No PSDB, clima péssimo também entre Tasso Jereissati e José Aníbal

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Tasso comprou uma briga boba com José Anibal

Murilo Ramos e Nonato Viegas
Época

Não é conveniente convidar o presidente do PSDB, o senador Tasso Jereissati (CE), e o presidente do Instituto Teotônio Vilela (ITV), José Aníbal, para o mesmo evento. Aníbal ficou furioso ao saber que Jereissati tem pretensões de tirá-lo do comando do instituto, que é a fundação ligada ao partido. Aníbal diz para quem quiser ouvir que não sai de lá.

Pelo jeito, não é só a disputa entre o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, e o prefeito de São Paulo, João Doria, que anima o ninho tucano.

ALCKMIN E DORIA – Em busca de apoio a sua candidatura à Presidência da República em 2018, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), jantou com parlamentares do PP na quarta-feira (dia 9), em Brasília. Lá pelas tantas, Alckmin foi interrompido por uma pergunta reta da senadora gaúcha Ana Amélia: “O que você vai fazer com sua criatura?”, numa referência à possível intenção do prefeito de São Paulo, João Doria, afilhado político de Alckmin, de disputar a Presidência da República no ano que vem.

Alckmin rodeou, rodeou, mas respondeu: “Confio na palavra dele [Doria]. Ele me disse que não vai disputar as prévias comigo”, afirmou o governador, segundo pessoas presentes ao encontro.

Se Alckmin for candidato, o PP cogita indicar o vice. O nome mais provável, até o momento, é do ministro da Agricultura, Blairo Maggi.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Conforme o comentarista político Merval Pereira tem salientado em O Globo, o PSDB precisa resgatar a identidade do partido, muito desgatada nos últimos anos, para se reaproximar de seus eleitores tradicionais. Aproveitando esse raciocínio de nosso amigo Merval, acrescentamos que o primeiro passo é o partido decidir quem deve liderar esse esforço: Alckmin ou Dória? Por enquanto, os tucanos estão em cima do muro. Quanto a José Anibal, Tasso comprou uma briga boba com ele, que é imexível no partido. (C.N.)

Ministro Maggi é a primeira vítima da delação “monstruosa” de ex-governador

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Maggi é mais um ministro de Temer a ser acusado

Deu em O Globo

Em delação premiada homologada nesta quarta-feira pela Justiça, o ex-governador do Mato Grosso Silval Barbosa (PMDB) acusa o ministro da Agricultura, Blairo Maggi (PMDB), de pagar R$ 3 milhões para que um ex-secretário mudasse a versão de um depoimento dado à Justiça e o inocentasse de uma acusação de compra de vaga no Tribunal de Contas do Estado (TCE). A revelação foi feita na edição da noite desta sexta-feira do Jornal Nacional, da TV Globo.

O suposto crime faz referência a fatos ocorridos em 2009, quando Maggi era governador do Mato Grosso e Silval, seu vice. Ex-secretário de Finanças do estado, Éder Moraes denunciou ao Ministério Público que os dois políticos sabiam de um esquema de corrupção para compra de vagas no TCE e que ele pretendia assumir uma delas. Depois de fazer a denúncia, ainda de acordo com a delação a que o JN teve acesso, Moraes procurou Maggi e Silval e disse que retiraria as acusações se recebesse R$ 12 milhões.

CUMPRIA ORDENS – Silval contou à Justiça que os dois concordaram em pagar R$ 3 milhões cada um a Moraes. A quantiia referente a Maggi teria sido entregue em dinheiro vivo entre 2014 e 2015 por uma pessoa chamada Gustavo Capilé. Silval afirmou que sabe disso porque o pagamento foi confirmado pelo próprio Maggi. A parte de Silval teria sido entregue, também em dinheiro vivo, pelo seu chefe de gabinete, Silvio Cesar Corrêa Araújo. À TV Globo, os advogados de Araújo disseram que ele “apenas cumpria ordens”.

De acordo com o JN, Moraes mudou mesmo de versão no decorrer do processo. Em 24 de março de 2014, ele disse à Justiça que, em 2009, havia conversado com Silval e Blairo sobre a compra de uma vaga no TCE. Em janeiro de 2015, em entrevista à TV Globo, informou que havia mentido porque estava “extremamente tomado pela emoção” de não ter sido escolhido para assumir à vaga do tribunal. Isso fez com que ele “colocasse algumas palavras que eu depois me retratei sobre todas elas”, segundo o que disse na entrevista.

ARQUIVAMENTO – A mudança na versão levou o Ministério Público a pedir o arquivamento da denúncia, que foi aceita pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Dias Toffoli em maio de 2016.

Ainda de acordo com o JN, Silval relata, em sua delação, um repasse de R$ 4 milhões ao deputado federal Carlos Bezerra (PMDB-MT), pra que apoiasse uma candidatura à Prefeitura de Cuiabá. O deputado afirmou que o pagamento citado pelo ex-governador “não tem nenhum fundamento”, uma vez que quem trata de campanhas a prefeituras é o diretório municipal, e ele faz parte do diretório estadual do partido.

O ex-governador também falou de pagamento de propina ao senador Wellington Fagundes (PR-MT). Em resposta, senador declarou que desconhece o teor das afirmações do ex-governador à Justiça e que irá se posicionar quando tiver acesso à delação premiada.

MAGGI NEGA – A assessoria de imprensa de Maggi afirmou que nunca atuou ou autorizou atuação de alguém para “agir de forma ilícita dentro das ações de governo ou para obstruir a justiça”. A nota diz que “não houve pagamentos feitos ou autorizados por mim, ao então secretário Eder Moraes, para acobertar qualquer ato” e que, por isso, “Silval Barbosa mentiu ao afirmar que fiz tais pagamentos em dinheiro ao Eder Moraes”.

“Jamais utilizei de meios ilícitos na minha vida pública ou nas minhas empresas”, afirma Maggi. “Sempre respeitei o papel constitucional das Instituições e como governador, pautei a relação harmônica entre os poderes sobre os pilares do respeito à coisa pública e à ética institucional.”

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGComeçam a ser divulgadas as primeiras informações sobre a delação considerada “monstruosa” pelo relator Luiz Fux. Esta denúncia inicial é facilmente comprovável, porque nome do entregador do dinheiro foi citado e a testemunha mudou o depoimento de foram grotesca. A delação começou bem. Agora vamos aguardar o segundo capítulo. (C.N.)

Lula se diz perseguido e acusa a força-tarefa de se portar como partido político

Lula diz que foi condenado sem haver provas de crime

Fernanda Krakovics
O Globo

Em ato político na Faculdade de Direito da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva contestou, na noite desta sexta-feira, as acusações contra ele e afirmou que foi condenado sem provas no processo sobre o tríplex em Guarujá (SP). Para o petista, a Operação Lava-Jato tem motivação política. A ex-presidente Dilma Rousseff também estava presente no evento.

“O pessoal que compõe a força-tarefa (da Lava-Jato) é um partido político” — disse Lula a um auditório lotado de estudantes.

Seis ações penais – Lula é réu em seis ações penais, quatro delas na Lava-Jato. Na operação, ele já foi condenado a 9 anos e 6 meses de prisão, em primeira instância, no caso do tríplex do Guarujá. Ele também responde a ações relativas ao sítio de Atibaia; a supostas irregularidades em contratos da Petrobras com a Odebrecht; à obstrução à Justiça. O ex-presidente também é réu na Operação Janus, por suposta atuação junto ao BNDES para liberação de recursos para Angola; e na Operação Zelotes, por tráfico de influência.

“Essa subordinação da Justiça à opinião pública é um crime muito grave contra o processo democrático. O juiz que largue a toga e vá se candidatar” — disse Lula, em seu discurso.

