Conversa com comentaristas, sobre Golbery e a derrota de Lula e Brizola para Collor em 1989.

Hugo Gomes de Almeida: “Helio, já lhe foi perguntado sem resposta: Golbery colaborou para o surgimento de Lula — visando dividir a liderança da classe trabalhadora — com receio de que Leonel Brizola voltasse muito forte do longo exílio e fosse eleito presidente?”

Comentário de Helio Fernandes:
Nenhuma influência. Para o famoso golpista, Lula não tinha a menor importância. Assim que Brizola voltou para o Brasil, todas as atenções dele foram para Brizola. Um homem da capacidade de ação e de mobilização de Golbery, não podia desprezar um adversário como o ex-governador.

A grande vantagem de Golbery em relação a Brizola e sua obstinação de ser candidato, se fortaleceu na diferença de idade. Lula acabou de fazer 65 anos, Brizola teria 90. Nessas batalhas estrondosas, 25 anos não podem ser superados.

Em 1998, Brizola fez a última tentativa, aceitou ser vice de Lula. Este com 53 anos, Brizola com 78. não dava mais.

***

POR QUE COLLOR EM 1989?

Oigres Martinelli: “Superprecisas suas colocações, Helio. Mas, no embate de 1989 (nem sei se Golbery ainda estava vivo!) ele ou quem conspirou para dar a Collor um adversário tão favorável? Você acha que Brizola teria perdido as eleições para o ex-“governador” das Alagoas, caçador de marajás?”

Comentário de Helio Fernandes:
Golbery morreu em 1987, portanto nada a ver com a eleição de 1989. Estava com 76 anos, mas desde 1981, não tinha mais nenhuma atividade, sempre “do outro lado dele mesmo”. Nesse 1981, chefe da Casa Civil de João Figueiredo, foi embora e mandou carta estranha e extravagante ao “presidente”, simplesmente acusando o CODI-DOI de estar contra a “revolução e contra ele”. Espantoso.

Já contei que em 1977, apoiou a tentativa de “golpe” de Silvio Frota contra Ernesto Geisel, seu parceiro de sempre. Ele era assim. Quando sentia que o governo ao qual estava atrelado “chegava ao fim”, tentava criar outro.

Não tinha caráter, escrúpulos, ética, lealdade, totalmente desprovido de sentimentos, até mesmo pelo país. Mas foi importantíssimo, de 1951, quando completou 40 anos, até 1981, se envolveu em todas as conspirações. Perdeu muito, ganhou também muito, foi o mais eloquente e ambicioso admirador de si mesmo.

Em 1989, até parecia um sistema pluripartidário, com inúmeros candidatos. Tirando os que não tinha expressão, que se candidatavam para aparecer e justificar o que recebiam do Fundo partidário, vejam quantos candidatos além de Collor.

O doutor Ulisses, Mario Covas, Lula (todos de São Paulo), Brizola. O doutor Ulisses tinha como vice o governador da Bahia, Waldir Pires (que acabara de derrotar ACM-Corleone) renunciou para compor a chapa com o presidente do PMDB.

Já escrevi, não tenho a menor dúvida de que, indo para o segundo turno, Brizola venceria e seria presidente. Não foi para o segundo turno por causa de meio por cento, a vantagem de Lula. Insisti muito, “você precisa ir mais a São Paulo”, ele não se entusiasmava, “tinha” o Rio Grande do Sul e o Estado do Rio, que não falharam, mas não foram suficientes. Quando chamou Lula de “sapo barbudo”, estava sendo autêntico, sincero, e com a certeza de que ia fazer história. Eu também acreditava.

O trabalhador como peça descartável

Carlos Chagas 
                                              
O que significa o trabalhador, para o PMDB? Um zero à esquerda. Um lixo. Uma peça  descartável. Raras vezes se viu desfaçatez igual, na fisiológica luta do partido por espaços no governo Dilma Rousseff. Por conta de haver perdido os ministérios da Saúde e das Comunicações e os respectivos penduricalhos, mais os Correios, o PMDB ameaça votar contra o projeto que fixa o salário mínimo em 540 reais.

Seus líderes falam da injustiça sofrida pelo  trabalhador, pois o reajuste situa-se abaixo da inflação do ano passado. Dizem-se prontos a aprovar 580 reais. Caso, no entanto, o PMDB venha  a ser contemplado com mais cargos, sentindo-se compensado, 540 reais bastam.
                                              
Na crônica do partido que um dia serviu de aríete para derrubar a ditadura, jamais seus dirigentes desceram tão baixo. Estivesse entre nós o dr. Ulysses e certamente pregaria a dissolução da legenda que ajudou a criar. Mandaria todos para as profundezas.
                                              
Mais vergonhoso nessa situação é o comportamento das bancadas, as novas e as velhas, que não tem participado da lambança dos comandantes. Porque nenhuma voz ouviu-se até hoje protestando diante da  indignidade das negociações. Serão todos os deputados e senadores cultores do fisiologismo, também? Estarão à espera das migalhas desse banquete de horror, pretendendo tirar uma casquinha das nomeações?
                                              
O governo Dilma dispõe de teórica maioria no Congresso. A presidente da República apoiou e terá até participado da fixação do reajuste proposto ainda pelo presidente Lula. Mas o que dizer do Partido dos Trabalhadores? Seus parlamentares encontram-se  fechados em torno dos 540 reais. Votarão em uníssono pela merreca, felizes todos com os mais de 60% de aumento que se deram,  semanas atrás. O trabalhador que se dane, também para o PT.
                                              
Quanto ao PSDB e o DEM, sustentarão emenda propondo 580 reais. Serão os novos paladinos da justiça social? Nem pensar. O voto desses dois partidos exprimirá apenas a vontade de criar problemas para o governo. Em especial porque confiam na afirmação do ministro Guido Mantega, de que Dilma Rousseff vetará qualquer aumento, se porventura aprovado. Coisa que não acontecerá, é claro, dado o caráter de chantagem embutido na estratégia do PMDB.
                                              
Em suma, o trabalhador continua sendo peça descartável.
 
O NOVO GOVERNO NA DEFENSIVA
 
No mínimo sofrível foi a solução dada pela presidente Dilma Rousseff para a crise com o PMDB. Ela simplesmente adiou para fevereiro o preenchimento das vagas de segundo escalão do governo, cobiçadas pelo partido. Empurrou a questão com a barriga.  Espera que até lá os interesses possam ter sido compostos, alegando a importância de aguardar a eleição das novas mesas da Câmara e do Senado.

Também um gesto de defesa foi o convite para o senador Romero Jucá permanecer na liderança do governo quando todos esperavam, inclusive o PT,  a designação de alguém mais apropriado. Afinal, Jucá exerceu a liderança nos governos Fernando Henrique e Lula.
 
GANHARAM A MÃO, QUEREM O BRAÇO
 
Felizes com a anunciada  privatização dos aeroportos e com a prometida  redução de encargos nas folhas de pagamento de seus empregados, os dirigentes da Confederação Nacional da Indústria querem  mais. Exigem a desoneração de investimentos, leia-se, das especulações financeiras. As estrangeiras já não pagam imposto de renda, por que não estender o benefício ao capital nacional? Alegam a importância de  proteger os exportadores, desatentos ao fato de que cada vez mais o Brasil exporta produtos primários, prejudicando nossa própria indústria.
 
BEZERROS, PANDAS, JEGUES E HIENAS 
 
Dos Estados Unidos chegam notícias de um bezerro que nasceu com aparência de urso panda. Estão atrasados, os americanos, porque aqui no Brasil faz muito que  os jegues  nascem com aparência de hienas.
                                              
A luta desesperada dos partidos para abocanhar cargos no ministério e no segundo escalão do governo transforma líderes partidários em hienas atrás da carniça. No fundo, porém, são jegues, não percebendo como enfraquecem o poder público e as instituições. Acresce que em vez de indicarem gente apropriada para o exercício das funções, utilizam critérios meramente  fisiológicos em seus pleitos.

INSS vai pagar diferenças salariais relativas a 2010

Pedro do Coutto

Os ministros da Previdência Social e da Fazenda, Carlos Gabas e Guido Mantega, publicaram portaria conjunta nas páginas 32 e 33 do Diário Oficial de 3 de Janeiro, reajustando em 6,41% os vencimentos dos aposentados e pensionistas do INSS que recebem acima do salário mínimo e também fixando o pagamento de diferenças salariais relativas ao período fevereiro-dezembro de 2010. Onze meses, portanto. O realinhamento de 6,41% encontra-se no artigo primeiro. As diferenças a que me refiro no artigo sexto.

Vale a pena lei o Diário Oficial, costumo fazer isso sempre. As condições são fontes que dão base a muitos comentários. Importante. Surpreende até que os grandes jornais, O Globo, Folha de São Paulo, O Estado de São Paulo, não possuem um setor para a tarefa. Se possuíssem, já teriam verificado os dois dispositivos de interesse coletivo legítimo.

O reajuste de 6,4% chama atenção porque supera a taxa de inflação que o IBGE encontrou para os últimos doze meses, da ordem de 5,7%. Fundamental que os valores decorrentes de contribuições sobre o trabalho não sejam derrotados pela velocidade inflacionária. Este fenômeno negativo, inclusive, marcou os oito anos do período FHC. A favelização cresceu em consequência. De acordo com os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, a desvalorização da moeda de 95 ao final de 2002 atingiu algo em torno de 83%. E no espaço Lula, que começou em 2003 e terminou em 2010, o índice ficou aproximadamente em 60%. Fica registrada a diferença essencial.

