Rússia e China se unem para neutralizar ação dos EUA e aliados no Oriente Médio

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Rússia e China estão se unindo,22 até militarmente

Pepe Escobar
SputnikNews

Uma mudança geopolítica tectônica aconteceu em Astana, Cazaquistão, há poucos dias. Mas ainda não se viu nem qualquer mínima repercussão nos círculos ocidentais. Na reunião anual da cúpula da Organização de Cooperação de Xangai (OCX), fundada em 2001, Índia e Paquistão foram admitidos como membros plenos, como Rússia, China e Cazaquistão, Uzbequistão, Quirguistão e Tadjiquistão. Assim sendo, a OCX já é não apenas a maior organização política do mundo, por área e por população, como também reúne quatro potências nucleares.

O G-7 é irrelevante, como se viu claramente na recente reunião em Taormina. Ação à vera doravante, à parte o G-20, virá desse G-8 alternativo.

GANHA-GANHA – Permanentemente desqualificada no Ocidente já há uma década e meia como se não passasse de mero salão de conversas, a OCX, lentamente, mas sem parar nunca, continua a promover um quadro que o presidente Xi Jinping, da China, qualifica, de forma discreta e muito atenuada, como “um novo tipo de relações internacionais com vistas a cooperação ganha-ganha”. É o mínimo que se pode dizer, do grupo no qual se reúnem China, Índia e Paquistão.

A marca OCX, sob o jogo do radar, é muito sutil. A ênfase inicial, quando se entrava no mundo pós-11/9, foi combater contra o que os chineses chamam de “os três males” – o terrorismo, o separatismo e o extremismo. Nesse sentido, Pequim e Moscou, desde o início, pensavam nos Talibãs no Afeganistão e nas suas conexões centro-asiáticas, especialmente por conta do Movimento Islamista do Uzbequistão (MIU).

AFEGANISTÃO – Agora, a OCX está ativamente alertando para a “deterioração” da segurança no Afeganistão e conclamando todos os membros a apoiar o processo de “paz e reconciliação”. É a senha para a OCX, daqui em diante, engajar-se diretamente em encontrar uma solução “completamente asiática”  para o Afeganistão (com ambos, Índia e Paquistão, também a bordo), que transcenda o “remédio” sempre fracassado do Pentágono – apenas mais soldados.

A OTAN perdeu miseravelmente a guerra que fez no Afeganistão. Os Talibãs controlam hoje pelo menos 60% do país – e continuam a avançar. E para acrescentar insulto supremo à ofensa previsível, o Estado Islâmico do Corasan (EIC), braço do Daech no Afeganistão, acaba de capturar Tora Bora, onde, nos meses finais de 2001, os B-52s do Pentágono insistiam em bombardear Osama Bin Laden e Ayman al-Zawahiri, que já estavam muito longe de lá.

Que ninguém se engane: a OCX agirá, sim, no Afeganistão. E essa ação incluirá levar os Talibãs à mesa de negociações. A China acaba de assumir a presidência rotativa da OCX e se empenhará para colher resultados práticos a exibir na próxima reunião de cúpula em junho de 2018.

LIVRE COMÉRCIO – A OCX evoluiu muito também em termos de cooperação econômica.  No ano passado, Gu Xueming, presidente da Academia Chinesa de Comércio e Cooperação Econômica Internacional, propôs que se faça uma aliança com um “think-tank” econômico da OCX, também para estudar a implantação de zonas de livre comércio da própria Organização de Cooperação de Xangai.

INTEGRAÇÃO TOTAL – É movimento que sugere fortemente uma integração econômica ainda maior – que já está em curso para muitos negócios de pequeno e médio porte. A tendência é inevitável, paralela à interpenetração das Novas Rotas da Seda, também chamadas “Iniciativa Cinturão e Estrada” (ICE), e a União Econômica Eurasiana (UEE), liderada pela Rússia.

Assim sendo, nem chega a ser surpresa que, na reunião em Astana, o presidente Xi Jinping e o presidente Putin mais uma vez tenham discutido a possibilidade de fusão entre ICE e UEE. E ainda não estamos falando do trio ICE, UEE e OCX  (o que diz respeito ao Banco Asiático de Investimento em Infraestrutura, BAII; o Novo Banco de Desenvolvimento, NBD; o Fundo Chinês da Rota da Seda), em meio a um todo-poderoso arranjo de mecanismos político-econômicos.

JAPÃO E IRÃ – As coisas movem-se com incrível rapidez – em todos os fronts. Numa recente conferência “Future of Asia” em Tóquio, o suposto ferozmente antiChina primeiro-ministro japonês Shinzo Abe anunciou, embora ainda sujeito a muitas condições, que o Japão está pronto a cooperar com a ICE e com seu “potencial para conectar Oriente e Ocidente, assim como as diversas regiões que há entre um e outro”. Um possível reset China-Japão daria impulso definitivo à interpenetração de ICE, UEE e OCX.

Crucialmente importante é que China e Rússia estão em perfeita harmonia em termos de aprovar rapidamente a admissão do Irã como membro pleno da OCX.

Agora, comparem esse tipo de projeto/ação de China e Rússia, com a iniciativa do secretário de Estado americano”T.Rex” Tillerson, a ‘exigir’ mudança de regime no Irã.

CONTRASTE BRUTAL – Com a integração da Eurásia avançando inexoravelmente, o contraste com a proverbialmente pantanosa e repugnante arrogância dos aliados da OTAN não poderia ser mais flagrante.

Quando Moscou decidiu a favor de agir na tragédia da Síria e mudar aquele jogo, nenhum analista no Ocidente, exceto Alastair Crooke, viu o quanto esse movimento configurava uma espécie de operação ‘estilo-OCX’.

Entenda-se que Irã, Síria e Hezbollah não são membros da OCX, mas o modo como coordenaram seus movimentos com os russos já evidenciava uma alternativa factível, diferente do imperialismo ‘humanitário’ da OTAN e das aventuras tipo ‘mudança de regime’.

APOIO Á SÍRIA – O mecanismo “4+1” – Rússia, Irã, Iraque, Síria e Hezbollah – silenciosamente apoiado pela China foi instituído para combater todas as formas de terrorismo jihadista/salafista e, ao mesmo tempo, para prevenir qualquer tentativa de ‘mudar o regime’ em Damasco – sonho molhado da OTAN-CCG.

Agora, com a estrambótica política exterior de Trump, em que nada se coordena com coisa alguma, exceto com provocar o Irã, o resultado é que Rússia e China compreendem como é realmente fundamental que o Irã se torne, sem demora, membro pleno da OCX.

Pequim também já compreendeu, a importância de suas relações com o Qatar, fornecedor-chave de gás natural, e há apostas extremamente altas de o Qatar, mais dia menos dia, aceitará receber pagamento em yuan, reduzindo a importância do dólar.

QATAR E IRÃ – O silencioso movimento de pivô do Qatar na direção do Irã – razão-chave que enlouqueceu completamente a já encurralada Casa de Saud na Arábia Saudita – tem tudo a ver com a exploração em comum do maior campo de gás do mundo, North Dome/South Pars, que os dois países partilham no Golfo Persa.

Demorou um pouco para que o Qatar se desse conta de que, depois que os “4+1” (Rússia, Irã, Iraque, Síria e Hezbollah) se entenderam, um gasoduto do Qatar até a Turquia via Arábia Saudita e Síria até o mercado europeu jamais acontecerá. Ancara também sabe disso. Mas alternativamente pode haver um gasoduto Irã-Iraque-Síria, mesmo com uma possível extensão para a Turquia, com gás fornecido conjuntamente pelo campo North Dome/South Pars (Qatar/Irã).

Esse evento revolucionaria toda a equação da energia no Sudoeste da Ásia; e a hegemonia do petrodólar pode bem ser o principal “dano colateral” nesse quadro, o qual Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos aceitam devidamente.

