Como lidar com Chávez, o aliado “muy amigo”, que insuflou o cocalero boliviano Morales contra o Brasil, prejudicando a Petrobras?

Carlos Newton

O acompanhamento da atuação dos comentaristas deste Blog nos traz belas surpresas. O nível é muito alto, em comparação com a grande maioria dos blogs de sucesso no país. É salutar, por exemplo, que já exista aqui no blog uma convicção da importância do trabalho do australiano Julian Assange na ONG WikiLeaks, para democratização das informações internacionais.

Se não houvesse o WikiLeaks, como saberíamos que, de acordo com diplomatas americanos, o presidente venezuelano Hugo Chávez incitou o governo do cocalero Evo Morales, na Bolívia, a nacionalizar as instalações da Petrobrás no país em 2006, provocando grave problema econômico e diplomático com o Brasil, com elevados prejuízos à Petrobras? No entrevero, até Eike Batista (que diz não perder nunca) saiu no prejuízo com sua usina siderúrgica na Bolívia.

Como está sendo divulgado pela imprensa, a informação surgiu em telegramas da Embaixada dos Estados Unidos em Brasília, enviados ao Departamento de Estado em Washington. Um dos telegramas relata o seguinte:

“Marcelo Biato (assessor especial do Planalto) disse que em março (de 2006), Petrobrás e interlocutores bolivianos haviam começado o que pareciam ser discussões relativamente positivas. No entanto, Evo interrompeu abruptamente as conversas, insistiu que só discutiria o assunto diretamente com Lula”, diz o documento, datado de maio de 2006, acrescentando: “No intervalo entre as conversas de março e a nacionalização, Biato observou que houve várias conversas entre Evo e Chávez.”

O mais importante: o telegrama revela que o governo brasileiro tinha (e tem) conhecimento das estripulias “diplomáticas” de Chávez, que se julga o maior líder do Terceiro Mundo, uma espécie de Muammar Kadafi em versão latina.

E o que fazer com um “aliado” desse tipo? Nada. O importante é continuar se relacionando bem com Chávez, sabendo de quem se trata e como tratá-lo. Afinal, o comércio bilateral tem sido altamente favorável ao Brasil. Em 2009, de janeiro a novembro, o Brasil exportou US$ 3,5 bilhões para lá e importou apenas US$ 747 milhões (quase tudo em produtos petrolíferos). Nada mal, não é mesmo? Como dizia o então secretário de Estado dos EUA, Foster Dulles, “países não têm aliados, têm interesses”.

Dona Dilma governará sem oposição. Lula também não teve. No caso dele, por incompetência congênita e adquirida. Em se tratando dela, estratégia rombuda para 2014, têm pânico de Lula.

Helio Fernandes

Do ponto de vista jornalístico, nada mais insípido e monótono do que o início de um governo. Não se pode combater o que não foi feito, simplesmente porque não foi a incompetência que prevaleceu e sim o tempo que não passou.

Não se pode elogiar o que não foi feito, embora se saiba que não será feito. Em ambos os casos, o tempo é o senhor da razão, mas essa razão será cronologicamente dissipada a cada dia que se marcar no calendário. Podem até apostar ou acreditar no contrário, na surpresa dos 55 milhões que votaram na presidente.

Votaram por omissão e não por convicção, que palavra pronunciarão agora?

Dois fatos são rigorosamente verdadeiros, e devem ser citados e examinados. Pela primeira vez nos últimos 25 anos, um presidente elege seu sucessor. Com a profundidade de ter escolhido para ficar no seu lugar uma mulher, fato inédito na nossa História. Embora no mundo todo, as mulheres estivessem e estejam em franca ascensão, política e eleitoralmente. E quando digo que “Lula escolheu”, estou ratificando o óbvio.

Dona Dilma não tinha títulos ou credenciais, a não ser a vontade do presidente já reeeleito, que não conseguiu mais algum tempo no Poder, seu grande sonho e obsessão.

A)   Sarney chegou ao Poder de forma indireta, 50 por cento pela subserviência à ditadura, os outros 50 por cento, influência do destino inesperado (e sempre inexplicável ou desvendado) que retirou do palco o presidente de verdade,

B)    Depois de Sarney ter usado e utilizado todo o período não conquistado por ele, veio Fernando Collor.

C)    Não tinha nem tempo para ter construído uma carreira, reputação ou esperança, foi o segundo presidente mais moço da História. (O mais moço foi Nilo Peçanha, que impediu Rui Barbosa de ocupar o Catete. Em 1922 voltou a ser candidato com o movimento “Reação Republicana de Nilo Peçanha”. Derrotado, foi o mais jovem a desacreditar na política e abandonar a vida pública.

D)    Não deixaram Collor se firmar ou decepcionar, foi logo derrubado, o primeiro a sofrer o impeachment. (Eleito em português, Collor foi “deseleito” em inglês ou francês, tanto faz).

E)    Assumiu Itamar Franco, quem mais conspirou contra Collor, era o vice e herdeiro. Nenhuma surpresa, na História brasileira existem quase tantos vices que assumiram quanto presidentes que concluíram o mandato.

F)    Mas Itamar 4 anos depois conhecia a máxima genial do Barão de Itararé: “Quem CONFERE o ferro, com ferro será CONFERIDO”. Surpreendentemente, foi nomeando FHC para vários cargos, até escolhê-lo sucessor.

G)  Ingênuo foi Itamar, confiando em FHC para fazer o acordo. Governaria até 1998, e ele, Itamar, voltaria então à Presidência. Além da falta de confiança, a pergunta que não teve resposta em 12 anos; Itamar ganharia de Lula em sua terceira candidatura?

H)   FHC não passou o cargo nem a Itamar nem a ninguém. Rasgou a Constituição em uma de suas cláusulas pétreas, “a não reeeleição”. Com muito dinheiro e sem oposição, comprou o seu mensalão-reeeleição”, e ainda queria mais 4 anos.

I)      Lançou o primeiro dos peessedebistas massacrados por Lula, não fez o sucessor. Saiu amargurado e ressentido, é até hoje o seu normal e habitual.

J)      Foi a primeira vitória de Lula, nada fazia crer que chegaria aos 87 por cento de popularidade de agora. Pelo menos os primeiros quatro anos foram fugazes, não confiáveis nem eternizáveis.

K)   Em 2006, candidato de si mesmo, liquidou o peessedebista da vez, Geraldo Alckmin, tão medíocre ou mais do que Serra, se é que isso é possível.

L)    No segundo mandato, Lula começou muito mal, com escândalos em cima de escândalos. E o mensalão foi o mais abrangente, mas não o mais grave. Só que inesperadamente, foi de 2007 a 2010 que Lula descobriu que podia ser o “gênio da lâmpada”. E se jogou com toda a força para o futuro.

M)  Portanto, referendando o que disse, foi o primeiro desde o fim da ditadura explícita, a fazer o sucessor. Está aí Dona Dilma que não deixa (nem quer) que se iludam com seu mandato.

N)   Haja o que houver, explicita ou implicitamente, sem destino e sem genética, mas com a poderosa e invencível realidade, Lula está olhando e se mostrando para todos os anos.

O)  Sucessora e patrocinador, tentam mostrar completa e total afinidade. Essa palavra rima com intimidade, mas será que se completam?

