Excluído e extraído o desgaste e desperdício dos dinheiros públicos, Quércia foi mais importante do que FHC. Fez verdadeira carreira político-eleitoral, de vereador a tudo, menos presidente.

Helio Fernandes

Se formos levar em consideração a CORRUPÇÃO (que no título dessas notas, chamei delicadamente de desperdício de dinheiros públicos), quantos personagens sobraram (ou sobrariam) para analisar e comparar? Portanto, não levemos em consideração esse fato, no momento não CONDENAMOS nem ABSOLVEMOS ninguém.

Apenas como registro indispensável. Quércia era tido e havido como tendo enriquecido em cargos públicos. Os mais diversos. Essa é a prática e a norma da vida pública brasileira, a IMPUNIDADE cobre e inocenta no geral. Só que Quércia enriqueceu no plano brasileiro e interno, FHC DOOU o patrimônio nacional. Todos enriqueceram com ele, mas as riquezas nacionais são irrecuperáveis.

Se existe um parâmetro para os corruptos que são também corruptores, FHC é mais condenável, execrável, irresponsável, irrecuperável. Se conseguisse o terceiro mandato, teria consumado a DOAÇÃO total, através dos vastamente enriquecidos DOADORES da COMISSÃO DE DESESTATIZAÇÃO. Que como o próprio FHC, jamais serão responsabilizados.

Os leitores-comentaristas compreenderam o que pretendo fazer aqui, não precisam concordar e têm o direito de discordar, mostremos fatos históricos, nada mais do que isso. Quércia foi vereador, prefeito, deputado, só depois chegou a plano nacional.

Em 1974, passando um pouco dos 35 anos (naquela época, idade-limite para senador e governador), ainda sem chegar aos 36, foi o senador mais votado do país. Derrotou, com uma diferença de 3 milhões de votos, o ex-governador Carvalho Pinto, isso, em São Paulo.

FHC, que tinha ódio de Quércia, só foi “eleito” senador em 1978, com 44 anos de idade. Lógico, não foi eleito nada, era suplente de Franco Montoro, que quatro anos a seguir se elegeria governador, na primeira eleição direta, depois da “anistia ampla, geral e irrestrita”.

A eleição de Montoro levou o suplente a assumir por 4 anos. Em 1982, a primeira batalha ou guerra aberta entre Quércia e FHC. Os dois queriam ser vice de Montoro, que ia ganhar facilmente, como ganhou mesmo. Montoro preferiu Quércia, o que deixou FHC desesperado. Um lembrete: todos eram do PMDB. Só que FHC, arrogante como sempre, dizia: “Eu sou do PMDB INTELECTUAL, Quércia é do PMDB da ROUBALHEIRA”.

Quércia não deixou sem resposta, acusou FHC de patrocinar uma porção de atos ilegais e irregulares, cometidos por amigos, com seu conhecimento e consentimento. (FHC não fez a réplica obrigatória).

Em 1986, sucessão de Montoro, nova derrota de FHC, aí diretamente diante de Quércia. Os dois eram candidatos a governador, Quércia obteve facilmente a legenda, e mais grave para FHC: foi eleito governador. FHC e Covas se candidataram ao Senado, eram só os dois. Mas para se garantirem, “fecharam” acordo com Lutfalla Maluf, o próprio. (Grande demonstração, de FHC e Covas, de credibilidade e honestidade).

Em 1987, houve a fundação do PSDB, uma “costela” do majoritário PMDB. FHC, Covas, Jereissati e outros, foram os fundadores. Não falaram no nome de Quércia, que era governador, deram como justificativa: “Com o doutor Ulisses ninguém tem chance, ele quer tudo”.

Na verdade o doutor Ulisses não queria nada. Ficou sempre como deputado, várias vezes presidente da Câmara. Com espantosa liderança, que não se traduzia em votos para senador ou governador.

Em 1976, em plena ditadura, Quércia gritava que “a indústria brasileira estava sendo desnacionalizada”. Os militares então, usaram dos mesmos recursos de sempre: utilizavam “jornais amigos” para combater e denunciar os adversários. Em manchete, o “Correio Braziliense” juntou denúncias de irregularidades de Quércia, de 10 anos antes, em Campinas.

Começaram a dizer que seria cassado, deu entrevista enorme no Jornal do Brasil, denunciando interesses antinacionais. Em 1986 foi eleito governador de São Paulo, uma gozação e resposta a FHC, que, em 1985, um ano antes, perdera a Prefeitura de São Paulo para Janio Quadros, então com 68 anos e tendo abandonado a política há muito tempo.

Mas o apogeu, o auge eleitoral de Quércia, foi em 1990, na sua própria sucessão. Lançou o desconhecido Luiz Antonio Fleury contra Paulo Maluf, tido como favorito. E que tinha o apoio aberto de Covas e FHC. Fleury foi eleito. Quércia deixou o governo, foi presidir o PMDB nacional.

O grande equívoco de Quércia; candidato a presidente da República em 1994, com São Paulo inteiramente dividido. Ulisses, Covas e mais dois paulistas foram candidatos em 1989, massacrados por Collor. Em 1994, a segunda candidatura Lula, fortíssima. Tão forte que FHC, lançado pelo PSDB reduziu o mandato presidencial de 5 para 4 anos. Justificativa: “Como Lula vai ganhar mesmo, que fique menos tempo”.

Surpreendentemente (até para ele), FHC foi vencedor. Quércia já estava praticamente fora da política, voltado para os negócios. As rádios, jornais (sem grande tiragem) e outros órgãos de comunicação, apenas para sustentação.

 ***

PS – Em 1999, se afastou de tudo, por causa de um câncer na próstata, que o mataria agora, 10 anos depois. Há 4 ou 5 anos apoiou José Serra, estiveram juntos longos anos no PMDB. Estava praticamente eleito senador, o câncer voltou em plena campanha, abandonou tudo.

PS2 – Tudo isso é História, fatos, fatos, fatos. Morto agora, continua sem ser desmentido o “Disque Quércia para a corrupção”, lampejo histriônico do governador Requião.

PS3 – FHC foi o “retrocesso dos 80 anos em 8”, pior do que ele (ou igual, vá lá), só os quatro marechais. Nem ele nem Quércia foram cassados.

 

Da base de Dona Dilma, os governadores mais importantes são os da Bahia (Jaques Wagner) e de Pernambuco (Eduardo Campos), reeleitos no primeiro turno. E não é só por isso.

Helio Fernandes

O governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro, que também ganhou no primeiro turno, era ministro da Justiça, todo poderoso, íntimo de Dona Dilma. Acontece que Tarso fala muito, já se coloca na “linha do pênalti” para 2014.

Minas e São Paulo têm governadores de legendas adversárias, embora isso não signifique muito. E no Estado do Rio, um governador desastrado, não se pode confiar nele.

NENHUM CHEFE DE ESTADO NA POSSE

O Itamarati insiste em marcar os lugares para as “autoridades”. E eu insisto: só estarão aqui, representantes, duvido que indiquem um presidente ou primeiro-ministro. Nem é desprestígio e sim a aberração da posse no primeiro dia do ano. Quem ficará satisfeito de estar num avião amanhã ou depois?

A CORRERIA DOS GOVERNADORES

Os governadores, todos, mesmo os reeeleitos, tomam posse no dia 1º. Mas querem ir a Brasília, apertar a mão da nova presidente.  Estão marcando a posse para mais cedo, aviões com motores roncando para levar governadores a Brasília. Alguns já garantiram até “carona” com vizinhos mais importantes.

