Delúbio Soares não está voltando ao PT, porque nunca saiu

Helio Fernandes

Os jornalões, desinformados ou amestrados, dizem na Primeira: “Delúbio Soares caminha e afirma o projeto de dominar o PT”. Voltar não é o seu projeto, sempre esteve no PT.

O que acontece: o “mensalão criou a indústria do dossiê”, usado por muita gente. Se Dona Erenice (“meu braço direito”) voltar, a longa viagem de volta servirá a todos. Se ela não voltar, a conclusão: dossiê e intimidação, não estão produzindo resultados. O que acontecerá? É o que Valério pergunta, e espera.

A alta dos juros, uma novidade mais do que prevista

Helio Fernandes

Dona Dilma foi sempre contra o aumentos dos juros. Já eleita e não empossada, revelou: “Vou trabalhar com base na queda dos juros”. Assim que designou Tombini para substituir Meirelles, eu disse aqui: “Vem aumento de juros, o ex-diretor do BC é partidário dessa política”.

Agora que se fala no presumível e suposto crescimento da inflação, já surge o primeiro aumento da “Taxa Selic”, que subiu 0,50%, para começo de conversa.

Apenas para comparar: nos EUA, os “mesmos sinais” de elevação da inflação. O presidente do FED deu entrevista, afirmou: “Estamos atentos, se for necessário e mesmo imprescindível, aumentaremos os juros”.

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PS – Para que ninguém esqueça: os juros nos EUA, estão entre Zero e Zero 25 (0,25%). Ao ano, ao ano.

Conversa com comentarista, sobre a “reforma partidária” do governo ditatorial de 64

José Antonio: “Não me parece exato dizer que os militares não fizeram reforma partidária. Os múltiplos partidos (parece-me que eram 13) existentes em 1965 foram reduzidos a dois: a Arena, que dava sustentação ao governo, e o MDB, que se apresentava como oposição. Se isso não foi uma reforma…”

Comentário de Helio Fernandes:
Não reformaram nada. Reduziram os partidos para dois, era mais fácil governar. Criaram a Arena e o MDB, logo identificados como o partido do “SIM” (Arena) e do “SIM, SENHOR” (MDB). Dominaram os dois através de “eleições indiretas”.

No Estado da Guanabara (depois Estado do Rio, com a fusão criminosa de Giesel), como o MDB tinha maioria, o presidente desse MDB, Chagas Freitas, foi feito “governador” duas vezes, com todas as aspas e paetês.

Em 1974, o MDB elegeu 16 senadores em 21 estados e 1 Distrito Federal. Os militares no Poder ficaram com medo. Então, para 1978, Geisel criou os biônicos. 22 senadores estava garantidos (eram duas vagas), não importava que perdessem os outros.

Em 1981, mudança total, João Figueiredo criou esse pluripartidarismo amaldiçoado que está aí. Já existia o PP, com Magalhães Pinto e Tancredo Neves. Este me convidou para entrar no partido, com o compromisso público para que eu fosse candidato a senador.

Fui recebido com grandes festas em Brasília, direito a discursos de Magalhães e de Tancredo, me chamando de “maior oposicionista do Brasil durante a ditadura”. Eu já era tido e havido como eleito, a mesma coisa que ia acontecer em 1966, só que para deputado federal.

No final desse mesmo ano, eu almoçava em Brasília com Tancredo e o Doutor Ulisses, quando veio um emissário do Planalto, com o recado: “O presidente João Figueiredo quer falar com os dois, imediatamente”. Lógico, largaram a comida, saíram correndo, devia ser alguma coisa importante, era mesmo.

Figueiredo comunicava aos dois líderes políticos mais importantes do país (a ditadura examinou cassá-los, ficou com medo) que “OS PARTIDOS HAVIAM ACABADO”. Podiam ser criados outros, com as exigências que seriam transmitidas pelo professor Leitão de Abreu, o homem mais importante do governo, depois da saída de Golbery.

1 – Tinham 30 dias para essa modificação. 2 –Não havia limite ou limitação para o número de partidos. 3 – As siglas deveriam começar com um P de partido. 4 – Mas não previram nem estipularam o número de letras dessas siglas. 5 – No MDB, alguém pouca coisa mais inteligente colocou um P na frente do MDB, ficou sendo o maior de todos, PMDB, carreirista mas histórico.

6 – Jamais consegui saber que fez essa “mágica simples”, que irritou profundamente João Figueiredo. 7 – Apesar da ditadura, não pôde fazer nada, já saíra no Diário Oficial. 8 – Tancredo e Magalhães consultaram especialistas, a conclusão; em 30 dias não dá para “oficializar” o PP, a solução é ser INCORPORADO pelo PMDB, o que aconteceu numa reunião tumultuadíssima. 

9 – Lá se foi minha candidatura ao Senado. Era só uma vaga, pertencia ao PMDB. Tancredo e Ulisses me convidaram para deputado, “você ser o mais votado do Estado do Rio e talvez do Brasil”.

10 – Minha resposta na hora: “Cassado há 16 anos, não quero repetir a candidatura, depois de tanta luta. Meu projeto continua o mesmo de 1966”.

Como você vê, José Antonio, essa pluripartidarismo de 37 ministros, herança macabra, perdulária e ingovernável, vem da ditadura.

 

A realidade do Haiti, empobrecido por um ditador enriquecido

Helio Fernandes

Roubou mais do que o pai, o que não é uma satisfação para o povo. Derrubado depois de 15 anos de roubalheira, Baby Doc viveu no “exílio dourado de Paris”, por mais de 25 anos. Voltou, corrupto, audacioso, sem vergonha, queria novamente o Poder.

Aplaudido pelos seguranças e pelos que enriqueceram com ele, disse que “conquistaria” outra vez o governo. Mas está preso (por enquanto num hotel), fazem levantamento de quanto roubou. O país mais pobre do mundo, só que a humilhação maior seria deixar esse Baby Doc “governar” novamente.

Hoje, 2 anos de Obama no Poder (com dificuldades para a reeleição)

Helio Fernandes

Nada brilhante, criativo, marcante, nesse 20 de janeiro. Chegou à Casa Branca há 2 anos, como a grande esperança, não apenas para os EUA, mas para a coletividade. Negro com uma ascendência complicada, venceu duas batalhas, ou uma batalha e uma guerra. A batalha pela indicação partidária e a vitória nacional. A guerra, pela entrada na Casa Branca.  

Tido e havido como “presidente de 8 anos” ( o máximo de uma presidência, depois da Emenda número 24, de 1952), sua situação não é tão confortável como parecia. Não desperdiçou a esperança, mas estimulou a desesperança.

Sua popularidade caiu tanto, que mesmo nos círculos políticos de Washington, se diz: “Nestes dois anos que faltam, terá que fazer campanha para ganhar a indicação”. Mesmo indicado (o que deve acontecer), não ganhará tão facilmente como no primeiro mandato.

Ao invés de prevenir e evitar tragédias no futuro, Sergio Cabral e Eduardo Paes preferem investir no Museu do Amanhã, mais um lançamento inútil da Organização Globo.

Carlos Newton

Na internet, não se fala em outra coisa. Qual o interesse do governo do Estado do Rio e da Prefeitura carioca em um “Museu do Amanhã”? Se as respectivas autoridades não conseguem nem administrar o presente, o que esperar do futuro?

