Nova presidente do TSE, Rosa Weber tem visão rigorosa da Lei da Ficha Limpa

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Rosa Weber vai exigir o cumprimento da Ficha Limpa

Bruno Boghossian
Folha

Rosa Weber tem uma visão rigorosa da Lei da Ficha Limpa. A ministra, que vai comandar o TSE no rumoroso processo de registro da candidatura de Lula, já deu pistas de que leva a sério as regras que tornam inelegíveis políticos condenados. “A Lei da Ficha Limpa foi gestada no ventre moralizante da sociedade brasileira, que está a exigir dos poderes instituídos […] um ‘basta’”, afirmou Rosa em 2012, durante seu primeiro julgamento de grande repercussão no Supremo.

Indicada meses antes por Dilma Rousseff para o tribunal, a ministra votou integralmente a favor da lei. Mais de uma vez, ela disse que a condenação por um colegiado de juízes é suficiente para barrar uma candidatura e que não há violação de direitos —mesmo que não estejam esgotados todos os recursos.

PRESUNÇÃO? – “O princípio da presunção de inocência, apesar de cardeal no processo penal, não pode ser compreendido como um véu que cobre a realidade e imobiliza a ação humana”, declarou a ministra.

A interpretação de Rosa se choca com os argumentos de Lula, que deve requerer nesta quarta-feira (dia 15) o registro de sua candidatura. Os advogados do ex-presidente afirmam que ele deve preservar seus direitos políticos, porque a ação em que foi condenado não chegou à última instância.

Para a ministra, não há afronta em casos como esse, porque os recursos cabíveis após condenações em segundo grau “não comportam, como regra, efeito suspensivo”.

É INFLEXÍVEL – Rosa Weber é considerada uma intérprete rígida da legislação. No TSE, há casos em que foi derrotada por colegas que decidiram empregar a Ficha Limpa de forma mais flexível.

O rigor também se aplica a atalhos processuais. A próxima presidente da Justiça Eleitoral emitiu sinais contrários à tentativa de acelerar a decisão que pode culminar na inelegibilidade de Lula —ao contrário de seu antecessor, Luiz Fux.

Quando o MBL pediu o veto à candidatura do ex-presidente antes mesmo de seu registro, Rosa negou. “O direito tem seu tempo”, sentenciou.

Haddad diz que TSE só decidirá sobre Lula após iniciada a campanha na TV

Haddad

Haddad tem dormido pouco e está sonhando acordado

Deu em O Tempo
(Estadão Conteúdo)

Candidato a vice e possível substituto do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva – condenado e preso na Operação Lava Jato – nas eleições 2018, o ex-prefeito Fernando Haddad (PT) acredita que a Justiça Eleitoral só deve tomar uma decisão sobre o registro da candidatura de Lula depois de iniciada a campanha eleitoral no horário da TV.

“Pela jurisprudência, essa decisão deveria ser tomada lá pelo dia 10 de setembro”, disse Haddad durante sabatina promovida pelo portal Catraca Livre e pela Casa do Baixo Augusta, em São Paulo, nesta segunda-feira (dia 13).

DE OFÍCIO – Haddad não quis, no entanto, comentar o procedimento que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pode adotar para julgar a candidatura do ex-presidente. O ministro Admar Gonzaga, um dos integrantes da Corte eleitoral, reiterou em despacho que a decisão sobre Lula pode ser tomada de ofício, ou seja, sem provocação do Ministério Público ou um adversário, ou após pedido de impugnação.

O PT registrará Lula como candidato e Haddad como vice na próxima quarta-feira, 15, último dia. Para marcar o registro, militantes farão um ato em Brasília. Na véspera, Haddad irá para a capital federal participar de atos públicos e acompanhar a “marcha” promovida por integrantes do Movimento Sem Terra (MST).

DEBATE – Com Lula preso, Haddad afirmou ser possível ele próprio estar no debate entre candidatos à Presidência na sexta-feira, dia 17, a ser realizado pela RedeTV!. Segundo o ex-prefeito, o partido negocia com o canal de televisão e a emissora não discordaria de ter Haddad como representante de Lula no programa.

Ele ainda cobrou que os demais candidatos defendam a presença do PT no debate, lembrando que fez isso quando era candidato à reeleição na capital paulista, em 2016, e defendeu a presença de Luiza Erundina (PSOL) nos programas. “Eu não estou cobrando uma atitude que eu mesmo não tenha tido.”

“PLANTAÇÃO” – Nesta segunda-feira, o candidato a vice classificou como “plantação de gente que não tem importância” o movimento de uma ala do PT que procurou diminuir sua exposição e barrar sua indicação como porta-voz de Lula nos debates. Isso fez com que Lula mandasse um recado que Haddad é a “voz” e as “pernas” do ex-presidente enquanto ele estiver preso.

“Se alguém for representar, se a pessoa for com um discurso reto sobre isso, é melhor para o Lula que alguém o represente”, disse Haddad.

Sobre os comentários que poderia adotar o nome “Fernando Lula Haddad” na urna em outubro, o ex-prefeito disse que nunca pensou sobre isso e que espera nem precisar estar na chapa. A deputada gaúcha Manuela d’Ávila (PCdoB), que assistiu à sabatina na plateia, foi indicada para assumir a vice após a decisão judicial sobre Lula.

IMPOSTO SINDICAL – Haddad defendeu que, caso o imposto sindical continue extinto no País, apenas trabalhadores sindicalizados sejam beneficiados em acordos coletivos. “Ou tem imposto sindical, ganha todo mundo, ou não tem imposto sindical e ganham só os sindicalizados”, afirmou o ex-prefeito da capital paulista. Para ele, dessa forma os trabalhadores seriam motivados a pagar anuidades para entidades sindicais em troca de ser beneficiados pelo trabalho dos sindicatos.

Haddad classificou ainda a reforma feita no governo do presidente Michel Temer como “fiasco”. O programa de governo do PT propõe revogar a medida e apresenta um referendo como instrumento para anular a reforma.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Haddad acha que o TSE vai deixar Lula aparecer na TV como candidato, mas há controvérsias. Lula não poderá apresentar um documento obrigatório, a Certidão Negativa de Condenação Federal, e sua candidatura pode ser rejeitada logo de cara, como se dizia antigamente, ou de ofício, como dizem os advogados. (C.N.)

Indecisos, brancos e nulos continuam vencendo a eleição, diz nova pesquisa

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Charge do Duke (Charge Online)

Deu na TV Record

Pesquisa eleitoral divulgada pela Record TV nesta segunda-feira mostra alto índice de indecisão do eleitorado brasileiro e a manutenção da liderança, nas amostragens induzidas e espontâneas por Luiz Inácio Lula da Silva e Jair Bolsonaro. Os dados foram coletados pelo instituto Realtime Big Data, entre 10 e 12 de agosto, com 3.200 pessoas, e registrados no Tribunal Superior Eleitoral.

