Luiz Estevão, senador cassado, RIQUÍSSIMO, financia Roriz, senador renunciante, RIQUÍSSIMO

Não é surpreendente, mais ainda não é público, isso que está no título destas notas. Dois cidadãos AUSENTADOS do Senado, trabalham com base na eleição de 3 de outubro.

Joaquim Roriz “retumba” na capital: “O projeto ficha-limpa, anula todo e qualquer pedido de impedimento da minha candidatura”.

Alguém disse para o ex-governador quatro vezes: “A nova legislação retroage, e pela Constituição, SÓ RETROAGE PARA BENEFICIAR E NÃO PARA PREJUDICAR. Roriz acreditou e VIBROU.

Acontece que a nova legislação diz também: “Ninguém pode RENUNCIAR a um mandato eletivo, para não ser cassado, e disputar outra eleição”. A lei não pode “VIOLENTAR A VONTADE DO CIDADÃO“. Por que um senador como Roriz, RENUNCIA a 7 anos e meio do seu mandato?

Roriz e Estevão, que eram inimigos ditos irreconciliáveis, estão reconciliados, naturalmente, não com a linguagem. E por algum motivo que não consegui descobrir (mas estou tentando), um corrupto financia o outro.

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PS – Como digo no título,são R-I-Q-U-Í-S-S-I-M-O-S. Perguntinha inócua, inútil, ingênua: o que pretendem? Roriz quer novamente o governo. E Estevão? O que me disseram: “Existe fila para vice de Roriz”.

PS2 – E Estevão? Já se passaram os 8 anos da i-n-e-l-e-g-i-b-i-l-i-d-a-d-e, por que não “investe” o dinheiro nele mesmo? É o primeiro corrupto “generoso”. Que República.

Complicou a situação eleitoral no Amazonas

Basicamente os nomes são os mesmos para governador, vice e senadores (2 vagas), que dei aqui há 15 dias numa radiografia total. Perdão, houve apenas uma alteração: a candidatura ao Senado da reitora Marilene Corrêa, de grande prestígio. Como ela é do PT, muitos consideram que Lula irá tentar retirá-la.

A minha revelação absoluta (em 20/o2) de que Eduardo Braga colocaria a mulher como suplente, para poder renunciar e ser candidato a prefeito de Manaus, se confirmou e teve a repercussão negativa que se esperava. Lula, que passou anos favorecendo o então governador, agora NÃO O RECEBE nem atende telefonemas.

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PS – Lula está interessadíssimo no Amazonas, para eleger Alfredo Nascimento e derrotar Artur Virgilio. Se a reitora Marilene e a deputada Vanessa Graziotin (PCdoB) se mantiverem como candidatas, Virgilio está eleito. O que é bom para o Amazonas e o Brasil.

PS2 – Lula não “morre de amores” por seu ex-ministro Nascimento. Mas se este for governador, João Pedro (PT) ganha 4 anos EFETIVO no Senado. Nada contra ele, foi bom, perdão, ótimo no Senado. Sou contra a SUPLÊNCIA e, no caso de João Pedro, não contra o SUPLENTE.

Adriano, à procura do destino

Era imperador na Itália, garantiu que não estava feliz. Veio para o Flamengo, disse, numa das crises: “Perdi 37 milhões para jogar no Flamengo”. Como a felicidade não se compra (título do filme famoso de Frank Capra), está voltando para a Itália.

Mas tem um pacto firmado, embora não assinado, com Patricia Amorim: “Se não me sentir feliz, volto para o Flamengo”. Como ela é uma pessoa excelente, irá torcer pela sua infelicidade?

Coisas da democracia

Carlos Chagas

Cresce a irritação do presidente Lula com o Congresso, que, como em todo ano eleitoral, abre o saco de bondades que o governo gostaria de ver fechado. Sucedem-se os aumentos e reajustes concedidos a diversas categorias de funcionários públicos, a aposentados e pensionistas. A equipe econômica avisa não haver dinheiro, mas deputados e senadores não querem nem saber. Jogam a própria sobrevivência política nas benesses aprovadas ao tempo em que o funcionalismo sente-se estimulado a promover greves e, obtendo sucesso, estimula setores terceirizados e da atividade privada a seguirem no mesmo caminho.

Fazer o quê? Aqui e ali o presidente sente-se inclinado a vetar bondades que julga exageradas, ou incompatíveis com o tesouro, mas sabe muito bem da importância de agradar a maioria da população,  por conta das eleições. Utilizar a tesoura como regra poderá tornar-se prejudicial à candidatura de Dilma Rousseff e ao PT. A grande mídia aproveita para mais uma vez acoplar-se ao sentimento das elites, condenando o governo pelos gastos supérfluos e também  pelos  necessários e justos.

Trata-se de um beco sem saída, capaz de abalar a popularidade do Lula e de tornar muito mais complicada a missão de quem vier a sucedê-lo no palácio do Planalto. São coisas   da democracia, mas a ninguém será dado defender a volta ao autoritarismo, que por motivos diversos também cedia às injunções do populismo.

Férias extemporâneas

A boa vontade do país inteiro para com o ex-governador Aécio Neves faz omitir um viés de censura que nem os tucanos ousam tornar pública: para que tirou vinte dias de férias e mandou-se para a Europa, quando mais aguda se torna a disputa sucessória? Não poderia adiar o ócio para depois das eleições de outubro, qualquer que venha a ser o seu resultado?

Muita gente supõe ter havido sutil manobra política no afastamento de Aécio do meio da fogueira: saiu um  para retornar outro, quer dizer, viajou candidato ao Senado e volta candidato à vice-presidência? Ou afastou-se para deixar claro que não cederá aos apelos para tornar-se companheiro de chapa de José Serra?

Com o que o neto do dr. Tancredo não contava era com o crescimento de Dilma Rousseff nas pesquisas, engrossando o raciocínio de que caberá a ele interromper as esperanças da candidata, acoplando Minas à estratégia tucana, ou, por outro lado, entregando o candidato do PSDB à própria sorte?

De qualquer forma, tirar férias não terá sido, propriamente, uma saída  ortodoxa.

Agora, o outro lado

Devem,  os três principais candidatos à sucessão presidencial,  preparar-se para o reverso da medalha. Nos próximos dias precisarão  atender convite das centrais sindicais para a exposição de seus planos e programas, com ênfase para os direitos trabalhistas e as necessidades sociais da massa operária e assalariada. Satisfizeram exigências e anseios das elites empresariais, na CNI, precisando agora fazer o mesmo do outro lado.

Nem Dilma, nem Serra, nem Marina, dispõem-se a promessas demagógicas, mas, em contrapartida, precisarão definir-se sobre o trabalho, em confronto com o capital. Que propostas trazem para reduzir ainda mais a miséria e a pobreza? Continuarão a estratégia assistencialista dos últimos oito anos ou darão um passo à frente na realização da justiça social? Flexibilizar será um verbo retirado do fundo do baú, com conotação diversa daquela aplicada no governo Fernando Henrique?

Devem preparar-se os candidatos. Aliás, já estão empenhados na preparação.

Publicidade e propaganda

Volta e meia realizam-se congressos e seminários destinados a reforçar um dos setores que  mais cresceram nas últimas décadas, da publicidade e da propaganda. O desenvolvimento dessa atividade levou o Brasil a patamar incomum que só enobrece os profissionais a ela dedicados.

