TV Globo exige que Huck se defina sobre a eleição, mas ele não está nem ai…

Resultado de imagem para luciano huck candidatoNelson de Sá e Eliane Trindade (Folha)

Sem citar Luciano Huck ou sua mulher, Angélica, a Rede Globo informou à Folha que vem realizando “várias conversas” neste final de ano com funcionários seus, visando confirmar eventuais candidatos em 2018 e tirá-los do ar. “A Globo tem por hábito, no período que antecede anos eleitorais, conversar com diversos profissionais de seu ‘casting’ para lembrar a política interna de eleições”, afirmou a emissora, questionada sobre o apresentador.

“Por essa diretriz interna, já em vigor há anos, quem tem a intenção de se candidatar ou de participar de alguma campanha eleitoral deve avisar com antecedência à emissora.”

DIZ A VEJA – A revista “Veja” publicou que a direção da Globo teve uma “conversa franca” com Huck e decidiu que, se ele quiser se lançar candidato, “terá de sair da emissora até dezembro, sem volta”.

A pressão sobre o apresentador aumentou após suas reuniões públicas com o ex-presidente do Banco Central, Armínio Fraga, com o governador do Espírito Santo, Paulo Hartung (PMDB), sondado para vice, e com o PPS.

No caso da Globo, a rede define até dezembro a sua nova programação, inclusive orçamentos, para a temporada que começa em abril.

Mas a pressão não se restringe à televisão. Também os patrocinadores, tanto do programa quanto aqueles diretamente ligados a Huck, vêm cobrando uma definição do apresentador quanto à sua candidatura a presidente.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
As informações da Glogo são um monte de conversa fiada. 1) A Globo não quer perdê-lo para a política, de jeito algum. 2)  A emissora jamais realizou “conversas” com empregados que pretendam entrar na política. 3) Não há pressão de patrocinadores, eles estão adorando o crescimento da fama de Huck. 4) Se o apresentador entrar na política, os patrocinadores simplesmente migram para outro programa. 5) Hulk é um tremendo astro, seu programa é um sucesso nacional, ele não precisa da Globo para nada, fará sucesso em qualquer emissora. 6) Por fim, a Globo está vivendo a maior crise interna dos últimos tempos, mas isso é motivo de uma análise ampla, que faremos amanhã. (C.N.)

Desembargador solta ex-governador André Puccinelli e filho, um dia após prisão

André Puccinelli (ao centro), ex-governador do Estado, na Polícia Federal. (Foto: Marcos Ermínio)

Puccinelli se livra da prisão pela segunda vez…

Evelin Cáceres
MidiaMax

O desembargador federal Paulo Fontes, do TRF3 (Tribunal Regional Federal) da 3ª Região, que fica em São Paulo, acatou o pedido de habeas corpus ingressado no início da tarde desta terça-feira (14) pelo advogado Antonio Mariz, criminalista nacionalmente reconhecido. Com isso, o ex-governador André Puccinelli e o filho serão soltos ainda nesta quarta-feira (15). De acordo com o desembargador, em entrevista exclusiva ao Jornal Midiamax, a medida foi tomada, porque, para o magistrado, não há a contemporaneidade vislumbrada pela Polícia Federal nos supostos recebimentos de propina, relatados pelo pecuarista Ivanildo Miranda na delação premiada.

“Os principais fatos datam de 2006 a 2013, ou seja, não há contemporaneidade. É mesma situação de maio, quando o ex-governador pediu habeas corpus para finalizar o uso da tornozeleira”, disse.

SEM PASSAPORTES – Fontes disse que Puccinelli e o filho devem comparecer em juízo, entregar os passaportes e estão proibidos de deixar o país.

O desembargador explicou que a prisão cautelar também foi entendida como desnecessária em maio pela 3ª Vara da Justiça Federal de Campo Grande. “Também como em maio, a 5ª Turma ainda deve analisar, nos próximos dias, se mantém a liminar que eu concedi hoje.

A liminar já foi encaminhada para Campo Grande e deve ser cumprida ainda antes do almoço, já que falta apenas a emissão dos alvarás de soltura e entrega de ambos no Centro de Triagem, onde os dois dividem uma cela com outros 18 presos.

LAMA ASFÁLTICA – A Polícia Federal, a Controladoria Geral da União e a Receita Federal deflagraram na terça-feira (14) a quinta fase da Operação Lama Asfáltica, nomeada de Papiros de Lama por conta da compra de material jurídico, sem justificativa plausível, por parte de empresa concessionária de serviço público, e direcionamento dos lucros por um dos membros do que foi chamado de ‘organização criminosa’ pelas investigações. Ao todo, teriam sido desviados mais de R$ 235 milhões.

Foram cumpridos dois mandados de prisão preventiva, de Puccinelli e o filho, dois mandados de prisão temporária, João Paulo Calves e Jodascil Gonçalves Lopes, seis mandados de condução coercitiva, de André Luiz Cance ex-secretário de Estado de Fazenda, os empresários João Amorim e João Baird, o dono da gráfica Alvorada Mirched Jafar Júnior, dono da PSG Antônio Cortez e o engenheiro João Maurício Cance e 24 mandados de busca e apreensão, além do sequestro de valores nas contas bancárias de pessoas físicas e empresas investigadas.

SUPEROPERAÇÃO – As medidas foram sendo cumpridas em Campo Grande/MS, Nioaque/MS, Aquidauana/MS e São Paulo/SP, com a participação de mais de 300 Policiais Federais, servidores da CGU e servidores da Receita Federal.

A operação teve como objetivo desbaratar a organização criminosa que desviou recursos públicos por meio do direcionamento de licitações públicas, superfaturamento de obras públicas, aquisição fictícia ou ilícita de produtos, financiamento de atividades privadas sem relação com a atividade-fim de empresas estatais, concessão de créditos tributários com vistas ao recebimento de propina e corrupção de agentes públicos. Os recursos desviados passaram por processos elaborados de ocultação da origem, resultando na configuração do delito de lavagem de dinheiro, segundo a Polícia.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG –
O ex-governador escapou pela segunda vez, nem precisou apelar ao ministro Gilmar Mendes e ainda livrou também o filho, e isso aconteceu numa velocidade impressionante, em menos de 24 horas. E depois ainda dizem que a Justiça brasileira é lenta… (C.N.)

Gilmar Mendes evita comentar a nova prisão de Jacob Barata e Lélis Teixeira

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Gilmar faz cara de paisagem e não está nem aí

Karla Gamba
O Globo

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), evitou comentar, nesta terça-feira, a Operação “Cadeia Velha”, deflagrada pela Polícia Federal no Rio de Janeiro. Entre os alvos estão os empresários do setor de tranportes Jacob Barata Filho e Lélis Teixeira, que foram beneficiados por dois habeas corpus, concedidos por Gilmar em dois dias seguidos, em agosto. Em setembro, a Segunda Turma do Supremo manteve a decisão de Gilmar, deixando Lélis e Barata fora da prisão. “São decisões da turma, vamos aguardar, eu não conheço a fundamentação, vamos aguardar as informações” — declarou Gilmar.

Jacob Barata Filho e Lélis Teixeira foram presos em julho no âmbito da Operação Ponto Final, que investiga o pagamento de propina por parte de empresários de ônibus a políticos. Em agosto, após o habeas corpus de Gilmar, passaram a cumprir recolhimento domiciliar.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
É claro que Gilmar Mendes não vai comentar a nova prisão dos empresários corruptores que ele generosamente soltou. Da mesma forma, o ministro não comenta a estranha prisão domiciliar de José Dirceu, com participação em rodas de samba em Brasília e livre atuação política, inclusive publicando artigo no site Nocaute, que reproduzimos aqui na TI, para mostrar o que o mentor do PT anda tramando. Gilmar também não comenta suas antigas decisões, como a libertação do médico estuprador Roger Abdelmassih, que fugiu para o Paraguai e demorou anos até ser preso e extraditado. Gilmar fala muito, mas tem horas em que prefere ficar estrategicamente calado. (C.N.)

‘Enquanto o Rio definha, eles se empapuçam com a corrupção’, diz o procurador

O procurador da República, Carlos Alberto Aguiar, explica esquema de fraudes

Aguiar se espantou com o volume da corrupção

Miguel Caballero
O Globo

Ao descrever o esquema de pagamento de propinas a deputados pela Fetranspor, em troca da aprovação de leis e de subsídios fiscais de interesse das empresas de ônibus, o procurador regional do MPF no Rio, Carlos Aguiar, destacou a fraude voluntária da atividade parlamentar pelos deputados: “As empresas (de ônibus) pagavam rotineiramente propina (aos deputados). Parlamentares dissimularam a função parlamentar para prestigiar seus interesses políticos e financeiros. Através da agremiação política que detém a hegemonia no Rio (PMDB), esses agentes vem ganhando força política quase insuperável e enriquecendo. Enquanto o Rio definha, esses sujeitos se empapuçam com o dinheiro da corrupção”.

Deputados estaduais, empresários e intermediários são acusados de manter uma caixinha de propina destinada à compra de decisões na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) para o setor de transportes.

COISA ANTIGA – O esquema atual, concluíram os investigadores, teria começado nos anos 1990, por Cabral, e hoje seria comandado pelo presidente da Casa, deputado Jorge Picciani, por seu antecessor, deputado Paulo Melo, e pelo líder do governo Edson Albertassi, caciques do PMDB fluminense. Os três foram levados coercittivamente hoje para prestar depoimento na Operação “Cadeia Velha”.

