Lava-Jato denuncia Mantega e Palocci por corrupção e lavagem de dinheiro

“Italiano” e “Pós-Itália” dirigiam a corrupção no PT

Cleide Carvalho e Thiago Herdy
O Globo

 A força-tarefa da Lava-Jato em Curitiba apresentou denúncia contra os ex-ministros da Fazenda Guido Mantega e Antonio Palocci pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro na edição das medidas provisórias 470 e 472, conhecidas como MP da Crise. Ex-executivos da Odebrecht que não fizeram delação – Newton de Souza e Maurício Ferro – também foram denunciados, graças a informações levadas à Lava-Jato por Marcelo Odebrecht.

Segundo os procuradores do Ministério Público Federal em Curitiba, as medidas beneficiaram diretamente empresas do Grupo Odebrecht, como a Braskem, do setor petroquímico. Foram denunciados também o casal de publicitários João Santana e Mônica Moura, além de André Santana, filho do marqueteiro do PT.

R$ 50 MILHÕES – Segundo a denúncia, a Odebrecht prometeu propina de R$ 50 milhões a Mantega, então ministro da Fazenda, e a quantia ficou à disposição dele numa conta mantida pelo setor de propina da empreiteira. O ex-ministro era o administrador do dinheiro e teria determinado que fossem feitos pagamentos aos marqueteiros do PT na campanha eleitoral de 2014.

Esta é a primeira denúncia feita contra ele pela força-tarefa de Curitiba. Os procuradores dizem que é inverossímil a explicação dada por Mantega para os valores mantidos em conta na Suíça. O saldo de uma das duas contas é de US$ 1,777 milhão e, em 2017, ele tentou repatriar parte da quantia, justificada por meio de permuta imobiliária.

Para os procuradores, a origem do dinheiro é ilícita. Eles argumentam que o valor do imóvel permutado — R$ 1,198 milhão — era inferior à quantia transferida a Mantega no exterior. “(…) valor recebido por Guido Mantega no exterior corresponde a quase três vezes o valor declarado do imóvel”, afirmam os procuradores. A segunda conta de Mantega tem saldo de US$ 143 mil.

“PÓS-ITÁLIA” – Segundo a força-tarefa, a conta “Pós-Itália” movimentou pelo menos R$ 143,999 milhões, entre 2013 e outubro de 2014, mas o processo inclui apenas o valor repassado para os marqueteiros petistas, que teriam recebido R$ 15,1 milhões em 26 entregas, parte em dinheiro e feita no Brasil e outra depositada em contas mantidas em paraísos fiscais. André Santana teria participado do recebimento dos valores.

O advogado de Guido Mantega, Fábio Tofic, informou que só vai se manifestar sobre a nova denúncia “quando tiver conhecimento oficial” do documento, o que não havia ocorrido até a noite desta sexta-feira. Os ex-executivos da Odebrecht citados na denúncia não foram localizados na noite desta sexta.

Os investigadores dizem que entre 2008 e 2010 houve intensa negociação do empresário Marcelo Odebrecht com Palocci e Mantega para solucionar questões tributárias do grupo. O objetivo foi permitir o pagamento dos tributos devidos ao governo federal, com redução da multa e compensação com prejuízos fiscais.

NA PLANILHA – A Braskem teria usado recursos mantidos ilegalmente no exterior, gerenciados pelo departamento de propina da empresa, para alocar valores nas chamadas planilha “Italiano”, gerenciada por Palocci, e “Pós-Itália”, assumida por Guido Mantega depois que Palocci saiu do governo.

A denúncia afirma que Palocci favoreceu a Odebrecht enquanto se manteve no governo, até o início de 2011, e mesmo depois que deixou o cargo de ministro da Casa Civil. Ele teria ainda, segundo o empresário Marcelo Odebrecht contou em delação, feito a aproximação da Odebrecht com Guido Mantega, para inseri-lo no esquema e, depois, continuou acompanhando os atos que eram concretizados ilicitamente.

Pela Odebrecht, foram denunciados Marcelo Odebrecht, Maurício Ferro, Bernardo Gradin, Fernando Migliaccio, Hilberto Silva e Newton de Souza. Três deles – Ferro, Souza e Gradin – não integram o grupo de 77 delatores que fizeram acordo com o MPF.

SEM DELAÇÃO – Isso significa que, ao contrário de outros executivos da empresa denunciados, como Marcelo Odebrecht e Hilberto Silva, o trio não terá direito a benefícios da colaboração premiada.

Para o MPF, Newton, Ferro e Gradin tiveram o mesmo papel de Marcelo Odebrecht, ao oferecer a Guido Mantega e Antônio Palocci “vantagem indevida para determiná-los a interferir nas decisões da alta administração federal e no processo legislativo”.

Todos eram destinatários de mensagens de Marcelo Odebrecht que tratavam de “tratativas e da estratégia ilícita” adotada pela empresa para obter os benefícios no governo.

MARCELO FERRO – Ferro e Souza sempre alegaram que tinham conhecimento do interesse da empresa em aprovar as medidas, mas não sabiam de tratativas ilícitas para obtenção de vantagem. Por isso, não integraram a lista de delatores da empresa.

Desde que saiu da prisão no fim do ano passado, Marcelo Odebrecht contesta essa versão. Ele apresentou ao MPF elementos que ele entendeu serem importantes para a compreensão de que Ferro – que é seu cunhado -, Newton de Souza e Gradin tiveram participação nos crimes agora denunciados pelo MPF.

“BENEFÍCIOS” – Em uma das mensagens destacadas pelo MPF, Marcelo anuncia aos executivos que procuraria Palocci “para assegurar os benefícios pretendidos” pela empresa, de acordo com os procuradores.

Ferro e Souza “foram também destinatários das mensagens eletrônicas que continuavam a discutir as providências adotadas para se obter a Medida Provisória e de cópia da mensagem que havia sido encaminhada por Marcelo a Antonio Palocci, por intermédio de seu assessor Branislav Kontic” escreve o MPF, mencionando o assessor do ex-ministro petista que cuidava de propina endereçada ao petista e ao partido, segundo investigações da Lava-Jato.

Mensagens anexadas à denúncia apontam que Newton e Ferro participam de debates em torno da aprovação das medidas provisórias, inclusive tratando Palocci como “italiano”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Caramba! Enquanto não incriminou o cunhado Mauricio Ferro, o delator Marcelo Odebrecht não sossegou. Desde que saiu da prisão,Marcelo não fala com o pai nem com a irmã, praticamente destruiu a família. Ou famiglia, a gente não sabe bem como qualificar. (C.N.)

Novas pesquisas eleitorais têm de incluir o nome de Lula e esquecer Haddad

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Charge do Milton Cesar (Arquivo Google)

Deu em O Tempo
(Estadão Conteúdo)

O mundo político já dá como certa a substituição de Luiz Inácio Lula da Silva, condenado e preso na Lava Jato, por Fernando Haddad como candidato do PT à Presidência. Mas, enquanto este “plano B” não for oficializado, é possível que só grandes bancos e empresas tenham informações precisas sobre quem lidera a corrida eleitoral.

Conforme revelou anteontem o Estadão/Broadcast, especialistas apostam que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) não permitirá a divulgação de pesquisas eleitorais em que Haddad figure como candidato do PT, se o ex-presidente, para efeitos legais, estiver ocupando essa vaga. Ou seja, as pesquisas devidamente registradas no TSE e divulgadas pelos meios de comunicação só poderiam testar um único cenário, o oficial, com Lula candidato – embora este seja o mais improvável.

