Gabeira de guaiabeira

Sempre discreto, mesmo na época de ações arriscadas, na vestimenta, agora utiliza o mesmo comportamento na campanha. Não vai a lugar algum, não tem palanque, desapareceu. Quanto à guaiabeira (roupa leve e típica da região do Caribe), o primeiro que vi com essa roupa foi o Marcio Moreira Alves, em Cuba, 1960.

A propósito: o Marcio Moreira Alves, sempre participante, se arriscando e combatendo, morreu ignorado, não foi canonizado. Aos 20 anos já levava um tiro de metralhadora na coxa, quem mandou ir fazer reportagem em Alagoas, onde estavam os irmãos Goes Monteiro? Se tivesse tentado IMPEDIR BRIZOLA de ser governador, teria a GLÓRIA DA GLORIFICAÇÃO.

Serra aplaude Serra

Modesto, inibido, constrangido, o governador de São Paulo, não podia deixar passar a oportunidade. E disse: “Tenho INFINITA alegria pelo meu governo”. Falava no celular, andava de trem, (vazio) e posava para o excelente fotógrafo João Brito.

Sarney, tudo no lábio

É uma cirurgia labial, que o ex-presidente sempre usou para mistificar sua carreira. “É simples”, disse ele, mas não vai fazer nem no Maranhão nem no Amapá. Prefere o majestoso Sírio-Libanês, em São Paulo.

Mais Sarney

O Fernando, que sempre administrou as “empresas” da família, é vice-presidente da CBF. Ricardo Teixeira diz sempre: “É o meu braço direito”. Pensei que os dois fossem canhotos.

Mão Santa

Sempre do PMDB, governador e senador. Seu mandato termina agora, Lula deu ordem ao partido da base: “legenda para ele se reeleger, de maneira alguma”. Ordem dada , ordem cumprida.

O médico que ganhou o apelido por causa das operações que fazia, teve que deixar o PMDB, antigamente a vaga era garantida e privativa. Está na frente, será o mais votado.

Quando a história se repete

Carlos Chagas

Geralmente é como farsa, diziam Marx e Lênin sobre as repetições da História. Exemplo mais recente é o PAC II.  Os mais velhos lembrarão que o marechal Castello Branco quis fazer tudo num curto espaço de tempo, já que apenas completaria o mandato surripiado de João Goulart. Mesmo tendo prorrogado seu período de governo por um ano, ficou no poder apenas de abril de 1964 a março de 1967.

Faltando dois dias para passar a faixa presidencial ao marechal Costa e Silva, o primeiro militar daquele ciclo de 21 anos deixou-se seduzir por seu ministro do Planejamento, Roberto Campos, e divulgou um Plano Decenal. Foi ridículo, além de inusitado, porque o segundo presidente não era, propriamente, das boas graças do antecessor. Muito pelo contrário, Castello engoliu seu ministro do Exército mais ou menos como um imenso sapo.

Informado de que estavam tentando engessá-lo, Costa e Silva não perdeu o bom humor, que parte de seus auxiliares teimava em demolir. Disse apenas ao ministro da Fazenda já escolhido, Delfim Neto, que colocasse aquele Plano Decenal no fundo de uma gaveta e só abrisse no último dia de seu governo. Assim foi feito, para horror de Roberto Campos.

Pois vem agora o presidente Lula e lança o PAC II, antes mesmo de o PAC I ter realizado a  metade de suas promessas. Um elenco mal detalhado de realizações que, imagina o primeiro-companheiro, serão seguidas à risca pelo sucessor.

Mesmo se vier a Ser Dilma Rousseff, não vai dar fora das pranchetas. Um trilhão e meio de reais não se disponibilizam assim tão facilmente. Quantas vezes o inusitado baterá à porta do futuro presidente, na forma de surpresas da natureza ou de trapalhadas verificadas no funcionamento da economia mundial e nacional?

Pior ainda se o futuro presidente chamar-se José Serra. Por que estaria ele obrigado a ficar sufocado num  modelo ilusório? Melhor teria feito o presidente Lula se dedicasse os últimos nove meses de seu mandato a viabilizar o PAC I, sem sonhos de grandeza ou megalomania. O programa é que, para ajudar Dilma Rousseff, parece valer tudo. Até transformar a História numa farsa.

PMDB oxigenado

Com a divulgação da mais recente pesquisa eleitoral da Datafolha, ganhou o PMDB mais um tempo de oxigênio. Ficou demonstrado, até prova em contrário, que o PT precisa do maior partido nacional para emplacar Dilma Rousseff no palácio do Planalto. Operação que tem um preço. No caso, a possibilidade de o presidente Lula ter que aceitar Michel Temer como companheiro de chapa da candidata.

Nenhuma operação parece concluída, é claro. Dezenas de outras pesquisas serão feitas e divulgadas. Mas mudou o volúvel quadro eleitoral, com  a ascensão de José Serra depois que Dilma dava a impressão de havê-lo alcançado. Recusar a indicação de Michel Temer poderá ser fatal para a eleição da mãe do PAC. Em São Paulo, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, pelo menos, os dirigentes locais do PMDB já se encontram comprometidos com José Serra. Humilhar o presidente nacional do  partido com a negativa de sua aceitação equivalerá a romper o instável equilíbrio de forças partidárias.

Alguma coisa melhorou

Não dá para esquecer o que aconteceu no final do governo Fernando Henrique, quando boa parte de seus ministros tratou de cuidar da vida.  Muitos integrantes  da  equipe econômica e penduricalhos deixavam  o governo para fundar bancos singulares, daqueles que não  tinham clientes nem agências. Dedicavam-se a utilizar conhecimentos adquiridos no segredo da burocracia para especular, ganhar dinheiro e amealhar clientes em grupos econômicos interessados em multiplicar seu patrimônio a qualquer custo.

Agora, pelo menos, não está sendo assim. Os ministros que pedem para sair antes da hora o fazem por razões eleitorais, para disputar as eleições de outubro. O próprio presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, sonha com a vice-presidência na chapa de Dilma Rousseff ou na senatoria por Goiás. Não lhe passa pela cabeça fundar uma arapuca  de investimentos ou voltar à presidência  de bancos internacionais. Menos mal.

Não quer nem ouvir falar

O já quase ex-governador de São Paulo recusa-se a discutir qualquer referência a quem poderá ser seu companheiro de chapa.  Desconversa, na primeira sondagem, enfatizando que apenas em junho o tema será colocado para decisões. Há quem suponha a razão principal: Serra ainda confia em que o governador Aécio Neves acabará cedendo às imposições da lógica e concorrendo à vice-presidência.  Em especial quando ficar claro que o casamento entre São Paulo e Minas será penhor da vitória. Qualquer outra  hipótese, se não diminuir,  nada acrescentará.

