“O Erro de Descartes” e o acerto do filósofo budista Nagarjuna

Imagem relacionadaAntonio Rocha

“O Erro de Descartes” é o título de um livro que fez sucesso em todo o mundo. É um trabalho muito importante do neurobiólogo António Damaso, português radicado nos EUA, foi publicado aqui no Brasil pela Companhia das Letras, em 1996. O autor desafia os dualismos tradicionais que o Ocidente inventou: mente/corpo, razão/emoção, (esquerda/direita, acrescento eu), oferecendo uma visão científica e integrada do homem.

Quanto ao acerto de Nagarjuna, trata-se de um dos mais importantes monges e filósofos budistas de todos os tempos.

CONCEITO DO SER – Vejamos o que diz Daisaku Ikeda, conceituado filósofo budista japonês da atualidade:

“Atualmente, filósofos ocidentais estão começando a sentir grande interesse pelo pensamento budista e pela filosofia de Nagarjuna, em particular. Numerosas razões poderiam ser citadas para explicar esse fenômeno de alta significação. Entre elas está o fato de que Nagarjuna, embora tivesse vivido mais de 1000 (mil) anos antes de Descartes, já lançara um ataque devastador contra a preocupação excessiva com o conceito de ser (eu), conceito este tão fundamental na Filosofia Ocidental. Não é de admirar, portanto, que os filósofos do Ocidente, ao conhecerem agora a natureza das realizações de Nagarjuna, mostrem-se ansiosos para lhe compreender melhor as ideias”.

EM OXFORD – Entre seus verbetes, o “Dicionário Oxford de Filosofia” cita parte da biografia de Nagarjuna, incluindo-o, portanto, no rol dos grandes pensadores da humanidade.

Com todo o respeito à memória de Descartes e à sua célebre frase (“Penso, logo existo”), o filósofo francês concebia o ato de pensar separado do corpo, estabelecendo um abismo entre mente e corpo.

É bom ver a Ciência contemporânea corroborando milenares preceitos do budismo e, em especial, do filósofo Nagarjuna. Desde o século VI antes de Cristo, outro pensador, Sidarta Gautama, o Buda, afirmava que tudo está interligado: pessoas, fatos, situações, coisas etc.

IKEDA E ATHAYDE – O citado professor Daisaku Ikeda, consagrado escritor japonês, é membro correspondente da Academia Brasileira de Letras.

E o famoso escritor e jornalista Austregésilo de Athayde, que foi presidente da ABL, era membro da organização budista leiga Soka Gakkai, cujo presidente internacional é o nipônico Ikeda que já recebeu o título de Doutor Honoris Causa em diversas universidades e faculdades do Brasil e exterior.

A nova onda conservadora e a volta da política irracional do “nós contra eles”

Resultado de imagem para nos contra eles charges

Charge do Nani (nanihumor.com)

Roberto Nascimento

Está ficando mais difícil, à medida que o tempo passa, a reversão dos votos em favor do candidato Haddad. Bolsonaro amplia a vantagem na última pesquisa do Ibope, captando os votos de protesto da classe média e da classe A. Tudo pode acontecer quando as urnas forem abertas, ou até mesmo não acontecer nada. Mas uma coisa já é certa, o Congresso será mais conservador do que o atual.

Chamado de o Sr. Diretas, ícone da Constituição de 1988, o deputado Ulysses Guimarães afirmou sabiamente: “Se vocês reclamam do atual Congresso, esperem pelo próximo, que será bem pior”. A máxima do doutor Ulisses é confirmada a cada quatro anos.

ONDA CONSERVADOR – De norte a sul do país foram eleitos deputados e senadores majoritariamente conservadores na economia e restritivos de direitos no campo social.

As propostas dos representantes eleitos na onda conservadora têm foco também na redução da maioridade penal e no confronto letal com os bandidos, em detrimento do desbaratamento das quadrilhas através da inteligência investigativa.

Quanto aos milhões de desempregados, suas excelências eleitas têm como proposta simplória a diminuição da folha salarial, para que os empresários possam contratar mais empregados, com salários menores. E todos lembram que a presidente Dilma tentou aumentar a oferta de empregos desonerando a folha das empresas, e o resultado foi a queda na arrecadação de impostos, sem a contrapartida esperada da geração de empregos. O impeachment resultou da desastrada política de desonerações, entre outros equívocos da área econômica.

O CASO DORIA – A mediocridade é tanta, que uma deputada federal, eleita pelo Estado de São Paulo, aportou há alguns dias no Rio de Janeiro trazendo a tiracolo o Sr. Doria, candidato a governador por São Paulo neste segundo turno. Trata-se de político autointitulado de outsider, que abandonou seu mentor Geraldo Alckmin na corrida presidencial pelo PSDB. Doria esperava gravar um vídeo com apoio de Bolsonaro a ele, para surfar na onda e se cacifar contra seu adversário Márcio França, do PSB.

Demonstrando sagacidade política, Bolsonaro rejeitou a manobra de Doria, ao se declarar neutro nas disputas aos governos estaduais do Rio e de São Paulo. E sequer recebeu o candidato a governador pelo PSDB, o que deixou o ex-prefeito muito contrariado e frustrado.

SERÁ ADVERSÁRIO – O senador eleito de SP, Major Olímpio farejou o perigo Dória já para as eleições presidenciais de 2022, caso seja eleito agora governador, o que o tornaria um adversário em potencial. Todo governador de São Paulo almeja disputar a corrida presidencial.

Nessa quadra da vida da nação, as contradições do “nós contra eles”, “direita ou esquerda”, “privataria ou estatização”, “democracia ou autoritarismo”, “imprensa livre ou censura”, enfim, o resultado das urnas abertas em 7 de outubro mais do que responde ao enigma dos dilemas: Trata-se de um tsunami eleitoral de viés ultraconservador.

Os brasileiros estão trilhando o mesmo caminho do mundo capitalista ocidental, cujo exemplo maior foi a eleição de Donald Trump nos EUA, acompanhada de derrotas dos candidatos da esquerda em quase todos os países europeus.

MAQUIAVEL – A razão está com o pensador florentino Nicolau Maquiavel, na esteira do artigo do jornalista Sérgio Augusto (Estadão de 04/08/2018), descrito abaixo:

“O Príncipe alerta para as sociedades divididas em facções, onde as pessoas começam a se ver como inimigas mortais, como grupos de interesses conflitantes, continuamente à beira de uma guerra civil”.

Maquiavel previu os salvadores da pátria, à moda Sassá Mutema, como o alter ego de Fernando Collor, o caçador de marajás, tipos que surgem de tempos em tempos como Messias, prontos para levar a classe média e os pobres rumo ao paraíso na Terra.

“NÓS CONTRA ELES” – A divisão entre Sudeste/Sul e o Norte/Nordeste é um mau presságio. A nação precisa continuar unida para o combate sem trégua contra os inimigos externos e os calabares internos. Somente assim seguiremos nosso destino grandioso, o país do futuro promissor, que nos espera no cenário das grandes nações.

Lembremo-nos da Iugoslávia presidida pelo Marechal Tito, da URSS presidida por Michail Gorbachev e da Líbia comandada por Muamar Kadaffi, que retrocedeu 50 anos na onda da Primavera Árabe. São países levados pelas ondas diversionistas, que enfraqueceram seus povos, retalhados sem dó nem piedade pelos mesmos colonizadores imemoriais das nações.

Alea jacta est, como disse César, o Imperador Romano.

