UMA CRISE ANUNCIADA E PREVISÍVEL (do começo ao fim)

Haja o que houver
1. Sarney não continuará na presidência do Senado. Pode demorar um pouco mais, um pouco menos, mas o presidente do Senado não será mais do Maranhão.

Haja o que houver
2. O encontro Lula-Sarney (ontem à noite) pode decidir a forma da saída de Sarney. Mas não tem uma chance em um milhão de operar o “milagre” de manter Sarney no cargo.

Haja o que houver
3. Lula está completamente por fora de tudo. No Recife, antes de telefonar para a senadora Ideli Salvatti,o presidente da República confidenciou: “Se eu não conseguir manter um amigo como o Sarney num cargo como esse, será um desastre”. Será.

Haja o que houver
4. O PSDB não ganhará a presidência do Senado, a não ser que vença a eleição para a substituição de Sarney. Vitória que é praticamente impossível.

Haja o que houver
5. O PMDB pretende manter a presidência. Acontece que o partido está completamente dividido, os que são contra Lula não aceitam um nome que seja a favor, e vice-versa.

Haja o que houver
6. Nada surpreendente: o único nome que une o PMDB é Romero Jucá. E além disso, se elege com facilidade. Foi líder de FHC, o PSDB vota nele. Líder de Lula, o PT-PT, mesmo irritado (o PT-PT está sempre irritado), dará o voto a Jucá.

Haja o que houver
7. Sarney saindo (sairá), outro grande derrotado será Renan Calheiros. Obteve uma recuperação impressionante, mas foi afoito e inconsequente, jogou tudo fora na tramitação da CPI da Petrobras.

Haja o que houver
8. A arrogância do senador de Alagoas foi tão grande quanto o seu caminho de volta. Mostrou habilidade para voltar e não para ficar. Renan apostou tudo em Sarney e achou que assim se capitalizava de forma irreversível. Errou na análise, de forma autodestruidora.

Haja o que houver
9. Em Langley, na Virginia, na sede principal da CIA, há um cartaz grande com a inscrição-síntese-definição: “Operador de campo é operador de campo, o resto é burocracia”. Ah! Renan, a Virginia não é tão longe assim.

Haja o que houver
10. Tião Viana já se julgava presidente do Senado se lançou com um discurso sem palavras, só com apartes. Lula não gostou, e Lula não gostando é morte certa. Desgaste ainda maior, sendo o único do PT-PT que não foi à reunião com Sarney.

Haja o que houver
11. Ficou mais do que evidente o desagrado do planalto-Alvorada com o senador Mercadante. Eleito espetacularmente, esperava se Ministro da fazenda ou do Desenvolvimento. Há 6 anos e meio espera, ninguém o chama. Por quê?

Haja o que houver
12. A crise do Senado não é da democracia, mas tem a ver com ela. Com essa forma de representatividade e de escolha, não existe democracia. Só crise, que irá se agravar com o VOTO DE LISTA e a possível prorrogação de mandatos.

Haja o que houver
13. Estão fazendo tremenda confusão entre licença e renúncia. Sarney admite RENUNCIAR à presidência do Senado e se LICENCIAR do mandato. O inverso de maneira alguma. E já deixou bem claro que não demora a tomar uma posição.

Haja o que houver
14. Com isso, Sarney tem dito que fortalece seu partido, o PMDB. E deixa em boa posição o aliado PT-PT. Porque se aceitasse se LICENCIAR da presidência, daria ganho de causa ao PSDB, o vice assumiria e ficaria. E esse vice é do PSDB.

Haja o que houver
15. Renunciando, terá que haver eleição imediatamente. Sarney é bastante esperto para saber que nesse caso “a confusão será geral”. (Como é acadêmico, cita Machado de Assis).

Haja o que houver
16. O ainda presidente tem certeza de uma coisa: ninguém vai conseguir se eleger. 25 por cento são suplentes. 15 por cento representam o grupo chamado de “moralista” e portanto não se elege para coisa alguma.

Haja o que houver
17. Sobram então 60 por cento do total, que se divide em 4 ou 5 grupos, e ficarão brigando ferozmente por uma presidência que não vale mais nada.