Não há lugar para Ciro em São Paulo

Pedro do Coutto

A pesquisa do Datafolha publicada na edição de 29 de março e comentada por Fernando Canzian na Folha de São Paulo, revela que não existe lugar possível para uma eventual candidatura de Ciro Gomes ao governo paulista. Foram realizadas duas alternativas: Geraldo Alckmin, do PSDB, contra Aloísio Mercadante, do PT deu 53 a 13. A outra confrontando Alckmin com Eduardo Suplicy. O PT melhora um pouco. Em vez dos 13 de Mercadante, 19 para Suplicy.

Nos dois levantamentos, Celso Russomano, do PP, surge com dez pontos. O presidente da Fiesp, entidade de classe economicamente mais forte do país, depois, é claro dos bancos, registrou somente 2 por cento das intenções de voto. Vai desistir rápido, evidente. O percentual obtido é ridículo.

O PT revelou estar fraco em São Paulo. Se assim é, imaginem os leitores, como estaria Ciro Gomes. Provavelmente junto com Skaf. Não acrescenta nem retira votos de ninguém. Alckmin parece consolidado com o sucesso de Alberto Goldman que, no dia 2, substitui José Serra que deixa o governo para se desincompatibilizar. Eduardo Suplicy, em dúvida, apesar da separação de Marta, ainda é o nome mais forte ao governo paulista pelo Partido dos Trabalhadores. Os demais candidatos, como Skaf, vão retirar-se do plano. Afinal de contas não fica bem a um presidente da Fiesp ter somente 2 por cento da votação. Parece até que nem os próprios funcionários da Federação das Indústrias se dispõem a votar nele.

A base paulista é importante para Dilma Rousef. A mim parece que deverá terminando escolhendo Suplicy para que a margem de derrota não seja gigantesca em São Paulo, que concentra 21 por cento de todos os eleitores do país. Foi pena que o Datafolha não incluísse o nome de Ciro Gomes entre as hipóteses. Tenho a impressão- apenas a impressão, – que Ciro Gomes tenha dado zero por cento e, por isso, tenha sido retirado da lista. De qualquer forma, ele nada acrescenta a Dilma Roussef.

Em São Paulo, a preocupação de Lula e Dilma é diminuir ao mínimo a diferença de votos, já que as coisas não estão muito boas em Minas Gerais, e tampouco no Rio de Janeiro, neste caso em função da confusão criada pelo governador Sérgio Cabral, em vetar que Dilma Roussef suba no palanque de Anthony Garotinho. Afinal de contas, a inabilidade foi interpretada como um ultimato. E nenhum presidente da República, no caso Lula, pode reagir bem a ultimatos.

O governador precipitou e terminou ampliando o campo de Garotinho. Somados os votos de Gabeira e Garotinho, Gabeira contando com uma pequena parcela proporcionada por Marina Silva, o segundo turno ficou assegurado. Ou entre Cabral e Garotinho ou entre Cabral e Gabeira. Gabeira oferece mais perigo. Em primeiro lugar porque é um debatedor intelectualmente muito acima de Sérgio Cabral; em segundo, se puder contar com o apoio do ex-governador, forte nas áreas pobres do Rio e no interior do estado. Talvez com sua colocação infeliz tenha jogado fora sua reeleição, que a primeira vista pareceria tranqüila, mas se complicou com os royalties do petróleo.

Cabral revelou conhecer muito pouco do assunto e meteu os pés pelas mãos. O debate, no caso do petróleo, ultrapassou seu nível de competência, inclusive não leu nem a legislação complementar nem a própria Constituição do Estado, artigo 20. O artigo 20 define taxativamente a distribuição dos royalties. Alguém, por favor, forneça uma Carta de 89 do Rio de Janeiro para que ele, pelo menos, leia esse ponto da questão.

Brasileiro quase chega às quartas de Miami

3 sets, 43 games, 2 horas e 37 minutos, o jogo terminando às 14,56 no Brasil, derrotado, mas Bellucci fez a sua melhor exibição. Ganhou de dois jogadores “ranqueados” abaixo dele (Blatter e Rochus), enfrentou o terceiro.

Este era Almagro, número 33, enquanto Bellucci é 27. Perdeu o primeiro set, ganhou o segundo, tinha tudo para vencer o terceiro. Em 3 a 2, com  Almagro sacando. Duas “deixadinhas” fora de hora, levaram o jogo para o tie-break.

Só que aqui, cometeu 4 erros e uma dupla falta. É muito para um set curto.

Hoje, Lula e Meirelles se encontram, decidem se ele será vice ou senador

Hoje à tarde o presidente Lula terá um encontro importante com o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles. Oficialmente, Meirelles informará ao presidente da República, que está deixando o BC para ser candidato ao Senado por Goiás. Mas do cardápio constam temas muito mais apetitosos, tais como o nome do novo presidente do Banco Central e os acertos para a candidatura de Meirelles a vice-presidente, na chapa da ministra Dilma Rousseff.

Aliás, segundo um veterano político, a candidatura de Meirelles a vice, na chapa de Dilma, é uma nomeação para o cargo. Já a candidatura a senador por Goiás tem os riscos de qualquer disputa eleitoral. Explica-se: segundo esse político, no quadro atual, Lula fará sua sucessora e o “crescimento” de Serra, nas pesquisas, não passa de uma grosseira manipulação de dados, coisa que, há muito tempo, não ocorria no Brasil.

Forte, porque vetado pelo PT

O  nome mais provável para suceder Meirelles no Banco Central é do economista Alexandre Tombini, atual diretor de Normas e Organização do Sistema Financeiro do BC. Contraria toda a cúpula do partido, por isso ganha mais força. Até com Lula.

Piada definição

Corre em Brasília a seguinte piada. Se o pessoal que tem seus nomes na agenda da “agenciadora de encontros” Jeany Mary Corner, resolver falar, para atenuar sua participação no esquema do Mensalão, a coisa restará mais para “felação premiada”, do que para delação premiada. (Sobre que acontece e vai acontecer em Brasília, ninguém mais bem informado do que o advogado José Carlos Werneck).

Desincompatibilização

É a palavra-chave. Para alguns, como Requião e Aécio, já reeeleitos, obrigatória. E têm o mesmo destino-objetivo: a candidatura a vice ou nomeação para o Senado. Deixam os governos e esperam.