“Já ir se acostumando” – o slogan deveria servir para o próprio Bolsonaro

Resultado de imagem para JAIR SE ACOSTUMANDO

Reprodução do Arquivo Google

Vera Magalhães
Estadão

Um dos resumos mais fiéis da maneira como parte dos eleitores de Jair Bolsonaro se relacionam com o candidato, a imprensa, a Justiça, os adversários do deputado e até amigos que não comungam da sua fé é o martelado slogan “é melhor JAIR se acostumando”. Derivada política do “vão ter de me engolir” do velho lobo Zagallo, a frase embute uma ameaça velada: depois da vitória de Bolsonaro, parecem crer seus seguidores, tão fervorosos quanto avessos a contrapontos e ponderações, todos aqueles que não estão no barco estarão sujeitos aos ditames da nova ordem. De modo que seria melhor se resignarem.

As pesquisas parecem indicar que eles estão certos no diagnóstico: tudo indica que Bolsonaro será o próximo presidente do Brasil. Nesse aspecto, portanto, é melhor ao País já ir se preparando para o que será seu governo.

JAIR FALANDO – Para isso, seria importante o candidato já ir falando o que pretende fazer caso eleito em questões que realmente dizem respeito às atribuições de um presidente; já ir se dispondo a debater com seu adversário, que foi colocado no segundo turno por uma parcela do eleitorado que ele também terá de governar caso eleito, já ir amansando seus radicais e já ir entendendo que instituições como imprensa e Justiça Eleitoral não são inimigos a serem evitados ou descredenciados, mas pilares importantes da sociedade.

Assim como Bolsonaro e bolsonarianos se voltam a todos aqueles que não vivem da adoração ao mito e dizem que é melhor já ir se acostumando a ele, a democracia pressupõe a possibilidade de resposta: deputado, o senhor precisa já ir se familiarizando aos ritos, às demandas urgentes e aos freios e contrapesos que ditarão, tendo como base as estritas normas da Constituição e apenas elas, o que o senhor deverá e poderá fazer depois que subir a rampa do Palácio do Planalto.

JAIR ACEITANDO – Ao insistir dia sim, outro também, na alegação de fraude nas urnas eletrônicas, Bolsonaro desrespeita o voto, em primeiro lugar, e a Justiça, em seguida. A tese é tão desarrazoada que, nesta sexta-feira, ao lado de um deputado eleito da expressiva bancada de 52 integrantes de seu partido, ele chegou a dizer que a fraude ocorreria apenas para a Presidência da República!

Seria um mero atentado à inteligência nacional não fosse a assustadora adesão a essa mistificação repetida por ele, pelo alto escalão da campanha e do partido e até por parte dos que foram eleitos com votações consagradoras por essas mesmas urnas.

O livro Como as Democracias Morrem, de Steven Levitsky e Daniel Ziblatt, mostra que o ataque à lisura das eleições é uma característica comum a vários políticos, de esquerda ou de direita, em países desenvolvidos ou em desenvolvimento, que passaram a minar as instituições.

JAIR DIZENDO – Bolsonaro disse, na mesma transmissão ao vivo, que vai mudar o sistema de votação se eleito, deixando em aberto que formato seria esse.

Paralelamente ao clima de desconfiança e desinformação quanto à regularidade do pleito que provavelmente irá conduzi-lo ao Planalto, o candidato investe em caracterizar a imprensa como adversária ou inimiga. Por mais que aliados sejam instados a evitar falar com os jornalistas, é um misto de ingenuidade e, de novo, arrogância achar que isso será o bastante para que os veículos deixem de investigar, cobrar propostas, cotejar programas, escrutinar o passado dos candidatos (e dos eleitos), apontar incongruências e contradições, esmiuçar os bastidores, denunciar abusos.

É isso que a imprensa livre e profissional faz, e os ativistas de redes sociais, não. Não resta outro caminho dentro dos marcos do estado democrático de direito a não ser já ir respeitando.

A deusa Iara de nossas águas, na visão poética de Guimarães Rosa

Resultado de imagem para guimarães rosaPaulo Peres
Site Poemas & Canções
  

O médico, diplomata, romancista, contista e poeta João Guimarães Rosa (1908-1967), nascido em Cordisburgo (MG), é um dos mais importantes escritores brasileiros de todos os tempos, sendo sua obra mais conhecida o romance “Grande Sertão: Veredas”, que ele qualifica como uma “autobiografia irracional”. Entretanto, Guimarães Rosa também enveredou pelos veios poéticos, onde até “A Iara” de seu poema é diferente das outras Iaras, repleta de belezas que as outras Iaras deveriam possuir.

A IARA
Guimarães Rosa

Bem abaixo das colinas de ondas verdes,
onde o sol se refrata em agulhas frias,
descem todas as sereias dos mares e dos rios,
irreais e lentas, como espectros de vidro,
para os palácios de madrépora de Anfitrite,
em vale côncavo, transparente e verde,
num recanto abissal, como uma taça cheia,
entre bosques de sargaços, espumosos,
e rígidos jardins geométricos de coral…

Por entre os delfins, sentinelas de Posséidon,
afundam, suspensas, soltas, como grandes algas,
carregando os jovens afogados:
Ondinas das praias, flexuosas,
Nixes da água furtacor do Elba,
Havefrus do Sund e Russalkas do Don…
Loreley traz no esmalte doce dos olhos
duas gotas do Reno…
E Danaides laboriosas se desviam dos cardumes
de Nereidas,
que imergem, ondulando as caudas palhetadas
dos seus vestidos justos de lamé
Mas a Iara não veio!…
Mas a Iara não vem!…
Porque a Iara tem sangue,
porque a Iara tem carne,
sangue de mulher moça da terra vermelha,
carne de peixe da água gorda do rio…

Iara de olhos verdes de muiraquitã,
cintura pra cima cunhantã,
cintura pra baixo tucunaré…
que veio, dormindo, Purus abaixo,
filha do filho do rei dos peixes
com uma índia branca Cachinauá…

Lá bem pra trás da boca aberta do rio,
onde solta seus diabos
o bicho feroz da pororoca,
ela ficou, cheia de medo,
brasiliana, tapuia, morena,
tão orgulhosa,
que não quer ser desprezada pelas outras…

E a Iara é preguiçosa,
tão preguiçosa,
que não canta mais as trovas lentas
em nheengatu:
– “Iquê, ianè retama icu.
Paraná inhana rumassaua quitó…”

Nem mais se esforça em seduzir
o canoeiro mura ou o seringueiro,
meio vestida com a gaze das águas,
na renda trançada dos igarapés…
E eu tenho de chorar:
– Enfeitiça-me, ó Iara,
que eu vim aqui pra me deixar vencer…”

Mas custa-me encontrá-la,
e só a noite sem bordas dessas terras grandes,
quando a lua e as ninfeias desabrocham soltas,
posso beijá-la,
nua, dormida.

Eduardo Paes mentiu no RJ TV com tanta convicção que parecia ser verdade

Resultado de imagem para eduardo paes no rj tv

Em matéria de mentira, Eduardo Paes é mesmo imbatível

Carlos Newton

Eduardo Paes, candidato do DEM ao governo do Estado do Rio de Janeiro, foi entrevistado nesta segunda-feira (dia 15) no RJ TV, segunda edição. A apresentadora Ana Luíza Guimarães atuou com o rigor que se fazia necessário diante de um político de ficha suja, e iniciou a entrevista indagando sobre as delações que demonstram a existência de corrupção na prefeitura do Rio de Janeiro, num esquema que funcionava sob o comando direto de Paes e com a cumplicidade dos dois secretários de Obras por ele nomeados – Alexandre Pinto e Luiz Antonio Guaraná.