RECORDANDO 1986: SARNEY E TASSO

José Sarney convidou o então governador do Ceará, Tasso Jereissati, para ministro da Fazenda. Meia-noite, quando Sarney telefonou (convidou também um personagem do Rio), Tasso não tinha transporte, ligou para o governador de Sergipe, sabia que ele tinha avião.

Jereissati, satisfeitíssimo, viajou para Brasília, chegou por volta das 7 horas da manhã. Não adiantou tanto esforço, já estava VETADO pelo Doutor Ulisses Guimarães.

O representante do Rio tomou posse, como se não tivesse acontecido nada. Não roubou, mas foi inutilidade completa, substituído logo depois.

MARCOS FREIRE E A REFORMA AGRÁRIA

Com Sarney não deu nada certo. Convidou o senador Marcos Freire (belo personagem) para ministro da Reforma Agrária. Estive com ele no Rio Grande do Norte, na inauguração da TV Cabogy, de Aluizio Alves.

Intimíssimo de Marcos Freire, me revelou: “Helio, estou fazendo a reforma agrária para valer. Acho que está com 50 anos de atraso. Mas estou recebendo muitas ameaças, “para ou morre”.

Marcos não era homem de parar coisa alguma, continuou a reforma. Poucos meses depois, o ministro da Reforma Agrária morria num estranho acidente de avião, que explodiu no Pará ao decolar, matando ele e mais sete pessoas. Agora na posse de 37 ministros, é hora de lembrar a eles: “Fazer pode ser perigoso e até mortal”.

Conversa com leitores-comentaristas, sobre a inutilidade de fazer oposição a Dilma antes mesmo dela assumir

Antonio Aurelio: “Helio, não há como esquecer que você não duvidou um minuto sequer da vitória de Dona Dilma. Mas não era dilmista tão ferrenho como hoje. O que houve? Como diziam antigamente, mudou o Natal ou mudou o senhor?”

Comentário de Helio Fernandes:
Ah! Aurélio, ela ainda não me decepcionou tanto quanto você. Queria que eu combatesse uma presidente que ainda nem está no governo? Isso seria insensato. Segundo tua observação, um jornalista, para ser coerente, deveria fazer oposição antecipada, e torcer para que ela errasse bastante.

Não dá, Aurélio. Luto sempre pelo Brasil, pelo seu desenvolvimento, seu progresso, pela prosperidade do país, não pelo fracasso geral. Como eu já disse, Aurélio, Dona Dilma não precisa de mim para nada, o contrário também é verdadeiro.

DILMA NÃO SOFRERÁ INFLUÊNCIA DE LULA?

Marina: “Helio, você acredita que a mudança de governo será notada logo no primeiro dia da posse? Dilma não sofrerá influência de Lula? É difícil acreditar”.

Comentário de Helio Fernandes:
O dia todo, Marina, ele fica atordoado, não só mentalmente, por causa do fato de ter atingido o último posto da carreira política. E fisicamente, não só a posse, mas a emoção do juramento, do discurso, dos cumprimentos. Depois desse dia longo e interminável, irá para casa descansar, no dia 2, então terá que estar preparada para tudo. O previsível e o imprevisível, o aceitável e o inaceitável, a rotina esperada e a perplexidade não imaginada. É um jogo de xadrez, até agora sem tabuleiro, apenas imaginativo.

Já terá dormido a primeira noite no Alvorada, estará em condições de ir para o Planalto. O Poder se assume e se concretiza com essas duas palavras,

Por trás da megalomania ou o Dr. Pangloss tropical

Carlos Chagas

Mais do que  megalomania, é remorso,  diria um estudante do primeiro ano de Psicologia. Uma necessidade absoluta de, autoelogiando-se, tentar  inutilmente demonstrar  que fez o melhor para o país e que não traiu seu eleitorado em 1994. Porque quando Fernando Henrique Cardoso  firmou-se como candidato, graças ao apoio do então presidente Itamar Franco, trazia o perfil de um socialista moderado. Era alguém que daria mais alguns passos no rumo da justiça social, que governaria para o andar de baixo e para a classe média, respeitando e até ampliando os direitos trabalhistas e afirmando a soberania nacional.
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Não é brincadeira: por isso ele foi votado, em contraposição a um Lula ainda tido como o lobisomem das elites e do mercado. O país queria mudanças, mas dentro da tranqüilidade, sem radicalismos.
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Depois, foi o que se viu. A farsa da flexibilização, que o candidato jamais admitiu em campanha. O desmonte dos direitos sociais fixados na Constituição, a  quebra dos monopólios essenciais à nacionalidade e a entrega pura e simples de nossa economia ao estrangeiro. Mais  as  privatizações, boa parte com dinheiro público,  dos fundos de  pensão, do BNDES, do Banco do Brasil e similares.
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Tudo isso era o oposto do que o Brasil esperava, mas,  como o andar de cima entrou em orgasmo  financeiro, ampla campanha de propaganda ofuscou a perplexidade e a indignação nacional. O campeão do socialismo transmudou-se em tirano do neoliberalismo sem que seus eleitores nada pudessem fazer.
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Nem  se fala, hoje, do golpe sujo da reeleição comprada a dinheiro vivo, muito menos do uso da máquina pública para garantir-lhe mais um mandato.�
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O resultado aí está: de forma compulsiva, FHC não perde um dia sem aparecer na mídia, buscando travestir a História e mostrar-se como quem mudou o Brasil, conforme ainda esta semana declarou num programa de televisão. Chegou a dizer, “sem falsa modéstia”, que o país era um, antes dele, passando a ser outro, depois.  Nesse particular pode ter razão: outro que ele transformou em  paraíso dos especuladores e inferno do trabalhador e dos  assalariados de pequena renda, sem falar nos miseráveis cujo número  multiplicou-se.�
                                                  �
Vendo as coisas  mudarem nos anos Lula, ainda que nem tanto na economia, o ex-presidente passou a exaltar o que realizou de pernicioso como se tivesse sido a base do que o sucessor realizou de benéfico para a população carente. Um artifício de raciocínio digno do Pinóquio, no qual ninguém mais acredita.
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Assim estamos quando o ex-presidente começa a trocar o  alvo de suas invejas. Do Lula, está passando para Dilma, a quem acusou de não terminar raciocínios, não entendendo o que ela quer dizer. Deve-se, essa oclusão, a estar utilizando um tipo novo de óculos, no caso, de um dr. Pangloss dos trópicos…

MALHAR EM FERRO FRIO

Será repetir o que muitas vezes temos escrito, mas o absurdo vem desde 1988 e o Congresso, em sucessivas Legislaturas, não se animou a corrigir. A posse de presidentes da República no primeiro dia de janeiro, de quatro em quatro anos, significa uma aberração. Não dá para nenhum ser humano festejar a passagem do ano, em família ou sem família, e  horas depois assistir a cerimônia de posse de um novo chefe de governo. 

Não é por conta da presença ou da ausência de chefes de estado e de governo, muitos impossibilitados de pegar o avião e chegar a Brasília  a tempo  homenagear quem entra e quem sai. Falta, propriamente, eles não fazem, numa festa essencialmente nossa. O que salta aos olhos é a diversidade de situações. Dizem vir por aí a reforma política, mais uma oportunidade de alterar o calendário para dez dias antes ou dez dias depois do Ano Novo, já que este não pode mesmo ser mudado.

