Parecer diz que Lula pode concorrer em 2018 mesmo condenado em 2ª instância

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Charge do Sponholz (sponholz.arq.br)

Mônica Bergamo
Folha

Lula recebeu na segunda-feira (dia 16), do senador Lindbergh Farias (PT-RJ), um parecer jurídico assinado pelo professor Luiz Fernando Casagrande Pereira, do Paraná, afirmando que ele poderá disputar as eleições presidenciais em 2018 ainda que condenado em segunda instância – e ainda que o STJ (Superior Tribunal de Justiça) e o STF (Supremo Tribunal Federal) não concedam liminar para suspender a inelegibilidade que viria com essa sentença.

Na opinião de Casagrande Pereira, mesmo nessa situação limite, o PT poderá registrar a candidatura de Lula no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) em agosto. Só então ela seria objeto de impugnação. “Ocorre que entre a impugnação e o afastamento de Lula da campanha há uma enorme distância”, diz ele. Se todos os prazos para o julgamento forem cumpridos no TSE, o eventual afastamento só ocorreria em 12 de setembro. Neste intervalo de um mês, Lula já estaria em plena campanha.

Casagrande Pereira, que elaborou dois pareceres para Michel Temer quando o presidente foi julgado no TSE (Tribunal Superior Eleitoral), estudou o caso de Lula a pedido do PT.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Como diz o velho ditado, “papel aceita tudo”. Este é apenas o primeiro parecer favorável à manutenção da candidatura de Lula, que estará automaticamente sustada se ele for condenado em segundo instância, existe farta jurisprudência a respeito. Políticos condenados como os senadores Cássio Cunha Lima (PSDB-PB) e Jader Barbalho (PMDB-PA) só escaparam porque as condenações ocorreram antes da vigência da Lei da Ficha Suja. E como o ministro Gilmar Mendes já afirmou que é “uma lei feita por bêbados”, tudo é possível na democracia à brasileira. (C.N.)

Relator da primeira denúncia, Zveiter diz que vai devolver carta a Temer

Zveiter apresentará um novo parecer como substitutivo

Deu em O Tempo
(Agência Estado)

O deputado Sergio Zveiter (Pode-Rio) disse que vai devolver a carta enviada a parlamentares pelo presidente Michel Temer. Autor do relatório contra o presidente na primeira denúncia, o deputado fez duras críticas à postura de Temer nesta terça-feira (17). “Recebi uma carta do presidente Michel Temer e gostaria de anunciar publicamente que vou devolver. Se houve ou se houver conspiração, o presidente tem que dizer o nome de quem conspirou”, disse o deputado durante a sessão da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) que debate a segunda denúncia apresentada contra Temer.

Após relatar a primeira denúncia contra Temer, Zveiter deixou o PMDB e se filiou ao Podemos. Segundo o deputado, nem ele nem seus colegas que votaram pelo seguimento da primeira denúncia conspiraram contra Temer. Para ele, a ideia do peemedebista de enviar a carta foi “inadequada”.

CARTA IMPRESTÁVEL – “Eu não posso aceitar calado essa posição política. Respeitosamente vou pedir para o meu assessor parlamentar que atravesse a rua e devolva a carta. Essa carta para mim é, além de inadequada, é imprestável”, disse.

Na correspondência, enviada aos parlamentares na segunda-feira (16) Temer disse que não poderia “silenciar” diante do que estava acontecendo. “Jamais poderia acreditar que houvesse uma conspiração para me derrubar da Presidência da República. Mas os fatos me convenceram. E são incontestáveis”, afirmou.

Zveiter disse ainda que vai apresentar um voto em separado por não concordar com o relatório apresentado pelo deputado Bonifácio de Andrada (PSDB-MG), favorável ao arquivamento da denúncia contra Temer.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG –
Sérgio Zveiter é um dos poucos parlamentares de ficha limpa, nada há contra ele, é preciso reconhecer. Este tipo de parlamentar é minoria e deve ser prestigiado. No Congresso, a bancada da corrupção é amplamente majoritária, conforme se contatou na votação que “inocentou” (digamos assim) o senador Aécio Neves, grande mestre em corrupção, e que deveria ser “o primeiro a ser comido”, no dizer de outro especialista, seu amigo Romero Jucá (PMDB-RR). No Congresso, a opinião pública precisa separar o joio e o trigo, como se dizia em priscas eras. (C.N.)

“Por que o presidente do Brasil ainda está no cargo?”, pergunta ‘The Guardian’

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Os estrangeiros não conseguem entender o Brasil

Nelson de Sá
Folha

No primeiro enunciado de longa reportagem no britânico “Guardian” assinada pelo correspondente Dom Phillips: “Acusado de corrupção, popularidade quase zero – Por que o presidente do Brasil ainda está no cargo?”. No segundo enunciado, logo abaixo, “Michel Temer pode escapar, mas a contínua crise política mina a democracia e abre a porta para os linha-dura autoritários”, a saber, o general do Exército Hamilton Mourão e o ex-capitão do Exército Jair Bolsonaro.

O “Wall Street Journal” publica o que chama de “rara entrevista” com o título “Juiz de cruzada no Brasil, Sérgio Moro passa a luta contra a corrupção para outros”. Logo abaixo, a explicação de que “o juiz mais famoso do país diz que acabar com a corrupção depende de políticos mudarem as leis”. Também eles “precisam fazer a sua parte”, declarou ele.

No texto, o jornal afirma que “Super-Moro, como é conhecido por seus seguidores”, negou que vá se lançar candidato a presidente. “Se eu entrasse para a política, eu poderia criar a impressão errada sobre os motivos da minha conduta atual”, disse.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
O grande advogado Sobral Pinto estava errado ao dizer que não existia “democracia à brasileira”, mas apenas “peru à brasileira”, na ceia de Natal. A democracia à brasileira existe mesmo, é a maior maluquice e nenhum analista estrangeiro tem condições de entender, embora haja muitos que até se consideram brazilianistas. Aliás, nem os brasileiros conseguem entender. O que se sabe é que vivemos numa esculhambação (ou escrotidão) institucional, em que todos deveriam ser iguais perante a lei, mas há alguns que são mais iguais do que os outros, nesta estranhíssima democracia à brasileira. (C.N.)

Conclusão: STF se curvou ao Congresso e Cármen Lúcia foi “elogiada” por Barbalho

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Barbalho prestou ‘homenagem’ à presidente do STF

Bernardo Mello Franco
Folha

“O senador João Alberto cancelou uma cirurgia. O senador Romero Jucá teve arrancada metade das tripas e está aqui firme”. Renan Calheiros era só orgulho ao exaltar a bravura dos colegas. Valia até fugir do hospital para ajudar a salvar o mandato de Aécio Neves.

A votação desta terça-feira não definiria só o futuro do tucano. Estava em jogo todo o esforço para estancar a sangria provocada pela Lava Jato. “Com o Supremo, com tudo”, como profetizou Jucá, antecipando o julgamento da semana passada.

O STF SE CURVOU – O tribunal se curvou à pressão dos políticos. O Senado aproveitou o recuo e avançou na guerra contra as investigações. “Não é se deixando subjugar por parte da opinião pública, da imprensa, que nós vamos fazer justiça neste país”, discursou o destripado líder do governo.

Jucá falava em nome da corporação e do chefe. Michel Temer também suou a camisa nas articulações a favor de Aécio. O presidente e o senador mineiro firmaram um pacto pela sobrevivência. Um ajuda o outro na luta para enfrentar o Ministério Público e continuar no poder.

Encorajados pelo Planalto, os senadores decidiram desafiar a primeira turma do Supremo. A esperança na salvação venceu o medo da opinião pública. Por 44 a 26, o plenário devolveu a Aécio o mandato e o direito de circular na noite de Brasília.

ELOGIO A CARMEN LÚCIA – O triunfo do tucano é uma derrota para o Supremo, que sai do episódio ainda mais arranhado. Ao abrir mão de dar a última palavra, a corte acirrou sua divisão interna e reforçou a imagem de que passou a colaborar com um “grande acordo nacional”.

Desgastado, o tribunal apanhou até de quem votou contra Aécio. O ex-tucano Álvaro Dias criticou a “constrangida mudança de opinião” dos ministros. A presidente Cármen Lúcia, que garantiu a salvação do senador mineiro, teve que dormir com um elogio de Jader Barbalho. “Tenho que cumprimentar essa mulher, que merece todas as nossas reverências”, exaltou o peemedebista.

Para ganhar votos dos ruralistas, Temer destrói a política contra trabalho escravo

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Charge do Nani (Nanihumor.com)

Cássia Almeida
O Globo

No dia 28 de janeiro de 2004, João Batista Soares Lage, Nelson José da Silva, Eratóstenes de Almeida Gonçalves foram assassinados a tiros em Unaí. Auditores fiscais do trabalho, estavam investigando denúncias de escravidão moderna em fazendas da cidade mineira. A data passou a marcar o Dia Nacional de Combate ao Trabalho Escravo.