O ex-prefeito tentou escorregar, dizendo que jamais houve acusações contra ele e o ex-secretário Alexandre Pinto somente passou a denunciá-lo após o terceiro depoimento à Justiça Federal, para reduzir a pena.

E A ODEBRECHT? – A apresentadora Ana Luiza Guimarães não se deixou iludir e insistiu no assunto, citando as delações da Odebrecht, que também acusam o ex-prefeito, através de depoimentos dos executivos Benedicto Júnior e Leandro Azevedo, que repassaram R$ 15 milhões em propina para Caixa 2 de Paes, apelidado de “Nervosinho”.

Na defensiva, muito nervoso, Paes começou a mentir, alegando que se tratava de patrocínios eleitorais, na época permitidos por lei, mas isso não era verdade, porque Caixa 2 eleitoral é crime e até acarreta cassação de mandato.

A jornalista Ana Luiza Guimarães engoliu a conversa fiada de Paes, mas foi em frente, indagando sobre a condenação dele pelo Tribunal Regional Eleitoral, junto com Pedro Paulo, seu secretário da Casa Civil, por abuso de poder político-econômico e conduta vedada a agente público.

MENTINDO PARA VALER – A apresentadora afirmou que foi decisão unânime do TRE e Paes ficou inelegível por oito anos, somente conseguindo ser candidato mediante uma liminar provisória no TSE.

Com a maior desfaçatez, Eduardo Paes então desmentiu a jornalista do RJ TV e afirmou que sua candidatura não foi concedida por liminar do TSE, mas “por decisão unânime do relator e do plenário do TRE”. Mentiu com tamanha convicção que a jornalista não reagiu, certamente julgando que a equipe da Globo se equivocara ao fazer a pergunta.

Mas não havia erro algum. Em dezembro de 2017 o plenário do TRE realmente condenou Paes por unanimidade, tornando-o ficha suja e inelegível por oito anos. Somente em maio deste ano a defesa do ex-prefeito conseguiu suspender (não revogar) a decisão unânime do TRR, através de uma liminar provisória do ministro Jorge Mussi, em decisão monocrática que desconheceu a Lei da Ficha Limpa.

Devido à decisão solitária de Mussi, o TRE teve de aceitar de forma precária a candidatura de Paes, que pode ser cassada a qualquer momento pelo plenário do TSE, porque o julgamento atrasou.

PEGA NA MENTIRA – Como diria Jota Silvestre, a pergunta da Globo estava absolutamente certa, mas Eduardo Paes mentiu com tamanha firmeza que balançou a apresentadora.

Mentir é uma técnica que pode ser aperfeiçoada. De tanto mentir, Paes se tornou um grande mestre e conseguiu desviar os rumos da entrevista no RJ TV. Mas a imprensa está de olho nas manipulações dele, que ficou oito anos administrando o Rio e, quando entregou o cargo em 2017, a Prefeitura e a previdência municipal estavam falidas e cheias de dívidas.

Resta saber até quando Paes conseguirá seguir enganando os incautos e garantindo a própria impunidade. Mas quem se interessa???

Sonegação de impostos caiu, mas chegou a R$ 390 bilhões no ano passado

Imagem relacionada

Charge do Tiago Recchia (Arquivo Google)

Pedro do Coutto

Com base em levantamento do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação, a repórter Marta Watanabe, edição de ontem do Valor, revela que no exercício de 2017 a sonegação de impostos no Brasil ainda atingiu esse incrível montante, embora signifique uma redução drástica em relação ao que foi sonegado há dez anos. Calcule-se, portanto, o quanto representa o escapismo fiscal uma vez que o não pagamento de tributos era de 27%. Caiu para 17% em valores monetários corrigidos, o equivalente a 36%, nada mal. Entretanto, deixando-se o percentual de lado e calculando-se a sonegação ao longo da última década, certamente vamos nos deparar com uma situação enorme, fruto das sonegações acumuladas.

Portanto, o problema maior do déficit nas contas públicas situa-se exatamente no sistema tributário e nesse sistema não se inclui o panorama salarial, inclusive porque o recolhimento de impostos federais e estaduais não é feito pela mão de obra ativa e sim pelo sistema empresarial.

NOTAS ELETRÔNICAS – O Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação atribui a queda da sonegação ao sistema das notas eletrônicas e também a uma fiscalização mais rigorosa.

Para Estevão Tair, na mesma edição do Valor focaliza a necessidade de minireformas pontuais para aliviar a área fiscal do país. Seja como for o recolhimento tributário, na realidade cabe às empresas produtoras. Incrível que em 2017 a sonegação tenha se elevado a 390 bilhões. E não se tem informação  de ofensiva governamental para efetivar essa cobrança. Em muitos casos é impossível, já que muitas empresas encontram-se em recuperação judicial ou então encerraram suas atividades, fechando assim uma porta decisiva para que fossem feitos recolhimentos.

EMPREGO TEMPORÁRIO  – Marcia De Chiara, em O Estado de São Paulo também de ontem, focalizou a questão do emprego temporário como a única opção no momento para combater uma fatia do desemprego que alcança mais de 12 milhões de pessoas no país. Está se aproximando a hora de contratações desse tipo, como acontece em todos os finais de ano. Pode se prever no setor comércio um aproveitamento de 10% sobre o total das admissões temporárias. Em muitos casos a contratação refere-se ao período outubro a dezembro.

ROMBO DO INSS – Mas dificilmente essa contratação informal produz recursos para o déficit previdenciário. Isso porque são contratos a prazo curto e que em sua grande maioria não incluem as contribuições para o INSS, como determina a lei. A lei estabelece que funcione o sistema de contribuição ao INSS. Mas essa contribuição refere-se muito mais às empresas (20% sobre total da folha) do que às pessoas contratadas (11% sobre os salários).

É verdade que uma percentagem de contratados, como sempre ocorre, serão efetivados. Aí sim as contribuições de empregados e empregadores vai se faz sentir. A reportagem acentua que as contratações temporárias vão atingir cerca de 41 mil trabalhadores. É pouco, muito pouco.

Estratégia do PT para desconstruir Bolsonaro é chamá-lo de “mentiroso”

Resultado de imagem para cupula do pt

Cúpula do PT não vai mais chamar Bolsonaro de “fascista”

Daniela Lima
Folha/Painel

Pesquisas qualitativas feitas pelo PT deram novo norte aos aliados de Fernando Haddad que buscam uma rota para desconstruir Jair Bolsonaro (PSL). Integrantes da equipe do petista dizem que “não é chamando o eleitor dele de fascista” que vão minar o apoio ao candidato do PSL. A ordem é explorar contradições de Bolsonaro e tentar apresentá-lo como mentiroso. Essa foi a linha definida na última propaganda, que expôs posições divergentes do presidenciável sobre o Bolsa Família.

O PT começou a exibir votos do capitão reformado na Câmara em projetos de interesse social para pôr em dúvida propostas que ele faz hoje.

RELEMBRAR… – Parte da retórica de Bolsonaro contra o PT nessas eleições não é nova. Palavras-chave de seu discurso já foram usadas para celebrar uma derrota do petismo no governo Lula. “Foi a vitória de Davi contra Golias, do bem contra o mal, da democracia contra a ditadura e da verdade sobre a mentira deslavada do PT”, disse ele, em 2005.

Na ocasião, o deputado parabenizava Severino Cavalcanti, de seu partido à época, o PP, por ter vencido a disputa pela presidência da Câmara. Severino ficou no cargo por menos de 250 dias. Caiu com o escândalo do “mensalinho”, acusado de cobrar propina de donos de restaurantes que funcionavam na Casa.

