O primeiro passo da grande marcha

Carlos Chagas

O governador Roberto Requião pegou o peão na unha. É candidato à presidência da República, no caso de as bases do PMDB atropelarem a decisão das cúpulas, de apoiar Dilma Rousseff. Só uma convenção poderá determinar se haverá candidato próprio ou aliança com outra candidatura. Essa convenção acontecerá no primeiro semestre do ano que vem. Até lá, estará percorrendo o país para visitar os diretórios estaduais e sustentar a opção partidária. E não se preocupa se o presidente Lula vai gostar ou não.

Para Requião, o importante a partir de agora é apresentar ao PMDB um programa para o futuro, calcado na necessidade de limitar o capital financeiro e ampliar as conquistas sociais, com ênfase para o trabalhador.  Demolir as últimas tentativas de o mercado prevalecer sobre o interesse nacional, começando pelo enquadramento do Banco Central e dos bancos públicos e privados.

Não admite que a maioria de seu partido permaneça atrás de liberação de verbas e da ocupação de postos e funções no governo do PT quando, como maior estrutura política  nacional, dispõe de mais vereadores, prefeitos, deputados estaduais, governadores, deputados federais e senadores do que as demais legendas. 

Lembra que o Instituto Ulysses Guimarães, presidido pelo deputado Eliseu Padilha, promoveu consulta às representações estaduais e obteve 25  manifestações favoráveis à candidatura própria. Dá menos importância ainda à tentativa malograda da direção nacional do PMDB de boicotar a campanha pela candidatura própria, acolitada por parte da mídia. Contra a natureza das coisas ninguém investe impunemente.

Começa em atmosfera adversa o vôo pilotado pelo governador do Paraná, tendo em vista a estratégia das elites nacionais, ironicamente divididas entre as candidaturas de Dilma Rousseff  e José Serra, ambas tão iguais quanto o seis e o meia-dúzia. Apesar de sua amizade com os dois candidatos, o pré-candidato não vê como possam promover as mudanças de que o país necessita. Não critica o programa de governo do presidente Lula no que diz respeito ao avanço social, apesar  da  capitulação frente ao neoliberalismo. O bolsa-família é um programa irreversível que será continuado por quem vier a ser eleito, mas é preciso que avance.

Toda grande marcha, para Requião, parafraseando o presidente Mao, começa pelo primeiro passo, que acaba de ser dado.

Depois da informática

Terá desdobramentos essa  imensa lambança tornada pública com a operação Caixa de Pandora, da Polícia Federal. Porque até agora revelaram-se apenas as distribuições de dinheiro irregular tomadas de empresas especializadas em informática.  Quanto terá sido arrecadado de empresas que se dedicam aos transportes públicos, à construção civil, à saúde, educação e sucedâneos.

A pergunta que se faz é se essas ações criminosas de governantes, funcionários, parlamentares e, dizem, até juízes, restringem-se a Brasília ou se dispõem de tentáculos nos diversos estados. Na maioria dos casos, só falta o cinegrafista-larápio que resolveu documentar tudo.

Um sacrilégio

Andam brincando com fogo os mensaleiros e demais bandidos empenhados na desvairada corrupção que nos assola. Porque um sacrilégio daqueles dignos do fogo eterno começa a circular pelo país. São muitas as vozes que indagam o que teria feito o tonitruante general Ernesto Geisel caso a lambança do Arruda tivesse acontecido nos idos em que governou o país.  No mínimo, teria mandado recolher à cadeia todos os implicados e denunciados no  mensalão do DEM. E em outros mensalões. Com ou sem garantias constitucionais, não sobraria ninguém, de governador a vice-governador, secretários, deputados, juízes e muito mais gente. Apesar de tratar-se de um ato ditatorial, quanta gente aplaudiria? É bom que  os tempos do autoritarismo tenham escoado pelo ralo, mas fica a pergunta: por que a democracia carece de  instrumentos para impor a ética e a honestidade?

Discussões inócuas

A comissão de Constituição e Justiça do Senado discutiu, essa semana, proposta de emenda constitucional restabelecendo a necessidade de diploma universitário para o exercício do jornalismo. A iniciativa deveu-se à incompreensível decisão do Supremo Tribunal Federal de extinguir o diploma, permitindo a quem dispuser do dom de escrever a permissão de trabalhar em jornais, revistas, rádios, televisões e toda a parafernália informativa.

Vai demorar até que o Congresso se pronuncie, mas seria fácil a qualquer parlamentar decidir a questão em dois minutos. O dom de escrever faz o escritor, que não está impedido de ter seus escritos publicados na imprensa. Mas apenas como colaborador, jamais como jornalista, que para exercer a profissão precisa de outras credenciais além de saber escrever: editar, selecionar, diagramar, apresentar – tudo a partir da aquisição de conhecimentos ordenados de história, política, economia, geografia, ética, filosofia e quanta coisa a mais? Apenas nos bancos universitários esse conjunto poderá ser recebido de forma ordenada e sistematizada, como para o advogado só na faculdade de Direito receberá lições de Direito Civil, Penal, Constitucional, Comercial, Trabalhista e muitos outros.

