E o suplente Gim Argello, não será cassado com o “efetivo” Roriz?

Helio Fernandes

Afinal, continuará zombando das instituições, do cidadão-contribuinte-eleitor? Assumiu sem títulos, credenciais, votos, nem  lenço nem documento, continuará? Não podia ser relator do documento mais importante do país, o orçamento. Não pagará?

E Nenê Constantino,
um assassino solto?

Esteve envolvido naquela troca estranha do cheque, de mais de 2 milhões, “tira os 200 mil que te devo, devolve o resto”. O destinatário, lógico, Joaquim Roriz.

Depois desse envolvimento com Roriz e o Banco de Brasília, foi acusado de tentar matar o genro, e denunciado por outro assassinato. Preso, não ficou 24 horas, saiu com habeas corpus. O advogado foi Marcio Thomaz Bastos? Estou apurando.

Conversa com leitor-comentarista, sobre Hitler, Versalhes, Petain, De Gaulle e Mitterrand

Claudio Vianna: “Prezado Helio, se não estou enganado, o vagão ferroviário de Versalhes foi usado por Hitler, quando da capitulação da França”.

Comentário de Helio Fernandes:
Desculpe, Claudio, Hitler jamais esteve em Versalhes, como derrotado ou vitorioso. E não houve CAPITULAÇÃO ou RENDIÇÃO por TRATADO oficial da França, na Segunda Guerra Mundial.

As “Panzer Divisions” do general Guderian tomaram Paris em 22 de abril de 1940, percorrendo os mesmos caminhos nos quais os alemães foram derrotados na Primeira Guerra Mundial (nos históricos trajetos de Verdun).

Tomaram Paris, o general De Gaulle foi para Londres, onde formou o “governo da França no exílio”. Coincidência terrível, o general Petain, herói da França em 1918, em 1940 “colaborou” com os invasores, formou o governo “colaboracionista” de Vichy.

Seu primeiro-ministro foi Perre Laval, comunistíssimo, depois condenado à morte e executado. Petain, de herói passou a vilão e traidor, também foi condenado à morte. Estava com 90 anos, a pena de morte foi transformada em prisão perpétua, morreu um ano depois.

Passou à História a luta entre “resistentes” e “colaboracionistas”. Lógico, depois de 1945, acusações de lado a lado. Nessa época de resistência, muita gente se engrandeceu. Foi quando surgiu o jovem Mitterrand, de extrema-esquerda, por patriotismo, apoiando o conservador De Gaulle.

Como a História se escreve de várias maneiras, em 1958, quando pela primeira vez houve eleição para presidente da República da França, (antes eram os primeiros-ministros que se elegiam), quais foram os candidatos? De Gaulle contra Mitterrand.

 ***

PS – Diga-se a bem da verdade, Mitterrand não queria, foi pressionado pelas esquerdas. Passou ao segundo turno, perdeu apertado, 56 por cento para De Gaulle, 44 para ele.

PS2 – Ficou até 1974 sem disputar eleição, perdeu então para Giscard d’Estaing. Em 1981 ganhou dele, em 1988 ganhou de Chirac.Em 1995 ia para o terceiro mandato, perdeu para o câncer, este é invencível. Não é pessimismo e sim realidade.

EUA divulgam documentos que desmascaram o judeu Kissinger, ex-secretário poderoso

Helio Fernandes

Em 1972, Nixon ameaçado de impeachment (renunciou) conversava com Kissinger (secretário de Estado, que continuou com o nomeado presidente Gerald Ford). Assunto: “A emigração de judeus soviéticos para Israel”. Se os EUA não participassem e não dessem as compensações pedidas, esses judeus iriam para a câmara de gás.

Kissinger disse a Nixon, textualmente: “Isso não é problema dos EUA. Se eles forem para a câmara de gás, pode ser apenas uma preocupação humanitária”.

Agora, 38 anos depois, tudo é revelado, pois na Casa Branca as conversas eram gravadas por ordem de Nixon. Que perdeu o cargo por causa dessas gravações. Kissinger, aos 87 anos, continua sendo ouvido e não condenado.

 ***

PS – Foi a primeira vez, em toda a República dos EUA, que o país teve um presidente e um vice, não eleitos. 221 anos e só uma vez isso aconteceu.

PS2 – Em 1974, Nixon renunciou para não sofrer impeachment, só tinha mais 2 anos de governo (já fora reeleito) e o vice Spiro Agnew já estava cassado.

PS3 – Assumiu então o citado Ford, presidente da Câmara. Pela tradição, escolheu o vice sem ouvir ninguém. Preferiu Nelson Rockeeller, duas  vezes governador de Nova York. E bilionaríssimo.

PS4 – Para 1976, fizeram acordo, Rockefeller seria candidato a presidente. Como o Partido Democrata indicou Jimmy Carter, de um estado pequeno, Ford rompeu o acordo, dizendo, “desse eu ganho”. Não ganhou, Rockefeller foi ao desespero.

Não foi Obama que venceu, os
republicanos não queriam perder

Na questão da redução do armamento nuclear entre EUA e Rússia, o presidente americano estava com medo que os republicanos,  com maioria no Senado, vetassem o projeto. Só que os republicanos teriam que assumir o ônus do veto. Retumbaram a vitória de Obama, foi diferente.

 A cordialidade entre americanos e russos é enorme, vejam só. Obama queria que a aprovação fosse simultânea nos dois países, ressalvado apenas o fuso. Putin disse não e explicou a Obama: “Eu garanto a votação e a vitória, você pode dizer o mesmo?” As votações foram separadas, mas igualmente vitoriosas.

Chega de intermediários. Vamos nomear logo José Júnior (AfroReggae) para a Secretaria de Segurança, ficar numa boa com os traficantes e deixar a vida nos levar, no estilo Zeca Pagodinho.

Carlos Newton

É admirável a coragem do excelente advogado José Folena, que em recente artigo publicado aqui na Tribuna da Imprensa demonstrou sua preocupação com a atuação das Forças Armadas em atividades meramente policiais, possibilidade que a Constituição não admite. Só podem acontecer quando ficar demonstrado que as autoridades estaduais realmente perderam o controle.

Folena não está em dúvida. Ele acha que as autoridades estaduais ainda não haviam esgotado todas as suas possibilidades. E tem toda razão. Afinal, as autoridades não afirmam ter “dominado” a situação nas 14 favelas onde hoje existem UPPS (Unidades Policiais de Pacificação)? Por que não poderiam “dominar” também o Complexo do Alemão?

Tudo é estranho, muito estranho. E agora não tem mais volta. O povo quer as Forças Armadas atuando no combate aos traficantes. Portanto, defender a retirada dos militares significa contestar a opinião pública, mas Folena, corajosamente, o fez. Se os militares se retirarem, será uma decepção. Alguém tem dúvida? Mas ninguém deve esquecer também que eles podem se banalizar e até se desmoralizar no serviço meramente policial.

Em meio a essas intrigantes questões, o mais importante é que, pouco a pouco, a realidade sobre os atentados no Rio de Janeiro começa a vir à tona. Às vezes, esta verdade flui dos próprios protagonistas, como é o caso do animador cultural José Júnior, criador do AfroReggae.

