Kaká: de intocável na fase boa, a controverso e contraditório, na fase ruim

Não é por acaso que Cristiano Ronaldo é ídolo e aplaudido, o brasileiro vaiado. Desde que saiu da Itália para a Espanha, não acertou, mas sendo quem é, acredita que não decepciona.

Agora, a questão se agravou. Kaká não acerta com os pés e desacerta com a cabeça. Seu assessor de imprensa, no twitter, chamou o Pelegrini, treinador do Real Madri, de “covarde, substituiu Kaká, para esconder o fracasso”. 48 horas depois, em entrevista, o próprio jogador afirmou: “Tenho excelente relacionamento com Pelegrini”. Respondendo a perguntas sobre o assessor: “Ele tem sua opinião, é uma pessoa pública”.

Melhorou ou piorou para Ronaldinho Gaúcho?

Por que Juca Ferreira abandona o PV? Só para continuar ministro? Há controvérsias e muita lama por trás disso

Os jornalões divulgam notícias sobre a crise interna do Partido Verde e a confusão que “arrumaram” para preservar ou retirar do cargo o ministro da Cultura, Juca Ferreira, que era secretário-geral na gestão de Gilberto Gil e o substituiu no cargo.

Muitos internautas me enviam perguntas a respeito, porque o que dizem no PV são duas versões conflitantes. 1 – Queriam que deixasse o partido para não prejudicar a candidata Marina Silva. 2 – Pretendiam que deixasse o ministério, mas permanecesse no PV. Isso não interessava a ele. Como não vai disputar nada, prefere (acho que já preferiu) sair do PV, mas manter o cargo.

O que nenhum jornalão lembra é que o PV já vem em crise há mais de dois anos, devido às IRREGULARIDADES CONTÁBEIS cometidas pela direção nacional, envolvendo principalmente o presidente José Luiz Penna e o então diretor financeiro Eduardo Brandão, seu parceiro e cúmplice nas tramóias.

Paradoxalmente, a crise surgiu justamente quando o PV vivia seu melhor momento. Em 2006, foi o partido que mais cresceu, fazendo uma bancada de 14 deputados federais. E a perspectiva era de que seguisse se fortalecendo cada vez mais.

Acontece que a direção nacional ESTÁ HÁ 19 ANOS sob controle da mesma facção liderada por José Luiz Penna, um compositor paulista desconhecido, que ninguém sabe por que acabou à frente do PV.

Um mar de irregularidades

As múltiplas e até curiosas irregularidades com dinheiro público do Fundo Partidário são facilmente comprováveis. Basta conferir as contas do PV apresentadas à Justiça Eleitoral, que são acessíveis a qualquer pessoa.

E não foi sem motivos que os especialistas do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) recomendaram a rejeição das contas do PV, referentes aos anos de 2004, 2005 e 2006, em função das fraudes e irregularidades. Desde que as contas começaram a ser examinadas pelos técnicos do tribunal, a direção nacional do PV enviou sucessivas explicações, mas não foram aceitas.

No final, não restou saída. A direção do PV RECONHECEU AS IRREGULARIDADES e simplesmente se comprometeu a repor aos cofres do partido o dinheiro surrupiado (usando, é claro, outros recursos públicos do Fundo Partidário). O incrível, fantástico e extraordinário (royalties para Almirante) dessa história toda, é que o TSE ACEITOU A FARSA DO PV.

A rejeição das contas causaria automaticamente a suspensão dos repasses do Fundo Partidário, superiores a R$ 5 milhões/ano. Com isso, o partido teria graves problemas para se manter funcionando, porque as contribuições anuais dos filiados são inferiores a R$ 100 mil.

Esta seria a segunda vez que o PV perderia os recursos do Fundo Partidário. As contas de 1998, quando era presidido por Alfredo Sirkis, também foram recusadas pelo TSE, e o ministro Cezar Peluso assim se manifestou: “Tenho como certo que o ora recorrente (Sirkis) prestou informações falsas para assegurar a aprovação de sua prestação de contas. Este fato demanda providências por parte do Ministério Público e da Receita Federal, órgãos competentes para apurar as irregularidades apontadas”.

Na verdade, a administração de Sirkis foi considerada tão desastrosa que o atual presidente do Supremo, ministro Gilmar Mendes, chegou a pedir o CANCELAMENTO DO REGISTRO DO PARTIDO.

Corrupção com dinheiro público

O PV tem usado DINHEIRO PÚBLICO do Fundo Partidário para custear não só mordomias do comando do partido, mas também diárias por viagens de dirigentes que na verdade jamais foram realizadas.  A prestação de contas ao TSE mostra que a mulher do presidente do PV, Patrícia Ribeiro, costuma fazer viagens turísticas acompanhando o marido em encontros partidários. Sempre às custas do PV, a mulher de José Luiz Penna visitou Curitiba em junho de 2005. No mês seguinte, viajou para Manaus. Em agosto, esteve visitando Camboriú, em Santa Catarina. E em setembro foi passear em Fortaleza. Que maravilha viver.

Outras pessoas estranhas ao partido – Alessandro Soares, Renata Fernandes e Gastão Ramos – também tiveram passagens aéreas e estadias pagas pelo PV com recursos públicos do Fundo Partidário. Além disso, o presidente do partido liberou passagens e estadias para a funcionária Joyce Fleury e até para o motorista que serve ao partido, Alexandre Soares. Ainda não satisfeito, fez o PV patrocinar uma viagem a Manaus para seu irmão Hermano Penna.

Tudo isso está na prestação de contas, que mostra também a VORACIDADE do então diretor financeiro Eduardo Brandão para receber falsas diárias, um comportamento que surpreendeu os auditores do TSE. No dia 31/12/2005, o dirigente sacou a quantia de R$ 32 mil, relativa a 128 diárias. Ou seja, em plena festa de Ano novo ele subitamente lembrou que O PARTIDO LHE DEVIA 128 DIÁRIAS, além das dezenas de diárias que já recebera no decorrer do ano.

É também surpreendente o consumo do carro de Brandão nas viagens rodoviárias. A média chega a 1 litro de gasolina por quilômetro percorrido, um verdadeiro recorde mundial, já que nem os carros da F-1 gastam tanto combustível.

PS – Todas essas fraudes e irregularidades (QUE CONFIGURAM DIVERSOS CRIMES CONTINUADOS) foram amplamente divulgadas nas páginas daTribuna da Imprensa, em reportagens de Carlos Newton, e depois os jornalões correram atrás.