Feito o elogio, agora a crítica: não seria hora de pararem com a prática  hoje generalizada de oferecerem produtos por preços enganosos?   O que significa comprar um carro anunciado   por 29.999,00 reais,  senão que o freguês estará pagando 30.000,00? A quem pensam iludir? O exemplo vale para tudo, de geladeiras a aparelhos de televisão, de sabonetes a apartamentos.     

Gabeira é lançado com entusiasmo, mas esquece Marina

Pedro do Coutto

O deputado Fernando Gabeira, candidato da coligação PV-PSDB-DEM-PPS ao governo do Estado do Rio de janeiro, foi lançado com entusiasmo pela pré-convenção do Partido Verde, conseguiu finalmente o importante apoio eleitoral do prefeito de Caxias, Camilo Zito, mas contraditoriamente esqueceu de se referir à candidatura de Marina Silva à presidência  da República.

O ato, que era do PV, assim transformou-se em manifestação do PSDB, DEM e PPS. Os repórteres Rafael Galdo, O Globo, Luciana Nunes Leal, O Estado de São Paulo, e Sérgio Torres, Folha, focalizaram  com destaque tanto a manifestação quanto a lacuna. Acentuaram que, à última hora as faixas que se referiam a Marina Silva foram retiradas da sede do América Futebol Clube ou então cobertas por faixas e fotos do próprio Gabeira.

O que chocou os observadores foi o fato de que, numa manifestação do PV, e sendo Gabeira do partido, tenha ele omitido o nome da candidata verde à presidência da República. Ressaltando o conflito nítido entre o candidato e a legenda, Alfredo Sirkis e Aspásia Camargo não compareceram ao ato e não estão aparecendo na campanha. Sirkis, inclusive, afirma-se rompido com Gabeira. Aspásia foi retirada da chapa de candidatos ao Senado, composta por Cesar Maia (DEM) e Marcelo Cerqueira (PPS). Gabeira, frisaram os repórteres, referiu-se por uma vez a José Serra, candidato do PSDB à presidência. Nenhuma a Marina.

A meu ver Gabeira cometeu um erro: em primeiro lugar, sendo ele do PV, não podia deixar de citar Marina e muito menos concordado com a retirada de suas faixas ou da substituição de suas fotos por outras. Foi uma agressão à própria legenda e principalmente à senadora pelo Acre. Ao longo da campanha, vai refletir negativamente para ele. Praticou um gesto de menosprezo. Errou.

Pena que tenha enveredado por esse caminho, o da auto-suficiência, e se manifestado unicamente por Serra, quando no fundo sabe que dificilmente poderá manter sua dualidade de propósitos, ou seja, apoiar simultaneamente duas candidaturas à Presidência da república. Não tem cabimento, tampouco precedentes na história política brasileira. É impossível apoiar-se um candidato num dia e, ao mesmo tempo, outra candidata no outro. Parte do eleitorado ficará confusa com tal posicionamento.

Fernando Gabeira, entretanto, deu provas de que está forte junto as correntes de classe média da cidade do Rio, liderando na Zona Sul, Tijuca e Grajaú. À medida que a renda do eleitorado desce, cai também sua penetração. O que ocorre também no interior do Estado. Na Baixada Fluminense, sua força não deve ser das mais expressivas. A Baixada geralmente vota com o subúrbio do Rio.

Porém o problema de Gabeira não é ultrapassar Sergio Cabral no primeiro turno. É chegar à frente de Garotinho para se classificar ao desfecho final. Exatamente a mesma questão envolve o ex-governador: chegar à frente de Gabeira, no sentido de ir para o segundo turno com o atual governador. Garotinho e Gabeira  empenham-se por esta classificação, pois sabem muito bem – como a pesquisa recente do Sensus demonstrou – que não podem superar Sérgio Cabral na primeira etapa do confronto nas urnas.

O segundo turno é possível que aconteça, já que Cabral está com 41 pontos, Gabeira com 19, Garotinho  com 18. O segundo e o terceiro somam 37%. Os 4 pontos de diferença podem ser superados ao longo dos debates e da campanha eleitoral. Num quadro assim, Gabeira vai precisar muito dos verdes na reta final. Não foi uma boa seu comportamento domingo omitindo Marina.

A Bovespa sem superstição ou intuição, apenas manipulação

É como nos cassinos, preto e vermelho. Só que ao contrário do chamado “pano verde”, acertam sempre. Hoje entraram comprando, liquidando o “descoberto”, como expliquei ontem. Foram almoçar com alta de 0,94%, voltaram ainda comprando, às 2 da tarde subia 1,57%, bons lucros.

Petrobras subia mais de 3 e meio por cento, Vale quase 3. Mas a maior alta era Net, bem acima de 4 por cento. Quem compra ação da Net, a não ser para manipular e especular?

No fechamento o índice era quase o mesmo, mais 1,70, em 60.190 pontos.

O dólar é que deu um pulo, alta de 1,17%, em 1.856. Não se esperava isso, mas o dólar muitas vezes tem motivações. Embora não seja imune à jogatina, o volume é muito maior.

Possível reviravolta na sucessão. Serra seria candidato à reeeleição em São Paulo, a presidência ficaria entre Dilma e Marina. Depende das pesquisas

Na tumultuada disputa em que o candidato Serra depende de Aécio, e a candidata Dilma, inteiramente subjugada a Lula, (o poder da máquina e a transferência de votos, que sempre existiu na História do Brasil) está surgindo uma possibilidade que tem muito para se transformar em realidade.

Pela segunda vez candidato a presidente, Serra perdeu a primeira, agora, na segunda, ele mesmo constata que se desencontrou e se desencaminhou no roteiro para chegar ao Planalto-Alvorada. Como não faz nada sem estar “garantido” pelas avaliações dos institutos de pesquisa, se prepara e pede a amigos que examinem um novo roteiro, já que o outro não está sendo bem avaliado pelos “leitores”, ou seja, o cidadão-contribuinte-eleitor que votará em 3 de outubro.

O que será ou seria isso, por enquanto no condicional, mas sendo estudado e examinado do ponto de vista político, eleitoral e constitucional.

Eleitoral e presidencialmente, Serra vai muito mal, jamais imaginou que a adversária chegasse à sua frente, ainda tão distante de outubro. Como diz sempre que não briga com a realidade, está olhando, e como consequência, sondando.

Politicamente, Serra não teria problema, controla a legenda, DESISTIRIA da Presidência, voltaria a disputar o governo que já ocupou. Nada absurdo, esdrúxulo ou surpreendente. Basta lembrar que Serra demorou a se lançar ao Planalto-Alvorada, estava dividido entre mais 4 anos certos em SP e 4 incertos em Brasília.

Encontraria resistências (possíveis) no PSDB, que ao contrário do PMDB, deseja o Poder maior. Mas não teriam força para controlar (ou descontrolar) o ex-governador, que jamais teve projeto coletivo, sempre individual.

Soterrado pelo eleitoral, absoluto no político, restaria a Serra consolidar o constitucional. Dois amigos foram encarregados de “conversar” (por enquanto a palavra é essa, depois, dependendo, pode ser trocada por consultar) sobre o assunto, com os chamados “juristas”.

Um ainda não respondeu nada, surpreso, ficou de estudar. O outro, tão jurista quanto Orestes Quércia, Jader Barbalho ou Joaquim Roriz, foi direto e negativo, sem sequer examinar a questão. E foi taxativo: “O Tribunal Eleitoral (no caso, o nacional) nem examinará a questão, dirá que não existe nenhuma possibilidade disso acontecer”.