Em entrevista ao jornal “Publico”, de Portugal, José Júnior admitiu que tinha conhecimento prévio de que ocorreriam os ataques. Foi informado por seu amigo Rogério Menezes, que trabalha com ele no AfroReggae. E os dois, que não escondem o fato de serem ligados ao governador Sérgio Cabral, então foram procurar os traficantes, para conseguir que eles não fizessem os ataques antes da eleição (3 de outubro).

Vamos então conferir esse importante trecho da reportagem de Alexandra Lucas Coelho para o “Público”, com perguntas realmente muito precisas:

ALEXANDRA- Por que não fizeram os ataques na campanha eleitoral? Não seria mais eficaz como protesto?

JOSÉ JÚNIOR – Rolaram algumas mediações para que isso não acontecesse. 

– Com o Governo? 

– Não. Mediações com pessoas para evitar os ataques. Por isso é que não aconteceu. [Pausa] Vou te falar a verdade: não aconteceu, porque nós mediamos para não acontecer no primeiro turno. Não foi a pedido do Governo, não. Fizemos isso porque quisemos. A gente sabia, e entrou no circuito para não acontecer. 

– Então você  mediou… 

– Nós. Do AfroReggae. Não sou eu. 

– Ok, um grupo. Liderado por você, presumo? 

– Mas o Rogério [Menezes] participou também. Outras pessoas participaram. Inclusive a informação [de que poderia haver ataques em preparação] chegou para o Rogério e o Rogério falou para mim. Não estou falando isso porque sou generoso, mas porque é verdade.

– A iniciativa partiu de quem? 

– De nós. 

 – E foi feita com quem? 

 – Ah, não vou te falar. 

 – Com o Complexo do Alemão, com a Penha? 

– Também não vou te falar. Você tem suas fontes, eu tenho as minhas, se eu te revelar minhas fontes, elas podem morrer. E as fontes são desde traficantes a pessoas que não têm nada a ver com o crime e sabem o que está acontecendo. Fizemos essa mediação para que não acontecesse no primeiro turno. Tinha outro período em que eles queriam fazer também [ataques], no início do ano. Tinha várias situações. 

Nós trabalhamos nos presídios [onde estão muitos traficantes, e de onde partem ordens de ataques]. O AfroReaggae tem 75 projetos. Trabalha em Bangu II, Bangu III, Bangu IV, Bangu VI, Talavera Bruce [nomes de cadeias]. Então, fazemos trabalho em diversos presídios, diversas favelas e diversas facções do narcotráfico. Temos um projeto que encaminha ex-presidiários e ex-traficantes para trabalhar em empresas privadas, inclusive tem uma pessoa que foi de cada facção trabalhando aqui, encaminhando. Tem ex-traficante do Terceiro Comando, do ADA [Amigos dos Amigos], do Comando Vermelho, e essa semana agora começa a trabalhar um cara que foi da milícia. Era PM [Polícia Militar], foi preso, voltou para a milícia e saiu da milícia. Começa essa semana a trabalhar. 

***

Essa parte da entrevista de José Junior explica muita coisa. Ele foi sincero quase o tempo todo, mas não há dúvida de que tentou “proteger” o governo estadual. Ninguém pode acreditar que ele, pessoalmente, tenha tomado essa iniciativa de transferir os atentados para depois das eleições, sem se comunicar previamente com o principal interessado, o governador Sergio Cabral, seu amigo pessoal. Portanto, agora ficou claro que Cabral sabia que os ataques aconteceriam depois do segundo turno, porém nada fez para impedi-los.

Em outra parte da entrevista, também muito importante, José Júnior admite que nenhum bandido do Complexo do Alemão estava disposto a enfrentar a polícia e os militares. Ou seja, não havia a menor possibilidade de confronto.

ALEXANDRA – Voltando à  negociação no Alemão. Você lá foi no sábado [véspera da invasão militar]. O que é que aconteceu? 

JOSÉ JÚNIOR – Me pediram para ir lá, eu fui. Sugeri que não fossem para o confronto, que abandonassem as armas, que se entregassem. Mas o mérito todo é da polícia, do governador. A gente só sugeriu. 

– O que é  que eles responderam? 

– Tinha gente querendo se entregar, tinha gente… Ninguém queria ir para o confronto. Ninguém. Não teve um que falou: “Ah, vamos partir para dentro.” Ninguém falou isso. 

***

ALEXANDRA – A ordem para os ataques que puseram o Rio em pânico veio do Alemão? Isso é  claro? 

JOSÉ JÚNIOR – Não sei se é claro. A confusão de Vila Cruzeiro com o Complexo do Alemão  é muito grande. Se você fizer um google e colocar Vila Cruzeiro, vai ver que várias matérias dizem “Vila Cruzeiro, no Complexo do Alemão”, quando a Vila Cruzeiro é no Complexo da Penha. Então, se [a ordem] partiu do Alemão ou da Penha, não posso te afirmar. Seria leviano. O que posso te afirmar é que esses ataques partiram de um poder central.

 – Eram uma retaliação contra as UPP [Unidades de Polícia Pacificadora, que ocupam já  13 favelas]? 

– Acredito que sim. Quando você bota uma UPP, atinge os interesses deles. Imagina, você tem uma locadora de filme [clube de vídeo]. Aí chega o Blockbuster e acaba com as locadoras de todo o mundo. A UPP é a Blockbuster. 

***

Afinal, a que “poder central” José Júnior estava se referindo? Seria mesmo a facção que domina os complexos da Penha e do Alemão, o Comando Vermelho? Ou já haveria um “poder central”, fruto de uma aproximação entre Comando Vermelho, Terceiro Comando e Amigos dos Amigos?

Resumindo. Agora várias coisas ficam evidentes, com toda certeza: 1) José Júnior é o representante de Cabral junto aos traficantes. 2) Júnior sabia que haveria os ataques. 3) Então, o governador Sérgio Cabral também sabia, mas nada fez para evitá-los, só queria ganhar a eleição. 4) Da mesma forma, Júnior e Cabral sabiam que não haveria confronto no Alemão. 5) Os traficantes foram liberados para fugir na véspera da “invasão”. 6) A tal “invasão” do sábado, portanto, foi apenas uma grande encenação.

Concluindo. Chega de intermediários. Vamos nomear logo José Júnior para a Secretaria de Segurança, ficar numa boa com os traficantes, e deixar a vida nos levar, no estilo Zeca Pagodinho. E pensar que o Rio de Janeiro já foi uma cidade séria, hein?

Em 2011, teremos os 50 anos da renúncia de Janio Quadros e da resistência democrática liderada por Brizola, com a Rede da Legalidade

Carlos Newton

Em 2011 completam-se 50 anos da heróica resistência, iniciada no Rio Grande do Sul, sob a liderança de Leonel Brizola, então governador do RS, em defesa da democracia e da Constituição brasileira, pela “Rede da Legalidade”.

Quem nos chama atenção para esse fato é o leitor-comentarista Mário Assis, que foi Secretário de Planejamento do governador Nilo Batista e sabe muito sobre Brizola e aquela época de resistência democrática.

“Esse fato histórico, e de formidável mobilização popular, merece a realização de matérias jornalísticas que recuperem a memória nacional, mostrando às atuais gerações que a mobilização da sociedade, em defesa dos seus interesses, não é uma utopia”, destaca Mario Assis, acrescentando:

“Creio que a Tribuna, com a sua tradição de bem informar, poderia preparar uma matéria, lá pelo mês de agosto de 2011, com imagens da época, artigos e farto material informativo para relembrar esse episódio ímpar da história política recente do país”.