Para Lula, o Estado de Direito não está sendo respeitado. “Tenho consciência que o Moro não é mais honesto do que eu, nenhum procurador. Não sou eu que tenho que provar minha inocência, eles é que têm que provar minha culpa. Eles não podem repetir a teoria do domínio do fato. Agora eles dizem que não precisam provar” — afirmou Lula, em referência ao julgamento do mensalão.

BOLSONARO IRONIZADO – O ex-presidente ainda ironizou o crescimento do deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ), de extrema direita, nas pesquisas de intenção de voto para a Presidência da República. Lula lidera as pesquisas, seguido de Bolsonaro.

“Eu acho que eles ficam inquietos quando fazem uma pesquisa. Tudo que eles fizeram contra nós foi parir um Bolsonaro. Eles estão em um dilema sério. Com ultrassonografia dá para ver como vem a criança. Eles já sabem qual é o defeito do Bolsonaro. Talvez eles sejam contra o aborto e deixem o Bolsonaro aí — disse o petista.

Dilma também demonstrou preocupação, em seu discurso, com a ascensão de Bolsonaro: “Os segmentos políticos do PSDB são tão irresponsáveis que viabilizam o que há mais de extrema direita no país, que é o Bolsonaro.

Ao excluir Temer de inquérito, o relator Fachin facilitou a nova denúncia de Janot

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Janot e Fachin lutam para levar adiante a Lava Jato 

Gabriel Mascarenhas
Veja

Por incrível que pareça, o procurador-geral Rodrigo Janot deve estar vibrando com a decisão em que ministro-relator Edson Fachin negou o pedido da Polícia Federal para incluir o nome de Michel Temer num inquérito que apura se deputados do PMDB formam uma quadrilha. A estratégia do PGR para apresentar a segunda denúncia contra o presidente é justamente usar os elementos desse inquérito na tentativa de mostrar que Temer é uma peça importante da organização criminosa peemedebista.

Mas então, por que a decisão do Supremo foi comemorada por Janot? Simples: caso atendesse ao pleito da PF, os outros investigados poderiam apresentar agravos, questionando a medida, o que atrasaria o andamento da investigação e, consequentemente, a conclusão da denúncia.

JUSTIFICATIVA – Era tudo que Janot não queria. Claro, ele deixará o cargo em pouco mais de um mês. E se a batida de martelo já levou alívio, a justificativa de Fachin não poderia ser mais perfeita para a PGR.

Ao negar a inclusão, o ministro deixou claro que os elementos contidos na investigação à turma do PMDB da Câmara podem perfeitamente ser usados em outros inquéritos que miram a conduta de Temer. Bingo.

Ou seja, para Janot, melhor do que isso, só se Gilmar Mendes se aposentasse…

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
– Conforme comentamos aqui na Tribuna da Internet, a decisão de Fachin era apenas “aparentemente” favorável a Temer. Na política, as aparências quase sempre enganam. (C.N.)

Reflexões sobre o problema da dívida pública e a recuperação da Bovespa

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Charge reproduzida do The Idealist

Flávio José Bortolotto

Muito bom o artigo de Antonio Santos Aquino sobre dívida pública, publicado aqui na “Tribuna da Internet”. Quando contraída em moeda forte, como dólar, euro ou iene, a dívida pública pode causar séria crise cambial para o país devedor, porque tem que elevar as exportações para obter divisas e assim pagar os juros/amortização. Torna-se dependente de terceiros. Não é o caso do Brasil atual. Nossa dívida externa não é pública, pois cerca de 95% foram contraídos por empresas privadas ou de economia mista.

Como nossa dívida pública é rolada em moeda nacional, o Banco Central brasileiro tem crédito quase infinito para girá-la. É só administrar bem. A dívida pública interna é o pulmão da economia do país. Quando entra em contração (recessão), a dívida deve ser aumentada, que é o que estamos fazendo agora, devíamos até fazer mais. E quando a economia está em expansão, a dívida deve ser diminuída, é o que precisamos fazer no futuro, tudo em relação ao PIB.

DÉFICITS PÚBLICOS – Nosso problema maior, portanto, não é a dívida pública interna, mas sua causa: os “déficits públicos de custeio”, que acontecem quando o governo gasta bem mais do que arrecada, apenas para se manter.

Resumindo: a dívida pública interna, quando aumentada para ativar a economia e criar empregos produtivos para quem está desempregado, gera muito mais riqueza do que nos custa em juros/amortização. No entanto, quando aumentada para simples custeio do Estado, é um desastre econômico, conforme vem ocorrendo nos últimos anos.

BOLSA EM ALTA – Também foi excelente a recente análise do articulista Willy Sandoval, ao registrar que o crescimento da Bolsa de Valores de São Paulo tem sido muito inferior ao da Bolsa de Nova York.

No caso da recuperação fabulosa do índice Dow Jones, que estava em 14 mil pontos antes da Crise do Subprime em 2008, depois caindo lá embaixo e agora se recuperando para 22 mil pontos, aparentemente isso se deve a uma grande injeção de “quantitative easing” do FED (Banco Central dos EUA). Na Europa e Japão, também se fez “uma grandeza” de “quantitative easing” pelos seus BCs. Como aqui nosso BC não fez o mesmo, a recuperação do índice Bovespa é bem mais lenta.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
O “quantitative easing” (flexibilização quantitativa/monetária) significa que os bancos centrais usam o chamado dinheiro eletrônico (sem emissão) para comprar grande quantidade de títulos bancários no mercado financeiro e de capitais. Essa operação faz com que os bancos tenham recursos para expandir o crédito e impulsionar a economia. Este sistema foi criado pelo economista alemão Richard Werner nos anos 90 e ajudou o Japão a sair da crise, mas só pode ser usado quando a taxa de juros estiver próxima de zero. Mesmo nessa hipótese, há contraindicações reconhecidas pelo próprio Werner, que desde 2013 passou a desaconselhar a utilização desse recurso. No caso dos Estados, país que comanda a economia mundial através do império do dólar, o sistema funcionou bem, mas o Japão até hoje tem graves problemas econômicos. (C.N.)

Bolsonaro acha que Dória é o único candidato que sobrou do sistema atual

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Problema de Bolsonaro é o radicalismo exacerbado

Lucas Vettorazzo e Luiza Franco
Folha

No encontro que manteve na quinta-feira com os presidentes de todos os diretórios regionais do PEN, partido ao qual pretende se filiar para concorrer à Presidência da República, o deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ) fez um discurso com muitas críticas ao presidente Michel Temer. No trecho que criticava o sistema de urnas eletrônicas adotado no país, defendeu o voto impresso e disse que o modelo atual poderia ser fraudado. Acrescentou ao comentário o fato de o presidente ter liberado verba de emendas parlamentares em troca de votos para barrar a denúncia de corrupção passiva na Câmara dos Deputados.

“O Temer mostrou que democracia para ele é voto comprado. Será que em 2018 vamos fazer papel de palhaços comparecendo para votar em um presidente que estará eleito no segundo turno? Antes ele havia dito que o Brasil precisa ter um presidente patriota, que tenha Deus no coração e seja honesto. Ouviu, senhor Michel Temer?”, disse.

METRALHADORA – Bolsonaro disparou tiros para todos os lados. Criticou a forma como os grandes partidos fazem política e condenou o fato de o PSDB continuar no governo. “Esse tipo de política nós temos que combater”.

A metralhadora também disparou contra o ministro da Defesa, Raul Jungmann. O pré-candidato Bolsonaro disse que, se for eleito, seu governo terá como ministro um general de quatro estrelas das Forças Armadas.

Ele afirmou que Jungmann é um “desarmamentista”. E ironizou: “É a mesma coisa que colocar no centro cirúrgico alguém que fica apavorado ao ver sangue”.

CANDIDATO DO SISTEMA – Sobre a possível candidatura do prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB), à Presidência, Bolsonaro disse que “ele chegou agora na política, é um direito dele [querer ser candidato]. Ou melhor, está sobrando apenas ele como candidato do sistema. Não tem um nome do PT, do PMDB, do PSDB, só o João Doria. Ele é de um partido grande, que tem uns 60 deputados, centenas de prefeituras, dirige um orçamento enorme. Eu só tenho o povo ao meu lado”.

