TST sem os agravos poderá ser extinto (75% dos recursos são agravos de instrumento)

Roberto Monteiro Pinho

Sancionada pelo presidente Lula, a lei n° 12.275 de 29 de junho de 2010, que altera dispositivos da CLT,com a redação do inciso I ° do art. 897 e acresce § 7° ao art. 899, ambos da Consolidação das Leis do Trabalho – CLT, aprovada pelo Decreto-Lei no 5.452, de 1° de maio de 1943, tornando obrigatório o pagamento prévio de depósito recursal para interposição de agravos de instrumento na Justiça do Trabalho, pode trazer um entrave para o TST.

A alteração exige que o empregador, condenado em parcela de natureza pecuniária, efetue depósito de 50% correspondente ao recurso que teve denegado seu prosseguimento. O objetivo da lei na opinião dos seus defensores é impedir o uso abusivo desse recurso, interposto com intuitos meramente protelatórios, com adiamento do pagamento de direitos trabalhistas, e a sobrecarga dos Tribunais Regionais do Trabalho e, em especial, o TST.

O esforço para a aprovação tão festejado pelo judiciário trabalhista, pelo êxito do sancionado, projeto de Lei (PLC nº 46/2010), que foi encaminhado no dia 14 de junho pelo presidente do Senado Federal, para sanção do presidente da República, acabou sendo o “tiro de misericórdia”, na sobrevivência do Tribunal Superior do Trabalho (TST).

Temos a visão critica de que este tribunal se mantém graças ao volume de recursos que lhe são submetidos a cada ano, e nesta demanda, estão justamente 160 mil agravos de instrumentos. A gloriosa e sofisticada Corte dos representantes dos trabalhadores em Brasília estará a partir da entrada em vigor da nova lei de recurso de Agravo de Instrumento, em contagem regressiva para sua extinção por absoluta falta do que fazer. Informações do próprio TST corroboram os argumentos que subsidiaram a aprovação da nova lei, de que “os recursos interpostos no TST, cerca de 75% são agravos de instrumento”.

Embora necessária em tese, e apoiado por juristas, a manutenção do TST é hoje uma questão de mera formalidade material, vez que ele próprio se proclamou moroso e inoperante absolutamente por conta dos recursos (AI) supra mencionados. Assim que foi aprovado o projeto, a opinião do ministro do Tribunal Superior do Trabalho (TST) Milton de Moura França, foi de que a mudança representa uma “mini-reforma recursal na CLT e irá contribuir, em grande medida, com a celeridade do processo trabalhista, onde todos ganham – magistrados, trabalhadores e a sociedade em geral”.

O Tribunal Superior do Trabalho (TST) julgou, no primeiro semestre de 2010, 113.779 processos, incluindo as decisões monocráticas (despachos). Segundo o TST, o resíduo de processos aguardando julgamento, em junho de 2010, é de 173.728, que corresponde à diferença entre a quantidade dos que deram entrada no TST e os que foram resolvidos no período. Número 14% menor do que o verificado em junho de 2009, ou seja, o saldo remanescente torna-se cada vez mais reduzido.

O resultado sinaliza de que, uma vez superada a demanda, não se justificaria a manutenção de um dos tribunais mais caros do país. Mesmo assim contrária à extinção, temos o registro da manifestação do jurista Mozart Victor Russomano: “Considero que a tese de extinção do Tribunal Superior do Trabalho ou de sua incorporação ao Superior Tribunal de Justiça constitui gravíssimo erro de técnica jurídica, de graves conseqüências políticas. Empregados e empregadores (com eles, a própria sociedade nacional) certamente perderiam o privilégio de terem seus conflitos – como é da tradição brasileira, consolidada em mais de sessenta anos – decididos em jurisdição especializada, à qual nunca faltaram equilíbrio, ponderação e acentuado espírito de Eqüidade. Por outro lado, qualquer das duas soluções, necessariamente, importaria em prejuízos ainda maiores à indispensável celeridade dos processos trabalhistas, que está prejudicada pelo acúmulo dos serviços judiciais”, (…).

Ainda sobre a matéria o ex-ministro da Justiça e jurista Paulo Brossard, defendeu: “A propalada extinção do TST, como meio de resolver os problemas da Justiça do Trabalho, afigura-se-me um equívoco monumental. Os números falam mais do que as palavras. Em 1998, o TST julgou mais de 111 mil feitos, ficaram por julgar mais de 119 mil e deram entrada na Corte mais de 131 mil. O fato deixará de repetir-se e de existir com a suposta extinção e, extinto que seja o TST, que tribunal vai julgar essa massa de processos? Entra pelos olhos de um cego que a questão não está no TST e que sua abolição poderá ser um subterfúgio e nunca uma solução”. No elenco de razões para sua aprovação, figura que objetivo da Lei é “impedir o uso abusivo desse recurso, freqüentemente interposto com intuitos meramente protelatórios, gerando, pelo menos, dois efeitos perversos: de um lado, retardam o pagamento de direitos trabalhistas, e, de outro, entulham os TRTs e, em especial, o TST, prejudicando o julgamento de outros processos”.

A NET interfere em Wimbledon, muda as regras da ATP

Eles podem ou pensam que podem tudo. Ontem, às 18,56, vi isto na Globonews; “Serena Williams venceu a russa Zvonareva, por 3 sets a 2”. Impressionante, é a primeira vez que mulheres jogam uma final de Wimbledon (ou qualquer outra final) em 5 sets. Ha!Ha!Ha!

Até poucos anos , as mulheres recebiam menos do que os homens. A Associação dos Tenistas Profissionais (ATP) alegava precisamente isto: “As mulheres jogam dois sets, às vezes chegam a 3, os homens quase sempre vão a 5”.

As tenistas apresentaram pareceres e conclusões científicas: “As mulheres não podem fazer o mesmo esforço físico dos homens”.

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PS – A ATP equiparou então todos os prêmios. Esqueceram de avisar a NET.

PS2 – Serena Williams foi campeã em Wimbledon, venceu por 2 a 0.

Nadal-Wimbledon

Mais um título, nova atuação brilhante. Berdych jogou bem, justificou o 5º lugar que ocupará no ranquing a partir de hoje.

O espanhol se consolidou como número 1, e somou mais mil e 820 pontos. Também outros 3 milhões e quatrocentos mil reais, na conta bancária.

2010 pode ser o ano da Espanha. Nadal ganhou tudo, a seleção de futebol pode ser campeã mundial. Sem falar em Barcelona, o verdadeiro “país” espanhol, acumulando vitórias.