De Gary Cooper a Sérgio Cabral: Matar ou Morrer

Pedro do Coutto

O governador decidiu instituir no Estado do Rio de Janeiro, acolhendo projeto da Secretaria de Segurança, uma estranha e surpreendente gratificação para a PM e Polícia Civil: a gratificação por redução de mortes em conflito. Absurdo. Não é por aí. Os vencimentos dos policiais, muito baixos, sem dúvida, precisam ser melhorados, porém não dessa forma. Não faz sentido. Os desfechos fatais não dependem apenas dos agentes da lei e sim da ousadia dos criminosos e de sua disposição de resistir às ordens de captura e prisão.

Os leitores já perceberam que tenho o hábito citar as fontes de informação que comento. Vamos lá. São três: a reportagem de Fábio Vasconcelos e Sérgio Ramalho, O Globo de 28, o filme famoso de Fred Zinnemann, com Gary Cooper, Grace Kelly e Katy Jurado, as mensagens impressionistas de Élio Gáspari, criando correspondências do além entre os que já se foram e os administradores que permanecem aqui.

Em “Matar ou Morrer” (High Noon), Gary Cooper é o xerife solitário que tem de enfrentar bandidos presos por ele, mas que retornam à cidade para matá-lo. A curiosidade do filme é que ele tem a mesma duração do espaço que marca o início da ação e o duelo final. Duas horas.

Duelo final. O problema é este, não outro. O governador Sergio Cabral instituindo uma recompensa pela não morte (exatamente o contrário do que fez Marcelo Allencar), indiretamente está contribuindo para, em vez de diminuir, aumentar os riscos dos policiais que aparentemente tenta gratificar.

Os problemas financeiros atingem os contingentes, inclusive a tropa de elite, e a perspectiva de ganho extra pode levar a vacilações que contribuam para elevar, não a morte dos criminosos, mas sim a dos agentes da lei. Sergio Cabral não pensou bem no assunto. Não pesou todas as parcelas que conduzem a situações de risco. Ele se baseou em estatísticas. Tudo bem. Mas não analisou devidamente os números.

Vejam só. Partiu da comparação entre os Estados do RJ e o de São Paulo, para uma população de 40 milhões de habitantes, houve – revelam Fábio Vasconcelos e Sérgio Ramalho – 2.312 homicídios no primeiro semestre do ano. No Rio de Janeiro, total de 18 milhões de habitantes ocorreram 2.556 crimes de morte. Uma desproporção enorme. Que acentua ser o RJ muito mais perigoso do que SP.

Houve no Rio, no mesmo espaço de tempo, 134 latrocínios (roubo seguido de morte). Em São Paulo muito menos: 76. Os homicídios e latrocínios são situações limite. Sergio Cabral não levou este aspecto em conta, precipitando-se em dar uma solução a um problema tão múltiplo quanto complexo.

O governador baseou-se nas mortes assinaladas como praticadas em atos de resistência. Em São Paulo (estado todo, não esqueçamos) 281. No RJ, 505. A partir daí, Cabral traçou um patamar comparativo e resolveu – não se sabe ainda como – pagar gratificações em escala variada pela redução em 6,7% dos casos em que a Polícia Militar e a Polícia Civil matam bandidos.

A ideia não tem pé nem cabeça, como se diz. Aferir o número de mortes não é tarefa difícil. Mas avaliar o grau de risco dos policiais não é possível. A variação de situações, à base de escalas estatísticas, é impraticável. E mais um aspecto essencial que diferencia o Rio de São Paulo: as favelas. As áreas de risco paulistas construídas pela pobreza e ocupadas pelo tráfico são planas. As cariocas montanhosas. Os bandidos atiram de cima. Veja-se o exemplo do Complexo do Alemão. Foram necessários tanques de combate para derrubar as barricadas.

E não é só. Em 2007, o governo estadual tentou, durante 90 dias, invadir o local e a Vila Cruzeiro. Não conseguiu. Morreram policiais e inocentes. Para os policiais, em ação nas favelas, a alternativa mais lógica é agir como Gary Cooper no clássico de Fred Zinnemann.

Com 1,6 milhão de dólares no bolso, Assange agora tem como se defender na Justiça e seguir lutando pela democratização das informações, via WikiLeaks

Carlos Newton

Com a decisão de lançar seu livro de memórias, o que já era mais do que esperado, o fundador do WikiLeaks, Julian Assange, vai marcar mais um grande ponto em sua luta pessoal pela democratização das informações, com a divulgação de documentos secretos dos mais diversos países.

O livro será lançado pelo editor americano Alfred A. Knopf e depois, é claro, vai se tornar um filme de sucesso, garantindo a Assange a retaguarda financeira de que necessita para enfrentar os mais poderosos governos do mundo.

Assange declarou ao jornal “The Sunday Times”, na Grã-Bretanha, que se viu obrigado a fazer um acordo sobre um livro por causa das dívidas que começa a acumular para se defender nos processos que abrem contra ele.

“Não quero escrever esse livro, mas tenho de fazer isso”, disse Assange, citando a crescente conta de serviços jurídicos, que já passa de 200 mil libras. “Tenho de me defender e manter o WikiLeaks no ar.”

Assange, de 39 anos, é um australiano especialista em computadores que enlouquece as grandes potências mundiais ao divulgar despachos diplomáticos secretos em seu website, fazendo acordo com alguns jornais no mundo para amplificar o impacto das revelações.

Ele está agora sob liberdade condicional, em prisão domiciliar em uma casa na região rural da Inglaterra, enquanto luta contra a extradição para a Suécia, onde as autoridades querem interrogá-lo numa acusação de delitos sexuais.

As acusações são ridículas, mas perigosas. Ele foi denunciado por fazer sexo com várias mulheres (separadamente, destaque-se) sem usar preservativo. Na Suécia isso é crime, e grave, vejam vocês, apesar de as parceiras sexuais dele terem consentido.   

Mas afinal o que é o tal de WikiLeaks? Na verdade, trata-se de uma organização transnacional sem fins lucrativos, sediada na Suécia, que publica, em seu site, posts de fontes anônimas, documentos, fotos e informações confidenciais, vazadas de governos ou empresas, sobre assuntos sensíveis.

Ou seja: o site aceita as informações e garante o anonimato das fontes, o que é essencial para a democratização das informações. Para a postagem, a WikiLeaks recomenda expressamente o uso do Tor, visando a preservar a privacidade dos seus usuários, e garante que a informação colocada pelos colaboradores não é rastreável.

Assange explica que o site foi construído com base em vários pacotes de software, incluindo MediaWiki, Freenet, Tor e PGP. Apesar do seu nome, a WikiLeaks não é uma wiki – ou seja, leitores que não têm as permissões adequadas não podem editar o seu conteúdo.

O site, administrado por The Sunshine Press, foi lançado em dezembro de 2006 e, em meados de novembro de 2007, já continha 1,2 milhões de documentos. No site, a organização The Sunshine Press informa ter sido fundada por dissidentes chineses, jornalistas, matemáticos e tecnólogos dos Estados Unidos, Taiwan, Europa, Austrália e África do Sul. Assange, como jornalista, é o diretor do site.

O WikiLeaks só começou a ser mundialmente famoso em abril deste ano, quando divulgou um vídeo mostrando um helicóptero Apache dos Estados Unidos, no contexto da ocupação do Iraque, matando pelo menos 12 pessoas – entre as quais dois jornalistas da agência de notícias Reuters – durante um ataque a Bagdá , em 2007.

Outro documento polêmico mostrado pelo site é a cópia de um manual de instruções para tratamento de prisioneiros na prisão militar norte-americana de Guantánamo, em Cuba.