 Afinal, o que será um “Museu do Amanhã”? A prevalecer a excelente letra da canção “O Tempo Não Para” (de Cazuza e Arnaldo Brandão), seria “um museu de grandes novidades”. Algo do que ainda vai acontecer. Mas isso para nós é muito perigoso, porque aqui no Brasil, em termos políticos, o que vem pela frente pode ser uma surpresa muito desagradável. Como esse grande negócio entre a Organização Globo, o governador Sérgio Cabral e o prefeito Eduardo Paes.

Como já está mais do que sabido (há vários dias, os comentários aqui no blog da Tribuna não param), em outubro do ano passado o governador Sérgio Cabral desviou R$ 24 milhões do Fundo Estadual de Conservação do Meio Ambiente (Fecam) para atender a Fundação Roberto Marinho, que planeja construir o tal “Museu do Amanhã” na área portuária do Rio.

Vamos conferir o que anuncia o próprio o site da Comunicação Social do Governo de Sérgio Cabral: “O museu terá uma área de 12,5 mil metros quadrados. O custo total do projeto gira em torno de R$ 130 milhões, cabendo ao Estado cerca de 24 milhões do investimento e o restante à Prefeitura. Os recursos estaduais são oriundos do Fundo Estadual de Conservação do Meio Ambiente (Fecam), da Secretaria do Ambiente”.

Esses recursos, pelo Orçamento do Estado, deveriam ser destinados para contenção de encostas e serviços de drenagem, no âmbito da Secretaria do Meio Ambiente. Essas obras, sim, seriam positivas para o amanhã da população do Estado do Rio. Mas o que esperar do amanhã, com esse tipo de governantes?

Para culminar, em Brasília circula nos bastidores do Planalto a informação de que a presidenta Dilma Rousseff, num longo telefonema, pegou pesado com Sergio Cabral, sexta-feira passada, porque desde 2008 o governo fluminense já fora alertado pelas autoridades federais de que as chuvas poderiam causar uma tragédia no Estado.

A presidente também teria criticado duramente Cabral por viajar para Paris no início do verão, que é sempre um período muito crítico, com sucessivas trombas d´água na região. Dilma Rousseff até ironizou o fato de que, em toda catástrofe no Estado do Rio, quem aparece sempre é o vice-governador Luiz Fernando Pezão, como ocorreu no verão passado, quando houve os graves deslizamentos em Angra dos Reis e na Ilha Grande, o governador estava em sua mansão de Mangaratiba, bem pertinho, mas só apareceu por lá dias depois.

Depois de exercer, tomar o poder

Carlos Chagas 
                                                       
Parece longe de ter sido contida a rebelião no PMDB, depois de receber  três e não seis ministérios, que mantinha no governo Lula, alem de não haver engolido o congelamento das nomeações para o segundo escalão. Dirigentes,  líderes e até segmentos das bancadas do partido não perdoam a presidente Dilma Rousseff, apesar do jogo de cena e das juras de fidelidade que se sucedem.
                                                       
Um raciocínio domina o PMDB, sobre a necessidade de fazerem valer sua força nesses primeiros tempos do novo governo, porque depois ficará pior, caso não reajam. Para os cardeais da legenda, a responsabilidade por essa diminuição deve ser repartida entre a presidente da República e o partido dela, o PT,  coisa que dá no mesmo. Eles argumentam que no governo Lula os companheiros exerceram o poder, mas no governo Dilma, buscam tomar o poder. O risco é grande, em especial diante da hipótese de,  depois dela,  retornar o Lula, já então sob nova direção, ou seja, dono absoluto do estado brasileiro. Mais como imperador, até,  caso a corrente não seja contida no nascedouro.
                                                       
É o que pretende o PMDB, agora, julgando-se garfado depois de exercer as funções de condômino e co-participante da eleição de outubro passado. Tivesse o partido se inclinado pela candidatura José Serra e quem garante que os resultados não teriam sido diferentes? A hora, assim, é de cobrar a conta, não apenas pela contribuição para a eleição de Dilma como para prevenir a completa conquista  do poder pelo PT, candidato a partido único…
 
APENAS IGUALDADE DE OPORTUNIDADES NÃO BASTA  
 
Setores hoje meio fora de moda, como a intelectualidade acadêmica e esquerdista, aqueles que já foram  do PT mas abandonaram  o partido, alertam para um hiato nas propostas de Dilma Rousseff. Se concordam com o objetivo de extirpação da pobreza absoluta e da miséria, discordam do diagnóstico de que tudo se resolverá com a igualdade de oportunidades para toda a população. Aliás, desconfiam das elites que  se apegam tanto a essa meia verdade, porque atrás da igualdade de oportunidades situa-se a  livre competição entre quantidades distintas.

Como poderão competir o filho do miserável desempregado, morador num barraco da periferia, e  o pimpolho bem alimentado da classe média e dos andares superiores? Não adianta ficar citando as exceções como regra, à maneira do  menino descalço  que vendia amendoim na feira haver-se tornado grande industrial, banqueiro ou até presidente da República. Para cada exemplo de quem se beneficiou pela igualdade de oportunidades ou pela livre competição entre quantidades distintas existirão milhões que ficaram pelo caminho, ou nem puderam trilhá-lo.
                                                       
Só a igualdade de oportunidades não basta. É necessária mas, isolada, torna-se  enganação, tendo em vista que imensos contingentes  de brasileiros começam a não ter oportunidade ainda na barriga da mãe, doente, mal alimentada e incapaz de transmitir ao futuro bebê as condições mínimas de competir ou de ter oportunidades.
                                                       
Seria para essa massa que deveriam voltar-se as atenções do novo governo, sabendo da importância de assistir os menos favorecidos com instrumentos acima e além de conceder-lhes igualdade de oportunidades. Apenas escola não chega, é preciso saúde, emprego, alimentação, lazer,  cultura e até  privilégios.
 
PRELÚDIO DE CRISE
 

Depois de o Supremo Tribunal Federal haver decidido que seria do presidente Lula a palavra final sobre a extradição de Césare Battisti, vem o presidente da mais alta corte nacional de justiça dar o dito pelo  não dito,  admitindo que seus colegas possam, quando reunidos, mandar o italiano de volta ao seu país.

Ora, o então presidente da República determinou que Battisti ficaria no Brasil, reconhecendo sua condição de refugiado político. O ministro Cezar Peluso reabre  questão já concluída e deixa aberta a brecha para um confronto entre o Judiciário e o Executivo. Caso o Supremo decida pela extradição, como ficará a presidente Dilma Rousseff, que terá concordado em gênero, número e grau com o antecessor? Quem sabe se indicasse  logo o décimo-primeiro  ministro a decisão do Lula ganharia reforço?
 
SARNEY TOMARIA A INICIATIVA? 
 
É bom esclarecer que em termos de reforma política o Senado fez a lição de casa. Depois de acirrados debates, ainda em 2009, os senadores aprovaram não todas mas uma série de mudanças na legislação eleitoral e partidária. Os projetos desceram à Câmara e até hoje lá se encontram, sem solução.  Tendências podem ter sido mudadas, mas um ponta-pé inicial tem que ser dado nesse que poderá constituir-se no segundo tempo da partida. Há quem suponha o atual e futuro presidente do Senado e do Congresso, José Sarney, tomando a frente dessa nova tentativa. Ainda mais se for ajudado pelo Lula, cuja promessa foi de, deixando o poder, trabalhar pela reforma política. Ao menos com a boa vontade do PT Sarney contaria, e como é um dos líderes do PMDB, quem sabe?

