamo “fraquíssimo”, não por ter votado a favor, é um direito dele. Mas desconheceu todas as provas, nomes e formas de agir, que ligavam indissoluvelmente o mensalão dos 40 do PT, a esse mensalão do PSDB. E como Joaquim Barbosa é o relator desse processo contra os 40 do PT, tem todas as condições de fazer a comparação.

Tendo apenas o Ministro Lewandowski entre eles, Barbosa, voltado fixamente para Toffoli, acusou: “O senhor não leu o meu voto, o voto do relator”. Realmente, como refutar o relator e votar contra ele, sem conhecer o que ele disse?

Noel Rosa: “Meu Deus do Céu, que palpite infeliz, (estréia)”.  O grande compositor devia estar pensando em Toffoli, que ao contrário, votou sem pensar.