Mas voltando à questão da portaria publicada, o artigo sexto, como disse, reserva e revela uma surpresa do interesse de muitos leitores já que aproximadamente 6 milhões de aposentados e pensionistas ganham acima do mínimo. Correspondem a cerca de 25% dos segurados. Faixa, como se vê, pequena. São baixas as aposentadorias no Brasil.

Vamos ao conteúdo desse artigo: “A partir de 1º de Janeiro de 2011, será incorporada à renda mensal dos direitos de prestação continuada, que os autores da portaria chamam de benefícios, a diferença percentual entre a média dos salários de contribuição que formam o teto de 3.689 reais e o valor efetivamente recebido entre fevereiro e dezembro, caso a diferença não supere o efetivamente recebido e o limite de 3.689 reais”.

Está correta a interpretação e a meia solução porque um dos principais problemas (do oceano de imissões do INSS) está no fato de os trabalhadores contribuírem sobre determinado número de mínimos e, na aposentadoria, receberem outro, de valor menor.

Por exemplo, até o governo Sarney, quando Jader Barbalho infelizmente ocupou o Ministério da Previdência – vejam só o absurdo – o teto de contribuição para os empregados, era de 11% sobre 20 salários mínimos. Barbalho, através de portaria, diminuiu o teto de contribuição para 10 pisos. Deveria valer de 85 para frente. Mas não. Retrocedeu. Rematado assalto social a milhões de seres humanos. Depois, no governo Fernando Henrique Cardoso, com Reynold Stephanes na pasta, novo corte. O teto de contribuição (e portanto da aposentadoria ou pensão ) desceu para 7 pisos. Os segurados perderam três andares no movimento negativo.

O presidente Lula, efetivamente reajustou o mínimo acima da inflação, mas não esticou o teto como deveria ter feito. Em todo caso, em matéria de política salarial, Lula foi amplamente melhor que FHC. Vem daí a principal razão de sua popularidade, penso eu.

Será que, agora, com Dilma no Planalto, a Previdência vai alterar sua política social para melhor? Vamos aguardar. E mais uma coisa, quando o INSS vai pagar os onze meses de atrasados a que a portaria expressamente se refere?

Alguém precisa dizer à presidente Dilma que a dívida externa não foi “superada” por Lula. E agora essa elevada conta vai cair no colo dela, assim como os R$ 2,3 trilhões da dívida interna.

Carlos Newton

Sempre atento ao lance, Helio Fernandes detectou no dia da posse um grave equívoco no longo e cansativo discurso da presidente Dilma Rousseff. Ao exaltar o governo de seu antecessor, ela passou da medida e acabou iludindo o respeitável público. Disse a chefe do governo:  

“Vivemos um dos melhores períodos da vida nacional. Milhões de empregos estão sendo criados. Nossa taxa de crescimento mais do que dobrou e encerramos um longo período de dependência do Fundo Monetário Internacional, ao mesmo tempo em que superamos a nossa dívida externa”.

Superamos a nossa dívida externa? O que pretendeu dizer com isso? Nos dicionários, há vários sinônimos para o verbo “superar”, mas todos dizendo a mesma coisa. Com essa frase, ela deu a entender que a dívida externa foi paga pelo governo Lula, e isso não é e nunca foi verdade, conforme Hélio Fernandes tem denunciado aqui no blog.

Ao redigir o discurso, seu ghost-writer pisou na bola. E a presidente Dilma, quando revisou o texto, não corrigiu o exagero. Na verdade, o governo Lula jamais tomou qualquer iniciativa para quitar efetivamente a dívida externa, que está em torno de 250 bilhões de dólares (R$ 425 bilhões), segundo o próprio Banco Central.

Lula apenas pagou em dezembro de 2005, de maneira antecipada, um empréstimo que sido contraído pelo governo FHC com o FMI, de US$ 15,57 bilhões. Este era o valor que restava ser pago em 2006 e 2007 de um total de US$ 41,75 bilhões, negociado com a entidade multilateral em 2002.

O pagamento antecipado ao FMI foi uma atitude política e simbólica. O governo não ganhou nada com isso. Pelo contrário, até perdeu, porque os juros cobrados pelo FMI são muito baixos, menores do que os praticados pelo sistema financeiro internacional. Teria sido melhor negócio quitar parte da dívida externa (ou interna), que paga maior taxa de juros, como os títulos atrelados à Selic (hoje, 10,75% ao ano).

Em junho de 2009, em mais uma iniciativa de marketing político-eleitoral, o governo decidiu emprestar US$ 10 bilhões ao FMI. Com isso, o presidente Lula tirou uma onda, deu múltiplas entrevistas e pela primeira vez posou como financiador do fundo, já que, apesar de integrar o grupo dos 47 países-credores, o Brasil ainda não havia feito empréstimos ao FMI fora de sua cota (hoje de US$ 4,7 bilhões). A generosidade foi tamanha que o governo nem se interessou em saber qual seria a remuneração que FMI fixaria para esse empréstimo. Mas país rico é assim mesmo…

Agora, voltando ao discurso de posse, fica feio para a presidente da República cometer um erro desses, logo em seu primeiro pronunciamento à Nação, especialmente porque, 10 dias antes, o próprio Banco Central havia divulgado o seguinte:

A dívida externa total, estimada para o mês de novembro em US$ 247 bilhões, reduziu-se US$ 6,3 bilhões em relação à posição estimada de outubro, e US$ 671 milhões em relação à dívida apurada de setembro de 2010.  A dívida externa de médio e longo prazos totalizou US$ 192 bilhões, com acréscimo de US$ 2,1 bilhões em relação à posição de setembro, enquanto a dívida de curto prazo, estimada em US$ 55,6 bilhões, apresentou redução de US$ 2,8 bilhões.

Traduzindo: não houve “superação” da dívida externa. Dos 247 bilhões de dólares citados pelo BC, a responsabilidade direta do governo federal na verdade abrange apenas cerca de 100 bilhões de dólares, porque o restante são empréstimos feitos por estados, municípios, estatais e empresas privadas, especialmente bancos brasileiros, que pegam dinheiro barato no exterior e emprestam com altos juros aqui no mercado interno. Mas é sempre bom lembrar que o governo  federal é avalista de expressiva parte desses outros 150 bilhões de dólares da dívida externa.

Quanto à dívida interna, que fechou o ano em cerca de 2,3 trilhões (os números finais ainda não estão disponíveis), Helio Fernandes também registrou que não houve qualquer menção a esse importante assunto econômico no longo e cansativo discurso de posse. Talvez fosse conveniente a presidente Dilma trocar de ghost-writer.

No lamentável pluripartidarismo brasileiro, os partidos (PT-PMDB) brigam por cargos. Mas não conseguem chegar perto do mais importante de todos: a Casa Civil. Na posse, derrotados e reabilitados.

Helio Fernandes

Houve muita surpresa na posse de Dona Dilma. Alguns não deviam nem ser convidados, outros assombrosamente empossados. A tranquilidade com que Dona Erenice Guerra transitava pelos salões, novidade para muitos, naturalidade para poucos. Estes sabiam que o já quase ex-presidente Lula, na véspera, mandara arquivar os processos contra ela.

Lula ratificou o parecer da comissão de investigação que ele mesmo criou e nomeou: “Não existe prova nem culpabilidade”. Não foi o culto à impunidade que o já ex-presidente tanto pratica, e sim a impossibilidade de contrariar a realidade.

Como punir, execrar e condenar a Chefe da Casa Civil de Dona Dilma, que disse várias vezes: “Ela é minha mão e meu braço direito. Sem ela, não sei o que fazer”. Nada de novo (no front ocidental?) se Dona Erenice Guerra voltar ao Diário Oficial com uma nomeação pelo menos extravagante.

A maldição, assombração ou empolgação da Chefia da Casa Civil dominavam e dominaram a cerimônia de posse, e outras, subsequentes, consistentes, consequentes ou inconsistentes. A glorificação maior ficava por conta da própria Dilma. A primeira a ocupar esse cargo consagrador, se transformou na “primeira mulher a chegar à presidência da República”.

O primeiro a ocupar esse cargo, e já destinado a ser o sucessor de Lula, também presente. Seu nome? José Dirceu. Poderoso mesmo, antes da primeira posse, durante o primeiro mandato, é quase inacreditável que tenha sido afastado, desprezado e derrotado por um episódio menor e insignificante, que se chamou “escândalo da Loterj”.

O assessor de total confiança de José Dirceu, era o precursor da Era de Dona Erenice. A sorte de Dona Dilma é que não estava mais no poderoso cargo, ficou apenas com o constrangimento da indicação e da usurpação dessa indicação. Mas pelo visto, Dona Erenice já recuperou a confiança do ex-presidente, (que a inocentou) e da sucessora (que a convidou).

Dirceu, sem dúvida mais competente do que todos que passaram pelo cargo, foi demitido e atingido pelo tufão chamado mensalão. E as 7 horas do discurso de Roberto Jefferson, um dos raros vistos pelo país inteiro. Apesar do então deputado do PTB, ter dito, “contei tudo ao presidente Lula, que me respondeu que não sabia de nada”.

Poupado pela oposição desnorteada, desorientada e desarvorada, Lula se salvou, se consolidou, se recuperou. Fez até a sucessora, embora nos planos que traçou e planejou, o ocupante do Planalto por mais quatro anos (a partir de 2010) fosse ele mesmo e não a primeira mulher a sair vencedora.