Como os leitores-comentaristas deste blog já até costumam escrever sobre o assunto, inclusive recentemente tivemos uma reveladora troca de opiniões sobre os chamados “Grupos dos Onze”, seguramente Mário Assis será atendido.

Nosso diretor Helio Fernandes com toda certeza também vai escrever a respeito daquele período, que ele viveu com toda intensidade e do qual é uma das principais e mais abalizadas testemunhas, assim como Pedro do Coutto e Carlos Chagas. E o próprio Mário Assis pode também dar sua contribuição, é claro.

Um saco de gatos

Carlos Chagas 

Composto o ministério, vale menos ficar calculando  quantos  ministros o PT emplacou a mais do que o PMDB ou se os ministros paulistas estão em maioria.  Fica irrelevante até  saber se os homens superam as mulheres.     Importante, mesmo, será  conhecer que diretriz Suas Excelências deverão receber e  seguir. Porque acima e além das obrigações e projetos específicos  de cada pasta, sempre existiu, em todos os governos, uma espécie de marca  geral unindo o conjunto.

Já foi o desenvolvimento, nos tempos de Juscelino Kubitschek, como havia sido a  justiça social, para Getúlio Vargas. Chegou a ser a redemocratização, com Tancredo Neves e José Sarney, a modernidade, com Fernando Collor e a flexibilização, com Fernando Henrique.  Com o Lula, pode-se concluir pela incorporação de parte das massas carentes ao mercado, ainda que algum tempo  transcorra para a  cristalização dessa hipótese.

E com Dilma Rousseff,  será mesmo válida sua promessa  de erradicar a pobreza? Se cada ministro tiver essa meta a norteá-lo, a presidente da República terá como caracterizar a grande  proposta de seu mandato. Realizar é outra história, mas precisamente na dependência da equipe agora completada e por enquanto solta no espaço.
 
Existem ministros que não se conhecem. Ministros que foram apresentados a Dilma na hora de ser convidados. Outros, até, escolhidos pelo telefone, sem ter tido oportunidade de apertar-lhe a mão. Estes,  empenhados em cumprir as determinações de seu partido, aqueles ainda sem saber direito porque ocuparão o  ministério “X” e não o “Y”. Os que serviram o governo Lula e os que pela primeira vez pisam a Esplanada dos Ministérios. 
                                                       
Em suma, até agora um saco de gatos, à espera da palavra da presidente, que já tarda.
 
PAPAI  NOEL  DE SACO  CHEIO (DE PRESENTES)
 
Hoje à noite o trenó do Papai Noel sobrevoará Brasília, distribuindo presentes. 

Antônio Palocci, da Casa Civil, receberá uma fotografia emoldurada de José Dirceu, para botar na parede. Explica-se: George Smiley, obcecado chefe do Serviço Secreto inglês,  tinha em seu gabinete a imagem de Karla, seu principal adversário, chefe da KGB. 

Para Gilberto Carvalho, Secretário Geral, um exemplar do livro “Como Fazer Amigos e Influenciar Pessoas”. Para José Eduardo Cardoso, da Justiça, a relação dos atuais ministros do Supremo Tribunal Federal que se aposentarão nos  próximos anos. 

Para Fernando Haddad, da Educação, um CD com a música “Devagar não se chega ao longe”. Para Guido Mantega uma miniatura do deus Juno, da Grécia Antiga, aquele de duas faces. Para Wagner Rossi, da Agricultura, um jogo infantil  de pá e carrinho de mão. 

Para Idely Salvatti, da Pesca, um molinete com anzol e um peixe de plástico.  Para Alexandre Padilha, da Saúde, o estetoscópio que aposentou faz muito.  Para Aloizio Mercadante, da Ciência e Tecnologia, a biografia do Dr. Silvana.

Para Mario Negromonte, das Cidades, a maquete de Salvador dos tempos em que foi capital. Para  Afonso Florence, da Reforma Agrária, um boné do MST. Para Orlando Silva, do Esporte, reportagens  de “Porque perdemos a Copa de 50”. 

Para Nelson Jobim, da Defesa,  a miniatura do caça F-18. Para Moreira Franco, dos Assuntos Estratégicos,  a última tese de Mangabeira Unger sobre a influência das  barbas do camarão egípcio nas correntes do Mar Vermelho.

Nenhum dos novos ministros deixará de receber seu presente, ainda que muitos caiam  embrulhados num significativo papel azul,  próprio para escrever bilhetes,  contendo pirulitos. 

No Congresso, Papai Noel despejará pacotes em profusão: uma peruca para José Sarney, uma vassoura para Marta Suplicy,  com instruções de Harry Potter sobre como voar, um uniforme do Super-Homem para Eduardo Suplicy, uma estrela de xerife para Pedro Simon, um título de sócio-proprietário da Praia de Ipanema para Aécio Neves, histórias  de James Bond para Roberto Requião, detalhados mapas do Chile para Marco Maciel, a biografia do General Custer  para Índio da Costa, um exemplar de “Como Era Verde o Meu Vale” para Marco Maia,  o filme “Fugindo do Inferno” para Tasso Jereissatti.

Para todos os deputados e senadores, como brinde, mensagem escrita  em letras garrafais contendo  o número IV do artigo 7 da Constituição, onde se lê que o salário mínimo atenderá as necessidades vitais do trabalhador e sua família, como moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social.
                                                       
Ao passar sobre o Supremo Tribunal Federal, o Bom Velhinho distribuirá  cópias da    crônica de um dos Felipes, rei da França, que diante de  prolongadíssimo  conclave de cardeais para escolher o  novo Papa,  em Avignon, mandou prendê-los numa pequena igreja,  da qual  retirou o teto. Expostos ao sol,  à chuva e à neve, recebendo apenas um pão por  dia, para repartir, Suas Eminências logo elegeram um deles.  

Junto com  o texto sutil estará um calendário marcando a protelação, já por quatro anos, do julgamento dos quarenta réus do mensalão,  pela mais alta corte nacional de Justiça.
                                                       
Terá  Papai Noel esquecido das duas maiores figuras  da capital federal,  o presidente que sai e a presidente que entra? Nem pensar, ainda que o segredo pareça desconhecido até  dos anões fazedores de brinquedos.  Pelos boatos, no entanto, o Lula receberá a coroa que um dia foi de D. Pedro II. E Dilma, a biografia de Margareth Tatcher.

Não se pode ter só certezas: a dúvida é essencial

Pedro do Coutto

Aqueles que acharam que o governo Dilma Rousseff  representaria apenas uma continuidade fria do governo Lula, a partir de hoje têm razão para rever o conceito simplista demais. Basta somente para isso comparar a formação das duas equipes ministeriais e observar paralelamente, com atenção, os resultados de pesquisa do Datafolha, publicada na edição de 22 da Folha de São Paulo. Foi inclusive bem comentada pelo repórter Sílvio Navarro, que destacou o que era para ser ressaltado: 83% acham que o governo que se instala a primeiro de janeiro será igual ou melhor do que aquele que termina a 31 de Dezembro.