18. Nessa encruzilhada (e isso não tem nada a ver com Sarney), podem se estarrecer à vontade: mas o favorito é Renan Calheiros. Textual de senadores para o repórter “O próprio Lula apoiará o senador de Alagoas, em nome do fortalecimento da base”. Ha! Ha! Ha!

* * *
PS- Por que Sarney quer RENUNCIAR à presidência e se LICENCIAR do mandato? Elementar. Vai viajar 1 ou 2 anos, poderá voltar para a sucessão de 2010. E não se descarta o que já revelei aqui: aceitaria ser embaixador. A preferência é a França, mas não é exclusividade.

PS2- Também admite ser presidente da Academia, é acadêmico há muitos anos, nunca foi presidente. Já falou sobre isso com o amigo acadêmico, Marcos Vilaça. E ao repórter, há muitos anos, revelou: “Posso presidir a Academia sem morar no Rio, Rui Barbosa fez isso”.

* * *
(Haja o que houver, cumprem o que está no título
destas notas ou não haverá Senado.
Hoje, existe?)

Correção monetária e juros, dose para elefante

Pedro do Coutto

Muito bom, muito lógico, com o alto nível de sempre, o artigo que o economista Paulo Rabello de Castro publicou na edição de primeiro de julho do Jornal do Brasil sobre a passagem dos quinze anos do Plano Real. Lançado em julho de 94 pelo presidente Itamar Franco, seu verdadeiro autor, a medida salvou a economia brasileira, já que o IBGE havia registrado uma inflação estratosférica de 2773% no exercício de 1993. Sem dúvida produziu, com produz, a estabilidade monetária que está atravessando o tempo.

Basta recordar, para que se tenha idéia do ritmo inflacionário, que em fevereiro de 90, final do governo José Sarney, a taxa atingiu 84%. Rabello de Castro, inclusive, acerta também quando sustenta que, apesar do êxito, o Plano Real é um projeto ainda incompleto. Perfeito. As indexações automáticas que envolvem quase todos os contratos, exceto os do trabalho, prejudicam o avanço do Produto Interno Bruto na escala que o país exige.

Não se pode esquecer que a população brasileira cresce à velocidade de 1,2% ao ano. A cada doze meses surgem mais 2 milhões de pessoas em nosso país. Os serviços públicos deveriam acompanhar tal crescimento. Mas não acontece. Faltam recursos. A corrupção é um fator extremamente negativo. É um crime continuado com muitas vítimas.

Além disso, acrescento, o Brasil é o único país no mundo a somar os juros cobrados pelos bancos e pelo comércio à correção monetária. Em muitos casos, cobras-se até correção monetária sobre os juros. É demais. Dose para elefante. Impraticável em termos de distribuição de renda e sobretudo em matéria de justiça social. Para citar o exemplo dos EUA, responsáveis por um terço do Produto Mundial que flutua na escala de 45 trilhões de dólares anuais, a reposição inflacionária está embutida na taxa de juros. Lá os juros reais, resultado do valor cobrado menos a inflação verificada no período, são baixos. No Brasil, são altíssimos.

O índice inflacionário que o IBGE assinala para os últimos doze meses é de praticamente 6%. Os bancos e o comércio cobram 6% ao mês. No caso dos cheques especiais muito mais. Os extratos que recebo revelam o quanto pagaria se recorresse ao limite a mim liberado além do meu saldo normal. A taxa do Itaú é de 6,2% ao mês. A do Bradesco 8,2. Oito por cento ao mês representam em torno de 150% ao ano. Mais de 40 vezes a inflação oficial. O Banco Central, inclusive, periodicamente, fornece informações sobre as diversas taxas de juros. Fornece informações, mas nada faz para contê-las. São um despropósito. O próprio Paulo Rabello de Castro há se reconhecer isso.

Ele é sócio fundador da agência de avaliação de risco SR Rating. Estima o risco de investimentos, de empresas, talvez de países. Portanto deve avaliar também o risco dos assalariados. Altíssimo. Principalmente porque sem emprego e salário, nada se consegue fazer. Nenhum país pode evoluir. O consumo é o início e o fim de toda circulação econômica. Se não houver nível de consumo, de que adiantam os investimentos? Nada. Vai se fabricar e produzir para quê? Para estocar? Para especular?

