Hortência – Wlamir Marques

A ex-jogadora domina o basquete. Foi à Europa, disse sensatamente: “Os técnicos brasileiros não se renovam, não viajam, não assistem jogos no exterior, nem sabem se existe basquete lá”.

Está quase contratando o argentino Magnano para técnico da seleção, nada contra. Mas poderia convidar o bicampeão mundial, Wlamir para analista da seleção. Ninguém conhece basquete como ele, no Brasil ou fora do Brasil.

Poderia ser analista ao lado de Magnano ou da própria Hortência. Nem sei se aceitaria. Só vejo jogos do Brasil, quando Wlamir comenta, é melhor que a própria partida.

A instransponível e indecifrável Fifa

A entidade que controla a maior paixão esportiva do mundo, vetou credenciais para a TV Record. Explicou: “Só podem ter esse passe livre, empresas televisivas, que compraram o direito de transmissão”. Perfeito.

Mas a Fifa deve uma explicação que o mundo esportivo espera: por que recusou a proposta de transmissão da Record, o dobro da TV Globo? Coisa de 90 milhões de dólares ACEITOS, e 180 milhões RECUSADOS.

Quem vai para o senado

Luiz Nepomuceno, São Gonçalo
Jornalista, pode dar notícia do paradeiro da juíza Denise Frossard? Foi para o segundo turno com Cabral, não quis disputar a Prefeitura, e agora?”

Comentário de Helio Fernandes
Tinha e tem prestígio, é respeitada. Na Câmara só era chamada de “Deputada-Juíza”, o que não é comum. Ia disputar a Prefeitura, desistiu para ser senadora agora. Sumiu, nem se sabe se desistiu ou se trocou de celular. De qualquer maneira, se quiser voltar, tem cacife.

Com apoio incondicional de Chávez, agora é que Dona Dilma não ganha eleição mesmo

Como dizia o genial Aparicio Torelly, o Barão de Itararé, “era só que faltava” para destruir os sonhos sucessórios de Lula. O presidente da Venezuela, coronel Hugo Chávez, acaba de declarar seu apoio incondicional, formal e descomunal à candidatura de Dona Dilma Rouseff ao Planalto-Alvorada.

E não ficou só nisso. Empolgado com a inauguração de um sistema de teleféricos construído em uma favela de Caracas pela empreiteira brasileira Odebrecht, o ditador venezuelano deitou falação e alertou que haverá uma “REORGANIZAÇÃO” DA DIREITA CONTINENTAL” para impedir a vitória da candidatura da Chefe da Casa Civil, que o presidente tenta impingir ao PT, ao PMDB e a quem mais interesse.

“Há eleições no próximo ano no Brasil. Vão fazer todo o possível, a direita, não somente a brasileira, a continental, o império norte-americano, para impedir que haja continuidade no governo progressista e de esquerda do nosso irmão, presidente Lula”, advertiu Chávez.

Na verdade, esta não é primeira vez que o ditador da Venezuela se manifesta sobre a sucessão brasileira. Só que, agora, foi mais enfático. Nos últimos meses o “presidente” venezuelano já vinha demonstrando preferência pela vitória da candidata governista ao Planalto, e desta vez afirmou taxativamente que “A COMPANHEIRA DILMA ROUSSEFF SERÁ A PRÓXIMA PRESIDENTE”, ao elogiá-la como “líder da esquerda brasileira”. E sentenciou: “O povo brasileiro não se deixará manipular para frear as mudanças que o Lula impulsou”.

Um “deputado baiano” que não passa de um ditador

Chávez é, no mau sentido, uma espécie de “deputado baiano”, o famoso personagem criado e interpretado pelo humorista Mario Tupiínambá na televisão: não pode ver um  microfone que começa a falar tudo quanto é bobagem que lhe vem à cabeça. Assim, aproveitou a ocasião para analisar (?) a recente eleição chilena, que teve como vitorioso o candidato conservador Sebastián Piñera.

O governante (?) venezuelano disse que no continente “continuam tentando a restauração do projeto neoliberal, que é o que está por trás desses governos de direita”.

Chávez está furioso. porque Piñera, logo depois de ter sido eleito, afirmou ter “profundas diferenças” com a forma como “se concebe e se pratica a democracia e o modelo de desenvolvimento econômico” na Venezuela.

“Espero que o senhor Piñera não pretenda converter o Chile em outra plataforma de ataque contra a Venezuela”, ameaçou Chávez, acrescentando: “Faço um chamado a que não se meta conosco, que se dedique a governar o Chile e faça o que tem que fazer.”

No embalo das críticas ao presidente eleito do Chile, Chávez então desafiou seus opositores a convocarem um plebiscito para retirá-lo do governo da Venezuela, cuja Constituição prevê a possibilidade de se realizar um referendo para destituir o presidente na metade de seu mandato.

Aliás, esses plebiscitos tem sido a maneira “democrática”, que o ditador venezuelano utiliza para permanecer eternamente no poder, depois de ter tentado usurpá-lo por meio de um fracassado golpe de estado, quando ainda era militar (coronel).

Foi assim que Chávez conseguiu sucessivas reeeleições e já está há 11 anos no poder. Como todo tirano, não governa para o povo, mas exclusivamente para si. Sua interminável administração é um fracasso, um verdadeiro desgoverno, e Chávez vem recebendo ataques da oposição devido à crise de abastecimento de água e energia, que levou o “governo” a decretar racionamento em todo o país. Pateticamente, pede que cada venezuelano não demore mais de 3 minutos no chuveiro.

Como dizia a velha marchinha “Vagalume” de Vitor Simon e Fernando Martins, sucesso no carnaval de 1954, Caracas hoje é como o Rio de Janeiro daquela época: “De dia falta água, de noite falta luz”. E isso é fatal para qualquer governante. Chávez está só blefando, por saber que a oposição não tem número para convocar o plebiscito. Se fosse realizado o referendo, ele perderia, e feio.