Itamar Franco

Dos políticos atuais, já foi tudo, alternadamente: presidente, governador, 16 anos senador, embaixador. Nenhuma acusação, apenas uma infelicidade: ter indicado e eleito FHC. Disso ninguém se livra.

Alfredo Nascimento: ministro-senador-ministro, pode não ser governador

Já foi favorito, não é mais, embora ainda possa ganhar. Para o Senado, a candidata era (ou ainda é) Vanessa Graziotin, do PCdoB. Teve grande votação para deputado federal, mas não repete na majoritária. Mocíssima, pode voltar à Câmara e esperar.

Política familiar

Acontece que o marido de Dona Vanessa, também do PCdoB, secretário (deixa o cargo hoje), quer ser federal, é estadual. Não têm votos para os dois candidatos.

Eduardo Braga, senador já eleito, registrou como vice sua própria mulher. Está pensando no futuro. De qualquer maneira, o estado onde se desperdiça mais dinheiro é o Amazonas.

É uma batalha terrível, uma guerra verdadeira. O governador Eduardo Braga quer eleger seu vice, porque ele, já reeeleito, será senador. Junto com ele, voltará ao Senado, Artur Virgilio, que vem subindo de forma espetacular.

Sempre financiado pela Fiesp e Febraban, Serra é um felizardo da Bolsa-Fuga e da Bolsa-Exílio, 16 anos sem COMBATER, é o seu forte

Todo presidente da Fiesp pretende dominar o Estado. Apoiaram a ditadura, nem assim conseguiram. São sempre riquíssimos, privilegiados, poderosos.

Quando o presidente da Fiesp era um Klabin Segall, seu pai financiou Serra para o Senado. Este que vinha de duas derrotas seguidas, se elegeu, mas não ocupou o cargo, ficou pouquíssimo tempo, o “senador era o suplente-financiador”.

Por causa disso, o senador-não-suplente da Bahia, Jacques Ornellas, como atual governador se dizia Filantrópico, trocou a primeira letra da palavra, identificou-o como Pilantrópico. Nenhuma contestação do ridicularizado e até acusado senador.

Serra custou a se declarar presidenciável, ele é a versão feminina de Dona Dilma, não tem o que mostrar, o que apresentar, ou a palavra que adora: se exibir. Custou a se definir como presidenciável, ocupou muitos cargos, não marcou sua presença em nenhum deles.

Não tem o que apresentar, é claro que não pode dizer que foi sempre apoiado pela Febraban e pela Fiesp, não é louco. Perdeu duas vezes para prefeito, pois em eleições municipais esses órgãos não têm penetração. Bancos, seguradoras, empresários que vivem de subsídios eternos, sempre estiveram com Serra, mas ele não pode nem irá relembrar nada disso.

A grande jogada da vida de Serra foi a Bolsa-Fuga ou a Bolsa-Exilio, que lastreou tudo o que pretendia. Foi para a França, depois para o Chile, finalmente para os Estados Unidos, 16 anos financiados pelos mais diversos grupos empresariais, apenas estudando, vivendo sem problemas ou dificuldades.

Veio para o Brasil em 1978, a ditadura estava no chão, tentou um cargo eletivo, sua candidatura não foi registrada. Alegação: “ainda estava cassado, não podia ser candidato”. Mas aí vem a confirmação do que eu sempre escrevi e falei: FHC, que se dizia CASSADO E NO EXÍLIO, foi registrado e ficou como suplente de Franco Montoro, garantiu a suplência e a vaga, em 1982, quando Montoro foi eleito governador.

(Portanto, fica mais uma vez público e notório, que o intelectual (?) FHC, desvirtua e desagrega seu próprio passado, e nisso se equipara a Dona Dilma).

Com essas deturpações da verdade, FHC começou a carreira, chegou a presidente, comprou a reeeleição e agora blasfema: “Só a História pode me julgar”. A História somos nós, que alguns depois copiam de jornais da época e imprimem um livro: sem FHC e a DOAÇÃO de 4 ou 5 trilhões do nosso patrimônio, não haveria Serra, que concordou com tudo.

Autoritário, arbitrário, atrabiliário, tem o perfil exato do ditador. Nunca trabalhou na vida particular, e na pública, poderia muito bem ser o autor de “O Zero e o Infinito” (de Arthur Koestler). Só que com Serra seria autobiografia.

Ao se lançar como presidenciável, fez a frase que pode ter surpreendido a muitos, mas não a este repórter: “Meu adversário não é Lula, ele não é candidato”.

***

PS – Serra mostrou e até provou, política se faz sem caráter, sem convicção, sem constrangimento. O importante, sabe muito bem disso, é induzir, conduzir, regredir, desde que afague com muito carinho, a tão afagada (não é redundância) ambição. O governador de São Paulo tem a dose certa da idolatria, hipocrisia e egolatria.

PS2 – Idolatria, lógico, por ele mesmo, e em dose anestésica, para compensar o que os outros não têm por ele. Hipocrisia, enganando adversários e correligionários, sem a mínima visão de que está diante de um espelho, e a imagem refletida não necessita de reflexão. Nem de reflexo.

PS3 – E egolatria elevada à potência máxima, para constatar que a admiração que alimentou numa grande parte dos 68 anos que completou agora, podem ser tão aumentadas, que admiração e ambição, não sejam mais do que palavras e sim objetivos. Para isso, no entendimento de Serra, basta continuar no caminho que começou a percorrer em 1964, e precisa percorrer mais um pouco. Com ou sem solavanco.

Brasília não viu JK chorar

Carlos Chagas

Em janeiro de 1972, recém-chegado a Brasília, saído de  “O Globo”,  do Rio,  para assumir a direção da sucursal  de “O Estado de S. Paulo”,  na capital federal,  busquei identificar-me com seus personagens e seu ritmo de vida. Eram os tempos bicudos do regime militar, sob a presidência do general Garrastazu Médici.

Senti, nos primeiros dias, haver um denominador comum entre os jornalistas de Brasília, mesmo aqueles que se dedicavam a bajular o governo. Pairava sobre todos a aura de Juscelino Kubitschek, criador da cidade, naqueles idos perseguido e abominado pelos donos do poder, bem como ignorado pela maioria de  quantos  haviam  sido seus seguidores no passado.

Raros eram os políticos que admitiam fidelidade ao ex-presidente,  como Israel Pinheiro, Tancredo Neves, Ulysses Guimarães e mais uns poucos. A maior parte  optava por esquecê-lo, mesmo sabendo que se instalara no Planalto Central, numa fazendinha em Luziania, a poucos quilômetros de Brasília, para onde vinha todos os meses, na infrutífera tentativa de tornar-se fazendeiro. Não conseguia, era um ser político por excelência.

