Imprensa tenta ocultar o novo julgamento em curso que deve inocentar Bolsonaro

charge de Thiago Lucas (@thiagochargista), para o Jornal do Commercio. # LuizFux #Fux #golpe #golpista #stf #justiça #moraes #anistia #bolsonaro #8dejaneiro #lula #chargejc #chargejornaldocommercio #chargethiagolucas #chargethiagolucasjc *digital

Charge de Thiago Lucas (ornal do Commercio)

Carlos Newton

O Brasil tem tanta notícia escandalosa na política que muita coisa importante acaba passando despercebida e os jornalistas nem se interessam. É o caso do novo julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro, que está em prisão domiciliar por problemas de saúde, depois de ser condenado a 27 anos e três meses de prisão.

Na imprensa falada, escrita e televisionada, não se comenta nada, rigorosamente nada sobre este novo julgamento de Bolsonaro, que está ocorrendo desde junho na Segunda Turma, com o ex-presidente apresentando chances concretas de ser inocentado e imediatamente solto.

FUX PRESIDE – Na condenação pela Primeira Turma, em dezembro de 2025, o resultado do julgamento foi 4 a 1, com votos condenatórios de Alexandre de Moraes, Cármen Lúcia, Flávio Dino e Cristiano Zanin, e apenas Luiz Fux defendeu a absolvição, proferindo o mais extenso voto da História do Supremo, com 429 páginas, que o ministro demorou 14 horas para ler, em duas sessões seguidas.

Agora, Fux está na Segunda Turma, substituindo Luís Roberto Barroso, que se aposentou. É justamente ele que está presidindo o novo julgamento, em que o procurador-geral da República, Paulo Gonet, já se pronunciou e agora está sendo aguardado o relatório de Nunes Marques, para que possa ser marcada a sessão decisiva.

Não se trata de recurso, é uma ação nova, denominada revisão criminal, que a defesa de Bolsonaro apresentou para apontar erros judiciários que teriam ocorrido no julgamento anterior, feito pela Primeira Turma.

TUDO DE NOVO – A revisão criminal é como se o julgamento de Bolsonaro tivesse começado de novo, desta vez com Nunes Marques como relator, substituindo Alexandre de Moraes. A petição inicial da defesa, pedindo a absolvição de Bolsonaro, foi apresentada com 90 páginas. Tens alguns erros processuais, mas está bem fundamentada, com base no voto anterior de Fux, pela absolvição.

Ao apresentar seu parecer, o procurador Gonet pediu o arquivamento da ação revisional, mas o relator Nunes Marques não aceitou e está redigindo seu voto, que deverá ser entregue no final de agosto ou em setembro e será favorável à absolvição, pois o ministro tem se manifestado assim em outros julgamentos do 8 de Janeiro.

Após o parecer de Nunes Marques, o presidente Fux deverá marcar o julgamento, que pode ocorrer antes das eleições e influir bastante na reta de chegada da sucessão presidencial.

###
P.S. –
Na tendência dos votos anteriores de Luiz Fux, Nunes Marques e André Mendonça, Bolsonaro será inocentado por 3 a 2, com Dias Toffoli e Gilmar Mendes votando contra. Ao término do julgamento, o presidente Fux estará obrigado a assinar também o alvará de soltura do ex-presidente, que será imediatamente libertado. Imaginem a confusão que isso vai provocar, se realmente ocorrer antes ou durante as eleições. (C.N.)

Aliados de Lula defendem cortes no início de um eventual quarto mandato

Pela primeira vez neste século, a sucessão não terá mulheres nas chapas competitivas

STJ julga mais de 780 mil processos por ano e expõe sobrecarga inédita da Justiça

Acenos de Kassio Nunes a Flávio levantam dúvidas sobre a neutralidade do TSE

Após reaproximação com Lula, Alcolumbre destrava PEC do fim da escala 6×1 e outras pautas do governo

Kassab diz que Flávio Bolsonaro tem ‘chance zero’ de vencer a eleição

Lula diz acreditar na inocência do filho, mas defende que investigações continuem

Caiado ironiza currículo de Flávio Bolsonaro: “resume-se à certidão de nascimento”

Flávio Bolsonaro mais que triplica patrimônio em oito anos e declara R$ 8,2 milhões

Uma canção de amor que jamais será esquecida e fez sucesso no exterior

Preconceito (ANTÔNIO MARIA e FERNANDO LOBO)

Maria e Lobo, compositores geniais

Paulo Peres
Poemas & Canções

O cronista, comentarista esportivo, poeta e compositor pernambucano Antônio Maria de Araújo Morais (1921-1964), entusiasta de vida noturna carioca da década de 50, juntamente com seu parceiro Fernando Lobo,  compôs uma das mais famosas canções de amor – “Ninguém Me Ama”.