* * *

PS – Para acabar de vez como qualquer possibilidade de eleição da “candidata” Dilma Rousseff, aguarda-se agora as declarações de apoio do presidente boliviano Evo “Cocalero” Morales, do terrorista italiano Cesare Batistti, e de outro amigo de Lula, o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, aquele que vive a declarar que não houve holocausto de judeus na Segunda Guerra.

PS1 – Já ia esquecendo. Há também a possibilidade de Osama Bin Laden mandar, das profundezas de suas cavernas, um vídeo aderindo à candidatura da Chefe da Casa Civil, que pode estar aguardando, ainda, a adesão de Silvio Berlusconi, que é imbatível em matéria de mensalões e outras jogadas.

Haiti – desafios à liderança brasileira

Gen Ex Luiz Gonzaga Schroeder Lessa

O desastroso terremoto que se abateu sobre o Haiti se constitui em uma das maiores tragédias recentes sofridas pela humanidade, com conseqüências mais graves do que a ocorrida na China, em 2008.

A completa destruição de muitas cidades, inclusive da sua capital Porto Príncipe e da precária infraestrutura do país, impediu qualquer reação do estado haitiano. As estimativas de até 200.000 mortos, com  milhares de feridos e um população de 3 milhões de pessoas desabrigadas e totalmente desassistidas, constituem-se num dos maiores desafios à comunidade internacional e à própria  ONU, duramente atingida pela catástrofe, com a morte das suas lideranças e mais de centena de qualificados funcionários mortos ou desaparecidos, levando o seu Secretário Geral, Ban Ki Moon, a declarar ser esse o mais trágico acontecimento na história da organização.

O Brasil que desde 2004 comanda com invejável sucesso as tropas da ONU,  integradas por 17 países, sob a denominação de Minustah, tem pela frente um formidável desafio, que vai exigir da sua diplomacia gestões, negociações  e acompanhamentos muito além do que até então vinha ocorrendo .

O esforço de quase 6 anos, com melhorias sensíveis na vida do povo haitiano, foi posto por terra, levando o atual  comandante da Força, Gen. Floriano Peixoto, a declarar que a situação do Haiti tornou-se pior do que aquela que lá encontramos em 2004. No seu dizer, o país volta à estaca zero.

A resposta da comunidade internacional ao chamamento de socorro ao Haiti foi imediata, mostrando uma solidariedade raramente vista em tragédias dessa natureza.  Todavia, pelo despreparo da ONU, duramente atingida, trouxe complexos  problemas de coordenação e controle ainda não resolvidos, incapazes  de harmonizar os trabalhos das 43 equipes de socorro de todo o mundo que para lá acorreram, envolvendo cerca de 1.800 homens(mulheres) e 160 cães amestrados para a tarefa de localizar corpos, o que  possibilitou resgatar com vida 75 pessoas até a data de hoje. Sem dúvida, nos próximos dias, esses problemas e os demais relacionados com a assistência humanitária estarão resolvidos.

Por certo, a  preocupação atual  da diplomacia brasileira e, também, do nosso Exército, é a ameaça que se coloca à liderança do país na condução das operações da Minustah.

Parece muito frágil o acordo a que chegaram Hillary e Amorim na divisão das tarefas entre a Minustah e as forças norte-americanas que, de maneira desproporcional, chegaram e continuam chegando ao Haiti.

Dizer que cabe à Minustah prosseguir na sua missão de manter a segurança do país e assegurar a sua normalidade democrática e às forças norte-americanas  a condução das tarefas humanitárias não guarda respaldo com o alto poder de combate que ainda está se desdobrando no Haiti: cerca de 10;000 homens, oriundos das melhores unidades combatentes estadunidenses, como uma poderosa brigada da  renomada 82ª Divisão Aeroterrestre (cerca de 3.600 homens) e 2.000 fuzileiros navais.

A esquadra, ao largo do litoral haitiano, vai muito além das necessidades de uma operação humanitária. Tendo como núcleo o porta-aviões Carl Vinson,  em torno dele agrupam-se  vários outros potentes navios como o cruzador Normandy, a fragata Underwood, o desembarque-doca Carter Hall,  o de assalto anfíbio Bataan ( com 2.000 fuzileiros navais a bordo), o Fort McHenry, o de salvamento Grasp, o oceanográfico Henson, o hospital Comfort, vários navios auxiliares, lanchas de desembarque e um grande número de helicópteros, meios navais sob o comando do almirante Victory Guillory, atual Comandante da 4ª Esquadra, que tantas reações políticas motivou no Brasil quando da sua criação.

O comandante geral das forças norte-americanas desdobradas no Haiti é o Ten-Gen. P. K. Keen,  que é o subcomandante do Comando Sul dos EUA, com sede em Miami.

O poderoso dispositivo militar comandado por Keen guarda coerência com as suas preocupações nas recentes declarações que fez à  ABC, em 16 de janeiro p.p., quando reafirmou que “ a nossa principal missão é a ajuda humanitária, mas a componente segurança terá uma crescente importância nela. Nós vamos enfrentá-la junto com as Nações Unidas e teremos que fazer isso rapidamente”. Keen  disse estar acompanhando com muita atenção os incidentes de violência que estão recrudescendo no país. “Obviamente, nós realmente necessitamos de um ambiente seguro  para fazermos o melhor que pudermos no que diz respeito à ajuda humanitária”, declarou Keen.

Apesar de ser grande a potencialidade de conflito entre as missões atribuídas aos norte-americanos e aos brasileiros, os contatos pessoais devem ser facilitados, pois o Gen. Keen cursou a Escola de Comando e Estado-Maior do Exército Brasileiro (ECEME), nos anos de 1987-88,   e, por isso mesmo, deve falar o português e bem compreender a mecânica operacional das nossas forças.

Mesmo para os leigos, é óbvia a necessidade da mais ampla coordenação das operações de segurança e humanitárias. Não são compartimentos estanques, pelo contrário, se complementam mutuamente e uma é estreitamente dependente da outra no processo de normalização da realidade haitiana. É impossível  estabelecer uma barreira rígida entre uma e outra missão, o que forçará, como abertamente sugeriu o seu comandante, que as tropas norte-americanas dêem alta prioridade à componente segurança no efetivar das suas tarefas humanitárias. E, por isso mesmo, é grande a possibilidade de choques diplomáticos e operacionais, com conseqüências desastrosas para o processo de reconstrução do Haiti.