Dos 37 cargos ministeriais, Dilma já escalou 21 novos nomes. Vinte e um, vale acentuar, não. Vinte. Porque o deputado Pedro Novais, convidado para o Turismo, depois da matéria de O Estado de São  Paulo, também de 22, certamente será desconvidado e portanto substituído.

Pedro Novais, de acordo com a reportagem de Leandro Colón, manchete da
 primeira página, pagou uma conta  no Motel Caribe, de São Luís, com a verba indenizatória da Câmara Federal. O valor foi de 2 mil e 100 reais. Destinou-se a uma festa que reuniu dez casais no motel. Assim é demais. Mas esta é outra questão.

O fato é que, como já escrevi, se não existem no mundo duas pessoas iguais, não pode haver duas administrações iguais. Cada um tem seu estilo, suas afinidades e antipatias, seus ângulos de avaliar o comportamento humano. A opinião pública, como revelou o Datafolha, percebeu este lado da vida, que vale e se ajusta plenamente ao universo político. Alguns analistas brilhantes, como Élio Gáspari entre eles, acreditam na plena continuidade. Eu não. Nesta altura do campeonato, dou valor à dúvida muito maior do que atribuía há quarenta anos.

É como disse no título deste artigo: não se pode ter só certezas, a dúvida é essencial. Sempre essencial, aliás. Vejam os leitores o exemplo na matemática. Se Einstein não tivesse dúvida quanto a total procedência da lei de Isaac  Newton, quase duzentos anos antes dele, não teria chegado à relatividade em 1905, aos 25 anos. Einstein consolidou sua visão entre 1931 e 1933. Com isso, não foi só a física que mudou. A alteração gerou mudanças no próprio pensamento humano na ciência, nas artes, na política, no modo de se analisar os fatos e as pessoas. Tudo é relativo, a frase ficou para sempre.

A relatividade é um marco em todo o processo de cultura, indagação, divagação, descoberta. Incessante o processo. Como o passo gigantesco de Sigmund Freud com a Psicanálise. Obras, como algumas de Shakespeare, passaram a ser encenadas de outra maneira. Otelo, por exemplo, Hamlet, outro exemplo. Enfim criou-se um ciclo totalmente diferente de ver e rever a atuação do ser humano.

Na política, então, os emblemas são infindáveis, renovando-se inclusive a cada passo. Muitos antecessores elegeram seus sucessores achando que continuariam no poder. Ledo engano. Poderia citar tantos casos dos quais tenho conhecimento. Fico com dois deles. Nas eleições de 55, JK conduziu o vice João Goulart à vitória nas urnas. Jango, um ano antes, havia perdido a disputa para o Senado pelo Rio Grande do Sul para Armando Câmara e Daniel Krieger. No auge da crise de 64, não atendeu no Palácio Laranjeiras, onde estava acuado, um telefonema urgente de JK.

Em 79, Ernesto Geisel fez de João Figueiredo seu sucessor. Condição, manter Golbery do Couto e Silva na Casa Civil. Golbery ficou só 15 meses no posto. Foi demitido na crise da bomba no RioCentro. Onde ficou a continuidade? No espaço, como se diz por aí.

E um Feliz natal para todos.

Faltam 8 dias, cansativos, infundáveis e dispersivos, para Lula “desencarnar” e Dona Dilma se materializar. Haja o que houver, ela é presidente eleita. Lula diz: “Por MIM”.

Helio Fernandes

A página 3 de “O Globo” de ontem, do alto até o final, preenchida (?) com a foto de 35 ministros. Alguns se julgando mesmo ministros, embora ocupem apenas secretarias, outros nas secretarias oficiais, mas exigindo o tratamento de ministros.

Pode ser engraçado, ridículo, extravagante, mas não anormal. Mais dois, e Dona Dilma  atinge o mesmo número de 37, que foi o alarme e a conquista da “governabilidade” para Lula.

FHC sempre gostava de repetir, era uma forma de aparecer: “Sem medida provisória não há GOVERNABILIDADE”. Era a sua realidade. Votos no Congresso, comprava quando necessário, e aconteceu para obter a REELEIÇÃO no cargo.

Lula, que nem sabia muita coisa, apostou (e ganhou) na GOVERNABILIDADE negociada, e foi negociando dia-a-dia, pagando o preço do mercado. Não fez a REFORMA PARTIDÁRIA, que entre as mais NECESSÁRIAS ou INDISPENSÁVEIS, é sem dúvida a mais importante.

É culpa e desastre representativo, vindo diretamente do presidencialismo-pluripartidário, grande alimentador da corrupção. Lula não precisou fazer essa reforma, Dona Dilma nem examinará qualquer projeto que possa atingir as cúpulas partidárias. Não vai hostilizá-las.

Já disse e volto a constatar: esses 35 ministros (por enquanto) podem aumentar. Não representam nada nem ninguém, também não representarão (insisto na palavra para ressaltar a importância da REPRESENTATIVIDADE) nenhuma divisão ou confronto anti-Dilma.

Esses 35 ministros colocados e garantidos nos seus “15 minutos de fama”, não comerão  as castanhas de Natal de 2010, não terão tomado posse. Muitos deles não comerão as castanhas de Natal de 2011, o prazo de validade deles já estará esgotado.

Os problemas gravíssimos que exigirão esforços exaustivos da parte de Dona Dilma, não virão da área ministerial, não serão mesmo pessoais. É evidente que, se tivessem outro gabarito, poderiam ajudar. Mas primários e desconhecidos, não prejudicarão.

 ***

PS – Napoleão gostava muito de repetir: “Não tenho medo do inimigo pela frente, só do vento pelas costas”.

PS2 – Se Dona Dilma quiser segui-lo, e como o que pode vir por trás dela não será um simples vento, e sim um vendaval, que não deixe de olhar, ao mesmo tempo (será possível?) para todos os lados.

PS3 – No momento sopra ligeiramente. Se pretender se avolumar apenas para 2014, nada grave. O pior de tudo, que não deixam mesmo de forma indevassável, é se começar a crescer avassaladoramente, logo a partir de 2011. Aí, o que fazer?

Os jornalões agora não informam nem opinam: adivinham. E Franklin Martins vai para a Record.

 Helio Fernandes

 Manchete da Folha: “Para 83 por cento, Dilma vai ser igual ou melhor que Lula”. Esse VAI SER dói no ouvido, tinham que colocar SERÁ. (Havia espaço na linha do computador).

E fazem análise espectral que chamam de especial, garantem: “A maior esperança está na área da saúde, pior expectativa no combate à corrupção”.

A grande esperança devia estar simultaneamente nos mais diversos setores: Saúde, Educação, Transportes, Infraestrutura, Portos, Aeroportos, e mais e mais, incluindo Saneamento. Na campanha foi o grande “shute” de Dona Dilma, deu números “investidos”, faltava fazer tudo.

FRANKLIN MARTINS: A VOLTA SEM REVOLTA?

Já “fechou” com a TV Record, nenhuma dificuldade. Falta conversar com a jornalista Ana Paula Padrão seu espaço no jornalismo, dominado por ela. Só deve assumir depois de março.

Conversa também como uma revista, muita gente surpreendida quando revelei, logo depois da eleição, que “poderia ser a Veja”.

 

Mudança na data da posse, por causa do orçamento

Helio Fernandes

Já que discutem tanto esse polêmico orçamento, uma revelação. Foi por causa dele, que mudaram extravagantemente a data da posse, de 31 de janeiro para o dia 1º do mês e do ano.

