Estratégia da defesa do esfaqueador de Bolsonaro é alegar insanidade

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Charge do Thiago (Charge Online)

Laura Maria e Léo Simonini
O Tempo

A defesa de Adélio Bispo de Oliveira, que esfaqueou o presidenciável Jair Bolsonaro (PSL) na quinta-feira (dia 6), em Juiz de Fora, deu entrada com uma petição para que o juiz da 3ª Vara Federal da cidade da Zona da Mata, Ubirajara Teixeira, conceda que uma banca psiquiátrica avalie a saúde mental do agressor.

O pedido foi feito no início da noite desta segunda-feira (10), pelo advogado Zanone Manuel de Oliveira Júnior. Segundo ele, Ubirajara deve deferir ou indeferir o pedido nas próximas 24 horas.

ATÉ AO SUPREMO -“Acabei de sair do Fórum. Agora vai para o juiz, ele vai ouvir a procuradoria da República e vai decidir se defere ou indefere (o pedido de avaliação). Nesse caso, o juiz decide em 24 horas. Se ele deferir, tem 45 dias para os psiquiatras procederem ao exame para averiguar a saúde mental do Adélio. Caso ele indefira, a gente vai recorrer até chegar aos ministros do Supremo Tribunal Federal”, disse.

Com relação aos próximos passos da defesa, que é formada, além de Zanone, pelos advogados Fernando Costa Oliveira Magalhães, Pedro Augusto de Lima Felipe e Possa, Marcelo Manoel da Costa, o defensor disse que ainda é cedo para falar.

“Por enquanto é só isso, e depois vamos aguardar o oferecimento da denúncia por parte do Ministério Público”, completou Zanone.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Percebe-se aqui mais uma versão daquele velho ditado, que diz o seguinte: “Tem louco pra tudo”. (C.N.)

 

Supremo ainda não tem data para julgar o mais recente recurso de Lula

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Charge do Jota A (O Dia/PI)

José Carlos Werneck

A presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Rosa Weber, apesar de ter rejeitado ampliar o prazo para a substituição de Lula na chapa presidencial, decidiu encaminhar ao Supremo o novo recurso apresentado pela defesa de Lula contra a decisão do TSE de rejeitar seu registro de candidatura.

Lula, que liderava todas as pesquisas de intenção de voto até ter sua candidatura barrada, alega inocência e diz ser alvo de perseguição política para impedi-lo de concorrer novamente à Presidência.

SEM MEDIDA – O número de recursos já apresentados é tão grande que os jornalistas ficam em dúvida se o recurso em questão tem algo de novo ou apenas repete alegações anteriores. Na noite deste sábado, por exemplo, os advogados de Lula protocolaram no Tribunal Superior Eleitoral mais um recurso para suspender a decisão que rejeitou a candidatura do ex-presidente na madrugada do último dia 1º, quando o TSE impugnou o registro da candidatura de Lula por seis votos a um, por ele estar incurso na Lei da Ficha Limpa.

Simultaneamente, a defesa recorreu também ao Supremo Tribunal Federal, para que a decisão do TSE fosse suspensa e Lula pudesse concorrer às eleições. Ao julgar o recurso, o relator Celso de Mello rejeitou o pedido da defesa, informando que os advogados deveriam ter recorrido ao TSE.

FICHA LIMPA – Pela Lei da Ficha Limpa, são inelegíveis os condenados por órgão colegiado da Justiça, como é o caso do ex-presidente.

Em janeiro deste ano, ele foi condenado pelos três desembargadores da 8ª Turma do Tribunal Regional Federal da Quarta Região, responsáveis pelos processos da Operação Lava Jato na segunda instância da Justiça, que entenderam que Lula recebeu da OAS um apartamento triplex em Guarujá, em troca  de contratos firmados pela empreiteira com a Petrobras.

Em virtude da condenação pelo TRF-4, Lula foi preso em abril deste ano para cumprir a pena de 12 anos e 1 mês em regime inicialmente fechado.

INOCÊNCIA – Desde o início das investigações, o ex-presidente reafirma sua inocência. dizendo que não é o dono do imóvel.

Seus advogados reiteram que o Ministério Público não produziu provas contra ele e que o ex-presidente não cometeu crimes antes, durante ou depois do mandato.

Acredite se quiser: PT ainda se divide sobre troca de Lula por Haddad

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Charge do Sponholz (sponholz.arq.br)

Mônica Bergamo
Folha

O PT ainda discute internamente como fazer a troca de Lula pelo ex-prefeito Fernando Haddad na cabeça da chapa presidencial. Há divergências sobre o discurso a ser adotado a partir de agora. Uma ala do partido ainda quer insistir na tese de que o ex-presidente tem chance de disputar a eleição, esgrimindo decisões da ONU e recursos ainda pendentes de julgamento no Supremo Tribunal Federal.

Por esse grupo, Haddad seria registrado no Tribunal Superior Eleitoral) nesta terça (11), prazo final dado pela corte para que a legenda apresente um candidato e não perca o tempo de TV, mas o partido seguiria dizendo que Lula pode voltar.

HADDAD – Uma outra ala é frontalmente contrária à ideia. E argumenta que Haddad precisa de tempo para ser conhecido como candidato de Lula, precisando ocupar com urgência a TV, em programas e debates, como o nome que definitivamente disputará a eleição.

O eleitorado de Lula precisaria entender com clareza que o ex-presidente está definitivamente fora, mas escolheu Haddad para substituí-lo.

Os próprios seguidores do ex-presidente no Facebook têm dado sinais de que a estratégia de manter o suspense em torno da candidatura de Lula se esgotou.

PELO AMOR DE DEUS – Numa postagem no perfil do ex-presidente na rede que informava que os advogados teriam conseguido uma segunda liminar na ONU a favor dele, vários comentários pediam a indicação rápida de Haddad.

“Coloca o Haddad pelo amor de Deus. Não há mais tempo. Será que vocês não entendem que jamais irão liberar Lula?”, diz uma internauta. “Estão demorando demais para lançar Haddad e Manu, estamos perdendo votos…”, diz uma segunda eleitora.

Alexandre de Moraes vai decidir se Jair Bolsonaro se torna réu por racismo

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(Estadão Conteúdo)

A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) definirá na tarde desta terça-feira (11) se o candidato do PSL à Presidência da República, Jair Bolsonaro, se torna réu pelo crime de racismo. Caberá ao presidente da Primeira Turma, ministro Alexandre de Moraes, dar o voto decisivo para desempatar o placar, depois de ter pedido vista para examinar melhor o caso.

O julgamento sobre o recebimento ou não da denúncia de Bolsonaro começou no dia 28 de agosto, antes do atentado em Juiz de Fora. Até agora, os ministros Luís Roberto Barroso e Rosa Weber já se posicionaram a favor do recebimento da denúncia formulada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o deputado federal, enquanto Marco Aurélio Mello e Luiz Fux votaram contra.

AÇÃO PENAL – Se a denúncia por racismo for aceita, será aberta uma ação penal no STF para aprofundar as investigações contra o parlamentar, que será colocado novamente no banco dos réus.

Bolsonaro já é réu em outras duas ações penais, pelos crimes de injúria e incitação ao crime de estupro, após ter declarado que não estupraria a deputada federal Maria do Rosário (PT-RS) “porque ela não mereceria”. Desta vez, a PGR acusa o parlamentar de, em palestra realizada no Clube Hebraica do Rio de Janeiro, se manifestar de modo negativo e discriminatório sobre quilombolas, indígenas, refugiados, mulheres e LGBTs.