RESTRIÇÃO – Mas essa mesma restrição não valerá para os bancos que encomendam pesquisas como forma de se antecipar a movimentos do mercado financeiro provocados pela ascensão ou queda de determinado concorrente. Levantamentos para consumo interno, sem divulgação na mídia, poderão testar cenários com e sem Lula e Haddad na cabeça da chapa petista.

É inédita essa situação em que o público pode ser privado de informações adequadas sobre as chances de cada candidato, conforme sondagens eleitorais.

“Temos dúvidas sobre a possibilidade de medir o apoio a alguém que não é formalmente candidato”, disse ao Estado Marcia Cavallari, diretora executiva do Ibope Inteligência. “A legislação não prevê essa possibilidade.”

DEFINIÇÃO – Mauro Paulino, diretor do Datafolha, também manifestou incerteza sobre o quadro. “O TSE deveria ter uma definição clara e flexível, o mais rápido possível, pelo bem da informação”, disse.

A resolução do TSE sobre pesquisas diz que “a partir das publicações dos editais de registro de candidatos, os nomes de todos os candidatos cujo registro tenha sido requerido deverão constar da lista apresentada aos entrevistados durante a realização das pesquisas”. A lei não proíbe a inclusão de nomes que não são candidatos, mas obriga a presença de todos os registrados no TSE.

IMPUGNAÇÃO – O Ministério Público, candidatos, partidos e coligações podem entrar com processo de impugnação da divulgação das pesquisas após o registro dos levantamentos. No registro, é possível ter acesso aos questionários das entrevistas e antecipar quais nomes estarão nos cenários considerados.

“Não tenho a menor dúvida de que, se colocarem uma pergunta com o nome de Lula e outra com o de Haddad, haverá impugnação da pesquisa”, comentou Daniel Falcão, professor de Direito Constitucional da Universidade de São Paulo (USP) e do Instituto de Direito Público (IDP).

Em resposta ao Estadão/Broadcast, o TSE informou que só pode se manifestar sobre situações não esclarecidas nas normas, como a inclusão de nomes que não são oficialmente candidatos em pesquisas, se a situação for questionada no âmbito judicial.

Brasil já gasta mais com seu Poder Judiciário do que os países ricos

Resultado de imagem para justiça chargesAndré Shalders
BBC Brasil

Os dados mais recentes da Comissão Europeia para a Eficiência da Justiça (Cepej) mostram que o Brasil não só paga a seus juízes mais que países europeus, mas o poder judiciário brasileiro também é mais caro que o destes países, considerando o tamanho das respectivas economias. De acordo com um levantamento de 2017 da entidade, em nenhum país europeu o gasto com o judiciário ultrapassou 0,7% do Produto Interno Bruto (PIB), em 2015.

No Brasil, o relatório Justiça em Números informa que, em 2016, o Judiciário consumiu o equivalente a 1,4% do PIB do país – ou R$ 84,8 bilhões, em valores da época.

PESSOAL – Desses R$ 84 bilhões, quase tudo (89%) foi de gastos com pessoal, inclusive pensões e aposentadorias. Em termos de custo por pessoa, os magistrados mais caros são os da Justiça Federal, com um custo de R$ 50,8 mil por mês.

“Para várias carreiras, o teto virou quase que o piso. Haverá efeito cascata no judiciário estadual, em carreiras do Executivo, e tudo isso deverá ser levado em consideração na peça orçamentária. Há que se lembrar que o país está acumulando déficits e aumentando sua dívida há cinco anos”, diz à BBC News Brasil deputado Rogério Marinho (PSDB-RN), que será o relator da área de Judiciário no Orçamento de 2019.

SEM MÁGICAS – O professor da UnB e especialista em administração pública José Matias-Pereira lembra que não há mágica no Orçamento. “Para conceder aumentos ou reajustes de salários, é preciso encontrar recursos para garantir esse reajuste. E na verdade há dois caminhos (se não houver como remanejar dentro do próprio órgão): ou retira-se dinheiro dos investimentos e de outras áreas, ou aumenta-se imposto”, diz ele.

“O que causa preocupação é que estamos em ano eleitoral. O próximo presidente vai encontrar um cenário fiscal difícil, que exigirá num primeiro momento medidas de austeridade. Veremos o governo, ao mesmo em que exige que a sociedade aperte o cinto de um lado, concedendo reajuste para servidores do outro”, diz ele.

O orçamento de 2019 será feito segundo a regra estabelecida pela chamada PEC do Teto – ou seja, as despesas não podem crescer mais que a inflação do ano anterior. No caso do STF, estima-se que os R$ 2,7 milhões a mais gastos com salários poderão ser cortados de outras áreas – como a TV Justiça, por exemplo. Mas ninguém sabe se o mesmo poderá ser feito nos demais tribunais.

 

“Trocando em miúdos, pode guardar as sobras de tudo que chamam lar…”

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Chico e Hime, amigos e parceiros

Paulo Peres
Site Poemas & Canções

O arranjador, pianista, cantor e compositor carioca Francis Victor Walter Hime compôs em parceria com Chico Burque a música “Trocando em Miúdos”, cuja letra retrata o fim de uma relação amorosa. A música faz parte do LP Chico Buarque, lançado, em 1978, pela Philips/Polygram.


TROCANDO EM MIÚDOS
Chico Buarque e Francis Hime

Eu vou lhe deixar a medida do Bonfim
Não me valeu
Mas fico com o disco do Pixinguinha, sim?
O resto é seu
Trocando em miúdos, pode guardar
As sobras de tudo que chamam lar
As sombras de tudo que fomos nós
As marcas de amor nos nossos lençóis
As nossas melhores lembranças
Aquela esperança de tudo se ajeitar
Pode esquecer
Aquela aliança, você pode empenhar
Ou derreter
Mas devo dizer que não vou lhe dar
O enorme prazer de me ver chorar
Nem vou lhe cobrar pelo seu estrago
Meu peito tão dilacerado
Aliás
Aceite uma ajuda do seu futuro amor
Pro aluguel
Devolva o Neruda que você me tomou
E nunca leu
Eu bato o portão sem fazer alarde
Eu levo a carteira de identidade
Uma saideira, muita saudade
E a leve impressão de que já vou tarde…

Debate foi frio, mas o reflexo no voto não pode ter sido igual a zero

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Boulos, do PSOL, provocou Jair Bolsonaro, do PSL

Pedro do Coutto

O debate levado ao ar pela Rede Bandeirantes de televisão na noite de quinta-feira, foi frio e certamente não apresentará reflexo maior junto ao eleitorado. Entretanto algum efeito produziu, partindo-se do princípio de que o reflexo não pode ser igual a zero. Vamos ver se o Ibope e o Datafolha divulgam pesquisas neste fim de semana. Aí, sim, poderemos ter o resultado concreto do confronto. Mas vale acentuar que foi o primeiro de uma série de enfrentamentos que serão transmitidos pela televisão. Além disso, valeu a manchete principal de O Globo, edição de ontem, além de ter recebido destaques na Folha de São Paulo, no Estado de São Paulo e no Valor.

O debate apresentou poucos resultados concretos embora tenha sido muito bem conduzido pelo jornalista Ricardo Boechat. O sistema colocado em prática foi muito bom, partindo de perguntas e respostas formuladas entre os candidatos e pelos jornalistas convidados a participar.

CIRO GOMES – Em matéria de desenvoltura, a meu ver, as intervenções de Ciro Gomes foram as mais observadas, apesar da promessa de cobrir as dívidas dos 63 milhões de brasileiros inadimplentes nos mercados comercial e bancário, um compromisso impossível de cumprir.

