Dentro de 30 dias, começa a Copa da África do Sul. Em 80 anos, nenhuma surpresa, agora também não haverá. Ganha quem já ganhou, perde quem sempre perdeu. Amanhã, dia 11, Dunga, soberano, anuncia a seleção

Em 1920, Jules Rimet já pensava e trabalhava para realizar a Copa do Mundo de Futebol. Sofria pela fato de só existir competição na Olimpíada. Estávamos então em pleno amadorismo, o profissionalismo só começaria (e chegaria ao Brasil) em 1934.

O presidente da Fifa assistiu as Olimpíadas de 1924 e 1928, ganhas pelo Uruguai. (A famosa “Celeste Olímpica). Conseguindo fazer a primeira Copa em 1930, escolheu o Uruguai por causa disso, e pelo fato do país comemorar 100 anos de Independência. O que era possível no capitalismo daquele época, que permitiu a construção do Estádio Centenário, num país que era chamado de “a Suíça Sul-americana”, porque tinha câmbio estável. Depois, exportou algumas ovelhas e mais tarde aumentou o faturamento com a atração de turistas que iam jogar nos cassinos. (O principal, Punta del Este, “povoado” por milhares de pessoas riquíssimas, que atravessam a fronteira para jogar. Onde mora um ex-presidente da Petrobras, maravilhosamente enriquecido, tido e havido como comunista).

Chatíssimo e sem repercussão. Sem classificação ou eliminatória, 8 países convidados em duas chaves de 4. Os dois primeiros de cada grupo já estavam na semifinal, e logo na final. Apenas 12 dias. Ganhou o Uruguai derrotando a Argentina na final, podia ter sido o Brasil.

1934 e 1938, a mesma coisa, cronologicamente deveriam ser excluídas da história. A Itália venceu as duas, de que adiantou? Não houve em 1942 e 1946, por causa da terrível Segunda Guerra Mundial. Em 1946, já existia a “paz”, mas não local e jogadores.

Os EUA quiseram realizar a Copa, não apareceram concorrentes, o mundo ainda se reorganizava. Por causa disso transferiram o espetáculo (?) para o Brasil, ainda sem classificatórias.

O Brasil, franco favorito, proporcionou a primeira grande sensação, mas apenas nacional. Se fosse hoje, manchetes mundiais, por causa da derrota, não levemos em consideração o progresso da tecnologia. (Jamais se viu ou se verá, 200 mil pessoas, em silêncio, emocionadas e chorando pela derrota que ninguém esperava).

A sede para 1954, na Suíça, ainda consequências da guerra. Sendo sempre “não beligerante”, o país estava intacto, enriquecendo por causa de três fatores. 1 – 5 por cento com a fabricação de relógios. 2 – Mais 5 por cento com o faturamento do chocolate. 3 – 90 por cento com a rentabilidade majestosa das contas numeradas.

Não ganhou nem era possível mesmo. A Copa foi para a Alemanha. Ninguém definiu melhor essa conquista do que o (grande) jogador Beckenbauer: “Precisávamos dessa vitória, o mundo todo nos odiava”. E com razão. A partir daí começou o rodízio dos continentes, e introduziram modificações construtivas.

Os concorrentes passaram a 16, vieram as eliminatórias, as substituições de jogadores, primeiro 2, depois 3. (Em 1962, contra a Tchecoslováquia, Pelé se machucou, o Brasil ficou com 10).

Em 1966, na Inglaterra, duas surpresas. Pela primeira vez, o Brasil era eliminado na chave. E também pela primeira vez (a segunda já demora 44 anos e irá durar uma eternidade) a Inglaterra foi campeã. Assim mesmo com um gol ilegítimo, discutido até hoje.

Esse título mostrou que “jogar em casa” é uma grande vantagem. Em 1974 a Alemanha foi campeã, em casa venceu a Holanda, uma das grandes seleções da história. 4 anos depois, a mesma Holanda foi derrotada por outra “dona da casa”, a Argentina. Inacreditável.

Só que a seleção da Argentina estava reforçada pelo general Videla e o almirante Massera, grandes torturadores, dentro e fora do campo, principalmente fora, e na escuridão de porões assustadores, dos quais ninguém escapava. A final deveria ser Holanda-Brasil, mas a Argentina, que precisava vencer o Peru por 4 gols de diferença, conseguiu 6, vantagem civilizada e muito bem uniformizada e militarizada.

Em 1982 a Espanha não foi campeã, mesmo jogando “em casa”, em 1990 a Itália repetiu o fiasco. Veio 1998, a França, também “em casa”pela primeira vez ganhou o título. Tinha uma boa seleção, o que não era o suficiente. Mas foi ajudada de forma impressionante pela “convulsão” do Ronaldo Fenômeno, e o fato da seleção brasileira não ter comando, nem dentro nem fora do campo.

(Naquele fim de tarde de 12 de julho de 1998, ainda no Stade de France, escrevi: “Ninguém jamais saberá o que aconteceu hoje, aqui”. A “convulsão” se transformou em confusão, Ronaldo exigiu, “quero jogar”. Não jogou (no sentido exato da palavra) mas entrou em campo. 12 anos depois o fato continua sem explicação. Aceitaram a revelação, a Copa já era uma sensação, disputada por 32 países, “uma honra” chegar à Copa, mesmo e apenas na eliminatória).

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PS – Também não existe o que gostam de chamar de “chave da morte”.  32 concorrentes (não podem aumentar mais) em 8 grupos, passam 16 que se enfrentam no “mata-mata”. 7 que já foram campeões (alguns mais de uma vez), outros 9, não totalmente “zebras”. Como a Espanha de agora, a Holanda de várias vezes, Portugal do nunca ou jamais.

PS2 – Gostaria que a Copa da África do Sul inscrevesse no rol dos campeões, o oitavo país. Que fosse o próprio anfitrião. Mas isso é i-m-p-o-s-s-í-v-e-l.

PS3 – Até mesmo para um país dividido entre negros e brancos, que revelou um dos maiores estadistas da História, depois de 27 anos de prisão. Sendo mais de 20 anos no regime de TRABALHOS FORÇADOS. Nelson Mandela levantando a taça e festejando o título, que maravilha viver.

PS4 – Não gostaria que os mesmos 7 países conquistassem outra Copa. O futebol é a maior lavanderia de dinheiro a céu aberto. É a sensação de 4 em 4 anos. É o maior espetáculo sobre a terra.

PS5 – E a mais importante ascensão social e financeira de jovens que nasceram desprezados, abandonados e sem futuro.

PS6 – Começando em 11 de junho, o mundo só terá como assunto dominando bilhões e bilhões de pessoas, essa Copa. Aqui no Brasil, a partir de amanhã pela manhã, Dunga indicará os jogadores que escolheu para representar o Brasil. Assim que se conhecer os 23 nomes, será o início do debate, da controvérsia, do SIM ou do NÃO, ao que for transformado em realidade.

“Não é aquele que andou envolvido com um chinês contrabandista”

Carlos Chagas

A cada dia que passa mais dá saudade do Itamar. No caso, o Franco, mesmo. Ao primeiro sinal de denúncia contra qualquer de seus auxiliares, o então presidente da República mandava que se exonerasse. Caso contrário, seria exonerado. Que fosse defender-se em tempo integral. Inocentado, voltaria com toda pompa e circunstância. Aconteceu até com  seu  braço direito, o chefe da Casa Civil, Henrique Hargreaves, que por sinal voltou com direito a tapete vermelho, depois de provar serem infundadas as acusações contra ele.

No governo Lula tem sido diferente. Não sai ninguém, e, quando sai algum bisssexto indigitado, é sempre fora de hora, atrasado e desgastado, depois de desgastar e atrasar o chefe.  Assim aconteceu com os  ministros José Dirceu e Antônio Palocci.

A conta dessa tolerância  deve chegar a outros personagens, além do  presidente Lula. O exemplo que precisaria vir de baixo também não  vem. A leniência atinge os  ministros, sem exceção. Até Dilma Rousseff, quando chefe da Casa Civil, abrigou sob as asas a principal auxiliar, Erenice Guerra, por sinal sua substituta, hoje.  Não se tratava de reconhecer qualquer acusação, todo mundo é  inocente até que se lhe prove a culpa. Mas afastar é preciso, para apurar em nome da ética.

Tome-se o caso mais recente, do Secretário Nacional de Justiça, Romeu Tuma Júnior, acusado de ligações perigosas com o chefe da máfia chinesa em São Paulo.  Caberia ao ministro da Justiça, Luiz Paulo Barreto, tê-lo afastado, até  mesmo sem consultar o presidente Lula. Comprovada sua inocência, ou   mesmo a existência de práticas político-eleitorais,  como ele diz, até banda de música  seria convocada para os jardins do ministério. E pouco importa o fato  de Barreto ser um  ministro-tampão,  aliás os espécimes mais encontrados na Esplanada dos Ministérios. Se aceitou assumir, presume-se ter sido para exercer as funções em tempo integral.

