Plano de saúde de Obama

Os Republicanos acreditavam que o projeto do presidente de estender a proteção contra doenças, (os Planos  de Saúde, que corrompem e enriquecem), não seria aprovado. Acreditavam que pelo menos 4 Democratas votassem contra, assim Obama, de 219 teria 215, e os Republicanos, de 212 pulariam para 216. Não aconteceu, os Democratas votaram “fechados”.

Os Republicanos (?) tentam sabotar o projeto-progressista. Só que o Senado ratificou a decisão da Câmara. Obama sancionou, não há lobista que dê jeito, ou melhor, prejudique mais de 30 milhões de pessoas.

CONVERSA COM LEITORES: 1 – Relações de Lacerda e Mário Lago. 2 – O enriquecimento de Lacerda. 3 – Os royalties do petróleo e pré-sal

Hugo Gomes de Almeida:
“Carlos Lacerda e Mario Lago foram muito amigos nos tempos do Partido Comunista? Depois se separaram, foram se reconciliar na prisão?”

Comentário de Helio Fernandes:
Foram muito amigos nos tempos que começavam em 1932/33, quando os que não eram abertamente comunistas, se declaravam, no mínimo, socialistas ou “trotsquistas”.

Mario Lago, admirável personalidade, era comunista declarado, sofreu muito por isso. Mas jamais quis fazer carreira. E depois do grande sucesso como compositor e no rádio, continuou comunista, era a sua convicção.

No AI-5, revoltado, lógico, não tinha por que ser preso. Mas como no filme “Casablanca”, na confusão, o chefe de Polícia (Claude Rains) determinou, “prendam os suspeitos de sempre”.

Mario Lago foi preso na tarde do dia 15, no intervalo de uma peça no Teatro Princesa Isabel. Fazia um irlandês, estava de saiote e tudo. Foi logo dizendo: “Aqui, só o Helio e o Lacerda são meus amigos, (textual) estou com esta roupa, mas não sou viado”.

***

PS- Na época, a palavra gay ainda não era muito usada, chamavam de viado mesmo.

PS2 – Dormíamos no chão, distantes uns dos outros, às vezes “sobrava um colchão”, todos ofereciam para os outros. Mario e Lacerda se deram muito bem, nunca os ouvi sequer discutir, como eu e Lacerda.

PS3 – Na época, (e depois) os comunistas brigavam tanto, que existia até a provocação expressa na frase: “Os comunistas só se unem na prisão”. Parecia verdade, mas Lacerda dizia, “jamais fui comunista”.

PS4 – Escreveu até um artigo de 32 laudas, (Lacerda era assim) no mensário “Observador Econômico e Financeiro”, tentando se explicar ideologicamente. Ninguém jamais fez tanto mal a Carlos Lacerda do que ele com esse artigo. Nunca se recuperou.

Enriquecimento de Lacerda

Saulo:
”Você não falou nada sobre a riqueza do governador e como ele acumulou fortuna, De onde teria vindo, ele só foi jornalista e governador?”

Comentário de Helio Fernandes:
Já afirmei e é rigorosamente verdadeiro: Lacerda ficou rico vendendo o jornal para o senhor Nascimento Brito. Este, casado com a filha da Condessa Pereira Carneiro, se irritava sendo chamado de genro. O Jornal do Brasil, sem jogo de palavras, era o maior jornal do Brasil, fundado em 1891, que teve a honra de ter, ao mesmo tempo, o que se chamava na época de Redator-Chefe: Rui Barbosa e Joaquim Nabuco.

Com o dinheiro, Lacerda fundou a Nova Fronteira, comprou a Construtora Magalhães (dos irmãos que tinham esse nome), terras em Ubatuba, o belíssimo sitio do Rocio, e mais e mais.

Foi criticadíssimo nas mais diversas oportunidades, menos de desonestidade. Se tivesse sido, Saulo, com os inimigos que fez, o mundo todo saberia. Apesar de tudo, não desminto, talvez você saiba de fatos extraordinários?

Como impedir a perda dos roylaties

Paulo Sólon:
“Helio, existe algum modo de impedir na Justiça, o roubo das riquezas do Estado do Rio, se não receber mais os royalties do petróleo? Podem cortar e levar à falência os estados e municiípios que tinham essas verbas no orçamento?”

Comentário de Helio Fernandes:
Existem recursos vários, todos na Justiça. É preciso ficar alerta com a votação, que provavelmente não ocorrerá este ano. Lula já deixou bem claro: “O Congresso é que decide”. Normalmente seria isso mesmo, mas sempre foi o Executivo que resolveu, com MEDIDAS PROVISÓRIAS ou COOPTANDO deputados e senadores, a BASE PARTIDÁRIA.

Veja você, Solon, o absurdo geral e total. O projeto que, ARTIFICIALMENTE, leva o nome de Ibsen tramitou na Câmara, por 7 meses. Ninguém se manifestou. Agora, cabralzinho “chora”, Serra e Dona Dilma “apoiam”, o lobista Eduardo Cunha entra no Supremo. Que República.

Mudança de uma letra

São tão pretenciosos, presunçosos, arrogantes, perniciosos e sempre voltados para eles mesmos, que economistas deveriam ser chamados de egonomistas.

Inaugurações perigosas

Carlos Chagas

A esperteza, quando é demais, come o esperto, costuma-se falar em Minas. Pois o presidente Lula e a ministra Dilma Rousseff estão em vias de ser deglutidos por conta da ânsia de inaugurarem obras que não são obras. Tome-se, esta semana, a ida deles a mais um trecho da  Norte-Sul. Quantas vezes já inauguraram seus  trilhos e dormentes, não raro em trajetos de poucos quilômetros? Do jeito que vai a implantação da ferrovia, até que  chegue a Brasília, pelo menos três novos presidentes da República deverão comparecer duas vezes por ano ao interior do Tocantins e de Goiás para iludir os ingênuos. Mais tempo levará para que a estrada faça jus ao nome, de interligar o Norte ao Sul do país.

Não é possível que a opinião pública deixe de registrar a armação, agora que nos encontramos em plena campanha eleitoral. Tome-se a propaganda antecipada do PAC II, que vem por aí enquanto o PAC I não realizou nem a metade do anunciado.

Com todo o respeito, o presidente e a candidata andam brincando com coisa séria. Inauguram até canteiros de obra, boas intenções e projetos que não saem das pranchetas. Tornam-se objeto da má-fé das empreiteiras e da vaidade de prefeitos e governadores. Talvez imaginem vir daí a imensa popularidade do governo, mas estarão enganados.  A identificação da sociedade com o Lula  tem outras raízes, a começar pelas iniciativas no campo social, difíceis  de ser inauguradas com bandas de música e palanques, mas efetivas.

Em defesa do morcego

No Senado, o ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes deu um exemplo que seria cômico se não fosse trágico. Disse que em Rondônia existe ao menos uma jazida de calcáreo, matéria  essencial para a produção de fertilizantes. Pois bem, a jazida está fechada por ação do Ibama, obrigando os agricultores locais a importar calcáreo da Bolívia, a preços  multiplicados.

Por quê? Porque numa das grutas antes  exploradas descobriu-se uma espécie de morcego que vem sendo obrigada a buscar outro local para reproduzir-se. O barulho das escavadeiras faz os sobrinhos do Batman perderem a tesão…

Acordo assinado, só em junho

A gangorra do PMDB não para de subir e descer. Michel Temer voltou a tornar-se otimista diante da hipótese de vir a ser escolhido  companheiro de chapa de Dilma Rousseff. Semana passada o parlamentar paulista  andou em depressão, certo de que o presidente Lula conseguiria afastá-lo, tendo em vista a pesquisa eleitoral do Ibope, levando a candidata a  encostar em José Serra. O raciocínio no palácio do Planalto era de que, continuando os percentuais a crescer, Dilma não precisaria fazer concessões a nenhum aliado, podendo selecionar quem quisesse para seu vice.

Pois os ventos  mudaram quando alguém lembrou que a verdadeira força do PMDB não está nos minguados votos capazes de ser trazidos por  Temer. Está no tempo de televisão de que o partido dispõe no horário de propaganda gratuita no rádio e na televisão. Sem o acordo  formal e assinado em torno de seu presidente, nada feito. Serra teria quase o dobro de aparições nas telinhas e microfones…

Indecisões

Pelo menos duas decisões o governo Lula vem empurrando com a barriga,  podendo encerrar  seu mandato sem adotá-las: a compra dos aviões de caça para a Força Aérea e a licença para que os bingos voltem  a funcionar.

No primeiro caso, chega a ser ridículo verificar que para comprar 36 caças a administração federal hesite tanto, quando se sabe que apenas um,  dos mais de vinte porta-aviões dos Estados Unidos, carrega 180 de última geração.

Com relação aos bingos, unem-se governo e igreja católica para supor a presença do capeta nas salas desse jogo inocente e tão profilático para a cabeça das velhinhas desocupadas.

Bem que o presidente poderia decidir, fazendo a alegria das forças armadas e das nossas avós…

Com Aécio, Itamar retorna em Minas

Pedro do Coutto

Durante a homenagem prestada pela ABL a Tancredo Neves pela passagem de seu centenário de nascimento, o governador Aécio Neves, neto do homenageado, segundo reportagem publicada dia 23 pela Folha de São Paulo, admitiu o retorno de Itamar Franco como seu companheiro de chapa ao Senado por Minas.

