Se não tivesse foro privilegiado, Pezão já estaria preso, ao lado do chefe Cabral

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Charge do Leonardo (Jornal Extra)

Carlos Newton

Para se eleger deputado estadual em 1990, o jovem Sérgio Cabral Filho pegou carona no prestígio do pai entre os jornalistas, intelectuais de esquerda e sambistas. Começou a enriquecer ilicitamente quando se candidatou a prefeito do Rio de Janeiro pelo PSDB, com apoio do governador tucano Marcello Alencar. Perdeu a eleição, mas encheu os bolsos com as sobras de campanha que lhe foram garantidas pelo sogro Gastão Neves, primo de Tancredo e então diretor da mineradora Paranapanema. Foi Gastão Neves quem passou o pires entre os empresários para financiar a campanha.

Serginho Cabral se reelegeu deputado em 1994, tornou-se presidente da Assembleia e seguiu enriquecendo com a cumplicidade dos caciques estaduais – Jorge Picciani, José Nader e Paulo Mello, que também foram fazendo fortuna junto com ele.

ENRIQUECENDO – Cabral foi candidato novamente a prefeito em 1996, sabendo que tinha poucas chances. Conseguiu ir ao segundo turno contra Luís Paulo Conde, teve apenas 37,83% dos votos, mas ganhou prestígio e encheu ainda mais os bolsos com as sobras de campanha.

A essa altura já era um homem rico, tinha comprado o apartamento no Leblon e a mansão em Mangaratiba. Na sequência, chegou a ser denunciado pelo ex-patrono Marcello, que montou um dossiê contra ele. Mas Cabral foi socorrido pelo publicitário Rogerio Monteiro, que disse ter contratado o deputado como “consultor político”. A contratação era ilegal, Cabral poderia ser cassado, mas Marcello Alencar desistiu da briga, porque Cabral tinha um dossiê sobre os dois filhos do governador– Marco Aurélio, secretário estadual da Fazenda, que ficou rico e se mudou para os Estados Unidos, e Marco Antônio, que virou conselheiro do Tribunal de Contas e foi preso recentemente e logo depois libertado.

O CÚMPLICE – Quando Cabral foi eleito governador em 2006, trouxe como vice a figura meio desconhecida de Luiz Fernando Pezão, que tinha sido prefeito em Piraí e ganhara alguma visibilidade por ter implantado projetos de informática na cidade.

Pezão viria a se transformar no principal cúmplice de Cabral, porque assumiu a Secretaria de Obras, responsável pelo esquema de propinas dos empreiteiros. Foi um verdadeiro festival. Pezão também enriqueceu, porém é mais discreto e comprou apenas dois apartamentos – um no Leblon, para morar perto de Cabral, e outro em Laranjeiras, próximo ao Palácio Guanabara.

A Polícia Federal já tem provas abundantes do envolvimento de Pezão com a quadrilha de Cabral. O relatório da PF que acaba de divulgado, confirma “informações que podem servir de elementos probatórios que vinculam o governador Luiz Fernando Pezão a integrantes da organização criminosa chefiada pelo ex-governador Sérgio Cabral”.

PERÍCIA NO CELULAR – A afirmação da PF está no documento relativo à perícia feita no celular de Luiz Carlos Bezerra, incriminado como operador de Cabral. As mensagens mostram a total intimidade entre Bezerra e Pezão.

Preso em novembro do ano passado na Operação Calicute, a mesma que incriminou Cabral, o operador Bezerra tenta fazer delação premiada e nos últimos meses passou a colaborar com os investigadores. Ele já é réu confesso e sonha em diminuir a pena, oferecendo informações contra Cabral, Pezão e os integrantes da chamada “quadrilha do guardanapo branco”.

Pezão já foi cassado pelo Tribunal Regional Eleitoral e só continua no poder porque recorreu ao TSE. Pretende deixar o governo em abril de 2018 e se candidatar a deputado, para ter foro privilegiado e atrasar os processos criminais que serão abertos contra ele.

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PS
Se Pezão não tivesse foro privilegiado como governador, já estaria fazendo companhia ao chefe Cabral na cadeia de Benfica. Mas é apenas uma questão de tempo, porque o Supremo logo vai mudar a sistemática do foto privilegiado e Pezão terá de responder a processo na primeira instância, mesmo se for eleito deputado federal. (C.N.)

Validade da delação da JBS é mais uma derrota para Michel Temer

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Charge do Jota A (Portal O Dia/PI)

Pedro do Coutto

Os jornais desta quinta-feira, O Globo, Folha de São Paulo e o Estado de São Paulo, anteciparam a decisão final do STF de manter a validade das delações do grupo JBS, encabeçadas por Joesley Batista, contra o presidente Michel Temer. No Globo a reportagem é de Carolina Brígido e André de Souza. O ministro Edson Fachin e o ministro Alexandre de Moraes votaram pela manutenção da validade das revelações, o que sinalizava para aprovação final desta tendência pelo plenário da Corte Suprema. Escrevo este artigo antes do final da sessão, mas vale acentuar que o ministro Alexandre Moraes votou pela manutenção e também pela permanência de Edson Fachin como relator do processo.

Com esse voto, Alexandre Moraes, indiretamente, assinalou sua independência como magistrado, isso porque seu voto foi contrário à tese da defesa do presidente da República. Alexandre Moraes foi nomeado por Michel Temer para o STF.

MENOS ESPAÇO – Na Folha de São Paulo a reportagem é de Letícia Casado e Reynaldo Turollo Júnior. No Estado de São Paulo assinam a matéria Breno Pires, Rafael Moura e Beatriz Buila. O fato é que a decisão projetada retira ainda mais espaço para atuação política de Michel Temer. Com isso vão se acumulando dificuldades. Uma delas – matéria de Eduardo Bressiani, O Globo – ressalta novo depoimento de Joesley Batista, na parte em que se refere ao fato de Michel Temer ter-lhe indicado o advogado José Yunes pata representar a empresa num conflito judicial. Um conflito em torno do qual existia a perspectiva de um montante de 50 milhões de reais.

A presidência da República contesta o fato, porém o caso envolvia a perspectiva de um financiamento do BNDES, não concretizado, relativo a um projeto para aquisição de uma usina termoelétrica da Petrobrás. Joesley Batista, no depoimento, inclui a participação de Rocha Loures nas articulações que terminaram não dando certo. Não deram certo no plano econômico financeiro. Mas deram errado no plano de um comprometimento político administrativo.

CENÁRIO NEGATIVO – Este passou a ser o cenário negativo com o qual o presidente Michel Temer terá de se defrontar a partir desta sexta-feira que marca seu retorno ao país depois da viagem à Russia e à Noruega. Não será tarefa fácil, porque as provas de seu relacionamento com Joesley Batista vão sendo empilhadas na consciência da opinião pública e também nas decisões da Suprema Corte.

Reflexos no Congresso Nacional já começaram a se fazer sentir. As reformas trabalhista e previdenciária, principalmente esta, estão sendo objeto de adiamentos.

Adiar as reformas é um fato que diz respeito ao projeto econômico – e político – do ministro Henrique Meirelles. O que parece inadiável é o desfecho da crise que abala o poder no Brasil.