A pesquisa espontânea mostrou que 47% do eleitorado está indeciso e outros 12% pretendem votar em branco ou nulo, mais da metade (59%) do total de votantes.

BOLSONARO – Nesta amostragem, Jair Bolsonaro (PSL) obteve 15% das intenções de votos e Lula (PT), 13%. Como a margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou mais menos, eles estão tecnicamente empatados.

Geraldo Alckmin (PSDB), com 4%, Marina Silva (Rede) e Ciro Gomes (PDT), ambos com 3%, e Álvaro Dias (Podemos), com 2% são considerados em empate, também pela margem. Fernando Haddad, possível substituto de Lula teve 1% das lembranças.

LULA À FRENTE – Nos cenários estimulados, o primeiro turno teria liderança de Lula com 29%, à frente de Bolsonaro com 19%. Na sequência, quatro candidatos estão empatados tecnicamente: Alckmin (9%), Marina (8%), Ciro (7%) e Álvaro Dias (6%). Guilherme Boulos (PSOL), João Amôedo (Novo) e Henrique Meirelles (MDB) aparecem com 1%. Votos em branco ou nulos somam 12% e indecisos, 7%.

No segundo cenário — com o petista Haddad no lugar de Lula —, a liderança é de Bolsonaro, com 21%. Em segundo lugar, Marina Silva (11%), Alckmin (9%) e Ciro (8%) estão empatados tecnicamente. Nesse levantamento, o número de indecisos vai a 16% e o de brancos e nulos, 20%.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Nada de novo no front ocidental, diria o genial escritor Eric Maria Remarque. As eleições e os candidatos não conseguem entusiasmar o eleitorado, apesar de faltarem tão poucos dias para o pleito. (C.N.)

Bolsonaro diz mais uma idiotice, desta vez sobre a ação das Forças Armadas

“Chega de terceirizar militar para tudo”, diz Bolsonaro

Eduardo Bresciani
O Globo

O deputado e candidato do PSL à Presidência, Jair Bolsonaro, criticou a utilização frequente das Forças Armadas pelo governo federal nas últimas gestões em diversas atividades. Pela Constituição, as Forças servem “à defesa da Pátria, à garantia dos poderes constitucionais e, por iniciativa de qualquer destes, da lei e da ordem”. Para Bolsonaro, tem havido excessos. “Chega de terceirizar militar pra tudo. Todos os governos utilizaram as Forças Armadas de matar mosquito à violência no Rio” — afirmou Bolsonaro, que é capitão da reserva.

O candidto afirmou que o seu programa de governo recebeu algumas contribuições de seu vice, o general da reserva Hamilton Mourão (PRTB). O também general da reserva, Augusto Heleno, porém, é quem comanda o debate na área.

SEGURANÇA JURÍDICA – Uma das ideias é dar mais “segurança jurídica” para militares que atuem, por exemplo, em operações de Garantia de Lei e Ordem (GLO). Bolsonaro cita como exemplo a operação no Haiti, que teve Heleno como o primeiro comandante, e afirma que é preciso impedir processos contra operadores de segurança que vierem a matar em confronto.

“A GLO vai continuar desde que o pessoal dê retaguarda jurídica pra nós. Vocês podem imaginar um amigo de vocês, soldado do Exército, com 20 anos, que numa missão de madrugada troca tiro com marginal e há um imprevisto, você manda esse cara para auditoria militar pAra pegar de 12 a 30 anos de cadeia, acha justo isso? Não é justo — avaliou.

Para o candidato, a operação no Haiti deu certo porque “todo mundo descarregava em cima” em pessoas armadas: “Vocês não dizem que estamos em guerra? Em guerra os dois lados atiram. Se o governo não quer confronto, não mande a tropa lá. No Haiti resolvemos o assunto, elemento com arma de guerra, todo mundo descarregava em cima dele” — afirmou Bolsonaro.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
É incomensurável a capacidade de Bolsonaro dizer idiotices. O melhor das Forças Armadas brasileiras é justamente sua atuação social, em tempo de paz. Na Amazônia, no Nordeste desértico, em qualquer ponto do país em que sua atuação se faz necessária, os militares jamais se omitiram. Quer dizer que na gestão Bolsonaro, ao invés de saírem às ruas, os militares vão continuar nos quartéis, jogando vôlei, digitando o celular e caindo na piscina? É isso eu o candidato quer? (C.N.)   

Nova pesquisa presidencial do Ibope terá Lula e Haddad como candidatos

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Charge do Thiago Rechia (Arquivo Google)

Lauro Jardim
O Globo

O Ibope está registrando hoje sua primeira pesquisa eleitoral já com os candidatos a presidente definidos.  A pesquisa, encomendada pela Rede Globo e por “O Estado de S. Paulo”, será divulgada na noite de segunda-feira que vem.

Serão treze os candidatos nas listas. Haverá duas simulações. Uma, com Lula na cartela apresentada aos eleitores. A outra lista terá Fernando Haddad como candidato do PT.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Lauro Jardim está anunciando o fim de uma polêmica. Já divulgamos aqui na Tribuna da Internet a resolução do TSE sobre pesquisas. Diz que “a partir das publicações dos editais de registro de candidatos, os nomes de todos os candidatos cujo registro tenha sido requerido deverão constar da lista apresentada aos entrevistados durante a realização das pesquisas”. A partir daí, começou um tititi de que as pesquisas não poderiam incluir Haddad como candidato, e os próprios institutos estavam indecisos. Explicamos aqui na TI que não havia base para excluir Haddad, porque a resolução do TSE não proíbe a inclusão de nomes que não são candidatos, apenas obriga a presença de todos os registrados no TSE. Ou seja, como dizia Caetano Veloso, é proibido proibir (o que já não seja legalmente proibido). (C.N.)

 

Ninguém me canta, ninguém me encanta como você, revela Alice Ruiz

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Alice Ruiz, eternamente bela

Paulo Peres
Site Poemas & Canções

A publicitária, tradutora, compositora e poeta curitibana Alice Ruiz Scherone, mulher e musa do também poeta Paulo Leminski, no poema Ninguém Me Canta como Você”, revela o  fascínio e o modo sedutor que seu amado exerce sobre ela.