Motivo: com a posse no último dia de janeiro, o presidente que acabava o mandato e saía gastava “um doze avos” do orçamento, referente a janeiro, estava autorizado.

Agora, tendo que passar o governo no último dia do ano ou o primeiro do seguinte, quem vem à posse? Ninguém, perdão, Dona Clinton, é profissional de  viajar, de viver dentro de aviões.

VERBAS PARA ONGs

O deputado do PSDB do Rio Grande do Norte. Rogério Marinho, proibiu EMENDAS PARA ONGS no setor da Cultura. Mas continuam nos outros. Não seria melhor uma CPI para investigá-las?

ORÇAMENTO AUTORIZATIVO

Lula está tão empolgado e iluminado com a conseguida repercussão “que briga até pelo desnecessário”. A senadora do Mato Grosso do Sul, Serys Slhessarenko, cortou 3 bilhões, ele gritou, exclamou, retumbou. “se tirar esses 3 BILHÕES, EU VETO”. Como a senadora é do PT (de qual?), se apavorou, mudou tudo. Disse: “O presidente pode recompor os quesitos por decreto”.

“Brigaram” por espaço na mídia. Mestre Afonso Arinos, como deputado e mais tarde senador, brigava pelo país: “O orçamento tem que ser IMPOSITIVO, ou os presidentes da República fazem o que querem”.

General Videla, o maior torturador da ditadura da Argentina, finalmente foi condenado à prisão perpétua. Enfim.

Helio Fernandes

Foi um dos maiores e mais selvagens ditadores da América do Sul. Foi a que durou menos (1976/1983), é considerada a que matou mais. Os cálculos ficam entre 40 e 50 mil mortos, o dobro dos que morreram na ditadura do Brasil e do Chile.

As três foram patrocinadas, comandadas e executadas pelos EUA. Os governos organizados, foram derrubados por contrariar os interesses americanos, mas eram acusados de “serem comunistas”. Que na época servia para tudo.

Em 1978, na Copa do Mundo, estive na Argentina, escrevia de lá, diariamente, falava do general Videla e do Almirante Massera (outro carrasco, esteve em prisão domiciliar, nem sei se morreu), é lógico, só deixavam sair o que escrevia sobre a Copa propriamente dita.

A reação popular na Argentina foi muito maior, por causa da generosa reação das mulheres que entraram para a História da RESISTÊNCIA, como “AS MÃES DA PRAÇA DE MAYO”. Heroínas mesmo. E que depois se reproduziram como as “filhas da Praça de Mayo”, exemplo e herança de dignidade, força, caráter, desprendimento.

Videla está com 85 anos, devia ser condenado à morte (foi o que o Procurador-Geral pediu), mas na Argentina não existe pena de morte. Justificativa textual do Procurador Geral: “Aceito que isso vigore em tempos normais, também sou contra a pena de morte. Mas para quem ASSASSINOU tanta gente, só a morte seria pelo menos a redenção para quem lutou tanto contra esses monstros”.

 ***

PS – Foram feitos dois filmes excelentes sobre a ditadura do Chile e a do Brasil. As duas com o mesmo diretor, Costa Gavras.

PS2 – O filme sobre o Brasil teve como título “Estado de Sítio”, não é o melhor. O do Chile, libelo terrível, RESPONSABILIZANDO DIRETAMENTE o governo dos EUA, se chamou “Desaparecido”.

PS3 – Costa Gavras já havia feito antes, um dos melhores filme da sua história, sobre a ditadura soviética. Se chamou “Confissão”. Ele não deixou de denunciar nenhuma ditadura.

Cabralzinho: exibicionismo e desrespeito com Dona Dilma

Helio Fernandes

A presidente eleita, passou quase um dia no Rio inaugurando o inexistente. Acompanhando-a, lado a lado, o governador. Até aí, natural.

Mas o que surpreendia a todos: o governador ficou sempre enlaçando os ombros de Dona Dilma. Falta de respeito. Exibicionismo depois do desgaste do episódio aviltante do Ministério da Saúde. E mais, com esse calor todo do Rio, Dona Dilma não aguentava mais.

MICHEL TEMER: IDIOTA E DESNECESSARIAMENTE

“O aumento de salários era aspiração dos parlamentares”. Foi bom ele explicar, o cidadão-contribuinte-eleitor acreditava que os parlamentares FOSSEM CONTRA.

Sensacional, em pleno Senado, o pronunciamento do bispo de Limoeiro do Norte, dom Manuel Cruz, recusando a Comenda dos Direitos Humanos, “por causa do absurdo auto-aumento”.

O senador Inácio Arruda, comunista histórico, que presidia a sessão, vibrou e cumprimentou o bispo, do seu Estado, o Ceará.

RESPOSTA A CARTAS IMPERDÍVEIS. Por que mais de 30 navios brasileiros afundados na Segunda Guerra Mundial? E qual a razão do Japão ter atacado os Estados Unidos em 7 de dezembro de 1941? Sem declaração de guerra.

Helio Fernandes

No primeiro caso, o assunto foi muito debatido aqui, com opiniões, análises e até suposição bastante bem desenvolvida. Todas elas podendo se transformar em realidade, embora jamais haja explicação. A não ser que surja um WikiLeaks voltado exclusivamente para a Segunda Guerra Mundial.

Minha predileção vai para os que deram como justificativa, a necessidade dos alemães cortarem “os suprimentos comerciais”, impedir que o Brasil “abastecesse os adversários e inimigos dos nazistas’. Como praticamente todos os grandes países estavam envolvidos no conflito, compravam no Brasil.

Compravam e não pagavam, transformavam em créditos. Mas o governo (Vargas) precisava pagar aos fornecedores, ou todos iriam à falência. E como no mundo inteiro os governantes (ou pelo menos uma parte deles) consideravam que a solução seria trocar a moeda, muitos fizeram isso, antes e depois.

Com a inflação crescendo, e Souza Costa (que ficou 12 anos como Ministro da Fazenda) sem nenhuma criatividade,  Vargas resolveu intervir pessoal e imediatamente.

Assim, no dia 22 de dezembro de 1941, publicou no Diário Oficial: “A partir do dia 1º de janeiro de 1942, o mil réis desaparece, substituído pelo cruzeiro”.

Em 1945, dois anos e meio depois, tudo aconteceu. A guerra acabou (8 de maio), a ditadura foi derrubada (29 de outubro), Dutra foi “eleito” (2 de dezembro) e dissipou, desperdiçou e desbaratou todas as reservas.

***

PS – O Marechal Dutra assumiu em 31 de dezembro de 1946, fez um governo péssimo, mas surpreendentemente correto, principalmente para um cidadão que manteve a ditadura no Poder (foi 8 anos Ministro da Guerra do Estado Novo).

PS2 – Também não roubava, talvez fosse pior. O Brasil tinha como reservas (ouro) mais ou menos 15 BILHÕES DE DÓLARES. Dutra jogou tudo fora.

PS3 – Os americanos, acostumados a comprar ouro pagando preço de matéria plástica, e vender matéria plástica a preço de ouro, ficaram com tudo. Ou melhor: passamos a “DEVER” a eles.

PS4 – A seguir, o massacre de Pearl Harbour.

O massacre de Pearl Harbour, considerado impossível por causa da distãncia. O Japão queria os EUA no conflito. Os americanos não queriam, tiveram que lutar.