Como se estima que a presença dos EUA no Haiti seja de longa duração, no dizer do próprio  presidente Obama, a solução dessa problemática deve passar, necessariamente,  por uma possível modificação da missão da Minustah e por atribuição de setores específicos de atuação para as forças da ONU e dos EUA, onde as missões humanitárias e de segurança se complementem mutuamente. O recente aumento dos efetivos das forças da Minustah, autorizado pelo Conselho de Segurança, aconselha que assim seja.

Por fim, uma menção especial às perdas brasileiras no trágico terremoto, que ceifou dezenove preciosas vidas de militares e civis. Desde a 2ª Guerra Mundial e a despeito de ter participado de inúmeras missões de paz sob o comando da ONU ou da OEA, o Exército não tinha a lastimar tão grande número de vítimas. Os feridos- vinte e cinco – haverão de se recuperar e voltar ao serviço ativo.

É enorme a tristeza que se abate sobre o nosso Exército, acostumado à crueza dos acontecimentos imprevistos. Conforta-nos, contudo, saber que esses devotados brasileiros muito bem cumpriram as suas missões e imolaram as suas vidas em benefício da paz. A missão bem cumprida é apanágio dos fortes e torna heróis os que, como eles, doaram as suas vidas por causa tão nobre.

Camaradas, civis e militares!

Seu sacrifício toca profundamente a Nação Brasileira. A tristeza  refletida nas nossas lágrimas é temperada pelo orgulho que sentimos pelos seus valorosos feitos.

O Exército,  perfilado, presta-lhes a sua mais democrática saudação de respeito e admiração – a continência –  cônscio de que o seu sacrifício não foi em vão. Sigam em paz!

Reeleição de Temer: recado ou ameaça?

Carlos Chagas

Ao antecipar para 6 de fevereiro a convenção que reelegerá  Michel Temer seu presidente, o PMDB embutiu contundente   recado ao presidente Lula. Caso o atual presidente da Câmara termine garfado na pretensão de tornar-se companheiro de chapa de Dilma Rousseff, o partido passará a estimular a candidatura  do governador Roberto Requião ao palácio do Planalto.

Trata-se de  uma questão de orgulho ferido, para o parlamentar paulista e para a  cúpula  do PMDB. Afinal, o nome dele concentra a maior tendência na direção e nas bancadas no Congresso. Pensavam tratar-se de uma questão da competência interna, exclusiva do partido. Surpreenderam-se quando o presidente Lula atravessou o samba, falando no desejo de receber  uma lista tríplice para o preenchimento da candidatura, ao mesmo tempo estimulando outras opções, como Helio Costa, Edison Lobão e Sérgio Cabral.

Além de um obvio complexo napoleônico, o primeiro-companheiro terá tido seus motivos para agir assim. Percebeu que Michel Temer, como candidato a vice de Dilma Rousseff,  pouco  acrescenta em termos eleitorais. Em especial em São Paulo, onde não ocupa propriamente uma liderança popular. A candidatura dele  não compensará  a vantagem eleitoral  com que José Serra deverá partir de seu estado. Já Helio Costa mobilizaria Minas para enfrentar a influência de Aécio Neves, assim como Edison Lobão sedimentaria o Nordeste e Sérgio Cabral, o Rio. O problema é que nenhum dos três mostra-se empolgado pela aventura. Costa e Cabral tem seus próprios planos para os governos de seus estados.  No caso do ministro das Minas e Energia, a reeleição para o Senado.

Poucas vezes as relações entre o PMDB e o governo  balançaram tanto como agora. O partido sabe da importância que terá, nacionalmente,  para a vitória ou a derrota de Dilma e mostra-se disposto a engrossar.  Michel Temer  reconduzido à sua presidência equivalerá  tanto a um recado  quanto  a uma ameaça.  E Requião poderia embolar o meio campo.

Tucanos com orelhas de burro

A natureza dotou os tucanos de bicos desproporcionais ao corpo, mas parece que o  PSDB tenta implantar imensas orelhas de burro nas penosas.  Ingressar na Justiça  para condenar o presidente Lula por propaganda eleitoral antecipada  equivale a abrir mais um palco para o primeiro-companheiro e sua candidata. Não haverá juiz ou ministro em condições de proibir o presidente da República e a chefe da casa Civil de percorrerem o país, inaugurando e fiscalizando obras públicas. Só a partir de julho, se formalizada sua candidatura,  Dilma ficará impedida de comparecer a inaugurações. O Lula, nunca.

Abre-se agora a oportunidade para o governo demonstrar o óbvio junto aos tribunais. A Advocacia Geral da União deveria exigir que os tucanos venham  a arcar com as custas do processo.

Bronca particular

Na reunião ministerial de ontem,  na Granja do Torto, o presidente Lula passou uma  reprimenda genérica nos presentes, mas com endereço certo para alguns. Repetiu que abomina os ministros que levam a público suas divergências e, mesmo,  fazem  críticas ostensivas  à  política oficial.  Acha naturais confrontos de idéias e de objetivos. Muitas vezes os projetos envolvem dois ou mais ministérios, cada um com sua parcela de  razão. O importante é que resolvam tudo no âmbito do governo, sem alarde na imprensa. E quando parecer impossível que se  entendam, tragam a ele as questões.

Certas orelhas ficaram mais vermelhas do que outras, mas o ministério engoliu calado a repreensão. Ninguém quer sair prejudicado neste último ano de mandato do presidente. Nem os ministros que vão sair até 31 de março, nem os que imaginam continuar.