Se o presidente confessou, “não sabia de nada” (e depois se refugiou nessa frase), pelo rumo dos acontecimentos, José Dirceu devia saber de tudo. Pois apesar de ter respondido ao discurso de Jefferson, Dirceu não escapou da cassação, do ostracismo, do abandono. Ele nunca disse publicamente, mas culpa o próprio Lula por tudo o que aconteceu.

Na Câmara, Jefferson foi empolgante, Dirceu apenas hilariante. Em algumas afirmações fez rir toda a platéia. Principalmente quando, atendendo a uma indagação, respondeu perguntando: “Eu, arrogante?” Era mesmo para rir. Ele não foi outra coisa a partir dos tempos em que chamava Lula de “você”, e Lula, mesmo presidente, chamava-o de “senhor”.

Assim como Jefferson, Dirceu foi cassado. Para o deputado do PTB, um simples acidente de trabalho, continuou dono e senhor do PTB, ficou na presidência do partido. Para Dirceu, desastre e calamidade completa. Não perdia a presidência do partido, que jamais lhe interessou, e sim a presidência da República, que lhe estava destinada pelos deuses, perdão, pelo Deus único que passou a ser Lula.

Depois de atravessar esse oceano de acusações, Lula se transformou em herói nacional, Dirceu naufragou num mar de impurezas, Lula não jogou nem uma corda para que não submergisse. Dirceu não se salvaria de maneira alguma, Lula já percebera a força que acumulara, começou a devastação de todos os que podiam pretender sucedê-lo.

Foram muitos. Até o senador Aloizio Mercadante, que jamais teve a menor chance, mas se empossou no Senado, acreditando que precisava convocar o suplente, iria direto para o Ministério da Fazenda. Não foi. Desgastado durante 7 anos, no último, líder no Senado, pediu “demissão irrevogável”, Lula OBRIGOU-O a se desdizer e a continuar como líder sem liderança.

Neste “passeio” pelo mais importante cargo palaciano, o vergonhoso, perigoso e até alarmante, é a reabilitação de Antonio Palocci. Sua entronização na Chefia da Casa Civil é até deprimente. Basta mudar apenas uma palavra no excelente filme de Elio Petri, “Um cidadão ACIMA de qualquer suspeita”. Mudando uma palavra e Palocci reconheceria: “O personagem sou eu”. É mesmo.

Veio de Ribeirão Preto cheio de acusações, suspeitíssimo, ninguém tinha a menor dúvida sobre as irregularidades acumuladas na prefeitura. E até no que aconteceu depois, quando já não estava mais lá, mas dominava os acontecimentos, mesmo de longe. As lágrimas que a agora Ministra, Miriam Belchior, derramou pelo marido assassinado, poderiam muito bem respingar em muita gente na posse. Pois o assassinado Celso Daniel, mais competente, por todos os ângulos, do que muitos dos que estavam “prestigiados”.

Surpreendendo a todos, Palocci foi Ministro da Fazenda, nos chamados círculos do Poder, ninguém entendeu nada. E mais estapafúrdia, que palavra, a insistência com que Lula repetia: “Espero que Palocci me dê sinal verde para baixar os juros”.

Isso jamais aconteceu. O “sinal verde” de Palocci se chocava com seus próprios interesses “vermelhos e negros”. Foi demitido desprezivelmente pelos fatos que aconteciam na mansão do Lago, alugada pelos amigos de Ribeirão. Exposto, perseguiu um simples caseiro. Julgado pelo Supremo, não foi ABSOLVIDO nem CONDENADO, era tão desprezado no julgamento quanto na demissão acintosa do ministério.

Ficou no ostracismo, sem casa oficial, sem salário (nem precisava), sem cargo, sem idoneidade, condição que nele era congênita e adquirida. Quando foi chamado para a campanha eleitoral, mais espanto, era evidente que assistíamos a uma ressurreição.

 ***

PS – Dos quatro que ocuparam a Chefia da Casa Civil e estavam na posse, o mais vulnerável, degradado, desgastado, desprestigiado, desprezado, sem dúvida alguma era o próprio ocupante do cargo.

PS2 – E mais assombroso: foi ele que exigiu e ganhou esse cargo. Sabe que ali mora o perigo, mas é também a habitação da ambição. E afinal, depois de tudo o que lhe aconteceu, não podia acontecer nada melhor do que o segundo cargo em importância no próprio Planalto.

PS3 – Esperemos Dona Dilma definir o que é G-O-V-E-R-N-A-R. Será cortar gastos? Investir? Estabelecer prioridades? Ou se firmar nas reformas indispensáveis, sem as quais não governará?

A briga por 2014 já começou, entre Alckmin e Serra. E Aécio, não percebeu?

Helio Fernandes

Alckmin acintosamente, garante manchetes: “Vou rever todos os contratos assinados por Serra governador”. É a luta por 2014. Estão disputando para ver quem perde mais uma. 2002, 2006, 2010. Pedem a Deus que o adversário seja Dona Dilma, que consideram mais fraca do que Lula.

Ora, Dilma já ganhou deles, e se for candidata em 2014, é porque fez um governo positivo. E não ganharão dela.

PS – Quando a Lula e Aécio, só resta uma “aliança”, Lula presidente, Aécio vice. Mas falta tanto tempo para qualquer coisa, que o melhor mesmo é esperar.

PS2 – É impressionante como investem em longevidade. Serra dizia em 2002, quando o PSDB queria retirar sua candidatura: “Estou com 60 anos, minha vez é agora, e não depois”.

PS3 – Com 68 anos, diz com veemência, “Isto não é um adeus e sim um até logo”. Como a próxima eleição será em 2012, muita gente em São Paulo acredita que a ressurreição de Serra “acontecerá” por aí, novamente prefeito. E que Kassab está na jogada.

O ACUSADÍSSIMO CLESIO NO SENADO

Muitos anos antes da Tribuna impressa desaparecer, escrevi muito sobre esse senhor. Era poderoso no setor de transportes de Minas, fez um acordo com o Instituto Sensus. Eu perguntava sempre: o que empresa de transporte tem a ver com pesquisa de opinião política? Ninguém respondia ou esclarecia, seu prestígio crescia.

De tal maneira que foi vice de Aécio Neves no primeiro mandato. Como a vitória de Aécio era certa, por que o presente dado a ele? Na reeeleição, Aécio cortou seu nome, sem qualquer aviso.

Clesio não se incomodou, foi suplente de um senador com mais de 80 anos, que morreu agora. Ei-lo senador sem voto, foi vice sem disputar nenhuma eleição. Que República.

PS – Vai continuar pagando promessa, perdão, pesquisa pela Sensus?

O ESPIÃO QUE FICOU NO FRIO

Foi tudo combinado ou já devia ser demitido, Duas declarações acintosas e insultuosas de Gilberto Carvalho. A primeira, antes da posse de Dilma: “Qualquer dificuldade e Lula volta”. A segunda, já como ela no Poder: “Lula é o Pelé no banco de reservas”. Impressionante. E Dona Dilma, não faz nada?

PREVISÃO DE UM ECONOMISTA GLOBAL

Num dos programas mais presunçosos e pretensiosos da Globo, a garantia: “O Brasil vai quebrar por causa da Previdência”. Nenhuma providência para desmentir esse “economista”?

O Brasil não vai “quebrar”. E a Previdência, SUPERAVITÁRIA, é roubada pelo próprio governo. Por causa do orçamento a-u-t-o-r-i-z-a-t-i-v-o. Os Ministros que passaram por lá (estão vivos) e não roubaram, marcaram a trajetória positiva dessa Previdência.

Conversa com comentaristas, ainda sobre a posse de Tarso Genro e sobre o voto consciente

Ricardo Sales: “Helio, completando, você e seu irmão foram convidados. Você publicou no domingo, 3 de outubro de 2010, o seguinte: “Tarso genro, um governador poderoso. Prefeito de Porto Alegre, Ministro da Justiça, será um dos mais fortes aliados de Dona Dilma, no primeiro ou segundo turno. Mais ou menos há 4 meses, eu almoçava em Ipanema, Tarso Genro entrou, veio à minha mesa (que tinha seis notáveis de várias profissões ou formações) e disse: “Helio, pode me chamar de governador, e se quiser pode publicar. Publiquei, lógico. E para reforçar, falou para o Millor: “Você é o primeiro a ser convidado para a minha posse”.

Comentário de Helio Fernandes:

Tudo perfeito, Ricardo. No dia 3 de outubro, Tarso Genro estava no Rio Grande do Sul, votando na própria candidatura.

Foi alguns meses atrás, pois só com esse tempo seria uma boa notícia. Ele estava certo de que ganharia no primeiro turno, e ganhou mesmo. Almoçávamos no restaurante Satiricon, além do Millor, estavam Técio Lins e Silva, Paulo Casé, Chico Caruso, o pintor Bianco (que trabalhou com Portinari nos painéis “Tiradentes” e “Guerra e Paz”, da ONU) e outros. Às vezes são 10, é o máximo da mesa.

REAFIRMAÇÃO DO VOTO

Ofelia Alvarenga: “Helio, Não sei quanto aos outros milhões de eleitores que votaram em Dilma. Mas eu, com certeza, não votei nela por omissão e sim por convicção”.

Comentário de Helio Fernandes:

Nem precisa explicar, você deixou bem clara sua posição. Abriu e mostrou o voto, francamente, para Dilma. Eu também não deixei a menor dúvida, afirmei e reafirmei que Dona Dilma ganharia fácil, mas que eu não votaria nela.