Imaginem Qatar/Irã vendendo seu futuro gás para a Europa em euros, não em dólares norte-americanos, bem como os chineses que passarão a pagar em yuan, a energia que comprarem do Qatar – e da Arábia Saudita.

EUROS E YUANS – Que ninguém se engane: o futuro – inexorável – indica que o comércio de energia deixará de ser feito em petrodólares, para ser feito em yuan, moeda que pode ser convertida em ouro.

Jamais será demais destacar a importância da parceria estratégica Rússia-China coordenando todas as suas políticas para a integração da Eurásia, inclusive com os incansáveis esforços, pelos suspeitos de sempre, para impedir que a integração aconteça.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Muito importante o artigo enviado à Tribuna da Internet pelo jornalista Sergio Caldieri. Como diz Caetano Veloso, é preciso ler o que escreve o colombiano Pepe Escobar, que está se firmando como mais importante analista da política internacional. Escobar dá show na concorrência. (C.N.)

Uma estrela afoita, no céu das criações de Nando Cordel

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Nando Cordel, destaque da música nordestina

Paulo Peres
Site Poemas & Canções

O cantor, instrumentista e compositor pernambucano Fernando Manoel Correia, nome artístico Nando Cordel, faz versos para diversos estilos musicais: xotes, forrós, frevos etc. A bonita letra de “Estrela Afoita” fala de uma mulher, cujas práticas amorosas e suas consequências Nando Cordel afirma já conhecer. A música deu título ao LP Estrela Afoita gravado por Nando Cordel, em 1983, pela Barclay/Ariola.

ESTRELA AFOITA
Nando Cordel

Sai, sai de mim
Conheço sua intenção
Não pense que eu vou deixar
Você plantar saudade no meu coração

Estrela afoita
Sai do meu céu
Vai refazer-se de mel
Minha pureza já percebeu
Pega o desvio
Adeus

Deixa de comer meu tempo
Deixa meu verde florir
Meu sorriso ficar doce
Quando eu quiser dividir

Esquema montado para abafar a Lava Jato realmente já está caindo no ridículo

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Charge do Tacho (Jornal NH)

Carlos Newton

Na Praça dos Três Poderes, o clima atual é de guerra, porque a operação para abafar a Lava Jato está sendo desfechada em várias frentes, abrangendo os três poderes ao mesmo tempo, mas os resultados têm sido decepcionantes. Para cada batalha vencida, como o julgamento da chapa Dilma/Temer no Tribunal Superior Eleitoral, surgem derrotas sucessivas e desmoralizantes, como a votação da validade da delação da JBS, que fez o ministro Gilmar Mendes perder a linha em plenário quando o resultado chegou a 6 a 0 e a continuidade da Lava Jato estava garantida, nem adiantava pedir vista e sentar em cima.

BANCADA DA CORRUPÇÃO – Essa guerra não é uma iniciativa solitária do Planalto, pois envolve toda a chamada “bancada da corrupção”, que é amplamente majoritária no Congresso Nacional e tem apoio entusiasmado de ministros, governadores, prefeitos, deputados estaduais e vereadores.

A execução dos ataques é bastante diversificada, mas a coordenação da estratégia é feita pelo Planalto, que tem utilizado todo o seu extraordinário poder de mobilização, mas não está conseguindo êxito.

TUCANO À FRENTE – A mais recente investida no Supremo, por exemplo, ficou a cargo de um dos governadores que apoiam a bancada da corrupção, o tucano Reinaldo Azambuja, do Mato Grosso do Sul. A abertura do processo foi bastante criativa, reconheça-se, mas embarrou na indignação da maioria dos ministros do STF, que já não suportam mais as armações de Gilmar Mendes.

Aliás, será este mesmo Supremo que irá julgar os recursos da Rede, do PSDB e do Ministério Público Eleitoral contra o arquivamento das ações para cassar a chapa Dilma/Temer. A bancada da corrupção ganhou apenas o primeiro assalto (a palavra é exatamente esta), ainda falta terminar a luta.

Na semana passada, houve outra derrota, com a rejeição do parecer a favor da reforma trabalhista pretendida pelo Planalto.  A Comissão de Assuntos Sociais do Senado da Câmara mostrou independência. Além disso, dez senadores decidiram se declarar independentes e irão votar sem seguir orientação das lideranças.

ELEIÇÕES DIRETAS – Na Câmara, outro revés, desta vez na Comissão de Constituição e Justiça, cujo presidente Rodrigo Pacheco (PMDB-MG) não aceitou interferências do governo e pautou para terça-feira, dia 27, a votação do parecer favorável às eleição diretas.

Dois dias depois, na sexta-feira, mais problemas, com a entrega do laudo da Polícia Federal sobre a gravação do Joesley Batista, comprovando que não houve cortes nem fraudes. De posse do laudo, o procurador-geral Rodrigo Janot  capricha no parecer em que pedirá a abertura de processo contra o presidente Temer, por crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e obstrução da Justiça.

REAÇÃO PATÉTICA – Está tudo dando errado e a reação do governo foi ainda mais patética, com o neoministro da Justiça anunciando que vai afastar o diretor-geral da Polícia Federal, a pretexto de “reorganizar” a instituição.

Vejam que maluquice: para esvaziar a Lava Jato, Torquato Jardim quer “reorganizar” a única corporação que realmente funciona no país e se transformou num solitário exemplo de eficiência, que passou a ser seguido por setores do Ministério Público, da Justiça e da Receita Federal. Portanto, o ministro demonstra uma desfaçatez estarrecedora. Age como se todos os brasileiros estivessem imbecilizados.

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PS
Esses ataques à Lava Jato funcionam ao contrário, porque a força-tarefa está cada vez mais fortalecida. A bancada da corrupção quer imitar o esquema criado na Itália e que desmontou a operação Mão Limpas, mas a realidade hoje é diferente. Existe a internet, com a troca de informações em tempo real, nada passa despercebido, o mundo está mudando para melhor, podem acreditar. É só uma questão de tempo. (C.N.)

Piada do Ano: Defesa de Temer vai recorrer da decisão do STF que está 7 a 0

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Mariz vai recorrer ao STF só para marcar presença

Deu no Correio Braziliense
(Agência Estado)

O criminalista Antonio Cláudio Mariz de Oliveira, advogado do presidente Michel Temer (PMDB) no processo que envolve as delações da JBS, afirmou que a defesa vai questionar a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) se os ministros não voltarem atrás e mantiverem a validade das delações dos irmãos Joesley e Wesley Batista.

“Não tenha dúvida que vamos questionar essa decisão”, disse Mariz, ao chegar para um debate na Casa do Saber, em São Paulo. Ele afirmou que não se surpreendeu com a manutenção do ministro Luiz Edson Fachin como relator dos processos que envolvem o presidente Michel Temer, mas com a formação de maioria para manter a validade da delação da JBS.

PERDÃO JUDICIAL – O advogado informou que a defesa irá questionar os benefícios concedidos a Joesley, entre eles o perdão judicial, nas alegações que fará após a eventual denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR). “Se a Câmara autorizar o processo, faremos uma defesa preliminar e nessa defesa vamos fazer nossas contestações”, disse o advogado. Mariz afirmou que o Ministério Público deu um benefício ilegal a Joesley. “O benefício dado foi a impunidade”, criticou.

Durante o debate, o criminalista criticou o Supremo por ter “lavado as mãos” diante da situação. “Me espanta que o Supremo tenha lavado as mãos permitindo isso”, disse.

PODERES DEMAIS – Mariz apontou ainda que o julgamento de quinta-feira mostrou que o Ministério Público “está recebendo poderes que não lhe são naturais.” Durante o debate, o advogado voltou a falar que, com as delações da JBS, está se abrindo “um estado de anomia social” no País.