Na palestra, Bolsonaro disse: “Alguém já viu um japonês pedindo esmola por aí? Porque é uma raça que tem vergonha na cara. Não é igual essa raça que tá aí embaixo ou como uma minoria tá ruminando aqui do lado.” Na ocasião, o parlamentar também afirmou que visitou um quilombola em El Dourado Paulista, onde “o afrodescendente mais leve lá pesava sete arrobas. Não fazem nada! Eu acho que nem para procriador eles servem mais. Mais de um bilhão de reais por ano gastado com eles.”

VIOLAÇÃO – No mês passado, Barroso alegou que “arrobas e procriador são termos usados para se referir a bichos”. “Portanto, eu penso que equiparar pessoas negras a bichos eu considero, em tese, para fins de recebimento de denúncia, um elemento plausível da violação do artigo 20 (da lei 7.716, que prevê pena de um a três anos e multa por discriminação ou preconceito de raça)”, observou Barroso.

Barroso ainda destacou outra fala de Bolsonaro, sobre homossexuais. O parlamentar disse: “Não vou dar uma de hipócrita aqui: prefiro que um filho meu morra num acidente do que apareça com um bigodudo por aí. Para mim ele vai ter morrido mesmo. Não vou combater nem discriminar, mas, seu vir dois homens se beijando na rua, vou bater.”

SEM CENSURA – Ao divergir de Barroso, o ministro Luiz Fux avaliou que, na essência da fala de Bolsonaro, há uma “crítica contundente às políticas públicas”.

“Ele (Bolsonaro) não foi ali para expor um ponto de vista sobre os diferentes. Ele foi ali fazer discurso político, dentro do contexto que sabe fazer, que é público e notório, que é o discurso que ele tem. Cada um tem uma formação. Mas estamos aqui para julgar se houve crime”, comentou Fux.

“O melhor remédio para combater uma má ideia é o debate público, e não a censura. Com esse discurso, esse paciente se expõe a críticas, mas ele não pode se sujeitar a uma censura penal, a uma criminalização da sua liberdade de expressão”, rebateu Fux.

PT consegue novo parecer do Comitê da ONU a favor da candidatura de Lula

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Sarah Cleveland é uma das signatárias do parecer

Renato Souza
Correio Braziliense

O Comitê de Direitos Humanos da Nações Unidas (ONU) voltou a recomendar que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva seja liberado para concorrer nas eleições deste ano. De acordo com os advogados do petista, em resposta a uma solicitação da defesa o Comitê reforçou a decisão em caráter liminar, destacando que os Três Poderes devem respeitar acordos internacionais e dar cumprimento à medida.

De acordo com o advogado Cristiano Zanin Martins, o novo comunicado do comitê será anexado a recursos que correm contra o indeferimento da candidatura de Lula no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e no Supremo Tribunal Federal (STF). O órgão da ONU afirmou que “todos os Poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário), além das mais altas autoridades públicas ou governamentais, e qualquer nível — nacional, regional ou local —, estão em posição de absorver a responsabilidade do Estado-parte”.

PLANTONISTAS – O documento é assinado por dois peritos da entidade, que responderam aos advogados de Lula sobre a decisão do TSE de impedi-lo de continuar na disputa eleitoral deste ano. O ex-presidente está preso desde 7 de abril, depois de ser condenado a 12 anos e um mês de prisão pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro. O caso dele foi enquadrado na Lei da Ficha Limpa, que impede o registro de candidatura de pessoas condenadas por um tribunal colegiado.

No domingo (9/9), o TSE emitiu duas novas decisões contrárias à candidatura de Lula. A presidente do tribunal, ministra Rosa Weber, negou pedido da defesa para estender o prazo do PT para apresentar um novo candidato. A data-limite foi mantida para esta terça-feira (11/9). Já o vice-presidente da Corte, Luís Roberto Barroso, alertou o partido que as campanhas podem ser suspensas caso Lula continue aparecendo de forma dúbia, permitindo ao eleitor interpretar que ele segue como candidato.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Como diz o comandante do Exército, general Eduardo Villas Bôas, a decisão do Comitê representa uma afronta à soberania do Brasil. Mas o PT não está nem aí. (C.N.)

Ciro diz que “a maioria esmagadora do povo quer solução equilibrada”

Efeito da facada em Bolsonaro vai se diluir, diz Ciro

Luís Lima
O Globo

O candidato do PDT à Presidência, Ciro Gomes, avalia que os efeitos do atentado à facada sofrido por Jair Bolsonaro (PSL), na última quinta-feira, vão se diluir ao longo do tempo e não terão influência central no debate eleitoral “em uma ou duas semanas”. Segundo ele, embora o brasileiro seja solidário, vai querer uma “solução equilibrada” nas urnas.

Em caminhada em Mauá, na Grande São Paulo, Ciro disse que, ao que consta até agora, as investigações da Polícia Federal (PF) apontam que o autor do crime foi um “desmiolado”, e que nos próximos dias as pessoas vão discernir o que é o “sentimento cristão de solidariedade” e se preocupar com a “decisão sobre o futuro do país”.

SOLIDARIEDADE – “O povo brasileiro tem uma solidariedade humana muito instantânea. E não foi só solidário, no geral, como uma pequena fração atingiu também a decisão de voto. Logo mais ficará claro que será só um momento emocional, compreensível, legítimo, coerente com a vida brasileira, e o debate voltará ao seu leito normal” – falou.

As declarações de Ciro foram dadas no dia em que foi divulgada pesquisa encomendada pelo banco BTG Pactual. O candidato do PSL passou de 26% para 30% das intenções de voto na série estimulada. Na avaliação de Ciro, os números não atestam “vitória em primeiro turno”, como alegam correligionários, e voltou a reforçar que Bolsonaro representa um “risco muito grave à nação brasileira”.

EXTREMISMO – “Bolsonaro representa um pensamento compreensível, mas uma revolta muito zangada, extremista, radical. E a maioria esmagadora do nosso povo quer uma solução equilibrada “- disse, acrescentando. – Não concordo com nada que ele diz, pensa ou representa (…) Agora que ele está fora de perigo, é bola pra frente, vida que anda.

Questionado sobre as principais diferenças que tem de Fernando Haddad, que deve ser oficializado candidato do PT esta semana no lugar de Lula, Ciro poupou o amigo de críticas.

– O povo já está ligado nisso já faz uns dez, 15 dias. Já prosperou a informação (de que Haddad será candidato). E o que tenho que fazer é persistir na ideia de que o Brasil precisa de um projeto, com conteúdo prático: emprego aos pais e educação aos filhos.

DESCULPAS – Antes de cumprimentar apoiadores, Ciro ainda pediu desculpas em nome de sua militância, à candidata da Rede, Marina Silva, que foi chamada de “golpista” na entrada do debate da TV Gazeta. O pedetista também avaliou positivamente seu desempenho e elogiou o engajamento “sem robôs” de seus apoiadores na internet.

Ciro caminhou ao lado de Antonio Neto e Marcelo Cândido, candidatos ao Senado e governo, respectivamente, pelo PDT em São Paulo, de sua mulher, Giselle Bezerra, e também da diretora Marlene Mattos, que trabalhou por 18 anos com Xuxa, e que é responsável pelas mídias sociais de Cândido. Ao fim do percurso na praça 22 de novembro, no centro de Mauá, convocou os presentes a repetir a palavra “Mude”, mote de sua campanha, e clamou por apoio.