O resultado, vale repetir, é o desgaste. Para o presidente da República, para o governo, para o ministro da Justiça e,  acima de tudo,  para o próprio Romeu Tuma Júnior.  Ficando as denúncias inconclusas e mantendo o secretário seu cargo, condena-se a daqui a alguns anos,  quando entrar num salão,  ouvir murmúrios  do tipo “não é aquele que andou envolvido com um chinês contrabandista?”

Inversão de valores

Peculiar é o raciocínio do deputado Flávio Dino,  do PCdoB, relator da minireforma eleitoral em vigência desde o ano passado. Para ele, os candidatos à presidência da República só podem fazer o que está permitido em lei. Tudo o mais é proibido.

Trata-se de uma inversão completa do Direito. Dilma Rousseff, até três meses antes das eleições, pode comparecer a quantas inaugurações quiser, com ou sem a presença do presidente Lula. A proibição atinge apenas o período imediatamente anterior ao dia da votação, por tratar-se da campanha eleitoral propriamente dita.

Valesse a argumentação do deputado pelo Amazonas e a candidata estaria proibida, depois das inaugurações, de entrar num restaurante e pedir uma pizza. Porque não está prevista em lei a sua alimentação…

A importância da retaguarda

De Minas surgem ponderações favoráveis à decisão  de Aécio Neves candidatar-se ao Senado e não à vice-presidência, na chapa de José Serra. O essencial para o ex-governador seria eleger Antônio Anastásia como seu sucessor.  As portas do futuro estariam fechadas para ele caso, eleito vice-presidente ou mesmo senador, encontrasse um adversário no palácio da Liberdade. Ficaria pendurado no pincel, sem escada. Assim, precisando dedicar-se a Minas  em tempo integral, como poderia acompanhar Serra pelo país inteiro sem descuidar-se de sua base congênita? Ou seria um mau companheiro de chapa ou perderia a sustentação para vôos maiores, em 2014…

Pode até haver lógica no raciocínio, mas, no reverso da medalha,  pesam outros argumentos. E se a vitória do candidato tucano depender prioritariamente da presença de Aécio como vice-presidente? Carregaria ele a responsabilidade da derrota?

Gaúchos e pernambucanos

No início dos anos  cinquenta, quando candidatou-se a governador de Pernambuco, e surpreendentemente venceu a eleição, o general Cordeiro de Farias utilizou um slogan imbatível para conquistar a maioria dos votos: “Antes um gaúcho escolhido por pernambucanos do que um pernambucano escolhido por gaúchos”.

A referência era para seu adversário, João  Cleofas, ministro da Agricultura de Getúlio Vargas, pernambucano tradicional.

Essa historinha se conta a propósito da sucessão presidencial. Apesar de mineira de nascimento, Dilma Rousseff apareceu na política através do Rio Grande do Sul. E o presidente Lula, apesar de tudo o que deve a São Paulo, é pernambucano. Sendo assim, vai uma sugestão para os marqueteiros da candidata: “uma gaúcha escolhida por  um  pernambucano pode ser votada por paulistas e mineiros…”

Serra e Dilma não têm opinião: seguem a de Lula

Pedro do Coutto

Incrível. Uma prova de submissão total. Antes de saberem qual a decisão final de Lula na questão do reajuste dos aposentados e pensionistas do INSS que ganham mais de um salário mínimo (cerca de 5 milhões de pessoas, correspondendo a 25% do total de segurados), tanto José Serra quanto Dilma Roussef já manifestaram suas posições: concordam com a decisão do presidente da República, de vetar ou não o projeto aprovado pelo Congresso. Antes mesmo de Luis Inácio da Silva  revelar o que fará.

Os jornais de quinta-feira publicaram com destaque. A melhor matéria, a meu ver, foi a de Sérgio Roxo e Maria Lima, inclusive manchete principal da edição de O Globo. O episódio, na realidade ridículo, lembra  um fato ocorrido há 30 anos na Federação Brasileira de Futebol, em reunião presidida por Otávio Pinto Guimarães. Estava em votação uma medida administrativa sem maior importância e, ao tomar o voto dos representantes, Pinto Guimarães perguntou como vota o Madureira? O representante do clube respondeu: o Madureira vota com o Vasco. Pinto Guimarães acentuou: Mas o Vasco ainda não votou. Ao que o diretor daquele clube rebateu: não faz mal, eu espero. A história meio verdade, meio anedota, pois o Madureira sempre votava com o Vasco, repete-se agora em dose mil vezes maior na rota da sucessão presidencial.

Nem Serra, tampouco Dilma, possuem opinião alguma sobre a questão dos aposentados. Concordam com Lula, de cara, antes mesmo de saber o que ele vai fazer. É demais para dois candidatos à presidência da República. Principalmente quanto a Serra, candidato das oposições. Dilma, ainda se compreende porque se trata da candidata do presidente. A oposição de José Serra é ainda mais incompreensível.

Assim agindo, o ex-governador de São Paulo revelou que de oposição só tem o nome. Na realidade é um candidato governista. Tão governista quanto Roussef. Aliás, como se constata, a posição assumida por ambos dá a impressão, também, de que estão desinformados. E estão mesmo. Aliás as matérias publicadas nos jornais e veiculadas pela televisão ressaltam a falta de conhecimento da questão previdenciária.

Em primeiro lugar, os recursos do INSS não são públicos, são privados. Resultam da contribuição dos empregados, na base de 9 a 11% sobre 5,6 mil reais, teto das aposentadorias, e dos empregadores sobre as folhas de salário, sem limite. Onde entra o Tesouro Nacional? Em lugar algum. O TN entra no pagamento das aposentadorias e pensões dos servidores públicos, algo em torno de 40 bilhões de reais por ano. Um terço da folha de pagamento do funcionalismo civil e militar da União. Esses 40 bilhões são jogados nas contas do INSS para efeito de balanço, sem levar em consideração que os servidores públicos recolhem 11% de seus vencimentos por mês. Onde está esse dinheiro? Entra o débito, esconde-se o crédito.

Enfim, Dilma Roussef e José Serra tinham um campo enorme de debate pela frente em matéria de reajuste dos aposentados. Até porque, em 92, presidido por Lula, o PT ao lado do PDT, recorreu ao Supremo contra o decreto do presidente Collor reajustando em 147% os segurados que recebiam o salário mínimo. E na escala de 35% dos demais. O STF acolheu o recurso por nove votos a dois. Por que então, Serra e Dilma ficam  calados? A Constituição federal, no parágrafo 4º do art. 201, determina tratamento igual a todos. Não sendo cumprido na prática, o resultado é uma defasagem enorme entre os que recebem o piso e os demais. E é fundamental levar em conta que os que recebem acima do piso é porque também contribuíram, através dos anos, muito mais do que os que ganham o salário básico.

Reforma trabalhista ignorada no governo Lula

Roberto Monteiro Pinho

Nenhuma nação do planeta com exceção do Brasil dispõe de enorme complexo para tratar das relações de trabalho, composto do Ministério do Trabalho (MPT), Ministério Público do Trabalho (MPT) e Justiça do Trabalho (JT), e para dar suporte a este trio estatal, são necessárias, centenas de Delegacias do Trabalho (DRTS), seccionais do MPT, 24 tribunais e 1,6 mil varas trabalhistas, agregando ainda outras milhares de varas estaduais, que suprem a lamentável ausência da JT em cerca de 4,6 mil cidades brasileiras, com isso temos o maior custo de manutenção de judiciário do planeta.

Da mesma forma que detectamos a deformidade material da especializada, enfrentamos a triste e lacônica realidade, de que no limiar do governo Lula, decorridos quase oito anos, a reforma trabalhista, sorrateira, foi empurrada ano a ano, sem que os principais temas, reivindicados pela sociedade, fossem resolvidos: a redução da jornada de trabalho de 44 horas, para 40 horas semanais e a informalidade, que hoje atinge uma massa de 65 milhões de pessoas.

Enquanto o presidente Lula da Silva, durante seu governo, se consagrou como o fenômeno da popularidade (a maior da história política do país), este predicado não foi utilizado por ele, para articular a reforma trabalhista, que desde o governo FHC, com a tentativa de flexibilização do art. 618 da CLT, fulminada na CCJ do Senado em dezembro de 2001, permanece travada.

Isso significa para sociedade um enorme prejuízo financeiro, não só pelo custo da manutenção deste complexo, mas pela sua ineficácia, isso porque 14,5 milhões de ações trabalhistas estão empilhadas nos tribunais do trabalho, sem solução, pior, travadas, parte por falta de condições de execução devido à extinção das empresas no mercado, e por outro pelas injunções praticadas pelos magistrados trabalhistas no processo de execução.