A caixinha mantida pelos empresários de ônibus usava um sistema financeiro clandestino, gerido por transportadoras de valores. Em delação homologada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), o doleiro Álvaro José Novis, encarregado de distribuir estes valores, disse que o dinheiro era recolhido inicialmente pela Transegur e, posteriormente, pela TransExpert, na garagem das empresas de ônibus, e passava pelo cofre-forte das transportadoras antes de chegar às mãos das autoridades corrompidas.

R$ 260 MILHÕES – Esta contabilidade paralela, cujas planilhas foram entregues por Novis, movimentou de 2010 a 2016, a quantia de R$ 260 milhões, circunstância que, para os investigadores, denota a sofisticação e estabilidade do esquema, cuja operação se assemelha a uma “instituição financeira” clandestina.

Para o melhor controle do fluxo de propinas, as empresas de ônibus possuíam “contas” nas transportadoras. Novis também teve de abrir “contas” para poder movimentar os valores e fazê-los chegar aos beneficiários finais. Bilhetes, enviados pelo empresário José Carlos Lavouras, dirigente da Fetranspor, ao doleiro, indicavam em código o nome dos beneficiados pela propina, que era entregue aos destinatários, incluindo a Alerj, em carros da TransExpert.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Este esquema é anterior às gestões de Picciani e Cabral na Assembleia Legislativa. O que os dois fizeram foi aperfeiçoar e profissionalizar o esquema, que funciona também na Câmara Municipal e na Prefeitura do Rio, conforme em breve será conhecido. Como dizia Ibrahim Sued, em sociedade tudo se sabe e cavalo não desce escada. (C.N.)

Especialistas explicam que privatizar a Eletrobras é mais um crime de lesa-pátria

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Ferreira se orgulha de desnacionalizar a empresa

Mário Assis Causanilhas

O presidente da Eletrobras, Wilson Ferreira Jr, concedeu importante entrevista ao Broadcast (agência de notícias do Estadão), defendendo a privatização da estatal sob argumentos frágeis e inconsistentes, contestados com veemência pelos especialistas do Instituto de Desenvolvimento Estratégico do Setor Energético (Ilumina), que comentam e desmentem as justificativas do governo, que pretende desnacionalizar a empresa sem promover um amplo debate com a sociedade. Confira a entrevista do presidente da Eletrobras e as réplicas dos especialistas do Ilumina.

Broadcast: Por que as tarifas podem cair para o consumidor com a privatização da Eletrobras?
Eu vou diminuir a necessidade do consumidor de colocar dinheiro na CDE (Conta de Desenvolvimento Energético), essa é a vantagem que ele terá com a descotização das usinas. Ele não terá mais nenhum risco hidrológico, vai ser coberto pelo operador da usina e a necessidade de bandeiras vai diminuir. E uma parte dos recursos que o operador faturar, ele vai ter que capitalizar a CDE. Isso gera uma redução também.

Ilumina:  Consumidor com risco hidrológico? Total sandice! Só pode assumir riscos quem tem alguma gestão sobre o estoque de água nos reservatórios. Na realidade, pelo atual sistema, nem os geradores deveriam assumir esse risco porque, afinal, quem decide o uso das usinas hidroelétricas ou térmicas é o Operador Nacional do Sistema!! Como a mercantilização criou uma fragmentação de responsabilidades, nem o ONS pode ser totalmente responsabilizado, pois não é ele que decide a expansão. Nós sempre denunciamos esse problema. Nunca ouvimos o Sr. Ferreira falar qualquer coisa sobre isso. As bandeiras tarifárias só serão reduzidas se houver mais usinas baratas. Pergunte aos atuais donos de usinas não cotizadas qual é a dívida judicializada. 

Broadcast: Como o risco vai voltar para o operador?
O que o Ministério de Minas e Energia propôs é trazer esse risco novamente para o operador da usina. Vamos oferecer a oportunidade de descotizar. E o ato de descotizar significa você dar um novo contrato de concessão ao detentor da usina, na forma da produção independente de energia – ou seja, volta como era antes, com um preço diferente. Esse preço tem que ser avaliado de novo agora, vai ser objeto de proposição do MME, ele vai fazer essa proposição de um novo valor, onde o operador que tiver que comprar esse direito de operar essa usina, no caso, a Eletrobras, vai pagar um valor para fazer isso, e vai ter uma tarifa mais alta.

Ilumina: Que coisa confusa! Trazer o risco “novamente” para o operador da usina??? Nunca esteve com ele! O que o Sr. Wison propõe? Que, a partir de agora, o plano de operação que otimiza o sistema seja abandonado? O ONS define uma estratégia de operação e os donos da usina não cumprem? A vantagem do sistema interligado acabou? Se isso é verdade, é preciso se preparar para um desastre. Os donos das usinas sabem que o critério de operação está por trás de todos os parâmetros do modelo comercial? É bom também avisar ao mercado livre que vai acabar o PLD, aquele preço que imita o custo marginal de operação e que os comercializadores adoram. Basta ver as audiências do ONS.

Broadcast: Mas se o operador vai receber um preço maior do que recebe agora, como a tarifa vai cair?
O objetivo do aumento de capital da Eletrobras é pagar pelo direito de transformar essa usina, que era uma cota, e que vendia energia por R$ 35 o MWh sem risco hidrológico, para eu ganhar um valor maior do que R$ 35, por exemplo, R$ 150 o Mwh. Isso ficaria abaixo dos R$ 185 por MWh que você pagou esses mês, mas fico respondendo pelo risco hidrológico pelo prazo inteiro da concessão.

Ilumina: Em primeiro lugar, o Sr. sabe o que é a RAG (Receita Anual de Geração)? Sabe do que ela é composta? Nós explicamos: Nela estão inclusos Taxa de Pesquisa e Desenvolvimento, Taxa de fiscalização da ANEEL, Custos de conexão TUST, Bens não reversíveis, Receitas eventuais e a GAG que é o custo de operação e manutenção. A receita da usina é somente a GAG! Se a RAG é os R$ 35, como o Sr. diz, quanto o sr. acha que é a GAG? Sabe quanto é para a CHESF? R$ 9,50!! Quer dizer que vai subir de R$ 9,50 para R$ 150 e a tarifa não vai subir? Certamente teremos um prêmio Nobel de matemática.

Broadcast: O que vai acontecer com as empresas da Eletrobras que não poderão ser vendidas por motivos legais, como Itaipu e Eletronuclear?
Elas terão que ser cindidas da Eletrobras. Em princípio são esses dois, mas temos que olhar outros projetos que a companhia está envolvida, projetos binacionais. Aí não existem os ativos, mas existem os projetos, e tudo isso vai ficar melhor especificado na modelagem. O processo prevê que você execute as recomendações da modelagem nesse primeiro semestre de 2018.

Ilumina: Na realidade é possível perceber que nem o caráter estratégico da Eletrobras está sendo respeitado por vocês. Na realidade, ele também não sabe! Tudo foi feito às pressas!

Broadcast: Quais projetos?
Existem hoje projetos que estamos fazendo com Argentina e Bolívia. A gente tem um sócio para desenvolvimento desses projetos. No processo de modelagem da criação da empresa ‘espelho’ da Eletrobras, que vai ter capital predominantemente estatal, esses projetos serão todos levados para ela.

Ilumina: Ahhh, que genial esse processo de privatização de vocês! Vão criar estatais? Puxa, certamente será o primeiro processo de privatização que estatiza! Será foco de atenção no mundo corporativo!

Broadcast: Quem vai fazer a modelagem da privatização da Eletrobras?
É o PPI, o Moreira Franco que vai nomear um gestor. Ele pode nomear também o BNDES, ou um órgão da administração pública direta ou indireta. Não tenho essa decisão, como ele (BNDES) é parte interessada, porque é sócio, talvez não possa ser ele.

Ilumina: Ahhhh… o BNDES vai estar envolvido também? Outra jabuticaba! Privatização com a ajuda de banco público (leia-se recursos do contribuinte). Na realidade, é briga de foice no escuro. Talvez possa ser? O presidente da Eletrobras não sabe!

Broadcast: E como funciona essa nomeação?
A Eletrobras também está privatizando as distribuidoras. No final do ano passado, o PPI nomeou o BNDES como gestor desse programa de desestatização. O BNDES contratou no final do ano passado consultores que começaram a trabalhar em 14 de fevereiro deste ano e agora, no mês de outubro, apresentou as conclusões de modelagem e de valuation (avaliação) das distribuidoras. Está sendo apreciada agora pelo nosso Conselho de Administração, isso é um procedimento normal. Ele segue uma rotina que significa que o PPI vai ter que nomear um gestor e esse gestor contrata as consultorias a assessorias que julgar necessárias para efetivar e concluir os projetos de modelagem. Vai ser brevemente, fará antes do final do ano.

Ilumina: Esse caso é a grande vergonha brasileira. Vende-se um conjunto de distribuidoras rentáveis e as problemáticas são jogadas nas costas da Eletrobras que é obrigada a pegar empréstimo para comprá-las. Depois a acusam de ineficiente! É como vender aeroportos que geram receita e os de estados problemáticos ficam com o contribuinte. Depois, se os aeroportos não geram o lucro esperado, são devolvidos!! Além disso, haverá muita consultoria contratada e certamente mais BNDES para encarecer ainda mais o processo.

Broadcast: Como ficará a Eletrobras depois do processo de privatização?
Uma tendência no mundo é que as empresas de energia, por serem de capital intensivo, sejam corporações em parceria muito estreita com o mercado de capitais. Não é para ter aqui nenhum governo preponderante. Na Enel, o governo italiano tem 20% da companhia, não é o controlador da empresa. Participa, mas não manda. Quem manda é o conselho de administração, há critérios específicos.