Mariz afirmou ainda que “sente” que a Procuradoria-Geral da República está usando o processo que envolve o peemedebista para fazer política.

“Eu também sinto isso, mas não alcanço as razões. Fazer política objetivando o quê? O poder? Será que o Ministério Público almeja o poder? Eu creio que não”, disse Mariz, quando perguntado se avaliava que a PGR estivesse o usando o processo contra Temer como um instrumento político. “Essa questão política está realmente no ar, mas eu não vejo uma coisa ainda bem formatizada, formalizada. Mas está no ar”, declarou.

FORA DA LEI – Criticando fortemente os benefícios dados a Joesley no acordo de colaboração premiada que culminou em um inquérito contra Temer, o advogado afirmou que está se criando um novo processo penal brasileiro “fora da lei”.

O advogado diz que não há previsão legal de a PGR estipular uma punição ou um perdão judicial no acordo de colaboração premiada. Para ele, isso deve ser feito pelo juiz na sentença.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Recorrer de um julgamento que está 7 a 0 e deve acabar 10 a 01, com oposição solitária do folclórico Gilmar Mendes, só pode ser Piada do Ano. Não se pode levar a sério esse tipo de declaração. (C.N.)

DataFolha e FHC deixam apenas por um fio Michel Temer no governo

 

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Charge do Frank (Charge Online)

Pedro do Coutto

Pesquisa do Datafolha, reportagem de Thais Bilenky, Folha de São Paulo, e a entrevista do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, matéria de Adriana Ferraz, O Estado de São Paulo, nas edições deste sábado da Folha e do Estadão, sem dúvida alguma contribuem fortemente para deixar por um fio o elo político que ainda mantém Michel Temer no Palácio do Planalto.

Somem-se aos dois conteúdos o resultado da perícia feita pela Polícia Federal na fita gravada por Joesley Batista e a decisão do ministro Edson Fachin de determinar ao Procurador Geral da República, Rodrigo Janot, que tome a iniciativa de formalizar a denúncia contra Temer, por corrupção e obstrução da Justiça, para se chegar a conclusão da extrema fragilidade de um governo que perdeu a si mesmo e, com seu isolamento na opinião pública, tornou-se um fator muito forte de contrariedade por parte da população.

RENÚNCIA – Tanto assim que o Datafolha aponta que nada menos que 76% dos brasileiros desejam que o atual presidente renuncie. Ao lado desse resultado desgastante, ainda por cima 69% consideram sua administração entre ruim e péssima. Tal resultado só é ultrapassado pela conclusão a que o Datafolha Chegou, há 28 anos, quanto ao conceito final sobre o ex-presidente José Sarney, época da hiperinflação que se abateu sobre o Brasil. O ministro da Fazenda era Mailson da Nóbrega.

Fernando Henrique Cardoso afirma que, ao apresentar acusação formal contra MIchel Temer, Rodrigo Janot tornar-se-á personagem de uma situação inédita em toda a República brasileira. Estará formado, acentuou, um panorama gravíssimo, cuja solução reside na antecipação das eleições presidenciais de 2018.

AGRAVAMENTO – Se antes da viagem à Rússia e a Noruega, Michel Temer já se deparava com um quadro profundo de desgaste, a partir de agora enfrentará uma situação ainda mais grave. É como, para citar uma expressão usada por Tennessee Williams, o clima é do fundo de um saco sem fundo. Michel Temer desabou. E com ele seu governo.

Perdeu as condições de permanecer no Palácio do Planalto. Acredito que a melhor solução é a proposta por FHC. E não se diga que há o problema de tempo para que as eleições se realizem. Como já escrevi recentemente, há o exemplo de 1945, quando, a 29 de outubro, o ditador Getúlio Vargas era deposto do poder. As eleições para presidente e Assembléia Nacional Constituinte se realizaram normalmente no dia 02 de dezembro. O General Eurico Dutra foi eleito com 52% dos votos.

Não havia voto eletrônico e nem internet. Era o tempo em que os eleitores e eleitoras colocavam num envelope as cédulas impressas com o nome dos candidatos. Isso aconteceu exatamente há 72 anos.

Projeto “Vigie Aqui” possibilita identificar políticos com pendências judiciais

Charge do Son Salvador (Estado de Minas)

Luiza Muzzi
O Tempo

Na tentativa de engajar os brasileiros no processo eleitoral de 2018, o instituto Reclame Aqui lançou, há cerca de dois meses, o projeto Vigie Aqui, que, por meio da instalação de um plug-in, possibilita ver em destaque, durante a navegação em qualquer site, os nomes de políticos com pendências na Justiça.

Basta o internauta navegar normalmente, e, sempre que o nome de um político condenado, processado ou investigado aparecer, o sistema o grifará de roxo. Ao passar o mouse por cima do nome, é possível conferir a ficha do político, consolidada a partir de informações oficiais que constam nas várias esferas do Judiciário.

VOTO CONSCIENTE – Segundo o fundador e presidente do instituto, Maurício Vargas, que é também o idealizador do Vigie Aqui, a intenção é ajudar a população a votar de forma consciente: “O projeto foi motivado por um sentimento de indignação, somado à necessidade de oferecer informação e transparência”.

Hoje, o Vigie Aqui faz o monitoramento de processos envolvendo o presidente, cinco ex-presidentes, 81 senadores, 513 deputados federais e 27 governadores, mas a ideia é expandir para ministros e deputados estaduais. Para isso, o instituto firmou uma parceria com a PUC do Paraná, que tem treinado alunos para alimentar o sistema.

Desde o lançamento, 15 mil plugins foram baixados, e o objetivo é chegar a 2 milhões até a eleição de 2018. Segundo Vargas, já há a informação de que um ministério do governo federal está tentando proibir a instalação em suas dependências: “O projeto já está incomodando”, comemora.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGComo dizem Ronaldo Bastos e Milton Nascimento, “nada será como antes”, porque o advento da internet está mudando inteiramente a política. E “daqui pra frente tudo será diferente”, completam Roberto e Erasmo Carlos, porque só votará em político pilantra quem não tiver acesso à internet, que está cada vez mais popularizada aqui na Tropicália. (C.N.)

A urgência de uma reforma política para uma nova repactuação social

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Ilustração do Duke (O Tempo)

Leonardo Boff
O Tempo

Seguramente, não estou enganado se disser o que está passando na cabeça das pessoas: assim como está, o Brasil não pode continuar. A corrupção generalizada contaminou todas as instâncias públicas e privadas. A política apodreceu. A maioria dos parlamentares não representa o povo, mas os interesses das empresas que financiaram suas campanhas. Perpetuam a política tradicional das coligações espúrias, das negociatas e dos conchavos.

O atual presidente não mostra nenhuma grandeza, pois não pensa no povo nem nas graves consequências de suas medidas sociais, mas em sua biografia. Entrará seguramente na história. Mas como o presidente das antirreformas, o presidente ilegítimo do antipovo que desmantelou os poucos avanços sociais que beneficiavam as grandes maiorias sempre maltratadas.

NEOLIBERALISMO – O projeto dos que deram o golpe parlamentar é do mais radical neoliberalismo, em crise no mundo inteiro.

Estamos num voo cego em um avião sem piloto. Há poucos que ousam apresentar um novo sonho para o Brasil. Mas tenho para mim que o cientista político Luiz Gonzaga de Sousa Lima o tentou com seu livro “A Refundação do Brasil: Rumo a uma Sociedade Biocentrada” (Rima, São Carlos, 2011). Nele, se vislumbra uma visão atualizada com o discurso da nova cosmologia, da ecologia e contra o pensamento único, recolhendo as alternativas para outro mundo possível.