Na justiça laboral existem os mais elementares erros de citação, bloqueios de contas e ativos financeiros, patrimônio e mobiliários, títulos de clubes com dívidas de anuidades, questões em que são determinadas penhora de lápides e jazigos, citação de cujus, menores de idade, violação a regra processual, quanto a Lei 8009/90 (Bem de Família), bens de terceiros, erros no edital de praça e leilão, ausência de dados nos editais de praça e leilão, citação com penhora de bens de sócios que não faziam parte da sociedade no período em que o empregado laborou, manutenção da penhora de bens que se dilapidam, a exemplo de veículos, máquinas e perecíveis, um dos exemplos crônicos desta anomalia jurídica, é o do navio Jaguaribe da massa falida do Lloyd Brasileiro, aportado em plena Baia da Guanabara há mais de 20 anos a espera de decisão, data máxima vênia, que a própria União protela através do Ministério Público do Trabalho.

Convém lembrar que a partir de 2009, a Fundação Getúlio Vargas, vem utilizando inteligente instrumento por meio de um índice – o ICJ-Brasil – que mede a confiança do cidadão brasileiro na instituição Poder Judiciário. O último relatório apresentado, do 1º trimestre de 2010, o ICJ-Brasil chegou a 5,9 pontos, de uma escala de 0 a 10, e o Judiciário riograndense com 6,1 pontos, foi o que obteve o maior índice entre todas as regiões metropolitanas.

O ângulo dessa questão é revelador porque mostra que o fundamento do Estado é a própria confiança depositada pelos cidadãos – nele e em suas instituições – e por isso o índice exposto deveria atingir naturalmente níveis mais dignos. São por essas nuances antes invisíveis para a sociedade e até mesmo para o próprio judiciário, até então estatisticamente desorganizado, vinha alimentado a convicção dos seus integrantes de que estariam atuando com satisfação, que somado a soberba da maioria, acabou transformando o atendimento ao cliente litigante a péssima qualidade.

Como prova desta corrida inversa aos interesses dos trabalhadores, não pelas injunções identificadas, a JT é hoje um jurisdicionado altamente elitizado, seus integrantes recebem os melhores salários do país, e o maior entre todos os poderes de Estado, e nem por isso, compensam a altura o que a sociedade lhes proporciona. O fato é que estamos assistindo continuamente uma enormidade de desmandos jurídicos e insubordinação aos ditames dos Enunciados, Súmulas, comportamento este, divorciados dos mais ricos entendimentos que se fundam no social e no conciliar.

Extremamente voltada para o tecnicismo,  a justiça laboral se transformou num “aberrario juris”, tanto que nem mesmo as inovações e a proliferação de novas ferramentas jurídicas estão auxiliando na solução dos conflitos, tendo como reflexo desta anomalia congênita o próprio encalhe de milhões de ações, antigas e novas, onde as protocoladas a partir de 2005, são tidas como um novo patamar das questões processuais, tanto que o programa de metas introduzido pelo CNJ tem a bem da verdade, (média de solução de 20%) resultado muito aquém do suficiente para como solução para o travamento dos conflitos.

Bernardo Cabral, Jorge Folena e a impressionante perseguição que a ditadura de 64 moveu contra aTribuna da Imprensa, o jornal mais censurado da História do Brasil

Bernardo Cabral (na apresentação do livro de Jorge Folena com artigos publicados na Tribuna da Imprensa e neste Blog):
“O advogado Jorge Rubem Folena de Oliveira é um profissional voltado para as causas nacionalistas – defensor intransigente da soberania popular – sem se descurar de outros assuntos que têm conotação com a ética e o decoro, com o desrespeito à população e às instituições fundamentais da sociedade organizada.

Sem dispor dos meios de comunicação de maior densidade, começou ele a enviar comentários e artigos de sua autoria à Tribuna da Imprensa, tendo merecido do seu Diretor, bravo jornalista Helio Fernandes, encômios os mais merecidos.

Aqui faço um parênteses. Helio Fernandes foi o jornalista mais censurado e mais confinado da História brasileira – três vezes – além de preso inúmeras outras. Conheceu a ignomínia e o opróbrio de presídios e quartéis militares, a negação de sua própria identidade profissional e o cerceamento do sagrado direito ao trabalho, ao ser proibido de trabalhar e escrever.

Poucos sabem que ele teve de recorrer, no período compreendido entre novembro de 1966 a setembro de 1967, ao pseudônimo de “João da Silva”, nome de um pracinha brasileiro da FEB que morreu lutando na Itália. Por isso mesmo, o servilismo e a subserviência são palavras que jamais constaram do seu Manual de Jornalismo, como não constam, ainda hoje, do dicionário de sua vida.

Cabe destacar que a Tribuna da Imprensa foi o jornal que sofreu a censura mais avassaladora de que se tem notícia na imprensa brasileira e que por mais tempo teve cerceada sua liberdade: foi o primeiro órgão de imprensa a ter sua censura prévia, antes mesmo da decretação do Ato Institucional nº 5, em 1968, e foi o último a deixar de ter censura, em junho de 1978.

Foi com essa troca de artigos e comentários que surgiu a idéia de Jorge Folena editar um livro, ao qual deu o título de “Conversas com Helio Fernandes”, e a mim entregou o cometimento honroso de sua respectiva apresentação.

A obra é a mais oportuna possível, trazendo densa abordagem sobre a Petrobras, os royalties do petróleo, do pré-sal; a Constituição de 1988; a Vale; as reservas de minérios; a competência originária do Supremo Tribunal Federal,: a dolarização da economia brasileira; a Lei Delegada; a burla Precatória etc., etc.

Jorge Folena tem ciência de que um país só se mantém erguido nos braços da soberania de seu povo. E soberania não tem preço, por mais alto que seja o valor que por ela pretendam oferecer. Até porque sociedade sem ideias de impulsão nem capacidade de ação e opção, é sociedade letárgica, mais vencida do que vencedora.

Tem razão o autor: não pode existir democracia sem que sejam destruídos todos os resíduos da ditadura.”

Bernardo Cabral foi presidente
da OAB, relator-geral da Constituição
de 1988 e ministro da Justiça.

Comentário de Helio Fernandes:
Jorge Folena e Bernardo Cabral tiveram a idéia de publicar em livro, os temas que o presidente da Comissão Permanente de Estudos Constitucionais do IAB (Instituto dos Advogados Brasileiros, que foi presidido por Rui Barbosa) publicou e comentou aqui neste espaço. Nada pessoal, apenas e sempre o interesse nacional, muito bem recebido sempre que Folena comparece.

Quando fui diretor da Revista Manchete, dei ao grande Rubem Braga, duas páginas inteiras para ele preencher como quisesse. Criou então uma seção que teve enorme repercussão, intitulada “A Poesia é necessária”. Magnífica e indiscutível, o famoso cronista mostrou que o título correspondia à realidade. Ficou provado que a poesia é tão necessária quanto a participação diária e intransferível. Que é o que todos fazem aqui neste espaço, não importa a convicção, nem sempre concordando uns com os outros, debatendo verdadeiramente, sem perder a civilidade nem apelar para a hostilidade.

Nem o papel jornal vai acabar. Nem os livros sofrerão qualquer restrição. A internet tem importância indiscutível e indestrutível, instantânea, enquanto o livro é eterno, mas podendo ser consultado a qualquer momento, não interessa o tempo decorrido.

Além do mais, as colocações e as convicções do constitucionalista Jorge Folena, representam constatações de fatos que já aconteceram, críticas ao que ocorre no importante dia-a-dia da História, e análises do que pode surgir no futuro, nos caminhos que precisam ser percorridos com segurança, eliminando bravamente os obstáculos que irão aparecendo.

***

PS – No exame do que já aconteceu mas que precisa ser reavaliado, reexaminado e reconstruído, está a Petrobras. Formidável conquista do povo brasileiro, foi considerada intocável demais. Cresceu sem qualquer orientação, enriqueceu empresários gananciosos, favoreceu corruptos avarentos, protegeu políticos inescrupulosos. Os três tipos, pertencentes à elite.

PS2 – Essa elite desavergonhada, “descobriu” a Petrobras, que de INTOCÁVEL passou a ser objeto de DOAÇÃO, através da Le1 9.478 e das licitações, tudo na era de FHC e do retrocesso de 80 anos em 8. Folena, bravamente, contestou o que o presidente de então, implantou covardemente.

PS3 – Vindo do passado para o presente, Jorge Folena apresentou e debateu temas como a “privatização” da economia, contestando o que tantos defendem como o “Estado menor”. E não esqueceu da “DOAÇÃO” dos minérios, as fortunas colossais que surgiram com base nisso. E a afirmação dos bilionários SEM ORIGEM E SEM EXPLICAÇÃO DA FORTUNA: “Sou o homem mais rico do Brasil”.