E um sinal dos tempos foi uma funcionária transgênero de uma hamburgueria frequentada por Haddad e integrantes de sua equipe de comunicação perguntar a auxiliares do petista se deveria voltar a se vestir de homem até “isso tudo terminar”.

NORDESTE – No sábado (dia 13), Bolsonaro gravou vídeos direcionados ao Nordeste. Ele falou sobre o pagamento do 13º salário para o Bolsa Família e propostas para o semiárido. As peças serão incluídas nas propagandas do candidato na TV.

A equipe do presidenciável incluiu entre as propostas do plano de governo o incentivo à atuação do Exército na construção de poços artesianos no sertão nordestino.

Outra ação que entrou no catálogo do PSL é a conclusão da Ferrovia Oeste-Leste, estratégica para escoar minério e grãos na Bahia.

POTE DE OURO – O superministério idealizado por Bolsonaro para agregar Agricultura, Meio Ambiente e Desenvolvimento Agrário já tem provocado uma corrida ao presidenciável pela indicação do eventual futuro ministro. Amigo de Bolsonaro e antes certo para a pasta, o presidente da UDR, Luiz Antônio Nabhan, não está mais sozinho no páreo.

Nabhan tem o apoio de grandes produtores independentes, mas outros dois pesos pesados do setor reivindicam indicar o ministro: a Frente Parlamentar da Agropecuária e a CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil), que agrega federações e sindicatos rurais.

O nome de Nabhan divide a bancada ruralista. Bolsonaro foi avisado.

PELOS DIREITOS – A Associação dos Magistrados da Justiça do Trabalho vai cobrar que o próximo governo respeite os direitos trabalhistas previstos na Constituição e garanta a aplicação da atual legislação ambiental. Os juízes tentam marcar posição após falas polêmicas de aliados de Bolsonaro.

Os magistrados vão emitir nota. Haverá ainda recado ao PT. O documento vai repudiar a hipótese de aparelhamento do estado e condenar a corrupção.

FÍSICA E POLÍTICA – Do cientista político Carlos Melo, do Insper, sobre FHC ter dito ao jornal O Estado de S.Paulo que não dará apoio automático a Haddad:

O PT esperava que apoios de segundo turno se dessem pela lei da gravidade. Não entende de física, nem de política…

Ibope para presidente: nos votos válidos Bolsonaro tem 59% e  Haddad, 41%

Resultado de imagem para bolsonaro

A 13 dias da eleição, Bolsonaro lidera com muita folga

Por G1 Política

O Ibope divulgou nesta segunda-feira (15) o resultado da primeira pesquisa do instituto sobre o segundo turno da eleição presidencial. O levantamento foi realizado na sábado (13) e domingo (14), e tem margem de erro de 2 pontos, para mais ou para menos.

Nos votos válidos, os resultados foram os seguintes: Jair Bolsonaro (PSL): 59%; e Fernando Haddad (PT): 41%

VOTOS EXCLUÍDOS – Para calcular os votos válidos, são excluídos da amostra os votos brancos, os nulos e os eleitores que se declaram indecisos. O procedimento é o mesmo utilizado pela Justiça Eleitoral para divulgar o resultado oficial da eleição. Para vencer no primeiro turno, um candidato precisa de 50% dos votos válidos mais um voto.

Nos votos totais, os resultados foram os seguintes: Jair Bolsonaro (PSL): 52%; Fernando Haddad (PT): 37%; Em branco/nulo: 9%; Não sabe: 2%

REJEIÇÃO – A pesquisa também apontou o potencial de voto e rejeição para presidente. O Ibope perguntou: “Para cada um dos candidatos a Presidente da República citados, gostaria que o(a) sr(a) dissesse qual destas frases melhor descreve a sua opinião sobre ele”?

Com certeza votaria em Bolsonaro para presidente – 41%; Poderia votar nele para presidente – 11%; Não votaria nele de jeito nenhum – 35%; Não o conhece o suficiente para opinar – 11%; Não sabem ou preferem não opinar – 2%.

Com certeza votaria em Fernando Haddad para presidente – 28%; Poderia votar nele para presidente – 11%; Não votaria nele de jeito nenhum – 47%; Não o conhece o suficiente para opinar – 12%; Não sabem ou preferem não opinar – 2%.

SOBRE A PESQUISA – Margem de erro: 2 pontos percentuais para mais ou para menos. Entrevistados: 2506 eleitores em 176 municípios. Quando a pesquisa foi feita: 13 e 14 de outubro. Registro no TSE: BR‐01112/2018. Nível de confiança: 95%. Contratantes da pesquisa: TV Globo e “O Estado de S.Paulo”.

O nível de confiança da pesquisa é de 95%. Isso quer dizer que há uma probabilidade de 95% de os resultados retratarem a realidade, considerando a margem de erro, que é de 2 pontos, para mais ou para menos.

Mensagem ao grande humanista chamado Jorge Béja, um exemplo para todos

Resultado de imagem para jorge beja

Jorge Béja demonstra um caráter a toda prova

Carlos Newton

Querido amigo Jorge Béja, retirei do blog seu comentário sobre Merval Pereira por vários motivos, acredito que todos relevantes.

Primeiro: O jurista Jorge Béja e o jornalista Merval Pereira sempre foram amigos, há mais de 40 anos. Amizades sempre sofrem abalos, mas é preciso que as mantenhamos, não se deve perder amigos.

Segundo: Acho que Merval errou ao não citar uma tese sua, mencionada numa coluna dele. Mas no meu caso, já lhe expliquei que Merval não pode nem deve citar a Tribuna da Internet ou meu nome, devido aos artigos que tenho escrito contra a Organização Globo através dos anos.

Terceiro: Sua vida, Dr. Béja, é um exemplo de humanismo e sabedoria. Na carreira de advogado, jamais houve nada igual. Somente o portentoso Sobral Pinto pode ser comparado ao sr., mas com uma diferença: Sobral defendia todos que a ele recorressem, fossem pobres, remediados ou ricos, enquanto o sr. somente defendeu e defende, sempre gratuitamente como Dr. Sobral, apenas os carentes e abandonados, aqueles que jamais teriam voz contra o Estado e as grandes corporações. Nunca se soube de um processo seu que envolvesse alguém que pudesse pagar advogado.

Quarto: Sua vida e sua carreira são exemplares. Os escassos erros que o sr. deve ter cometido, porque aqui na Terra todos erram, certamente foram tentando fazer o bem, combater o bom combate do apóstolo Paulo.

Quinto: Como sou mediador do blog, assumo a responsabilidade de zelar pelo bem de quem o frequenta. Já lhe disse, pessoalmente, que não permitirei que na TI o sr. faça nada de que depois possa se arrepender. Acho que este é o papel do verdadeiro amigo. E vamos em frente, sempre juntos.

Tacla Durán, caluniador do juiz Moro, era o “principal operador” da Mendes Jr.

Resultado de imagem para tacla durán

Durán depôs contra o juiz Moro na CPI do Grupo JBS

Deu em O Tempo
(Estadão Conteúdo)

Rogério Oliveira da Cunha, ex-executivo da Mendes Júnior e delator da Operação Lava Jato, registra um termo de colaboração somente para narrar como o advogado foragido na Espanha Rodrigo Tacla Duran, teria se transformado no “principal operador de propinas” da empreiteira. Junto de seus depoimentos, ele entregou contratos entre a empreiteira e o escritório do advogado.