PS2 -Mesmo com a impressionante devassa feita pela imprensa, que depois apurou um derrame de NOTAS FALSAS DE FIRMAS FANTASMAS na prestação de contas, o TSE aceitou que o PV repusesse o dinheiro desviado dos cofres públicos, repita-se, usando para tanto mais dinheiro público. Como perguntava o então deputado Francelino Pereira, presidente do PDS, “que país é esse?” E podemos acrescentar, “QUE JUSTIÇA ELEITORAL É ESSA?

PS3 – Todas as fraudes e irregularidades, é claro, chegaram ao conhecimento
dos parlamentares e dos mais destacados militantes do PV que nada tinham a ver com elas. Mas todos os “verdes” amarelaram. Alguns deputados federais de Minas, ressalve-se, pediram providências, queriam expulsar a direção nacional. Mas na época (2008), Fernando Gabeira estava disputando a prefeitura do Rio, com chances de vitória, e pediu que “aguardassem”.

PS4– Estão “aguardando” até hoje. Gilberto Gil e seu secretário Juca Ferreira
também souberam das irregularidades e “amarelaram”. A então ministra
Marina Silva, idem. Agora, Juca Ferreira deixa o partido, imitando dom Pedro I, ”se é para o bem de todos e felicidade geral da nação, digam a Lula que fico”. Que República.



Sérgio Cabral e o dilúvio

Carlos Chagas

Foi de Luís XV o desastroso comentário de “depois de mim, o dilúvio”. E de seu bisavô, Luís XIV, o não  menos abominável “o estado sou eu”. Pois é. Com todo o respeito e guardadas as proporções, tenta o governador Sérgio Cabral tornar-se a encarnação dos dois reis numa só pessoa: ele mesmo.

Nem se duvida de que o Rio de Janeiro e o Espírito Santo foram garfados no projeto do Pré-Sal aprovado pela Câmara dos Deputados, surripiando-lhes boa parte da receita a que tem direito pela balbúrdia criada em seus territórios pela Petrobrás e penduricalhos,  por conta da prospecção no litoral.

Diversos de seus municípios viram-se atropelados pela alta do custo de vida, a balbúrdia e a multiplicação populacional,   obrigados a desdobrar-se para aumentar  a infraestrutura,  abrigar e alimentar montes  de alienígenas.  Criaram-se novos empregos, é claro, mas para seus habitantes, em maioria, trabalho de peões. O pessoal técnico veio de fora e inflacionou tudo.

Nada mais natural, assim,  que fluminenses e capixabas fossem beneficiados com parte do lucro advindo do petróleo já sendo extraído, assim como daquele que um dia, daqui a vinte anos, poderá estar jorrando comercialmente lá das profundezas.

Como o país é um só, admita-se que também o Amazonas, Mato Grosso, Rondônia e os demais estados venham a participar dessa riqueza por enquanto posta em sossego. Mas que Rio de Janeiro e Espírito Santo disponham de uma razoável  vantagem e precedência, fica óbvio, ao contrário do texto de autoria do deputado Ibsen Pinheiro, que ainda precisa ser aprovado outra vez na Câmara e duas no Senado, coisa para muito tempo.

Feito o preâmbulo, vamos ao principal, calcado na evidência acima exposta, de sermos um só país: escorregou feio o governador Sérgio  Cabral ao ameaçar todo mundo com  o fracasso da Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016 porque o Rio perderá significativa receita com o projeto do pré-sal.  Quer o quê, o vascaíno ilustre? Desmoralizar o futebol brasileiro, tirando do Maracanã a abertura ou o encerramento da competição? Mandar embora atletas do  mundo inteiro porque o Rio, de ante-mão, rejeitará qualquer esforço para tornar  a cidade palco da maior disputa esportiva do planeta? Há quem desconfie estar o Serginho contente com  a sucessiva mortandade de peixes na Lagoa Rodrigo de Freitas, uma antecipação do  palco onde se travarão  as provas de remo e vela das Olimpíadas.

A partir de agora, conforme o ultimato do governador, o Rio não investirá um centavo para a realização dos dois eventos. Será que vai paralisar as obras de extensão do  metrô até a Barra da Tijiuca? Interromperá os trabalhos da via expressa ligando a Zona Norte à região? Deixará de estimular a construção de novos hotéis, assim como a ampliação dos atuais? Dará de ombros para a lástima que são os dois aeroportos da antiga capital? Negará recursos para o incentivo aos esportes?  Retirará a Polícia Militar dos pacíficos projetos em curso nas favelas?

Deveria, o governador, ter dito que apesar  do  esbulho em vias de ser praticado contra o estado, governo  e população irão  sacrificar-se para o sucesso da Copa do  Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016. Com ele ou sem ele…

Sai daí, João!

Ficou célebre a exortação feita pelo  deputado Roberto Jefferson ao chefe da Casa Civil,  José Dirceu, logo após a denúncia das lambanças do  mensalão: “sai daí, Zé!”, referência ao fato de que o principal assessor  do presidente Lula  deveria abandonar o governo.

Pois  está   na hora de aparecer alguém, no PT, para repetir o mesmo apelo, apenas mudando o objeto de Zé para João.  “Sai daí, João!” deveria estar sendo repetido pelos companheiros para que João Vaccari Neto, tesoureiro do partido,  entregue o cargo e  seu lugar na Executiva.  O indigitado personagem nega as graves acusações que lhe são feitas quando gestor da cooperativa habitacional  dos   bancários de São  Paulo.

É um direito dele, mas tantas e tamanhas são as denúncias e as evidências do desvio  de  verbas e da inação daquela empresa erigida com a poupança dos bancários que o mínimo a fazer seria entrar em cone de sombra. Até para defender-se melhor.  O que não dá é saber que controla as finanças do partido posicionado para vencer as eleições de outubro.

Ronaldinho-Leonardo-Milan

Num jogo que acabou agora, às 18 horas no Brasil, o mais discutido jogador do momento, fez os últimos 15 minutos, como o grande craque que sempre foi. Deixou vários companheiros na porta do gol (incluindo o famoso Beckham) e embolou o campeonato. O Milan venceu por 1 a 0, não precisava mais do que isso.

O Milan está apenas a 1 ponto do Inter, é bom para o futebol e para os brasileiros que jogam (ou dirigem) na Itália.

Fabiana Murer, ouro no Mundial de Atletismo em pista coberta

Grande atleta, às 12 horas e 15 minutos, (horário de Brasília) garantia a medalha de ouro para ela e para o Brasil. É o terceiro OURO que conquista em 2010, que ainda não tem 3 meses.