Todo mundo sabia que estava proibido de entrar na capital, sequer de  chegar pelo aeroporto. De Belo Horizonte, vinha num teço-teco que aterrissava em Formosa, do outro lado do Distrito Federal, obrigando-o a contornar sua criação para chegar às terras onde inutilmente tentava cultivar batatas, tomates e verduras.

Uma amiga,  a escritora e empresária Vera Brandt, comentava de quando em quando haver visitado o presidente, voltando sempre com sentimentos de tristeza, dado o abandono de JK.

Lá para março daquele meu primeiro ano na capital, Vera contou-me um segredo. Juscelino havia entrado escondido em Brasília, não resistindo à tentação de treze anos depois de cassado, ver os resultados de sua criação.

Mesmo tendo começado a trabalhar num jornal conservador, ferrenho adversário de JK nos tempos da democracia, animei-me a procurá-lo. Tinha seu telefone no Rio, onde ele passava parte do tempo. Já o conhecia, como repórter, dos tempos mais amenos antes de golpe militar. E, mesmo depois, quando de passagem por Lisboa, fui visitá-lo num de seus exílios.

Atendeu-me com alegria. Indaguei se havia mesmo descumprido as ordens da ditadura e entrado em Brasília. Relatou com emoção a aventura, desde a  tempestade violenta que caía sobre a capital, levando-o a insistir com o amigo que dirigia o pequeno caminhão, para que entrassem. Entrou e concedeu-me a oportunidade de escrever um dos mais sinceros artigos que já escrevi, e que o “Estadão” publicou, ainda que nas páginas internas. Reproduzido em seguida pela maior parte da imprensa nacional.  Marcou o  início de uma convivência que muito me honrou.

O crescimento de Serra não quer dizer muita coisa

Pedro do Coutto

O crescimento da candidatura José Serra sobre Dilma Roussef, apontado na pesquisa do Datafolha publicada no sábado e comentada por Fernando Rodrigues, não representa qualquer mudança substancial no comportamento do eleitorado em matéria de intenções de voto. A diferença no início das pesquisas era muito maior e, em relação à última representou um avanço de cinco pontos. Efeito típico de finalmente ele ter se decidido a anunciar sua candidatura, posta sob dúvida em face de suas vacilações.

O quadro não mudou. Ciro Gomes ficou com 11%, Marina Silva em 8%. Desceu o número de indecisos que há um mês era de 22% para 18 pontos. Está neste patamar o avanço de Serra. Tanto é assim que não se registrou recuo de Dilma. Ela estava no 27º andar e nele permaneceu. Na simulação para o segundo turno, a vantagem de 9 pontos para Serra, 48 a 39, conseqüência do fenômeno registrado na pesquisa para o primeiro turno.

Eleitores de Serra, apesar do apoio de FHC, finalmente decidiram marchar com o candidato na fase inicial da campanha. Afinal, no próximo dia 2, o primeiro deixará o governo de São Paulo, a segunda a chefia da Casa Civil. Não houve qualquer afirmação nova. Tudo ficou como dantes, exceto a disposição de Serra de novamente enfrentar as urnas.

Não se conhece a plataforma de nenhum dos dois. Serra não se sabe. Em seu governo, ele tentou vender a Cesp e não conseguiu. Quanto à política de terceirização, as posições de Dilma parecem infinitamente mais claras. Pois a desestatização leva à demissão dos terceirizados que na Petrobrás são 192 mil. Um milhão de votos.

No caso de distribuição das cestas básicas, as afirmativas de Serra não têm o poder de convencimento quanto à continuidade de programa. Não quero dizer com isso que o programa seja excelente. Estou querendo dizer que ele rende votos na urna e sem votos na urna ninguém chega ao poder.

Relativamente à política salarial, a de Lula, que não é das melhores, é menos ruim do que a de Fernando Henrique, que foi das piores. Além disso, FHC se passa como autor do plano Real, quando a autoria efetivamente pertence a Itamar Franco. O setor elétrico do PSDB foi uma calamidade, culminando com uma elevação de 20% nas tarifas. Um desastre.

Mas estes são outros assuntos. Sobretudo porque nem Lula nem FHC são candidatos. Mas estão, Serra e Dilma vinculados às suas origens. O primeiro deixou o governo embaixo de enorme impopularidade. O segundo apresenta uma aprovação de 76 pontos contra uma rejeição singular de apenas 4%. A transferência de votos será inevitável quando a campanha esquentar.

De qualquer forma, porém, o avanço de Serra foi positivo para esquentar o embate e mostrar que Ciro Gomes tira mais votos de Serra do que de Dilma. Isso talvez o mantenha na campanha para adicionar reforços que impeça a decolagem do candidato do PSDB. Apenas esta é  sua importância no pleito. Ele não terá outra função. Será mais um aliado de Dilma num embate que parece previamente decidida. Não mais do que isso. Os tucanos já avaliaram o quadro. Pela primeira vez, em minha opinião, uma mulher, pelo voto chegará  à presidência do Brasil.

Ora direis, “ouvir” pesquisas

Na última, Serra apareceu (?) com mais votos, sem a menor explicação. Dona Dilma estacionou (em local proibido?) também inesperadamente. Como os votos não são dela, e sim do Lula, e como ele continua inatingido e inatingível, “nada mudou entre nós”.

Perguntinha ingênua, inócua, inútil

Esses 30 por cento de votos que surgem como sendo de Dona Dilma, já representam a herança ou a transferência do patrono? Como acredito que existem opiniões diversas sobre o assunto, eis um tema para meditação, constatação e opinião.

Meirelles sai ou fica?

Tem até a madrugada de quarta para quinta. Sua vontade é ser vice de Dona Dilma. Lula já esteve entusiasmado com a idéia. Depois, “pensou bem” ou foi aconselhado, achou perigoso. Se ele não sair, Dona Dilma ficará obrigada a mantê-lo, afinal é exigência do FMI, banqueiros, seguradoras, automobilísticas, estaleiros, todos os donos das trevas financeiras.

Wagner Love faz o gol da vitória, num Festival Wagner nada musical

O América, no “pós” Bebeto, vem numa campanha muito boa. Dominou o Flamengo, podia ter empatado. Teve dois jogadores expulsos com cartão vermelho, direto. O Jonas tentou quebrar a perna do companheiro de trabalho.

E o América ainda teve a  falta de sorte do Vasco, inesperada e surpreendentemente, vencer o jogo. O futebol é mesmo “uma caixinha de surpresa”.