Bolsonaro também criticou o “distritão”, modelo eleitoral que na noite de quarta-feira (dia 9), foi aprovado pela Comissão da Câmara que analisa a reforma política, no lugar do modelo eleitoral atual, o “proporcional”.

“É um acinte. Os partidos irão lançar o menor número possível de candidatos para que não haja pulverização de votos. Ficarão, então, com toda certeza, os atuais mandatários em Brasília e um ou dois novos eleitos em cada legenda. Estaremos reelegendo, no mínimo, 90% da Câmara e o que é mais grave, com R$ 3,6 bilhões de um fundo democrático eleitoral”, afirmou.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Bolsonaro é um candidato forte, mas enfrenta problemas que ele próprio cria, em função da homofobia e da misoginia, que lhe tiram votos dos setores LGTB e feminista. Muitos negros também deixarão de votar nele, por bobagens que fala sem refletir, como os ataques gratuitos aos quilombolas. Devido a essa falta de jogo de cintura, Bolsonaro terá dificuldades adicionais para chegar ao segundo turno, especialmente porque João Doria lhe tirará muitos votos, com toda certeza. Se não fosse autocarburante e tivesse mais comedimento, Bolsonaro ganharia essa eleição facilmente. (C.N.)

Em Porto Alegre, morre o advogado Carlos Araújo, ex-marido de Dilma

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Carlos Araújo foi deputado estadual pelo PDT

Deu na Folha

O advogado trabalhista Carlos Araújo, ex-marido de Dilma Rousseff, morreu na madrugada deste sábado (12), em Porto Alegre aos 79 anos. Ele foi deputado estadual pelo PDT no Rio Grande do Sul na década de 1980. Araújo foi internado em estado grave na UTI na Santa Casa de Porto Alegre por conta de uma cirrose medicamentosa, em 25 de julho, e ficou no hospital desde então. Ele morreu à 0h01 deste sábado.

Nascido em São Francisco de Paula, RS, em 1938, Carlos Franklin Paixão de Araújo era filho do também advogado trabalhista Afrânio Araújo, de quem herdou o gosto pelo direito e pela política. A causa da morte não foi informada. Ao longo da vida ele enfrentou problemas respiratórios por conta de um enfisema pulmonar, fruto de décadas de tabagismo.

CODINOME MAX – Na década de 1950, ingressou na Juventude Comunista e integrou a delegação brasileira para o Festival da Juventude de Moscou em 1957. Anos mais tarde, integrou a organização guerrilheira VAR-Palmares, na qual em 1969 conheceu a futura mulher, Dilma Rousseff, com quem viveu até 2000 e depois seguiu como amigo.

Max, codinome pelo qual era conhecido nos tempos de luta armada, foi preso pela ditadura militar em julho de 1970, meses após a captura de Dilma. Ele deixou a cadeia em 1974, mesmo ano em que perdeu o pai e assumiu o escritório de advocacia que existe até hoje na capital gaúcha.

Na carreira política, era ligado a Leonel Brizola e foi um dos fundadores do PDT, partido pelo qual se elegeu deputado estadual por três vezes e chegou a disputar a Prefeitura de Porto Alegre, em 1988 —na época, perdeu a eleição para Olívio Dutra, que inaugurou a série de quatro gestões seguidas na cidade sob comando do PT.

FORA DO PDT – Em 2000, junto com Dilma e outros correligionários, Araújo deixou o PDT e passou a se dedicar a o escritório que mantém na capital gaúcha.

Mesmo afastado da vida política, Carlos Araújo não deixou de opinar sobre assuntos políticos contemporâneos. Sobre o processo que levou ao impeachment da amiga e ex-mulher da Presidência, Araújo considerava que houve um “golpe” e que Dilma foi abandonada pelo PT.

Planilha de assessor de Geddel liga políticos a empréstimos da Caixa Econômica

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Charge do Nani (nanihumor.com)

Mateus Coutinho
Época

Em julho de 2016, integrantes da Corregedoria da Caixa Econômica Federal em Brasília apreenderam o notebook de um funcionário da Vice-Presidência de Pessoa Jurídica. O notebook trazia registros datados de 2012. Entre 2011 e 2013, o vice-presidente de Pessoa Jurídica era Geddel Vieira Lima (PMDB), que recentemente ocupou um ministério no gabinete de Michel Temer. Os investigadores da Corregedoria localizaram nos arquivos uma planilha que ganhou a chancela “sigilosa”.

O documento tinha a lista das empresas que solicitavam empréstimos ao banco público, com os valores das operações e o status do negócio. Até aí, um registro prosaico de atividades. Não fosse por uma outra coluna, identificada como “contatos externos”. Nela, políticos de PMDB, PT e PSC estavam relacionados às operações, que deveriam ser eminentemente técnicas.

QUATRO SUSPEITOS – Àquela altura, a Lava Jato ainda não desbaratara o esquema de achaque a empresas interessadas em recursos do banco. Os investigadores da Lava Jato suspeitam que o esquema fosse tocado por Geddel, pelo ex-deputado Eduardo Cunha e por seu operador Lúcio Funaro – os dois últimos, padrinhos de Fábio Cleto, que ocupava a Vice-Presidência de Loterias na Caixa no mesmo período. O documento despertou a atenção. Imediatamente, auditores do banco anotaram em um relatório sigiloso, obtido por Época:

“Conforme se denota do documento ora anexado, o empregado possuía em seus arquivos uma lista com as seguintes informações: Cliente/Contato Externo/Operação/Status. Na referida planilha, no campo contato externo figuram políticos influentes”. E qualificaram o risco: “Dos políticos citados na planilha, há um deputado preso por fraudes licitatórias, e outro formalmente indiciado por envolvimento na Operação Lava Jato”.

MARCO MAIA, DO PT – O deputado investigado na Lava Jato é Marco Maia, do PT gaúcho, alvo de um inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF). Na linha que anota um pleito da CCB e Rio Corrente PCH, do grupo goiano Construtora Central do Brasil, identificada como operação “35 MM + 35 MM”, o servidor anotou o nome de Marco Maia, ex-presidente da Câmara.

A empresa afirma que buscou, mas não conseguiu o empréstimo na Caixa. A CCB nega contatos com o parlamentar gaúcho. Marco Maia disse que nunca ouviu falar das empresas do Grupo CCB, não conhece ninguém da companhia e que tampouco teria procurado Geddel para tratar de demandas na Caixa. Em relação à tentativa de obter um empréstimo de R$ 70 milhões, como a planilha sugere, a companhia goiana enfatiza que “nenhum de seus representantes conhece ou manteve algum tipo de contato com o deputado Marco Maia em época alguma”.

PADRINHOS POLÍTICOS – Os investigadores da Corregedoria afirmam que a planilha foi produzida em 2012. De acordo com os auditores da Caixa, o registro formal em documento arquivado de “padrinhos políticos” nas operações de crédito era um ineditismo criado na gestão Geddel – hoje em prisão domiciliar –, a quem o servidor Giovanni Carvalho Alves, usuário do computador, estava subordinado. Produziu-se uma raridade no mundo da corrupção, onde os crimes não deixam provas materiais: uma certidão de apadrinhamento. Por lei, essas operações deveriam seguir o mesmo ritual impessoal aplicado a qualquer postulante.

O documento obtido por Época mostra que o raio de atuação de Geddel não estava restrito a sua aliança com Eduardo Cunha e com Lúcio Funaro. Presidente do PSC e presença frequente no Congresso, o pastor Everaldo, segundo sugere o documento, também pode ter buscado ajuda de Geddel na Caixa. No documento interno do banco, o nome de Everaldo aparece associado às empresas “Protex/Dinâmica” e a um financiamento de R$ 3 milhões, dos quais R$ 2,75 milhões constam como já contratados.