Helio Fernandes

Em relação à guerra Japão-EUA, foi toda planejada, preparada, executada. O grupo chamado de nazi-nipo-fascismo, na verdade se resumia aos dois primeiros países. Mussolini, (que não conseguiu invadir a Etiópia, derrota frustrante), era ridicularizado, humilhado, desprezado).

Hitler foi invadindo toda a Europa, “protegido” pela imprudência do primeiro-ministro da Grã-Bretanha, o homem do guarda-chuva (não o abandonava), Neville Chamberlain, e do primeiro-ministro da França, Eduardo Daladier. Com medo da guerra, foram cedendo tudo a Hitler, perderam a guerra antes dela começar.

Começaria no dia 1º de setembro de 1939, quando selvagem, cruel e monstruosamente, Hitler e Stalin (ALIADOS, isso mesmo, com o “Tratado de Não-Agressão” desde 1º de março do mesmo 1939) massacraram a Polônia.

Coube então ao Japão provocar os EUA, colocá-los na guerra. No dia 30 de novembro de 1941, o embaixador do Japão nos EUA, num encontro particular com o secretário de Estado Cordell Hull, pediu uma entrevista especial com o chanceler do Japão, que iria aos EUA unicamente para conversar com ele.

Alegando dificuldades na viagem (o que existia mesmo naquela época), pediu que a entrevista fosse “marcada para dentro de uma semana, 7 de dezembro, ao meio dia”. Sem imaginar qualquer manobra ou armadilha, Cordell Hull aceitou a data. Exatamente ao meio dia desse 7 de dezembro, quando estava com os dois diplomatas japoneses, recebeu telefonema da Casa Branca, comunicando o que acontecera em Pearl Harbour.

Perplexo, não podendo acreditar, Cordell Hull teve um início de enfarte, abaixou a cabeça na mesa, os dois embaixadores foram embora. Mais tarde Cordell Hull foi à Casa Branca, contou todo o episódio ao presidente Franklin Delano Roosevelt.

O povo americano não aceitava a guerra de jeito algum. Estavam num momento de prosperidade, queriam gozá-lo. Havia um forte movimento que se chamava de “ISOLACIONISTA”. Era articulado por um herói de 40 anos, o coronel Charles Lindberg, que em 1927, com 26 anos de idade, assombrou o mundo, atravessando o Atlântico num avião minúsculo, indo de Nova Iorque a Paris em 36 horas.

Chamado pelo próprio presidente Roosevelt, Lindberg comunicou a extinção do movimento, se apresentou com coronel aviador, nos 4 anos da guerra (para os EUA) lutou até o fim.

Quanto ao fato de ninguém ter percebido nada de estranho no extenso trajeto percorrido pelos japoneses, existem muitas versões. Disparatadas, algumas com fundo (ou hipótese) de verdade.

Em março de 1942, Roosevelt nomeou o jovem economista John Kenneth Galbraith para Coordenador da Mobilização econômica, ou seja, transformar toda a indústria de paz em indústria de guerra.

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PS – Jamais se saberá como os japoneses atravessaram milhares de quilômetros, sem serem descobertos. Foram pressentidos, lógico. Alguns não acreditaram e foram dormir. Outros não quiseram acreditar e também foram dormir.

PS2 – Mas dois documentos são inesquecíveis, pertencem à História da Humanidade. O filme “Tora!Tora!Tora!”, documentário magistral de tudo o que aconteceu. Da saída de Tóquio à chegada a Pearl Harbour, a volta vitoriosa.

PS3 – A entrevista do Almirante Yamamoto, que planejou, comandou e executou tudo. Fascinante, empolgante e emocionante confissão da traição. Ele só pensava que servia ao seu país. Em nenhum momento, acreditou que “existisse o outro lado”.

PS4 – Agradeço a todos que escreveram sobre os dois assuntos, são tantos, não deu para colocar todos os nomes. Espero que se reconheçam nas recordações.

A nova política dos governadores

Carlos Chagas
                                             
A semente foi lançada pelos oito governadores do PSDB, parece que  germinará em outros partidos, compondo um jardim de flores diversas, mas  com o mesmo perfume. Até os  governadores do PT dispõem-se a integrar o conjunto dos que pretendem relacionar-se com a presidente Dilma Rousseff falando uma só língua. Qual? A de que estão prontos para colaborar com o novo governo, desde que recebam igual tratamento por parte do palácio do Planalto. Nada de chegarem a Brasília de chapéu na mão, muito menos para receber reprimendas e admoestações.
                                             
Não se fala do retorno à  velha política de governadores, sequer da divisão regional entre eles, como por exemplo os do Nordeste reivindicando uma coisa, os do Norte, outra, e assim por diante. O quadro em vias de ser montado será nacional. O que for bom para uns será bom para outros.
                                             
A primeira questão que poderia separar os governadores está sendo equacionada satisfatoriamente. Trata-se da divisão dos recursos gerados pelo pré-sal.  Pela proposta do deputado Ibsen Pinheiro, partes iguais do lucro  futuro seriam destinadas a todos os estados. O presidente Lula vetou a cláusula de igualdade, permitindo que São Paulo, Rio e Espírito Santo, estados com  litoral aberto à nova riqueza, venham a ser melhor aquinhoados que os demais. Não perderão a receita atual e a prevista.

A novidade em termos de união dos governadores é que os outros não deverão protestar nem mobilizar suas bancadas para derrubar o veto do presidente, de resto apoiado pela sucessora. Afinal, as despesas aumentaram e muito mais aumentarão nas cidades e regiões onde a indústria, os serviços e congêneres petrolíferos se instalaram e se instalarão.
É natural  que Sérgio Cabral, Geraldo Alckmin e Renato Casagrande reivindiquem mais dinheiro por conta das estradas, habitações, escolas, hospitais, portos  e sucedâneos que necessitam implantar  para enfrentar o novo desafio, incluindo  o vertiginoso aumento das populações nos locais escolhidos para processar o petróleo recém-descoberto.
                                             
Por enquanto as conversas entre os governadores tem sido promissoras, independentemente das filiações partidárias. Admite-se, até, que no correr de janeiro venham a definir uma data para se apresentarem juntos, na capital federal, para diálogo comum com a nova administração. 

Aliás, juntos estarão pela primeira vez na posse da presidente, ainda que diluídos entre ministros,   convidados e a emoção da cerimônia. Tanto os 14 eleitos quanto os 13 reeleitos demonstram bons propósitos. Resta saber até quando, registrando-se apenas uma disputa entre eles: qual será o primeiro estado a ser visitado por Dilma Rousseff, como presidente da República?

O BENEFÍCIO DA DÚVIDA

Composto o novo ministério, não há como deixar de concluir ter sido o ministério possível, não o ideal. É cedo para saber se será o “ministério da experiência” de que falou Getúlio Vargas pouco antes de assumir,  em janeiro de 1951. Pode ser, mas, ao menos por enquanto, cada um dos ministros terá oportunidade de revelar-se competente. O diabo é que uns logo demonstrarão ser mais competentes do que outros.

Ignora-se a mecânica de funcionamento do novo governo, isto é, se Dilma Rousseff despachará com todos os ministros, habitualmente, ao contrário do que fez o presidente Lula.   O mais provável é que pelas manhãs  reúnam-se  com ela os ministros da casa, com gabinete no palácio do Planalto, mais os comandantes da política econômica, mas nem isso parece resolvido.