Bem, esperamos que Assange se livre logo dessas acusações ridículas e passe a fazer sexo com preservativo. Nunca custa nada ter essa precaução, especialmente porque agora está provado que a falta do uso da camisinha tem múltiplas utilidades, inclusive no mundo da política diplomática.

Faltam 3 dias para a posse de Dona Dilma, e o ainda presidente Lula só fala na sua reeleição, “ela tem todo o direito”. É estranho, não surpreendente, mas inexplicável.

Helio Fernandes

Eleita em 2010, a posse marcada para o primeiro dia de 2011, seu grande inventor, patrocinador e eleitor, não esquece de 2014, Repete e insiste, no que todos sabem, não foi inventado por ele e sim pelo antecessor, FHC. Quer dizer, comprado por ele, herdado por Lula, que como FHC, queria mais. O terceiro mandato.

Lula esteve mais perto dessa sucessão tão ansiada do que FHC. Não importa se vale ou não vale a pesquisa. A verdade é que Lula sai com 83 por cento de aprovação. Curiosa e contraditoriamente, foi essa inédita e inacreditável popularidade, que impediu Lula de tentar continuar de “forma legítima”, espremendo os votos do Congresso.

Para Dona Dilma, três dias que representam a eternidade da lentidão. Para Lula, velocidade incrível, ele mesmo deixa que isso fique bem visível, embora todo e qualquer objetivo a partir daí, seja rigorosamente invisível e até insensato. E para o povão, para os brasileiros, para toda a coletividade, o que pedir e esperar?

Lula deu entrevista coletiva, multidão de jornalistas querendo saber do Lula que está indo embora, e ele com a obsessão Dona Dilma. Lula disse algumas coisas que não tem como provar ou garantir, se referem ao futuro. Mas sobre ele mesmo, deu respostas interessantes.

Um jornalista desativado sem saber, perguntou ao presidente: “Como o senhor terá muito tempo, aproveitará para estudar?”. E Lula com simplicidade, mostrando ao jornalista o quanto ele mesmo precisa aprender, respondeu: “Em qualquer lugar ou qualquer época eu não poderia aprender o que aprendi nos 8 anos de governo”. Perfeito.

Dominando o ambiente, e vendo como eram e normalmente são primários tantos jornalistas, “botou banca”, flertou com a arrogância, afirmou serenamente: “Pensei que fosse mais difícil governar. Foi até fácil e gostoso”. Evidente que era gozação.

Demonstrou total “fé e certeza de que a Dilma fará um grande governo, cumprirá todos os compromissos assumidos com os 55 milhões que votaram nela”. Sobre isso, não há nem análise, avaliação ou comentário, tudo fica no terreno da imaginação. E do tempo.

É lógico que ela sabe que tem que FAZER e IMEDIATAMENTE, mas por onde irá começar? Os 37 ministros recolhidos, escolhidos, admitidos e a partir do dia 1º já nomeados e assumidos, serão participantes de um processo que tem que ser sempre positivo, avançado, executado sem qualquer interrupção. Ela sabe, participou de muita coisa, de quase tudo, que governar não tem nenhuma facilidade. Não é mesmo, haja o que houver. Lula estava apenas tentando confundir e impressionar alguns jornalistas.

Poucos perceberam que era o último show de Lula no Poder, ele se mostrava saudoso e pomposo, só tinha três dias no Planalto-Alvorada. Pode voltar ao Planalto, excepcionalmente, para um cafezinho, ao Alvorada não voltará nunca mais, e sabe muito bem disso.

Dessa forma, tenta confundir os fatos e as previsões. Os fatos precisam acontecer e não dependem dele. As previsões são dele, mas não se baseiam em fatos. Na entrevista coletiva insistiu tanto no “direito à reeeleição, garantido para Dona Dilma”, que fez uma parada, botou a mão na cabeça: “A Dilma só não ficará mais 4 anos, a partir de 2014, se não quiser”. Ha!Ha!Ha!

Reconheçamos: ninguém quis tanto a presidência, perseguiu tanto o Poder quanto Lula. Perdeu três vezes seguidas. Em 1998, sabia que não tinha nenhuma chance, perderia no primeiro turno. Mas teve a percepção exata; o companheiro que disputasse em 1998, perderia, mas ganharia o direito de concorrer novamente em 2002.

Assim, muitos acreditavam que Lula “estaria indo para o sacrifício”, esse sacrifício era dos concorrentes. Ganhou então na quarta e na quinta disputa, não conseguiu materializar a sexta, apesar do grande trabalho de bastidores.

Portanto, como Dona Dilma se alimenta e se sustenta, política e eleitoralmente do mesmo cardápio de Lula, se lutou tanto pela primeira presidência, por que recusaria a segunda? Lula não pode nem criaria deliberadamente, obstáculos para ela? Mas esses obstáculos existem, querendo ou não querendo.

Por exemplo: assim que assumir, haverá o prolongamento do que está havendo agora; a luta pela presidência da Câmara, cargo importantíssimo. Parecia tudo resolvido, mas “aliados e adversários”, não satisfeitos com o que receberam, tentam a intimidação, sempre baseada e impulsionada pelo subserviente PCdoB.

(Amanhã relatarei o que está acontecendo, e o esforço que Dona Dilma terá que fazer, durante todo o mês de janeiro, para garantir o esquema aprovado. Precisará dispor de mais cargos para “aplacar o exibicionismo e a ambição” de alguns).

 ***

PS – Manchete interpretada, mas errada. Texto adivinhação na Primeira: “Lula agora diz que Dilma será sua candidata daqui a quatro anos”. Não afirmou nada, confundiu tudo, fez questão de se manter em primeiro plano. “Se Dilma quiser”, é a incógnita que colocou.

PS2 – FHC não aguentou tanto silêncio em relação a ele, e o festival de noticiário envolvendo Lula e Dilma. Não resistiu, veio a público, assumiu: “Sem falsa modéstia, quem mudou o Brasil fui eu”.

 ***

AMANHÃ:

Quércia morto, continua o “Disque para a Corrupção”.
FHC vivo (?) não consegue se habituar com o ostracismo.
Entra na História como o DOADOR das riquezas.
E enriquecedor nacional e multinacional.

Battisti não será extraditado

Helio Fernandes

Talvez ainda hoje, Lula decida o futuro do italiano. É possível que deixe para o dia 31, sairá no Diário Oficial do 1º de janeiro, estará invadindo o espaço impresso e já empossado de Dona Dilma.

Sua opinião já está formada desde o “julgamento” do Supremo, que deixou para Lula o momento final. Ele não esquece que a Itália intimidou publicamente o Brasil, contratou os mais caros advogados, o embaixador da Itália estava presente a todas as sessões do Supremo.

O que Lula sempre perguntou e os italianos (de Berlusconi, que vergonha) nunca responderam: Battisti esteve 6 ou 7 anos ali perto, na França, a Itália não pediu o repatriamento dele”.

Veio para o Brasil, reivindicaram logo a sua entrega. E repulsivo, sórdido e vergonhoso para o Brasil: apresentaram relação de SANÇÕES que a Itália imporia ao Brasil.

*** 

PS – Lula não se interessa muito pelo futuro de Battisti. Mas como presidente, não pode aceitar provocação e intimidação.

