Raquel Dodge vai se pronunciar sobre o novo pedido para libertar Lula

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Raquel Dodge vai examinar os argumentos da defesa

 


Mariana Oliveira

TV Globo, Brasília

O ministro Luiz Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta segunda-feira (11) à Procuradoria Geral da República (PGR) que se manifeste sobre um pedido de liberdade apresentado pela defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Condenado a 12 anos e 1 mês, em regime inicialmente fechado, Lula está preso desde abril na Polícia Federal em Curitiba (PR). A defesa do ex-presidente argumenta que há irregularidades no processo e, por isso, pediu ao Supremo que suspenda o cumprimento da pena.

“Diante da relevância do tema, faz-se mister que se ouça a Procuradoria-Geral da República previamente”, escreveu Edson Fachin ao analisar o pedido.

PEDINDO PRESSA – Mais cedo, nesta segunda-feira, o ministro do Supremo se reuniu com Sepúlveda Pertence, advogado de Lula e ex-presidente da Corte. No encontro, Sepúlveda pediu celeridade na análise do caso.

“Nós pedimos presteza e ele nos prometeu”, disse Sepúlveda após a reunião. Para o advogado, a prisão é injusta. “O nosso cliente [Lula] está sofrendo uma injustiça e uma prisão que se diz confortável, mas nunca é confortável uma prisão em solitária, como ele está. E injusta”. – Sepúlveda Pertence

Lula está preso desde abril por ter sido condenado, em segunda instância, pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

CASO DO TRÍPLEX– A prisão foi decretada porque, no entendimento do Tribunal Regional Federal da Quarta Região (TRF-4), o presidente recebeu da OAS um triplex em Guarujá (SP) em retribuição a contratos firmados pela construtora com a Petrobras.

Desde o começo das investigações, Lula nega a acusação, afirmando que o imóvel não é dele e que ele não praticou crimes. A defesa do ex-presidente também afirma que a acusação do Ministério Público não apresentou provas.

Na semana passada, a defesa do ex-presidente pediu a suspensão da prisão para Lula responder em liberdade até o julgamento dos recursos nas instâncias superiores.

MESMOS ARGUMENTOS – Nos pedidos, a defesa reitera argumentos já apresentados ao próprio TRF-4 que apontam supostas irregularidades no processo, como incompetência de Sérgio Moro para analisar o caso, falta de imparcialidade no julgamento e de isenção por parte dos procuradores do Ministério Público.

Os advogados de Lula alegam que a soltura “não causará nenhum dano à Justiça Pública ou à sociedade” e que a manutenção dele na cadeia causa “lesão grave de difícil reparação”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGNada de novo no front. A defesa de Lula se repete, incansavelmente, apresentando as mesmas fundamentações. Chega a ser irritante a falta de criatividade dos advogados. É uma chatice. (C.N.)

Lembrai-vos de 1964 e do “dispositivo militar” do general Assis Brasil

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“Dispositivo” de Assis Brasil era uma ilusão

 


Sebastião Nery

Queiroz Junior, jornalista e escritor, conta que, no primeiro semestre de 1937, Flores da Cunha, governador do Rio Grande do Sul, veio ao Rio visitar Getulio. Os dois de charuto na boca:

– Sabe, Flores, os tempos são outros, vou fazer as eleições e a dificuldade em que me encontro é a de escolher um homem verdadeiramente à altura do cargo, que possa continuar minha obra.

– Quem sabe o Aranha (Oswaldo Aranha).

– Tenho pensado nele, mas não serve. O Oswaldo comprometeu-se demasiadamente com os norte-americanos e considero essa política de submissão muito perigosa.

– Talvez o Zé Américo.

– José Américo é um grande romancista, mas um péssimo político.

– Quem sabe se, esquecendo ressentimentos pessoais, não teria chegado o momento de você indicar o Eduardo Gomes.

– Impossível. O Brigadeiro é honesto, íntegro, mas é um carola. Só vive metido com padres e bispos. Com ele no poder, a religião absorveria inteiramente o Estado.

– E o Góis Monteiro?

– O Góis bebe demais. Não pode ser o timoneiro do barco nacional. Poderíamos todos ir ao fundo.

– Então, só nos resta o Ademar.

– Deus nos livre, Flores!

– Bem, nesse caso você está num beco sem saída.

Getulio deu uma longa baforada no charuto:

– Flores, quem sabe se não é isso mesmo que eu quero?

E era. Em 10 de novembro de 37, Getulio deu o golpe.

JANGO E BRIZOLA – No fim de 1963, vim ao Rio (era deputado na Bahia, pelo MTR-PSB), para uma reunião da Frente de Mobilização Popular, comandada por Brizola. Lembro-me bem do Max da Costa Santos e Roland Corbisier (deputados federais do PSB e PTB da Guanabara), do José Gomes Talarico (deputado estadual do PTB da Guanabara e amigo intimo do presidente João Goulart), do Clodesmidt Riani, Oswaldo Pacheco e outros lideres do CGT (Comando Geral dos Trabalhadores), do José Serra e Marcelo Cerqueira (presidente e vice-presidente da UNE), do Paulo Ribeiro e Tarso de Castro (a turma do jornal “Panfleto”) e alguns dos “Grupos dos Onze”.

Pareciam todos judeus, comandados por Moisés, atravessando o Mar Vermelho e chegando à Terra Prometida. Ninguém tinha dúvida nenhuma de que não haveria força humana capaz de nos tirar do poder. A única dúvida ali era sobre quem seria o presidente depois do fim do mandato de Jango, em 65: o próprio Jango ou Brizola.