P)   De qualquer maneira, o capítulo sucessão termina aqui. Passa a ser adivinhação, não gosto disso.

Q)  Começa então a convergência ou a participação da oposição no governo Dilma Rousseff. Por que não fizeram nada para envolver ou desgastar o presidente Lula? No período antes do mensalão, e logo depois, Lula estava altamente vulnerável.

R)   Incompreensível porque não tentaram qualquer coisa sobre o segundo mandato de Lula. Poderiam até não conseguir derrubá-lo. Mas ele não se consolidaria como o Deus, mas se julga e se imagina.

S)    Agora não farão oposição a Dilma, não querem desgastá-la para uma possível sucessão de 2014, querem que Dona Dilma tenha direito ao segundo mandato.

T)   Ora, o PSDB não tem ninguém para renovar e muito menos revolucionar, uma forma de sair da rotina de derrotas. Contra Dilma ou Lula, se apresentará novamente Serra ou Alckmin, menos uma sucessão do que uma piada.

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PS – Dona Dilma já tomou a primeira decisão desastrada e desastrosa: a privatização dos aeroportos.

PS2 – Não teve nem a coragem de assumir, “jogou” para estados e municípios. Com o dinheiro do BNDES? E a oposição?

Na capital da mordomia, demitidos 15 mil funcionários ilegítimos

Helio Fernandes

Agnelo Queiroz, novo governador de Brasília, no primeiro dia, logo na posse, dispensou 15 mil funcionários. Tudo isso? E não farão falta? Evidente que não.

Mas é preciso medida complementar e definitiva: responsabilizar os governadores anteriores que praticaram os atos imorais, ilegais, subterrâneos. Nenhuma dúvida: pelo tempo que ficou no Poder, o grande culpado-corrupto foi Roriz, ele mesmo proclama: “Fui quatro vezes governador”. Deve contar com a primeira vez, interventor, nomeado por Sarney. Tinha que ser.

Perigo à vista no Banco Central

Helio Fernandes

Satisfação pelo fim da Era Meirelles e do FMI, Só que a posse, ontem, de Tombini, mais incerteza do que alegria. Ele é favorável ao aumento dos juros, i-m-e-d-i-a-t-a-m-e-n-t-e. Pode não ser ainda em janeiro, mas não passa do carnaval.

E a afirmação de Dona Dilma, “no meu governo os juros vão cair, espero que a 5 por cento”? Isso não conseguirá de jeito algum, mesmo que festeje os 100 anos de idade no governo, em 2047.

2011 COM “MERCADOS” EM BAIXA

Utilizaram a “menas verdade” para dizer que “no governo Lula, ações subiram 300 por cento”. Jogam com números falsos, enriquecem suas contas, mas empobrecem a informação.

Com a crise de 2008, a Bolsa do Brasil estava em 74 mil pontos. Derrubda completa, chegou a 32 mil pontos, não podia cair mais.

A partir daí, se cumpriu o slogan: “Bolsa não sobe sempre, bolsa não desce sempre. Os verdadeiros investidores, diretos ou através de bancos e fundos, perderam tudo. Quando começou a recuperação, não tinham dinheiro para nada. Os profissionais, que não perderam, passaram a ganhar fortunas.

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PS – Dos 32 mil, passaram acima dos 70 mil, um assombro. Agora começam 2011 com 69 mil, o mesmo de 3 meses atrás.

PS2 – O dólar, que na taxação-Mantega estava a 1,67, foi a 1,73, mas voltou abaixo de 1,70. Ontem fechou a 1,65.

Conversa com leitor-comentarista que pede comparação impossível entre Gilberto Carvalho e Golbery

Mario Riêra Filho: “Hélio, quem foi mais importante dos dois: o general Golbery ou Gilberto Carvalho?”

Comentário de Helio Fernandes:
Ah! Riêra, só pode ser gozação. Gilberto Carvalho, nos 8 anos no Planalto, era o encarregado de dar a Lula as boas notícias e esconder as ruins. Fez isso com enorme satisfação, Roberto Jefferson deixou bem claro, no discurso do mensalão. Agora, não podendo ser demitido, Carvalho foi promovido. É o homem de dentro do “sistema” que contará (espionará) tudo para o ex-presidente, esteja onde estiver.

Quanto a Golbery, foi um gênio do maquiavelismo, do mal ou do pior, mas inegavelmente foi. Todo o início de 64 foi dominado por ele. E mesmo quando ficou de fora (os 2 anos e meio de Costa e Silva, os 5 de Médici), manejou, mobilizou, mapeou toda a política e a perseguição, era especialista nisso.  Não conhecia 0,001 de problemas, se fosse, como se diz agora, “desenvolvimentista”, que maravilha viver.

Com o Poder que acumulou, se fosse um homem de ideais, voltado para a realização, o Exército teria deixado o Poder com um saldo extraordinário. A impopularidade do Exército no Poder, cabe única e exclusivamente ao planejado e executado por Golbery.

Mas é impossível negar: os chefões (naturalmente generais) apoiavam Golbery, assinavam tudo que ele fazia, mesmo sabendo que não era o certo. Golbery nunca foi punido, apesar de estar sempre na ilegalidade, mesmo antes de 64.

Quase impediu o governo Vargas (50/51), lutou contra a posse de Juscelino (55/56), sempre derrotado. Participou num posto-chave, dentro do governo, da “renúncia-golpe” de Janio Quadros. Foi golpista 12 anos antes de 64, quando redigiu e assinou o Manifesto dos Coronéis, a primeira derrubada de João Goulart.

Sem nenhuma convicção, os maiores empresários e os mais reacionários estavam ao lado dele, financiavam suas aventuras, dele e dos empresários. Foi ele que criou o IPES (Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais), um dos grandes escândalos da época: derrame de dinheiro nunca visto, para combater no Congresso a Frente Parlamentar Nacionalista, de grande atuação a partir de 1954.

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PS – Comparado a Golbery, Gilberto é um “moço de recados”. Depois de ter dominado sagazmente, todo o governo Geisel, em 1977, Golbery criou a “candidatura” Silvio Frota, Ministro da Guerra de Geisel.

PS2 – Por que fez isso? Percebeu que com Geisel a ditadura estava no fim, com Frota seria o rejuvenescimento total.

PS3 – Perdeu, mas manteve parte do Poder e a visão dos fatos, não se iludiu: Brizola era o grande adversário a combater, Lacerda havia morrido. Então, quando Brizola quis assumir o PTB, trabalhou acintosamente para entregar o partido a Ivete Vargas. Conseguiu, Brizola gastou um tempo enorme para criar e manter novo partido, o PDT.

PS4 – Fui claro, Riêra?

Nós a desatar

Carlos Chagas 
                                              
Dilma  Rousseff  assumiu  com diversos nós a desatar. O primeiro deles, gerado pela  realização da  Copa de Futebol de 2014 e das Olimpíadas de 2016,  redundou, em  seu primeiro dia  de governo,  na decisão de privatizar os novos terminais dos aeroportos de São Paulo, Campinas, Rio e   provavelmente Brasília. Da mesma forma, a presidente da República optou pela  abertura de capital na Infraero.
                                              
Por conta disso deve-se inferir  ter sido escancarada a porteira das privatizações? Açodados acham que sim. Imaginam  haver entrado no palácio do Planalto a sombra de Fernando Henrique. Por tudo o que se sabe da trajetória de Dilma, trata-se de ledo engano. No caso dos aeroportos, não havia outra saída.  Aproxima-se a  realização, no Brasil,  dos dois maiores  espetáculos esportivos do planeta. Os cofres públicos sofreriam se viessem a arcar com os imprescindíveis  investimentos. 