– Se você quer que o Brasil mude, estamos juntos nessa batalha – disse, fazendo menção aos 63 milhões de pessoas com nome sujo no SPC e dos 63,8 mil brasileiros assassinados no último ano.

Centro de cultura é ocupado no Rio pela PF, que usou até esquadrão AntiTerrorismo

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Na operação anticultura, PF usou cerca de 30 agentes

Até o final desta tarde, a Tribuna da Internet ficará sem atualização, porque o Editor estará empenhado na operação de salvamento do Mercado São José das Artes, tradicional centro de cultura e gastronomia do Rio de Janeiro, no qual exerce há 20 anos o cargo não remunerado de Diretor Cultural. ‘

O Mercado foi fechado hoje, por erro judiciário da 14ª Vara Federal, que simplesmente desconheceu a existência de cinco Apelações feitas ao Tribunal Regional Federal da 2ª Região, que têm efeito suspensivo sobre qualquer decisão de primeiro grau.

INTOLERÂNCIA – A oficial de justiça Flávia Terezinha, encarregada da operação policial, que contou com cerca de 30 agentes federais e um especialista do Esquadrão  AntiTerrorismo da PF, recusou-se a tomar conhecimento do Mandado de Segurança, o protocolo de apresentação e o comunicado da existência do recurso ao juiz da 14ª Vara, para que suspendesse a desocupação ilegal mediante violência. A oficial de justiça também não quis esperar até as 11 horas, quando se iniciam os trabalhos da Vara, para receber a contraordem do juiz Julio Mansur, que estava (e está) obrigado por lei a cancelar a operação judicial, devido ao efeito suspensivo do mandado de segurança e das cinco apelações pendentes.

O editor da TI, que está empenhado na defesa dos produtores culturais, jamais viu aparato igual ao da Polícia Federal, requisitada pelo ilustre juiz para intimidar meia dúzia de produtores culturais, que foram confundidos com terroristas, vejam só a que ponto  chega a insensatez das autoridades brasileiras. Talvez o aparato tenha sido por medo dos membros do Abadá, o mais importante grupo de capoeira do mundo, que conseguiu fazer a ONU declarar a capoeira como bem cultural da humanidade. O grupo Abadá está no Mercado desde a fundação em 1989 e não foi citado para se defender no processo.

Mas a cultura é forte e resiste a tudo. Os juízes passam, são meros figurantes no enredo da vida, mas a cultura é eterna.

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P.S. – Daqui a pouco a gente volta, para retomar a edição da TI, depois de comparecer a uma reunião com o secretário estadual de Cultura, Leandro Monteiro, e com o subsecretário Léo Feijó . (C.N.)

 

Sem Bolsonaro em cena, candidatos evitam ataques e pregam pacificação

Debate Gazeta Estadão

Na TV Gazeta, o debate foi devagar, quase parando

Deu no Estadão        

O debate entre os candidatos à Presidência da República promovido por TV Gazeta/Estadão/Jovem Pan/Twitter foi marcado pela defesa da não violência. Ao iniciar suas falas, Geraldo Alckmin (PSDB), Marina Silva (Rede) e Henrique Meirelles (MDB) enfatizaram a necessidade de se pacificar a sociedade, em referência ao atentado em que o candidato do PSL, Jair Bolsonaro, foi atingido por uma facada, na última quinta-feira, em Juiz de Fora (MG).

No primeiro bloco, os candidatos escolheram os rivais para responder às suas perguntas. Quase todas as questões se referiram a propostas dos adversários, exceto por Guilherme Boulos (PSOL), que partiu para o ataque a Meirelles.

RADICALISMO – Meirelles foi o primeiro a perguntar, escolheu Alckmin para responder à sua questão. “Como vamos mudar esse radicalismo que tanto prejudica o Brasil?”, perguntou, mencionando o incidente “lamentável” contra Bolsonaro. “É necessário um grande esforço conciliador”. Sempre que há um esforço de união nacional, de pacificação, que é o que eu defendo, a democracia consolida-se”, disse o candidato tucano.

Meirelles criticou seu adversário: “O senhor prega a pacificação, no entanto, quando Bolsonaro ainda estava na sala de cirurgia, seu programa o atacava fortemente. Isso não é uma atitude de radicalização?”. Alckmin afirmou que o emedebista  “não viu” seu programa. “Nunca pregamos a violência. Sou contra qualquer tipo de radicalismo.”

POLARIZAÇÃO – No segundo bloco, comentando que o atentado contra Bolsonaro aumentou a divisão entre os campos políticos no Brasil, a jornalista Vera Magalhães perguntou a Boulos se ele considera que a esquerda ajudou a fomentar a polarização no País, com o discurso do “nós contra eles que vigorou desde o governo Lula”.

“Temos que diferenciar o que é violência e ódio na política e o que é polarização social. Quando diferença transborda para o ódio, isso é inadmissível. Aliás, essa semana, faz seis meses do assassinato covarde de Marielle (Franco, vereadora pelo PSOL), sem que a gente saiba quem matou e mandou matá-la. Bolsonaro sofreu ataque e repudiamos. Todas as diferenças que tenho com Bolsonaro vamos resolver na política, não na violência. Querer achar o pai da polarização é hipocrisia”, respondeu Boulos.

DIÁLOGO – Ciro pediu para comentar a pergunta sobre polarização a Boulos, fazendo um gesto de “vem” com as mãos para a jornalista, que acabou escolhendo Meirelles para comentar. “Temos que promover o diálogo e caminhar juntos para a frente”, disse o emedebista.

Na tréplica, Boulos afirmou que, “efetivamente, a violência não é o meio para mudar o País”. “Quem perde com uma campanha marcada por clima de violência é a democracia. Precisamos condenar todo tipo de violência, inclusive a que atinge a juventude negra nas periferias. Para enfrentar a violência, vamos fazer de cima abaixo”, respondeu Boulos.

A OUTRA FACE – Em suas considerações finais, Marina lembrou que “esse é o primeiro debate depois do atentado contra Jair Bolsonaro”. “Tenho dito reiteradas vezes que entrei nessas eleições mesmo com todas as dificuldades de não ter tempo de TV, de não ter dinheiro, mas disse que entrei para oferecer a outra face. Para a face do ódio, o amor. Para a face da violência e do desrespeito, temos que ter tolerância, respeito com as ideias dos outros. Sou mulher, sou mãe de quatro filhos. Vi a violência perto de minha vida desde a adolescência. Tivemos o assassinato da Marielle, atentado ao Lula e atentado contra Bolsonaro. Não vamos chegar a lugar nenhum com um País dividido. Quero chamar você, mulher, para fazermos um grande movimento para unir o Brasil. Um País próspero e bom de se viver”, afirmou a candidata da Rede.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
A reportagem do Estadão foi ridiculamente facciosa. Dedicou um espaço enorme a um candidato patético como Boulos e ignorou solenemente a participação de Ciro Gomes (PDT) e Álvaro Dias (Podemos), como se nem tivessem participado do debate. E ainda chamam isso de jornalismo. (C.N.)

Defesa de Lula procura mantê-lo como candidato enquanto for possível

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Cristiano Zanin tenta cumprir a estratégia do PT

José Carlos Werneck

Os infindáveis e fracassados recursos impetrados pelos advogados do ex-presidente Lula, embora previstos em nossa arcaica legislação processual, há muito tempo são encarados como meramente procrastinatórios por todos que conhecem o assunto. O mais recente recurso é realmente uma piada, pois vai de encontro à lei.