À ESPERA DO PLANO DE GOVERNO

Tirante as generalidades expostas durante a campanha, está a presidente Dilma Rousseff devendo um documento ou um pronunciamento onde particularizará suas metas de governo. Suas prioridades, objetivos e propostas nos diversos setores, do econômico ao financeiro, do social ao do desenvolvimento, segurança, saúde e educação, entre outros.

Na República Velha esse conjunto chamava-se “plataforma”, lida durante um banquete encasacado na presença de líderes políticos. Alguns presidentes, quando ainda candidatos, como Juscelino Kubitschek e Getúlio Vargas, expunham seus planos e projetos nesse período. Outros, já eleitos, antes de assumir, como Fernando Henrique. Alguns, como Jânio Quadros, deixavam para depois da posse. Quanto a Dilma Rousseff, permanece a dúvida, ainda que  faltem nove dias para ela receber a faixa presidencial.�
 
ONDE PESCAR?

O presidente Lula já terá decidido, mas não conta para ninguém onde passará as primeiras semanas depois de deixar o poder. Fala-se em férias numa praia do litoral do Nordeste ou numa fazenda do Pantanal, à beira de um rio. Viajar para o exterior parece fora de cogitações, mas voltar direto ao apartamento de São Bernardo seria tornar-se prisioneiro, sem poder sequer descer à calçada.  Como assinalamos dias atrás, não haverá um jornal que não venha a criar uma nova editoria para acompanhar os passos do ex-presidente.

Voos e aeroportos, soluções são sempre em cima da hora

Pedro do Coutto

O Brasil já foi considerado o país do futuro, título de livro de Stefan Zweig, 70 anos atrás, atravessou o tempo crescendo e progredindo, mas os problemas que surgem dependem sempre de soluções de última hora, das decisões em cima do laço, no sufoco. Vejam agora o caso do transporte aéreo: mais uma confusão que se repete, por falta de planejamento e previsão, por falta de uma política trabalhista.

Grave lacuna em nossa legislação. Nas bastassem os precedentes de todos os anos, agora, véspera de Natal os obstáculos reaparecem. Aeroviários ameaçam entrar em greve. Empresas, em consequência desta perspectiva, forçam aumento das tarifas, para atender as reivindicações, o Ministério da Defesa se envolve tardiamente, passa a bola para a ANAC, e os jornais publicam nas primeiras páginas fotos de filas e reportagens das justas reclamações dos que desejam e precisam viajar.

Por que não são tomadas providências preventivas? Não se sabe. Sabe-se apenas que é da nossa cultura adiar as decisões, transferir-se as responsabilidades. O ministro Nelson Jobim, por exemplo, só agora acionou a Procuradoria do Trabalho para que entre imediatamente em contato com o Sindicato dos Aeroviários e encontre uma solução que impeça a paralisação ou uma operação tartaruga nos aeroportos e, em consequência, no transporte aéreo.

O Globo de terça-feira, reportagem de Geraldo Docca e Wagner Gomes, revelou que de 7 mil partidas programadas para o Tom Jobim, houve atrasos em média de 25,7% e 3% de cancelamentos. Isso quanto à TAM. Relativamente à WEBJET, os cancelamentos representaram 6%, os atrasos passaram de 51%. Nas demais empresas a situação não pode ter sido muito diferente. Uma espera enervante para os passageiros que ficam em dúvida se conseguem ou não embarcar e principalmente decolar.

Horas e horas de espera. Incrível. Pois todo mundo sabe que as classes assalariadas, a certa altura de cada ano, vão se movimentar para conseguir que seus vencimentos sejam reajustados. A partir do governo Fernando Collor até o governo Lula, os valores do trabalho humano foram comprimidos, perdendo para os índices inflacionários registrados pelo IBGE e pela Fundação Getúlio Vargas.

No governo Lula, cujas cortinas estão se fechando, passaram pelo menos a empatar, exceto o salário mínimo que incorporou mais do que evaporou em matéria de poder aquisitivo. Foi um avanço, já que tudo é relativo. Entre os aeroviários, à primeira vista parece que nenhum dos integrantes da categoria situa-se no primeiro andar da pirâmide, porém o custo de vida sobra para todos.

O Ministério da Defesa, a quem está afeta a questão, não teve, mais uma vez, a capacidade de prever e agir antes da crise começar. Tem sido sempre assim, como frisei há poucas linhas. Esperemos que da madrugada de hoje para a de amanhã, os problemas sejam superados sem o sacrifício dos passageiros. Esperemos. Mas deste episódio confuso resultante da omissão do poder executivo, fica mais uma lição entre tantas outras.

É indispensável que o país possua uma política trabalhista definida. Uma política que, anualmente, em data acordada, estabeleça a reposição inflacionária, movimento que não se confunde com aumento. Reajuste é para repor a inflação. Apenas isso. Aumento é o percentual acima do que define o IBGE como elevação do custo de vida. Reposição não deve ser tema de debate. Aumento real, sim. Este dependerá de acordo tendo como base os níveis de produtividade. Tal mecânica eliminaria as tensões sociais que se espalham e acumulam. No caso aéreo, a omissão amplia até o peso dos aviões sobre a lei da gravidade.

Uma escolha à altura

José Carlos Werneck

Ao que tudo indica, ficou para a presidente eleita Dilma Roussef a incumbência de indicar o novo membro do Supremo Tribunal Federal, para a vaga aberta em decorrência da aposentadoria do ministro Eros Grau. O presidente Lula deixou à futura presidente uma excelente oportunidade para nomear um cidadão com todas as qualificações necessárias para ocupar um dos cargos mais importantes da República.

Assim a nova presidente poderá escolher uma pessoa que reúna todos os predicados exigidos para integrar nossa mais Alta Corte de Justiça. O Supremo Tribunal Federal já abrigou nomes da envergadura de José Eduardo do Prado Kelly, Adauto Lúcio Cardoso, Aliomar Baleeiro, Evandro Lins e Silva, José Carlos Moreira Alves, Luiz Gallotti, Xavier de Albuquerque, Eloy da Rocha, Ribeiro da Costa, Oswaldo Trigueiro, isto só para citar alguns dos inúmeros membros, que além do notório saber jurídico e reputação ilibada, reuniam independência política, coragem pessoal, desapego a vaidades, além de vasta cultura geral, grande inteligência e erudição.

O próximo indicado deve reunir todas essas qualidades, para restabelecer quaisquer desgastes, que o STF, possa ter sofrido, nos últimos tempos. Num momento em que o novo Congresso Nacional, com pouquíssimas e honrosas exceções está carente de grandes nomes e abriga em seus quadros representantes medíocres e figuras, no mínimo exóticas, cabe ao mais alto Tribunal do País ser um ponto de equilíbrio para a salvaguarda das Instituições democráticas e garantia das liberdades tão arduamente conquistadas pelo povo brasileiro.

O Supremo Tribunal Federal, ao longo de sua história, tem dado aos jurisdicionados, através de suas decisões, exemplos pujantes de respeito à Constituição e às liberdades individuais. Para manter este padrão de excelência precisa sempre abrigar em seus quadros, o melhor dos melhores, para que o nível de qualidade seja o mais elevado e que atenda às altas atribuições que a função requer.