Mas será sonho de noite de verão  supor o pré-sal entregue totalmente à iniciativa privada,  como querem os neoliberais. Da mesma forma o Banco do Brasil, a Caixa Econômica e a Petrobrás continuarão sob controle estatal. A energia, também. Não haverá desmonte da Previdência Social pública.
                                              
Importa saber que soluções a nova chefe do governo dará para a recuperação do SUS, para o combate ao analfabetismo, a importância do aprimoramento do ensino público, a melhoria do aparelho de segurança pública, a reforma agrária  e outros nós, alguns  exigindo a espada de Alexandre para desatá-los. 
 
MEDIDAS PROVISÓRIAS 
 
Tudo indica que o novo governo lançará mão de muitas  medidas provisórias para adotar suas primeiras iniciativas. Da privatização de aeroportos, já em elaboração, devem seguir-se outras, como a reformulação da estrutura dos Correios e, ironicamente, retificações no sistema previdenciário. Isso porque o ministro da Previdência Social é o senador Garibaldi Alves, que quando presidente do Senado insurgiu-se contra a proliferação das medidas provisórias enviadas pelo governo Lula. E de corpo presente, diante do próprio presidente. 
 
EVO NÃO VIU A UVA
 
Especula-se a respeito da ausência do presidente Evo Morales, da Bolívia, na cerimônia de posse de Dilma Rousseff. Coincidência ou não, ele teria ficado no mínimo constrangido ao tomar conhecimento do discurso do novo ministro da Justiça, José Eduardo Cardoso, na transmissão do cargo.  O Brasil pretende subsidiar o governo boliviano no combate ao narcotráfico, sugerindo operações integradas para países sem capacidade operacional para promovê-las.
                                              
Fatalmente a imprensa cairia em  cima de Evo Morales, buscando sua  reação. Permanecendo em La Paz, o presidente cocaleiro terá tempo para ver nossa proposta aprofundada e preparar sua reação. Mesmo assim,  a versão  oficial passa perto de uma forte gripe.
 
SEM PRESSA PARA MORAR NOS PALÁCIOS 
 
Dilma Rouseff continuará residindo na Granja do Torto por mais algumas semanas, até que saia do palácio da Alvorada  a bagagem do ex-presidente Lula e sejam  promovidas  as mudanças naturais que qualquer novo inquilino faz na arrumação da casa recém-alugada.  Da mesma forma, Michel Temer demorará um pouco até transferir-se para o palácio do Jaburu, morada  oficial do vice-presidente.  No palácio do Planalto, porém, ambos já se instalaram em definitivo em seus gabinetes. 
                                              
Seria  exagero supor a presidente e seu vice convidando um bispo para benzer suas novas residências, prática comum a católicos praticantes até alguns anos atrás, quando se mudavam. A cerimônia poderia desagradar os antigos inquilinos. Mesmo assim, no caso do palácio da Alvorada,  a aspersão com água benta até que serviria para afastar a lenda de que é mal-assombrado.

O Lula  não se queixou nenhuma vez de,  alta madrugada,  escutar  correntes  sendo arrastadas  no sótão, mas Fernando Henrique nem por milagre deixava os aposentos do casal antes do sol nascer. Assim como Castelo Branco e Juscelino Kubitschek juravam  que o piano da biblioteca, no andar térreo, costumava tocar sozinho. Dilma, pelo que se sabe, não é supersticiosa  e até se disporia a descer as escadas do segundo andar se ouvisse alguma sinfonia ser entoada sem pianista.

Dilma: SIM ao futuro, NÃO às sombras do passado

Pedro do Coutto

Foi importante o tom afirmativo que a presidente Dilma Rousseff imprimiu a seu discurso de posse ressaltando os desafios que terá pela frente na fase pós-Lula que começa, e, ao mesmo tempo, destacando o sepultamento das sombras do passado sem rancor ou espírito de revanche. Um belo pronunciamento, sem dúvida.

Entre as sombras do passado – para aproveitar o título de Graciliano Ramos – as memórias do cárcere e a bestialidade das torturas pelas quais passou, e dos torturadores  que se refugiam no passar do tempo, condenados eternos até por si mesmos. Quanto ao futuro que se descortina como uma alvorada, incluiu a erradicação da miséria, o que é possível, mas sobretudo da pobreza, salto mil vezes mais difícil.

Para vencer a pobreza, uma vergonha para o Brasil e para o mundo que aprisiona bilhões de seres humanos já no terceiro milênio, é indispensável que ela transponha dois abismos estratégicos: implantar um regime de pleno emprego e um sistema que assegure aos salários reajustes anuais que possam derrotar pelo menos a inflação do IBGE e também registrada pela Fundação Getúlio Vargas. Nada fácil tal tarefa. Pois inclui o enfrentamento com as classes conservadoras e a superação do intoxicante pensamento conservador que tolhe o progresso social em nosso país.

Mas o propósito e o compromisso foram colocados para toda a sociedade brasileira. Valorizar o trabalho humano é a única rota possível. Entretanto contra tal  meta virão tempestades como as que desabaram sobre os governos Getúlio Vargas, Juscelino e também João Goulart. Foram etapas de redistribuição de renda, de uma forma ou de outra. Os conservadores reagiram por todos os meios. Luís Inácio da Silva teve mais sorte. Conseguiu, sem problemas maiores, expandir consideravelmente o crédito e, de pois de uma estagnação em 2009, acelerar o crescimento do PIB numa escala vitoriosa de 7,5% no ano passado. No mesmo período a taxa de crescimento demográfico foi de 1,2%. Aumentou bem, portanto, a renda per capita, que resulta da divisão do PIB pelo número de habitantes.

No tempo de JK, anos dourados de Gilberto Braga, o PIB crescia à velocidade de 9% a cada doze meses. Na época, entretanto, o índice de natalidade era o dobro do que é hoje. A  pílula anticoncepcional só chegaria ao Brasil no início da década de 60. JK não estava mais no Planalto.

Mas Dilma Roussef falou na superação da pobreza, destinando um tom otimista à sua plataforma básica. Fez bem. Este tom é essencial, inclusive como forma de motivar e impulsionar o povo. Nada de ameaças, afirmações dramáticas, culminando numa espécie de fundamentalismo moralista e falsamente salvador. Os dois presidentes que assumiram nesse estilo foram Jânio Quadros e Fernando Collor. Acenavam com a punição, não com a construção. O primeiro renunciou, o seguindo foi derrubado do poder pela CPI da Corrupção.

O país deseja mensagens construtivas. Por isso, sustento que Rousseff foi ao encontro da população não dramatizando com a espada do caos, porém acenando com um apelo de união e de esforço conjunto para ganhar a planície das realizações.