Santos e frangos

Os “meninos” da Vila seguem com a máxima, “o show não pode parar”. Sem Robinho e com André triste e perturbado com a morte do avô (na véspera) marcaram 5 gols, devagar. Em honra de André, de luto, não houve coreografia

Goleiros e Ronaldo

Julio Cesar, da seleção brasileira e do Inter, deixou passar uma bola inesquecível, levou à derrota o seu time.

O Corintians fez 4 gols, nenhum do fenômeno, rotina de agora. Roberto Carlos fez um gol de falta, quase no outro lado do campo. Mas esse gol vai para a conta do Rogério Ceni, pensou que tivesse três braços, precisava apenas de 1.

Messi, a tolice: “melhor jogador de todos os tempos”

Vem assombrando, teria vaga até no time dos “meninos” da Vila, só tem 22 anos. Se continuar assim, e confirmar na Copa, será novamente o craque do ano.

Mas como entre os comentaristas predomina o exagero e o absurdo, já proclamam: “É o melhor de todos os tempos”. Isso não existe, pode ser o melhor do seu tempo, uma consagração.

Milan e Leonardo:
à procura do tempo perdido

Nos dois últimos jogos, (pelo menos) o time de Ronaldinho Gaúcho podia ter passado à frente do Inter. Não conseguiu e ainda foi ultrapassado pelo Roma. Nesse 4 jogos, enfrentou três que tentam fugir do rebaixamento.

Fórmula 1 (?)

Segundo pódio de Massa em duas corrida. Tem agora 33 pontos e Alonso 37. Mas da volta 42 até a última, 58, uma fila: Button, Kubica, Massa, Alonso. Foi a tomografia computadorizada da prova.

Thomaz Bellucci

No Master Mil de Miami, a segunda boa vitória. Ganhou do belga Rochus, que num caso típico de acidente da trabalho, na véspera eliminara o Federer.  Nadal ganhou a terceira, todas com total dificuldade. perdeu o primeiro set no tie-break para o argentino Nalbandian, que não jogava há tempos.

Condenação do casal Nardoni, progressão da pena, recursos (até ao Supremo), terão que esperar mas não em liberdade. Irregularidades, justiça e masoquismo.

Não têm uma possibilidade em 1 milhão de serem absolvidos. Na opinião pública estão condenados pela emoção, uma parte verdadeira, outra fabricada.

No Tribunal do Júri criado na Inglaterra e seguido no mundo todo, são 12 jurados e a exigência de UNANIMIDADE, (muitas vezes obtida) e pode prevalecer a “DÚVIDA RAZOÁVEL“, que foi o que inspirou o rei João Sem Terra a criar esse tribunal.

Com 7 jurados e a decisão por MAIORIA SIMPLES, como se o tribunal fosse um órgão político, muitos resultados foram de 4 a 3. No caso Nardoni, terão no máximo 1 voto. Poderão e deverão recorrer para a Câmara Criminal do Tribunal de Justiça, que examinará se o resultado não correspondeu à MANIFESTA PROVA DOS AUTOS.

(Escrevi a nota acima às 9 da manhã de sexta-feira, quando começaria o último dia do julgamento. Agora, repito a introdução publicada na sexta, para completar com outras informações sobre o novo julgamento e quando ocorrerá. Escrevo domingo à noite, para postagem hoje, segunda-feira).

O que acontecerá a seguir

Acabou a primeira fase do julgamento, podemos até dizer: “Do primeiro julgamento”. O advogado de defesa pode recorrer, e na certa recorrerá. Seu recurso será examinado pela Câmara Criminal do Tribunal de Justiça (logicamente de São Paulo), composta por 3 desembargadores.

Pela legislação existente na época em que o crime foi cometido, com a pena acima de 20 anos, havia obrigatoriamente o que se chamava de “recurso de protesto”. Por causa disso, muitos juizes condenavam os criminosos a 19 anos e 11 meses, podia haver recurso, mas não esse.

Se a Câmara Criminal não atender o pedido da defesa, pode haver apelação para o STJ (Superior Tribunal de Justiça) e depois, no Supremo Tribunal Federal. É a ordem natural das coisas. A Câmara Distrital poderá marcar novo julgamento, aí não haverá recurso.

O advogado de defesa terá 5 dias a partir de hoje, para recorrer. Não sei se o advogado de defesa, Roberto Podval, sabe disso. Ele é um diletante, o conhecimento de direito é nulo, seu pai é um dos homens mais ricos de São Paulo (e ele também). Se formou por divertimento, não recebe nada do casal Nardoni, todas as despesas são financiadas por ele.

O promotor é do segundo time, aproveitou o sensacionalismo dos crimes que têm os componentes desse que está no noticiário. Já fez diversas declarações contraditórias, é impossível fugir do exibicionismo.  Sem televisão, o crime teria ficado confinado aos próprios personagens, não teria estimulado o masoquismo de 300 ou 400 pessoas, que aplaudiam o promotor e quase linchavam o defensor, até soltando fogos.

Roberto Podval pode alegar que o RECURSO DE PROTESTO já não existe mais, embora existisse antes. Pode ser que como os recursos são vários, mesmo que o julgamento efetuado não seja anulado, podem passar 3, 4 ou 5 anos.

A lei retroagiu, mas seja lei ou até emenda constitucional, não retroage para PREJUDICAR o cidadão, seja quem for.

Se for mantida a pena de 26 anos para ela e de 31 anos para ele, existe na lei o que se chama de PROGRESSÃO DA PENA. O condenado (no caso são dois) cumpre um sexto da pena, e tem o primeiro benefício. Passa ao que se chama na Vara de Execuções Criminais, de REGIME SEMI-ABERTO.

Sai para trabalhar e volta às 18 horas para dormir na prisão, no mesmo sistema carcerário. Nesse caso, Ana Jatobá terá esse benefício dentro de 4 anos, 1 mês e 10 dias, Alexandre Nardoni em 5 anos, 2 meses, 6 dias e 4 horas.

Chama-se de benefício mas é imposição da lei, não estou interpretando, apenas informando. A partir dessa primeira fase, terão outros direitos, mas não terão jamais o de viver plenamente, mal e mal “sobreviverão”, serão notados e reconhecidos em qualquer lugar. Inacreditável o que se faz com a própria vida, eliminando outras vidas, mesmo ou principalmente de uma menina de 5 anos, filha e enteada.