Na noite de sábado, eles protocolaram um recurso no Tribunal Superior Eleitoral solicitando um aumento do prazo previsto em lei, para substituir o candidato a Presidência da República na chapa do PT.

PRAZO FATAL – Conforme a legislação que rege o processo eleitoral, esse prazo deve expirar nesta terça-feira, mas os advogados de Lula pedem para que se estenda até o TSE decidir sobre a admissibilidade do recurso extraordinário ao Supremo. No limite, apontam, o prazo seria dia 17 de setembro, ou seja, 20 dias antes da eleição, prazo final apontado pela legislação para alteração nas chapas.

Para a defesa de Lula, existe risco de “o direito perecer” porque o recurso extraordinário protocolado junto ao Supremo, contra a decisão do TSE que o considerou inelegível, ainda não foi analisado pelo Tribunal Superior Eleitoral, instância que decide se há razões constitucionais para o recurso subir ao Supremo.

A presidente do TSE, ministra Rosa Weber, é quem vai analisar o recurso e se entender que há matéria constitucional envolvida, o enviará ao Supremo, onde será objeto de apreciação pelo ministro Celso de Mello.

SUSPENSÃO – Até o assunto ser decidido, a defesa de Lula defende a suspensão do prazo que termina no dia 11 e solicita:

“O recurso extraordinário interposto ainda pende de juízo de admissibilidade. O relógio corre”, declaram os advogados na petição. “Mesmo que Vossa Excelência admitida ainda hoje, sábado, o recurso extraordinário deste requerente, dificilmente os autos do apelo chegariam a tempo no Supremo. Por outro lado, até o presente momento não há qualquer sessão plenária convocada antes de terça-feira, data limite da substituição. Para além disso, mantido o prazo máximo de troca para o dia 11/04 (sic), o início da consulta aos partidos coligados deveria ocorrer ao menos no início da tarde de terça -feira, de sorte que também não seria possível ao candidato aguardar uma decisão já na noite de terça.”

FIM DO PRAZO -Os advogados afirmam que o prazo máximo, de 20 dias antes da eleição para a substituição, que seria dia 17 de setembro, “deveria ser sempre respeitado”. “No entanto, enquanto o candidato estivesse a questionar a negativa de seu registro mediante interposição recursal, o prazo para a troca não tinha o seu início. Essa sempre foi a jurisprudência da Corte”.

Os patronos do PT tentam de tudo, na Justiça, antes de fazer a substituição de Lula por Fernando Haddad na chapa do partido, endossando a premissa de que que é importantíssimo mostrar ao eleitor que houve inconformismo com a decisão do TSE e que lutaram até o fim, embora os líderes mais lúcidos do partido tenham plena convicção que a substituição é questão incontornável e está inteiramente prevista na legislação eleitoral.

Amar também é servir, ajudar e estender a mão, diz a poetisa Carmen Cardin

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Site Poemas & Canções
A professora, artista plástica e poetisa carioca Carmen Cardin, no poema “O Perfume das Rosas”, fala do altruísmo que este bálsamo concede a quem verdadeiramente cultiva o amor.

O PERFUME DAS ROSAS
Carmen Cardin

Tão maravilhoso amar,
Ainda mais, ser amado.
É o hábito mais salutar,

Que pode ser cultivado.

Tão prazeroso perdoar,
Olvidar toda ingratidão,
Servir aos seres, ajudar,
Estendendo a tua mão.

Quando o tempo passar,
Verás, no terno partilhar:
Jamais estiveste sozinho…

Terás no perfume das rosas,
Nos atos de almas formosas,
Ventura a brilhar no caminho!

Advogados do PT passam dos limites ao pedir prazo para substituir Lula

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Ilustração reproduzida do site Imprensa Livre

Carlos Newton

Os processos contra o ex-presidentes Lula da Silva – tanto na área penal como na cível e na eleitoral – são preciosas aulas de Direito. Ao analisar o comportamento dos advogados, podemos aprender bastante sobre Processualística, a ponto de ser recomendável aos universitários que pretendam estudar como fazer e também como não fazer. Os advogados do ex-presidente exibem erros e acertos impressionantes, desde que Lula começou a se comportar como o “Charles Anjo 45”, de Jorge Benjor, aquele que marcou bobeira e foi sem querer tirar férias numa colônia penal,

O primeiro advogado que se aproximou de Lula, nos tempos do sindicalismo, foi Roberto Teixeira, que sentiu estar diante de um político promissor e oportunisticamente lhe emprestou uma confortável casa para morar.

COMPADRES – Não se sabe ao certo como começou a amizade entre Lula e Teixeira. O fato é que ficaram tão íntimos que se tornaram compadres. Esta amizade por interesses foi um grave erro de Lula, porque Teixeira é um profissional limitado e que levou o sindicalista/político a trilhar por caminhos tristonhos, como diria Ary Barroso.

Os dois primeiros casos envolvendo Lula em corrupção e lavagem de dinheiro eram banais, facilmente solucionáveis. Meu amigo Carlos Lessa, grande mestre da Economia, ficou abismado com a incompetência dos advogados. “Ganhando alto salário de presidente e a ‘Bolsa Ditadura’ durante oito anos, sem gastar nada, tudo pago pelo contribuinte, Lula tinha recursos suficientes para comprar o apartamento, que estava até declarado ao Imposto de Renda.

Se dissesse que a cobertura era da mulher (o que era verdade) e que ela até tentara pagar a diferença, mas o empresário da OAS se recusara a receber, em homenagem aos serviços por Lula supostamente prestados ao povo brasileiro, não haveria crime, porque governante não pode ganhar presentes valiosos durante o mandato, mas depois o tráfico é liberado, digamos assim. E quem orientou sua defesa foi o compadre Teixeira.

SÍTIO EM ATIBAIA – A mesma falha da defesa se registrou no caso do sítio em Atibaia, cuja assinatura da compra foi comandada em cartório pelo próprio Teixeira. Lula tinha recursos para ser dono do sítio, devia ter comprado, ao invés de arranjar “laranjas” ligados ao filho Fábio Luís, o fenômeno nos negócios.

Teixeira também montou a farsa do apartamento de Lula em São Bernardo, fazendo José Carlos Bumlai simular a compra do apartamento vizinho ao Lula, para duplicar os aposentos presidenciais, digamos assim.

O resultado é que Bumlai foi preso e Teixeira virou réu, como cúmplice do réu principal Lula da Silva.

O GENRO É SHOW –  Se o advogado Bumlai é um trapalhão, em compensação seu genro Cristiano Zanin faz o possível e o impossível para ajudar Lula. Com aquele visual de sacristão, Zanin se tornou recordista mundial em recursos, prestes a ser registrado no Livro Guinness.

Pode-se dizer o que quiser dele, mas o fato incontestável é que nunca antes, na História deste país, se viu um advogado defender um cliente com tanto empenho, inclusive usando com maestria a mídia no exterior e manipulando até o Comitê de Direitos Humanos da ONU e a secretaria da OEA.

Zanin é um craque no Direito Penal e Cível. Mas no Direito Eleitoral o ainda candidato Lula está muito mal assessorado por outros advogados e se julga no direito de obrigá-los a passar dos limites, pedindo mais prazo para o PT substituir a chapa presidencial.

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P.S. 1 –
Na próxima vez em que eu tiver problemas com a Justiça, vou contratá-lo para me defender. Espero que não cobre muito caro.

P.S. 2 O Ato Institucional baixado na Tribuna da Internet é para valer. Quem balançar o corpo, de maneira folgazã, será devidamente censurado, como dizia Billy Blanco, a quem encontrei pela última na homenagem a Carlos Manga na Assembleia do Rio. Somente lá é que eu soube que os dois eram não só amigos, mas também parentes por afinidade. (C.N.)