Ilumina: Quanta contrainformação! Desde quando a ENEL é o paradigma? E a EDF francesa? E a Hydro Quebec? E a British Columbia? E a Bonneville Power Administration? E as empresas Norueguesas? E a TVA? Todo esse padrão poderia ser feito com a Eletrobras estatal. Bastaria ter mandatos fixos para seus diretores, contrato de gestão fixando limites tanto para o estado como para a empresa e punição severa para crimes contra o interesse público. Mas, quem quer isso?

Broadcast: O limite dos novos acionistas será mesmo de 10%, enquanto o governo pode ficar com cerca de 40%?
Você pode ter mais ações, mas você só vai votar por 10%. As corporações do mundo têm limite de concentração de votos. No caso aqui, a gente percebeu que, na média, o mais pulverizado, que são as empresas americanas, costumam ter limite de voto de 5%. Algumas outras que estão mais em emergentes, têm 15%. Nós temos o mercado de capitais mais maduro no caso brasileiro e a recomendação, nesse primeiro momento, é que seja de 10%. São regras da corporação que a modelagem vai ter que desenvolver, a recomendação é que se chegue nessa faixa. O governo tem 40%, mas só vota 10%.

Ilumina: Desde quando estamos tratando de empresas genéricas? A Eletrobras não é o Wal Mart ou o Mc Donalds! Desde quando o “mercado de capitais” resolve os problemas de um país tão diverso e desigual como o Brasil? Pelo menos olhe para a nossa história e veja que, se temos o que temos, devemos à instituições públicas como a Eletrobras e a Petrobras. Simplesmente é falsa a informação de que essas empresas não podem ser bem geridas.Para finalizar, por que o Sr. não explica a razão da tarifa ter subido mais de 50% real mesmo com as usinas da Eletrobras “doando” energia? E a sua promessa é uma redução de 1,5%??? 

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Repete-se o problema da reforma da Previdência e da dívida pública. Também no caso da Eletrobras, falta debate. O governo Temer aproveita-se da crise para impor a desnacionalização desta estratégica empresa, quando se sabe que o Brasil pode construir mais 120 hidrelétricas de médio porte, para reduzir o custo da energia e aumentar a competitividade de nossa indústria. Como não existe debate, a Tribuna da Internet está aberta aos especialistas do setor, para que se saiba a verdade sobre esta estranha desnacionalização da Eletrobras, que corre o risco de ser adquirida por estatais de outros países, o que demonstrará, mais uma vez, como somos primários e ridículos em matéria de administração pública. (C.N.)

O trono de William e a invenção de Gutenberg

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Ilustração reproduzida do Arquivo Google

Sebastião Nery

Velhinho miúdo de cabeça grande e longos cabelos e bigodes brancos, ele não nasceu em Estrasburgo. Nasceu perto, do outro lado do Reno, na Alemanha, onde o Meno se encontra com o Reno, em Mainz, que portugueses, espanhóis, italianos chamam de Mogúncia. Nasceu em 1400 e também não morreu em Estrasburgo, mas na sua Mainz, em 1468.

Mas é em Estrasburgo, à beira do Reno, na maravilhosa cidade, que já foi romana, germânica, alsaciana, francesa, alemã, de novo francesa e ocupada quando Hitler ocupou a França, que está seu trono, todo em bronze, no meio da praça, sobre um pedestal, segurando uma página de sua primeira Bíblia: – “Et la lumière fut”. “E a luz se fez”.

E Gutenberg iluminou para sempre a humanidade, criando a imprensa.

PERSEGUIDO –  Como geralmente acontece com a imprensa, Gutenberg sempre perseguido. Viveu correndo entre Mainz (Mogúncia) e Estrasburgo. Operário modesto, empregado nos fundos do palácio do arcebispo, começou a fazer pesquisas, tomou dinheiro emprestado, que não pagou, e por isso foi perseguido. Um dia inventou uma maquina tosca que acabou derrubando todo o império da Igreja Medieval.

É arrepiante entrar na pequena oficina, lá da sua Mainz (Moguncia), em que ele pesquisou 25 anos seguidos, para afinal, em 1432, 500 anos antes de eu nascer, editar pela primeira vez uma página impressa. Nos mais mínimos detalhes, foi criando um a um os tipos gráficos, fazendo a composição à mão, inventando a prensa de imprimir. Ameaçado por motivos políticos, fugiu de Estrasburgo e trabalhou como ourives.

BIBLIA DE MOGÚNCIA – De volta a Mainz em 1448, em 1455 terminava a primeira edição de um livro : a Bíblia, que por isso se chama a “Biblia de Mogúncia”. Apesar disso, de escolher a Bíblia para primeira obra impressa, acabou novamente perseguido. Tomaram-lhe os exemplares impressos, expulsaram-no do palácio, prenderam-no, alegando que não havia pago as dívidas.

Na verdade, a nobreza e o clero medieval sabiam que ali estava o fim de seu Império de mil anos. Gutenberg, o velhinho miúdo de cabeça grande, tinha dado à humanidade seu melhor pedaço de pão: a palavra impressa, onde ela poderia alimentar a liberdade de pensar e de existir.

Seu monumento é de 1840, quatro séculos depois de sua invenção. Numa cidade bem própria: além de belo e poderoso centro cultural, Estrasburgo é a capital política da Europa, sede do Conselho da Europa e do Parlamento Europeu. Em Bruxelas funciona o Poder Executivo da União Européia. Mas as decisões políticas, coletivas, são tomadas em Estrasburgo.

POLO CULTURAL – A França teve razão de lutar séculos por ela, disputando-a com a Alemanha. Estrasburgo é contemporânea da humanidade. Desde a Idade de Bronze já lá morava uma comunidade de pescadores. Conquistada pelos romanos, que a chamaram de “Argentoratum” (“cidade da prata”), no ano 12 antes de Cristo, logo virou posto militar para vigiar as tribos germânicas.

Conta a historiadora Annamaria Giusti: – “Na Idade Media, a maior autoridade eram os bispos. Em 1262, foi liberada da tutela deles. Em 1300, construíram uma ponte sobre o Reno, para negociar madeira, vinho, algodão. No século 15, transformou-se numa Republica Livre, governada por um Conselho de Representantes. E logo aderiu à Reforma Protestante, virou polo cultural com a presença de pensadores, pregadores e perseguidos políticos da França, Itália, Suíça,etc”.

Toda minha solidariedade ao exemplar William Waack, também ele vítima do atraso como Gutenberg foi.

Uma homenagem a um poeta do povo, chamado Luiz Carlos da Vila

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Luiz Carlos da Vila, uma presença que faz falta

Paulo Peres

Site Poemas & Canções

O carioca, administrador de empresa e poeta Marcos Fernandes Monteiro ou, simplesmente, Coquito, na sua forma peculiar de escrever, registra com sutileza, beleza e simplicidade o cotidiano, a sabedoria e a arte do compositor, cantor e poeta Luiz Carlos da Vila, ou das Vilas, porque era compositor da escola de samba Unidos de Vila Isabel e morava na Vila da Penha, bairro suburbano do Rio de Janeiro.

O amigo e compositor Candeia, o bloco Cacique de Ramos e o bar Papo de Esquina, onde Luiz reunia os amigos para conversar e cantar, jamais poderiam ficar ausentes do poema. Vale ressaltar que, este poema foi escrito antes do falecimento do Poeta da Vila, em 2008, depois musicado e gravado por Johnny do Matto, no CD Parcerias, produção independente em 2009.

POETA DA VILA
(A Luiz Carlos da Vila)
Johnny do Matto e Coquito

Luiz Carlos da Vila, mas antes de tudo, Luiz da emoção
Da noção exata que o verso precisa dizer ao coração
Quando imortaliza em samba no mundo, uma bela canção
Quando eterniza na soma do mundo mais uma canção

Luiz da legítima aldeia do lume do mestre Candeia
Eterno Cacique que registrado fique esta luz que clareia
Poeta do samba, da terra, dos mares, a semente semeia
Poeta dos campos, das serras, dos ares, tua nação te nomeia

O mago das palavras vai combinando o que não combina
Versando um verso clareando o Universo com seu estandarte
Abrindo fronteiras reparte com todos essa bênção divina
Nada mais que rotina à sina que ensina é de um filho da arte

Luiz é do povo, do velho, do novo, do Papo e da Esquina
Brasileiro e poeta com a mais genuína obra suburbana
No peito à sina de quem sempre aprende o que a vida ensina
E assim ele assina o diploma com a força da raça africana

É mais fácil entender o ladrão do que o magistrado que o liberta

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Charge do Tacho (Jornal NH)

Percival Puggina

No último dia 2 de novembro, durante um show em Brasília, prenderam um homem com 29 celulares roubados. Carregava os objetos até dentro da cueca. Lavrado o flagrante, foi levado à presença de um juiz para audiência de custódia. O meritíssimo impôs fiança no valor de um salário mínimo e o devolveu às ruas para aguardar julgamento. Não duvido que à noite, ao repassar mentalmente sua atividade, o juiz se tenha considerado bom, justo e magnânimo. “Afinal, eram apenas bens materiais…”, talvez tenha pensado.

No entanto, desconsiderou: 1º) a segurança da sociedade que lhe paga os subsídios; 2º) as futuras vítimas das ações criminosas daquele meliante; 3º) a sensação de impunidade que, no mundo do crime, se inclui entre as mais eficazes causas da perpetuação desses mesmos atos; 4º) o crescente desrespeito, entre nós, ao direito de propriedade.

CRIMES COMUNS – Em vista do grande número e da frequência com que se verificam, são os crimes contra o patrimônio os que mais contribuem para o que deveríamos designar como real percepção da população sobre sua insegurança. Afinal, estamos falando de milhões de eventos anuais.