Para especular pode ser, tratando-se de bens não perecíveis, mas especulação tem limites. Não pode se estender nunca por muito tempo. O caráter básico da especulação é o episódico. Não o duradouro. Isso é inegável. Para que o Plano Real se complete é preciso que os juros sejam contidos no patamar lógico. A correção vá lá. Mas não correção em cima de juros.

O risco das explosões inusitadas

Carlos Chagas

A crise no Senado, ainda inconclusa, ofuscou grave  episódio acontecido no período e que deixa boa parte de observadores e até  de  líderes partidários de cabelo em pé.  Ou, se quiserem, de pé atrás.

Tratou-se da explosão da ministra Dilma Rousseff numa reunião com empresários,  técnicos do ministério da Integração Nacional e  até o  governador de Pernambuco.  Fosse um entrevero daqueles tão comuns verificados à sombra de qualquer  governo e ainda se compreenderia, dado o conhecido temperamento da personagem. Mas ela   é mais do que a  chefe da Casa Civil. É a candidata sagrada e consagrada pelo presidente Lula para concorrer à sua sucessão.

Pelo que se apurou,  Dilma Rousseff exasperou-se diante do secretário-executivo do ministério, Luís Antônio Eira. Aos gritos, com grosseria, irritada pelo novo cronograma da ferrovia do Nordeste, que não será mais concluída em 2010,  disse que só por cima de seu cadáver haverá desembolso do Fundo de Desenvolvimento gerido no palácio do Planalto.

Dona Dilma pode até estar certa na decisão, mas perdeu a tempera e perdeu-se na reação. Imagine-se como se comportará no exercício da presidência da República diante  de mil e um episódios similares ou  muito mais graves. A sede do governo seria transformada num convento  de freiras da Idade Média,  onde a Madre Superiora detinha o poder absoluto sobre o bem e o mal? Num reformatório para jovens transviados? Ou numa penitenciária onde se entra para a submissão completa diante do diretor?

Há muito eram conhecidas as virulências verbais da então ministra das Minas e Energia e, depois,  chefe da Casa Civil. Muita gente, na planície aqui em baixo, até aplaude esse tipo de comportamento.  O diabo está no risco de a moda ser praticada pela expressão maior da governabilidade nacional. Será no mínimo  singular exemplo para a nação que lhe caberá conduzir. Porque o secretário-executivo do ministério da Integração Nacional demitiu-se, agastado e espantado com a agressão. Mas o povo brasileiro não poderá fazer o mesmo.

Ele viaja, a crise fica

O presidente Lula chegou da Líbia na noite de quarta-feira.   Hoje,  viaja de novo, agora para Paris. Nas duas oportunidades, como nas outras anteriores, nos últimos sete anos e meio, teve motivos para ausentar-se: uma reunião com os governantes dos países da África, o recebimento de um prêmio internacional da Unesco.

No tempo das viagens  de José Sarney ao exterior, quando  na presidência da República, o então senador   Fernando Henrique saiu-se com proverbial diagnóstico, ao ser   perguntado sobre a crise daqueles idos: “a crise viajou…”

Agora é o contrário, singularmente também envolvendo José Sarney, porque o presidente da República viaja e deixa a crise para trás. Talvez por isso o Lula se ausente tanto…

Ou saem todos ou nenhum

Precisa ser pautada ao menos  pela lógica essa  lambança que envolve o Senado.  Porque se foi e continua sendo exigida a licença ou a renúncia de José Sarney da presidência da casa, não dá entender como ele sairia e os demais membros da mesa permaneceriam. Não se chega ao exagero do presidente Lula, para quem a ascensão do primeiro vice-presidente,  Marconi Perilo, equivaleria a uma vitória no tapetão. A sucessão dos titulares pelos reservas é universalmente aceita, como no caso de  Trumann haver ocupado a Casa Branca depois da morte de  Roosevelt, ou do próprio Sarney ter assumido  o palácio do Planalto no lugar de Tancredo.