Obstinada, profissional, compenetrada, vem se destacando, teve problemas na Olimpíada de Pequim. (Sumiu ou sumiram com sua vara especial). Competitiva ao máximo, todas as glórias e aplausos. Ninguém merece tanto, nesse esporte.

Esportivas, observadas e comentadas

Ferrari: dobradinha

Alonso primeiro, Massa segundo. O pior que poderia ter acontecido ao brasileiro: a contratação do espanhol pela equipe italiana. Vitória fácil, dificilmente Massa reverterá a situação. Schumacher, o maior ganhador de todos os tempos (“não preciso de dinheiro”) ficou em sexto lugar, equivale a vexame. Como acalmar o EGO? Barrichelo e Button, que saudades de 2009.

Fluminense perde o
primeiro ponto para “pequenos”

Passada a fase extraordinária da permanência na Série A, (ninguém acreditava, muito menos eu) parece que acabou o gás. Contra o América, um empate injustíssimo. O América merecia vencer, e facilmente.

O dinheiro do petróleo
pelo menos ajuda o esporte

É uma das maiores desigualdades do mundo: só existem muito RICOS e muito POBRES. Não há classe média. Esbanjam dinheiro. No tênis pagam por fora (como se fossem partidos brasileiros) para os 4 primeiros do ranking comparecerem. Ontem, Campeonato Mundial de Atletismo e Fórmula 1.

Fernando Henrique só ajuda Lula e Dilma

Vicente Limongi Netto:
O presidente Luiz Inacio Lula da Silva e seus seguidores adoram quando o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso abre a boca ou escreve seus bolorentos artiguetes. O resultado é imediato: Dona Dilma cresce nas pesquisas de opinião, e José Serra estaciona. Fica a impressão de que Fernando Henrique Cardoso quer o lugar do candidato, substituindo Serra. Os gênios tucanos poderiam esquecer a chapa puro-sangue, Serra/Aécio, e formar a puro-mofo, Serra-Fernando Henrique Cardoso”.

Comentário de Helio Fernandes:
Você chutou muito bem, Limongi, mas passou raspando ou bateu na trave. FHC aceitaria até a vice, “para fortalecer o PSDB”. Ha!Ha!Ha! Acontece que vai completar 79 anos agora em 18 de junho, significa que sua idade ultrapassa de muito a vaidade, a ambição e as esperanças de alcançar alguma visibilidade.

O sociólogo das Astúrias, ( em parceria) ou da Fundação Ford (sozinho), já recebeu um pedido, vá lá, de Serra, “delicadamente”: “Por favor, fique em silêncio, é o melhor que você pode fazer pelo PSDB”.

O ex-presidente recebeu, compreendeu e silenciou. E não foi apenas em atenção a Serra e sua candidatura. Como noticiei em outubro, FHC quer ser embaixador na ONU, não pode contrariar o partido e o candidato.

FHC, em matéria de governo, perde para todos os candidatos, civis ou militares. Mas já que foi presidente duas vezes, (além de suplente de senador que assumiu) nada contra ocupar esse cargo ou representação. E se o governador de São Paulo for presidente, tem FHC longe, a oitava maravilha do mundo. Apesar da aviação ter progredido muito, 9 horas de voo, brincadeira.

Semana movimentada
para a sucessão de Lula

São tantas as reuniões marcadas a partir de amanhã, que haveria número para sessão na Câmara e no Senado.

Até agora, continuo repetindo o que venho dizendo desde outubro: Michel Temer não será vice de ninguém, principalmente de Dona Dilma. Quer ver se aproveita o VETO para a conquista de votos e tentar continuar presidente da Câmara. Que República.

Requião em Brasília

O governador do Paraná pode estar hoje na capital. Depende apenas de um telefonema de Paes de Andrade. Este, que já presidiu a Câmara, foi presidente da República (interino, várias vezes) e embaixador, é presidente de honra do PMDB. Trabalha para o partido ter candidato próprio. E para ele, “candidato próprio”, é Requião.

Pré-Sal: a irresponsabilidade do projeto do reaparecido Ibsen

Já escrevi tanto sobre o Pré-Sal, que todos conhecem minha posição. Sempre a favor da Petrobras e do país. Não recuo o mínimo na posição de “pregar” uma Petrobras CEM POR CENTO NACIONAL, distribuindo uma parte dos recursos do Pré-Sal para diversos estados, mas sem tocar, o mínimo que seja, no que já recebem estados e municípios.

O corte dos royalties, atingiria fortemente o Estado do Rio e o Espírito Santo, além de municípios localizados. Isso é INCONSTITUCIONAL. Outubro chegará, haverá um novo presidente, e a tecnologia para a exploração na chamada CAMADA DO PRÉ-SAL, não estará entendida.

E o equipamento para profundidades de 5, 6 ou 7 mil metros, ainda não começou a ser fabricado, não saiu das pranchetas de desenhistas e engenheiros.

Enquanto isso, Ibsen Pinheiro voltou para criar essa CONFUSÃO, que não será aprovada de jeito algum.

Cabralzinho “chorou”: Ha!Ha!Ha!

Temos que deixar passar também essa fase do governador, que pensava (?) e divulgava: “O presidente Lula não vai me trair ou prejudicar”.

Para ele, tudo é pessoal. Os royalties para o Estado e alguns municípios, são questões particulares e não verdadeiros atentados a milhões de cidadãos.

Depois de limpar algumas lágrimas, serginho cabralzinho filhinho se recuperou e foi conversar com Lindberg Farias, que queria ser candidato a governador ou senador, vetou as duas. Agora vai apoiar o prefeito de Nova Iguaçu para o Senado, e Dona Benedita, que ocupa cargo em seu governo, desesperada.

Uma viagem perigosa

Carlos Chagas

Embarcou o presidente Lula, ontem, para  Israel e  Palestina. É o primeiro  governante brasileiro a viajar para o Oriente Médio,  depois de D. Pedro II. Também visitará o Líbano.

Trata-se de um risco desnecessário, apesar de um gesto não propriamente de boa vizinhança, dada a distância que nos separa dessas duas nações,  mas  elogiável por  parte do presidente  de um país que emerge no cenário político internacional.

O risco? De desagradar  as duas comunidades  em choque, em vez de agradá-las.  Em especial se praticar o improviso, senão nos  pronunciamentos oficiais, ao menos nas entrevistas e comentários que certamente fará, provocado ou não. Alguém já disse, dois mil anos atrás, naquela região, ser impossível servir a dois senhores ao mesmo tempo. Nos tempos atuais, Israel e Palestina confrontam-se desde 1947, quando as Nações Unidas recomendaram a criação de dois estados no mesmo território,  mas apenas um conseguiu formar-se.