Uma chapa forte, sem dúvida alguma, unindo o verdadeiro autor do Plano Real, à nova geração de políticos que ingressou no presente, através de duas vitórias espetaculares para o governo do Estado, o futuro que, como se diz habitualmente a Deus pertence.

Mas em termos atuais a chapa Aécio-Itamar acrescenta também a José Serra como candidato a presidente da República, pois MG é o segundo colégio eleitoral do país. Aécio e Itamar, sem dúvida, compõem uma unidade entre o PSDB e o PPS com reflexo na sucessão presidencial. Não creio que a ponto de derrubar Dilma Roussef fortalecida pelo rolo compressor do governo Lula. Mas capaz de reduzir substancialmente uma diferença de votos que seria grande demais.

Não acredito que a candidatura José Alencar acrescente a Dilma mais votos do que Itamar a Serra. Além disso, Itamar reduz bastante a influência de Ciro Gomes, que foi seu ministro da Fazenda e já o elogiou publicamente por várias vezes. Mas deixou de trabalhar em silencio e decidiu assumir uma ofensiva que estava faltando a José Serra. Estava faltando, não. Está faltando. Pode ser que agora, contudo, com Itamar, adquira maior autoconfiança e parta para uma luta que, se não foi envolvida pelo calor do embate político, perde seu apelo e grande parte de seu charme natural. Política é emoção, já tenho dito.

Hoje, lembro a frase de um discurso do senador Otávio Mangabeira, em 57, quando faleceu o ex-presidente Bernardes, seu adversário político: ele tombou de pé, senhor presidente, ainda sentindo o cheiro da pólvora dos combates políticos. Esta pólvora falta a Serra, mas não a Itamar que, se companheiro de chapa de Aécio, em Minas, pode terminar candidato a vice na chapa do próprio Serra. A oposição não tem homem melhor e mais afirmativo. Afinal um presidente que deixou o Planalto consagrado pela opinião pública. Autor do Plano Real e –parece incrível- do último aumento geral de salários no país: 27% para todos, incluindo os servidores públicos, a partir de dezembro de 94.

Foi sucedido infelizmente por Fernando Henrique, responsável pela pior política trabalhista que o país já teve. Não ficou sozinho nesta posição. Foi acompanhado por Garotinho que agora novamente tenta o Palácio Guanabara. Ambos foram um verdadeiro desastre para os assalariados e ótimos para os banqueiros. Negócios em cima de negócios, doações em cima de doações, procedências estranhas para financiamento de campanhas eleitorais. Mas isso pertence ao passado. Agora só o presente e o futuro.

Itamar fortalece bastante a oposição. Não somente para o Senado mas como candidato a vice presidente. Transfere a Serra uma combatividade que Serra não parece ter. Além disso, retira de Serra a crise de temor que o está visivelmente envolvendo e mostra que em matéria de urna não há ninguém invencível. Com Itamar torna-se possível. Não provável, mas possível. Com Serra sozinho, é impossível.

Delfim Netto, o homem do “Bistrô”, do “empréstimo” para a ponte Rio-Niterói, das acusações do “Relatório Saraiva” (em Paris), da fraude, farsa e falsificação da inflação, quer voltar aos 82 anos, brigando com Collor, cujo plano chamou de “GENIAL” e agora nega

Apesar de jamais ter trabalhado na vida, sempre muito criativo, Delfim Netto teve “a grande ideia” de nascer num 1º de maio. Agora estará completando 82 anos, virgem (?) de tudo o que pode favorecer a comunidade, sempre teve amor pela individualidade. Acreditava que daí é que teria surgido a LIBERDADE, IGUALDADE E FRATERNIDADE da Revolução francesa.

Foi sempre estranho, exótico, displicente, menos em relação a favores para seu grupo e para ele mesmo. Se algum dia morrer, não acredito, duas frases terão que ser encampadas na sua última e definitiva morada.

A primeira, ministro da Fazenda: “O GOVERNO É OBRIGATORIAMENTE AÉTICO”. Ninguém contestou na época, ele muito poderoso, perigoso, mas dadivoso.

A segunda, como frequentador da boemia do Rio, ainda ministro, sempre cercado pelos meninos (não da Vila Belmiro) que o adoravam, a reciprocidade era verdadeira. Textual: “Os dias do Poder são extraordinários, mas as noites, ah!, as noites do Poder são embriagadoras”.

Tendo sido agredido “pelos seus meninos”, o grande jornalista Oliveira Bastos ainda foi processado no STM, (Superior Tribunal Militar) que em plena ditadura, se recusou a julgar o jornalista, arquivou o processo.

Ligadíssimo a Roberto Campos, foi feito secretário da Fazenda de São Paulo, e menos de 1 ano depois, com a posse de Costa e Silva, veio para o Ministério da Fazenda.

Foi o auge da farsa, da mentira, do “milagre brasileiro”, da “inflação baixa” (Ha!Ha!Ha!), criticado, veladamente, pelos mais diversos economistas.

Incapacitado Costa e Silva, assumiu Garrastazu Medici, que ficaria até 1974. Não gostava muito de Delfim, mas o que fazer? Só que quando o ministro falava em “milagre brasileiro”, o “presidente” arranjava um jeito de pronunciar e repetir a única frase que deixou: “A economia vai bem, mas o povo vai mal”. (A frase é do brilhante general Otavio Costa, que trabalhou, sem sucesso, para que houvesse eleição direta depois de Medici).

Sucedendo Medici, apareceu Ernesto Geisel, que tinha horror a Delfim. Não foi nomeado para coisa alguma, queria ser “governador de São Paulo, segundo ele, “4 anos em São Paulo, serei o primeiro presidente civil, em 1979”. Geisel nomeou para São Paulo, o carioca Paulo Egidio Martins, revolta e desespero para o ministro, que desaparecia, apavorado.

Mas foi “beneficiado” (MAIS?) pelo próprio “governador” Paulo Egidio, que disse ao “presidente” Geisel: “Não posso governar São Paulo com Delfim lá. Como a Fiesp jamais recebeu tantos favores, em toda e qualquer oportunidade, os empresários nem chegam até mim, só querem saber do Delfim”.

Pragmático, Geisel mandou convidar Delfim para embaixador na França, pasmem, RECUSOU. Até que intimíssimos amigos alertaram: “Delfim, ficando aqui, você vai acabar preso. Lá terá tempo de estudar, mal fala inglês, vai aprender francês, aceita, Delfim”. Aceitou.

Aqui já era acusadíssimo por levar comissão em tudo, mas nada parecido com o que foi gasto na Ponte Rio-Niterói. Era o sonho de dezenas de anos, realizou com o ministro dos Transportes, mas ele comandando tudo.

Conseguiu “empréstimo” de 800 milhões na Inglaterra, a juros de 14 por cento ao ano. Agora, verifiquem, constatem, se estarreçam: a ponte era construída de ferro, BRASILEIRO, madeira, BRASILEIRA, cimento, BRASILEIRO, pedra, BRASILEIRA, água, BRASILEIRA, areia, BRASILEIRA, tijolo, BRASILEIRO, terra, BRASILEIRA, mão de obra, BRASILEIRA, para quê o “empréstimo”?

Como divulgava que o governo “tem que ser obrigatoriamente aético”, sabia que sem EMPRÉSTIMO NÃO HÁ COMISSÃO. Com 39 anos foi pela primeira vez ministro. Passou por 3 “presidentes”: Costa e Silva, Medici, João Figueiredo. Mas o melhor ainda viria, precisamente do cargo que pretendia recusar, o de embaixador.

Foi a grande farra da vida grandiosa, proveitosa e prazerosa do ministro-embaixador. Montou dois endereços: na “margem direita”, a confortável e agradável embaixada. Na “margem esquerda”, a mansão senhorial, que os empresários franceses adoravam e diziam: “Para fazer negócio com o embaixador Delfim, existem muitos lugares”. Ficou escandaloso demais, público e notório.

Surgiu então o arrasador RELATÓRIO SARAIVA, que publiquei em parte, realmente inacreditável, grande vitória do embaixador.

O autor do documento, coronel Saraiva, era o que se chama no Exército de “oficial de escol”. É nomeado adido, mais ou menos quando é o número 10 ou 12 para ir a general. Só pode ficar dois anos, está na “bica” para ser promovido e outros querem o cargo.

Apesar do regime ser militar e Saraiva um brilhantíssimo oficial (ou não seria adido), foi sacrificado. E glorificado Delfim. Este veio para o Brasil impune, foi ministro da Agricultura de João Figueiredo, quando Mario Simonsen (Citisimonsen) se demitiu, Delfim trocou de cargo, todos já sabiam disso. Completou 12 anos e meio de ministro com diversos “presidentes”.

Na chamada redemocratização (?), ficou sempre na vez, mas não teve mais vez. Mesmo com Lula, esperava alguma coisa, espalhava, “Lula não toma decisão no setor econômico-financeiro, sem falar comigo”, Ha!Ha!Ha!

Agora, esse bisonho, bizarro e quase bizantino personagem, ministro-embaixador, vem tentando limpar a própria “identidade”. O Globo fez entrevista sobre os 20 anos do Plano Collor, ouviu os dois.