Ferreira Gullar se autoiludiu, iludindo os leitores

Pedro do Coutto

No espaço que aos domingos ocupa brilhantemente no Caderno Ilustrada da Folha de São Paulo, neste fim de semana, o intelectual Ferreira Gullar, num impulso para reduzir a importância da aprovação final do governo Lula, na escala recorde de 87%, segundo tanto o Ibope quanto o Datafolha, afirmou que o presidente Médici encerrou seu período com popularidade igual. Médici foi ditador de 69 a 74.

Gullar, um perseguido político que teve de se exilar do país, conhece bem o tempo e sofreu diretamente, por sua participação no antigo centro Popular de Cultura, o peso dos anos de chumbo. Claro que Gullar, numa espécie de auto hipnose se enganou e, com isso, contribuiu para iludir os leitores mais jovens.

Errou. Tanto assim que nas eleições de 74 o PMDB venceu disparado elegendo 16 senadores, um por estado, e dobrando sua representação na Câmara. Em São Paulo, por exemplo, Orestes Quércia derrotou Carvalho Pinto. No Rio de Janeiro, Danton Jobim venceu Gama Filho. Em Minas Gerais, Itamar Franco despontava no plano federal batendo José Augusto por larga margem. Foi o chamado marevoto contra a ditadura militar.

Ao contrário do que sustentou o jornalista e poeta, cuja importante obra de arte é relançada agora de forma integral, os números mostram que a comparação entre Lula e Médici só destaca Lula. Pois enquanto os militares perdiam disparado nas urnas, Lula vencia Serra em 2002 por 62 a 38. Quatro anos depois, batia Geraldo Alckmim por 61 a 39. E, no ano passado, ainda elegeria Dilma Roussef por 56 a 44%.

Gullar deixou-se levar pela emoção contra a razão. Errou. Não foi o único artista a se equivocar. Nem isso abala sua obra. Mas é preciso não brigar com os fatos. Pois como diz o belo verso de Vinicius de Moares, a vida tem sempre razão.

Em 1944, em plena Segunda Guerra Mundial, um grande poeta americano de Idaho, Ezra Pound, não sei porque razão enveredou pelo sinistro caminho de apoiar o nazismo. Aliás, o nazismo de Hitler e o fascismo de Mussolini, pois o autor dos “Contos”, tradução do meu saudoso amigo José Lino Grunewald, vivia na Itália. Em Veneza, onde praticamente não há referência sobre sua vida. Tornou-se uma figura do passado entre o Grande Canal e a Praça de São Marcos, onde se encontram obras notáveis da  Renascença.

Em junho, os aliados desembarcaram na Normandia para libertar a França do jugo de Hitler. Tomavam as praias, e depois de muita luta, rumavam para Paris. Ezra Pound, através de programa de rádio, dizia exatamente o contrário: que as forças americanas, inglesas, canadenses  e um batalhão de voluntários poloneses estavam sendo dizimados e destroçados. Qual a explicação para o que se passou na cabeça do gênio?

Ferreira Gullar, claro, não enlouqueceu, mas a mim parece que não consegue ouvir falar de Lula. Talvez pela falta de sintonia que separa ambos diante da beleza e da eternidade da arte. Deve ser por aí. Mas Gullar, que não nega a força da intuição no ser humano, deveria considerar este aspecto em favor do ex-presidente da República. Perdeu três eleições, venceu outras três e deixou o Planalto consagrado pela opinião pública. Um apoio de 87% não pode vir apenas das classes de menor renda. Não seriam suficientes, somadas, para conduzir a esse patamar. Não.

Seu êxito é produto de acertos concretos porque, sem eles, ninguém atinge escala assim. Deixo uma sugestão a Ferreira Gullar à altura de seu talento: reveja o índice Médici e torne mais flexível seu pensamento em relação ao ser humano Luiz Inácio. As razões de seu sucesso são mais profundas do que parecem numa primeira leitura, expressão da moda. Numa segunda visão, a  imagem aparecerá com mais nitidez. E menos paixão.

Sempre se soube que essa tragédia ou catástrofe anual, tinha três palavras-chave: PREVENÇÃO, FISCALIZAÇÃO, CONSTRUÇÃO de risco em encostas.

Helio Fernandes

Agora, diante do inominável, especialistas repetem. Não é a primeira vez que o fato acontece, sempre com as mesmas causas, e naturalmente as consequências que poderiam ter sido previstas. E os técnicos de todas as especialidades, ligados ao problema, alertam para a imprevidência, imprudência, inconsequência.

É lógico, claro e evidente que não se esperava que o verão 2010/2011 tivesse essa violência, devastasse e matasse de uma forma inacreditável, como aconteceu. Não havia jornalão, rádio ou televisão que pudesse se atualizar em relação ao número de mortos.

A cada hora, dramaticamente ia aumentando. No primeiro dia, quando já contavam 100 mortos, o horror era geral. Quando chegou a 200, a contagem foi se atropelando, ninguém acreditava que pudesse subir mais. Só que chegou a 300, 4oo, na última comunicação havia atingido 672 mortos. E estimavam que houvesse número imprevisível de desaparecidos ou ainda não encontrados.

Agora estão todos estarrecidos como se tivesse acontecido pela primeira vez. Jamais aconteceu com essa violência, mas é fácil supor que a cada ano a resistência diminui, as encostas estão mais frágeis, as casas (?) aumentam, os riscos crescem na razão direta do abandono.

Ninguém foi responsabilizado, ano após ano, autoridades (?) municipais, estaduais e federais, ficam impunes e imunes, prefeitos escondidos nas suas mansões, secretários de Obras de todos os municípios, resguardados nas fortificações que sabem inatingíveis.

Responsáveis municipais e estaduais, continuam longe dos fatos, das providências e das decisões. É preciso então que o governo federal apareça e imponha medidas salvadoras, mas que ninguém tem interesse (ou recursos?) para traduzir em velocidade maior e com resultados visíveis i-m-e-d-i-a-t-a-m-e-n-t-e.

O nosso tipo de Federação, concentrada no Federal, abandona o estadual e o municipal, que se refugiam na impossibilidade de fazer. O governo federal domina tudo, mesmo os “repasses constitucionais”, são feitos como se isso fosse “generosidade” ou “desprendimento” do governo central.

(Nos EUA, presidencialismo igual ao nosso, a Constituição é “estadualista”, os estados e municípios têm direitos e deveres constitucionais e obrigatórios. Rui Barbosa  hesitou muito entre a FEDERAÇÃO inconsequente e a CONFEDERAÇÃO responsável. Quando abandonou a vida pública em 1919, depois da derrota para Epitácio Pessoa, revelou ao grande amigo, senador Antonio Azeredo: “Meu maior equívoco foi ter optado pela Federação”).

Agora, o governo federal, centralizado em Dona Dilma, anuncia providências, “cujos resultados só serão conhecidos dentro de 4 anos”. Ou como foi dito textualmente pelo Ministro Mercadante: “Deve funcionar plenamente no fim de 2014”.

Nada pode ser feito na hora, mas a emergência não é a palavra da predileção de governantes. Só que é obrigatório perguntar: e o que será de 2012, 2013, 2014 e até 2015, como está dito pelo Ministro de Ciência e Tecnologia?

E esse Ministro tinha que ser logo o ex-senador derrotado para governador, Aloizio Mercadante? O mesmo homem da “RENÚNCIA IRREVOGÁVEL”, humilhado e desprezado por Lula, nesse episódio e em outros? Como acreditar na palavra dele, na sua capacidade de realização, de participação, de cooperação?