Diante da Autoridade  Palestina,  o Lula não poderá   deixar de manifestar-se pela criação do estado ainda inconcluso. Mas no parlamento israelense, como será recebida sua exortação?

Estaremos  entrando gratuitamente num vespeiro que apenas o tempo, dependendo do destino, se encarregará de resolver. Para quê? Além de estarem acirradas as expectativas entre as comunidades israelita e árabe incrustadas no Brasil e convivendo em paz, fica óbvio que o presidente brasileiro não  levará em sua bagagem uma varinha de condão destinada a realizar o  milagre da convivência    até hoje malogrado apesar das tentativas dos Estados Unidos, da Europa e  da Ásia.

Nossas viagens presidenciais ao exterior tem, geralmente, objetivos econômicos e comerciais. Visam captar investimentos, sugerir  parcerias  e  celebrar contratos variados,  capazes de beneficiar as partes. O que poderá a Palestina oferecer-nos? E nós,  àquela nação?  Israel não se sentirá agastado com a interferência brasileira?  Em suma, uma viagem perigosa.

EM VEZ DE INVESTIGAR…

O que faz o PT,  em vez de investigar as denúncias que envolvem lambanças na Cooperativa Habitacional dos Bancários de São Paulo, atingindo o atual tesoureiro do partido, João Vaccari Neto?   Simplesmente, quer punir o mensageiro que trouxe a má notícia, no caso, o promotor José Carlos Blat.

Os companheiros representaram na Justiça contra o representante do Ministério Público, acusando-o de parcial e injusto. Conseguiram, também, em aliança com o PMDB, impedir a convocação do promotor para uma audiência pública no Senado, quando teria oportunidade de explicar sua ação. Numa palavra, o PT quer abafar mais esse episódio com aparência de corrupção explícita.

A GRANDE FESTA

Acontecerá dia 29 a despedida de Dilma Rousseff da dobradinha há dois anos mantida  com o presidente Lula, ou seja, da campanha eleitoral que ambos tem desenvolvido em viagens por todo o país.  O PAC II será lançado com toda pompa e circunstância num dos maiores auditórios de Brasília, com direito à presença do Lula, do alto comando e das bases do PT,  além de partidos  aliados, ministros e curiosos. Uma festa para ninguém botar defeito, quando a candidata deixará a  chefia da Casa Civil, ainda que apenas dia 2 de abril formalize sua desincompatibilização.

Cairá no vazio o estrilo da oposição, protestando porque o PAC I não foi concluído e, assim, desnecessário seria o seu seguinte.

ABSURDOS

Todos os boatos são válidos, nestes  dias que nos separam do prazo fatal para ministros e governadores candidatos às eleições de outubro deixarem seus cargos. Os maiores absurdos ganham a mídia, a maioria com ares de verdade, lançados mas  logo depois dissolvidos pela própria natureza das coisas.

O mais novo durou pouco, de quinta para sexta-feira, dando conta de que Dilma Rousseff,  quer dizer, o presidente Lula, apoiaria a candidatura de Alberto Anastásia ao governo de Minas. Seria uma aliança esdrúxula com  Aécio Neves, capaz de fulminar José Serra.

O governador  mineiro  fará tudo para eleger o sucessor, é claro, já que seu futuro dependerá dele. Mas levar o caos ao ninho dos tucanos, de jeito nenhum. Por isso mandou desmentir o despropósito, curioso apenas em saber sua origem. Não deve ter sido o PT, ávido de disputar o Palácio da Liberdade com candidato próprio…

Jesus Cristo e Marx

Paulo Solon:
“Helio, tudo começou com Jesus Cristo, que mandou os ricos darem dinheiro aos pobres. Marx e Engels apenas codificaram. Mao Tse Tung também ensinou o método de trabalho e crescimento”.

Comentário de Helio Fernandes:
Perfeito, Solon, Jesus Cristo foi o maior líder social que o mundo já conheceu, e isso partindo do ano zero, que passou a se chamar DC. (Depois de Cristo). Teve tanta importância que Julio César (um dos 3 maiores generais da história), que morrera há 74 anos, sem ter nada com isso, ganhou um adendo: “Julio César morreu há 74 anos AC”. (Antes de Cristo).

Quanto ao fato de “Marx ter CODIFICADO o que Jesus pregara”, mais ou menos. No “O Capital” e depois no “Manifesto Marxista” de 1848, não há dúvida que ele “sugou” o que podia da pregação de Jesus Cristo, não pelo prazer de copiar, mas porque com o talento e a formidável capacidade de pensar, analisar e refletir, viu que Jesus Cristo já havia defendido “tudo”, muito antes.

Também dizem que Marx, no plano econômico, tirou o que podia de Adam Smith, considerado até então como “o pai da economia moderna”. Pode ser, pode ser, nenhuma realidade verdadeira, apenas alguma semelhança. E Marx na época e até hoje, ainda é tão avançado, que praticamente foi o único “marxista”, da História. Ainda é discutidíssimo, pode ser dito que o mundo caminha a favor de Marx, ou se organiza e se arregimenta contra ele.

A Igreja Católica explorou e explora Jesus Cristo até hoje, tentando transformá-lo num milagreiro vulgar. Apesar da formidável organização da Igreja Católica, não conseguiram anular ou eliminar o grande líder social que foi Jesus Cristo. Invadindo o terreno que você domina tão bem: apesar da proliferação das crenças, (ou das “crenças” muito bem remuneradas) com os nomes mais variados, não existe religião e sim a FÉ. Sem FÉ, qualquer que seja o Poder da palavra, não há religião.

Sumarizando Marx: ele acertou em quase tudo. Principalmente, quando afirmou que a “REVOLUÇÃO MARXISTA, (textual) não resistiria se ficasse localizada apenas num país”. Em 1942, quando o carrasco Stalin acabou com o KOMINTERN (internacional) e criou o KOMINFORM (nacional), a União Soviética estava condenada a desaparecer. Como aconteceu, com a ajuda poderosa dos dólares falsos do Plano Marshall.

Para interromper Marx por instantes, ou ficaríamos meses e anos, suas previsões sobre um país com sistema marxista. (Que tentavam chamar de comunista, e até Lênin e Trotsky vetaram). Marx sonhava que esse sistema de Poder surgisse na sua amada Alemanha. Mas tinha todas as dúvidas sobre isso.

Acreditava que o primeiro país a se organizar nesse sistema, fosse a Inglaterra, por causa da Revolução Industrial de 1780, que pela primeira vez impulsionou o mundo naquela época, multiplicando a produção (e logicamente o consumo) por três ou quatro vezes.