Na época foi publicada a declaração de Delfim: “Esse plano é GENIAL, nem eu como o AI-5 na mão seria capaz de fazer algo parecido”. Quer dizer, o próprio Delfim se considerava INCAPAZ. E depois, novo GENIAL, a respeito do plano: “Essa ideia do bloqueio é GENIAL, porque o DINHEIRO NÃO SERÁ DEVOLVIDO”.

***

PS – Tudo isso saiu publicado na época, e os que perderam tudo, ficaram furiosos com Collor e também com Delfim, que não estava no governo MAS APLAUDIA O CONFISCO.

PS2 – Quando Delfim e Roberto Campos, procuraram Collor, queriam (ou tinha a esperança) que Delfim fosse o ministro da Fazenda. Collor riu.

PS3 – Collor poderia ter “aproveitado” Delfim como ministro da Fazenda, teria feito o mesmo ou pior do que ela fez. Não sei quanto cobraram, mas a comissão (o famoso “por fora”, que com Delfim era obrigatório) do ministro de Costa e Silva, Medici e João Figueiredo, não teria limite.

PS4 – Hoje a saída de Delfim é esta: “Ri e diz que não se lembra de nada”, Ao contrário dos elefantes, Delfim esquece tudo, menos o número da conta numerada.

O PODER, da potência dos poderosos: história imobiliária, apropriação sem qualquer constrangimento, nada acontecerá

Espantosa, inacreditável, mas rigorosamente verdadeira. Um suplente de senador, que tem atividade empresarial em Minas e exerce o “mandato” em Brasília, na proximidade de acabar o mandato e os negócios muito bem administrados pela mãe, resolveu morar no Rio.

Não tendo problema de dinheiro, decidiu por Icaraí, comprou o maior, mais caro e mais luxuoso apartamento, num condomínio riquíssimo, nessa praia maravilhosa. Mas não foi morar, ainda tinha 2 anos em Brasília.

Um conhecido (?) advogado do Rio, soube do apartamento, conhecia o condomínio (originalmente a família é de lá), ficou encantado, se dá com o suplente, pediu a chave do apartamento, “só quero ver, me dizem que é maravilhoso”. Pela insistência, o suplente emprestou a chave, o advogado ficou com ela.

Gostou tanto do apartamento, que imediatamente mudou para lá, montou todo, levou a família e já é “proprietário” há mais de um ano. Deu festa de inauguração, convidou até vizinhos. Um destes, amigo do suplente, disse a ele: “Você vendeu o apartamento, nem me falou nem nada?”

O suplente veio então ao Rio no fim de semana, foi a Icaraí, o próprio advogado abriu a porta, quando o suplente pediu o apartamento, ele disse simplesmente: “ME TIRA DAQUI”, e entrou, deixando o suplente na rua.

Agora o suplente contratou competentíssimo advogado, que vai pedir REINTEGRAÇÃO DE POSSE, só que o advogado que mora no apartamento, nunca teve INTEGRAÇÃO DE POSSE, não comprou nem alugou.

PS – Embora no novo Código Civil, na relação inquilino-proprietário, haja vantagens para o último, NÃO SAIRÁ DO APARTAMENTO NOS PRÓXIMOS 20 ANOS.

PS2 – O advogado DESALUGADOR nem tomará conhecimento de intimações para deixar o apartamento do proprietário DESALUGADO ou DESAPROPRIADO. Conto a história, rigorosamente verdadeira, para mostrar o que podem essas potências pessoais. E a Justiça e o direito de propriedade? Que República.

Com cuidado, para não enfiar a mão na jaula

Carlos Chagas

Depois, dizem que é má vontade nossa, mas o  problema está nas palavras. Nas mensagens,  sempre mais do que ingênuas,  porque  maliciosas e contraditórias. Falamos dos improvisos do presidente Lula. Ainda segunda-feira, no Rio, na abertura da Quinta Sessão do Fórum Urbano  Mundial,  cercado de gringos, Sua Excelência recomendou a visita de todos às favelas cariocas:

“Transitem como um cidadão normal e nada vai acontecer. (…) Não se embrenhem por lugares que vocês não conhecem. (…) Nunca se viu na Historia deste país a construção de tantas casas. (…) Sei que lêem notícias de jornal sobre violência…”

A intenção, pelo jeito, era demonstrar que todo cidadão pode transitar incólume nas favelas, mas como elas constituem lugares que poucos conhecem, exceção de seus moradores, melhor não ir…

Fora os usuários de drogas e os abnegados integrantes de associações filantrópicas, não se encontrará um só  cidadão disposto a subir o  morro ou a aventurar-se na planície cheia de casebres e de incertezas, ignorando sobre se quem entrou vai sair incólume. Infelizmente, é o que acontece, possa ou não o “Pezão” providenciar ônibus e escolta para os congressistas curiosos em conhecer o lado miserável do Rio.

Jamais por culpa dos habitantes abandonados pela civilização, mas precisamente porque aqueles que  deveriam embrenhar-se,  não se embrenham, a não ser de metralhadoras e granadas na mão. São os governos, tanto faz se federal, estadual ou municipal,  muito menos se os de ontem e os de hoje, os responsáveis pela multiplicação da miséria, da fome, da doença e do desamparo às comunidades multiplicadas em progressão geométrica.

Vem agora o primeiro companheiro, em sua linguagem dúbia, recomendar que transitem, mas sem entrar onde não conhecem. Ora, não conhecem lugar algum, nas favelas, nem os visitantes estrangeiros nem os governos. Se for para ver obras de saneamento e construção de casas, positivamente lá não é o  lugar. Basta assistirem filmes de propaganda enganosa.

Houve tempo em que essa desgraça poderia ter sido evitada, menos pela proibição de os miseráveis ocuparem os morros, mais pela criação de empregos e a abertura de oportunidades para os marginalizados. Deram de ombros. Agora, como faz o presidente Lula, recomendam visitar as favelas como quem visita o jardim zoológico: com  cuidado, para não enfiarem a mão na jaula.

Três exigências

Desenvolve o PMDB uma estratégia perigosa. Quer convencer o presidente Lula de que, sem o  apoio  partido, Dilma Rousseff  não vencerá a eleição, apesar  de sua ascensão nas pesquisas eleitorais. Sentem os dirigentes peemedebistas, até com razão, alastrar-se no governo e no PT um sentimento de empáfia, arrogância e presunção, depois da divulgação dos últimos números. No comando de campanha da candidata, o que  mais se ouve é que as concessões aos aliados  tornaram-se desnecessárias.

Sendo assim, o PMDB resolveu reagir, mandando ao Palácio do Planalto recado a respeito do cumprimento de suas exigências, já que o partido  detém, para transferir ou para negar, quinze minutos diários de propaganda eleitoral gratuita. Sem esse tempo, imaginam, Dilma não chega lá.

Por isso, impõem que Michel Temer venha a ser o candidato à vice-presidência, que continuem detendo seis ministérios, depois da reforma em andamento, e que seus candidatos a governador tenham precedência sobre os candidatos do PT.

Poderão frustrar-se,  os caciques do maior partido nacional. Primeiro, porque o presidente Lula abomina a hipótese de ver Michel Temer no Palácio do Jaburu. Não gosta do personagem, que não o apoiou em 2002 e receia que, posto  na vice-presidência da República, o deputado paulista passará a comandar o Congresso, alijando Dilma das negociações e tornando-a prisioneira de um esquema parlamentar alienígena.

Depois, porque nem todos os novos ministros que substituirão os candidatos às eleições de outubro serão indicados pelos insignes partintes. Os insignes ficantes poderão provir de outros esquemas, já que a decisão é exclusiva dele, Lula.

Por último, não dá  mais para ficar humilhando os companheiros do PT, que tendo engolido como um sapo a candidatura Dilma, encontram-se obrigados a abrir mão de suas pretensões em favor de adversários enrustidos ou abertos.

O presidente Lula tem até o fim do mês para decidir sobre as três exigências. Caso venha a negá-las, assistirá o PMDB debandar da candidatura oficial, liberando seus diretórios estaduais para seguirem o rumo que bem desejarem, ou seja, permanecer com Dilma, aderir a José Serra ou empenhar-se numa tardia candidatura própria…

Brasil, a palavra e o gesto

Pedro do Coutto

Reportagem de Luciana Nunes Leal e João Domingos, publicada no Estado de São Paulo de 22 de março, de forma indireta focaliza talvez o maior problema brasileiro: o gesto não acompanha a palavra. Num encontro no Rio do presidente Lula com o governador Sérgio Cabral e a ministra Dilma Roussef, foi anunciado um resultado das obras do PAC que não coincide com os números. Os repórteres concluíram, com base em índices oficiais que, de 2007 até agora, apenas 11,3 por cento das obras do Programa foram concluídas. Somadas as conclusões de 2008 e 2009 podemos no máximo, chegar à metade, o que é muito pouco para a rapidez com que o PAC foi proposto.

Entre as obras inauguradas figuram até as reinauguradas para efeito junto à opinião pública. Não é isso que vai enfraquecer a candidatura de Dilma Roussef, a meu ver vitoriosa, sobretudo em face da vacilação e da baixa competitividade do governador José Serra. Ora, ele depende de Aécio, ora depende de acordos regionais, como os do Rio de Janeiro. Falta afirmação a Serra. Firmeza, capacidade de luta. Sobretudo agora em que conseguiu afastar Ciro Gomes de cena, deixando isolado o ex-governador do Ceará, transformando-o num simples joguete nas mãos de Lula. Falta ímpeto a Serra. O que sobra em Dilma Roussef.