Alguém pensa em extinguir o diploma de advogado só porque determinado cidadão tem o dom da oratória? Ou o diploma de medicina porque o açougueiro é um craque na arte de cortar carne?

PT e Lula divergem sobre o fim de Arruda

O partido, às 13:22 protocolou pedido de impeachment do governador de Brasília. Lula havia tentado ficar em cima do muro, quando disse, “não posso falar, só depois do fim da investigação policial”.

O partido não esperou e contrariou o presidente da República. Mas não querendo dar a impressão de hostilidade, disseram aos jornalistas: “Queremos garantir mais um palanque para o candidato do PT à sucessão”.

Ler corretamente: escreveram e falaram candidatO e não candidatA.

Royalties do Pré-Sal

Sou a favor de todos os estados e principalmente municípios se beneficiarem com as riquezas da descoberta, a milhares de quilômetros de profundidade.

Acho que os produtores devem receber mais, justíssimo. Mas os municípios não podem ser abandonados, é ali que começa a Federação, por mais injusta que ela seja.

O que não admito, protesto e me revolto, é que tudo seja resolvido por Henrique Eduardo Alves e Eduardo Cunha. O primeiro ganhou manchetes e mais manchetes com as denúncias e acusações da ex-mulher. Com 10 mandatos de deputado, jamais conseguiu ser governador do seu estado, o voto é diferente. (Deputados e senadores querem sempre governar o seu estado.

Eduardo Cunha, bem, é  Eduardo Cunha, o maior e mais corrupto lobista de Brasília. Chamado de ladrão na televisão por César Maia, e na Alerj pela deputada Cidinha Campos, vai dispor e decidir sobre o FUTURO DO PAÍS. Isso não existe, nem pode existir, mas vai existir.

Arruda confessa, mas diz que a CORRUPÇÃO aconteceu em 2006, na campanha e não no governo

Os três advogados caros e famosos se reuniram, concordaram: a questão do panetone, é ridícula e dá margem a gozação. Por sugestão do doutor Bulhões, ficou decidido que “o dinheiro era para a campanha e foi contabilizado”.

É uma confissão, mas segundo eles, muito menor e não sujeita a IMPEACHMENT. Imaginação é uma ferramenta principal do “kit” de qualquer candidato. Só que não vai “colar”.

Os cabeças de chave para 2010

A Fifa faz o que quer, e não há recurso. Normalmente, a chave A, é formada pelos que já conquistaram títulos e mais o anfitrião. Mudaram. O Uruguai, duas vezes vencedor, foi retirado. E não colocado na chave 2, para não enfrentar o Brasil. Foi jogado para a fila 3.

A França, também campeã, foi retirada da chave A

Não precisava muita capacidade de análise para constatar: a FIFA, desconfortável com a forma como a França se classificou, “exerceu o Poder de vingança”. Se acovardou, bastava anular o gol com a mão, e continuar o jogo a partir dali. E com aquele gol retirado do placar, se ficasse como estava, a Irlanda iria para os pênaltis.

IPTU de São Paulo, aumenta 100 por cento

É tão escandaloso quanto outros episódios. Dobrar o imposto sobre os imóveis é uma vergonha. E mais grave: esse aumento será repetido todo ano, os prédios ou apartamentos mais velhos, pagarão ainda mais do que os outros

Serginho cabralzinho filhinho,
lamenta que o IPT seja municipal

Se fosse da sua área, já estaria copiando e imitando. Mas Eduardo Paes não merece a menor confiança. Depois de ter dito e repetido, “Lula não passa de um chefe de gangue”, foi procurá-lo para se eleger prefeito. Que República.

O DEM quer se livrar de Arruda, mas não pretende perder o governo de Brasília. Têm receio da “radicalização” e das jogadas escusas da família Maia, incrível

Essa maldita demonstração de falta de vergonha do governador Arruda, não é surpreendente, por causa do seu  passado. Mas mesmo para Arruda é um escândalo de profundidade inatingível. (Nem Roriz foi tão corrupto, Deus me perdoe. Arruda renunciou a um resto de mandato no Senado, Roriz renunciou desde o início, quase o mandato inteiro).

A situação muda a cada instante. Assim que o governo de Brasília foi pelos ares, a palavra usada era INSUSTENTÁVEL. Acuado e desesperado, Arruda concordou em depor no próprio DEM, e vendo que a situação estava difícil, lançou outra: RADICALIZAÇÃO.

Como todos são ou podem ser vulneráveis, o DEM fez uma pausa para “reflexão”. E deu mais tempo para Arruda se defender. Mas ninguém acredita que “até o dia 10 tudo estará resolvido”.

Arruda vai mergulhando no lamaçal que ele mesmo provocou, junto com quase toda a política do Distrito Federal. O DEM considera Arruda espantosa maldição, mas quer ver se condena o governador, considerando a absolvição do próprio partido.