NINGUÉM ME CANTA COMO VOCÊ
Alice Ruiz

ninguém me canta
como você
ninguém me encanta
como você
nem me vê
do jeito
que só você
de que adianta
ter olhos
e não saber ver
ter voz
mas não não ter o que dizer
digam o que disserem
façam o que quiserem
ninguém diz
ninguém vê
ninguém faz
como você
ninguém me canta
ninguém me encanta
como você

Nos bastidores, o MDB está apoiando Alckmin e vai “cristianizar” Meirelles

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Apoio do MDB a Meirelles não tem a menor consistência

Pedro do Coutto

O MDB, ao escolher Meirelles como seu candidato, na realidade busca somar pontos para Alckmin, livrando-o do peso negativo representado pelo governo Michel Temer. A candidatura de Meirelles, que não sabe da articulação, tem esse objetivo no quadro eleitoral. De fato, como todas as pesquisas têm indicado, o apoio do presidente da República será um argumento forte para as oposições. São várias as oposições, porém o Centrão joga para salvar o ex-governador de São Paulo da condição de ser o candidato do Planalto. O MDB, partido de Temer vai cristianizar o ex-ministro da Fazenda.

Os mais jovens devem estranhar o termo cristianização e o verbo cristianizar. Sua origem remete às eleições de 1950, disputadas por Getúlio Vargas, Eduardo Gomes, Cristiano Machado e João Mangabeira. O PSD, que era o partido amplamente majoritário, homologou Cristiano Machado como seu candidato. Mas na verdade apoiou Getúlio Vargas, do PTB. Tanto assim que Juscelino Kubitschek e Amaral Peixoto, ambos do PSD, elegeram-se governadores de Minas e do antigo estado do Rio naquele pleito.

O VERBO FICOU – O PSD, de fato, estava com Vargas, mas havia lançado Cristiano. Um lance para dividir as correntes que rejeitavam a volta do velho ditador ao Palácio do Catete. Abertas as urnas, a manobra tornou-se evidente. Cristiano Machado, que era deputado federal por Minas, foi nomeado por Vargas para embaixador junto ao Vaticano. O tempo passou e o verbo ficou.

Este ano, as eleições de outubro para presidente da República apresentam contradições entre as legendas. Por isso, como destacou Gustavo Uribe na Folha de São Paulo de ontem, ocorrem vários acordos partidários em diversos estados que não se vinculam aos apoios das legendas no plano federal. Em 7 estados, por exemplo, MDB e PDT são aliados nas disputas para governos estaduais.

O caso de São Paulo destaca-se dos demais: Marcio França, do PSB, apoia Alckmin, porém disputa o governo estadual contra João Dória, que é do PSDB. Um terceiro candidato, Paulo Skaf, corre pelo MDB e é presidente licenciado da Fiesp. Coisas da política.

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PEDIDOS DE APOSENTADORIA VÃO AUMENTAR

Reportagem de Edna Simão, no Valor, edição de ontem, focaliza o déficit da Previdência Social, que está atingindo 92,3 bilhões de reais, dos quais 53,5 relativos aos empregados urbanos e 38,2 bilhões ao setor rural. Provavelmente, acho eu, a quantidade dos pedidos de aposentadoria vai aumentar depois das eleições de outubro, uma vez que a sombra da reforma deve se projetar para o próximo governo em 2019.

Acredito numa hipótese que tem base na lógica dos fatos. Não se trata apenas de reformar para produzir reflexos nas aposentadorias dos trabalhadores. Melhor será se o governo resolver cobrar as dívidas que empresas urbanas e rurais acumulam na área do INSS.

A sonegação também deve inevitavelmente ser combatida, ao invés de pressão sobre os vencimentos dos aposentados e pensionistas.

Se não fosse um idiota completo, Bolsonaro estaria eleito por antecedência

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Bolsonaro chega a confundir indolência e indulgência

Carlos Newton

Recebi críticas candentes e desairosas aqui na “Tribuna da Internet”, quando relatei meu encontro com Jair Bolsonaro na Câmara, em 2007, fato que me levou a considerá-lo um idiota completo. Naquela ocasião, anunciei ao deputado que o governo Lula havia assinado na ONU um acordo internacional que reconhecia a independência política, econômica, territorial e social das nações indígenas, uma mancada terrível, que poderia causar o desmembramento de aproximadamente 20% do território nacional, com predominância de terras altas, onde se concentram riquíssimas jazidas minerais.

Bolsonaro, além de desconhecer totalmente o assunto, me olhou como se eu fosse um E.T., balbuciou algumas palavras, eu insisti no assunto, perguntando-lhe como iria proceder, ele não respondeu e sequer me convidou a entrar em seu gabinete, pois conversamos no corredor.

IDIOTAS COMPLETOS – Pensei que o combativo Bolsonaro iria estudar o assunto e fazer um explosivo discurso na Câmara, mas não aconteceu nada. Ficou fechado em copas, como se dizia antigamente. Na mesma ocasião, procurei parlamentares da Amazônia, como os senadores Tião Viana, Arhur Virgilio e Mozarildo Cavalcanti, mas também não me deram atenção, mostrando que Bolsonaro não era o único idiota no Congresso.

Abastecido com informações da histórica e tradicional loja maçônica Dous de Dezembro, fornecidas pelo advogado Celso Serra, então escrevi uma série de reportagens na antiga “Tribuna da Imprensa”, a cúpula da Maçonaria se movimentou, as Forças Armadas enfim entraram em cena e colocaram uma pedra sobre o assunto.

Os líderes indígenas protestaram, mas não foi adiante o sonho de independência, porque o governo federal jamais teve coragem de encaminhar ao Congresso o Tratado da ONU, que onze anos depois continua sem homologação e sem entrar em vigor no Brasil.

MÁ FAMA – Por ter relatado este fato, fiquei com má fama aqui no Blog, muitos participantes passaram a considerar que estou a fim de boicotar a candidatura do Bolsanaro. “Ledo Ivo engano”, como dizia meu amigo Carlos Heitor Cony. Não sou contra o candidato do PSL. Pelo contrário, tenho até alguma simpatia por ele. Mas o problema é a idiotia ou boçalidade, como diz seu próprio vice, o general Hamilton Mourão.

Na verdade, nutro admiração pelas Forças Armadas, conheço o trabalho social que os militares desenvolvem na Amazônia, no Nordeste desértico e em todas as regiões do país onde são convocados a colaborar, como no Baixo Sul da Bahia.

Acredito que não exista instituição tão marxista quando as Forças Armadas, que abrem oportunidades iguais a todos e respeitam a meritocracia, embora haja eventuais casos de “carona” nas promoções, errar é humano.

UM PAÍS MELHOR – Se dependesse dos militares, teríamos um país muito melhor, com serviços públicos adequados nos setores de saúde, e educação e segurança. Haveria planejamento econômico e social, um trabalho estratégico que não se faz desde a ditadura militar.