Não se pode criticar o desempenho de Marina Silva, de Geraldo Alckmin e de Henrique Meirelles. Marina Silva e Alckmin estavam embalados pelo resultado de pesquisas que apresentam percentual em seu favor. Mesmo caso de Bolsonaro, que se encontra em primeiro lugarno cenário sem candidato do PT, mas Henrique Meirelles está muito abaixo da escala do voto.

Aliás, por falar em pesquisa, acredito que nenhuma delas poderá fornecer resultado capaz de espelhar a sociedade brasileira, sem que nela esteja presente o candidato efetivo do PT.

É INELEGÍVEL – Lula já se convenceu de sua inelegibilidade, tanto assim que em declarações ao O Globo de ontem afirmou em carta colocada à divulgação que o direito do povo foi violado no campo do debate promovido pela Rede Bandeirante. A afirmação não é verdadeira, o direito do povo não foi violado e sim deixado em aberto pela vacilação do próprio PT. O Partido dos Trabalhadores, ao formalizar a indicação de Lula para as urnas de outubro, deixou um espaço aberto que criou uma indefinição quanto à manifestação popular.

Tanto assim que num lance inédito no campo político, a legenda apresentou dois candidatos a vice e nenhum nome capaz de substituir o de Lula na maratona eleitoral deste ano. Afirma-se que o substituto seja o ex-prefeito da cidade de São Paulo Fernando Haddad. Mas sem um pronunciamento efetivo do ex-presidente, deixa dúvidas quanto à escolha final de sua legenda.

CUMPRINDO PENA – Lula, inclusive, não poderia se pronunciar oficialmente, pois se encontra condenado pela Justiça e cumprindo pena na prisão. Entretanto. o PT terá que se definir até o próximo dia 15. Nesse ponto então deve homologar Fernando Haddad com Manoela D’Avila de vice.

Somente a partir daí o Ibope e o Datafolha terão condições de realizar uma pesquisa completa.

Candidatura de Fernando Haddad já começou a ser fritada pelo próprio PT

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Haddad tenta substituir Lula, mas não consegue

Merval Pereira
O Globo11

Há juízes que já declararam publicamente que o registro da candidatura de Lula não pode ser aceito porque ele não cumpre os requisitos necessários – é condenado em segunda instância, em órgão colegiado. O ministro Admar Gonzaga já declarou que não se deve nem receber o pedido de candidatura; Luiz Fux também já disse que Lula tem a inelegibilidade da candidatura “chapada”. Mas outros ministros acham que deve se dar direito de defesa – neste caso, o Tribunal Superior Eleitoral aceitaria o pedido e analisaria os recursos.

Mas acredito que o candidato do PT não será Lula, e talvez nem o Haddad, que já está sendo fritado dentro do partido. Alguns petistas nem querem que ele apareça, para deixar Lula como protagonista até o último minuto.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Muito interessante a observação de Merval Pereira, mas precisa de tradução simultânea. Quando ele diz que alguns ministros acham que Lula deve ter direito de defesa, está se referindo a Ricardo Lewandowski, Dias Toffoli e Gilmar Dantas, digo, Mendes. Mas todos os ministros, incluindo esses três mosqueteiros, sabem muito bem que Admar Gonzaga está certíssimo – a candidatura de Lula não pode ser aceita, porque um dos documentos exigidos pela Lei Eleitoral é a Certidão Negativa da Justiça Federal, que o suposto candidato petista só poderá obter caso seja inocentado pelo Superior Tribunal de Justiça (o que é praticamente impossível, pois acaba de ser novamente derrotado na Quinta Câmara do STJ por unanimidade) ou pelo Supremo, que nem tenciona julgá-lo antes da eleição. Quanto ao fato de Haddad estar sendo fritado dentro do PT, não há a menor novidade – o partido é uma espécie de “Clube do Bolinha”, em que todos têm de estar submissos a Lula da Silva, o novo Rei Sol (“depois de mim, o dilúvio”…). (C.N.)

Em busca do equilíbrio, Marina Silva tem invulgar capacidade de se preservar

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Sem aparecer muito, Marina mantém seus eleitores

Merval Pereira
O Globo

Apesar de acusada desde o fim de 2014 de ter “sumido” da vida pública, a candidata da Rede Marina Silva tem uma resiliência incomum, vista como uma política não tradicional, embora tenha sido parlamentar durante muitos mandatos, desde vereadora no Acre até senadora e ministra no governo Lula. Marina, com um desempenho estável nas pesquisas, de acordo com os dois maiores institutos, o Data Folha e Ibope, está em segundo lugar quando o ex-presidente Lula não aparece, situação em que também vence todos os demais concorrentes no segundo turno. E é a segunda opção da maioria dos entrevistados em pesquisa recente.

Marina aparece também como a maior herdeira dos votos de Lula. É nesse vasto mar de indecisos que ela pretende buscar a força necessária para chegar ao segundo turno, embora nesta eleição tenha condições piores do que em 2010 e 2014, quando teve uma média de 20 milhões de votos em cada uma.

AS ELEITORAS – A maioria do eleitorado brasileiro é de mulheres, revelou o último censo, o mesmo acontecendo entre os indecisos. Marina é a única mulher entre os outros 12 candidatos homens que estarão na disputa, e vai poder falar desta posição privilegiada, embora tenha pouco mais de 20 segundos de tempo de propaganda eleitoral gratuita e um fundo partidário ínfimo diante do de seus adversários, principalmente do tucano Geraldo Alckmin, que terá praticamente a metade do tempo de propaganda e um fundo de R$ 800 milhões.

Marina, embora comece a campanha no páreo para chegar ao segundo turno, tem dois fortes candidatos que disputam quem vai enfrentar Bolsonaro no segundo turno se o candidato do PSL mantiver a resiliência que o mantém há mais de ano na frente das pesquisas quando Lula não aparece.

À esquerda, Ciro Gomes do PDT, e à direita, o tucano Geraldo Alckimin, além da incógnita do petista Fernando Haddad, que não se sabe nem mesmo se será o “poste” da vez de Lula. Marina, apesar da falta de estrutura, tentará se afastar de seus concorrentes fazendo campanha com “indignação e sensatez”.

IMPEACHMENT – Marina acha que tomou o lugar do PSDB quando esse esmoreceu na ação que pedia a cassação da chapa Dilma-Temer no Tribunal Superior Eleitoral.  No entanto, o partido que lidera, a Rede, se dividiu na votação em plenário, e votou contra na comissão, contrariando sua orientação.

Essa dubiedade parece a alguns truque político, a outros demonstração de falta de comando do próprio partido. Ao se manifestar pessoalmente na defesa das decisões do Juiz Sergio Moro, principalmente nos casos relativos ao ex-presidente Lula, tornou realidade o desligamento do PT, situação com que lidava com dificuldades nas campanhas anteriores.

Pensa assim ter aberto espaço ao eleitor de centro-esquerda, ou os mais desiludidos com Lula e o PT. Ao mesmo tempo, se cercando de economistas como André Lara Resende e Eduardo Gianetti ganhou, senão a confiança, a neutralidade do mercado, colocando-se como opção mais equilibrada caso Alckmin não deslanche.

INCÓLUME – O grande trunfo que vai apresentar nessa campanha é o fato de ter passado incólume pela Lava-Jato. Por não estar na Lava-Jato, ficou à vontade na liderança política da defesa contundente das ações do Ministério Público, Polícia Federal e decisões do STF na condenação dos denunciados.