Nada de demissões nos campos produtivos, mas – isso sim – contratações para que o mercado de trabalho, e regime de pleno emprego, possa contribuir de forma decisiva para o ritmo do progresso. Pois ninguém se iluda: só o desenvolvimento com maior produção de bens pode levar à redistribuição de renda capaz de derrotar a pobreza.  Acrescentar poder aquisitivo sem oferta crescente de bens, francamente, é impossível. O desafio é este e não outro.

O governo Dilma começa.

Milagre de Natal: desapareceu na Casa Civil o documento que poderia incriminar Erenice Guerra e o marido dela, José Roberto Camargo Campos, na negociata da empresa Unicel.

Carlos Newton

Erenice Guerra era a convidada mais feliz, saltitante e risonha, na posse da presidente Dilma Rousseff. O sorriso ia literalmente de orelha a orelha, praticamente engolia o rosto dela.

No meio da multidão, somente Erenice e mais meia dúzia de pessoas sabiam que a comissão de sindicância instaurada na Casa Civil, para apurar denúncas de tráfico de influência envolvendo os servidores Vinícius de Oliveira Castro e Stevan Knezevic, terminara sem apontar nenhuma irregularidade por parte dos dois e, portanto, sem punições.

Para a exultante Erenice Guerra, era como se todas as acusações que pesam sobre ela subitamente tivessem se dissipado. Tudo não passara de um pesadelo. Mas agora ela podia voltar a ter sonhos, porque a providência principal já fora executada.

Como num milagre de Natal, desapareceu na Casa Civil o documento original do convênio assinado em 2005 entre a Unicel e a diretoria de telecomunicação da Casa Civil para testes de um serviço móvel especializado (rádios comunicadores). Por coincidência, é claro, na época a Unicel tinha como diretor comercial o marido de Erenice, José Roberto Camargo Campos.

Tomada na chamada undécima hora, exatamente na véspera de deixar o cargo, a decisão  do então Chefe da Casa Civil de Lula, Carlos Eduardo Esteves Lima, inocentamdo os funcionários, foi constrangedora e mostra que no interior do Palácio do Planalto o tráfico de influência continua a pleno vapor.

O funcionário Vinicius de Oliveira Castro (agora inocentado) é filho de Sonia Castro, que aparece como sócia de filhos de Erenice na Capital Assessoria e Consultoria. Já Stevan Knezevic, que é funcionário concursado da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e estava cedido à Casa Civil, também era sócio de Israel Guerra. Durante o processo, Stevan portou-se de forma altamente suspeita e usou a prerrogativa de não prestar depoimento, já que, por lei, só está obrigado a fazê-lo a seu órgão de origem, no caso, a Anac.

Somente a criação dessa empresa de “consultoria”, para vender facilidades dentro do Planalto, já seria suficiente para incriminar todos eles (incluindo a própria Erenice, que era Chefe da Casa Civil, que Deus nos perdoe), especialmente pela intermediação da licença para a MTA Linhas Aéreas operar nos Correios.

Mas o jogo ainda não terminou. As acusações envolvendo a ex-ministra hipoteticamente continuam sendo apuradas pela Polícia Federal e pela Controladoria Geral da União (CGU), uma vez que, como ela era titular do ministério, não podia ser investigada por uma sindicância interna. Mas a decisão da Casa Civil, “inocentando os funcionários” já é meio caminho andado para “melar” a investigação.

No último dia do ano, sexta-feira, o Diário Oficial da União publicou uma portaria do então ministro Carlos Eduardo Esteves Lima para uma nova sindicância, desta vez destinada a analisar o convênio assinado em 2005 entre a Unicel e a diretoria de telecomunicação da Casa Civil para testes de um serviço móvel especializado (rádios comunicadores). A Unicel, repita-se, tinha como diretor comercial o marido de Erenice, José Roberto Camargo Campos.

Mas o documento original não foi encontrado pelos servidores que apuraram as eventuais irregularidades. Milagrosamente, sumiu. Por isso Erenice Guerra estava tão eufórica. Os motivos abundavam.

Com a morte de Eliseu Resende, chega ao Senado mais um suplente de carreira nebulosa, o “sindicalista” Clésio Andrade

Carlos Newton

Mais um suplente polêmico e com antecedentes suspeitos vai tomar posse no Senado. Desta vez, é o sindicalista patronal Clésio Andrade, que desde 1993 preside a Confederação Nacional do Transporte (CNT), sediada em Belo Horizonte e que congrega 40 mil empresas e 300 mil transportadores autônomos de carga e de passageiros.

Cobrador de ônibus aos 11 anos de idade, Clésio fez carreira na política graças à liderança como dirigente sindical. Ganhou visibilidade nacional ao fazer parceria com o Instituto Sensus, de Minas Gerais, que vive a divulgar pesquisas sobre o Índice de Satisfação do Cidadão e foi o primeiro instituto a registrar índices estratosféricos de popularidade ao governo Lula.

Clésio foi do zero ao milhão (e bota milhão nisso) e tanto fez que acabou se tornando vice-governador de Aécio Neves, no primeiro mandato do neto de Tancredo. Tudo ia bem até que o Ministério Público Federal decidiu investigar suspeita de lavagem de dinheiro (com doleiros) para financiamento de campanha eleitoral em operações realizadas por duas instituições dirigidas por Clésio Andrade, então filiado ao PL.

O juiz Jorge Macedo Costa, da 4ª Vara Federal de Belo Horizonte, determinou a quebra de sigilo bancário do Idaq (Instituto de Desenvolvimento, Assistência Técnica e Qualidade em Transporte), vinculado à CNT (Confederação Nacional do Transporte), e do Instituto J. Andrade, de Juatuba (MG), uma instituição de ensino superior cuja entidade mantenedora também é presidida por ele.

Este foi o motivo de Clésio Andrade ter sido abandonado por Aécio Neves. Em 2006, ao tentar o segundo mandato, o então governador de Minas preferiu colocar Antonio Anastasia como vice. Clésio Andrade, porém, não titubeou e na mesma eleição conseguiu se tornar suplente na chapa de Eliseu Resende (DEM), que era candidato ao Senado. Agora, com a morte do titular, o ex-cobrador de ônibus, que está no PR, ganha de presente quatro anos de mandato e poderá fazer cobranças bem mais expressivas.

Hoje é o primeiro dia de trabalho da presidente Dilma. Espero que ontem, antes de dormir (a primeira vez no Alvorada), tenha dado uma lida ou relida no discurso. Não é bonitinho e ordinário, apenas rotineiro.

Helio Fernandes

Todos os discursos presidenciais (até mesmo do carrasco da KGB, presidente da Rússia, agora primeiro-ministro, se preparando para voltar à presidência) são assim. Promessas, saudado, inflado e exaltado, não resiste ao impacto da realidade.

Dona Dilma ganhou editoriais laudatórios que ninguém leu, mesmo na primeira página. Manchetes de todos os jornalões, AGRADECIDOS pelo fato dela ter garantido a Liberdade de Imprensa, que reforçou, chamando de LIBERDADE DE EXPRESSÃO. Nesta época da internet, localizar tudo nos jornalões impressos, é perda de tempo.

Quem supõe ou garante que “os proprietários” dessa Liberdade de Expressão, estavam preocupados? Foi durante a ditadura que enriqueceram desabridamente, se tornando assustadoramente poderosos, como grupos cresceram subservientemente, acumulando canais de rádio e televisão, formando cadeias (desculpem) invencíveis e insuperáveis.