Este samba-canção, gravado por Nora Ney, em 1952, pela Continental, foi composto somente por Antônio Maria, mas não acreditava que a música fizesse sucesso e deu parceria a Fernando Lobo, em troca de parceria com uma outra canção escrita por Lobo, que todos achavam que ia fazer sucesso, mas isso não aconteceu. Naquela época era comum a troca de parcerias entre amigos, como Maria e Lobo. dois grandes jornalistas pernambucanos que vieram juntos fazer carreira aqui no Rio de Janeiro.

Esta canção fez sucesso mundial, gravada por Nat King Cole.

NINGUÉM ME AMA
Fernando Lobo e Antônio Maria

Ninguém me ama,
ninguém me quer,
ninguém me chama
de meu amor.
A vida passa
e eu sem ninguém.
E quem me abraça
não me quer bem.

Vim pela noite tão longa
de fracasso em fracasso.
E hoje descrente de tudo
me resta o cansaço.
Cansaço da vida,
cansaço de mim.
Velhice chegando
e eu chegando ao fim.

Depois do “nunca antes’, Lula recorre ao “quem nunca” – e o efeito é hilário

Livros encontrados sobre Nunca Antes Na Historia Deste Pais | Estante  Virtual

Marcelo Tas escreveu livro sobre as asneiras de Lula

Diogo Schelp
Estadão

O presidente Lula incorporou um novo bordão contendo o advérbio “nunca” ao seu repertório. Já havia o indefectível “nunca antes na história deste país”, que ele usa como recurso de marcação de excepcionalidade e ineditismo em seus governos e em sua trajetória pessoal.

Nunca antes um presidente teria feito “tanto em tão pouco tempo”. Nunca antes um líder deste País teria sofrido tanta perseguição política quanto ele.

ANTES E DEPOIS – É uma tentativa de reescrever a história e de apagar da memória coletiva os avanços obtidos por antecessores, como se houvesse uma clivagem temporal equivalente ao nascimento de Jesus Cristo: antes de Lula, depois de Lula.

A fórmula foi repetida por Lula em discurso na convenção do PT do último dia 2, quando afirmou que nunca, na história deste País, os militantes do partido tiveram tantos argumentos para defender sua continuidade no poder. Como ele está em seu terceiro mandato não consecutivo, trata-se do cúmulo da hipérbole: Lula se considera pioneiro em comparação consigo mesmo.

A nova formulação com a palavra “nunca” usada por Lula busca o oposto da excepcionalidade. O objetivo, agora, é atribuir normalidade absoluta a uma atitude que nem precisaria estar escrita em lei para ser considerada incompatível com a função pública.

CORRUPÇÃO NO PLANALTO – O contexto é a revelação de que Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, ex-chefe de gabinete de Lula e um dos coordenadores da atual campanha, recebeu dinheiro da empresária Roberta Luchsinger, que defende interesses privados junto a órgãos do governo. Segundo Marcola, tratava-se de um empréstimo que já foi pago.

No episódio há, na melhor das hipóteses, um potencial conflito de interesses. Para que isso se configure, não é preciso haver dano ao erário ou ganho pessoal indevido por parte do agente público.

Mas, segundo reportagem de Vera Rosa, no Estadão, Lula defendeu seu ex-chefe de gabinete com a seguinte frase, em reunião com dirigentes de partidos aliados: “Quem aqui nunca pediu empréstimo para um amigo?”

“QUEM NUNCA?” – O argumento chega a ser cômico, pois remete à conhecida pergunta retórica usada nas redes sociais para fingir que uma atitude é comum, quando na realidade é constrangedora, exagerada, egoísta ou claramente reprovável: “Quem nunca?”