Mesmo assim, na crise do Senado, não há como imagina que  se o atual presidente   deixasse   o cargo por conta de acusações de atos  praticados na casa  ao longo dos últimos anos, seu gesto não fosse  obrigatoriamente  seguido pelos demais membros da mesa.  Não apenas Marconi Perilo, mas até o Mão Santa, passando por Heráclito Fortes e os demais não poderiam ficar.  Ou estariam bancando o Tiradentes com o pescoço do Sarney.

Endoidou

Conseguiu a colunista Eliane Cantanhede ouvir o ex-ministro Mangabeira Unger em Nova York, para onde se mandou depois de haver pedido demissão do ministério do Planejamento Estratégico.

Ou o homem endoidou ou falaram línguas conflitantes. Porque na carta em que se exonerou,  dirigida ao presidente Lula, Mangabeira alegou como motivo  a necessidade de sustentar o estudo dos filhos, viabilizado apenas por sua continuação como professor na universidade de Harvard, que lhe negou extensão da licença.

Pois agora o histriônico filósofo declara-se disposto a retornar ao Brasil para candidatar-se à presidência da República, disputando o lugar com a ministra Dilma Rousseff.

Como cidadão americano e brasileiro Mangabeira Unger conseguiu iludir o dr. Ulysses Guimarães, Leonel Brizola, Ciro Gomes e, por fim, Luiz Inácio da Silva. Em seqüência, entusiasmou todos eles com seus diagnósticos sobre a realidade nacional, ainda que em seguida os tenha desiludido. Agora, pensa em fazer o mesmo com o eleitorado. Respeitosamente, deveria ser  conduzido a um hospital psiquiátrico, caso desembarcasse no Brasil.

Direto da Flip: Dom João e as estrelas

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O príncipe Dom João de Orleans e Bragança e o jornalista e escritor Gay Talese, durante o tradicional almoço oferecido pelo príncipe às estrelas do Flip em sua centenária casa de Paraty, uma das mais bonitas da cidade.

Talese foi um dos criadores do New Journalism, nos anos 60/ 70, junto com Tom Wolfe,  Truman Capote e Norman Mailer. Presentes também, entre outros, o biólogo neoevolucionista Richard Dawkins e o historiador Simon Schama. (Exclusiva)
(Foto de Ana Carolina Fernandes)

Wimbledon: “surprise”, as irmãs Williams na final

Há muito isso não acontecia: as 4 primeiras do ranking, duas russas e duas americanas, chegaram às semifinais. As duas americanas venceram, nenhuma surpresa. A forma como ganharam é que merece registro.

Serena levou 3 horas e 3 sets para vencer a Mendieva. Venus ganhou de Safina (a número 1) por 6/1 e 6/0, em menos de uma hora. Depois de amanhã, mais essa luta entre as irmãs. Venus é mais técnica, Serena mais guerreira.

No passado, o melhor futuro

Laura Amadeu dos Santos:
Fazemos parte de um grupo que discute tudo, aqui em Campinas. Lemos vários jornais de SP e de fora de SP, e consultamos também a internet. Nossa base era a tribuna impressa, enquanto esperamos que volte, acompanhamos  seu blog, excelente.

Somos mais de 200, nos reunimos todos os dias, nem todos, mas pelo menos 30 ou 40, o número, homens e mulheres, aumenta muito no fim de semana.

A pergunta que gostaríamos de ver respondida hoje: a crise do Senado tem solução? E pode contaminar os outros Poderes e atingir o país inteiro?

Comentário de Helio Fernandes:
Obrigado pela consulta-confiança, o Brasil inteiro quer saber a mesma coisa.  Se não houver uma decisão para tanto escândalo, é evidente que a contaminação para os outros Poderes será infalível.

Mas é evidente que existe solução. Só que como é a mais grave de todos os tempos, o que é preciso é uma DECISÃO RADICAL. É obrigatória a transformação desse Senado ATENIENSE em ESPARTANO.