O desafio para ele consiste em gestar outro software social que nos seja adequado e que nos desenhe um futuro diferente. A inspiração vem de algo bem nosso: a cultura brasileira. Esta foi elaborada pelos escravos e seus descendentes, pelos indígenas que restaram, pelos mamelucos, pelos filhos e filhas da pobreza e da mestiçagem. Gestaram algo singular, não desejado pelos donos do poder que nunca os reconheceram como sujeitos de direitos e filhos e filhas de Deus.

REFUNDAR O PAÍS – O que se trata agora é de refundar o Brasil, “construir, pela primeira vez, uma sociedade humana neste território imenso e belo; e habitá-lo, pela primeira vez, por uma sociedade humana de verdade, o que nunca ocorreu em toda a era moderna, desde que o Brasil foi fundado como uma empresa mundializada; fundar uma sociedade é o único objetivo capaz de salvar nosso povo”. Trata-se de passar do Brasil como Estado economicamente globalizado para o Brasil como sociedade biocentrada, cujo eixo estruturador é a vida em toda sua diversidade; a ela se ordena tudo o mais, mormente a economia e a política.

Ao refundar-se como sociedade humana biocentrada, o povo brasileiro deixará para trás a modernidade, apodrecida pela injustiça e pela ganância e que está conduzindo a humanidade a um caminho sem retorno. Não obstante, a modernidade entre nós, bem ou mal, nos concedeu forjar uma infraestrutura material que pode permitir-nos a construção de uma biocivilização que ame a vida humana, que conviva pacificamente com as diferenças, dotada de capacidade de integrar os mais diferentes fatores e valores que estão sendo negados pela onda de ódio e de preconceito surgida nos últimos tempos.

NOVA SOCIEDADE – É nesse contexto que Souza Lima associa a refundação do Brasil às promessas de um tipo novo de sociedade. Para esse propósito se faz urgente uma reforma política que embasará uma nova repactuação social.

Para essa repactuação dever-se-á colocar a nação como referência básica, e não os partidos, e contar com a boa vontade de todos para gestar algo novo e promissor.

Minha esperança não arrefece e se traduz no verso de Thiago de Mello dos tempos sombrios da ditadura militar: “faz escuro, mas eu canto”.

No país da impunidade, que sistema político daria certo, em meio à roubalheira?

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Charge do Edra (chargesdoedra.blogspot.com)

Francisco Vieira

“Impunidade nos partidos é símbolo da crise política”, dizem cientistas políticos. O fato concreto é que a impunidade no Brasil é ampla, geral e irrestrita, abrangendo do juiz aposentado ao ladrão de celular da esquina que responde em liberdade. Qual sistema político daria certo em meio à roubalheira desenfreada, onde uma minoria honesta é obrigada a sustentar uma maioria criminosa? A única coisa que os brasileiros fizeram de grandioso, nos últimos quinhentos anos, foi Itaipu. O resto, tudo o que é maravilhoso já estava aqui antes da chegada de Cabral.

Infelizmente somos uma nação sem projetos para o futuro e nada mais nos está reservado além da obrigação de pagar os juros da dívida pública.

TUDO PELA DÍVIDA – É muito difícil que algum cidadão brasileiro possa de orgulhar de um país que gasta assim os impostos que recolhe: “(19/12/2016) – O Congresso Nacional aprovou nesta quinta-feira (dia 15) a Lei Orçamentária Anual para o ano de 2017, no valor total de R$ 3,5 trilhões. Esse montante inclui
R$ 58,3 bilhões para o Orçamento Fiscal e da Seguridade Social;
R$ 90 bilhões para investimentos das estatais; R$ 306,9 bilhões para pagamento de pessoal na esfera federal; R$ 562,3 bilhões para o Regime Geral da Previdência; R$ 946,4 bilhões para o refinanciamento da dívida pública; e R$ 339,1 bilhão para pagamento de juros e encargos da dívida….”

Façam as contas: R$ 1.285,5 bilhões para a dívida pública. Ou seja, cerca de 38% do que é arrecadado. É possível aguentar isso?

DESIGUALDADE SOCIAL – Quando se analisa a classificação dos países mais desiguais do mundo, percebe-se que são justamente aqueles nos quais o governo sempre manteve a população analfabeta e ignorante para melhor roubá-la. E o Brasil faz parte dessa sinistra relação.

Os donos do mundo estão há quinhentos anos interferindo na construção deste país, e nós passamos todo esses séculos sendo governados e roubados por mercenários . E nada mudou, embora estejamos sentados sobre a maior riqueza mineral do Planeta Terra… Imagine viver sobre trilhões de dólares e ser proibido de usar tal riqueza para não se desenvolver e “criar asas”. Pois é justamente o que acontece conosco…

INIMIGOS DO PAÍS – Os inimigos do país não estão no exterior.
Podem ser encontrados aqui dentro mesmo, estabelecidos na Praça dos Três Poderes.

E aqui dentro ainda podemos ver um Supremo que gasta tempo e salário discutindo obviedades, como se bandido deve ficar preso ou se deve ficar solto… e todos recebendo “agrados” e se confraternizando com ladrões locais e com os agiotas internacionais.

As portas da falência do país não foram arrombadas de fora para dentro pela Quarta Frota. Foram abertas de dentro para fora por moradores desta nação!!!

Prazo para Janot apresentar ao STF denúncia contra Temer termina terça-feira

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Janot prepara sua mais importante denúncia

Carolina Brígido e André de Souza
O Globo

A Procuradoria-Geral da República deverá apresentar até terça-feira, segundo o MPF, denúncia contra o presidente Michel Temer ao Supremo Tribunal Federal (STF). Nesta quinta-feira, o relator da Lava-Jato, ministro Edson Fachin, enviou para a PGR cópia do inquérito Temer. A lei prevê prazo de cinco dias corridos, a partir do recebimento do material, para o órgão apresentar a denúncia, ou pedir o arquivamento do caso por falta de provas. A assessoria de imprensa da PGR informou que o prazo termina na terça-feira.

A Polícia Federal havia pedido prazo extra para concluir as perícias nos áudios de conversas de Temer com o dono da JBS, Joesley Batista. Fachin não negou, nem concedeu. Disse apenas para a PF enviar ao STF os laudos periciais pendentes assim que ficarem prontos. Como a perícia foi entregue na sexta-feira, o laudo já foi anexado às investigações e enviado à Procuradoria.

CONCLUSÃO ÓBVIA – Relatório parcial enviado pela Polícia Federal ao Supremo afirma que é possível concluir que Michel Temer aceitou vantagem indevida por intermédio do ex-deputado Rodrigo Rocha Loures. Segundo o documento, Temer incorreu em crime de corrupção passiva. O mesmo relatório afirma haver provas de que Rocha Loures cometeu o mesmo crime. Segundo a PF, as evidências indicam “com vigor” a prática de corrupção passiva do “Mandatário Maior da Nação”, especialmente porque tanto Temer quanto Loures se recusaram a depor.

“Diante do silêncio do Mandatário Maior da Nação e de seu ex-assessor especial, resultam incólumes as evidências que emanam do conjunto informativo formado nestes autos, a indicar, com vigor, a prática de corrupção passiva”, diz um dos trechos.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Todo indiciado ou réu tem direito de não responder a perguntas que possam incriminá-lo. Mas quando é o próprio presidente da República que está sendo interrogado, deixar de responder é uma postura vergonhosa. Por isso, no relatório parcial a Polícia Federal fez questão de criticar o silêncio e a omissão do presidente no esclarecimento de graves denúncias. (C.N.)

Renegociações feitas pelo governo custam mais do que reforma da Previdência

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Charge do Montanaro (UOL Notícias)

Paulo de Tarso Lyra e Rosana Hessel
Correio Braziliense

O governo já gastou com renegociações feitas para desafogar governadores, prefeitos e endividados de maneira geral mais do que economizará, caso consiga aprovar a reforma da Previdência em 10 anos. Somando-se liberação de créditos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para governos estaduais e prefeituras municipais, alongamento de dívidas de empresas e edição de medida provisória para novo Refis, já foram disponibilizados R$ 769 bilhões. Após as mudanças aceitas pelo Planalto no texto com as mudanças na aposentadoria, a economia aos cofres públicos ficará em R$ 600 bilhões, e ao longo de 10 anos.