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PS – Admitamos que a própria presidente reveja a situação, diga para ela mesmo e para o respeitável público: “É muito tempo, teremos que esperar até 2014?”

PS2 – Na vida de Dona Dilma presidente, muita coisa remete a essa data, que pode ser um marco na sua história. Muitos previam incertezas e incógnitas para 2014.

PS3 – Com esforço, concentração e competência, Dona Dilma não pode derrotar esse 2014? Entre os obstáculos que colocavam para ela, não estava a tragédia, a catástrofe e a fatalidade. Da natureza ou da imprevidência, e sim da HERANÇA MALDITA.

Para se eleger presidente da Câmara, Marco Maia começa a fazer concessões

Helio Fernandes

Escolhido candidato oficial de um acordo PT-PMDB, era tido como candidato garantido para comandar a Câmara. Mas surgiu um grupo constituído de deputados ressentidos, outros querendo intimidar o governo, e o terceiro com maioria lobista, e seu favoritismo ficou ameaçado.

Seguindo conselhos de deputados de muitos mandatos  (Henrique Eduardo Alves, Pedro Novais [o agora ministro do Turismo de Bordel], Eduardo Cunha e outros), começou a conversar.

Primeiro pedido que atendeu logo: não dar chance aos que “combatem” os deputados. Disse logo: “A reforma política e partidária não tem nenhum a prioridade. Pelo menos nos próximos 4 anos”. Melhorou?

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POR QUE OS TRÊS JUNTOS?

Joaquim Roriz e Paulo Otavio, surpreendentemente, foram vistos entrando na casa de José Roberto Arruda. Todos cassados e afastados da vida pública para sempre, o que conversaram?

Presidência da Alerj: cabralzinho e Brazão deram sinal de fraqueza

Helio Fernandes

Como tenho noticiado com exclusividade,  cabralzinho trata diariamente da eleição do substituto de Picciani. (Este ainda é presidente até o dia 31 de janeiro. Como a eleição é no dia seguinte, não tem mais importância).

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BRAZÃO DIZ QUE FEZ ACORDO

Como estava marcado, ontem Domingo Brazão fez o segundo café da manhã. Mas decepcionou uns 20 ou 25 deputados que estavam querendo derrotar Paulo Mello. Textual: “Serei presidente da Alerj no biênio 2013/14”. Frustração. Dentro de 2 anos cabralzinho terá esquecido de tudo. Só que ele e Brazão, deram sinal de fraqueza.

Dólar futuro e à vista

Helio Fernandes

Anteontem, segunda, a moeda americana negociou (leia-se: jogou) mais de 16 bilhões. À vista, pouco mais de 1 bilhão e meio. Por aí é facílimo verificar o que está “emperrando” esse dólar.

Ontem, terça, o volume praticamente chegou a 19 bilhões, o dólar à vista ficou na mesma “casa” da véspera.

Um Ernesto Geisel de saia?

Carlos Chagas 
                                                       
A História  é plena de surpresas e de ironias. Mais estas do que aquelas, até.  Nenhum presidente da República será cópia do antecessor, muito menos a sua negação. Cada um terá características e concepções próprias,  moldando com o  tempo a sua imagem. Mas semelhanças entre um e outro costumam aflorar desde o começo.
                                                       
Qual o perfil de Dilma Rousseff capaz de ser desenhado nestes primeiros dias de seu governo, e com que outro matiz ele mais parece aproximar-se? Dirão os racionais ser muito cedo, prematuro ao extremo evoluir nesse terreno ainda desconhecido. Estão certos, mas, mesmo assim, vale arriscar algumas incursões no presente e no passado, ficando o futuro por conta da providência e do destino.
                                                       
Mesmo assim,  a tentação é irresistível para as primeiras comparações. Apesar de haver dividido o ministério em quatro segmentos principais, mostrando saber delegar poderes aos superministros encarregados  de cada um, Dilma é centralizadora. Quer conhecer todos os detalhes de cada questão colocada diante dela para  decidir.  De uma espécie de primeiro-ministro, participante de todos os momentos, que é o chefe da Casa Civil, Antônio Palocci. Mas não deixa de ser, ao menos até agora, ministra de todas as pastas, diretora de todos os departamentos e chefe de todas as seções do serviço público.

Sua presença no local das tragédias geradas  pela natureza, na serra fluminense, demonstrou suas preocupações tanto com a preservação  da vida dos  atingidos, como prioridade maior, bem como  a reconstrução de suas moradias, a recuperação de bairros, estradas e logradouros públicos, sem esquecer o abastecimento emergencial de gêneros e remédios, mais a mobilização e  a ação imediata das estruturas federais, das forças armadas e dos  ministérios mais de perto ligados ao enfrentamento da catástrofe.

Mesmo assim, não deixou de cuidar das botas do Pezão, vice-governador do Rio que, pelo tamanho de seus pés, obrigava-se a  andar descalço pela lama e os detritos. Impossibilitado de encontrar  botas que lhe servissem, no comércio, a presidente prometeu e fez cumprir de imediato dois pares dos pisantes, tamanho cinqüenta, logo encaminhados pela Petrobrás, única empresa a produzir gigantescas botas para seus funcionários. Na primeira reunião do  ministério, a presidente mostrou  conhecer e estar acompanhando a realidade de cada setor mais até do que muitos dos recém-nomeados ministros.
                                                       
Quem, no passado recente, mais deu exemplos dessa atenção desmesurada e agigantada de tudo o que se passava à  volta de seu governo?  Aqui vem a ironia da História, obviamente sem a emissão de juízos de valor nem julgamentos precipitados: foi o general Ernesto Geisel, responsável pelo  período em que a atual presidente da República encontrava-se na prisão, acusada de pegar em armas contra a ditadura militar…  Meras coincidências de modelo, jamais  de conteúdo político, doutrinário ou ideológico,  mas muito parecidas,  nestas semanas iniciais de governo.
                                                       
Até porque, mesmo em situações profundamente  díspares, Geisel dispunha de um chefe da Casa Civil tão formulador de estratégias quanto combatido em seu próprio meio, cultor do trabalho em silêncio,  o general Golbery do Couto e Silva. É a imagem que começa a ser formada em torno de Antônio Palocci, jamais um auxiliar capaz de atrair para si os holofotes do poder, assim  como Golbery,  mas peça fundamental à sombra do chefe.
                                                       
Será um exagero, ao menos por enquanto, rotular Dilma Rousseff de um Ernesto Geisel de saias, mas a possibilidade parece em aberto.    
 
