Todas as vitórias

Pedro do Coutto

Quando Daniel Alves executou a cobrança perfeita da falta e a bola, de curva, roçou na trave esquerda e entrou no gol da África do Sul, faltavam cinco minutos para o final da partida. Lembrei de meu amigo Nelson Rodrigues: todas as vitórias são santas. Ele costumava dizer. O vencedor, digo eu, deve agradecer a Deus, receber o êxito com serenidade, e seguir em frente pelo destino afora. Outras etapas vêm sempre na estrada da vida.

A Seleção Brasileira não atuou como poderia ter jogado, tem muito mais futebol, magia e arte do que demonstrou na quinta-feira. Os africanos superaram a si mesmos, magnificamente treinados por Joel Santana. A equipe de Dunga revelou-se lenta nos contra ataques e na saída de bola. A equipe de Dunga revelou-se lenta nos contra ataques e na saída de bola, facilitando a marcação móvel do adversário. Além disso, prendeu demais a bola na frente, proliferando as tentativas individuais de Kaká e Robinho. Quanto mais o ataque prende a bola, melhor para a defesa do outro time. Há mais tempo para marcar, maior redução de espaço para os atacantes. A marcação de mobilidade da África do Sul foi brilhante. A tática de tentar surpreender através de contra-ataques também. Era a única possibilidade que Santana tinha de vencer o Brasil. Os africanos fecharam atrás e partiram pata lances isolados de ataque. Em matéria de aplicação tática, foram perfeitos. Fizeram o melhor que puderam.

Nós ficamos aquém do que podemos. Mas ganhamos. Necessitamos de um lance isolado para encontrar o caminho das redes. O que importa, acima de tudo, é termos chegado à vitória. Estamos na final. Mais uma na longa e gloriosa história do futebol brasileiro. O jogo de domingo à tarde é muitíssimo mais para nós. A seleção americana, em condições normais, não assusta. Na primeira fase, perdeu para nós por três a zero numa partida fácil. Porém decisão é decisão. O clima é outro. A atmosfera também.

Mas devemos seguir confiantes na vitória, sem, é claro, assumir o já ganhou que conduziu à tragédia de 16 de julho de 50. Na véspera, um  sábado, ao anoitecer, havia carnaval nas ruas do centro do Rio. Vinte e quatro horas depois a tristeza na penumbra da derrota por dois a um. Mas esse episódio pertence ao passado. Vamos firme para a decisão da Copa das Confederações, preliminar na Taça do Mundo de 2010. Vamos firmes e confiantes, mas sem máscara, sem salto alto, sem menosprezar o adversário.

Os EUA, taticamente, realizaram uma partida primorosa contra a Espanha, compreendendo bem o estilo ofensivo – e pouco defensivo – do adversário. A seleção espanhola tradicionalmente ataca bem, movimenta-se ainda melhor no gramado, porém defende-se mal. Os quatro zagueiros, até hoje, apesar da evolução do futebol, atuam em linha única. Isso favorece extraordinariamente os lançamentos para penetração em velocidade, transformando um atacante em peça de levar de vencida quatro homens da defesa. O meio campo também não volta para proteger a retaguarda. O futebol espanhol, futebol-arte, tem fibra mas simboliza o passado.

Sobretudo porque, no passado, as equipes jogavam com 11 homens. Hoje, jogam com 13. Surpresa? Nem tanto. Antigamente os dois laterais só defendiam. Hoje atacam também. Tornaram-se mais dois extremas em campo. O time americano absorveu bem as atuais práticas defensivas. Volta bem para defender sua área. Porém –podem perceber- deixa vários espaços entre suas linhas. Campo aberto para a Seleção de Ouro, pentacampeã do Mundo. Por isso, acredito firmemente que venceremos mais essa e traremos mais uma conquista para o Brasil. Vamos entretanto sem o já ganhou. Porque futebol se vence no gramado. E a partida só termina com o apito do juiz.

