Hipocrisia para peessedebista, na posse de Alckmin

Helio Fernandes

Tudo planejado e acertado, Alckmin fez seu discurso, parou a leitura, disse, “o presidente FHC mudou o Brasil”. Sem falsa modéstia (royalties para ele mesmo), levantou, abraçou “apertadamente” José Serra, quase choraram, não têm grandeza nem para chorar, participam dos que dizem, “homem não chora”.

Concordo com o mediocríssimo e sortista Alckmin (assume o maior estado da Federação pela terceira vez), FHC mudou mesmo. O que era do Brasil passou a globalizante, não foi cassado. Antes da ditadura não combateu, nem depois pelos crimes de lesa pátria.

A LOUVAÇÃO A CABRALZINHO

Todas as emissoras de televisão amigas, badalaram a reeeleição e a posse dele para um novo mandato. Botaram na conta dele o que deveria ser “a culpa dele”, na questão das favelas criminosas.

Foram as Forças Armadas que fizeram tudo. “Passou recibo”, não indo à missa do Arcebispo, à ceia e à inauguração do cineminha, conquista da comunidade.

Não se trata de saber se Battisti é ou não é assassino, e sim a depreciação, o desprezo da Itália pelo Brasil. Por que não pediu a extradição antes, no crime de 1970?

Helio Fernandes

O Tratado de Extradição não é um ato matemático com a vontade apenas de um lado, irrefutável e irreversível. Um país, no caso a Itália pede a extradição de um cidadão, o outro, o Brasil, tem que atender, sem exame, sem análise, violentando até mesmo as suas mais caras e invioláveis tradições?

A Itália sempre deu a impressão quase certeza de que não se interessava pelo destino de Cesare Battisti, tanto que por dezenas de anos, sabendo onde ele estava, praticamente na própria fronteira, desconheceu tudo. E segundo depoimento do próprio governo da Itália, “esses assassinatos” teriam ocorrido na década de 70.

Esses crimes que caminham para completar 40 anos, tiveram julgamento na Itália, não interessa nem saber se houve julgamento justo, defesa adequada, se foi cumprido o princípio defendido pelos maiores juristas do mundo, muitos deles italianos: “Qualquer cidadão, seja qual for o seu crime, tem direito a um julgamento justo”.

No momento, embora concorde inteiramente com isso, não me interessa. Não absolvo nem condeno Battisti, condeno irrevogavelmente o governo da Itália, pelo desprezo que sempre demonstrou pelo governo do Brasil.

Na chamada questão Battisti, o que deve ser levado em consideração é apenas isso. A Itália, desabonadoramente insensata, exigiu a entrega de Battisti. Antes mesmo de qualquer decisão do mais alto tribunal do Brasil (o Supremo), já fazia acusações, transformou o exame de um Tratado numa intimidação visível e invisível. Anunciava sanções e retaliações, no caso do Brasil não entregar (que eles chama acintosamente de extraditar) o cidadão Battisti.

O Supremo examinou profundamente a questão, decidiu que cabia ao presidente da República (no caso, lembremos, Lula) a decisão final. O julgamento foi aberto e livre, os advogados da Itália foram escolhidos entre os melhores, sem dúvida alguma. O embaixador compareceu a todas as sessões, sentava na primeira fila, olhava nos olhos os ministros que votavam.

Quando o Supremo reconheceu que o Poder era do presidente da República, é ele que assina os Tratados e, portanto, delibera sobre eles, o embaixador da Itália foi embora estabanadamente, comportamento que teve durante todo o tempo. Se o WikiLeaks quiser, deve ter manifestações desairosas e desprezíveis do embaixador da Itália para o seu governo.

Na terça-feira, quando rigorosamente na frente de todos os órgãos impressos ou virtuais, revelei como decidiria Lula, além do conteúdo, adiantei circunstâncias, afirmando: “Lula assinará o ato no dia 31, véspera da saída do governo. Para que ficasse marcado como último ato da sua presidência”.

Ora, sou bem informado, mas como saberia de tudo com quatro dias antes do fato ficar público? Pois se Lula quisesse, poderia ter liquidado a minha própria antecedência, revelando tudo mesmo na terça, deixando minha notícia atravessada? Não fez porque não podia fazer, ficou revoltado desde o início.

O governo (c-o-r-r-u-p-t-í-s-s-i-m-o) de Berlusconi, que se agüenta no Poder por 1 voto (nominalmente por três), fez disso uma bandeira para tentar recuperar a popularidade que jamais conquistou, sempre comprou. Para início de conversa, “chamou” o embaixador, começou as hostilidades.

E o próprio Berlusconi usou a mídia italiana (da qual, uma parte muito importante pertence a ele) para atingir o Brasil. Uma delas, a mais acintosa: “A questão Battisti ainda não acabou”. Como não acabou, se a última palavra cabe e coube ao presidente do Brasil?

Berlusconi e alguns dos seus asseclas, rebaixaram o que pretendiam, a intimidação, ao nível do ridículo: “Isolaremos o Brasil, boicotaremos o país nos mais diversos setores”. Ha!Ha!Ha! Quanta tolice por uma causa estúpida.

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PS – O próprio Supremo, quando analisou exaustivamente o problema, decidiu: “Não temos Poder para decidir sobre a questão, isso é privativo do presidente da República”.

PS2 – Dentro de algum tempo (se ainda durar no governo), Berlusconi mandará novo embaixador para o Brasil. O mesmo, de jeito nenhum, foi ele que envenenou as coisas, atropelou os fatos.

PS3 – Fica faltando o sistema ao qual Battisti será submetido. Ficará como REFUGIADO ou PRESO POLÍTICO? A diferença é pequena, apenas uma dúvida: quem decidirá isso? Um tribunal, ou o presidente da República?

A realidade, mais fascinante do que a ficção

Carlos Chagas 

Oito anos atrás, fomos dormir, ou ficamos acordados, imaginando como tinha sido possível um torneiro-mecânico suceder um sociólogo na presidência do Brasil. Vivíamos uma democracia,  é claro, com eleições livres, mas pela primeira vez na História chegava ao poder alguém despojado das credenciais clássicas  das elites ou da burguesia.

O desconhecido se desatava à frente, sem carta de marear, talvez navegar não fosse possível, diria o saudoso dr. Ulysses, se ainda estivesse entre nós.
A realidade  revelou-se mais fascinante do que a ficção. Ainda que Luiz Inácio da Silva tivesse divulgado sua “Carta aos Brasileiros”,  prometendo manter as instituições, os compromissos externos e a economia de mercado, muitos  duvidavam. Outros previam e até ansiavam pelo  inusitado.

Transcorridos dois mandatos, o Lula vai para casa levando a maior popularidade jamais conquistada por um presidente da República. Estava certo quando repetia o singular  “nunca na História deste país”… Além de contentar as elites e redimir as massas, atendeu a classe média.

Retomou o desenvolvimento, voltamos a crescer, inseriu o Brasil em novo patamar internacional e fez mais: sozinho, escolheu e elegeu uma auxiliar há oito anos desconhecida pela opinião pública. Uma mulher, acrescente-se.
Claro que o Lula cometeu erros. Não realizou tudo o que pretendia. Mas deixa um saldo  excepcional. Merece todos os elogios. 
 
EM BUSCA  DAS DIFERENÇAS

Começa que é mulher, a primeira a exercer a presidência da República. Há que buscar outras diferenças. Jamais se poderá esperar que Dilma exprima um papel-carbono ou um  vídeotape do Lula. Nem seria desejável, em termos de futuro.

De início, o berço. A nova presidente vem de uma família de classe média alta, jamais passou fome, exceção quem sabe nos três anos em que ficou presa. Outra diferença: o presidente que se despede só permaneceu uma semana na  cadeia. Não pegou em armas contra a ditadura, se considerarmos que discursos, greves e passeatas constituem outro tipo de armas.

Ela, não.  Assumiu a luta impossível, certamente um erro ideológico, mas profundamente  respeitável. Em termos de personalidade também  diferem. Tolerância tem sido a marca do Lula. Dilma é áspera. Cobra resultados e não hesita em levantar a voz e passar pitos em quem quer que seja, maquiadora ou ministro.