Supremo abre novo inquérito contra Aécio Neves por lavagem de dinheiro

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Charge do Mariano (Charge Online)

Deu na Agência Brasil

O ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou nesta quinta-feira, dia 22, a pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR), a abertura do segundo inquérito contra o senador afastado Aécio Neves (PSDB-MG) com base na investigação iniciada após a delação do Grupo J&F e ampliada na Operação Patmos. O novo caso aberto é para apurar supostos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Fora esta nova investigação, Aécio Neves já foi denunciado pela PGR pelos crimes de corrupção passiva e obstrução de justiça.

Quando pediu o novo inquérito, a PGR apontou necessidade de investigar três pontos: “o pagamento de propina da ordem de mais de R$ 60 milhões feito em 2014 ao parlamentar por meio da emissão de notas fiscais frias a diversas empresas indicadas por ele”, o pagamento a diversos partidos para apoiarem a candidatura à Presidência da República em 2014, e “o pagamento de dinheiro em espécie feito diretamente a Frederico Pacheco de Medeiros, primo do Senador e por este indicado para receber os valores”.

SUPERFATURAMENTO – Janot também diz que Aécio Neves, depois de passada a campanha eleitoral de 2014, procurou Joesley Batista pedindo recursos financeiros, e o delator teria concordado em comprar um imóvel superfaturado por R$ 17 milhões por uma pessoa indicada por Aécio, a fim de que o dinheiro chegasse ao senador afastado. “Mister, assim, a continuidade das investigações, para desvelamento completo de tais fatos”, disse Janot.

O procurador-geral também havia apontado que existem “fortes indícios” de lavagem de dinheiro relacionados a empresas do senador Zezé Perrella (PMDB-MG). A Tapera Participações, que está em nome do filho do parlamentar, foi a destinatária de parte dos R$ 2 milhões entregues pela JBS a Aécio, sustenta Janot. O repasse foi filmado e gravado em ação controlada da Polícia Federal.A partir da decisão de Marco Aurélio, será gerado um novo número de inquérito e, nele, a PGR poderá pedir providências, o que ainda não foi feito.

DENÚNCIA INICIAL – Em nota, a defesa do senador Aécio Neves disse que recebe a informação com naturalidade por se tratar de desdobramento da denúncia inicial. “A investigação demonstrará que não se pode falar em lavagem ou propina, pois trata-se de dinheiro de origem lícita numa operação entre privados, portanto sem envolver recurso público ou qualquer contrapartida. Assim, não houve crime”, disse o advogado Alberto Zacharias Toron.

Também nesta quinta-feira, dia 22, Marco Aurélio Mello decidiu desmembrar o inquérito em que Aécio já está denunciado, para que seja encaminhada à primeira instância a denúncia aos outros três envolvidos no caso, Andrea Neves, Frederico Pacheco de Medeiros e Mendherson Souza Lima. A denúncia seguirá para a Justiça Federal de São Paulo, Estado onde os crimes denunciados teriam ocorrido.

Esta decisão atende ao pedido da defesa de Andrea Neves, que alegou que os investigados não detêm prerrogativa de foro no STF. “Consideramos que a decisão está ajustada à jurisprudência do próprio Supremo”, diz a defesa de Andrea.

Políticos denunciados cogitam outros cargos para manter o foro privilegiado

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Pimentel já sabe que não conseguirá se reeleger

Luiza Muzzi
O Tempo

Levantamento recente da “Folha de S.Paulo” mostrou que a maioria de deputados e senadores investigados pela Lava Jato pretende tentar a reeleição ou se candidatar para algum outro cargo em 2018. Nomes importantes do cenário político estariam entre os que já cogitam a “mudança de apetite” para vagas mais modestas, como estratégia para permanecer no poder.

Alvo de investigações, o governador Fernando Pimentel (PT), por exemplo, pode optar por não tentar reeleger-se, apostando no Senado. O senador afastado Aécio Neves (PSDB), por sua vez, depois de tentar a Presidência em 2014, hoje tem um futuro totalmente incerto. Aécio responde a seis inquéritos e já aventa a possibilidade de se candidatar a deputado federal.

CASAL GAROTINHO – Outros antigos conhecidos do eleitorado, que hoje não detêm prerrogativa de foro, podem tornar-se candidatos. É o caso dos ex-governadores Anthony Garotinho e Rosinha Garotinho, que, depois de citados nas delações da Odebrecht, passaram a fazer planos para 2018. O senador Lindbergh Farias (PT-RJ) vai cair de turma e disputar um mandato de deputado federal.

Mesmo com todos os esforços, porém, a cientista política  Maria do Socorro Braga acredita que políticos tradicionais, atolados em denúncias, terão dificuldade para garantir mandatos. Em sua análise, a tendência é por uma maior renovação no Legislativo: “Devemos ter quadros mais jovens, perfis do empresariado, gestores que carregam a bandeira de não serem políticos”.

O cientista político Lucas Cunha avalia, contudo, que ainda que os rostos mudem, a crise política não será solucionada, se as elites partidárias não se renovarem em termos de comportamento político.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGQuerer não é poder. Ao que tudo indica, o foro privilegiado passará a se referir apenas a processos iniciados durante o mandato eletivo, jamais por denúncias acolhidas anteriormente. E os processos correrão em primeira instância também no caso de governadores como Pimentel, Pezão, Perillo, Richa & Cia, que por enquanto estão sendo processados no Superior Tribunal de Justiça. (C.N.)

Impunidade nos partidos é símbolo da crise política, dizem cientistas políticos

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Charge do Clauro (Arquivo Google)

Mariana Timóteo da Costa e Sérgio Roxo
O Globo

A impunidade nos partidos, identificada pela constatação de que PP, PT, PMDB e PSDB têm quase cem investigados na Lava-Jato mas só abriram processos disciplinares em dois casos, é reveladora da crise do sistema político. Os cientistas políticos Fernando Abrucio, da FGV de São Paulo, e Carlos Melo, do Insper, avaliam que há um clima de ‘é assim mesmo’ na sociedade que colabora para o fortalecimento de oligarquias dentro das legendas

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ABRUCIO: ‘PARTIDOS CRIARAM OLIGARQUIAS’

Os partidos pouco fazem em relação aos seus filiados citados na Lava-Jato. Por que isto ocorre?
Se houvesse um desvio de conduta individual, sobretudo PT e PSDB, acho que esses partidos levariam adiante (alguma tomada de providência), como o PT fez no caso do André Vargas e do Delcídio (do Amaral). Mas o que está em jogo hoje é um conjunto de ações que não foram individuais, foram ações que envolveram financiamento para os partidos, que envolveram financiamento de campanhas, com envolvimento de toda cúpula partidária, o que dificulta muito que haja alguma punição.

No caso do Aécio ele foi candidato à Presidência e presidente do partido…
E isso não é à toa. Acho que em todos esses episódios teria que se punir a cúpula partidária. E se você olhar bem a cúpula partidária dos principais partidos é praticamente a mesma há 20 anos. Tem pequenas mudanças, mas o fato é que os grandes partidos se fecharam e criaram fortes oligarquias internas que dificultam outros grupos dentro do partido a acessar a cúpula partidária.