A quarta vacancia da Presidencia do Senado

Segunda – feira, eu revelava, “José Sarney recebeu a comunicação: tem 3 possibilidades. 1- licença, que pode ser sem volta. 2- renuncia. 3- demissão pelo voto”.

Ficou horrorizado, telefonou para o presidente Lula que fez a sua primeira defesa.

Inutil, inocua, ingenua. Lula acha que pode tudo. Quando se trata dele, talvez possa mesmo. Só que em relação a Sarney , as coisas se complicaram. É pouco avô para muito neto comprometido.

Sarney, que não era arrogante, nem na ditadura nem na Presidencia por acaso, ficou. E se complicou. Se não aceitar a LICENÇA, não tomar a iniciativa da RENUNCIA, será fulminado pela DEMISSÃO.

Vai entrar na historia, diferente de ACM, Jader ou Renan. Só que nenhum destes foi presidente da Republica ou teve 5 mandatos no Senado.

A Bovespa sem méritos, sem volume e sem utilidade

Às 13:00 hs, eu dava as cotações , depois de conversar com muitos corretores. E diante do volume de um bilhão e 400 milhões, analisava: ” Hoje mais um dia longe dos 5 bilhões negociados “‘. Fechou em 3 bilhões e 800 milhões.

As cotações também praticamente não saíram do lugar. A Bovespa fechou estabilissima, em 51 mil 485. O dolar em 1,93 , menos 0, 34% .

Sexta – feira perdida.

Genial e consagradora

De todos que falaram sobre Michael Jackson, o mais lucido, o mais definitvo e insuperavel, foi Paul McCartney: “As futuras gerações, os que ainda não nasceram, vão cantar e idolatrar Michael Jackson”. Além do mais, quem tem a credencial do beatle?

Manchetes sem inspiração ou criatividade

Da Folha, quadradissima: “Michael Jackson morre aos 50”. Puxa, 16 horas e “informaram” o que o mundo inteiro já sabia, palavra por palavra?

O Globo: “O pop perde seu rei”. Só isso? Nossa Senhora, dá pra fazer pelo menos 20 manchetes, informando mesmo, lamentando e até opinando. Nem parece que morreu um idolo negro que conquistou os brancos. E que sem distinção ou preconceito, choram por ele.

Wimbledon: o morango amargo e sem creme

O francês Tsonga, numero 9 do ranking, foi eliminado pelo croata Karlovic, numero 22. Três tiebreaks, 84 games, 4 sets, quase 3 horas de jogo.

Resumindo: monotono, chatissimo e nenhuma sensação. Motivo: o croata tem 2 metros e sete de altura, aproveita para sacar de cima para baixo. Como Tsonga também saca bem, não houve troca de bola. O francês, desconsolado, desajeitado, desanimado e até envergonhado de só trocar de lado, sem jogar.

Os especuladores “choram” a morte de Jackson e a queda “assustadora” do volume

Jogadores também gostam de musica pop. Hoje, até às 13 horas, “operaram” de luto. A Bovespa girou pouco. Abriu em mais 0,20%, foram para o almoço, 3 horas depois, em 0,40%. 51 mil e 600, nos dois casos.

De 10 da manhã a 1 da tarde, o volume chegou apenas a 1 bilhão e 400 milhões. Pela projeção, novamente não chega a 5 bilhões, longe disso.

O dolar começou em 1,93 (alto), menos 0,70%. Passou para 1,94 (também alto), mais 0,20%. Nada que seja significativo.

Joel Santana garantiu o passaporte, não sai da Africa do Sul

Falavam muito que o treinador brasileiro não resistiria se perdesse a Copa das Confederações.  O treinador Bora Milutinovic, que já comandou equipes em 5 Copas, “queria” o cargo de Joel.

Como o salario de Joel é de 200 mil mensais, Bora se ofereceu por 50 mil. Mas o desempenho da Africa do Sul agradou a todos.