Primeiro grande objetivo do DEM: perder Arruda, mas não perder o governo de Brasília. Para isso desconsiderariam as acusações contra Paulo Otávio, para que ele possa assumir o cargo, e disputar a reeeleição em 2010. (Mais uma violentação da linguagem, que não está no Acordo Ortográfico com Portugal: a REEELEIÇÃO de quem não foi eleito, caso do vice).

No momento, já existem 4 pedidos de impeachment contra Arruda. Mas o mais importante é o da OAB Nacional. O presidente César Brito garantiu que “amanhã, 5ª feira, o órgão se definirá”.

Arruda não se salva e perderá o cargo, a revolta é muito grande, já chega à opinião pública. Mas se hipoteticamente fosse mantido, não teria secretários, quase todos renunciaram, e os partidos não aceitam indicar outros.

Falta o PMDB, que mobiliza a corrupção. Se ficar a favor da deposição de Arruda, se joga empolgadamente no apoio a Roriz, cujo nome é sinônimo de enriquecimento ilícito.

No momento, 11 da manhã, em Brasília, todos conversam com todos, independente da divergência das siglas. Sarney, o maior vencedor do grande e destruidor escândalo nacional do Senado, defende a permanência de Arruda. E disse pessoalmente a ele: “Fique tranquilo, Arruda, você vai continuar, disso eu entendo melhor do que ninguém”.

O presidente Lula erra tanto quanto errou no episódio Zelaya. Fala e age apressadamente, sem pensar ou examinar o assunto. E disse, assustadoramente: “Imagens não valem nada, a importância é a investigação da polícia”.

Falou bobagem e desmentiu o que era verdade absoluta: “Uma foto vale mais do que 10 mil palavras”. Não ERA UMA FOTO, vídeos em profusão.

O presidente da Assembléia, Leonardo Prudente (que desmentiu o sobrenome) aparece colocando dinheiro na cueca. Não teve nem originalidade, isso já foi feito com repercussão nacional.

(Como o assunto terá desdobramentos, paro aqui, e postarei outras notas, assim que a roda girar. De qualquer maneira, hoje Arruda não será enxotado).

Faltam 4 dias para o Flamengo ser campeão

Entrará em campo como campeão, jogará como campeão, conquistará o título como campeão. Nem liga para essas intrigas regionais, o Flamengo tem nos torcedores o maior grêmio internacional de incentivadores.

Só tenho medo que a vitória incentive algum troglodita a ganhar a eleição para presidente do clube, no dia seguinte. Felizmente o Zico, publicamente, apóia Andrade, no campo e Clóvis Sahione fora dele.

Começam a apedrejar Requião

O mais forte nome a presidente pelo PMDB, lançou sua candidatura, numa reunião partidária no Paraná. A “cúpula” dominante não compareceu. Lógico, querem apenas a vice e para quem não tem votos, Michel Temer. Para eles, a candidatura Requião, catástrofe.

E já começaram a atacar o governador, (prefeito da maior cidade, da capital, governador, senador, novamente governador, reeeleito) que nunca perdeu eleição. Sendo um ganhador de eleição popular, não interessa ao PMDB, eternamente governista. E insistem em tentar atingi-lo de qualquer maneira.

Lula poderia apoiar Requião, aí só precisaria transferir para ele 20 ou 30 por cento dos votos. Apesar do apagão, Requião tem luz própria, o que não acontece com Dona Dilma.

Prestes, mito, lenda e legenda

Capitão aos 23 anos, pediu demissão do exército, foi EXPULSO 10 ANOS depois. Uma vida de convicção e sacrifício.

Respondendo a muitos que postaram notas sobre os 74 anos da Revolução Comunista de 1935 (principalmente Edson Carvalho e Antonio Santos Aquino), devo esclarecer a posição do Capitão Luiz Carlos Prestes e a minha posição em relação a ele.

Sempre foi de pura admiração. Essas duas palavras que estão no título se adaptam perfeitamente a ele, como militar e como civil. Jamais fez concessão, nunca negociou convicções em troca de favores ou benefícios. Era tão sincero, autêntico e de tanta credibilidade que chegava a ser inacreditável.

Como eu contei e é fato histórico, Siqueira Campos e João Alberto foram a Montevidéu convidá-lo para liderar, chefiar e comandar a Revolução de 30. Prestes só aceitaria se fosse comunista. Poderia ter aceitado, assumido o Poder com a vitória e depois tentar mudar os rumos dessa vitória. Prestes não, seu padrão e seu comportamento eram inflexíveis.

Minhas diferenças e divergências com Prestes eram mais do que compreensíveis. No dia 25 de março de 1981, tivemos um grande debate, eu e ele, na Faculdade do Campo de Santana, no CACO. Lotadíssimo, quase não podíamos falar, a parte prestista maior do que a que me apoiava, o que é mais do que natural. Ele já era a grande figura de sua geração e de várias gerações, personagem da própria História do Brasil.