Os latrocínios são os crimes que mais apavoram a população. Embora, na prática, os 2.514 casos ocorridos em 2016 representem apenas 4% dos homicídios, eles são uma ameaça presente em centenas de milhares de ações. Todo crime contra o patrimônio em saída de banco, estacionamento, porta de garagem, estabelecimento comercial aberto ao público é praticado sob a ameaça do gatilho ou da lâmina da faca, exibidos ou insinuados. Eis o grande terror. E a sociedade pressente que eventos dessa natureza podem acontecer a qualquer momento porque o número de ladrões em operação no país assumiu proporções demográficas.

DESRESPEITO – Como chegamos a essa situação? Por um imprudente e ostensivo desrespeito legislativo, político e judicial ao direito de propriedade. Se quisermos restabelecer o respeito à lei, a ordem pública e a segurança da população, é importante recolocá-lo no devido lugar. O direito de propriedade não é uma coisa qualquer. Somente insidiosos motivos ideológicos podem explicar o crescente descaso para com ele dentro das nossas instituições.

Ao privar alguém de algo, o ladrão está tomando produto do trabalho, meio de vida, material de estudo, conhecimento adquirido e rompendo gravemente a ordem! Quando a Justiça trata como irrelevantes os crimes contra o patrimônio está, simultaneamente, servindo injustiça aos cidadãos de bem e alimentando com liberdade de ação a cadeia produtiva do crime.

Por maligna que seja a ação do meliante, ele me é mais compreensível do que o juiz. Mais difícil ainda é entender aqueles tantos que, apenas por motivos ideológicos, não sendo uma coisa nem outra, defendem a ambos: o ladrão que vive dos bens alheios e o juiz que o devolve às ruas.

Nem adianta prender Picciani, pois a Assembléia vai soltar, graças a Cármen Lúcia

Picciani sabe que a impunidade está garantida

Carlos Newton

Já explicamos aqui na Tribuna da Internet que o maior problema do deputado Jorge Picciani (PMDB) é o filho Felipe, o único envolvido em corrupção que não tem foro privilegiado. Os outros dois, Leonardo e Rafael, são deputados – um federal, licenciado para ser ministro do governo Temer, e o outro é estadual, fazendo companhia ao orgulhoso pai na bancada da corrupção. Agora, a Procuradoria-Geral da República está pedindo a prisão do presidente da Assembleia e dos deputados Paulo Melo e Edson Albertassi, sob o argumento de que está caracterizado o flagrante delito, por se tratar de crime continuado. Mas é tudo inútil. Não adianta tentar prender, processar e julgar os três deputados, porque a Assembleia vai soltá-los e os mandatos lhes serão devolvidos, com base na recente decisão do Supremo no caso do senador Aécio Neves (PMDB-MG).

Poder-se-ia até dizer que essa absurda impunidade dos três parlamentares estaduais se deverá à presidente do Supremo, ministra Cármen Lúcia, porque foi justamente o gaguejante voto de minerva oferecido por ela que decidiu a questão, por 6 a 5. Mas os outros cinco votos – dos ministros Gilmar Mendes, Marco Aurélio Melo, Ricardo Lewandowski, Dias Toffoli e Alexandre de Moraes – têm parcela de culpa idêntica à dela.

TUDO DOMINADO – O fato concreto é que a longa mão da Justiça não alcança mais nos políticos, algo verdadeiramente inconcebível em regime democrático. Picciani, Melo e Albertassi têm foro privilegiado no Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2). A Primeira Seção Especializada vai decidir se manda afastar dos mandatos e prender os três deputados estaduais do PMDB do Rio Jorge Picciani, Paulo Melo e Edson Albertassi, por solicitação do Ministério Público Federal.

O TRF-2 pode até acatar a denúncia dos procuradores, mas não adiantará nada, por que a decisão terá de ser referendada pela Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, onde está tudo dominado. Picciani manda na Alerj, os deputados vão jogar na lata do lixo o julgamento do Tribunal, a exemplo do que já está ocorrendo em todo país.

Assembleias estaduais e Câmaras municipais se baseiam na decisão do Supremo sobre o senador Aécio Neves e também estão libertando deputados, vereadores e prefeitos que foram presos por denúncia de corrupção. É maior esculhambação jurídico-institucional já verificada no país, em época de democracia plena.

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P.S. –
Quem conhece a Assembleia do Rio sabe que jamais será confirmada a cassação e a prisão de Picciani. Os outros dois – Melo e Albertassi – seguirão na mesma balada, para não pegar mal. Esta realidade confirma que o Supremo conseguiu ficar totalmente desmoralizado, embora ainda apareça quem proclame que as instituições estão funcionando. Seria tão bom se fosse verdade… (C.N.)

Carlos Newton

Já explicamos aqui na Tribuna da Internet que o maior problema do deputado Jorge Picciani (PMDB) é o filho Felipe, o único envolvido em corrupção que não tem foro privilegiado. Os outros dois, Leonardo e Rafael, são deputados – um federal, licenciado para ser ministro do governo Temer, e o outro é estadual, fazendo companhia ao orgulhoso pai na bancada da corrupção. Agora, a Procuradoria-Geral da República está pedindo a prisão do presidente da Assembleia e dos deputados Paulo Melo e Edson Albertassi, sob o argumento de que está caracterizado o flagrante delito, por se tratar de crime continuado. Mas é tudo inútil. Não adianta tentar prender, processar e julgar os três deputados, porque a Assembleia vai soltá-los e os mandatos lhes serão devolvidos, com base na recente decisão do Supremo no caso do senador Aécio Neves (PMDB-MG).

Poder-se-ia até dizer que essa absurda impunidade dos três parlamentares estaduais se deverá à presidente do Supremo, ministra Cármen Lúcia, porque foi justamente o gaguejante voto de minerva oferecido por ela que decidiu a questão, por 6 a 5. Mas os outros cinco votos – dos ministros Gilmar Mendes, Marco Aurélio Melo, Ricardo Lewandowski, Dias Toffoli e Alexandre de Moraes – têm parcela de culpa idêntica à dela.

TUDO DOMINADO – O fato concreto é que a longa mão da Justiça não alcança mais nos políticos, algo verdadeiramente inconcebível em regime democrático. Picciani, Melo e Albertassi têm foro privilegiado no Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2). A Primeira Seção Especializada vai decidir se manda afastar dos mandatos e prender os três deputados estaduais do PMDB do Rio Jorge Picciani, Paulo Melo e Edson Albertassi, por solicitação do Ministério Público Federal.

O TRF-2 pode até acatar a denúncia dos procuradores, mas não adiantará nada, por que a decisão terá de ser referendada pela Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, onde está tudo dominado. Picciani manda na Alerj, os deputados vão jogar na lata do lixo o julgamento do Tribunal, a exemplo do que já está ocorrendo em todo país.

Assembleias estaduais e Câmaras municipais se baseiam na decisão do Supremo sobre o senador Aécio Neves e também estão libertando deputados, vereadores e prefeitos que foram presos por denúncia de corrupção. É maior esculhambação jurídico-institucional já verificada no país, em época de democracia plena.

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P.S. –
Quem conhece a Assembleia do Rio sabe que jamais será confirmada a cassação e a prisão de Picciani. Os outros dois – Melo e Albertassi – seguirão na mesma balada, para não pegar mal. Esta realidade confirma que o Supremo conseguiu ficar totalmente desmoralizado, embora ainda apareça quem proclame que as instituições estão funcionando. Seria tão bom se fosse verdade… (C.N.)

Carlos Newton

Já explicamos aqui na Tribuna da Internet que o maior problema do deputado Jorge Picciani (PMDB) é o filho Felipe, o único envolvido em corrupção que não tem foro privilegiado. Os outros dois, Leonardo e Rafael, são deputados – um federal, licenciado para ser ministro do governo Temer, enquanto o outro é estadual e faz companhia ao orgulhoso pai na bancada da corrupção. A Procuradoria-Geral da República já pediu a prisão do presidente da Assembleia e dos deputados Paulo Melo e Edson Albertassi, sob o argumento de que está caracterizado o flagrante delito, por se tratar de crime continuado. Mas é tudo inútil. Não adianta tentar prender, processar e julgar os três deputados, porque a Assembleia vai soltá-los e os mandatos lhes serão devolvidos, com base na recente decisão do Supremo no caso do senador Aécio Neves (PMDB-MG).

Poder-se-ia até dizer que essa absurda impunidade dos três parlamentares estaduais se deverá à presidente do Supremo, ministra Cármen Lúcia, porque a importantíssima questão foi decidida justamente pelo gaguejante voto de minerva oferecido por ela, ao fechar o julgamento em 6 a 5. É claro que outros cinco votos – dos ministros Gilmar Mendes, Marco Aurélio Melo, Ricardo Lewandowski, Dias Toffoli e Alexandre de Moraes – têm parcela de culpa idêntica à dela, mas voto de Minerva tem de ser cauteloso, em nome do Direito.

TUDO DOMINADO – O fato concreto é que a longa mão da Justiça não alcança mais os políticos, algo verdadeiramente inconcebível em regime democrático. Picciani, Melo e Albertassi têm foro privilegiado no Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2). A Primeira Seção Especializada vai decidir se manda  prender e afastar dos mandatos  os três deputados estaduais do PMDB, por solicitação do Ministério Público Federal.

O TRF-2 pode até acatar a denúncia dos procuradores, mas não adiantará nada, porque a decisão terá de ser referendada pela Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, onde está tudo dominado. Picciani manda na Alerj, os deputados vão jogar na lata do lixo o julgamento do Tribunal, a exemplo do que já está ocorrendo em todo país. As Assembleias estaduais e Câmaras municipais, com base na decisão do Supremo sobre o senador Aécio Neves, também estão libertando deputados, vereadores e prefeitos que foram presos por denúncia de corrupção e outros crimes. É a maior esculhambação jurídico-institucional já verificada no país, em época de democracia plena. E la nave va, cada vez mais fellinianamente.