Nessa conta não estão incluídas as acelerações de liberações das emendas parlamentares, prática comum quando governos — qualquer um — se sentem acuados ou precisam acelerar votações de seu interesse no Legislativo.

A LONGO PRAZO – Nenhum desses cálculos tem impacto imediato. Os R$ 600 bilhões da Previdência, por exemplo, serão economizados em 10 anos. O alongamento das dívidas também tem um prazo dilatado, tanto para governadores, prefeitos, quanto para pessoas jurídicas e físicas.

“Como não tem apoio perante a opinião pública, o governo tenta buscar sustentação política com governadores e prefeitos, na esperança de que o Congresso o ajude a escapar de punições mais duras”, diz o cientista político e professor do Insper, Carlos Melo. Ele lembra que é um jogo cruel, típico de sistemas concentrados. “Como a maior parte do dinheiro está concentrada na União, estados e municípios acabam ficando dependentes nesse jogo.”

Para o cientista político, a situação tende a se agravar porque não há certeza se a reforma da Previdência será aprovada. “A tendência é que só fique no texto final a definição de uma idade mínima para a aposentadoria. Talvez, menor do que a imaginada pela equipe econômica. Como o governo já aprovou uma limitação para os gastos, se não houver economia, os cortes recairão em programas sociais e em investimentos nas áreas de saúde e educação”, lamentou Melo.

MÁS PERSPECTIVAS – O analista político da XP Investimentos Richard Back reconhece que, a médio e longo prazos, as perspectivas não são boas. O país segue em posição de vulnerabidade, não conseguiu reverter a tendência de deficit nas contas. “Quando vamos conseguir voltar a fazer superavit? Além disso, esses auxílios não resolvem os problemas de estados e municípios. Eles precisam enquadrar seus gastos para voltar a crescer, não receber perdão e mais recursos”, completou o analista político.

O vice-líder do PMDB na Câmara Carlos Marún (PMDB-MS) tem uma visão distinta da emitida pelo analista de mercado. Marún assegura que ainda não se sentou à mesa, com uma calculadora, para medir o impacto das benesses concedidas pelo Planalto. “Mas não há como o país crescer com estados e municípios sufocados, sem recursos para investir”. O peemedebista reconhece que o cenário poderá ficar complicado, caso a Previdência não seja aprovada. “Essa crise gerada pela JBS atrasou nosso cronograma, nos atropelou muito. Está na hora de virarmos essa página para reconquistarmos votos perdidos”, defendeu.

CAIXAS DOS ESTADOS – O economista e especialista em contas públicas Raul Velloso minimizou a anúncio da liberação de R$ 50 bilhões do BNDES aos governadores no jantar do Alvorada, na última terça-feira. “Isso é para aliviar o caixa dos estados de negociações passadas e que até hoje o BNDES não conseguiu implementar. O que estão fazendo é cumprir o que já estava acertado”, resumiu.

O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, tem dito a interlocutores que não há impacto fiscal no resultado primário do governo federal. O órgão evitou comentar as medidas uma a uma, mas destacou que algumas delas, que poderiam ter algum reflexo, sequer passaram pela pasta, como é o caso da mudança na tabela do Imposto de Renda. E, em relação aos R$ 50 bilhões prometidos aos governadores no jantar do Alvorada, R$ 20 bilhões já fazem parte da renegociação e os R$ 30 bilhões restantes não têm garantias da União.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
No desespero para garantir 172 votos na Câmara e evitar ser afastado do governo por 120 dias, durante o processo no Supremo, Temer está abrindo as torneiras dos cofres públicos sem aval de Meirelles, que comanda a equipe econômica. É claro que isso não vai dar certo e os dois acabarão batendo de frente. (C.N.)

O Brasil pergunta a Janot e Joesley: cadê a metade que falta?

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Ao depor,  Joesley procura preservar Lula e Dilma

Augusto Nunes
Veja

O Supremo Tribunal Federal decidiu que o acordo entre Rodrigo Janot e Joesley Batista não precisa de revisão, que o ministro Edson Fachin seguirá cuidando da meia delação premiadíssima e que, ao menos por enquanto, continuam valendo os benefícios que condenaram à impunidade perpétua um esquartejador da verdade. Com a decisão o STF aparentemente buscou impedir que os advogados dos quadrilheiros passassem a contestar todas as revelações de quem aceitou colaborar com a Justiça. O problema é que essa obscenidade parida em Brasília pelo procurador-geral da República pode desmoralizar o instrumento jurídico que, utilizado com inteligência em Curitiba, ajudou a iluminar a face escura do Brasil.

O correto seria percorrer o caminho do meio. As vigarices expostas por Joesley imploram por investigações e, se for o caso, castigos exemplares. Se o presidente Michel Temer e o senador Aécio Neves, por exemplo, fizeram o que parecem ter feito, merecem o purgatório onde penam traidores de milhões de profissionais da esperança. Mas a história das falcatruas da JBS não pode limitar-se à primeira parte.

E A ERA LULA? –  Joesley está obrigado a exumar a metade que falta. O país que presta quer saber quando o açougueiro predileto dos governos do PT abrirá o baú das bandalheiras que praticou com a cumplicidade ativa de Lula, Dilma e a chefia do BNDES. Que tal começar pela suspeitíssima reunião que juntou Joesley, Lula e Eduardo Cunha no Sábado de Aleluia de 2016.

Figurões do Judiciário, do Executivo, do Legislativo e do Ministério Público teimam em fechar os olhos ao Brasil que a Lava Jato despertou. (Refiro-me, insisto, à verdadeira Lava Jato, personificada por Sérgio Moro, não à caricatura liderada pelo procurador-geral que presenteia bandidos bilionários com o status de inimputável). Esse novo país exige o enquadramento de todos os delinquentes, mesmo suspeitando que a tribo dos homens públicos honrados caiba numa maloca. Com o sumiço dos velhacos hegemônicos, a espécie em extinção vai multiplicar-se rapidamente. É hora de começar tudo de novo.

Acredite se quiser: Otan e EUA incentivam a volta do neonazismo na Europa

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Oleh Tyahnybok é o líder do Partido neonazista

Manlio Dinucci
Rede Voltaire (Itália)

A Ucrânia, de fato já na Otan, quer agora entrar oficialmente na organização. O parlamento de Kíev, votou no dia 8 de junho por maioria (276 contra 25) uma emenda legislativa que torna prioritário esse objetivo. A sua admissão na Otan não seria um ato formal. A Rússia é acusada pela Otan de ter anexado ilegalmente a Crimeia e de conduzir ações militares contra a Ucrânia. Em consequência, se a Ucrânia entrasse oficialmente na Otan, os demais 29 membros da Aliança, com base no Artigo 5, deveriam “ajudar a parte atacada empreendendo ações julgadas necessárias, inclusive o uso da força armada”. Em outras palavras, deveriam declarar guerra à Rússia.

O “mérito” de ter introduzido na legislação ucraniana o objetivo de entrar na Otan é do presidente do Parlamento, Andriy Parubiy, um dos fundadores em 1991 do Partido Nacional-Social ucraniano, que segue o modelo do Partido Nacional-Socialista de Adolf Hitler.