Desde quando o Brasil estabeleceu como prioridade combater essa chaga há mais de 20 anos, o país avançou socialmente. Foram resgatados cerca de 50 mil trabalhadores, empresas criaram pacto pela não utilização de produtos e serviços feitos com mão de obra escrava.

REFERÊNCIA MUNDIAL – Uma lista passou a ser divulgada com os nomes de empregadores que exploravam ou permitiam a exploração de trabalhadores em jornadas sem descanso, mantidos em alojamentos feitos de lona, sem oferecer água potável ou comida decente. Bancos passaram a consultar a lista para conceder financiamentos, e as empresas no exterior conseguiam fazer negócios com empresas justas, sem incluir o Brasil em barreiras não tarifárias num mundo que a busca por mercados está cada vez mais acirrada.

O Brasil foi considerado referência internacional por organismos internacionais por ter adotado uma política de Estado que começou com os grupos especiais de fiscalização móveis, em 1995, no governo Fernando Henrique Cardoso.

A política foi avançando, com a mudança feita no Código Penal, por legislação aprovada no Congresso Nacional , em 2003, no governo Luiz Inácio Lula da Silva. Jornada exaustiva, condições degradantes, cerceamento de liberdade e servidão por dívida passaram a caracterizar condição análoga à escravidão no Código Penal.

RETROCESSO – A nova portaria do Ministério do Trabalho interrompe o avanço contínuo de combate à exploração. Restringiu o conceito de trabalho escravo ao que existia no Século XIX, praticamente inviabilizando a fiscalização, que ficou enfraquecida. No ano passado foram resgatados 680 trabalhadores, este ano, o número está pouco acima de cem, atacando os dois principais eixos da política.

A sociedade se mostrou incrédula com esse retrocesso, que pode fazer o sacrifício de Nelson, João e Eratóstenes ter sido em vão.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
E todo esse desmonte foi promovido por Temer para garantir votos da bancada ruralista e escapar de perda do mandato. Temer é surpreendente. Ninguém poderia imaginar que um político como ele pudesse chegar a esse ponto de destruição dos interesses nacionais, desmoralizando o Brasil no exterior. (C.N.)

Cacaso, um poeta que queria ver o mundo com seus olhos de criança

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Cacaso se foi, mas deixou uma grande obra

Paulo Peres

Site Poemas & Canções
O professor, poeta e letrista mineiro Antônio Carlos de Brito (1944-1987), conhecido como Cacaso, na letra da música “Toada” explica que carrega um belo verso na lembrança, feito na infância, bem diferente de tudo que o esperava na vida futura. Música gravada por Edu Lobo no LP Limite das Águas, em 1976, pela Continental.

TOADA
Edu Lobo e Cacaso

Fiz um verso tão bonito
Que carrego na lembrança
Nunca mais eu vi o mundo
Com meus olhos de criança

Quis prender a quem amava
A corrente se quebrou
A esperança que eu guardava
Era pouca e se acabou

Não conheço mar bravio
Que me faça retornar
Não conheço nenhum rio
Que não corra para o mar

Rio abaixo, rio acima
Meu destino dá no mar
Eu que não sou marinheiro
Eu que nem sei navegar

Geddel e o irmão Lúcio Vieira Lima são a maior prioridade da Lava Jato

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Geddel (à direita) pensou que teria foro privilegiado

Camila Bomfim
G1 Brasília

O ministro Luiz Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal, decidiu desmembrar as investigações que envolvem o ex-ministro da Secretaria de Governo Geddel Vieira Lima (PMDB-BA) e o irmão dele, o deputado federal Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA). Pela decisão de Fachin, a apuração sobre os R$ 51 milhões encontrados em um apartamento em Salvador (BA), que envolve Geddel e Lúcio, permanecerá no Supremo. O irmão do ex-ministro tem direito ao chamado foro privilegiado.

Mas as suspeitas sobre desvios na Caixa Econômica Federal, que envolvem o período em que Geddel foi vice-presidente de Pessoa Jurídica do banco, foram remetidas à Justiça de Brasília.

DESMEMBRAMENTO – A Procuradoria Geral da República já havia opinado pelo desmembramento, após a 10ª Vara Federal de Brasília remeter ao Supremo as investigações sobre os R$ 51 milhões.

Ao manter parte das investigações no STF, Fachin destacou que a cessão gratuita do apartamento em Salvador onde foram encontrados os R$ 51 milhões foi solicitada por Lúcio Vieira Lima, sob o pretexto de destinar o imóvel ao armazenamento de bens do pai dele, que já morreu.

Fachin, então, acrescentou que as suspeitas de lavagem de dinheiro devem ser investigadas pelo Supremo.

BUSCA E APREENSÃO – Nesta segunda, Lúcio Vieira Lima foi alvo de buscas na primeira operação pedida na gestão de Raquel Dodge à frente da Procuradoria Geral da República.

Nas investigações, foram encontradas as impressões digitais de Job Ribeiro, secretário parlamentar do deputado, em parte do dinheiro. Ribeiro também foi alvo de buscas.

Fachin pediu que a PGR se manifeste em três dias sobre os pedidos de revogações das prisões de Geddel Vieira Lima e Gustavo Ferraz, presos no mês passado após a Polícia Federal encontrar as impressões digitais dos dois nos sacos plásticos que envolviam o dinheiro guardado em malas e em caixas.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
A Lava Jato tenta resistir à Operação Abafa e segue em frente. A prioridade atual é a dupla Vieira Lima, apelidada pelos policiais federais de “Os Irmão Cara-de-Pau”. O desmembramento foi a maneira encontrada para não beneficiar Geddel com o foro privilegiado do irmão Lúcio, uma bela jogada da Procuradoria-Geral da República, que o relator Fachin converteu em gol. (C.N.)

Para salvar Aécio Neves, a Mesa do Senado chegou a adulterar a Constituição

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Eunício reescreveu a Constituição a seu bel prazer

Carlos Newton

O resultado da votação nesta terça-feira, com 44 votos a favor e apenas 26 contra o senador Aécio Neves (PSDB-MG), apanhado em fragrante de crimes de corrupção e obstrução à Justiça, demonstra que a Operação Abafa, criada para inviabilizar a Lava Jato, está cada vez mais forte e age com total desenvoltura. Desta vez, para eliminar a possibilidade de ser confirmada pelo plenário a decisão da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal, que determinara do afastamento de Aécio e seu recolhimento noturno, a Mesa do Senado teve a desfaçatez de adulterar o sentido de dispositivos da Constituição Federal, num audacioso estratagema destinado a manter a todo custo o mandato do parlamentar tucano.

Na abertura da sessão desta terça-feira, ao anunciar o mecanismo de votação a ser adotado, o presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE), surpreendentemente mudou a interpretação do parágrafo 2º do artigo 53 da Constituição, num ato de extrema ousadia.

INCONSTITUCIONAL – O dispositivo constitucional é claro e prevê maioria absoluta (número mínimo de 41 votos) para que seja derrubada qualquer decisão do Supremo que determine prisão de parlamentar. A partir da interpretação da Mesa, que sequer foi submetida ao plenário, desrespeitando o Regimento do Senado, passou a ser exigida maioria absoluta também para afastar ou manter a decisão do Supremo que afastou Aécio do Senado e lhe impôs recolhimento domiciliar noturno.

Esta audaciosa manobra da Mesa do Senado é absolutamente inconstitucional, porque se baseou no parágrafo 2º do artigo 53. Este dispositivo estabelece que “os autos serão remetidos dentro de vinte e quatro horas à Casa respectiva, para que, pelo voto da maioria de seus membros, resolva sobre a prisão”.

Ou seja, a dubiedade do parágrafo 2º somente pode ser aplicada em caso de pedido de prisão. E todos sabem que o Supremo, através da Primeira Turma, em nenhum momento determinou a prisão de Aécio Neves. Pelo contrário, ordenou apenas seu afastamento do mandato de senador e o recolhimento noturno, com a ressalva que não se tratava de prisão, mas de medida cautelar prevista no artigo 319 do Código de Processo Penal.

PASSE DE MÁGICA – No afã de salvar o mandato de um parlamentar corrupto, que formou uma quadrilha com a participação da irmã Andrea Neves e do primo Frederico Mendonça, aquele que “a gente mata antes de fazer delação”, a Mesa do Senado não teve dúvidas de adulterar a lei.

No caso de Aécio, como não se tratava de prisão, obrigatoriamente teria de se aplicado o parágrafo 3º do artigo 53: “Recebida a denúncia contra o Senador ou Deputado, por crime ocorrido após a diplomação, o Supremo Tribunal Federal dará ciência à Casa respectiva, que, por iniciativa de partido político nela representado e pelo voto da maioria de seus membros, poderá, até a decisão final, sustar o andamento da ação“.