Até que enfim

Promissora informação para a reabertura dos trabalhos do Congresso, a 2 de fevereiro: por iniciativa do deputado Aldo Rebelo, a Comissão de Relações Exteriores  e Defesa Nacional da Câmara ouvirá de  lideranças indígenas veementes denúncias  contra a ação de ONGs estrangeiras que se intrometem na Amazônia. Financiadas por governos e por multinacionais, essas organizações agem para dividir as diversas tribos espalhadas na região.  Buscam solapar a soberania nacional na Amazônia e tem petulância, até mesmo, de confrontar as forças armadas brasileiras ao longo de nossas fronteiras. Se partem os protestos  dos próprios índios que as ONGs dizem defender, eis aí um bom começo para se botar ordem na bagunça.

Mais um dia com todas as ações em baixa na Bovespa

O primeiro dia foi ontem, como registrei com exclusividade. (Eu não tinha a exclusividade da notícia e do fato, e sim da vontade e da obrigação de publicar). Agora, tudo se repete.

A Bovespa fecha em menos 2,75% em 66 mil 350 pontos. Ontem, estranhei que a Pão de Açúcar tivesse a menor queda, hoje foi a que mais caiu, acertaram. As ações podem sofrer ligeira alteração, por causa dos leilões, pouca coisa.

O dólar fecha mais cedo, subiu 0,80%, em 1,80 baixo. Mas resiste.

A vantagem da internet

Já participei de não sei quantas conferencias e debates a respeito da sobrevivência do jornal impresso. Defendo sempre que o jornal não acabará, apenas se localizará e se isolará.

Só que Joe Rollino, intitulado o “homem mais forte do mundo”, tinha tudo para discordar de mim. Aos 104 anos, em forma extraordinária, saiu de casa para comprar jornal, foi atropelado. Para “comprar” internet, não precisaria sair, estaria vivo. Estaria?

Desincompatibilização

Está chegando a hora. Quem pretende disputar a presidência ou a vice, antes de obter a indicação e a legenda, precisa estar livre de cargos no Executivo. O maior problema: José Serra. A mais incerta: Dona Dilma. O pior ranquiado: Michel Temer.

Os que não têm problema para saírem: Requião e Aécio, já reeeleitos, não podem continuar. Jarbas Vasconcellos, que quase foi vice de Serra em 2002, pode ser agora, é senador até 2014.

Collor também com mandato até 2014, tem três opções, gostaria de ser candidato a presidente e repetir 1989. Ontem, no Brasil todo, caíram 26 mil 489 raios, nenhum no mesmo lugar. O que o ex-presidente diz sobre isso?

Por que o TJ de Brasília, não tira Arruda do cargo?

Normalmente, o Legislativo é que tira presidentes e governadores, que exorbitam. Mas como b-r-i-l-h-a-n-t-e-m-e-n-t-e o TJ afastou o presidente da Assembléia (o Prudente do dinheiro nas meias), 8 deputados e os 8 suplentes, pode muito bem mandar o governador para casa.

Essa Assembléia, tem cinco quartos dos seus membros, viciados e comprometidos, como julgarão o governador? Eram 24, ficaram 16, com que número votarão o impeachment?

Muitos dizem, “afastar os efetivos, está bem, mas os suplentes que nem estavam nos cargos?”.

Representavam as mesmas idéias. Em 1948, o STJ (Superior Tribunal eleitoral) suprimiu o registro do partido Comunista. Seus 15 deputados e 1 senador foram cassados, junto com os suplentes. Ainda na revista O Cruzeiro, fiquei contra cassar o registro do PC. Mas fiquei a favor de cassar os suplentes.

Se afastavam os que foram eleitos, tinham votos e prestígio, por que empossar suplentes que não representavam coisa alguma?

Podiam mandar Arruda para casa. É bem verdade que quem vem no fim do ano é Roriz, que perdeu 7 anos e meio de senador, por corrupção EXPLÍCITA e IMPLÍCITA.

Dona Benedita – Cabralzinho

Secretária de Ação Social, perguntou ao governador: “Deixo o cargo para me desincompatibilizar e concorrer ao senado?” Resposta nada surpreendente do candidato à reeeleição: “Deve perguntar ao presidente Lula, você é do PT e não do PMDB”. Fez o que Picciani mandou.

O ostracismo de César Maia

Ninguém quer nada com ele. Já foi derrotado para governador, para senador não consegue nem legenda, votos então nem se fala. Tentou ser vice de Serra, teve que ouvir gargalhadas.

Pelo visto, terá que esperar 2012, para outra aventura na Prefeitura. Por que o Rio tem que conviver com esse pesadelo? Fará uma nova “Cidade da Música” (superfaturada), abandonando o essencial?

Reverso ou revertere

Dona Suplicy fez carreira ascendente, nem ela mesmo acreditava. Deputada, prefeita, tentava o governo do estado, pensava (?) na presidência.

Voltou a disputar a prefeitura, perdeu. Como presidente nem foi lembrada, para o governo está esquecida, admite voltar à Câmara. Se elege.

Corrida contra o tempo

Tarso Genro era prefeito de Porto Alegre, quis desbancar o companheiro que era governador, perdeu. Agora deixa de ser Ministro da Justiça para tentar novamente ser governador. Começou na frente, todos acreditavam que o adversário fosse Rigoto. É o prefeito Fogaça que já está na frente nas pesquisas. Pouco mas está. Só que não definitivamente.

Novo estado, progresso

Pode surgir o Estado de Carajás, a governadora do Pará está contra. Foi pedir ao presidente Lula para não deixar a Câmara referendar o plebiscito, já aprovado no senado. Há anos defendo que podemos chegar perto dos 50 estados americanos.

Propaganda das cervejas

“Ótimo, deveria haver repressão a essa propaganda como acontece com o cigarro”.

Eluisio Fontenele
“Ídolo de qualquer setor, não deveria fazer publicidade de cervejas, os mais jovens se espelham neles”.

Alexandre Campbell
“Não poderiam aumentar o imposto sobre a bebida, como se faz na Rússia? É preciso impedir o vício, hoje já se fuma muito menos do que antigamente”.

Cláudio Mendonça
“Jornalista, é ótimo que o senhor faça essas campanhas de esclarecimento, é o único, não sei a razão, mas gosto muito, e me associo ao protesto”.