Vamos mostrar, sem o menor interesse, apenas explicando jornalisticamente a situação, depois da “Constituição FHC”, que permitiu a reeeleição do presidente.

Examinemos. Numerando para facilitar.

1 – Serra (e outros governadores) têm direito a dois mandatos, a chamada reeeleição. 2 – Podia exercer o primeiro, completá-lo e tentar o segundo. 3 – Isso sem sair do cargo, utilizando a máquina, o Poder, toda a força do cargo.

4 – Ora, se podia disputar novamente o governo, sem deixá-lo, muito maior o direito de tentá-lo, de fora. 5 – Existe um princípio jurídico, expresso assim e nunca desmentido: “Quem pode o mais, pode o menos”. 6 – O mais seria tentar se reeleger, estando no cargo. 7 – O menos, tentar a reeeleição legítima, tendo abandonado voluntariamente a fortaleza formidável do Poder.

8 – Garantida a reeeleição pela Constituição deturpada para servir a objetivos pessoais, Serra ou outro governador, que só cumpriu o primeiro mandato, ficaria na seguinte opção. 9 – Deixaria o cargo em 3 de abril (como deixou para se desincompatibilizar). 10 – Se não saísse, e portanto continuava vestido constitucionalmente, essa roupagem lhe cairia ainda melhor, não estando no cargo.

11 – Nenhum juiz, (mesmo na Justiça brasileira de hoje) se atreveria a JULGAR CONTRA UM GOVERNADOR, que só cumpriu metade do prazo que lhe cabia. 12 – Ressalve-se, registre-se, ressalte-se: se já tivesse sido reeeleito, nem poderia imaginar a mudança de objetivos, a troca de candidaturas. Já teria GOZADO os 8 anos.

13 – No caso dos governadores Eduardo Braga (Amazonas) e Aécio Neves (Minas), já reeeleitos, não caberia a hipótese ou a imaginação. 14 – Alias, o ex-governador de Minas é um dos personagens principais nessa hipótese, imaginada por Serra e irrefutavelmente explicada por este repórter.

15 – O caso Serra-Aécio. O ex-governador de Minas não aceita ser vice, acha que Serra não ganha. 16 – O ex-governador de São Paulo imaginou a saída pela reeeleição, por não ter recebido o apoio do ex-governador de Minas. 17 – Por ser rigorosamente pragmático, Serra, entre a hipótese de perder para Dilma e ficar sem mandato, prefere continuar governador, o segundo cargo mais importante da República.

18 – Tudo isso é rigorosamente verdadeiro e só poderia se alterado por duas realidades. O crescimento de seu nome nas pesquisas, o que está difícil de acontecer. 19 – Ou a reviravolta na cabeça de Aécio, que o levasse a “largar” 8 anos no Senado, e “ficar” com uma vice imaginária e cada vez mais incerta.

19 – Tudo isso é admissível, a ambição e o isolacionismo, muitas vezes se juntam como “conselheiros”.

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PS – caso isso aconteça, e Serra está muito propenso a acreditar, o Planalto-Alvorada pela primeira vez na História será ocupado por uma mulher.

PS2 – Dilma e Marina ficarão sozinhas, poderão até compor uma chapa, vermelha na cabeça e verde no resto do corpo. É a mais sensacional reviravolta de uma sucessão.

PS3 – Para alertar os que sempre pretendem interpretar minhas interpretações: não tenho o menor interesse que isso aconteça ou não aconteça, só não posso deixar de servir a quem nos acompanha, os fatos que chegam a meu conhecimento.

Com exportação, importação, inflação, déficit, a catástrofe e a tragédia grega dos aventureiros. Platão, Sócrates, Aristóteles, da tragédia imortal, o que escreveriam, agora, sobre esses TRILHÕES?

Uma tragédia principalmente transportada para o plano financeiro. E exigindo, inicialmente, 1 trilhão de dólares? Mais trágico ainda e revoltando toda a comunidade grega, que não tem a menor culpa ou participação nesse processo. Envolvendo a Europa e indo para os EUA, e ameaçando a economia do mundo. (Quer dizer, do povo).

Os alunos de Sócrates gostavam de perguntar: “Mestre, é verdade que o senhor sabe todas as coisas?”. E ele, tímido, respondia” “Meus filhos, só sei que nada sei”.

A resposta simples do grande filósofo, seria hoje dolorosa realidade. Por que a Grécia mergulhou profundamente nessa crise, com o déficit chegando a tais níveis?

(Sorte para o Brasil, que só tem déficit primário). O da Grécia deve ser secundário, talvez “triliardário”. É possível que seja mesmo, pois a “ajuda” começou tão alta e tão urgente, que ninguém sabe os números que poderá atingir.

O estarrecimento não é apenas filosófico, sociológico ou econômico, alguma coisa fugiu ao controle. Ou estão procurando explicação mais compreensível para os países da UE (União Européia). Por enquanto, o que se sabe ou se procura entender é a razão de ter chegado tão longe sem ninguém perceber.

Perceberam, mas existiam interessados em “não ver”? Ou até mesmo estimular, o que já chamam de segunda crise, praticamente no mesmo período?

O capitalismo tem tais mistérios, que nada é o que parece, ou então lucros e prejuízos não são tão desastrados nem conflitantes, compõem o mesmo conjunto. Têm muito de “construtivo” entre si.

Lord Keynes, o economista inglês, que em 1944 inventou o “dólar papel-pintado”, levando (e elevando) os EUA a uma prosperidade que durou pelo menos 50 anos, não estava muito tranqüilo em Bretton Woods.

Já havia criado o Bancor, moeda que substituiria o ouro como lastro para os negócios. (Principalmente exportação e importação). Mas não tinha muita certeza do que ocorreria. Quando um banqueiro não muito poderoso, interrogou-o sobre a relação que ocorreria entre LUCROS e PREJUÍZOS, Keynes respondeu alto e de mau humor: “Eu sou economista, o senhor deveria procurar e consultar um contador profissional”. (De mau humor, como Serra, e tão arrogante quanto o ex-governador, que jamais será presidente. O que comecei a dizer e a repetir desde 2002).

(Keynes estava sempe mais irritado do que Serra, obrigado a acordar às 8 da manhã. Para um cético mas não enciclopédico, irritante, insuportável, incompreensível).

A perplexidade da tragédia grega de agora, é o que os importantes pró-homens (ou que assim se julgam) do comando da UE, na Bélgica, traçam como projeto e objetivo para ultrapassar a crise: “Temos que salvar os banqueiros para que eles possam nos ajudar a vencer o gravíssimo problema”.

Isso é textual, esses “líderes” são tão pomposos e arrogantes, que não acredito que conheçam a famosa afirmação-interrogação de Lenine: “Qual a diferença entre fundar ou assaltar um banco?”.

Só que o capitalismo, mesmo “sufocado” e quase perdido entre becos e vielas, desemboca sempre em avenidas majestosas. Os EUA, que aparentemente foram atingidos pela primeira crise, (a “imobiliária”) na verdade foram criadores e vencedores.

Agora, a mesma coisa. Os bancos que “precisam ser salvos”, estão quase todos nos EUA. E o EURO, que tirava o sono dos “banqueiros-aventureiros” americanos, perdeu força, não assusta mais.