Do discurso lido ou interrompido por aplausos de coadjuvantes que só foram convidados para isso, não sobrou coisa alguma. Nenhuma frase que fique martelando na lembrança, nem mesmo a esperança de concretização de alguma afirmação, a certeza de que Dona Dilma é a ressurreição do amanhã, a consolidação de tudo o que sonhamos de melhor.

Nenhum discurso é o retrato da realidade, vista, antevista, prevista. Principalmente porque Dona Dilma fez um discurso vazio de ideias, abastecido por promessas que não sabe como cumprir. Colocou no início, no meio e no fim de tudo, o que gostariam que realizasse imediatamente, vá lá, nos primeiros quatro anos de governo.

Se é que esses quatro anos se completarão ou se somarão, pois o ex-presidente, sem a menor credibilidade política, não perdeu tempo em afirmar: “Agora é um direito de todo presidente ficar 8 anos no Poder”. Mas logo foi desmentido por ele mesmo e pelo porta-voz mantido como espião dentro do Planalto: “Se houver dificuldade, Lula pode voltar”. Não disse quando, plantou a heresia da dúvida.

Todas as afirmações da já presidente, ganharam logo a palavra ROTINEIRA, como está no título destas notas. Que não são oposicionistas e sim de alerta, de reserva, de complacência circunstancial, desejando que se transformem em realizações florescentes. Ou eternas, pelo menos enquanto durem, mesmo que sejam apenas em quatro anos.

Prometeu acabar com a pobreza. Qual o presidente que na posse e mesmo em teoria, não garante o fato? O planeta tem 7 bilhões de habitantes, 2 bilhões na mais completa linha da miséria, sem ter o que comer, vestir, morar, se transformar, estudar, se tratar na doença?

São 30 por cento no mundo todo, qual a parte que nos cabe nesse latifúndio, contra o qual bradou poética e altivamente o grande João Cabral de Mello Neto? E quando e de que maneira destruirá essa pobreza, que tem muito mais chances de eliminá-la do que ser eliminada?

Todo discurso de posse é preenchido por afirmações que, não tenho dúvidas, são sinceras. Mas a realidade é muito mais assustadora do que qualquer coisa, como obter recursos para tanto que não foi feito, e que ela nem sabe por onde começar?

Não temos nem o “arremedo” de infraestrutura. Portos, aeroportos, rodovias, ferrovias estão por construir ou por se concretizar. Assume órfã, é a “mãe do PAC”, a mais atrasada de todas as realizações. Os 87 por cento da popularidade de Lula vieram do Bolsa-Família e de outros programas, suposta ou pseudamente sociais. Vieram?

Não sou contra, lógico, diante da realidade nacional. Mas como ser a favor, sabendo que nada disso é criador de riquezas, de futuro, de consolidação dos que recebem miseravelmente, quando deveriam receber l-a-b-o-r-i-o-s-a-m-e-n-t-e?

Não deu uma palavra sobre a DÍVIDA INTERNA, sabendo que precisaríamos de 200 BILHÕES só para pagar os juros, perdão, AMORTIZAR o que não devemos mas temos que depositar. Nos últimos 11 meses desse 2010 que foi embora, dos 200 BILHÕES, só conseguimos 175 BILHÕES, enganando o cidadão-contribuinte-eleitor.

Como dezembro ainda não está contabilizado no que chamam vergonhosamente de “DÉFICIT PRIMÁRIO”, (o único país do mundo que se orgulha disso), é possível que cheguemos aos necessários 200 BILHÕES. Se não chegarmos, não faz mal, os CREDORES são generosos, o que faltar será jogado afanosamente no total.

E sem falar que vem aumento de juros por aí, e a cada percentagem desse aumento, corresponde a mais necessidade para amortizar. Sobre a DÍVIDA EXTERNA, apenas 20 segundos, “felizmente ela foi liquidada pelo presidente Lula”. Entre hostilizar o presidente Lula, e ratificar a “MENAS” verdade sobre a qual tanto mercadejou, ficou com a segunda hipótese. Eram 20 segundos, ninguém notaria.

Esperemos que a partir de hoje, no primeiro dia de absoluta no Planalto, Dona Dilma comece a trabalhar para implantar as duas mais importantes reformas que o país está exigindo há longos e longos anos, e das quais dependem todas as outras. E que se transformarão na mudança do Brasil.

1 – Reforma política-partidária-e-logicamente-eleitoral. Sem isso, continuaremos com a farsa da representatividade que não representa coisa alguma. Mas as cúpulas partidárias não permitirão mudança alguma. Se a representatividade for alterada, como “eleger” outro Temer para vice e satisfazer os lobistas?

Esse ministério mesquinho e com a validade vencida por causa da ausência de povo, é produto da falta de partidos, de militância, de voto conquistado e não comprado.

2 – Reforma tributária, que servirá ao país e não a alguns que se eternizam no poder, mesmo fingindo de alternância.

A presidente promete uma classe média importante, independente e autônoma. Mas que classe média é essa, que consolidam e dizem que representa ganho de 1 mil e 300 mensais? O que vale isso? Na China tão polemizada, criticada e negada, a classe média se abastece com carros de luxo, mora em mansões magníficas, consome o que há de mais caro e desejado?

 ***

PS – Esse discurso é para ler e guardar, não sei por quanto tempo. Será pelo menos por quatro anos. Surpreendentemente ninguém sabe. Lula chorou, não pelo povo, mas pela antecipada saudade de um Poder que gostaria de ter eternizado.

PS2 – Por quanto tempo Dilma resistirá aos 87 por cento de Lula? Ultrapassar? Praticamente impossível. Não tenho boa memória, quando é que gritavam, recitavam e retumbavam? “Bota o retrato do velho outra vez?”.

O equívoco (oficial) da palavra PRESIDENTA

Helio Fernandes

É a primeira vez que se usa no Brasil, só homens ocuparam esse cargo maior. Desde o início foi chamada de presidente, muito bom, o charme, a liderança, a competência não vinha da modificação.

Agora, oficialmente, estão preparando um protocolo, para que nos documentos seja tratada como presidentA, em vez do mais natural e que vinha sendo testado favoravelmente, presidentE.

Com o A final, presidentA, não está errado. Mas é inadequado. Uma violação da simplicidade, do que tem tudo para se tornar rotina afável, simples, sem que se queira inventar alguma coisa.

Aqui, como venho escrevendo sempre, Dona Dilma será presidentE, positiva ou negativamente. Espero que preencha seu tempo sem a preocupação de trocar o E pelo A. O único que fez isso foi o Barão de Itararé, que se chamava Aporely, e dizia: “Diariamente troco o A por L”.

Chávez no Brasil

Mario Chazanas: “O senhor disse que o presidente da Venezuela não viria à posse, e ele veio. Grande informação”.

Comentário de Helio Fernandes:

A notícia é dinâmica, como a própria vida. Quando publiquei o fato, era verdadeiro, só que Chávez não aguentava ficar longe. Me desmentiu? De jeito algum.

Walter Winchell, durante anos o maior e mais bem informado colunista de Nova Iorque, publicou: “Esta semana, um dos maiores bancos da Quinta Avenida será assaltado”. Não foi, claro, ele continuou sendo o mesmo Winchell.