Basta igualar o Senado que funcionava no Rio e acabar com essa monstruosidade que se transferiu para Brasília. O que eu chamo de Senado ESPARTANO é reconquistar o número de funcionários proporcionalmente  ao que existia no Rio.

As instalações têm de ser funcionais e não majestáticas como essas Brasília. Esses anexos DEVEM SER DERRUBADOS ou então aproveitados, mas não para mordomias de Brasília. À primeira vista parece difícil, mas não é.

Durante 14 anos, de 1946 (Constituinte) até 1960 (mudança da capital), frequentei diariamente Câmara e Senado. O CONFORTO exibido hoje, sem precedentes. Naquela época, o Congresso funcionava com total competência, de forma quase frugal, mas de manhã à noite sem essa exibição de “luxo e prazer”.

Se voltar ao passado é um avanço e uma lembrança de tempos de prestígio popular. Meia sola não resolve nada, é preciso sola inteira. “Não basta conhecer o problema, é preciso resolvê-lo”.

Os amestrados que falavam em recuperação, calados

Por definição, são amestrados, servos, submissos e subservientes. Bastou a Bovespa subir um pouquinho para dizerem, “estamos em total recuperação”. Desmenti logo, e os números de hoje confirmam.

São 12 horas quando diariamente faço a primeira postagem sobre o “mercado financeiro”. Com duas horas de jogatina, nenhuma alteração desde a abertura. Começou com menos 1,50% em 50.760 pontos, está em 50.890 queda de 1,30%. Volume de 1 bilhão e 100 milhões, não vai passar de 5 bilhões, como tenho registrado.

O dólar abriu em 1,95 mais 1,02%, está exatamente nesses números.

Desemprego cruel e selvagem

Há 4 meses, os 16 países da EU (União Européia) confessavam 18 milhões de desempregados. Agora passou para 19 milhões, o que mostra que a crise não melhorou.

Nos EUA, o desemprego atingiu 16 milhões de pessoas, e continua aumentando. “Sim, nós podemos”, a frase símbolo de Obama, mas ele não é o culpado.

No Brasil, o desemprego é recorde desde Pedro Alvares Cabral e Pero Vaz Caminha, ou seja, 409 anos. Lula também não tem culpa, a não ser a de confundir um temporal com simples “marolinha”. (Exclusiva)

Fenômeno festejou o que não conquistou

O Internacional surpreendentemente entrou em campo desatento, o que não podia acontecer. Sofreu logo um gol, quando devia fazê-lo. Aí já ficou difícil, impossível com o segundo gol. No segundo tempo fez dois gols, mas aí precisava de quatro.

Quem mais comemorou fora de campo foi quem não fez nada dentro dele: Ronaldo. Badalou muito: “O Corintians apostou em mim, conquisto o segundo título no mesmo ano”. Ronaldo é escalado por causa da expectativa de gol. Quando não faz, desaparece, vá lá, não aparece.

Os companheiros não confiam nele, não lhe dão a bola, quando dão, ele desperdiça.

Inédita, textual e entre aspas

Lula, condenando a deposição de Zelaya, mas numa reunião  em que confraternizou com o ditador há 40 anos no Poder e visivelmente irritado: “Eu sou convidado, não posso perguntar quem é que vai e questionar sua ficha democrática”.

O Globo num equívoco fantástico e que deve ter sido planejado, e não por acaso: “A bolsa brasileira ZEROU as perdas desde setembro do ano passado, no auge da crise global”. Ha! Ha! Ha! Números, apenas números, irrefutáveis. Em setembro, a bolsa chegou a 74 mil pontos, agora depois de 3 meses de alta, está em 52 mil, a maior alta, hoje. Precisa subir mais 42 por cento para voltar aos 74 mil pontos.

De um ex-poderoso diretor e acionista do Bradesco: “O banco vive uma crise interna, que os órgãos de comunicação tentam esconder por interesses escusos”. Como eu perguntasse a razão da crise, resposta rápida: “Começou com a não reeleição do Cipriani na presidência, e agora a demissão de um diretor, fato deformado pela mídia”.