Estou citando o 25 de março de 1981, porque é uma data inesquecível para mim e para a Tribuna da Imprensa. Saí do Caco por volta das 23:30, fui para casa. Quando eram 4 horas da manhã me acordaram, a Tribuna havia sido destruída pela ditadura. (Estou lembrando os dados e a data, qualquer um pode verificar no arquivo da famosa e histórica Universidade).

Aquino citou o general Cordeiro de Farias,outra grande figura, amicíssimo do repórter. Em 1963, (no que se dizia em “plena democracia”) fui preso por ordem do Ministro da Guerra, Jair Dantas Ribeiro. Motivo: publiquei uma circular secreta, que o ministro mandou apenas para 12 generais, “confio nesses”. Um deles, Cordeiro de Farias me deu o documento sigiloso, que publiquei no dia seguinte. Preso no mesmo dia, meus advogados, Sobral Pinto, Adauto Lucio Cardoso, Prado Kelly e Prudente de Moraes, neto, foram procurados pelo próprio Cordeiro de Farias, que disse a eles: “Quem deu o documento ao Helio fui eu, não sabia que ia ter essa repercussão. Os senhores estão autorizados a revelar esta confissão”.

Eu estava incomunicável, quando meus advogados conseguiram falar comigo (por ordem do bravo e ínclito Ribeiro da Costa, presidente do Supremo), me contaram a conversa deles com Cordeiro de Farias. Recusei qualquer conhecimento com o general, resisti aos apelos para que reconhecesse a participação dele, isso nem passava pelo meu pensamento. Como poderia “entregar” uma fonte, mesmo com a autorização dela?

Fui julgado, pediram 15 anos de prisão para o repórter (enquadrado na Lei de Segurança), fui absolvido, mas por 5 a 4, no voto de desempate do presidente Ribeiro da Costa.

Para terminar com a independência e grandeza de Prestes. Em 1924, foi EXPULSO do Exército ao qual já não pertencia há quase 10 anos. Esse é o homem LENDA e MITO, cuja história foi quase sempre deturpada.

Só fui reencontrar Prestes em 1987 em Cuba. Nada ideológico, era apenas um extraordinário Seminário sobre DÍVIDA EXTERNA, com 4 mil participantes da América do Sul e Central. Do Brasil, 61 convidados, incluindo o próprio Lula. Desses 61, só dois ocuparam a tribuna: Prestes e este repórter.

Ideologia à parte, Prestes é dos maiores personagens brasileiros. Com a chamada “Coluna Prestes”, passou a ídolo nacional, adorado e admirado por milhões que nem sabiam o que era comunismo.

* * *

PS- 10 anos depois jogava tudo fora, passava 10 anos na prisão, somando 20 anos, (de 1926 a 1946) foi o brasileiro mais torturado de todos os tempos. Não cedeu o mínimo que fosse, achou que devia apoiar o ex-ditador, não hesitou um segundo. Do ponto de vista normal, era uma atitude incompreensível. Mas Prestes não ligava para isso.

PS2- Era insensato, sem dúvida, mas era Luiz Carlos Prestes. O mais generoso, desprendido e grandioso personagem que conheci. A ambição costuma levar os homens à perdição. Prestes se perdeu, precisamente por não ter ambição.

Não acontecerá nada

Carlos Chagas

Dos sete casos e sete incisos do artigo 34 da Constituição que justificam a intervenção federal,  nenhum se aplica à lambança verificada no Distrito Federal,  revelada pela operação Caixa de Pandora. O que  mais se aproxima prevê a medida  para “pôr termo a grave comprometimento da ordem pública”. Mesmo assim, seria contestado por qualquer aluno do primeiro ano da Faculdade de Direito, pois a reação do povo  de  Brasília à   lambança de seus governantes limitou-se ao gesto de um cidadão envergando um nariz de palhaço, diante da residência do governador Arruda. A população daqui  parece anestesiada, como de resto em todo o país, já que a corrupção tornou-se rotina na prática de todos os governos.

Mas nem  será por isso que a intervenção federal deixará de ser aplicada.  O Brasil inteiro está podre, em se tratando dos governantes. Raríssimos são os governadores e prefeitos imunes a cobrar comissões de não menos podres empresários interessados em conseguir contratos ilegítimos e irregulares com o poder público.

Acresce não estar o governo federal nem aí para mais esse escândalo. O máximo que se ouviu foi o comentário do correto vice-presidente em exercício, José Alencar, esperando que todas as denúncias sejam apuradas e os responsáveis, punidos severamente. Punidos como, meu santo? Serão os lambões a  julgar a lambança. O governador dispõe  de ampla na   Câmara Legislativa  encarregada de afastá-lo, além de se registrarem pelo menos nove deputados distritais flagrados  recebendo dinheiro irregular enviado por empresários. No Tribunal de Justiça, três desembargadores tiveram seus nomes relacionados com a maracutaia, conforme degravações da Polícia Federal. E quanto a esperar que José Roberto Arruda, no Executivo, limpe o esgoto, nem pensar. Ou ele não é acusado como articulador e chefe da quadrilha?