Augusto Césario, Ceará
“Quero aplaudi-lo, porque leio você há muito, quando a Tribuna era impressa, tua coluna e artigo eram reproduzidos aqui, e você só defende as causas que servem à coletividade. Nunca vi você defender um poderoso ou que esteja no poder, banqueiro, dono de seguradora”.

Comentário de Helio Fernandes
Obrigado a todos, partilhamos dessa vontade de mudar as coisas, em benefício da maioria. Cigarro e bebida são trágicos, ganham fortunas, matam com enfisema, (cigarro), dentro e fora (dos carros), a bebida.

Desesperança de FHC

À medida em que vão se avolumando os sinais de que Serra poderá disputar mais um mandato em São Paulo, cresce o desespero de FHC, num ostracismo que acreditava recuperável.

Em junho de 2011, completa 80 anos. Na presunção e não previsão, da eleição de Serra para presidente, tomaria posse em janeiro de 2011, cronologicamente, FHC poderia ser embaixador na ONU a seguir. Se Serra não for presidente, FHC terá que ficar servindo à Fundação Ford, o que já faz desde antes de ser presidente. E DURANTE.

Ricardo Teixeira, vingativo

Está completando 21 anos como presidente da CBF. Riquíssimo, respondeu a uma CPI, que descobriu que cometera 6 ou 7 crimes financeiros.

Essa CPI foi presidida pelo deputado Silvio Torres. Declaração de Teixeira: “Falo com todos menos com Silvio Torres”.

Está certíssimo. Íntimo amigo do presidente da República, pode não falar com um deputado. E continuar controlando e faturando o futebol, paixão do povo brasileiro.

No País do Carnaval, a Constituição é ridicularizada pelos marajás

Não há resposta para a seguinte pergunta: como é que um funcionário da Universidade Federal do Ceará, que nem é reitor, conseguiu se transformar no servidor mais bem pago do Executivo federal, com vencimento mensal de 46 mil e 430 reais?

Este surpreendente, inconseqüente e deprimente fato FOI ADMITIDO PUBLICAMENTE pelo Ministério do Planejamento, em portaria publicada no “Diário Oficial” da União na última terça-feira.

O cidadão-contribuinte-eleitor somente toma conhecimento deste tipo de escândalo, porque felizmente existe um decreto de 2000 (FHC deveria estar delirando, ao tomar essa sábia providência) obrigando o ministério a publicar, a cada quatro meses, os valores do maior e do menor salário de todos os órgãos da administração federal.

As informações do Planejamento, divulgadas oficialmente, mostram a esculhambação (que palavra) que se tornou a administração pública, não somente federal, mas também estadual e municipal, pois há privilegiados em todas elas e nos três Poderes (ou Podres Poderes, royalties para Caetano Veloso).

Uma Constituição que não serve para nada

A Constituição é clara a esse respeito. O artigo 37, inciso XII, estabelece que “OS VENCIMENTOS DOS CARGOS DO PODER LEGISLATIVO E DO PODER JUDICIÁRIO NÃO PODERÃO SER SUPERIORES AOS PAGOS PELO PODER EXECUTIVO”.

O desrespeito começa aí, porque, na prática, ocorre justamente o contrário. Os salários pagos a funcionários do Legislativo e do Judiciário são muito maiores do que os do Executivo. Traduzindo: este importantíssimo dispositivo constitucional é do tipo “vacina”, e não pegou.

E não pegou por quê? Ora, simplesmente porque a Constituição é PROPOSITADAMENTE REDIGIDA DE FORMA CONFUSA E CONTRADITÓRIA.

O mesmo artigo 37, em seu inciso XI, estabelece que “a remuneração e o subsídio dos ocupantes de cargos, funções e empregos públicos da administração direta, autárquica e fundacional, dos membros de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, dos detentores de mandato eletivo e dos demais agentes políticos e os proventos, pensões ou outra espécie remuneratória, percebidos cumulativamente ou não, incluídas as vantagens pessoais ou de qualquer outra natureza, não poderão exceder o subsídio mensal, em espécie, dos Ministros do Supremo Tribunal Federal, aplicando-se como limite, nos Municípios, o subsídio do Prefeito, e nos Estados e no Distrito Federal, o subsídio mensal do Governador no âmbito do Poder Executivo, o subsídio dos Deputados Estaduais e Distritais no âmbito do Poder Legislativo e o subsídio dos Desembargadores do Tribunal de Justiça, limitado a noventa inteiros e vinte e cinco centésimos por cento do subsídio mensal, em espécie, dos Ministros do Supremo Tribunal Federal, no âmbito do Poder Judiciário, aplicável este limite aos membros do Ministério Público, aos Procuradores e aos Defensores Públicos”.

Traduzindo novamente: o inciso XII do artigo 37 simplesmente revoga o inciso XI, transformando em teto salarial, numa simples penada, a remuneração dos Ministros do Supremo Tribunal Federal, que hoje está fixada em 25 mil e 725 reais por mês. (Isso, se o ministro não der expediente também no Tribunal Superior Eleitoral, o que lhe garante mais uma substancial gratificação, além do apartamento de cinco quartos grátis, do carrão oficial com motorista, do combustível à vontade e tudo o mais).

Mas o pior ainda estava por vir, porque o art. 17 dos Atos das Disposições Transitórias, que encerra a tão venerada “Constituição Cidadã” do Dr. Ulysses Guimarães, determina expressamente que “os vencimentos, a remuneração, as vantagens e os adicionais, bem como os proventos de aposentadoria que estejam sendo percebidos em desacordo com a Constituição serão imediatamente reduzidos aos limites dela decorrentes, NÃO SE ADMITINDO, NESTE CASO, INVOCAÇÃO DE DIREITO ADQUIRIDO OU PERCEPÇÃO DE EXCESSO A QUALQUER TÍTULO”.

Aí, a Constituição foi mesmo “Cidadã”, mas esse dispositivo também “não pegou”. Desde 1988, jamais se teve notícia de que os vencimentos e vantagens de algum “marajá”, percebidos em desacordo com a Constituição, tenham sido “reduzidos aos limites dela decorrentes, não se admitindo, neste caso, invocação de direito adquirido ou percepção de excesso a qualquer título”. Puxa, não havia possibilidade de alegar nem mesmo “direito adquirido”, mesmo assim os vencimentos excessivos continuaram prevalecendo.