PASTOR CONFIRMA – O pastor afirma que procurou Geddel em 2012 na sede da Caixa. “Eu pedi um favor, apresentei a empresa e pedi para ele [Geddel] fazer as coisas normalmente”, diz, sem dar mais detalhes do encontro. Everaldo pediu o “favor” porque um dos sócios da Dinâmica, Edson da Silva Torres, é seu amigo e sócio em outra empresa.

A empresa baiana Intermarítima obteve um empréstimo de “9MM”, segundo a planilha. Na coluna “contato externo”, está o nome do ex-deputado pela Bahia Leur Lomanto, do PMDB. A companhia, que opera portos no Nordeste, confirmou que obteve o financiamento da Caixa em 2013, só que num valor maior – R$ 12 milhões.

O empréstimo foi usado para a compra de um imóvel para armazenagem e ensacamento de fertilizantes, e o valor foi depositado diretamente na conta do vendedor.

DIRETO EM SALVADOR – O diretor financeiro da empresa, Clovis Duarte, afirma ter sido o responsável pela negociação com a Caixa, admite que conhece o ex-deputado “de nome”, mas diz que o empréstimo foi tratado diretamente com um gerente da agência da Caixa em Salvador. “Em nenhum momento utilizamos qualquer pessoa fora da empresa para tratar deste assunto”, disse, em nota.

Leur Lomanto, que aparece na planilha erroneamente como “dep Leau”, diz, sem citar nomes, que é amigo de infância de um dos sócios da companhia e que, ao procurar Geddel, “solicitou tão somente a agilização do procedimento final, independentemente de qualquer vantagem pessoal ou para terceira pessoa”.

FÁBIO CLETO – De acordo com os investigadores, o esquema do PMDB na Caixa, principalmente no FI-FGTS, não estava escorado no poder de aprovar empréstimos, mas de usar um intermediário – um “longa manus” –, o ex-vice-presidente de Loterias Fábio Cleto, que possuía assento no Conselho do Fundo, para dificultar a concessão de empréstimos, mesmo os lastreados tecnicamente. No jargão, vendia dificuldade para colher facilidades. De modo análogo ao que ocorria com Cleto no FI-FGTS, Geddel tinha assento no Conselho Diretor do banco, responsável pela aprovação de grandes empréstimos, podendo votar ou “vetar” as operações pleiteadas.

O deputado Mauro Lopes, coordenador da bancada mineira do PMDB, aparece na planilha ao lado do nome da SPA Engenharia, uma construtora de Belo Horizonte. A empresa pleiteava um financiamento de R$ 150 milhões e, segundo o documento, ainda estava pendente uma reunião na Superintendência Regional da Caixa para “estruturar” a operação. Mauro Lopes negou que tenha intercedido pela companhia. A SPA Engenharia afirma que nunca tomou empréstimos com a Caixa.

ASSESSOR DE TEMER – Ex-assessor especial de Temer e ex-deputado federal, Sandro Mabel (PMDB-GO) também consta da planilha, associado a uma operação da empreiteira paulista Termaq. A negociação do empréstimo de R$ 25 milhões, contudo, aparece com o “conceito de risco F” e acabou não saindo do papel. A Termaq diz que “a empresa ou seus representantes não conhecem o ex-deputado e, por esta razão, nunca tiveram qualquer tipo de relacionamento com o mesmo”. Sandro Mabel afirmou que “desistiu da vida política” e sugeriu à reportagem “tocar para frente” o assunto. Ao ser indagado sobre seu nome aparecer relacionado à Termaq, ele disse que nunca ouviu falar da empresa e que deveria ser um engano.

Por meio de sua assessoria, a Caixa informou que o processo interno da Corregedoria “foi levado ao conhecimento da Polícia Federal e do Ministério Público Federal”, mas que, como corre sob sigilo, não pode se manifestar sobre ele.

SEM IRREGULARIDADES – Em relação aos empréstimos, o banco afirmou que “até o momento não foram identificadas irregularidades nas concessões”. Como o escândalo do FI-FGTS foi revelado pela PF e não pela área de compliance da Caixa, a planilha obtida pelos auditores é considerada um grande ponto de partida.

O ex-ministro Geddel Vieira Lima afirmou por meio de nota que só vai se manifestar quando tiver acesso ao documento e disse que jamais atuou para favorecer ou retardar operações financeiras para empresas no banco. Giovanni Alves, o usuário do computador apreendido pelos investigadores da Corregedoria, não quis comentar o assunto.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Conforme a Polícia Federal já registrou em denúncia sobre Geddel, trata-se se um “criminoso serial”. (C.N.)

Com o planeta no cheque especial, o ser humano age como o satã da Terra

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Ilustração do Duke (O Tempo)

Leonardo Boff
O Tempo

Em 2 de agosto de 2017 ocorreu um fato preocupante para a humanidade e para cada um individualmente. Foi o dia da chamada “sobrecarga da Terra” (“overshoot day”). Quer dizer: já gastamos todos os bens e serviços naturais, básicos para sustentar a vida. Estávamos no verde e agora entramos no vermelho – ou no cheque especial. O que gastaremos daqui para a frente será violentamente arrancado da Terra para atender as indispensáveis demandas humanas e, o que é pior, manter o nível de consumo perdulário dos países ricos.

A esse fato costuma-se chamar de “pegada ecológica da Terra”. Por ela, mede-se a quantidade de terra fértil e de mar necessários para gerar os meios de vida indispensáveis: água, grãos, carnes, fibras, madeira, energia renovável e outros. Dispomos de 12 bilhões de hectares de terra fértil (florestas, pastagens, cultivos), mas, na verdade, precisaríamos de 20 bilhões.

DESCAPITALIZAÇÃO – Como cobrir esse déficit de 8 bilhões? Sugando mais e mais a Terra… Mas até quando? Estamos lentamente descapitalizando a Mãe Terra. Não sabemos quando acontecerá seu colapso, mas, a continuar com o nível de consumo e desperdício dos países opulentos, ele virá com consequências nefastas para todos.

Quando falamos de hectares de terra, não pensamos apenas no solo, mas em tudo o que ele nos permite produzir, como, por exemplo, madeiras para móveis, roupas de algodão, tinturas, princípios ativos naturais para a medicina, minerais e outros.

Na média, cada pessoa precisaria para sua sobrevivência 1,7 hectare de terra. Quase metade da humanidade (43%) está abaixo disso, como os países onde grassa a fome: Eritreia (0,4 hectare) e Bangladesh (0,7). O Brasil, acima da média mundial, tem 2,9. E 54% da população mundial estão muito além de suas necessidades, como EUA (8,2 hectares); Canadá (8,2) e Luxemburgo (15,8).

HERANÇA MALDITA – Essa sobrecarga ecológica é um empréstimo que estamos tomando das gerações futuras para nosso uso e desfrute atual. Quando chegar a vez delas, em que condições vão satisfazer suas necessidades de alimento, água, fibras, grãos, carnes e madeira? Poderão herdar um planeta depauperado.

Isso faz lembrar as palavras do indígena Seattle: “Se todos os animais acabassem, o ser humano morreria de solidão de espírito, porque tudo o que acontece aos animais logo acontecerá também com o ser humano. Tudo está inter-relacionado.”

O que vigora no mundo é uma perversa injustiça social, cruel e desapiedada: 15% dos que vivem nas regiões opulentas do Norte dispõem de 75% dos bens e serviços naturais e de 40% da terra fértil. Alguns milhões, quais cães famélicos, devem esperar as migalhas que caem de suas bem-servidas mesas.