Perfeccionista, uma, sempre atenta ao conjunto,  sem esquecer o varejo. O outro, cuidando mais do atacado, ainda que preocupado com certos detalhes. Semelhanças,  é claro que também existem. Ambos cederam a pressões  político-partidárias, na hora da  composição de  seus ministérios.

Para contra-atacar, ele revelou-se maior do que seus ministros e seu próprio partido, não raro relegando-os à indiferença.   Ela, pelo jeito, vai pelo mesmo caminho.

Politicamente, são de esquerda, mas moderada, nunca furibunda. Quanto ao social, o Lula  começou combatendo a fome. Dilma promete extirpar a pobreza. Ambos, no entanto, atentos ao mercado e suas sutilezas.

No final de seu segundo mandato, o Lula tornou públicas as críticas aos Estados Unidos,  que  fazia na intimidade.  Dilma talvez demore um pouco, mas certamente  não se  deixará seduzir  pelo canto da sereia que por sinal comparece à sua posse.

Em suma, não é o desconhecido que se desata à frente, mesmo sendo inevitáveis as tempestades. Só que a caravela e a carta de marear são outras.

Barack Obama sancionou lei contra Daniel Dantas

Pedro do Coutto

Na edição de 29 de dezembro, antevéspera de ano novo, a Folha de São Paulo publicou, me parece que com exclusividade, reportagem de Flávio Ferreira, da sucursal paulista, e Andréa Murta, correspondente do jornal em Washington, revelando que o presidente Barack Obama sancionou lei aprovada pelo Senado americano congelando 500 milhões de dólares de dois fundos de investimento administrados pelo banqueiro Daniel Dantas.

Flávio Ferreira e Andréa Murta informam, que, no dia 15 de dezembro, dois senadores, um democrata, Sheldon Whitehouse, outro republicano, John Comyn, apresentaram projeto de lei estabelecendo que os tribunais dos Estados Unidos podem congelar bens procedentes de outros países, se em relação aos quais houver dúvida quanto a sua legalidade. Isso porque, no final de 2009, a Justiça bloqueou os recursos captados pelo Fundo Opportunity e pelo Fundo Tiger Eye (olho de tigre). Mas pouco depois uma Corte de Colúmbia havia dado despacho em contrário.

Os dois senadores foram ao Departamento de Justiça e expuseram suas razões. Sustentaram – como é lógico – que se aplicações controvertidas não forem antecipadamente bloqueadas, em caso de sentença final pelo ilícito, tal decisão é capaz de se tornar inócua, já que os interessados podem, antes, sacar o dinheiro investido. Tal hipótese tornaria a sentença em algo imaterial, como se diz no campo do Direito. Os recursos teriam se evaporado nas praias da Califórnia, em Miami, ou no não menos encantador Caribe Mexicano, cidade turística de Cancun, onde aliás, empresários internacionais investiram pesadamente vários bilhões de dólares em hotelaria e turismo. Em Cancun praticamente não chove e, quando chove, a chuva começa e acaba rapidamente. Com a mesma velocidade com que entrou em vigor a nova lei federal. Nos Estados Unidos.

O projeto foi apresentado no dia 15, como disse no início, aprovado dia 16 e sancionado pelo presidente Obama no dia 22. A tramitação, como se vê, demorou uma semana. Exatamente o oposto de como acontece no Brasil. Não apenas no Legislativo, mas principalmente no Judiciário. Há questões como o caso da legítima indenização da Tribuna da Imprensa, que demorou 31 anos para passar totalmente em julgado. Mas e a execução concreta? Outra etapa, a qual, neste caso, está prestes a acontecer.

No entanto, ações contra o INSS, por exemplo, demoram vinte anos. Metade dos originalmente prejudicados morre durante o peso das décadas e seus herdeiros têm que se habilitar. Na Justiça brasileira quando um processo é concluído em quinze anos já é uma vitória, já se torna quase um recorde. À exceção é quanto aos habeas corpus concedidos pelo Supremo. Daniel Dantas encontra-se em liberdade em função de um deles. O assassino Pimenta Neves, outro  exemplo. Rodrigo Silveirinha mais um caso.

Rodrigo Silveirinha, titular de cargos importantes na administração financeira do Rio de Janeiro, governos Anthony Garotinho e Rosinha Mateus, organizou um grupo e, juntos, conseguiram depositar 32 milhões de dólares em um banco suíço. A Justiça Suiça já se dirigiu à brasileira pedindo que seja formalizada a solicitação do repatriamento. Não recebeu resposta até hoje. Faltam no Rio tradutores habilitados a produzir versões do processo em francês ou alemão, línguas faladas usualmente naquele país. Incrível.

Nos casos de recursos financeiros ou bens de brasileiros ou de residentes no Brasil no exterior, a justificativa para protelações e adiamentos torna-se difícil em face da resolução que o Banco Central renova anualmente no mês de março. Determina que todos nessa situação têm que declarar o que possuem ao BACEN, desde que os valores ultrapassem 100 mil dólates. Pelo visto, a resolução só vale no papel. Que fazer?

Quem pensa que Lula continuará mandando, como se fosse um Rasputin de Garanhuns, está muito enganado. Dilma Roussef vai tomar as rédeas do governo (e com um chicote na mão)

 Carlos Newton

Neste primeiro domingo do ano, a presidente Dilma Rousseff tem oportunidade de pela primeira vez realmente raciocinar como chefe do governo desta grande nação – a quinta maior em extensão territorial e a sexta em número de habitantes, um país verdadeiramente gigantesco, que está entre as dez maiores economias do mundo.

“E agora, José”? Dilma fará como José Sarney, trêmulo e desnorteado, ao assumir a vaga de Tancredo Neves, pensando no poema de Drummond e sem saber o que fazer?  Claro que não. Dilma Rousseff é diferente, não parece nada com Sarney e teve muito tempo para se preparar.

Quem a conhece e já esteve com ela em reunião de trabalho, fora da campanha eleitoral, sabe que a nova presidente tem um temperamento forte e sabe administrar. Na segunda metade do governo Lula, Dilma Rousseff agia como se estivesse no cargo de primeiro-ministro, enquanto o presidente exercia uma função representativa, viajando para lá e para cá, como nunca antes na História deste País.

Muita gente pensa que Lula se tornará uma eminência parda, ficará comandando o governo nos bastidores, como uma espécie de Rasputin no Planalto (ou uma versão de Garotinho no governo da mulher Rosinha). Isso não vai acontecer. Dilma não é Rosinha Matheus.

Como ninguém sabe o que realmente se passa na cabeça de Lula, pode ser que ele até acalente a ilusão de continuar mandando no governo. Mas isso não ocorrerá. Amanhã, assim que sentar naquela cadeira, no Palácio do Planalto, Dilma Rousseff vai assumir plenamente as rédeas do governo, e de vez em quando, podem ter certeza, estará com um chicote nas mãos.

Temperamento à parte, na verdade Dilma Rousseff é uma incógnita na Presidência e vai surpreender, positiva ou negativamente. Com a experiência que acumulou nos últimos oito anos, pode se sair muito bem, especialmente se fizer uma limpeza no ministério, afastando determinadas figuras que precisou aceitar, para não entrar em choque com Lula antes da hora.

Antonio Palocci (Casa Civil), pelos antecedentes em Ribeirão Preto e Brasília; Afonso Florence (Desenvolvimento Agrário), pelas estripulias financeiras como secretário de Desenvolvimento Urbano do governo de Jaques Wagner, na Bahia; Pedro Novais (Turismo), pelo uso de recursos públicos em festa num motel; e Edison Lobão (Minas e Energia), pelo conjunto da obra. Pelo menos, esses ministros deveriam ser defenestrados, para não atrapalhar o bom andamento dos serviços e também para não contaminar (palavra da moda) os demais. Aí, ficará mais fácil governar.

O mistério e a incógnita Sarney, o insubmergível

Helio Fernandes

Exatamente há 25 anos, depois de servir intensa e subservientemente à ditadura, o maranhense ganhava também da ditadura, o cargo de vice-presidente da República. Lógico, indiretamente.

A posse seria em 15 de março desse 1985, mas o presidente Tancredo Neves estava no hospital, o vice indireto passou a presidente interino. Como o presidente efetivo, Tancredo Neves, morreu sem sair do hospital, Sarney só deixou a vice para ser proclamado presidente, até o fim do mandato.