O mais incrível disso tudo é que a maioria dos militares odeia o marxismo, sem perceber que seu dia a dia nos quartéis caracteriza o proceder marxista. Tenho parentes e amigos militares, não vejo nenhum deles defender a deterioração dos direitos trabalhistas e das conquistas sociais. E acho engraçado quando vejo alguns deles criticando o marxismo. Até parece que  não têm espelho em casa…

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P.S. 1
Quanto a Bolsonaro, para mim é uma surpresa que tenha sido aprovado na AMAN. Deve ter passado com nota mínima, porque sua capacidade intelectual parece ser rarefeita. É surpreendente sua insistência em dizer asneiras, tipo confundir indulgência e indolência. E se não fosse tão radical, racista e homofóbico, já estaria eleito, sem fazer campanha.

P.S. 2Dizem que, desde o debate na Band, Bolsonaro está mudando a postura. É a única saída. Se não conquistar mais votos das mulheres, dos afrodescendentes e das galeras LGBT, vai ganhar o primeiro turno e perder o segundo. (C.N.)

TSE adia julgamento da candidatura rebelde de Márcio Lacerda em Minas

Marcio Lacerda

Lacerda foi vetado, mas insiste em sua candidatura

Deu em O Tempo

A definição sobre a candidatura ou não de Marcio Lacerda ao governo do Estado, pelo PSB, não aconbteceu nesta segunda-feira (13),  conforme estava previsto. A assessoria de comunicação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) informou que o processo envolvendo o nome do ex-prefeito de Belo Horizonte foi retirado da pauta do dia.

O pedido de vista foi feito pelo ministro Napoleão Nunes Maia Filho, que ainda está analisando o processo. O advogado de Lacerda, José Sad, informou que a definição pode ficar para a próxima quinta-feira (dia 16), quando o tribunal volta a se reunir.

DISCORDÂNCIA – Este imbróglio existe pela discordância entre o PSB de Minas Gerais com seu diretório nacional. O grupo de Lacerda comandava o diretório no Estado, mas uma manobra de Carlos Siqueira, presidente da sigla, modificou toda a cúpula estadual. O objetivo foi inviabilizar a candidatura de Lacerda ao governo de Minas, e assim concretizar a aliança com o PT em nível nacional.

O ex-prefeito não aceitou a decisão e numa tumultuada convenção lançou seu nome ao governo. Em meio a essa guerra, cabe ao TSE manter a convenção partidária realizada em Minas ou acatar a decisão tomada pela cúpula do PSB.

Juiz Sérgio Moro determina prisão de três ex-dirigentes da Mendes Júnior

Moro cumpriu a condenação fixada pelo TRF-4

Cleide Carvalho e Gustavo Schmitt
O Globo

O juiz Sergio Moro determinou a prisão de três executivos da empreiteira Mendes Junior, condenados na Lava-Jato por participação no cartel da Petrobras, para que se dê início a execução de suas penas. Sérgio Cunha Mendes foi condenado a 27 anos e dois meses de prisão; Rogério Cunha Pereira a 18 anos e nove meses; e Alberto Elísio Vilaça Gomes a 11 anos e seis meses. Todos foram condenados por corrupção, lavagem de dinheiro e associação criminosa pelo pagamento de R$ 31,4 milhões em propina por meio do doleiro Alberto Youssef.

Moro afirmou em despacho que segue o posicionamento do Supremo Tribunal Federal (STF), de que a execução da pena deve ser iniciada quando terminam os recursos ao Tribunal Regional Federal da 4ª Região e que houve pedido do TRF-4 para que a medida seja cumprida.

CRIMES GRAVES – “Agrego apenas que, tratando-se de crimes de gravidade, inclusive corrupção e lavagem de dinheiro, de mais de trinta milhões de reais, a execução após a condenação em segundo grau impõe-se sob pena de dar causa a processos sem fim e a, na prática, impunidade de sérias condutas criminais”, afirmou no despacho.

Os três deverão ser levados para o Complexo Médico Penal da Região Metropolitana de Curitiba, na ala reservada aos presos da Operação Lava-Jato. Terão prazo de 24 horas para se apresentarem e a concessão de mais prazo deverá ser negociada pelos advogados com a Polícia Federal, caso necessário.

Outros dois condenados na ação – Enivaldo Quadrado e Waldomiro de Oliveira – já estão presos e cumprem sentenças por condenações anteriores na Lava-Jato. As penas serão unificadas.

Na condição de delator da Lava-Jato, que já cumpriu os termos do acordo de cooperação, o doleiro não terá sua situação alterada pelo processo.  E o réu João Procópio Junqueira Pacheco de Almeida Prado, que trabalhava com Alberto Youssef, teve a prisão substituída por medidas restritivas de direito.

Reflexões sobre a esculhambação na política e o complexo de vira-latas

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Charge sem assinatura (Arquivo Google)

Antonio Santos Aquino

Ao que parece, o que será consagrado para eternidade é a frase de Nelson Rodrigues: “O brasileiro tem complexo de vira-latas”. Esta situação ficou clara em muita coisa no Brasil. Vejamos o caso do segundo turno, que foi empurrado goela abaixo do povo com a teoria da maioria dos votos. Se um candidato não ultrapassar 50% no primeiro turno, terá o segundo turno que foram buscar com a “ballotage” da França.

Mas na época o que a elite dominante queria era barrar o Leonel Brizola. Espalharam que queriam barrar o Lula. Não é verdade. Lula era um protegido dos militares que não metia medo a ninguém, apenas um “pato manco” que assumiria o poder. Brizola, diferentemente, não era protegido por ninguém. Saíra para o exílio depois de derrotar um esquema militar que pretendera evitar a posse de Jango. Caso único no mundo, um governador levantar-se em armas contra as Forças armadas e ganhar a parada.

DESESPERANÇA – O voto nulo, branco e abstenção, a meu juízo, têm resultado valorativo idêntico. O voto nulo diz o quê? Não estou satisfeito e nem esperançoso. O voto em branco diz o quê: eu voto como obrigação cívica, mas não estou interessado. Abster-se é deixar de votar. Quer dizer não quero votar.

Parece muito complicado, mas o resultado é o mesmo. A obrigação de votar é comparecer como cidadão pra expressar sua convicção. Só vale para conferência o voto que indicou um candidato. (Isso vai ao encontro do que queriam os udenistas nos idos de 1950). Tudo agora é: nos EUA não é assim, na França foi assim.

Como nos EUA, ninguém deve ser obrigado a votar (tese de Sérgio Cabral e Chico Alencar). O voto tem que ser individual como é nos EUA.(

TROCA-TROCA – Aqui, nós temos janela. Faltando seis meses para terminar o mandato, o deputado pode sair de um partido para outro sem ferir a fidelidade partidária. Foi invento de Temer para fortaleceu o PMDB, hoje MDB. Depois, o mesmo Temer articulou para que Marta Suplicy saísse do PT e não perdesse o mandato. Ficaram os senadores como donos de seu mandato. Saem quando quiserem, o mandato é seu. O eleitor fica com cara de babaca.