Fica claro que a maioria absoluta seria exigida para sustar a decisão do Supremo, e não para também aprovar, como estabeleceu inconstitucionalmente a Mesa do Senado.

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P.S.
Esta decisão da Mesa do Senado não causa surpresa. Na esculhambação institucional em que o país vive, tudo é permitido, especialmente depois que o jurista Ricardo Lewandowski, na presidência do Supremo, inventou a cassação de mandato sem suspensão dos direitos políticos, e nenhum ministro do Supremo se levantou contra essa boçalidade jurídica. Depois deste episódio teratológico e escatológico, como se diz no linguajar jurídico, nada pode nos surpreender. (C.N.)

Ricos dos EUA estão mais ricos (exceto Trump, que está menos rico), diz a Forbes

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Preço dos imóveis caiu e Trump perdeu dinheiro

Deu no Correio Braziliense
(Agência France-Presse)

Cada vez mais ricos: os americanos com as maiores fortunas se enriqueceram ainda mais este ano, salvo algumas exceções, como o presidente Donald Trump, com cerca de US$ 600 milhões a menos – revela a nova lista da revista “Forbes”. À frente dos 400 americanos mais ricos estão três frequentadores habituais: o fundador da Microsoft, Bill Gates, hoje mais conhecido por sua fundação dedicada a temas de saúde e educação, com uma fortuna que chega a US$ 81 bilhões; o proprietário da Amazon, Jeff Bezos, que chegou a passar Gates por um dia em julho e, agora, volta para sua segunda posição, com US$ 67 bilhões; e o veterano dos investidores Warren Buffett, de 87 anos, que vem em terceiro com US$ 65,5 bilhões.

A fortuna média para entrar nesse clube não para de aumentar: US$ 2 bilhões este ano, uma alta de 18% em relação ao ano anterior.

TRUMP EM BAIXA – No 248º lugar, aparece Trump, com fortuna estimada em US$ 3,1 bilhões, perdendo US$ 600 milhões, segundo a Forbes. Esse cálculo é superior ao da Bloomberg, que, recentemente, estimou a fortuna do magnata nova-iorquino em US$ 2,86 bilhões, com uma perda de US$ 200 milhões em comparação ao ano passado.

Sua fortuna é difícil de estimar, já que a corporação familiar – a Organização Trump – não é negociada na Bolsa, e o presidente se nega a divulgar o imposto de renda. A gestão empresarial ficará nas mãos dos filhos, enquanto Trump estiver na Casa Branca. Ele não se desvinculou totalmente da administração do grupo.

Segundo a revista, sua fortuna está relacionada diretamente com propriedades no coração de Manhattan, onde o preço dos imóveis de luxo caiu recentemente.

NA INTERNET – Mark Zuckerberg, do Facebook, e Larry Ellisson, fundador da Oracle, ocupam o quarto e quinto lugares, respectivamente. Esta é a primeira vez desde 2007 que Ellison não aparece entre os três primeiros, indica a “Forbes”. Ainda assim, sua fortuna aumentou US$ 1,8 bilhão, chegando a US$ 49,3 bilhões.

Nenhuma mulher está entre os dez primeiros. A primeira que surge, em 13º, é Alice Walton, filha do fundador da rede Wal-Mart, Sam Walton, principalmente dedicada à arte e que deixa os negócios nas mãos dos irmãos. Dispõe de uma fortuna estimada em US$ 38,2 bilhões, que inclui uma coleção de arte particular.

Na lista, há 22 estreantes, entre eles, o cofundador e CEO da Netflix, Reed Hastings. E desde o ano passado, 26 pessoas saíram do ranking.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
A reportagem mostra que a concentração da renda tende a aumentar. Isso significa que a riqueza total continuará tentando conviver pacificamente com a miséria absoluta, embora seja óbvio que esse relacionamento jamais dará certo. Os Estados Unidos precisam avançar na questão dos direitos sociais, mas suas lideranças políticas fingem desconhecer essa necessidade e não pretendem diminuir a selvageria que caracteriza o capitalismo financeiro que hoje predomina, mas precisa ser aprimorado. (C.N.)

Senadores demonstraram desdém ao repúdio dos brasileiros contra a corrupção

O placar não deixou dúvidas — a corrupção está em alta 

Maiá Menezes
O Globo

O Planalto, os aliados e os pares se uniram na hora H. Prevaleceu o jabuti chancelado pelo Supremo Tribunal Federal, e o Senado deu a palavra final sobre o destino do senador Aécio Neves. Na semana passada, os ministros tinham julgado que cabe ao Supremo arbitrar sobre medidas cautelares aos parlamentares, mas ao Congresso decidir se elas serão colocadas em prática.

Resultado anunciado, ainda que apertado, a blindagem ao tucano — que estava afastado do mandato e impedido de sair à noite de casa pela Primeira Turma do STF — sinaliza a coesão da classe política em torno de seus próprios interesses. E, em igual medida, o descaso com o olhar do eleitor.

AUTOPRESERVAÇÃO – Ao darem as mãos em torno da autopreservação, diante de indícios e decisões judiciais contundentes contra um de seus pares, os senadores demonstram desdém ao incômodo que a praxe da corrupção vem causando aos brasileiros.

Há silêncio nas ruas, mas alguma voz há de surgir da urnas. 2018 está na esquina.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGO comportamento do Senado foi altamente irresponsável. Está aumentando a radicalização no país. E a quem isso interessa? (C.N.)

Depois de tornar sigilosas as visitas ao Jaburu, Temer janta com Doria

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Temer e Doria se entendem porque falam a mesma língua

Leticia Fernandes
O Globo

Em meio às articulações para barrar a denúncia que enfrenta na Câmara, e em busca de votos num PSDB dividido, o presidente Michel Temer convidou o prefeito de São Paulo, João Doria, para jantar no Jaburu nesta terça-feira. Doria está em Brasília para um almoço com a Frente Parlamentar Agropecuária, uma das mais poderosas do Congresso, e permaneceu na capital para o encontro com Temer.

Pouco depois de enfrentar a primeira denúncia, quando metade dos tucanos da Câmara votou contra o presidente, Temer foi a São Paulo e participou de um evento ao lado do prefeito, onde não faltaram elogios rasgados a Doria. A ideia era tentar se reaproximar do PSDB, em especial da ala jovem do partido.

O governador Geraldo Alckmin, que marcou sua impressão digital na primeira votação, atuando contra Temer, não participou daquele evento.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Doria não tem nada de bobo. Está conduzindo uma prefeitura em déficit, precisa mostrar serviço para avançar na carreira política, recebe um convite de quem possui a chave do cofre federal, é claro que não podia recusar. A conversa entre os dois é daquele jeito – um querendo passar o outro para trás. Temer quer apoio para não ser afastado pela Câmara e Dória quer mais verbas federais. São movidos por interesses. Apenas isso. (C.N.)

Vergonha nacional: por 44 votos, o Senado devolve o mandato a Aécio Neves

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Aécio chora de emoção ao recuperar o mandato

Carlos Newton

A desfaçatez tornou-se marca registrada da política brasileira e a Operação Abafa, criada para inviabilizar a Lava Jato, está seguindo seu curso, movida por manobras de alta criatividade que unem a cúpula dos três Poderes da República, o Executivo, o Legislativo e o Judiciário, com apoio de setores da grande mídia, conforme tem denunciado insistentemente o ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal, sem conseguir mobilizar a opinião pública para reagir contra essa ameaça à doutrina democrática.

O presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE) só estava esperando a chegada do senador Paulo Bauer, líder do PSDB, para encerrar a votação. E assim que o parlamentar catarinense se manifestou, Eunício anunciou o resultado: com 44 votos “não”, os senadores decidiram derrubar a decisão da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal.

Apenas 26 senadores votaram “sim” (para manter a decisão do STF). No total, 71 de 81 senadores estiveram presentes na sessão, incluindo Paulo Bauer, que chegou apenas para a votação. Não houve abstenções, e o presidente do Senado não votou.

A DERROTA DA LEI – Com a decisão do Senado, as medidas cautelares impostas a Aécio Neves pelo Supremo Tribunal Federal deixam de valer e ele retoma normalmente seu mandato parlamentar.

Fica confirmado o prognóstico da Tribuna da Internet, ao anunciar que tudo estava dominado para a volta de Aécio, porque a chamada bancada da corrupção é amplamente majoritária tanto no Senado quanto na Câmara. Daqui para frente, nenhuma votação que ameace os parlamentares corruptos será vitoriosa no Congresso.

Além disso, está demonstrada a força da Operação Abafa, denunciada em setembro do ano passado pelo então ministro Medina Osório, da Advocacia Geral da União, que não quis participar do esquema e foi afastado do cargo pelo chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, um dos principais líderes da bancada da corrupção.