OUTRAS COMPARAÇÕES 
 
Já que nos encontramos no escorregadio plano das comparações, vale ficar na  análise dos personagens situados um degrau abaixo dos presidentes da República, muitas vezes na Casa Civil, outras em nichos variados.
                                                       
Luis Viana Filho foi o primeiro chefe da Casa Civil do regime militar. Não conhecia o marechal  Castello Branco, quando convidado. O primeiro militar-presidente do ciclo buscava um intelectual, um civil  em condições de orientar seus discursos e de demonstrar que o militarismo não dominava por completo o poder. Membro da Academia Brasileira de Letras, deputado politicamente ligado ao movimento que derrubou um presidente da República, biógrafo de Rui Barbosa, como depois seria do próprio Castello, o baiano jamais buscou conduzir politicamente o chefe. Contentou-se, quando podia, em evitar arroubos menos democráticos do grupo no comando da nação. Muitas vezes cedeu, mas manteve a lealdade plena.
                                                       
Costa e Silva, o segundo marechal-presidente, escolheu o deputado Rondon Pacheco para a Casa Civil, sabendo que não caberia a ele conduzir ou sequer exprimir as diretrizes de governo. Quem mandava, à sombra do velho marechal, era o chefe da Casa Militar, o general Jaime Portella, maliciosamente chamado de “subcomandante do país”. A ele deveu-se o endurecimento do regime, inclusive a decretação do mais abominável dos retrocessos da época, o AI-5.
                                              
Com o general Garrastazu Médici alterou-se o pêndulo em favor da Casa Civil. Pouco dado ao trabalho diário, o presidente delegou a administração e a insipiente ação política o professor Leitão de Abreu, tanto quando a economia ao ministro da Fazenda, Delfim Netto. O dr. Leitão exerceu ponderável parcela de poder, até facilitando ao então  presidente da República prenunciar o modelo que, décadas mais tarde, vestiu o Lula de popularidade ainda maior que a de Médici:  um viajava e colhia os louros do crescimento econômico, outro trabalhava, mais ou menos como aconteceu com Dilma Rousseff na chefia da Casa Civil. 
                                              
Feito presidente, o general Ernesto Geisel adotou o perfil do Zeus tonitruante que nos referimos acima, nenhuma garantia para o sucesso de seu governo ou para a sua popularidade, mas teve à sua sombra o general Golbery do Couto e Silva, maestro dos instrumentos políticos e administrativos que levava ao presidente dando a impressão de ser a partitura criada e executada  exclusivamente por Geisel.
                                              
Golbery continuaria nas funções com o último general-presidente, João Figueiredo, até a explosão das bombas no Riocentro,  quando  sustentou que as investigações deveriam fluir até o fim, mesmo atropelando os mandantes, possivelmente ministros do governo. Contrariado em sua determinação, depois de ter sido responsável maior pela abertura política, com o fim da censura à imprensa,  a anistia e a extinção  do bipartidarismo, retirou-se, por ironia substituído pelo mesmo Leitão de Abreu de outros tempos.
                                              
José Hugo Castello Branco, escolhido por Tancredo Neves para tornar-se “o chefe da casa do presidente”, quer dizer, alguém de sua inteira confiança e intimidade, não conseguiu equilibrar-se muito tempo no governo José Sarney.  Veio Marco Maciel, na Casa Civil, buscando abraçar todas as atividades políticas e administrativas,  a ponto de incomodar o presidente. Nova troca de funções e assumiu Ronaldo Costa Couto, talhado para exercer o poder sem dar a mínima impressão de estar exercendo. Todos os louros iam para Sarney, mas na realidade era Costa Couto que carregava o piano. Claro que Ulysses Guimarães mandava na política partidária.
                                              
A centralização voltou com Fernando Collor, que em vez de chefe da Casa Civil, inovou com a Secretaria Geral da presidência, entregue a um cunhado, diplomata e sem traquejo administrativo nem político. A dissociação do palácio do Planalto com o Congresso gerou o impedimento do presidente, que nem a tardia convocação de Jorge Konder Bornhausen para o centro do poder deu resultado. Fica difícil, antes do líder catarinense, saber quem era a sombra ao lado do gabinete presidencial.
                                              
Com Itamar Franco as coisas foram mais simples. O vice-presidente convocou Henrique Hargreaves, amigo de longa data, que na Casa Civil conseguia conter alguns arroubos do chefe mas, como regra, tocavam de ouvido. Mesmo uma falsa acusação contra Hargreaves recebeu a rígida decisão do presidente, que mandava qualquer auxiliar afastar-se para defender-se. Inocentado como foi o chefe da Casa Civil, voltou com tapete vermelho.
                                              
Do governo Fernando Henrique importa deixar a poeira assentar, mas o papel de Clovis Carvalho na chefia da Casa Civil precisa ser mais explicitado, pela sua importância e, ao mesmo tempo, seu profundo desapego às exteriorizações do poder. O sociólogo fica devendo não um elogio, mas o reconhecimento do papel exercido pelo amigo.
                                              
Chegando ao fim com o Lula, parece ter havido uma volta ao passado. Ele viajou pelo país, pelo exterior, ficou mais popular do que qualquer antecessor, mesmo tendo perdido duas copas do mundo de futebol e não  ter acertado nenhum resultado, como Garrastazú Médici, mas quem efetivamente governou foram seus dois chefes da Casa Civil, primeiro José Dirceu, depois Dilma Rousseff. Claro que dava diretrizes, fazia opções que lhe eram levadas e, acima de tudo, alimentava com energia cinética a ação de seus auxiliares.

Aos poucos as peças vão se enquadrando no tabuleiro, mas é muito cedo para a definição do perfil do Lula na História. Quanto mais então o de Dilma, que mal começou. Pode ser uma escorregada monumental compará-la a Ernesto Geisel, mas que a tentação, vale repetir, é grande, isso é.  Claro que só na postura, talvez nos objetivos nacionais permanentes, mas jamais na ideologia e na doutrina.

Plano Collor, abismo para assalariados, paraíso para os bancos

Pedro do Coutto

Reportagem de Toni Sciareta, Folha de São Paulo de 17, informa que termina no final deste mês o prazo para que os titulares das cadernetas de poupança ingressem com ações na justiça para tentar reaver o rombo causado pelo Plano Collor. Scarieta refere-se especificamente ao Collor 2, no valor de 21%, diferença na realidade subtraída das contas de poupança e também do FGTS.

Com base em liminar – sempre as liminares – do ministro Antonio Dias Tofoly, o STF suspendeu a cobrança das diferenças dos Planos Bresser, Verão, de Mailson da Nóbrega e Collor1. Resta o Collor 2, cuja prescrição transcorre a 31 deste mês, vinte anos depois de mais este corte draconiano. Vinte anos depois, como no romance da Alexandre Dumas pai, continuação no tempo do clássico Os Três Mosqueteiros, agora reeditado em Paris, duzentos anos após a morte do eterno autor.

Os prejuízos de todos esses planos citados são incomensuráveis. E devem incluir as diferenças do FGTS, igualmente atingido por um congelamento que criou um abismo para os valores do trabalho e, ao mesmo tempo, é claro, um paraíso para os bancos e banqueiros. Isso porque, na verdade, não pode existir débito sem crédito e vice versa. Se alguém perdeu, alguém ganhou.

Se o dinheiro, de forma indireta saiu das contas dos trabalhadores, é porque foi parar nos cofres de capitalistas. Não há como escapar desta dualidade. Exceção nas guerras quando explodem bombas que só destroem. Nos demais casos, verifica-se um movimento pendular. O Plano Collor 2, mais um assalto à propriedade dos assalariados, não deve ser visto como fenômeno isolado. Existe um roubo muito maior em torno do conjunto de cortes. Roubo irrecuperável.

Basta colocar o seguinte: através da ministra Zélia Cardoso de Melo, o desgoverno Fernando Collor, Paulo Cesar Farias à  frente, congelou os ativos financeiros pelo período de dezoito meses. Cadernetas de Poupança, Fundo de Investimentos, FGTS. Nesses dezoito meses, quem quiser consulte a memória inflacionária registrada pelo IBGE, a inflação atingiu 1246 por cento. Em seguida a esse ano e meio, foi iniciada a devolução dos valores ao longo de doze meses.