Por causa da data da posse, ninguém vem ver Dona Dilma

Helio Fernandes

A Constituição Cidadã, (falsificada e confessada pelo deputado Nelson Jobim) tolamente mudou a data da posse. No dia 1º de janeiro, em plena festa da passagem do ano, quem viajará? Só virão representantes do segundo e terceiro time, qual presidente ou primeiro-ministro deixará tudo para se enfurnar num avião?

O Papa designou o último Cardeal promovido, brasileiro, já está aqui. Se o Papa se dignasse viajar, que maravilha para Dilma e Lula.

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PS – Só quem queria vir era o Chávez, com 18 meses, (os últimos) garantidos por “decretos” ditatoriais. Ele se “convidou”, foi sutilmente “desconvidado”.

Quem substituirá Luiz Dulci?

Helio Fernandes

Ele escrevia, com enorme dedicação, os discursos que Lula “lia” de improviso. Ele mesmo cansou de escrever, não quis continuar. Deixando a pergunta: Dona Dilma falará de improviso (sempre?) ou terá alguém para essa tarefa?

Não se trata nem de saber ou não saber escrever, e sim de falta de tempo. John Kennedy, que fez um belíssimo Curso de Jornalismo em Harvard, lia discursos escritos por Ted Sorense. Até o que não pronunciou, na crise de 1962, identificada como “os mísseis de Cuba”. Quem conhece e onde ficou o discurso desnecessário?

 ***

PS – Já contei aqui. Na campanha eleitoral de 1955, Augusto Frederico Schimdt, Álvaro Lins e este repórter escreviam discursos para o candidato JK. Como eu viajava sempre, (o melhor da campanha era isso) entregava a ele, que falava de improviso. Ha!Ha!Ha!

Andrea Calabi, secretário da Fazenda do governador de São Paulo. A volta de um dos economistas do Plano Real. Enriquecido não apenas de conhecimentos. Como todos os outros.

Helio Fernandes

O novo secretário da Fazenda de São Paulo, será o economista Andrea Calabi, altamente badalado nos anos do Real. E que por causa de “gargalo” que não conseguiram desempedir, levaram à reeeleição comprada por FHC.

Aproximava-se o final do mandato de FHC, apostavam tudo nesse “Plano Real”. Alguns que se consideravam L-U-M-I-N-A-R-E-S, não conseguiam “desatrelar o nó”, que eles mesmos criaram. Varavam noites, até “Eleninha calça frouxa” participava.

Em pânico que alguém soubesse do que faziam (leia-se: do que tramavam) decidiram colocar a vaidade de lado e apelar para o economista –matemático Chico Lopes. Filho do ex-ministro da Fazenda de JK, Lucas Lopes, era tido e havido como gênio.

Simples, competente, sem nenhuma ambição, até mesmo humilde, Chico Lopes foi, se reuniu com eles, mostraram o que estavam fazendo, onde pretendiam chegar e o impasse-obstáculo, que não conseguiam ultrapassar de jeito algum. Eram 8, todos da PUC, amigos e conhecidíssimos de Chico Lopes.

Antes não foi convidado para nada, nem sabia que estavam se reunindo, assim mesmo não culpou ninguém. Ouviu com atenção tudo o que tinham para mostrar, e que deliberadamente escondiam dele. Tiveram que contar como começaram, o que pretendiam, onde se “estrangularam” e se estarreceram, não conseguiam dar mais um passo. Relataram a Chico Lopes em mais ou menos três horas de narrativa.

Estavam na PUC, formavam o que eles mesmos intitularam de “Equipe de Economistas da PUC”, Andrea Calabi e André Lara Resende, encarregados de fazer a exposição para Chico Lopes, pararam, viraram para o colega que admiravam mas abandonaram, disseram: “É isso, Chico”.

Chico Lopes levantou, se colocou diante do quadro-negro enorme, “riscou” tudo na frente dos “iluminados” perplexos, mas já percebendo onde haviam abandonado o caminho e se perdido, trajeto que Chico Lopes recompunha e reconstruía.

O economista-matemático GENIAL, trabalhou 40 minutos exatos, mas os ILUMINADOS já vibravam muito e se entusiasmavam bem antes. Nada melhor para empolgar um economista iluminado do que um economista-matemático, que vinha da mais completa linha euclidiana. Sabendo e tendo a generosidade de retirar os ILUMINADOS da escuridão em que estavam.

Esses economistas ILUMINADOS, (que estavam no Poder) partindo dos ensinamentos de Chico Lopes, conseguiram estabelecer o Real como nova moeda, mas que ainda tinha grandes falhas. A principal: a supervalorização da moeda junto ao dólar. Coisa que provoca até hoje grandes complicações, discussões e taxações. (12 anos antes, com 80 centavos desse Real, era possível comprar 1 dólar, ou seja, o Real valia 20 por cento mais do que o dólar).

FHC foi “reeeleito” em outubro de 1998, tomou posse em janeiro de 1999, explodia a tremenda falha do Real, tudo foi pelos ares. Incluindo o presidente do Banco Central, o competente Gustavo Franco. Substituído por um economista que nem morava ou trabalhava no Brasil, era o principal executivo do gangster George Soros. (Só FHC seria capaz disso, qualquer outro teria sofrido o impeachment).

A confusão foi total, os ILUMINADOS enriqueceram, e não apenas de conhecimentos. Diante da crise, abandonaram a embarcação, alguns foram para a Europa, outros para os EUA, nos próximos 100 anos não terão problemas financeiros de espécie alguma.

Como era (e é) natural, começou a chamada “caça às bruxas”. (Um dos mais atingidos foi exatamente Chico Lopes. Demitido, abandonado pelos ILUMINADOS que salvou e alimentou o enriquecimento), ACUSADO (de quê?), processado, condenado a 25 anos de prisão.

Totalmente desligado de tudo o que seduziu e fascinou os ILUMINADOS, mora (?) num apartamento caindo aos pedaços no lugar mais pobre da Rua Barata Ribeiro. Não liga para nada, a Justiça pelo menos vai honrando seu nome. A condenação vai diminuindo, os próprios juízes ficam envergonhados.

*** 

PS – Depois de muito tempo, o primeiro recurso foi julgado, os 25 anos de condenação, reduzidos para 15. Mais tarde para 10, agora para 4, serviços comunitários.

PS2 – Sabe-se que no próximo recurso, o processo será arquivado, o que não serve a Chico Lopes, nem a ninguém. GOSTARIAM de julgamento para provar a INOCÊNCIA.

PS3 – Pois INOCENTE, Chico Lopes é desde que nasceu. Gênio conhecido e reconhecido, desprezou e desconsiderou todas as materializações que fascinaram os ILUMINADOS.

PS4 – A volta de Calabi deve significar a volta de muitos outros, embora alguns dos ILUMINADOS tenham medo do passado. E o que ganhariam? Não precisam de nada.

PS5 – FHC no Poder, chamou Quércia (agora morto) de ladrão, a palavra inteira. Quércia (não quero defendê-lo, isto é apenas História) respondeu: “Ladrão é intelectual que DEIXA ROUBAREM”. FHC não treplicou.

PS6 – Isso foi antes do Plano Real. Se fosse depois, Quércia poderia perguntar (como perguntei, na época, repeti, o que estou fazendo novamente): “Como é que economistas puderam sair do Brasil , CARREGANDO e DEPOSITANDO NO EXTERIOR TANTOS ZEROS?

PS7 – Como este repórter mesmo respondeu: “Só com apoio, aplauso e entusiasmo do presidente”. E nem quero lembrar o “maior amigo”, que financiou tanta coisa (foi sócio de Golbery durante a ditadura) morreu muito moço.