Sarney é o vice em todo o mundo, que “herdou” o maior tempo da Presidência: T-O-D-O O MANDATO, os 5 anos.

 ***

PS – Agora, 25 anos depois, sobrevivente da História, Sarney dá posse à presidente eleita, Dilma Rousseff.

PS2 – E embora não seja muito esperançoso, Sarney mantém, pelo menos teoricamente, a possibilidade de assumir a Presidência. É o terceiro na linha da sucessão. O primeiro é o vice-presidente, o segundo o presidente da Câmara, o terceiro ele, o insubmergível presidente do Senado.

Lula deixa a Presidência e a residência oficial, mas continua roteirista e diretor do seu próprio espetáculo. Só não consegue saber quando começa o grande show que imagina.

Helio Fernandes

Já não mais presidente, Lula que não conhece bem quem foi o general MacArthur, repete (por enquanto para ele mesmo), o que o comandante disse nas Filipinas: “Eu voltarei”. O general não queria sair, cumpriu uma ordem do comandante em chefe, o presidente Franklin Roosevelt.

Lula estabeleceu seu próprio desígnio, não vai para o triplex de São Bernardo, nem pretende andar nas ruas, “eu sou povo”, não é mais. O Lula que sai do Poder agora, só tem um objetivo, que é voltar, não sabe como, quando ou em que prazo. Mas seu futuro é no Poder, sobre isso nenhuma dúvida.

O Lula sindicalista pode ter sido o início de tudo, mas está muito longe dos seus planos e projetos. Só lembra e afirma o passado, quando pode tirar efeito positivo dessa lembrança. No mais, nenhum interesse de Lula no trabalho pelo qual se lançou.

E toda a trajetória de Lula, fracasso em cima de fracasso, desde que se candidatou a governador de São Paulo e tirou quarto lugar com 4 candidatos, já completamente esquecida. Depois, a tentativa de ser presidente em 1989, 1994 e 1998, não está mais entre as suas recordações.

Na primeira candidatura, quase se elege presidente, foi para o segundo turno, não ganhou mas mudou (sem querer ou perceber) a História do Brasil. Ganhou de Brizola por meio por cento, nunca vi ninguém tão decepcionado quanto Brizola nessa oportunidade. Se fosse para o segundo turno, não perderia nem para Collor nem para ninguém.

Perdeu mais facilmente no segundo turno, passou a trabalhar intensamente para 1994, e na verdade era o favorito. De tal maneira, que reduziram “o mandato dele” (era assim que chamavam) de 5 para 4 anos. Só que não ganhou; Como não ganharia em 1998, passando a ser o único cidadão do mundo ocidental a disputar e perder uma eleição presidencial, três vezes seguidas.

(Mitterrand e Salvador Allende disputaram três vezes, mas não seguidas. O francês em 1958, 1974, ganharia em 1981. No Chile, Allende perderia em 1958 e 1962, ganharia em 1970).

Lula ganharia em 2002, foi a insistência de um homem que pretendia ser presidente, nada mais do que isso. Não cumpriu nenhum compromisso, se isolou completamente, a grande necessidade que não poderia deixar de concretizar, mas deixou: manteve as DOAÇÕES criminosas de FHC, nem DESPRIVATIZOU, nem mesmo criou uma CPI para CONDENAR toda a COMISSÃO DE DESESTATIZAÇÃO.

De 2003 a 2007, nenhuma obra de vulto, nada de envergadura, cumpriu os 4 anos burocraticamente. Era um presidente eleito, seria reeeleito, mas não dera o grande salto da própria imaginação. Só se deu conta do que PODERIA ALMEJAR, contraditoriamente, quando esteve pertíssimo de ser o segundo presidente a sofrer o impeachment.

Assustado mesmo, a repercussão do mensalão deixou-o completamente perdido, angustiado, desesperado. Se a oposição não fosse composta de Serras e Alckmins, teria ido para o espaço. Assistiu apavorado, as 7 horas do discurso de Roberto Jefferson;

Viu tudo pela televisão. Quando o deputado do PTB, eloquente, suicida mas empolgante, afirmou “contei tudo ao presidente Lula, não tomou providências porque não quis”, ele faria como Nixon: renunciaria para não sofrer o impeachment.

O tempo passou, nada lhe aconteceu, houve o processo de “Ali Babá e os 40 do mensalão”, e nem chegaram perto dele. Lula se convenceu de que era poderoso mesmo, que tinha dimensão maior do que a de um simples presidente. Passou a dominar de maneira inteiramente nova, agiu de forma divina e acima de qualquer julgamento dos homens. Vejam o final de 2007 e início de 2008, o comportamento de Lula é inacreditável.

Tentou de todas as maneiras o terceiro MANDATO, com a PRORROGAÇÃO GERAL até 2012, quando se iniciaria a verdadeira ERA LULA. Não mais um mandato, a D-I-V-I-N-I-Z-A-Ç-Ã-O. Não conseguiu, eram muitos os obstáculos, mas começou a trabalhar a  candidatura Dilma para 2010, ao mesmo tempo em que se projetava, não mais como um sucessor, e sim um precursor.

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PS – O capitão Amilcar Dutra de Menezes, primeiro diretor do DIP (Departamento de Imprensa e Propaganda) do Estado Novo, gostava muito de repetir: “O futuro a Deus pertence”.

PS2 – Lula sabe disso, só que ele é o próprio Deus. Falta ser ungido, sagrado e sacramentado. O que acontecerá no momento que escolherá. Dona Dilma terá percebido?

1º de janeiro de 2010, hoje. Festas, festejos, homenagens, bajulação, o protocolo e a rotina de uma posse presidencial. A partir de agora, acontecerá?

Helio Fernandes

Dona Dilma já é presidente, Lula jamais admitirá que é ex. É bem possível que esteja onde estiver, amanhã, impensadamente se dirija para o Planalto. É a praxe de 8 anos, que ele, só obrigado, teve que aceitar. (Tudo que eu precisava dizer sobre Lula está na abertura).

Quanto a Dilma, é a realidade, mas rigorosamente incompreensível para muita gente, nem se pode duvidar, até para ela mesma. E não apenas para ela. Qualquer presidente, ao chegar ao Palácio presidencial, se não estiver surpreendido, deverá ser no mínimo presumido.

O dia de hoje passará rapidamente, apesar de altamente cansativo. Amanhã é domingo, então, segunda-feira, todos começarão a ocupar seus cargos, muitos estarão desconfiados da duração e do tempo. Na certa, alguns até admitirão que ficarão até 2014, ou quem sabe, ganharão uma promoção?

Nesse zigue-zague, no tumulto, barafunda e balbúrdia da posse, Lula sentirá pela primeira vez, pelo menos nos últimos 8 anos, que é coadjuvante, deixou de ser participante. E até perguntará para ele mesmo, bem baixinho: “Eu tinha que estar aqui? Não é humilhante para quem sai com 87 por cento de popularidade, escolheu, elegeu e empossou quem desejou?”

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PS – Só que o mais emocionante ou notável na solenidade, não é a frustração de Lula e sim a emoção e a lembrança de Dilma, convidando e recepcionando as 11 companheiras de cela do passado.

PS2 – Foi uma ideia extraordinária. Nesse Planalto imenso e consagrador, mesmo sem palavras, podem sussurrar ou murmurar: “Depois daquela cela minúscula e apertada, quem poderia admitir que terminaríamos aqui? A irrealidade é do passado ou será de hoje?”

Conversa com leitor-comentarista sobre o golpista Golbery, suas relações e brigas com Lacerda

CSG: “Jornalista, o senhor ficou de escrever sobre Golbery, da mesma forma como relatou a carreira do general Geisel. Seria possível? Agradeceria.”

Comentário de Helio Fernandes:
A vida dele é tão movimentada e extravagante, que daria para escrever dias. Foi importantíssimo, mas sempre derrotado, até 1964. Apenas citações esparsas, de vários episódios.