Mas o problema entre o gesto e a palavra permanece. Governantes anunciam resultados falsos com a maior cara de pau. Mas não iludem a opinião pública. Pode-se dizer a favor de Lula, que em seu favor existe mesmo a distribuição de 12 milhões de cestas básicas de alimentos. Não se pode fazer o mesmo quanto a conservação de rodovias, ferrovias, melhorias dos portos. Não se pode dizer o mesmo do governador Sérgio Cabral que, num dia cai no pranto público, e dois dias depois aparece sambando no meio das ruas do Rio.

Pode-se afirmar em favor de Lula e Dilma que os reajustes salariais têm pelo menos acompanhado a inflação. Quanto a Sérgio Cabral, a afirmação é falsa. Os 400 mil servidores públicos do Rio vêm perdendo seguidamente para o IBGE. Aliás vêm perdendo escandalosamente desde Garotinho e Rosinha. No meio, Benedita da Silva, que sequer pagou o décimo terceiro salário e foi condenada pelo Tribunal de Contas por crime de responsabilidade. Em seguida, não foi só absolvida pela Alerj quanto nomeada secretária pelo governador Sérgio Cabral e se dispõe a disputar o Senado.

São fatos assim que desmoralizam completamente a política e permitem o aparecimento de mensalões, aloprados, ladrões vulgares como Roberto Arruda. Antigamente não era assim. Mas, com o passar do tempo, a exceção transformou-se na regra. A regra da mentira, da hipocrisia, do assalto ao dinheiro público.

Veja-se, por exemplo, este caso absurdo do pré-sal. Um deputado deseja, sem a menor base, transformar o pré-sal do futuro no presente, sem medir sequer as conseqüências. A Mesa do Senado Federal, presidida pelo ex-presidente José Sarney, tendo como vice Garibaldi Alves, aceita uma subemenda constitucional como se fosse um projeto de lei. E não dão a menor satisfação verdadeira à opinião pública. Estão pouco ligando, pois sabem que no Brasil, o gesto não acompanha a palavra.

Amanhã, dirão simplesmente que a emenda Ibsen Pinheiro fica para depois. Não dão a menor importância ao ridículo. Ridículo o que se estende do governo federal ao governo estadual, incapaz também de colocar o debate no seu verdadeiro nível. É demais, a incompetência e a desonestidade de idéias aliou-se e produziu a maior contradição brasileira: o gesto e a palavra. Um desastre. Uma vergonha, como costuma dizer Bóris Casoy.

Até Tu, Lula

O presidente “sentiu o golpe”, esqueceu do projeto que “passeava” pela Câmara há meses, sem que ninguém no Palácio-Alvorada tomasse qualquer providência. 369 deputados votaram contra o presidente, nenhuma participação.

Não querendo repetir o chavão desbotado e desmoralizado, “não sei de nada”, veio com a fórmula nova: “O Congresso é que tem que resolver”. Como o desgaste continua, mudou novamente, veio com esta: “Tudo será conseguido com acordo”.

Por que não fez isso antes, não anuncia que defenderá INTEGRALMENTE O INTERESSE DO BRASIL, CRIANDO UMA EMPRESA 100 POR CENTO NACIONAL PARA EXPLORAR O PRÉ-SAL?

Para variar, a posição que mais gosta: abraçado com serginho cabralzinho filhinho, os dois sem fazerem nada. Que República.

O advogado de Clarence Darrow

Antonio Bezerra de Oliveira:
“O primeiro advogado foi Earl Rogers, que abandonou a defesa. No segundo julgamento, Darrow teria feito a própria defesa, passando a participar de causas criminais, com debates extraordinários”.

Comentário de Helio Fernandes:
Obrigado, Bezerra, pelo esclarecimento e por completar a ausência de minha memória. Agora me lembro de muita coisa, vou citar apenas o notável debate entre ele e o pastor William Jennings Bryan (o único cidadão do mundo ocidental, que foi candidato três vezes a presidente, nos EUA, e perdeu todas), por causa de um incidente numa cidadezinha no interior do Estado de Ilinois.

Jovem professor numa aula secundária, afirmou, “o homem descende do macaco”. Contaram aos pais, tremenda confusão, o pastor ex-candidato, advogado da cidade, Clarence Darrow defendendo o jovem professor.

Dominou o país, cobertura jornalística de todos os pontos. Foi maravilhoso, superioridade evidente de Darrow. Durou semanas, o pastor morreria logo depois do debate. Ele era admirável discursando, dominando multidões, não conseguiu convencer o eleitor (1896, 1900, 1908) de que seria bom presidente.

Desse debate surgiu um filme, “O vento será tua herança”, que gostaria muito de rever. Anos mais tarde, a Faculdade de Direito do Rio reproduziria o debate, com Tecio Lins e Silva (filho de Raul e sobrinho de Evandro) representando Clarence Darrow.

Vargas e o Prometeu Acorrentado

Átila:
“Helio, contas a história com o fígado, o que é uma forma de distorcer os acontecimentos. Vargas não foi apenas um GRANDE PRESIDENTE (sic), mas um verdadeiro estadista”.

Comentário de Helio Fernandes:
Desculpe, Atila, mas você cometeu um equívoco. Quem utilizava o fígado era Prometeu Acorrentado, que preso e amarrado, sem poder se movimentar ou se alimentar, devorava o próprio fígado para sobreviver.

Quanto a Vargas, Atila, mantenha sua posição, mas não mudará o caráter ditatorial do teu personagem. Tendo ficado 15 anos como ditador, e mais 4 “eleito” pela primeira vez, tinha que fazer alguma coisa. Mas o que FICOU mesmo foi a crueldade e a capacidade inacreditável de COMPRAR OS ADVERSÁRIOS PARA SILENCIÁ-LOS.

Presidente Lula confundiu e iludiu a todos com os projetos de lei do pré-sal

Jorge Fubem Folena:
“Jornalista Hélio Fernandes, o presidente Lula perdeu a chance de, antes do término do seu mandato, manter para o Brasil talvez uma das maiores riquezas naturais estratégicas, que são o petróleo e o gás existentes na camada de pré-sal e que desperta tanta cobiça, antes mesmo de se conhecer a viabilidade econômica de sua exploração.

Não sei se houve má-fé ou induzimento à desinformação, mas a questão dos royalties nada tem a ver com o pré-sal. Porém, toda esta confusão serviu para iludir o povo brasileiro, possibilitando duas situações: uma, que políticos omissos e espertos possam tentar tirar alguma vantagem eleitoral, jogando brasileiros uns contra outros: e, duas, deixando passar pelo Congresso projetos de lei contrários ao interesse nacional.

O presidente Lula encaminhou ao Congresso Nacional quatro anteprojetos de lei relacionados ao pré-sal. O primeiro tratava da criação de um fundo soberano das receitas da União, provenientes da exploração do petróleo; o segundo possibilitava a exploração do pré-sal no modelo de partilha, em substituição às atuais concessões de campos de petróleo, assegurando-se à Petrobras pelo menos 30% da participação no consórcio que irá explorar o petróleo e o gás; o terceiro capitalizava a Petrobras com a cessão pela União de 5 bilhões de barris de petróleo da área do pré-sal (?), que ainda sequer entrou em operação; e o quarto criava a Petro-Sal, para administrar e gerir a grande área petrolífera a ser explorada.

Ocorre que o projeto de lei de partilha do Pré-sal, defendido com entusiasmo pelo Presidente Lula, é prejudicial ao Brasil porque, na forma como foi concebido, poderá vir a beneficiar até mesmo os bancos, desde que participem do consórcio a ser formado.

Com efeito, a União entrará com as reservas de petróleo, que a ela pertencem (art. 20, V e IX, Constituição), e a Petrobras, capitalizada e contando também com recursos dos trabalhadores pelo FGTS, arcará com os investimentos e a tecnologia necessários para a exploração do pré-sal. Os demais consorciados poderão ser quaisquer interessados, desde que comprem sua participação no consórcio. Na verdade, não precisarão derramar uma gota de suor de trabalho.

Este grave equívoco está associado ao abandono da idéia de se recuperar o patrimônio nacional, mediante a fundação de uma Petrolífera 100% brasileira para a exploração do pré-sal, uma vez que a Petrobras está “contaminada” em decorrência de ter suas ações vendidas na Bolsa de Nova Iorque e pelo desmonte original da empresa patrocinado por sucessivos governos.

Essa nova empresa nacional poderia ser a própria Petro-Sal (sob o controle total da União), que poderia contratar a Petrobras e outras empresas para lhe prestar serviços, remunerando-as por isso, sem precisar de qualquer modelo de partilha ou de concessões como constam na Lei 9.478/97 e sem ser oferecida questionável preferência à Petrobras, como consta no projeto de lei de partilha, o que é inconstitucional.

Assim, o petróleo poderia ficar sob o controle da União, que daria a destinação necessária a esse bem essencial ao desenvolvimento do Brasil, pois como gosta de dizer o presidente Lula: “O petróleo não é do governo do Estado do Rio de Janeiro. Não é da Petrobras, é do povo brasileiro e precisamos discutir o destino deste petróleo” (Tribuna da Imprensa, 13/08/08, p. 08). Será que é?