De repente, não mais que de repente, como dizia Vinicius de Moraes, temos uma eleição em que os candidatos a vice nada representam, e já foram até descritos pelo leitor Armando Prado como se equivalessem a “notas de 3 reais”.

Diante dessa situação, vale a pena dar um novo “passeio rápido” pela “História dos Vices”, desde o começo da República:

1 – Floriano Peixoto era VICE de Deodoro, eleito indiretamente em 25 de fevereiro de 1891. Deodoro governou apenas até 3 de novembro do mesmo ano, menos de 9 meses. A Constituição de 1891 determinava: “Se o presidente morrer, renunciar ou ficar incapacitado até a metade do mandato, o vice assume e realiza eleição em 60 dias. Depois da primeira metade, assume e completa o mandato”.

Floriano tinha ainda 3 anos e 3 meses, ficou até o fim. Não fez eleição, desafiou o Senado e o Supremo.

2 – Prudente de Moraes, eleito em 1894, o “consolidador da República”. Candidato único e invencível, em 1896 teve que ser operado às pressas, diziam que “não se salvaria”. Assumiu o VICE Manuel Vitorino. Demitiu todos os ministros de Prudente e (se estarreçam à vontade) mudou a sede do governo.

Era no belíssimo Palácio Itamaraty, passou a ser no “Palácio das Águias”, logo identificado como Palácio do Catete. Vitorino ficou quase 6 meses, surpreendentemente Prudente se salvou, reassumiu, o VICE baiano desapareceu.

3 – Em 15 de junho de 1909, morreu o presidente Afonso Pena. Como já havia cumprido mais da metade do mandato, deixou exatamente 17 meses para o VICE Nilo Peçanha. Como era inimigo irrevogável de Rui Barbosa, já candidato a presidente, começou aí a tragédia do grande baiano. (Mas isso já é outra história, embora tenha mudado o trajeto da República, para o bem ou para o mal).

4 – Hermes da Fonseca (sobrinho do primeiro presidente) e Wenceslau Brás, governaram os 4 anos. Mais do que governos, verdadeiras catástrofes. Hermes derrotou Rui em 1910, em 1914 o baiano retirou a candidatura, voltou a disputar em 1918. Os grandes estados e o Partido Republicano (único), decidiram: “Para derrotar Rui, só Rodrigues Alves, que já havia sido presidente.

5 – Rodrigues Alves ganhou mesmo, sem campanha e sem sair de sua chácara em Guaratinguetá. Estava morrendo, nem tomaria posse. (Só morreria em janeiro de 1919). Assumiria então o VICE Delfim Moreira, que sofria das “faculdades mentais”. (Hoje seria chamado de maluco).

Teve que fazer eleições (o que Floriano não quis fazer), mas não tinha condições de governar. Com a escolha muito complicada, quem governou durante 9 meses foi o ministro da Viação de Wenceslau, já confirmado por Rodrigues Alves, Afrânio de Mello Franco. (Esse período é conhecido como “regência Mello Franco”, Delfim Moreira só assinava, feliz da vida).

6 – Epitácio Pessoa (que estava no exterior) foi eleito sem vir ao Brasil (a Constituição de 1891 permitia, hoje não é mais possível). Depois, Arthur Bernardes, que ficou os 4 anos, apesar da formidável oposição dos militares, que não queriam empossá-lo nem deixar que governasse, por causa das famosas “cartas falsas” injuriando militares. E Washington Luiz, governou quase o tempo inteiro. Faltaram 62 dias, até começar a ditadura Vargas, 15 anos criminosos.

7 – Vargas assumiu como “chefe do governo provisório”, depois mais 4 anos INDIRETOS por causa da traição do Congresso, com os “pelegos”, nomeados por ele mesmo. E finalmente, a partir do “Estado Novo” de 1937, ditadura ampla, geral e irrestrita. Naturalmente sem VICE.

8 – Derrubado Vargas, foi eleito (eleito?) o marechal Dutra, o FHC fardado. Passou o cargo ao próprio Vargas, que fez campanha e se elegeu, com a modificação infeliz da Constituição de 1946: os VICES também disputavam eleições, não se elegiam junto com o presidente, na mesma chapa.

9 – Como só sabia agir e governar DITATORIALMENTE, e apesar da eleição ser separada, Vargas ofereceu a VICE a Ademar de Barros. Este, péssimo analista, chamado pelo Correio da Manhã (um dos grandes jornais da época) duas vezes de LADRÃO, (assim mesmo, sem disfarce vernacular) indicou Café Filho.

10 – Este, participou da Revolução Comunista de 1935, era grande ‘mitingueiro”. Se destacou na Câmara falando diariamente e terminando os discursos sempre desta forma: “Lembrai-vos de 37″. Como esse “37″ era o “Estado Novo” de Vargas, não podia ser VICE. Mas foi.

11 – Eleito, Café assumiu, conspirou, ajudou a derrubar o presidente. Foram 3 anos, 7 meses e 24 dias até 24 de agosto de 1954, a mudança de tudo, com o golpe genial do suicídio de Vargas. Nesse 24 de agosto de 1954, assumiu mais um VICE, o grande conspirador Café Filho.

12 – Só que Café Filho foi um dos raros presidentes honestíssimos, não se interessava por negócios ou negociatas. Também não tinha filhos ou parentes a nomear. Jamais tratou de dinheiro, não tinha como viver.

VICE, morava na Avenida Copacabana, esquina de Joaquim Nabuco, num apartamento mínimo de 1º andar, em cima de um restaurante e de um barbeiro. Depois de presidente, voltou a morar ali, mas não tinha como viver. Lacerda governador, nomeou-o ministro (se chamava assim) do Tribunal de Contas do Estado.

13 – Veio Juscelino, que completou o mandato. (Então de 5 anos, ótimo, o presidente se elegia sozinho, os outros mandatos eram todos preenchidos em anos pares. De 20 em 20 anos, as eleições “coincidiam”, 4 e 5 são múltiplos de 20. Mas quem, no Brasil, ousaria pensar numa democracia com 20 anos de estabilidade?

14 – Antes da nova ditadura, JK foi o único a exercer o mandato inteiro. Depois dele apareceu o “trêfego peralta” (Jânio Quadros, quem não sabe?) que pretendia transformar o mandato de prazo certo numa “eternidade” incerta. Não conseguiu, assumiu mais um VICE, João Goulart. Que não terminaria.