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P.S. –
Quem conhece a Assembleia do Rio sabe que jamais será confirmada a cassação e a prisão de Picciani. Os outros dois – Melo e Albertassi – seguirão na mesma balada, para não pegar mal. Esta realidade confirma que o Supremo conseguiu ficar totalmente desmoralizado, embora ainda apareça quem proclame que as instituições estão funcionando. Seria tão bom se fosse verdade… (C.N.)

Substituição de ministros não acrescentará votos para a reforma da Previdência

Resultado de imagem para previdencia chargesPedro do Coutto

Tema da reportagem de Carla Araujo, Tânia Monteiro e Vera Rosa, manchete principal de O Estado de São Paulo, a substituição de ministros não vai acrescentar votos que o governo Michel Temer procura reunir na tentativa de aprovar na Câmara a reforma da Previdência Social. Isso porque os cargos que vierem a vagar com o desembarque do PSDB serão preenchidos por integrantes do Centrão e do próprio PMDB. Como o Centrão e o PMDB já votariam a favor do Planalto, a substituição, pelo contrário, retiram votos de apoio ao governo, porque, estando fora da Esplanada de Brasília, o PSDB vai se retrair e ficará mais a vontade para evitar uma posição política completamente impopular.

Assim, a reforma ministerial, por ironia do destino, a meu ver, bloqueará o corte de direitos de trabalhadores e funcionários públicos, ameaçados pelo projeto do Planalto.

APROVAÇÃO DIFÍCIL – O assunto foi também focalizado por Bruno Boghossian, Gustavo Uribe e Marina Dias, Folha de São Paulo. A aprovação da reforma previdenciária, que exige 3/5 dos deputados, torna-se ainda mais difícil reunir pelo menos 308 votos numa questão complexa e polêmica como esta. Vale acentuar que estão em jogo os destinos sociais de 100 milhões de brasileiros e brasileiras.

A proximidade das urnas de 2018 acende inevitavelmente um sinal vermelho para a grande maioria dos deputados. É possível que, diante da dificuldade, o ministro Henrique Meirelles, que lidera os esforços do governo em torno   da modificação do sistema da Previdência, venha a optar por um projeto menos difícil de defender contra a vontade de pelo menos 90% das multidões das cidades e dos campos agrícolas, atingidos pelo impacto de terem que trabalhar mais tempo para que possam se aposentar.

UM RECUO – É possivel que o Planalto venha a retirar a exigência de mais idade para que os trabalhadores e trabalhadoras exerçam o direito que lhes assiste hoje, substituindo-o por um espaço de tempo maior. Neste caso, em vez de emenda constitucional, poderia optar por um projeto de lei. Mesmo assim, prevalecem pontos controversos e contraditórios, como é o caso da pouca distinção entre o que é aposentadoria e o que é pensão. Outro ponto de atrito refere-se ao teto proposto para o funcionalismo, que passaria a ser igual ao teto de hoje do INSS.           Ou seja: 5.500 reais.

Tal dispositivo obrigaria os funcionários a recorrerem a Previdência Privada para complementar e substituir os valores que desapareceriam na legislação. Ótima solução para os grandes bancos como é o caso do ITAU e do BRADESCO. Vamos ver o que irá acontecer sem a participação do PSDB. Aliás, em matéria de Previdência o governo está mais preocupado em reduzir vencimentos do que em combater a sonegação empresarial, que é enorme no Brasil.

DESMEMBRAMENTO – O ministro Edson Fachin, que desmembrou do processo contra o presidente Michel Temer os casos de corrupção envolvendo os ex-ministros Geddel Vieira Lima e Henrique Eduardo Alves, além dos ex-deputados Rodrigo Rocha Loures e Eduardo Cunha, ainda não respondeu ao requerimento do advogado de Temer. A tese do desdobramento pode se refletir parcialmente na situação dos ministros Eliseu Padilha e Moreira Franco.

Mas com uma diferença: Geddel, Alves, Loures e Cunha seriam julgados pelo juiz Sérgio Moro, enquanto  Padilha e Moreira Franco seriam julgados pelo STF. Os ministros têm foro especial, mas o Supremo não precisa de autorização parlamentar para julgá-los.

Tribunal Regional Federal vai decidir se manda prender Picciani, Melo e Albertassi

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Fizeram uma maldade com meu filho, diz Picciani

Julia Affonso
Estadão

A Primeira Seção Especializada do Tribunal Regional Federal da 2.ª Região (TRF2) vai decidir se manda prender os deputados estaduais do PMDB do Rio Jorge Picciani, Paulo Melo e Edson Albertassi. O Ministério Público Federal, na 2.ª Região, pediu a prisão e o afastamento dos peemedebistas dos cargos na Assembleia Legislativa do Rio. Os parlamentares estão na mira da Operação Cadeia Velha, desdobramento da Lava Jato, deflagrada nesta terça-feira, 14.

Picciani, Melo e Albertassi têm foro por prerrogativa de função perante o Tribunal. O Ministério Público Federal sustenta que os crimes atribuídos aos peemedebistas ‘são inafiançáveis, que os deputados seguem em flagrante delito, sobretudo de associação criminosa e lavagem de ativos, e que não é preciso a Assembleia avaliar suas prisões’.

LAVAGEM DE DINHEIRO – “Os requeridos (Picciani, Melo e Albertassi) vêm contribuindo diuturnamente para a violação da paz pública e promovendo processos de lavagem de dinheiro, de modo que o estado de flagrância é manifesto. Não é ilógico defender que, no combate à criminalidade organizada, é de suma importância a intervenção externa, com o fim de neutralizar o grupo ou, ao menos, diminuir os seus efeitos lesivos”, afirmam os procuradores regionais da República Andréa Bayão, Carlos Aguiar, Mônica de Ré, Neide Cardoso de Oliveira e Silvana Batini.

“Por esta razão é que se anseia a urgente e imediata aplicação de medida de autodefesa da sociedade, proporcional aos injustos praticados, como a captura, a condução coercitiva e a respectiva lavratura de prisão em flagrante delito dos integrantes da organização criminosa.”

Em nota, o Tribunal afirmou que o desembargador federal Abel Gomes entendeu que os pleitos do Ministério Público Federal devem ser analisados pela Primeira Seção Especializada do TRF2, da qual o magistrado faz parte. Segundo nota da Corte Federal, Abel Gomes mandou oficiar o presidente do colegiado, pedindo a convocação de sessão extraordinária, ‘com a urgência que a natureza dos requerimentos requer’.

SÓ NO DIA 23 – A Primeira Seção Especializada tem sessões ordinárias na quarta quinta-feira de cada mês. O próximo encontro da Seção será no dia 23 de novembro.

Em manifestação à Corte Federal, os procuradores apontam uma ‘uma inegável situação de permanência das práticas delituosas’ dos deputados. Segundo a Procuradoria, o ‘usufruto de bens e valores originados de vantagens indevidas obtidas ao longo das últimas décadas são mantidos ocultos ou dissimulados aos olhos da fiscalização e do Sistema Financeiro Nacional’.

“A hipótese é, portanto, de genuíno flagrante próprio de crimes permanentes”, afirma a Procuradoria.

CORRUPÇÃO CONTÍNUA – No documento, os procuradores destacam a ‘imprescindibilidade da atividade política para o desenvolvimento social e para a manutenção do Estado de Direto’. Alertam no entanto, que ‘ao longo da titularidade de seus mandatos, a atuação política de Picciani, Paulo Melo e Edson Albertassi sempre foi dissimulada, pautando-se pela priorização dos seus respectivos objetivos, políticos e financeiros, em detrimento do interesse público’.

“Importante ressaltar que não se busca aqui superar os cânones da separação dos poderes, caros às repúblicas democráticas. Nem mesmo desafiar a discricionariedade dos agentes públicos nas indicações de postos estratégicos. Mas o momento não é para ingênuos. Nem para tibiezas”, argumentam.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Quando Sérgio Cabral foi preso, Picciani fez a Piada do Ano, ao declarar: “O ex-governador vai provar que é inocente”. Um ano se passou, Cabral já foi condenado a mais de 70 anos, e agora Picciani é que se diz inocente e está revoltado com a “maldade” que fizeram com o filho dele. Ele se esquece de que é o culpado de tudo, porque não tinha nenhuma necessidade de corromper o filhos, podia criá-los como homens de bem, mas preferiu lhes oferecer a rota do crime, que não leva a nada de bom. (C.N.)

Procuradoria pede bloqueio de R$ 154 milhões de Picciani e de seu filho Felipe

Paulo Melo, ex-presidente da Alerj, já depôs  à PF

Gabriela Mattos
O Dia

O Ministério Público Federal pediu ao Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF2) o bloqueio de R$ 154,46 milhões do presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), Jorge Picciani (PMDB) e de um dos filhos dele, Felipe Picciani. Os dois são alvos da Operação “Cadeia Velha”, desdobramento da Lava Jato. O parlamentar foi levado coercitivamente a depor e Felipe foi preso pela Polícia Federal.

“Mostra-se necessária e urgente a decretação de ordem judicial para determinar o bloqueio dos ativos em nomes dos representados, incluindo pessoas jurídicas vinculadas diretamente envolvidas nos atos de corrupção e as que se relacionam com a lavagem de ativos, conforme já explicitado na medida cautelar de afastamento do sigilo bancário e fiscal e reconhecido ante o deferimento do pedido”, requereu a procuradoria. O MPF quer que o bloqueio atinja ainda as empresas da família Picciani.