PS4 – Nestes instantes de perplexidade dos descaminhos de uma eleição sem partidos e sem liderança, neste espaço foram examinadas ações e decisões do Supremo, em várias oportunidades. Nos tempos de Nelson Jobim presidente, (e apenas com uma alteração) o Supremo se comprometeu ao COMEMORAR E FESTEJAR essa Lei 9.478, traição do ex-presidente, que o Supremo poderia ter considerado como lei mínima ou inexistente.

PS5 – E ainda agora, repercutindo (apesar do que 7 ministros pensam ou votam) a ANISTIA AMPLA, GERAL E IRRESTRITA, que não transitou em julgado. Como o Supremo é a ÚLTIMA INSTÂNCIA, pode reconhecer o EQUÍVOCO IMPRESSIONANTE E COLOSSAL, e decidir revogar o que na verdade nem foi apreciado no mérito.

PS6 – E continuando a partir do passado e presente, Folena trouxe ao debate, o futuro tão perto e tão distante, que é a questão do pré-sal. Ainda nem se sabe a profundidade em que está essa riqueza, seu volume, não começaram nem a fabricar os instrumentos para retirar esse petróleo. Por enquanto, os que estão vencendo essa batalha e a guerra, têm como palavra-chave e dominadora, precisamente essa: E-X-P-L-O-R-A-Ç-Ã-O.

PS7 – Não vamos deixar, não podemos permitir que uma palavra como essa, saia vitoriosa, sobre a vontade e a necessidade do povo brasileiro.

As maiores mentiras nacionais

Carlos Chagas

De passagem por  Brasília, agora que se aposentou como  ministro  do Superior Tribunal Militar, Flávio Flores da Cunha Bierrenback utilizou as horas de ócio  para desenvolver  uma prática que, salvo engano, anda cada vez mais rara na capital federal: pensar. Como simples cidadão, meditar sobre os rumos do país neste  início de Século XXI.

Ex-deputado pelo velho MDB de São Paulo, ele foi flagrado um dia desses elaborando a lista das dez maiores mentiras que circulam como verdades absolutas em todo o território nacional.  Não foi possível conhecer as dez, primeiro pela cautela de Bierremback em tornar públicos pensamento íntimos. Depois,  porque não terá completado a relação, preferindo analisar mais a fundo alguns aspectos da arte de enganar a sociedade, praticada pelas elites. Mas algumas foram alinhadas.

A primeira  é chocante. Sustenta que “a Previdência Social está falida”. Não é verdade,  rabisca o ministro em seus alfarrábios. Os recursos da Previdência Social, se não fossem  historicamente desviados para outras atividades,  dariam para atender com folga e até com reajustes anuais maiores os pensionistas e aposentados. Basta atentar para o que anunciaram,  quando ministros, Waldir Pires, no governo Sarney, e Antônio Brito, no governo Itamar Franco. Nada  mudou, apesar de que quando assumiu, Fernando Henrique Cardoso dedicou-se a espalhar a falência imediata, certamente vítima da febre privatizante,  que jamais deixou de cobiçar a Previdência Social pública.

Outra mentira imposta ao Brasil  como verdade, conforme Bierremback, é de que “estamos inseridos no  mundo globalizado”.  Para começar, globalizado o planeta não está,  mas apenas  sua parte abastada. O fosso entre ricos e pobres aumenta a cada dia, bastando lançar os olhos sobre a África, boa parte da Ásia e a América Latina.  O número de miseráveis se multiplica, sendo que os valores da civilização e da cultura são cada vez mais  negados à maioria. Poder falar em telefone celular constitui um avanço, mas se é para receber eletronicamente informações de que não há vagas, qual a vantagem?

Como consequência, outra mentira olímpica surge quando se diz “que o neoliberalismo é irreversível”. Pode ser para as elites, sempre ocupando maiores espaços no universo das relações individuais, às custas  da continuada supressão de direitos sociais e trabalhistas. Se  neoliberalismo significa o direito de exploração do semelhante, será uma verdade,  mas imaginar que a Humanidade possa seguir indefinidamente nessa linha é bobagem.  Na primeira curva do caminho acontecerá a surpresa.

Na mesma sequência, outra mentira, para  o antigo vice-presidente do STM: “o  socialismo morreu”. Absolutamente. Poderá ter saído pelo ralo o socialismo ditatorial,  por décadas liderado pela ex-União Soviética,  mas o socialismo real, aquele que busca dar aos cidadãos condições de vida digna, a cada um segundo sua necessidade, tanto quanto segundo a sua capacidade. O que não pode persistir, e contra isso o socialismo se insurge, é a concentração sempre maior de riqueza nas mãos de uns poucos. Não pode dar certo.

Nova mentira: “o Estado tem que ser mínimo, deve afastar-se das relações sociais e econômicas”. Para quê? Para   servir   às elites? Especialmente em países como o Brasil, o poder público precisa  prevalecer sobre os interesses individuais e de grupos. Existe  para atender às  necessidades da população que o constitui,  através da via democrática. Deve contrariar privilégios e estancar benesses para os  mais favorecidos, atendendo as massas.

No que deu para perceber, até aqui, ainda incompleta,  a lista de  Flávio Flores da Cunha  Bierremback ultrapassará a dez a que ele se propõe elaborar, sobre as mentiras que nos atingem.  Mas não faltará   uma que, felizmente, dissolveu-se através de um plebiscito nacional, tempos atrás: “de que a proibição da venda, comercialização e posse  de armas faria a criminalidade decair”.  Ora, se ao cidadão comum fosse negado o direito de se defender, na cidade e no campo, estaria a sociedade brasileira ainda mais  à mercê da bandidagem. Seria a felicidade do  ladrão, sabendo que não há armas na casa que vai assaltar.

Vamos aguardar outra oportunidade para completar a relação do jurista, quando ele retornar à capital federal, fazendo votos para que seja breve.    Assim, poderá  concluir o elenco das maiores  mentiras que nos assolam.

Aumento dos aposentados é justo e legítimo

Pedro do Coutto

A decisão da Câmara dos Deputados em aprovar o aumento de 7,7% aos aposentados e pensionistas que ganham acima do mínimo, apenas um quarto dos que recebem pelo INSS. é absolutamente legítima e justa. Tem inclusive base na própria Constituição Federal que, no parágrafo primeiro do artigo 201, dia textualmente: É vedada a adoção de requisitos e critérios diferenciados para a concessão de aposentadoria aos beneficiários geral da Previdência Social, ressalvados os casos de atividades exercidas sob condições especiais: minas de carvão, porões de navios, cargas tóxicas.

A igualdade de tratamento está, portanto, flagrantemente estabelecida. Da mesma forma, o reajustamento dos direitos – parágrafo 4º do mesmo artigo – para preservar-lhes, em caráter permanente, o valor real. Ou seja, os realimentos não podem perder para a inflação. Mas isso vem acontecendo com os 22 milhões que percebem o salário mínimo, mas não com aqueles cujos vencimentos são superiores ao piso nacional. Qual o resultado de tal injustiça? Quem se aposentou, digamos, com 10 salários mínimnos, teto do INSS, hoje recebe praticamente quatro pisos.

Houve, nitidamente, desvalorização nos valores das aposentadorias e pensões. O que colide com a Carta Constitucional. Mas é feito. Agora, neste momento, Câmara e Senado nada mais fizeram do que cumprir o texto de 1988 e fixar o mesmo reajuste para todos. Os aposentados e pensionistas contribuíram a vida inteira para assegurar o direito à aposentadoria. Na realidade, uma apólice que vence com 35 anos de contribuição para os homens e com 30 para as mulheres. Assinada pela repórter – aliás excelente – Cristiane Jungblut, reportagem de O Globo destacou que a decisão do Legislativo acrescenta um rombo de 15 bilhões de reais nas contas previdenciárias. Não é fato. A repórter deixou-se levar pelas declarações do deputado Arnaldo Madeira. Acontece. E, no caso de Madeira, constitui até uma surpresa, já que ele sempre assumiu posições claras e legítimas em relação aos inativos do INSS.

De fato, a decisão parlamentar nada mais faz do que igualar, este ano, o reajuste do salário mínimo aos dos demais vencimentos dos inativos. Inativos até termina sendo uma expressão forçada, pois 22% dos segurados, mesmo aposentados, continuam a trabalhar. Não dá para ficar parado. Para garantir a subsistência e também para arejar a vida útil de quem se aposentou. A Câmara derrubou também o chamado fator previdenciário (algo incrível com o qual o presidente Lula concordou) e fixa, para os homens, o fator 95: 35 anos de contribuição, mínimo de 60 anos de idade. Para as mulheres, o fator passa a ser 85: 30 de contribuição e 55 de idade. Um absurdo. Pois tal dispositivo acaba determinando que os que começam a trabalhar mais cedo tenham que prestar um tempo de contribuição maior do que os que chegaram mais tarde ao mercado de trabalho.