15– Nos 21 anos da segunda ditadura, os VICES não assumiam, civis ou militares (almirante Rademaker). O único que escapou foi Aureliano Chaves, pelo prestígio pessoal, e por já estarmos em 1981. O “presidente” era Figueiredo, que depois do “prendo e arrebento”, estava num hospital de Cleveland.

16 – Terminada a ditadura, os dois primeiros presidentes não assumiram ou não completaram o mandato, um indireto, o outro direto. Tancredo ficou no hospital, assumiu Sarney o tempo inteiro, de acordo com a Constituição. (Como VICE, no cargo, Sarney não será ultrapassado). A seguir, Collor sofreu o impeachment, assumiu o VICE Itamar.

17 – A partir daí, e completando 16 anos no final deste 2010, dois presidentes que cumpriram o mandato inteiro. Mesmo FHC rasgando a Constituição com a força do dinheiro e violentando a cláusula pétrea da não reeeleição.

Esperamos que agora, ganhe quem ganhar, complete o mandato. E se possível, governando para a coletividade majoritária mas amordaçada, em vez de favorecer a elite minoritária mas dominadora.

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PS – Este artigo foi publicado dia 11 de maio e mostra a total influência dos VICES no processo sucessório brasileiro. Estiveram no Poder quase tantos efetivos quanto substitutos.

PS2 – Além do mais, vários presidentes da Câmara assumiram seguidamente a Presidência da República, no lugar dos próprios vices.

PS3 – Estamos na beira do abismo, com dois vices que não têm a menor credencial, prestígio ou credibilidade. Indio da Costa tem que ser apresentado a quase todos, ninguém o conhece.

PS4 – No caso do vice do candidato do PSDB, a revolta é pelo desapreço em relação à opinião pública. Mas não assumirá, SERRA NÃO SERÁ PRESIDENTE. Digo isso desde 2002, por que iria errar agora?

NÃO DEIXEM DE LER AMANHÃ:
Comparação Chateaubriand-Roberto Marinho.
O primeiro, professor de Direito Romano e Filosofia
do Direito aos 23 anos. O segundo, abandonando
a Faculdade no início do curso

Pesquisas, adeus…

Carlos Chagas

O Ibope favorecia Serra, agora  aponta Dilma na frente. O Datafolha marcava empate, depois cravou Serra. A Sensus passou de um para a outra, voltou e parou no meio. É o samba do crioulo doido? Nem tanto. A conclusão surge clara:  as pesquisas são inconfiáveis pela simples razão de consultarem no máximo três  mil pessoas num eleitorado de 180 milhões. Por mais sofisticadas que sejam as metodologias, não dá para aferir sequer as tendências, quanto mais o resultado das urnas  de outubro. Talvez mais tarde, provavelmente só no dia da eleição.

Melhor fariam os candidatos, como também os eleitores, se passassem ao largo das pesquisas, considerando-as mera atividade comercial de empresas interessadas no faturamento ou na publicidade para seus veículos de comunicação. Pautar-se pelos números  contraditórios será, para os candidatos, um exercício diário de auto-flagelação.

É bobagem mudar discursos, alterar o visual e corrigir agendas em função do que divulgam os institutos. Os comandos de campanha precisariam, mesmo, definir roteiros  e diretrizes sem levar em consideração as pesquisas conflitantes, confiando mais nos programas, nas promessas, no passado e no perfil de cada pretendente ao palácio do Planalto. A lição vale também para a mídia, que não pode, sob pena de  desmoralizar-se, ficar oscilando,  dia sim, dia não abrindo maiores  espaços e concedendo mais tempo ora para  Dilma, ora para  Serra.

Apenas uma ilusão?

O Supremo Tribunal Federal  concedeu três liminares para candidatos enquadrados na lei da ficha limpa, autorizando-os a registrar-se mesmo tendo sido condenados no passado. Estariam impedidos mas não estão mais, pelo menos se no exame do mérito das ações, a mais alta corte nacional de justiça confirmar a medida inicial.

Trata-se da derrocada da nova lei, já chamada de lei Viúva Porcina, aquela que foi sem ter sido.  A continuar o processo como vai,  logo montes  de fichas suja estarão sendo  beneficiados.  O problema não é saber se o Supremo desautoriza o Tribunal Superior Eleitoral, porque na Justiça essas coisas acontecem. Mais importante é verificar a débâcle das esperanças nacionais a respeito da aplicação da lei moralizadora. Se não vai valer, ou se valerá muito pouco para as eleições de outubro, quem garante não estará revogada até o próximo pleito?  A bandidagem prepara as comemorações…

Proibição do TSE atinge Serra com Gabeira, Quercia e Jarbas Vasconcelos

Pedro do Coutto

Excelente reportagem de Maria Lima, O Globo de primeiro de julho, revela que o Tribunal Superior Eleitoral decidiu proibir a presença na TV, edições estaduais do horário gratuito, de candidatos à presidência da República cujas coligações nos estados envolvam legendas contrárias à coligação nacional. Analisando-se bem a medida, não vendo apenas o fato, mas vendo no fato, ele atinge em cheio o comparecimento de José Serra no Rio de Janeiro, na campanha de Fernando Gabeira; em Pernambuco na campanha de Jarbas Vasconcelos; em Mato Grosso ao lado do governador André Pucineli. E – surpresa – no próprio estado de São Paulo junto com Orestes Quércia, candidato ao Senado pelo PMDB dissidente.

No Rio, Gabeira, que é do PV, só poderá aparecer com Marina Silva, e não simultaneamente ao seu lado e ao lado de José Serra, que é do PSDB. Em Pernambuco, Jarbas Vasconcelos, embora do PMDB, que no plano nacional está coligado ao PT, disputa o governo estadual apoiando Serra. O mesmo acontece em Mato Grosso com o governador André Puccinelli, que tenta reeleger-se.

A resolução do TSE foi provocada por consulta do deputado Conte Bitencourt, presidente regional fluminense do PPS. O PPS está com Gabeira no RJ e com Serra no plano nacional. Conte Bitencourt provavelmente buscava determinado efeito com a consulta que formulou, porém recebeu outra extremamente oposta.

Os estragos que o Tribunal Superior causou ao PT – como na Bahia e no Maranhão – são muito menores que as avarias produzidas na nave do PSDB que, por sinal, navega em águas turbulentas depois da escolha do deputado Índio da Costa, do DEM, para vice do ex-governador paulista. Desatino total, autêntica tragicomédia.