O valor mensal de cada um desses meses foi corrigido corretamente. Mas os dezoito meses não. Para um índice de 1246%, o defletor utilizado ficou restrito praticamente à metade, algo em torno de pouco menos que 620%.
Assim, por exemplo, quem possuia 200 mil reais numa conta de poupança passou a possuir apenas 50%.

Como na época não existia uma cultura de análise financeira comparativa à inflação oficial, milhões de brasileiros foram assaltados e não se deram conta. Hoje isso não ocorreria, mas aconteceu antes. O lucro cessante decorrente da expropriação inegável é difícil de calcular e de projetar na realidade de cada um. Surpreendente que o Ministério Público Federel não tenha entrado com uma ação regressiva de posse com base na diferença real do assalto praticado por intermédio de um deflator muito baixo do valor real da perda. A diferença foi para o planeta dos banqueiros.

A CUT poderia ter ajuizado uma ação relativa ao FGTS, igualmente vítima de expropriação por parte priemrio pelo governo Collor. Depois através da omissão de todos os governantes que se sucederam, a começar pelo de Itamar Franco, a quem o tema não foi levado, passando pelo de FHC, culminando no governo Lula. A exemplo dos naufrágios, os tesouros saqueados dos trabalhadores e servidores públicos dormem no fundo do oceano da omissão. Para sempre. Agora é tarde demais para recuperá-los.

Serra deve explicações. Por que liberou, como governador de SP, 400 milhões de reais do precatório do Parque Villa Lobos, se a lei lhe permitia pagar parceladamente em 15 anos? Mas isso Serra nunca vai explicar.

Carlos Newton 

Existem vários casos muito mal explicados na gestão de José Serra como governador de São Paulo, que ele usou como trampolim para tentar a Presidência. Um deles refere-se a um precatório (dívida judicial da Fazenda Pública).

Por que, em 28 de dezembro de 2009, Serra liberou cerca de 400 milhões de reais (a nona parcela do precatório do Parque Villa Lobos, o maior do Brasil, que atualizado supera os 3 bilhões de reais), se a emenda constitucional 62/2009 já permitia que os precatórios em atraso fossem parcelados em 15 anos?  

Como se sabe, a 9 de dezembro de 2009 foi promulgada a emenda 62/2009, que ofereceu ao Poder Público (União, Estados e Municípios) a possibilidade de quitarem os precatórios em 15 anos. Anteriormente, essas entidades públicas caloteiras já  tinham obtido prazo de 8 anos e depois prazo de 10 anos e assim mesmo quase nada pagaram. Hoje, essas dívidas decorrentes de desapropriação de áreas e de imóveis ou de condenações por danos morais e materiais e de direitos usurpados de funcionários públicos, segundo a OAB, ultrapassam a casa dos 80 bilhões de reais.

Só o Estado de São Paulo deve mais de 20 bilhões de reais e a Prefeitura de sua capital outros 12 bilhões de reais. Por conta dessa vergonhosa dívida, o então governador José Serra e o prefeito Gilberto Kassab, de São Paulo, competentemente, lideraram movimento no Congresso Nacional em favor da aprovação da absurda emenda 62, que acabou sendo promulgada.

Entrando em vigor essa tal emenda Renan Calheiros, (que é flagrantemente inconstitucional, segundo a Procuradoria Geral da República e a OAB nacional), os estados e municípios ganharam, a partir de 9 de dezembro de 2009, uma moratória alargada, uma quase anistia, para saldarem  os milhares de precatórios em atraso. Só no Estado de São Paulo, há mais de 500 mil credores aguardando pagamento há dezenas de anos. Ou seja,  milhares de titulares desses créditos até já morreram.

Por conta dessa nova emenda, os Tribunais de Justiça que, a pedido dos credores, vinham determinando o seqüestro de rendas contra Estados e Municípios que não estavam pagando as 10 parcelas anuais, estabelecidas na emenda 30/2000, de pronto suspenderam esse procedimento em respeito ao estabelecido na Emenda 62/2009.

Se o Tribunal observou os dispositivos previstos na nova emenda do calote, abortando pedidos de sequestro e a liberação das parcelas sequestradas e ainda não pagas, por que o então governador do Estado de São Paulo, espontaneamente, liberou a 9ª parcela do precatório do Parque Villa Lobos (parcela de quase 400 milhões de reais), que, de acordo com a emenda 30/2000,  poderia ser paga até 31 de dezembro de 2010?

Essa liberalidade precisa ser esclarecida, sobretudo se levarmos em conta que em 2009, conforme dados divulgados oficialmente, para pagar dezenas de milhares de precatórios de natureza alimentar, que precisam ter prioridade absoluta, o governador Serra disponibilizou apenas 100 milhões de reais. Já para os precatórios de desapropriação, destinou em 2009 quase 2 bilhões de reais.

Notas inseridas em diversos sites informam que são três os credores do maior precatório brasileiro, os empresários Toninho Abdalla, seu primo José João Abdalla Filho e a empresa  S/A Central de Imóveis e Construções.

No Home IG – Gente –  Notícias, de 04/11, foi  divulgado que Toninho Abdalla, “é  considerado um dos últimos playboys de sua geração – ele tem 56 anos”. A nota diz que “Toninho Abdalla recebeu a maior indenização já paga por uma desapropriação de terreno no Brasil. A família de Antonio João Abdalla Filho era dona de uma área de 717 mil metros quadrados em região nobre da cidade. Para transformá-la no Parque Villa Lobos, o Estado de São Paulo acertou com Toninho e um primo seu, João José Abdalla Filho, o pagamento de R$ 1,7 bilhão, que eles receberam em dez parcelas anuais de R$ 250 milhões, entre 1999 e 2009 – Toninho, no entanto, era o sócio majoritário da propriedade”.

Inexplicavelmente, a Prefeitura de São Paulo também transformou-se em credora de parte desse bilionário precatório, referente a uma área na Marginal Pinheiros, onde em 1988 a Prefeitura depositava lixo recolhido e pagava pelo uso do terreno, segundo informação extraída dos autos do processo de desapropriação.

Não bastasse a irregularidade do pagamento da nona parcela do precatório, face à existência da Emenda 62/2009, vigente a partir de 9 de dezembro de 2009, o ex-governador José Serra precisa explicar também por que pagou R$ 17, 2 milhões a mais, a título de juros moratórios, correspondentes a 359 dias de atraso, se ele, espontaneamente, quitou por antecipação a 9ª parcela no dia 28 de dezembro de 2009, a qual venceria só três dias depois, quando realmente começariam a ser contados os dias de atraso para se computar os juros de mora.

Ora, se não houve atraso no pagamento da 9ª parcela, que nem deveria ter sido saldada antecipadamente, por que o pagamento de um acréscimo de quase R$ 18 milhões, referentes de juros de mora que na verdade jamais existiram? Isso cheira mal a quilômetros de distância, faz Serra colocar o falecido Orestes Quércia no chinelo, em matéria de corrupção.

***

UMA EMENDA TIPO RENAN CALHEIROS

Vejam o que saiu no conceituado site “Consultor Jurídico”, a respeito da emenda Renan Calheiros: “A Constituição Federal prevê que “uma lei não prejudicará o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa julgada”. Com base nesse entendimento, o Órgão Especial do Tribunal de Justiça de São Paulo confirmou a inconstitucionalidade incidental do regime que se pretende implantar com a Emenda Constitucional 62/09. A emenda trata de precatórios pendentes de pagamento.