POSSE DE GOVERNADOR

Ricardo Sales: “Helio, você vai à posse de Tarso Genro, em Porto Alegre?”

Comentário de Helio Fernandes:

Não consegui entender a razão da pergunta. Nunca fui a nenhuma posse. De presidentes, nem mesmo daqueles com quem participei. De governadores, nem a de Lacerda e Brizola, aqui no Rio, não precisava nem viajar.

Importante descoberta científica nos EUA

Helio Fernandes

O governo dos Estados Unidos reavivou, por decreto, as acusações contra Daniel Dantas e suas dívidas (roubos) contra o país.

Ao mesmo tempo, cientistas americanos, concluem pesquisas sobre o desaparecimento da Atlântida (o Continente perdido). Concluíram: quando isso ocorreu, Daniel Dantas, Silvio Berlusconi e Eike Batista, estavam nas adjacências.

E o Troféu de Exagerado do Ano, antecipadamente, vai para o novo secretário geral da Presidência, Gilberto Carvalho. De hoje até 31 de dezembro, ninguém conseguirá superá-lo.

Carlos Newton

O homem público, o político, a autoridade, seja quem for, precisa sempre ter muito cuidado com o que diz. Entre as cerimônias de transmissão de cargo ocorridas ontem, nada se comparou à solenidade protagonizada por Gilberto Carvalho, que substituiu Luiz Dulci na Secretaria Geral da Presidência da República.

Totalmente tomado pela emoção, Carvalho fez um discurso empolgado, dizendo que manterá “as portas abertas aos movimentos sociais”. Mas aproveitou o embalo para fazer um improviso em homenagem ao ex-presidente Lula, de quem foi chefe de gabinete durante seus dois mandatos.

“Por esse homem eu posso morrer” – desabafou Gilberto Carvalho.

Depois, contou haver telefonado ontem de manhã para Lula (que estava em seu apartamento de São Bernardo do Campo), a fim de manifestar sua gratidão pelo longo período no Planalto.

“Foi um privilégio trabalhar nesses oito anos com o presidente Lula. Nove, contando-se a campanha. Quero dizer que, muito mais do que servi-lo, ele serviu ao povo brasileiro e serviu a todos nós. Ele me sustentou nas horas mais difíceis. Não me esqueço de que o presidente poderia ter se livrado de mim em momentos críticos que passei, mas jamais vou me esquecer quando voltei do segundo depoimento lá na CPI (dos Bingos) e ele tinha atrasado uma viagem me esperando sentado na minha sala para dizer: ‘Gilbertinho, vamos tomar uma cachacinha para esquecer essas coisas e vamos tocar a vida para frente’. Isso eu jamais vou esquecer” – afirmou.

Felizmente, “Gilbertinho” não entrou em detalhes se os dois tomaram ou não a tal cachacinha. Mas não há de faltar oportunidade.

Começaram as pressões

Carlos Chagas
                                                      
Antes mesmo da posse, começaram as pressões sobre Dilma Rousseff. Os mesmos de sempre, ou seja, as elites neoliberais, entre críticas virulentas ao Lula por não ter feito, exigem que a sucessora faça. Fazer o quê? Atender a seus interesses  retrógrados, expostos nos editoriais dos principais jornalões:
                                                      
Reforma trabalhista, com o que chamam de “revogação de anacrônicos direitos”, daqueles que não conseguiram suprimir até agora.  Sob o pretexto de verem  reduzidos  os encargos das folhas de pagamento das empresas, chegam veladamente  à supressão do décimo-terceiro salário, das férias remuneradas e das horas extraordinárias. Parece brincadeira, mas é aí que pretendem chegar.
                                                      
Reforma tributária, como a entendem, sob a égide da enganadora proposta de “melhor será mais cidadãos pagarem impostos porque, assim,  todos pagarão menos”.  Uma farsa, pois desejam mesmo é taxar os pobres, para os ricos terem diminuídos seus impostos. Forçarão mais isenções, no  modelo daquela maior, de que investimentos e especulações com dinheiro estrangeiro não pagam imposto de renda. Que tal livrar as especulações nacionais, também?
                                                      
Reforma política é outra moeda de duas faces. No fundo, gostariam de reduzir o número de pequenos  partidos,  mas não só os de aluguel. Visam calar a voz dos pequenos partidos de esquerda, históricos ou modernos, do tipo PCdoB, PCB, PSB, Psol e outros, que ainda protestam,  transformando os grandes em massa amorfa, insossa e inodora, nivelados  no  mesmo denominador comum.  Imaginam   PMDB, PSDB, PT, PP e outros cedendo às suas imposições,  já que  manteriam sua independência formal, mas rezariam pela  cartilha da acomodação neoliberal.
                                                     
Reforma de gestão  também entra no cardápio. Impõem a redução de gastos públicos e a minimização do  poder do Estado, preocupados  em reduzir sua presença na economia e no plano social. Pregam a demissão em massa   do funcionalismo, a suspensão de concursos públicos, o congelamento e  até a redução de  vencimentos e salários nas empresas privadas.  Investimentos em políticas públicas, só se participarem dos lucros, da medicina ao ensino, dos   transportes à geração de energia.   
                                                      
Reforma da Previdência Social não poderia faltar, dentro do objetivo maior de sufocar o que é público em favor do que pretendem  privado. A meta é nivelar  por baixo todas as aposentadorias, reduzindo-as ao salário mínimo, para levar a classe média a investir nas aposentadorias privadas, como se não fosse direito do trabalhador encerrar  com dignidade suas atividades depois de décadas de esforço continuado.  Alegam que a Previdência Pública dá prejuízo, quando não dá. Além do  mais, o governo é um só, o caixa deveria funcionar num sistema de vasos comunicantes, porque muitas de suas atribuições dão lucro.  
                                                       
Como  o Lula atendeu pouco a essas reivindicações, apesar de haver cedido em muitas, imaginam poder pressionar e aprisionar Dilma Rousseff, cuja estratégia  e  imagem entendem amoldar aos seus interesses. Podem estar enganados…

SEM COMPROMISSO COM O ERRO

Chamou a atenção a repetição, no discurso de posse da nova presidente,  de sua decisão de não compactuar com o erro, os desvios e os malfeitos, se verificados em sua administração.  Tomara que assim aconteça e que o primeiro episódio de corrupção, daqueles que fatalmente ocorrem em todos os governos,  seja enfrentado com mão de ferro.  Condições para isso Dilma Rousseff dispõe, até mais do  que o Lula dispôs. Não tem compromisso com partidos,  muito  menos com  grupos econômicos.

MOCINHOS E BANDIDOS

Lembrou Helena Chagas, em  discurso na transmissão do ministério da Comunicação Social,  recebido das mãos de Franklin Martins, lições de um seu velho  professor,  sobre não estar o mundo  dividido entre mocinhos e bandidos.  A praga do maniqueísmo e a prevalência das verdades absolutas tem acompanhado os governos desde que o  mundo  é mundo, mas, em contrapartida, só com tolerância e compreensão chega-se a resultados compensadores.