É preciso esclarecer todos esses pontos e assinalar a verdade do sistema previdenciário. Além disso, os críticos do aumento aprovado voltaram-se para condenar o que consideram aposentadorias precoces. Não existem. Existem as aposentadorias fixadas dentro das normas constitucionais. A aposentadoria é um seguro social. Como se alguém resgatasse uma apólice particular. Ora, depois de vencer todos os pagamentos, os empregados ainda têm que continuar contribuindo ou sofrendo os efeitos da inflação do IBGE por falta de reposição inflacionária? Essa não. Se o presidente Lula for bem assessorado na matéria, não a vetará. E, se vetar, terá cometido não só um erro político que se reflete nos rumos da sucessão, mas também uma injustiça enorme.

Farsantes, hipócritas e aproveitadores, dizem: “O aumento dos aposentados será pago pelo contribuinte”. E a corrupção, o desperdício, o enriquecimento ilícito, não é todo “financiado” pelo contribuinte? E os 180 BILHÕES POR ANO DA D-Í-V-I-D-A?

Esse tumultuado projeto de aumento de 7 por cento, (depois elevado para 7.7%, importantíssimo examinar com esse adendo que provocou toda a avalanche que dominou a comunicação) desnudou partidos e parlamentares que já estavam nus.

Apesar de aprovado por larga margem, esse aumento pífio de 7,7% para os aposentados de uma Previdência riquíssima, dividiu correligionários, uniu adversários, elevou a mentira à condição de verdade irrefutável. E quase todos se colocaram na posição de DEFENSORES DO CONTRIBUINTE, rotulando-o de incompetente, por terem garantido o que chamam de rombo da Previdência.

Examinemos a questão com clareza, profundidade e a maior simplicidade, para que nada se perca, tudo se transforme. Querem mistificar o contribuinte, jogando-o contra os aposentados, e exibindo toda a exuberância e inconformismo das elites.

1 – A Previdência jamais foi deficitária, é sempre superavitária. Como pegam esse dinheiro das aposentadorias e jogam para suprir as mais variadas despesas, a única forma de se livrarem é essa: “O contribuinte não aguenta”.

2 – Pegam o aumento de 7,7% e divulgam: “Serão 30 bilhões em 5 anos”. Isso é má fé, tentativa sem ética , sem escrúpulos, sem moral e sem caráter, de iludir o contribuinte. Se fizessem o cálculo, mesmo ERRADO, anualmente, os recursos necessários seram de 6 BILHÕES, bem diferentes dos 30 BILHÕES apregoados.

3 – Se fizessem o mesmo com a “DÍVIDA INTERNA“, vejamos os números, naturalmente até o próximo aumento dos juros, aumento que pode nem demorar muito.

3 – Segundo dados (não consolidados e sujeitos a ventos e tempestades), o governo está despendendo para AMORTIZAR (em vez de pagar, como dizem) a dívida, 180 BILHÕES POR ANO.

5 – Se pegarmos esse total e multiplicarmos por 5 anos, (como estão fazendo com os míseros 6 bilhões dos aposentados) chegaremos a 900 BILHÕES de reais, vizinho “de parede e meia” com o dinheiro da época, que é o TRILHÃO.

6 – Nossa Senhora, sobre isso não sai uma linha em qualquer órgão de comunicação, rádio, jornal ou televisão. Quando o Banco Central aumenta os juros (e portanto, fazendo crescer o desperdício criminoso), os jornalões publicam quase que silenciosamente, não fazem o menor cálculo de quanto o contribuinte passará a pagar a mais.

7 – E os 900 BILHÕES em 5 anos dessa DÍVIDA amaldiçoada, quem paga ou pagará? Lógico, o contribuinte, que numa percentagem enorme é também aposentado.

8 – Se pudessem consultar o cidadão-contribuinte-eleitor e perguntassem: “O senhor prefere FINANCIAR os 7,7% dos aposentados, ou ENRIQUECER banqueiros, seguradoras e aventureiros?”. A resposta seria de MIL A ZERO a favor dos aposentados.

9 – Além do mais, esses 7,7% dos aposentados serão jogados no consumo, o que vai beneficiar a todos individualmente e ao país, coletivamente. Nenhum país do mundo cresce ou se desenvolve sem consumo. Não o que os hidrófobos da comunicação chamam de SONHO DE CONSUMO, e sim o que deveria ser rotulado verdadeiramente, como CONSUMO DE NECESSIDADE. E logicamente de progresso e prosperidade.

10 – E a corrupção estapafúrdia, que palavra, instalada no país, é paga por quem a não ser o contribuinte? E os maiores responsáveis são os membros dos Três Poderes, Executivo, Legislativo e Judiciário.

11 – Agora, deputados fazem malabarismo (que será repetido pelos senadores) para não votarem o projeto apelidado de ficha limpa. Nos EUA, esses parlamentares se refugiariam na QUINTA EMENDA, que proíbe que “alguém incrimine a si mesmo”.

12 – O espetáculo da contradição na Cãmara, foi impressionante, se examinarmos a realidade dos partidos. 40 deputados do PSDB votaram a favor do aumento de 7,7%, outros 40 (arredondando) votaram contra.

13 – Depois da votação,veio o candidato José Serra, e espalhou através dos amestrados, que cultiva como Rio Barbosa cultivava suas rosas: “Apoiarei o presidente Lula, qualquer que seja a sua posição”. Por que não apoiou antes?

***

PS – Assim ficou mais do que visível: Serra está inseguro e sem liderança, e pretende fazer média com o próprio Lula. Não sabe praticar o exercício da oposição, ou quer apenas a Presidência? Para quê? Para nada.

PS2 – Os governistas estavam também perdidos, sem saber como votar. Até Berzoini, que nome, que já presidiu o PT, votou contra o partido. É um insensato ou recebe ordens e instruções contraditórias e hostis entre elas?

PS3 – Dilma, naturalmente, apoia Lula em tudo, quer dizer. cumpre ordens. Sua candidatura não pode mais ser retirada, mas pode ser “cristianizada”. Este verbo está completando 60 anos.

PS4 – Serra e Dilma, “preocupadíssimos”, cabisbaixos, imitam jogadores de xadrez. Na verdade são medíocres e desinteressados praticantes do monótono dominó.

PS5 – Palavra que não tem nem a exuberância que tinha durante a Guerra Fria, entre Estados Unidos e a então União Soviética. Esclarecida, desvendada e eternizada pelo maravilhoso livro de Tim Weiner, “Legado de Cinzas”.

PS6 – Prêmio Pulitzer, como é que um repórter pôde acumular (ele disse que em 20 anos) 564 páginas de tão formidáveis informações? Que naturalmente, Dilma e Serra não tiveram tempo de conhecer.

AMANHÃ:
Bernardo Cabral, Jorge Folena e a
impressionante perseguição que a ditadura de 64
moveu contra aTribuna da Imprensa,
o jornal mais censurado da História do Brasil

Sem novidade, mas oportuno

Carlos Chagas

Ponto para José Serra ao admitir o óbvio, ou seja, que se eleito convidará o PT, o PV e outros adversários de hoje para a  formação de um governo voltado para as necessidades nacionais. Não anunciou nada de novo. Poderá até não dar consequência à intenção, ou ser rejeitado.  Diversos presidentes da República concretizaram essa integração, de Getúlio Vargas a Juscelino Kubitschek e até Itamar Franco. Outros nem tentaram, como Jânio Quadros, Fernando Collor e Fernando Henrique.

O singular na fala de José Serra  foi  haver saído na frente. Em  alguns setores do PSDB houve reação. Afinal, pode ter sido precipitação tornar público o propósito  de somar, quando a campanha parece encaminhar-se para a divisão plebiscitária. Ainda mais na presença de Dilma Rousseff, no auditório da Associação Mineira de Municípios.

No Congresso, porém, a disposição do candidato tucano pegou bem. Serviu para desarmar espíritos mais radicais, além de haver contrariado o presidente Lula, para quem as eleições precisam assemelhar-se a uma final de campeonato de futebol, com as torcidas cada vez mais acirradas e agressivas.

Sente-se que depois de  reconhecer-se candidato, Serra vem surpreendendo com atitudes e conceitos peculiares. Espera-se a réplica de Dilma na próxima reunião dos candidatos, dia 25, na Confederação Nacional da Indústria, em Brasília.  Como em Belo Horizonte, quinta-feira, não será um debate  entre os pretendentes ao palácio do Planalto. Eles continuarão respondendo isoladamente as questões postas pelo plenário, sem questionamentos ou  indagações entre eles, coisa que apenas acontecerá a partir de agosto, quando começarem os debates nas principais redes de televisão. Mesmo assim, fica impossível que se ignorem.

O governo acabou?