Rogério da Cunha teve sua colaboração homologada pelo juiz federal Sérgio Moro no dia 28 de setembro. Além de confessar crimes, ele deve pagar R$ 4,3 milhões. O termo prevê que o delator cumpra um ano e seis meses de prisão em regime fechado. Ele está condenado em segunda instância a 25 anos, 8 meses e 20 dias.

ATRASADOS – Segundo o delator, no “segundo semestre do ano de 2011 a Mendes Júnior se encontrava com um contingente muito elevado de recebíveis em razão da participação em obras públicas”. “Apenas da Petrobras eram cerca de R$ 400 milhões a receber por serviços já executados, alguns há mais de dois anos, mas cujo pagamento se encontrava paralisado”.

O delator afirma que “até então não havia uma sistematização e metodologia em relação ao pagamento e propina para liberação dos recebíveis, fato que fez com que o diretor Ângelo Mendes se sentisse muito demandado e o levou a contratar José Reinaldo, ex-funcionário da Mendes Júnior, a quem caberia organizar tais questões’.

SETOR DE PROPINAS  – “Jose Reinaldo passou a ter atuação semelhante à “área de pagamentos estruturados” da Odebrecht, com a diferença que não dispunha de uma equipe para tanto. Atuava sozinho, sob orientação de Ângelo Mendes”, afirmou.

Responsável por operacionalizar as propinas, segundo o delator, José Reinaldo teria sido apresentado por Cesar Rocha, da Odebrecht, a Rodrigo Tacla Duran, conhecido como “Vampeta”, segundo narrou o delator.

O ex-executivo diz que o “escritório de advocacia de Duran providenciava contrato fictício de prestação de serviços e nota para que a Mendes Júnior pudesse justificar pagamento” ao advogado, que, “por sua vez, repassava os valores para pessoas indicadas” pela construtora.

“A Tacla Duran Advogados passou a ser a principal operadora da Mendes Júnior para pagamentos ilícitos. Todos os contratos para justificar pagamento de propina feitos entre Mendes e Tacla Duran foram executadas por José Reinaldo sob ordem de Ângelo Mendes”, afirma o delator.

ANEXOS – Dois termos de delação de Rogério da Cunha foram anexados à ação penal em que é réu desde março de 2018. Ele é acusado, ao lado de executivos da Odebrecht, de pagar propinas para o ex-gerente da Petrobras Simão Tuma.

Segundo a acusação, além de ter repassado informações sigilosas aos agentes corruptores durante a fase licitatória, Tuma atuou de forma decisiva para que a Petrobras dispensasse nova licitação e efetuasse a contratação direta do consórcio Pipe Rack no montante inicial de R$ 1.869.624.800,00. O valor das propinas foi ajustado em 1% do valor do contrato, isto é, cerca de R$ 18 milhões.

Em seu depoimento, Rodrigo da Cunha admite que a Mendes Júnior fez os pagamentos “simulados” de propinas por meio do operador Rodrigo Tacla Duran. O ex-executivo entregou à força-tarefa contratos entre o advogado e a empreiteira.

ASSESSORIA – Um dos contratos com o escritório de Duran prevê assessoria de serviços advocatícios para reivindicações junto à Petrobrás. “Este escritório providenciava contrato fictício de prestação de serviços e nota para que a Mendes pudesse justificar pagamento ao Tacla Duran que, por sua vez, repassava os valores para pessoas indicadas pela Mendes Júnior”, afirma, em delação.

Ele diz ainda que a Mendes Júnior foi apresentada ao advogado por executivos da Odebrecht que também se utilizavam de seus serviços para operar propinas. Nesta ação, Duran é justamente acusado por viabilizar pagamentos da empreiteira ao ex-gerente da Petrobrás por meio de contratos simulados.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Que vergonha, hein? Durante dois anos, a grande imprensa brasileira abriu espaço para Tacla Durán atacar o juiz Moro, das maneiras mas sórdidas e mentirosas, envolvendo até a esposa do magistrado. Os jornalistas exaltaram tanto Durán que ele foi convidado a depor contra Moro numa CPI Mista do Congresso. Agora, surge a verdade sobre esse criminoso apátrida que enriqueceu operando a corrupção no Brasil e está foragido na Espanha. Que vergonha, hein? (C.N.)

Se nada mudar, o futuro presidente só poderá mexer em 3% do Orçamento

Resultado de imagem para orçamento da uniao charges

Charge do Lézio Junior (Arquivo Google)

Eduardo Oinegue
O Globo

Se fosse um livro, o Orçamento Geral da União (OGU) seria uma obra de não-ficção. Ainda que não traduza literalmente da realidade, traz dados bem concretos. A dúvida é saber em que prateleira da livraria seria colocado: comédia ou terror.

Comédia, talvez, pelo estilo debochado de tratar o presidente da República como personagem absolutamente secundário. Todo mundo bajula o presidente. O Orçamento, não. Figura poderosa, capaz de nomear dezenas de milhares de cargos de confiança, o presidente pode muito. Menos mandar no OGU. Ele até mexe no conteúdo, mas num pedacinho miúdo. No grosso do dinheiro não, porque é tudo carimbado.

TERROR – O OGU poderia ser livro de terror porque lembra as histórias assustadoras de bonecos que ganham vida própria. O OGU tem vida própria, tem personalidade patologicamente rígida e gosta de amarrar presidentes, impedindo-os de orientar os rumos do país. Amarrou todos os presidentes. Se nada for feito, amarrará o próximo.

A proposta orçamentária para 2019 já está no Congresso. Sabe qual será o “pedacinho miúdo” dos recursos que o presidente poderá manejar? Perto de 3%. Os outros 97% sairão do tesouro automaticamente.

A arrecadação do ano que vem foi estimada em R$ 3,26 trilhões. Do total, R$ 1,56 trilhão será usado no pagamento de juros, amortizações e refinanciamento da dívida. A Previdência consumirá R$ 637,9 bilhões. Pessoal e encargos, incluídos os inativos e pensionistas da União, mais R$ 325,9 bilhões. E as transferências para estados e municípios drenarão R$ 275,2 bilhões. Há ainda uma infinidade de outras despesas obrigatórias que somam R$ 350,6 bilhões.

SOBRAM 3% – Os itens acima sorverão R$ 3,15 trilhões. Restarão R$ 112,6 bilhões para as chamadas despesas discricionárias, os tais 3%. Investimentos, que em 2018 receberam R$ 31,1 bilhões, receberão em 2019 parcos R$ 27,4 bilhões. Em seu primeiro ano, o novo governo não terá dinheiro para quase nada. Se não se alterarem as regras da formulação orçamentária, 2020 também não.

Esse cenário não é herança de Dilma ou Temer, mas fruto de travas constitucionais e infraconstitucionais até agora não enfrentadas. Há espaço para alívio de caixa? Há, se o novo governo aprovar uma reforma da Previdência, e se atacar os incentivos fiscais, orçados para 2019 em R$ 376 bilhões. É mais dinheiro do que o destinado para educação, saúde, transportes, trabalho, agricultura, cultura, turismo e direitos humanos, tudo junto.

“Quem vai mandar no Brasil serão os capitães”, diz Bolsonaro em visita ao Bope

Bolsonaro posa para fotos com militares em sede do Bope, no Rio Foto: Divulgação

Bolsonaro posa para fotos com os PMs da Tropa de Elite

Bernardo Mello
O Globo

O candidato à Presidência Jair Bolsonaro ( PSL ) saiu de casa na manhã desta segunda-feira para visitar a sede do Batalhão de Operações Especiais ( Bope ) da Polícia Militar, na Zona Sul do Rio. Bolsonaro deixou sua residência por volta das 10h30, e chegou ao Bope pouco depois das 11h, sem conversar com jornalistas na entrada, tampouco detalhar os motivos de sua visita.