Comédia pelo não senso. Tragédia política porque negociou-se tudo, deixando-se o eleitorado à margem, a ver navios, como se dizia. A senadora Marina Silva – matéria de João Guedes na mesma edição de O Globo – pretende recorrer ao Tribunal Superior Eleitoral, possivelmente através de embargo declaratório, no sentido de tornar mais clara a decisão ainda não totalmente iluminada.

A acolhida ao recurso será positiva à candidata do PV, mas ruim para a candidatura de Gabeira, que recebe a adesão do PSDB e do PPS, além do apoio do DEM. Suas aparições na televisão vão logicamente ficar limitadas ao espaço verde da campanha.

A reportagem de Maria Lima focaliza também a posição do governador Sérgio Cabral, candidato à reeleição, agora enfrentando apenas Gabeira com a decisão de Garotinho de bater em retirada. Maria Lima ressalta que ele tem o apoio também do PTB que, na esfera federal, apóia Serra. É verdade. Mas este é um fato removível. Simplesmente. Basta Sérgio Cabral afastar-se do PTB. E aí assegura sua imagem ao lado de Dilma Rousseff, já que a coligação nacional é entre seu partido, o PMDB, e o de Rousseff, o PT. Sem o PTB, não existe problema para ele. A legenda do PTB não vale uma missa. Nada acrescenta em votos que Cabral já não possua. O tempo na TV que soma é pequeno.

Como se observa dos últimos acontecimentos, surge quase a certeza de que a sucessão presidencial encerrou-se antes de a campanha começar oficialmente, o que se dá, pela lei, a 5 de julho. Dilma Rousseff vai suceder a Lula no Planalto. E Sérgio Cabral vai suceder a si mesmo no Guanabara. A única disputa estadual interessante é para o Senado. Se Crivella vier mesmo a preferir a Câmara, as duas vagas ao Senado ficam entre Cesar Maia, Lindberg Farias e Jorge Picciani. O que está levando Marcelo Crivella a trocar de mandato?

O Paraguai jogou melhor, dominou, a Espanha venceu, Quase ia para a prorrogação. Aos 37 minutos, acabando, fizeram o gol da vitória, duas vezes na trave.

Foi o pior árbitro dessa Copa, de tal maneira dominada pelas arbitragens equivocadas, que o presidente da Fifa teve que pedir desculpas ao público do mundo inteiro.

Vejam os lances que os comentaristas deram como “DUVIDOSOS”, quando não houve dúvida alguma.

1 – Anulou o gol de Valdéz, alegando que o Cardoso estava impedido, nenhum estava.

2 – Deixou de marcar um pênalti a favor do Paraguai, feito visivelmente pelo Fabregas.

3 – Marcou um pênalti vergonhoso contra a Espanha, o zagueiro devia ter recebido VERMELHO, levou apenas AMARELO.

4 – Deu um pênalti de presente para a Espanha, num esbarrão normal entre dois jogadores.

5 – Xavi Alonso bateu, a bola entrou, o árbitro mandou repetir, punindo invasão de espanhóis.

6 – Repetiram a cena várias vezes, 5 espanhóis invadiram, que é ilegalíssimo.

Aconteceu de tudo nesse jogo, mas o principal foi a injusta derrota do Paraguai, A Espanha, que chegou na África do Sul como “favoritíssima”, não fez nenhum jogo brilhante ou encantador.

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PS – Amanhã e segunda não há jogo. Na terça, às 15,30, um único jogo, Uruguai-Holanda.

PS2 – Na quarta, também único e às 15,30, Espanha-Alemanha. Quinta e sexta não há jogo, sobraram três europeus e um sul-americano.

PS3 – Dos que ficaram, 2 já foram campeões (Uruguai e Alemanha), 2 não foram (Espanha e Holanda). Desde o início venho pedindo que seja campeão um país que ainda não foi.

PS4 – Por isso, torço para Espanha ou Holanda, se não puder, que seja o Uruguai.

Serena Williams em Wimbledon: quarto título, continua número 1

Apesar dos tempos de contusões, cada vez volta em melhor forma. Conquistou seu quarto título em Londres, o décimo terceiro Grand Slam, o de número 54 no geral.

É a tenista a ser vencida, desde que estreou. Escrevendo no início de Wimbledon, afirmei: “Serena Williams está com 28 anos, até os 32 têm de lutar muito para ganhar dela.

Amanhã, domingo, a partir das 10 horas, Nadal enfrentará Berdych, que chega à sua primeira final de Grand Slam. Ganhando ou perdendo, na segunda-feira, também pela primeira vez, o tcheco Berdych estará entre os 10 melhores do ranking.

Maradona perdeu a chance de ser BI, dentro e fora do campo, como Zagallo e Beckenbauer. Mais um sul-americano foi destroçado.

Muita gente acreditava na Alemanha, que apostou num time jovem para se recuperar do fracasso de 2006, quando perdeu em casa, para uma seleção da Itália, mediocríssima. Só que não se acreditava na facilidade e na goleada.

E com muitas coisas a ressaltar, Messi confirmou, é bom mesmo no Barcelona, na seleção, nada, nem um golzinho. Era tido como o “melhor” da Copa, e provavelmente o artilheiro. Tem idade para conseguir isso em 2014.

Klose fez mais 2 gols, chegou a 14, passou Pelé e tem mais dois jogos,  para encostar ou ultrapassar Ronaldo Fenômeno. Se 3 a 0 era goleada, o que dizer de 4 a 0.

Agora, dos 5 sul-americanos sobrou apenas, certo, o Uruguai. E quem sabe, o Paraguai, se vencer a Espanha logo mais.

Maradona ontem foi sábio, ao dizer: “Não comento derrota dos outros”. Com isso, livrou-se de críticas e comentários. O compositor consagrou: “Perder é da vida, eu já me conformei”.

Da sóbria Fátima Bernardes à exibicionista Fátima Bernardes

A apresentadora, segue silenciosa e meio assustada, o “padrão Globo de qualidade”, criado por Walter Clark, e seguido depois pelo Boni, quando assumiu a direção da rede.

Agora, na Copa, durante os tempos vitoriosos, surgia nas telas, como a “gênia” da televisão e do futebol. Provocava enormes gargalhadas, falando e ao mesmo tempo lendo, (dando a impressão de que improvisava) o que estava escrito, tendo que baixar a cabeça.

A que limites leva a vaidade.