Conhecido por sua agressividade, o deputado Paulo Bornhausen  afirmou, na tribuna da Câmara, que o cafezinho já começa a ser servido frio no gabinete do presidente Lula. Acrescentou com humor que, no Congresso, há algum tempo a bebida vem gelada, mas aproveitou para concluir que o atual governo parece não ter mais nada a fazer, exceção de participar da campanha sucessória.

As oposições pretendem desenvolver a tese do parlamentar pelo DEM, de que o governo Lula acabou. Pode não ser verdade, mas a crítica pega feito sarampo. Depois do PAC II, que não saiu da casca, ficou um vazio razoável  na administração federal. Falta às contínuas   exortações do presidente Lula sobre o Brasil ser outro,  algo de concreto, palpável, para anunciar. Sequer uma nova iniciativa no campo social.

De volta à planície

Declarou o  Lula que deixar a presidência da República não irá tirá-lo da vida pública. Pretende viajar pelo país, ajudando os companheiros. Deveria atentar para o exemplo do antecessor. Não parece fácil a ex-presidentes manter-se no palco, mesmo nas laterais.  Fernando Henrique que o diga. Aceita até fazer palestras em jardins da infância, mas sua influência política caiu a olhos vistos. Caso Dilma Rousseff seja eleita, Lula precisará guardar silêncio para não prejudicá-la. Qualquer opinião que expresse poderá ser tida como crítica. Na hipótese da vitória de Serra, seus horizontes se ampliarão, mas seria bom verificar  o fato de que as atuais intervenções do sociólogo despertam cada vez menos as atenções gerais.

Em ponto morto

Imobilizaram-se as articulações para o PT compor-se com seus aliados, em diversos estados. O PMDB recusa-se a  ceder espaço nas eleições de governador, o Partido Socialista joga sua sobrevivência em outros, enquanto o PP e o PTB fingem-se de desentendidos, sem avançar um milímetro sequer nos entendimentos para favorecer a candidatura de Dilma Rousseff.   Tentam valorizar-se os aliados, pelo menos enquanto a candidata se mantém atrás de José Serra, nas pesquisas. Estamos naquela fase em que tudo pode acontecer, desde nova corrida adesista até o distanciamento ainda maior.

PT vai ao TSE contra Serra? Uma comédia

Pedro do Coutto

O Partido dos Trabalhadores – revela O Globo na edição de 4 de maio – pretende representar ao TSE contra o candidato José Serra, por ter havido, sustenta, uso de recursos públicos no evento realizado em Camboriú, quando se reuniu com representantes das igrejas evangélicas. Uma verdadeira comédia. Como o PT pode partir para uma iniciativa dessas, se no Primeiro de Maio, em São Paulo, com o uso de recursos da Petrobras e do Banco do Brasil, transformou a comemoração da data, que consagra o valor do trabalho humano, num autêntico comício em torno da candidatura de Dilma Roussef?

O próprio presidente Lula, na ocasião, afirmou que todos sabem que ela PE a sua candidata. A seguir, defendeu a continuidade de seu governo, sustentando que tal continuidade depende da vitória da ex-chefe da Casa Civil. Ora, é mais evidente que Lula infringiu a legislação eleitoral, mas não vai acontecer nada porque a imagem do Judiciário junto à opinião pública é a pior possível. Basta lembrar, como escrevi neste site há poucos dias que existem ações que demoram vinte anos para ser julgadas e seus resultados concretamente executados. É o caso, por exemplo, de centenas de milhares de processos contra o INSS. É o caso, vale sempre frisar, da Tribuna da Imprensa.

Mas isso, evidentemente, não exclui o clima de comédia que o PT pretende colocar na campanha pela sucessão. Como é possível o Partido dos Trabalhadores recorrer à Justiça contra o PSDB alegando motivos que ele mesmo usou no Primeiro de Maio? É muita cara de pau. Uma ironia acima da realidade. Uma comédia de costumes, muito popular no teatro brasileiro de cinqüenta anos atrás. Uma farsa.

Por falar em realidade, como o convite praticamente formulado oficialmente de Dilma Roussef para que o deputado Michel Temer, presidente do PMDB, seja candidato a vice em sua chapa, efetivamente a iniciativa amarra o destino desse partido ao destino do PT nas eleições presidências. Pois além de manter cinco ministros no governo, o PMDB ocupa a posição máxima que uma legenda aliada poderia obter do governo que integra através de sua base parlamentar. Não possui mais linha de recuo. O que significa isso? Que, paralelamente, o PT fica à vontade para disputar eleições estaduais com candidatura próprias, independentemente do pacto nacional.

É o caso de Minas Gerais, por exemplo. E o caso do Rio Grande do Sul, entre outras unidades da Federação. No Rio Grande do Sul, as pesquisas mais recentes apontam praticamente um empate entre Tarso Genro, do PT, e José Fogaça, PMDB, em matéria de intenções de voto. Lá o quadro da disputa já está configurado não se falando em palanque único para Roussef. O mesmo deve acontecer em Minas Gerais. Depois de vencer as prévias, derrotando Patrus Ananias, dificilmente Fernando Pimentel deixará de disputar o Palácio da Liberdade contra Anastásia e Hélio Costa. Se assim não fosse, para quê realizar prévias? Para escolher o candidato ao Senado? Nada disso.

Sobretudo porque o PT, em Minas, disputa com chance real de vitória. Depois de formalizado o convite a Temer, o PMDB fica sem condições de exigir alianças estaduais em trono de seus candidatos próprios. Pois já obteve o máximo.

Enquanto isso, no Rio de Janeiro, finalmente Gabeira decidiu apoiar César Maia para o Senado e abrir espaço no terceiro colégio eleitoral do país para José Serra e Marina Silva. Lance difícil. Jamais na história política brasileira um candidato a governador apoiou simultaneamente duas candidaturas à presidência da República. Não vai dar certo. Ou um ou outra. Os dois não faz sentido. Só confunde os eleitores do PSDB e do Partido Verde. E não acrescenta votos a Fernando Gabeira. Pelo contrário.

Grã-Bretanha sem governo

Como se esperava, Conservadores ou Trabalhistas não obtiveram maioria para formarem governo. Isso já era esperado. Como o voto é distrital, e tem que vir da Irlanda, Irlanda do Norte, Escócia, País de Gales (e da própria Inglaterra), é preciso para ver quantos parlamentares o Liberal-Democrata elegerá.

Mas de qualquer maneira, a revelação que foi Nick Glegg, numa reviravolta. Antes, dizia, “não faremos coalizão com os Conservadores”. Agora, como os mais votados são os Conservadores, o líder Democrata, que dava a impressão de preferir os Trabalhistas, muda de posição.

Revelação, mas não revolução. “O rei (rainha hoje) reina mas não governa. E o povo, “representado” pelos três partidos?

A Câmara dos Comuns, tem 650 cadeiras, todas renovadas agora. Teoricamente, com 326 deputados (isolados ou com aliados), é possível governar. Mas com essa vantagem de 1 voto não conseguirão uma semana de Poder.

O mínimo seria formar uma bancada de 350 votos, deixando 300 para a oposição. Vantagem de 50 votos, capaz de resistir e até impedir qualquer voto de confiança. Mas tudo dependerá do conhecimento desses 650 deputados. A partir daí, podem ser feitos os cálculos, os acordos e as somas de votos.

No momento, às 4 da tarde em Londres, Cameron, Brown e Clegg esperam as definições númericas para se definirem politicamente. E lógico, em termos de Poder. E dependendo das diferenças, até de uma nova eleição, que não se acredita que seja obrigatório, imediatamente.

A falência da Grécia Olímpica

A chamada crise que veio de lá, usando a palavra da moda, contaminou o mundo. Bancos. seguradoras, corretores comprometidos, aventureiros de todos os países, se aproveitaram.

No Brasil, uma semana de baixa, (sem que a CVM visse coisa alguma) quedas seguidas e até bem grandes. Mas como aconteceu ontem na Bovespa, chegou a cair mais de 6 e meio por cento, fechou só com menos 2 e meio por cento? Por quê?

Simples, como o “mercado” é de oferta e procura, quando COMPRAM, sobe. Quando VENDEM, cai. “Trabalham” em conjunto, ganham juntos. Em determinado momento, já está acertado, alguns ganhadores se retiram, outros querem mais. E os raros investidores individuais ou que confiam em “fundos administrados” por bancos, perdem sistematicamente. Ou seria vergonhosamente. Hoje, sexta, com meia hora de jogatina, vendiam, mas é lógico, pode mudar.

Patrícia Amorim e a dívida do Flamengo

Ela assumiu com o clube devendo 333 milhões de reais. Isso foi badaladíssimo, até mesmo por causa do total, que equivale a uma dízima periódica. Hoje, o excelente Caderno de Esportes do “Globo”, registra a dívida como sendo de 308 milhões. Pergunta obrigatória: no pouco tempo que está na presidência, pagou 25 milhões?