OUTROS ENVOLVIDOS – A operação investiga os também deputados estaduais Paulo Melo (PMDB) e Edson Albertassi (PMDB) e outros dez suspeitos por corrupção envolvendo a Alerj. A Procuradoria da República pediu o bloqueio de R$ 108,61 milhões de Paulo Melo, de R$ 7,68 milhões de Edson Albertassi.

A operação “Cadeia Velha” cumpriu mandados de prisão contra empresários do setor de ônibus, Jacob Barata Filho e Lélis Teixeira. Edson Albertassi e Paulo Melo também foram levados para prestar depoimento nesta terça. Segundo o MPF, a condução coercitiva dos parlamentares foi ordenada como alternativa inicial à prisão deles, já que eles têm foro privilegiado. Apesar disso, o órgão já pediu ao 2º Tribunal Regional Federal (TRF) a prisão dos três deputados.

ILÍCITOS GRAVÍSSIMOS – “Havendo demonstração cabal de ilícitos gravíssimos e até mesmo alguns em estado de flagrância, à vista de sua natureza permanente, e que a liberdade dos referidos alvos implicaria perigo concreto à ordem pública, além da aplicação da lei penal, requer o MPF sejam deferidas prisões preventivas em desfavor dos deputados estaduais ora investigados”, afirmam os procuradores regionais.

Além de Lélis Teixeira e Jacob Barata Filho, o empresário José Carlos Lavouras, também ligado a Fetranspor, também é alvo da ação. No entanto, ele está fora do país e ainda não foi preso. Os policiais cumprem mandados de prisão contra Sávio Mafra, assessor especial do gabinete da presidência da Alerj; Jorge Luiz Ribeiro, braço direito de Picciani; Andréia Cardoso do Nascimento, chefe do gabinete de Paulo Melo; e o irmão dela, Fábio, um dos assessores do parlamentar.

SOLTOS POR GILMAR – Os empresários Jacob Barata e Lélis Teixeira já haviam sido presos no início do ano pela Operação Ponto Final, que investiga um suposto esquema de pagamento de propina a políticos e fraudes em contratos do governo estadual com empresas de transporte público.

No entanto, em agosto, os empresários foram beneficiados por um habeas corpus concedido pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Desta vez, Gilmar vai ter de encontrar outros argumentos para soltar Barata e Teixeira. Quanto a Picciani, seu problema é só o filho, porque ele se garante com o apoio massivo da Assembléia. (C.N.)

Mais Piada do Ano: G1 anuncia que Meirelles está fora da reforma ministerial…

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Charge do Duke (dukechargista.com.br)

Valdo Cruz
G1 Brasília

Diante da ideia inicial do governo de trocar todos os ministros que possam ser candidatos no ano que vem, assessores do presidente Michel Temer disseram ao blog que o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, não entra nessa lista. O argumento é que ele, até o momento, não é um candidato declarado e sua permanência é importante para a condução da política econômica do governo Temer.

Além disso, esses assessores destacam que essa é uma intenção inicial de Temer, de não ter candidatos em sua equipe, mas que o presidente ainda não sabe se ela será totalmente viável porque os partidos aliados podem resistir a essa regra.

MINISTROS-CANDIDATOS – Muitos ministros que são candidatos só querem sair em abril, prazo final para desincompatibilização, e não agora. Por outro lado, a equipe presidencial diz que o chefe deseja que os novos ministros, a serem indicados pelos partidos aliados, garantam que não serão candidatos.

“A princípio, o presidente gostaria que não tivesse nenhum candidato na sua equipe, mas sabe que isso não é totalmente garantido. Mas ele quer pelo menos que os novos ministros não sejam”, afirmou ao blog um assessor.

Após a saída do tucano Bruno Araújo do Ministério das Cidades, o presidente Temer oficializou sua decisão de promover uma reforma ministerial, que ele pretende concluir até meados de dezembro. A reformulação da Esplanada dos Ministérios foi uma condição imposta pelos aliados para votação da reforma da Previdência Social.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Com todo o respeito ao excelente jornalista Valdo Cruz, esta reportagem parece ser a “antimatéria” que o cientista César Lattes tanto procurava. Meirelles não está nem nunca estará na lista dos ministros demissíveis, porque ele é o verdadeiro presidente, uma espécie de Rasputin careca e sem barba, que personifica o famoso “imexível” citado pelo então ministro Rogério Magri na gestão de Collor. O presidente virtual Michel Temer é apenas o coadjuvante nesta novela governamental. (C.N.)

Chefe da Lava-Jato decepciona o Planalto e diz que operação será intensificada 

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Ricas: Lava Jato vai avançar, ao invés de recuar 

Bruno Dalvi
O Globo

O novo diretor de Investigação e Combate ao Crime Organizado da Polícia Federal (PF) Eugênio Ricas, que comandará todas as operações federais no Brasil, prometeu intensificar a operação Lava-Jato e garantiu que não há a menor possibilidade de reduzir os esforços da operação. Após se reunir nesta segunda-feira com o novo diretor-geral da PF, Fernando Segóvia, e o governador Paulo Hartung (PMDB), Ricas também afirmou que vai ampliar o combate ao tráfico de drogas e ao tráfico de armas.

— Lava-Jato é uma instituição dentro da Polícia Federal. Não tem como estancar uma instituição. A nossa missão é intensificar ainda mais os trabalhos que são feitos lá. A sociedade brasileira pode ficar tranquila com relação a isso. A nossa missão é dar mais condições, mais suporte, pra que todos os trabalhos da Policia Federal sejam feitos. Então, a partir do momento que os fatos criminosos aparecem em outros lugares, é necessário criar outros núcleos — garantiu Ricas.

PREVENÇÃO – Ricas é secretário de Controle e Transparência do Espírito Santo e recebeu o convite para assumir a diretoria de Investigação e Combate ao Crime Organizado da PF logo após Segóvia ser nomeado pelo presidente Michel Temer (PMDB).

— A prevenção é um dos caminhos para se combater a corrupção. Por isso, fomentamos a transparência e melhoramos o controle interno aqui no estado. Agora, chega o momento de trabalhar em outra área. É uma missão que será a mais desafiadora da minha vida. Todos sabemos o momento que o país vive — afirmou Ricas, que acrescentou:

 

— O desafio é fazer com que a Polícia Federal continue atuando de forma responsável, ampliando as ações de combate à corrupção, ao tráfico de drogas e ao tráfico de armas. A questão da segurança pública é uma questão que, junto à corrupção, tem afligido a família brasileira.

ENTROSAMENTO – Na cúpula da PF, Ricas vai substituir o atual diretor de Investigação e Combate ao Crime Organizado, Maurício Leite Valeixo. Segóvia e Ricas tiveram uma experiência profissional entre 2009 e 2011, quando Segóvia era superintendente da Polícia Federal no Maranhão e Ricas foi seu braço-direito.

Segóvia esteve no Palácio Anchieta, em Vitória, nesta segunda-feira, onde almoçou com Hartung e Ricas.

— Sei da grandiosidade do trabalho que terá de ser feito. Ele (Eugênio) vai conduzir todas as investigações de grande prioridade nesse país. Ele será um pilar fundamental na nova administração. A PF, como um todo, foi unanime, de norte a sul do país, em aclamar o nome dele. Isso será muito bom para o país — disse Segóvia, na sede do governo capixaba.

No Espírito Santo, Ricas se destacou por adotar duras medidas no combate a irregularidades em contratos públicos e desvio de verbas, além de abrir 37 processos administrativos contra microempresas e até multinacionais. As medidas estão se tornando uma referência no setor. Entre elas, uma chama a atenção: o livre acesso dos cidadãos a informações sobre gastos, contratos e obras do governo local.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Como previmos aqui na Tribuna da Internet, a nova direção da PF continua decepcionando o Planalto. A Lava Jato é indestrutível e não será um governo fraco e corrupto que curvará a corporação. Se vocês ainda têm dúvida, perguntem ao Picciani… (C.N.)

Picciani levou propina de R$ 58 milhões, afirma o Ministério Público Federal

Jorge Picciani é escoltado por agentes da PF no aeroporto Santos Dumont

Picciani ligou para Pezão assim que chegou ao Rio

Deu em O Dia
(Agência Estado)

O Ministério Público Federal na 2ª Região, apontou propina de R$ 58,58 milhões ao presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Jorge Picciani (PMDB), entre 15 de julho de 2010 e 14 de julho de 2015. Deste montante, o peemedebista identificado como “Platina” ou “Satélite” levou R$ 49,96 milhões a mando da Federação das Empresas de Transportes de Passageiros do Estado do Rio de Janeiro (Fetranspor) e R$ 8,62 milhões a mando do ex-governador do Estado Sérgio Cabral (PMDB).

Jorge Picciani foi levado a depor na Operação Cadeia Velha, desdobramento da Lava Jato, nesta terça-feira. Seu filho Felipe Picciani foi preso pela Polícia Federal em Uberaba, Minas Gerais. Ele é irmão de Leonardo Picciani, ministro dos Esportes do Governo Michel Temer (PMDB) e de Gabriel, deputado estadual.

PARTE DAS PLANILHAS – O operador financeiro e delator da Lava Jato Álvaro Novis relatou que “os pagamentos efetuados a mando da Fetranspor para Picciani iniciaram na década de 90 e perduraram até a véspera da Operação Xepa da Lava Jato, em 2016, mas que só possuía parte das planilhas de pagamentos feitos a Jorge Picciani”.

Segundo o delator, o presidente da Fetranspor José Carlos Lavoura “lhe disse que o parlamentar recebia o valor total a ser distribuído entre os deputados da Alerj por ser o presidente do órgão”. “As entregas para Jorge Picciani, a mando de José Carlos Lavoura, foram feitas, na maior parte das vezes a Jorge Luiz Ribeiro, por meio da Transexpert, que usava veículos normais blindados. Jorge Luiz quando solicitava a entrega do dinheiro dizia para procurarem Manoel, codinome usado por ele”, relata a Procuradoria.