A ironia está em buscar uma cumplicidade improvável com o interlocutor: “vamos admitir que todo mundo faz isso”, embora o subtexto seja “isso é absurdo” ou “pode ser tentador, mas é imoral”.

Com a campanha presidencial já em andamento, falta uma explicação convincente — e pública — sobre o que aconteceu na antessala do presidente, no Palácio do Planalto.

PT pede investigação de Flávio por supostas irregularidades em imóvel da União

Fachin reage a Moraes, defende sigilo da fonte e leva caso ao plenário do STF

O petróleo financia o presente, mas a conta amarga a ser paga fica para 2027

Criatividade de penduricalhos ilegais nos tribunais surpreende os ministros do STF

Tribuna da Internet | TJ de São Paulo pagou R$ 184 milhões em penduricalhos após decisão do STF

Charge do Alpino (Noticias Yahoo)

Manoela Alcântara
Metrópoles

Os ministros Alexandre de Moraes, Flávio Dino, Cristiano Zanin e Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), encontraram uma série de penduricalhos pagos irregularmente a integrantes de sete Tribunais de Justiça. Por isso, determinaram que todos suspendam imediatamente o pagamento de penduricalhos fora do estabelecido por decisão do STF, fixada no mês de março deste ano.

Mandaram ainda que todos os valores que excederam o limite do teto constitucional sejam devolvidos. A determinação ocorre após a análise de informações prestadas pelos tribunais do Distrito Federal e dos seguintes estados: Goiás, Maranhão, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte e Rondônia.

LIMITE MÁXIMO – Segundo os relatores das ações que tratam do tema, foram identificadas inúmeras rubricas pagas em descumprimento a diretrizes fixadas pelo plenário da Corte, que estabeleceu um limite máximo de 70% do subsídio para verbas indenizatórias (sendo 35% para antiguidade e 35% para as demais rubricas).

A decisão lista uma série de “penduricalhos” considerados irregulares, “exorbitantes”. Veja alguns deles: auxílio assistência pré-escolar; licença compensatória; licença compensatória (difícil acesso); adicional por trabalho em turma recursal; diferença gratificação diretor de fórum; gratificação mesa diretora; auxílio mudança e auxílio adoção.

E mais: 20% a mais para final da carreira; gratificação indenizatória função administrativa; gratificação acúmulo distribuição; gratificação de acúmulo distrital; gratificação – grupo de metas; gratificação – coordenações especiais; gratificação presidente, vice-presidente e corregedor; entre outras.

DIZ O SUPREMO – O STF reforçou que apenas parcelas específicas, como diárias, ajuda de custo por remoção, terço de férias e gratificação por exercício cumulativo de jurisdição (em casos restritos), estão autorizadas, desde que respeitem os limites percentuais.

O documento destaca casos considerados alarmantes. No Maranhão, por exemplo, um único desembargador aposentado teve autorizado o pagamento de R$ 3,2 milhões em verbas rescisórias.

Rio Grande do Norte, um magistrado aposentado recebeu mais de R$ 554 mil em um único mês. Em Rondônia, aproximadamente 90% de todos os magistrados do estado receberam acima de R$ 100 mil em abril. E no Distrito Federal houve registro de pagamento mensal de R$ 490 mil a uma magistrada.

FISCALIZAÇÃO – Os presidentes dos tribunais citados têm o prazo de 72 horas para identificar os beneficiários de pagamentos irregulares e encaminhar a relação ao STF sob sigilo.

Após a identificação, deve ser determinada a imediata devolução dos valores que ultrapassaram o teto de 70% dos subsídios. Em até cinco dias, os tribunais precisam comprovar nos autos que as suspensões e devoluções foram efetivadas.

A suspensão imediata dos pagamentos é para todas as verbas indenizatórias, inclusive as devidamente autorizadas na decisão do STF que excedam ao percentual de 35%, inclusive em face de supostas “verbas rescisórias” ou similares.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Como se vê, o Supremo resolveu acordar do sono eterno em que mergulhara, ao permitir os primeiros penduricalhos, cuja criação é absolutamente vetada pela Constituição em dois artigos diferentes. Vamos ver o que acontece daqui para a frente. É provável eu venha por aí uma reação tipo Operação Tarturaga, com os juízes e operadores de Direito trabalhando ainda menos do que hoje, pois já não trabalham quase nada, têm duas férias por ano, feriados prolongadíssimos no Carnaval e Semana Santa, etc. e tal. Vamos aguardar. (C.N.)