Levantou-se uma réstea, apenas, do tapete de podridão, pois todas as denúncias referem-se às relações criminosas dos donos do poder com empresas prestadoras de serviços de informática. E quanto às que cuidam dos transportes públicos? Da construção civil? Das telecomunicações?  Das obras de infra-estrutura? Da saúde, da educação, da alimentação e de tudo o mais?

A conclusão surge trágica: não interessa a ninguém o afastamento dos bandidos, quaisquer que sejam e onde estejam. Ficará tudo como está. Não acontecerá nada.

Sucessão de pernas para o ar

Um efeito, pelo menos, parece previsível nessa crise que assola Brasília: o governador José Roberto Arruda perdeu  as condições de reeleger-se, ano que vem. Nem  legenda conseguirá,  mesmo na hipótese  de não ser expulso do DEM, aberta com a ameaça de revelar movimentos escusos do partido.

Espera-se para os próximos dias a revelação de irregularidades iguais verificadas no governo anterior, de Joaquim Roriz, que vinha crescendo nas pesquisas como candidato a retornar pela quinta vez ao lugar já ocupado.

Sendo assim, aguarda-se o aparecimento de outros candidatos. O PT,  o PC do B, o PMDB, o PDT e o PSDB reavivaram suas esperanças.  Serão os salvados do incêndio.  Geraldo Magela, Agnelo Queirós, Cristóvan Buarque e outros já se posicionam.

Como custa saltar de banda

Rumores circulam a respeito de o Brasil sair de mansinho da trapalhada em que nos envolvemos em Honduras. Está difícil, mas é a única solução. Afinal, por que contestar as eleições lá  realizadas,  mesmo se tiverem sido desonestas? Adiantará alguma coisa o Itamaraty deixar de reconhecê-las? Continuar negando validade ao pleito seria o mesmo que a República de Bonga-Bonga,  ou de Songa-Monga, insurgir-se contra a  reeleição do Lula, em 2006.

Melhor faríamos se mandássemos embora de nossa embaixada o ex-presidente Zelaya, ainda por cima levando a conta de sua hospedagem e alimentação às nossas custas, por todo esse tempo.

A moda vai pegar

A Câmara de Vereadores de São Paulo confirmou em parte o assalto que o prefeito Kassab se propõe realizar contra o bolso dos paulistanos, elevando o IPTU muito acima da inflação. O reajuste  não chegará aos 60% pretendidos, mas, mesmo assim, ultrapassará de muito o aumento do custo de vida e, em especial, dos salários. Ninguém se espante caso a moda venha a pegar em outras capitais e grandes  cidades onde os respectivos prefeitos afiam as garras. Até mesmo em Brasília…

A manipulada Bovespa

Há dias, quando o Índice chegou a 65 mil pontos, amestrados (em nome do cassino) afirmaram: “O ano de 2009 deve chegar aos 74 mil pontos de antes da crise de maio de 2008”.

Divulguei e comentei: “Nenhuma surpresa, faltam apenas 10 por cento. Mas nenhum benefício, os verdadeiros investidores estão longe, perderam, não puderam participar da alta compensatória”.

Hoje, por volta das 14 horas, quando posto esta nota, a Bovespa chegou a 68 mil e 300 pontos. Faltam, portanto, 5 mil e 700 pontos para chegar aos 74 mil de antes, apenas 6 por cento.

Lavanderia assaltada 3 vezes

Primeiro temos que saber se lavava roupa, ou como está na moda, se lavava dinheiro. Neste segunda hipótese, deve estar em nome de Arruda, Paulo Otávio e o presidente da Assembléia”. Nada surpreendente.

O DEM pode
radicalizar no prazo

A divisão no partido é enorme, no momento em que posto esta nota, 11 e meia. Nesse caso, dariam tempo a Arruda para que os fatos só fossem examinados e decididos depois do Natal e Ano Novo. (Também chamado de “ano novo”, não para Arruda). Dentro disso, dariam a ele 15 dias a partir do dia 5, e mais 15 dias para o partido desvendar a defesa do governador. Assim, inicialmente ele teria até dia 20, (fora naturalmente sábados e domingos) e até 5 de janeiro para o DEM se pronunciar. (Também com as exclusões de sábados e domingos).

Conclusão: Arruda teria muito tempo para resolver. E segundo se fala em Brasília, os advogados caríssimos, seriam pagos pelo amigo Estevão, que além de ser muito mais rico, quer mostrar amizade para receber a reciprocidade eleitoral.

Faltam 5 dias para o Flamengo ser campeão

Haja o que houver o título será festejado no domingo. Conquistado vem sendo desde que Andrade foi elevado à condição de treinador. Com o Grêmio, contra o Grêmio, este com o time completo, descompleto, incompleto.