Para levar suas posições ao eleitorado, Marina espera que uma presença forte nas redes sociais substituirá as campanhas tradicionais, reagrupando a rede de voluntários, conversando ela mesma diretamente com os internautas, participando dos debates e entrevistas.

DIFERENCIADO – Marina tem um eleitor bem diferente de eleições anteriores, onde se destacava um forte núcleo de jovens empreendedores, digitais e da esfera da sustentabilidade, inclusive um empresariado compromissado com o futuro do planeta. Hoje seu eleitorado está centrado na classe CDE, de ensino fundamental, sendo as mulheres uma parcela grande. E um forte contingente de evangélicos, que ela disputará com Bolsonaro e Cabo Daciolo.

Resta saber se a candidata da Rede convencerá o eleitorado de que tem energia suficiente para superar a falta de estrutura, e capacidade de enfrentar um Congresso hostil.

Assim se mata um presidente, no exemplo marcante de Getúlio Vargas

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Charge do Lan (Arquivo Google)

Sebastião Nery

Uma semana depois da posse de Jânio Quadros na presidência da Republica, em 1961, o jornalista Raul Ryff, secretário de imprensa do vice-presidente João Goulart, ligou para o jornalista José Aparecido, secretário particular de Jânio:

– Aparecido, durante o governo do Juscelino, o Jango, como vice-presidente, sempre teve um avião da FAB à sua disposição. Agora, no governo do Jânio, o ministro Grum Moss, da Aeronáutica, tirou o avião do vice-presidente. Acontece que ele está esperando a mãe dele, que chega ao Rio às 17 horas, e depois não haverá mais nenhum avião de carreira para Brasília. E ele tem uma reunião política em Brasília à noite. Você poderia conseguir um avião para levar o vice-presidente a Brasília?

Aparecido falou com o general Pedro Geraldo, chefe da Casa Militar, pediu para ele providenciar o avião, e comunicou a providência a Jânio, que aprovou. Às quatro da tarde, Ryff ligou de novo para Aparecido:

– Como é, tchê? E o avião?

– Já está à disposição do vice-presidente aí no Rio.

Não estava. Aparecido foi ao general Pedro Geraldo, que acabava de receber um telex do ministro da Aeronáutica lamentando não poder atender porque a FAB não tinha nenhum avião disponível. Aparecido foi a Jânio. Os dois tinham entendido tudo. Jânio arregalou os olhos:

– Foi bom que tivesse acontecido logo na primeira semana. Você vai ver que não ficaremos aqui um minuto sem autoridade.

Janio mandou chamar o general Pedro Geraldo:

– General, faça-me um favor. Volte a comunicar-se com o senhor ministro da Aeronáutica e lhe transmita a seguinte instrução: faça descer o primeiro avião que sobrevoar o Rio de Janeiro, nacional ou estrangeiro, desembarque os passageiros e ponha-o à disposição do senhor vice-presidente da República.Trata-se de uma ordem do presidente da República

Em cinco minutos a Aeronáutica pôs um avião à disposição de Jango.

FAB UDENISTA – A Aeronáutica, naqueles tempos, e tantos anos seguidos, era um partido político, uma sublegenda da UDN. E de armas na mão. Só no governo de Juscelino, no começo e no fim, fez dois levantes armados, imediatamente sufocados pela autoridade e energia do marechal Lott.

No segundo governo de Vargas (1951 a 54), não era só a Aeronáutica. A maioria das Forças Armadas (Exército, Marinha e Aeronáutica) era inteiramente encoleirada pela ininterrupta pregação golpista de Carlos Lacerda e da Banda de Música da UDN, até desaguar afinal no golpe americano-udenista-militar de 1964.

Quando Getulio assumiu em 1951, depois da segunda derrota do brigadeiro Eduardo Gomes (em 45 e em 50), a UDN viu que no voto não chegaria ao governo: havia perdido para Dutra em 45 e para Vargas em 50 e certamente perderia em 55 para os herdeiros de Vargas, Juscelino e Jango.

E começou a conspirar freneticamente nos quartéis.

JANGO NA MIRA – O primeiro passo seria inviabilizar João Goulart, o filho político de Vargas. Presidente nacional do PTB e ministro do Trabalho a partir de junho de 1953, Jango tinha estudos da Fundação Getulio Vargas  mostrando que o aumento salarial de 14%, dado em dezembro de 1951, era ridículo diante do aumento do custo de vida, que tinha sido de 100%.

E Jango negociou com os sindicatos um projeto de aumento de 100% do salário mínimo, igual ao da inflação: de 1.200 para 2.400 cruzeiros.

– “Em fevereiro de 1954, 82 coronéis e tenentes-coronéis assinaram um memorial afirmando que possíveis aumentos de salários provocariam a elevação do custo de vida, agravando a situação dos baixos vencimentos nos quadros no Exército, que veria dificultado o recrutamento de oficiais.  Vargas exonerou Goulart e o general Espírito Santo Cardoso… E no dia 1º de maio anunciou o aumento de 100% do salário mínimo” (DHBB-FGV).

Em quatro meses, Vargas era empurrado para o suicídio.

Onde depositar a chama da esperança, quando entramos no ocaso da vida?

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A terceira idade é sempre um tempo para reflexões

Percival Puggina

Quando comecei a tomar consciência do tempo e da história, firmei a convicção de que, para um jovem do meu tempo, velharia, passado morto e sepultado era o século XIX. Fluíam, deliciosos, os anos 60 (“Quem os viveu, viveu!”, morreremos todos proclamando) e remotas, então, eram as guerras napoleônicas, o Império, Bismarck, as polainas e o bigode retorcido do meu avô materno. Recente era a 2ª Grande Guerra; atual era a Revolução Cubana. Ah! Serviam-nos – felizes que éramos – os esplendores da contemporaneidade!

Já vão quase duas décadas desde que, na virada do século, uma pá de poeira cósmica foi jogada sobre essa enfatuada autoexaltação, exonerando-a do tempo presente. Quem tem 18 anos hoje nem sabe o que seja bug do milênio… Aliás, o computador, a Internet, a ponte de safena, a vacina contra a gripe e o telefone celular estão por aí, mas são coisas de um século que ficou lá atrás.

PENSAR+ – Em meados do mês passado, nas confortáveis instalações da Florense, em Flores da Cunha, realizamos o 6º Colóquio do grupo Pensar+, sobre o qual já tenho falado a meus leitores. Temas centrais do evento: inteligência artificial, machine learning, deep learning. O futuro, enfim. E, claro, a minha obsolescência.

Bem sei que isso é assim mesmo. Periódica e inexoravelmente, o sino da História dobra finados pela sina dos tempos que findam. Mas convenhamos, foi a primeira vez que essa sensação me acometeu profundamente e sinto-me no dever de refletir sobre ela. Há que aprender dela. Se possível já. Tenho pensado, então, sobre a obsolescência programada das coisas humanas. Fomos feitos para dar defeito num certo tempo e não conseguimos retirar esse pecado original das coisas que fazemos.

UMA FAGULHA – Como superar a sensação de ser fagulha peregrina, que uns poucos veem arder, e passa? Onde encontrar sentido para o que parece errático e finalidade para o transitório? Onde depositar a chama da nossa esperança?