Temer não é vice, é vice-versa. Por causa desse cargo, a eleição presidencial pode mudar. Requião não está morto, o PP quer a vice, Serra naufraga em terra firme

Política e eleitoralmente, ninguém consegue entender a insistência do PMDB indicando Temer, e a inconsequência de Dilma em aceitá-lo. Primeiro, isso representa submissão e subserviência explícita ao PMDB.

Segundo, Temer não tem voto pessoal, e coletivamente divide o partido. Em suma, não há suma. Quem está orientando a campanha de dentro do Planalto-Alvorada?

Isso revelei anteontem, ao saber que Dona Dilma convidara o presidente da Câmara para um jantar, quando confirmaria o convite para que fosse vice de sua chapa. Minha intuição foi alertada para o fato do encontro entre eles ser exclusivo, sem mais ninguém.

Fiquei imaginando, surpreendido: como é que uma candidata certa convida um candidato incerto e quase inimaginável para vice, e ninguém da cúpula do PT e do PMDB pode aparecer? Digamos que essas cúpulas não foram vetadas, apenas desconhecidas e desconsideradas.

Do ponto de vista político e eleitoral, isso não existe, contraria a lógica política. E do ponto de vista eleitoral, deviam fazer uma festa colossal, em vez de promoverem um diálogo de surdos, que acontecerá sempre que Dilma e o “jurista” Michel Temer se encontrarem.

Como houve o jantar e mais nada, (frugal e silencioso, não conversaram sobre a Copa, não citaram Neymar e Ganso, não se interessam por futebol, no país que tem esse esporte como paixão nacional) se desentenderam e foram embora. Não perderam tempo, apesar de tempo ser o que têm de sobra, se despediram, eu fui trabalhar para saber o que houve.

Explicação que me deram. Como era e é extraoficial, e respeitadas as fontes, e como considerei também que estava rigorosamente de acordo com a minha análise, aceitei. É o seguinte, sumarizado: 1 – A cúpula do PT não está mais incondicional com Dona Dilma. 2 – Não podendo retirá-la, pretende pelo menos condicioná-la.

3 – E um dos caminhos para “reconquistá-la”, é indicando o vice, ou vetando alguém como Temer, em quem não têm a menor confiança. 4 – Alguns líderes importantes do PT, que não são parlamentares, não têm nem tiveram o menor contato com o presidente da Câmara.

5 – Dessa forma, como referendá-lo? Assim, tiveram um momento de bom sendo e “pediram” à candidata que “retardasse” (textual) o convite a Temer. 6 – Como o encontro já estava marcado, o “jurista” com uniforme de candidato oficial, passou a “candidato B”, não precisaria nem haver prato principal. Temer foi mastigado e devorado, apesar de não constar do menu.

7 – Como um adolescente que dissesse aos pais, “faltei à aula”, Temer tentou dizer que não houve convite e que não era vice. Acrescentou na frase o “ainda não sou”, todos riram, sabiam antes dele que os ventos estavam mudando. O “jurista” não percebeu.

8 – Como já disse várias vezes nos últimos dois meses, apesar de não ter havido nenhuma convenção, Dilma, Serra e Marina estão firmíssimos, não como pré e sim como candidatos “serenos e belos”.

9 – Outro possível candidato, Ciro Gomes, foi abatido com arma de longo alcance com mira telescópica, exatamente igual à que assassinou Martin Luther King com apenas um tiro. E essa arma foi manobrada por Lula, um “atirador de escol”, como dizem no Exército.

10 – Lula foi azeitando a arma, se familiarizando com ela, acariciando-a dia e noite. Como Lula gosta muito de futebol, não é despropositado citar (adaptando-o ligeiramente), o filósofo do futebol, Neném Prancha: “O artilheiro deve dormir com a bola. Se for casado, dormir com as duas”.

11 – Lula fez isso com imponente competência. Foi acariciando Ciro, como autor da mudança do domicílio eleitoral, o criador da fórmula BILATERAL, (royalties para os 7 ministros do Supremo) na qual Ciro acreditou.

12 – Quer dizer: fingia de candidato a governador de São Paulo, mas acreditava extremadamente que na hora certa sairia candidato a presidente, com a bênção papal, sindical e eleitoral do próprio Lula.

13 – Não perceberam, acreditavam que fosse acaso ou coincidência, o fato de Lula ter sido derrotado três vezes para presidente e depois ter sido vencedor nas duas seguintes, e continuando como a verdadeira atração desse Cirq du Soleil, Ele é o espetáculo, o grande malabarista, os espectadores só olham para ele.

***

PS – Mais importante de tudo, sensacional e até agora sem o menor destaque feito por qualquer analista ou “especialista”, o prestígio de Lula. Nada a ver com as derrotas e vitórias, nessa incansável guerra presidencial.

PS2 – O notável na carreira triunfal de Lula, (isto não é elogio nem entusiasmo) foi o fato de obter 5 vezes a legenda do PT. Impressionante, pois já houve um tempo, longo tempo, em que o domínio de Lula sobre o PT não era tão categórico ou esmagador. (Esta segunda palavra, muito mais bem aplicada).

PS3 – Ainda escreverei muito sobre essa fundamental escolha dos vices. Não só o da Dilma, também o de Serra. Curioso: existem nomes que tanto podem se completar com Dilma ou com Serra.

PS4 – Só para mostrar a importância desse vice incógnita. O de Serra não é mais exclusivo de Minas ou do próprio PSDB. O de Dilma, também não é privativo do PMDB ou localizado estruturalmente em um estado.

Homenagem a Bernardo Cabral

Jorge Folena:
“Prezado jornalista Helio Fernandes, segue em anexo a bela apresentação feita por nosso amigo Bernardo Cabral para o livro que pretendo editar com nossas comversas postadas no blog da Tribuna da Imprensa.

As palavras de Bernardo Cabral são fortes e fiquei emocionado com as forma como ele se refere ao senhor e ao seu jornal Tribuna da Imprensa, especialmente nestes dias do recente julgamento da Anistia pelo STF.

Nas palavras de Bernardo cabral, se houve alguém perseguido ou censurado pela ditadura de 1964/1985, foi o jornalista Helio Fernandes.

Aproveito para informar, se já não for de seu conhecimento, que na segunda-feira, dia 10 de maio de 2010, Bernardo Cabral será empossado como membro da Academina de Direito e Economia, às 15 h, na Confederação Nacional do Comércio.

Obrigado por tudo e um forte abraço.”

Comentário de Helio Fernandes:
Obrigado, Folena, por ter me lembrado do que eu não podia esquecer de maneira alguma. Ainda nem confirmei a presença, por entender que durante quase 50 anos, não fiz outra coisa a não ser estar presente. Na história de Bernardo e, por consequência, na História do Brasil.

Cassado, Cabral fez tantos cursos ( de Psicologia a Direito, passando por tantos setores), que se não fosse a intimidade e a amizade, não saberia como chamá-lo. Depois, presidente da OAB, deputado, relator da Constituição-cidadã, (derrotando FHC), senador, ministro, homenageado de todas as formas.

Dia 10, não é homenagem. É reunião de muitos, incontáveis, (como você) que lutam por um Brasil inseparável e insuperável.

Sobre Serra, Dilma e Dunga

Carlos Chagas

Em poucos dias José Serra e Dilma Rousseff entrarão na geladeira, cedendo para Dunga o lugar no caldeirão. Para os dois candidatos presidenciais será vantajoso, abrindo-lhes tempo e espaço para meditação sobre suas campanhas e até a elaboração final de seus programas de governo.  Para o treinador, abre-se a  oportunidade da glória sem precisar de votos ou um  lugar garantido na  fogueira.

O problema é que só  quando faltar um mês para o início da Copa do Mundo, na próxima terça-feira, saberemos quais os 22 craques que irão à África do Sul. Pior ainda, ignora-se quais os 11 titulares. Muito menos sabemos se todos se conhecem, quanto mais se dispõem de um mínimo de entrosamento em campo. Os chamados “estrangeiros”, maioria absoluta, virão ao Brasil para ser fotografados e visitar o presidente Lula. Quem sabe  participarão de um ou outro coletivo. Depois, será o que Deus quiser, ainda que nem Ele, hoje, arrisque um palpite sobre a melhor formação do nosso  time.

Serra e Dilma pelo menos foram escalados e mostram suas qualidades pelos palanques visitados  e as entrevistas concedidas, mas o selecionado brasileiro, nem isso. As pré-campanhas sucessórias começaram há pelo menos dois anos, mesmo sem a escalação formal dos candidatos. A Copa do Mundo parece muito menos previsível do que a escolha do futuro presidente da República. Aqui, o  campeão será o tucano ou a companheira. Lá, o risco pode ser da desclassificação prematura. Melhor alertar antes do que lamentar depois.