Se estivesse vivo quando essa Revolução foi implantada na Rússia, em 1918/19, teria morrido de susto e decepção. Pois o que ele exigia, acima e antes de tudo, era uma classe trabalhadora consciente, organizada e reivindicadora.

Essa Rússia, (como chamavam “as Rússias”) vivia há 300 anos sob o domínio dos Romanoff, num atraso inimaginável. Por causa disso e por muitos e diversos fatores, durou até mais do que devia. Quando Lênin morreu e Stalin expulsou e perseguiu Trotsky até a morte, a União Soviética deixou de existir. Durou mais um pouco, mas não era nem de longe o que Marx imaginara e divulgara.

Os líderes americanos e soviéticos não perceberam nada e ainda levaram muitos anos, assustando o mundo. Os americanos divulgando que “o comunismo dominaria o mundo, principalmente a América do Sul”. E os soviéticos acreditando que isso fosse verdade.

Quanto a Mao Tse Tung, tratemos hoje, ligeiramente. Quando começou o que se chamou de “Grande Marcha”, (em 1949) o mundo sentiu que estava diante de um fato EXTRAORDINÁRIO. Em 1970, 11 anos depois, Mao, (antes do seu famoso “Livro Vermelho”), fez uma análise insuperável, irrefutável e indescritível: “Peguei a China no Século X e ela já está praticamente no Século XX, isso só se consegue com muita obstinação”. Era verdade.

Superado pela idade e pelo excesso de abuso do Poder, Mao foi colocado na parede (como sempre em fotos), e se transformou num líder adorado e odiado. Surgiram personagens mais preparados para a administração e contato com o mundo.

Mao Tse Tung foi retirado de todos os lugares, tentaram tudo para ofuscá-lo. Mas ele já estava ofuscado pela ausência do Poder, é este que ilumina a todos. Mas não podem retirá-lo da História. Até mesmo para amaldiçoá-lo.

O mesmo aconteceu com Stalin na União Soviética. Durante a reunião do 22º Congresso do Partido, Kruschev, (uma espécie de Lula de lá, com os mesmos “atributos” ou falta deles) providenciou o fim do “mito” Stalin, promovido por ele mesmo. Estátuas foram derrubadas, fotos retiradas, seu nome deixou de existir. Ninguém defendeu Stalin do libelo Kruschev.

Agora, quase 60 anos depois de sua morte, foram liberados livros sobre Stalin, que se pensava, acreditava ou admitia ser apenas 1 por cento da realidade.

PS – Na Constituinte de 1787, os Fundadores da República hesitavam no nome, mesmo depois da Convenção da Filadélfia. Afinal decidiram que tudo deveria constar e cabe no título. A definição política, administrativa e até geográfica. Ficou então: “Confederação dos Estados Unidos da América do Norte”. O que seria estados unidos, se transformou em ESTADOS UNIDOS, parecido mas muito diferente.

PS2 – Lênin e Trotsky enfrentaram o mesmo problema quando chegaram ao Poder depois da Segunda Guerra Mundial e a fantástica e espantosa guerra civil. Como os EUA, decidiram: “UNIÃO DAS REPÚBLICAS SOCIALISTAS SOVIÉTICAS”. Que na verdade era o que pretendiam. O regime era SOVIÉTICO, o SOCIALISMO deveria ser conquistado, no final da luta.

PS3 – Recusaram a palavra COMUNISMO, que alguns defendiam, e nem consideraram incorporar MARXISMO. De qualquer maneira, Marx é um nome e uma preocupação.

PS4 – Jesus Cristo é ETERNO, IMORTAL E DURADOURO, mesmo sacrificado pela apropriação da Igreja Católica. Esta se subdividiu ou se multifacetou, Jesus Cristo foi canonizado para servir a poucos, ele queria servir a todos, salvar o mundo.

Dilma-Requião e o vale-tudo

Nesses cálculos esdrúxulos, periférios e até escalafobéticos, para formar ou fechar a chapa presidencial, vale tudo. Ou não vale nada. Já que PT e PMDB, se dizem aliados e partidos da base, por que não juntam logo os nomes que estão no título desta nota?

Governador em 1994, senador em 1998, novamente governador em 2002 e 2006, é tido como muito agressivo. Mas não é isso que Dona Dilma está precisando e procurando?

Apenas sugestão, ninguém preenche minha expectativa e esperança. Haja o que houver, farei oposição a qualquer governo, defendendo o país.

Botafogo-São Raimundo: vexame duplo, imperdoável

Essa Copa Brasil, apesar de cópia da aristocrática “Copa do Rei da Espanha”, é democrática. Lá jogam times da terceira divisão com outros da primeira, aqui também. Mas como lá os clubes vendem entradas antecipadas para o ano todo, jogos se realizam com 80 ou 90 mil pagantes. Quem comprou e pagou vai aos jogos.

No Brasil, o torcedor tem dificuldade para comprar a entrada nos grandes jogos, não vai logicamente a outros sem expressão.

A diferença do Brasil

Anteontem, no Engenhão, 2 mil e 200 pessoas. 1.300 pagaram, 900 (NOVECENTOS, quase 50 por cento) NÃO PAGARAM.

Brutos, na bilheteria, 31 mil reais. Sobrou alguma coisa? No campo “sobrou” apenas a mediocridade daqueles 7 gols, nenhum deles citável ou elogiável.

Vasco tem recorde negativo

No penúltimo jogo, 986 pagantes. Contra o Bangu, menos ainda, 932 pagantes. Como descobrir a motivação dessa pessoas? Com o futebol que o Vasco vem jogando, fácil é justificar a ausência.

Empáfia, presunção e arrogância

Carlos Chagas

Empáfia, presunção e arrogância costumam ser vício dos tolos. Com todo o respeito, são essas  as posturas mais verificadas no palácio do Planalto, no PT e na campanha de Dilma Rousseff, depois da divulgação da última pesquisa eleitoral da Datafolha,  domingo passado.  Imagine-se a próxima, a ser conhecida hoje, da CNI-Ibope, caso mantida  a ascensão da candidata.

O clima no governo é de tanta euforia que assessores e ministros já convencem o presidente Lula de  não precisar mais  fazer concessões a partidos aliados. Daí as informações de Michel Temer estar sendo garfado como  candidato a vice-presidente na chapa oficial.  Para que entregar ao PMDB considerável parte do bolo do poder se Dilma pode considerar-se eleita pelas próprias forças do Lula?