Reparto, pois, com meus leitores, o que aprendi, há bom tempo, do irrequieto Agostinho: só em Deus minha alma encontrará sossego. Percebi, vendo o justificado entusiasmo dos jovens com as potencialidades abertas pela inteligência artificial, que eu preciso – preciso! – ser parte de algo que o tempo não devore e que as novidades não sufoquem. Coloco minha vida e estes tempos de inteligência artificial nas mãos de quem dizemos Senhor da História porque o futuro Lhe pertence. Seja Ele, então, Senhor de nossos dias. Acho que isso também é deep learning, em dimensão humana.

O espírito da ex-ministra Luislinda Valois resolveu baixar no Supremo

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Luislinda saiu de Brasília, mas sua presença continua

Bernardo Mello Franco
O Globo

“Como é que eu vou comer? Como é que eu vou beber? Como é que eu vou calçar?”. O espírito de Luislinda Valois, a ministra que queria receber acima do teto, parece ter baixado no Supremo. Enquanto o país patina na crise, os juízes do tribunal aprovaram um aumento nos próprios salários.

Ao justificar o reajuste, o ministro Ricardo Lewandowski disse que aposentados do Judiciário estariam passando por uma “situação de penúria extrema”. “Se a magistratura não tem recompensa pela defasagem de 50% nos vencimentos, como é que os magistrados vão sobreviver?”, dramatizou.

Hoje os onze supremos sobrevivem com um salário de R$ 33,7 mil. Pela nova proposta, passarão a ganhar R$ 39,2 mil a partir do ano que vem. O efeito cascata, segundo cálculos da própria Corte, será de R$ 717 milhões apenas na Justiça Federal.

Também deve haver impacto sobre os orçamentos do Executivo e do Legislativo. Como o salário dos ministros é o teto do funcionalismo, o valor passou a ser usado como indexador. Quando os togados embolsam um a mais, os demais servidores reivindicam aumentos na mesma proporção.

A aprovação do reajuste é uma derrota da ministra Cármen Lúcia, que está prestes a deixar a presidência do tribunal. Ela tentou barrar o gasto extra, mas só teve apoio de três colegas. Foi um novo sinal de que o poder já se deslocou para seu sucessor, Dias Toffoli, que assume a cadeira em setembro. Ao que tudo indica, a gestão do ministro será mais sensível ao lobby das associações de magistrados.

As entidades não devem se saciar com o reajuste. Seus porta-vozes já deixaram claro que lutarão para manter penduricalhos como o auxílio-moradia, que continua a ser depositado na conta de magistrados que têm imóvel próprio. O juiz Sergio Moro, que tem apartamento e defende o pagamento do benefício, já alegou que o auxílio “compensa a falta de reajuste” nos contracheques.

Agora que o aumento passou, ele e seus colegas poderiam abrir mão da benesse.

Moro aceita denúncia (corrupção e lavagem) contra ex-senador Gim Argello

O ex-senador Gim Argello, em imagem de abril de 2016, quando foi preso pela Polícia Federal (Foto: Rodolfo Buhrer/Reuters)

Gim Argello já está preso desde abril de 2016

José Vianna e Ederson Hising
G1 PR, Curitiba

O juiz federal Sergio Moro aceitou nesta quinta-feira (9) denúncia do Ministério Público Federal (MPF) contra o ex-senador do Distrito Federal (DF) Jorge Afonso Argello, conhecido como Gim Argello, preso desde abril de 2016 na Operação Lava Jato.

Ele se tornou réu pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro por obstruir os trabalhos da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Petrobras instaurada no Senado e da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) no Senado e na Câmara dos Deputados, em 2014.

ACERTO EM CPI – Conforme a denúncia, as CPIs, das quais ele era vice-presidente, foram criadas para apurar fatos ilícitos cometidos contra a Petrobras – na ocasião, diz a denúncia, houve acerto de pagamento de propina ao ex-senador para evitar a convocação de empreiteiros para prestarem depoimento.

De acordo com o MPF, Argello solicitou e aceitou promessa de vantagem indevida de R$ 5 milhões da empresa Galvão Engenharia, recebendo efetivamente parte do valor (R$ 1,6 milhão) por intermédio de partidos políticos.

Gim Argello já foi condenado pela Justiça Federal por corrupção passiva e lavagem de dinheiro a 19 anos de prisão, em outubro de 2016.

CONDENAÇÃO – Em novembro de 2017, a 8ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) confirmou a condenação da primeira instância, mas reduziu a pena para 11 anos e oito meses.

Ele exerceu o cargo de senador entre 2008 e fevereiro de 2015 pelo Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) e está preso no Complexo Médico-Penal (CMP), em Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba.

A defesa de Argello disse que ainda não teve acesso à aceitação da denúncia e, por isso, não vai se manifestar por ora. A reportagem não conseguiu contato com a Galvão Engenharia.

Na condição de vice, general Mourão diz que agrega estabilidade a Bolsonaro

Mourão diz que apoia Bolsonaro incondicionalmente

Talita Fernandes
Folha

Filiado do PRTB, o general da reserva Hamilton Mourão foi escolhido nos últimos instantes como vice na chapa de Jair Bolsonaro(PSL). Ele diz que agregará discrição e estabilidade para a campanha, marcada por polêmicas do deputado federal. Em entrevista à Folha, reconheceu que a relação com o Congresso será difícil, caso ele e Bolsonaro sejam eleitos. “Não tem fórmula de bolo.”

O sr. foi escolhido de última hora e forma com Bolsonaro uma chapa puro sangue militar. Em que isso agrega à campanha?
Desde o início eu fui uma opção para ele, por isso que eu me filiei a um partido político quando eu entrei para a reserva. Ele tentou as outras opções que ele tinha e todo mundo sabe que não foram bem sucedidas. No último momento ele teve que me chamar. Eu acho que eu agrego estabilidade para ele porque ele sabe que ele vai ter um companheiro de chapa que não vai procurar ter luz própria e que vai apoiá-lo incondicionalmente. Pode ser que eu traga voto de outros segmentos da ala mais conservadora da sociedade que veem na minha figura alguém capaz de agregar um conhecimento, um discernimento, experiência de vida.

Uma dificuldade de serem apenas dois partidos coligados é a negociação com o Congresso. Como será isso? 
Posso até ser ingênuo, mas eu vejo que nosso relacionamento com o Congresso tem que se dar em torno de ideias. Eu sei que o Bolsonaro tem cem, cento e poucos deputados que estão com ele, óbvio que não é uma massa de manobra capaz de assegurar uma maioria para ele, mas é um primeiro passo.

Até hoje nenhum governo conseguiu fazer dessa forma, com ideias. Como sozinho o Bolsonaro espera mudar isso?
Será difícil. Não tem forma de bolo isso aí, vai ter que manobrar, usando um termo militar. Quando você está esbarrando com uma enorme resistência você tem que manobrar. Sem ceder àqueles argumentos que lhe são caros e pelos quais foi eleito pela população, terá que ceder em outros, talvez.

O sr. promete discrição, mas ganhou holofote negativamente ao chamar índios de indolentes e dizer que a malandragem do brasileiro veio dos africanos. 
Eu acho que isso foi ultrapassado. É uma palestra que eu faço em vários lugares do país. Antes eu fazia e não era candidato a nada e ninguém dava bola. É uma palestra em que eu traço um perfil da nossa origem, não é para denegrir nem A, nem B e nem C. A questão é nós somos um cadinho, a junção, uma miscigenação de três culturas com as coisas boas e as coisas não tão boas assim. Esse episódio já rendeu o que tinha que ter rendido.