E o definitivo: depois do jogo, Mandela chamou Joel, abraçou-o, eliminou qualquer possibilidade dele ser dispensado. Joel estava orgulhoso e feliz. (Exclusiva)

Não haverá fratricidio eleitoral no Paraná

Em 2006, assim que Requião derrotou Osmar Dias por 10 mil votos, escrevi na Tribuna impressa e ainda não assassinada: Como Requião já está reeeleito, para 2010, sobram os dois irmãos senadores, Alvaro e Osmar”.

Informei mais: Osmar tem mandato até 2010, Alvaro até 2014, a vez deve ser do Osmar, dos três o unico que ainda não foi governador. Requião voltará ao Senado, o PMDB não irá indica-lo para vice-presidente da Republica. E como Osmar é do PDT, é possivel que seu vice seja outro Osmar, do PMDB. (Exclusiva)

Brasil 10 a zero nos EUA

Não escondo que torci pela Africa do Sul de maioria negra, pelo profissional Joel Santana, pelo idolo Mandela. Escrevi isso antes do jogo. Prevaleceu a injustiça. O Brasil já ganhou dos americanos por 3 a 0. Agora espero, no minimo, no minimo, esse resultado multiplicado por três.

Michael Jackson morreu na hora certa, mas de quê?

Todas as grandes personalidades deveriam morrer aos 50 anos. Foi o que aconteceu com o mais famoso cantor de musica pop. Morreu ás 2:40 da tarde (no Brasil), só se soube a partir de 5 horas, 3 horas depois.

O noticiario invadiu a madrugada inteira (de quinta para hoje, sexta) e não parou. Foi capa (Primeira) de todos os jornais do mundo.

Imaginem jackson morrendo aos 80 90 anos, chamado de “idoso”, de forma depreciativa como gostam e costumam usar a palavra?

Lembrariam logo de alguns aspectos menos positivos de sua vida e não de sua carreira. Ele não teve interferencia nem escolha. Mas aos 50 anos, conquistou a eternidade.

Quanto às causas da morte, não foram reveladas. mas ninguém morre aos 50 anos do coração, sem um historico. As mais provaveis dessa morte subita, três. 1) Doença cardiaca congenita, nao revelada, e até não conhecida pelo proprio cantor.

2) Doença cardiaca adquirida, também não do conhecimento de Michael Jackson, ou até deliberadamente escondida, o que não seria surpreendente, em se tratando de uma celebridade como ele. Chegam a dizer, sem a menor confirmação, que ia muito a consultorios medicos.

3) Estresse, provocando arritmia coronaria. Durante o longo processo que terminou com o julgamento e a absolvição no caso do suposto abuso do menor, seu coração não deu o menor sinal de fraqueza ou fragilidade. Agora, esse estresse provocado por uma emoção positiva, ou seja, o anuncio oficial de que faria 50 shows, o que não acontecia há anos.

De qualquer maneira, morreu por falta de respiração. A resistencia humana acaba com 3 minutos, ele ficou 7 ou 8 sem respirar, já chegou no hospital com morte cerebral.

Hipotese, mas indiscutivel: se perdesse a respiração estando num hospital, não teria morrido.

Obama não pode estimular fumantes

Na campanha eleitoral, o agora presidente garantiu: “Fumei durante muito tempo, consegui dominar o vício”. Excelente.

Presidente, Obama vem a publico de forma contraditoria e condenavel: “Fumo um cigarrinho de vez em quando, mas não em publico, nem perto das minhas filhas ou em casa”.

Então onde fuma? E o fato de ter dito que VENCEU 90 por cento mas ainda MANTÉM 10 por cento do VICIO é um estimulo aos que não se livram do crime das “FUMAGEIRAS”. (Exclusiva)

A Petrobras ENRIQUECEU de Geisel a UEKI, Renó e Galvão, e centenas de malandros. Mas não ENRIQUECEU o Brasil que precisava

Fiscalização na maior empresa brasileira e em todas as outras é obrigatória. Imaginem fazer uma CPI para cada uma delas?