Minha incompatibilidade era e é com o sistema. Com os 29 partidos registrados, deviam aparecer 29 candidatos no primeiro turno, poderiam se juntar no segundo, como se faz no mundo todo. O que vimos? Dois candidatos e uma espectadora sem expectativa.

Ministério das Comunicações garante aos herdeiros dos acionistas da Televisão Paulista (hoje, TV Globo de SP) o direito de vista aos processos que transferiram o controle para Roberto Marinho, com base em documentos falsos e anacrônicos.

Carlos Newton 

Mais um capítulo eletrizante da transferência ilegal do controle da Rádio Televisão Paulista S/A para Roberto Marinho, durante o regime militar. O Ministério das Comunicações decidiu dar vista dos processos administrativos aos herdeiros dos antigos acionistas da emissora, o canal 5 de São Paulo.

O pedido foi protocolado no Ministério em março de 2008, mas só começou a andar após a saída do ministro Helio Costa e depois que a própria Presidência da República cobrou providências e esclarecimentos.

E deve-se destacar e registrar, por ser a verdade dos fatos: a decisão de dar vista ao processo também só aconteceu porque no gabinete do presidente Lula, o ministro Gilberto Carvalho não engavetava nada, independentemente do poder das partes envolvidas. É um fato tão raro e auspicioso que merecia ser saudado com uma queima de fogos estilo réveillon em Copacabana.

A importante, corajosa e democrática decisão foi comunicada aos interessados em 20 de dezembro de 2010, 11 dias antes do final do governo Lula, quando o Ministério das Comunicações ainda estava comandado pelo advogado José Artur Filardi, agora substituído pelo ministro Paulo Bernardo.

A mesma correspondência oficial, enviada pelo governo aos representantes dos antigos acionistas, abordou o questionamento acerca de suposta nulidade dos atos administrativos assinados em 1965 e 1977, pelos governos militares, que permitiram a transferência do controle acionário da ex-Rádio Televisão Paulista S/A (hoje, TV Globo de São Paulo) para Roberto Marinho, com lastro em documentos considerados anacrônicos e falsos pelo Instituto Del Picchia de Documentoscopia.

A esse respeito, a autoridade responsável informou: “No tocante à denúncia de possíveis irregularidades ocorridas na transferência de outorga dos serviços de radiodifusão por meio das Portarias números 163/65 e 430/77, CABE À SECRETARIA DE SERVIÇOS DE RADIODIFUSÃO PRIMEIRAMENTE SE MANIFESTAR SOBRE O ASSUNTO”.

Vamos acompanhar de perto essa investigação, que está transcorrendo apesar da inegável presença e atuação de funcionários da TV Globo, que fazem pressão junto aos diversos órgãos técnicos do Ministério das Comunicações. Pela decisão do governo federal, é de se deduzir que já não estão mais com “essa bola toda”. Os tempos são outros. A Internet que o diga.

Para quem não sabe, a Tribuna da Imprensa foi  o único jornal que há mais de 10 anos vem denunciando as irregularidades praticadas por agentes públicos, a serviço da ditadura, para viabilizar, a qualquer preço, a transferência do canal 5 de São Paulo para a família Marinho.

Nos processos administrativos que agora serão examinados pelos herdeiros dos antigos acionistas da ex-Rádio Televisão Paulista S/A, não há um só documento regular, original, que justificasse a aprovação da transferência da concessão para os atuais controladores, o Espólio de Roberto Marinho.

Aliás, esses processos andaram desaparecidos durante anos, e neles não há nenhum documento que prove que o jornalista Roberto Marinho comprou a TV Paulista de Victor Costa (pai ou filho, que foram apenas diretores da emissora e nunca possuíram ações), e nem da família Ortiz Monteiro, como procuraram atestar as Portarias 163/65 e 430/77, assinadas nos governos Castello Branco e Ernesto Geisel.

Para a procuradora da República Cristina Valerim Vianna, de São Paulo, “á luz dos fatos exaustivamente narrados no feito, temos, em apertada síntese, que houve, na década de 60, transferência ILEGAL do controle acionário da atual TV Globo Ltda., visto ter a negociação se baseado em documentação GROSSEIRAMENTE FALSIFICADA… Resta, pois, investigar suposta ocorrência de IRREGULARIDADE ADMINISTRATIVA na transferência do controle acionário da emissora, visto a necessidade de autorização de órgão federal. Tal como se deu, ESTEADO EM DOCUMENTAÇÃO FALSIFICADA, O ATO DE CONCESSÃO ESTARIA EIVADO DE NULIDADE ABSOLUTA”.

O governo federal tem agora oportunidade rara de passar a limpo essa medonha e heterodoxa simulação processual-administrativa, promovida nas décadas de 60 e 70 para, ao arrepio da legislação, transformar o poderoso Roberto Marinho no controlador majoritário  da hoje TV Globo de São Paulo.

Na simulação do negócio, ele teria chegado a comprar 48% do capital social inicial da emissora, pertencente a 673 acionistas minoritários, por apenas Cr$ 14.285,00, depositados em conta desconhecida (cerca de 450 dólares), sob o pretexto de que os titulares dessas ações já teriam falecido ou teriam se desinteressado de seu patrimônio.

Até isso o governo militar aceitou para possibilitar o apossamento definitivo do mais importante canal de TV do país, localizado em São Paulo e que responde hoje por 50% do faturamento de toda a Rede Globo. HÁ LEI E JUIZES NO BRASIL. Vamos aguardar.

Ao ex-ministro das Comunicações, Hélio Costa, funcionário da Rede Globo de Televisão, nossos sinceros pêsames por sua omissão no caso em discussão, e parabéns ao povo mineiro que, em boa hora, o devolveu ao ostracismo de onde jamais deveria ter saído.

Dois a zero para os conservadores

Carlos Chagas 
                                              
Nos primeiros minutos da partida, os conservadores  já chegaram perigosamente à área dos progressistas, marcando dois gols:  conseguiram da presidente Dilma Rousseff a decisão de privatizar os novos terminais dos aeroportos e arrancaram a declaração de que a folha de pagamento das empresas será desafogada, imaginando-se de onde virá a compensação para os cofres públicos,  senão de toda a população.

Bolas na trave também  acertaram  uma, com a informação de que os funcionários públicos não terão qualquer reajuste de vencimentos, este ano.  Continuam no ataque, exigindo cortes nos gastos públicos, no setor dos investimentos e do custeio da máquina estatal, bem como ameaçam com  a regulamentação da reforma da Previdência Social, nivelando os aposentados por baixo e estimulando o crescimento  da Previdência Privada. Chutam de qualquer distância e dominam o jogo.
                                              
Do  lado dos progressistas, pouca movimentação: o anúncio pelo ministro da Educação do tempo integral para o casamento do ensino médio com o ensino técnico e, pelo ministro da Previdência, a promessa do  reajuste um pouquinho maior para os aposentados que recebem acima do salário mínimo. Não chegaram ao fundo da  rede dos conservadores porque essas duas propostas ficarão para o ano que vem, se mantidas.
                                              
Assim estamos no embate iniciado a partir da instalação do  governo  Dilma Rousseff.  As elites dão o ritmo,  com suas exigências e cobranças, iludindo as arquibancadas a respeito de já terem assegurado a vitória. Evidência disso são os rasgados elogios à nova presidente da República e sua equipe econômica, através dos editoriais, comentários e até reportagens dos principais jornalões. Virar o jogo em favor dos interesses das massas será sempre possível, na dependência de seus craques por enquanto  indolentes. Será bom aguardar. 
 
MÃO E CONTRA-MÃO 
 
Prevê-se uma avenida de duas mãos, na primeira reunião ministerial do novo governo, dia 14.  Dilma Rousseff deverá expor sua estratégia de ação, exigindo de seus ministros um discurso unificado  e um comportamento comum em função de seus objetivos. 

Mas também apelará para que cada integrante de sua equipe apresente em curto prazo um elenco de realizações para o  respectivo setor. Importante será saber a extensão dos prazos de cumprimento  dos dois objetivos.  A impaciência, no caso da nova presidente da República, pode constituir-se numa virtude.
 
INFANTILIDADE
 
Foi infantil o boicote do PMDB às posses de Luiz Sérgio, nas Relações Institucionais, e de Alexandre Padilha, na Saúde. Julgando-se dono  desses dois ministérios, assim como proprietário de montes de gordos cargos   no segundo escalão,  o outrora partido do dr. Ulysses demonstrou estar mais para o fisiologismo do que para o sucesso do novo governo.
                                                       
Restava saber, ontem, da validade das ameaças de líderes peemedebistas,  de que Dilma Rousseff não perde por esperar, quando o Congresso  for debater o salário mínimo e outros projetos de interesse do palácio do Planalto. O PMDB tem  muito mais a perder se levar essa briga adiante.
 
DURO, MAS COM TERNURA
 
O novo ministro da Justiça, José Eduardo Cardoso, pretende reunir-se o mais breve possível  com os governadores estaduais para equacionar propostas objetivas visando uma ação comum no combate ao crime organizado.  Não dá para aceitar que de dentro das penitenciárias os chefões continuem comandando todo o tipo de ações espúrias. Se for o caso, novas prisões federais de segurança máxima serão implantadas.

O poder público precisa agir com dureza diante dessas aberrações, sob pena de o  poder paralelo do crime voltar a dominar as comunidades agora libertadas de sua influência, como em muitas favelas do Rio.  O novo ministro é amplamente favorável à presença das forças armadas no enfrentamento ao crime organizado e na defesa da ordem pública.