Em discurso na sede, Bolsonaro agradeceu o apoio, elencou o feito do PSL na eleição legislativa e ressaltou que a classe militar “terá um dos nossos” em Brasília, caso seja eleito.

AGRADECIMENTO – “Temos a segunda bancada em Brasília, sem televisão, sem fundo partidário, sem nada. Então nós temos que tentar mudar, fazer a coisa certa. Eu acho que isso é possível, afinal de contas não temos outro caminho. Meu muito obrigado a todos vocês, pela confiança por parte de muitos. Podem ter certeza, chegando (à Presidência), teremos um dos nossos lá em Brasília. Caveira! – afirmou o presidenciável, que fechou a fala com o tradicional grito do batalhão.

Em seguida, o militar brincou que, embora batesse continência para o coronel na sede, “quem vai mandar no Brasil serão os capitães”. O candidato ainda posou para fotos ao lado de militares.

EM CASA – Desde que voltou ao Rio após sofrer um ataque em Juiz de Fora, no início de setembro, Bolsonaro tem passado a maior parte do tempo em sua residência. A maioria das saídas aconteceu para gravar programas eleitorais, na casa do empresário Paulo Marinho, na Zona Sul do Rio.

O candidato do PSL tem feito pronunciamentos diariamente através de transmissões ao vivo em seu Facebook. Bolsonaro tem alegado questões de saúde e necessidade de repouso para adiar sua participação em debates com Fernando Haddad (PT).

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG A visita de Bolsonaro ao Bope é um golpe de mestre em matéria de marketing eleitoral. Para quem está cansado da criminalidade, da violência e da insegurança, a visita do candidato do PSL ao quartel-geral da corporação tem enorme significado e Bolsonaro demonstra um incomum senso de oportunidade. (C.N)

Moraes, do Supremo, manda prender o senador Acir Gurgacz (PDT-RO)

Resultado de imagem para acir gurgacz

Para escapar da prisão Gurgacz fingia estar doente

Deu no Correio Braziliense

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes determinou na noite deste domingo (14/10) a transferência imediata do senador Acir Gurgacz (PDT-RO) para Brasília para dar início ao cumprimento da pena. O parlamentar foi condenado a 4 anos e 6 meses de prisão por crimes contra o sistema financeiro, após ser considerado culpado de fraudar um empréstimo obtido para empresa de turismo da família.

Internado desde a última quarta-feira (10/10), devido a uma crise de labirintite e transtorno de ansiedade generalizada, Gurgacz recebeu o mandado de prisão ontem, no Hospital São Lucas,  em Cascavel, no Paraná. Na decisão, o ministro afirmou que “inexiste notícia de que a imediata remoção para seu início (do cumprimento da pena) poderá acarretar imediato risco de vida e à saúde física ou psíquica do condenado”.

SEMI-ABERTO – O ministro argurmenta que a “terapia medicamentosa” poderá prosseguir durante a execução da pena — inicialmente em regime semiaberto. O despacho foi proferido após um pedido da defesa do senador pela suspensão da ordem de remoção.

De acordo com a denúncia, o senador teria feito um financiamento com o Banco da Amazônia de R$ 1,5 milhão para renovar a frota de ônibus da Eucatur, empresa de transporte da família de Gurgacz, e se apropriado de R$ 525 mil. E com o restante do dinheiro, comprado ônibus velhos, apresentando contas com notas fiscais falsas.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGO ilustre senador, que é um tremendo estelionatário, estava usando a técnica de José Genoino, Paulo Maluf e Jorge Picciani para fugir da prisão. Mas o ministro Alexandre de Moraes não entrou na armação medicamentosa e determinou a remoção imediata do paciente, que terá de dormir na Penitenciária da Papuda. (C.N.)

No dia 28, vamos conferir se Minas ainda é o espelho da política brasileira

Resultado de imagem para afonso arinos

Afonso Arinos conseguiu definir Minas Gerais

Merval Pereira
O Globo

O resultado da eleição presidencial em Minas Gerais continua sendo o espelho do resultado final da eleição do Brasil. Desta vez não foi diferente. Bolsonaro teve 48,31% em Minas e 46% no país. Haddad teve 27,65% em Minas e 29% no país. O presidente do Ibope, Carlos Augusto Montenegro identificou essa coincidência depois de muitos anos de pesquisa, assim como José Perigault, um dos fundadores do Ibope, descobriu certa vez que o Méier era a representação do Rio de Janeiro.

Hoje creio que já não seja, devido ao deslocamento geográfico da população do Rio por questões de segurança e alteração de padrão de vida, entre outras.

DIVERSAS REGIÕES – Minas continua espelhando o Brasil porque contém em seu território representação das diversas regiões, que já havia sido detectada por um mineiro ilustre, Afonso Arinos de Mello Franco, que explicou em linguagem poética o que os números frios das urnas definem:

“As suas terras tocam os climas do norte. Participa dos climas úmidos e florescentes da orla litorânea. A oeste, da civilização do couro. Ao sul, confina com a riqueza paulista. Daí a sua posição histórica, que é um imperativo geográfico, econômico, étnico”.

Isso porque Minas tem sua parte Nordeste na região do Vale do Jequitinhonha, e por isso faz parte da Sudene; ao mesmo tempo, é a segunda economia do país (disputando com o Rio), tem uma região fortemente industrializada, grande influência paulista na divisa com São Paulo; Juiz de Fora é muito ligada ao Rio de Janeiro; e o Estado tem no agronegócio uma parte influente de sua economia.

COMPARAÇÕES – Em alguns casos, o resultado local foi praticamente igual ao nacional. E quando isso não acontece, é certo que a tendência fica definida nas urnas mineiras: em 2006 Lula teve 50,80% (48,6% no país), contra 40,6% (41,6% no país) de Alckmin. Em 1989, Collor teve 36,1% em Minas (30,5% no país) contra 23,1% (17,2%) de Lula.

Em 2014, o mineiro Aécio Neves, achando que a eleição estava ganha no Estado que governara nos últimos anos, não deu prioridade à campanha por lá e acabou perdendo para Dilma, uma mineira extraviada cuja mineiridade era colocada em dúvida pelos mineiros, tanto que na eleição de agora ficou em quinto lugar na disputa pelo Senado, enterrando a lenda de que o impeachment foi um golpe.

Dilma teve no país 41,59% no primeiro turno e 43,48% em Minas, enquanto Aécio teve 39,75% em Minas e 33,45% no país.

BOLSONARO – As primeiras pesquisas divulgadas no segundo turno mostram um crescimento de Bolsonaro, na mesma direção do candidato que o apóia ao governo de Minas, Romeu Zema, do Novo. Segundo o Instituto Paraná, Bolsonaro está com 69,6% dos votos em Minas, no mesmo patamar de Zema, que estaria com 73% dos votos. Amanhã o Ibope divulga sua primeira pesquisa de intenção de votos no segundo turno. A pesquisa do DataFolha, divulgada na quarta-feira, deu 58% para Bolsonaro e 42% para Haddad.

INTELECTUAL STALINISTA – O editor José Mario Pereira, da Top Books, lendo a coluna de ontem, onde relembrei o estranho elogio ao intelectual Stalin feito por Fernando Haddad quando era ministro da Educação, lembrou-se de Molotov, outro intelectual soviético stalinista.