Por conta disso voltaram a cogitar de Henrique Meirelles, que daria tranqüilidade ao mercado, mas não traria um voto sequer para a  ministra. A equação evoluiu e hoje concentra-se em  Ciro Gomes  como a melhor solução, pela liderança de que dispõe e, mais ainda, por afastá-lo da disputa presidencial. O ex-ministro e ex-governador do Ceará parece pronto a ser seduzido pela proposta. Seu papel, na chapa, seria o de verdugo, batendo firme em José Serra, enquanto Dilma faria às vezes da boazinha, reservando-se para exaltar o presidente Lula e falar da continuidade no futuro.

A política dá muitas voltas e parece no mínimo prematuro raciocinar como os partidários da candidata. Pesquisas não ganham eleição, refletem no máximo um momento. Os números costumam ser levianos, ainda que indiquem tendências.

Perigoso para o governo seria o PMDB reagir ao descarte de  Michel Temer e partir para a retaliação, capaz de cristalizar-se na candidatura própria, desde que apoiada pela totalidade do partido. José Serra colheria dividendos.

TRIPLEX DE UM MILHÃO

Não se cometerá  a injustiça de condenar o presidente Lula por haver entrado numa cooperativa de bancários e adquirido a prestação,   no Guarujá, de frente para a praia, um apartamento  triplex de luxo, ao preço de um milhão de reais. O primeiro-companheiro terá  economizado as mesadas que recebeu do PT por muitos anos e, depois de 2002, os vencimentos de presidente da República. Afinal, todos os gastos pessoais e da família presidencial correm por conta dos cofres públicos.

O problema, no caso, é a disfunção. As massas consideram-no um igual, daí sua imensa popularidade. Fala o que o povão quer ouvir e age em favor dos menos favorecidos. Mas vai viver como vivem as elites, que  também privilegia. Nada mais natural do que pretenda usufruir das benesses das altas camadas.  No caso, uma confortável residência para os fins de semana e as temporadas de verão, depois que deixar o poder. Mesmo assim…

BICOS EM CHOQUE

Andam estremecidas as relações entre José Serra e  Fernando Henrique. De alguns dias  para cá o sociólogo parou de dar declarações a respeito da  campanha do governador. Quando falava, destoava, tornando-se até inconveniente na cobrança da antecipação do lançamento da candidatura. Serra não gostou e fez chegar seu desagrado  ao antigo chefe.

Outro que não se encontra propriamente nas boas graças do candidato tucano é o senador Tasso Jereissati. Afinal, se todo mundo ficar dando palpite na estratégia de Serra, a campanha se tornará um caos. Se der certo sua cautela, muito bem. Se der errado, assumirá sozinho a responsabilidade.

TRÊS ONDE SÓ CABEM DOIS

No Ceará, disputam o Senado Eunício Oliveira, Tasso Jereissati e José Pimentel.  Como só existem duas vagas, um vai sobrar. O ministro da Previdência Social apresenta-se como candidato do presidente Lula, que o  teria estimulado como representante do PT. O atual senador e ex-governador do PSDB dispõe de ampla popularidade e mais recursos ainda, além da simpatia do governador Cid Gomes.  Já o deputado e ex-ministro chega com o peso do PMDB e sua experiência política e empresarial, eleito para a Câmara em 2006 com a maior votação do estado.

Fica difícil fazer prognósticos, ainda que Eunício e Tasso pareçam a um passo de formar a dobradinha. Como governo é governo, e Pimentel tem sido um ministro excepcional,  melhor aguardar…

Silêncio pode ter custado o segundo turno

Pedro do Coutto
O silêncio do presidente Lula à  morte por greve de fome do dissidente cubano Orlando Zapata, ocorrida em Cuba, por vir a custar a disputa ao segundo turno por parte de sua candidata Dilma Roussef, tão forte foi a reação brasileira e internacional quanto à vida humana, após 82 dias de prisão. No que se trata apenas de uma reação política, mas de uma reação humana contra um preso político cuja única acusação era a de ser um dissidente castrista cujo governo de Havana hoje está entregue a seu irmão, Raul. Não pode haver tortura pior e mas continuada do que esta quando alguém se deixa morrer de inanição resistindo até aos apelos do próprio organismo. Já houve casos, como na Inglaterra quando a primeira ministra Margareth Tachter determinou a alimentação forçada de prisioneiros para exatamente impedir o desfecho que aconteceu em Cuba.
Todos os jornalistas escreveram sobre o assunto, entre eles Clóvis Rossi, Eliane Catanhêde, Carlos Heitor Cony, Dora Kramer, entre outros. Poucas vezes se percebeu tal unanimidade, sobretudo marcada de um lado pela covardia de, outro pelo estoicismo. A pergunta que cabe é como se deixa alguém morrer através de um suicídio lento e doloroso. O exemplo não poderia ser pior, sobretudo para alguém como Lula, em 1970, esteve prisioneiro no Brasil, exatamente em função de uma greve de metalúrgicos em São Paulo. Naquele tempo, a esquerda fidelista era a favor das greves. Hoje, é contra. Até mesmo à que leva a morte pela fome depois de 82 dias. O silêncio brasileiro foi vergonhoso! Nem uma só palavra de abafamento, como as que se ouviram em países em que brasileiros transportando tóxicos foram detidos e condenados. Nenhuma palavra como a proferida a favor do italiano Cesare Battisti, condenado na Itália por quatro homicídios. Nenhuma palavra contra a morte por seqüestro. Não se concebe a comparação entre uma atitude e outra.
O que terá passado na cabeça do governo brasileiro? Não haveria necessidade de uma manifestação quantas são feitas ao redor do mundo. Nada. Só silêncio como resposta. Há outros cubanos em greve de fome. Nenhum por crimes políticos. Apenas em função de uma dissidência que ocorre em qualquer parte do mundo. Até na URSS de Kruschov, o poeta Soljenitz foi condenado por ter escrito contra o regime, o Arquipélago Gulag. Conhece-se mortes semelhantes na Alemanha de Hitler, acompanhados de queima de livros. Na China, nem a dissidência foi punida pela morte pela fome. Temos um procedente cubano, que há 51 anos atrás lutou exatamente pela liberdade e pelos cárceres imundos do governo de Fulgêncio Batista. Hoje, mais de meio século depois, Fidel e Batista se encontram numa esquina da história. Os métodos não mudaram. Os papéis se inverteram. O herói de Sierra Mestre de ontem, que foi capaz de enfrentar a estúpida invasão da Ilha dos Porcos transforma-se em um ditador igual ao do passado. Mas com uma diferença. O silêncio brasileiro em ano eleitoral, ainda por cima.
Com isso, uma eleição que parecia ganha por Dilma Roussef, transformou-se numa dúvida no segundo turno. Política é assim. O que parece decidido ontem pode mudar amanhã. Depende dos rumos tornarem os fatos de hoje.