FHC é um recalcado sem grandeza

Vicente Limongi Netto: “O presunçoso FHC, gaguejando mais do que nunca, tropeçando nas palavras, com dificuldade para falar, disse um monte de sandices no programeco que tucanou de vez, caiu a máscara, Manhattan Conection. O gênio de palha FHC não se conforma, a exemplo de todo PSDB, com a surra que pegaram de Lula nas urnas. Não tem a grandeza de admitir que Lula fez muito em beneficio da população. Tanto que deixa a Presidência da República com 87% de apoio popular.
FHC é um oceano de mágoas. Mas não perde a pose de sábio de meia pataca. O enfadonho FHC também é mesquinho com o ex-presidente Collor. Não tem aquilo roxo para admitir que foi Collor quem abriu o mercado brasileiro à economia internacional. FHC e outros indecorosos não têm a decência de proclamar que todos os presidentes que sucederam Collor, seguiram o projeto econõmico traçado pelo atual senador do PTB. Não dizem, por má-fé e burrice, que leis do governo Collor estão em vigor, trazendo benefícios para o cidadão. Enfim, cada um dar o que tem. FHC é podre.”

Comentário de Helio Fernandes:
Você acertou na palavra, Limongi, recalcado. Podia ser ressentido, deprimido, angustiado com o silêncio em volta e diante dele. Então tem que exaltar o próprio governo, já que o povão está exaltado, mas contra ele. “Aqui jas a Comissão de Desestatização”. Onde ficaria bem colocado?

 

Sibilino ou grosso, tanto faz

Carlos Chagas
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No limiar de seu afastamento do poder, o presidente Lula vem acertando algumas contas, em especial na política externa. A dúvida é saber se age assim porque Dilma Rousseff poderá imprimir rumos diferentes e se o primeiro-companheiro, assim, deseja ver gravadas suas concepções, para futuras comparações.
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Tome-se nosso relacionamento com os Estados Unidos. Depois de oito anos de  sucessivos desencontros, o Lula lamenta como palavra final a crítica de que os americanos  não mudaram sua  postura diante  da América do Sul, mesmo com Barack Obama: falta-lhes visão objetiva porque mantém uma visão de Império também  com relação aos países pobres.
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As observações do presidente foram feitas durante sua despedida dos repórteres  credenciados no palácio do Planalto. Disse que esperava de Obama  mudanças objetivas, mas elas não aconteceram.  Esquecem-se, os Estados Unidos, de que 35 milhões de  latino-americanos vivem em seu território. Culpou o que chama de terceirização do governo de Washington, cheio de subsecretários para cada setor. Também aproveitou para bater no Conselho de Segurança das Nações Unidas, por conta das tentativas do Brasil de  trazer o Irã para a comunidade internacional: “não admitiram que países do Terceiro Mundo conseguissem o que eles não conseguiram, mas estávamos certos ao procurar aquele país.”
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De forma cáustica, o Lula falou de inveja e de ciumeira por parte dos Estados Unidos e da União Européia, mas não admitimos a subserviência, temos soberania. Não precisamos pedir licença a eles para acordar, espirrar ou  tossir.
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Terá sido  essa a reflexão mais contundente do presidente,  desde que assumiu, em termos de política externa.  Havia efervescência na embaixada americana, em Brasília, depois de divulgados os comentários referidos,   menos pelo seu conteúdo, mais porque os gringos ignoram a linha a ser adotada por Dilma Rousseff, que não poderá afastar-se muito do que disse seu  mentor e já quase antecessor. Pelo menos num primeiro tempo.�
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Fica difícil imaginar  a grande imprensa e o empresariado  concordando com os termos expostos pelo Lula, mas, como sempre, ele falou para o sentimento nacional, para a maioria das opinião pública e para a voz rouca das ruas. Ontem, já recebeu as primeiras farpas e até alguns petardos daqueles que se imaginam formadores de opinião, mas não seria precisamente esse o resultado pretendido por ele? A primeira viagem ao exterior programada por Dilma Rousseff seria aos Estados Unidos,  ainda que agora, garantia não exista mais.  Sibilino ou grosso, tanto faz, o Lula alcançou seu objetivo.

FICAM 

 Tudo indica que os  comandantes em chefe das três forças armadas continuarão em suas funções, recomendados que foram pelo ministro Nelson Jobim à presidente Dilma Rousseff. O titular da Defesa conta com o apoio de generais, almirantes e brigadeiros, considerado, de longe, o melhor que já exerceu a função, desde que criada. Como a recíproca é verdadeira, reina a paz no setor militar. Serão prestadas as continências  devidas àquela que a partir de janeiro será a comandante em chefe das forças armadas.

Escorregões não serão tolerados, nem da parte deles nem dos provenientes do PMDB, PP, PSB, PDT e penduricalhos. A postura da nova presidente não será tolerante como a do presidente Lula, diante dos companheiros e dos não-companheiros.

BARBA PROVISÓRIA

No Rio, para as festas de Natal, o ex-governador e senador eleito,  Aécio Neves, foi flagrado de barba crescida, que nunca usou. Espera-se venha a  cumprimentar  a navalha antes de fevereiro, quando toma posse. Se dependesse do avô, nem teria experimentado provar o novo figurino. Aguarda-se seu desembarque em Brasília, ainda em janeiro, para a comprovação. Quem se divertiu com as fotografias foi  o presidente Lula, que a um auxiliar comentou: “eu não disse que ele chegava?”

UM CERTO TEMOR

Registra-se no PT um certo temor, menos porque o partido não deixará de ser aquinhoado com muitas nomeações para o segundo escalão do governo, mais porque a relação entre Dilma e os ministros do partido parece que serão protocolares. À exceção, é claro, dos ministros de sua cota, do chefe da Casa Civil ao Secretário Geral, ao da Justiça e à do Planejamento. É bom que os demais tomem cuidado.

 

Eduardo Paes vai demolir o Elevado antes de fazer o Túnel?

Pedro do Coutto

Na edição de O Globo de 27, meu amigo Ancelmo Gois noticiou que o presidente Lula decidiu – muito mal – conceder um financiamento de 3 bilhões de reais ao prefeito Eduardo Paes, através da Caixa Econômica Federal, para demolir o viaduto da Avenida Rodrigues Alves. Como a população carioca vai pagar o empréstimo? Com aumento de impostos e taxas?

A destruição não faz sentido. Projeto do governo Carlos Lacerda, de 62, demorou dezessete anos para ser inaugurado, em 79, pelo governador Chagas Freitas. A obra foi – e é – de importância enorme para o Rio. Derrubando-a, o prefeito não só coloca em risco as redes de água e energia elétrica da área, mas também corta a principal via de acesso à ponte Rio-Niteroi, envolvendo carros de passeio, ônibus e caminhões de carga. Absurdo completo, um delírio ao ritmo de 25% do orçamento para a cidade este ano.

O desatino  não termina aí. No lugar do elevado, um túnel. Qual o custo desse túnel? Não se sabe. Vai piorar tudo. Além disso, o que será feito primeiro? A passagem subterrânea ou a destruição da linha do alto? O presidente Lula deveria avaliar melhor a questão. Na maquete, toda obra é perfeita. Na realidade, o panorama é outro. A esperança, agora, é que a presidente Dilma Roussef não dê sequência a uma devastação urbana do centro do Rio.