Eleitor vai conferir as novas pesquisas com o futuro resultado das urnas

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Charge do Ivan Cabral (ivancabral.com)

Pedro do Coutto

Mais uma vez, na história política do Brasil, 147 milhões de eleitores e eleitoras vão poder conferir o que apontarem o Ibope e Datafolha quanto às intenções de voto com os resultados concretos das urnas. O desenvolvimento das pesquisas, vale frisar, passa por várias fases da campanha e ilumina nessas etapas as tendências registradas em cada uma das etapas.

Estou me referindo às votações majoritárias porque as proporcionais dependem, em grande número de casos, dos redutos mantidos à base de prestação de serviço por deputados federais e estaduais.

DESDE JK – Ao longo do tempo em que acompanho pesquisas eleitorais, a começar pela vitória de Juscelino Kubitschek em 55, acentuo que em mais de 60 anos só tomei conhecimento de dois graves equívocos por parte do Ibope. Em 54, em São Paulo, quando Jânio bateu Ademar de Barros para governador, e em 85, quando o mesmo Jânio emergiu do passado e derrotou Fernando Henrique Cardoso para a prefeitura da cidade de São Paulo. O Datafolha é mais recente do que o Ibope. Deve ter ao todo, estimo eu, em torno de 40 anos.

Os prognósticos são cálculos de precisão. Sem dúvida. No pleito de 2014, o Datafolha prognosticou uma vitória de Dilma Rousseff pela diferença de 4 pontos. O Ibope projetou 5 pontos de vantagem. Ela venceu com 3 pontos percentuais. Muitas pessoas não acreditam em pesquisa, eu fui um dos primeiros jornalistas a levá-las a sério e escrever sobre elas. Me vem a memória a entrevista de JK no Rio, com base no Ibope de Paulo Montenegro, quando ele assinalou os pontos em que venceria e os pontos em que seria derrotado. Impressionou-me muito a exatidão confirmada nas urnas em relação as perspectivas e os lances finais da campanha.

FIRMEZA – Impressionou-me também a firmeza de JK ao dizer que Ademar de Barros sairia na frente, pois a apuração em São Paulo corria mais rapidamente do que em Minas Gerais. JK teve 62% dos votos de Minas e alcançou uma votação fraca em São Paulo.

Dei esse exemplo para esclarecer que os grupos sociais têm tendências definidas dentro delas mesmas. As vezes um candidato sai na frente e termina perdendo a disputa. Acontece. E acontece porque, de outro lado, as pesquisas acompanham situações de momento, não podendo prever os desfechos das urnas semanas depois. Agora mesmo, estamos a quase quatro semanas da votação. Não se pode dizer hoje qual candidato chegará ao segundo turno contra Bolsonaro. Mas é possível projetar-se outro tipo de afirmação com base nas oscilações dos candidatos.

PAES VENCERÁ – No estado do Rio de Janeiro, por exemplo, na minha opinião Eduardo Paes (DEM) vencerá a disputa. Encontra-se numa fase de ascendência, enquanto Romário cai no lado oposto. Paes, pelo Datafolha na última semana subiu de 18 para 24%, enquanto Romário desceu de 16 para 14%.

Este é o quadro das eleições que vão levar às urnas mais de 140 milhões de brasileiros e brasileiras. Em matéria de tendência, temos que esperar as próximas pesquisas que vêm por aí.  A do Datafolha está anunciada para hoje, segunda-feira.

Filhos de Bolsonaro se reúnem com diretor da PF nesta segunda-feira

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Eduardo Bolsonaro diz que há risco de radicalização

Deu em O Tempo
(Estadão Conteúdo)

A família de Jair Bolsonaro (PSL), candidato à Presidência nas eleições de 2018, vai se reunir com o diretor da Polícia Federal, Rogério Galloro, nesta segunda-feira (10). Os filhos Flávio e Eduardo confirmaram que estarão em Brasília para o encontro.

Eduardo disse hoje, a jornalistas que estavam no Hospital Albert Einstein onde está internado o presidenciável, que Galloro voltou de viagem aos Estados Unidos por conta do ataque sofrido por Jair Bolsonaro na quinta-feira (6) em Juiz de Fora (MG).

SEGURANÇA – “Vamos bater um papo para saber o que pode ser feito em relação à segurança”, disse Eduardo neste domingo. Ele ressaltou que seu pai “faz questão do contato com o povo” e, com isso, a segurança dele fica ainda mais difícil. Ao mesmo tempo, Eduardo ressaltou que seu pai está exposto a um nível de periculosidade muito maior agora, o que exige proteção redobrada.

Eduardo disse que “não é conveniente” um atentado contra ele ou outro familiar de Bolsonaro. “Se você tirar o lado emocional e analisar racionalmente, é mais intenção de voto para o Jair Bolsonaro. Geraria mais comoção me matar, por exemplo.”

Bolsonaro tem segurança da PF e de amigos policiais que fazem a proteção de forma gratuita, disse seu filho. O agressor sabia desse forte esquema de segurança, e mesmo assim tentou assassinar o militar, ressaltou Eduardo. “Você vê que não é algo racional.”

Barroso vai suspender a campanha se o PT citar Lula como “candidato”

Prazo para PT substituir candidato acaba na terça

Carolina Brígido
Agência O Globo

O ministro Luís Roberto Barroso, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), afirmou neste domingo que o PT está descumprindo a decisão da Corte de proibir a apresentação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva como candidato na propaganda eleitoral do rádio e da TV. Para ele, expressões como “estamos com Lula” e “vamos com Lula”, usadas pela coligação, dão a entender que o ex-presidente está na disputa. Barroso determinou que, se houver novo descumprimento, a propaganda eleitoral da coligação será suspensa.

A decisão foi tomada em resposta a um pedido do Ministério Público Eleitoral. Segundo o órgão, a coligação do PT estaria descumprindo a determinação do TSE – que, no último dia 1º, negou o registro de candidatura a Lula e proibiu o petista de aparecer como candidato na propaganda eleitoral.

APENAS APOIO – O ex-presidente pode participar apenas como apoiador da candidatura de Fernando Haddad, vice na chapa. Barroso determinou que, em caso de nova desobediência, os juízes auxiliares do TSE podem suspender o horário eleitoral da coligação que apoia a candidatura presidencial do PT.

“Os fatos narrados na presente petição evidenciam a recalcitrância da Coligação ‘O Povo Feliz de Novo’ em cumprir a determinação do TSE (…) vedando a prática de atos de campanha pelo ex-candidato com registro indeferido, em especial a veiculação de propaganda eleitoral relativa à campanha presidencial no rádio e na televisão”, escreveu Barroso.

O ministro lembrou que, no julgamento do dia 1º, ele votou pela suspensão da propaganda eleitoral no rádio e na televisão até que houvesse a substituição do candidato a presidente da coligação. Mas o advogado do PT pediu a proibição apenas da campanha de Lula, mas permitida a do vice da chapa, Fernando Haddad. O TSE concordou.

DESOBEDIÊNCIA – “Nada obstante, as sucessivas veiculações de propaganda eleitoral em desconformidade com o decidido revelam que a atuação da coligação se distanciou dos compromissos por ela assumidos, a exigir uma atuação em caráter mais abrangente”, avisou o ministro.