Golpista nato, perdeu três vezes seguidas, sempre aliado, amigo e companheiro de Lacerda. Só foram vitoriosos em 64, brigadíssimos, mas os dois, do mesmo lado. Pelo telefone, no dia 31 de março, Lacerda chegou a dizer ao ainda não “presidente” Castelo Branco: “Se Golbery estiver nesse movimento, eu saio”. Castelo coordenou “uma trégua”, Lacerda fez duas exigências: “Não quero ver esse Golbery nem de longe. E preciso que o senhor mande reforços, o Almirante Aragão avisou pelo rádio, vai assaltar o Guanabara”. Castelo concordou com a primeira, sobre reforços, falou: “Não posso lhe ceder nada, somos dois Exércitos, um de cada lado, equilibradíssimos”.

Lacerda então mandou colocar aqueles caminhões enormes da Comlurb, bloqueando os acessos. Os fuzileiros ultrapassariam tudo, mas o Almirante desistiu.

Golbery foi muito mais importante do que Lacerda. Agia nos bastidores, Lacerda era um perdulário de talento mas não de habilidade. Primeira missão de Golbery: fundar, aparelhar e colocar o SNI em condições de ser a grande arma (de ataque e defesa) do golpe.

MISSÃO: CRIAR E ORGANIZAR O SNI

Golbery tinha quatro “compromissos-missões”, só um golpista blandicioso como ele, aceitaria. O ano todo de 64 (9 meses), a organização do SNI, nas bases da CIA e do FBI. Foi uma trabalheira terrível. O início foi gravar quase 3 mil telefones com equipamento de última categoria.

Começou então a primeira: liquidar a candidatura Lacerda a “presidente”. Muitos se enganaram, diziam impensadamente, “Lacerda jogou fora o Poder, rompeu antes do tempo”. Apesar de ligadíssimo aos militares, Lacerda nunca foi candidato deles. Golbery enterrou a “candidatura” Lacerda, mas como bom estrategista, tinha objetivos e não ódios ou inimizades.

Brigado e rompido com Lacerda, respeitava-o e sabia que não adiantava derrotá-lo, era indispensável afastá-lo. Surpreendeu o próprio Castelo, sugerindo: “O senhor precisa convidar o Carlos Lacerda para embaixador na ONU, ele tem todas as condições”.

Castelo se surpreendeu, mas como adorava o “maquiavelismo”, chamou Lacerda e fez o convite.

Era tão evidente, o objetivo estava tão claro, que Lacerda recusou na hora. Nesse dias, às duas e meia da madrugada, o telefone toca na minha casa. Às 8 ou 9 da noite, eu poderia não atender. Mas a essa hora? Quem seria?

Atendi, era o governador, que me disse: “Helio, preciso falar com você, com urgência”. Respondi: “Lacerda, a esta hora? Não sei nem como se entra no teu apartamento”. E ele: “Estou no Guanabara”. O que poderia fazer? Fui.

Contou toda a conversa com Castelo, o que chamou de “preparação” para o fim de tudo, aí textual: “Antes de terminar, me convidou para embaixador na ONU, meu mandato termina daqui a uns meses, não precisaria nem renunciar”.

Interrompendo o governador, que na verdade fizera um pausa, conclui e comentei: “Você aceitou na hora?” Aparentou perplexidade, respondeu com veemência, quase perguntando: “Por que eu deveria aceitar? Deve ser coisa do Golbery para me afastar”. (Vejam como se admiravam, mesmo brigados. Um sempre acreditava na competência, mesmo hostil, do outro).

Mais calmo, perguntou: “Vamos ver por que você acha que eu deveria ter aceito”. (Naquela época era assim, o acordo ortográfico burro, com Portugal, transformou em ACEITADO). Ainda não surgira a Frente Ampla, respondi ao governador: “Você pode estar certo ao acreditar que eles querem te liquidar. Mas quem sabe eles não queiram te afastar, e sim preservar?”

OBJETIVO: LIQUIDAR COSTA E SILVA

Meses depois, Castelo mandou Bilac Pinto como embaixador para a França e Juracy Magalhães para os EUA, eram opções, começava o segundo grande objetivo de Castelo-Golbery: liquidar Costa e Silva. Complementando então, o que se chamou de “prorrogação do mandato de Castelo”.

Na verdade, era a liquidação do Ministro da Guerra Costa e Silva, sucessor natural de Castelo, Só que apesar de estrategistas, eles se iludiam com teorias e malabarismos mentais, ignoravam os fatos. Numa ditadura, o Ministro da Guerra garantia o presidente, mas é obrigatoriamente o seu sucessor.

A prorrogação não foi tão fácil quanto Golbery imaginava, Lacerda fizera um cineminha num subterrâneo de guardados, quase toda noite-madrugada íamos ver filmes e conversar. Numa noite, víamos “Moscou contra 007”, ele falou sobre os embaixadores Bilac Pinto e Juracy Magalhães, estava visivelmente convencido de que deveria ter ido para a ONU. O telefone tocou de Brasília, não comentou.

Falamos então sobre a “prorrogação”, que desagrava até mesmo a muitos militares. (Naturalmente generais). Perguntou como estava a tramitação na Câmara, ele mesmo respondeu: “Vai passar com facilidade, temos que suportar”. Respondi então com fatos e não irrealidades.

Textual: “Governador, o projeto está empacado e empatado na Câmara, muitos deputados estão esperando a tua palavra. Com meia dúzia de telefonemas você derruba essa prorrogação”. Pareceu completamente surpreendido, aproveitei para aprofundar a questão.

“Carlos, você não percebeu que essa prorrogação é a forma encontrada para dinamitar a sua candidatura? Se dessem 5 anos de mandato a Castelo, até seria razoável. Mas todo esse desgaste, balbúrdia e confusão, apenas para mais um ano ao Castelo Branco?”. Senti que havia embalançado Lacerda, ele disse: “Vamos almoçar amanhã e aprofundar a questão”.

No dia seguinte cheguei ao Guanabara quase a 1 hora, encostei meu Fusca (minha mulher ficava furiosa, “um homem como você andando num carro desses”), subi. O governador mandou dizer que estava terminando, fiquei na janela, com uma vista linda. Aí vejo parar um carro, e saltaram Armando Falcão (que fora Ministro da Justiça de Juscelino e seria de Geisel), Abreu Sodré (que mais tarde seria “governador”) e mais importante do que tudo e do que todos, o doutor Julio Mesquita, a maior influência que alguém poderia ter sobre Lacerda.

Imediatamente desci pelo outro lado, peguei meu carro e me dirigi para a saída. Lacerda viu da janela, me conhecia muito bem, gritou para o doutor Marcelo Garcia, que estava ao lado, “não deixa o Helio ir embora”. (Uma explicação: Lacerda me gozava muito, eu só o chamava de você, mas Marcelo Garcia, Chefe da Casa Civil, eu tratava sempre como doutor. Acontece que ele foi o pediatra de todos os meus filhos).

Fui para o jornal, determinei, “se o governador me ligar, pode dizer que não estou”. Só fui falar com ele por volta das 10 da noite. Almoçamos no dia seguinte. E me contou: “Helio, o doutor Julio falou que, se a prorrogação for derrotada, haverá nova reviravolta, muita gente será presa e cassada, eles não admitem”.

Respondi: “Ora, Carlos, se vamos ficar aceitando intimidações em cima de intimidações, é melhor logo resistir de uma vez por todas, que façam o que bem entenderem”. E como o governador já estava visivelmente compenetrado (ele não resistia ao doutor Julio Mesquita), disse para ele: “Carlos, o melhor caminho para a resistência não é a subserviência”. E dando a conversa por encerrada, terminei: “Agora vamos falar sobre futebol”. Ele detestava.

CASTELO GANHOU POR UM VOTO

As coisas se precipitaram, a votação foi em 3 dias, tudo controlado e comandado por Golbery. Apesar disso, a votação ficou empatada durante horas, foi aprovada com a “vantagem” de 1 voto.

Impressionante, Golbery dominou até a sucessão do próprio Lacerda na Guanabara. Até hoje não consegui descobrir como ele colocou como candidato de Lacerda, seu Secretário de Educação, Flexa Ribeiro.

Do outro lado, emplacou Negrão de Lima. Os comunistas, como sempre precisando de dinheiro, pagos por Golbery, deram a palavra de ordem: “Votem em Negrão com um lenço no nariz, mas votem”. Votaram e ganharam. A derrota de Lacerda foi total, ele e Flexa Ribeiro eram co-sogros, o filho de Lacerda casado com a filha do Flexa. Não dava nem para desconversar.