Aluguéis e casa própria sobem o dobro dos salários

Pedro do Coutto

Excelente reportagem de Luciana Carneiro e Ronaldo D’Ercole, O Globo, 30 de Dezembro, portanto no ano que passou, revela que o IGPM da Fundação Getúlio Vargas fechou o exercício com um percentual de 11,3%. Destacaram que, com isso, os valores dos aluguéis que completam um ano, agora, vão subir na mesma proporção. Correta a afirmação, porém incompleta a informação. Incompleta porque tanto as locações de imóveis quanto as prestações da casa própria são regidas pelo mesmo indexador.

O IGPM atinge praticamente 9 milhões de locações, já que, segundo levantamento recentemente divulgado pelo IBGE, o país possui 61 milhões de imóveis e os alugados representam a parcela de 15%. Cerca de 18 milhões de famílias possuem financiamentos imobiliários. Os contratos são regidos também pelas oscilações do indicador da Fundação Getúlio Vargas.

O problema social é que a inflação dos últimos doze meses, também pelo IBGE, registra 5,6 pontos. E os salários, a partir do governo Lula, são realinhados de acordo com as taxas inflacionárias. Exceto o salário mínimo que vem ganhando da inflação oficial. Mas esta é outra questão.

O fato essencial é que, mantidas as duas tendências, a do índice inflacionário e o cálculo do IGPM, a moradia, portanto o direito de morar ficará sendo cada vez mais difícil de exercer. Já vai longe o tempo da equivalência salarial, que era muito mais realista. Agora se a defasagem entre um vetor e outro se mantiver, o problema da moradia no país ter-se-á agravado substancialmente.

Os empregadores particulares detestam discutir o tema salário-inflação-reajuste. O INSS também. Da mesma forma que os católicos não desejam o debate entre cristianismo e catolicismo, os representantes do capital e do capitalismo esquivam-se do enfoque básico da questão social. O valor do trabalho humano.

Pela Constituição Federal, não pode ser diminuido, no papel. Pois na prática não é assim. Basta dizer que uma das formas de reduzir os vencimentos de alguém é reajustá-los abaixo da taxa inflacionária. Este processo cruel, inclusive, foi uma das marcas negativas do governo FHC e explica a razão de sua impopularidade. Houve inegavelmente descompressão no período Lula. Mas neste momento nuvens cinzentas ameaçam diluir o peso do trabalho humano no PIB do Brasil.

Hoje, este percentual que já foi de 60% em 63, com o movimento revolucionário de 64, ciclo da ditadura, dos generais no poder, desceu à metade. Enquanto isso, a participação do capital, que era de 35 passou a 70%. Os dados são do Banco Central. A pirâmide entre nós teve seu vértice trocado.

Nos EUA não. Para um PIB de 15 trilhões de dólares, um terço do produto mundial, a massa salarial pesa 60%. Por isso, um automóvel de porte médio custa apenas 20 salários mínimos. Quantos salários mínimos custa entre nós? Além do preço básico, pagamos o ICMS e o IPI embutidos no custo final. Os compradores pagam. Mas no ano seguinte, os montadores e os revendedores é que descontam os tributos no Imposto de Renda. Vejam só.

O IGPM inclui, entre outros fatores, a oscilação dos valores do dólar. Em 2009, subiu pouco mais que zero e, com isso, aluguéis e casa própria receberam um refresco. Agora, porém, o peso da diferença entre salário e correção das locações e prestações da casa própria retorna como um fantasma do passado a atormentar os locatários e mutuários no presente. Qual a saída?

Como lidar com Chávez, o aliado “muy amigo”, que insuflou o cocalero boliviano Morales contra o Brasil, prejudicando a Petrobras?

Carlos Newton

O acompanhamento da atuação dos comentaristas deste Blog nos traz belas surpresas. O nível é muito alto, em comparação com a grande maioria dos blogs de sucesso no país. É salutar, por exemplo, que já exista aqui no blog uma convicção da importância do trabalho do australiano Julian Assange na ONG WikiLeaks, para democratização das informações internacionais.

Se não houvesse o WikiLeaks, como saberíamos que, de acordo com diplomatas americanos, o presidente venezuelano Hugo Chávez incitou o governo do cocalero Evo Morales, na Bolívia, a nacionalizar as instalações da Petrobrás no país em 2006, provocando grave problema econômico e diplomático com o Brasil, com elevados prejuízos à Petrobras? No entrevero, até Eike Batista (que diz não perder nunca) saiu no prejuízo com sua usina siderúrgica na Bolívia.

Como está sendo divulgado pela imprensa, a informação surgiu em telegramas da Embaixada dos Estados Unidos em Brasília, enviados ao Departamento de Estado em Washington. Um dos telegramas relata o seguinte:

“Marcelo Biato (assessor especial do Planalto) disse que em março (de 2006), Petrobrás e interlocutores bolivianos haviam começado o que pareciam ser discussões relativamente positivas. No entanto, Evo interrompeu abruptamente as conversas, insistiu que só discutiria o assunto diretamente com Lula”, diz o documento, datado de maio de 2006, acrescentando: “No intervalo entre as conversas de março e a nacionalização, Biato observou que houve várias conversas entre Evo e Chávez.”

O mais importante: o telegrama revela que o governo brasileiro tinha (e tem) conhecimento das estripulias “diplomáticas” de Chávez, que se julga o maior líder do Terceiro Mundo, uma espécie de Muammar Kadafi em versão latina.

E o que fazer com um “aliado” desse tipo? Nada. O importante é continuar se relacionando bem com Chávez, sabendo de quem se trata e como tratá-lo. Afinal, o comércio bilateral tem sido altamente favorável ao Brasil. Em 2009, de janeiro a novembro, o Brasil exportou US$ 3,5 bilhões para lá e importou apenas US$ 747 milhões (quase tudo em produtos petrolíferos). Nada mal, não é mesmo? Como dizia o então secretário de Estado dos EUA, Foster Dulles, “países não têm aliados, têm interesses”.

Dona Dilma governará sem oposição. Lula também não teve. No caso dele, por incompetência congênita e adquirida. Em se tratando dela, estratégia rombuda para 2014, têm pânico de Lula.

Helio Fernandes

Do ponto de vista jornalístico, nada mais insípido e monótono do que o início de um governo. Não se pode combater o que não foi feito, simplesmente porque não foi a incompetência que prevaleceu e sim o tempo que não passou.

Não se pode elogiar o que não foi feito, embora se saiba que não será feito. Em ambos os casos, o tempo é o senhor da razão, mas essa razão será cronologicamente dissipada a cada dia que se marcar no calendário. Podem até apostar ou acreditar no contrário, na surpresa dos 55 milhões que votaram na presidente.

Votaram por omissão e não por convicção, que palavra pronunciarão agora?

Dois fatos são rigorosamente verdadeiros, e devem ser citados e examinados. Pela primeira vez nos últimos 25 anos, um presidente elege seu sucessor. Com a profundidade de ter escolhido para ficar no seu lugar uma mulher, fato inédito na nossa História. Embora no mundo todo, as mulheres estivessem e estejam em franca ascensão, política e eleitoralmente. E quando digo que “Lula escolheu”, estou ratificando o óbvio.

Dona Dilma não tinha títulos ou credenciais, a não ser a vontade do presidente já reeeleito, que não conseguiu mais algum tempo no Poder, seu grande sonho e obsessão.

A)   Sarney chegou ao Poder de forma indireta, 50 por cento pela subserviência à ditadura, os outros 50 por cento, influência do destino inesperado (e sempre inexplicável ou desvendado) que retirou do palco o presidente de verdade,

B)    Depois de Sarney ter usado e utilizado todo o período não conquistado por ele, veio Fernando Collor.

C)    Não tinha nem tempo para ter construído uma carreira, reputação ou esperança, foi o segundo presidente mais moço da História. (O mais moço foi Nilo Peçanha, que impediu Rui Barbosa de ocupar o Catete. Em 1922 voltou a ser candidato com o movimento “Reação Republicana de Nilo Peçanha”. Derrotado, foi o mais jovem a desacreditar na política e abandonar a vida pública.

D)    Não deixaram Collor se firmar ou decepcionar, foi logo derrubado, o primeiro a sofrer o impeachment. (Eleito em português, Collor foi “deseleito” em inglês ou francês, tanto faz).

E)    Assumiu Itamar Franco, quem mais conspirou contra Collor, era o vice e herdeiro. Nenhuma surpresa, na História brasileira existem quase tantos vices que assumiram quanto presidentes que concluíram o mandato.

F)    Mas Itamar 4 anos depois conhecia a máxima genial do Barão de Itararé: “Quem CONFERE o ferro, com ferro será CONFERIDO”. Surpreendentemente, foi nomeando FHC para vários cargos, até escolhê-lo sucessor.

G)  Ingênuo foi Itamar, confiando em FHC para fazer o acordo. Governaria até 1998, e ele, Itamar, voltaria então à Presidência. Além da falta de confiança, a pergunta que não teve resposta em 12 anos; Itamar ganharia de Lula em sua terceira candidatura?

H)   FHC não passou o cargo nem a Itamar nem a ninguém. Rasgou a Constituição em uma de suas cláusulas pétreas, “a não reeeleição”. Com muito dinheiro e sem oposição, comprou o seu mensalão-reeeleição”, e ainda queria mais 4 anos.

I)      Lançou o primeiro dos peessedebistas massacrados por Lula, não fez o sucessor. Saiu amargurado e ressentido, é até hoje o seu normal e habitual.