DE QUEM É CULPA? DO PRÓPRIO SUPREMO, É CLARO, que simplesmente jamais emitiu julgamentos favoráveis à vigência do art. 17, em processos movidos por governadores visando ao rebaixamento de salários de servidores privilegiados e favorecidos à margem da lei.

A tabela recém-divulgada pelo Diário Oficial mostra que cinco servidores recebem acima do teto de 25 mil e 725 reais, correspondente ao dos ministros do STF, e o Ministério do Planejamento alega que isso se deve ao pagamento de sentenças judiciais. Como dizia o então deputado Francelino Pereira (e o grupo legião Urbana repetiu), que País é esse? Que Justiça é essa?

* * *

PS – O menor salário federal está no Exército, onde um funcionário recebe apenas 823 reais por mês. Além do servidor da Universidade do Ceará, que ganha 46 mil e 430 reais, também recebem acima do teto um funcionário do Centro Federal de Educação Tecnológica da Paraíba (mais de 33 mil reais), um da Universidade Federal do Acre (32 mil e 202), um da Universidade Federal de Minas Gerais (28 mil e 700) e um da Universidade Rural Federal do Rio de Janeiro (28 mil e 200). Todos de universidades, muito estranho.

PS1 – Nos estados e municípios, é a mesma bagunça. No Maranhão, um dos estados mais pobres, há um desembargador que conseguiu um salário muito acima do teto, e nenhuma autoridade se atreveu a rebaixar. Pobre mesmo não é o Maranhão. Pobre é um país que não respeita sua própria Constituição. Que República.

No País do Carnaval, a Constituição é ridicularizada pelos marajás

Não há resposta para a seguinte pergunta: como é que um funcionário da Universidade Federal do Ceará, que nem é reitor, conseguiu se transformar no servidor mais bem pago do Executivo federal, com vencimento mensal de 46 mil e 430 reais?

Este surpreendente, inconseqüente e deprimente fato FOI ADMITIDO PUBLICAMENTE pelo Ministério do Planejamento, em portaria publicada no “Diário Oficial” da União na última terça-feira.

O cidadão-contribuinte-eleitor somente toma conhecimento deste tipo de escândalo, porque felizmente existe um decreto de 2000 (FHC deveria estar delirando, ao tomar essa sábia providência) obrigando o ministério a publicar, a cada quatro meses, os valores do maior e do menor salário de todos os órgãos da administração federal.

As informações do Planejamento, divulgadas oficialmente, mostram a esculhambação (que palavra) que se tornou a administração pública, não somente federal, mas também estadual e municipal, pois há privilegiados em todas elas e nos três Poderes (ou Podres Poderes, royalties para Caetano Veloso).

Uma Constituição que não serve para nada

A Constituição é clara a esse respeito. O artigo 37, inciso XII, estabelece que “OS VENCIMENTOS DOS CARGOS DO PODER LEGISLATIVO E DO PODER JUDICIÁRIO NÃO PODERÃO SER SUPERIORES AOS PAGOS PELO PODER EXECUTIVO”.

O desrespeito começa aí, porque, na prática, ocorre justamente o contrário. Os salários pagos a funcionários do Legislativo e do Judiciário são muito maiores do que os do Executivo. Traduzindo: este importantíssimo dispositivo constitucional é do tipo “vacina”, e não pegou.

E não pegou por quê? Ora, simplesmente porque a Constituição é PROPOSITADAMENTE REDIGIDA DE FORMA CONFUSA E CONTRADITÓRIA.

O mesmo artigo 37, em seu inciso XI, estabelece que “a remuneração e o subsídio dos ocupantes de cargos, funções e empregos públicos da administração direta, autárquica e fundacional, dos membros de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, dos detentores de mandato eletivo e dos demais agentes políticos e os proventos, pensões ou outra espécie remuneratória, percebidos cumulativamente ou não, incluídas as vantagens pessoais ou de qualquer outra natureza, não poderão exceder o subsídio mensal, em espécie, dos Ministros do Supremo Tribunal Federal, aplicando-se como limite, nos Municípios, o subsídio do Prefeito, e nos Estados e no Distrito Federal, o subsídio mensal do Governador no âmbito do Poder Executivo, o subsídio dos Deputados Estaduais e Distritais no âmbito do Poder Legislativo e o subsídio dos Desembargadores do Tribunal de Justiça, limitado a noventa inteiros e vinte e cinco centésimos por cento do subsídio mensal, em espécie, dos Ministros do Supremo Tribunal Federal, no âmbito do Poder Judiciário, aplicável este limite aos membros do Ministério Público, aos Procuradores e aos Defensores Públicos”.

Traduzindo novamente: o inciso XII do artigo 37 simplesmente revoga o inciso XI, transformando em teto salarial, numa simples penada, a remuneração dos Ministros do Supremo Tribunal Federal, que hoje está fixada em 25 mil e 725 reais por mês. (Isso, se o ministro não der expediente também no Tribunal Superior Eleitoral, o que lhe garante mais uma substancial gratificação, além do apartamento de cinco quartos grátis, do carrão oficial com motorista, do combustível à vontade e tudo o mais).

Mas o pior ainda estava por vir, porque o art. 17 dos Atos das Disposições Transitórias, que encerra a tão venerada “Constituição Cidadã” do Dr. Ulysses Guimarães, determina expressamente que “os vencimentos, a remuneração, as vantagens e os adicionais, bem como os proventos de aposentadoria que estejam sendo percebidos em desacordo com a Constituição serão imediatamente reduzidos aos limites dela decorrentes, NÃO SE ADMITINDO, NESTE CASO, INVOCAÇÃO DE DIREITO ADQUIRIDO OU PERCEPÇÃO DE EXCESSO A QUALQUER TÍTULO”.