CURRÍCULO NAZISTA – Parabiy é chefe das formações paramilitares neonazistas, usadas em 2014 no golpe da Praça Maidan, sob a direção dos EUA e da Otan, e no massacre de Odessa. É também chefe do Conselho de Defesa e Segurança Nacional, que, com o Batalhão Azov e outras unidades neonazistas, ataca os civis ucranianos de nacionalidade russa na parte oriental do país e efetua com esquadrões especiais espancamentos de militantes do Partido Comunista, devastando as suas sedes e queimando livros no perfeito estilo nazista, enquanto o mesmo Partido Comunista está para ser posto oficialmente na ilegalidade.

Este é Andriy Parubiy que, como presidente do Parlamento ucraniano (cargo que lhe foi conferido pelos seus méritos democráticos em abril de 2016), foi recebido em 5 de junho no Palácio Montecitorio pela presidenta da Câmara italiana, Laura Boldrini.

“A Itália – sublinhou Boldrini – sempre condenou a ação ilegal realizada há anos em uma parte do território ucraniano”. Assim, ela avalizou a versão da Otan segundo a qual a Rússia teria anexado ilegalmente a Crimeia, ignorando o fato de que a escolha dos russos da Crimeia de separar-se da Ucrânia e reingressar na Rússia foi tomada para impedir de ser atacada, como os russos do Donbass, pelos batalhões neonazistas e as demais forças de Kíev.

MEMORANDO – O cordial colóquio foi encerrado com a assinatura de um memorando de entendimento que “reforça ulteriormente a cooperação parlamentar entre as duas assembleias, tanto no plano político como no administrativo”. Reforça-se, assim, a cooperação entre a República italiana, nascida da Resistência contra o nazifascismo, e um regime que criou na Ucrânia uma situação análoga àquela que levou ao advento do fascismo nos anos 1920 e do nazismo nos anos 1930.

O batalhão Azov, cuja marca nazista é representada pelo emblema decalcado do símbolo das SS do Reich, e incorporado na Guarda nacional, foi transformado em unidade militar regular e promovido ao status de regimento de operações especiais. Foi, assim, dotado de veículos blindados e peças de artilharia. Com outras formações neonazistas transformadas em unidades regulares, é treinado por instrutores estadunidenses da 173ª divisão aerotransportada, tranferidos de Vicenza (Itália) para a Ucrânia, ao lado de outros instrutores da Otan.

A Ucrânia é assim transformada em “berço” do renascido nazismo no coração da Europa. Para Kíev confluem neonazistas de toda a Europa, inclusive da Itália. Depois de treinados e postos à prova em ações militares contra os russos da Ucrânia no Donbass, regressam aos seus países. Doravante, a Otan vai rejuvenescer as fileiras da Gládio.
(artigo enviado pelo jornalista Sergio Caldieri)

Vergonha de ser brasileiro atinge recorde de 47%, revela Datafolha

Manifestantes fazem protesto contra a corrupção e a favor da lava jato em frente ao Congresso nacional. Eles pedem o fim do foro privilegiado e não a lista fechada nas eleições. Em 26.mar.2017

Corrupção é a maior preocupação dos brasileiros

Thais Bilenky
Folha

A crise política e econômica instalada no país contaminou a autoestima dos brasileiros. A vergonha de sua nacionalidade acometeu 47% da população, maior índice registrado pelo Datafolha desde o início da série histórica, em março de 2000. De acordo com a pesquisa, 50% dos eleitores hoje sentem mais orgulho do que vergonha de serem brasileiros. Houve uma queda brusca: em dezembro do ano passado, a taxa era de 69% e, em abril, 63%. Nesse intervalo, 28% tinham mais vergonha que orgulho em dezembro, e 34% em abril.

A pesquisa mostra que a corrupção, após mais de três anos de Operação Lava Jato, tornou-se a principal preocupação dos brasileiros. Esse problema foi citado espontaneamente por 23% dos adultos quando perguntados qual é a primeira coisa que vem à mente quando se pensa em Brasil. Vergonha e desgosto aparecem em seguida, com 14%.

EM DISPARADA – A imagem negativa do país disparou. Em 2010, 54% dos brasileiros citaram aspectos negativos quando perguntados sobre o país. Corrupção à época respondia por 4% das menções. Hoje, 81% das respostas abrangeram aspectos negativos e corrupção, 23%.

A pesquisa, realizada entre 21 e 23 de junho, com 2.771 entrevistados com 16 anos ou mais, em 194 municípios. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

Apesar dos fortes laços de amizade, Gilmar Mendes vai relatar inquérito de Aécio

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Charge de Ivan Cabral (ivancabral.com)

Rafael Moraes Moura
Estadão

Um dos inquéritos instaurados no Supremo Tribunal Federal (STF) contra o senador afastado Aécio Neves (PSDB-MG) com base na delação da Odebrecht foi redistribuído nesta sexta-feira, 23, e ficará sob a relatoria do ministro Gilmar Mendes após sorteio eletrônico. O caso diz respeito à acusação de que o então senador recebeu em 2014 valores indevidos pelo grupo Odebrecht para a sua campanha eleitoral.

De acordo com delatores, os pagamentos teriam sido feitos de forma dissimulada por meio de contratos fictícios firmados com a empresa PVR Propaganda e Marketing Ltda. O tucano nega as acusações.

FORA DA LAVA JATO – Ao determinar a redistribuição do inquérito, a presidente do STF, ministra Cármen Lúcia, concordou com o argumento do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, de que a investigação não está diretamente relacionada à Operação Lava Jato, de relatoria do ministro Edson Fachin.

“Na espécie vertente, como exposto pelo Procurador-Geral da República, em exposição acolhida pelo relator, ministro Edson Fachin, inexiste conexão entre os fatos narrados no presente inquérito e aqueles relacionados à denominada Operação Lava Jato”, escreveu Cármen Lúcia em decisão desta sexta.

“Pelo exposto, acolho a manifestação do Procurador-Geral da República e determino a livre redistribuição deste inquérito, resguardada a natureza do procedimento, incluídas ao resguardo do grau de publicidade, ou não, a ele imposto até o momento, até decisão do novo relator a quem caberá decidir as questões arguidas no presente processo”, afirmou a presidente do STF.

AÉCIO E ANASTASIA – Janot também tinha pedido a redistribuição de um outro inquérito instaurado contra Aécio com base na delação da Odebrecht, que trata do pagamento de vantagens indevidas para a campanha eleitoral de Antonio Anastasia (PSDB-MG) ao governo de Minas Gerais em 2010. Delatores afirmaram que, a pedido de Aécio, pagaram R$ 5,4 milhões em “vantagens indevidas” para a campanha de Anastasia.

O procurador-geral da República ainda solicitou a prorrogação em 60 dias do prazo de conclusão das investigações nos dois casos. Até a publicação deste texto, esse segundo inquérito ainda não tinha sido redistribuído.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Como é público e notório em Brasília, o ministro Gilmar Mendes mantém uma forte amizade com Aécio Neves, desde os tempos em que era chefe da Advocacia-Geral da União, no governo FHC. Mesmo assim, Gilmar Mendes vai desconhecer o que determina a legislação (Código de Processo Civil e Lei Orgânica da Magistratura) e não recusará a relatoria por suspeição ou impedimento. (C.N.)

Como dizia Ibrahim Sued, o almoço da Tribuna da Internet foi um “su”

Antonio Rocha

Na última quinta-feira, dia 22/06/17, tive a felicidade de almoçar com velhos amigos que eu não conhecia… coisas da web. Não os conhecia pessoalmente. Mas acompanho ao longo de alguns anos seus textos, pensamentos, reflexões, comentários, dicas e, às vezes, alguns impropérios que ninguém é de ferro. Mas ainda bem que nosso editor Carlos Newton está aí para, como antigamente se falava: “chegar com a turma do deixa disso”. Então, até entendem mal pensando que é censura… Digamos, é um autocontrole em prol do bem comum.

Mas, se nem Jesus agradou todo mundo, é claro que o CN não vai agradar também a todos (as). O encontro foi no restaurante da Estação dos Bondinhos de Santa Teresa, um self service onde fizemos selfies.