Acertaram frontalmente quando colocaram Wilson Santarosa como dos primeiros a serem investigados. Ele é absoluto, domina a Petrobras, pelo menos há 10 anos. Está há mais tempo do que isso na Petrobras, mas INCONTROLAVEL só há 10 anos. (Aliás, basta ler o que escrevi sobre ele, na Tribuna impressa, para verificar seu espantoso dominio sobre a empresa e o controle, a respeito dos amestrados).

Mas investigado não deve ser apenas o “dono” da Comunicação. Ele dominava e domina tudo, não é inteligente mas é esperto. E então, não dividia o Poder, mas fingia não ver o que faziam nas subsidiarias, que são tão poderosas (ou mais, em materia financeira ou de movimentação de somas fabulosas) quanto a empresa-mãe.

Não podem deixar de chamar para depor (em CPI ou simples fiscalização) TODOS, mas todos mesmo, que passaram pela Petrobras qualquer que seja o cargo.

O primeiro a ser CHAMADO (algemado?) deve ser o senhor Shigeaki Ueki. Foi presidente da Petrobras e Ministro das Minas e Energia durante a ditadura, nomeado e patrocinado por quem? Ninguém menos do que o general Ernesto Geisel, “presidente” por um periodo, atrabiliario, autoritario, majoritario SEM VOTOS.

Shigeaki Ueki ocupou os dois cargos (logico, um depois do outro), mas numa epoca em que a petrobras era expectativa e não realidade. Não produziamos, importavamos entre 10 e 12 BILHÕES DE DOLARES anualmente. Falavam em comissão de 10 por cento, mas basta colocar 3 por cento, e fiquem assombrados. (É claro que a divisão é grande, lá para fora e aqui dentro, mas o total era altamente DIVISIVEL).

Não por acaso, Shigeaki Ueki e os filhos (que também devem ser convocados ou CONDUZIDOS) têm no Texas, mais POÇOS DE PETROLEO do que a familia Bush, e do que outros proprietarios.

E também não é preciso recorrer AO ACASO, para compreender este fato: quando abriram o testamento de Geisel (os carrascos também morrem, titulo de um filme famoso), encontraram, em dinheiro, 20 milhões de dolares. O general Silvio Frota, ditador, mas honestissimo, comentou com muitos generais: “Eu não disse, eu não disse?”. Só que no livro de MEMORIAS, Frota chama Geisel de COMUNISTA, o que compromete o livro, que é importante.

Mas não basta Ueki, Santarosa (este em escala infinitamente menor), todos os que passaram pela Petrobras e suas DIRETORIAS SUBSIDIARIAS. Não esquecendo Renó e Galvão, que trabalharam em dupla, corretissimos um com o outro, na propria Petrobras e na BR. Tão ligados, que deixando a mina de ouro, fundaram uma empresa, juntos, que vai maravilhosamente.

Não esquecer de investigar A FUNDO, A NEGOCIAÇÃO com a Repsol, onde todos os grandes da Petrobras estão acintosa e satisfatoriamente envolvidos.

PS- Mas a Petrobras não se esgota no nome da empresa principal, é indispensavel DEVASSAR quem passou (ou quem está) pela BR, Transpetro, Financeira, tem qualquer ligação.

PS2- Para ficar mais facil: montem uma fiscalização naquele enorme predio da Avenida Chile. E quem tiver direito a ELEVADOR PRIVATIVO, não escapa: quebra de sigilo bancario, telefonico, “convite” para depoimento.

Consultoria para intermediar empréstimos? Essa não

Pedro do Coutto

Dificilmente alguém na esfera econômica vai se deparar com uma situação mais absurda da que existir uma empresa –Sacris Consultoria- cuja atividade volta-se para intermediar empréstimos consignados em folha entre servidores do Senado e diversas bancos, entre eles a Caixa Econômica Federal, segunda agência financeira do país, e o HSBC, estabelecimento de primeira linha, inclusive patrocinador do Jornal Nacional da Rede Globo. Quase impossível acreditar, mas é verdade.