Crime organizado vira ameaça eleitoral e força partidos a criar filtros

Pesquisas indicam que, se houver união, a direita vai derrotar Lula com facilidade

Sorriso Pensante-Ivan Cabral - charges e cartuns: Charge do dia: De olho nas pesquisasCarlos Newton

É bastante esclarecedora a pesquisa do PoderData, instituto responsável pelos levantamentos eleitorais do portal Poder360. Confirma, de uma vez por todas, o que praticamente todas as pesquisas indicam – o candidato Lula da Silva (PT) vence o primeiro turno, mas pode perder no segundo turno para qualquer um dos principais adversários, que estão em empate técnico.

A pesquisa dá o petista com 46% e Flávio Bolsonaro (PL) com 45%. Na segunda simulação, Lula tem 45% e Ronaldo Caiado (PSD), 44%. E no terceiro cenário, Lula continua em 45% e Romeu Zema (Novo) chega a 43%. Três empates técnicos. Lula só ganha com facilidade de outro candidato, Renan Santos (Missão), fazendo 41% a 37%.

CONTRADIÇÕES – O dinheiro corre solto nos bastidores das pesquisas e quem gasta mais é sempre o presidente que tenta a reeleição, porque possui a chave do cofre.

No confronto das pesquisas, não interessa o grau de manipulação, fica claro que Lula pode perder a eleição, se houver um mínimo de união entre os quatro candidatos da direita., cujos índices no primeiro turno estão curiosamente estacionados desde o início do ano, nada consegue alterá-los.

Ronaldo Caiado, por exemplo, jamais passa de 5%, embora já esteja sendo apoiado por políticos de grande importância, como os ex-governadores Eduardo Leite (RS), Ratinho Jr. (PR) e Ciro Gomes (CE) e pelo ex-prefeito de Salvador, ACM Neto.  No PoderData, ele não passa de 4%…

MANIPULAÇÕES – Mesmo com a derrama de dinheiro pelo Planalto e pelo PT, as pesquisas sempre deixam transparecer algumas indicações negativas para Lula.

Por exemplo, o Poder Data mostra no primeiro turno Lula com 41%; Flávio, 35%; Caiado, 4%; Renan, 4% e Zema, 3%. Sem falar em Augusto Cury (Avante), com 3%; Leonardo Avalanche (PRTB), 1%; Clariana Barão (DC), 1%; Rui Costa Pimenta (PCO), 1%

Assim, se você somar os votos dos quatro maiores antipetistas (Flávio, Caiado, Zema e Renan), qualquer um deles que concorra contra Lula chega a 46% no segundo turno, se houver uma união dos candidatos de direita.

###
P.S. –
Realmente as pesquisas chegam a ser engraçadíssimas, mas os jornalistas levam a sério e fazem o maior drama. Eu dou belas gargalhadas. Somente 43% apoiam Lula e seu governo, mas ele será eleito por 46%? Essa é ótima!… E quem pode acreditar que ex-governandores como Caiado e Zeman só tenham 4% e 3%, respectivamente, mas outros candidatos verdadeiramente desconhecidos cheguem a pontuar? Ora, registrar Augusto Cury com 3%, Leonardo Avalanche com 1%; Clariana Barão com 1%, e Rui Costa Pimenta com 1%, sem dúvida. é uma tremenda Piada do Ano! Em cada 2,4 mil brasileiros, você encontra 72 que conhecem Augusto Cury e vão votar nele2? “Fala sério”, diria Bussunda.  (C.N.)

PT e PL ampliam recursos para candidatos ao Senado em meio a embates com STF

PL e PT ficaram com as maiores parcelas do Fundo Eleitoral

Hugo Henud
Estadão

O PT, de Luiz Inácio Lula da Silva, e o PL, do senador Flávio Bolsonaro, deram mais peso ao Senado na distribuição do Fundo Eleitoral de 2026. No partido do petista, a parcela reservada às candidaturas ao cargo mais que quadruplicou em relação a 2022. Já a sigla de Flávio deu à bancada de senadores peso próprio na repartição entre os Estados.