Já escrevi na Tribuna impressa: “O pânico dos EUA é que o valor do petróleo seja apregoado em EURO”. Disse na época que o “dólar papel-pintado”, seria salvo pelos TRILIARDÁRIOS da Rússia, China, Índia, paises árabes, e seus depósitos maravilhosos, feitos em bancos americanos.

Os ingleses, depois da implantação de um governo fraquíssimo e instável, “ressurgiram”. Motivo: preservaram a LIBRA, não aderindo ao EURO, estão satisfeitos. Não são mais ouvidos ou citados, mas podem fingir de potência.

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PS – De qualquer maneira, o CAPITALISMO não vai acabar, o SOCIALISMO não irá desaparecer, nem mesmo em teoria. O mundo, pelo menos nos últimos 300 ou 400 anos, foi sempre dominado pela BIPOLARIDADE geográfica. A próxima BIPOLARIDADE será econômico-financeira, construída pela união China-EUA.

PS2 – Surgirá o que parecia impossível, cada vez mais possivel e obrigatório. Será o CAPITALISMO-SOCIALISTA, que pode ser identificado também como SOCIALISMO-CAPITALISTA. Imposto e garantido não tanto pela QUALIDADE e sim pela QUANTIDADE. Mas a QUANTIDADE vai purificar e trazer a QUALIDADE?

PS3 – Com fabulosa PROSPERIDADE para os que hoje são 7 BILHÕES de habitantes. Já serão então 10 BILHÕES.

PS4 – A China será CAPITALIZADA pela juventude, as centenas de milhões que gostaram de comprar e existir. Os EUA serão SOCIALIZADOS pela juventude, que quer continuar comprando e vivendo, não pretende deixar de existir.

PS5 – E com o avanço da tecnologia nuclear, não haverá mais guerras. Todos lembrarão de Einstein, quando lhe perguntaram sobre a TERCEIRA GUERRA Mundial, NUCLEAR: “Se houver, a QUARTA será travada com paus e pedras, não sobrará mais do que isso”.

PS6 – Só que desaparecerá sem possibilidade de volta, a maior fonte de destruição e enriquecimento que é o chamado COMPLEXO INDUSTRIAL MILITAR. (Surpreendentemente, royalties da frase, para o general Eisenhower).

“Eu te engano e você gosta”

Carlos Chagas

A sabatina dos três principais candidatos presidenciais na Confederação Nacional da Indústria apenas confirmou a semelhança entre a atual campanha e aqueles armazéns de tempos atrás, nas  cidades do interior, onde o freguês encontrava tudo o que quisesse. De fumo de rolo a açúcar, de sandálias a bananas, de tecidos a pregos,  cadernos e lápis – não faltava nada a quem se debruçasse nos balcões.

Assim estão Dilma Rousseff, José Serra e Marina Silva nessa nova oportunidade de dirigir-se, em conjunto, a platéias específicas, como antes aos prefeitos municipais e agora aos barões da indústria. Falam tudo o que a platéia quer ouvir, despertando aplausos nas primeiras filas e ceticismo  lá no fundo.

Ontem, cada qual por sua vez, o trio maravilhoso prometeu, com palavras distintas, menos impostos, juros mais baixos, limitação dos direitos sociais e das leis trabalhistas, reforma tributária, diminuição dos gastos do governo, redução do custo-Brasil, facilidades para as exportações e tudo o mais que a indústria reclama.  Já havia sido assim junto aos prefeitos, que chegaram ao orgasmo cívico ouvindo promessas de descentralização, aumento dos repasses federais às prefeituras e  participação nos lucros do pré-sal.

Quando os candidatos comparecerem a debates com as centrais sindicais, imaginem o que irão sustentar: mais direitos sociais, intangibilidade das leis trabalhistas, jornadas de trabalho reduzidas, participação no lucro das empresas, transporte, alimentação e vestuário subsidiado para os operários  e sucedâneos.

Em suma, com todo o respeito, Dilma, Serra e Marina vendem para a sociedade   o slogan “eu te engano e você gosta”. Depois, qualquer que seja o vencedor, a hora será das cobranças…

Em 15 dias, a guerra de papel

Quando oficialmente inaugurada, a Copa do Mundo irá ofuscar a sucessão presidencial. Claro que os candidatos continuarão nas pré-campanhas,  mas sem despertar maiores atenções da população. Em dias de jogo do selecionado brasileiro,  é bom que nem saiam á rua, exceção para freqüentar algum botequim onde haja televisão transmitindo diretamente da África do Sul.

Será o período da “guerra de papel”, onde para alimentar o noticiário político, Dilma, Serra e Marina produzirão textos, expedirão notas sobre assuntos variados e evitarão prever o resultado das partidas. Sem esquecer os e-mails, os blogs e os twitters que o usuário dos meios eletrônicos consultará nos intervalos das informações sobre o Dunga e seus pupilos.

Fica a experiência para o futuro: que tal, na reforma política sempre anunciada e jamais concretizada, incluir-se emenda constitucional desatrelando as eleições presidenciais das  copas do mundo? Cinco anos de mandato para os futuros presidentes, sem direito à reeleição, bem que resolveria.

Apreensão petista

Mesmo sem passarem recibo, os companheiros estão preocupados com a hipótese de Aécio Neves aceitar tornar-se candidato a vice-presidente na chapa de José Serra. Seria um golpe na euforia dos partidários de Dilma Rousseff. Por isso, o PT mobiliza seus jornalistas para a produção diária de notícias contrárias à decisão que Aécio ainda não tomou, apesar das pressões tucanas sobre ele. No reverso da medalha, o PSDB estimula comentários a respeito dos resultados de uma união entre São Paulo e Minas, os dois maiores colégios eleitorais do país, em torno de Serra-Aécio. Essa novela entrará pelo mês de junho.

Força estranha

A matéria pertence a cientistas políticos e a sociólogos, mas é bom meter a colher na panela: que força estranha será essa impulsionando candidatos sem a menor chance de vitória a concorrer às eleições presidenciais?

Não se fala dos picaretas e dos vigaristas ávidos de quinze segundos  de  exposição nas telinhas, megalômanos sem a menor importância. Importa indagar por que, por exemplo, Marina Silva, pelo PV,  e Plínio de Arruda Sampaio, pelo Psol, insistem em apresentar-se sabendo que nem por milagre seriam eleitos?

O leque contém opções diversas: a defesa de uma idéia ou de um programa, a possibilidade de participarem de debates com os demais concorrentes, com chance de superá-los na retórica e no conteúdo, a fidelidade a princípios tradicionais, a vontade de mesmo inutilmente  demonstrar ao eleitorado o erro em que irá incorrer.

Tem sido assim no passado, continuará ser assim no futuro.   São profundas  as raízes dessa força estranha que expôs líderes como Ulysses Guimarães, Mário Covas, Aureliano Chaves, Ciro Gomes, o próprio Leonel Brizola,  a correrem para a  derrota inevitável.  O problema é que Marina Silva fará falta, no Senado, e Plínio de Arruda Sampaio, na Câmara.

Dilma e Serra, o voto e o povo

Pedro do Coutto

Na edição de domingo, dando sequência à matéria de sábado, a Folha de São Paulo, reportagem também de Fernando Rodrigues, publicou o detalhamento da pesquisa do Datafolha que constatou empate na escala de 37% entre Dilma Roussef e José Serra em intenções de voto, hoje, na corrida  pela vitória nas urnas de outubro. A estrada a percorrer ainda é longa, mas os números do levantamento revelam inegavelmente uma situação preocupante para a campanha do ex-governador de São Paulo, candidato da oposição ao governo Lula.