Agravando o panorama, já envolto por uma sequência de escândalos, a Sacris Consultoria tem como um dos sócios José Adriano Cordeiro Sarney, neto do presidente do Senado, e ex presidente da República José Sarney. Ele mesmo. A matéria, objeto de excelente reportagem de Rodrigo Rangel e Rosa Costa. O Estado de São Paulo de ontem, 25/06, focaliza os porões de crédito consignado, cujas articulações eram feitas diretamente pelo ex diretor adjunto da Câmara Alta, João Carlos Zeghbi, evidentemente em sintonia com o ex diretor geral, Agaciel Maia. Incrível, absolutamente incrível.

Espanta, sobretudo, a presença do HSBC e da CEF na engrenagem, ao lado de bancos menores como o Fibra, Daycoval, Finasa e Paraná Banco. A que ponto chegam as coisas. A que ponto chega a volúpia do lucro fácil e escancarado. Desde quando, estabelecimentos de crédito necessitam de intermediação para liberar créditos pessoais? Desde nunca. Basta ver que o volume de empréstimos circulando no país atinge 1 trilhão e 100 bilhões de reais. Cifra inclusive acima da massa salarial paga por ano, que é de 800 bilhões. Então, qual a explicação para o fenômeno? Não existe. Significa um claro atentado à lógica. Os próprios bancos abrem linhas de crédito a torto e a direito.

Recorrem a intermediários? Só os que aceitaram negociar com o Senado Federal e sua administração, agora substituída, tantos e tão graves acusações pesam contra ela.

Mas Agaciel e Zoghbi são funcionários. Como os senadores podiam desconhecer os passos que moviam, nas sombras, à margem da Mesa Diretora do túnel do tempo que divide as Casas do Congresso? Ninguém poderá acusar o senador José Sarney de conivência, claro. Mas sim de omissão. Será que pessoa alguma entre as tantas de sua amizade pessoal não levou a ele os fatos que estavam se passando? A pergunta fica no ar.

Mas ela independentemente da resposta, acentua a falta de nitidez que, em Brasília, no Parlamento, divide a linha do público e do particular. Para muitos, essa linha não existe. Passa-se de um lado para outro, sempre com prejuízo do interesse coletivo, com a maior facilidade e rapidez. O déficite, tão moral quanto financeiro, sobretudo ético, vai se acumulando ao longo do tempo. Os casos são infindáveis. A cada dia que passa aparece um novo episódio a emergir das águas do lago que embeleza a Praça dos Três Poderes. Os desonestos moviam-se com a leveza  dos cisnes que lá estão.

Na véspera do escândalo da presença do José Adriano Cordeiro Sarney entre os sócios da Sacris Consultoria, desvendou-se a existência de contas secretas operadas pela administração do Senado junto à Caixa Econômica Federal. Os objetivos de tais contas, suas movimentações e destinos, ainda estão por ser reveladas. Dificilmente poderá ser. Caso contrário, não haveria a necessidade de tais contas serem ocultas. No meio de tal vendaval, torna-se precária a posição do senador José Sarney na presidência do Poder Legislativo. Ele  próprio haverá de reconhecer que, pelo menos, chegou a hora de se afastar e sair do palco central da crise. Caso contrário, sua biografia, pela qual tanto se empenha, será tisnada por ele próprio. Intermediação para conceder empréstimos pessoais? Essa não.

A montanha gerou um rato

Carlos Chagas

Marcada para a próxima terça-feira, não há certeza de que venha a ser instalada a CPI da Petrobrás. Falta acordo, por enquanto, a respeito de quem será ao presidente e quem será o relator, ainda que ambos devam provir das bancadas governistas. Como a 15 de julho interrompem-se os trabalhos parlamentares, e aquele dia é uma quarta-feira, o mais provável é que os senadores enforquem a segunda e a terça, 13 e 14. Resultado: a CPI, se vier a ser instalada na próxima semana, terá apenas a seguinte para trabalhar, se puder trabalhar.