Terrorismo explícito

Montes de números conflitantes e até esotéricos têm sido divulgados pela equipe econômica, pelos líderes do governo e pela imprensa empenhada em demolir o reajuste votado pela Câmara para os aposentados. A intenção surge clara: atemorizar o país através da ameaça de que a Previdência Social irá falir e os cofres públicos não suportarão o encargo. Ou então haverá aumento de impostos.

Por isso confundem, em vez de esclarecer. Já falaram em 3 bilhões de prejuízo ao ano. Como, também, de 40 bilhões, sem informar tratar-se de um cálculo feito  para os próximos quatro anos. Uns sustentam 600 milhões de gastos suplementares em doze meses, outros elevam a quantia até 4 bilhões.

É terrorismo puro por parte dos mesmos de sempre, ou seja, dos representantes das elites infensas em estender aos menos privilegiados uma ínfima parte do que tem direito no bolo da riqueza nacional. Sabem que o Senado acompanhará a Câmara na concessão dos 7.7% de  aumento. Confiam, mas como Floriano Peixoto, desconfiando, no caso, das promessas do presidente Lula de vetar o projeto. Importa-lhes tumultuar o processo.

Entregou o jogo

José Serra prometeu criar mais dois ministérios, dos Deficientes Físicos  e da Segurança.  Dilma Rousseff pensa no ministério da Criança. Para não ficar atrás, o presidente Lula mete sua colher na panela e sugere o ministério da Pequena e da Média Empresa.

George Orwell, no inesquecível  “1984”, falava nos ministérios da Paz, que promovia a guerra, e do Amor, que proclamava o ódio. Quem sabe aparece alguém propondo o ministério da Corrupção, que por analogia combateria a impunidade?

Ficou pior

As coisas ficaram mais complicadas depois do encontro, esta semana, entre Dilma Rousseff e Michel Temer.  Porque o objetivo era o presidente do PMDB receber  convite formal da candidata  para tornar-se seu companheiro de chapa, mas, no final, ele adiou para junho a decisão de seu partido de aliar-se ao PT, ao tempo em que ela declarou que outros nomes existiam para a composição.

Com todo o respeito, uma lambança  que fez retroagir o processo, por dois motivos principais: o PMDB não quer entrar em bola dividida e posterga  seu compromisso até que as pesquisas eleitorais fiquem mais claras; o presidente Lula ainda não engoliu a indicação de Michel Temer, por quem não morre de amores.

PT de Minas: apoio forçado não acrescenta

Pedro do Coutto

A pré convenção do PT realizada domingo decidiu não atender o apelo do presidente Lula para apoiar a candidatura de Helio Costa, do PMDB, à sucessão estadual e adiou para junho, prazo máximo da lei eleitoral, para decidir se concorre ou não ao Palácio da Liberdade com um candidato próprio. As reportagens de Eduardo Katah e Vera Rosa, O Estado de São Paulo, e de Paulo Peixoto, Folha de São Paulo, publicadas nas edições de 3 de Maio, focalizaram amplamente a divergência, na prática uma dissidência aberta pela seção de Minas em relação à aparente vontade do Planalto.

A regional partidária partiu para uma prévia entre Patrus Ananias e Fernando Pimentel, não definindo se tal prévia era para escolher o candidato da legenda ao governo ou se para concorrer ao Senado Federal. Lula desejava que a preliminar fosse para escolha do candidato ao Senado, mas o PT não atendeu. Deixou no ar a questão, decidindo adiar ao máximo o desfecho final. Patrus Ananias, ex-ministro do Desenvolvimento Social, chegou a afirmar: “Na história do PT, Minas Gerais nunca foi tratada  como moeda de troca”. Tomada deposição mais direta, impossível. Só ela já funciona para abalar a possibilidade de uma aliança dos petistas com o também ex-ministro Helio Costa.

A reação era esperada. Em primeiro lugar, porque, ao longo de seus trinta anos de história, o PT nunca apoiou candidato algum alheio a seus quadros. Recebeu muitos apoios, não devolveu nenhum. Em segundo lugar, porque tanto Fernando Pimentel quanto Patrus Ananias, são candidatos potencialmente fortes ao governo estadual – aqui um aspecto essencial – o governador de Minas é alguém sempre qualificado para disputar depois a presidência da República.

Com Patrus ou Pimentel, o Partido dos Trabalhadores sentiu que disputa com reais chances de vitória. Sobretudo porque as eleições são em dois turnos e a presença da legenda no primeiro leva inevitavelmente o desfecho para o segundo turno. Não afeta a candidatura de Dilma Roussef à presidência da República porque em Minas, a exemplo de no Rio de Janeiro, ela teria duas bases de apoio. O palanque de Helio Costa e o de Ananias ou Fernando Pimentel.

Surpresa no segundo colégio eleitoral do país? Nem tanto. No terceiro colégio, o Rio de Janeiro, a ex-chefe da Casa Civil é apoiada simultaneamente pelo governador Sergio Cabral e pelo ex-governador Anthony Garotinho, aliados na eleição de 2006, adversários ferrenhos no pleito de 2010.

Na aparência – mas apenas na aparência, acho eu – o presidente Lula ameaça agir para que o Diretório Nacional do PT intervenha na seção mineira, caso a visível divergência se confirme. O Diretório Nacional, entretanto, vacila diante da hipótese de uma intervenção. Na realidade a ideia atribuída ao presidente da República não é para valer. Lula, no fundo, sabe que apoio forçado não funciona, nada acrescenta na prática, pelo contrário. Terminaria lançando o PT nos braços de Antonio Anastasia, candidato de Aécio Neves ao executivo mineiro.

Mas não é tudo. A intervenção, de outro lado, principalmente quebraria  o ímpeto da legenda no segundo contingente de votos do país e, com isso, prejudicaria a própria candidata de Lula, Dilma Roussef. Por isso, creio que a ameaça de intervir não passa de um lance para a arquibancada. Nem poderia. Conquistar apoio forçado colide com a vontade das bases partidárias. E o resultado seria altamente negativo nas urnas. Lula sabe disso muito bem. Muito melhor do que nós.

Sarney e Roberto Marinho: “imortalizados”, não eternizados

Ontem, comentei o DVD distribuído pelo ex-presidente, exaltando sua própria existência e a enorme participação na vida pública. Não sabia, agora sei e posso registrar: esse DVD “autobiográfico”, foi pago pela Eletrobrás.

É justo. Sarney nomeou o ministro de Minas e Energia e o presidente da Eletrobrás, e não se aproveitaria do fato? Então, de que adiantaria?

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PS – A credibilidade desse DVD, pode ser compreendida e lamentada num aviso anexo, sobre a próxima públicação: Será: “Roberto Marinho, os caminhos do Poder”. Nossa Senhora, terei tempo (palavra esgotada por Sarney) para outra análise?

As contradições esportivas, nas vésperas da Copa da África

Continuo me insurgindo contra esse regulamento, que transforma perdedores em vencedores. Na Copa Brasil, só o Grêmio venceu o Fluminense na ida e na volta. A torcida pergunta: “Muricy, o que veio fazer aqui?”

Flamengo joga só um tempo,
perde mas se classifica

Dos comentaristas de um jogo que acabou à meia-noite: “Emocionante, grande exibição de duas ótimas equipes”. Chatíssimo, “a emoção” ficou por conta da decisão. E o Corinthians, que se preparou para vencer a Libertadores no ano do centenário, foi ptotagonista do mesmo regulamento interno.

Perdeu no Rio por 1 a 0, ganhou em São Paulo por 2 a 1, está eliminado. Foi o primeiro entre os 16 finalistas e o Flamengo o último desses 16.

Retumbaram: “O Pacaembu lotado, que espetáculo”. 36 mil pessoas, e como é hábito hoje, muitos eram convidados.

Em 10 batidos, 7
penaltis perdidos

Jamais havia visto isso. Palmeiras e Atlético (de Goiás) tiveram que decidir dessa forma. os batedores jogaram nas mãos dos goleiros 6 desses penaltis e 1 foi chutado para fora. O goleiro Marcio, do Atlético, pegou 3, Marcos, do Palmeiras, outros 3.

Sem desafzer de ninguém: goleiro, por melhor que seja, só defende penalti mal batido. Chutado de forma competente, não há defesa possível. Ninguém usou paradinha.

Ações de Eike Batista e da Eletrobrás

Segunda, terça e ontem, quarta, estiveram entre as maiores quedas. Amestrados “explicaram” que isso aconteceu “por causa da falência da Grécia”. Ha!Ha!Ha!

A empresa de energia começou a cair, depois que se soube que financiou o DVD sobre a carreira “consagradora” de Sarney.

E quem compra ações desse bilionário, (que ninguém sabe como acumulou tanto dinheiro) compraria ações do Pinel, se este hospital famoso no mundo inteiro (por causa do médico genial e revolucionário) passasse a ser negociada em Bolsa.