Golbery ganhou todas, menos a última, contra Costa e Silva. Presidente no Brasil da Dow Chemical (o maior fabricante de napalm do mundo) foi promovido a presidente para toda a América Latina, dessa empresa da morte.

Vou terminar, de outra forma não paro mais. Em 1966, a candidatura Costa e Silva já consolidada, Golbery em pânico, tratou do futuro dele e de Ernesto Geisel (o que aconteceu com Geisel, já contei). Como estava na reserva, Golbery foi ser Ministro do Tribunal de Contas da União, Pretendia  ficar lá até os 70 anos. Com o fim de Costa e Silva, se aposentou em 1969, ficou esperando.

Não podia acreditar que o único personagem que odiava para valer, Garrastazu Médici, fosse “presidente”. Ficou quase 5 anos na bela fazenda de Goiás, cercado de áulicos e bajuladores. O sucessor de Médici foi Ernesto Geisel, que maravilha viver,

Mas antes de ratificar Ernesto Geisel, Médici procurou-o e perguntou, frente a frente, “quais são as suas relações com  Golbery?”. Geisel, um descrente completo, respondeu: “Não vejo Golbery há anos”. Médici ficou satisfeito, Golbery tomou posse com ele, foi o mais influente até se afastar.

***

PS – Depois da prorrogação e de todas as consequências, escrevi um artigo do qual gosto muito. É uma pena que a Tribuna esteja fechada até para mim, gostaria de reproduzi-lo.

PS2 – Mas não faz mal, o conteúdo está todo no título: “1965, Carlos Lacerda, o candidato invencível de uma eleição que não vai haver”.

PS3 – Na época do artigo, ainda estava mantido o calendário eleitoral, com eleição direta no final de 1965. Aconteceu tudo como escrevi.

PS4 – Prova de isenção do repórter. Em 1966, o MDB lançou minha candidatura a deputado federal, logo fui colocado entre os mais votados (pelo MDB, quase todos estava cassados ou exilados). Golbery procurou pessoalmente amigos do repórter, incluindo um compadre, Procurador Geral (de carreira) na Guanabara.

PS5 – Golbery tinha uma proposta: se eu desistisse da candidatura, não seria cassado. E acrescentava: “Ele é moço, terá outras oportunidades”. Concluía: “Não podemos deixar que seja deputado, ainda mais como está dizendo na campanha, que vai falar todos os dias”.

PS6 – “Já conversei com o presidente Castelo, ele concorda em não cassar o jornalista, foi taxativo: “Se ele apenas com um jornal nos atormenta dia e noite, não admite nem conversar, com duas tribunas, a do jornal e da Câmara, impossível”.

PS7 – Lógico que não admiti nada, fui cassado. Mas se tivesse aceitado, teria durado muito pouco, seria cassado em 1968. Como os poucos que restaram, Incluído meu amigo Mario Martins, eleito senador na eleição que não disputei, ganhou o mandato que seria roubado em 1968.

PS8 – O ostracismo de Golbery começou em junho de 1977, quando passou a  incentivar a candidatura de Silvio Frota à sucessão do próprio Geisel. E terminou, em 12 de outubro desse mesmo 1977, quando Ernesto Geisel desfez o golpe e demitiu Silvio Frota do Ministério do Exército, escolhendo logo João Figueiredo.

PS9 – Vencedor nos episódios anteriores, Golbery jogou fora todo o passado. Como no filme famoso “Os carrascos também morrem”. provou. Oo que ele mais desejava não conseguiu: ser presidente da República. Num regime democrático, não se elegeria. Na ditadura dos generais, não tinha vez, era da reserva.

Feliz Ano Novo para os 5,7% de desempregados, uma ficção estatística. Para o IBGE, só está desempregado quem insiste em procurar emprego. A pesquisa é feita em seis capitais. No interior, não há levantamento.

Carlos Newton

São muito interessantes as estatísticas no Brasil. O levantamento do número de desempregados, então, é um espetáculo. Além do IBGE, também a Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade) e o Departamento Intersindical de Estatística e Estudo Sócio-Econômicos (Dieese) declaram medir a taxa de desemprego.

O governo faz o cálculo através do IBGE, que utiliza o critério de desemprego aberto, no qual somente as pessoas que no período de referência estavam disponíveis para trabalhar e realmente procuraram trabalho são consideradas desempregadas. O cálculo é feito com base em dados de seis regiões metropolitanas: São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Salvador e Recife.

A taxa de desemprego é uma porcentagem da População Economicamente Ativa, que hipoteticamente poderia ser calculada com base em diferentes metodologias. O IBGE, repita-se, utiliza o exótico critério de somente considerar desempregadas as pessoas que no período de referência estavam disponíveis para trabalhar e realmente procuraram trabalho.

O Seade e o Dieese – que realizam a pesquisa no Distrito Federal e nas regiões metropolitanas de São Paulo, Porto Alegre, Belo Horizonte, Salvador e Recife – adotam o critério de desemprego total, que engloba também o desemprego oculto. Nessa categoria estão aqueles que não procuraram emprego por desalento ou porque estavam exercendo um trabalho precário.

Esses cálculos levam a resultados muito diferentes. Na região metropolitana de São Paulo, por exemplo, enquanto o IBGE apontava em agosto de 2000 uma taxa de desemprego aberto de 7,55%, a Fundação Seade e o Dieese chegavam a uma taxa de desemprego total de 17,7%. Não dá para levar a sério cálculos estatísticos que apresentam variação de cerca de 120 por cento.

Com base no esdrúxulo critério do IBGE, os números do governo são animadores e fazem inveja aos países desenvolvidos. Apenas 5,7% de desempregados. Seria tão bom se fosse verdade. Mas os números são ilusórios. Empregos no Brasil duram menos de dois anos, diz pesquisa da Universidade de Brasília (UnB), mostrando que 40% das pessoas que trabalham com carteira assinada perdem o emprego todos os anos, uma taxa altíssima de rotatividade.

Além disso, 50% dos empregos duram menos de 24 meses e 25% duram menos de oito meses. Apenas 25% têm duração maior que cinco anos, segundo dados do próprio Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), mantido pelo Ministério do Trabalho. E metade dos trabalhadores brasileiros fica menos de dois anos no mesmo emprego, segundo pesquisa feita por Roberto Gonzalez, mestre em Sociologia pela UnB. Pior ainda: segundo a Fundação Getúlio Vargas, 65% dos trabalhadores não têm carteira assinada.

O IBGE diz investigar o mercado de trabalho por meio de várias pesquisas. Além da PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio), produz também a Pesquisa Mensal de Emprego – PME, que dá esses resultados ilusórios e espetaculares. O desemprego realmente diminuiu no governo Lula, mas esses 5,7% são uma brincadeira sem graça.

Já vejo o pesquisador do IBGE subindo o Complexo do Alemão para perguntar se existe algum desempregado por lá. Consigo vê-lo também no interior do Nordeste, andando a pé naquelas estradas de terra, debaixo do sol forte, procurando para ver se encontra algum desempregado. Mas é miragem, a tal pesquisa só investiga as seis maiores regiões metropolitanas do país: Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre.

Embora as informações levantadas só tenham validade para as seis regiões metropolitanas, ilusoriamente servem de parâmetro e estimativa e amostragem para todo o país. Assim, esses resultados da PME hipoteticamente revelam dados mensais sobre emprego e desemprego e sobre o rendimento médio do trabalho.

São quase 100 páginas para você se divertir, se estiver desempregado e sem nada para fazer. Porém, se você já tiver desistido de procurar emprego, pelo critério do IBGE vai ser considerado como empregado. Será um alívio para você.

Sucesso de Lula não é produto só de publicidade

Pedro do Coutto

O êxito extraordinário alcançado pelo presidente Lula junto à opinião pública do país (87% de aprovação, segundo o IBOPE) não está de forma alguma colocado em função dos gastos do governo no setor de publicidade envolvendo jornais, redes de televisão, emissoras de rádio e sites na internet.