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P.S. –
O próximo passo da Operação Abafa é impedir o processo contra o presidente Michel Temer e os ministros Eliseu Padilha e Moreira Franco, que permanecerão protegidos pelo foro privilegiado, até o final do mandato. Justamente por isso, em Brasília já circulam informações de que Temer vai se candidatar à reeleição, para preservar a impunidade dos três mosqueteiros que eram quatro, porque Geddel Vieira Lima já dançou e não tem mais salvação. É difícil acreditar que um governante tão impopular esteja disposto a sair candidato, mas todos sabem que no Brasil sonhar ainda não é proibido. (C.N.)

‘Algum conservadorismo é necessário’, diz Caetano Veloso na sede do Mídia Ninja

Resultado de imagem para caetano na mídia ninjaDeu no Estadão

“Algum conservadorismo é necessário. Pode não ser desejável mas é necessário”. O autor da frase é o cantor e compositor Caetano Veloso, que na segunda-feira, participou de um debate na inauguração da nova sede do coletivo de ativismo digital Mídia Ninja na Casa do Baixo Augusta, região central de São Paulo. O raciocínio do baiano surpreendeu as mais de 250 pessoas que lotaram o local no início da noite, muitas delas antigos militantes ou jovens simpatizantes de partidos e novas organizações de esquerda.

“Uma sociedade precisa persistir e para persistir ela tem que ter um aspecto conservador de si mesma. Isso não se manifesta necessariamente em atos reacionários. Não necessariamente todo conservadorismo é reacionário. De todo modo, algum conservadorismo é necessário. Pode não ser desejável mas é necessário”, provocou o cantor.

GRUPOS DE DIREITA – Caetano comentava o surgimento de novos grupos assumidamente de direita como o Movimento Brasil Livre (MBL, que não foi citado nominalmente pelo artista) ao lado do veterano ativista Cláudio Prado, um dos ideólogos da Mídia Ninja. O cantor, que foi perseguido pela ditadura e precisou viver exilado em Londres no final dos anos 1960 e começo dos anos 1970, disse ver alguma semelhança entre grupos da nova direita e os movimentos ruidosos que representavam minorias no passado.

“Esse barulho feito pelos conservadores pode significar que eles estão se sentindo como os não conservadores se sentiam, ou seja, de alguma forma minoritárias. Eles não representam a parte silenciosa do conservadorismo natural das sociedades”, afirmou.

FRAGILIDADE – Caetano identificou na estridência desses grupos um aspecto que, do ponto de vista da esquerda, pode representar uma vantagem. “Isso, embora assuste, pode denotar alguma fragilidade”, disse ele.

De acordo com o compositor baiano, o protagonismo alcançado pela nova direita nos últimos anos é um avanço, pois ficam claras as posições ideológicas colocadas hoje na sociedade brasileira, ao contrário de algum tempo atrás, quando uma “maioria silenciosa” dava sustentação velada ao sistema vigente.

“Estamos vivendo um período no mundo e no Brasil em que forças neoconservadoras estão explicitadas e se apresentando como grupos de atividade clara e definida. Isso não é ruim. Antigamente a direita americana usava a expressão maioria silenciosa que era aquela gente que não faz barulho, mas segura o aspecto conservador da sociedade. Hoje essas tendências conservadoras não estão silenciosas e é bom porque ficam claras as visões de mundo que estão espalhadas no seio das sociedades”, afirmou.

VERDADE TROPICAL – O tema do debate foi o livro Verdade Tropical, relançado 20 anos depois da edição original em versão revista e ampliada. Depois do evento, Paula Lavigne, ex-mulher de Caetano, comandou uma reunião do grupo “342 Arte” que contou com a presença de artistas radicados em São Paulo além do deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL-RJ) e do líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), Guilherme Boulos. O evento faz parte do calendário da Casa do Baixo Augusta, sede do bloco carnavalesco Acadêmicos do Baixo Augusta, o maior de São Paulo, inaugurada duas semanas atrás com o objetivo de ser um espaço para reflexão, difusão de conhecimento e debate para além das fronteiras do Carnaval.

CORTINA DE FUMAÇA – Caetano também comentou os ataques feitos pelos grupos neoconservadores a exposições e outras atividades artísticas. Segundo ele, estas manifestações são uma “cortina de fumaça” usada para enganar uma parcela “inocente” da população e, de alguma forma, desmoralizar a classe artística.

“Tem gente que se utiliza disso (acusações de pedofilia) de uma maneira cínica porque sabem perfeitamente que não se trata disso e dizem que sim para assustar os inocentes. Então um número grande de pessoas inocentes possivelmente pode estar desconfiada dos artistas, o que é uma coisa já velha nas sociedades atrasadas. Uma cantora popular, uma atriz, quando eu era criança essas pessoas eram olhadas como merecendo pouco confiança moral”, disse ele.

Pouco antes, respondendo a uma colocação de Cláudio Prado, que sacou o celular do bolso e comparou o aparelho a um coquetel Molotov, Caetano fez uma revelação surpreendente para a plateia jovem e conectada que lotou a Casa do Baixo Augusta: “Eu nunca tive um telefone celular”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Como dizem Nélson Motta e Lulu Santos, a vida segue em ondas como o mar. Agora, por exemplo, estamos na onda conservadora. É muito bom que exista essa alternância, pois é assim que a civilização avança – aos solavancos. Quanto ao celular, Caetano nunca teve, mas seus netos se divertem recebem mensagens e imagens de todo tipo, que os pais, avós e bisavós nem imaginam (ou fingem ignorar). (C.N.)

Aécio imita Temer e envia carta a senadores pedindo para voltar ao mandato

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Charge do Mariano (Charge Online)

Angela Boldrini e Talita Fernandes
Folha

O senador tucano Aécio Neves (MG), cujo destino deve ser decidido nesta terça (17) pelo Senado, enviou carta a seus pares em que diz estar enfrentando “trama tão ardilosamente construída” e pede o apoio e o voto dos colegas para voltar a exercer o mandato. Aécio está afastado das atividades parlamentares e cumprindo recolhimento noturno desde o fim de setembro, por determinação da Primeira Turma do STF (Supremo Tribunal Federal).

“Talvez você possa imaginar a minha indignação diante da violência a que fui submetido e o sofrimento causado a mim, à minha família e a tantos mineiros e brasileiros que me conhecem de perto em mais de trinta anos na vida pública”, começa o texto.

Fazendo um apelo ao corporativismo da Casa, o parlamentar diz o tema é grave tanto para ele quanto para o próprio Senado. “O que está em jogo é se pode, de forma monocrática ou por maioria de votos de uma das turmas do Supremo, um parlamentar ser afastado de suas funções sem ser previamente julgado”, diz.

IGUAL A TEMER – A carta foi enviada um dia após o presidente Michel Temer enviar mensagem semelhante aos deputados aliados, que deliberarão sobre a segunda denúncia apresentada contra ele pela Procuradoria-Geral da República.

O senador pede desculpas pelos “termos inadequados” que usou nas conversas gravadas pelo empresário Joesley Batista e diz que se “penitencia diariamente” por causa deles.

O documento distribuído aos parlamentares é impresso, mas foi assinada à mão pelo senador tucano. Ele contém ainda uma nota do advogado de Aécio, Alberto Zacharias Toron, que lista nove pontos de por que os colegas do tucano deveriam votar para restabelecer suas funções parlamentares.

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PEDINDO DESCULPAS AOS “COLEGAS”

Aos meus pares,

Nesta terça-feira, o plenário do Senado Federal irá deliberar sobre a manutenção ou não de sanções que me foram impostas por votação dividida da Primeira Turma do STF, entre elas o afastamento do mandato que me foi conferido por mais de 7 milhões de mineiros, além do recolhimento domiciliar noturno.

_Caro colega,_

Talvez você possa imaginar a minha indignação diante da violência a que fui submetido e o sofrimento causado a mim, à minha família e a tantos mineiros e brasileiros que me conhecem de perto em mais de trinta anos na vida pública, como parlamentar e como governador de Minas Gerais.

Só vejo um caminho para enfrentar trama tão ardilosa construída, como se sabe agora, com a participação de agentes públicos ligados à Procuradoria Geral da República ao lado de empresários inescrupulosos que não se constrangem em acusar pessoas de bem para obter os benefícios que buscavam.

Em razão da gravidade do que será decidido, tanto em relação a mim, pessoalmente, quanto ao próprio Senado, tomo a liberdade de encaminhar-lhe de forma bastante objetiva alguns esclarecimentos para os quais desde já agradeço sua atenção.

A determinação dessas cautelares, sem que sequer houvesse denúncia aceita contra mim, e o mais grave, sem que eu sequer pudesse apresentar as provas de minha defesa, se sustenta em uma gravação feita de forma clandestina, portanto criminosa, por um réu confesso, Joesley Batista, em busca dos extraordinários benefícios de sua delação premiada, agora interrompida.