Nenhum juiz, de qualquer instância, concederá liberdade ao casal condenado. Quando eram ainda e apenas acusados, perderam 6 habeas corpus seguidos, por que agora iriam ser beneficiados? Nem imaginar.

O promotor não foi “peça fundamental”, como dizem jornalões e como diziam as televisões. Não pode haver julgamento sem promotor ou advogado de defesa, ele apenas participou. O juiz togado acertou na classificação de “CRIME TRIPLAMENTE QUALIFICADO”, o que era verdade.

***

PS – O promotor não percebeu que já havia ganho facilmente, não precisava da RÉPLICA e como isso, facilitando e permitindo, (leia-se: obrigando) a TRÉPLICA. Podia terminar tudo 4 horas antes.

PS2 – O juiz togado aplicou a pena máxima, mesmo sabendo que permitiria recurso mais substancial. Mas conhecendo a lei da PROGRESSÃO DA PENA, se condenasse o casal a menos de 20 anos, sabia que ficariam presos totalmente menos de 3 anos, não quis enfrentar a crítica e a opinião pública.

PS3 – Minha velha convicção ressurge: o Tribunal do Júri, com apenas 7 jurados e maioria simples, não tem validade. Advogados do mundo todo, garantem: “A maior emoção de um julgamento, é esperar 4, 5 horas, às vezes dias pela decisão dos jurados.

PS4 –Anteontem, ficaram 15 minutos na sala secreta, o tempo de preencher os quesitos e irem embora.

Número de batidas, mais contra Serra

Alguns seguidores deste blog, me acusam de usar mais tempo e espaço para criticar o governador de São Paulo do que a chefe da Casa Civil. Desculpem, não tem sentido ou fundamento. Minha frustração e decepção com o fato do cidadão-contribuinte-eleitor ter que escolher apenas entre eles, é rigorosamente igual.

Os dois são assemelhados na incompetência, na ambição desvairada, na tentativa de permanecerem ou continuarem no Poder. Serra e Dilma, assustadores e amedrontando o país.

Lobão, vice trintão

Não pensa (?) em outra coisa. Adoraria que Lula o indicasse para perder com Dona Dilma. Para quem chegou a senador, governador, ministro, e mais grave, em liberdade, nenhum exagero.

Agora, a constatação: se Temer pode ser indicado sem voto para coisa alguma, Lobão 30 (perdão, esse é o filho, mas baseado nele, e dizem que “quem sai aos seus não degenera”) é uma avalanche.

Maluf no Livro dos Recordes

É o primeiro cidadão (?) a ser perseguido e preso em 181 países, podendo estar livre e circular em apenas um. Só que Maluf foi genial quando abriu a primeira rodovia e batizou de MARGINAL. Era autobiografia.

A troca de uma letra

Aldo Rebelo (PCdoB) e Orestes Quercia (PMDB) querem disputar em São Paulo. Um pode ser indicado, o outro, indiciado.

O advogado, o suplente e o apartamento

Contei aqui, a inacreditável apropriação feita pelo causídico do apartamento do suplente. Este foi identificado por quase todos os seguidores do blog. E o advogado? É exibicionista, como tantos, considerou que ficaria no apartamento, por isso respondeu ao suplente: “ME TIRA DAQUI“. Precisa do domicílio eleitoral, quer ser prefeito de Niterói. O irmão vai coordenar a saída, não quer ser atingido. A questão pode ir rapidamente para o CNJ (Conselho Nacional de Justiça).

Hoje é dia de circo

Carlos Chagas

O espetáculo está  planejado para ser de arromba, hoje, aqui em  Brasília, para a apresentação do PAC II. Com direito à presença de Dilma Rousseff no picadeiro, como mestre de cerimônias, do presidente Lula no camarote principal, como financiador da companhia, montes de companheiros participando do elenco e até  empresários na platéia.

Vai valer tudo, em matéria de contorcionismo e piruetas. Do anúncio do trem-bala à construção de milhões de casas populares, das redes de saneamento e distribuição de água no país inteiro até a implantação de novas rodovias. Gasodutos e oleodutos em profusão. Obras para ninguém botar defeito, que demandarão perto de um trilhão de reais para sair do papel,  fazendo a felicidade das empreiteiras e a alegria do especuladores.

Tudo para alavancar ainda  mais a candidatura Dilma, mesmo certamente gerando mais uma multa do Tribunal Superior Eleitoral contra o primeiro-companheiro.

Estaria tudo bem, ou mais ou menos, por conta da última pesquisa do Datafolha, não fosse a desconfiança de que o respeitável público comprou bilhetes fajutos para um espetáculo de mentirinha. Porque se o PAC I não se completou, esbarrando na frustração de menos da metade do prometido ter sido realizado, como apresentar o PAC II no circo das ilusões? Os trapezistas evitarão saltos mortais, os mágicos não vão tirar sequer coelhos virtuais da cartola, os palhaços encenarão diálogos sem graça e as feras, verificarão todos, serão de papel. Até a lona cobrindo as arquibancadas se romperá com a primeira chuva. Melhor seria terem terminado o espetáculo anterior antes de encenar o próximo.

Equações inconclusas

Algumas definições precisarão ser conhecidas hoje e amanhã, porque quarta-feira não dá mais. Fala-se dos ministros supostamente candidatos às eleições de outubro, que têm apenas a terça-feira como prazo fatal  para decidir se saem ou se ficam. Claro que a maioria deles já decidiu: Helio Costa, Edison Lobão, Geddel Vieira Lima, José Pimentel, Reinhold Stephanes, Carlos Minc, sem faltar Dilma Rousseff, e outros, vão disputar governos estaduais, cadeiras no Congresso e até a presidência da República.

Número mais ou menos igual  de ministros permanecerá, como Paulo Bernardo, Miguel Jorge, Luís Dulci, Celso Amorim, Carlos Lupi, Jorge Haje e mais alguns.

A dúvida, porém, ainda ontem pairava sobre alguns bissextos como Henrique Meirelles e Patrus Ananias. De um lado o presidente Lula gostaria que permanecessem, mas, de outro, poderá ter planos eleitorais para ambos.  Sendo assim, não deverá interferir. Eles que decidam.

E quanto ao vice-presidente José Alencar? Trata-se de outra incógnita. Estaria tranquilamente eleito caso disputasse o  governo de Minas ou uma cadeira no Senado, mas,  para isso, precisaria desincompatibilizar-se. Seus problemas de saúde emocionam o país inteiro, só que  agora nem os médicos serão capazes de ajudá-lo na decisão.  Se fosse dado um palpite, seria de que não se afastará do palácio do  Jaburu.