Sob o título Bomba Relógio, o jornalista Fernando Rodrigues publicou artigo sobre o que seria o esquema publicitário do Planalto, na edição de 29 de Dezembro da Folha de São Paulo. Equivocou-se no enfoque, esquecendo-se de comparar os números que obteve com o volume total, por ano, da publicidade veiculada no Brasil. Estes índices, relativos aos primeiros cinco meses de 2010, foram publicados pela própria FSP de 28 de julho.
Praticamente 10 bilhões de reais, o que indica que em todo o exercício atingiram mais de 27 bilhões, já que as injeções comerciais aumentam acentuadamente nos meses de novembro e dezembro.

É só conferir o número de ofertas de produtos que lotam cadernos e mais cadernos dos grandes jornais. Cito apenas três: O Globo, a mesma Folha e O Estado de S. Paulo. A média mensal de 2 bilhões duplica nos dois meses finais do ano.

Fernando Rodrigues, um excelente profissional, afirmou que a atual administração teria despendido 1 bilhão de reais. Francamente é muito pouco. Deve ter gasto muito mais. Para um total de 27, a fração 1 representa 0,4%. Com base em informações anteriores, os gastos oficiais publicitários participam com 25% do volume total. Mas neste caso temos que incluir as despesas também dos governos estaduais no bolo. Seja como for, a injeção federal no mercado institucional é muito pequena.

Mesmo que fosse grande, não seria capaz de transformar a impopularidade em popularidade. O próprio Fernando Rodrigues sustenta que a despesa de Lula com publicidade foi a mesma de Fernando Henrique. A diferença estaria no fato de FHC ter aplicado 1 bilhão (em 2002) em menos de 600 veículos e Lula ter investido a mesma importância, porém distribuindo-a por 8 mil órgãos de comunicação, incluindo portanto pequenos jornais e emissoras radiofônicas do interior. Mas se o desembolso foi o mesmo, os índices de aprovação e rejeição não coincidiram.

Luís Inácio deixa o poder com um recorde mundial de aplauso. FHC saiu de Brasília com a imagem negativa. Tanto assim que sua presença nas campanhas eleitorais de José Serra, Geraldo Alckmin e novamente Serra, não encontrou espaço por parte dos candidatos tucanos. Ele próprio reclamou disso logo após encerrada a computação dos votos na madrugada de primeiro de novembro. Afirmou-se inclusive
 disposto a não endossar posições  partidárias que julgou incompletas e inadequadas.

Logo, o diferencial entre Lula e Fernando Henrique  não se encontra na atuação do marketing publicitário. O marketing é um adjetivo. A popularidade resulta de fatos substantivos e concretos. A política salarial, um deles. A não privatização, outro. O nível de emprego um terceiro.

O VOTO E O POVO

Um outro assunto. Leio no site da Tribuna da Imprensa  comentário do leitor Luiz Antônio dizendo que a vitória de Dilma Roussef não foi tão expressiva (56 a 44%) porque 10 milhões votaram em branco ou anularam e 19 milhões não foram votar, abstiveram-se. O eleitorado total é de 135 milhões de pessoas. Muito baixa, portanto, a taxa de brancos e nulos. Quanto à abstenção, temos que considerar o índice de mortalidade anual (0,6%) , o de doenças incapacitantes e internações hospitalares. O último cadastramento (ou re) eleitoral brasileiro foi efetivado em 1986. De lá para cá passaram-se 24 anos.

O RJ no Pré-Sal: a lei deveria ser mais explícita

Pedro do Coutto

O presidente Lula sancionou a lei que trata da exploração e produção de petróleo, gás natural e hidrocarburetos na camada do pré-sal com um texto, que, pelo silêncio, agradou o governador Sérgio Cabral, que se empenhou contra a emenda Pedro Simon que prejudicava frontalmente os legítimos interesses econômicos do Rio de Janeiro.

O senador gaucho queria dividir os royalties em partes iguais por todos os estados da Federação, igualando-os como se, todos eles, fossem produtores, caso do RJ, nosso estado. Rematado absurdo, já que os que produzem zero seriam equiparados àqueles em cujas áreas a produção se desenrola. O RJ, hoje, responde por praticamente 80% da produção nacional. Apesar do silêncio de Cabral, acredito que o diploma deveria ser um pouco mais claro e bem mais explícito.

A lei assinada pelo presidente Lula tomou o número 12.351 e está publicada no Diário Oficial de 23 de Dezembro. Ela prevê a exploração numa primeira etapa pela Petrobrás ou através de consórcios por ela constituídos. Numa segunda etapa, presume-se a partir do início da produção, o que deve demorar mais ou menos oito anos com base em exemplos internacionais, surgiria então a Petrossal. Roberto Campos, que escrevia artigos chamando a Petrobrás de Petrossauro, com a palavra Petrossal, se vivo fosse,  obteria uma aproximação maior entre o petróleo e a era dos dinossauros. Mas esta é outra questão.

Humor à parte, no item 13 do artigo 2º da 12.351  está aparentemente preservada a compensação financeira aos estados e municípios produtores, em função do volume do faturamento, nos termos – acrescenta – do parágrafo 1º do artigo 20 da Constituição Federal.

Este dispositivo, entretanto, não é específico. Ao contrário. É genérico e fixa o princípio, não a mecânica da participação compensatória. Esta compensação é regida pelas leis 7.990 de 28 de dezembro de 89 e 8.001 de 13 de março de 90. Em ambos os casos, convergem para garantir aos estados e municípios a parcela de 5% do valor do óleo bruto, do xisto betuminoso (hidrocarbureto) e do gás natural extraídos da plataforma continental.

A diferença de uma lei para outra está nos percentuais de distribuição desses 5%. Pela 7.990, caberiam 70% aos estados, 20 aos municípios e os outros 10% às cidades onde se localizarem as instalações marítimas ou terrestres de embarque e desembarque dos produtos. Este rateio foi introduzido na época através de emenda do senador Nelson Carneiro.

A lei 8.001 altera os percentuais de subdistribuição. Mantém os 5%, mas os divide (os 5%) da seguinte maneira: 45% para os estados, 45 aos municípios, 8% ao Departamento Nacional de Águas e Energia Elétrica e 2% ao Ministério da Ciência e Tecnologia. Brasília, DF, recebe na categoria de estado e município.

Portanto, acredito que o governador Sergio Cabral deveria ter se empenhado por um texto mais específico, pois como se encontra o item 13 do artigo 2 da lei 12.351/2010, está consagrado o princípio da participação, mas os percentuais específicos não se encontram na Carta de 88, mas sim nas duas leis que dão eficácia e realidade ao texto constitucional.

É necessário mais clareza, pois se tratando de recursos financeiros, toda atenção deve ser a máxima. Caso contrário, pode surgir um governo no futuro que acate a norma básica, mas deseje fixar percentuais diversos dos de hoje. O Pré-sal só deve começar a produzir lá por volta
 de 2018. Nessa época quem estará na presidência da República? Quem estará no Ministério de Minas e Energia?

Falta apenas um dia, para Dona Dilma deixar de ser cidadã comum, para se transformar em presidente. E tão importante quanto: é a primeira mulher, no Brasil, a atingir esse cargo máximo.

Helio Fernandes

O Planalto está à vista, e mesmo sem prazo definido, tanto pode ser 2014 ou 2018, a conquista é retumbante. Ela mesma já disse, num rasgo de sinceridade, reconheçamos: “Jamais pensei que isso pudesse acontecer”.

Rigorosamente verdadeiro. Os futuros presidentes não traçam seus caminhos, não projetam seus destinos, podem até sonhar, mas não se julgam tão iluminados, que esses sonhos se concretizarão algum dia.

Se demonstrarem certeza antecipada, se festejarem antes com amigos ou consigo mesmo, dificilmente chegarão. Os caminhos que levam à Presidência, são complicados e tumultuados demais. Exigem mais do que competência, sorte, um astral fora de qualquer imaginação, quantos estiveram tão perto e não chegaram?

Pinheiro Machado, na Primeira República, era tido e havido como “fazedor de presidentes”. Mas não “fez” a ele mesmo, sonho e objetivo que acabou em 1915, quando foi assassinado. Derrotou Rui Barbosa em 1910, quis eleger o próprio Rui em 1914, em troca da modificação da Constituição. Só que Rui não fazia concessão. Candidato em 1919, com 69 anos (naquela época, “idade avançada”) foi derrotado pelo “sistema”, Pinheiro Machado já estava longe.