E qual o modelo ideal de partidos ao qual ainda não chegamos?
A democracia intrapartidária é muito pequena. Os partidos quase não mudam sua composição de diretórios nacionais, os caras ficam na direção de partido por décadas. (Michel) Temer ficou no PMDB, Rui Falcão no PT. Precisa aumentar a democracia interna, porque aí se tem mais competição e mais controle sobre a cúpula partidária. Os grandes partidos ingleses, por exemplo, quando têm uma grande crise, eles derrubam a cúpula partidária. Vai tentar fazer isso no Brasil! A renovação do comando é baixa, não consegue haver espaço para que minorias questionem, isso mudaria toda a posição em relação a punições. O caso do PSDB agora é impressionante, grande parte da base quer deixar o governo, mas a cúpula não quer, porque a cúpula fez uma aliança de vida ou morte com o PMDB. Chegamos a um ponto que, se não houver renovação dos partidos, eles serão renovados pelos eleitores. O custo para o PSDB por essa manutenção no governo Temer é alto demais. Acho que o FH já percebeu esse desastre. A cúpula dos partidos brasileiros não quer sair do poder, está esperando o eleitor tirar ela de lá.

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MELO: ‘NÃO DÁ PARA SAIR POR AÍ EXPULSANDO’

Por que é tão difícil partidos punirem malfeitos?
Os casos de corrupção não são só individuais, envolvem financiamento de campanha. Um político não tem poder para indicar um diretor de estatal sozinho, um partido tem poder porque ele tem uma bancada, que vai defender milhares de interesses diferentes. É claro que a corrupção tem nome e sobrenome, mas muitas das vezes essas pessoas operam em nome do partido, ainda que tenham enriquecido pessoalmente, existe uma distribuição que passa pela cúpula do partido e pelas eleições.

Há saída para esta crise?
O país precisa fazer reformas, a relação das empresas com o Estado precisa ser revista, você precisa ter uma reforma política, precisa discutir novamente o financiamento de campanha, não dá para simplesmente sair por aí só prendendo e expulsando indivíduos. É claro que eles têm que ser presos, mas precisa também haver reforma que mexa com a a estrutura partidária, que mexa com os partidos e mude a concepção de campanha eleitoral. Isso aí o sistema não está muito interessado em fazer. Não é só o sistema eleitoral que precisa ser envolvido nessas reformas, não apenas o TSE. A Receita Federal que acompanha movimentações financeiras também precisa agir, a mudança passa por toda uma estrutura. A solução precisa ser sistêmica, não apenas individual.

Como dar uma solução sistêmica se os partidos são comandados, há anos, pelas mesmas pessoas?
Quando a sociedade acha que a política é coisa de malandros, a malandragem agradece. Está faltando sociedade aí, estamos olhando para tudo isso embasbacados, achando que é assim mesmo. Mas a sociedade pode transformar as coisas; os partidos políticos ficaram com medo das manifestações de 2013, com as manifestações pelo impeachment. Por que agora a população se cala? Não sei responder a isso. Só sei que quem vota não é o Aécio, o Lula ou a Dilma, quem vota são as pessoas. Esse sistema é resultado do voto. A sociedade precisa parir novas lideranças. Se essas lideranças serão mais parecidas com Emmanuel Macron (presidente francês, que criou um movimento novo) ou Donald Trump (que chegou ao poder via um partido tradicional), é do jogo. Se a coisa continuar sendo um problema de desajuste só entre os políticos, vamos continuar na crise.

Janot pedet investigação de ex-ministros do PT e depoimentos de Lula e Dilma

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Três ex-ministros petistas entraram na alça de mira

André de Souza
O Globo

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pediu nesta quinta-feira que 11 pessoas, incluindo os ex-ministros petistas Guido Mantega, Antonio Palocci e Edinho Silva, sejam investigados no inquérito aberto no Supremo Tribunal Federal (STF) para apurar a compra de apoio de partidos políticos à campanha da ex-presidente Dilma Rousseff. Filiada ao PT, ela foi reeleita em 2014 com o apoio de outros oito partidos: PMDB, PDT, PCdoB, PP, PR, PSD, PROS e PRB. Janot solicitou também a realização de depoimentos de nove pessoas, entre elas a própria Dilma e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A decisão de aceitar ou não os pedidos caberá ao ministro Edson Fachin, relator dos processos da Lava-Jato no STF.

O inquérito foi aberto com base na delação premiada de executivos da Odebrecht e já tinha como investigado o atual ministro da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, Marcos Pereira. Em 2014, ele presidia o PRB, partido que apoiou a chapa vitoriosa, composta pela ex-presidente Dilma Rousseff e seu vice, Michel Temer, que assumiu o cargo após o impeachment da titular.

MARQUETEIRO – Segundo Janot, a delação do marqueteiro João Santana, que tocou a campanha de Dilma, trouxe novos elementos.

Janot pediu ainda a inclusão de outras oito pessoas como investigadas, entre elas João Santana. Completam a lista: Manoel de Araújo Sobrinho, que já foi assessor de Edinho; o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto, atualmente preso; Eurípedes Júnior e Salvador Zimbaldi Filho, do PROS; Marcelo de Oliveira Panella e Carlos Lupi, do PDT; e Fábio Tokarski, do PCdoB.

Os delatores apontaram que Edinho, então tesoureiro da campanha, solicitou que a Odebrecht pagasse R$ 7 milhões diretamente aos presidentes de PROS, PRB, PCdoB, PDT e PP para que eles se coligassem. Com isso, o tempo de TV de Dilma, calculado com base no tamanho das bancadas de deputados dos partidos que a apoiassem, aumentaria. Edinho é atualmente prefeito de Araraquara, no interior de São Paulo.

MAIS DEPOIMENTOS – Além de Lula e Dilma, Janot pediu o depoimento de sete pessoas: o ex-presidente do PT Rui Falcão; Giles Azevedo, ex-chefe de gabinete de Dilma; o ex-ministro petista Aloizio Mercadante; a ex-secretária da Odebrecht Maria Lúcia Tavares; a empresária Mônica Moura, mulher de João Santana; e duas ex-secretárias de Edinho Silva, identificadas pelos nomes Elenice e Juliana.

Janot também pediu o “levantamento de registros de reuniões e encontros realizados entre colaboradores e investigados nas datas e nos locais especificados em todos os Termos de Colaboração objeto da presente investigação”. Por fim, solicitou mais 60 dias para conduzir as investigações.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGNão se trata mais de caixa 2, mas de compra de apoio de partidos em coligações eleitorais. O depoimento mais importante será de Maria Lúcia Tavares, que trabalhava no “Departamento de Propinas” da Odebrecht, oficialmente denominado Setor de Operações Estruturadas. Ela se dedicava tanto ao serviço que sequer tirava férias. (C.N.)

Confirmado: ministros do Supremo aprovam a validade da delação da JBS

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Charge do Borega (Tribuna Feirense)

Deu na Agência Brasil

Os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) Luís Barroso, Rosa Weber, Luiz Fux e Dias Toffoli votaram hoje (dia 22) pela validade das delações premiadas da JBS, homologadas pelo ministro Edson Fachin. No mesmo voto, os ministros também se manifestaram a favor da manutenção de Fachin como relator das delações.

Com o voto dos ministros, o placar pela validade das delações e a manutenção da relatoria com Fachin está em 6 votos a 0. Em seguida, devem votar Gilmar Mendes, Ricardo Lewandowski, Marco Aurélio, Celso de Mello e a presidente, Cármen Lúcia.

LEGALIDADE DO ACORDO – Ontem, no primeiro dia de julgamento, somente dois ministros proferiram seus votos. Alexandre de Moraes acompanhou o entendimento do relator, Edson Fachin. Para os ministros, na fase de homologação, cabe ao Judiciário verificar somente a legalidade do acordo, sem interferência nos benefícios da delação e nas declarações dos investigados ao Ministério Público.