Como sustento sempre, os números em si não dizem tudo. É nécessairo interpretá-los e dar personalidade a eles. A pesquisa da empresa da FSP acentua tendências bastante nítidas. Uma delas, tudo bem, a esperada ascensão de Roussef impulsionada pela força eleitoral do presidente da República. Outra, esta bastante crítica para a coligação PSDB-DEM-PPS, o declínio de Serra, São dois movimentos distintos e fundamentais: enquanto Dilma decola, Serra aterrissa. Vejam só os leitores, por região, de acordo com o Datafolha, comparando-se as pesquisas de abril e maio.

No Sudeste, que reúne Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo, num espaço de 45 dias, Dilma avançou de 26 para 33 pontos, Serra recuou de 45 para 40%. Esta região abrange 44% do eleitorado do país. No Sul, a queda de Serra foi de 10 pontos: desceu de 48 para 38 pontos. Dilma subiu de 26 para 35 degraus. No Nordeste, Serra ficou em 33 pontos, mas Dilma cresceu de 37 para 44%. No Norte e Centro Oeste, caiu de 44 para 36; Dilma aumentou de 31 para 40 pontos.

No meu livro “O VOTO E O POVO”, Civilização Brasileira, 1966, com base em pesquisas do Ibope e nos resultados das eleições de 65, analisei as manifestações do eleitorado por classes sócio econômicas. Verifiquei que os grupos de menor renda, hoje pesando 51% no total de votantes, são, por razões naturais, os que custam mais a decidir.

A pesquisa de agora do Datafolha aponta nesta categoria, de um levantamento para outro, abril e maio, um avanço de 8 pontos de Roussef e uma queda de 5 patamares por parte de Serra. Dilma passou de 29 para 37. José Serra regrediu de 42 para também 37 pontos. Por coincidência, estas frações são iguais ao resultado geral.

Os que ganham de 1 a 2 salários  mínimos, a maioria, vejam só o panorama dos salários brasileiros, são os que mais seguem o comando de Lula e são também os que menos sabem que Dilma é a candidata do presidente da República. Porém estão começando a tomar conhecimento, como a pesquisa publicada sábado revela. Assim, na medida em que vão ficar sabendo, a tendência , a meu ver, é Dilma Roussef ampliar a vantagem. Entre os que recebem por mês de 5 a 10 pisos ela lidera por 40 a 37. Entre os que ganham de 5 a 10 salários mínimos, ela perde de 34 a 37. E junto aos que têm salários superiores a 5 mil e 600 reais, Serra tem 40, Dilma 37%.

Traçando-se um panorama geral com base nas tendências demonstradas, se Serra não conseguir revertê-las, Dilma vencerá as eleições, desde que mantido o ritmo de hoje. O desafio para Serra é muito grande, recuperar o tempo perdido, título de famoso romance de Marcel Proust. Enquanto isso, Dilma tem que manter a velocidade média de sua progressão. Esta é a síntese do desfecho de outubro.

Bovespa em baixa, aventureiros em alta

Nos últimos 22 dias, (contando sábados e domingos), o “mercado” veio de 70 mil cravados para 59.100. Menos quase 11 mil pontos, mais de 500 por dia, sem contar os dias em que não há pregão.

Apesar disso, ninguém está chorando em nenhum lugar, São Paulo, Wall Street, Singapura, Hong Kong, por aí. Esses jogadores ganham na alta e na baixa, é por isso que bancos e seguradoras estão sempre satisfeitos. Fundos, perdem para os clientes, ganham para eles mesmos.

Para os que não conhecem os “mistérios” da jogatina: quando a tendência é de baixa visível, VENDEM A DESCOBERTO. Quanto mais cai, mais eles ganham. Quando a tendência muda, liquidam (vendem) o “descoberto” e compram à vista, ganham sempre. Hoje mais queda, enorme satisfação, só que ninguém REVELARÁ isto.

A monotonia do “Grand Slam”

Representam o mais importante do tênis. Mas demoram muito para confirmar o resultado previsto e antecipado. Federer e Nadal levaram duas horas para ganhar como se esperava.

Por outro lado, o escalafobético e chorão Murray, precisou de 3 horas e 46 minutos para vencer um Gasquet, razoável jogador, mas sem saber o que fazer em quadra.

“Grand Slam”, é como a NBA e a gravidez, muito mais emocionante no final.

Argentina assusta, Portugal se apavora

Mesmo sem Messi, que ficou descansando, ganharam de 5 a 0 do Canadá. É verdade que o adversário não é refereência, mas é bom “acreditar” nos argentinos, excelente seleção.

Há Portugal, que decepção. Exibiu o mesmo futebol pobre das eliminatórias. Com Cristiano Ronaldo inteiro, não conseguiu sair do 0 a 0 em Cabo Verde.

Que o Brasil tenha mais sorte, nos amistosos com as poderosas potências futebolísticas Tanzânia e  Zimbabwe. Vitória mínima, já exaltaria o “patriotismo” de Dunga.

Ficou claro: o treinador é apaixonado pelo País. Se perderem em qualquer momento, é que os jogadores não incorporaram esse amor acendrado, que palavra, do Dunga.

Quem vê o que na Tevê

Um ditado antigo diz que “nem tudo que reluz é ouro”. Esse ouro na televisão é a audiência. Cada ponto vale tanto, os dirigentes sabem na hora, principalmente em São Paulo. Institutos de pesquisa (e aí não há erro, porque é contagem mesmo, feita imediatamente) têm aparelhos colocados em residências (autorizados e pagos, claro) e locais públicos concorridos.

As televisões vivem em contato com os institutos, lógico, respeitados os interesses conscientes e convenientes. E festejam logo o fato de “terem melhorado” em determinado momento.

Dos jornais, quem dá a melhor cobertura a esses resultados é a Folha. Nada surpreendente, até bem jornalístico, a televisão hoje é indispensável, a maioria quer saber o que “os outros estão vendo”. É humano isso, seria desumano não cobrir.

Anteontem, no “Caderno Ilustradíssima” (fusão da “Ilustrada” com o “Mais”), resultados da penúltima semana, que agora interpreto e comparo.

A Globo, liderou como habitualmente, Logo, logo, a Record. O melhor índice da Globo (46 pontos) foi o jogo Santos-Santo André, era a sensação, a direção ganha louvores, marcou em cima. Depois, bem longe, com o máximo de 38 pontos, a novela “Viver a Vida”, unanimidade; foi das mais monótonas, chatas, pouco sucesso. As duas novelas da Record surpreenderam, uma com 15, a outra com 13. (A TV Globo jamais esperava isso, admitia ou acreditava, mas aconteceu).

Silvio Santos, que já foi referência e liderança, não consegue passar de 10 pontos. Gugu, no SBT, ultrapassava o patrão. Agora não aparece entre as melhores audiências da Record.

***

PS – Como depois de Einstein, tudo é relativo, destaque para “Pânico na TV”, da RedeTV, antiga Manchete.

PS2 – Num canal frágil e com audiência restrita, o “Pânico” chega a 10 pontos, o que mostra que a audiência é própria e não “emprestada”. 10 por cento é de preocupar concorrentes e atrair anunciantes.