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PS – Joe Wallach, o americano que a Globo roubou da Time-Life (depois de ter roubado os americanos com a ajuda dos generais golpistas), aos 86 anos deu entrevista à revista “Trip”.

PS2 – Disse textualmente: “O único gênio da televisão brasileira foi Walter Clark. Depois, se entregou inteiramente à bebida, não conseguia nem falar. Foi demitido”.

Felipão 2014

Há 15 dias, quando assinou contrato com o Palmeiras, expliquei aqui: “Ele ficará 2 anos e meio no Palmeiras, irá para a seleção. Me baseava na duração do contrato. 2 anos e meio. O que 2 anos e meio lembra? Estarão começando as eliminatórias para a Copa de 2014. Elementar.

PS – O único obstáculo pode ser o carreirista Parreira. Amargurado por mais uma derrota na África, declarou: “Não serei mais treinador no exterior, só aceitarei no Brasil”.

PS2 – Com isso, mostrou, “estou aí, SE PRECISAREM”. Não precisarão, mas está aí, O Globo, na Primeira.

PS3 – O Globo, na Primeira, copia minha nota descaradamente. Chamam a isso de jornalismo

Não era, Dunga?

Jamais saberá porque resistiu 16 anos, de 1994 a 2010. Não conseguirá entender, a não ser vendo, lendo e ouvindo órgãos da Organização Globo. Já começaram desde hoje a bater duro no treinador.

Mas não há dúvida de que desde a convocação, passando pela escalação e pela não substituição em plena derrota, Dunga contribuiu, colaborou e completou a tragédia que atinge milhões de brasileiros.

Unanimidade “total”, como diria Ricardo Teixeira: o Brasil inteiro se manifestou protestando quando Dunga deixou aqui, uma porção de jogadores praticamente indispensáveis. Justificativa de Dunga: “Não quero jogadores que vivam à noite”. Perdeu de dia, nenhum jogo era à noite.

Dunga confunde liderança com cativeiro, ninguém podia contestar coisa alguma, tinham que aceitar. E na derrota, chorar, embora eu não tenha nada contra o choro.

Na televisão de sexta, depois da derrota, a Organização ainda não tinha orientação. Começou hoje, sábado, com o jornal. Toda a Primeira dedicada a Dunga, com manchete, jornalisticamente nota 10.

Depois, a Primeira do Caderno de Esportes, quase inteiramente em branco, com uma pequena foto de uma matéria sobre o treinador numa lata de lixo, como se dissessem: “Dunga não existe mais, acabou”.

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PS – Mas o treinador ainda vai durar muito como matéria, para toda a Organização. Como desperdiçar um assunto tão vasto, que ficará amargando a vida de milhões de brasileiros?

Governo paga aos banqueiros 180 BILHÕES por ano, só de juros, sem reduzir a dívida, que logo passará dos 2 TRILHÕES.

José Antonio:
“Helio, os banqueiros ganham realmente 10 por cento comprando títulos do governo. Mas ganham muito mais com o cheque especial e com o cartão de crédito”.

Comentário de Helio Fernandes:
Concordo inteiramente com você, mas isso não revela generosidade ou espírito público dos banqueiros. (E das seguradoras, não esquecer).
Acontece que o mercado de crédito particular é minimíssimo. Eles rendem realmente, José Antonio, juros acima de 200 por cento ao ano, mas com um limite irrisório.

Vejam só: o governo PAGA de juros ANUAIS, 180 bilhões. O cartão e o cheque especial, não passam de 15 A 16 BILHÔES, por ano.

Maílson, o recordista da inflação

Jorge Ribeiro:
“Helio desculpe, queria um esclarecimento. O ex-ministro da Fazenda, Maílson da Nóbrega, numa entrevista pública, afirmou que o aumento dos aposentados, vai estourar o orçamento da República. E a inflação devastadora do seu tempo? Obrigado.”

Comentário de Helio Fernandes:
Ele foi muito escabroso, mentiroso e calamitoso, Jorge. Maílson garantiu: “Esse aumento dos aposentados (nos míseros 7,7 por cento) irá arruinar o futuro das crianças carentes”. Por que das crianças carentes e não de todas?

Maílson, nem é preciso apurar, não vive de aposentadoria. Mas o Brasil inteiro pagava pela inflação centenária desse ministro catastrófico.

Devo fazer uma consideração a “favor” de Maílson; ele pelo menos é corajoso (ou o certo seria dizer audacioso?), pois continua andando na rua, pontificando em rádios, jornais e televisões, sem medo de coisa alguma.

Quase 7 bilhões de habitantes

No dia 20 de junho, a população do mundo chegou a 6 BILHÕES, 900 MILHÕES de pessoas. Uma dúvida sobre a China, que fala em 1 BILHÃO E 200 MILHÕES de habitantes. A ONU já registra como 1 BILHÃO E 400 MILHÕES.

Isso só vale até 20 de junho, logo, logo, começaram os nascimentos no mundo todo. Não demora, seremos 7 BILHÕES de habitantes, 3 BILHÕES na mais completa miséria.

Superstição, vale na Copa?

Vejam a importãncia do ZERO, na trajetória do Uruguai na Copa. Foi campeão em 1930. Repetiu em 1950. Há 60 anos não estava em condições de ganhar outro titulo. Pode ganhar quando a Copa completa 80 anos. Se conseguir, será em 2010.

Com isso, “Loco” Abreu botafogo na Copa. Bateu o penalti de uma forma que só Marcelinho Carioca batia.

É bom tomarem cuidado

Carlos Chagas

Levou o PT à euforia a  lambança praticada pela oposição, na semana que passou, somada aos resultados das pesquisas mais recentes. Dúvidas inexistem de que a candidatura de José Serra perdeu consistência, depois do episódio encerrado com a escolha do deputado Índio da Costa para seu companheiro de chapa. Basta aguardar nova rodada de consultas eleitorais, em especial  se algum instituto inserir uma  pergunta a  respeito do conhecimento dos consultados sobre o novo candidato a vice.

Seria bom, no entanto, que os companheiros e afins raciocinassem com um pouco mais de cautela, quando apresentam suas projeções sobre a vitória de Dilma Rousseff. Porque o vento que sopra de um lado costuma soprar de outro. Quem garante que alguma trapalhada não acontecerá em meio à campanha da ex-ministra?