As confusões são muitas. O indivíduo se candidata como Delegado Joaquim, Capitão Nicolino, Pastor Noé, Doutor Rosario, Professor Moderno, Coronel Gorgota, Deputado Tiririca. E dana-se a fazer merda, desrespeitando o povo. Fazer apologia da Forças Armadas também não pode.

CASSAÇÃO – O Supremo pune um senador com perda do mandato, mas o Senado é que deve decidir de ele será punido ou não, e em que tempo. Está uma bagunça tão grande que ninguém se entende. “A confusão e geral”. Quem foi que disse isso? Foi Machado de Assis.

“Mudar sem uma lei draconiana que impeça essas frescuras, inclusive de fazer pregações religiosas no Congresso e em entrevistas, palestras e comícios. A República separou a Igreja do Estado. Significa dizer que igreja subentende-se todas as religiões. O Estado é laico e aceita todas as religiões. Não podem fazer apologia dentro do Congresso, mas estão livres para professar seus cultos em lugar apropriado: Igrejas, Mesquitas Sinagogas, Terreiros de Candomblé e Templos. E mais e mais. Se não houver seleção de pessoas limpas, a política brasileira continuará como está para ou pior.

Futuro presidente terá apenas 0,5% do PIB disponível para investimentos

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Charge do Junião (Arquivo Google)

Danielle Nogueira e Marcello Corrêa
O Globo

Quem vencer as eleições presidenciais este ano terá um início de mandato com o orçamento mais apertado desde 2003. Em 2019, o espaço para investir deve ser de apenas 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB), segundo projeção baseada em apresentação do Ministério do Planejamento sobre a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO). A última vez em que um presidente começou a gestão com o caixa tão restrito foi no primeiro governo de Luiz Inácio Lula da Silva, há 15 anos. Na ocasião, a folga para investir ficou em apenas 0,3% do PIB, por causa de um forte ajuste fiscal. Agora, o principal desafio será lidar com as travas que o teto de gastos impõe, enquanto gastos obrigatórios como a Previdência não param de crescer.

A projeção para 2019 se baseia na expectativa de que as chamadas despesas discricionárias — que não são obrigatórias — fiquem em 1,3% do PIB. Como os investimentos respondem por pouco menos da metade (39,5%) desses gastos, a estimativa para o ano que vem foi de 0,5%. No ano passado e este ano, a proporção ficou em cerca de 0,7% do PIB. A série mais longa para esse indicador é elaborada pelo Tesouro Nacional e vai até 1997. O número de 2003 é o menor da História.

OUTRO CENÁRIO – Na avaliação da professora da Coppead/UFRJ Margarida Gutierrez, especialista em contas públicas que ajudou a fazer esses cálculos, o cenário este ano é diferente do existente há uma década e meia:

— Em 2003, estávamos discutindo se haveria superávit primário (economia para pagar os juros da dívida pública) de 2,75% ou 3% do PIB. Agora, estamos discutindo qual vai ser o tamanho do déficit.

A principal trava para o crescimento das despesas não obrigatórias é o teto de gastos, aprovado em 2016, que prevê que as despesas públicas não podem crescer acima da inflação do ano anterior, medida pelo IPCA, o índice oficial. Na prática, se um gasto rompe essa barreira, esse aumento precisa ser compensado com um corte. O problema dessa conta é o crescimento dos gastos obrigatórios.

FREAR GASTOS – Sem a reforma da Previdência, despesas crescentes com aposentadorias e pensões limitam esse espaço disponível, obrigando o governo a cortar em outras frentes, como compra de materiais, mas sem comprometer o funcionamento da máquina pública. Segundo projeção da Tendências Consultoria, só no ano que vem o contingenciamento terá de ser de R$ 18,8 bilhões para que a regra seja cumprida. O percentual de despesas não obrigatórias no Orçamento cairia de 20,5% para 18,5%.

Fabio Klein, economista da Tendências, observa que é normal que um novo governo herde do antecessor, por exemplo, a meta fiscal para o ano seguinte. Mas lembra que a nova regra é uma imposição inédita:

— Quem ganhar vai herdar uma situação de cinco anos de ajuste fiscal que, na prática, faz com que o gasto discricionário esteja no mesmo nível de 2009.

HÁ ESPAÇO – O economista observa ainda que nem todas as despesas obrigatórias são incontroláveis. Há espaço para limitar os gastos, como a trava incluída na LDO que limita a concessão de incentivos fiscais:

— Em 2017, por exemplo, a gente observou uma boa queda de gastos de natureza obrigatória, com medidas como a reforma que mudou a TLP (taxa de juros praticada pelo BNDES) e a revisão de pagamentos de benefícios assistenciais.

Tudo isso ocorre em um cenário de insegurança em relação aos planos dos candidatos para a economia, inclusive sobre como lidar com o ajuste fiscal. Não por acaso, o nível de incerteza na economia, medido por um indicador da FGV, está alto. Considerando apenas anos de eleição, o índice está no maior nível desde 2002 — a série histórica começa no ano 2000.

Partidos do Centrão conseguiram acumular uma dotação eleitoral extra

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Charge do Newton Silva (newtonsilva.com)

Reynaldo Turollo Jr.
Folha

Cortejados por vários presidenciáveis antes de fecharem com Geraldo Alckmin (PSDB), os partidos do Centrão, bloco considerado a “noiva da eleição”, foram os que mais fizeram caixa no ano passado com recursos oriundos do fundo partidário, que é distribuído para a manutenção das siglas.

Esse dinheiro poderá ser usado na eleição, junto com a fatia que cada partido receberá do novo fundo eleitoral, o “fundão” de R$ 1,7 bilhão criado exclusivamente para financiar campanhas após a proibição de doações por empresas.

ECONOMIAS – O PR, com R$ 42,5 milhões em caixa, foi o partido que mais guardou recursos em 2017. Em seguida vem o PRB, com R$ 24,9 milhões, e, em terceiro lugar, o PP, com R$ 20,1 milhões. Somadas as economias dos três, o dote da noiva chega a R$ 88 milhões.

Em maio, em resposta a uma consulta de um parlamentar do Solidariedade, que também integra o centrão, o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) confirmou que os partidos poderão aplicar 100% das sobras do fundo partidário na campanha deste ano, junto com os recursos do novo fundo eleitoral.

Será o maior volume de recursos públicos já posto numa disputa eleitoral. As legendas ainda poderão usar uma parte do fundo partidário que vem sendo distribuído ao longo deste ano, mas esse valor é impossível de calcular no momento porque os partidos ainda não fecharam suas contas de 2018.

NA CAMPANHA – O PR e o PP disseram que vão empregar na campanha os recursos que guardaram em caixa. O PRB não foi específico, apenas informou que fará a campanha dentro da lei e com lisura.