Outra pergunta que não quer calar: será que o presidente Lula não sabia o que está por detrás dos anteprojetos de lei enviados ao Congresso? Parece que perdeu a oportunidade de entrar para a História do país como o grande estadista que recuperou uma riqueza – o petróleo, motivo de tantas guerras – entregue com docilidade pelo seu antecessor, com a promulgação da Emenda Constitucional 09/95 (que impôs o fim do monopólio da Petrobras) e pela sanção da atual Lei do Petróleo (9.478/97). Se sua intenção foi confundir e iludir o povo, como parece, ficará na História como mais um presidente entreguista, infelizmente.

Portanto, o problema do pré-sal não é do Congresso, como disse o presidente Lula no dia 18/03/2010, mas sim de seu governo, que deu o indevido encaminhamento à questão ao Congresso, quando poderia fazê-lo da forma mais simples possível.

Por fim, vale frisar sempre que o governador Cabral Filho não defendeu o Rio de Janeiro na questão dos royalties, apenas criou embaraços que favoreceram os interesses dos que são contrários ao País, colaborando, assim, para tirar do foco o problema principal, que é a entrega do pré-sal.”

Jorge Rubem Folena é presidente da
Comissão Permanente de Estudos Constitucionais
do Instituto dos Advogados do Brasil

Comentário de Helio Fernandes:
Todas as dúvidas dissipadas, Folena, como sempre. Defendemos desde o início a criação de uma empresa 100 por cento estatal, de propriedade de todos os brasileiros, de estados, cidades, municípios. Aqui, aproveito para tranquilizar os que perguntam, CONFUSOS, se acabarão os royalties do petróleo e gás, SUBSTITUIDOS pelos royalties do PRÉ-SAL. Nada a ver.

Pedro do Coutto, Carlos Chagas, o próprio Folena, insistentemente, e este repórter, temos mostrado que as duas coisas não se confrontam nem se hostilizam, houve apenas omissão do governador do Estado do Rio (e dos outros que conquistaram, CONSTITUCIONALMENTE o direito a esses royalties).

Quando falo em omissão, tenho que acrescentar, realisticamente: PLANEJADA, TRAMADA, DETERMINADA, PREPARADA, COORDENADA, APROVADA E FESTEJADA.

É impossível chegar a outra conclusão, examinando estes dados. 1 – O projeto escondido atrás de Ibsen, “rodou” quase 7 meses na Câmara. 2 – 369 deputados votaram a favor, ninguém da “base” examinou, se alarmou, alertou o Planalto-Alvorada.

3 – Quando descobriram esse fantástico (a palavra é usada nos variados sentidos) PRÉ-SAL, o presidente Lula passou a receber elogios, aplausos e brincadeiras do exterior. 4 – Todos perguntavam talvez com uma ponta de ironia, “o Brasil agora entrará para a OPEP?”

5 – O presidente, portanto, sabia da importância dessa descoberta, tanto que mandou logo 4 projetos para o Congresso, TODOS, MAS TODOS ELES, DESLIGADOS DO INTERESSE DO BRASIL.

6 – A partilha desse PRÉ-SAL é absurda e a conjugação dos dois tipos de riqueza, o petróleo e o gás (que os americanos por mais de 50 anos negavam que “EXISTISSE NO BRASIL”, e levou o grande Monteiro Lobato à prisão várias vezes, até que foi viver no exterior) e esse petróleo e gás do agora chamado PRÉ-SAL, rigorosamente inacreditável.

7 – Mais grave: a divisão entre brasileiros por causa do PRÉ-SAL, que só poderá ser explorado entre 15 e 20 anos, revoltante e ignomiosa, que palavra. 8 – Lula já tem dito várias vezes e em muitas oportunidades, “não sei de nada”. Mas no caso dessa riqueza monumental, praticamente trouxe divisão para o país e prejuízo à sua própria imagem como governante.

9 – Lula que gosta tanto de dizer, “como presidente realizei mais do que todos os outros presidentes juntos”, poderia transformar essa afirmação, de bravata em gravata, aplicada nos adversários.

10 – Não existem equipamentos para retirada do PRÉ-SAL, a profundidade varia de forma notável, os obstáculos que a perfuração encontrará, assustam até pela estimativa, parodiando Lula, “ninguém sabe nada”.

Portanto, deixemos o PRÉ-SAL para estudo e avaliação futura, tratemos da Lei 9478, que a covardia, a servidão e a traição de FHC, implantaram para quebrar o monopólio da Petrobras.

O presidente Lula, que tem maioria para tudo, assim que foi eleito, devia ter recuperado imediatamente os 4 OU 5 TRILHÕES que FHC foi DOANDO de nosso patrimônio e “recebendo em moedas podres”, que não valiam coisa alguma.

Citemos os crimes praticados pelos ENRIQUECIDOS MEMBROS E NÃO-MEMBROS DA COMISSÃO DE DESESTATIZAÇÃO, e examinemos, hoje, a criação das LICITAÇÕES proporcionadas pela 9478.

No final de 2002, Lula já eleito, Dona Dilma sabendo que ia ser ministra de Minas e Energia, fazia comícios veementes contra as licitações, queria destruí-las imediatamente. A AEPET, (na época prestigiada, acatada, respeitada, hoje, tristeza e lamento) convenceu Dona Dilma: “No momento não temos forças para lutar contra esses adversários. Além do mais, o importante é a LICITAÇÃO NÚMERO 6, por aí temos que começar a recuperação do monopólio da Petrobras”.

Ela se acalmou, 3 ou 4 meses depois de ser ministra, já estava FURIOSA E DESGOVERNADA a favor da LICITAÇÕES. Quando chegou a oportunidade da LICITAÇÃO NÚMERO 6, Dona Dilma se jogou violentamente contra o interesse nacional, a número 6, aprovada.

O governador Requião, através do Procurador Geral do Paraná, entrou com uma ADIN no Supremo. Até este repórter acreditava que o Brasil fosse ganhar, apesar de saber que não existe ninguém mais conservador do que um revolucionário no Poder. E Dona Dilma nunca foi revolucionária ou progressista, nem sabia o que ela era. Desvirtuava tanto a verdade, que nem sabia o que dissera antes ou diria depois.

***

PS – A ADIN chegou ao Supremo, Dona Dilma, já Chefe da Casa Civil, e Nelson Jobim, (ainda não expulso do Supremo) se acertaram. Ele fazia um gesto com a mão, Eros Grau pedia vista, foi o que aconteceu. 5 ou 6 meses depois, o Brasil perdeu de 7 a 4, no Planalto-Alvorada comemoraram. Requião, que votou duas vezes em Lula, se afastou.

PS2 – Agora já querem (os amigos, privilegiados e favorecidos) chamar Lula de ESTADISTA. O Brasil não tem nenhum PRESIDENTE ESTADISTA. O único ESTADISTA QUE PRETENDIA SER PRESIDENTE, de 1906 a 1918, nunca se elegeu, só se candidatava pelo VOTO INDEPENDENTE, sem partido.

PS3 – Podemos nos conformar (não gosto da palavra nem do seu sentido), com os EUA. Desde a Constituinte de 1787, e a primeira eleição de 1788, (DIRETA, DIRETA) eles só tiveram quatro presidentes estadistas.

PS4 – Depois de 222 anos dos FUNDADORES da República, não é muita vantagem. O problema é que, começando (ou acabando) a partir de 2010, não vemos nenhum estadista no horizonte. Mas na Matriz, embora eu torça muito por Obama, também nenhuma esperança.

À procura do “maior de espadas”

Carlos Chagas

Getúlio Vargas estava no seu primeiro período de governo, ainda como presidente provisório da República, quando morre em Belo Horizonte um dos sustentáculos da Revolução de 30, o velho  governador Olegário Maciel. Imediatamente dois grupos se posicionam para influenciar a nomeação do sucessor: Flores da Cunha, todo-poderoso governador do Rio Grande do Sul, queria Gustavo Capanema, jovem secretário de governo, braço direito de Olegário. Osvaldo Aranha, ministro da Fazenda, indicava Virgílio de Mello Franco.

Getúlio demorava a escolher, com Capanema de governador interino. Não queria inflar o balão de Flores nem de Aranha. O ex-governador (chamava-se presidente do estado),  Antonio Carlos, foi designado coordenador do processo de escolha.

Certa noite, no Rio, no Palácio Guanabara, residência do presidente, examinaram  mais uma vez a situação.  Getúlio pediu que o Andrada fizesse uma lista de pretendentes, que ele decidiria em poucos dias. O sagaz mineiro já ia saindo, estava na porta,  quando o gaúcho recomendou: “Olhe, para maior de espadas, também ponha aí  o nome desse Benedito Valadares”.  Maior de espadas era uma carta que diferia das  outras, num daqueles jogos de salão da época.

Antonio Carlos, que de bobo não tinha nada, apesar da hora avançada foi  ao hotel onde se hospedava Benedito Valadares,  desconhecido mas prestigiado por ter sido chefe de polícia na região do túnel da Mantiqueira, pouco antes, quando os mineiros derrotaram os paulistas na revolução de 32. Sem mais aquela, foi anunciando: “Benedito, eu decidi que você vai ser o governador de Minas”.