Hoje, no Brasil, além de todas as realidades, o Poder é representado pelo Planalto-Alvorada. Até hoje, Dona Dilma tem feito diariamente o caminho pela metade. Ia para o Planalto, ficava lá o dia todo, voltava para casa.

A partir de amanhã fará o caminho completo de ida e volta. Depois de um dia cansativo, exaustivo, não definitivo, dormirá no Alvorada, a segunda parte do Poder. Deve ficar “em casa” no dia seguinte, domingo. Provavelmente não recebe ninguém, embora possa ter alguma idéia, que queira logo transmitir a quem de direito.

Não tenho a menor idéia de quem serão os confidentes de Dona Dilma, se tiver algum. Também se revelarão os íntimos, ela não é de muita intimidade, mas isso é obrigatório. Pela análise e pelo conhecimento, duas pessoas têm todas as condições (até pelas profissões e pela seriedade) de preencherem essa condição.

*** 

PS – Tudo que eu disser hoje, é a véspera da Presidência, ainda uma irrealidade. Mesmo o amanhã, que terá que vir, não virá imediatamente.

PS2 – O Lula de 2006 a 2010, teve alguma importância no que aconteceu de 2002 a 2006? De maneira alguma. As derrotas seguidas de Lula tiveram grande importância na “consolidação” do Poder que conquistou. Mas ele só percebeu que podia se transformar em “83 por cento de popularidade”, muito depois.

PS3 – Dona Dilma não sofreu nenhuma derrota, em termos esportivos (como Lula tanto gosta), “ela chega ao poder INVICTA”.

PS4 – Mas tem que ficar atenta. Muita gente estará trabalhando para derrotá-la. E não pode esquecer: uma derrota no Poder, tem todas as condições para atingi-la. O que não aconteceu com Lula, de 1989 a 2002.

José Dirceu, na posse de Dilma, com evidente ressentimento

Helio Fernandes

Foi convidado, comparecerá. Subirá a rampa do Planalto, com evidente ressentimento, que fará tudo para que ninguém lembre. Saudade pura, e a pergunta íntima, mas obrigatória: “Onde foi que eu errei?” Não existe resposta, nem dada por ele mesmo.

Qual o lugar que destinarão a ele? Próximo? Distante? No meio de todos? O pior, que não esquecerá mesmo que viva 100 anos: “A presidente sai do cargo que ocupei e dominei”, e mais grave: “Palocci é reabilitado nesse cargo e virá me abraçar apertado, como fez noutro dia”.

LULA E BATTISTI

Escrevendo na terça-feira, revelei antes de todos: Lula não vai extraditar o italiano. Publicará isso oficialmente, dia 30 ou 31. Não deu outra.

E ainda acrescentei: Lula não tem a maior admiração por Battisti, mas ficou revoltado com o procedimento do governo da Itália, desde o julgamento pelo Supremo. Que deixou a inteiro critério do presidente a decisão de extraditar ou não extraditar. Lula já estava decidido.

Normal chamar a plataforma de Lula, ridículo dizer, “é o molusco”. A Petrobras é nossa? Por que pretendem que Lula e Dilma tenham mais divergências que as naturais?

Helio Fernandes

Todos gostam de homenagem, para o presidente que está saindo, os 83% de popularidade não bastam. Não é surpreendente colocar o nome dele num equipamento de petróleo, nem é inédito. Na Bahia, tudo é ACM, naturalmente não completam a placa com o indispensável Corleone.

No Brasil todo, temos que cruzar estradas, atravessar pontes e até “minhocões” (São Paulo) lembrando de Castelo Branco e Costa e Silva. Ficou tão comum e habitual, batizar penitenciárias ou prisões com nomes de grandes juristas, que o Evaristinho de Moraes, sabendo que ia morrer, deixou escrito para os filhos: “Não deixem de maneira alguma que ponham meu nome numa penitenciária”.

Até admitiria a plataforma como o nome de Lula, mesmo porque, na volta ele mesmo colocaria. Mas essa tolice desnecessária de dizer que a “homenagem” foi para lula, o molusco? Falta de segurança ou sensação antecipada do ridículo?

ATÉ AS PEDRAS DA RUA SABIAM

Deixaram o presidente da maior empresa brasileira, para ser anunciado no último dia antes da posse. Até as pedras da rua (Rui Barbosa) sabiam que seria confirmado o atual presidente, Sergio Gabrielli. Como não manda nada, não contraria ninguém, era o candidato de todos, dentro e fora da empresa.

A surpresa: por que Lula na Bahia e Dilma em Brasília, “anunciaram” a confirmação no mesmo momento? Está faltando comunicação? Ou existe alguma força não identificada, querendo que Lula e Dilma tenham mais divergências do que as naturais?

FRACASSO DA TAXAÇÃO DE MANTEGA

Quando Mantega, há mais de dois meses, resolveu fazer o dólar “subir por decreto”, ele estava em 1,69. Hoje, já no fim do ano, não sai de 1,66. A Bovespa dos 70 mil, foi a 71 mil, acaba o ano em 69 mil. Adiantou?

EUA: 4,3% RECEBEM SEGURO-DESEMPREGO

São mais ou menos 6 milhões. Como o próprio Obama, na semana passada, disse publicamente que os desempregados são 16 milhões, de que vivem os outros 10 milhões?

Conversa com leitor-comentarista, sobre FHC e os quatro marechais-presidentes

Raimundo (Macapá): “Helio, você falou que FHC foi pior do que os quatro marechais. Poderia identificá-los? Não consegui”.

Comentário de Helio Fernandes:
Deodoro, Floriano, Hermes da Fonseca, Gaspar Dutra. Alguns indiretos, como os dois das “Alagoas”. E que além de incompetentes, eram ditatoriais, se derrubaram e não fizeram nada, até 1894, quando apareceu o primeiro civil, Prudente de Morais.

O terceiro foi Hermes da Fonseca (sobrinho de Deodoro), que com a ajuda do presidente Nilo Peçanha, derrotou Rui Barbosa.

E finalmente o “Condestável do Estado Novo”, que ficou guardando o lugar para a volta de Vargas.

Rigorosamente verdadeiro,: nenhum deles roubou, mesmo porque o patrimônio e o orçamento eram mínimos. Mas  Dutra desperdiçou 13 bilhões de dólares (naquela época, uma fortuna) acumulados obrigatoriamente durante a Segunda Guerra Mundial.

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PS – Apesar de tudo, FHC foi ainda pior. Deliberadamente pior do que os quatro juntos.

Missa de Dom Orani e ceia no Alemão nada resolvem

Pedro do Coutto

Na edição de domingo, O Globo publicou reportagem de Tais Mendes e Gabriel Mascarenhas focalizando a missa celebrada pelo Arcebispo do Rio de Janeiro, Dom Orani Tempesta, rezando pela paz no Complexo do Alemão e na Vila Cruzeiro. Subiram e desceram os degraus da Igreja da Penha o Secretário de Segurança José Mariano Beltrame e o general Adriano Pereira, Comandante Militar do Leste, portanto o responsável pela presença das Forças Armadas na tomada e na ocupação daquele do tráfico abandonado pela fuga dos criminosos.

Fuga? Romperam o cerco? Não. Mas este é outro problema. Também no domingo, a Folha de São Paulo editou matéria de Felipe Caruso, com foto no alto da primeira página, mostrando a ceia de Natal que reuniu um batalhão do Exército no mirante do morro do Alemão. Em ambos os casos, moradores pediram paz e as forças de ocupação se comprometeram com ela.

Forças de ocupação, sim. Aliás como escreveu Clovis Rossi na página 2 da Folha de S. Paulo de domingo. Na realidade, não são tropas de pacificação, pois estas pressupõem acordo entre as partes em conflito. Não houve, tampouco poderia haver pacificação alguma. Não pode haver entendimento entre o poder público e o crime. Da mesma forma que não pode existir acordo entre a ordem e a desordem, entre o plano legal e o ilegal.