ESTATÍSTICAS – Munido de um “laptop”, Carlos Newton nos mostrou algumas estatísticas do site americano Histats.com que, vez por outra, ele comenta no blog, lá naquela parte da “Nota do Editor”. No último dia 9, por exemplo, a TI foi lida em 81 países, teve mais de 100 mil acessos diretos e assim vai se caracterizando como um ótimo veículo de comunicação, que democraticamente abrange todas as áreas e acolhe todas as correntes ideológicas, embora isso pareça impossível.

A repercussão é intensa e as chamadas grandes mídias às vezes se inspiram nos artigos “tribunianos”… E a recíproca também é verdadeira. Transcrevemos links dos jornalões, revistões e saitões (aumentativo de site/sáite) e assim vamos, salutarmente, alimentando leituras, notícias e informações em geral.

Ficamos até às 16 horas, quando o restaurante já estava fechando e CN foi levar o Antonio Carlos Fallavena, meu xará, no Aeroporto Santos Dumont. Obrigado, Fallavena pela oportunidade de nos conhecermos pessoalmente, nos abraçarmos e conhecer um pouco do seu trabalho que falarei mais adiante.

ABRAÇO NO BENDL – Chico Bendl não veio, mas enviou via Fallavena uma carta muito bonita para os amigos. Tive a honra de conhecer a primeira-dama da TI, a jornalista Jussara Martins, respeitosamente digo: minha irmã de Fé no Budismo Nichiren.

Estavam ainda presentes o grande jornalista Pedro do Coutto que, há décadas eu acompanhava na antiga Rádio Jornal do Brasil AM. Quando o poeta Paulo Peres chegou foi uma alegria geral, com a sua aura de sabedoria musical e poética. Veio com a esposa Cristina, uma pessoa encantadora.

O atleta Darcy Leite, auditor da Receita, veio a pé da Urca, a 15 km de distância, caminhando e indicando a todos a importância dos bons passos. De Brasília veio o Jorge Mello, auditor do Senado, que nos contou sobre os bastidores da política. Também estava conosco o jornalista Lucas Alvares, que no dia seguinte ia participar de um debate com Carlos Lessa, ex-presidente do BNDES.

PRIMEIRO DA SÉRIE – Foi um memorável encontro, o primeiro de uma série, visto que, no próximo, Bendl já se prontificou a estar presente. Estamos em orações pela rápida recuperação  do Chicão e pela saúde de todos nós.

Os tribunários ganharam o livro “Círculo de Pais e Mestres – da Teoria à Prática”, do Antonio Fallavena. E também uma bolsa e uma minibolsa com o timbre das instituições presididas por ele www.celacbrasil.com.br e www.cepacbrasil.com.br

Na saída, estiquei – como diziam os antigos colunistas sociais – até o Sinpro – RJ, Sindicato dos Professores, 85 anos de lutas em prol do Magistério. E, entre outras, lá contei que, graças a carteirinha de associado, quando estive na Espanha, ao apresentá-la, era muito bem recebido e ainda obtinha descontos vários. E vamos em frente.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGNão consegui colar a foto. Vou aguardar o Fallavena mandar as fotos dele, para publicar aqui, sem dar novo vexame. (C.N.)

Ministro vai afastar o diretor da Polícia Federal para “reorganizar” a instituição

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Charge do Sponholz (sponholz.arq.br)

Wálter Nunes e Mario Cesar Carvalho
Folha

Em reunião de 15 minutos com sindicalistas nesta quinta (22), o ministro da Justiça, Torquato Jardim, anunciou que fazem parte de seus planos promover duas mudanças na Polícia Federal: trocar o diretor-geral, que é uma espécie de fiador da Lava Jato, e colocar em outro órgão os funcionários que cuidam de funções que não têm relação com a atividade policial, como emissão de passaportes e controle de estrangeiros.

A saída do diretor geral, Leandro Daiello, é vista por seus pares como uma tentativa de interferir na investigação, o que o ministro nega. Um dos nomes cotados para assumir o cargo ocupa o segundo posto na hierarquia da PF, o delegado Rogério Galloro, apontado por seus pares como um policial de perfil mais político.

ETCHEGOYEN E PADILHA – A indicação de Galloro para o cargo foi feita pelo general Sérgio Etchegoyen, chefe do GSI (Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República), segundo a Folha apurou. O general foi o responsável pela indicação do ministro da Justiça e do diretor da Abin (Agência Brasileira de Inteligência).

Etchegoyen e o ministro Eliseu Padilha, chefe da Casa Civil de Temer, são apontados como os principais articuladores da mudança na direção da PF.

Galloro assumiu a segunda posição na hierarquia da PF em junho de 2013 e tem pouca experiência com investigações. Antes foi adido da PF nos Estados Unidos, chefiou a diretoria de logística (2009-2011) e foi superintendente em Goiás (2007-2009).

MUDANÇAS – O anúncio das possíveis mudanças na PF foi feito em encontro realizado entre o ministro da Justiça e o presidente da Fenadepol (Federação Nacional dos Delegados de Polícia Federal), Sandro Avelar, além de outros três sindicalistas da federação e o diretor regional da ADPF (Associação dos Delegados da Polícia Federal) em Brasília, Luciano Leiro.

A reunião havia sido marcada para discutir a reforma da Previdência. A manifestação do ministro sobre mudanças na PF causou surpresa aos sindicalistas. Ele disse que não estava preocupado com a troca do diretor-geral.

“Ao invés de aumentar os quadros, que estão aquém do ideal, o ministro quer tirar atribuições da Polícia Federal. Isso num momento como esse é complicado”, diz o delegado Sandro Avelar, presidente da Fenadepol.

FALTA DE PESSOAL – Hoje a PF tem cerca de 11 mil funcionários, entre delegados, agentes e escrivães. Os sindicatos calculam que seria necessário um quadro de 15 mil servidores para dar conta das atribuições da PF.

A separação das atividades de polícia administrativa é criticada por sindicatos porque eles consideram que essas áreas controlam informações estratégicas.

Desde o governo de Fernando Henrique Cardoso (1995-2002), ministros tentam retirar funções da PF, sem sucesso.

CONVERSA INFORMAL – À Folha, a assessoria do ministro disse que tem ótima relação com o diretor-geral da PF, mas não sabe se irá substituí-lo. Ele negou que haja planos de reestruturar a PF. Segundo Jardim, o tema foi tratado de maneira informal na conversa.

O general Etchgoyen nega que tenha feito indicações para substituir o diretor da PF.

O diretor-geral da PF disse em nota de sua assessoria que “é favorável a todo projeto que tenha como objetivo especializar o trabalho de inteligência e investigação já desenvolvido pelo órgão, e que representa a sua principal atribuição constitucional de polícia judiciária da União”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
– É impressionante o efeito que o poder exerce sobre as pessoas. Torquato Jardim construiu uma sólida biografia de advogado e professor universitário, foi nomeado ministro do TSE, depois voltou a advogar, e agora joga todo esse prestígio na lata do lixo, ao tentar preservar um grupo de pilantras que chegou ao Planalto por obra do destino e das armações políticas. Somente Freud poderia explicar essa decepcionante postura de Torquato Jardim. (C.N.)

Aprovação de Temer cai para 7%, a menor marca em 28 anos, diz Datafolha

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Charge do Nani (nanihumor.com)

Deu em O Globo

Apenas 7% dos brasileiros consideram o governo de Michel Temer como ótimo ou bom — a menor marca apurada pelo Instituto Datafolha em 28 anos. Na série histórica, apenas José Sarney ficou abaixo deste patamar, ao tocar 5% de aprovação em setembro de 1989, durante a crise da hiperinflação. A impopularidade do presidente aumentou desde a revelação da colaboração premiada dos donos da JBS, que situaram Temer no centro de um esquema de corrupção nacional.