O sr. é a favor de programas como o Bolsa Família?
Eu julgo que esse programa não pode ser eterno. À medida em que você vai gerando capacidade, vai colocando as pessoas em condições de se inserirem no mercado de trabalho eles têm que ser retirados desse programa para não ficar o resto da vida dependendo do estado. Mas hoje tem que continuar.

A Petrobras deve ser privatizada? 
No caso da Petrobras, o Bolsonaro já declarou e eu aguardo as diretrizes dele. Isso tem que ser bem estudado: quais são as atividades da Petrobras que podem ser cedidas à iniciativa privada porque a Petrobras é uma empresa que apesar de todos os problemas que ocorreram tem um corpo técnico capacitado e que pode tocar a empresa de forma com eficiência gerencial, sem jogar fora recurso e sem ser inserida num papel de corrupção.

Outras estatais devem ser privatizadas como a Caixa e Banco do Brasil, por exemplo? 
O que eu vejo é que eles não podem ser utilizados politicamente. Quando você deixa de utilizar os servidores concursados dessas entidades para gerenciá-las ou nomeia servidores que estão exclusivamente comprometidos com partidos políticos você causa problemas. 

O sr. já se referiu à campanha do Bolsonaro como amadora. Por quê? 
É amadora porque é uma campanha iniciante. Essa é a primeira campanha presidencial do Bolsonaro. Ele fez campanhas para deputado que são totalmente distintas de uma presidencial. Ele está querendo melhorar suas equipes, agora é uma campanha de recurso reduzido. Ela é uma campanha que tem que se restringir a esses recursos e ao crowdfunding que ele fez.

Bolsonaro vem sendo criticado por posições consideradas preconceituosas. Isso atrapalha na conquista de eleitor? 
Essa imagem foi colocada no Bolsonaro de forma errônea. Ele tem os pensamentos dele, a forma de ele pensar em relação a conservadorismo, família e coisas do gênero. Mas ele não é uma pessoa racista, em absoluto. 

Bolsonaro saiu das Forças Armadas mostrando indisciplina e insubordinação, pontos caros aos militares. Isso não pega mal? 
Bolsonaro teve na sua época, deu alguns problemas dentro da Força. Mas depois saiu, foi eleito vereador, deputado e ao longo desse período foi estabelecendo relacionamento diferente. Os eventuais desacertos de uma fase da vida dele tumultuada foram superados.

Bolsonaro quer nomear militares para ministérios dizendo que isso evitaria casos de corrupção, mas também há militares corruptos.
Temos pessoas honestas e competentes dos dois lados da moeda, do lado civil e do lado militar. Bolsonaro tem que escolher pessoas competentes independentes de vestirem farda ou terno e gravata. Não é porque nós somos uma instituição baseada em valores, valores de honra, de dever e de pátria, que não apareçam as frutas podres.

 

Aborto é como chamamos a pena de morte para fetos indefesos. Pense nisso.

Já está morto!

Charge do Collins (Arquivo Google)

Antonio Carlos Rocha

1) Tenho enorme respeito pela pastora luterana Lusmarina Garcia, mas no quesito “Aborto” discordamos, ela é a favor e eu, budisticamente, sou contra.

2) Está circulando nas redes sociais um vídeo, com uma parte do pronunciamento em que a conceituada clériga e teóloga fez no Supremo Tribunal Federal, sobre o tema, em que ela afirma que o mandamento bíblico “Não Matarás” não era universal, pois era permitido matar os inimigos e as mulheres adúlteras através do apedrejamento.

3) Não sou cristão, respeito-os profundamente, mas a meu ver esta interpretação invalida o decálogo, sob o prisma do Espiritismo/Espiritualismo onde nasci, me criei e estudo até hoje fazendo uma dupla com o Budismo.

4) De fato, o Antigo Testamento tem várias passagens onde se manda matar os inimigos. Há até um livro “Quando Deus mandou matar”, publicado pela antiga editora Juerp, autoria de um pastor batista e pode ser encontrado nos sebos.

5) Contraponho que é bem diferente da mensagem de Cristo, no Novo Testamento, que mandou amar/perdoar o próximo, seja ele inimigo ou não.

6) Respeitosamente abordo o assunto: sou contra o aborto (tema complexo) e a favor da Lei do Carma, a Justiça Divina, mas não incrimino, não criminalizo os casais ou mulheres que fazem ou fizeram aborto. Na verdade, faço orações por eles/elas.

7) Vejam as importantes palavras de Santa Madre Teresa de Calcutá: “Enquanto houver aborto provocado na face da Terra, não haverá Paz no mundo”.

8) É que os Espíritos das crianças abortadas cobram os familiares, das mais diversas formas.

9) Existe uma cerimônia budista japonesa de batismo para os Espíritos dos fetos abortados, eles recebem nomes e são considerados presentes nos lares como anjinhos(as) protetores(as), após a cerimônia.

10) Aborto é pena de morte para fetos indefesos.

Juízes do STF já ganham mais que colegas europeus, mesmo sem reajuste

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No xadrez da vida, ministros se consideram reis e rainhas

André Shalders  
BBC Brasil

No começo da noite desta quarta-feira, sete dos onze ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiram incluir no Orçamento de 2019 uma autorização para que eles próprios recebam um reajuste salarial de 16,3%, a partir do próximo ano. Se a proposta for aprovada pelo Congresso, o salário dos ministros do STF passará dos atuais R$ 33,7 mil para R$ 39,3 mil.

O ministro Ricardo Lewandowski, autor de um dos votos favoráveis à medida, chegou a dizer que o reajuste era “modestíssimo”.

COMPARAÇÃO – Se comparados com os vencimentos de juízes em outros países, porém, os contracheques do Judiciário brasileiro estão longe de ser modestos.

Um estudo de 2016 da Comissão Europeia para a Eficiência da Justiça (Cepej, na sigla em francês) mostra que, em 2014, um juiz da Suprema Corte dos países do bloco ganhava 4,5 vezes mais que a renda média de um trabalhador europeu. No Brasil, a realidade do salário do STF é ainda mais distante da média da população: o salário-base de R$ 33,7 mil do Supremo Tribunal Federal corresponde a 16 vezes a renda média de um trabalhador do país (que era de R$ 2.154 no fim de 2017).

Em 2014, um magistrado da Suprema Corte de um país da União Europeia recebia, em média, 65,7 mil euros por ano. Ao câmbio de hoje, o valor equivaleria a cerca de R$ 287 mil – ou R$ 23,9 mil mensais.

E NO BRASIL… – Segundo a última edição do relatório Justiça em Números, produzido pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), o Brasil tem hoje cerca de 18 mil magistrados (juízes, desembargadores, ministros). Eles custam cada um, em média, R$ 47,7 mil por mês – incluindo salários, benefícios e auxílios.

Os ganhos dos demais magistrados em todo o país estão vinculados aos rendimentos dos ministros do STF. Só no Judiciário, o impacto total será de cerca de R$ 717 milhões no ano que vem (sendo R$ 2,7 milhões no STF). No caso da magistratura, o aumento é automático – o reajuste para os ministros é repassado para todos os demais.

Além disso, os salários dos ministros também estabelecem o chamado Teto Constitucional, que é o valor máximo que pode ser recebido pelos servidores dos três poderes (Judiciário, Legislativo e Executivo). Se o valor do teto sobe, há a possibilidade de outras carreiras, fora do judiciário, pedirem aumento também. Mas, neste caso, o aumento não é automático.

VINCULAÇÃO – “O efeito é chamado vinculativo, porque a Constituição determina que que o subsídio dos ministros dos tribunais superiores (STM, STF, STJ, TSE etc) seja de 95% do subsídio do STF, e o mesmo ocorre com outras categorias. Este aumento é automático, e é a isto que se chama de ‘efeito cascata’. Há uma hierarquia clara”, diz a advogada constitucionalista Vera Chemim.