J)      Foi a primeira vitória de Lula, nada fazia crer que chegaria aos 87 por cento de popularidade de agora. Pelo menos os primeiros quatro anos foram fugazes, não confiáveis nem eternizáveis.

K)   Em 2006, candidato de si mesmo, liquidou o peessedebista da vez, Geraldo Alckmin, tão medíocre ou mais do que Serra, se é que isso é possível.

L)    No segundo mandato, Lula começou muito mal, com escândalos em cima de escândalos. E o mensalão foi o mais abrangente, mas não o mais grave. Só que inesperadamente, foi de 2007 a 2010 que Lula descobriu que podia ser o “gênio da lâmpada”. E se jogou com toda a força para o futuro.

M)  Portanto, referendando o que disse, foi o primeiro desde o fim da ditadura explícita, a fazer o sucessor. Está aí Dona Dilma que não deixa (nem quer) que se iludam com seu mandato.

N)   Haja o que houver, explicita ou implicitamente, sem destino e sem genética, mas com a poderosa e invencível realidade, Lula está olhando e se mostrando para todos os anos.

O)  Sucessora e patrocinador, tentam mostrar completa e total afinidade. Essa palavra rima com intimidade, mas será que se completam?

P)   De qualquer maneira, o capítulo sucessão termina aqui. Passa a ser adivinhação, não gosto disso.

Q)  Começa então a convergência ou a participação da oposição no governo Dilma Rousseff. Por que não fizeram nada para envolver ou desgastar o presidente Lula? No período antes do mensalão, e logo depois, Lula estava altamente vulnerável.

R)   Incompreensível porque não tentaram qualquer coisa sobre o segundo mandato de Lula. Poderiam até não conseguir derrubá-lo. Mas ele não se consolidaria como o Deus, mas se julga e se imagina.

S)    Agora não farão oposição a Dilma, não querem desgastá-la para uma possível sucessão de 2014, querem que Dona Dilma tenha direito ao segundo mandato.

T)   Ora, o PSDB não tem ninguém para renovar e muito menos revolucionar, uma forma de sair da rotina de derrotas. Contra Dilma ou Lula, se apresentará novamente Serra ou Alckmin, menos uma sucessão do que uma piada.

 ***

PS – Dona Dilma já tomou a primeira decisão desastrada e desastrosa: a privatização dos aeroportos.

PS2 – Não teve nem a coragem de assumir, “jogou” para estados e municípios. Com o dinheiro do BNDES? E a oposição?

Na capital da mordomia, demitidos 15 mil funcionários ilegítimos

Helio Fernandes

Agnelo Queiroz, novo governador de Brasília, no primeiro dia, logo na posse, dispensou 15 mil funcionários. Tudo isso? E não farão falta? Evidente que não.

Mas é preciso medida complementar e definitiva: responsabilizar os governadores anteriores que praticaram os atos imorais, ilegais, subterrâneos. Nenhuma dúvida: pelo tempo que ficou no Poder, o grande culpado-corrupto foi Roriz, ele mesmo proclama: “Fui quatro vezes governador”. Deve contar com a primeira vez, interventor, nomeado por Sarney. Tinha que ser.

Perigo à vista no Banco Central

Helio Fernandes

Satisfação pelo fim da Era Meirelles e do FMI, Só que a posse, ontem, de Tombini, mais incerteza do que alegria. Ele é favorável ao aumento dos juros, i-m-e-d-i-a-t-a-m-e-n-t-e. Pode não ser ainda em janeiro, mas não passa do carnaval.

E a afirmação de Dona Dilma, “no meu governo os juros vão cair, espero que a 5 por cento”? Isso não conseguirá de jeito algum, mesmo que festeje os 100 anos de idade no governo, em 2047.

2011 COM “MERCADOS” EM BAIXA

Utilizaram a “menas verdade” para dizer que “no governo Lula, ações subiram 300 por cento”. Jogam com números falsos, enriquecem suas contas, mas empobrecem a informação.

Com a crise de 2008, a Bolsa do Brasil estava em 74 mil pontos. Derrubda completa, chegou a 32 mil pontos, não podia cair mais.

A partir daí, se cumpriu o slogan: “Bolsa não sobe sempre, bolsa não desce sempre. Os verdadeiros investidores, diretos ou através de bancos e fundos, perderam tudo. Quando começou a recuperação, não tinham dinheiro para nada. Os profissionais, que não perderam, passaram a ganhar fortunas.

 ***

PS – Dos 32 mil, passaram acima dos 70 mil, um assombro. Agora começam 2011 com 69 mil, o mesmo de 3 meses atrás.

PS2 – O dólar, que na taxação-Mantega estava a 1,67, foi a 1,73, mas voltou abaixo de 1,70. Ontem fechou a 1,65.

Conversa com leitor-comentarista que pede comparação impossível entre Gilberto Carvalho e Golbery

Mario Riêra Filho: “Hélio, quem foi mais importante dos dois: o general Golbery ou Gilberto Carvalho?”

Comentário de Helio Fernandes:
Ah! Riêra, só pode ser gozação. Gilberto Carvalho, nos 8 anos no Planalto, era o encarregado de dar a Lula as boas notícias e esconder as ruins. Fez isso com enorme satisfação, Roberto Jefferson deixou bem claro, no discurso do mensalão. Agora, não podendo ser demitido, Carvalho foi promovido. É o homem de dentro do “sistema” que contará (espionará) tudo para o ex-presidente, esteja onde estiver.

Quanto a Golbery, foi um gênio do maquiavelismo, do mal ou do pior, mas inegavelmente foi. Todo o início de 64 foi dominado por ele. E mesmo quando ficou de fora (os 2 anos e meio de Costa e Silva, os 5 de Médici), manejou, mobilizou, mapeou toda a política e a perseguição, era especialista nisso.  Não conhecia 0,001 de problemas, se fosse, como se diz agora, “desenvolvimentista”, que maravilha viver.

Com o Poder que acumulou, se fosse um homem de ideais, voltado para a realização, o Exército teria deixado o Poder com um saldo extraordinário. A impopularidade do Exército no Poder, cabe única e exclusivamente ao planejado e executado por Golbery.

Mas é impossível negar: os chefões (naturalmente generais) apoiavam Golbery, assinavam tudo que ele fazia, mesmo sabendo que não era o certo. Golbery nunca foi punido, apesar de estar sempre na ilegalidade, mesmo antes de 64.

Quase impediu o governo Vargas (50/51), lutou contra a posse de Juscelino (55/56), sempre derrotado. Participou num posto-chave, dentro do governo, da “renúncia-golpe” de Janio Quadros. Foi golpista 12 anos antes de 64, quando redigiu e assinou o Manifesto dos Coronéis, a primeira derrubada de João Goulart.

Sem nenhuma convicção, os maiores empresários e os mais reacionários estavam ao lado dele, financiavam suas aventuras, dele e dos empresários. Foi ele que criou o IPES (Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais), um dos grandes escândalos da época: derrame de dinheiro nunca visto, para combater no Congresso a Frente Parlamentar Nacionalista, de grande atuação a partir de 1954.

 ***

PS – Comparado a Golbery, Gilberto é um “moço de recados”. Depois de ter dominado sagazmente, todo o governo Geisel, em 1977, Golbery criou a “candidatura” Silvio Frota, Ministro da Guerra de Geisel.

PS2 – Por que fez isso? Percebeu que com Geisel a ditadura estava no fim, com Frota seria o rejuvenescimento total.

PS3 – Perdeu, mas manteve parte do Poder e a visão dos fatos, não se iludiu: Brizola era o grande adversário a combater, Lacerda havia morrido. Então, quando Brizola quis assumir o PTB, trabalhou acintosamente para entregar o partido a Ivete Vargas. Conseguiu, Brizola gastou um tempo enorme para criar e manter novo partido, o PDT.

PS4 – Fui claro, Riêra?

Nós a desatar

Carlos Chagas 
                                              
Dilma  Rousseff  assumiu  com diversos nós a desatar. O primeiro deles, gerado pela  realização da  Copa de Futebol de 2014 e das Olimpíadas de 2016,  redundou, em  seu primeiro dia  de governo,  na decisão de privatizar os novos terminais dos aeroportos de São Paulo, Campinas, Rio e   provavelmente Brasília. Da mesma forma, a presidente da República optou pela  abertura de capital na Infraero.
                                              
Por conta disso deve-se inferir  ter sido escancarada a porteira das privatizações? Açodados acham que sim. Imaginam  haver entrado no palácio do Planalto a sombra de Fernando Henrique. Por tudo o que se sabe da trajetória de Dilma, trata-se de ledo engano. No caso dos aeroportos, não havia outra saída.  Aproxima-se a  realização, no Brasil,  dos dois maiores  espetáculos esportivos do planeta. Os cofres públicos sofreriam se viessem a arcar com os imprescindíveis  investimentos. 

Mas será sonho de noite de verão  supor o pré-sal entregue totalmente à iniciativa privada,  como querem os neoliberais. Da mesma forma o Banco do Brasil, a Caixa Econômica e a Petrobrás continuarão sob controle estatal. A energia, também. Não haverá desmonte da Previdência Social pública.
                                              
Importa saber que soluções a nova chefe do governo dará para a recuperação do SUS, para o combate ao analfabetismo, a importância do aprimoramento do ensino público, a melhoria do aparelho de segurança pública, a reforma agrária  e outros nós, alguns  exigindo a espada de Alexandre para desatá-los. 
 