O encontro, como demonstram as novas gravações que haviam sido omitidas pelos delatores, tinha como objetivo oferecer ao empresário um apartamento de propriedade de minha família, cuja venda ajudaria a pagar as despesas de minha defesa. Já claramente orientado, ele transformou essa consulta numa proposta de empréstimo que seria devidamente regularizado e pago não fosse outra a intenção do delator.

Não houve em nenhum momento oferta de contrapartida ou envolvimento de dinheiro público, o que descaracteriza qualquer ato ilícito. Aliás, outro delator da própria JBS, Ricardo Saud, afirma em seu depoimento: “Ele (Aécio) nunca fez nada por nós.”

Novos depoimentos de delatores apontam para o que é ainda mais grave: o prévio conhecimento de agentes do Estado, notadamente da Procuradoria Geral da República, sobre essas gravações, o que por si só configuraria crime de responsabilidade. Descobre-se agora que o Sr. Joesley saiu de reunião de várias horas na PGR para, no mesmo dia, horas depois, fazer a criminosa gravação de que fui vítima, sem prévia e devida autorização do STF, como determina a Constituição.

Caro colega,

Já me desculpei, e volto a fazê-lo, e me penitencio diariamente pelos termos inadequados que utilizei naquela conversa que imaginava privada, sabendo que nem isso os justifica. Mas reitero: não cometi qualquer crime.

O que peço é única e exclusivamente aquilo a que tem direito qualquer cidadão e que não deve ser retirado de alguém pelo fato de ser detentor de mandato eletivo: a oportunidade de apresentar a minha defesa e provar a minha inocência, sem pré-julgamentos e sem sentença antecipada.

Como sabem os que me conhecem mais de perto, não cheguei ontem na vida pública, tenho 31 anos de mandatos eletivos, cumpridos de forma dedicada e honrada em nome dos mineiros.

Tomo, portanto, a liberdade de levar à sua consideração essas questões, pois, mais do que a preservação de um mandato, legítima e democraticamente conquistado, está em jogo a garantia do livre e pleno exercício de mandatos eletivos e a não prevalência de um Poder sobre outro, como preconiza a nossa Constituição, que tive a honra de assinar como constituinte.

Ao final, o que estará em jogo é se pode, de forma monocrática ou por maioria de votos de uma das turmas do Supremo, um parlamentar ser afastado de suas funções sem ser previamente julgado.

Veja que essa é uma decisão que terá repercussão também nos Estados e municípios de todo o país.

Por fim, peço seu apoio e seu voto para que eu possa no exercício do mandato, que me foi conferido pelos mineiros, apresentar minha defesa e provar minha inocência frente a ataques tão violentos quanto injustos.

Agradecendo sua atenção, coloco-me à sua disposição para qualquer esclarecimento que julgar necessário.

Aécio Neves

PS – Encaminho anexo, nota sucinta, que esclarece algumas dessas questões, elaborada pelo advogado Alberto Zacharias Toron.

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NOTA DO ADVOGADO ALBERTO TORON

A Primeira Turma do STF, em recentíssimo acórdão relatado pela ministra Rosa Weber, ao julgar a Ação Penal nº 580, assentou que: “A presunção de inocência, princípio cardeal no processo criminal, é tanto uma regra de prova como um escudo contra a punição prematura…”.

Se isso é verdade, no caso do senador Aécio Neves é eloquente a necessidade de se banir as cautelares que o afastaram do mandato. Vejamos:

1) Ele não é réu em nenhuma ação penal;_

2) Ele ainda não teve o direito de se defender para demonstrar sua inocência;_

3) Provas novas, oriundas de gravações omitidas e escondidas pelos delatores, surgem a cada momento, desmerecendo a versão inicial por eles apresentada;_

4) O que se disse num primeiro momento contra o senador Aécio não mais se sustenta;_

5) Gravações omitidas pelos delatores comprovam que a família Neves procurou Joesley Batista para lhe oferecer à venda um apartamento no valor de R$ 40 (quarenta) milhões, a fim de obter recursos para fazer frente a diversas despesas, inclusive com advogados. Partiu do delator, como contraproposta a essa venda, a sugestão de empréstimo pessoal, no valor de R$ 2 milhões de reais, custo estimado com a defesa. Jamais houve pedido de propina e nada envolvia dinheiro público.

6) Os delatores narraram que teriam realizado pagamentos ilegais na monta de R$ 60.000.000,00 (sessenta) milhões para o senador Aécio Neves. Contudo, todos esses pagamentos referem-se a doações de campanha oficiais, devidamente declaradas e disponíveis no site do TSE.

7) Os próprios delatores confessaram nunca terem obtido qualquer contrapartida, vantagem ou benefício por parte do senador Aecio, inexistindo, sob qualquer ângulo, corrupção.

8) A alegada obstrução de justiça jamais existiu, restringindo-se ao legítimo exercício da função legislativa, que abrange a discussão e votação de leis.

9) Portanto, pretender manter o afastamento do Senador Aécio sem processo e sem o correlato direito de defesa, mais que ofender o princípio da presunção de inocência, vilipendia a própria representação democrática da República.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG –
Tanto Temer quanto Aécio merecem ganhar o Oscar de Efeitos Especiais. Realmente, suas cartas são um primor de desfaçatez e falta de hombridade. Na hora de se corromper, são corajosos e intrépidos. Na hora da verdade, se arrastam e se humilham, implorando para serem poupados. (C.N.) 

Presidente da Comissão amplia prazo para análise da denúncia contra Temer

Deputado Rodrigo Pacheco durante sessão da CCJ que discutiu a denúncia contra Temer (Foto: Will Shutter/Câmara dos Deputados)

Pacheco usa o Regimento, que prevê mais três dias

Bernardo Caram
G1, Brasília

O presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, Rodrigo Pacheco (PMDB-MG), pediu nesta terça-feira (17) a prorrogação, por mais três sessões, do prazo para que o colegiado emita e vote um parecer sobre a denúncia contra o presidente Michel Temer e os ministros Eliseu Padilha (Casa Civil) e Moreira Franco (Secretaria-Geral).

O regimento interno da Câmara prevê um prazo de cinco sessões de plenário a partir da apresentação das defesas dos acusados. As alegações foram entregues no dia 4 de outubro. Desde então, o plenário da Câmara fez cinco sessões, a última delas nesta terça, encerrando o prazo original.

“Requeiro de vossa excelência, nos termos regimentais, que seja prorrogado por mais três sessões o prazo da Comissão de Constituição e Justiça para deliberar sobre a Solicitação para Instauração de Processe nº 2/2017”, encaminhou Pacheco ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ).

VOTAR O PARECER – A denúncia acusa Temer, Padilha e Moreira dos crimes de obstrução de Justiça e organização criminosa. Cabe à Comissão de Constituição e Justiça votar um parecer sobre o caso. O relatório do deputado Bonifácio de Andrada (PSDB-MG), que pode ser votado pela comissão ainda nesta semana, recomenda a rejeição das acusações.

Na tramitação da primeira denúncia contra Temer, por corrupção passiva, o presidente da CCJ também pediu que o prazo de deliberação do caso fosse alongado por mais três sessões.

DISCUSSÃO – Na primeira fase, terão a palavra os 66 integrantes titulares da CCJ, os 66 integrantes suplentes e os chamados não-membros, no limite de 40 oradores (20 a favor do parecer, 20 contra o parecer);

Cada titular e cada suplente terá 15 minutos para se manifestar. Os não-membros terão 10 minutos, cada. Não será permitida a transferência do tempo de fala de quem está inscrito para quem não está inscrito, mas será permitida a permuta entre dois inscritos. Quem não estiver presente na hora em que for chamado, perde a inscrição;

Os líderes podem falar, e esse tempo de liderança poderá ser somado ao tempo de discussão. O tempo de líder não poderá ser usado para que um parlamentar consiga ter preferência na lista;

Encerrada a discussão, será concedido prazo de 20 minutos para réplica do relator; em seguida, cada advogado poderá se pronunciar por igual tempo concedido ao relator.

VOTAÇÃO – Por acordo entre os líderes da Câmara, ficou decidido que, durante a madrugada, não haverá votação do parecer. Antes da votação, pode haver encaminhamento de votação, com discursos de dois parlamentares a favor e dois contrários.

A votação será nominal, com o resultado no painel eletrônico. Não haverá chamada nominal de deputados, nem será possível requerimento para que a votação seja secreta;

O parecer será aprovado por maioria simples com, no mínimo, 34 deputados presentes (maioria absoluta). Ou seja, se houver no mínimo 34 deputados votando, ganha o lado que obtiver mais votos. E a questão segue para o plenário.