Na decisão, Barroso não detalhou quais peças de campanha considerou ilegais. Mas, no pedido, o MP citou como exemplo as expressões que associam Haddad a Lula – como “vice do Lula”, “Lula-Haddad”, “estamos com Lula” e “vamos com Lula”. Segundo o MP, trata-se de “jogo de palavras publicitariamente voltados a alimentar a ideia de continuidade da candidatura indeferida”. Para o órgão, o artifício configura “propaganda eleitoral enganosa (…) capaz de induzir em erro o eleitor quanto a candidatura presidencial inexistente”.

“Legitimidade do novo governo pode até ser questionada”, diz Villas Bôas

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Comandante do Exército lamenta a radicalização 

Deu em O Tempo
Estadão

O comandante do Exército, general Eduardo Villas Bôas, disse que o atentado ao deputado Jair Bolsonaro, candidato pelo PSL ao Planalto, “é a materialização das preocupações que a gente estava antevendo de todo esse acirramento dessas divergências, que saíram do nível político e já passaram para nível comportamental das pessoas”.

Em entrevista ao jornal “O Estado de S. Paulo”, o general afirmou que esse gesto de intolerância mostra que “nós estamos agora construindo dificuldade para que o novo governo tenha uma estabilidade, para a sua governabilidade e podendo até mesmo ter sua legitimidade questionada”. A seguir, os principais pontos da entrevista:

O sr. já estava preocupado com o acirramento dos ânimos. O atentado a Bolsonaro aumentou essa preocupação?
O atentado é a materialização das preocupações que a gente estava antevendo de todo esse acirramento dessas divergências, que saíram do nível político e já passaram para nível comportamental das pessoas. A intolerância está muito grande. E esse atentado, infelizmente, veio a confirmar essa intolerância generalizada e a nossa falta de capacidade de colocar acima dessas questões políticas, ideológicas e pessoais o interesse do País.

Qual o efeito do atentado para o momento eleitoral?
O atentado confirma que estamos construindo dificuldade para que o novo governo tenha uma estabilidade, para a sua governabilidade, e podendo até mesmo ter sua legitimidade questionada. Por exemplo, com relação a Bolsonaro, ele não sendo eleito, ele pode dizer que prejudicaram a campanha dele. E, ele sendo eleito, provavelmente será dito que ele foi beneficiado pelo atentado, porque gerou comoção. Daí, altera o ritmo normal das coisas e isso é preocupante.

Temia que um atentado pudesse acontecer?
Por conta da exacerbação da violência, já tínhamos a preocupação de que algo pudesse acontecer. Não tínhamos indícios concretos, mas tínhamos preocupação e vínhamos alertando, como fiz na minha ordem do Dia do Soldado, quando falei da necessidade de pacificação do País.

O sr. teme que possa acontecer mais alguma coisa?
Eu liguei para todos os comandantes após o desfile (de Sete de Setembro) para saber como transcorreram as festividades, e em nenhum lugar me foi reportada nenhuma manifestação. Não sei se a população levou um choque com o que aconteceu. Espero que isso prevaleça e que a sociedade tenha levado um susto, do que pode acontecer diante dos caminhos que estávamos trilhando. Espero que as coisas se harmonizem a partir de agora. E a declaração dos candidatos foram nesse sentido, embora nas redes sociais ainda existam mensagem de intolerância, que é um indicador ruim

Como o Exército acompanha a tentativa de registro da candidatura do ex-presidente Lula?
A gente vem pautando nossa atuação e discurso em cima da legalidade, legitimidade e estabilidade. Entendemos que a estabilidade é fundamental para o funcionamento das instituições Até porque, o inverso, a instabilidade, implica diretamente nossa atuação, como na greve dos caminhoneiros. Preocupa que este acirramento das divisões acabe minando tanto a governabilidade quanto a legitimidade do próximo governo. Nos preocupa também que as decisões relativas a este tema sejam definidas e decididas rapidamente, de uma maneira definitiva, para que todo o processo transcorra com naturalidade.

Um dos argumentos da defesa de Lula é um parecer do Comitê de Direitos humanos da ONU. Como avalia?
É uma tentativa de invasão da soberania nacional. Depende de nós permitir que ela se confirme ou não. Isso é algo que nos preocupa, porque pode comprometer nossa estabilidade, as condições de governabilidade e de legitimidade do próximo governo.

Na possibilidade de Lula se tornar elegível e ganhar, qual seria a posição das Forças?
Quem chancela isso é o povo brasileiro. Nós somos instituição de Estado que serve ao povo. Não se trata de prestar continência para A ou B. Mas, sim, de cumprir as prerrogativas estabelecidas a quem é eleito presidente. Não há hipótese de o Exército provocar uma quebra de ordem institucional. Não se trata de fulanizar. O pior cenário é termos alguém sub judice, afrontando tanto a Constituição quanto a Lei da Ficha Limpa, tirando a legitimidade, dificultando a estabilidade e a governabilidade do futuro governo e dividindo ainda mais a sociedade brasileira. A Lei da Ficha Limpa se aplica a todos.

Até quando essa questão tem de ser decidida?
Que seja decidida com oportunidade para que o processo eleitoral transcorra normalmente e naturalmente.

O sr. acha que, se um dos extremos ganhar as eleições, radicais oposicionistas poderiam provocar desordem no País?
Absolutamente, não. O País atingiu uma maturidade. Eventualmente, podem ocorrer ações isoladas, de pequena monta, sem adquirir este caráter de uma grande instabilidade para o País.

Bolsonaro aparece como candidato dos militares. Ele é o candidato das Forças Armadas?
Não é candidato das Forças. As Forças Armadas são instituições de Estado, de caráter apolítico e apartidário. Obviamente, ele tem apelo no público militar, porque ele procura se identificar com as questões que são caras às Forças, além de ter senso de oportunidade aguçada.

Um eventual governo Bolsonaro poderia ser considerado um governo militar?
Absolutamente, não. Não é um governo militar. A postura e a conduta das Forças Armadas serão exatamente as mesmas em um governo de esquerda ou de direita, sem fulanizar.

Defesa de Lula pede mais prazo para substituição de seu nome na chapa

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PT quer manter Lula como candidato até o dia 17

Karla Gamba e Carolina Brígido
O Globo

A defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva entrou com um recurso no sábado à noite no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pedindo extensão do prazo para a substituição do candidato a presidente na chapa do PT. No dia 1º, a Corte proibiu Lula de concorrer, por estar enquadrado na Lei da Ficha Limpa, e deu dez dias para a coligação apresentar um novo nome. O prazo vence na terça-feira, mas a coligação quer até o dia 17 para registrar o substituto – que deve ser o vice na chapa, Fernando Haddad.

O prazo de dez dias “contados do fato ou decisão judicial que deu origem à substituição” está previsto na legislação eleitoral. Mas o PT argumenta que o próprio TSE tem jurisprudência no sentido de o prazo não começa a ser contado enquanto a negativa do registro de candidatura ainda puder ser alterada.

PRAZO FATAL – O partido lembra que ainda há um recurso ao STF que ainda não foi examinado. A mesma lei eleitoral dá até 20 dias antes da eleição como prazo final para a substituição de candidaturas – ou seja, 17 de setembro.

“Esta Corte jamais permitiu o início do prazo de substituição enquanto o indeferimento do registro pudesse ser revertido. É o caso dos autos, em que há recurso extraordinário pendente de juízo de admissibilidade”, argumenta a defesa. Ainda segundo os advogados, “a situação é dramática”. Se o partido substituir o nome de Lula por Haddad no dia 11, o STF não poderá julgar o recurso. “O relógio corre”, escreveu a defesa.