Nos Tribunais de Justiça dos Estados, o vencimento dos desembargadores é, teoricamente, de 90,2% daquele dos ministros do STF, ou R$ 30,4 mil. Em alguns Estados, o aumento é automático. Em outros, depende de autorização em lei local.

Há ainda uma outra forma pela qual o reajuste do STF impacta as contas públicas: em várias carreiras, há servidores que ganham mais que o teto constitucional. Seus salários sofrem o chamado “abate teto”. Se o teto aumentar, os salários também sobem.

A proposta orçamentária do Supremo Tribunal Federal será enviada pelo tribunal ao Ministério do Planejamento (MPOG), a quem cabe reunir os estudos enviados pelos diversos órgãos. No dia 30 de agosto, o Planejamento enviará o projeto para a Comissão Mista de Orçamento (CMO) do Congresso Nacional, que analisará o tema e o levará a votação. Se aprovado, os ministros do STF poderão se conceder o aumento em 2019.

PT teme dispersão de eleitores se Justiça Eleitoral barrar Lula ainda em agosto

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Charge do Simanca (Arquivo Google)

Bruno Boghossian
Folha

A discussão dentro do PT sobre a exposição de Fernando Haddad em atos de campanha simboliza a incerteza do partido sobre como se dará, na prática, a transferência de votos de Lula para seu afilhado político. Os indícios de que a Justiça Eleitoral pode acelerar a decisão sobre a candidatura do ex-presidente devem provocar uma mudança significativa nos planos petistas.

Originalmente, advogados da sigla planejavam usar prazos legais e recursos para esticar o processo em que o TSE decidirá se Lula está ou não inelegível. Em um cenário considerado otimista, a sentença sairia só na segunda semana de setembro —o que daria tempo ao partido para levar à TV a imagem do ex-presidente como seu candidato oficial por quase 15 dias.

ANTECIPAÇÃO – Ministros do TSE e procuradores, no entanto, emitem sinais de que é possível antecipar para agosto a previsão de julgamento. Nesse caso, Lula já estaria barrado antes do início do horário eleitoral gratuito.

Se este cenário se concretizar, o PT precisará decidir se sabota a abertura do período de propaganda para preservar a versão de um Lula candidato por mais alguns dias ou se finalmente deflagra seu plano B.

A grande dúvida dos petistas é a dimensão do impacto que a substituição causaria em suas bases eleitorais. O ceticismo em relação à candidatura de Lula aumentou, mas cerca de um terço do eleitorado do Nordeste ainda dizia em junho que o ex-presidente será candidato “com certeza”.

RISCO DE DISPERSÃO – O PT acredita que existe um risco de dispersão desse eleitorado no momento em que a saída de Lula da disputa se tornar definitiva. A ala da sigla que propõe que Haddad se “esconda” por enquanto entende que os simpatizantes do ex-presidente podem ficar confusos ao ver na disputa uma figura menos conhecida.

Mais de 60% dos eleitores de Lula dizem que votariam no candidato apoiado por ele, mas os petistas sabem que a transferência não é automática. Não será fácil preservar essa influência nos 58 longos dias que nos separam do primeiro turno.

Programa “militarista” de Bolsonaro tem resistência até nas Forças Armadas

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Charge do Alpino (Yahoo Brasil)

Matias Spektor
Folha

Um dia após ser oficializado candidato à Presidência, o deputado Jair Bolsonaro (PSL) levou sua campanha ao Clube da Aeronáutica. Lá chegando, o candidato ouviu a mensagem que circula há meses entre militares de alta patente. “Mostre à sociedade que não é difícil compor um quadro administrativo com civis gabaritados”, sugeriu o ex-comandante da Aeronáutica tenente-brigadeiro Carlos de Almeida Baptista.

Na cúpula das Forças Armadas, a promessa do candidato de povoar metade de seu ministério com militares cai muito mal. A razão é o instinto de autopreservação da tropa: ao posicionar generais, almirantes e brigadeiros na vitrine principal de seu eventual governo, Bolsonaro terminaria transformando a tropa em vidraça.

SUSPEITAS – A primeira prova de que tal preocupação faz sentido veio à tona nesta quarta-feira (doa 8), quando o jornal El País noticiou suspeitas de irregularidade envolvendo o candidato a vice na chapa de Bolsonaro, o controverso general Antonio Hamilton Mourão. Segundo os documentos divulgados, o suposto esquema de corrupção envolveria compras militares, uma empresa privada espanhola e um lobista.

A cúpula das Forças Armadas sabe que o capitão reformado abusa da mitologia segundo a qual os militares seriam imunes aos vícios típicos do sistema político brasileiro. Mas na prática quem está no comando da tropa reconhece que a força enfrenta os mesmos problemas e gargalos que assolam o resto do serviço público nacional.

A preocupação de quem entende do jogo não se limita a eventuais denúncias de corrupção. Se entrarem para a política, os militares serão cobrados por boa governança na provisão de bens públicos, sendo obrigados a mediar os interesses conflitantes que dividem a sociedade brasileira.

SEGURANÇA – Mesmo na área da segurança pública, onde as Forças já atuaram em diversas ocasiões, a entrega de bons resultados está longe de ser trivial. A intervenção no Rio de Janeiro —com o aumento expressivo de mortes em chacinas para uma redução pequena do crime— ilustra o problema.

A cúpula entende que, ao assumir cargos políticos, os militares correm o risco de perder a boa reputação de que gozam junto à opinião pública. De quebra, poderá haver um agravamento das tensões entre as três Forças na disputa por orçamentos e influência na Esplanada, para nem falar da volta às manchetes dos crimes e excessos cometidos durante o último regime autoritário.

Para o grupo de alta patente que assiste com espanto às propostas de Bolsonaro, há uma chance real de, em nome do suposto fortalecimento do setor militar, uma eventual Presidência do candidato do PSL terminar deixando a corporação mais fraca.

Um debate morno e entediante, que ajudou os espectadores a caírem no sono

Expectativa foi frustrada no debate de oito candidatos

Marco Grillo, Fernanda Krakovics e Miguel Caballero
O Globo

No primeiro debate entre os presidenciáveis nesta campanha eleitoral, nesta quinta-feira, na TV Bandeirantes, que levou oito candidatos ao embate, a discussão sobre alianças e economia teve mais destaque. O encontro ficou marcado pelos ataques mútuos e pela apresentação de propostas pouco aprofundadas. Como estratégia eleitoral, os adversários optaram pela busca de fragilidades, em vez de detalhar as ações. Supostos desvios éticos foram apontados, assim como alianças partidárias e as relações com o governo Temer.

O candidato do PSDB, Geraldo Alckmin, quarto colocado nas pesquisas, que tem o maior leque de alianças, foi o mais questionado, até a conclusão desta edição. Foi confrontado a respeito da coligação com o centrão, sobre medidas econômicas do atual governo (de quem o PSDB foi aliado) e sobre o Bolsa Família. O candidato do MDB, Henrique Meirelles, lembrou que os tucanos já chamaram o programa de Bolsa Esmola. Cabo Daciolo (Patriota) e Jair Bolsonaro (PSL), em uma dobradinha clara, também fizeram críticas duras ao tucano. Já Ciro Gomes (PDT), em terceiro lugar nas pesquisas, quase não foi alvo de perguntas.