O julgamento foi motivado por uma questão de ordem apresentada pelo ministro Edson Fachin, relator dos processos que tiveram origem nas delações da empresa. Os questionamentos sobre a legalidade dos acordos da JBS foram levantados pela defesa do governador de Mato Grosso do Sul, Reinaldo Azambuja, um dos citados nos depoimentos dos executivos da empresa. A defesa contesta a remessa do processo a Fachin, além dos benefícios concedidos ao empresário Joesley Batista, um dos donos da JBS.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Mais uma derrota fragorosa para o governo Temer, lembrando que é muito difícil se chegar a um placare d 6 votos a 0, que define logo o placar, antes mesmo de os demais ministros votarem. O governo está encurralado pelos acontecimentos, nem é preciso a oposição se manifestar. (C.N.)

Desigualdade aumenta e apenas 1% da população global já tem 45% da riqueza

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Charge do Lane (chargesdolane.blogspot.com)

Deu na Bloomberg News

Em todo o mundo, o número de milionários e bilionários está crescendo. Apesar do crescimento mais lento da economia global, os ricos ficaram ainda mais ricos. São quase 18 milhões de famílias que possuem mais de US$ 1 milhão, segundo o último relatório do Boston Consulting Group (BCG). Os ricos representam apenas 1% da população mundial, mas detêm 45% da riqueza de US$ 166,5 trilhões do planeta. Segundo o BCG, até 2021, eles vão controlar mais da metade da riqueza mundial.

Para analistas, o crescimento da desigualdade não é uma surpresa na medida em que, nas últimas décadas, os ricos têm concentrado as maiores fatias de renda — especialmente nos Estados Unidos, onde os lucros das empresas atingiram recordes, enquanto os salários dos trabalhadores permanecem estagnados.

RIQUEZA EM ALTA – Hoje, há cerca de 7 milhões de americanos com mais de US$ 1 milhão, e o BCG espera que o número de milionários alcance os 10,4 milhões até 2021 nos Estados Unidos. Essa é uma taxa de crescimento anual de 8%, ou cerca de 670 mil novos milionários a cada ano.

Os milionários são muito mais raros no resto do mundo do que nos Estados Unidos, onde 5,7% das famílias possuem mais de US$ 1 milhão em ativos. Os únicos países com maior concentração de milionários são nações muito menores, como Bahrein, Liechtenstein e Suíça. A China tem o segundo maior número de ricos, com 2,1 milhões, embora sua população seja quatro vezes maior que a americana.

DESDE REAGAN – O aumento da renda para aqueles que fazem parte do 1% mais ricos nos Estados Unidos mais do que duplicou nos últimos 35 anos, depois de cair nas décadas após a Segunda Guerra Mundial, quando eles foram altamente tributados. A maré mudou na década de 1980, sob o regime do presidente republicano Ronald Reagan, uma década na qual os americanos viram os impostos caírem para os ricos, ao mesmo tempo em que a Bolsa de Valores batia recordes de alta.

Agora, essas políticas ajudaram a colocar 63% da riqueza privada dos Estados Unidos nas mãos de milionários e bilionários do país, de acordo com o relatório do BCG. Em 2021, sua participação na riqueza da nação aumentará para cerca de 70%.

ATIVOS FINANCEIROS – Globalmente, metade da nova riqueza vem dos ativos financeiros, a partir do aumento dos preços das ações ou rendimentos em títulos e depósitos bancários. O resto vem do que o BCG classifica como “nova criação de riqueza”, ou seja, de pessoas que economizam dinheiro que ganharam por meio do trabalho ou empreendedorismo.

Nos Estados Unidos, a “nova criação de riqueza” tem um peso bem menor e representou só 28% do aumento de renda do país em 2016. E o novo cenário político pode aumentar ainda mais o enriquecimento dos milionários americanos. Após as eleições de 2016, o rendimento das ações no país aumentou, uma vez que os investidores esperam que o presidente Donald Trump e um Congresso republicano adotem políticas de redução de impostos para empresas e para os cidadãos mais ricos do país.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Este artigo da Blommberg é revoltante. Só pode ter sido escrito por comunistas, que vivem a procurar falhas no capitalismo. Todo mundo sabe que é preciso crescer o bolo, para depois dividir, como ensina o professor Delfim Netto, aquele que recebia propina da Odebrecht. O artigo marxista deveria explicar que o problema é que os pobres e os comunistas não têm paciência para esperar o bolo crescer. A partir de hoje, esta agência marxista Bloomberg não mais terá esse tipo de matéria alarmista reproduzido aqui no blog. (C.N.)

O que o filme ‘Ladrões de Bicicleta’ nos ensina sobre a sociedade brasileira

Imagem relacionadaMilena Buarque
Gazeta do Povo

Ao se digitar as palavras “ladrão” e “bicicleta”, juntas, em qualquer ferramenta de buscas na web nos últimos dias, dois conteúdos distintos aparecem logo na primeira página. O primeiro é o caso de um adolescente, de 17 anos, que tentou furtar uma bicicleta, e teve a testa tatuada com a frase “eu sou ladrão e vacilão” como punição. O outro é o de um pai de família que na década de 1940, após ter sua bicicleta roubada, único meio de sustento e de trabalho, sai para procurá-la pela cidade ao lado de seu filho.

“Nossa, vai ser muito bom isso! E vai doer!”, é o que dizem Maycon Wesley Carvalho dos Reis e Ronildo Moreira de Araujo no momento em que tatuam e filmam o adolescente, dependente químico e com distúrbios comportamentais, na região central de São Bernardo do Campo (SP), na última sexta-feira (9). “Canalha! Não tem vergonha?”, ouve o italiano Antonio Ricci aos tapas e pontapés, após tentar furtar uma nova bicicleta para substituir a antiga.

Resultado de imagem para vacilão tatuadoALGO EM COMUM – Em comum, nos dois casos, os donos originais dos veículos colocam-se no meio da turba da acusação e da absolvição, optando por esta última: Ademilson de Oliveira, de 31 anos, deficiente físico, condenou a atitude do tatuador e do comparsa ao dizer que “não consegui dormir pensando nisso. Fui dormir com medo, meu coração apertado”. “Solte-o! Deixe para lá”, por outro lado, é o que diz o italiano sobre o ato de Ricci.

O movimento neorrealista italiano da década de 1940 caracteriza-se pelo uso de elementos da realidade em uma peça de ficção. Atingindo sua maior expressão no cinema, assumiu características que beiram o documental. Pessoas anônimas, não atores, eram escaladas para filmes que se firmaram como grandes clássicos do cinema mundial. Um deles, precursor do movimento, é o que tem como trama a vida de Antonio Ricci e de sua bicicleta roubada. “Ladrões de Bicicleta” (no original, “Ladri di Biciclette”) é dirigido por Vittorio De Sica, um dos expoentes do cinema italiano.

ENFIM, UM EMPREGO – Na crueza do pós-guerra, em 1948, Ricci (Lamberto Maggiorani), pai de família, consegue uma vaga de emprego como colador de cartazes. Para atingir as exigências, no entanto, ele precisa de uma bicicleta. Penhorada para comprar comida, sua esposa Maria (Lianella Carell) resolve fazer a troca para retirar o veículo. Um dia, enquanto trabalhava, ela é levada.

Desesperado com a possibilidade da perda do sustento de sua família, Ricci e o filho Bruno (Enzo Staiola), sem apoio de amigos e da polícia, saem em busca da bicicleta. Um dos maiores méritos da narrativa singela de De Sica está em atingir a capacidade de julgamento moral dos espectadores.