“Ao ferir a coisa julgada, a emenda afronta a independência que deve haver entre os Poderes, afirmou o desembargador Ivan Sartori em acórdão relatado em agosto. “O colegiado entendeu  que a  EC 62 fere princípios constitucionais como os da proporcionalidade e da razoabilidade”. 

Surge, então, uma pergunta ao presidente nacional da OAB e à opinião pública em geral: nas ações de desapropriação em que se discute apenas o valor real da desapropriação com base no laudo pericial, é correto, não fere a moral administrativa e o patrimônio público, que se pague ao escritório de advocacia que atuou no caso 10% do valor real do imóvel desapropriado?

Num caso como o acima relatado, poderia o advogado  receber honorários advocatícios de 300 milhões de reais, que seriam pagos também pelo Poder Público (ou seja, pelos contribuintes), na condição de expropriante?

Todos os contribuintes merecem explicações. Mas Serra jamais se explicará.

Greve dos servidores do Judiciário no Rio consegue pagamento de adicional ao salário, mas o direito fica restrito a apenas cerca de mil funcionários

Carlos Newton

Decepção para os funcionários do Poder Judiciário no Estado do Rio. A recente greve foi vitoriosa, mas a presidência do Tribunal só autorizou o adicional de 24% para cerca de mil funcionários que entraram na Justiça. Os demais nada receberam.

Agora, voltar aos cartórios de cabeça erguida é dever de todos os grevistas. Pela firme atuação deles, o Tribunal pagou os tão desejados 24% aos autores do processo de 1988, mas não quis respeitar o princípio da isonomia. Criou, assim, duas categorias de servidores judiciais: os com e os sem adicional.

Muitos serventuários (é assim que se chamam), principalmente os que não estavam em greve, se apressaram em fazer um pedido administrativo, após a inclusão em folha daquele percentual para apenas mil funcionários. Mas o direito a receber o mesmo tratamento é mais do que cristalino, até mesmo pela Constituição, pois cargos semelhantes devem ter idêntica remuneração.

Além de toda essa confusão salarial, os aposentados e pensionistas do Judiciário estadual estão desamparados. Não receberam os R$ 1 mil de Abono de Natal e, conforme decisão publicada no site do Sindjustiça, e estão fora dos 24% de reajuste.

Outra reclamação: aposentados e pensionistas receberam contracheques dos atrasados do Auxílio Saúde, mas o dinheiro não apareceu nas contas, segundo documentos enviados à Tribuna da Imprensa. A quem apelar? À própria Justiça?

O Exército não é torturador. Mas os militares no Poder, são. Sem a preocupação pela tortura, em vez de 21 anos no governo, bastariam 3 ou 4. E teriam feito as grandes reformas que o Brasil exigia.

Hélio Fernandes

Minha primeira entrevista de repercussão na revista “O Cruzeiro”, mocíssimo, foi com o general Goes Monteiro. Logo depois, iria fazer a “cobertura” da Constituinte e da Constituição de 1946, notável experiência. Mas a entrevista com o general, também inesquecível.

O general Goes  Monteiro era um dos intelectuais formados pela Missão Gamelin. (O mesmo general que, por incompreensão de métodos e desconhecimento de táticas e estratégia, levou o Exército da França à melancólica derrota diante das tropas de Hitler. Gamelin e Petain não resistiram nem 6 meses).

Goes Monteiro adorava frases e uma das mais famosas, citada muito na época: “O Exército é o grande mudo”. Mas ele gostava de falar pelo Exército e ocupar cargos. Foi general e ao mesmo tempo senador. E pela primeira vez na História, três irmãos foram simultaneamente generais e senadores. Ele, Ismar e Silvestre Péricles, sendo que os outros dois eram um ultraje ao Exército e ao Senado.

Goes Monteiro era irreverente, sarcástico, autoritário, mas inegavelmente inteligente e sabia o que dizia. Tentou e pensou que conseguiria; ser presidente da República. Esteve perto por mais de uma vez, precisava apoiar Vargas, que não dava vez para ninguém, civil ou militar.

A República, trabalhada por duas brilhantíssimas gerações de civis e militares, foi usurpada por dois generais, que vieram brigados da estranha Guerra do Paraguai. Deodoro e Floriano “tomaram” a República para eles, ficaram como “provisórios” durante um ano, e mais 4 como “indiretos”.

A República nunca foi Promulgada e sim “implantada”, com os dois já marechais se alternando no Poder, sem voto, sem povo, sem urna. Logo depois, enquanto se disputava ferozmente o Poder, veio Canudos e a luta de Antonio Conselheiro. Militares fizeram intervenção, primeiro lentamente, depois com três quartas partes do efetivo militar.

O massacre de Canudos é histórico, dramático, inesquecível. Mataram todos, não ficou ninguém vivo, nem Antonio Conselheiro nem  um só dos seus seguidores. Houve protesto no próprio Exército, mas os generais comandavam, em nome da “disciplina e da hierarquia”.

Não muito mais tarde, a belíssima geração militar de 1922 (quando saíram da Escola Militar de Realengo), aplaudidos,  idolatrados, reverenciados, era uma das grandes esperanças nacionais. Lutaram mesmo, inflamaram o país. Fizeram o jamais esquecido movimento que passou à História como “os 18 do Forte”.

Chegaram ao Poder em 1930 como heróis, logo, logo se transformaram em vilôes. Ou cumprindo o destino representado numa frase: “Não há ninguém mais conservador do que um revolucionário no Poder”. Transformação total, recriaram as famosas “capitanias” (não hereditárias, eles mesmos os beneficiários), dominaram o Brasil inteiro, por quase 30 anos.

Cada um daqueles tenentes ou capitães “revolucionários” se apossaram de um estado, que dominaram inteiramente. Alguns nasceram num estado, mas se transferiram para outro, como foi o caso de Juracy Magalhães e do almirante Amaral Peixoto, uma das maiores biografias da Historia brasileira.

Enquanto os militares trabalhavam nos quartéis ou nos navios, (a Aeronáutica só seria criada em 1941) esses aproveitadores ocupavam os mais diversos cargos públicos. Mas iam sendo promovidos despudoradamente, preterindo os que cumpriam seus deveres, que era a grande maioria.

De 1930 a 1946, (só para dar como exemplo Amaral Peixoto e Juracy Magalhães) foram acumulando promoções. Juracy, general, não sabia onde ficava um quartel. Amaral Peixoto, almirante, “enjoava” na Barca da Cantareira, o transporte da época.

Foram ministros, governadores, embaixadores, senadores, mas continuavam na ativa. Por pressão dos militares que ficavam sempre nos quartéis, a Constituinte de 1945/46, reduziu a 8 anos o prazo para que militares fossem promovidos fora dos quartéis.

Esses, que eram chamados de “combatentes”, se irritaram, 4 anos depois diminuíram esses 8 anos para 2. Mas já haviam se passado 4. O que podiam, fazer contra o “prestígio” e o poderio desses que jamais frequentaram um quartel?

Além do mais, esses aproveitadores implantaram a longevidade, apoiaram o “Estado Novo” (1937), derrubaram esse “Estado Novo” (1945), e alguns ainda tiveram fôlego para chegar a 1964.

Em 1965, quando Castelo Branco, o ditador de plantão, acreditou que podia impedir Costa e Silva de sucedê-lo, nomeou embaixadores dois personagens que ficaram na reserva para uma eventualidade. Bilac Pinto, deputado, foi embaixador na França. E o inacreditável e assombroso Juracy Magalhães embaixador nos EUA.