Do escritor e principalmente jornalista Gay Talese, que está no Brasil para a Flip: “A crise é dos jornais e não do jornalismo”. Desde Gutemberg (jornais), Guglielmo Marconi (rádio) e autor desconhecido (televisão), a liberdade jornalística é manipulada pelos “proprietários”, que são negociantes e não profissionais.

Estamos em plena SUCESSÃO PRESIDENCIAL: candidatos sem segurança e o verdadeiro, oculto por elipse, mas com autenticidade

Muitos podem admitir, acreditar e até escrever, interrogando: Aécio não era o candidato que apresentava como opção entrar para o PMDB, com o apoio e a boa vontade de Lula? Era. Mas em política e em eleição, como na própria vida, a coerência consiste em mudar e não em ficar.

Sem possibilidade de ter Aécio nos seus quadros, o PMDB, maior partido nacional, considerava que a vice-presidência era uma “conquista” mais do que razoável e compensatória.

Mas esse PMDB não exibirá nenhuma revolta se não der o vice. Em 2002 e 2006, Lula foi buscar o vice, um quase desconhecido José Alencar, hoje um símbolo nacional de resistência, otimismo, fé e esperança.

Portanto, nenhuma linha do que está neste ensaio ou análise antecipada pode ser considerada visão esdrúxula, que palavra, ou interpretação visionária. Os fatos não desmentem nem por um instante a revelação de agora. Embora tudo possa acontecer diferente, mas não de forma contraditória ou desastrada.

Fica faltando o DEM, que não é pedra importante neste xadrez. Já na eleição para presidente do Senado, DEM e PSDB ficaram de lados opostos. De qualquer maneira, haja o que houver, o DEM não ganhará a presidência nem a vice. Nem em 2010, nem depois.

Essa união entre dois candidatos tidos como inconciliáveis ou até irreconciliáveis, facilitaria encontros para a eleição de governadores e o preenchimento das duas vagas para o Senado.

Seria uma espantosa e escandalosa UNIÃO NACIONAL. No pluripartidarismo, esses acordos são mais do que naturais, principalmente por acontecerem antes da eleição.

Serra, Dilma e Aécio têm uma data comum: 31 de março de 2010, desincompatibilização. E um fato que resiste a interpretações: o destino ou o futuro da R-E-E-E-L-E-I-Ç-Ã-O.

PMDB, PSDB, PT-PT e DEM, os quatro maiores partidos, não estarão representados por Serra ou por Dilma. Mas todos estarão perto do Poder, é o que interessa. O TERCEIRO MANDATO SEGUIDO, mais do que um sonho, uma obsessão, talvez leve os acordos para outra trajetória.

Dilma e Serra podem estar ultrapassados antes de outubro de 2010. Dona Dilma é porta-voz e porta-estandarte de um presidente de quem depende fundamentalmente, mas que ainda aposta no terceiro mandato. Se tiver que sair, Lula corre o tremendo perigo de apoiar um perdedor, perdão, uma perdedora.

José Serra quer voltar a 2002, “minha vez é agora, estou com 60 anos. Com 68, e a mesma falta de credibilidade, charme, carisma e fascínio, terá mais condições de se apossar do Planalto-Alvorada?

PS- De qualquer maneira, inseparáveis ou irreparáveis, Serra-Dilma têm tudo para transformar 2010 num Vietnã ou Afeganistão, sem o menor suspense ou mistério. Que República.

Lula conquista o Senado

Carlos Chagas

Ao enquadrar o PT,  o presidente Lula pode ter evitado o naufrágio político  do senador José Sarney. Os companheiros engoliram mais um édito do trono, sua bancada no Senado posicionou-se contra o afastamento do presidente da casa.   Como compensação, o presidente  obtém do PMDB  a submissão aos seus desígnios.  Em termos aritméticos, solidifica o apoio  da maioria,  somados os penduricalhos do PTB, PR  e afins.

A partir da permanência de Sarney na presidência  do Senado  o governo terá mínimos problemas para a aprovação de seus projetos. O lance do Lula, porém, é mais alto: politicamente, apesar dos naturais estrilos das oposições, terá conseguido domar os senadores. Isso significa caminho livre para a candidatura de Dilma Rousseff à presidência da República e…

E, se o vento mudar e a necessidade exigir, até mesmo a incorporação  do Senado ao terceiro mandato, à convocação de um plebiscito ou à prorrogação de todos os mandatos por dois anos.