Molotov foi ministro das Relações Exteriores da União Soviética, responsável pelo acordo de não agressão com a Alemanha nazista conhecido por Tratado Molotov-Ribbentrop, e dá nome ao coquetel molotov, bomba caseira assim chamada até hoje, utilizada por guerrilheiros.

A frase famosa do então ministro da Educação Fernando Haddad, confrontado sobre a adoção pelo MEC de um livro que considerava os erros de português aceitáveis, por se tratar da linguagem espontânea do brasileiro, e insinuando que os que reclamavam eram nazistas, disse que havia uma diferença entre Hitler e Stalin. “Ambos fuzilavam os seus inimigos, mas Stalin lia os livros antes de fuzilá-los”.

DEVER DE OFÍCIO – José Mario concorda que Stalin era um bom leitor, estudou em seminário e lia Homero em grego. Mas ressalta que quem lia mesmo todos os livros de poetas e escritores que foram mandados para a Sibéria, ou foram mortos, era o Molotov. Talvez por dever de ofício.

“Encontraram na casa dele muitas obras de autores perseguidos pelo regime, lidos e anotados. Em seguida, fazia um relatório e a partir daí estava selada a sorte dos escritores e poetas da época”. As informações estão no livro “A lanterna mágica de Molotov”, de Rachel Polonsky.

CORREÇÃO – Errei na coluna de ontem ao afirmar que o dono do bar em que ocorreu o assassinato do mestre de capoeira Moa do Katendê confirmou a versão do assassino, de que a discussão que resultou no crime não foi de cunho político. Peço desculpas aos leitores.

Pesquisa mostra Bolsonaro em alta e revela rejeição recorde a Haddad

53% dizem que não votam em Haddad de jeito nenhum

Deu no Diário do Poder

Pesquisa realizada no sábado (13) e domingo (14) em todo o País pelo instituto FSB, contratada pelo Banco BTG Pactual, confirma o favoritismo de Jair Bolsonaro (PSL) na disputa pela presidência da República, com 51% das intenções de voto na modalidade estimulada, representando 59% dos votos válidos, contra 35% para Fernando Haddad (41% dos votos válidos).

O levantamento revela uma mudança substantiva do eleitor: chega a 53% a rejeição ao candidato do PT, indicada pelos entrevistados afirmando que não votariam nele “de jeito nenhum”. Nesse quesito, Bolsonaro tem rejeição bem inferior: 38%.

Foram entrevistados dois mil eleitores por telefone em todo o País, com margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%, segundo o instituto FSB Pesquisa. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral(TSE) sob nº BR-07950/2018.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Nada de novo no front ocidental, diria o escritor Erich Maria Remarque. Bolsonaro emagreceu 15 quilos e precisa fazer um terno novo para tomar posse. A eleição está decidida desde que Bolsonaro foi esfaqueado. Mas quem morreu politicamente foi Lula, por septicemia eleitoral, vitimado pelas bactérias da ficha suja. (C.N.) 

Gestão Haddad pagou R$ 245 milhões em contratos sob suspeita na Lava Jato

Imagem relacionada

Haddad só contratava empreiteiras aliadas ao PT 

Fabio Leite
Estadão

O candidato do PT à Presidência da República, Fernando Haddad,  pagou durante sua gestão como prefeito de São Paulo R$ 245 milhões a empreiteiras envolvidas na Lava Jato por obras incluídas nos mesmos contratos do túnel que, agora, ele diz ter suspendido por “indícios de superfaturamento” há cinco anos. Os negócios também são investigados por suspeita de cartel, admitido no ano passado pela Odebrecht ao Ministério Público paulista.

Dados da Prefeitura obtidos pelo Estado mostram que os valores foram repassados pela gestão petista (2013-2016) para os quatro consórcios encarregados de executar o prolongamento da Avenida Roberto Marinho, na zona sul da capital. Os lotes são liderados pelas empresas OAS, Odebrecht, Andrade Gutierrez e Queiroz Galvão.

KASSAB CONTRATOU – Os contratos foram assinados em 2011 pelo ex-prefeito e atual ministro de Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, Gilberto Kassab (PSD), com valor original de R$ 1,98 bilhão. A construção do túnel de 2,4 km até a Rodovia dos Imigrantes está distribuída nos quatro lotes, junto com outras obras viárias, quatro mil moradias populares e trechos de um parque linear. Até deixar a Prefeitura, em dezembro de 2012, Kassab já havia pago R$ 105 milhões às empreiteiras. O túnel, porém, ainda estava na fase de instalação do canteiro de obra.

Em fevereiro de 2013, segundo mês de mandato, Haddad decidiu suspender a execução do túnel e manter as demais obras previstas nos mesmos contratos. À época, alegou falta de recursos e inversão de prioridade em uma nota pública de esclarecimento. Não mencionou nenhuma suspeita de irregularidade na obra suspensa e disse que pretendia retomar o projeto. Naquele momento, a Lava Jato ainda não havia sido deflagrada.

PRIORIDADE – “Ao invés do túnel, vamos priorizar todas essas obras e quando vendermos mais Cepacs (Certificados de Potencial Adicional de Construção), sobretudo na região do Jabaquara, você pode retomar a ideia de fazer o túnel, que já está licitado e licenciado. Não está havendo um cancelamento, apenas uma inversão de prioridade”, disse Haddad na ocasião.

De fato, o túnel nunca saiu do papel, mas as demais obras previstas nos mesmos contratos foram tocadas adiante pela gestão do petista – depois pela administração João Doria e agora pela gestão Bruno Covas, ambos do PSDB. Entre as obras concluídas estão o viaduto da Avenida Lino Moraes Leme, entregue em março deste ano, e 430 habitações de interesse social.

A maior parte das obras foi executada pelo consórcio liderado pela OAS, que recebeu R$ 221,9 milhões nos quatro anos da gestão Haddad. Odebrecht e Andrade Gutierrez, que têm a maioria dos seus contratos vinculados ao túnel suspenso, receberam R$ 5 milhões e R$ 5,4 milhões, respectivamente. Já o consórcio da Queiroz Galvão recebeu R$ 12,4 milhões.

NOVA VERSÃO – Foi somente após as acusações de caixa dois para a campanha de 2012 feitas por delatores da Odebrecht e da UTC – parceiras no contrato do túnel da Roberto Marinho – que o presidenciável petista mudou publicamente o discurso sobre a obra. Primeiro, em sua defesa, começou a dizer que estava sofrendo “retaliações” dos executivos porque “contrariou os principais interesses das empresas” ao suspender a construção do túnel.

Depois, já durante a campanha ao Palácio do Planalto e após ser alvo de duas ações (civil e eleitoral) e uma denúncia criminal pelo suposto recebimento de R$ 2,6 milhões de caixa 2 da UTC, Haddad passou a afirmar que suspendeu a obra do túnel por “indícios de superfaturamento” que teriam sido repassados a ele por um secretário. Apesar da afirmação, o petista não solicitou nenhuma investigação ao Ministério Público nem à Controladoria-Geral do Município (CGM), criada por ele em 2013 para combater corrupção na Prefeitura.

SUPERFATURAMENTO – “A Odebrecht e a UTC tiveram o túnel da Roberto Marinho suspenso no meu segundo mês de mandato. Eu tinha exatos 44 dias à frente da Prefeitura de São Paulo quando suspendi uma obra por indícios de superfaturamento. Essas duas empresas resolveram me retaliar e, sem apresentar nenhuma prova, foram ao Ministério Público denunciar o que seria um pagamento de despesas de campanha que não provaram até agora”, afirmou o petista ao ser entrevistado no Jornal Nacional, da TV Globo, no dia 14 de setembro.