Só que Costa e Silva riu muito, tomou posse na data marcada. Bilac e Juracy continuaram veraneando ou descansando. No exterior. Com tudo pago. (Só para completar. Juracy “representou o Brasil”, três vezes nos EUA. Como coronel, Adido Militar. General, foi para a Junta Interamericana de Defesa).

Embaixador, para ver o que futuro reservava, fez a famosa confissão para o Secretário de Estado, Foster Dulles: “O que é bom para os EUA, é bom para o Brasil”. Inacreditável. Mas como publiquei a frase-confissão com exclusividade, me processou. Só que Evaristinho e George Tavares eram tão competentes, que o processo foi arquivado imediatamente. (Com a revolta do próprio juiz, confirmando: “Ainda há juízes em Berlim”).

Assim que Castelo foi feito “presidente”, enganando Juscelino, começaram as denúncias de TORTURA, fora dos quartéis. A pressão dos militares de carreira, era de tal ordem, que Castelo foi obrigado a mandar seu Chefe da Casa Militar, Ernesto Geisel, a Pernambuco.

Geisel, que acreditava em pouca coisa, cético completo, mas jamais torturador, foi, investigou, constatou, entregou o relatório pessoalmente a Castelo. Este, diante das afirmações, determinou que tudo ficasse em sigilo. (Como em sigilo está até hoje, documento que devia ser publicado).

Exemplos da isenção dos militares fora do Poder, são incontáveis. Os jornalistas do Pasquim, presos na Via Militar, tinham o tratamento do Exército e não dos carreiristas do Poder. Ficaram  nos Paraquedistas, o comandante, estando à noite no quartel, convidava 2 ou 3 (dos 11) para jantar com ele. Isso é a melhor prova da diferença de tratamento.

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PS – Meu tratamento nos quartéis da ditadura, era de intimidação e ameaça. Sem tortura, tinham medo que acontecesse comigo o que aconteceu com Herzog. Nos meus sequestros-confinamentos, era entregue ao Exército Nacional. Todos me diziam: “Não temos nada contra o senhor, cumprimos ordens”.

PS2 – Em Fernando de Noronha, serviam 13 oficiais. Almoçava e jantava com eles, não havia outra forma. O comandante, coronel Costa e Silva (nenhum parentesco) não fez curso de Estado Maior para não ser promovido, queria morar na ilha.

PS3 – Como o padre professor de português do secundário, estava de férias, o coronel me pediu para substituí-lo, uma forma de servir e mostrar que não havia animosidade.

PS4 – O “arrependimento” de muitos que tomaram o Poder pela força, se localiza aqui: como digo no título destas notas, poderiam ter ENTRADO NA HISTÓRIA executando as grandes reformas imprescindíveis. Da reforma agrária à reforma partidária, duas que desprezaram  eternamente.

PS5 – O Exército sempre foi popular no Brasil. Mas alguns generais, totalmente carreiristas, desperdiçaram essa popularidade. Agora, o tempo é de reflexão e não de punição. Tarefa que deve ser executada por civis e militares, como era para ser no INÍCIO DA REPÚBLICA.

Ronaldinho Gaúcho ainda tem futebol para recompensar o torcedor do Flamengo?

Helio Fernandes

Foi a grande sensação dos últimos dez dias. Tempo marcado pelo desespero da tragédia inimaginável das cidades serranas, cobertura obrigatórias de rádios e televisões. Mas todos os canais e programas naturalmente não esportivos, reservaram “pedaços” do espaço para o ex-duas vezes melhor do mundo.

Mas que não joga nem 30 por cento daquilo que já jogou e empolgou. O que está no título destas notas, precisará chegar a que altura para justificar a sensação que foi realmente surpreendente?

E os números, textuais e fornecidos pelos principais personagens, terão recompensa? A Traffic, que financiou toda a operação, em nota oficial: “Vamos ganhar 200 milhões em 4 anos”. O jogador receberá 1 milhão e 400 mil por mês, 16 milhões e 800 mil por cada ano.

Portanto, simples cálculo aritmético, 19 milhões e 200 mil reais nos 4 anos. (Fora bônus por vitória, títulos, conquistas). Muita gente me pede que explique essa operação, e quanto o Flamengo irá receber.

Não há como responder. O Flamengo está em total silêncio, retraído, empolgado com a própria audácia, mas sem a mesma audácia para desvendar a sua parte.

Sem tocar em números, o grande lucro para o clube e satisfação para a maior torcida do Brasil, estará na atuação do próprio Ronaldinho. Se jogar 50 por cento do que jogo nos anos em que foi o melhor do mundo, para o Flamengo, que maravilha viver.

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PS – Se jogar o que vinha jogando no Milan, a decepção e a frustração dominarão o torcedor do Flamengo, os conflitos surgirão inapelavelmente.

PS2 – Perguntinha ingênua, inócua, inútil: por que esses quatro seguranças que não o largam um minuto sequer? Já se sente rumor em torno disso. O torcedor não pode nem se aproximar? Esse torcedor só quer chegar perto do ídolo (?), o novo Ronaldinho. E será novo também dentro de campo? Se for, todos esquecerão as contrariedades.

Conversa com comentaristas, sobre as tragédias anunciadas na região serrana e a frase célebre do Brigadeiro.

 Aurélio: “Helio, o que está acontecendo há 10 dias nessas importantes cidades e tem sido chamado de tragédia, catástrofe, pode ser considerado fatalidade?”

Comentário de Helio Fernandes:
Tragédia e catástrofe, sem a menor dúvida. Fatalidade é uma espécie de desvio da palavra escrita ou falada. Na verdade, tudo é uma forma de fuga de imprudência, de descaso ou desprezo pelas necessidades.

Se esses fatos se repetem, se os especialistas de todas as áreas dizem que existiam alertas e alarmes, por que se refugiar atrás de biombos gramaticais?

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CORRUPÇÃO E FATALIDADE

GMB: “É possível que as construções tenham desabado por culpa de corrupção de empreiteiros, que têm que fazer determinado investimento, e reduzem os gastos para lucrarem mais? Isso nem seria inédito?”

Comentário de Helio Fernandes:
Há tempos, definindo o que é ÉTICA, afirmei: “Ética não tem nada a ver apenas com o aspecto moral”, e sim com a redução criminosa do que você chamou de investimento. Uma rodovia (ou qualquer outra obra) que tem orçamento, digamos, de 600 milhões, mas só 400 milhões são empregados, não é falta de ética, e sim de dignidade, de escrúpulos, forma de aumentar os riscos e os lucros.

O Pedro do Coutto, tratando do assunto, dá outro exemplo parecido: “Determinado cálculo exige 5 sacas de cimento por metro quadrado, numa obra. Só entram 4 sacas. O valor da quinta saca é dividido em partes iguais, entre a construtora e a fiscalização”.

Depois, identificam como tragédia, catástrofe, fatalidade. É roubo puro e simples, o povo é que paga e sofre.

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O BRIGADEIRO E A FRASE

José Antonio: “Cadê a frase do Brigadeiro?”

Comentário de Helio Fernandes:
Foi popular na primeira campanha eleitoral, depois de 15 anos sem eleição: “O preço da Liberdade é a eterna vigilância”. Prado Kelly (depois Ministro da Justiça), que escrevia os discursos do candidato, reproduziu a frase, sem nenhum esclarecimento. .