De 1985 para cá, dobrou o número de favelas no Rio de Janeiro

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O crescimento das favelas tornou-se um problema praticamente insolúvel

Hildeberto Aleluia

Em meados da década dos anos 80 a cidade do Rio de Janeiro tinha 620 favelas. Esse foi o número levantado pelo Comitê de campanha do então candidato a Prefeito, deputado Federal Rubem Medina. No escritório central tínhamos um mapa com todas elas. Suas populações e suas necessidades. Que não eram poucas. A favela que era o xodó do candidato e onde ele pretendia tornar o cartão postal de sua administração, eleito fosse, era a Rocinha. Lá se vão 32 anos.

Da Rocinha incorporamos uma líder comunitária de nome Maria Helena. Baixinha, olhos pequenos e negros, brilhavam e pareciam uma jaboticaba. Cabelos pretos escorridos pelos ombros, deveria ter seus 30 anos de idade. Lembro que era de uma vivacidade impressionante. Sabia tudo sobre a favela. Todo santo dia ela estava lá no escritório e sempre trazendo detalhes das necessidades de sua comunidade. Era um encanto de pessoa e com uma disposição para o trabalho invejável. Todo mundo gostava dela. Além disso foi ela quem nos ajudou a entrar nas outras favelas do Rio. Conheci muitas delas. A que mais me impressionou foi a Favela do Sapo na zona oeste da Cidade.

DEGRADAÇÃO – Nunca tinha imaginado o ser humano viver num ambiente tão degradante. Ali, num certo dia de campanha enquanto o candidato conversava com os moradores fui conhecer o “ chefão “ do lugar. Era um negro baixo, forte, atarracado e com cara de mal. Tinha nascido ali mesmo. Perguntei-lhe muito sobre a vida no local. Fiquei sabendo que aquela Favela do Sapo, embora pequena, era estratégica. Eram estocadas drogas no lugar.

De lá para cá, 35 anos depois, o cenário não mudou. A cidade do Rio de Janeiro tem hoje mais de mil e duzentos favelas. Habitam esses aglomerados mais de dois milhões de pessoas. A Favela do Sapo cresceu muito. Hoje  tem milhares de moradores e faz parte de um complexo de mais 17 favelas. As principais são Rebú, Cavalo de Aço, Coreia, Mobral, Vila Aliança e Favela do Morro do Chapéu.Todas no bairro de Senador Camará, cuja população total bate os cem mil moradores. Nunca mais voltei lá. O socialismo moreno passou a reger a vida das favelas. Retirou-se a repressão, proibiu-se a PM de subir os morros e deu-se um livre trânsito para tudo. E o Estado que nunca lá esteve jamais olhou pro lugar.

Mataram a líder – Rubem Medina perdeu a eleição para o candidato Saturnino Braga. O socialismo moreno do governador Leonel Brizola venceu e deixou um rastro de pobreza, desordem e violência na cidade. Alguns anos depois li no jornal que mataram a Maria Helena. Numa briga de facções dessas que acontecem todo dia ela se foi.

O Estado brasileiro nunca foi de marcar presença para essas populações que passaram a conviver ou praticar  todo tipo de marginalidade. E quando acontecem crimes, a PM é obrigada a dar combate. Fica exposta a todo tipo de defensoria de direitos que o socialismo moreno deixou como legado. A violência habita esses lugares com uma crueldade alarmante.

Mas se fiquei impressionado com Favela do Sapo foi porque não havia ainda conhecido a favela conhecida como Barreira do Vasco, hoje uma das maiores do Rio. Naquela época havia uma entrada para uma das favelas do complexo por uma das ruas do bairro de Bonsucesso, próximo ao mercado São Sebastião, a antiga CADEG. Uma pequena ponte de tábua, um passadiço, separava os dois mundos.

E NADA MUDOU… – Essa mesma Favela da Barreira do Vasco eu iria reencontrar alguns anos depois trabalhando em outro lugar. Os mesmos becos fétidos. Rios de lama, ratos por todas as partes infestavam as casas e os caminhos. Um cheiro horroroso de esgoto completava o quadro. E gente, muita gente, de todos os lugares, principalmente do nordeste do Brasil.

Há 35 anos o crescimento das favelas da Cidade do Rio de Janeiro era horizontal. Hoje é vertical. A favela se expandia por casas e casebres, até de papelão. Sua taxa de natalidade sempre foi maior que a do asfalto.

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CONTRIBUIÇÕES AO ARTIGO ANTERIOR:

Me escreve, do Rio de Janeiro, o jornalista Aristóteles Drummond para recordar sobre o governo Negrão de Lima, a quem ele serviu como Presidente da COHAB-GB, a companhia habitacional do governo da Guanabara. Eis um resumo do seu relato:

1  – Não resisto a fazer um reparo no seu excelente artigo sobre o Rio. É que você foi injusto com Negrão de Lima, que foi até maior e melhor do que o Lacerda, que merece todas suas referências.

Lacerda começou a  remover favelas, tirando 80% da Praia do Pinto, mas Negrão com excelentes relações com Castelo, Costa e Silva e Médici, fez 35 mil casas populares e removeu todas as favelas da Lagoa, como Catacumba, Pedra do Baiano; onde está o Shopping Leblon; Macedo Sobrinho, onde tem um CIEP na Rua Humaitá; a Piraquê, ao lado do Clube e ao longo do muro do Jockey e da pista conhecida até então como Belém-Brasília . E eu com 24 anos fui o diretor da COHAB a fazer estas mudanças. Até meus 25 anos exerci a Presidência da COHAB-GB. Por falta de sorte do Rio, 18 mil das 35 mil casas ficaram prontas no governo Chagas Freitas que optou por parar com as remoções e distribuir as casas para apadrinhados do bloco político Chagas Freitas que eram muitos.
E a Avenida Atlântica? Quem teve peito de alargar, com o Lacerda dizendo que o mar iria buscar tudo de volta? E os acessos a Barra da Tijuca -Zuzu Angel, Lagoa -Barra e os elevados? Só não quis brigar com a PUC e a passagem atual foi o Chagas Freitas que fez.

E a segunda fase do Guandu, que ele continuou e manteve a equipe do Lacerda? E a recuperação do BEG (Banco do Estado da Guanabara) entregue ao Dr. Bulhões (Otávio Gouveia de Bulhões) que colocou lá o Carlos Alberto Vieira. Um garoto.

Apoiado pelas esquerdas sim, mas governou com a direita. Quem era secretário forte? Nosso – da direita – saudoso Cotrim Neto, jurista de direita e integralista sempre, Carlos Costa, sobrinho do Adroaldo Costa, procurador geral do Costa e Silva; o presidente da Assembleia Legislativa Augusto do Amaral Peixoto. O Negrão foi hábil, era cordial, amigo do Clube dos Repórteres Políticos e por aí vai.”

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UMA CORREÇÃO NA DATA

De Brasília e Campo Grande, Mato Grosso do Sul, me escrevem os jornalistas Cezar Motta e Carlos Eduardo Bortolot, o querido Cadú. Ambos, nessa ordem, me corrigem na data da campanha de prefeito em que o ex-deputado Rubem Medina foi candidato: foi em 1985 e não 1982 como escrevi.

E todos eles, inclusive o grande médico carioca Pedro Henrique Paiva me escreve e me recorda a grande frase com o que o humorista Millôr Fernandes brindou o fim da desastrada administração do socialismo moreno: “Saturnino Braga conseguiu desmoralizar a honestidade na Prefeitura do Rio de Janeiro”.

Viveríamos dias bem piores.

Em matéria de torpezas e vilezas, Temer realmente é um especialista

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Charge do Nani (nanihumor.com)

Bernardo Mello Franco
Folha

Na era da comunicação instantânea, Michel Temer se mantém fiel às cartas. Há quase dois anos, ele escreveu uma para informar que não queria mais ser um “vice decorativo”. Agora enviou outra para avisar que deseja continuar presidente.  Na primeira correspondência, Temer enumerou suas mágoas com Dilma Rousseff. “É um desabafo que já deveria ter feito há muito tempo”, disse. Na segunda, ele repete a ladainha para os congressistas. “É um desabafo. É uma explicação para aqueles que me conhecem”, afirma.

Na missiva original, o peemedebista negou ser o chefe de uma “suposta conspiração”. “Não é preciso alardear publicamente a necessidade da minha lealdade”, escreveu.

VIROU VÍTIMA – Agora ele muda de papel e se diz vítima de conspiradores. “Jamais poderia acreditar que houvesse uma conspiração para me derrubar”, lamuria-se.

As citações em latim sumiram, mas o tom de lamentação continua. “Sei que a senhora não tem confiança em mim”, queixou-se o vice de 2015. “O que me deixa indignado é ser vítima de gente tão inescrupulosa”, chia o presidente de 2017.