Passa-se grande parte do filme não só torcendo para que a justiça seja feita, para que o pai consiga sua bicicleta de volta, mas também nutrindo certo sentimento de repulsa – para não dizer ódio – pelo responsável por tanto sofrimento à família Ricci. Afinal, Antonio precisa daquele meio de transporte.

OUTRA BICICLETA – Contudo, em uma das cenas mais belas e emocionantes do cinema italiano, quando o pai tenta realizar a mesma ação do ladrão, passa-se a almejar o êxito de Antonio. Ali, torna-se importante – e moralmente compreensível, é preciso confessar – que ele consiga roubar uma nova bicicleta. O título, provocativo, fala de ladrões de bicicleta. No plural.

O jogo reflexivo proposto por Vittorio De Sica acerca da moralidade presente nos mesmos feitos, com circunstâncias e desígnios distintos, segue atual e emblemático para a psique humana. A partir do momento em que o adolescente tem a testa tatuada, falando dos dias de hoje, a sociedade arma e percorre por si mesma uma espiral de violência que antecipa o processo legal e judicial.

LEI DE TALIÃO – Nossos impulsos mais primitivos, e a sede por se fazer justiça, reeditam e modernizam a lei de Talião: o castigo deve ser dado na mesma proporção do dano causado. As mídias sociais, como uma grande ciranda, auxiliam e insuflam os ânimos, a cada linchamento.

Sabe-se agora, por exemplo, que um dos dois homens presos no episódio da tortura ao jovem de 17 anos já cumpriu pena por roubo. A discussão parece mesmo escapar de seu ponto mais elementar: o absurdo da tortura, não tolerada sob qualquer circunstância.

Se no abismo social dos pós-guerra, o diretor italiano reflete a respeito da flexibilização da moralidade diante da necessidade, De Sica também incorre justamente nos dias de hoje: será que Ricci seria considerado vítima da sociedade? Aliás, qual Ricci? O que tem a bicicleta furtada ou o que resolve obter uma que não é sua?

Piada do Ano: Juros são altos no Brasil por causa do déficit da Previdência Social

Alexandre Morais

Caetano, secretário da Previdência, criou a piada

Deu em O Tempo

O secretário da Previdência Social do Ministério da Fazenda, Marcelo Caetano, voltou a afirmar que o Congresso é soberano na tramitação da reforma, tanto no tempo quanto no conteúdo. O secretário afirmou ainda que o governo trabalha com a aprovação da reforma como um todo em agosto.

Ele reforçou o discurso do governo de que a reforma que visa a alterar as regras da aposentadoria é essencial para melhorar a economia brasileira. Em reportagem do jornal Diário de Pernambuco, Caetano afirmou que a reforma, se aprovada, terá impacto imediato na vida das pessoas, além de dar mais sustentabilidade às aposentadorias no futuro.

“O próprio presidente do Banco Central tem dito que a queda da taxa de juros é afetada pela reforma da Previdência, aí que vem o efeito na vida das pessoas não só da Previdência, mas de um conjunto de reformas”, destacou.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Há controvérsias, diria Francisco Milani, porque a prioridade número 1 do governo é salvar o mandato do presidente Michel Temer. No Planalto, já faz tempo que ninguém se preocupa em governar, a única preocupação é diminuir a sangria. A reforma da Previdência desperta forte reação também entre a base aliada. O secretário Marcelo Caetano, que até recentemente trabalhava também como consultor de uma entidade de previdência privada, não se importa em inventar lorotas para enfraquecer a Previdência Social. Essa história de o presidente do BC dizer que a crise da Previdência afeta a taxa de juros só pode ser encarada como Piada do Ano, mas é uma piada de péssimo gosto. Marcelo Caetano trabalha para Henrique Meirelles, que trabalha para os banqueiros. (C.N.)

Planalto demitirá indicados por senadores que votaram contra reforma trabalhista

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Helio José, do PMDB, já virou oposicionista

Daniela Lima
Folha

A demissão de dois apadrinhados do senador Hélio José (PMDB-DF) foi apenas o primeiro tiro de advertência lançado pelo governo para sua base, após derrota da reforma trabalhista em comissão do Senado. Nesta quarta (21), o Planalto começou a mapear outros cargos ocupados por indicados do peemedebista e também pelo PSDB e PSD, num aviso de que os votos contrários às novas regras dados por Eduardo Amorim (PSDB-SE) e Otto Alencar (PSD-BA) também serão retaliados.

O governo está disposto a fazer das represálias à derrota da reforma trabalhista na Comissão de Assuntos Sociais um caso exemplar. Avisa que novos cortes podem ser feitos a depender do comportamento da base na Comissão de Constituição e Justiça e no plenário.

PULSO FIRME – Deputados que votaram e fizeram campanha para aprovar a reforma na Câmara foram ao gabinete do ministro Moreira Franco (Secretaria-Geral da Presidência) cobrar “pulso firme” do Planalto em relação aos traidores do Senado.

Os ataques de Hélio José (PMDB-DF) ao governo depois da demissão de seus afilhados irritaram o Planalto. Houve quem defendesse sua expulsão do PMDB. A direção da sigla não quer, ainda, entrar nessa discussão.

O PMDB monitora também o comportamento do senador Ronaldo Caiado (DEM-GO). Contrário à reforma, ele tem articulado o que chama de “manifesto suprapartidário dos parlamentes nem-nem”: nem Michel Temer, nem Lula.

FAROESTE CABOCLO – Aliados do presidente Michel Temer defendem que ele anuncie o substituto de Rodrigo Janot na PGR assim que receber o resultado da eleição interna, dia 27 de junho. Acham que o movimento pode desviar as atenções e enfraquecer o atual procurador-geral.

E em busca de uma agenda positiva, o Planalto anuncia nesta quinta-feira (dia 22) o empresário Jorge Gerdau e a ex-ministra de Indústria Dorothea Werneck como membros do Conselho Nacional para a Desburocratização — Brasil Eficiente. Eliseu Padilha (Casa Civil) coordena os trabalhos do conselho. Juliana Nolasco, gerente de relações governamentais do Google, também estará no colegiado.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGO Planalto acha que a solução é ameaçar e retaliar os aliados. Mas esse tipo de estratégia nunca dá certo. A melhor alternativa é conversar, esquecer o passado e mirar o futuro. Quanto à “agenda positiva” com Padilha à frente, deve ser Piada do Ano. (C.N.)

Legado da reforma: Pastores recriam previdência privada para atrair evangélicos

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Ilustração do Manga (Arquivo Google)

Deu em O Tempo

“Evangélicos são fiéis aos seus comandos. Não possuem vícios que os obrigam a consumir supérfluos como cigarros, bebidas e drogas. Esforçam-se para manter seus nomes em situação confortável nos cadastrados financeiros.” Ah, sim: e já são 30% do país, o que dá mais de 60 milhões de brasileiros. Não dá para ignorar um mercado fiel com esse. O trocadilho é por conta da casa – nesse caso, o Instituto Brasileiro Evangélico de Memória Pastoral (Ibemp), criado por Lemim Lemos, 74, para gerir o BemPrev, um fundo de pensão voltado a cristãos.

Pastor da Igreja Batista, ele anunciou seu plano a outros líderes religiosos no Rio, na última segunda-feira, dia 12. “Nossa intenção é virar o maior fundo de previdência privada do Brasil”. Ouve-se um “amém!” na sala. Vice-presidente do Ibemp, o pastor Flávio Lima, 72, diz que “a previsão no primeiro semestre é alcançar 150 mil afiliados. A ideia é, em dois anos, termos mais de um milhão”.