A OAB acertou

Todos têm direito a advogado, até mesmo os que praticam o chamado “crime hediondo”. Como a história do Brasil tem mais golpes do que governos eleitos, isso é cumprido de forma intermitente. Mas é reconhecido nos mais diversos países.

Na Inglaterra vem do ano 1.100 (mil e cem), do Rei-democrata, João Sem Terra, que criou o julgamento pelo Tribunal do Júri, com 12 jurados e decisão por unanimidade. (Modificado no Brasil, que transformou em 7 jurados, e vitória ou derrota por 4 a 3, absurdo).

Nos EUA já existia a exigência do advogado, mas não estava na Constituição. A partir de “Emenda Miranda”, foi incluído: “O senhor tem direito a advogado, se não puder pagar, o Estado indicará um defensor público”.

O governador licenciado, Roberto Arruda, é réu confesso, desde que, chorando, renunciou ao Senado, para não ser cassado. Agora, repete a história. Mas tem direito a advogado.

Arruda não pode se defender sozinho, por dois motivos. 1 – É engenheiro, por isso começou a carreira como secretário de Transportes do próprio mestre, o corrupto, (ainda mais do que ele) Joaquim Roriz.

2 – Se fosse advogado, também não poderia fazer a própria defesa, incorreria na definição do maior advogado da história dos EUA, Clarence Darrow: “Um advogado que defende a si mesmo, tem um idiota como cliente”.

Faltam 20 dias para a desincompatibilização

Ficaram poucos, nos cargos, alguns têm que sair mesmo. Falo de Dona Dilma, precisa e deseja mesmo, não tem outra solução. Aécio e Requião, já reeleitos, não podem ficar.

Saem e têm opções. Requião, o governador do Paraná, presidenciável com a formidável descrença do amestradíssimo PMDB. Se não conseguir, se elege senador.

Aécio

O governador de Minas tem também uma cadeira no Senado, que assumiria com 51 anos. Se aceitar ser vice de Serra, duas conclusões: 1 – Serei, confessadamente, o pior analista do mundo. 2 – Aécio ganhará, sem existir, o Prêmio Nobel da Tolice. Como ser vice de um candidato (?) que pode não ganhar? Arriscará tudo por nada?

“Candidato” constrangido

Mierelles, que achava o máximo ser governador de Goiás, agora desdenha e despreza o que ante cobiçava. Apoiado pelo já não tão poderoso FMI, deixará o BC. Mas com a expectativa de voltar, por imposição de Lula, no governo “bipresidencial”, no caso do atual presidente, “implantar” a futura.

O governador de São Paulo

Resta, então, José Serra. É o dono do PSDB, de sua decisão “colegiada”, (Ha!Ha!Ha!) e da vontade pessoal. Como só toma decisões baseado em pesquisas, que o enganaram em  2002 e 2006, (disputando uma e tendo que desistir da outra) pode sair amanhã, o que não parece provável embora possível.

Ciro Gomes

Não está em cargo “desincompatibilizável”, faz o que quer. Em 2002 ficou sem mandato, não perdeu nada. Em 2006 se elegeu deputado, não ganhou nada. É também, um tríplice candidatável: presidente, vice, governador de São Paulo, para perder ou para ajudar.

Reprodução do artigo publicado em 12 de março de 1967, com o título natural: “Saída de Castelo do governo, que a história recordará como o DIA DO ALÍVIO NACIONAL”

Foi o último dos três artigos publicados com Castelo Branco “presidente”. Já escrevera diversos, vários, muitos, sempre com alguma represália ou ameaça de intimidação contra o repórter. Mas como jamais falei com Castelo (como também nunca estive nem perto de Costa e Silva, Médici, Golbery, Otavio Medeiros ou qualquer um outro) não tomei conhecimento do que ele dizia.

Só que um dia aconteceu fato estranhíssimo, mas rigorosamente verdadeiro. Carlos Lacerda conversava muito com Castelo, ou a chamado (no início) ou indo por vontade própria. Sofrendo oposição de muitos jornais e reagindo com violência, ainda governador, Lacerda se queixou ao “presidente”: “Não suporto mais tanta restrição, o senhor precisa me ajudar”.

O próprio Carlos Lacerda me contou, que Castelo abriu uma gaveta da mesa de trabalho, tirou um monte de Tribunas, mostrou a ele, dizendo ou perguntando: “E eu, o que faço? Tenho que agüentar diariamente as criticas do jornalista, sempre violentas. Com uma diferença. Ele me ataca e jamais me procura, ao contrário do senhor, que me ataca pela manhã e me procura à noite”.

Aproveitei para dizer a Lacerda; “Ele está coberto de razão. Não se pode servir a dois senhores, tentar ao mesmo tempo ser governo e oposição”. O governador não disse nada, estava confuso e não conseguia se definir. Também, como dizem, não foi o artífice da “Frente Ampla”. Participou dela quando estava em ebulição, o que provocou seu encontro com Juscelino e com Jango. E até gostou de conversar com eles.

Daqui em diante, tudo é reprodução do que foi publicado em 12 de março de 1967. Naturalmente entrelaçando o que Castelo disse a Juscelino quando queria ENTRAR, as traições e mentiras DURANTE os 3 anos, e a alegria do povo praticamente na véspera dele SAIR.

Está se aproximando o que venho identificando como “O DIA DO ALIVIO NACIONAL”. A saída de Castelo Branco da “presidência”, unirá, pelo menos de longe, mas com a satisfação geral, todos os brasileiros, sejam civis ou militares. Castelo está deixando o Poder, e o Brasil inteiro prepara grandes festas, manifestações de satisfação. E embora o regime já esteja suficientemente “endurecido”, a maior parte dessas violências coube a Castelo propor, referendar e praticar.

O que disse no artigo de anteontem, que Ernesto Geisel, (Chefe da Casa Militar) investigara em Pernambuco sobre tortura, e voltara com a afirmação, “está tudo normal”, é porque para eles, a tortura fazia parte da “normalidade”, não os impedia de dormir. Neste 12 de março de 1967, a tortura se institucionalizara, sob o comando do “presidente” que está indo embora. (Mas segundo ele, “não para sempre, serei chamado para ocupar o cargo novamente”).

Dentro de 3 dias, teremos na Avenida Rio Branco, a tradicional chuva de papel picado, só reservada aos dias de grande emoção nacional. E nada mais significativo e expressivo dessa emoção, do que o fim do mandato do pior “presidente” de toda a história do Brasil.