Tão esperto quando o visitante, Benedito ficou calado e, depois, foi acordar a mulher, que já dormia: “Odete, acorda. Eu sou o novo governador de Minas! O Antônio Carlos veio aqui dizer que tinha me escolhido, mas eu sei que foi o Getúlio.”

A santa esposa, sem se levantar, exclamou apenas: “Benedito, você bebeu de novo?”  Dias depois o casal  estava instalado no Palácio da Liberdade, de onde só saiu em 1945, com a deposição de Getúlio.

Por que se conta essa história? Porque o presidente Lula quer incluir um “maior de espadas” na lista de um nome só que o PMDB pretende entregar-lhe  para compor a chapa de Dilma Rousseff. O   partido  indicará  Michel Temer,  seu presidente, mas quem o primeiro-companheiro irá sugerir, só para enfeitar a relação?

Pode ser Henrique Meirelles, pode ser Roberto Requião, pode ser Edison Lobão, os três  do PMDB, como poderá ser Ciro Gomes, de fora. Quem quiser que se fantasie de Antonio Carlos…

O círculo se fecha

Faltam dez dias úteis  para  vencer  o prazo das desincompatibilizações de ministros, governadores e altos executivos das estatais que disputarão as eleições de outubro. A exceção fica para os governadores capacitados a pleitear um segundo mandato, tendo em vista a abominável emenda constitucional da reeleição, imposta ao Congresso por Fernando Henrique Cardoso. Para não precisar deixar o governo no período eleitoral, o sociólogo inventou que presidentes da República, governadores e prefeitos poderiam disputar um segundo mandato  no exercício de suas funções.  Mas se fossem atrás de cadeiras no Senado ou até de olho na presidência da República, precisariam sair.  A situação de ministros e dirigentes de estatais não comportou exceções. É pedir as contas ou tornar-se inelegível.

Muita gente fica pensando por que o Legislativo, passados tantos anos, não corrigiu essa aberração. Ou a permanência nos cargos vale para todos ou para ninguém, nem se falando da prerrogativa de deputados e senadores que não necessitam ir para casa quando disputam a reeleição ou outro lugar. São os interesses variados que se cruzam e imobilizam todo mundo.

Tem  ministros sem dormir, analisando ainda a hipótese de concorrer às eleições  ou de permanecer até dezembro onde estão.  Com a decisão do presidente Lula de aproveitar a maioria dos secretários-executivos nos ministérios a ficar vagos, logo os insignes partintes poderão arrepender-se de deixar os insignes ficantes em suas cadeiras. Afinal, como ministros, encontram-se em área de exposição bem maior do que como simples candidatos, mesmo aqueles que retornarão ao Congresso. Afinal, são 37 ministérios cotejados com 81 senadores e 513 deputados.

Estes raciocínios dão a medida da insônia registrada na Esplanada dos Ministérios…

Pelo menos uma vez

Corre em Brasília que depois de outubro, sejam quais forem os resultados eleitorais, o presidente Lula deverá promover um monumental festival de despedidas. Se puder, visitará todos os estados pela última vez, ao tempo em que comparecerá ao Congresso e ao Supremo Tribunal Federal. É provável que reúna também o Conselho da República, até hoje virgem de reuniões, e até se anime a convidar todos os ex-presidentes da República para uma cautelosa confraternização. A única vez que o Lula  promoveu esse encontro foi a bordo do avião presidencial, em viagem a Roma para a posse do novo Papa. Mesmo assim, faltou um, Fernando Collor, que naqueles idos ainda não havia sido absolvido pelo Supremo Tribunal Federal.  Agora, não faltaria ninguém, de José Sarney a Fernando Collor,  Itamar Franco e Fernando Henrique Cardoso. Isso, é claro,  se aceitassem o convite.

Dificuldades

Ainda para ficar no tema, vale enfatizar as dificuldades para ser ex-presidente da República.  De repente, o tapete parece desaparecer do chão. Salamaleques e rapapés vão sumindo,  desde a subserviência da maioria dos auxiliares até as mordomias, das  necessárias às  exageradas. Não há mais mordomos para botar os chinelos ao pé da cama, nem chefes de cozinha especializados em preparar as iguarias preferidas. Para entrar no carro,  mesmo dispondo de viaturas oficiais e minigabinetes de segurança, não raro pegarão na maçaneta. Pior quando se dirigem a reuniões ou solenidades: devem esperar ser convocados para as mesas,  em vez de buscarem por conta própria o lugar principal. Toques de corneta e bandas de música ficaram para trás.

Tudo isso parece bobagem, mas pega mais do que sarampo.  Já não há  mais lugar garantido  na mídia, muito  menos nas calçadas, quando bissextamente as freqüentarem. Sobre tudo isso deverá  meditar o presidente Lula, ainda que pelas suas origens e sua própria natureza, possa até dar graças a Deus pela falta de tanta fantasia.

Julgamento do casal Nardoni

Sem nenhuma dúvida, divide a opinião pública, e será o grande assunto da semana. O Tribunal do Júri foi criado no ano de 1.100 (mil e cem) na Inglaterra. 12 jurados e decisão, obrigatória, por unanimidade. E assim dominou o mundo, sem qualquer alteração.

No Brasil, políticos e magistrados não gostavam de um tribunal que “era para julgar com o coração e não com a mente”. Então, aqui, passou a ter apenas 7 jurados e a decisão por maioria simples, geralmente 4 a 3, CONTRA ou a FAVOR do réu.

Sempre gostei desse tribunal e fui a grandes julgamentos, com debates incríveis entre Evandro e Raul Lins e Silva, (Cordeiro Guerra e Emerson de Lima, pela Promotoria). Romeiro Neto, Stélio Galvão Bueno (depois assassinado pela própria mulher, ela defendida por um grande amigo do casal). O Primeiro Tribunal do Júri ficava na Rua Dom Manuel 29, onde construíram “majestoso” edifício.

Nos EUA, diversos casos vão ao Tribunal do Júri, e não apenas por assassinato, morte ou tentativa de homicídio. Até hoje, 99 anos decorridos, o mais importante julgamento continua sendo o de Clarence Darrow.

Considerado o maior advogado de todos os tempos nos EUA, obteve grandes vitórias defendendo empresas e empresários poderosos. Em 1894, enviou carta ao Sindicato das Empresas Ferroviárias, comunicando que não as defenderia mais.

Passou a ser advogado GRATUITO de trabalhadores e negros perseguidos. Sabia que tudo desabaria em cima dele. Desabou em 1911.

O julgamento levou três meses (na verdade 92 dias), o juiz, no dia 20 de dezembro, liberou os jurados para passarem o Natal e o Ano Novo em casa, sem lerem jornal ou conversarem com alguém. Na volta, juntaram mais uma acusação: tentativa de corromper um jurado.

Não quis se defender pessoalmente, fez a famosa frase-conceito, que dura até hoje: “Um advogado que defende a si mesmo, tem um idiota como cliente”. Não tinha dinheiro para pagar, contratou um profissional.

(Desculpem, esqueci o nome desse profissional. Como não tenho enciclopédia ou qualquer outra forma de consultar, quem souber, pode me completar).

Foi absolvido pela única forma que a lei dos EUA permite, UNANIMIDADE. Consagração popular a ele e ao Júri, pela independência.

O julgamento do casal Nardoni, imprevisível, principalmente pela possibilidade de 4 a 3 CONTRA ou a FAVOR, e novo julgamento.

***

PS – Em caso de CONDENAÇÃO, a defesa pode recorrer. Ocorrendo a ABSOLVIÇÃO, é o Ministério Público que pode não se satisfazer. Aí, recorrem para o Tribunal de Justiça, que se entender, pode anular o julgamento, mas não pode julgar ele mesmo.

PS2 – Marcará o segundo e até o terceiro julgamento, desde que haja recurso. No Brasil, um advogado foi julgado e sempre absolvido, acusado do assassinato de uma ex-namorada (Dana Teffé), mas não acharam o corpo. E no Brasil, “não há crime sem corpo”.

PS3 – O caso Nardoni é importantíssimo, controverso, até contraditório. Acho que metade da população está a favor da ABSOLVIÇÃO, a outra metade pela CONDENAÇÃO. Vai depender do que se chama, PROVA MANIFESTA DOS AUTOS.

Lula na ONU

O “The Times” de Londres publicou matéria grande, “revelando”, o presidente brasileiro pretende o cargo de Secretário Geral. Muito obrigado, publiquei (revelei) o fato em outubro, em comunicação e-x-c-l-u-s-i-v-í-s-s-i-m-a.

Agora, semana passada, completei ou modifiquei, com o que chamei “as três derrotas contundentes de Lula no exterior: Irã, Cuba e Israel-Palestina. O jornalão inglês também publicou isso, mas sempre bem depois?

Vitória de Obama e do povo, derrota total dos Planos de Saúde

Foi apertada, mas deve ser louvada. Primeiro: votação num domingo, na Câmara de Washington, estavam presentes 431 congressistas . (Lá se chama assim). Como são 435 dos dois partidos, faltaram apenas 4. (Existe também um deputado sem partido, independente. O que houve no Brasil, até 1934).

Em quase todos os itens, benefícios esplêndidos para a comunidade. Foi o que Obama prometeu na campanha, cumpriu 1 ano, 2 meses e 2 dias depois, melhor, impossível.