Aí, a Constituição foi mesmo “Cidadã”, mas esse dispositivo também “não pegou”. Desde 1988, jamais se teve notícia de que os vencimentos e vantagens de algum “marajá”, percebidos em desacordo com a Constituição, tenham sido “reduzidos aos limites dela decorrentes, não se admitindo, neste caso, invocação de direito adquirido ou percepção de excesso a qualquer título”. Puxa, não havia possibilidade de alegar nem mesmo “direito adquirido”, mesmo assim os vencimentos excessivos continuaram prevalecendo.

DE QUEM É CULPA? DO PRÓPRIO SUPREMO, É CLARO, que simplesmente jamais emitiu julgamentos favoráveis à vigência do art. 17, em processos movidos por governadores visando ao rebaixamento de salários de servidores privilegiados e favorecidos à margem da lei.

A tabela recém-divulgada pelo Diário Oficial mostra que cinco servidores recebem acima do teto de 25 mil e 725 reais, correspondente ao dos ministros do STF, e o Ministério do Planejamento alega que isso se deve ao pagamento de sentenças judiciais. Como dizia o então deputado Francelino Pereira (e o grupo legião Urbana repetiu), que País é esse? Que Justiça é essa?

PS – O menor salário federal está no Exército, onde um funcionário recebe apenas 823 reais por mês. Além do servidor da Universidade do Ceará, que ganha 46 mil e 430 reais, também recebem acima do teto um funcionário do Centro Federal de Educação Tecnológica da Paraíba (mais de 33 mil reais), um da Universidade Federal do Acre (32 mil e 202), um da Universidade Federal de Minas Gerais (28 mil e 700) e um da Universidade Rural Federal do Rio de Janeiro (28 mil e 200). Todos de universidades, muito estranho.

PS1 – Nos estados e municípios, é a mesma bagunça. No Maranhão, um dos estados mais pobres, há um desembargador que conseguiu um salário muito acima do teto, e nenhuma autoridade se atreveu a rebaixar. Pobre mesmo não é o Maranhão. Pobre é um país que não respeita sua própria Constituição. Que República.

Comunicação e cultura são usinas do pensamento

Pedro do Coutto

Não se compreende a preocupação de setores do governo em exercer algum tipo de controle social da cultura e de meios de comunicação como a televisão e o rádio, podendo evoluir para algum tipo de incursão na imprensa, ou seja nos jornais. A cultura exige liberdade, não pode ser controlada pelo estado, tampouco os meios de comunicação. Numa democracia, é claro. O tipo de intervenção imaginado é próprio dos regimes de força, como acontece em vários países e como aconteceu no Brasil no período de exceção de 64 a 85. A censura sempre foi contestada e seu exercício conduz ao obscurantismo e, portanto, ao atraso. O PT, no passado, formou entre os que condenavam e combatiam a censura. Inclusive a ascensão do presidente Lula e do seu partido deve-se à liberdade de imprensa. Os meios de comunicação projetaram nacionalmente o líder operário da Grande São Paulo, dando-lhe a repercussão essencial para sua decolagem na vida pública. Não fossem os meios de comunicação, Lula teria sido apenas uma liderança sindical de destaque. Nada mais. Seu ingresso na política quando disputou o governo de São Paulo na eleição vencida por Franco Montoro deve-se à sua exposição na mídia. Um trabalhador ingressava num universo que não o teria acolhido não fosse a força da imprensa nos eixos de decisão. Fundou o PT, o partido cresceu em decorrência do espaço que alcançou no noticiário, e após três investidas presidenciais, chegou finalmente ao Planalto.

Seu governo é consagrado pela opinião pública e todas as pesquisas do Datafolha, do Ibope, do Vox Populi e do Sensus, que assinalam seu grau de aprovação popular são publicadas com o devido destaque nas páginas dos jornais, veiculadas nas telas da TV, pelas emissoras de rádio. Esta é a melhor prova do absurdo de que se reveste o citado controle social. Setores do governo desejam a unanimidade? Isso é impossível. Inclusive as matérias contrárias que são publicadas e veiculadas na realidade representam um serviço ao governo, na medida em que chamam atenção para erros, omissões, episódios como os do mensalão, a investida dos aloprados na sucessão paulista de 2006, que levaram o próprio presidente Lula a assinar vários atos de demissão. Se houve demissões em função das denúncias, é porque o presidente as considerou importantes e procedentes. Sob este aspecto, a imprensa atuou como um fator de libertação do chefe do executivo que, não fossem o conhecimento e a repercussão pública, não teria o volume de informações necessárias para decidir da forma com que decidiu.

Se, por hipótese, houvesse censura, ele, Lula, permaneceria sem poder agir, enquanto a anarquia administrativa avançava ameaçando acumular-se na sombra e enfraquecendo o quadro institucional. Nada disso ocorreu em função da liberdade que tanto somou para o candidato, o presidente e seu governo, mas é vista com restrições porque se coloca em posição contrária em vários pontos e momentos.

Não fosse os meios de comunicação, vale acentuar, o escândalo do governo de Brasília não teria chegado ao domínio público e, portanto, não teria sido condenado de forma veemente, não só pela população da capital, mas por todo o país. Como conseqüência, o governador José Roberto Arruda desfiliou-se partidariamente e assim desistiu da reeleição. O vice Paulo Otávio também. O fato é que cultura e imprensa não podem ser controladas. São usinas der pensamento. Os serviços que prestam ao país dependem exatamente da liberdade com que agem. Sem liberdade de imprensa não há democracia. Basta dizer isto.

Será que vale à pena?

Carlos Chagas

Não se encontrará um só companheiro com coragem para reconhecer de público, mas a verdade é que nas conversas de mesa de bar a maioria começa a desabafar. O presidente Lula está desmontando o PT. Desconstituindo  o partido que fundou, sonhando o sonho quase impossível de eleger Dilma Rousseff.  Não se discute ser o lulismo força bem superior ao petismo, mas a verdade é que sem o PT o cara fica perigoso. Transforma-se num Getúlio Vargas com correção monetária e atualização digital.