No fim do ano passado, a Odebrecht assinou o primeiro de uma série de acordos de colaboração com o Ministério Público de São Paulo no qual afirmou que todos os contratos de obras do chamado Sistema Viário Metropolitano, incluindo os lotes do túnel da Roberto Marinho, foram alvo de cartel das empreiteiras, que combinaram os preços previamente.

PAULO PRETO – Segundo a Promotoria, o esquema foi coordenado pelo engenheiro Paulo Vieira de Souza, ex-diretor da Dersa (2007-2010), e também teve participação do ex-secretário municipal de Infraestrutura e braço direito de Kassab no ministério, Elton Santa Fé Zacarias.

Ambos teriam cobrado 5% de propina sobre o valor dos contratos. Assim como Kassab, eles são alvo de ação de improbidade por enriquecimento ilícito, mas negam as acusações.

Olavo faz incitação à violência; convoco meus concidadãos a repudiá-lo

Resultado de imagem para olavo de carvalho com artistas

Carvalho é o porta-voz do radicalismo

Caetano Veloso
Folha

Olavo de Carvalho sugere em texto que, caso Bolsonaro se eleja, imediatamente à sua posse seus opositores sejam não apenas derrotados mas totalmente destruídos enquanto grupos, organizações e até indivíduos. Ele diz que os que consideram Bolsonaro uma ameaça à democracia não estão lutando para vencer uma eleição e sim “pela sobrevivência política, social e até física”. Isso é anúncio de autoritarismo matador.

Bolsonaro já disse que a ditadura matou pouco, já apareceu usando tripé de câmera como fuzil a metralhar petistas, já louvou o torturador e assassino coronel Brilhante Ustra. Quando atacado a faca por um maníaco, todos os outros concorrentes à presidência condenaram veementemente o atentado e seu autor; quando um eleitor seu matou um artista baiano que declarara voto no PT, Bolsonaro disse que não tinha nada a ver com isso.

Escalada da violência – Esse texto de Olavo anuncia uma escalada de ações violentas e conclama seus seguidores a perpetrá-las tão logo Bolsonaro chegue (se ele chegar) ao Alvorada.

É evidente que todo cidadão brasileiro que mereça esse nome –seja ele Fernando Henrique Cardoso, Roberto Carlos, Roberto Schwartz, Suzana Vieira, Chico Buarque, Luiz Tenório de Oliveira Lima, Letícia Sabatela, Fernando Haddad, Zezé de Camargo, Miriam Leitão ou ACM Neto– deve agir contra a possibilidade de eleição de Bolsonaro. A não ser que este desautorize publicamente o texto de Olavo. Único modo, aliás, de dar credibilidade a suas tentativas de amenizar o sentido de seus antigos brados.

FAKE NEWS – Olavo, o sub-Heidegger do nosso sub-Hitler (ou sub-Spengler do nosso sub-Goebels), diz que petistas, artistas, mídia, professores, jornalistas e intelectuais apelam a recursos ilícitos e imorais para obter vitória. No entanto, acabo de ler um texto em letras grandes, produzido pelos correligionários do capitão, que diz: “O PT QUEBRA IMAGENS, ESFREGA O CRUCIFIXO NOS ÓRGÃOS GENITAIS, URINAM (sic) NA BÍBLIA E AGORA QUER APOIO CATÓLICO“.

Deve ser a milionésima fake news expedida pela campanha bolsonarista. Olavo é figura histórica da antiesquerda. Catequizou gerações de jovens brasileiros a um anticomunismo delirante e ressentido.

ISLAMISMO – Faz décadas uma jovem conhecida minha tinha se convertido ao islamismo através dos ensinamentos de Olavo, seu carismático professor. A força dos parágrafos de Fritjof Schuon, autor que li fascinado, devem ter chegado com beleza aos ouvidos da moça, através das explanações brilhantes de Olavo. Mas desconfio de que o que o animava não era a beleza do Islã, sua tradição, sua riqueza espiritual. O que o entusiasmava eram as teocracias tardias que o desfiguram.

Olavo hoje posa nos EUA segurando arma pesada. Quão útil será sua cruzada para a indústria armamentista? É-se inocente útil mesmo quando se torna paranoicamente suspicaz. Para ele, o que há na aventura da modernidade é necessariamente o mal.

AO SEU LADO – Intelectual erudito e mente insana, nem sabe que eu só sei de um caso de artista que masturbava-se com um crucifixo (ele o declarou em entrevista na TV) –e era justamente um que hoje aparece ao seu lado.

Eu nunca fui petista. Nunca fui comunista. Odeio ter ouvido de Dirceu que o caso não é de ganhar eleição mas de tomar o poder. Meu pai me ensinou a ser anti-stalinista e, vendo a discrepância entre a vida real dos trabalhadores e os planos das “vanguardas” políticas, aprendi a ser anti-leninista (diante das filas para ver a múmia de Lenin em Moscou, reafirmou-se meu desprezo: detesto o mais ínfimo resquício de culto à personalidade que ronda Lula). Mas farei o que me for possível para vencer o crescimento da desigualdade e, acima de tudo, defenderei os direitos da pessoa humana.

Considero o texto de Olavo incitação à violência. Convoco meus concidadãos a repudiá-lo. Ou vamos fingir que o candidato dele já venceu a eleição e, por isso, pode mandar matar quem não votou nele? Respeitarei como presidente quem quer que se eleja. Mas exijo dele que exiba compromisso com os direitos da pessoa humana e, como os outros cidadãos, rejeite o que foi sugerido por Olavo de Carvalho.

Veja por que Jair Bolsonaro não deve comparecer aos debates com Haddad

Resultado de imagem para haddad X bolsonaro

Ilustração reproduzida do Youtube

José Carlos Werneck

Qualquer debate, ou qualquer competição, só é válido e justo quando os participantes estão nas mesmas condições de que seu adversário ou concorrente. É por essa razão que, em todo debate existem regras pré-estabelecidas, que devem ser rigorosamente obedecidas pelos que comparecem ao evento.

Por isso os candidatos dispõe de igual tempo para perguntas e respostas. Para a réplica e tréplica. Para o direito de resposta. Etc. e etc. Tudo igualzinho que para todos os debatedores possam expor, em iguais condições, suas ideias e propostas.

SEM VANTAGEM – São regras que devem ser obedecidas e observadas devidamente, para que nenhum candidato leve vantagem sobre o outro. E é muito bom que seja assim.

Portanto, o candidato Jair Bolsonaro só deveria comparecer aos debates, se seu oponente, o ex-prefeito de São Paulo e professor Fernando Haddad, tivesse levado uma facada igualzinha a que ele levou. E consequentemente estivesse nas mesmíssimas condições de saúde do que seu adversário. Com bolsa de colostomia e tudo o mais que Bolsonaro é obrigado a portar, por força da tentativa de homicídio que sofreu na cidade mineira de Juiz de Fora, em 6 de setembro.

SEM SOLIDARIEDADE – Assim, da forma como Haddad pretende que sejam agora realizados os debates, com Bolsonaro ainda em recuperação, o evento vira “gopi”, como dizem os correligionários políticos do ilustre professor Fernando Haddad. Num arroubo de arrogância e total ausência de solidariedade humana, que não deveriam faltar num intelectual respeitável, Haddad afirmou, na tentativa de humilhar seu oponente, que estava disposto a debater com ele na enfermaria.

Esse tipo de declaração é algo realmente lamentável e constrangedor.