Não  faz muito apareceu  o escândalo do tal dossiê relativo à vida dos tucanos, sem poupar o próprio José Serra e sua família. A candidata conseguiu evitar a explosão agindo com rapidez, ou seja, mandando demitir os auxiliares de sua campanha responsáveis pela tentativa.

Ninguém sabe o que reservam os próximos três meses, não obstante o empenho do presidente Lula em dirigir, dos bastidores, a campanha e até a  performance de Dilma.  Afinal, sabem todos não contar com o apoio das elites, apesar de desde a posse, em 2003, vir  o governo  privilegiando seus interesses. Os meios financeiros, os especuladores, as multinacionais e a turma do dinheiro dispõem de mecanismos para perturbar qualquer trajetória bem sucedida. A começar pela grande imprensa, que dominam. Sem esquecer que o PT abriga um certo número de aloprados muito capazes. Capazes de tudo…

Considerações sobre o inusitado

Não há um tratado sobre a guerra, dos milenares aos atuais, que deixe de considerar o inusitado como rotina em todas as batalhas. Traduzindo: mesmo examinadas as diversas hipóteses sobre o comportamento do inimigo, ele sempre fará o que não foi previsto.

O preâmbulo se faz a respeito do risco que as oposições assumiram ao formalizar a candidatura de  Índio da Costa  como companheiro de chapa de José Serra.

Sustentam os generais do PSDB e do DEM estar tudo  planejado, amarrado e garantido, ou seja, o jovem e até pouco desconhecido deputado não será deixado sozinho nem por um minuto. Vão monitorá-lo e instruí-lo em cada passo da campanha e, depois, se José Serra vier a ser eleito.

Com todo cuidado, porém, há que perguntar: e o inusitado? No caso, se alguma coisa acontecer ao presidente, e tem acontecido a muitos, como ficaria o país governado por Índio da Costa? Não teria sentido contestar-lhe o mandato, viraríamos uma banana-republic. Mas entregar-lhe as grandes decisões nacionais sem experiência?

Quando Deodoro da Fonseca renunciou, havia Floriano Peixoto. Com a doença de Prudente de Morais, a interinidade de Manoel Vitorino não gerou  solução de continuidade na administração pública,  apesar de haver trazido mudança de equipe. Afonso Pena, prematuramente desaparecido, foi substituído por Nilo Peçanha. Mais tarde, com Rodrigues Alves impossibilitado de assumir num segundo mandato, Delfim Moreira entrou para presidir novas eleições, mesmo tutelado por Afrânio de Melo Franco.

Num salto até os tempos moderno, Café Filho e depois Carlos Luz e Nereu Ramos  ocuparam a vaga de Getúlio Vargas. Truculência  aconteceu contra João Goulart,  vice-presidente de Jânio Quadros, que renunciou:  foi deposto, assim como pouco depois Pedro Aleixo viu-se impedido de assumir após a doença de Costa e Silva. Para fechar o círculo, mais dois inusitados: Tancredo  Neves caiu doente horas antes de empossar-se, entrando José Sarney, e Itamar Franco foi para o governo com o impeachment de Fernando Collor.

Durante uma suposta administração José Serra, se acontecer o  imponderável que ninguém deseja,  mas freqüenta a História com assiduidade,  como será o Brasil de Índio da Costa?

Brasil joga partida fora: Copa, agora, só em 2014

Pedro do Coutto

A Seleção Brasileira, sem a menor sombra de dúvida, jogou a partida de ontem fora, como se costuma dizer no esporte quando uma equipe esquece repentinamente sua técnica, sua arte, seu estilo, e se transforma em coadjuvante do adversário. Foi exatamente o que aconteceu ontem contra a Holanda no estádio de Porto Elizabeth.

Fizemos um primeiro tempo brilhante, a defesa era absolutamente eficaz, a passagem da defesa ao ataque rápida, como deve ser, ocupávamos o espaço aberto pelos holandeses entre seus homens de frente e sua retaguarda. Estava aberto para nós o caminho da vitória. Nosso time – aí o seu maior erro – saboreava a perspectiva do êxito que não veio. Viramos na frente, estava tudo correndo bem.

No segundo tempo, modificação total. Entramos confiantes demais, calçamos o salto alto em vez das sandálias da humildade, de que tanto falava Nelson Rodrigues, e não conseguimos suportar psicologicamente a falha da defesa que levou ao empate. A Holanda recebeu a igualdade como um presente do céu e cresceu no jogo. O Brasil se inibiu e retraiu. A equipe adversária passou a comandar a partida, a começar pela ocupação tática dos espaços do campo.

O técnico Dunga perdeu a serenidade que deve prevalecer no comportamento dos treinadores, esquecendo que seu nervosismo acaba se transmitindo aos jogadores. Nervoso o técnico, nervoso fica o time. Veio o segundo gol, a exemplo do primeiro, conseqüência de bola cruzada pelo alto. A excitação nervosa impediu que a defesa subisse bem no momento do lance, esquecendo que estava de frente para a bola. A bola? Acabou no fundo da rede de Júlio Cesar. O descontrole tornou-se visível. Felipe Melo, expulso, confirmou o fenômeno.

Claro, não se pode vencer sempre. No futebol, como na vida. Mas há derrotas e derrotas. A nossa, de ontem, foi bastante triste porque, no fundo, perdemos para nós mesmos. A Holanda não conquistou a vitória apenas por suas qualidades e méritos, que aliás são muito significativos. Não. Nós nos derrotamos mais do que eles nos ganharam. Facilitamos nosso fracasso. Abrimos para o oponente a estrada que o conduziu à semifinal de terça-feira.

Não podemos culpar alguém individualmente, exceto Felipe Melo que, ao pisar o holandês, se autoexpulsou do gramado. O comportamento do técnico Dunga influiu irritando-se demais com o juiz e com os jogadores do outro time. Passou ao mesmo tempo raiva e temor da derrota a nossa equipe. Ela encontrava-se em momento difícil na disputa eliminatória e precisava contar com ânimo que  só o treinador poderia passar. Em vez disso, sem se dar conta, Dunga partiu justamente para o movimento inverso.

Foi uma página triste na história do futebol brasileiro. Acrescenta-se aos insucessos de 50, 54, 66  e 74, além das derrotas de 82,86, 90, 98 e 2006. Que fazer?