DOIS FRACASSOS – Hoje, são 13 milhões de brasileiros com alguma previdência complementar, segundo a Federação Nacional de Previdência Privada e Vida. O BemPrev é um sonho antigo – e já naufragou duas vezes. A primeira nos anos 1950 e a mais recente em 2013 – a postergação se deveu a “dificuldades de natureza técnica”, segundo Lemos.

O projeto atual está com a Superintendência de Seguros Privados (Susep), que gere previdências abertas a qualquer pessoa física ou jurídica. “Qualquer um mesmo”, frisa o pastor. Até a Igreja Católica está listada como potencial cliente no Ibemp, entre gigantes evangélicos como Universal e Deus É Amor. Ele diz que o presidente de uma associação espírita lhe sondou para saber se sua religião era bem-vinda. Respondeu que sim.

A contribuição mensal mínima será de R$ 50, com “taxas de administração mais competitivas” do que as cobradas no meio, diz Gabriel Escabin, da Globus Seguros. A corretora comercializará os produtos previdenciários do Ibemp, que serão geridos pela Mapfre e outras seguradoras.

O Ibemp cobrará do beneficiário ainda R$ 25 por mês, por um “cartão de vantagens” que dará descontos em redes varejistas. Entre as parcerias já fechadas, estão farmácias e uma ótica em Vitória (ES).

Era só o que faltava: Loures usou jatinho da FAB para receber a mala de dinheiro

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Loures estava sendo grampeado 

Deu em O Tempo

O ex-deputado e ex-assessor especial do presidente Michel Temer Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR) usou um jatinho da Força Aérea Brasileira e dinheiro da cota parlamentar para se deslocar de Brasília a São Paulo e pegar a mala com R$ 500 mil em dinheiro vivo da JBS, que seriam propina destinada a Temer, segundo a delação dos irmãos Batista, donos da empresa. A informação consta no inquérito aberto para apurar o envolvimento do presidente com corrupção e foi divulgada pelo site de notícias BuzzFeed.

Em ligações interceptadas pela Polícia Federal (PF), Loures pede à secretária parlamentar Alessandra Serrazes para marcar sua viagem para São Paulo. O telefonema ocorreu às 9h09 do dia 27 de abril. Rocha Loures disse que tinha um jantar no Estado e que o ideal seria embarcar por volta das 18h. A assessora, então, fez referência a um voo da FAB reservado pelo ministro da Ciência, Tecnologia e Comunicações, Gilberto Kassab (PSD).

DE CARONA – No grampo, Rocha Loures concorda em pegar carona no jatinho: “É, mantém o voo lá com o Kassab, mas imediatamente veja se tem alguma outra opção, porque o ideal pra mim era sair daqui às seis da tarde”.

Segundo o site BuzzFeed, os registros da Câmara mostram que o gabinete de Rocha Loures emitiu uma passagem de Brasília a São Paulo naquele dia por R$ 1.416,79 em nome do deputado, mas Loures acabou indo a São Paulo no jatinho da FAB, com Kassab. “Verifica-se nos registros da FAB que ocorreu um trecho com o ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações às 19h de Brasília para São Paulo, motivo ‘serviço’ e com previsão de sete passageiros, pousando no destino às 20h55, condizente com o que o deputado narrou no último diálogo apresentado”, diz relatório da PF

VERBA DA COTA – A volta a Brasília, porém, foi paga com a cota parlamentar e ocorreu no dia seguinte, após Rocha Loures pegar a mala com os R$ 500 mil com o executivo da JBS Ricardo Saud, em uma pizzaria em São Paulo. Por volta das 18h30 daquela data, o ex-assessor de Temer foi filmado recebendo a mala.

Fora o bilhete de ida, registros da Câmara mostram outros dois comprados em 27 de abril pelo gabinete do então deputado, mas ele só usou um. Segundo o BuzzFeed, a Câmara gastou R$ 2.765,59 com as três passagens aéreas: uma de ida à capital paulista e duas de volta a Brasília – uma delas não foi utilizada.

Anotações em um celular antigo de Loures sugerem que ele negociou sua indicação para cargos na Caixa e em Itaipu. A Polícia Federal (PF) suspeita que os textos são do final de 2014. Em uma das anotações, Loures escreve uma mensagem a Temer dizendo ter obtido apoio do então presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves, para a vaga de vice-presidência de Fundos e Loterias da Caixa. “Michel, acabo de ter ótima conversa com Henrique. Pedi a ele apoio para permanecer em Brasília. Ele concordou e sugeriu a VP da Caixa, ocupada anteriormente pelo Moreira. Ressaltou-me que, pelo meu perfil e estilo, posso ajudá-lo e apoiá-lo (agora e no futuro)”, escreveu o ex-assessor.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGComo dizia o Barão de Itararé, era só o que faltava… Além disso, o taxista Daniel Rosa Pile, que transportou Loures em SP em 28 de abril, contou à PF que o ex-deputado disse que ia pegar “a mala de um amigo” numa pizzaria antes de ir ao aeroporto. Mas agora a PF está atenta para tudo não acabar em pizza. (C.N.)

O Globo confirma notícia da TI sobre a demissão da ministra Grace, da AGU

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Temer nem atende mais os telefonemas da ministra

Catarina Alencastro
O Globo

Acuado pelas denúncias da JBS, o presidente Michel Temer planeja fazer mais uma mudança na composição de sua equipe de governo para reforçar sua defesa na área jurídica. Depois de trocar Osmar Serraglio por Torquato Jardim no Ministério da Justiça, Temer agora quer tirar Grace Mendonça do comando da Advocacia Geral da União (AGU) e substituí-la por Gustavo do Vale Rocha, subchefe de assuntos jurídicos (SAJ) da Casa Civil, e homem de confiança do peemedebista.

Abatido pela maior crise política desde que assumiu a Presidência, há pouco mais de um ano, Temer parte para um caminho semelhante ao adotado pela antecessora Dilma Rousseff, quando, no ocaso de seu governo, escalou o ministro da Justiça José Eduardo Cardozo para assumir sua defesa na AGU e, posteriormente, no processo de impeachment.

JOGO DUPLO – Acusada pelo Palácio do Planalto de ser “fraca”, “insegura” e de estar fazendo “jogo duplo”, Grace passou a ter seu posto ameaçado quando protocolou na semana passada um documento no STF defendendo a indivisibilidade das chapas eleitorais. A posição é contrária ao principal argumento que Temer apresentou no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) quando do julgamento de supostas irregularidades cometidas pela chapa Dilma-Temer em 2014.

Não adiantou a AGU soltar nota afirmando que no caso em discussão no Supremo, que tratava da cassação do governador e vice do Amazonas, era “absolutamente distinto” do de Temer e que defendia agora a decisão tomada pelo TSE — uma vez que a AGU tem atribuição de defender os três poderes. Desde então o desconforto entre Temer e Grace é grande.

Após a divulgação da notícia, Grace Mendonça telefonou dezenas de vezes para o presidente, que não atendeu as ligações. No dia seguinte, ela foi até o Palácio do Jaburu, sem ser convidada, para se explicar, mas, segundo interlocutores do presidente, não convenceu.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Portanto, O Globo confirma a notícia dada com exclusividade pela Tribuna da Internet, sobre a troca de guarda na AGU. Mas o substituto cogitado por Temer é Gustavo Rocha, antigo advogado de Eduardo Cunha e ligado aos caciques do PMDB, que hoje trabalha com Padilha na Casa Civil. Foi Gustavo Rocha quem deu a mancada jurídica no caso da presidência da EBC e depois tentou botar a culpa no ministro Medina Osório, que estava na AGU e nada tinha a ver com a causa. Desse jeito, talvez seja melhor manter a “esquecidinha” na AGU. (C.N.)