A conclusão surge clara: só no segundo semestre, a partir de agosto, terão início as investigações sobre a Petrobrás. Com a oposição reduzida a ínfima participação na CPI, só serão convocados depoentes que o palácio do Planalto aceitar. Bem como apenas serão examinadas denúncias aprovadas pelo governo.

Numa palavra, e fora surpresas, a montanha gerou um rato. A maior empresa nacional passará incólume pelo que se supunha ser uma tempestade e nem chegará a simples ventania.

Melhor para a imagem externa da Petrobrás, é claro, à qual o Brasil deve pelo menos a metade de sua nova imagem no planeta. Mas pior para o que se vai tornando uma constante entre nós, ironicamente dando razão ao próprio presidente Lula, para quem as denúncias sempre dão em nada.

O número de altos diretores da Petrobrás indicados pelo PT não deixa ninguém mentir: todos, menos um que o PMDB apadrinhou. Já se encontram previamente blindados. A começar pelo seu presidente, só prestarão depoimento se o governo  permitir.

Para as oposições, restará apenas centrar pontaria nas empresas privadas que prestam serviços à Petrobrás. As terceirizações. Será esse o objetivo pretendido pelos tucanos e alguns dissidentes do PMDB? Como instrumento eleitoral, a CPI da Petrobrás dará em nada.

Uma polêmica intrincada

Declarou o presidente do Supremo Tribunal Federal,   Gilmar  Mendes, que o Congresso não pode reverter decisões da mais alta corte nacional de justiça. Há dúvidas transcendentais a respeito. Estaria a harmonia e independência entre os Poderes posta em frangalhos caso o Legislativo não pudesse, dentro de suas atribuições, votar leis acordes com as necessidades e as circunstâncias.

Em favor dessa evidência desembarca o  advogado mais competente em Direito da Comunicação, José Paulo Cavalcanti Filho. Em artigo publicado ontem na Folha de S. Paulo, ele acentua que apesar do  recente julgamento extinguindo a obrigatoriedade do diploma  para o exercício da profissão de jornalista,   o requisito poderá ser exigido numa outra lei.

Trata-se, por enquanto, de uma discussão  acadêmica, porque não se tem notícia de estar em elaboração, no Congresso, qualquer projeto nesse sentido. Nem mesmo a proposta colateral referente ao direito de resposta foi apresentada.

Desde a anterior revogação integral da Lei de Imprensa que deputados e senadores fingem-se de mortos.   Recusam-se a botar a mão no vespeiro capaz de cortar-lhes a carreira política, porque ninguém resistirá a um boicote determinado pelos barões da imprensa.

Com a palavra deveria estar o deputado Miro Teixeira, autor da consulta que redundou na ida da Lei de Imprensa para o ralo. Ele tem participado de seminários, conferências e entrevistas sobre a questão, mas produzir alternativas ao vazio jurídico, nem pensar. Ter ou não ter Lei de Imprensa depende da formação dos estados nacionais, lá no passado remoto, assim como das circunstâncias e  das necessidades atuais.  Mas urge  pelo menos uma atualização do Código Penal,  para capitular crimes e abusos cometidos através dos meios de comunicação.  Do jeito que está é que não pode ficar.

Morte cardíaca ou cerebral de Michael Jackson

Às 19:10 o site do “Los Angeles” anunciava que o famoso cantor poderia ter morrido. Mas surpreendentemente quem transmitiu a “noticia”, com as maiores ressalvas, foi a CNN. O jornal, importante, atendendo a centenas de perguntas pedindo a confirmação da morte, respondia invariavelmente: “Nosso site será atualizado”. Mas ninguém queria esperar, todos pretendiam chegar primeiro ao coração do cidadão.

Jackson foi um dos mais famosos, importantes e influentes cantores de sua epoca e geração. E sem qualquer duvida, foi o primeiro negro a ser admirado e adorado pelos brancos.  (Antes que a intervenção da Suprema Corte acabasse ou começasse a acabar com o odioso preconceito).