Nesta hora, resta curtir a realidade eterna de que a seleção de Ouro é a única pentacampeã do mundo, título que somente poderá ser igualado daqui a quatro anos, na Copa de 2014 que terá o Brasil como cenário. Vamos em frente. Levantar a poeira e dar a volta em torno da derrota que está nos marcando em 2010. Outras Taças virão, outros sucessos e outras decepções. A vida não para. O treinador e os jogadores de hoje passam. Vão passar, como é natural. Dunga inclusive já anunciou sua demissão. O futebol brasileiro fica.

Para sempre.

O Brasil fez tudo para perder, e perdeu mesmo. Deu a impressão de que venceria, com o gol de Robinho aos 8 minutos. Mas no segundo tempo, a tão endeusada defesa do Brasil, falhou mesmo.

As falhas da convocação, quando se materializaram, foram transformadas em eliminação. O que foi uma tragédia, principalmente quando a Holanda fez o segundo gol, e o Brasil, pela primeira vez estava inferiorizado no placar.

Duas seleções do Brasil. Uma no primeiro tempo, vencendo de 1 a 0, que poderia ter sido mais. No segundo, perdendo de 2 a 1, que poderia ter sido mais.

Quando o Brasil precisava, tinha 10 jogadores no meio e na verdade, metade na reserva, metade em campo, sem fazer coisa alguma. Foi arriscadíssimo colocar Felipe Melo para jogar. Qualquer um podia ver que em todos os jogos, ele fazia tudo para ser expulso, só que os  juízes não perceberam.

Hoje, finalmente, foi expulso. Mas o que não se esperava é que, antes disso, iria fazer 1 gol, só que contra, ou melhor, a favor da Holanda.

No primeiro tempo, só Robinho se destacou. Kaká perdeu um gol feito aos 30 minutos, Juan já havia desperdiçado outro, facílimo, aos 25 minutos. Kaká pegou apenas uma bola no primeiro tempo, Luis Fabiano nenhuma.

Mesmo os jogadores que vinham se destacando em outras partidas, hoje falharam completamente. Inclua-se aí, a defesa inteira, considerada por todos como “maravilhosa”. E até Julio Cesar, “o maior goleiro do mundo”, (o que não era exagero) não pode sofrer dois gols de cabeça, na pequena área. É bem verdade que um desses gols representou “fogo amigo”, se é que Felipe Melo pode ser considerado companheiro, está mais para adversário.

Quando Felipe Melo foi expulso, o Brasil não ficou com 10 em campo, na verdade estava sem nenhum. Não reagiu em momento algum, aceitou a derrota desde o segundo gol da Holanda. A impressão é de que a seleção estava surpreendidíssima pelo fato de não ter sofrido o terceiro.

Dunga chorou, de verdade, quando a Holanda fez o segundo gol. Sabia que não havia reversão. Teve que ser consolado por Jorginho, cabeça com cabeça. A impressão: deviam estar se consolando não pelo gol contra, mas pela contrariedade de não terem levado os jogadores que poderiam substituir os insubstituíveis.

***

PS – A Holanda não tem de maneira nenhuma a grande seleção que se imagina, pelo fato de ter ganho do Brasil. Dando nomes verdadeiros e definindo corretamente as palavras.

PS2 – Não é choro, lamento ou justificativa: foi o Brasil que PERDEU, feio. E não a Holanda que GANHOU, também feio, não houve beleza no jogo.

PS3 – Escrevo justificando o risco que coloquei, mas sem admitir, um minuto que fosse, a possível derrota, que para mim era impossível.

PS4 – A Holanda pode ser campeã, mas será com uma equipe tão medíocre quanto foi a do Brasil em 1994.

PS5 – Com a vitória, todas as mediocridades seriam glorificadas. Com a derrota, haverá tempo de sobra para um amplo debate. Que seja CONSTRUTIVO e não AGRESSIVO.

Hermano de Deus Nobre Alves

Foi brilhante e atuante. Amicíssimos, eu só o chamava assim, diariamente, pelo nome todo. Com 21 anos era uma espécie de secretário político de Carlos Lacerda, embora a secretária mesmo, fosse a competente Ruth Alverga.

Com 21 ou 22 anos, falando e escrevendo admiravelmente francês e inglês, e com grande cultura, escrevia para personalidades políticas e literárias do mundo todo. E como eram cartas excelentes, acumulava respostas. Respondia novamente, estabelecia um intercâmbio cultural. Ótimo. Insistia muito com ele para fazer um livro, estava mais interessado na comunicação do que na publicação.

Em 1966, (quando fui cassado, 48 horas antes da eleição) foi candidato pelo mesmo MDB da oposição. Também na mesma chapa, Marcio Moreira Alves, bem mais moço, antilacerdista ferrenho e compenetrado. Os dois se elegeram, tomaram posse em janeiro de 1967, mas tiveram pouco tempo, foram cassados em 1968.

Cassado e perseguido intensamente, seu exílio foi um drama e quase tragédia. O ex-ministro Afonso Arinos de Mello Franco teve enorme importância no exílio de Hermano. Foi para o México, Inglaterra e ligeiramente na Argélia, enfrentou o veto de Miguel Arraes.

Em 1980 voltou para o Brasil, não quis mais saber de política, o seu tipo de atuação era mais para o BIPARTIDARISMO do que para o PLURIPARTIDARISMO.

Ele sentia e dizia: “No PLURI tenho que fazer politicalha, que não sei fazer, no BI, posso ser eu mesmo, fazer política maior”.

***

PS – Passou a viver opressivamente, muito distante do Hermano de Deus Nobre Alves, de 15 ou 20 anos antes.

PS2 – Embora não tenha maior importância, é preciso citar. Separou da mulher, com quem tinha 4 filhos, casou com uma portuguesa.

PS3 – A importância dela ser portuguesa, é que foi morar em Portugal,  e nunca mais voltou ao Brasil. Repudiava tudo o que se fazia no Brasil, não queria nem viver aqui.

Fifa, CBF, Globo e Ricardo Teixeira, tudo a ver

Delmiro Gouveia:
“Helio, segundo o jornalista Erich Beting, que teve acesso à informação, o contrato assinado entre a Fifa e a Rede Globo prevê, em uma de suas cláusulas, que a emissora tenha direito a realizar entrevistas exclusivas com atletas inscritos do Mundial de 2010. Situação esta que não se aplica às outras emissoras, como a ESPN, Band e BandSports.

Estaria então a CBF infringindo uma norma contratual ao vetar que jornalistas da emissora façam uso de seus direitos.