MEDIDAS PROVISÓRIAS 
 
Tudo indica que o novo governo lançará mão de muitas  medidas provisórias para adotar suas primeiras iniciativas. Da privatização de aeroportos, já em elaboração, devem seguir-se outras, como a reformulação da estrutura dos Correios e, ironicamente, retificações no sistema previdenciário. Isso porque o ministro da Previdência Social é o senador Garibaldi Alves, que quando presidente do Senado insurgiu-se contra a proliferação das medidas provisórias enviadas pelo governo Lula. E de corpo presente, diante do próprio presidente. 
 
EVO NÃO VIU A UVA
 
Especula-se a respeito da ausência do presidente Evo Morales, da Bolívia, na cerimônia de posse de Dilma Rousseff. Coincidência ou não, ele teria ficado no mínimo constrangido ao tomar conhecimento do discurso do novo ministro da Justiça, José Eduardo Cardoso, na transmissão do cargo.  O Brasil pretende subsidiar o governo boliviano no combate ao narcotráfico, sugerindo operações integradas para países sem capacidade operacional para promovê-las.
                                              
Fatalmente a imprensa cairia em  cima de Evo Morales, buscando sua  reação. Permanecendo em La Paz, o presidente cocaleiro terá tempo para ver nossa proposta aprofundada e preparar sua reação. Mesmo assim,  a versão  oficial passa perto de uma forte gripe.
 
SEM PRESSA PARA MORAR NOS PALÁCIOS 
 
Dilma Rouseff continuará residindo na Granja do Torto por mais algumas semanas, até que saia do palácio da Alvorada  a bagagem do ex-presidente Lula e sejam  promovidas  as mudanças naturais que qualquer novo inquilino faz na arrumação da casa recém-alugada.  Da mesma forma, Michel Temer demorará um pouco até transferir-se para o palácio do Jaburu, morada  oficial do vice-presidente.  No palácio do Planalto, porém, ambos já se instalaram em definitivo em seus gabinetes. 
                                              
Seria  exagero supor a presidente e seu vice convidando um bispo para benzer suas novas residências, prática comum a católicos praticantes até alguns anos atrás, quando se mudavam. A cerimônia poderia desagradar os antigos inquilinos. Mesmo assim, no caso do palácio da Alvorada,  a aspersão com água benta até que serviria para afastar a lenda de que é mal-assombrado.

O Lula  não se queixou nenhuma vez de,  alta madrugada,  escutar  correntes  sendo arrastadas  no sótão, mas Fernando Henrique nem por milagre deixava os aposentos do casal antes do sol nascer. Assim como Castelo Branco e Juscelino Kubitschek juravam  que o piano da biblioteca, no andar térreo, costumava tocar sozinho. Dilma, pelo que se sabe, não é supersticiosa  e até se disporia a descer as escadas do segundo andar se ouvisse alguma sinfonia ser entoada sem pianista.

Dilma: SIM ao futuro, NÃO às sombras do passado

Pedro do Coutto

Foi importante o tom afirmativo que a presidente Dilma Rousseff imprimiu a seu discurso de posse ressaltando os desafios que terá pela frente na fase pós-Lula que começa, e, ao mesmo tempo, destacando o sepultamento das sombras do passado sem rancor ou espírito de revanche. Um belo pronunciamento, sem dúvida.

Entre as sombras do passado – para aproveitar o título de Graciliano Ramos – as memórias do cárcere e a bestialidade das torturas pelas quais passou, e dos torturadores  que se refugiam no passar do tempo, condenados eternos até por si mesmos. Quanto ao futuro que se descortina como uma alvorada, incluiu a erradicação da miséria, o que é possível, mas sobretudo da pobreza, salto mil vezes mais difícil.

Para vencer a pobreza, uma vergonha para o Brasil e para o mundo que aprisiona bilhões de seres humanos já no terceiro milênio, é indispensável que ela transponha dois abismos estratégicos: implantar um regime de pleno emprego e um sistema que assegure aos salários reajustes anuais que possam derrotar pelo menos a inflação do IBGE e também registrada pela Fundação Getúlio Vargas. Nada fácil tal tarefa. Pois inclui o enfrentamento com as classes conservadoras e a superação do intoxicante pensamento conservador que tolhe o progresso social em nosso país.

Mas o propósito e o compromisso foram colocados para toda a sociedade brasileira. Valorizar o trabalho humano é a única rota possível. Entretanto contra tal  meta virão tempestades como as que desabaram sobre os governos Getúlio Vargas, Juscelino e também João Goulart. Foram etapas de redistribuição de renda, de uma forma ou de outra. Os conservadores reagiram por todos os meios. Luís Inácio da Silva teve mais sorte. Conseguiu, sem problemas maiores, expandir consideravelmente o crédito e, de pois de uma estagnação em 2009, acelerar o crescimento do PIB numa escala vitoriosa de 7,5% no ano passado. No mesmo período a taxa de crescimento demográfico foi de 1,2%. Aumentou bem, portanto, a renda per capita, que resulta da divisão do PIB pelo número de habitantes.

No tempo de JK, anos dourados de Gilberto Braga, o PIB crescia à velocidade de 9% a cada doze meses. Na época, entretanto, o índice de natalidade era o dobro do que é hoje. A  pílula anticoncepcional só chegaria ao Brasil no início da década de 60. JK não estava mais no Planalto.

Mas Dilma Roussef falou na superação da pobreza, destinando um tom otimista à sua plataforma básica. Fez bem. Este tom é essencial, inclusive como forma de motivar e impulsionar o povo. Nada de ameaças, afirmações dramáticas, culminando numa espécie de fundamentalismo moralista e falsamente salvador. Os dois presidentes que assumiram nesse estilo foram Jânio Quadros e Fernando Collor. Acenavam com a punição, não com a construção. O primeiro renunciou, o seguindo foi derrubado do poder pela CPI da Corrupção.

O país deseja mensagens construtivas. Por isso, sustento que Rousseff foi ao encontro da população não dramatizando com a espada do caos, porém acenando com um apelo de união e de esforço conjunto para ganhar a planície das realizações.

Nada de demissões nos campos produtivos, mas – isso sim – contratações para que o mercado de trabalho, e regime de pleno emprego, possa contribuir de forma decisiva para o ritmo do progresso. Pois ninguém se iluda: só o desenvolvimento com maior produção de bens pode levar à redistribuição de renda capaz de derrotar a pobreza.  Acrescentar poder aquisitivo sem oferta crescente de bens, francamente, é impossível. O desafio é este e não outro.

O governo Dilma começa.

Milagre de Natal: desapareceu na Casa Civil o documento que poderia incriminar Erenice Guerra e o marido dela, José Roberto Camargo Campos, na negociata da empresa Unicel.

Carlos Newton

Erenice Guerra era a convidada mais feliz, saltitante e risonha, na posse da presidente Dilma Rousseff. O sorriso ia literalmente de orelha a orelha, praticamente engolia o rosto dela.

No meio da multidão, somente Erenice e mais meia dúzia de pessoas sabiam que a comissão de sindicância instaurada na Casa Civil, para apurar denúncas de tráfico de influência envolvendo os servidores Vinícius de Oliveira Castro e Stevan Knezevic, terminara sem apontar nenhuma irregularidade por parte dos dois e, portanto, sem punições.

Para a exultante Erenice Guerra, era como se todas as acusações que pesam sobre ela subitamente tivessem se dissipado. Tudo não passara de um pesadelo. Mas agora ela podia voltar a ter sonhos, porque a providência principal já fora executada.

Como num milagre de Natal, desapareceu na Casa Civil o documento original do convênio assinado em 2005 entre a Unicel e a diretoria de telecomunicação da Casa Civil para testes de um serviço móvel especializado (rádios comunicadores). Por coincidência, é claro, na época a Unicel tinha como diretor comercial o marido de Erenice, José Roberto Camargo Campos.

Tomada na chamada undécima hora, exatamente na véspera de deixar o cargo, a decisão  do então Chefe da Casa Civil de Lula, Carlos Eduardo Esteves Lima, inocentamdo os funcionários, foi constrangedora e mostra que no interior do Palácio do Planalto o tráfico de influência continua a pleno vapor.

O funcionário Vinicius de Oliveira Castro (agora inocentado) é filho de Sonia Castro, que aparece como sócia de filhos de Erenice na Capital Assessoria e Consultoria. Já Stevan Knezevic, que é funcionário concursado da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e estava cedido à Casa Civil, também era sócio de Israel Guerra. Durante o processo, Stevan portou-se de forma altamente suspeita e usou a prerrogativa de não prestar depoimento, já que, por lei, só está obrigado a fazê-lo a seu órgão de origem, no caso, a Anac.

Somente a criação dessa empresa de “consultoria”, para vender facilidades dentro do Planalto, já seria suficiente para incriminar todos eles (incluindo a própria Erenice, que era Chefe da Casa Civil, que Deus nos perdoe), especialmente pela intermediação da licença para a MTA Linhas Aéreas operar nos Correios.

Mas o jogo ainda não terminou. As acusações envolvendo a ex-ministra hipoteticamente continuam sendo apuradas pela Polícia Federal e pela Controladoria Geral da União (CGU), uma vez que, como ela era titular do ministério, não podia ser investigada por uma sindicância interna. Mas a decisão da Casa Civil, “inocentando os funcionários” já é meio caminho andado para “melar” a investigação.

No último dia do ano, sexta-feira, o Diário Oficial da União publicou uma portaria do então ministro Carlos Eduardo Esteves Lima para uma nova sindicância, desta vez destinada a analisar o convênio assinado em 2005 entre a Unicel e a diretoria de telecomunicação da Casa Civil para testes de um serviço móvel especializado (rádios comunicadores). A Unicel, repita-se, tinha como diretor comercial o marido de Erenice, José Roberto Camargo Campos.