Repórter do Correio da Manhã, jornal que mergulhou no passado, acompanhei os lances iniciais do projeto e da construção. O projeto partiu da Secretaria de Planejamento de Lacerda, elaborado a seis mãos: Hélio Beltrão, Rafael de Almeida Magalhães, Eurico Siqueira. Mas mesmo com o apoio do Banco Interamericano de Desenvolvimento, por influência do presidente John Kennedy, cujo projeto, através do embaixador Lincoln Gordon, era fortalecer o governador que fazia cerrada oposição ao presidente João Goulart, o governo da Guanabara dependia de Brasília, portanto de Jango, para efetivar o investimento, já que havia áreas federais a serem percorridos, uma delas, próximo à Praça Mauá, sobre depósitos de armamentos da Marinha.

A situação de Carlos Lacerda não era confortável, pois em 1952 seu candidato a vice estadual, Lopo Coelho, enfrentava o candidato do PTB, apoiado pelo ex-presidente Juscelino e por Leonel Brizola, Eloi Dutra, que saiu vencedor.

Mas Lacerda levou o projeto ao ministro dos Transportes, Virgílio Távora, da UDN. Esperava receber um não. Mas recebeu um sim. Na ocasião, lembro como se fosse hoje, Virgílio, ao assinar o convênio, destacou o espírito público de Goulart aprovando o projeto de seu maior inimigo político. Carlos Lacerda agradeceu a Virgílio e Jango (poucos conhecem o episódio), acentuando que era um homem que não agradecia com facilidade, mas no momento sentia-se emocionado com a decisão federal.

As obras foram iniciadas e se arrastaram durante os dezessete anos a que me referi. No dia em que Chagas Freitas inaugurou o elevado, eu era diretor da antiga LBA, e, retornando do programa O Povo na TV, de Wilton Franco, no SBT, fui um dos primeiros a encontrar espaço livre para cobrir o trajeto de São Cristóvão à Avenida General Justo. Me lembrei então dos discursos de Virgílio Távora e Carlos Lacerda e verifiquei como demoram a ser realizadas as obras públicas no país.

Ela agora completou 31 anos de serviços fundamentais. Mas o prefeito Eduardo Paes, tomado pela obsessão de revitalizar áreas públicas no Caias do  Porto, prepara-se para desferir o golpe fatal, explodindo o elevado. Talvez junto com ele – se conseguir fazê-lo – estará detonando seu próprio conceito de administrador. Mas aí será tarde demais para o Rio.

Serginho cabralzinho, deprimido, desgastado, destituído, desmontado, desesperado, quase demitido, fugiu do Complexo do Alemão. Não foi à missa do Arcebispo, à ceia, ao cinema.

Helio Fernandes

A falta de representatividade pela inexistência de partidos, pela compra e venda de legendas, pelo domínio das cúpulas, pela não competitividade dos militantes, traz como consequência o que coloquei no título destas notas.

O governador Sergio Cabral, reeeleito, está no mais visível e completo ostracismo. Deserdado politicamente pela própria arrogância, não indicou nenhum ministro. Repudiado pelo PMDB (aparentemente seu partido), se autocondenou, se exilou no belo Palácio Laranjeiras, passa recibo na própria falta de prestígio.

Tentou capitalizar a coletivização do Complexo do Alemão, foi desmentido pelo fatos que não podem ser alterados. De Cabral é a tentativa, em 2007, de “pacificar” o Alemão, “a ferro e fogo”, com fuzis de alta potência dos dois lados.

Apesar dos equívocos e desacertos da ocupação, os resultados ainda são positivos. Pelo menos o afastamento do governador de toda e qualquer participação, é favorável, ou melhor, altamente favorável. Não prenderam ninguém de importância, mas o que se festeja intensamente, é a derrota do governador. E dizer que ainda temos que aguentar “4 anos disso”.

O governador vai à posse de Dona Dilma, de Brasília não escondem, “que felicidade se o governador do Estado do Rio não pudesse comparecer”. Mas vai, sobre isso nenhuma dúvida. Aqui mesmo no “seu reduto”, não comparece a fatos importantes. Mas na posse da nova presidente, estará presente. O Estado do Rio nunca foi tão humilhado e “desrepresentado”.

O Arcebispo do Rio de Janeiro, Dom Tempestá, rezou missa de Natal, pedindo a Deus que consolide a coexistência de todos no Alemão, Cruzeiro e as outras favelas, quase mil, abandonadas e ainda dominadas pelos traficantes.

Ao lado do Arcebispo civil, o Arcebispo militar, general Adriano Pereira (comandante do antigo e poderoso I Exército, hoje Comando Militar do Leste). A outra autoridade (?), o governador do Estado, não compareceu, fez como os “ex-donos” do morro, fugiu acintosamente.

Também não foi à ceia, nem tomou conhecimento da inauguração festejadíssima, do primeiro cinema no morro. Ninguém desprestigia e desprestigiou tanto o governo quanto ele mesmo. Sabia que ninguém tomaria conhecimento da sua presença, a ausência nem foi notada.

 ***

PS – Por que o governador, que já disse, “é a minha última eleição e o último cargo”, por que não presta um serviço a ele e à população, renunciando agora, antes do início do segundo mandato?

O futuro de José Dirceu

Helio Fernandes

É o que mais se discute no PT e até mesmo em áreas do governo. É inevitável a comparação entre ele e Palocci. Dizem: “O ex-chefe da Casa Civil é infinitamente mais competente do que o de Dona Dilma”.

E sobre acusações de escândalos, unanimidade: “Palocci é muito mais comprometido do que Dirceu”. (Essa é também a opinião do repórter, embora sem a menor importância.

A Amil está comprando tudo. Plano de Saúde, é uma das empresas mais rendosas, não só do Brasil, mas do mundo. Lembrem do filme-libelo de Michael Moore.

Helio Fernandes

Noutro dia, dei uma nota (pequena) sobre a Amil, que inesperadamente se transformou em potência. Como todos os outros planos, que geralmente não servem aos associados, mas enriquecem as empresas, a Amil está botando dinheiro pelo ladrão. (Ditado antigo, mas muito popular no Brasil).

Minha nota (exclusiva) era sobre a compra do Edifício Guilherme Romano, num ponto valorizadíssimo, Rua Voluntários da Pátria. Meu informante falou que estava tudo “fechado”, menos o preço.

Meu informante, corretíssimo, ressalvou: “Helio, começaram a conversar na base de 150 milhões de reais, estão quase acertados em 62 milhões. É um preço baixo para o negócio e o local”. Saí procurando, desvendei com outras fontes, sem abandonar as primeiras. È o seguinte.

Romano era competente, mas falastrão. Foi Secretário de Saúde controvertido, construiu o prédio, era amigo de gente importante, muita gente mesmo. Golbery, quando vinha ao Rio, se hospedava no apartamento de Romano, Vieira Souto, esquina de Vinicius de Moraes. Também foi muito amigo de Lacerda, que morreu quando Romano estava no exterior. Quando voltou, foi o primeiro a denunciar: “O ex-governador foi assassinado, não tinha nada quando foi para o hospital”.

Como esse apartamento (há 10 anos sem pagar IPTU), está incluído na transação, os 62 milhões ficam realmente bem abaixo do preço do mercado. O que acontece e serviria para acelerar o negócio. 1 – A família está mergulhada em dívidas. 2 – A viúva não queria vender apressadamente, mas os quatro filhos não aguentam mais. 3 – A Amil fez a proposta definitiva: 62 milhões pagos à vista, assumiria o ativo e o passivo.