DESTRUIÇÃO GERAL – O ecoeconomista Ladislau Dowbor, da PUC-SP, em seu livro “Democracia Econômica” (Ed. Vozes, 2008), resume em claras palavras: “Parece bastante absurdo, mas o essencial da teoria econômica com a qual trabalhamos não considera a descapitalização do planeta. Na prática, em economia doméstica, seria como se sobrevivêssemos vendendo os móveis, a prata da casa, e achássemos que, com esse dinheiro, a vida está boa, e, portanto, estaríamos administrando bem a nossa casa. Estamos destruindo o solo, a água, a vida nos mares, a cobertura vegetal, as reservas de petróleo, a cobertura de ozônio, o próprio clima, mas o que contabilizamos é apenas a taxa de crescimento” (pág. 123).

Essa é a lógica vigente da atual economia de mercado neoliberal, irracional e suicida. Radicalizando, eu diria: o ser humano está revelando-se o satã da Terra, e não seu anjo da guarda.

É sol, é sal, é sul, são mãos se descobrindo em tanto azul…

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Menescal e Bôscoli, na casa de Nara Leão

Paulo Peres

Site Poemas & Canções

O jornalista, produtor musical e compositor carioca Ronaldo Fernando Esquerdo e Bôscoli (1928-1994), na letra de “Rio”, parceria com Roberto Menescal, fala do Rio de Janeiro, a eterna Cidade Maravilhosa. A música faz parte do CD Bossa Nova gravado por Leny Andrade, em 1991, pela Eldorado.


RIO
Roberto Menescal e Ronaldo Bôscoli

Rio que mora no mar
sorrio pro meu Rio
que tem no seu mar
lindas flores que nascem morenas
em jardins de sol
Rio, serras de veludo
sorrio pro meu Rio que sorri de tudo
que é dourado quase todo dia
e alegre como a luz

Rio é mar
eterno se fazer amar
o meu Rio é lua
amiga branca e nua

É sol, é sal, é sul
são mãos se descobrindo
em tanto azul
por isso é que meu Rio
da mulher beleza
acaba num instante
com qualquer tristeza
meu Rio que não dorme
porque não se cansa
meu Rio que balança
Sorrio, só Rio, só Rio…

Multa milionária de que o BankBoston se livrou era dos tempos de Meirelles…

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Meirelles virou ministro para ter foro privilegiado

Deu em O Tempo
(
Agência Estado)

O ex-auditor Paulo Roberto Cortez fechou o primeiro acordo de delação premiada no âmbito da Operação Zelotes e revelou aos investigadores como funcionava o esquema de corrupção no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), o “Tribunal da Receita”. Cortez detalhou que votos de conselheiros eram “encomendados” por empresas que deviam fortunas ao Fisco e que funcionários do setor eram remunerados “por fora” em troca de informações sigilosas dos processos.

A delação do ex-auditor, homologada no dia 7 pelo juiz Vallisney Oliveira, da 10.ª Vara da Justiça Federal em Brasília, foi revelada pela repórter Camila Bomfim, no Bom Dia Brasil, da TV Globo, e confirmada pelo jornal O Estado de S. Paulo.

ADAPTAR O TEXTO – Cortez, o delator, que foi conselheiro do Carf até 2007, afirmou, ainda, como o BankBoston se livrou de multa milionária – o tribunal administrativo julga recursos de empresas e bancos contra autuações da Receita.

Ele disse que em 2012 recebeu do então conselheiro Valmir Sandri um voto para o caso do Boston e “a orientação de adaptar o texto aos padrões do conselho”. Sandri nega enfaticamente envolvimento com o esquema instalado no Carf.

O delator contou que, por meio de dois recursos ao colegiado, o BankBoston conseguiu reduzir multa de R$ 600 milhões para uma quantia inferior a R$ 100 milhões.

ITAÚ SE EXPLICA – O Itaú-Unibanco, que adquiriu operações do BankBoston, esclareceu “que não é parte do processo”. “O Itaú não tem e não teve qualquer ingerência na condução de tais processos nem tampouco qualquer benefício das respectivas decisões. O Itaú esclarece, ainda, que nenhum dos denunciados foi funcionário ou diretor desta instituição.”

Cortez confessou ainda que ganhava R$ 10 mil todo mês em dinheiro vivo para orientar um outro ex-conselheiro, José Ricardo da Silva, que seria também dono de uma “consultoria” que atuava em casos submetidos ao colegiado. O delator disse que o ex-conselheiro “não sabia fazer” o trabalho no Carf.

“Na área de Imposto de Renda, ele (Ricardo) não tinha conhecimento, tampouco em contabilidade. Então, antes de cada sessão, quando eu trabalhava com ele, eu fazia as devidas explicações, repassava para ele o material e fazia as explicações de cada matéria a ser tratada em cada julgamento”, afirmou Cortez.

BANK OF AMERICA – Em nota, o “Itaú Unibanco esclarece que não é parte do processo e não teve acesso à decisão mencionada. O Itaú reafirma que, em 2006, adquiriu as operações do BankBoston no Brasil, sendo que o contrato de aquisição não abrangeu a transferência dos processos tributários do BankBoston, que continuaram sob inteira responsabilidade do vendedor, o Bank of America. O Itaú não tem e não teve qualquer ingerência na condução de tais processos nem tampouco qualquer benefício das respectivas decisões. O Itaú esclarece, ainda, que nenhum dos denunciados foi funcionário ou diretor desta instituição.”

A assessoria de imprensa do Bank of America afirmou que a instituição financeira não irá se manifestar.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Como se sabe, o BankBoston era presidido mundialmente por Henrique Meirelles. Quando virou presidente do Banco Central, em 2003, estava respondendo a processos no TCU e o presidente Lula lhe deu status de ministro em agosto de 2004, para protegê-lo com o foro privilegiado. Como o TCU também estava dominado, tudo acabou bem para o “ministro” do BC, que é à prova de inquéritos, porque tem uma blindagem importada, muito especial. (C.N.)

No recurso ao Supremo, advogado sinalizou que Loures poderá delatar Temer

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Charge do Amarildo (amarildo.com.br)

Carlos Newton

No caso do “crime da mala”, o presidente Michel Temer ganhou o primeiro assalto, mas está correndo risco de perder a luta nos rounds finais. O recurso apresentado pela defesa do ex-assessor presidencial Rocha Loures é altamente prejudicial a Temer, porque levanta a tese de que não se pode dividir a denúncia feita ao Supremo Tribunal Federal pela Procuradoria-Geral da República, que incriminou os dois como réus de corrupção passiva praticada em conjunto.

Nesta quinta-feira (dia 10), em respeito à decisão da Câmara, que impediu a abertura do processo contra Temer, o ministro-relator Edson Fachin decidiu desmembrar a denúncia, suspendendo o prosseguimento do inquérito contra o chefe do governo e transferindo à primeira instância da Justiça Federal de Brasília a função de abrir processo contra o ex-assessor Rocha Loures.

RÉU CONFESSO – A situação é delicadíssima, porque Loures foi gravado e filmado pela Polícia Federal ao receber uma mala com a propina de R$ 500 mil. Ele poderia se defender e alegar que a mala não continha dinheiro, mas preferiu devolvê-la com R$ 465 mil e depois fez o depósito judicial dos R$ 35 mil restantes, complementando os R$ 500 mil.

Ao tomar essa iniciativa de devolver a propina, automaticamente Loures se tornou “réu confesso”. É nesta condição que será enquadrado, sem possibilidade de absolvição, porque não há mais dúvidas da autoria do crime.

A dúvida que resta é saber se o dinheiro seria repassado ao presidente Temer ou se o próprio Loures era o destinatário final, conforme tem afirmado o chefe de governo, ao alegar que nada tem a ver com o assunto.

RELAÇÃO UMBILICAL – No recurso já apresentado ao Supremo, a defesa argumenta que há “relação umbilical” entre as acusações contra Loures e Temer, porque a denúncia deixa claro que o então assessor estaria atuando em nome do presidente. Nessa linha de raciocínio, os advogados salientam que não é possível dividir as denúncias de Temer e de Loures, porque as suspeitas são juridicamente “conexas”.