Mas o documento original não foi encontrado pelos servidores que apuraram as eventuais irregularidades. Milagrosamente, sumiu. Por isso Erenice Guerra estava tão eufórica. Os motivos abundavam.

Com a morte de Eliseu Resende, chega ao Senado mais um suplente de carreira nebulosa, o “sindicalista” Clésio Andrade

Carlos Newton

Mais um suplente polêmico e com antecedentes suspeitos vai tomar posse no Senado. Desta vez, é o sindicalista patronal Clésio Andrade, que desde 1993 preside a Confederação Nacional do Transporte (CNT), sediada em Belo Horizonte e que congrega 40 mil empresas e 300 mil transportadores autônomos de carga e de passageiros.

Cobrador de ônibus aos 11 anos de idade, Clésio fez carreira na política graças à liderança como dirigente sindical. Ganhou visibilidade nacional ao fazer parceria com o Instituto Sensus, de Minas Gerais, que vive a divulgar pesquisas sobre o Índice de Satisfação do Cidadão e foi o primeiro instituto a registrar índices estratosféricos de popularidade ao governo Lula.

Clésio foi do zero ao milhão (e bota milhão nisso) e tanto fez que acabou se tornando vice-governador de Aécio Neves, no primeiro mandato do neto de Tancredo. Tudo ia bem até que o Ministério Público Federal decidiu investigar suspeita de lavagem de dinheiro (com doleiros) para financiamento de campanha eleitoral em operações realizadas por duas instituições dirigidas por Clésio Andrade, então filiado ao PL.

O juiz Jorge Macedo Costa, da 4ª Vara Federal de Belo Horizonte, determinou a quebra de sigilo bancário do Idaq (Instituto de Desenvolvimento, Assistência Técnica e Qualidade em Transporte), vinculado à CNT (Confederação Nacional do Transporte), e do Instituto J. Andrade, de Juatuba (MG), uma instituição de ensino superior cuja entidade mantenedora também é presidida por ele.

Este foi o motivo de Clésio Andrade ter sido abandonado por Aécio Neves. Em 2006, ao tentar o segundo mandato, o então governador de Minas preferiu colocar Antonio Anastasia como vice. Clésio Andrade, porém, não titubeou e na mesma eleição conseguiu se tornar suplente na chapa de Eliseu Resende (DEM), que era candidato ao Senado. Agora, com a morte do titular, o ex-cobrador de ônibus, que está no PR, ganha de presente quatro anos de mandato e poderá fazer cobranças bem mais expressivas.

Hoje é o primeiro dia de trabalho da presidente Dilma. Espero que ontem, antes de dormir (a primeira vez no Alvorada), tenha dado uma lida ou relida no discurso. Não é bonitinho e ordinário, apenas rotineiro.

Helio Fernandes

Todos os discursos presidenciais (até mesmo do carrasco da KGB, presidente da Rússia, agora primeiro-ministro, se preparando para voltar à presidência) são assim. Promessas, saudado, inflado e exaltado, não resiste ao impacto da realidade.

Dona Dilma ganhou editoriais laudatórios que ninguém leu, mesmo na primeira página. Manchetes de todos os jornalões, AGRADECIDOS pelo fato dela ter garantido a Liberdade de Imprensa, que reforçou, chamando de LIBERDADE DE EXPRESSÃO. Nesta época da internet, localizar tudo nos jornalões impressos, é perda de tempo.

Quem supõe ou garante que “os proprietários” dessa Liberdade de Expressão, estavam preocupados? Foi durante a ditadura que enriqueceram desabridamente, se tornando assustadoramente poderosos, como grupos cresceram subservientemente, acumulando canais de rádio e televisão, formando cadeias (desculpem) invencíveis e insuperáveis.

Do discurso lido ou interrompido por aplausos de coadjuvantes que só foram convidados para isso, não sobrou coisa alguma. Nenhuma frase que fique martelando na lembrança, nem mesmo a esperança de concretização de alguma afirmação, a certeza de que Dona Dilma é a ressurreição do amanhã, a consolidação de tudo o que sonhamos de melhor.

Nenhum discurso é o retrato da realidade, vista, antevista, prevista. Principalmente porque Dona Dilma fez um discurso vazio de ideias, abastecido por promessas que não sabe como cumprir. Colocou no início, no meio e no fim de tudo, o que gostariam que realizasse imediatamente, vá lá, nos primeiros quatro anos de governo.

Se é que esses quatro anos se completarão ou se somarão, pois o ex-presidente, sem a menor credibilidade política, não perdeu tempo em afirmar: “Agora é um direito de todo presidente ficar 8 anos no Poder”. Mas logo foi desmentido por ele mesmo e pelo porta-voz mantido como espião dentro do Planalto: “Se houver dificuldade, Lula pode voltar”. Não disse quando, plantou a heresia da dúvida.

Todas as afirmações da já presidente, ganharam logo a palavra ROTINEIRA, como está no título destas notas. Que não são oposicionistas e sim de alerta, de reserva, de complacência circunstancial, desejando que se transformem em realizações florescentes. Ou eternas, pelo menos enquanto durem, mesmo que sejam apenas em quatro anos.

Prometeu acabar com a pobreza. Qual o presidente que na posse e mesmo em teoria, não garante o fato? O planeta tem 7 bilhões de habitantes, 2 bilhões na mais completa linha da miséria, sem ter o que comer, vestir, morar, se transformar, estudar, se tratar na doença?

São 30 por cento no mundo todo, qual a parte que nos cabe nesse latifúndio, contra o qual bradou poética e altivamente o grande João Cabral de Mello Neto? E quando e de que maneira destruirá essa pobreza, que tem muito mais chances de eliminá-la do que ser eliminada?

Todo discurso de posse é preenchido por afirmações que, não tenho dúvidas, são sinceras. Mas a realidade é muito mais assustadora do que qualquer coisa, como obter recursos para tanto que não foi feito, e que ela nem sabe por onde começar?

Não temos nem o “arremedo” de infraestrutura. Portos, aeroportos, rodovias, ferrovias estão por construir ou por se concretizar. Assume órfã, é a “mãe do PAC”, a mais atrasada de todas as realizações. Os 87 por cento da popularidade de Lula vieram do Bolsa-Família e de outros programas, suposta ou pseudamente sociais. Vieram?

Não sou contra, lógico, diante da realidade nacional. Mas como ser a favor, sabendo que nada disso é criador de riquezas, de futuro, de consolidação dos que recebem miseravelmente, quando deveriam receber l-a-b-o-r-i-o-s-a-m-e-n-t-e?

Não deu uma palavra sobre a DÍVIDA INTERNA, sabendo que precisaríamos de 200 BILHÕES só para pagar os juros, perdão, AMORTIZAR o que não devemos mas temos que depositar. Nos últimos 11 meses desse 2010 que foi embora, dos 200 BILHÕES, só conseguimos 175 BILHÕES, enganando o cidadão-contribuinte-eleitor.

Como dezembro ainda não está contabilizado no que chamam vergonhosamente de “DÉFICIT PRIMÁRIO”, (o único país do mundo que se orgulha disso), é possível que cheguemos aos necessários 200 BILHÕES. Se não chegarmos, não faz mal, os CREDORES são generosos, o que faltar será jogado afanosamente no total.

E sem falar que vem aumento de juros por aí, e a cada percentagem desse aumento, corresponde a mais necessidade para amortizar. Sobre a DÍVIDA EXTERNA, apenas 20 segundos, “felizmente ela foi liquidada pelo presidente Lula”. Entre hostilizar o presidente Lula, e ratificar a “MENAS” verdade sobre a qual tanto mercadejou, ficou com a segunda hipótese. Eram 20 segundos, ninguém notaria.

Esperemos que a partir de hoje, no primeiro dia de absoluta no Planalto, Dona Dilma comece a trabalhar para implantar as duas mais importantes reformas que o país está exigindo há longos e longos anos, e das quais dependem todas as outras. E que se transformarão na mudança do Brasil.

1 – Reforma política-partidária-e-logicamente-eleitoral. Sem isso, continuaremos com a farsa da representatividade que não representa coisa alguma. Mas as cúpulas partidárias não permitirão mudança alguma. Se a representatividade for alterada, como “eleger” outro Temer para vice e satisfazer os lobistas?

Esse ministério mesquinho e com a validade vencida por causa da ausência de povo, é produto da falta de partidos, de militância, de voto conquistado e não comprado.

2 – Reforma tributária, que servirá ao país e não a alguns que se eternizam no poder, mesmo fingindo de alternância.

A presidente promete uma classe média importante, independente e autônoma. Mas que classe média é essa, que consolidam e dizem que representa ganho de 1 mil e 300 mensais? O que vale isso? Na China tão polemizada, criticada e negada, a classe média se abastece com carros de luxo, mora em mansões magníficas, consome o que há de mais caro e desejado?

 ***

PS – Esse discurso é para ler e guardar, não sei por quanto tempo. Será pelo menos por quatro anos. Surpreendentemente ninguém sabe. Lula chorou, não pelo povo, mas pela antecipada saudade de um Poder que gostaria de ter eternizado.

PS2 – Por quanto tempo Dilma resistirá aos 87 por cento de Lula? Ultrapassar? Praticamente impossível. Não tenho boa memória, quando é que gritavam, recitavam e retumbavam? “Bota o retrato do velho outra vez?”.