4 – Aparentemente todos aceitaram, a divisão seria a seguinte, de acordo com o testamento. A viúva receberia 31 milhões (a metade), cada filho, 7 milhões e 750 mil reais, o que completaria os outros 31 milhões. (Isso é mais do que INFORME, é INFORMAÇÃO mesmo).

Ainda continuando na área financeira e surpreendentemente da Amil: comprou o Hospital Samaritano, o mais “socialaite” do Rio. Preço que me informaram: 180 milhões, também consideraram “desarrazoado”.

Outro plano em ascensão astronômica: Unimed. Ninguém conhecia nem sabia o que representava, começou a patrocinar o Fluminense, aparecendo na camisa do tradicional e aristocrático clube. Seu presidente (é um plano de propriedade só de médicos), agora na sucessão presidencial do Fluminense, confessou: “Obtivemos mais de 800 mil clientes, desde que passamos a ser exibidos na camisa do clube”.

Hoje, patrocinam dezenas e dezenas de clubes, dos mais variados lugares. E pagam os salários e os direitos de imagem de grandes jogadores, todos na base de 700 mil mensais, não incluídos aí os direitos de imagem.

700 mil por mês é completamente fora dos padrões, mas se não fosse o pagamento feito diretamente pela Unimed (que não atrasa), Muricy, Fred, Conca nem outros, estariam no Fluminense, que DEVE 350 MILHÕES.

 ***

PS – Michael Moore, que tem denunciado grandes escândalos nos EUA, fez um filme maravilhoso sobre os  Planos de Saúde. Denunciou tudo. A corrupção dos serviços de fiscalização, a ligação ESPÚRIA, que palavra, mas é essa mesmo, dos médicos e hospitais com os Planos.

PS2 – Estabeleceu os ROMBOS, os ROUBOS, os CRIMES, a ASSOCIAÇÃO e o DOMÍNIO dos Planos sobre os contribuintes, denúncias altamente documentadas, que relacionou de A a Z.

PS3 – Conclusão do documentário que deveria levar muita gente à cadeia, quem ia sendo preso era o denunciante: os EUA têm 300 milhões de habitantes, 150 milhões não têm Plano. Os outros 150 milhões têm Plano, mas não conhecem os limites ou a extensão dos seus direitos.

PS4 – No Brasil é ainda pior. Os que pagam só são atendidos de acordo com as normas e a boa vontade da direção do Plano.

PS5 – A situação execrável e incontornável, quando os Planos eram dominados por bancos e seguradora. Não acreditava que ficasse mais execrável e incontornável com grupos, digamos, particulares. Ficou.

Conversa com leitores-comentaristas, sobre Lindolfo Collor (avô de Fernando Collor), Vargas e Jango

Antonio Santos Aquino: “Helio, estimulados por você, teus leitores sempre liam a recomendação: podem divergir, podem concordar ou discordar. No momento não divirjo, apenas relembro. Lindolfo Collor, gaúcho, descendente de alemães, nascido Lindolfo Boeckel. Ficando viúva dona Leopoldina, sua mãe, casou com João Collor, alemão de quem Lindolfo manteve o sobrenome. Lindolfo Collor é avô de Fernando Collor. Formado em Farmácia em 1909, torna-se jornalista com grande atuação em diversos jornais. Forma-se também em Estudos Sociais, Jurídicos e Econômicos no Rio de Janeiro em 1916.
Como jornalista trabalhou e colaborou nos seguintes jornais: Estandarte Cristão, O Paiz, O Dever, Jornal do Commercio, O Meu Sábado, Jornal do Brasil, A Tribuna (jornal de Luis Bartolomeu de Sousa e Silva), ocupa o cargo de diretor de A Tribuna, vespertino do Rio de Janeiro em 1918, diretor da A Federação, jornal oficial do partido PRR(RS), ocupa o cargo de redator-chefe de O Paiz no Rio de Janeiro( 1926/28), dirige o jornal A Pátria (RJ-1929).
Foi deputado, preso e asilado duas vezes. Fundou em 1936 no Rio Grande do Sul o Partido Republicano Castilista, de efêmera duração. Em 1930 foi nomeado Ministro do Trabalho, elaborando, com a orientação de Getúlio e o apoio de Joaquim Pimenta,Evaristo de Moraes, Agripino Nazaré, Carlos Cavaco, Heitor Moniz, Horácio Cartier e o diplomata Heitor Nascimento e Silva, as Leis Trabalhistas. Ficou um ano e oito meses no governo revolucionário de 1930”.

Comentário de Helio Fernandes:
Desde os tempos da Tribuna impressa, você sabia que podia e devia (muitas vezes) divergir de mim. Só que agora, você não divergiu, apenas completou o que escrevi. E de forma definitiva. Dados e detalhes imprescindíveis para conhecer o ministro do Trabalho que implantou o salário mínimo em 1932, Obrigado.

JANGO E O SALÁRIO MÍNIMO

Antonio Aurélio: “Helio, só para esclarecer, coisa que você faz sempre e agradeço. Esses 100 por cento de aumento em 1952, que levou à derrubada de João Goulart do Ministério do Trabalho, foi iniciativa dele, sem conhecimento do presidente Vargas?”

Comentário de Helio Fernandes:
Pergunta interessantíssima, resposta dificílima. Normalmente, o presidente deve saber de tudo, concordar, autorizar. Mas depois de 15 anos de governar sem consultar ninguém, por força do sistema ditatorial, Vargas não consultava por desconhecimento e desinteresse.

No caso do aumento de 100 por cento, até concordaria. Na demissão projetada pelo próprio Ministro, Vargas estava inteiramente desinformado, não sabia o que era melhor ou pior.

                                                             ***
PS – Depois disso, ficou apenas mais 1 ano e meio, no Poder e na vida. Foi a saída GENIAL.

O último show de Roberto Carlos não precisava ser exibido, a Globo é insaciável

Helio Fernandes

A Organização promoveu intensamente a festa de Natal com entrada franca, e a grande atração de todo fim de ano. Falavam, insistiam, repetiam, “estarão presentes, no mínimo, um milhão de pessoas na Praia de Copacabana”.

A Polícia Militar, que sempre acerta nos cálculos (a passeata dos 100 mil, depois do golpe de 64, 1 milhão na Candelária no comício das “Diretas Já”, até mesmo quando revelou que 150 mil pessoas estavam presentes no Estádio do Vasco, no comício de Prestes quando saiu da prisão, em 1945) no show do Rei afirmou, “pouco mais de 400 mil pessoas estava na Praia de Copacabana).

 ***

PS – Roberto Carlos não merecia isso. Mas o de agora, será mesmo o último, uma pena que tenha sido tão medíocre. Pela repetição cansativa e pela falta de personalidades artísticas.

PS2 – Todos os anos, os mais famosos queriam estar, e estavam mesmo ao lado dele. Agora, só o terceiro time, e ainda assim, muito poucos.

Basquete feminino: demissão, SIM. Nomeação de quem fracassou, NÃO.

Helio Fernandes

Quando o Brasil fez um “papelão” no campeonato internacional, defendi a desistência do espanhol Colinas. Demoraram, acabaram mandando-o embora. Mas contrataram Enio Vecchi, que em 1994 foi fiasco com a seleção masculina (o Brasil ficou entre os 15 piores, no Canadá) e agora comandará a feminina.

Deviam contratar para Supervisor de todo o basquete nacional, Vlamir Marques. Bicampeão mundial, o maior comentarista da televisão, conhece tudo sobre o assunto. Escolheria o técnico, posso citar alguns jovens treinadores, muito melhores do que esse “cincoentão”.