“No presente caso, a impossibilidade do desmembramento está relacionada à imbricação absoluta entre as condutas supostamente perpetradas pelos dois acusados, segundo a denúncia. A inicial acusatória trata de um único fato, o qual teria sido perpetrado em conjunto pelos dois denunciados. Ou seja, não estamos diante de fatos diversos e conexos, os quais podem ser individualizados e separados uns dos outros, com exceção da conexão instrumental”, diz a peça dos advogados.

“Há uma relação umbilical entre a narrativa das condutas de Rodrigo Santos da Rocha Loures e as do presidente Michel Temer, uma vez que a denúncia sempre faz referência ao primeiro como um mensageiro do segundo, atuando em seu nome e seguindo suas instruções”, argumentaram.

HORA DA DELAÇÃO – Embora o objetivo da defesa seja manter Loures sob a proteção do foro privilegiado do presidente da República, a maneira como os argumentos foram apresentados demonstra que os advogados incluem Temer na autoria do crime, pois Loures já é réu confesso, sem a menor possibilidade de absolvição.

Em tradução simultânea, está subentendido que, se o Supremo autorizar a abertura do processo em separado contra Loures, o ex-assessor presidencial se verá constrangido a fazer delação premiada e contar o que realmente aconteceu.

Diante dessa clara ameaça, será implacável a pressão do Planalto sobre o Supremo, na tentativa de evitar que Loures seja processado na primeira instância. E ninguém sabe o que pode acontecer, porque a Justiça brasileira é realmente imprevisível.

Recuo de Temer no Imposto de Renda expõe fracasso de Meirelles e Dyogo

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Meirelles e Dyogo têm divergido publicamente

Pedro do Coutto

Em face da reação generalizada, o presidente Michel Temer recuou do projeto de aumentar o teto da alíquota do Imposto de Renda para as pessoas físicas, que hoje é de 27,5% na fonte e passaria para 30% ou 35%, para desconto taxar as remunerações mensais acima de R$ 20 mil reais. Reportagem de Martha Beck, Geralda Doca e Cássia Almeida, em O Globo desta quarta-feira, destacou muito nitidamente a tempestade de reações e críticas que atingiram o Palácio do Planalto em pouco mais de duas horas, entre a admissão do aumento e o recuo da intenção.

O primeiro a reagir foi o deputado Rodrigo Maia, presidente  da Câmara, logo seguido por Paulo Skaff, presidente da FIESP, pelo senador Eunício de Oliveira, presidente do Senado, pelos sindicatos tanto dos empregados quanto dos empregadores, e por toda a sociedade de modo geral, revoltada com a perspectiva de reduzir ainda mais os salários já defasados pela inflação. Diga-se, de passagem, pela inflação registrada pelo IBGE…

TEVE DE RECUAR – Além do aspecto social, a iniciativa foi rejeitada maciçamente pela quase unanimidade do Brasil. Mais uma vez, o presidente Michel Temer teve que recuar. Seu recuo tem algo de tragicomédia, porque, em matéria divulgada pelas redes sociais, na tarde de terça-feira ele admitiu estudos para elevar o Importo de Renda, cujos limites, para os assalariados, já atingem o nível do insuportável. E recuo de Temer agora pode se refletir em relação ao projeto de emenda constitucional de reforma da Previdência Pública.

Mas há também um outro aspecto, este envolvendo a área econômica do Governo, dirigida por Henrique Meirelles e também acionada por Dyogo Oliveira, ministro do PLanejamento. Neste caso, surge uma dúvida: a proposta de elevar o tributo foi mais de Meirelles ou mais de Dyogo, já que há sintomas de divergência entre os titulares da Fazenda e do Planejamento. Mas esta é outra questão, envolvendo a ocupação de espaço maior na Esplanada de Brasília.

DÉFICIT EM ALTA – Seja lá como for, a ideia de aumentar o IR revela o fracasso principalmente de Henrique Meirelles. Ele havia elaborado projeto de orçamento para 2018 partindo de um déficit de caixa de 139 bilhões de reais em 2017. De repente, surgiu a afirmação de que o déficit fecharia as contas com valor ainda mais alto. Logo as medidas tomadas na área econômica no primeiro semestre do ano não deram certo. Se certo tivessem dado, não haveria hipótese de o déficit superar o limite projetado inicialmente.

Além de tudo isso, devemos levar em conta que a tese do superávit primário é uma farsa. Superávit primário é o fechamento das contas públicas sem levar em conta os juros pagos pela rolagem da dívida interna que, no plano federal, já passa de 3,3 trilhões de reais.

No caso do exercício fiscal de 2017 ficou evidente a existência, não de um, mas de dois déficits. Um, o aparente; e o outro, que todos os governos tentam ocultar.

Com medo de ser vaiado no aeroporto, Pezão insiste em fretar um jatinho

Pezão sabe que será vaiado nos aeroportos

Julia Affonso e Luiz Vassallo
Estadão

O governador do Rio, Pezão (PMDB), defendeu nesta sexta-feira, dia 11, a licitação que pode pagar R$ 2,518 milhões para contratar uma empresa de táxi aéreo que forneça um jatinho ao Executivo fluminense. O início do recebimento de propostas de aeronaves começou às 9h desta sexta. “É imprescindível garantir que os integrantes do Poder Executivo tenham flexibilidade de horários de voos e disponibilidade de aeronaves para deslocamentos de trabalho e emergências. Importante salientar que o contrato atende ao governador e representantes do Executivo que sempre o acompanham”, diz a nota do governo do Rio.

O Rio vive uma crise econômica sem precedentes e está com a folha de pagamento dos servidores atrasada. Segundo a Secretaria de Estado de Fazenda, os valores dos vencimentos de maio e junho de ativos, inativos e pensionistas que estão em atraso somam R$ 987 milhões.

SEM SALÁRIOS – Ainda não receberam todo o vencimento de maio 126.394 servidores ativos, inativos e pensionistas. O salário de junho foi pago apenas aos servidores ativos e inativos da área de segurança (policiais civis e militares, bombeiros e agentes penitenciários), além dos ativos da educação. Faltam receber 206.825 servidores ativos, inativos e pensionistas.

O Edital do Pregão N.º 003/2017 especifica os itens que Pezão quer para ‘a prestação do serviço de táxi aéreo’. O governador do Rio quer um avião a jato, com autonomia mínima em voo cruzeiro de 3h30, uso exclusivo executivo, provida de ar-condicionado, com ‘galley’ com revestimento térmico para acondicionamento de comissaria e gavetas para acondicionamento de material descartável e assentos configurados para possíveis reuniões em poltronas giratórias.

Pezão afirmou, na nota, que o valor de até R$ 2,5 milhões ‘estabelece um limite máximo de valor que, no entanto, estará vinculado ao uso do serviço’. “Ou seja, se não houver necessidade da utilização do total de voos previsto no contrato, o desembolso do estado será inferior ao valor estipulado”, registrou o governador.

“É importante ressaltar que o táxi aéreo não será de uso particular do governador, mas só é solicitado à empresa vencedora da licitação em deslocamentos de trabalho, de interesse do Estado.”

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Em tradução simultânea, o fato concreto é que Pezão não pode viajar em voo de carreira, porque fatalmente será vaiado e sofrerá “bullying” social. Muitos outros políticos estão nesta situação, como o ex-presidente Lula, que também só viaja de jatinho. No caso de Lula, o avião pertence ao ex-ministro Walfrido Mares Guias, que esteve envolvido no mensalão mineiro e paga a conta prazerosamente. Mas no caso de Pezão, quem paga a conta é o povo do Estado do Rio de Janeiro.  (C.N.)

Sergio Zveiter, relator da denúncia contra Temer, pede desfiliação do PMDB

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Zveiter votou contra Temer e não aceitou punição 

Bernardo Caram
G1, Brasília

O deputado Sergio Zveiter (PMDB-RJ) apresentou nesta sexta-feira (dia 11) pedido de desfiliação do PMDB. A decisão de Zveiter ocorre um dia após o PMDB anunciar a suspensão das funções partidárias dos deputados que se posicionaram contra Temer na análise da denúncia, entre os quais Zveiter. Com a decisão, parlamentares serão retirados temporariamente das comissões em que representam o partido.