Ao contrário do perdão, previsão foi feita para não se dizer

Pedro do Coutto

Francamente, ao contrário do samba inesquecível de Ataulfo Alves, sucesso absoluto na voz de Orlando Silva, perdão foi feito para a gente pedir, mas previsão foi feita para não se dizer. Aliás, o ritmo das duas frases pode ser o mesmo, ou pelo menos parece. Porém nenhuma previsão se realizou até hoje, seja no Brasil, seja no mundo. Todas falharam.

Malthus, Marx, Einstein, Freud, gênios absolutos todos eles, no que se refere a momentos de suas vidas, não tiveram suas perspectivas de futuro confirmadas pelo tampo. Lord Chamberlain, primeiro ministro Britânico, em 1939, retornou a Londres no meio de intensa manifestação popular, exibindo a carta que recebera de Hitler dizendo que não haveria guerra. Quinze dias depois, a Alemanha nazista invadiu a Polônia. Chamberlain renunciou. Entrou Winston Churchill. Mas o episódio, vital para a humanidade, pertence ao passado, à História.

No presente, em nosso país, leio em O Globo de 28, terça-feira, reportagem de Cássia Almeida e Fabiana Ribeiro revelando que os economistas falharam em série quanto ao universo econômico brasileiro de 2010. Fizeram previsões e erraram em quase tudo. E olha que foram equipes superespecializadas da Consultoria Focus, do Banco Santander, da XP Corretora, do Banco do Sachain, a quem é vinculada grande empresa de cabos de transmissão de energia do país.

Calcularam o crescimento do PIB na escala de 5,2 e ele cresceu 7,5 ao longo de doze meses. Erro em torno de 50%. Estatisticamente muito alto. Projetaram em seus trabalhos uma inflação de 4,5 e ela fechou o exercício em 5,5. Equívoco de 21%. Estimaram um saldo na balança comercial (não confundir com balanço de pagamento) de 11,3 bilhões de dólares e ele atingiu 18,8 bilhões. Erro superior a 50%. Pensaram em déficit em transações correntes da ordem de 40,8 bilhões de dólares e ele atingiu 49,4. As exportações concluíram o ano com o recorde histórico de 197,9 bilhões de dólares. As importações também com o recorde de 179,1 bilhões de dólares.

Como então houve déficit nas transações correntes? É porque no balanço de pagamentos, ao lado da balança comercial, entram também as remessas de lucro para o exterior, os seguros das importações, o preço dos fretes, o Brasil é altamente deficitário em transporte marítimo, os juros dos empréstimos externos públicos e particulares, o déficit da conta turismo. Este em torno de 9 bilhões de dólares. Entram 8 bilhões de dólares, saem 17.

As previsões falharam mais uma vez no tempo. O comércio externo brasileiro não. Reside neste ponto  maior sucesso econômico, pouco divulgado do governo Lula. Não sei por quê. Em 2002, último ano de FHC, as exportações somaram 70 bilhões de dólares. As importações 68 bilhões. Quem duvidar, leia as estatísticas do Banco Central. No espaço de oito anos, as exportações atingiram um Himalaia de 197,9 bilhões de dólares (2,5 vezes mais) e as importações um Everest de 179,1 bilhões. Foi principalmente em função disso que o PIB cresceu muito, já que tanto as exportações quanto as importações, para efeito de cálculo econômico, incorporam-se à renda nacional. Que é sinônimo de PIB. O que a administração Lula fez com o saldo obtido é uma pergunta a ser respondida pelo ministro Guido Mantega.

Erenice Guerra na posse? Cumprimentando a presidente? É inacreditável e inconcebível. Ela foi de penetra ou tinha realmente convite? E quem a convidou?

Carlos Newton

Wagner Tiso é o autor da trilha sonora do documentário “Jango”, de Silvio Tendler, com  roteiro de Claudio Bojunga, que traçou um belo retrato do presidente João Goulart. A música-tema, lindíssima, não tinha letra. Milton Nascimento gostou tanto da canção que resolveu fazer uma parceria. Nascia assim “Coração de Estudante”, que foi um dos hinos da redemocratização do País, era tocado em todo comício das “Diretas Já”.

“Mas renova-se a esperança”, cantava Milton Nascimento, registrando um sentimento bem brasileiro. A cada eleição, não importa o vencedor, no final a maioria das pessoas sempre espera que as coisas melhorem, dá-se uma espécie de crédito de confiança ao futuro presidente. Até na ditadura militar funcionava assim: sempre que mudava o inquilino do Palácio do Planalto, a gente torcia para as coisas melhorarem.

Agora, a mesma coisa. Embora Lula tenha feito um bom governo, com algumas conquistas importantes, mas endividando o país (R$ 2,3 trilhão de divida interna e R$ 100 bilhões de dívida externa federal) e sem realizar as indispensáveis obras de infraestrutura e logistica para o país crescer solidamente (portos, aeroportos, rodovias e ferrovias), há uma expectativa positiva em relação a Dilma Rousseff.

Mas ela começou mal. Como receber Erenice Guerra na posse? A quem atribuir essa afronta aos cidadãos brasileiros? Quem convidou? A presidente foi a última a saber? Ou foi a própria Dilma que mandou entregar o convite? Continuam amigas inseparáveis?

Caramba, quantas dúvidas diante uma certeza: a de que Erenice Guerra foi lá e ainda teve condições de cumprimentar Dilma, que na foto publicada pelo jornal O Globo aparece visivelmente contrafeita.

Erenice é amiga da presidente? Claro que não. Se fosse realmente amiga, tivesse o mínimo de consideração e respeito por ela, jamais teria ido à posse, mesmo convidada (por quem?) Mas ela foi, com uma única e exclusiva intenção: mostrar que ainda é poderosa, que até agora nada lhe aconteceu nem vai acontecer, porque faz parte do Poder e é amiga da presidente. Só faltou dizer, imitando Lula: “Eu voltarei”.

Por mera coincidência (embora digam que depois dos 40 anos ninguém deve acreditar em coincidências), na antevéspera da posse, em seu último ato como Chefe da Casa Civil, o então ministro Carlos Eduardo Esteves decidiu por arquivar a sindicância que apurava o escândalo familiar da ex-ministra Erenice Guerra, que segue investigada pela Controladoria Geral da União e pela Polícia Federal. Vai acabar em pizza, claro.

Erenice Guerra não é muito diferente da maioria das autoridades e políticos brasileiros, que julgam estar acima da lei e da ordem (e parecem estar mesmo). A grande diferença é que ela tem mais cara-de-pau e não demonstra o minimo de dignidade. Sua presença na posse mostra que pouco evoluímos em termos de ética e ainda somos uma exótica “democracia tropical”

“Habemus Papa”, e Dona Dilma desceu a rampa com Lula, com medo de que ele não fosse embora

Helio Fernandes

Não tem mandato vitalício, como no Vaticano, e nem sabe até quando irá a duração do que está assumindo. Fez questão (um fato inédito), de descer a rampa com Lula, não era consideração, e sim medo de que ele não fosse embora.

Pela Constituição (e temos tantas que podem citar e repetir à vontade), os presidentes têm prazo de validade estipulado. É bem verdade que a República (ou o destino?) devorou tantos presidentes, que temos quase o mesmo número de vices que assumiram como presidentes eleitos. E mesmo os “presidentes”, assumiam sem saber quanto tempo durariam ou resistiriam.