ULTIMATO – Os advogados afirmaram que, ou se concede a liminar, “ou o direito perecerá, privando a Suprema Corte de enfrentar a temática; privando este candidato do legítimo direito de ver sua pretensão julgada em tempo efetivo; privando a população de ter a certeza, ou não, de que a candidatura deste requerente (desejada por mais de 40% da população) era, ou não viável. A não concessão da tutela de urgência é a consolidação da dúvida. Do sentimento de “e se?”. É a cristalização do sentimento de injustiça”.

RECURSO DO STF – Logo depois da decisão do TSE que negou o registro a Lula, os advogados apresentaram um recurso extraordinário contestando a decisão. Cabe à presidente do TSE, ministra Rosa Weber, decidir a “admissibilidade” desse recurso. Ela vai examinar se há alguma questão constitucional a ser discutida. Em caso positivo, enviará o caso para o Supremo Tribunal Federal (STF).

Se o caso chegar ao STF, será encaminhado ao gabinete do ministro Celso de Mello. Na semana passada, a coligação de Lula pediu uma liminar para suspender a decisão do TSE enquanto o recurso não chegasse ao STF. Mas o ministro declarou que apenas Rosa poderia tomar essa decisão. A qualquer momento, a ministra poderá decidir se envia ou não o recurso ao STF. Ela também vai decidir se dá a Lula uma liminar para continuar concorrendo enquanto o STF não examinar o recurso. Ou, ainda, conceder o prazo extra para a substituição.

COMITÊ DA ONU – No recurso à decisão do TSE, a defesa de Lula argumenta que uma decisão do Comitê de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) assegura a Lula o direito de concorrer. Os advogados também afirmam que a legislação eleitoral autoriza que um candidato concorra “sub judice” – ou seja, ainda com recurso pendente de análise. Na decisão do dia 1, o plenário do TSE declarou que o termo “sub judice” não se aplica a recursos apresentados depois da negativa de registro de candidatura pela corte eleitoral. Portanto, Lula não poderia concorrer às eleições depois de ter apresentado recurso ao TSE ou ao STF.

SUB JUDICE – Em eleições anteriores, a praxe era o TSE permitir que o candidato concorresse sub judice, até se esgotarem os recursos ao próprio tribunal eleitoral. Segundo os advogados, a virada na jurisprudência teria ocorrido no caso Lula. Eles argumentam que as regras da disputa não poderiam ser mudadas às vésperas das eleições, em respeito ao princípio da anualidade expresso na Constituição Federal.

“Lula foi arrancado da disputa no mesmo dia. A decisão teve eficácia imediata”. Segundo os advogados, “a situação é dramática”, porque não haverá sessão no plenário do STF até o dia 11. “Não há como aguardar a análise do tema pelo STF. Não há tempo. Ou se tem uma decisão até o próximo dia 11 de setembro – deadline imposto pelo acórdão recorrido, em outra guinada jurisprudencial – ou a candidatura de LULA será enterrada viva (sub judice, nos termos do 16-A)”, diz a defesa.

Por que não havia sangue na faca do agressor que atacou Jair Bolsonaro?

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A faca de Adelio é uma ‘peixeira’ de tamanho médio

Iracema Amaral
Estado de Minas

A ausência de sangue na faca que atingiu a barriga do deputado federal e candidato à Presidência da República, Jair Bolsonaro (PSL), na camisa e no pano branco que cobriu o ferimento, criou dúvidas a respeito do atentado na cidade mineira de Juiz de Fora, na Zona da Mata nessa quinta-feira (6). Médicos ouvidos pela reportagem do Estado de Minas, na manhã desta sexta-feira, asseguraram que essas observações só fazem sentido aos olhos do leigo.

 Por se tratar de um momento de ânimos acirrados da campanha eleitoral, os dois cirurgiões pediram para que suas identidades sejam mantidas em sigilo. O mesmo ocorreu com um investigador da Polícia Civil que trabalha no IML de Belo Horizonte.

RAPIDEZ – Um dos médicos ouvidos pela reportagem, cirurgião-geral há 38 anos, hoje lecionando em uma Faculdade de Medicina em Minas, disse que quanto mais rápida a estocada de um objeto cortante, a exemplo do que ocorreu com Adélio Bispo de Oliveira, menos suja a arma sairá do corpo da vítima.

O cirurgião-geral explicou que, apesar de o corte em Bolsonaro ter sido profundo, provocando hemorragia interna,  a arma pode ter sido sido limpa pela gordura que o corpo humano tem sob a pele.  Além disso, ele explicou que as imagens veiculadas no momento em que o candidato é atingido não permitem garantir que não havia sangue na faca.

Outro cirurgião ouvido pela reportagem,  que opera  há mais de 10 anos em um hospital de Belo Horizonte, disse que a falta de sangue na faca pode ser explicada pelo fato de o líquido peritoneal (contido na cavidade abdominal) ser de baixa viscosidade e, por isso, ter diluído o sangue. Além disso, o corte sofrido em uma veia abdominal, que levou o candidato a ter uma hermorragia interna, não se exterioriza de imediato, o que pode explicar também o pano branco não ter sido machado de sangue. O sangue fluiria para dentro e não para fora.

PERÍCIA – O cirurgião-geral e professor destacou também  que apenas o laudo da perícia técnica  poderá afirmar se a faca apreendida pela Polícia Militar, cuja foto foi divulgada para a imprensa, é de fato a arma do crime.

A opinião é compartilhada pelo investigador da Polícia Civil que trabalha no IML. Ele lembrou os recursos técnicos disponíveis hoje para detectar sangue ou qualquer outro fluido que fica em armas usadas em crimes, ainda que microscopicamente. Em meio à confusão que se seguiu ao atentado, destacou o investigador, não se sabe nas mãos de quantas pessoas essa faca passou.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGInteressante a matéria do Estado de Minas. Só esqueceu de lembrar que o próprio Bolsonauro pressionou o abdomen assim que foi atingido e o furo era pequeno, apesar do estrago ser grande, pois ele perdeu 2 litros de sangue, cerca de 30% do total para um homem do seu tamanho. Os médicos tiveram de abrir a barriga dele para costurar a artéria e limpar as fezes, para evitar uma infeção.  (C.N.)

‘É exagero alegar que Bolsonaro ameaça democracia’, diz cientista político

O cientista político Jorge Zaverucha, professor da Universidade Federal de Pernambuco, no escritório de sua casa, em Recife

Bolsonaro seguirá as regras do jogo, diz Zaverucha

Marco Rodrigo Almeida
Folha

O cientista político Jorge Zaverucha, professor titular da Universidade Federal de Pernambuco, tem uma posição rara entre seus pares acadêmicos em relação ao cenário eleitoral. Não apenas se opõe ao discurso de que Jair Bolsonaro (PSL) é uma ameaça à democracia brasileira como também não descarta votar nele. Para o professor, muitos eleitores deverão seguir pelo mesmo rumo após o atentado sofrido pelo capitão reformado na última quinta-feira (6), em Juiz de Fora (MG).

Nos últimos meses, inúmeros pesquisadores e intelectuais manifestaram apreensão diante da possibilidade de sua vitória. À Folha, por exemplo, os cientistas políticos americanos Francis Fukuyama e Steven Levitsky e a historiadora Heloisa Starling disseram que Bolsonaro representa um grave risco às instituições democráticas. A revista britânica The Economist afirmou o mesmo em recente editorial.