Numa palavra, a onça  transforma-se  num gatinho. Até pouco o Senado aparecia como obstáculo difícil de ser transposto pelo governo. Com a decisão de impor ao PT  a  permanência de Sarney, somada à  solidez da bancada do PMDB e aliados,  dissolvem-se os temores. O caminho está livre, mesmo ignorando-se onde vai dar.

Ativismo estatal

Devagar, sem  proselitismo,  José Serra vai  colocando tijolos no edifício de sua  candidatura. Depois de investir contra o PT, acusando os companheiros de usarem o governo como se fosse propriedade privada, o governador paulista avança  concepções para o futuro. Em recente festa de aniversário do PPS, partido que o apóia, reconheceu a falência do  neoliberalismo, sepultou a história do estado-mínimo e da prevalência do mercado na economia e inovou,  anunciando “o ativismo estatal”. Traduzindo: a necessidade de o poder público atuar ativamente  na condução do processo econômico. Não apenas gerir as políticas sociais, mas agir junto com a iniciativa privada para a  construção de um projeto nacional de desenvolvimento e afirmação na comunidade internacional.

Pode estar nessa definição a primeira surpresa do que seria o governo Serra, no caso de sua eleição,  ano que vem. Nada parecido com o passado governo Fernando Henrique Cardoso e, mesmo, coisa diferente  do governo Lula. Uma ação permanente do estado como  indutor e, mais do que isso, propulsor do crescimento.

Com as devidas adaptações, o candidato tucano pode estar imaginando  repetir Getúlio Vargas, para horror de alguns tucanos e outro tanto de mega-empresários nacionais e estrangeiros.  Não será a ressurreição do ex-presidente da União Nacional dos Estudantes,   exilado no Chile pela ditadura militar,  mas uma estratégia com raízes em modelos tidos como ultrapassados. Será a  revogação explícita  de quem pensou no”Fim da História” e na prevalência eterna do capitalismo selvagem. Claro que uma  conseqüência da recente crise econômica mundial.

Protesto do ministro da Defesa

Em audiência pública no Senado, esta semana, o ministro da Defesa,  Nelson   Jobim, vibrou tacape e borduna no projeto que acaba com o serviço militar obrigatório, em tramitação na Câmara.  Declarou que a proposta visa descolar as Forças Armadas da nação.

Para Nelson Jobim, isentar a juventude do dever constitucional de servir às Forças Armadas    equivaleria  restringir a tropa  ao profissionalismo, sem sua   integração histórica com a população. Exército, Marinha e Aeronáutica já dispõem de quadros profissionais, essencialmente necessários, mas integram-se à nação através das sucessivas gerações de recrutas que cumprem tempo determinado nos quartéis, recebendo instrução militar, noções de civismo e, não raro, preparo para a vida civil.

O ministro foi aplaudido pelos senadores, pelo jeito dispostos a não permitir a transformação das Forças Armadas em tropa mercenária, desvinculada de suas raízes. É claro que apenas  parte da juventude é selecionada para o serviço militar, dadas as dificuldades econômicas   da absorção de todos, mas o que se encontra em jogo é o princípio.

A reforma do Ministério

Desde o começo do ano que se ponderava, no Congresso, sobre a necessidade de o presidente Lula antecipar a substituição dos ministros  candidatos às eleições do ano que vem. O prazo para deixarem os cargos é 31 de março de 2010, data limite  para a desincompatibilização, mas se apenas naquele mês  o presidente fosse cuidar de  substitutos, correria o risco de terminar seu mandato com um segundo time em campo. Precisaria valer-se dos vice-ministros e secretários, na maioria dos ministérios, pela dificuldade de  encontrar  fora deles quem se dispusesse a ser ministro apenas até dezembro.  Promovendo desde já as reformas, haveria como sensibilizar pessoas com capacidade comprovada,  afetas aos diversos setores. Porque dos 37 ministros atuais, perto de vinte arriscarão seu futuro nas urnas.