A propósito de salários de treinadores

O do Vasco, que assumiu sem que se soubesse de onde vinha e porque vinha, tinha uma tarefa fácil: fazer o Vasco subir para a Série A. Se conseguisse, ganharia 1 milhão de bonificação, e mensalmente, 280 mil.

Ficou 8 meses, recebeu no total, 3 milhões, 240 mil reais. Disparate em relação ao país, principalmente comparado com outros profissionais. Excluídos Luxemburgo e Muricy que ganhavam, (ganham) 700 mil por mês.

Requião, presidenciável que o PMDB não aceita

Dentro do partido, é o possível candidato mais forte. Três obstáculos quase intransponíveis. 1- O PMDB não pretende ter candidato, prefere ser “o dono de quem se eleger, mesmo de outro partido”.

2- Requião pode ganhar, isso assusta e amedronta a rotina dos “líderes” peemedebistas. 3- Basta ver a reunião que Requião realizou no Paraná, relacionem quem faltou ou não foi e verifiquem.

Concluindo: Requião, com uma senatoria garantida admite concorrer. E o presidente Lula, ainda sem candidato, teria vida muito mais fácil, eleitoralmente, apoiando o governador. Logicamente, excluindo seu próprio nome.

Nabor Bulhões: maratona para expulsar Battisti, maratona para NÃO expulsar Roberto Arruda

Um dos mais caros e mais famosos advogados brasileiros, lutou intensamente para que o italiano deixasse o país. Agora vai travar a mesma luta para que o governador de Brasília não sofra impeachment ou seja expurgado do partido, quase a mesma coisa.

Battisti e Arruda, diferentes?

Apenas na identificação ou na constatação sumária. O italiano é tido e havido como terrorista, que não sumariamente, lutou contra ditaduras e pela democracia. Berlusconi sabe disso, não pediu à França, durante 10 anos, a devolução de Battisti.

A corrupção é terrorismo
contra a democracia

Arruda não pode merecer o benefício da dúvida e como todo o país sabe, não é primário e sim REINCIDENTE ESPECÍFICO. Praticou o mesmo crime há 8 anos, renunciou para não ser cassado. O que pode se repetir agora.

A OAB, brilhantemente
a favor do impeachment

Os famosos advogados que tentarão manter um corrupto na vida pública, lutarão principalmente contra a sua entidade de classe, a OAB, com uma tradição de luta pela democracia. (Em 1936, a OAB indicou um advogado, o conservadoríssimo Sobral Pinto, para defender o líder comunista Luiz Carlos Prestes)

Divisão entre causídicos?

O primeiro advogado, também famoso e também caríssimo, levantou a “tese” do panetone. O terceiro, acha essa defesa ridícula. E quer saber se o panetone iria ser distribuído durante a campanha para a eleição de Arruda ou depois da vitória?

Arruda: “Vou radicalizar”

Parece palavra máxima. O DEM, (antigo PFL da ditadura, é bom não esquecer) já estava “fechado” pela expulsão de Arruda, quando ele fez essa ameaça, que rapidamente mudou a situação partidária. No DEM, quem tem medo da radicalização?

A Assembléia do DF
não aprovará o impeachment

Com 8 deputados acusados e comprometidos, Arruda não perde lá. O próprio presidente da “casa”, apanhado em flagrante colocando pacotes de dinheiro nas meias, explicou: “Era por questão de segurança”. Além de corrupto, desavergonhado.

Do deputado José Carlos Aleluia

“O Brasil não suporta mais, tanta corrupção em Brasília”. E depois: “Estou revoltado, a coletividade está revoltada, não podemos demorar com uma solução”. O deputado, corretíssimo, é vice-líder do DEM, o mesmo partido de Arruda.

Arruda-Estevão

Os dois são ligadíssimos. Arruda violou o painel para impedir a cassação do então senador Estevão. Este foi cassado e Arruda teve que renunciar. Agora Arruda está saindo, Estevão está voltando, não se sabe se como deputado ou senador.

Arruda não acredita em cassação ou impeachment, admite (?) a renúncia. Vitorioso uma vez com o recurso, por que não atualizá-lo agora?

Ele e ACM-Corleone utilizaram o “direito” de não serem cassados, optando pela renúncia. Depois esse fato ficou tão banalizado, que aconteceu muitas e muitas vezes.

Agora, acusadíssimo, volta às manchetes, da mesma forma negativa. Nada impedirá sua carreira, talvez a expectativa de ser vice-presidente em 2010. Pode transferir a esperança para depois. É o tempo da punição popular, que esquece tão rapidamente quanto órgãos da Justiça. (Arruda ainda não decidiu para quem passará o cargo).

A cúpula (?) do DEM, fez três afirmações, por intermédio de vários “líderes” que já estavam em Brasília, ou foram para lá, assombrados.

1- A posição de Arruda é INSUSTENTÁVEL. 2- Temos que tomar providências para esse fato não se transforme no mensalão do DEM. 3- Impressionante o descaramento, a falta de constrangimento, o nenhum envergonhamento do governador, que tratava a questão com a simplicidade e a tranquilidade de quem está acostumado a esses fatos.