A impressão é a de que a sucessão acabou

Pedro do Coutto

Lendo-se com atenção a reportagem de Bernardo Melo Franco, Folha de S. Paulo de 26 de março, tem-se a impressão de que a disputa pela presidência da República em 2010 acabou antes de a campanha ter sequer começado. Ilustrando a matéria uma bela foto a cores reunindo no primeiro plano ao mesmo tempo o presidente Lula, o governador José Serra e a ministra Dilma Roussef. Todos sorridentes e satisfeitos com o encontro ocasional em torno da entrega a camadas pobres da população paulista de casas inacabadas, as quais no estilo brasileiro não se sabe se vão terminar de ser construídas até outubro. Muito pouco provável. Mas fica a promessa e a esperança. Algo semelhante aos royalties do petróleo, cuja distribuição antecipada abre perspectivas, porém não mais poços produtores  por isso.

Não faz mal. O eleitorado brasileiro, de tão desencantado, acredita em tudo. Mesmo porque, caso contrário, não acreditaria em nada e com isso perderia a alegria de viver. Mas, no momento, pela cordialidade dos competidores, tem motivo para acreditar em dobro no que lhe é prometido.

Só faltou ao encontro o deputado Ciro Gomes que, nesta altura dos acontecimentos, parece que será apenas candidato a deputado federal por São Paulo. Deixou de interessar ao governo, pela adesão explícita que já formalizou, muito menos, é claro, à oposição. Ciro Gomes passou a ser uma carta fora do baralho e do barulho, uma peça de reposição em utilidade de uso. É possível, entretanto, que seja ministro do governo Dilma. Se o seu próprio comportamento mais uma vez não o atrapalhar.

Inclusive, o ótim0 texto do filho do acadêmico Afonso Arinos Filho pode até ser interpretado como uma perspectiva de Serra vir a ocupar um ministério na continuidade da administração Lula. Pois Lula alcançando 80% de popularidade, é praticamente impossível que não transfira 30% dos votos para a chefe da Casa Civil, o que é mais do que suficiente para lhe assegurar a primeira eleição, talvez no primeiro turno, como costuma sustentar, Elena, minha mulher, e, a partir de agora eu também.

A matéria de Melo Franco dá a entender existir uma convergência de propósitos não uma divergência de candidaturas que vão se enfrentar. Serra poderá até voltar ao ministério da Saúde, onde realizou um bom trabalho no desastroso governo Fernando Henrique.

Mas essas são hipóteses remotas. Até porque Dilma parece não estar conseguindo emplacar Eurenice Guerra como sua substituta, tendo que dividir o posto com Gilberto Carvallho e uma terceira funcionária da confiança do Planalto. Um caso inédito. A Casa Civil ser ocupada por três titulares. Coisas de Lula, coisa do PT, coisas do atual rei dos votos no Brasil. Este cenário pode mudar?

Sim, não há dúvida, desde que o comportamento de Serra seja outro, agressivo e não dócil e doce demais em relação ao presidente da República. Pois se até José Serra estender o tapete vermelho da vitória à candidata do PT, o Partido dos Trabalhadores vai se sentir não no governo, mas o dono do Brasil.

Francamente, a atitude de Serra está me parecendo ridícula. Assim como a do governador Sergio Cabral que, num dia comanda uma passeata pela vitória quanto aos royalties do petróleo, e, no outro baixa a cabeça novamente de tristeza, porque Lula anuncia um segundo corte numa das principais fontes de receita do Rio de Janeiro. Primeiro lágrima, depois samba e agora tristeza. Eu me lembro do grande Vinicius de Moraes: tristeza não tem fim, felicidade sim.

Enfim, a felicidade é como a gota de orvalho numa pétala de royalties. Brilha tranqüila. Depois de leve oscila e cai como uma lágrima de amor. Amor? Não. Amargor.

CNJ precisa intervir na reforma trabalhista

Roberto Monteiro Pinho

A magistratura trabalhista está ostensivamente sobrepondo os limites da sua atuação judicante para fazer política no Congresso Nacional, intervindo no texto da reforma trabalhista, quando deveria se abster, por razões legais. Por este motivo é preciso que o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), com atribuições previstas no art. 103-B, parágrafo 4° da CF,  dentro de suas prerrogativas de órgão fiscalizador das ações dos juízes e dos tribunais, faça uma radiografia da reforma trabalhista para verificar a existência de injunções e influência corporativa no seu texto.

A entidade classista dos juízes do trabalho vem oferecendo criticas ao modelo do novo código celetista, o PL 1.987/07, conhecido como “Nova Consolidação da CLT”, do relator deputado federal Cândido Vacarezza, porque este afasta do eixo reformista o sectarismo proposto pela entidade que representa os juízes trabalhistas, porque reconhece que a interlocução direta no processo dos legisladores é nociva a sua qualidade e isenção.

É fato que a reforma trabalhista deve admitir a discussão e incorporação de propostas tão somente dos técnicos do governo, do Fórum Nacional do Trabalho, Fórum Sindical Trabalhista e as Confederações de empregados e empregadores.

A associação da classe, em que pese sua filosofia pragmática, é bom lembrar na reforma sindical foi contrária ao imposto sindical, (matéria em foi derrotada), na reforma do judiciário queria eleger os dirigentes dos tribunais, com o voto de juízes de primeiro grau, (não obteve êxito), inclusive os que estiverem em período probatório, e conseqüentemente privilegiar candidaturas aos cargos administrativos.

Como se não bastasse, mantém posição antagônica aos meios de solução de conflitos extrajudiciais, renegam as Comissões de Conciliação Prévia (CCPS), não aceitam as conciliações realizadas através da Lei de Arbitragem (9307/2006), e no plano político, em coro com o corporativismo dos togados, pedem (fazendo coro com uma minoria da AMB), a extinção do Quinto Constitucional da OAB e do MP, e ainda se posiciona em flagrante oposição aos ditames das orientações Jurisprudenciais do Colendo TST.

Como se não bastassem essas injunções, aprovou num encontro da classe, cerca de 70 novos enunciados, que embora não tenham força de lei, estão sendo utilizados pelos juízes de primeiro grau, em flagrante confronto com o preconizado em texto de leis vigentes, inclusive normas constitucionais.

Não se sabe realmente qual o verdadeiro propósito da entidade com o sinuoso e tamanho empenho nas questões que são da intimidade do segmento trabalhista, fora o habitat do tribunal laboral. Sendo o jurisdicionado peça independente da estrutura privada que nada tem a ver com a tutela federal, este deveria estar distante dessas questões, que certamente estarão nas lides processuais onde magistrados terão que decidir.