Na verdade, é tudo um grande absurdo. A Fifa não pode pautar e restringir a imprensa de qualquer país. É evidente que, por interesses tantos, a Rede Globo não realiza uma cobertura jornalística que possa prejudicar, de alguma maneira, a imagem daqueles com quem mantém vínculo comercial. Seja a Fifa ou a CBF.

O direito de informar ou de ser informado não pode ser decidido nos escritórios daquele que se tornará notícia durante o evento. No final, quem sai perdendo, como sempre, são os consumidores de informação, que recebem apenas o que lhes é permitido receber, nunca o que realmente acontece de verdade.”

Comentário de Helio Fernandes:
Concordo com  tudo, mesmo porque, Fifa, CBF e Organização Globo, pura redundância. O Beting é bom repórter, jovem e correto, aprendeu jornalismo em casa.

A Globo deve ter incluído no contrato, cláusulas que a favorecessem. Assim, a Fifa não poderia vetar as entrevistas exclusivas, da mesma forma que não poderia restringir o trabalho jornalístico. Mas os donos dos jornalões, que geralmente não são jornalistas, se beneficiam de tudo.

Agora vou fazer uma revelação total, a raiz de tudo que aconteceu e que explica e consolida a informação do Beting.

Mais ou menos há 2 anos, a Fifa fechava os acordos para a transmissão da Copa 2010 para os mais diversos países. A Globo já apresentara sua proposta: 90 milhões de dólares pela EXCLUSIVIDADE PARA O BRASIL. A Record, assustando a Globo, ofereceu 180 milhões de dólares. Como a Record é o pânico da Globo, esta se movimentou.

Tirou Ricardo Teixeira de uma festinha familiar, colocou-o num avião imediatamente, só parou quando chegou a Zurich. E depois de conversar com Blatter, telefonou para os “patrões”, dizendo: “A Fifa aceitou a proposta da Globo”. Qual era a proposta?

A Fifa aceitava os 90 milhões no lugar dos 180, a Globo abria mão da EXCLUSIVIDADE, todos os canais abertos podiam transmitir, menos a Record. Por isso, ao contrário das outras Copas, a transmissão é geral, naturalmente sem a Record.

A Organização acertou em cheio. No jogo Brasil-Coreia do Norte, a audiência da Globo foi de 44 pontos no Ibope. E nos outros jogos, também. Teixeira pagou uma parte do que deve à Globo desde 2001, quando houve a CPI que indiciou o presidente da CBF em 7 crimes financeiros.

***

PS – Como aconteceu com Daniel Dantas, não se falou mais nisso, “lá em cima”, Teixeira deve ter resolvido. E um dia, o poderoso chefão da Globo, telefonou para Teixeira, explicando: “Temos que dar matéria sobre a CPI, mas de leve e sem massacrar”. Só uma vez em quase 7 meses.

PS2 – Estou escrevendo esta matéria às 9 horas, não quero deixar o Delmiro Gouveia e outros, sem resposta, a matéria, para depois, ficaria “velha”.

PS3 – Logo depois da Holanda, escreverei sobre a vitória do Brasil. Gosto muito do Cruyff como jogador, mas não precisava ter exagerado na tolice.

PS4 – Posso estar me arriscando, mas esta seleção da Holanda está com 36 e 32 anos de atraso em relação a 1974 e 1978. Até já.

Há 8 anos venho dizendo: Serra jamais será presidente. Toda a indecisão na escolha do vice, leva à conclusão: se fosse presidente, como agiria num impacto? Chamaria o Indio?

Desde o fim de 2009, quando se tratava da apresentação das candidaturas, com Serra e Dilma como cabeças de chapa, eu dizia aqui: “Aécio não será vice de Serra”.

E quando me perguntavam a razão da descrença, explicava: “Por que o governador de Minas trocará 8 anos certos no Senado, pela vice de um candidato que não ganhará?”

Insistiam na pergunta, o repórter insistia na resposta: “Aécio só aceitaria, se algum tabelião (que tem fé pública) desse a ele um documento, garantindo que Serra seria o vencedor”.

A recusa de Aécio, sem nenhuma duvida, enfraquecia Serra. O cerco de Serra a Aécio, era a prova de que ele considerava que sem o governador de Minas (até abril), não ganharia.

O também ainda governador de São Paulo, “fazia divagações sobre um tema antigo”, rodava em círculos, esperava que fosse criado o Prêmio Nobel da Indecisão, seria o vencedor como candidato único.

***

PS – Como muitos continuavam certos de que Aécio reconsideraria a posição, acabaria cedendo e aceitando formar a chapa com Serra, escrevi taxativamente, rigorosamente convencido do que escrevia: “Se Aécio for vice de Serra, podem dizer que “SOU O PIOR ANALISTA DO MUNDO”.

PS2 – Chegou 2010, os dois se desincompatibilizaram, o PSDB apostando na “chapa-pura”, Serra namorando Aécio política e eleitoralmente, e este montando sua campanha para senador.

PS3 – Serra se desesperava, aceitava ser aconselhado e orientado por especialistas do nada, bastava ler e acreditar neste repórter. Que afirmava, reafirmava, garantia, jogava sua reputação de analista na negativa ao nome de Aécio.

PS4 – Serra também jogava sua reputação de presidenciável, na conclusão que deixava óbvia: “Tem que ser Aécio”. Não percebia que a cada NÃO de Aécio, sua candidatura mergulhava mais fundo do que pré-sal, no tempo e na profundidade?

PS5 – O ex-governador de SP, viajou por mares nunca dantes navegados na busca de um segundo que pudesse fechar com ele, o primeiro. Vetaram até o presidente do próprio PSDB, alertando, “ele não tem votos, não disputará nem a reeleição para o Senado”.

PS6 – E nessa busca “escafandrística”, se renderam à imposição do filho de Cesar Maia. Perguntinha ingênua, inócua, inútil; não perceberam que o candidato de Rodrigo Maia se chama Rodrigo Maia?

PS7 – E convenhamos e reconheçamos: se aceitam que um medíocre “realizador de eventos” no governo do pai, pode ser presidente do DEM, porque não pode ser vice? E indica um desconhecido, constrangendo o partido inteiro, obrigado (?) a aceitar?

PS8 – Indio da Costa vice e quase candidato a vice, não será a catástrofe que se imagina, porque Serra não será eleito. DE JEITO ALGUM. Caindo cada vez mais, Serra está hoje mais enfraquecido e debilitado do que estava em 2002.

PS9 – Ave, Indio, os que vão perder te saúdam. Existem “mouros na costa”, como se dizia antigamente.