As tropas federais que conseguiram ocupar o alemão e a Vila Cruzeiro fizeram o que o governo Sérgio Cabral não conseguiu em 2007 após cem dias de conflito diário. Logo, o governador perdeu acentuada parcela de poder no episódio. Tanto assim que não compareceu à missa de Dom Orani. Mas este constitui outro ângulo da questão.

O essencial é que nem a celebração religiosa, nem a ceia cristã na ex-fortaleza do tráfico não resolveram o desafio maior que é o comércio abominável de drogas efetuado por grupos fortemente armados. Foram belos gestos simbólicos, mas não – tampouco poderiam ser – substantivos. Pois quem, afinal de contas, pode ser contra a paz? Ninguém. Todos são a favor, mas é preciso que essa paz seja efetiva, não episódica.

Enquanto o Exército permanecer no alto da fortaleza derrotada, os traficantes estarão agindo em outro lugar. Havia seiscentos deles cercados no desfecho recente quando tanques de guerra da Marinha arrebentaram as barricadas construídas na subida da ladeira principal. Armados, divulgou o Secretário de Segurança. Escaparam.

Mas onde deixaram as armas ou para onde as levaram consigo? Andaram pelo meio das ruas e das matas das encostas verdes sem serem notados? Impossível. Eram seiscentos. Os armamentos e as munições foram transportadas para outro reduto ou outros redutos. O tráfico continua no Rio em diversos mercados cujo acesso ocorre através de vias sinuosas e obscuras, tendo nas margens pobres vítimas do vício, dos viciados, dos bandidos.

Missa e ceia, atos cristãos, são bons para publicar nos jornais. São matérias importantes. Porém representam o começo de uma nova e longa jornada. A guerra do Rio não acabou. Porque enquanto houver consumo de drogas, haverá venda, e, enquanto houver corrupção, o crime, organizado ou não, permanecerá agindo nas sombras que envolvem os que se viciam, que se vendem. Tão imundo quanto lucrativo. A raiz do problema é esta. Não está na ocupação de duas, mas sim no domínio ilegal de outras novecentas favelas que existem no Rio de Janeiro.

Site do PT, que não respeita as orientações de Lula, Franklin e Vannucchi, acusa cunhado de Alckmin por denúncia ainda sob investigação. Se eles não controlam nem o site do PT, como querem controlar a imprensa inteira?

Carlos Newton

O ainda presidente Lula costuma criticar a imprensa por divulgar denúncias sem comprovação, que ainda estão sendo apuradas. Este é um dos seus principais argumentos para defender algum tipo de controle, e o faz com apoio incondicional e entusiasmado dos ainda ministros Franklin Martins (Comunicação Social) e Paulo Vannucchi (Direitos Humanos).

Mas os três esquecem que os jornalistas do próprio PT não fazem outra coisa. Agem exatamente assim. Agora mesmo, está circulando na internet uma notícia escandalosa, divulgada pelo site Macro PT ABC, sob o título “Até cunhado de tucano mete a mão no cofre público… É a família unida”, nos seguintes termos, baseada numa reportagem da Folha de S. Paulo”.

“Paulo Ribeiro, cunhado do governador eleito de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), está sob investigação do Ministério Público do Estado sob acusação de intermediar o pagamento de propinas a políticos e funcionários públicos que contratavam empresas de merenda. Ontem (dia 28) a Polícia Civil fez uma operação de busca e apreensão na casa de Ribeiro, irmão de Lu Alckmin, a esposa de Geraldo Alckmin. Ele é alvo de investigação que apura crimes de lavagem de dinheiro, superfaturamento e direcionamento de licitação.

A investigação é conduzida pelo promotor Arthur Lemos Jr., do Gedec (Grupo de Atuação Especial de Repressão à Formação de Cartel e à Lavagem de Dinheiro). A  acusação se baseia em escutas telefônicas e documentos apreendidos, aos quais a Folha não teve acesso.

A operação foi feita à procura de documentos que mostrariam detalhes sobre o caminho das comissões pagas por empresas para obter contratos públicos.Há dois anos a Promotoria apura a existência de uma suposta máfia da merenda, que agiria como um cartel para subir os preços.

No esquema, o preço da merenda é sempre superfaturado, funcionários públicos e políticos recebem propina pelo valor mais alto, e o partido do prefeito recebe contribuição não declarada.

A apuração começou em São Paulo, mas hoje se estende a Minas Gerais, Paraná, Rio Grande do Sul e Maranhão. Há prefeituras ligadas a PSDB, PDT e PPS.

O nome de Ribeiro aparece na lista como suspeito de ter atuado como lobista em dois contratos com indícios de superfaturamento, com as prefeituras de Pindamonhangaba e de Taubaté.

Em Pindamonhangaba, cidade natal de Alckmin e de Lu, a prefeitura contratou a empresa Verdurama em 2005 para fornecer merendas para cerca de 30 mil alunos. O pagamento anual é de cerca de R$ 5 milhões.

Em Taubaté, há a suspeita de que Ribeiro teria ajudado a Sistal a elevar o valor do contrato de R$ 10,8 milhões para R$ 25 milhões num período de três anos, sem um grande aumento de alunos”.

Na matéria da Folha, o cunhado de Alckmin é tratado apenas como “suspeito”, não há menção a partidos, mas o blog do PT logo identifica como “prefeituras ligadas a PSDB, PDT e PPS”. Além disso, já providenciou a condenação, no título da matéria. É uma demonstração de que Lula, Franklin e Vannucchi melhor fariam se esquecessem essa obsessão por controlar a imprensa. Se não conseguem controlar nem mesmo os sites do PT, por que teriam a pretensão de policiar todo o resto?

Quanto mais livre a imprensa, melhor, não interessa se o alvo da denúncia é do PT, do PSDB ou de qualquer outro partido. Se a denúncia não for verdadeira, a Justiça está aí para ser acionada, de forma a indenizar a vítima de difamação, injúria ou calúnia, na forma da lei. É assim que a coisa funciona.

E mesmo com a divulgação permanente dos atos de corrupção, é muito difícil alguém pagar por isso no Brasil. É mais fácil um jornalista ser condenado do que um corrupto (ou corruptor, apesar de corruptores serem uma categoria à parte, praticamente fora de qualquer punibilidade). Esta é a nossa realidade.

Por fim, Lula só existe como líder político e fenômeno eleitoral porque a imprensa sempre divulgou suas iniciativas, desde os tempos difíceis do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo. Ele não deveria ser tão ingrato. Pega mal.

Se não DESCONVIDAR o Ministro do Turismo, Dilma já assume desgastada.

Hélio Fernandes

O deputado do Rio de Janeiro, Luiz Sergio, em entrevista hoje, no Globo, reabre o caso do deputado Pedro Novais, personagem de duas novelas. 1 – Ministro do Turismo aos 80 anos. 2 – Pagou com dinheiro da Câmara a estadia no Motel Caribe, de São Luís do Maranhão. Inaceitável, imperdoável, devia ter sido DESCONVIDADO na hora.

Mas parece que Dona Dilma “acordou” agora, o Ministro das Relações Institucionais dava a impressão de estar falando pela presidente que assume dentro de 48 horas. O constrangimento é total.

O próprio Ministro (ainda é?) confessou ao devolver o dinheiro. Por que Dona Dilma quer forçar a demissão do octogenário, por intermédio (indireto) de outro Ministro?

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PS – A autoridade diminui seu próprio Poder ao tentar agir por interpostas pessoas. Demitindo o Ministro, ainda hoje ou amanhã, obteria enorme e positiva repercussão.

PS2 – Sem DESCONVIDÁ-LO, já assume desgastada.

Mais uma diferença entre Quércia e FCH. Qual dos dois FINGIU ter sido CASSADO?

Helio Fernandes

Como mostrei no artigo publicado hoje, há muitas diferenças entre as trajetórias políticas de Quércia e FHC. Quércia, por exemplo,  não saiu do Brasil, FHC não ficou aqui. Fingiu que havia SIDO CASSADO, farsa e mentira completa. Já desafiei muitas vezes, em discurso na ABI, como conselheiro, na Tribuna impressa, que ele provasse a CASSAÇÃO.

 Como podia ter sido CASSADO e candidato a senador em 1978, em plena ditadura? O próprio José Serra, em 1978, tentou ser candidato a deputado estadual, não foi registrado. ESTAVA CASSADO.