Síntese e súmula do Master de Indian Wells, o segundo em importância, depois dos 4 “Slams”

Final surpreendente e inédita, entre o número 7 e o 20 do ranking. Federer, 1, saiu na segunda rodada. Djokovic, 2, na terceira. Nadal, 3, na quinta. Murray, 4 , na quarta. Sobraram Roddick e Ljubicic.

O americano e o croata fizeram jogo equilibradíssimo, tanto que os dois sets foram para o tie-break, vitória altamente merecida de Ljubicic, que marcou 2i aces contra 11 de Roddick.

Vence seu primeiro master mil, aos 31 anos. Nada surpreendente: o grande jogador negro Arthur Ashe, foi número 1 do mundo também aos 31 anos de idade,  morreria de enfarte aos 37. Foi campeão em Forrest Hills, hoje é nome de quadra importante em Flushing Meadows, onde é jogado o Aberto dos EUA.

O brasileiro Thomaz Bellucci, perdeu no primeiro jogo, apesar de ter bom potencial e se julgar o novo Guga. Só que reclama muito, joga a raquete no chão, se desconcentra e perde. Uma pena.

Fluminense ganha mal do Resende,
torcedor sente e se ressente

Monótono, medíocre, sem interesse ou emoção. Dois gols estranhos e sem méritos, quase sofria o empate. O Campeonato Carioca é isso, existe excesso de 12 clubes.

Mais lembranças da atuação de Lacerda como governador, e depois sua prisão e cassação na vigência do AI-5

Diante do enorme e satisfatório volume de comentários sobre o que escrevi a respeito do melhor governador que o antigo Distrito Federal, (depois Estado da Guanabara) já teve, mais alguma coisa importantíssima. Inicialmente, ficou concentrado na “compreensão do que era mais importante fazer”, e fez mesmo. Mas logicamente não foi apenas o Guandu e o Rebouças, embora sejam obras eternas que mostram a visão e a obstinação de quem exerce a função de governador.

Falei em visão e obstinação, lembro logo de Lota Macedo Soares, extraordinária nessas condições. O Parque do Flamengo, chamado depreciativamente de ATERRO, na verdade, inicialmente foi apenas isso. O prefeito Alim Pedro precisava de um local para o Congresso Eucarístico, aterrou aquela parte. Que ficou abandonada até a posse de Lacerda em 1960.

Dona Lota conversou com Carlos Lacerda, obteve seu apoio incondicional, perguntou, “posso contratar o arquiteto, o paisagista Burle Marx?”, (nome nacional). Lacerda estava sentado atrás da mesa, levantou, abraçou Dona Lota, afirmou e perguntou: “Faça o que quiser, ficará pronto no nosso governo?”.

Ela e Burle Marx não saíam de lá, fizeram o “reflorestamento” arquitetônico do Rio, obra para sempre, presente que os cariocas devem a Lacerda. Pulando do Flamengo para a Quinta da Boavista, onde morou o Imperador, um dos lugares mais bonitos do Rio, que estava totalmente abandonado.

Em 2 anos passou a ser o “nosso” Central Park, uma das minhas admirações. Sempre que ia a Nova York (fui muito, não vou mais desde o 11/09) cumpria a obrigação (satisfação) de correr lá, admirar suas belezas. Entrava pela rua onde fica a estátua, (naturalmente enorme e de mármore negro) do grande José Marti, herói de Cuba, que derrotou a Espanha em 1898, conseguiu a independência do país.

Nessa luta, Cuba teve os EUA como aliado. (Ou aliados, também é válido). Os americanos construíram então a Base de Guantânamo, que mais de 60 anos depois serviria para afrontar a própria Cuba, a “guardar” prisioneiros que não podiam ser mostrados, torturadíssimos no Iraque. E de “quebra”, no Afeganistão.

A Quinta ficou admirável, um lugar para visitar e mostrar a quem quisesse conhecer as belezas do Rio. Agora, apenas 45 anos depois de Lacerda, é uma vergonha, sujeira por todos os lados, os carros que passam por lá, têm que se desviar de obstáculos e aumentam a velocidade, por causa da multidão de desocupados que vivem ali. Nenhum, nenhum governador mesmo, sequer sabia onde ficava a Quinta que servia a toda a população.

Agora, no plano (?) para a Copa de 2014 e a Olimpíada de 2016, a Quinta será transformada em local de estacionamento, fica perto do Maracanã, os que estacionarem serão transportados em minivans. Espero que realizem obras para recuperar a belíssima Quinta e revivê-la, transportá-la para a glória do passado.

Falei em trânsito, tenho que registrar e ressaltar uma das maiores realizações do seu governo: a normalização e tranquilidade das ruas. Foi o fim do abuso, do caos no trânsito, o engarrafamento de tal maneira que afetava a coletividade. Ninguém conseguia se transportar da casa para o trabalho e voltar depois de um dia cansativo.

Lacerda entregou tudo ao coronel Fontenelle, que não fez milagre, apenas trabalhava dia e noite, e principalmente CUMPRIA A LEI. Acabou com todos os ESTACIONAMENTOS PRIVATIVOS (proibidos por lei), deixou as ruas para os carros e os ônibus. Sendo que estes, só podiam andar na sua faixa, não faziam fila dupla ou tripla, como hoje.

Nem se incomodou com o protesto da Fetranspor, (o órgão mais poderoso do Rio, que manda em tudo e em todos), nem com ameaça, “o senhor não ficará muito tempo”, (ficou até o último dia do governo). As ruas, da Zona Sul a Santa Cruz, o ponto limite do rio, uma tranqüilidade.

Apenas um exemplo da capacidade de trabalho de Fontenelle, sua independência, e o apoio que recebia do governador. A Rua do Acre, (e adjacências) inferno em matéria de trânsito. Centro do Rio, engarrafado 24 horas por dia, prejudicando toda a população. Pois no Rio, “imprensado entre o mar e a montanha”, qualquer empecilho no trânsito logo se multiplica.

Os atacadistas, poderosos, carregavam e descarregavam caminhões o dia inteiro, dominavam tudo. Fontenelle chamou os diretores do órgão desses “atacadistas”, comunicou: “Os senhores têm 72 horas para se organizarem. A partir daí, carga e descarga, só entre meia noite e 6 da manhã”.

Saíram dali, pediram audiência ao governador, queriam que anulasse a determinação do Diretor do Trânsito. Resposta do governador: “Ele cumpre ordens minhas, os senhores também cumpram o determinado, que é para o bem da cidade e da população, que é o que, estou certo, os senhores também querem”.

Não houve o menor prejuízo para ninguém. Fontenelle mandou rebocar carros de vereadores parados em locais proibidos, em frente à Câmara Municipal. Não perdoou diplomatas, que tinham imunidades, mas não para burlar a lei.

Um dia Lacerda me disse, sem protesto e com satisfação: “O Fontenelle está atento para rebocar meu carro”. Pouco depois rebocava o carro de Dona Letícia, mulher do governador, nenhuma concessão ou privilégio, mesmo ou principalmente para os que estão no Poder.

Não podendo viajar para o exterior, ia muito para o interior. Como disse que tinha estilo próprio de trabalhar, fazia o seguinte. Mandava comprar 4 passagens no avião em que viajaria, (oficial nem existia), levava em média 100 processos, que precisava despachar. Com ele, a competentíssima secretária, Ruth Alverga.

Ia lendo os processos (não assinava nada sem ler, como hoje é moda ou desculpa), ia citando os processos, decidindo, gravando. Depois, Ruth Alverga “desgravava” tudo, o governador assinava, tinha ganho tempo e se livrado da chatice da viagem sem fazer nada.

Mesmo antes dele, os hospitais do Rio, considerados entre os melhores do Brasil, todos chamados de “hospitais públicos”, quer dizer, estatais. Lacerda cuidava atentamente deles, hoje estão completamente abandonados.

Os governadores que vieram depois, “não tinham tempo ou interesse” de cuidar de hospitais. Com uma ressalva: chegou a época dos “planos de saúde”, que colaboraram para o fim dos “hospitais públicos”, pois assim aumentavam o círculo e o tamanho dos seus “clientes”.

Lacerda teria lutado contra esses “planos”, que só pensam (?) em enriquecer. (Vejam o filme de Michael Moore, sobre os “planos” nos EUA, e a luta de Obama para aprovar no Congresso, a reforma dos “planos”, incluindo 50 milhões de pessoas, no mínimo).

O mandato de Lacerda acabava em 5 de dezembro, não admitia passar o cargo a Negrão, foi embora dias antes. O “vice” não quis assumir, ficou na vez o presidente da Assembleia Legislativa, que pretendendo a reeleição, não pôde assumir. O cargo ficou então com o presidente do Tribunal de Justiça, desembargador Vicente Faria Coelho.

Surgiu a Frente Ampla, manifesto lançado pelo próprio Lacerda na redação da Tribuna, o grande acontecimento da época. Mais de 400 pessoas, jornalistas do mundo todo. Eram três inimigos, (ele, JK e Jango, mais do que adversários), que se encontravam no presente, esqueciam o passado, mas seriam perseguidos no futuro.

Lacerda foi o que mais sofreu em matéria de represália. Rompido com a cúpula ditatorial, manteve a admiração da oficialidade. Mas com a Frente Ampla, mesmo esses romperam com ele, passaram a hostilizá-lo. Escreveu então um dos seus melhores artigos, que está inteirinho no título: “CARTA A EX-AMIGOS FARDADOS”.