Na nova carta, Temer faz um uso seletivo do que dizem os presos da Lava Jato. Quando eles o incriminam, repetem “mentiras, falsidades e inverdades”. Quando ajudam a sustentar a sua defesa, merecem ser levados ao pé da letra.

FUNARO E CUNHA – O presidente desqualifica o depoimento de Lúcio Funaro, a quem chama de “delinquente conhecido”. Ao mesmo tempo, recorre ao testemunho de Eduardo Cunha, que dispensa adjetivos. Os dois estão na cadeia pelos mesmos motivos, mas só o doleiro decidiu delatar os comparsas.

Em outra passagem, Temer se diz vítima de “torpezas e vilezas”. Nesta segunda, ele voltou a praticá-las para barganhar apoio na Câmara. O “Diário Oficial” publicou uma portaria que dificulta a fiscalização do trabalho escravo. A medida atende ao lobby da bancada ruralista, que promete votar em peso para enterrar a denúncia contra o presidente.

Ciro Gomes diz que prazo de validade da candidatura de Dória vai até dezembro

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Ciro afirma que Lula beijou a cruz conservadora”

Gabriela Sá Pessoa
Folha

“Os bancos obrigaram o PT a beijar a cruz. Eu não vou beijar. Se não der, vou ficar assistindo de fora.” Ciro Gomes, pré-candidato do PDT à Presidência em 2018, assim traçou a diferença de seu pensamento econômico com o dos governos Lula, de quem foi ministro da Integração Nacional (2003 a 2006) e Dilma. Ele falava, na segunda-feira (dia 16), a estudantes da Faculdade de Economia e Administração da USP sobre seu “antagonismo com o rentismo” e sobre a disposição em trazer os “juros para um padrão menor”.

Ex-governador do Ceará e ex-ministro da Fazenda de Itamar Franco, Ciro defendeu, além da diminuição dos juros, “um ciclo de reindustrialização forçada”. Sua agenda, diz, “converge iniciativa privada e Estado saneado”, oferecendo crédito e renúncia fiscal a setores que considera estratégicos: agronegócio, saúde, defesa e indústria de óleo e gás.

Em que pé está a candidatura do sr.? O sr. disse no início do ano que não tinha vontade de ser candidato concorrendo com Lula.
A Folha deformou minha declaração, nunca deixei de dizer isso: eu não gostaria de ser candidato com ele sendo, o que não quer dizer que eu não serei. Se o Lula for candidato, imediatamente se passionaliza o ambiente. Ódios, rancores, violência — e o país não vai ter um minuto para discutir o seu futuro. Minha candidatura só depende do PDT. Mas haverá sempre o direito do PDT não querendo, eu enfim.

Logo após a publicação da última pesquisa Datafolha, Carlos Lupi, presidente do partido, disse que sua candidatura é ‘imexível’.
Pois é, você veja. Forte isso [risos]. Eu não estou com tensão eleitoral nenhuma. Quero explicitamente criar uma corrente de opinião. Tenho dito claramente: não estou aqui para buscar simpatias, a divisão do Brasil entre coxinhas e mortadelas não cabe. Quero discutir enquanto é tempo ideias, pensares diferentes, exames. Portanto, não é a hora da simpatia. É a hora de pensar.

Lupi tem construído candidaturas estaduais, com palanques avançados para o sr.
A outra agenda é essa: estamos organizando nos Estados. E vai surpreender. A opinião publicada vai se surpreender. Do jeito em que as coisas estão, vou sair com a melhor estrutura de todos.

Que estrutura é essa?
É cedo. Temos já candidato pré-lançado no Rio Grande do Sul, é um quadro que saiu do PT e entra chapa pronta lá com dois senadores e tal. Estamos filiando o Odilon, juiz federal do Mato Grosso do Sul que prendeu os bandidos. Temos o candidato Osmar Dias está na frente das pesquisas do Paraná. E no Rio Grande do Norte, Distrito Federal, Espírito Santo com o PSB.

Seria um apoio nacional ao senhor, o do PSB?
Não sei, vamos ver. Eles têm o tempo deles. Eu quero muito.

Há um comprometimento da ala paulista do PSB com Alckmin.
Não, eles estão conversando. É natural desta fase, todos estão conversando com todos. Salvo alguns que têm algumas interdições, como eu, que não converso com o PMDB.

Fala-se em um vice para o senhor?
Não, não. Muito cedo, vou deixar para a última hora.

Como o sr. recebeu o resultado da pesquisa Datafolha? O sr. aparece em patamar semelhante ao de Doria e Alckmin.
Com uma diferença: ambos estão sediados em São Paulo, que é 28% do eleitorado. Ambos estão centralmente postos na mídia e eu sou absolutamente marginalizado. A ombudsman da Folha escreveu sobre isso — o que não me desagrada em nada. É normal, tá tudo certo. Porque pesquisa, para um homem vivido como eu, é um retrato de um momento. E a vida não é um retrato, é um filme. E, nesse momento, a pesquisa tem que ser lida com nível de conhecimento, nível de preferência espontânea, nível de preferência induzida, nível de rejeição específica. A dinâmica disso é que dá o potencial. E, mais do que tudo, eleição majoritária tende a ser resolvida de véspera. Ou seja: a tendência, mais ou menos, está definida de véspera e a campanha tenta identificar quem é o intérprete mais fiel identificado com aquela tendência que está posta de véspera. Se você ler a pesquisa, estão querendo um cara experiente, um cara que tenha ficha limpa. Aí eu estou brincando: esse cara sou eu [risos], frase que é do poeta, do Rei [Roberto Carlos].

Ao falar sobre economia aos estudantes, o sr. citou “meu governo” em alguns momentos. O que o sr. disse na palestra integrará sua plataforma de governo?
Não ainda. Porque o candidato interpreta médias. O que vou fazer: estressar essas médias em direção às minhas ideias. Que nesse momento, o combinado com o Lupi, estou propondo a minha contribuição ao debate. E tem coisas polêmicas.

Por exemplo a discussão sobre tributação de heranças, que o sr. colocou?
Por exemplo. Eu estou dizendo que no Ceará cobramos 8%, e não há razão para não se cobrar. Nos Estados Unidos é 40%. Na Europa, entre 32% e 47%. Evidentemente, quando eu for entrar numa aliança, os partidos consultados vão dizer: isso não é oportuno, isso não convém.

A proposta contrariaria interesses.
Contraria o interesse de 0,03% das pessoas. A questão básica é: a que senhor você quer servir? E eu quero servir às maiorias. Sem discriminar ninguém, mas eu quero governar para os pobres.

O sr. coloca a sua candidatura no campo da esquerda?
Acho que não cabe. A proposta minha é no campo da centro-esquerda. Acho que temos que montar uma concretude explícita que reúna os interesses práticos e futuros de quem produz com quem trabalha. Por exemplo, a esquerda tem uma crítica azeda ao agronegócio. Eu respeito profundamente o agronegócio. Evidentemente que não aceito as distorções que um ou outro produzem e que, muitas vezes, se generaliza por conjunto. Não é justa essa generalização. Mas eles, sob o ponto de vista de contas, estão pagando a conta do Brasil, há anos.

Em sua palestra, o sr. falou em sentimentos da população: a felicidade com a redução da inflação e com a melhoria econômica e, depois, o ódio quando o brasileiro perdeu poder aquisitivo.
Ele se sente enganado e fica com raiva mesmo, e com razão.

A campanha de 2018 será trabalhada, sobretudo, sobre o ódio?
Acho, sim. Mas pior do que isso, acho que essa direita que está orientada tecnicamente por interesses estrangeiros vai tentar substituir o temário de empregos, salários, saúde e educação por temários morais, temas de família, religiosos. Porque nesse temário que importa eles perdem o debate. E, nesse outro, eles alcançam alguma afinidade popular, porque nosso povo é cristão, é católico, é neopentecostal. E nessa armadilha eles não me levam.

Como vê o financiamento eleitoral para o ano que vem, com a proibição de doações empresarias? É um problema do Brasil. Você tem a ideia, da nossa moral dominante, de que o poder econômico não se relacionam com o poder político porque o tribunal [Supremo Tribunal Federal, em 2015] disse que não vai acontecer. É uma vã ideia que só prejudicará os homens de bem e as mulheres decentes que fazem política. Porque o poder econômico é um dado irremovível da realidade. E o poder político é um dado irremovível da realidade e onde se privilegiam interesses concretos. Esse poder econômico vai sempre se relacionar —a gente faz a opção de mandar isso tudo para o bastidor, para a clandestinidade. E aí é o paraíso dos picaretas. Trocam conta na Suíça por conta em Cingapura. Trocam conta nas Ilhas Caymann por mala de dinheiro em apartamento, como nós acabamos de assistir. E o presidente veta o limite à contribuição individual, de maneira que nós estamos oficializando que o poder no Brasil, hoje, quer que seja uma plutocracia no lugar da democracia.