Para receber sua fatia do fundo eleitoral, os partidos precisaram criar critérios —mesmo que muito imprecisos— e informar ao TSE como vão repartir o dinheiro entre seus candidatos. Já a repartição das sobras do fundo partidário poderá ser feita conforme a vontade dos dirigentes, sem divulgação prévia.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
É preciso ficar claro que se trata de recursos públicos, pois o Fundo Partidário é inteiramente formado com verbas do Tesouro. O Brasil é um dos países que sustentam os partidos políticos, que acabaram se transformando em balcões de negócios. E ainda chamam isso de democracia… Minha ironia não chega a tanto. (C.N.)

Primeiro, acabaram com Odeon, depois eles acabaram com a música brasileira

'Pelo Telefone', de BaianoRuy Castro
Folha

Há dias, numa coluna sobre João Gilberto, citei a gravadora Odeon como “a mais importante da nossa história fonográfica”. Um jovem pesquisador musical me perguntou: “Foi mesmo a Odeon? Não terá sido a Philips, que, entre 1960 e 1980, tinha Os Cariocas, o Tamba Trio, Elis Regina, Nara Leão, Jorge Ben, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Chico Buarque, Gal e Bethânia?”.

De fato, a Philips dominou o mercado naqueles 20 anos. Mas o reinado da Odeon, cheio de pioneirismos, estendeu-se do começo do disco no Brasil, em 1902, até justamente os anos 60. Foi pela Odeon que o primeiro cantor brasileiro, o famosíssimo Bahiano, lançou o “Pelo Telefone”, em 1917. Foi também pela Odeon que, a partir de 1927, Francisco Alves e Mario Reis fixaram o samba, gravando os clássicos instantâneos de Sinhô e os da turma de Ismael Silva no Estácio.

CARMEN MIRANDA – Houve um momento nos anos 30 em que a Victor, a marca do cachorrinho, pareceu se impor. Ela já tinha Carmen Miranda, Silvio Caldas e Carlos Galhardo; conquistou por algum tempo Chico Alves e Mario Reis e revelou o fenômeno Orlando Silva. Mas bastou Carmen ir para a Odeon, em 1935, para esta recuperar a supremacia.

Então, de novo na Odeon, Chico Alves gravou “Aquarela do Brasil”, em 1939. E aí, por ela, vieram “Ai Que Saudades da Amélia”, em 1942, com Ataulpho Alves; “Baião”, em 1946, com os Quatro Ases e Um Coringa, inaugurando o gênero; e “Segredo”, em 1947, com Dalva de Oliveira, estabelecendo o samba-canção.

BOSSA NOVA – Foi na Odeon, em 1958, que a bossa nova começou, com João Gilberto. E, nos anos 70, enquanto a Philips tentava reduzir tudo à “MPB”, foi a Odeon que manteve o samba vivo, com Elza Soares, Paulinho da Viola, Clara Nunes.

A Philips foi importante, sim, mas só naquela fase. Antes de 1960, ela não existia. E, a partir dos anos 80, quem deixou de existir foi a música brasileira.

Chapa militarizada de Bolsonaro não é representante das Forças Armadas

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Bolsonaro e Mourão fazem reviver velhos estigmas

Eliane Cantânhede
Estadão

Se alguém acha que a atual campanha para a Presidência da República é uma boa propaganda para a imagem dos militares, está redondamente enganado. Depois do capitão Jair Bolsonaro, o general Hamilton Mourão e agora o inacreditável Cabo Daciolo, que foi do PSOL e concorre a presidente pelo Patriota, bom para quem? Na fala dele, sobra Deus e falta a letra “S”.

As Forças Armadas são a instituição mais admirada pela população em todas as pesquisas e os oficiais fazem sofisticados cursos na carreira, passam por escolas superiores de excelência, estudam geopolítica e estratégia. Demoraram anos para se livrar das marcas da ditadura, apesar de ainda não confortáveis com a abertura dos arquivos, e concluir esse ciclo da história.

VELHOS ESTIGMAS – Lamentável que a campanha resgate velhos estigmas e preconceitos, como o de que militares são toscos, turrões, alheios ao mundo fora da caserna – uns “brucutus”. Eles não são nada disso, mas o que dizer de Bolsonaro? Militar, largou a carreira como capitão por indisciplina e para ser vereador. Deputado desde 1991, no sétimo mandato, nunca se destacou no plenário, nas comissões, nem por projetos: dois em 27 anos. Candidato, demonstra evidente despreparo para governar um País complexo e mergulhado em crise como o Brasil.

Tem-se, pois, que o líder nas pesquisas, quando o nome do ex-presidente Lula não entra, é um militar que não é militar há quase 30 anos e um deputado que critica os colegas, mas é do “baixo clero”, usa imóvel funcional indevidamente e é acusado de desviar funcionários pagos pela Câmara para cuidar de sua casa no Rio. Ele, o filho mais velho, o segundo e o terceiro são políticos e até a ex-mulher tentou ser. Se a política é tão abjeta, o que a família inteira faz dentro dela? Um mistério.

VICE MOURÃO – Bolsonaro procurou seu vice entre astronauta, príncipe, pastor, general, socialite, advogada polêmica… O risco seria um príncipe presidindo nossa República ou o Brasil indo para o espaço com o astronauta. Prevaleceu o general Mourão, que já defendeu intervenção militar e já estreou como vice decretando a “indolência” dos índios e a “malandragem” dos negros. E o Exército é justamente reduto e símbolo dessa rica miscigenação brasileira.

Para piorar, os eleitores acabam de descobrir o Cabo Daciolo, que nem chegou a sargento, mas já se imagina presidente. Bombeiro, foi expulso da corporação depois de tentar invadir um quartel. Do PSOL, foi expulso por querer incluir Deus na Constituição. Uma piada, mas uma piada de mau gosto.

NADA A VER – Antes mesmo de Daciolo aboletar-se no debate de presidenciáveis na Rede Bandeirantes, o ministro da Defesa, general Joaquim Silva e Luna, já tinha dado o primeiro alerta de que as Forças Armadas não têm nada a ver com essas maluquices. Disse que vê “com naturalidade” Mourão na vice de Bolsonaro, mas frisando que não se trata de “uma chapa de militares”. Leia-se: “Não temos nada a ver com isso”.

Quem conhece de dentro as Forças Armadas e os generais Luna e Silva, Eduardo Villas Bôas, comandante do Exército, e Sérgio Etchegoyen, do Gabinete de Segurança Institucional, aplaudiu a fala: “Eles têm de se distanciar rapidamente dessa aventura do Bolsonaro, porque, depois que cola, não descola mais”.