Deputados e 2 senadores do partido me disseram: “É preciso que o DEM não pratique o pecado da omissão, da mesma forma que o governador mergulhou na corrupção”. Pergunto a um deles o que o DEM vai fazer, ele lamenta mas responde: “Nada, Helio, ficará tudo assim, é o único governador do partido, já ouvi, lá dentro, dizerem que não podemos perder esse isolado governador”.

Textual, e com o sofrimento de quem jamais sofreu a menor restrição. Pergunto se posso colocar o seu nome, responde compreensivelmente: “Helio, você sabe que sou da Executiva do DEM, não quero que digam que eu me adiantei ou me antecipei”.

Nisso tudo, o que espanta e estarrece, é o comprometimento pessoal de José Roberto Arruda, não a cumplicidade em atos de corrupção, ele sempre foi um cidadão abaixo de qualquer suspeita. Mas o rebaixamento com subordinados, o dinheiro entregue em suas mãos, e ele, “você não podia levar na minha casa, tenho que sair com isso?”.

Depois pede uma cesta, coloca o dinheiro, chama o motorista e determina, “coloque no meu carro”. Insatisfeito, pede adiantamento “de 15 em 15 dias”, e depois diz que “é bom esse dinheiro para as despesas pessoais”.

José Roberto Arruda, para quem já foi apanhado em flagrante, se mostra completamente desinformado, é seguramente desonesto, mas também tem que ser chamado de BURRO. Numa época em que tudo é gravado com ou sem ordem judicial, precisava ter um pouco de recato ou de precaução.

(Durante a ditadura, José Maria Alckmin, que foi ministro da Fazenda de JK, e vice do “presidente” Castelo Branco, foi advertido por um amigo: “Você precisa ficar alerta, no apartamento acima do teu, mora o chefe do gabinete do SNI, no outro, um coronel desse órgão, gravam tudo”. E Alckmin sem hesitação: “Não tem importância, eu nunca digo nada”.

Ao contrário, Arruda diz tudo, se satisfaz com a posse do dinheiro, não se lembra que pode estar sendo gravado e, mais grave, filmado. Nessa onda de gravações, pela primeira vez não aparece apenas a voz, mas também o personagem principal, de corpo inteiro.

José Roberto Arruda não pode mais governar, não tem condições. Até o momento em que escrevo, não apareceu, não falou com ninguém, não pode mesmo aparecer ou falar. Demitiu 3 secretários, devia demitir todos, pelo menos para aplacar o dissabor de cruzar com eles, e ouvir a pergunta que na certa farão rindo: “Governador, guardou o dinheiro ou já começou a gastá-lo?”.

A Assembléia Legislativa, com 7 deputados envolvidos não vai aprovar impeachment nenhum. O DEM pronuncia essa mesma palavra, mas não precisa adivinhar para saber que isso não acontecerá. E José Roberto Arruda nem está preocupado com isso.

Já tem seu Plano A ou B. Se a questão se agravar (MAIS?) renuncia para não ser cassado, como fez antes, junto com o imortal ACM-Corleone. Então, livre do mandato e da punição, em 2010 se candidata novamente a senador, volta para a posição em que estava no passado.

Assim, de renúncia em renúncia para não ser cassado, Arruda acaba chegando a presidente da República. Mas só em 2014. Em 2010, ele senador e Roriz governador, puxa, Brasília não pode se queixar. Serão eleitos certamente, e ficarão na mira para um possível Nobel de Corrupção.

Não existe? Diante dos fatos, têm que criá-lo. Arruda e Roriz não podem ficar no ostracismo da corrupção pública mas sem consagração.

* * *

PS- O advogado logo contratado, podia ter mais criatividade. Dizer que Arruda “ia comprar panetone para os pobres” é de uma pobreza, que tanta riqueza ilícita não justifica.

PS2- Depois de conversar com muita gente do DEM, e assustado, Arruda mudou de tom, seu “discurso” passou ao da vingança dos “meus adversários que querem me destruir”. E as gravações e os vídeos?

Só a intervenção federal resolve

Carlos Chagas

Desde a inauguração, com Juscelino Kubitschek, até o fim do ciclo militar, por constituir-se na sede do governo federal,  Brasília não elegia seus administradores. Dispunha de um prefeito,  nomeado pelo palácio do Planalto, depois chamado de governador, mas tendo seus atos subordinados ao Senado,  sem direito a Assembléia Legislativa. Nem mesmo de representação no Congresso a capital federal dispunha.

O tempo passou, veio a redemocratização. Criou-se a bancada de oito deputados e três senadores, depois a Câmara Distrital e,  finalmente,  a eleição direta de governador. A crescente  população local passou a dispor do  direito de escolher seus governantes. Foi quando começaram a formar-se as quadrilhas, integradas  tanto por empresários inescrupulosos quanto por desqualificados líderes saídos da sarjeta. Não que todos os representantes do eleitor brasiliense pertencessem a  essas duas categorias. Sempre teve  gente séria disputando  e até vencendo eleições, mas em número cada vez  menor.