O movimento ocorre em meio ao esforço dos partidos para ampliar suas bancadas numa Casa decisiva para a análise de pedidos de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e para a votação de pautas centrais do próximo governo. PL e PT ficaram com as maiores parcelas do Fundo Eleitoral em 2026, com R$ 881,7 milhões e R$ 615 milhões, respectivamente.

PESO ADICIONAL – Formado por recursos públicos destinados ao financiamento das campanhas, o fundo é distribuído pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) aos partidos segundo critérios previstos em lei, que levam em conta, entre outros fatores, o tamanho das bancadas na Câmara e no Senado. Neste ano, a disputa pela Casa Alta ganha peso adicional porque dois terços de suas cadeiras serão renovados: cada Estado e o Distrito Federal elegerão dois senadores, num total de 54 dos 81 integrantes.

No PT, a parcela do fundo reservada às candidaturas ao Senado passou de 2,48% em 2022 para 10,08% neste ano. Em valores, o montante saltou de cerca de R$ 12,5 milhões para R$ 62 milhões, quase cinco vezes o destinado nas últimas eleições. A direção nacional decidirá como o dinheiro será dividido entre candidatos e Estados, e os percentuais ainda poderão ser ajustados para garantir o cumprimento das cotas legais.

No PL, por sua vez, a mudança ocorreu na própria fórmula de distribuição. Em 2022, Câmara e Senado integravam um mesmo critério, sem que a resolução informasse quanto cabia a cada Casa. Neste ano, a legenda separou as duas Casas. Dos 70% do fundo destinados à repartição entre os Estados, até 48% serão distribuídos de acordo com o tamanho da bancada na Câmara, enquanto o Senado ganhou uma faixa própria de até 15%, calculada com base no número de senadores do partido.

PROJEÇÃO – Na prática, essa faixa corresponde a até R$ 92,6 milhões, ou 10,5% de todo o fundo recebido pelo PL. A Executiva Nacional mantém poder sobre a distribuição final e poderá levar em conta pesquisas, potencial eleitoral e a estratégia política da legenda em cada Estado. Esse peso maior dado ao Senado na divisão dos recursos também aparece no discurso da própria cúpula do partido. O presidente da legenda, Valdemar Costa Neto, projeta a eleição de mais 20 senadores pelo PL em outubro. “Do jeito que estão as avaliações, e mesmo de outros partidos, nós temos oito senadores hoje que não vão disputar (governo), que têm mais quatro anos de mandato. Então, nós devemos fazer mais 20 senadores”, afirma.

A aposta em ampliar a bancada também está ligada a bandeiras caras ao bolsonarismo. Durante a convenção do PL no Distrito Federal, o presidenciável Flávio Bolsonaro voltou a defender a eleição de um número maior de senadores e afirmou que uma Casa fortalecida seria necessária para fazer com que ministros do Supremo voltassem, segundo ele, a respeitar a Constituição.

A declaração ocorre em meio ao confronto do clã Bolsonaro com a Corte, especialmente com o ministro Alexandre de Moraes. A ampliação da bancada também é associada pelo grupo a bandeiras como o impeachment de integrantes do STF e uma anistia “geral e irrestrita” aos condenados pelos atos de 8 de janeiro.

PRIORIDADE – A tentativa de conquistar uma bancada maior no Senado antecede a candidatura de Flávio e já era uma prioridade declarada do ex-presidente Jair Bolsonaro. Antes de ser preso, Bolsonaro dizia que pretendia eleger ao menos 20 senadores em 2026 e associava diretamente esse avanço à capacidade de influenciar a composição do Supremo. “Com metade do Senado, vou mandar mais que o presidente da República”, afirmou em julho de 2025, ao mencionar o poder dos senadores de aprovar ou rejeitar indicados à Corte.

O PL pretende lançar candidatos ao Senado em 24 unidades da Federação. Atualmente, o partido reúne 16 senadores, dos quais 11 foram eleitos em 2022 e ainda têm quatro anos de mandato.

Para o PT, a ampliação da bancada no Senado também está entre as prioridades eleitorais do partido, seja para avançar projetos defendidos pelo governo, seja para reduzir o risco de novas derrotas políticas. “Será fundamental para o PT para o próximo ciclo formar uma boa quantidade de senadores”, resume o deputado federal Jilmar Tatto (PT-SP), coordenador do Grupo de Trabalho Eleitoral do partido.