CIRO E ALCKMIN – Quando participou dos embates, Ciro tentou ligar o presidenciável tucano, Geraldo Alckmin, ao governo de Michel Temer. O pedetista lembrou que o PSDB apoiou a reforma trabalhista, que, segundo ele, teria agravado “terrivelmente” a situação do povo brasileiro e também perguntou se o tucano pretende mantê-la. Alckmin respondeu ser a favor da reforma. Ressalvou que a permissão para que mulheres grávidas trabalhem em locais insalubres precisa ser revista.

— A reforma trabalhista foi um avanço. Tínhamos era um grande cartório, com 17 mil sindicatos no Brasil, mantidos com imposto sindical. A maioria não fez nem convenção coletiva — disse o candidato do PSDB, que chegou a usar o termo “Bolsa Banqueiro”, utilizado por Guilherme Boulos (PSOL), ao responder a um questionamento de Meirelles sobre o Bolsa Família.

— Vamos ampliar o Bolsa Família, vamos usar o dinheiro do Bolsa Banqueiro.

MARINA E O PV – Marina também buscou a polarização com Alckmin ao associá-lo ao centrão, grupo de partidos que se aliou ao PSDB. Segundo ela, alguns representantes dessas legendas têm “assaltado o povo”. Alckmin creditou o acordo à necessidade de ter uma ampla coalizão para aprovar as reformas previdenciária, política e tributária logo no início de um eventual governo. O ex-governador de São Paulo aproveitou para alfinetar Marina, ao recordar que ela saiu do PV, após a eleição de 2010. Disse que a situação com o partido era “incompatível”, embora para esta eleição tenha feito uma aliança com a mesma legenda.

Sobre a reforma da Previdência, Alckmin defendeu a equalização dos sistemas público e privado, para acabar com “sistema injusto”. Já Ciro propôs um novo modelo de capitalização e criticou a proposta que prevê a idade mínima de aposentadoria de 65 anos para todos os trabalhadores, com o argumento de que seria uma idade elevada para quem exerce atividades no meio rural.

BOULOS E BOLSONARO – O principal ataque entre os candidatos ocorreu no primeiro bloco. Boulos questionou Bolsonaro sobre o fato de ele ter recebido auxílio-moradia, mesmo sendo proprietário de imóvel em Brasília, e acusou o adversário de empregar uma funcionária fantasma no gabinete da Câmara, que seria responsável por “cuidar dos cachorros” que o presidenciável teria em uma casa em Angra dos Reis (RJ).

— O Bolsonaro é a velha política corrupta. Recebeu auxílio-moradia, aprovou dois projetos e conseguiu comprar cinco imóveis. Não tem vergonha? — perguntou Boulos.

O deputado retrucou e lembrou que o candidato do PSOL é líder do Movimento Sem Teto (MTST).

— A Val é uma funcionária minha que mora em Angra. Ela não é fantasma, estava de férias (quando uma reportagem da “Folha de S. Paulo” tratou do assunto). Eu teria vergonha se tivesse invadindo casa dos outros. Não vim aqui para bater boca com um cidadão desqualificado como esse aí.

VENEZUELA – A crise venezuelana também foi tema. Meirelles e Alvaro Dias criticaram o governo do país vizinho, mas garantiram apoio humanitário.

— Temos que agir para que a situação mude. Mas, até lá, o Brasil tem que continuar com a postura humanitária — disse Meirelles.

Dias seguiu o mesmo tom: — Seria perverso expulsar seres humanos vítimas de uma ditadura perversa, incapaz de respeitar liberdades democráticas.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Só assisti as duas primeiras partes. Após as perguntas dos jornalistas da Band, fui vencido pelo entorpecimento mental. Deixo registrado que não entendia quase nada do que Bolsonaro dizia (sua dicção é péssima) e fiquei bem impressionado com as colocações de Alvaro Dias e Marina Silva. E o cabo Daciolo me surpreendeu pela desenvoltura. Para mim, esse tipo de debate é chatíssimo e entediante. (C.N.)

Na poesia de Adélia Prado, a coisa mais fina do mundo é o sentimento

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Site Poemas & Canções

A professora, escritora e poeta mineira Adélia Luzia Prado de Freitas, no poema “Ensinamento”, fala de opiniões e sentimentos.

ENSINAMENTO
Adélia Prado

Minha mãe achava estudo
a coisa mais fina do mundo.
Não é.
A coisa mais fina do mundo é o sentimento.
Aquele dia de noite, o pai fazendo serão,
ela falou comigo:
“Coitado, até essa hora no serviço pesado”.
Arrumou pão e café , deixou tacho no fogo com água quente.
Não me falou em amor.
Essa palavra de luxo.

Preços sobem, mas os salários permanecem congelados. Isso pode, Arnaldo?

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Charge do Bruno Galvão (Arquivo Google)

Pedro do Coutto

Os quatro grandes jornais do país publicaram com grande destaque a resolução administrativa do Supremo Tribunal Federal propondo um reajuste de 16,38% para os ministros da Corte, incluindo a projeção da despesa na Lei Orçamentária para 2019. A decisão despertou reações contrárias com base nas dificuldades de receita e despesa com que o governo Michel Temer se defronta. Tudo bem. Mas é preciso, sem entrar no mérito da questão específica, considerar que os salários, não apenas dos Ministros do STF, mas de todo o funcionalismo público federal, encontram-se congelados desde janeiro de 1917, exceção dos que percebem somente o salário mínimo.

Isso porque o salário mínimo é regido por lei especial impositiva, com base na taxa inflacionária do ano anterior mais o crescimento percentual do PIB. Como ano passado o PIB não cresceu, restou apenas transferir a inflação oficial, 2,9% sobre o piso salarial do país. A lei orçamentária aprovada no início do governo Michel Temer estabeleceu que os tetos não poderiam ser mais elevados do que o índice inflacionário do exercício anterior. Assim o orçamento que em 2016 era de 2,9 trilhões de reais passou a ser 3% maior. 

CORREÇÃO, APENAS – Não se pode dizer que o orçamento ficou maior, porque apenas se corrigiu o valor absoluto à base da inflação do exercício anterior. Não fosse colocado em prática o índice de inflação, o orçamento do país teria diminuído na mesma escala. É o que acontece com os salários de modo geral. Não havendo reposição de um ano para outro, aplicando-se-lhes o mesmo critério, o funcionalismo federal estará tendo seus vencimentos reduzidos. No caso dos aposentados, tiveram redução, porque o reajuste foi de apenas 1,8%, abaixo da inflação de 2,9%.

A matéria sobre a decisão do Supremo foi bem exposta nas edições de ontem de O Globo e do Estado de São Paulo. No Globo é assinada por Carolina Brígido e Geralda Doca. No Estado de São Paulo assinaram Rafael Moraes Moura e Amanda Pupo. Nos outros dois jornais, Folha de São Paulo e Valor, tiveram chamadas nas primeiras páginas.

FREIO NO CONSUMO – O assunto é dos mais importantes, porque, sem correção salarial, o consumo não cresce e, em consequência os impostos também. Daí porque coloquei no título a expressão sempre usada por Galvão Bueno para ouvir a impressão de Arnaldo Cesar Coelho em lances do futebol.

Esse tema deve ser explorado amplamente nos debates sobre a sucessão presidencial que tiveram início ontem na Rede Bandeirantes de Televisão. Haverá uma sequência de confrontos, em várias emissoras, e o mais decisivo será a 4 de outubro, na Rede Globo, quando faltarem três dias para o desfecho do primeiro turno das urnas.