A partir do dia 15, estará no “governo” o general Costa e Silva, que pretendia o Poder em 1964, ficou revoltado por causa da preterição, (como ele dizia) tendo como causa a mobilização de Castelo no meio militar e civil. Foram colegas de turma no Realengo, sempre muito ligados. A partir de 1964, Costa e Silva “conseguiu” ser Ministro da Guerra, mas só tratava Castelo de senhor, não se reconciliaram jamais.

Agora, Costa e Silva será “presidente”, três anos depois do esperado e assume até com possibilidades e esperanças de um “governo” inteiramente diferente do que vai sendo enxotado pela maioria da população.

No entanto, temos que ressaltar e ressalvar, que a esperança em Costa e Silva vem menos pelo que possa fazer, e mais por suceder a um ditador nefasto como Castelo Branco. Para se tornar popular ou não ficar tão impopular quanto o “presidente” que sai, Costa e Silva precisa realizar muita coisa.

E o que chamo de “muita coisa”, tem que se basear principalmente em três fatos principais. 1 – Desenvolvimento. 2 – Nacionalismo. 3 – Democratização. No “governo” Castelo, (que será obrigado a ler tudo isso, ainda como “presidente”), nada disso aconteceu porque ele se cercou do pior e mais antipatriótico grupo de traidores.

Os incapazes congênitos como Castelo, têm que apelar para a ditadura e a tortura, e assim sufocar os protestos de uma grande parte da população. Durante esses quase 3 anos, (atingindo ao auge em 1966) “entregou” tudo através do Ministério, com um Ministro que durante mais de 20 anos trabalhou em empresas privadas, nacionais e multinacionais. (Foi indicado por Roberto Campos, querem o quê?).

Durante 3 anos, as riquezas nacionais, o patrimônio do Brasil, e o potencial do futuro, FORAM MISERAVELMENTE ROUBADOS por ladrões estrangeiros, associados a personagens da maior importância no que Castelo Branco acreditava que fosse o “governo”.

Durante esses três anos, Castelo também traiu os compromissos políticos que assumiu voluntariamente com Juscelino. Com 2 meses no cargo, teve que fazer viagem rápida ao exterior, o vice indicado e “nomeado” por ele, Alckmin, precisou atravessar a fronteira e ir dormir por 4 dias num motel no Paraguai.

Cassou e submeteu a inquérito desgastante, inquietante e torturando, o próprio Juscelino, “a quem garantira eleições diretas em 1965”. E depois mandou prendê-lo, COVARDEMENTE. Aliás esta palavra, usada em relação a Castelo Branco, é sempre R-E-D-U-N-D-A-N-T-E.

***

PS – O que não está neste artigo (e logicamente nem nos outros dois): Costa e Silva foi uma surpresa, só que não tinha o menor Poder para fazer o que pretendia. As forças armadas estavam divididas entre SENSATOS e INSENSATOS, estes com maioria, eram chamados de “linha dura”.

PS2 – Costa e Silva era contra a tortura, não pôde evitar a criação do DOI-CODI, que surgia da mente de Orlando Geisel. Também foi contra o AI-5, (o amaldiçoado Ato Institucional) retardou a decisão por 36 horas, ficou diante da opção: ou ASSINAVA ou era DEPOSTO.

PS3 – Já estava em conversas francas com o vice Pedro Aleixo, para PROMULGAR uma nova Constituição. Se reuniam num apartamento alugado por José Aparecido (grande e inesquecível figura), na Rua Domingos Ferreira. Em 1969 foi atingido por um trauma violento, ficou incapacitado, apesar de ter quase 24 horas por dia, ao seu lado, o mestre da neurologia, meu amigo Paulo Niemeyer, irmão do também meu amigo Oscar. (A quem saudei há meses, quando fui designado para isso, ele recebia o Troféu Dom Quixote).

PS4 – É hoje quase lugar comum médico e científico: “Estresse acelera o caminho para o câncer”. Podem acrescentar: trombose e  dano cerebral, que transitam pela mesma estrada. Costa e Silva, incapacitado em 1969, foi atingido pelo AI-5 de 1968.

PS5 – A ressurreição da eleição direta, (desculpe, Paulo Sólon) teve que esperar exatamente 20 anos. Só seria realizada em 1989, com as “alternativas democráticas” conhecidas. E consagração “democrática”, com aspas e apenas de fachada.

Michel Temer para vice: e o corvo disse, “nunca mais”

Finalmente o PT, o Planalto-Alvorada, o próprio PMDB, e o presidente Lula, “que comanda o espetáculo”, parece que acordaram ou descobriram, que o presidente da Câmara não soma coisa alguma formando chapa com a candidata oficial em traje civil.

Ninguém sabe quem lembrou o nome dele, deve ter sido o próprio. Não tem voto, não tem prestígio, nem o PMDB está fechado com ele.

Lula continua interessado em fazer de Meirelles o vice-presidente de Dona Dilma. Por que essa insistência, se ele está filiado ao PMDB? Simples.

O presidente do BC, pelo PASSADO, PRESENTE e certamente o FUTURO, é o “homem providencial” para garantir às elites tão favorecidas no governo Lula, que nenhum benefício, doação ou privilégio nacional ou multinacional (globalizante) será cortado.

Lula quer ser o “novo” Vargas: “PAI” dos pobres e “MÃE” dos ricos.

Sobral Pinto-Parreira

Quando disseram ao famoso advogado, “queremos uma democracia à brasileira”, respondeu sem nenhuma dúvida: “Não conheço nada disso, à brasileira só peru”.

Agora Parreira traz a seleção anfitriã da Copa de junho, garante: “Quero que a seleção da África do Sul, jogue futebol à brasileira”. Se é para imitar 2006, ninguém esqueceu. E Dunga não deixa de criticar tudo o que aconteceu de negativo, por culpa do treinador, que só cuidava da visibilidade. (Pessoal).

Antes era: “E se Kaká se machucar?” Agora é: “E se continuar jogando mal?”

Ronaldinho Gaúcho continua dividindo a questão da convocação. Mas sem dúvida a maioria quer vê-lo na Copa. Todos os treinadores dizem: “Futebol é momento”. Então qual é o do Kaká, que não tem tanto futebol quando Ronaldinho, mas como comportamento, insuperável.

Pois com a eliminação do Real Madri, a substituição do jogador que saiu vaiadíssimo, o que fez Kaká? Soltou palavrão e se revoltou. O que diria sua jovem mulher, que certamente estaria vendo o jogo?