E os efeitos da reforma política, com a aprovação da cláusula de barreira para o ano que vem?
Vai continuar tudo como está. A cláusula de barreira é mínima — ela vai deixar sem representação de sete a dez partidos e olhe lá. Não farão falta nenhuma ao país. E a grande mudança que poderia ter acontecido eles adiaram, que é a proibição de coligação proporcional. Eu ainda até imagino que o tribunal pode determinar ainda para esta eleição, porque este é o grande problema: você fazer um mercado de traficância de tempo de TV, eles estão terceirizando o fundo partidário.

Por que disse, na palestra, que Doria é “carta fora do baralho” da eleição presidencial até dezembro?
Porque ele não é do ramo. Torrou o orçamento de São Paulo, queimou as pontes todas. Perdeu o “timing” para fazer acordo por dentro e ser eventualmente candidato a governador. Colidiu com o cara que o inventou. E passou para a população a ideia de que é um carreirista, que só pensa em si, que não tem nenhum compromisso com nada e com ninguém. E saiu para fazer uma ilusão de ótica, passear por aí, receber título de cidadão não sei por onde, tudo factoide, deixando a grande e grave responsabilidade — que seria a decolagem dele— aqui, descuidada. Ele não é do ramo. Como eu sempre disse, é um farsante. Em dezembro, se o Datafolha fizer outra pesquisa, está completamente deslegitimado.

Quem serão os nomes em 2018?
Se o PSDB tivesse juízo, não cometeria esses erros que está cometendo, segurando nas alças do caixão de um governo Temer. E jamais deveria ter deixado esse desgaste em cima do Alckmin. Vai correr atrás do leite derramado, com uma ruptura lá na frente da eleição, quando parecer oportunismo. E o Alckmin terá todo esse desgaste para trás. Aécio está fora de combate, mais um defunto político insepulto dando as cartas no PSDB, que tem quatro ministros no governo. O programa [de TV] do partido faz delação premiada de presidencialismo de cooptação e quem que coopta o ministro do PSDB [Antonio Imbassahy, ministro-chefe da Secretaria de Governo]. Pelo menos funcionalmente, ele é o encarregado de fazer isso, embora quem faça mesmo é o Temer. São erros por cima de erros. Espero que Lula seja absolvido, mas entendo que a candidatura dele é um desserviço a ele e ao país. E acredito que ele é capaz de poder fazer isso. De, absolvido, liderando pesquisa, entender, sem qualquer tipo de constrangimento que ele deveria convocar um grande debate que unificasse as forças progressistas do país. E ele daria o maior exemplo de liderança, de preocupação com o país, e não com mero petismo frustrado com a onda antipetista.

Lula deveria apoiar o sr.?
Não digo necessariamente, senão perco a moral da tese. Evidentemente, não se inventarão candidatos. Mas eu me ponho como um dos possíveis. Não me ponho como “o” candidato. Digo que depende do PDT, só. Mas numa dinâmica grande dessa: imagina o Lula absolvido, pontuando 40% nas pesquisas, ou 35%, dizendo: “Olha, eu entendo que o bom para o país não é rachar. É abrir conversa para unificar o campo progressista, conversar com quem produz. Todo mundo sabe que eu fui presidente, que fiz o que pude fazer, talvez tenha sido imprudente na escolha que fiz dos aliados e tal”.

Na palestra, o sr. disse que ‘os bancos obrigaram o PT a beijar a cruz’ e que não iria beijá-la. Poderia falar sobre essa frase?
Em 2002, foi escrita a Carta ao Povo Brasileiro, por Luís Gushiken e Antonio Palocci. Depois conversei muito com o Lula sobre isso. Ali houve um beija-cruz, mesmo. E a política econômica do Lula foi criptoconservadora. Ele escapou porque pegou o elemento cambial que melhorou muito, e fez muito crédito dirigido para interesses específicos. Mas a política econômica do Lula foi rigorosamente a mesma que a do Fernando Henrique: câmbio flutuante, hostil à indústria —tanto que a desindustrialização continuou sob o Lula —, superávit primário, que foram os maiores do mundo. E a dívida só cresceu. E meta de inflação, inclusive reduzida. Estava numa política importante de melhoria do salário mínimo e, pelas tantas, parou e desregulou pro futuro. Ou seja, tudo o que é estrutural, o Lula beijou a cruz conservadora. Não adianta, se o esquerdismo é a doença infantil do comunismo. Você não é de esquerda porque fala que é. Você é de esquerda pela prática. E ele teve algumas coisas: o salário mínimo subiu de valor, até o limite em que ele congelou. O crédito subiu, mas ele não institucionalizou nada disso. E a rede de proteção social é política social compensatória. Num país de miséria de massa, de fome de verdade, isso não é trivial, é muito importante. Mas também nada disso foi institucionalizado, e nem é o futuro de uma nação como a nossa.

É inútil discutir Queermuseu e Masp, porque significa retroceder à Era Medieval

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As meninas caíram na gargalhada com a performance do homem nu no Masp

Carlos Newton

Por preguiça e para evitar problemas, eu tentara resistir e não entrar nessa polêmica sobre a exposição do “Queermuseu” em Porto Alegre, muito fraca, material exibido pobre, nem merecia discussão, e também sobre a perfomance nudista “La Bête” no Masp, também sem importância, chega a ser ridícula. Eu queria sair fora disso, focar no que realmente interessa, mas não é possível continuar assistindo inerte a esse teatro do absurdo, que está roubando um precioso espaço na mídia e causa uma discussão totalmente desnecessária e fora de época, uma coisa muito antiga, que vem dos primórdios da arte e já deveria ter transitado em julgado, como se diz no linguajar jurídico, mas a cada momento alguém apresenta um novo recurso e a polêmica não acaba nunca.

Como nos antigos anúncios fúnebres, cumpro o doloroso dever de comunicar aos polemistas o falecimento dessa preocupação com o futuro de nossas crianças, a propósito de terem sua pureza contaminada pela arte que se inspira em nudismo e sexo.

“ISSO NÃO ECZISTE” – Podem perguntar ao padre Óscar Quevedo, e ele responderá que “isso não ecziste mais”. O ilustre religioso  deve estar horrorizado com o que está acontecendo com as crianças modernas, mas com certeza sabe que se trata de uma realidade oriunda das novas tecnologias, nada tem a ver com antigas manifestações artísticas, tipo exposição de pinturas ou perfomance ao vivo.

É triste ter de exibir a realidade dos fatos aos dedicados pais, avós e bisavós que tentam defender a prole e perdem tempo em denunciar o que ainda consideram como “arte corrompida”. A ficha deles precisa cair, porque as crianças de hoje não são afetadas por exposições artísticas ou performances, a garotada vai apenas se divertir e dar risadas, como aconteceu no Masp, e uma imagem vale mais do que mil palavras, como dizia o sábio Confúcio.

Há adultos que ainda não perceberam que as crianças de hoje têm contato precoce com todo tipo de perversão. Enquanto pais, avós e bisavós fazem cara de paisagem, o público infanto-juvenil recebe nos celulares todo tipo de mensagens, fotos e filmes com aberrações as mais diversas, inclusive sexo com animais, é uma doideira. O mais curioso é os celulares foram dados aos pequeninos justamente pelos pais, avós e bisavós extremados que agora tanto se preocupam com a pureza dos descendentes, diante de exposições e performances presenciadas por reduzidíssimo público infanto-juvenil.

NADA A FAZER… – Como diz o engenheiro Paulo Lage, um dos construtores do Metrô carioca e que é meu interlocutor em assuntos da Inteligência Artificial e outros avanços da ciência, “estamos diante de uma realidade sem volta, porque ninguém pode tomar os celulares e deixar as crianças incomunicáveis. O resultado é que, nos dias de hoje, os futuros adultos têm acesso a tudo, ninguém sabe o que farão de suas vidas. É uma ilusão achar que poderemos protegê-los do que acontece à nossa volta”.

Portanto, a pureza infanto-juvenil já era… É uma realidade dura de aceitar, eu sei, e lamento transmiti-la. Talvez sejamos nós, os mais velhos, que precisamos todos rejuvenescer, seguindo o ensinamento do Belchior. E se ainda há quem pense que somos os mesmos e vivemos como nossos pais, mesmo assim não adianta querer proibir exposições de arte e performances nudistas. Isso significa um retrocesso, é uma atitude medieval, nesta depravadíssima Era da Informática. Desculpem a franqueza.

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P.S.Também sou um dos pais, avós e bisavós desnorteados com modernidade e que não sabem o que fazer. E quando não sei o que fazer, aprendi a não fazer nada. 

P.S. 2Aproveito a oportunidade para informar que passaremos a deletar todos os comentários que tenham palavrões. Será nossa modesta contribuição à preservação dos bons costumes. (C.N.)