Embora reconheça traços autoritários no candidato, Zaverucha faz avaliação diversa. A democracia brasileira, diz, há muito passa por processo de morte lenta, provocado pelos que se dizem democratas, não pelos supostos autoritários.

Doutor em ciências políticas pela Universidade de Chicago (EUA) e autor de livros a respeito da relação entre democracia, autoritarismo e as Forças Armadas, Zaverucha não vê diferenças significativas entre Bolsonaro e os demais candidatos e acredita que um eventual governo dele seguiria as regras do jogo.

Como fica a corrida eleitoral após o atentado contra Bolsonaro? A tendência é que a candidatura se fortaleça. Ele tinha poucos segundos na TV, e agora só se fala dele, do ataque que sofreu. Por ser um drama humano, certamente ganhará simpatia, vai angariar adeptos. Antes parcela do eleitorado o via como violento. Agora é visto como vítima. Além disso, os outros candidatos irão reduzir as críticas a ele. Terá uns dez, 15 dias de sossego, o que já é uma grande coisa para a campanha.

E em relação ao discurso de combate ao crime?
Também nesse ponto será beneficiado. Poderá dizer: “Olha só, fui atacado por uma faca. Vocês que querem proibir as armas de fogo vão tentar também proibir as armas brancas?”. O discurso dele é que a arma de fogo é só um instrumento: quem mata é o homem, não a arma. Então proibir armas de fogo não deixará o país mais seguro. O que ocorreu com ele comprova esse discurso.

Cientistas políticos e outros acadêmicos, no Brasil e no exterior, têm dito de forma quase unânime que Bolsonaro ameaça a democracia brasileira. O que o senhor pensa? 
O que seria uma ameaça? O que me transparece é um temor de que ele poderia liderar um golpe de Estado. Não vejo essa possibilidade. Quando falam desse suposto perigo, essas pessoas dão a entender que nossa democracia é uma vestal que estaria prestes a ser violada por um brutamontes chamado Bolsonaro. Eu digo que a coisa é mais matizada. Nossa democracia há tempos é frágil, capenga, mal se sustenta.

O senhor pode dar exemplos?
A democracia tem sido violada desde o seu nascedouro. A imprensa já revelou que pelo menos cinco artigos da Constituição de 1988 foram introduzidos à socapa, sem terem passado por votações, sem que os constituintes soubessem. Um exemplo mais recente. O Senado rasgou a Constituição ao fatiar a votação do impeachment de Dilma Rousseff, o que permitiu que seu mandato fosse cassado, mas seus direitos políticos fossem preservados. A Constituição foi rasgada várias vezes, mas não pelas mãos de Bolsonaro.

Mas o senhor vê alguma espécie de ameaça em Bolsonaro, como tantos dizem? 
Não vejo muita diferença dele para os demais. A nossa democracia vem sendo avacalhada dia a dia. Se ela não fosse avacalhada, não existiria Bolsonaro. Uma das razões de existir Bolsonaro é essa bagunça. Isso não foi provocado pelos supostos autoritários, mas pelos ditos democratas.

O PT apoia Maduro e Ortega. Isso não é ameaça à democracia? Isso não é ameaça maior que Bolsonaro?
O cientista político Steven Levitsky, autor de “Como as Democracias Morrem”, afirmou que Bolsonaro não está comprometido com as regras democráticas, que ele é o Hugo Chávez do Brasil. Acho que ele exagera. Chávez tinha claramente um passado golpista quando chegou ao poder. Não vejo Bolsonaro como sendo um golpista. Em seu programa de governo diz que fará o jogo democrático. Caso ganhe, acredito que governará de acordo com as regras, como qualquer outro candidato. Ele pode ter um senão ou outro, mas dizer que isso chega a ser uma ameaça é muito forte.

E as declarações de que fecharia o Congresso ou os elogios a nomes como o coronel Ustra, símbolo da repressão durante a ditadura militar?
Bolsonaro já falou muitos absurdos, é claro. Fechar o Congresso, fuzilar Fernando Henrique Cardoso. É mesmo preocupante elogiar Ustra, mas me parece que com o passar do tempo ele vem mudando de opinião. Antes era um estatista na economia, agora é liberal.

O senhor acha que essa mudança é crível? 
Acho que é crível. Ele era mais extremista, agora já mede as palavras. Sinal de maturidade. Ele vê que a posição dele agora é outra. Uma coisa era ser um deputado do baixo clero, outra é ser um sério candidato à Presidência da República. Tentam criar uma dicotomia entre Bolsonaro e os ditos democratas. Vamos com calma. Exageram ao dizer que Bolsonaro é uma ameaça à democracia. Tentam pintá-lo como um monstro.

Quando o PT pratica chicanas jurídicas, como no episódio do desembargador Rogério Favreto, para tentar garantir a candidatura de Lula, isso não é uma ameaça?
Bolsonaro não é o vilão da eleição, seus oponentes não são os mocinhos.

Por que tentam pintá-lo assim?
É uma questão ideológica, de esquerda contra direita. Bolsonaro diz, por exemplo, que não houve golpe militar em 1964. Ele está errado, é um absurdo o que diz. Por outro lado, ele chama a atenção para algo que a esquerda não quer aceitar, que havia em 1964 uma disputa entre o autoritarismo de esquerda e o de direita. Não fosse a direita a dar o golpe, é provável que a esquerda o desse. Bolsonaro destaca que houve um grande apoio civil ao golpe de 64, e isso é verdade. A ditadura não foi apenas militar, foi civil militar.

Qual o principal ponto da candidatura de Bolsonaro?
Ele promete combater a violência de um modo mais incisivo que os outros. Foi o primeiro a levantar a questão de que o cidadão deve ficar armado. Um dos eixos desta eleição é a questão da segurança, e ele transmite ao eleitor a ideia de que dará uma resposta a isso.

O que achou das propostas dele nessa área? 
Há coisas boas e ruins. Um ponto positivo: ele diz que todas as mudanças serão feitas por meio da defesa das leis e da obediência à Constituição. Isso não é discurso de quem é autoritário. E diz também coisas parcialmente corretas. Diz que vai acabar com a progressão de pena. Ele deveria acabar com a elasticidade da progressão de penas. A progressão deve continuar, mas não como essa brincadeira que virou no país. Sobre as armas, ele teve o cuidado de afirmar que não quer armar a população, mas sim garantir o direito à legítima defesa. Deixa claro isso.

E quais são os pontos negativos? 
Ele exagera muito na questão ideológica. Diz que a esquerda corrompeu a democracia nos últimos 30 anos. Isso é obra de todos os partidos. Tivemos também Maluf, Collor, que não são de esquerda. Ele também exagera na questão do Foro de São Paulo. Concordo que é uma instituição autoritária, que apoia os bolivarianos, mas não podemos colocar o problema da segurança na conta do foro. O programa sugere que o aumento de homicídios no Brasil tem relação com o Foro de São Paulo. Não há nenhum dado que permita concluir isso. Não há fundamento científico para isso. É a ideologia querendo mandar na ciência. É um chute monumental.

Como interpreta a onda de candidatos militares nesta eleição? Um sinal de que a democracia está fracassando é que os próprios partidos querem esses candidatos militares. Os civis acham que eles trarão votos, pois há a imagem de que são honestos, disciplinados. Como o poder civil está abalado, aceita a introdução dos militares.

Em quem o senhor vai votar nesta eleição?
Ainda não decidi, só sei em quem não vou votar.

Exclui votar em Bolsonaro?
Não, não excluo, de jeito nenhum. Posso vir a votar nele, vai depender do cenário.