***

PS – No dia 13 de dezembro, 8 e meia da noite, comecei a me vestir, Rosinha me perguntou: “Você chegou do jornal, vai voltar?”. Disse a ela, “você ouviu esse Ato amaldiçoado, serei preso, preciso deixar muitas coisas para amanhã”;

PS2 – Ia saindo, Rosinha me chamou, era o governador, atendi apressado, disse logo para ele: “Carlos, não posso falar muito, serei preso, você talvez fosse a única pessoa que eu atenderia”. Pergunta: “E eu?”. Resposta: “Você também será preso e cassado, eu já estou cassado”.

PS3 – Do outro lado um rugido: “Você está acostumado a adivinhar tudo, não serei preso nem cassado”. E eu respondendo e desligando: “Carlos, aconselho que enquanto não for preso, releia esse AI-5 e constate que a ditadura verdadeira começa hoje”.

PS4 – O primeiro a ser preso não fui eu, e sim Osvaldo Peralva, editor do Correio da Manhã, maravilhosa figura, comunista de morar na União Soviética, rompeu, escreveu um livro lancinante e inacreditável, “O Retrato”.

PS5 – No dia seguinte, bem cedo, chegava um novo preso, Carlos Lacerda. Me abraçou, disse, “você acertou mais uma vez, só que pela metade, não serei cassado”. E este repórter: “Prenderam você, estavam com saudades”. Foi cassado no dia 30 de dezembro, viajou para a Europa no dia 2 de janeiro, arranjou um jeito de, generosamente, ir se despedir de Mario Lago, Peralva e este repórter.

PS6 – Tenho que terminar. Viajou para a Europa, onde ficou anos, sendo que 2 em Milão. Voltou, se confinou na “Nova Fronteira”, não aparecia, não falava com ninguém. Morreu inesperadamente, numa “barbeiragem” médica. Mas não deixou de pensar, esperar e acreditar que seria presidente.

Não deixem de ler amanhã:
Mais uma análise corajosa, elucidativa (clara)
de Jorge Folena, sobre o assunto do momento, royalties
do petróleo e do pré-sal. Com comentários
e bastidores deste repórter.

Carta aos brasileiros – o retorno

Carlos Chagas

Em pleno Oriente Médio, pouco antes de embarcar de volta, o presidente Lula concedeu entrevista coletiva. O ponto era vago e,  estimulados por  empresários que integravam a comitiva,   jornalistas brasileiros indagaram se caso eleita,  Dilma Rousseff mudaria a política econômica. Se desenvolveria um programa estatizante.

O presidente deu duas no cravo e uma na ferradura. Declarou  textualmente  existirem três coisas “de que não abriremos  mão”,  uma espécie de confissão de que o governo Dilma irá desenvolver-se em condomínio no qual ele será o síndico: 1. Manutenção da estabilidade econômica; 2. Controle  da inflação; 3. Investimentos públicos.

Os empresários sentiram-se no paraíso, aliás, no passado bíblico, localizado por ali. Ouviram  a garantia de que nada vai mudar, reforçada pela afirmação  de que “Dilma não será  estatizante nem vai estatizar nada”.

O próximo passo parece à vista de todos: a ministra, antes ou depois de deixar o governo, divulgará sua versão pessoal da Carta aos Brasileiros assinada pelo Lula em 2002, tranqüilizando as elites. Fica a política econômica  como está, ou seja, o país deve estar preparado para esquecer tudo o que for dito  na campanha, se é que vão dizer alguma novidade.

E agira, Cabral?

Semanas atrás o governador Sérgio Cabral declarou que se Dilma Rousseff contrariasse os interesses do Rio, nem sua mulher votaria nela. A candidata não se pronunciou a respeito do projeto que muda o regime de  royalties do petróleo, apesar de  o senador Heráclito Fortes haver denunciado que o texto foi preparado na Casa Civil. Mas precisará posicionar-se, agora estimulada pela presença do presidente Lula em Brasília. A omissão não cabe, numa situação dessas.

O diabo é que se  Dilma  defender o projeto já aprovado na Câmara, nem poderá desembarcar no Rio e no Espírito Santo. Caso contrário, colherá  a má-vontade dos estados esperançosos de receber recursos do petróleo que não produzem.

Por outro lado, fará o quê, o governador fluminense, caso se caracterize a garfada que o Congresso e o governo  parecem  estar em vias de  aplicar no Rio e no Espírito Santo? Reforçará a proposta da candidatura própria no PMDB? Apoiará José Serra? Ou cruzará  os braços, desinteressando-se da sucessão presidencial, iniciativa capaz de prejudicar-lhe a  reeleição?

Não aguentou

Não se passaram duas semanas de silêncio do ex-presidente Fernando Henrique, depois de haver recebido recado de José Serra para não atrapalhar a estratégia sucessória dos tucanos. Em palestra na Academia Brasileira de Letras, convidado para  homenagear a memória de Joaquim Nabuco, o sociólogo não aguentou. Disse que uma coisa é o candidato, outra a campanha. O PSDB deveria estar inundando o país com suas propostas de governo, mesmo permanecendo o governador paulista em cone de sombra.  Como se fosse possível a existência de uma peça teatral sem autor.

Outra polêmica afirmação de Fernando Henrique disse respeito à política externa. Defendeu a volta ao alinhamento automático do Brasil com os Estados Unidos…

A dissolução da ordem pública

A Constituição admite a intervenção federal nos estados quando a ordem pública estiver em perigo. O Procurador Geral da República formalizou o pedido de intervenção federal em Brasília. O Supremo Tribunal Federal  não tem prazo para decidir, mas já se debruça na questão.

Enquanto isso, o Distrito Federal vai se dissolvendo, com um governador-tampão posto em sossego e inação. Os apagões sucedem-se todas as semanas, não mais restritos a pequenas regiões, mas atingindo metade da cidade, ora num lado, ora em outro, por horas seguidas. Até a Praça dos Três Poderes e a Esplanada dos Ministérios ficaram sem energia.

Ao mesmo tempo, o trânsito virou um caos. Filas duplas no centro de Brasília são coisa do passado. Agora elas são triplas e até quádruplas. Os transportes coletivos nem transportam nem servem à coletividade, ficando os passageiros à mercê dos interesses dos concessionários de empresas de ônibus. Nas cidades satélites, virou aventura estar na rua depois do sol. Multiplicam-se os assaltos e as invasões de residências.

Com as instituições políticas locais  sob suspeição, o ex-governador preso, os partidos em frangalhos e a possibilidade de as eleições de outubro  reconduzirem ao poder o patrono de toda a lambança aqui verificada, não seria o caso da intervenção federal imediata?

O tempo passa e Lula continua sem compor um conjunto de candidatos capazes de vencer as eleições de governador

Carlos Chagas

O presidente Lula concentra seus maiores  esforços na eleição de Dilma Rousseff para presidente, mas sabe que até para o sucesso da candidata, o PT precisará armar quadros sucessórios eficazes nos estados.

Até agora, as dificuldades são muitas. Tome-se São Paulo, por exemplo. Depois da aventura que seria a candidatura de Ciro Gomes, que é do partido socialista, o escolhido foi Aloísio Mercadante, que pelo jeito vai para o sacrifício. Ao menos conforme as pesquisas, Geraldo Alckmin é o franco favorito.

Em Minas, Lula atropela seus próprios companheiros, insistindo que devem apoiar Helio Costa, do PMDB, deixando Patrus Ananias e Fernando Pimentel no vinagre.

No Rio, não há candidato do PT, o presidente precisou afastar Lindberg Farias para apoiar a reeleição de Sérgio Cabral, do PMDB, que agora anda de cara feia para o Planalto.

No Rio Grande do Sul, José Fogaça é o favorito, mas integra a facção do PMDB que apóia José Serra e não Dilma Rousseff. Tarso Genro disputará pelo PT, mas por enquanto com chances reduzidas.

Faltam petistas para o Paraná, Amazonas, Goiás, Pará, Pernambuco, Ceará e outros estados. No mínimo, faltará para Dilma, se for eleita, uma base de apoio estadual de seu próprio partido.

Lula fora do palco, depois de 31 de dezembro?

Não é fácil ser ex-presidente da República, tendo ou não conseguido fazer o  sucessor. Fernando Henrique que o diga, porque depois de deixar o Palácio do Planalto vive até hoje tentando ocupar espaços na beiradinha das atenções, geralmente sem conseguir.

Itamar Franco, que elegeu o sociólogo, soube desencarnar porque candidatou-se ao governo de Minas e venceu, mas Fernando Collor ralou anos a fio, escanteado, até que  conseguiu eleger-se senador.

José Sarney ficou pendurado no pincel, sem escada, quando teve negada sua candidatura a senador pelo seu próprio estado, o Maranhão, precisando mudar-se para o Amapá.

Quanto ao presidente Lula, há dúvidas: não parece inclinado a se  tornar condômino do poder,  se Dilma Rousseff for eleita, mas será um espinho na garganta dela, se ficar por aqui sem ter o que fazer.  Concorrer a secretário geral das Nações Unidas é  ilusão. Ironicamente, a posição mais cômoda para Lula estará na vitória de José Serra,  porque aí se tornaria o chefe da oposição.