Segundo o Datafolha, 69% do público considerada a gestão ruim ou péssima, e 23% avaliam o governo como regular.Mulheres, jovens e eleitores de renda mais baixa mostram mais indisposição com Temer, em comparação com a média da população.

SARNEY RECORDISTA – Em 1989, 68% consideravam ruim ou péssima a atuação de Sarney, enquanto 24% julgavam a administração regular.

O novo levantamento do instituto ouviu 2.771 pessoas entre quarta-feira e a sexta-feira. Os novos números evidenciam a queda da popularidade do presidente, que, há dois meses, somava 9% entre os entrevistados que avaliavam a gestão como ótima ou boa. No fim de abril, 61% julgavam o governo como ruim ou péssimo e 28% enxergavam uma administração regular.

A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos. O Datafolha ainda informou que a nota do presidente caiu de 3 para 2,7 na nova pesquisa. Não souberam responder 2% dos entrevistados.

PIOR QUE DILMA – A avaliação de Temer é pior que a de Dilma Rousseff às vésperas da conclusão do processo de impeachment, quando a petista seria destituída pelo Congresso. Na época, ela tinha 13% de aprovação e 63% de reprovação. A impopularidade do peemedebista é semelhante à da ex-presidente de agosto de 2015, quando Dilma amealhou 71% de avaliações de um governo ruim ou péssimo.

Além de Temer, Dilma e Sarney, apenas Fernando Collor atingiu indíces tão negativos frente à população. Ele somava 68% de ruim e péssimo, em setembro de 1992, ao sofrer impeachment.

Estatizar é preciso, seguindo o exemplo de Paris, Berlim e outras 265 cidades

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No Rio, a lucrativa Cedae vai ser privatizada

Júlia Dias Carneiro
BBC Brasil

Enquanto iniciativas para privatizar sistemas de saneamento avançam no Brasil, um estudo indica que esforços para fazer exatamente o inverso —devolver a gestão do tratamento e fornecimento de água às mãos públicas— continua a ser uma tendência global crescente. De acordo com um mapeamento feito por onze organizações majoritariamente europeias, da virada do milênio para cá foram registrados 267 casos de “remunicipalização”, ou reestatização, de sistemas de água e esgoto. No ano 2000, de acordo com o estudo, só se conheciam três casos.

Satoko Kishimoto, uma das autoras da pesquisa recém-publicada, afirma que a reversão vem sendo impulsionada por um leque de problemas reincidentes, entre eles serviços inflacionados, ineficientes e com investimentos insuficientes. Ela é coordenadora para políticas públicas alternativas no TNI (Instituto Transnacional), centro de pesquisas com sede na Holanda.

PRIVATIZAÇÕES ERRADAS – “Em geral, observamos que as cidades estão voltando atrás porque constatam que as privatizações ou PPPs (parcerias público-privadas) acarretam tarifas muito altas, não cumprem promessas feitas inicialmente e operam com falta de transparência, entre uma série de problemas que vimos caso a caso”, explica Satoko à BBC Brasil.

O estudo detalha experiências de cidades que recorreram a privatizações de seus sistemas de água e saneamento nas últimas décadas, mas decidiram voltar atrás —uma longa lista que inclui lugares como Berlim, Paris, Budapeste, Bamako (Mali), Buenos Aires, Maputo (Moçambique) e La Paz.

A tendência, vista com força sobretudo na Europa, vai no caminho contrário ao movimento que vem sendo feito no Brasil para promover a concessão de sistemas de esgoto para a iniciativa privada.

NA CONTRAMÃO – O BNDES vem incentivando a atuação do setor privado na área de saneamento, e, no fim do ano passado, lançou um edital visando a privatização de empresas estatais, a concessão de serviços ou a criação de parcerias público-privadas. À época, o banco anunciou que 18 Estados haviam decidido aderir ao programa de concessão de companhias de água e esgoto —do Acre a Santa Catarina.

O Rio de Janeiro foi o primeiro se posicionar pela privatização. A venda da Cedae (Companhia Estadual de Água e Esgoto) é uma das condições impostas pelo governo federal para o pacote de socorro à crise financeira do Estado.

A privatização da Cedae foi aprovada em fevereiro deste ano pela Alerj, gerando controvérsia e protestos no Estado. De acordo com a lei aprovada, o Rio tem um ano para definir como será feita a privatização. Semana passada, o governador Luiz Fernando Pezão assinou um acordo com o BNDES para realizar estudos de modelagem.

835 REESTATIZAÇÕES – Satoko e sua equipe começaram a mapear as ocorrências em 2007, o que levou à criação de um “mapa das remunicipalizações” em parceria com o Observatório Corporativo Europeu.

O site monitora casos de remunicipalização —que podem ocorrer de maneiras variadas, desde privatizações desfeitas com o poder público comprando o controle que detinha “de volta”, a interrupção do contrato de concessão ou o resgate da gestão pública após o fim de um período de concessão.

A análise das informações coletadas ao longo dos anos deu margem ao estudo. De acordo com a primeira edição, entre 2000 e 2015 foram identificados 235 casos de remunicipalização de sistemas de água, abrangendo 37 países e afetando mais de 100 milhões de pessoas.

EM OUTRAS ÁREAS – Nos últimos dois anos, foram listados 32 casos a mais na área hídrica, mas o estudo foi expandido para observar a tendência de reestatização em outras áreas —fornecimento de energia elétrica, coleta de lixo, transporte, educação, saúde e serviços sociais, somando um total de sete áreas diferentes.

Em todas esses setores, foram identificados 835 casos de remunicipalização entre o ano de 2000 e janeiro de 2017 —em cidades grandes e capitais, em áreas rurais ou grandes centros urbanos. A grande maioria dos casos ocorreu de 2009 para cá, 693 ao todo – indicando um incremento na tendência.

O resgate ou a criação de novos sistemas geridos por municípios na área de energia liderou a lista, com 311 casos – 90% deles na Alemanha. A retomada da gestão pública da água ficou em segundo lugar. Dos 267 casos, 106 —a grande maioria— foram observados na França, país que foi pioneiro nas privatizações no setor e é sede das multinacionais Suez e Veolia, líderes globais na área.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
A reportagem enviada por Guilherme Almeida demonstra que a privatização descontrolada acaba sendo prejudicial para quem é mais interessado – o “usuário”, que também pode ser chamado de “contribuinte” e muitas vezes é acertadamente classificado de “otário”, sejamos francos. Mas ainda há quem considere “comunista” qualquer pessoa que faça reparos às privatizações. Cada caso é um caso e precisa ser analisado com a profundidade e a isenção que se fazem necessárias, em respeito ao interesse público. (C.N.)

Uma música especial de Luiz Gonzaga para alegrar a festa de São João

Resultado de imagem para Luiz gonzagaPaulo Peres
Site Poemas & Canções

A festa de São João (24 de junho), o ápice dos festejos juninos, com a trezena de Santo Antônio (13 de junho) e São Pedro (29 de junho), inspirou o sanfoneiro, cantor e compositor pernambucano Luiz Gonzaga do Nascimento (1912-1989), o popular Rei do Baião, a compor em parceria com José Fernandes a música “Olha Pro Céu Meu Amor”, cuja letra retrata uma estória de amor numa noite de São João. Essa “marcha joanina” foi gravada por Luiz Gonzaga em 1951, pela RCA Victor.

OLHA PRO CÉU MEU AMOR
José Fernandes e Luiz Gonzada

Olha pro céu, meu amor
Vê como ele está lindo
Olha praquele balão multicor
Como no céu vai sumindo

Foi numa noite, igual a esta
Que tu me deste o coração
O céu estava, assim em festa
Pois era noite de São João

Havia balões no ar
Xote, baião no salão
E no terreiro o teu olhar
Que incendiou meu coração