Na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, ele apresentou relatório favorável ao prosseguimento da denúncia da Procuradoria Geral da República contra o presidente Michel Temer.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Sérgio Zveiter era considerado um dos melhores quadros do PMDB. Ex-presidente da OAB no Rio de Janeiro por dois mandatos, entrou na política pelo PDT de Leonel Brizola. As informações em Brasília são de que vai se filiar ao Podemos (antigo PTN), que lançará o senador Álvaro Dias como candidato à sucessão presidencial. Com sua filiação, o partido passará a ter 14 deputados federais e dois senadores.  (C.N.)

 

Rodrigo Maia critica Fundo Eleitoral e também não é a favor do distritão

Maia defende a volta do patrocínio empresarial

Jeferson Ribeiro

A aprovação na comissão especial de reforma política do fundo público de aproximadamente R$ 3,6 bilhões para financiamento das eleições de forma permanente foi um mal sinal para a sociedade, disse nesta sexta-feira o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ). Segundo ele, seria mais compreensível para a sociedade se o fundo fosse reduzido gradativamente ao longo dos anos e tivesse “começo, meio e fim”.

“Havia uma previsão no texto inicial do relator para que fosse reduzido ao longo do tempo. Mas infelizmente se optou pela aprovação do fundo permanente num valor alto, que na atual conjuntura política a sociedade não aceita. Ele (ser) permanente gera na sociedade uma visão muito equivocada” — criticou Maia em palestra na FGV, no Rio.

SEM OPÇÕES – Apesar de criticar a mudança, Maia admitiu que os parlamentares ficaram sem opções para financiar as eleições depois que o Supremo Tribunal Federal (STF) considerou inconstitucional o financiamento empresarial dos candidatos. Ele disse que o fim abrupto aprovado pelo Judiciário não foi a melhor solução. E defendeu a volta do financiamento empresarial para as campanhas no futuro, dentro de novos limites.

A comissão especial da reforma política aprovou nos últimos dias várias mudanças para as próximas eleições. Elas só serão aplicadas, porém, se forem aprovadas no plenário e com pelo menos 308 votos, já que modificam pontos da Constituição.

Entre as mudanças aprovadas na comissão está a nova regra para eleição de cargos legislativos (deputados federais, estaduais e vereadores). O atual sistema proporcional é considerado falido pelos deputados, que, na comissão, decidiram que em 2018 os parlamentares serão eleitos no sistema distritão. Vencem aqueles que tiverem mais votos.

DISTRITAL MISTO – Maia disse que o distritão só deve ser aprovado como um sistema de transição para que em 2022 a escolha para os cargos legistativos seja pelo voto distrital misto, onde o eleitor escolheria metade dos parlamentares por voto direto no candidato e a outra metade seria escolhida numa lista determinada pelos partidos.

“Eu acho que se a gente tiver o distrital misto para 2022 é maravilhoso” — disse. “O sistema atual faliu e acho que distritão sem cláusula de desempenho muito alta e com financiamento público é muito ruim” — disse, em crítica direta ao que foi aprovado pela comissão.

O que cientistas políticos e críticos do distritão têm dito é que o sistema facilitará a reeleição dos atuais deputados, muitos deles envolvidos em investigações da operação Lava-Jato e que têm interesse em manter o foro privilegiado e serem julgados apenas no Supremo Tribunal Federal.

RENOVAÇÃO – Maia, porém, discorda. “Ao contrário. O sistema majoritário ele aumenta a renovação. Na França, o Macron só fez maioria porque o sistema é majoritário. O sistema que é conservador é o sistema atual. O distritão é ruim, porque com financiamento público é uma eleição cara.”

Segundo ele, a renovação política que existe no país hoje é de nomes, mas não do perfil do voto. “O problema é que esse (atual) sistema eleitoral ele renova com o mesmo perfil do voto, o mesmo perfil de político, são parlamentares ligados à igreja de um lado, e do outro ligado ao agronegócio ou o político ligado à máquina pública em muitos estados. Renova-se quase 50% da Câmara e efetivamente há pouca renovação” — explicou.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
– Maia já está em campanha, embora ainda não saiba que eleição disputará. Por enquanto, ele ficará a favor do que a maioria da Câmara quiser. Ou seja, vai apoiar o Fundão Eleitoral, que todos querem, e vai acompanhar a maioria sobre o distritão, não imporá se contra ou a favor. (C.N.)

Depois da visita a Temer, Raquel precisará mostrar que as aparências enganam

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Visita de Raquel a Temer não teve o menor cabimento

Bernardo Mello Franco
Folha

Raquel Dodge ainda não assumiu a Procuradoria-Geral da República, mas já cometeu o primeiro deslize. É o mínimo que se pode dizer de seu encontro às escondidas com Michel Temer, investigado e denunciado pela Lava Jato. A subprocuradora chegou ao Palácio do Jaburu depois das 22h de terça-feira. A reunião foi omitida da agenda oficial do presidente. Veio a público na manhã seguinte, no blog da repórter Andréia Sadi no portal G1.

Além de fora da agenda, a conversa aconteceu fora de hora. No mesmo dia, Temer pediu que o procurador Rodrigo Janot seja afastado das investigações que o envolvem. Ao visitá-lo, Dodge desautorizou o chefe e passou a ideia de que concorda com a ofensiva do presidente contra a instituição que passará a comandar.

HISTÓRIA DA CAROCHINHA – Procurada para explicar o encontro, a subprocuradora contou uma história da carochinha. Ela disse à Folha que Temer queria combinar detalhes de sua posse, em setembro.

Não faz sentido que o presidente e a futura chefe do Ministério Público Federal se encontrem tarde da noite para discutir esse tipo de assunto. A não ser que os dois estejam de olho no emprego dos cerimonialistas, que são pagos para enviar os convites, contratar o bufê e encomendar os arranjos florais da cerimônia.

Segunda colocada na lista tríplice da Procuradoria, Dodge foi escolhida após receber apoio do ministro Gilmar Mendes, que é desafeto de Janot e já salvou o mandato de Temer no TSE. Sua candidatura também entusiasmou caciques do PMDB, como José Sarney e Renan Calheiros.

INDEPENDÊNCIA – A subprocuradora tem currículo para comandar o Ministério Público, mas ainda terá que demonstrar independência de quem a nomeou.

De um procurador-geral, espera-se uma atitude de distanciamento em relação aos políticos. O ocupante do cargo não pode perseguir ninguém, mas não deve manter intimidade com investigados em potencial. Neste caso, não basta a prática. Também é preciso cuidar das aparências.

Acredite se quiser! Trump pode até “terceirizar” a guerra no Afeganistão

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EUA já estão combatendo no Afeganistão há 17 anos

MK Bhadrakumar
 Indian Punchline

Num importante comunicado à imprensa em Manila, ontem, 2ª-feira, o secretário de Estado dos EUA Rex Tillerson falou sobre a revisão do caso Afeganistão que está sendo feita pelo governo Trump, e sugeriu fortemente que os ventos podem estar soprando a favor de pôr fim àquela guerra que já chega aos 16 anos. Disse Tillerson: “Já tivemos até agora três sessões no Conselho de Segurança Nacional explorando várias opções. E quando digo “várias”, digo todo o quadro, a paisagem completa… Acho que isso reflete as deliberações que queremos levar a cabo. O presidente fez perguntas que me parecem muito muito focadas e são boas perguntas. São as perguntas certas que temos de responder, e talvez sejam questões que, no passado, ninguém se interessou por levantar”.