ESCALA 6X1 – Uma das bandeiras é o fim da escala de trabalho 6×1, tratada pelo Planalto como prioridade. A proposta foi aprovada pela Câmara no fim de maio, mas ainda aguarda votação no Senado. O presidente da Casa, Davi Alcolumbre, segurou o avanço do texto ao determinar que a proposta passasse pelas comissões antes de chegar ao plenário, apesar da pressão dos governistas para que a medida fosse aprovada antes das eleições.

Uma bancada mais numerosa também daria ao governo maior segurança na aprovação de autoridades indicadas pelo presidente da República. Cabe ao Senado sabatinar e aprovar nomes para a Procuradoria-Geral da República, o Banco Central, as agências reguladoras e as embaixadas brasileiras, além de tribunais superiores como o Superior Tribunal de Justiça e o Supremo.

Sem o aval dos senadores, a nomeação não se concretiza. Foi o que ocorreu em abril, quando o Senado rejeitou a indicação de Jorge Messias ao Supremo, com 42 votos contrários e 34 favoráveis. Foi a primeira vez em 132 anos que a Casa recusou um nome escolhido pelo presidente da República para o STF, numa das principais derrotas impostas ao governo Lula pelo Congresso neste mandato.

IMPEACHMENT – Nesta eleição, o PT lançou 18 nomes para disputar vagas no Senado em 2026. O tamanho da bancada também pesa na eleição do presidente do Senado, a quem cabe decidir sobre a abertura de processos de impeachment contra ministros do Supremo. Além disso, quanto maior o número de senadores de uma legenda ou bloco, menor sua dependência de aliados para alcançar os diferentes quóruns exigidos pela Casa.

Projetos de lei ordinária são aprovados por maioria simples dos presentes, desde que haja ao menos 41 senadores na sessão. Propostas de emenda à Constituição exigem 49 votos, equivalentes a três quintos da Casa, em dois turnos. Já a condenação de um ministro do STF ou do presidente da República em processo de impeachment depende do apoio de 54 senadores, dois terços do plenário.

CENTRALIDADE – Para o professor do Insper Leandro Consentino, a tendência é que o peso dado ao Senado nas estratégias partidárias não seja circunstancial e aumente nas próximas eleições.

Para ele, a Casa ganhou centralidade no jogo político à medida que passou a concentrar disputas antes menos presentes no debate eleitoral, impulsionadas pela polarização e pela maior politização de temas como a relação com o Supremo, a aprovação de autoridades e a agenda do governo. “O Senado sempre teve um papel central, mas agora os partidos acordaram para sua importância estratégica. Essa valorização veio para ficar”, diz.

Michelle fecha apoio do Podemos e amplia alianças para disputar o Senado no DF

Republicanos do DF acena apoio à ex-primeira-dama

Felipe Gelani
O Globo

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) fechou um acordo com o Podemos para sua candidatura ao Senado pelo Distrito Federal. O entendimento foi costurado com a ajuda da governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), e da senadora Damares Alves (Republicanos-DF).

O movimento amplia a articulação de Michelle em busca de apoio de partidos fora do PL para a disputa. O presidente distrital da legenda, Cristian Viana, deve ocupar a segunda suplência da chapa.

APOIO – O Republicanos do estado também acenou apoio à candidatura da ex-primeira-dama no Distrito Federal. Na sexta-feira (7), o presidente distrital do partido, Joaquim Mauro Silva, publicou em seu perfil no Instagram uma foto de uma reunião com Michelle e escreveu: “Vem novidade por aí”. Participaram do encontro Damares e Cristiane Britto, que foi ministra da Mulher no governo Jair Bolsonaro.

O registro foi a primeira aparição de Michelle em uma agenda política desde o lançamento de sua candidatura. Ela não participou da convenção do PL em Brasília, em 2 de agosto, por causa de uma crise de enxaqueca.

Apesar das articulações locais em torno de Michelle, o cenário nacional é diferente. O Republicanos declarou neutralidade na eleição presidencial de 2026, decisão que deixou o candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, mais isolado na disputa. Em São Paulo, porém, o partido declarou apoio a Flávio. O governador paulista, Tarcísio de Freitas, é um dos principais aliados do senador.