É por essas razões aqui expostas que provocamos um procedimento do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), no sentido de averiguar o grau de racionalidade e influência da flagrante atuação da magistratura trabalhista na reforma, para aprovar suas propostas ou alterar outras no corpo da reforma trabalhista. Persistindo essa anomalia, o texto reformista estará infectado pelas injunções das propostas monoclassistas. È bom lembrar que entre as justiças, a trabalhista é a única que está desafiando a Carta Constituição Federal, obstáculando as indicações dos representes do Quinto Constitucional da OAB.

No universo das opiniões registramos que a própria Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), já tinha se manifestado sobre a PL 1.987/07, quando o então presidente da entidade Cezar Britto, alertou: “É a maior agressão já vista à estrutura sindical e ao trabalhador brasileiro. O projeto do deputado Vaccarezza está demolindo a CLT“.

O tema foi tratado em reunião no gabinete do ministro da Justiça Tarso Genro, da qual também participaram diretores do Conselho Federal da OAB, da Associação Brasileira dos Advogados Trabalhistas (Abrat) e o secretário da Reforma do Judiciário, Rogério Favreto, (sem a participação da associação classistas dos magistrados do trabalho), o que foi uma estratégia correta e saudável para a qualidade da reforma.

Naquela oportunidade, Britto rebateu as afirmações que têm sido divulgadas pelo autor do projeto, o deputado federal Cândido Vaccarezza (PT-SP), de que o projeto de lei apenas propicia uma mera atualização da CLT, afastando os dispositivos que não estão mais em uso, sem fazer qualquer tipo de juízo de valor. Ainda segundo o presidente da OAB, o projeto de lei, se aprovado, traria mudanças para muito pior às interpretações constitucionais e até o nome CLT, já bastante conhecido do trabalhador como sinônimo de proteção de direitos, seria alterado conforme o PL.

O mais preocupante, ainda na avaliação do presidente da OAB, se dá em relação ao fim das negociações coletivas e ao desvalor que o projeto imprime às representações sindicais. “O sindicato de trabalhadores praticamente deixa de ser reconhecido. Nesse projeto, deixa de ser considerado substituto processual e passa a atuar apenas como mero representante do trabalhador”, relatou. Esta observação embora antagônica ao PL, tem legitimidade, porque veio de um segmento que atua no judiciário, e que representa a sociedade ao contrário das manifestações dos representantes do judiciário que representam o estado tutelador.

Texto da reforma travado libera o juiz para criar normas

O fato é que a CLT. embora tenha 67 anos, reúne um elenco de direitos basilares para dar ao trabalhador as garantias no contrato laboral, infelizmente para agruras de muitos, esses direitos são discutidos eternamente nas lides trabalhistas, capitaneados por incidentes provocados em parte por execuções mal organizadas, que abrem precedentes para uma série de intervenções, graças à “inovações”, dos juízes em sua maioria inúteis e perversas ao próprio trabalhador.

É que achando ser este método forçado de alcançar a constrição o mais ágil, “data vênia”, peca o juízo pela imprudência ao determinar bloqueio nas contas correntes, bens de terceiros e acabam executando pessoas jurídicas que não mais existem no universo comercial, seus titulares em alguns casos têm novo endereço somente em fúnebres lápides. Isso sem contar as injunções que violam o direito do cidadão, penhorando conta salário, conta conjunta e conta poupança que tem proteção constitucional de até 40 salários.

O arsenal de injunções continua, magistrados chegam, as raias do absurdo, liberam dessas contas quando requerido pelo atingindo, apenas o salário mínimo, numa transfusão da gramática legal, fazendo tudo como se estivesse em perfeita consonância ao legal. Em cada 10 editais de praças elaborados pelas VTs, a metade pelo menos, estão incompletos, insuficientes para cumprir o ditame da lei quanto aos leilões públicos, ainda assim, não são especificadas as condições do bem, a situação tributária, e se existem gravames, não são declarados no edital, em detrimento do acesso do pretenso (de boa fé) arrematante ao bem que pretende lançar.

A inovação recentemente introduzida fica por conta da interpretação do juízo de execução de que o valor do lanço da arrematação pode ser somado ao débito fiscal existente, quando se tratar de imóvel (IPTU), em flagrante usurpação da ordem legal, já que não só o executado, mas o trabalhador, estaria sendo prejudicado, eis porque em nenhum momento o juiz procura exigir do arrematante a guia quitada dos impostos em que se propôs e ele aceitou englobar no valor total do lanço.

Tal formato protagonizado pelo estado/juiz não adorna a seriedade que se deve ter no trato das questões patrimoniais e de ordem pública, eis que fere mortal a pretensão do trabalhador, se o valor do lanço subtraído do suposto valor destinado ao IPTU não cobrir o crédito trabalhista. Ao contrário do que se imagina o advento da EC nº. 45/04 trouxe desalento para os litigantes da JT.

O enorme tempo que a execução do título do INSS, agora sobre lavra do juízo trabalhista é um “monstrengo”, aniquilando o trabalho já desenvolvido pelos servidores e magistrados para operar sua execução, senão vejamos: existem hoje na JT 6,5 milhões de ações em execução fiscal (ativos). Se cada uma dessas ações gastarem 10 minutos do tempo do servidor e 10 minutos do juiz para elaboração dos procedimentos, teríamos 65 milhões de minutos desviados dos processos comuns de ações trabalhistas, travando o andamento que já é moroso, levando, data máxima vênia, a especializada para o emperramento total.

Uma preocupação está latente no seio da comunidade jurídica brasileira, o novo CPC, que está agregando uma série de propostas dos magistrados, estará mais para ser indulgente com os integrantes do segmento estatal, que propriamente a sociedade, é por isso que muitos estão céticos com a possibilidade de que a mudança de normas legais possa aliviar a demanda de ações, e até mesmo acelerar o julgamento das ações.

Parece impossível atender ao chamado dos juízes no texto legalista, quando a bem da verdade, é a sociedade a principal avalista do novo CPC, porque estará à mercê de seus ditames. Achar que implantando mecanismos indulgentes e violentos de execução levará a celeridade é ilusão, tão logo o texto legal esteja aprovado, devedores estarão criando meios para fugir da sua aplicação, isso significa que o micro e pequeno empregador poderão substituir o empregado por um membro da família, dando a este parte na sociedade, para fugir de possíveis ações trabalhistas.

Os legisladores precisam estar atentos, de que o texto do novo CPC nasce do judiciário para os legisladores e não da comunidade jurídica privada, o que deveria ser a forma.