Nos principais estados, em termos eleitorais, o Lula vem sabotando o PT. Senão vejamos:

Em São Paulo, a estratégia do presidente continua  de fazer Ciro Gomes, do PSB,   candidato a governador. Assim, ficaria livre de ver dividida sua base na sucessão presidencial, porque os votos supostamente dados ao ex-ministro da Integração Nacional poderiam fluir para Dilma. Poderiam, porque conforme as últimas pesquisas, iriam para José Serra, em maioria. O PT dispõe de candidatos potencialmente capazes de vencer a eleição,  como Eduardo Suplicy, Aloísio Mercadante e até Antônio Palocci.  Levar o partido a apoiar Ciro Gomes equivalerá a uma humilhação.

Em Minas, dois grandes trunfos estão prestes a ser descartados. Tanto Patrus Ananias, o pai do bolsa-família, quanto Fernando Pimentel, ex-prefeito de Belo Horizonte, disputariam  como favoritos o palácio da Liberdade. O problema é que para reforçar o apoio do PMDB a Dilma, o primeiro-companheiro inclina-se por Helio Costa.

No Rio de Janeiro, acaba de ser descartada a hipótese da renovação petista. O jovem  prefeito de Nova Iguaçu, Lindberg Farias, recebeu um “chega para lá” de viva voz do próprio presidente, cuja estratégia é apoiar a reeleição de Sérgio Cabral, do PMDB.

No Paraná, o Lula fechou questão em favor do senador Osmar Dias, do PDT, dando de ombros para as pretensões do ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, que o representaria muito melhor.  O objetivo  é conquistar o governador Roberto Requião para o candidato dito brizolista e sedimentar, assim, a integração de todos em torno da chefe da Casa Civil. O problema é que Requião aceitou sua própria candidatura ao Planalto pelo PMDB. A ver navios ficam os companheiros paranaenses.

Coisa parecida acontece em outros estados, de Pernambuco ao Amazonas. Resistindo mesmo, pelo PT, estão Tarso Genro, no Rio Grande do Sul, e Jacques Wagner, na Bahia, que não abrem mão de suas pretensões.

A pergunta que se faz é se valerá à pena todo esse sacrifício exigido de seu partido, pelo Lula.  Garantirá a eleição de Dilma Rousseff? O PT que responda…

O julgamento de Deus

Por razões óbvias, passou meio despercebido do grande público precioso filme narrando o desespero de um grupo de velhos judeus confinados a um campo de concentração nazista. De tão perplexos com o que acontecia, decidiram promover o julgamento de Deus. Como poderia o Criador permitir tanto horror, em especial praticado contra o povo eleito? Promotores, advogados de defesa, jurados e juizes improvisados dedicaram-se a profundos, amargos e edificantes diálogos em torno do Réu.  A informação é de que esse julgamento realmente aconteceu  e foi agora  transplantado para a tela.  Não vamos revelar a sentença final.

Essa história se conta a propósito do primeiro e agora do segundo terremoto verificados em Porto Príncipe, no Haiti. Não dá para entender porque Deus permite tamanha desgraça. Aliás, por  que tem permitido tantas outras, ao longo dos séculos? Chame-se Jeová, Padre Eterno, Alah, Tupã, Aton ou que outro nome tenha, será que não poderia ter deslocado  de  algumas centenas de quilômetros o  epicentro da catástrofe? Estaria a Humanidade pagando pelos pecados dos  ancestrais? Mas há quanto tempo o Direito Penal suprimiu essa flagrante aberração de filhos pagarem pelos pais?

Com todo  o respeito e sem esquecer  as maravilhas proporcionadas  pela fé e pela  devoção, quaisquer que sejam os credos e as religiões, a tentação é de convocar outro julgamento…

Baixaria antecipada

Começou a baixaria, antes  mesmo de chegar o prazo para as desincompatibilizações dos ministros candidatos às eleições de outubro. Dilma Rousseff alvejou os tucanos, supostamente por conta de declarações anteriores do senador Sérgio Guerra, presidente do PSDB. O ex-governador Eduardo Azeredo treplicou e, pelo jeito, a bola de neve começou a rolar montanha abaixo. Importa menos a bobagem em discussão, ou seja, se José Serra vai acabar com o PAC ou se o PAC é uma ficção. Continuando as coisas como vão,  logo a sucessão presidencial será travada num ringue de luta-livre.

Bem que o presidente Lula tenta conter a candidata, mas é aquela velha história: se um orador diz “mata’, o seguinte precisará dizer “esfola”, para manter a atenção do plenário.

Publicidade exagerada

Neste início de ano, ainda mais um ano eleitoral,  valeria pesquisar  o Orçamento da União e os orçamentos dos estados, no quesito publicidade. E sem esquecer as empresas estatais, os fundos de pensão, as ONGs e um monte de empresas privadas que prestam serviço aos governos e, por isso, retribuem com gentilezas aos veículos de comunicação indicados pelos detentores do poder.  É uma baba, que não discrimina situação ou  oposição.

A pergunta que a gente faz é se tanta publicidade visa atingir o público, aquele ao  qual teoricamente os anúncios se dirigem,  ou se pretende mesmo obter a boa vontade da mídia para com seus candidatos e interesses. Estaria a Petrobrás, por exemplo, interessada em que os proprietários de veículos abasteçam com mais intensidade nos postos da empresa? Ou o Banco do Brasil e a Caixa Econômica pretendem aumentar o número de seus correntistas?

O mundo não depende das bolsas, os jogadores não viveriam sem elas

Antes da crise, chegou a mais de 74 mil. Ganharam fortunas. Caiu até 32 mil. Ganharam fortunas. Voltou a quase 70 mil. Ganharam fortunas. Onde entra o consumidor, o investidor verdadeiro, que não seja banqueiro ou profissional? Não entra, perde sempre.

Hoje chegou a 67 mil e 800 pontos, fechou em 68 mil e 200, quase a mesma coisa. Queda de 2,35%. O dólar chegou a 1,79, fechou aí. Esse é um mercado sem aspas. Jogam também, mas a movimentação influencia os negócios.