SEGUIDORES – Bolsonaro atraiu legiões de seguidores nas redes sociais com a condenação à corrupção e um discurso conservador e caro à expressiva parcela da população, senão à maioria, na área de costumes: família tradicional, papel das mulheres, drogas, aborto.

Ok, é um direito de quem prega e de quem segue. Só não se pode transformar essa embalagem de comportamento social numa candidatura militar e menos ainda numa promessa de governo militar. Além da ameaça para o Brasil, é um enorme risco para as próprias Forças Armadas.

Projeto de Ciro para limpar nome prevê dívida de R$ 1,4 mil por família

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Ciro Gomes explica o seu “Refis para os pobres”

Deu no Correio Braziliense
Agência Estado

O candidato à Presidência da República pelo PDT, Ciro Gomes, afirmou calcular em cerca de R$ 1,4 mil a dívida por família que poderia participar de seu projeto de “limpar o nome” dos brasileiros no cadastro de inadimplentes do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC), medida que tem chamado atenção entre suas propostas. Em uma transmissão ao vivo no Facebook, o candidato rebateu críticas de seus adversários afirmando que não vai “tirar dinheiro do cofre do governo” para cumprir a promessa

Ciro descreveu a proposta afirmando que haveria negociações das dívidas das famílias com as empresas que estiverem fazendo a cobrança, para que fossem dados descontos no caso de uma quitação. Os R$ 1,4 mil da conta, disse, é a dívida já com descontos.

REFINANCIAMENTO – O próximo passo, segundo ele, seria envolver os bancos públicos, o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal, no refinanciamento das dívidas com desconto. “Quando você vai no feirão, a Serasa dá desconto para quitar a dívida. Eu vou começar por aquele que me dá o maior desconto”, afirmou. “Pego, então, o Banco do Brasil e a Caixa, e vou ganhar dinheiro com isso. Eles vão ganhar dinheiro”, afirmou. “Se o banco privado se interessar por isso, dou uma afrouxadinha no compulsório”, acrescentou.

Na transmissão ao vivo no Facebook, ele conversa com candidatos pelo PDT a deputado federal, além de candidatos a governador e senador do partido por São Paulo.

CRÍTICAS – A medida que propõe “limpar o nome” dos brasileiros tem sido alvo de críticas por parte de candidatos opositores. Em debate realizado na sexta-feira, dia 10, com assessores de diferentes candidaturas, a proposta de Ciro foi criticado sobretudo por Persio Arida, assessor econômico do tucano Geraldo Alckmin, que disparou contra o que chamou de “promessas irresponsáveis”, estimando que a proposta de Ciro teria um impacto superior a R$ 60 bilhões nas contas públicas.

Ciro rebateu as críticas afirmando que os recursos envolvidos no projeto são muito inferiores aos aplicados pelos últimos governos no refinanciamento de dívidas tributárias de empresas, no programa Refis.

TETO DE GASTOS – O candidato do PDT criticou ainda o estabelecimento do teto de gastos, proposto pelo governo em 2016 via emenda constitucional, que congelou por 20 anos as despesas públicas. O crescimento dos gastos foi limitado à inflação do ano anterior. Para o pedetista, a medida é uma “aberração”.

“Essa gente proibiu que se expanda o investimento por vinte anos. Tem que resolver isso, mas não é para afrouxar. Nos governos e cargos que ocupei, jamais gastei mais do que podia”, concluiu Ciro Gomes.

Direção do PSB tenta abortar a candidatura rebelde de Lacerda em Minas

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Candidatura de Lacerda virou uma guerra judicial

Bernardo Miranda
O Tempo

A novela que envolve a candidatura do ex-prefeito Marcio Lacerda (PSB) ao governo de Minas nas eleições deste ano ganhou mais um capítulo. O presidente nacional do PSB, Carlos Siqueira, negou o pedido de Lacerda para uma reunião destinada a aparar as arestas e dar um fim ao imbróglio. Na sexta-feira (10), Lacerda enviou uma carta para Siqueira pedindo um encontro nesta segunda-feira (13). O objetivo seria chegar a um acordo com o partido para manter sua candidatura ao governo de Minas, sem precisar de uma disputa judicial.

Porém, no sábado (11), o presidente nacional do PSB enviou uma carta com a resposta, referendando o posicionamento anterior, de retirada da candidatura do socialista. Siqueira reafirma que houve decisão unânime pela anulação da convenção estadual do partido que lançou a candidatura.

RECURSO AO TRE – Siqueira ainda criticou a ação judicial que Lacerda impetrou no Tribunal Regional Eleitoral (TRE-MG) pedindo que fosse considerada inválida a ata da legenda baseada na convenção nacional.

“Vossa senhoria apresentou em juízo narrativa fática totalmente distorcida da realidade, deixando de elencar a vossa contínua indecisão quanto à candidatura, bem como deixou de noticiar as inúmeras críticas dos segmentos organizados do PSB de Minas quanto à falta de prioridade às candidaturas proporcionais”, diz o texto assinado por Siqueira.

Na ação citada pelo presidente do PSB, a defesa de Marcio Lacerda afirma que a ata feita com base na convenção nacional tem informações falsas. A peça diz que em nenhum momento o ex-prefeito afirma que retiraria a sua candidatura ou que concordava com a anulação da convenção estadual realizada um dia antes. Uma perícia técnica com a transcrição das falas durante o encontro nacional foi anexada ao processo.

OUTRA AÇÃO – Neste sábado, a direção do PSB mineiro entrou com outra ação no TRE-MG em resposta a Lacerda. Nessa ação, o partido reafirma que Lacerda aprovou a anulação da convenção que referendou a sua candidatura. “Márcio Lacerda participou como delegado do XIV Congresso Nacional do PSB, em março, em Brasília, quando foi aprovada resolução definindo o leque de partidos do campo de alianças. E também aqueles que não o são: como o MDB, PSDB, DEM etc. Resolução que explicita que coligações com os partidos que estão fora do campo de alianças estão condicionadas a aprovação da Executiva Nacional. Marcio Lacerda também foi delegado no Congresso Nacional de 5 de agosto. Ele próprio votou pela anulação da ‘convenção’ que tentou realizar no dia 4 de agosto”, disse o presidente do PSB de Minas, Renê Vilela.

No sábado, Lacerda se posicionou sobre a negativa de Siqueira de tentar buscar uma saída política para a questão. Ele voltou a criticar o acordo firmado entre PSB e PT para a retirada de sua candidatura.

PERGUNTAS – “Quem construiu este acordo para impor que eu me candidate a senador na chapa do atual governador Fernando Pimentel, a quem faço oposição? A quem interessa este golpe contra os mineiros que desmerece toda a história do PSB, a qual me levou a filiar ao partido em 2007? A quais interesses este acordo serve? A quem ele beneficia? Uma certeza eu tenho: ao povo mineiro não é”, disse Lacerda.