VISÃO REALISTA – “Quanto às perguntas – as perguntas que o presidente nos fez, queremos dar-lhe boas respostas, completas, e análises completas que acompanhem as respostas, uma visão realista de como provavelmente será o futuro”, disse o secretário de Estado, acrescentando:

“E acho que queremos analisar pelo tempo que nos pareça necessário, uma análise completamente integrada, da Comunidade de Inteligência aos planejadores militares e aos canais diplomáticos, de como isso se desdobra e para onde vai a coisa. Uma coisa é dizer vamos continuar a luta porque estamos – porque não há alternativa. Sempre há outras possibilidades.        Assim, o presidente nos pediu para explorar tudo, e acho que o fato de estarmos trabalhando sem correria, para tentar chegar a uma solução realista é – ter visão clara de com o que estamos lidando em campo, e sempre muito honestos conosco mesmos sobre expectativas de futuro, acho que é – que atende também ao interesse do povo norte-americano. É área muito, muito – vocês sabem – muito dura, 16 anos, 17 anos que estamos lá”, assinalou.

HAVERÁ MUDANÇA – “Dizer que vamos seguir fazendo o que fizemos até aqui, o presidente não quererá aceitar isso, por isso nos fez essas perguntas duras, e o Conselho de Segurança está trabalhando diligentemente as melhores respostas possíveis”, concluiu o secretário de Estado.

A declaração de Rex Tillerson sugere que o presidente Trump não está satisfeito com o discurso banal, estreitamente focado no nível da tropa norte-americana. Contudo, considerando que todas as estratégias imagináveis já foram defendidas e tentadas na guerra afegã pelos governos anteriores de George W. Bush e Barack Obama – indo de “avançada” a Contrainsurgência e à retirada dos soldados – parece que Trump está fazendo as perguntas básicas.

MUITAS DÚVIDAS – As “perguntas duras” de Trump parecem visar itens específicos (não generalidades). Coisas como: Há quanto tempo os militares norte-americanos permanecem no Afeganistão? Podemos ganhar essa guerra? Como os EUA podem lutar alguma guerra tendo por aliado um governo afegão local inapelavelmente fracassado? O que temos sobre o lado civil da política e da governança? A guerra é ou não é completo desperdício de muitos recursos – da ordem de $45/50 bilhões de dólares por ano? Há alguma chance razoável de sair dessa guerra com algum tipo de acordo com o estado afegão? Há probabilidade crível de algum resultado duradouro, estável, que justifique o custo da guerra? Afinal, feitas todas as análises, vale a pena permanecer lá?

Agora, isso tudo mete o Pentágono e a CIA num aperto realmente considerável. Uma coisa posso garantir sobre militares e agências de espiões pelo mundo, com absoluta certeza, é que são ótimos em ‘passar o mico’. Se há coisa que não fazem é assumir responsabilidades por alguma derrota. Trump, claro, é macaco velho.

TERCEIRIZAÇÃO – Assim sendo, estará o presidente preparando o terreno para terceirizar a guerra afegã para forças militares mercenárias – ideia que conta com apoiadores poderosos na Casa Branca – o genro Jared Kushner e o estrategista chefe Steve Bannon?

Na 2ª-feira, o Financial Times trouxe matéria fascinante sobre um documento ao qual o jornal teve acesso, datado de agosto de 2017. Diz que Erik Prince, o mercador da morte no Iraque, entregou o tal documento à Casa Branca, no qual detalha como, ao custo muito inferior [ao que o país gasta hoje na guerra afegã] de $10 bilhões ao ano, as forças militares privadas do próprio Prince podem substituir os militares dos EUA e dar um fim à guerra afegã.

MERCENÁRIOS EM AÇÃO – Erik Prince já disse, em entrevista a Breibert News, que os EUA deveriam adotar os instrumentos da Companhia das Índias Orientais na Índia e terceirizar a guerra, entregando-a a mercenários que se infiltrariam no exército afegão e na verdade viveriam e combateriam ao lado dos soldados afegãos. Recomendou que Trump nomeasse um “vice-rei” que tomaria conta de todos os interesses dos EUA – da guerra, da agenda mercantilista, dos fundos financeiros, de manter em boa ordem os nativos etc.

O plano de Prince, para dois anos, estima que os mercenários receberiam $500-$600 por dia; que devem ser recrutados nos EUA, Grã-Bretanha, Alemanha, França, Suécia, África do Sul e Austrália.

Trump já mandou Mike Pompeo, chefe da CIA, para o Afeganistão semana passada para avaliar a estratégia dos EUA e analisar como a proposta de Prince poderia encaixar-se. Prince, ele próprio ex-SEAL, é figura muito influente. A irmã dele, a empresária bilionária Betsy De Vos, é secretária de Educação no gabinete Trump. (artigo enviado por Sergio Caldieiri)

Joesley não tem provas de que contas da JBS eram de Lula e Dilma, diz procurador

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Marx diz que JBS não conseguiu apresentar provas

Deu no Correio Braziliense

O procurador da República no Distrito Federal Ivan Cláudio Marx afirmou que o empresário Joesley Batista, dono da JBS, não apresentou comprovação de que os ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff eram beneficiários ou sabiam de contas no exterior, nas quais a empresa teria depositado US$ 150 milhões em propinas para uso em campanhas eleitorais.

A acusação foi feita pelo delator em depoimentos à Procuradoria-Geral da República (PGR), mas, de acordo com Marx, que foi designado para investigar o caso na primeira instância, faltam evidências do envolvimento dos petistas nos crimes relatados. “É uma história que ele (Joesley) contou, que pode ser verdade ou mentira, mas é insuscetível (inalcançável) de prova”, diz o procurador.

SEM DOCUMENTOS – Marx alega que ouviu o empresário em junho e requereu a ele documentos que pudessem atestar o envolvimento dos dois ex-presidentes no suposto esquema, mas nada foi apresentado. Além disso, segundo o procurador, o próprio depoimento do delator demonstra que não há como provar os supostos crimes por meio de alguma diligência a ser solicitada pelo Ministério Público Federal (MPF).

“É uma história meio absurda desde o início”, afirma. “Ele não tem nada. Essa história não tem pé nem cabeça. Não tem como provar.” As conclusões de Marx foram divulgadas pelo site UOL e confirmadas por ele em entrevista ao Estado. Procurada, a JBS informou, em nota, que, “a despeito do grande número de informações e provas já entregues”, o compartilhamento de documentos e informações complementares entre a PGR e demais ofícios do Ministério Público Federal estão sendo tratados “dentro dos trâmites legais”.

CONTRAPARTIDA – Na delação acertada com a PGR, Joesley disse que as contas no exterior foram abertas para depositar propinas como contrapartida a aportes feitos pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) no Grupo J&F, controlador da JBS. Elas teriam sido criadas em acordo com o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega, como uma espécie de “garantia” de pagamentos a serem feitos a aliados do governo petista.

Uma dessas contas foi aberta em 2009 por causa de supostos acertos ilícitos, referentes ao governo Lula. A outra, iniciada em 2010, seria vinculada a negociatas ocorridas na gestão Dilma. O saldo teria alcançado US$ 150 milhões em 2014, ano de disputa eleitoral. Os petistas já haviam negado a existência da conta no exterior.

Questionado se a PGR se precipitou ao fechar a colaboração com Joesley, o procurador respondeu que não tem conhecimento de tudo que foi tratado com o empresário no acordo, mas criticou a versão sobre as contas: “O cara é muito ‘bom’. Tem uma conta lá, que não consegue explicar, e conseguiu transformar isso numa delação”. Procurada, a Procuradoria não comentou.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Não adianta acusar em delação, sem apresentar provas. Delação só tem valor jurídico quando há comprovação material ou existem testemunhos cruzados, que se somam e se completam. Está chegando a hora da verdade para os delatores, que ocultaram muita coisa. Basta citar a famosa planilha da Odebrecht. Até hoje se aguarda a entrega das respectivas provas. Parece brincadeira, mas é verdade, e a corrupção corre risco de ficar impune em muitos casos. (C.N.)