Para encurtar a crônica do horror, chegamos aos tempos atuais, quando um senador eleito por Brasília foi cassado por corrupção e dois renunciaram para não perder o mandato, pelos mesmos motivos – coincidentemente um que havia sido governador e outro que seria depois.

Nem é preciso repetir o noticiário dos últimos  dias, revelando a existência de um novo mensalão, agora  conduzido pelo atual governador, com milhões distribuídos a deputados distritais,  secretários de estado e até membros do Judiciário, em quantidades tão grandes a ponto de alguns esconderem dinheiro na meia, como foi registrado.   A lama escorre pelas avenidas da capital federal, independentemente de partidos políticos, classe social ou poder econômico.

Todo esse preâmbulo se faz a propósito de uma dúvida que ressurge: Brasília deveria continuar a dispor de representação política, com governador eleito, deputados distritais, deputados federais e senadores? Ou melhor seria  retornar, por um certo prazo,  aos tempos em que os administradores eram nomeados e dispensados pelo presidente da República?

Não se chegará ao exagero de concordar com quantos paulistas e cariocas  sugerem cercar o Distrito Federal com arame farpado e gritar “Teje todo mundo preso”. Afinal, exceção das quadrilhas que nos dominam, a maioria dos cidadãos  que aqui trabalham é honesta.  Apenas, perderam o controle da cidade  para  velhacos e demagogos agora expostos em abomináveis  práticas.

Solução há, ainda que cirúrgica: a intervenção federal. A adoção pelo presidente da República, com a anuência do Congresso, da drástica fórmula de suspender todos os mandatos e impor uma administração de emergência por prazo razoável, a fim de drenar a sujeira acumulada ao longo dos últimos anos.

A natureza das coisas

As coisas são muito mais complicadas do que parecem, mas, felizmente, funcionam de acordo com a natureza. Coincidência ou não, depois da eclosão do   escândalo da Caixa de Pandora, multiplicou-se nas telinhas das principais redes de televisão a já imensa carga publicitária do governo do Distrito Federal. Não se passa um intervalo entre a programação sem que surjam imagens da construção de redes de esgoto, viadutos e asfaltamento de estradas. Sem falar de sorridentes  figurantes enaltecendo escolas, postos de saúde e tudo o mais, subliminarmente apresentados como realizações do “governo de Brasília”.

Há quem suponha ter essa blitz relação com as acusações referentes ao mensalinho agora  denunciado. Tanto faz,  porque  contra a natureza das coisas ninguém investe impunemente. Cada novo detalhe dessa novela de horror é mostrado no noticiário. Conclui-se estarem desperdiçando  dinheiro. Aliás, do contribuinte…

Melhor viajar

Já estava prevista há  meses a ida do presidente Lula a Portugal,  Ucrânia e Alemanha, de onde retorna neste fim de semana. Uma evidência a mais de que o homem tem mesmo sorte, porque permanecendo em Brasília não teria como deixar de referir-se, analisar e até agir diante do escândalo da Caixa de Pandora.  Estará dispondo do tempo necessário para  meditar e ouvir seus auxiliares a respeito do que  fazer, mas dando graças a Deus por haver  rejeitado  convite para despachar no palácio do Buriti durante as obras no palácio do Planalto. Melhor o desconforto do Centro Cultural do Banco do Brasil.

Piauí e Sergipe

Por razões tanto sentimentais quanto políticas, o governador Roberto Requião inicia pelo Piauí e, depois, Sergipe, a caravana para promover a candidatura própria junto às bases do PMDB. Faltam-lhe estruturas partidárias, compensadas pelo entusiasmo com que a seções estaduais  e  municipais do  partido recebem a proposta, para horror da direção nacional.  É cedo para previsões, mas como Requião sempre repete, “toda longa marcha começa com o primeiro passo”.

Honduras, a crise que não dura

A vitória de Porfírio Lobo, decepção completa para Zelaya. Se disse “amigo do vencedor, mas estamos separados”. Nenhuma acusação ao eleito, que é tido como conciliador. Mas por que esperar 90 dias para a posse?

Apressado, Lula
disse bobagem

Em Portugal, assim que soube do resultado, Lula declarou: “Não vamos reconhecer o presidente eleito de Honduras”. É a reafirmação da intervenção na política externa de um país, quando determinou a vergonhosa exibição do aventureiro Zelaya na embaixada do Brasil. Lula deveria ter ficado calado, mas isso ele não sabe fazer.

Um guerrilheiro no Poder

No Uruguai, José Mujica, favorito, ganhou mesmo a eleição. Agora sofre a “acusação” de ter combatido a ditadura. E onde estavam seu adversário Lacalle e o ex-presidente Sanguinetti, durante essa mesma ditadura? Sanguinário era o regime autoritário, um dos mais cruéis da América do Sul.