Seu antecessor, inventor e grande eleitor, tem feito afirmações as mais contraditórias. Acredito até que não seja crueldade e sim incerteza. Num momento deixa entrever, “posso voltar, se houver dificuldade”. No outro, para o mundo para retumbar: “A Dilma só não fica 8 anos se não quiser, esse, hoje, é um direito dos presidentes”.

Ninguém acredita em Lula, principalmente em matéria de sucessão. “Nunca na História deste país, alguém teve tanta dúvida sobre seu próprio futuro presidencial”, quanto Lula.

Está bem, passou o mandato, isso estava no roteiro que ele mesmo escreveu. Os bem informados, sabem que Lula tentou de todas as maneiras o terceiro mandato, não conseguiu.

E só não conquistou o terceiro, era um lugar comum: se conseguir esse imaginário “terceiro”, não sai nunca mais. Ninguém esqueceu a alegria, a satisfação e o deslumbramento depois da visita ao Gabão.

Só se lembrou de uma coisa que recitava para todos, íntimos ou não: “Puxa, ele está há 32 anos no Poder”.

 ***

PS – O discurso de Dona Dilma não teve nenhuma importância, não há uma frase que fique batendo agradavelmente no ouvido de tantos, nem mesmo dos 55 milhões que votaram nela. Iam votar em quem, se o “adversário” se chamava José Serra?

PS2 – E Dona Dilma está farta de saber que não garantirá a permanência no Poder, por quatro anos, oito, ou mesmo até 2014, com palavras. Tem que FAZER. Mas não mostrou nada na campanha, nem no discurso VAZIO de ontem.

Hipocrisia para peessedebista, na posse de Alckmin

Helio Fernandes

Tudo planejado e acertado, Alckmin fez seu discurso, parou a leitura, disse, “o presidente FHC mudou o Brasil”. Sem falsa modéstia (royalties para ele mesmo), levantou, abraçou “apertadamente” José Serra, quase choraram, não têm grandeza nem para chorar, participam dos que dizem, “homem não chora”.

Concordo com o mediocríssimo e sortista Alckmin (assume o maior estado da Federação pela terceira vez), FHC mudou mesmo. O que era do Brasil passou a globalizante, não foi cassado. Antes da ditadura não combateu, nem depois pelos crimes de lesa pátria.

A LOUVAÇÃO A CABRALZINHO

Todas as emissoras de televisão amigas, badalaram a reeeleição e a posse dele para um novo mandato. Botaram na conta dele o que deveria ser “a culpa dele”, na questão das favelas criminosas.

Foram as Forças Armadas que fizeram tudo. “Passou recibo”, não indo à missa do Arcebispo, à ceia e à inauguração do cineminha, conquista da comunidade.

Não se trata de saber se Battisti é ou não é assassino, e sim a depreciação, o desprezo da Itália pelo Brasil. Por que não pediu a extradição antes, no crime de 1970?

Helio Fernandes

O Tratado de Extradição não é um ato matemático com a vontade apenas de um lado, irrefutável e irreversível. Um país, no caso a Itália pede a extradição de um cidadão, o outro, o Brasil, tem que atender, sem exame, sem análise, violentando até mesmo as suas mais caras e invioláveis tradições?

A Itália sempre deu a impressão quase certeza de que não se interessava pelo destino de Cesare Battisti, tanto que por dezenas de anos, sabendo onde ele estava, praticamente na própria fronteira, desconheceu tudo. E segundo depoimento do próprio governo da Itália, “esses assassinatos” teriam ocorrido na década de 70.

Esses crimes que caminham para completar 40 anos, tiveram julgamento na Itália, não interessa nem saber se houve julgamento justo, defesa adequada, se foi cumprido o princípio defendido pelos maiores juristas do mundo, muitos deles italianos: “Qualquer cidadão, seja qual for o seu crime, tem direito a um julgamento justo”.

No momento, embora concorde inteiramente com isso, não me interessa. Não absolvo nem condeno Battisti, condeno irrevogavelmente o governo da Itália, pelo desprezo que sempre demonstrou pelo governo do Brasil.

Na chamada questão Battisti, o que deve ser levado em consideração é apenas isso. A Itália, desabonadoramente insensata, exigiu a entrega de Battisti. Antes mesmo de qualquer decisão do mais alto tribunal do Brasil (o Supremo), já fazia acusações, transformou o exame de um Tratado numa intimidação visível e invisível. Anunciava sanções e retaliações, no caso do Brasil não entregar (que eles chama acintosamente de extraditar) o cidadão Battisti.

O Supremo examinou profundamente a questão, decidiu que cabia ao presidente da República (no caso, lembremos, Lula) a decisão final. O julgamento foi aberto e livre, os advogados da Itália foram escolhidos entre os melhores, sem dúvida alguma. O embaixador compareceu a todas as sessões, sentava na primeira fila, olhava nos olhos os ministros que votavam.

Quando o Supremo reconheceu que o Poder era do presidente da República, é ele que assina os Tratados e, portanto, delibera sobre eles, o embaixador da Itália foi embora estabanadamente, comportamento que teve durante todo o tempo. Se o WikiLeaks quiser, deve ter manifestações desairosas e desprezíveis do embaixador da Itália para o seu governo.

Na terça-feira, quando rigorosamente na frente de todos os órgãos impressos ou virtuais, revelei como decidiria Lula, além do conteúdo, adiantei circunstâncias, afirmando: “Lula assinará o ato no dia 31, véspera da saída do governo. Para que ficasse marcado como último ato da sua presidência”.

Ora, sou bem informado, mas como saberia de tudo com quatro dias antes do fato ficar público? Pois se Lula quisesse, poderia ter liquidado a minha própria antecedência, revelando tudo mesmo na terça, deixando minha notícia atravessada? Não fez porque não podia fazer, ficou revoltado desde o início.

O governo (c-o-r-r-u-p-t-í-s-s-i-m-o) de Berlusconi, que se agüenta no Poder por 1 voto (nominalmente por três), fez disso uma bandeira para tentar recuperar a popularidade que jamais conquistou, sempre comprou. Para início de conversa, “chamou” o embaixador, começou as hostilidades.

E o próprio Berlusconi usou a mídia italiana (da qual, uma parte muito importante pertence a ele) para atingir o Brasil. Uma delas, a mais acintosa: “A questão Battisti ainda não acabou”. Como não acabou, se a última palavra cabe e coube ao presidente do Brasil?

Berlusconi e alguns dos seus asseclas, rebaixaram o que pretendiam, a intimidação, ao nível do ridículo: “Isolaremos o Brasil, boicotaremos o país nos mais diversos setores”. Ha!Ha!Ha! Quanta tolice por uma causa estúpida.

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PS – O próprio Supremo, quando analisou exaustivamente o problema, decidiu: “Não temos Poder para decidir sobre a questão, isso é privativo do presidente da República”.

PS2 – Dentro de algum tempo (se ainda durar no governo), Berlusconi mandará novo embaixador para o Brasil. O mesmo, de jeito nenhum, foi ele que envenenou as coisas, atropelou os fatos.

PS3 – Fica faltando o sistema ao qual Battisti será submetido. Ficará como REFUGIADO ou PRESO POLÍTICO? A diferença é pequena, apenas uma dúvida: quem decidirá isso? Um tribunal, ou o presidente da República?