Tudo isto a futura presidente Dilma Roussef deverá levar em conta,quando, acredito, logo nos primeiros dias de seu Governo, tomar a importante decisão de submeter ao Senado Federal, o nome do escolhido para ser o novo ministro do Supremo Tribunal Federal.

Painéis de Portinari no Teatro Municipal, exibidos numa bagunça e desprezados por Lula

Helio Fernandes

Trazidos da ONU para serem restaurados no Brasil, foram apresentados ontem. Multidão presente, ninguém pôde ver nada. Eu que já vi o painel maravilhoso toda vez que ia a Nova York (Manhattan) fiquei impressionado com a bagunça. A abertura foi às 10 da manhã, Lula prometeu chegar a essa hora.

Até as 15 ainda nao havia chegado, nem uma simples comunicação. Saberia quem foi Portinari, o que significa para o Brasil? Se sabia, desatenção e desprezo, inomináveis e inacreditáveis.

Faltam 9 dias para Lula abstrair, Dona Dilma assumir, ficar quatro anos inteiros, ou mais quatro, se as coisas se encaminharem para isso. Mas para ele tudo é fanfarronice, para ela, o que sobrar.

Helio Fernandes

Não foi com a entrada do verão que os problemas esquentaram para Dona Dilma. Rigorosamente reconhecido por todos, (incluindo ela) que deve a eleição ao próprio Lula, as complicações não são compreensíveis ou incompreensíveis, apenas visíveis.

Muitos analistas amadores localizaram e localizam dificuldades para ela, na formação do ministério. Segundo esses meteorologistas da política, (que erram tanto quanto os que ensinam com que roupa ou guarda-chuva devemos sair de casa), a maioria dos Ministros foi indicada por Lula. E aceita pacificamente por ela. Não foi assim, mesmo que fosse, o obstáculo maior a ser ultrapassado não vem daí. É muito mais grave.

Imposta pelo próprio Lula, Dona Dilma não teve tempo de examinar o extraordinário presente que recebia, não pôde nem examinar a validade do que lhe garantiram. Na campanha, o que não foi discutido nem negado por ninguém, é que ela ganharia, se empossaria em 1º de janeiro de 2011, e daí, um futuro que nem Deus reconhece. Ou garante.

Mas ela e todos esperavam que pelo menos a posse e o prazo do fim do mandato fosse janeiro de 2015, quatro anos depois. Se esse tempo já era longo demais para “adivinhações”, imaginem estender a análise para quatro anos depois, ou seja, de 2015 até 2019. Estava escrito (na Constituição), mas ela não criaria problemas para Lula, a partir daí. Mas de antes?

Não é nem conceito ou definição arbitrária e insanável, dizer: “Dona Dilma ficaria satisfeita em ser presidente por 4 anos”. Isso daria prazer e orgulho em qualquer biografia, e nem se fala, fazendo parte indiscutível de uma autobiografia.

Era até imaginável que Luiz Inacio Lula da Silva, desde 1989 vivendo em função da Presidência da República, fosse surpreendido pelo fim da rotina Planalto-exterior-Alvorada-exterior-Planalto. Mesmo nas três derrotas anteriores às duas vitórias, a constante era a conquista da Presidência da República. Sempre sonhou com isso.

Não a ponto de “sentir saudades” antes mesmo de ficar livre dessa rotina inimaginável, que explorou até a exaustão. A ponto de ter aparecido com mais de 80 por cento de popularidade. Que muitos não confirmam, preferem colocar como “popularidade”.

Talvez tenha, ou vá lá, mereça essa consagração, mas o país foi beneficiado na mesma proporção? Ou foram quesitos mal avaliados, como costuma acontecer no Sambódromo? Só que o Sambódromo de Lula é muito maior e tem 190 milhões desfilando em homenagem a ele. Que assiste, gostosa e prazerosamente.

Só que as dúvidas e contradições de Lula (e de porta-vozes), questionam não possíveis erros, equívocos ou desacertos da nova presidente, e sim a compensação-satisfação que Lula acha que merece. A de VOLTAR AO PODER.

Mas espantosamente as colocações vão se somando, ou até se multiplicando, e já identificam essa imaginária (não para ele) volta ao Poder, não em 2014 e sim A QUALQUER MOMENTO. Ou seja: imediatamente, como o próprio Lula deixa entrever.

Primeiro foi o mais autorizado de todos, Gilberto Carvalho, que falou: “Lula pode voltar”. Deliberadamente deixou em branco a DATA DESSA PRESUMIVEL VOLTA. Ele e Lula devem ter confessado, rindo: “Quem quiser que entenda o que chamamos de VOLTA”.

Ontem, abrindo o jogo ou o cassino das inconclusões, Lula disse em entrevista: “Sou um político nato”. É preciso examinar, entender, decodificar o que se esconde nessa frase. Todo presidente é e tem que ser um “político nato”. A Presidência é o auge e o apogeu da política. Fora da política, só se consegue a Presidência d-i-t-a-t-o-r-i-a-l-m-e-n-t-e.

 ***

PS – Dona Dilma reagiu não atrevidamente, mas com muita coragem, a tudo isso, demitindo Ciro Gomes, antes mesmo de ser nomeado.

PS2 – Ontem em perguntava: “Será Dona Dilma estrategista?” Tendo que decidir no PSB (Partido Socialista Brasileiro) entre o governador de Pernambuco (Eduardo Campos) e o ex-governador do Ceará (Ciro Gomes), tomou posição que pode ser considerada alerta.

PS3 – Eduardo Campos poder ser um aliado para o governo, e até para um possível (ou até impossível) confronto não esperado antes, praticamente assinalado agora.

PS4 – Ciro Gomes é tergiversante, incógnita, delirante, “político inato”, ainda mais convicto do que o próprio Lula.

PS5 – É quase impossível admitir que Ciro possa ser aliado, a não ser que seus possíveis parceiros não tenham objetivos, aceitem mesmo inadvertidamente, os dele.

PS6 – Amanhã, faltarão 8 dias para a posse de Dona Dilma. Todos os ministros escolhidos, convidados e confirmados, tomem nota e estudem o que aconteceu com Ciro Gomes. Pode se repetir com os outros 36, ainda não empossados.

Carlos Arthur Nuzman, denunciado pelo TCU, acusado de escândalos, irregularidades, desvio de dinheiro, presidiu Festa Olímpica ao lado de Lula

Helio Fernandes

Saiu no Diário Oficial, nenhum  jornalista publicou, o presidente do COB (Comitê Olímpico Brasileiro) “é da casa”. O que foi apurado pelo Ministro do TCU, José Jorge, ratificado pelo plenário, não vale nada, Nuzman nem se incomoda.

Tanto que anteontem, quase até a madrugada, distribuiu “prêmios olímpicos”, e o ainda presidente Lula não se afastou. Nuzman está há 16 anos dominando o COB, não dá a menor impressão de que está de saída.

 ***

PS – Estava tramitando na Câmara um projeto limitando os mandatos dele e de Ricardo Teixeira. Os dois se movimentaram, o projeto foi engavetado.

PS2 – A propósito; o presidente da CBF não estava lá, nem foi convidado. Ele e Nuzman são brigadíssimos, se dizem irreconciliáveis. Ha!Ha!Ha!