Um poema de Clarice Lispector questionando a perfeição

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Site Poemas & Canções

A escritora, jornalista e poeta Clarice Lispector (1920-1977), nascida na Ucrânia e naturalizada brasileira, fala sobre “Perfeição” através deste poema.

PERFEIÇÃO
Clarice Lispector

O que me tranquiliza
é que tudo o que existe,
existe com uma precisão absoluta.

O que for do tamanho de uma cabeça de alfinete
não transborda nem uma fração de milímetro
além do tamanho de uma cabeça de alfinete.

Tudo o que existe é de uma grande exatidão.
Pena é que a maior parte do que existe
com essa exatidão
nos é tecnicamente invisível.

O bom é que a verdade chega a nós
como um sentido secreto das coisas.

Nós terminamos adivinhando, confusos,
a perfeição.  

Enquanto Temer se desmoraliza, Meirelles já está em campanha para 2018

Divulgação

Meirelles em campanha na Assembleia de Deus

Carlos Newton

Para os cientistas políticos estrangeiros, denominados “brazilianistas”, está cada vez mais difícil entender a política brasileira. Nos países tidos como civilizados (se é que já exista realmente algum…), jamais se viu uma situação como a do presidente Michel Temer. Pela primeira vez, um político chega ao poder por via de impeachment e um ano depois já se vê ameaçado de também sofrer cassação. As denúncias e provas já colhidas contra ele são muito mais graves do que as acusações feitas à sua antecessora, a presidente Dilma Rousseff, cujo envolvimento direto em corrupção somente agora vem sendo provado, mas apenas em caixa 2 eleitoral, reconheça-se.

Os analistas estrangeiros enlouquecem, porque o mais incrível nesta trama é que Temer ainda tem condições de seguir em frente e terminar o mandato-tampão, que vai até 31 de dezembro de 2018.

MASCATE DO JBS –  Como se não estivesse acontecendo nada, o presidente ameaçado está passeando no exterior, a pretexto de aumentar as exportações do grupo empresarial pertencente a seu maior acusador, o empresário Joesley Batista, um comportamento que nem mesmo Freud conseguiria explicar esta situação, pois parece uma nova versão da Síndrome de Estocolmo.

Nessa estranha missão de mascate do grupo JBS, Temer age com desenvoltura, é como se tivesse voltado aos bons tempos em que se reunia com Joesley Batista nos subsolos da vida.

Em Moscou,  na terça-feira o presidente se disse tranquilo e alegou que as acusações são fruto de revide político, por ele ter colocado o país “nos trilhos”, ao liderar “a mais ampla agenda de reformas das últimas décadas”.

MEIRELLES EM AÇÃO – O fato concreto é que Temer abandonou o governo e se limita a se preservar no suposto poder, deixa a gestão por conta do ex-banqueiro Henrique Meirelles, um fiel representante do Sistema/Mercado que desde sempre comanda o país.

Com essa tácita delegação de poderes, o ministro da Fazenda não cabe em si de contentamento e já está em plena campanha para a sucessão de 2018. Este mês, ele abriu uma conta no Twitter para aumentar a visibilidade. No sábado, dia 17, viajou a Belém exclusivamente para participar da festa de aniversário da Assembleia de Deus no Pará, conforme noticiou Guilherme Amado na coluna de Lauro Jardim, em O Globo.

Nesta terça-feira, mais campanha: Meirelles recebeu no gabinete um grupo de deputados da frente sucroalcooleira, que lhe pediram o aumento da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide). “Quem tem problema grave com a Cide é o Banco Central. E agora o Banco Central precisa baixar os juros”, respondeu o ministro, alfinetando o BC, como se não fosse subordinado a ele.

TEMER PROTEGIDO – Se depender do Sistema/Mercado, Temer não sai do Planalto e ficará lá, para encabeçar o serviço sujo das reformas, sem afetar expressivamente a imagem de Meirelles, que fica em segundo plano.

O ministro é filiado ao PSD e tem munição para comprar apoio de muitas legendas nanicas e ganhar mais espaço no horário gratuito da TV. Embora a legislação eleitoral tenha sido reformada e as empresas não possam mais patrocinar candidaturas, Meirelles vai ter colossais fundos de campanha, a serem administrados por exímios especialistas que não deixarão rabo de palha, como costuma dizer o senador José Agripino Maia, presidente do DEM.

Se a economia melhorar até o final de abril do ano que vem, quando o ministro da Fazenda terá de se desincompatibilizar, suas chances eleitorais  serão ainda maiores. Os outros candidatos estão preocupados com Lula, mas o adversário a ser batido se chama Henrique Meirelles.

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PS
Para aumentar as chances de Meirelles, quanto mais candidatos houver na disputa presidencial, melhor. O importante para ele é chegar ao segundo turno. O resto é folclore. (C.N.)

Duque depõe e confirma que Vaccari arrecadava as propinas a mando de Lula

Duque entregou  Lula e Vaccari na bandeja

Ernesto Neves
Veja

O ex-diretor da Petrobras Renato Duque passou por novo interrogatório conduzido pelo juiz Sergio Moro nesta quarta-feira (dia 21). A sessão foi um pedido de sua defesa, sob a alegação que Duque deseja fazer delação premiada. Duque afirmou que o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto começou a operar propinas para o partido antes mesmo de assumir o cargo, em 2010. E que comandava o esquema a mando do então presidente Lula.

“Vaccari começou a fazer arrecadação de fundos e dinheiro da Petrobras antes de ser tesoureiro do partido dos trabalhadores. Em 2007, fui chamado a Brasília pelo então ministro Paulo Bernardo. E foi ele que me comunicou que por orientação do presidente Lula o Vaccari seria o encarregado do partido para arrecadação na Petrobras”, disse.

LÉO CONFIRMA – Em depoimento ao juiz Sergio Moro também nesta quarta-feira (dia 21), o presidente da OAS, Léo Pinheiro, afirmou que era sistemática a cobrança de propina de 1% nos contratos da Petrobras. O dinheiro, segundo Pinheiro, era destinado a abastecer os cofres do PT. A audiência tratou do contrato firmado entre a empreiteira e a Petrobras para a construção do Centro de Pesquisas da Petrobras (Cenpes).

“Eu fui apresentado ao senhor Paulo Ferreira em 2007. E ele ia substituir o Delúbio Soares na tesouraria do PT”, disse, acrescentando: “Foi informado que era para ter o pagamento de 1%, conforme era uma regra do PT nos projetos da Petrobras”, disse.

Moro, em seguida, quis saber se o pedido de propina foi feito diretamente a ele. “Ele me procurou informando que teriam esses pagamentos”, confirmou Pinheiro.

FORA DO CARTEL – “Eu sabia que existiam esses pagamentos em outros contratos naquela época. Nós não participávamos do clube, mas queríamos. Isso veio a ocorrer posteriormente”, diz ele, sobre o grupo de empreiteiras que sempre ganhava as licitações da Petrobras.