Até o final de hoje, quinta-feira, o “Los Angele Times” terá confirmado a morte do cantor, embora até a policia de Los Angeles já tivesse garantido a morte. Mas amanhã, sexta, Michael Jackson estará mais presente do que nunca, nos jornais impressos do mundo inteiro. Toda morte inesperada provoca e aumenta a comoção. Principalmente quando é a morte de um canto, de um idolo e de uma personalidade como ele.

Dunga engana Joel Santana, sofre mas ganha da vuvuzela e de Mandela

Essa Copa das Confederações foi de surpresas do principio ao fim. Começou com três potencias “escaladas” para a final, quem não sabia? Brasil, Espanha e Italia, com grande vantagem para Brasil-Espanha.

Os outros todos eram coadjuvantes, só lembrados porque sem eles os outros não concorreriam ao Oscar.

A Espanha confirmou desde a estreia, 5 a 0 na Nova Zelandia. O Brasil ganhou do Egito no ultimo minuto, a Italia mostrou sua face insegura, perdendo para os egipcios, que ficaram, por pouco tempo, favoritos para a segunda vaga. Não foram.

Hoje a segunda semi, Brasil-Africa do Sul. “Comentaristas especialistas” passaram o dia garantindo, entre aspas: “Já houve muita surpresa, mas a Africa do Sul aprontar parao Brasil, é demais, não dá”.

Acontece que DEU em 45 minutos do primeiro tempo e em 42 do segundo, ninguém fez gol. O Brasil que devia fazer, foi fazer num milagre de “São Dunga”. Custou a botar em campo Daniel Alves que vem jogando bem e batendo faltas ainda melhor. Pois entrou faltando 5 minutos, houve a penalidade 2 minutos a seguir, ele chutou, a bola bateu na trave e entrou.

Nada a comentar, a lamentar ou a comemorar. O Brasil venceu. Pode ser dito que a Africa do Sul perdeu?

E domingo, colonizados ou colonizadores, penta campeões contra jamais campeões, pode haver surpresa?

Esperemos 72 horas, não é muito.

Especuladores, como sempre, comandam

Até às 13 horas, movimento familiar, quase “papai-mamãe”. Sempre em volta de 50 mil pontos. Mas por volta das 3 horas, já revertia, em alta de 1 e meio por cento, na casa de 50 mil. E no fechamento a alta já era de 3,70% indo para 51 mil e 500 pontos. Mas é só jogatina, a crise está longe da recuperação.

Não se iludam, os miseraveis sem comida somam mais de 1 bilhão de pessoas, pobres são mais do que isso, a classe media diminuiu “barbaramente” seu poder de consumo, e está mais longe da almejada nobreza financeira.

Não havia dinheiro no Brasil, apesar da alta, o volume continua não chegando a 5 bilhões. parou em 4 bilhões e 700. O dolar ficou muitas horas em 1,96 ou 1,97. Mas na ultima hora, caiu para 1,94, menos 1,42%. A hora é de expectativa, nem comprar nem vender.

Sarney, em particular, nega renuncia

Desesperado, o discreto presidente do Senado está falando demasiadamente. Hoje, às 10:25, tomando café da manhã (?) com apenas dois amigos, o normal de antes era no minimo de 10 acompanhantes.

“Não vou renunciar, não me chamo ACM (Corleone) nem Jader Barbalho, que deixaram a Presidencia do Senado, pressionados”.

Estranharam, mas, logico, intimos, não comentaram: Sarney esqueceu de citar Renan calheiros entre os que RENUNCIARAM. Se hostilizar o senador das Alagoas, não se mantém no cargo. É o UNICO que o sustenta. Que republica. (Exclusiva)

Jogatina desenfreada

A Bovespa abriu em baixa e, com 1 hora de pregão, caía 0,60 em 49 mil 561 pontos. Quando faltavam 10 para uma (duas horas depois), havia dado um salto, passado dos 50 mil pontos, coisa que não acontece há dias. 50.670, alta de 2,20%. Estranho, o volume era pequeno.

O dolar continua a ronda dos ultimos dias, entre 1,96 e 1,97, sem alta ou sem baixa significativa.