Não me incomodo, o mínimo que seja, que alguém tenha admiração por Vargas, Hitler, Mussolini, Stalin. Mas sem hostilidade ou fingindo que é verdade

Valentim Valente:
”Caríssimo Helio Fernandes, não me conformo de longa data, que um homem como você não reconheça em Getulio Vargas, a maior figura que o Brasil já teve, levando em consideração apenas o aspecto político. Getulio tirou o Brasil de país essencialmente agrícola para ser um  país em desenvolvimento, como se diz agora.

Criou o SESI, SENAC, Previdência Social, Petrobras, que mais tarde um minúsculo Calabar quase destruiu, Companhia Siderúrgica Nacional, fez a CLT, que o mesmo Calabar e asseclas tentaram e tentam excluir. Acho que isso tudo é suficiente para mudar o seu conceito sobre tão magistral figura, excluído o aspecto político, de menor importância. Grato por me aturar”.

Comentário de Helio Fernandes:
Obrigado, Valentim, não por te aturar e sim por permitir que complete tanta coisa que sobrou da conversa com Homero Benevides.

Sobre Vargas, muitas coisas são indiscutíveis. Quando assumiu, já sabia que não passaria o governo a ninguém, a não ser obrigado. Que foi o que aconteceu. Concordo em parte com você, mas no todo é impossível.

Em 1930, quase tudo estava por fazer no Brasil, e quase tudo já havia sido feito no mundo ocidental. Valentim, tudo o que você relacionou como realização de Vargas, acreditando que tenha sido feito mesmo, é pouquíssimo para 15 anos e 5 dias de ditadura implacável e sem limites.

E nos 3 anos e quase 7 meses em que exerceu o Poder, “eleito” pelo povo, vá lá, não fez coisa alguma. Sabe por quê, Valentim? Porque não sabia, não tinha o mínimo de conhecimento e competência. A tragédia do 24 de agosto de 1954, na verdade começou em 3 de outubro de 1950 e se aprofundou no dia 31 de janeiro de 1951, a posse amaldiçoada, incapacitada, malograda.

(Não retiro uma linha, não faço qualquer concessão ao eu escrevo há anos, considerando o suicídio de Vargas, GENIAL. Esse suicídio, além de jogar inapelavelmente com a vida, foi um ato rigorosamente político, inteiramente diferente da RENÚNCIA de Janio, que não arriscou a vida, queria apenas mais Poder).

Não posso deixar de chamar atenção para os crimes políticos de Vargas, (cometidos a vida toda) pois A POLÍTICA É A ARTE DE GOVERNAR OS POVOS. Essa definição magistral não é minha, aprendi com Sócrates e Platão. Como desmenti-los?

Quando Vargas começou a fazer alguma coisa a partir de 1934, o mundo ocidental já havia feito quase tudo isso, pelo menos há mais de 20 anos. Os bravos Pancho Villa e Emiliano Zapata, no México, derrubaram a ditadura de Porfírio Dias, que estava há 41 anos no Poder. Foram assassinados, mas obrigaram a uma revolução civil, que implantou a belíssima Constituição de 1918/1919.

Todas as vantagens trabalhistas que Vargas concedeu, vinham em linha reta, das que Mussolini implantou em 1922, quando tomou o Poder, na famosa “Marcha sobre Roma”. Falando do Palácio dos Doges, na Piazza Venezia, anunciou todas as medidas trabalhistas que concedeu.

Mussolini não era um carreirista, arrivista e oportunista como Vargas. Era jornalista-socialista, diretor do jornal “Il Poppolo di Roma”. Depois é que se tornou ditador, fascista, servo, submisso e subserviente a Hitler. Por tudo isso, Mussolini acabou pendurado num varal de secar roupa, o povo italiano queria secar seu passado, implantou a República, tranquilamente.

(Pendurar alguém de cabeça para baixo, não é da tradição brasileira. Chegaram perto disso, por preconceito e racismo, quase mataram o Almirante Negro. Que depois, brava e heroicamente, comandou a REVOLTA DA CHIBATA).

A própria Alemanha, em 1921, (vésperas de Hitler) promulgou a extraordinária Constituição de Weimar, que infelizmente durou muito pouco. O mundo não é democrático, os ditadores conseguem facilmente enganar o povo, se dizendo REALIZADORES.

Das “realizações” atribuídas a Vargas, algumas até são verdadeiras. Por mínimo que tenha feito, alguma coisa era obrigatória. (Foram 15 anos, Valentim). Quase todas, altamente IMAGINATIVAS, para não dizer MENTIROSAS. Vargas não teve nada a ver com a Petrobras. Foi aprovada no Congresso, perto, na verdade, pertíssimo de 1954, quando desapareceu.

Vargas, nos 15 anos da ditadura, não ligava para o petróleo. Intervenção mesmo, foi prender várias vezes o grande Monteiro Lobato, lutador invencível do assunto. Cansado de prender o escritor, DEPORTOU-O, ficava tranquilo.

Só para terminar “as realizações”, falam muito em Volta Redonda. Rapidamente e pela primeira vez, o que aconteceu: em 1941, já em guerra, que não queriam,  os EUA tiveram que se preparar e Roosevelt nomeaou o jovem Kenneth Galbraith coordenador da Mobilização Econômica, para transformar a INDÚSTRIA CIVIL em INDÚSTRIA DE GUERRA.

E passou a cuidar da guerra externa. O general Marshall (comandante militar geral) pediu a ele UMA BASE NO ATLÂNTICO SUL. Examinaram a Ilha de Trindade, era no meio do oceano, seria destruída facilmente. Fernando de Noronha, excelente geograficamente, mas sem condições.

Roosevelt se fixou então em Natal, conversou com Vargas, marcaram um encontro para dentro de 10 dias (meados de 1941, em Natal). Nesse intervalo, morreu Getulinho (um de seus filhos), o velório acabou às 5 da manhã, quando o ditador civil devia ir para Natal. O corpo foi para Itu, Vargas para o local do encontro.

Concordaram rapidamente, havia interesse dos dois países. Tudo assinado, Roosevelt, compreensível e amigável, pergunta: “O que o seu país mais precisa no momento?” Vargas sem hesitação: “Uma siderúrgica”. Roosevelt também sem hesitação: “O Brasil terá sua siderúrgica imediatamente”.

Voltou para os EUA, mandou logo uma comissão de 8 especialistas ao Brasil, para estudar o problema. Não havia nem o que estudar, a siderúrgica tinha que ser em Santa Catarina ou no Paraná, onde estavam a matéria-prima (carvão) e o transporte (Porto de Paranaguá).

Pediram audiência a Vargas, comunicaram as conclusões, ele respondeu imediatamente: “Tem que ser aqui no Estado do Rio, de preferência Volta Redonda”. (Os engenheiros não sabiam, mas o genro de Vargas, Amaral Peixoto, era interventor no Estado do Rio).

Horrorizados e apavorados, voltaram para os EUA. Recebidos por Roosevelt, contaram o absurdo de fazer uma siderúrgica onde Vargas determinara. Resposta de Roosevelt: “Voltem ao Brasil, cumpram as ordens do presidente ou de quem ele designar, SEM QUALQUER DISCUSSÃO OU RESTRIÇÃO”.

E assim surgiu Volta Redonda, para servir a Vargas e seu DOMÍNIO POLÍTICO usando o genro, sem o menor interesse no que seria melhor para o Brasil.