Adiante, Moro quis saber se o Cenpes foi o único projeto em que Léo Pinheiro pagou propina. “Fizemos parte do consórcio da refinaria da Repar, fizemos parte da refinaria RNEST, que tiveram esses pagamentos”, disse ele, sobre os projetos de Refinaria Presidente Getúlio Vargas, no Paraná, e Abreu e Lima, em Pernambuco.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Os delatores estão barbarizando o esquema de corrupção supostamente montado pelo PT, porque Lula e Dilma, como todos sabem, não tinham conhecimento de nada. Os dois alegam que eram do tipo “inocente útil”, e ainda há quem acredite. E vêm aí as delações de Palocci e Mantega, com Lula e Dilma dizendo que… não sabiam de nada. (C.N.)

Polícia Federal acusa Temer de corrupção, e a estrada do poder chega ao fim

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Charge do Ivan Cabral (ivancabral.com.br)

Pedro do Coutto

Com base na delação da JBS e nas afirmações do doleiro Lúcio Funaro – reportagem de André de Souza, O Globo desta quarta-feira – a Polícia Federal acusou o presidente Michel Temer da prática de corrupção. Lúcio Funaro revelou o episódio em que 20 milhões de reais foram retirados da Caixa Econômica Federal e distribuídos para campanhas eleitorais de acordo com a seleção estabelecida pelo próprio Temer. Acrescenta a Polícia Federal que o presidente da República também sabia do pagamento de propina feito pela Odebrecht para obter contratos na Petrobrás. Lúcio Funaro atuava como operador do PMDB e revelou que repasses foram feitos para o ministro Moreira Franco e para os ex-ministros Gedel Vieira Lima e Henrique Alves.

A quarta-feira, em matéria de imprensa, foi muito ruim para Michel Temer.  Além da reportagem de André de Souza, Carolina Brígido e Eduardo Bressiani, a mesma edição de O Globo publica declarações de Joesley Batista dizendo que Temer pressionou a ex-presidente do BNDES, Maria Silvia Bastos, para que atendesse pedido de crédito da empresa da qual é o principal controlador.

QUEIXA-CRIME – Na mesma edição do jornal está publicado que o juiz Marcus Vinicius Reis Bastos, da 12ª Vara Federal de Brasília, rejeitou liminarmente a queixa-crime do presidente Michel Temer contra Joesley Batista, que, na entrevista à Época que está nas bancas acusou o Presidente da República de chefiar a maior quadrilha criminosa.

A soma desses acontecimentos leva à conclusão de que a estrada do poder chegou ao fim para o atual governo. Só falta mesmo o presidente deixar o Palácio do Planalto, para que se vire uma página, mais uma, da história do Brasil. É fato inédito que a Polícia Federal do país acuse um presidente da República de corrupção. Trata-se, no fundo, do governo atacando o próprio governo.

AÇÃO RECUSADA – Fato inédito é também o juiz de uma Vara Federal rejeitar liminarmente uma ação proposta pelo Chefe do Executivo contra um empresário que o considerou um criminoso. O juiz poderia ter registrado a ação e pedido explicações ao acusador. Afinal de contas, se a acusação era falsa, estaria caracterizado um crime de calúnia. Mas o juiz rejeitou de plano os argumentos do presidente Michel Temer, porque não viu na entrevista à Época a prática de transgressão alguma por Joesley Batista. Logo, o juiz Marcus Vinicius Reis Bastos tacitamente revelou concordar com os termos da entrevista.

Justificando sua decisão, disse que Joesley Batista estava, na verdade, reiterando fatos contidos no acordo de colaboração premiada homologado pelo Supremo Tribunal Federal. O magistrado não viu no lance qualquer aleivosia. Deixou a impressão que a seu juízo concorda com o conteúdo da matéria.

POSIÇÃO FRÁGIL – Foram, assim, fatos que no seu conjunto fragilizam incrivelmente a posição do presidente da República, sobretudo porque o relatório da Polícia Federal sustenta diretamente que Michel Temer era o beneficiário final da propina, especialmente no caso da mala de dinheiro entregue por Ricardo Saud a Rodrigo Rocha Loures numa noite paulista.

Para a Polícia Federal – é incrível! –, Michel Temer praticou corrupção passiva de acordo com os artigos 29 e 317 do Código Penal, usando Rocha Loures como intermediário.

Este capítulo extremamente crítico do processo político, que atinge duramente Michel Temer, não tem precedentes na memória da República brasileira. E provavelmente não será repetido, pelo menos nos próximos 100 anos. É o triste fim de um governo que perdeu a si mesmo.

Supremo decidirá que delação só pode ser revista após concluída a investigação

Os ministros devem acompanhar o voto do relator

André de Souza e Carolina Brígido
O Globo

Mesmo sem ter votado ainda no julgamento que definirá a possibilidade de alterar pontos de uma delação depois de homologada, três ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) já deram sinais de que são contra isso. Luiz Fux, Marco Aurélio Mello e Celso de Mello destacaram pontos em que indicam ser favoráveis à manutenção das regras atuais. Mas só será possível ter certeza de suas posições quando finalmente votarem. Até agora, só o relator, Edson Fachin, e o ministro Alexandre de Moraes já proferiram votos no sentido de que deve ser mantida a forma como as delações são feitas.

O caso concreto em julgamento é a delação de executivos do frigorífico JBS, que, entre outras consequências, levou à abertura de um inquérito no STF contra o presidente Michel Temer. Está em discussão se caberia a Fachin, relator dos processos da Lava-Jato, homologar o acordo, uma vez que ele não tem relação com os desvios da Petrobras, foco das investigações da operação. O STF também analisa a possibilidade de o plenário rever cláusulas do acordo.

JÁ HÁ CONTROLE – Os acordos são firmados entre os potenciais delatores e o Ministério Público (MP), e só depois é homologado na Justiça. Para o ministro Celso de Mello, o mais antigo da corte, o próprio MP, como órgão da acusação, já faz um controle. A lei veda que o chefe de uma organização criminosa possa fazer um acordo. Se houve delação, então é porque o MP entende que os empresários Joesley Batista e Wesley Batista, irmãos e donos da JBS, não era o chefe.

“Não podemos duvidar do MP. O MP tem tido grande atuação” — disse Celso, concluindo: “Certamente considerou de que naquele contexto de delinquência, os irmãos Batistas não seriam líderes da organização criminosa”.

OPINIÕES – O procurador-geral Rodrigo Janot disse que a decisão sobre delações pode afetar investigações de crimes como tráfico e terrorismo. O ministro Marco Aurélio, por sua vez, alertou que mudanças nas regras poderiam esvaziar o instituto da delação premiada.

O ministro Luiz Fux também opinou: “Eu entendo que o Judiciário exerce o controle da legalidade da colaboração. Mas esse controle é do relator. Teori Zavascki (antigo relator da Lava-Jato, morto em janeiro deste ano) se negou a homologar uma das cláusulas. Não homologou a cláusula em que estava vedado o uso de habeas corpus. Vedou cláusula em que os recursos recuperados iriam para o Ministério Público. Depois da homologação pelo relator, que verificou os requisitos da legalidade, da regularidade forma, só resta ao Judiciário verificar a eficácia da colaboração” — afirmou Fux.

“Essa é uma decisão monocrática” — resumiu Celso de Mello, usando o jargão jurídico para decisões em que um ministro decide sozinho.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
A posição do relator Fachin está correta, ao dizer que a delação pode ser revista, mas só após encerradas as investigações. É isso que o Supremo irá consolidar, quando a questão for votada por todos os ministros. (C.N.)