MELO E ALBERTASSI – Também são investigados na Cadeia Velha os deputados Paulo Melo e Edson Albertassi, ambos do PMDB, e outros dez investigados por corrupção e outros crimes envolvendo a Assembleia.

A pedido do Núcleo Criminal de Combate à Corrupção (NCCC) do Ministério Público Federal na 2ª Região, o desembargador federal Abel Gomes, relator dos processos da força-tarefa da Lava Jato, no Rio, no Tribunal Regional Federal da 2ª Região, ordenou as conduções coercitivas dos parlamentares, seis prisões preventivas e quatro temporárias e buscas e apreensões nos endereços de 14 pessoas físicas e sete pessoas jurídicas. A condução coercitiva dos deputados foi ordenada como alternativa inicial à prisão deles.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
No ranking da corrupção, Picciani só perde para Cabral. Esta conta de R$ 58 milhões não está batendo, porque a Procuradoria está pedindo bloqueio de R$ 154 milhões de Jorge Picciani e de filho Felipe. Vamos aguardar novos números. (C.N.)

Hoje é um dia especial, porque minha mãe está completando 100 anos…

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O mestre budista Ikeda carregando a mãe

Carlos Newton

Para quase todo mundo, é uma terça-feira como outra qualquer. Mas minha mãe está completando 100 anos e vamos comemorar dando boas risadas. Dona Yolanda mora com o irmão Webster, que tem 97 anos, está em ótima forma e seu hemograma faz inveja a muita gente de 50 anos. O dela, também. Os dois têm ligeira hipertensão, mas nada de diabetes, colesterol, triglicerídeos, Parkinson ou Alzheimer… Minha mãe já tem uma ligeira desorientação senil, não lembra de muita coisa, mas toma banho, vai ao banheiro, come e dorme sozinha, é capaz de reconhecer todas as pessoas que lhe são próximas e tem uma alegria de viver realmente admirável. Fica encantada com qualquer pessoa que a visite. Divertiu-se muito ao conhecer nosso amigo gaúcho Antonio Carlos Fallavena, fez uma festa quando ele esteve conosco, em agosto.

Meu tio está inteiro aos 97 anos. É um deslumbramento conversar com ele sobre Cinema ou História. Tem uma cultura absurda, domina o cinema mudo com poucos. Você sabe quem foi Norma Shearer? Pergunte a ele. Conhece a obra e a vida íntima dela, uma das maiores atrizes de Hollywood. Pergunte sobre Pola Negri, Ricardo III, Errol Flynn, Mary Stuart, Greta Garbo…

NO MESMO PRÉDIO – Jamais estive distante de minha mãe, porque sempre morei no mesmo prédio dela, o edifício Zacatecas, no Rio de Janeiro, um edifício classe média em Laranjeiras, onde viveram e vivem muitas personalidades de destaque, como o poeta Manuel Bandeira, o advogado Sobral Pinto, a miss Marta Rocha, os jornalistas Armando Nogueira, Octavio Bonfim (criador do bonequinho do cinema de O Globo), Genilson Gonzaga, Oliveira Bastos, Marçal Versiani e os ainda residentes Arthur Dapieve e João Batista Abreu, com suas mulheres Manya e Alda, também jornalistas, sem falar no cineasta Paulo Cesar Sarraceni e seus sobrinhos Denise e Sérgio, nas atrizes Maria Pompeu e Rossana Ghessa, no compositor Miguel Gustavo, no comediante Benvindo Siqueira, no chefe de Polícia Manoel Vidal, na cantora e atriz Márcia Cabral, nossa vizinha, é um nunca acabar de celebridades com as quais nos relacionamos nestes 70 anos em que moramos no prédio que o humorista Cláudio Paiva chama de “inesquecível”.

Mas só comecei a cuidar diretamente de minha mãe quando ela fez 92 anos. Nesta época, Yolanda já andava de bengala, caía muito, se machucava. Notei que tomava um remédio de tarja preta, que eu joguei fora. Para levantar o astral, nada de calmantes. Passei a lhe dar café e chá preto. que contém muita cafeína. Resultado: oito anos depois, não cai mais, é difícil isso acontecer, e ela deixou de usar bengala… Como dizia Belchior, precisamos todos rejuvenescer.

ÔNUS E BÕNUS – Cuidar de idosos tem bônus e ônus. Posso abraçá-los e beijá-los, damos gargalhadas, é uma maravilha viver, diria Vinicius de Moraes, que no final da vida morava aqui pertinho, no Parque Guinle. Mas há também os bônus. Sem a tarja preta, D. Yolanda de vez em quando surta, quer bater na gente. Aí eu lhe dou um “Dramin” e ela apaga. O maior problema é quando tem dor de barriga, porque nunca dá tempo de chegar ao banheiro, ela suja a casa toda. Eu ajudo a limpar, a dar banho nela. No início, era um problema para mim, depois acostumei. Yolanda toma banho sozinha, mas a gente precisa enxugar as pernas dela, que é gordinha, depois colocar a fralda nela, é assim que funciona. E faço isso 365 dias ao ano, é igual a editar o Blog, são meus dois trabalhos.

Quando o filósofo Luiz Felipe Pondé defendeu na Folha a tese de que os jovens, para serem “felizes”, têm direito de colocar os idosos em asilo, protestei aqui na TI contra essa desumanidade. Na minha família e na de minha mulher, nunca houve caso de internar os idosos para que os mais jovens sejam felizes. Mas é claro que nem todo mundo pensa assim, que Deus os perdoe e a nós não desampare.

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P.S.Às vezes fico impaciente e nervoso com essa rotina, é natural. Mas aí lembro a famosa fotografia do mestre budista Daisaku Ikeda carregando a mãe nas costas, numa festa, e ela está felicíssima. Neste sentido (e em muitos outros), os orientais são bem mais humanos do que nós. E vida que segue, como dizia nosso amigo João Saldanha, que faz uma falta enorme à bancada comunista. (C.N.)

Piada do Ano: Advogado ainda não sabe por que o filho de Picciani foi preso…

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Depois do filho felipe, Picciani se tornou a boa da vez

Vanessa Pires e Bruno Sousa
G1 Triângulo Mineiro

A Polícia Federal prendeu em Uberlândia, na manhã desta terça-feira (14), Felipe Picciani, filho do presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Jorge Picciani. A ação foi feita durante Operação Cadeia Velha, um desdobramento da Lava Jato, que acontece no Rio de Janeiro e Triângulo Mineiro. Havia um mandado de prisão temporária contra Felipe. Mandados de busca e apreensão foram cumpridos em Uberaba.

Segundo confirmou o delegado-chefe da PF em Uberlândia, Carlos Henrique Cotta D’Ângelo, Felipe foi preso por volta das 6h perto do aeroporto da cidade. Ele havia levado o pai, Jorge Picciani, para embarcar para o Rio de Janeiro. Assim que desembarcou no RJ, Jorge Picciani foi conduzido para depor na sede da PF. Já o filho segue preso em Uberlândia e será levado para o Rio de Janeiro à tarde, em um voo comercial.

SEM INFORMAÇÕES – O advogado Cláudio Fontoura está na sede da PF acompanhando Felipe Picciani e informou que ainda não foram esclarecidas as razões do mandado de prisão. “Nós não temos ciência. A Polícia Federal de Uberlândia tá cumprindo uma ordem que veio de fora. O meu cliente não sabe as razões, eu também não tive acesso. Eu estou aqui apenas para assegurar se está tudo bem”, disse.

Foram presos na operação desta terça o empresário Jacob Barata Filho e o ex-presidente da Federação das Empresas de Transportes de Passageiros do Estado do Rio de Janeiro (Fetranspor) Lélis Teixeira.

O presidente da Alerj, Jorge Picciani, é suspeito de receber propina da Fetranspor, em um esquema de corrupção no setor que envolveria políticos. Segundo a PF, as empresas de ônibus colocavam dinheiro em uma “caixinha”, destinada ao pagamento de propina a políticos para aprovar leis que beneficiariam o setor. A informação chegou ao Ministério Público Federal (MPF) com a delação premiada do doleiro Álvaro José Novis.

35 MANDADOS – Também são cumpridos 35 mandados de busca e apreensão na operação desta terça-feira. Em Uberaba, a PF cumpriu quatro desses mandados, sendo três em imóveis rurais e um residencial da família Picciani. Documentos foram apreendidos nos imóveis.

Um dos alvos foi uma fazenda às margens da BR-050 onde fica a empresa Agrobilara, que pertence à família Picciani. A Agrobilara é uma das principais fornecedoras de genética de gado nelore do Brasil. Felipe estaria à frente dos negócios, que tem como sócios o pai, Jorge, e os irmãos Leonardo Picciani, ministro do Esporte, e Rafael Picciani, deputado estadual.

Por volta das 6h, equipes da Polícia Federal chegaram à sede da fazenda. Eles foram recebidos por funcionários, que não tinham chaves do imóvel. Um terceiro funcionário chegou e abriu. Por volta das 8h, a equipe da PF deixou a fazenda. Documentos apreendidos foram encaminhados à sede da Polícia Federal em Uberaba.

A Agrobilara Comércio e Participações Ltda já foi citada em investigações da Lava Jato por supostas atividades ilícitas na delação premiada de Jonas Lopes, ex-presidente do Tribunal de Contas do Estado do Rio (TCE-RJ). Segundo a delação, a compra de gado foi usada para lavar dinheiro de propina.