A súbita exoneração, a pedido, de Mangabeira Unger, abre para o presidente Lula uma alternativa. Não que o singular ex-ministro de Assuntos Estratégicos tenha pedido para sair visando candidatar-se, mas deu no mesmo a sua opção pela aposentadoria na universidade de Harvard.  Resta saber quem será o novo ministro: alguém saído do banco de reservas  ou uma contratação daquelas  do tipo  que o Real Madri acaba de fazer…

Wimbledon na reta final

Definidos os 4 semifinalistas, que disputarão depois de amanhã, sexta feira. Dos 4 primeiros do ranking: Nadal não participou, problemas no joelho. Federer joga contra Haas, bom no pé ruim da cabeça. Murray tenta chegar à final contra Roddick, conta com a propria idolatria e a histeria da mãe. Dos 4, quem se perdeu no caminho? Djokovic, o servio que não serve na grama.

Mas o melhor de Wimbledon foi o jogo que acabou ainda agora, às 4 da tarde. Hewitt e Roddick (os dois já foram numero 1 do mundo) numa partida sensacional. 3 horas e 45 minutos, 5 sets, ganhou na ultima bola.

Multidão para Kaká, por que Di Stefano ao lado?

Foi a consagração fora de campo. Mais de 60 mil só para ve-lo, comparem o Fla-Flu só teve 41 mil. Logico, aumentou a responsabilidade de Kaká dentro de campo.

Mas por que Di Stefano ao seu lado? Grande jogador (“La Seta Rubia”) vi sua estreia no River Plate, em 1946, no Monumental de Nuñes. (Então só fechado de um lado). E em 1948, no Chile, no ensaio da futura Libertadores, ficamos 45 dias, até à final, Vasco (Expresso da Vitoria) River de Stefano.

Em 1952, foi contratado pelo Real Madrid, por intervenção, patrocinio e favorecimento do ditador Franco. Este torcia pelo Real, por causa do Barcelona, o clube da belissima cidade Barcelona. (Onde nasceu meu pai).

Franco ia aos jogos Barcelona-Real, como ficou crueis 50 anos como ditador, os jogos foram muitos. Torcia abertamente pelo Real, Di Stefano, o jogador, uma coisa, o intimo do ditador, outra, diferente e reprovavel (Exclusiva)

“Democracia” sem representatividade

Antonio Pedro Soares de Moura Coutto:
“Muito bom seu artigo de hoje sobre a representatividade. É a raiz de tudo. A falta de representatividade acarreta queda de nivel acentuada, que está conduzindo o Parlamento e os parlamentares aos porões do Congresso.”

Comentário de Helio Fernandes:
Não há nem como duvidar, Antonio Pedro. Que representativade têm suplentes, sem votos, sem povo, sem urna? Já são mais de 20.

Qual a representatividade de senadores com 8 anos de mandato, ele se esquece do eleitor, o eleitor se esquece dele. Rui Barbosa queria 5 anos para senadores, ficou nos 6 por causa dos EUA. Em 1946 passaram para 8 anos, e 3 em vez dos 2 da Constituição de 1891.

513 deputados é também um exagero, proporcional à população dos EUA e da Europa, um absurdo. E a exigencia do VOTO DISTRITAL , dando validade à representatividade. Com o sistema vigente, garantido pela cupula sem renovação, muitos não se elegem com 150 mil votos, PERDEM para alguns com 10 ou 15 mil votos.

E o mais grave: não mudarão nada. E não se assombrem se determinarem prorrogação geral de mandatos.

Governador turista

O governador Sergio Cabral vai dar pelo menos duas voltas ao mundo inteiro em quatro anos. Já fez em torno de 30 viagens internacionais. O Diario oficial de ontem, 30/6, publica na primeira pagina, com foto, Sergio cabral na China, assinando na sede da empresa Changohum Railway contrato para a compra de 114 carros destinados ao Metrô do Rio. Eles formam 19 trens e começarão a circular no Rio em novembro de 2010. (Nessa epoca, Serginho terá sido reeeleito?). (Exclusiva)