***

PS – Desculpe, Valentim, essa é a realidade. Se você tiver acesso (você ou outro cidadão) à eleição de 1919 entre Rui Barbosa e Epitacio Pessoa, confira.

PS2 – No projeto de governo do grande brasileiro, existiam 27 itens, extraordinários para a época. Dos quais, depois de 26 anos (no fim da ditadura), Vargas cumpriu apenas 4 ou 5 . I-N-A-C-E-I-T-Á-V-E-L, mas rigorosamente verdadeiro.

PS3 – Obrigado pela oportunidade de conversar. E pode discordar tranquilamente de tudo o que está aqui.

Aécio quase no altar

Carlos Chagas

De Belo Horizonte chegam versões de que Aécio Neves já se decidiu pelo casamento.  Comunicaria  ao Alto Tucanato a disposição de concorrer à vice-presidência da República na chapa de José Serra, se a convenção do mês que vem o  indicar.

Parece bom não confundir informe com informação, mas é nesse sentido que o vento sopra das Gerais. Se for para evitar a derrota ou, pelo menos, para desatar o  nó do empate na sucessão, o ex-governador dispõe-se ao sacrifício. Ainda mais caso Serra, eleito, patrocine na reforma política o fim da reeleição, ampliando para cinco anos o mandato dos presidentes e  governadores, mas a partir do próximo, a ser eleito em 2014. Com relação  aos prefeitos, a mudança aconteceria de 2016 em diante.

Dirigentes do PSDB aguardam o próximo encontro entre os dois ex-governadores, possivelmente esta semana. Confiam em que São Paulo e Minas, unidos, farão o pêndulo mover-se para a chapa pura que representariam Serra e Aécio.

Restará o problema do governo de Minas, onde Antônio Anastasia não vai bem de pesquisas. Só que candidato ao Senado e não à vice-presidência, Aécio Neves, mesmo obviamente eleito, arriscaria a dupla derrota, nos planos federal e estadual. Tornando-se inquilino do palácio do Jaburu, mesmo perdendo o palácio da Liberdade, exprimiria um pólo de aglutinação mineira a partir de Brasília.

Na hipótese de a equação progredir  assim, sobra a questão das duas senatórias mineiras. Uma das vagas, os tucanos tentariam preencher com as próprias penas, lançando Eduardo Azeredo para a reeleição. A outra seria do ex-presidente Itamar Franco.

Demora o fim da impunidade

Apesar da euforia  registrada no Senado, pela aprovação do projeto ficha-limpa, razão mesmo tem Pedro Simon, para quem a nova lei, quando sancionada pelo presidente Lula, marcará apenas o início do fim da impunidade no país.  Ainda não será em outubro que todos os condenados pela Justiça ficarão impedidos de candidatar-se. O presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Ricardo  Lewandowski, deu a palavra final ao sustentar que a nova lei se aplicará para os condenados depois de sua publicação. O argumento é de que a lei, no Brasil, não retroage para prejudicar ninguém.

Mesmo assim, um  certo percentual de condenados poderá ficar de fora das eleições gerais deste ano, abrindo caminho até para o aprimoramento da lei. Quem sabe os quarenta réus do mensalão, hoje julgados pelo Supremo Tribunal Federal, fiquem impedidos de candidatar-se em 2014? Milagre seria a sanção do ficha-limpa acontecer nos próximos dias e a mais alta corte nacional de justiça condenar os lambões antes de outubro…

Quanto pior, melhor?

Não há informação de quando o STF apreciará o pedido de intervenção federal em Brasília. Na teoria, pode ser hoje, como poderá ser em dezembro. Depois, não adianta mais,  pois o Distrito Federal terá um novo governador.

Pelo jeito, fica tudo como está, ou seja, com o governador-tampão Rogério Rosso no poder, premido por todos os lados pela sombra da corrupção, da desfaçatez e da incompetência anteriores à sua eleição, por sinal verificada com o voto de oito deputados distritais  corruptos.

O  triste nessa  história é que  Brasília virou um caos.  Os apagões sucedem-se como as ondas do mar distante, prejudicando todo tipo de atividades, das empresariais às de recreação, de serviços e penduricalhos. Ainda no sábado a região do Lago Sul, residencial, ficou cinco horas no escuro, sem que qualquer explicação fosse dada. O trânsito virou área devastada, a segurança pública foi para o espaço e nas escolas e hospitais, falta tudo, de médicos  a professores. Mantém-se paralisados montes de obras que o governador antes preso e cassado esperava inaugurar a 21 de abril. Um interventor resolveria? Só por milagre, mas, ao menos, estariam suspensas as atividades da Câmara Legislativa, a principal das causas de toda a lambança acontecida.

Datafolha confirma forte avanço de Dilma

Pedro do Coutto

A pesquisa do Datafolha, encerrada quinta-feira e publicada na edição de sábado da Folha de São Paulo, reportagem de Fernando Rodrigues, confirma o forte avanço alcançado pela candidatura de Dilma Roussef às eleições presidenciais deste ano e também, o que é importante para análise dos números, um recuo acentuado de Jose Serra. O candidato da oposição  desceu 5 degraus em relação ao levantamento de abril feito pelo mesmo instituto.

Para o Datafolha, Marina Silva permaneceu com 12%, Dilma avançou 6. Resultado final, ela 37 e o ex-governador de São Paulo também 37%. Traçando-se um panorama geral, os dados coincidem com os do Vox Populi, revelados há cerca de dez dias. O Vox Populi apontou uma subida de Roussef de 29 para 38 e uma queda de Serra de 38 para 35%. Os dois institutos concordaram com a progressão de Dilma e um declínio de Serra.

Se examinarmos com atenção, e sobretudo com isenção, vamos verificar que a subida de uma e a descida de outro, nas duas pesquisas conduzem à mesma soma de 12 pontos. Depois do resultado do Datafolha, não há como negar a evidência que os percentuais assinalam. Não se trata de torcer por esta ou aquele, trata-se de constatar. É preciso interpretar e dar personalidade aos números.

Eles acentuam uma tendência preocupante para Serra, da mesma forma que certamente entusiasmam Dilma. Isso porque enquanto a candidata de Lula encontra-se em ascensão, o candidato do PSDB tem que conter a redução das intenções de voto a seu favor. Este aspecto, inclusive, o Datafolha revela  quando focaliza as taxas de rejeição, que também pesquisou. De abril a maio, o índice de rejeição de Dilma desceu de 24 para 20%. O de Serra cresceu de 24 para 27%. Enquanto isso, a aprovação do governo Lula aumentou no mesmo período de 70 para 76 pontos. Dezenove por cento o consideram regular. E apenas 5% ruim e péssimo. Uma pequena parcela, como se vê. Isto influi nos rumos da campanha.

O que José Serra fará para neutralizar esta realidade? Alguns comentaristas, entre eles o próprio Fernando Rodrigues, atribuem o avanço da ex-chefe da Casa Civil à presença do presidente da República no espaço partidário do PT, na televisão. Sem dúvida foi isso. E será isso principalmente a partir de agosto quando começa o horário político eleitoral livre na TV e no rádio. O tempo que cada candidato dispõe é uma face da questão, mas não toda ela. O espaço na mídia eletrônica tem que ser usado de forma convincente e despertar entusiasmo. Caso contrário, não adianta nada. Assim, o problema não é só o tempo, mas principalmente a utilização eficiente dele. Ser ou não ser, como disse o poeta, eis a questão essencial.