OUTRAS PRISÕES – O ex-presidente da Fetranspor, Lélis Teixeira, chegou na sede da PF às 9h30. Assim como Barata Filho, ele teve mandado de prisão preventiva – sem prazo definido – expedido pela Justiça na operação Cadeia Velha.

Barata Filho e Lélis Teixeira já tinham sido presos na operação Ponto Final, em julho. Porém, em agosto, foram liberados por decisão do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Trinal Federal. Eles tiveram a prisão revertida em recolhimento domiciliar noturno.

Dono de mais de 25 empresas de ônibus no Rio e filho de Jacob Barata, conhecido como “Rei do ônibus”, Barata Filho é suspeito de pagar propina para políticos em troca de decisões favoráveis a seus negócios, como aumento da tarifa de ônibus. Lélis Teixeira é suspeito de ser o responsável por dar as ordens para o pagamento de propina na ausência de José Carlos Lavouras, que era o presidente do Conselho de Administração da Fetranspor e também foi preso na Ponto Final.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
A Piada do Ano é do advogado da famiglia, que procura saber por que o filho de Picciani foi preso. No presente caso, é uma paródia da velha piada da mulher do árabe. Nem é preciso a Polícia ter motivos para fazer as prisões, porque os envolvidos sabem exatamente por que estão sendo trancafiados. (C.N.)

Polícia Federal enfim acaba com a farra da quadrilha do PMDB no Rio de Janeiro

Agentes fazem busca no gabinete de Picciani na Alerj

Bernardo Mello Franco
Folha

Os tribunais de contas foram criados para evitar a pilhagem dos cofres públicos. Com frequência, fazem o contrário. Tapam os olhos para os desvios e embolsam parte do dinheiro roubado. Em março, a Polícia Federal promoveu uma faxina no Tribunal de Contas do Estado do Rio. Dos sete conselheiros, cinco foram varridos para a cadeia. Um sexto, que delatou os comparsas, passou a cumprir prisão domiciliar.

De acordo com as investigações, o grupo participou ativamente da quadrilha de Sérgio Cabral. O governador armava as negociatas e repassava uma comissão aos fiscais corruptos. O propinoduto operou em diversas áreas, da reurbanização de favelas à partilha de linhas de ônibus.

INDICAÇÃO POLÍTICA – Todos os presos chegaram ao tribunal de contas por indicação política. Quatro foram deputados estaduais. Os outros dois prestaram serviços a governos do PMDB. Ao menos um deles esteve na memorável farra dos guardanapos em Paris.

A Operação Quinto do Ouro deu ao Rio uma chance de começar de novo. O governador Luiz Fernando Pezão, herdeiro político de Cabral, preferiu ignorá-la. Na semana passada, ele indicou outro deputado estadual para uma cadeira no TCE.

O escolhido, Edson Albertassi, é ninguém menos que o líder do governo na Assembleia. Está no quinto mandato e, nas horas vagas, comanda uma rádio evangélica. Para surpresa de ninguém, é filiado ao PMDB.

ERA VEZ DE AUDITOR – A oposição protestou contra a escolha. Pelo que determina a Constituição estadual, o governador deveria ter indicado um auditor de carreira. Ele driblou a regra e optou por mais um político aliado.

Nesta segunda, o Tribunal de Justiça suspendeu a nomeação de Albertassi. Com isso, Pezão ganhou outra oportunidade de nomear um fiscal independente. Ao que tudo indica, ele vai arremessá-la pela janela. Cabral já foi condenado a 72 anos de prisão, mas a farra do PMDB fluminense não terminou.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Nesta terça-feira, a Polícia Federal desbaratou a gangue do PMDB estadual, chefiada por Jorge Picciani, cuja prisão será requerida pela Procuradoria, em um pedido que incluirá também os deputados Paulo Mello e… Edson Albertassi. Um dos filhos de Picciani, Felipe, foi preso em Uberaba. Mas ficou faltando prender Pezão, o novo chefe da quadrilha. E isso é apenas questão de tempo. (C.N.)

Villas Bôas novamente descarta intervenção e não fala nada sobre Bolsonaro

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Doente, Villas Bôas vai abandonar o cargo

Deu na BBC Brasil

O general Eduardo Dias da Costa Villas Bôas, comandante-geral do Exército, é um dos responsáveis por assegurar a defesa do país. Ao mesmo tempo, é um homem que trava uma batalha pessoal com a própria saúde. Em março deste ano, ele revelou, em um vídeo institucional divulgado no YouTube, estar enfrentando uma doença neuromotora degenerativa que afeta a musculatura. Cinco meses depois, com a mobilidade bastante restrita e a respiração mais ofegante, ele tem participado de eventos usando uma cadeira de rodas.

Em entrevista à BBC Brasil, por telefone, o próprio comandante classificou a situação dele como “inaudita”. Mas garante que a saúde mais fragilizada, que contrasta com a imagem de um soldado pronto para a guerra, não é, para ele, motivo para ele deixar o posto. O trabalho, diz ele, o ajuda a enfrentar a doença. Nos bastidores da caserna, porém, já se especula quem será seu sucessor.

SEM TUTELA – Questionado sobre os pedidos de intervenção militar que surgiram em certos setores nos últimos anos, o Villas Bôas foi categórico em dizer que a própria sociedade brasileira é capaz de encontrar uma solução para a crise sem que isso ocorra. “O Brasil tem um sistema que dispensa a sociedade de ser tutelada”, declarou.

O comandante falou também sobre o emprego – e limitações – das Forças Armadas para conter a escalada da violência urbana. Para ele, que mais de uma vez já criticou o uso delas em ações para garantir a manutenção da lei e da ordem em cidades, o Exército nas ruas pode melhorar a sensação de segurança apenas de forma passageira.

E chamou ainda de “alarmistas” os críticos do exercício militar que o Exército fez na Amazônia com a participação de representantes de 20 países.

A DOENÇA – Villas Bôas se diz frustrado por não poder percorrer as unidades do Exército, mas garante que o exercício da função o ajuda a enfrentar a doença. “Me fortalece e me anima”, diz, complementando, no entanto, “que não quer dar um caráter heroico ao que está acontecendo”.

O general afirma não ver razão para ir para a reserva e que desde que assumiu publicamente a doença tem recebido “muitas manifestações de solidariedade e apoio”.

Após o comandante assumir a doença publicamente, as especulações sobre sua sucessão ganharam corpo. Há quem acredite que ele esteja resistindo no cargo e enfrentando pressões internas para evitar que nomes mais “linha-dura” e ícones dos “intervencionistas” – como o general Antonio Hamilton Mourão, atual secretário de Economia e Finanças do Exército – assumam o comando da Força.

PERFIL IDEAL – Questionado sobre o perfil de um comandante em tempos de crise política, turbulência econômica e apelos cada vez mais crescentes por intervenção, Villas Bôas diz não ser possível traçar características ideais.

“Com relação ao perfil ideal para comandante do Exército, não se pode traçar um perfil considerado ideal, já que os estilos de liderança são absolutamente individualizados. Cada pessoa estabelece seu estilo de liderança de acordo com as circunstâncias, com sua capacidade, com o ambiente e de acordo com os objetivos que ele estabelece. Não há como traçar um perfil para essa função.”

Sobre os apelos por intervenção militar agregarem complexidade à missão de comandar o Exército e a tropa de mais de 200 mil homens, Villas Bôas diz que não há nenhuma dificuldade interna e salienta a necessidade de ficar longe das disputas político-partidárias.

UNIÃO – “O Exército está coeso e absolutamente consciente de que é uma instituição de Estado e de que não cabe participar de uma dinâmica de caráter político e de caráter partidário”, afirma.

Ele próprio cita 1964, ano em que os militares assumiram o comando do Brasil, para salientar quão diferentes eram as circunstâncias daquela época se comparadas com o momento atual.

“Sempre vêm lembranças relativas ao período de 1964… O Exército continua o mesmo daquele período, com os mesmos valores, os mesmos princípios, os mesmos objetivos, mas as circunstâncias mudaram muito”, diz, acrescentando que eram tempos de Guerra Fria, em que até mesmo a coesão do Exército estava ameaçada. “O Exército estava na eminência de rachar.”

AMADURECIMENTO – Hoje, afirma Villas Bôas, o país tem instituições amadurecidas. “Tanto que a gente vem nessa crise já há algum tempo e as instituições permanecem cada uma cumprindo as suas funções. O Brasil é um país complexo, tem um sistema de pesos e contrapesos que dispensa a sociedade de ser tutelada. Então ela própria, a sociedade, tem que encontrar os caminhos para a superação dessa crise.”

Além de se posicionar contra a necessidade de intervenção militar para resolver a atual crise, o comandante também tem uma visão crítica em relação ao uso das Forças Armadas para conter a violência urbana.

“Quero ressaltar que não se pode esperar que o emprego das Forças Armadas, no nosso caso o Exército, vai resolver o problema de segurança pública. Essa é uma problemática que tem raízes muito profundas e decorre de falência, de não funcionamento ideal de vários outros setores da atuação governamental ou até mesmo de responsabilidade da sociedade”, afirma.

FALTA EDUCAÇÃO – “Aí vem o problema da educação e da disciplina social, das quais a nossa sociedade está carente. Vem o problema de falta de alternativa para a juventude e algo que lhes dê uma esperança no futuro.”

“Faço questão de ressaltar que o emprego das Forças Armadas simplesmente não vai resolver a problemática de segurança pública. Pode contribuir? Sim para a sensação de segurança da sociedade, mas isso é passageiro.”

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Infelizmente, o general não tocou no assunto da sucessão presidencial nem deu sua opinião sobre Bolsonaro. Saber o que ele pensa sobre o candidato seria muito interessante e importante. Ou será assunto-tabu, que o general pediu que não fosse abordado? (C.N.)