No TRE-MG, há duas atas de convenções do PSB registradas. Uma com a convenção estadual, que referendou a candidatura de Lacerda, e outra com decisão nacional do partido, que orienta a coligação com o PT.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGO presidente do PSB em Minas diz que Márcio Lacerda votou e foi filmado ao participar da decisão que agora contesta. Mas o candidato rebelde não aceita a afirmação, o que significa que um dos dois está mentindo. Isso é muito feio e logo saberemos que é o mentiroso. (C.N.)

Mantega tinha quase US$ 2 milhões em contas não declaradas”, afirma Moro

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Mantega já teve prisão decretada e foi salvo pela mulher

Matheus Leitão
G1 Notícias

Ao aceitar denúncia contra Guido Mantega e torná-lo réu, o juiz Sérgio Moro afirmou que o ex-ministro da Fazenda mantinha quase US$ 2 milhões no exterior não declarados às autoridades brasileiras nem à Receita Federal. Responsável pela Lava Jato na primeira instância, Moro define a descoberta como uma “inusitada revelação”.

“Agregue-se ao quadro probatório a inusitada revelação de que o acusado Guido Mantega é titular de não só uma, mas de pelo menos duas contas no exterior, uma em nome pessoal e outra em nome da off-shore Papillon Company, ambas abertas no Banque Pictet & Cie S/A”, afirma Moro. Somadas, as contas somam mais de US$ 1,9 milhão.

TENTOU LEGALIZAR – Moro ainda explica que a off-shore e o saldo respectivo só foram informadas ao Brasil na adesão, em julho de 2017, de Guido Mantega ao programa de regularização cambial e tributária imposta pela lei 13.254/2016. A regra foi aprovada durante o governo que ele fez parte.

O juiz da Lava Jato registra que Mantega explicou a existência dos valores com o suposto pagamento por fora de negócio imobiliário do Brasil. A questão, contudo, precisará ser melhor avaliada, segundo Moro, no momento e no processo próprio.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Guido Mantega ée esperto e ardiloso. Seu erro foi tentar “legalizar” parte do dinheiro que estocou no exterior, comprovando o enriquecimento ilícito. É por isso que existe aquele velho ditado de que “peixe morre pela boca”. Afinal, como se sustenta o Sr. Guido Mantega, para ter essa vida fácil, de milionário, com plano de saúde no Sírio-Libanês em São Paulo? (C.N.)

 

Crítica do PT, socióloga diz que “inventou” Ursal em 2001 como ironia

A socióloga Maria Lucia Victor Barbosa

Maria Lucia Barbosa inventou a sigla há 17 anos

Denise Perotti
Folha

A Ursal (União das Repúblicas Socialistas da América Latina), sigla virtualmente desconhecida que virou piada nas redes sociais na semana passada após ser citada por Cabo Daciolo (Patriota) no primeiro debate na TV, é uma “ficção” criada há 17 anos.

A afirmação é da socióloga e professora universitária aposentada Maria Lucia Victor Barbosa, que diz à Folha ter inventado o termo Ursal em 2001 como uma ironia, uma crítica a um encontro do Foro de São Paulo em Havana que ocorreu naquele ano.

ATÉ FIDEL – Na ocasião, participaram da reunião do grupo, que reúne partidos latino-americanos de esquerda, Luiz Inácio Lula da Silva e o então ditador cubano, Fidel Castro, entre outros.

No evento, Lula fez um discurso veemente contra a Alca (Área de Livre Comércio das Américas), dizendo ser um projeto de anexação que os Estados Unidos queriam impor, afirmando que seria o fim da integração latino-americana.

Em artigo publicado na internet em 9 de dezembro de 2001 intitulado “Os Companheiros”, que foi reproduzido em alguns blogs à época, a professora escreveu: “Mas qual seria, me pergunto, essa tal integração no modelo Castro-Chávez-Lula? Quem sabe, a criação da União das Republiquetas Socialistas da América Latina (URSAL)?” —em tom de deboche, ela utiliza o termo Republiquetas, em vez de Repúblicas.

NA BLOGOSFERA – A partir daí, diz a professora, a sigla começou a se espalhar na blogosfera e fugiu a seu controle. A professora afirma que pessoas telefonavam para ela para saber se a tal união existia mesmo, e ela explicava que era uma invenção. “Eu falava para as pessoas ‘não passa isso’ [adiante], mas não teve jeito, de repente espalhou”, diz ela.

Na internet, a referência mais antiga encontrada pela Folha para a Ursal é o artigo de Maria Lucia. Cinco anos depois, em maio de 2006, a Ursal já era tratada como um fato em artigo do filósofo Olavo de Carvalho, papa do conservadorismo brasileiro, para o jornal Diário do Comércio.

Maria Lucia diz que ficou surpresa ao ver sua piada citada por Cabo Daciolo no debate da Band. “Isso é meu, olha onde foi parar, eu fiquei boba”, afirmou.

CIRO NO DEBATE – No encontro, na última quinta (9), Daciolo se dirigiu a Ciro Gomes (PDT) e perguntou a ele, “um dos fundadores do Foro de São Paulo”, o que teria a dizer sobre o plano da Ursal. Ciro responde que não é fundador do Foro e que desconhece a sigla.

Formada pela Universidade Federal de Minas Gerais, a socióloga não declara em quem vai votar para presidente, mas diz que na juventude era de esquerda. “Todos éramos de esquerda, eu achava lindo o Fidel Castro”, disse. “Aí, vc me pergunta, ‘o que mudou então?’ Vou parafrasear Paulo Francis: Eu era criança e cresci.”

Hoje a professora aposentada se diz adversária ferrenha do PT porque começou a perceber “que não ia dar certo, como não deu”. E disse que já perdeu coluna em jornal por censura a seus artigos.

QUINTO PODER – Maria Lucia tem alguns livros publicados, entre eles “O Voto da Pobreza e a Pobreza do Voto – a Ética da Malandragem” (Zahar, 1988) —que ela considera seu principal. É autora ainda de “Contos da Meia-Noite”, que, ela brinca, é para ser lido até esta hora, nunca depois.

A ex-professora da Universidade Estadual de Londrina agora se dedica a estudar as redes sociais e seus algoritmos, que ela denomina de “o quinto poder”.  “A mídia é o quarto poder e as redes sociais, sem dúvida, estão se tornando o quinto poder. Veja o caso de Jair Bolsonaro. Ele não tem partido, não tem dinheiro, não tem nada, mas é muito favorecido pelas redes. É um poder paralelo”, afirma ela.

A reportagem procurou a assessoria de Cabo Daciolo para comentar as observações da socióloga, mas não conseguiu falar com ele.