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Outro assunto. Acaba de ser lançado pela professora e psicanalista Maria Tereza Saraiva Melloni, o livro Uma Psicanálise Possível, focalizando a evolução do tema saúde, de modo geral, no Brasil, a partir de 37, e também a organização da Psicanálise e seu relacionamento com as práticas científicas, assistenciais, políticas e econômicas. O livro é importante e de leitura agradável.

Justiça do Trabalho sempre teve seu arquivo fechado

Roberto Monteiro Pinho

Recentemente o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), divulgou uma pesquisa realizada no jurisdicionado brasileiro, com base em seus dados estatísticos, a pesquisadora Maria Tereza Sadek, professora da Universidade de São Paulo (USP), fez uma análise demonstrando que os principais problemas que afetam a lentidão na prestação jurisdicional não estão localizados principalmente no número de juízes, no volume de gastos, mas na forma como os recursos, tanto humanos como materiais, são empregados.

A pesquisadora ordenou os estados de acordo com a despesa com a Justiça por habitante. De acordo com essa classificação, o Distrito Federal apresentou a maior despesa e a melhor proporção de juízes e de pessoal auxiliar por 100 mil habitantes. No entanto, as boas condições não refletem na taxa de congestionamento, que é a 9º maior na 1ª instância e a 13ª maior na 2ª instância.

Quando falamos em meios alternativos, apontamos como referência, para o modelo de conciliação instituído na França, que é do acordo a que chegam as partes, quer por discussão entre si, quer através de uma terceira pessoa, o conciliador, pode pôr termo a um conflito através de uma solução aceita pelos interessados. As partes podem recorrer a uma conciliação perante um conciliador extra judicial, desde que o seu referendo incida sobre direitos dos quais dispõem livremente, modelo que o trade trabalhista vê similar na arbitragem (Lei 9.307/2006) brasileira, embora, (a exemplo do que ocorre com a exceção de pré-executividade), este não tenha aceitação no jurisdicionado trabalhista.

Os conciliadores recebem as partes que podem ser assistidas. Agem com total confidencialidade, isto é, as verificações e as declarações que obtêm não podem ser produzidas nem invocadas na seqüência do processo sem o acordo das partes. O memorando de acordo pode adquirir força executória se as partes o solicitarem ao juiz.

É fato que a Justiça do Trabalho, tem sido pouco estudada pelo mundo acadêmico, até porque, o acesso aos anais dos tribunais tem a blindagem montada por seus integrantes, o que é uma lacuna se levarmos em conta a conexão trabalhista a nossa cidadania social. No curso da reforma trabalhista assistimos de tudo, principalmente a disputa em torno de modelos diferenciados de sociedade e de institucionalização das relações capital/trabalho no Brasil, quando a Justiça do Trabalho foi ameaçada sem sucesso por projetos de governo que previam transformações profundas e sua extinção. Em cotejadas nuances do projeto “História da justiça e dos direitos do trabalho no Brasil”, fruto da pesquisa interinstitucional (CPDOC/FGV e IFCS-UFRJ), coordenada pela professora Ângela Maria do Castro Gomes, desenvolvida com apoio do Pronex e de Edital Universal do CNPq.

O trabalho é uma reconstituição da história da JT a partir do depoimento de dois personagens centrais de sua construção, Arnaldo Sussekind e Evaristo de Moraes Filho. Em 2005, com objetivo de traçar o perfil sociológico dos juízes, registrando suas percepções sobre a carreira e o papel desempenhado por sua instituição na sociedade brasileira.

Por conta deste isolamento do quadro de magistrados da especializada, foi fácil para os algozes do trabalhismo propor o apagão cultural e filosófico da proposta da Carta Laboral (hoje infelizmente deformada por decisões equivocadas de parte de seus magistrados). E foi preconizando o “fim da era Vargas”, que o governo Fernando Henrique Cardoso (1994-2002) investiu duramente contra o modelo tradicional de relações trabalhistas, chegando mesmo a propor a extinção da Justiça do Trabalho e no, limiar de seu governo a sua flexibilização, suprimindo uma série de direitos ínsitos no art. 7° da CF.

Várias inovações legislativas foram sendo tentadas e, embora algumas terminassem de fato por flexibilizar formas de contratação e propiciar novos espaços de negociação trabalhista, a Justiça do Trabalho escapou ilesa, graças à firme reação das associações profissionais do setor jurídico e de sindicatos (que não contam com a simpatia dos juízes do trabalho) dos trabalhadores, mas que foram preponderantes neste movimento.

A Justiça do Trabalho vem ao longo de sua trajetória sofrendo constante mutação, os processos se tornaram complexos, registram temas conflitantes, assédio moral, dano moral e os novos segmentos da produção, com o advento da informatização, se tornou uma nova centelha, para a discussão de direitos até então poucos conhecidos no judiciário trabalhista. Da forma que sua estrutura permaneceu a mesma na Constituição de 1967 e não foi alterada pela EC/1969, representou, durante esse período autoritário, um dos poucos espaços de defesa de direitos sociais.

Hoje sob pressão dos organismos internacionais que impõe através da ameaça de sansões econômicos a flexibilização dos direitos dos trabalhadores brasileiros, seu modelo ainda é eficaz, mas sua linha de julgamento, enveredou para a verticalização dos seus aplicativos, deixando de lado, o exame de situações especiais, a exemplo das questões que envolvem micros e pequenos empregadores. Suas decisões se conflitam com textos de lei, os ditames dos tribunais superiores e a própria constituição, se constituindo num abrupto mecanismo gerador de autênticos monstros jurídicos, conseqüentemente ocasiona morosidade e o travamento da ação.

Cabralzinho abandonado, quer “eleitoralizar” o governo

O secretário de Fazenda do Estado, Joaquim Ferreira Levy, desentendeu-se com o governador Sergio Cabral e vai deixar o cargo até depois de amanhã, quarta-feira, quando sua exoneração será publicada no Diário Oficial.

Será substituído interinamente por Renato Vieira, de sua equipe, até o governador escolher o novo secretário. O presidente do Rioprevidência, Wilson Rosalia, também deverá deixar o governo. Joaquim Levy voltará ao Banco Mundial (é funcionário) ou então trabalhar no Banco Interamericano de Desenvolvimento. Ambos têm sede em Washington.

Especula-se que a saída de Levy decorre de pressões de deputados, (apoiadas por Cabral) para a nomeação de chefias no setor de fiscalização de impostos e arrecadação. O que coincide com o ano eleitoral. Levy vinha se recusando a aceitar indicações de deputados estaduais para esses postos.

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PS – Quando Levy aceitou o cargo, escrevi na Tribuna impressa: “Estranha nomeação, Levy é um homem correto, como trabalhar com cabralizinho”.

Bellucci venceu, Tiago perdeu, mas foram bem em Roland Garros

O melhor tenista brasileiro fulminou o francês Llodra, em 3 sets. Controvertido fora da quadra e instável dentro, bom para Bellucci. Tiago perdeu, mas ganhou um set do chileno Gonzalez, número 9, e perdeu dois sets por 6/4.

Gasquet perdeu excelente oportunidade de vencer o número 4, o extravagante Murray. Ganhou os dois primeiros sets, ao perder os outros dois, “até as pedras da rua” sabiam que o francês perderia o quinto. 6/1, nem surpreendente.