JK E LACERDA – De Juscelino (meu candidato) e Lacerda, já lançados pelo PSD e UDN, não tomavam conhecimento. Juscelino, por “estar superado”. Lacerda, porque “não podia assumir”. Mas Jango era inelegível (não havia reeleição) e Brizola também, por parentesco (porém, “cunhado não é parente”). A Constituição seria modificada, “na lei ou na marra”.

Jango havia dito a meu saudoso amigo (e dele também) Alaim Melo, um dos lideres do PTB da Bahia : – “Não vou trair a memória do Velho Getulio. Ao Lacerda não passo o governo, em nenhuma hipótese”.

ASSIS BRASIL – Depois da reunião, eu disse a Brizola e ao Max (também baiano):

– Os militares, lá na Bahia, estão conspirando o tempo todo. A Marinha, não sei. Mas até eu já fui convidado por amigos para reuniões com gente do Exercito e da Aeronáutica.

Brizola pediu alguns detalhes, eu dei, não falou nada.O Max zombou:

– É a UDN militar, Nery. Essa gente não aguenta um tiro do dispositivo militar do general Assis Brasil (chefe da Casa Militar de Jango).

Quatro meses depois, estávamos todos, sem uma exceção, cassados, presos ou exilados. O “dispositivo militar” do Assis Brasil não dispositivou um tirinho sequer. Os “Grupos dos 11” eram “romanos”: “Grupos dos II”.

Edson Fachin proíbe Cristiane Brasil de entrar no Ministério do Trabalho

Fachin

O relator Fachin agiu com o rigor necessário

 


Deu em O Tempo
(Agência Estado)

A deputada federal Cristiane Brasil (PTB) está proibida de entrar no prédio do Ministério do Trabalho. Por decisão do ministro Luiz Edson Fachin, no âmbito da Registro Espúrio, ela também não pode manter contato com os demais investigados na ação da PF que mira fraudes na Secretaria de Relações do Trabalho da pasta. O gabinete e o apartamento funcional de Cristiane foram alvo de busca e apreensão nesta terça-feira (12) na segunda fase da operação da PF, autorizada pelo ministro Fachin.

Segundo a Procuradoria-Geral da República, indícios “de que a parlamentar integra a organização criminosa que atua no Ministério foram descobertos a partir da análise de telefones celulares de Renato Araújo Júnior, então servidor do Ministério do Trabalho, membro do núcleo administrativo da suposta organização criminosa, e o suplente de deputado federal Wilson Santiago Filho (PTB-PB).

MENSAGENS – Segundo o pedido da PGR, foram encontradas trocas de mensagens entre a deputada e Araújo, que seria seu braço direito no MTE, “atuando em conformidade com os interesses desta no exercício da função pública”.

“Além de orientar o servidor em relação a como agir na análise de pedidos, há inclusive mensagens que tratam da cobrança de valores previamente combinados. Também foram mencionadas mensagens de texto que fazem referência a Roberto Jefferson, presidente nacional do PTB e pai de Cristiane Brasil”, afirma a Procuradoria, por meio de nota.

De acordo com relatório de análise telemática, o servidor da secretaria de Relações do Trabalho, que atendia a interesses de membros do PTB, disse a Wilson Filho que tinha “priorizado ao máximo o senhor, Deley e Cristiane Brasil”.

PROTAGONISMO – O pedido do servidor Renato era que petebistas reforçassem o “protagonismo” dele na Secretaria de Relações do Trabalho. A sustentação dele vinha do apoio do partido, incluindo do presidente, Roberto Jefferson, pai da deputada.

O delegado Leo Garrido, na ocasião, ao falar sobre Cristiane Brasil, Deley e o deputado estadual de São Paulo Campos Machado, todos petebistas, disse que “os indícios constantes nos autos ainda não são aptos a comprovar o envolvimento deles com a Orcrim (organização criminosa)”. “Faz-se necessário o aprofundamento das investigações, com vistas a aferir a possível participação de tais parlamentares neste esquema criminoso”, afirmou o delegado Leo Garrido no documento datado de 2 de maio

DEFESA – Cristiane é filha do presidente do PTB Nacional, Roberto Jefferson, que também é alvo da Registro Espúrio. Pivô do escândalo do Mensalão do PT, o ex-deputado também teve seus endereços vasculhados pela PF.

“A Deputada Cristiane Brasil recebeu os procedimentos investigativos com tranquilidade, pois não tem papel nas decisões tomadas pelo Ministério do Trabalho, além das relações partidárias”, disse sua assessoria em nota. “Espero que as questões referentes sejam esclarecidas com brevidade e meu nome limpo”, disse a deputada, de acordo com a nota.

Após cúpula com Kim, Trump suspende exercícios militares com Coreia do Sul

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Deu em O Globo

O presidente americano, Donald Trump, anunciou nesta terça-feira que suspenderá os exercícios militares dos Estados Unidos na Península Coreana, e que espera que o ditador Kim Jong-un caminhe “muito rapidamente” para desmantelar o arsenal nuclear da Coreia do Norte, como prometido na declaração conjunta assinada pouco antes pelos dois dirigentes.

Para analistas, a suspensão dos exercícios é uma grande concessão americana, embora Trump tenha afirmado que os Estados Unidos não “cederam nada” por enquanto. Os EUA mantêm tropas na Coreia do Sul desde o fim da Guerra da Coreia, que sedimentou a divisão da península, em 1953. Atualmente, são cerca de 28 mil soldados, e a realização de exercícios conjuntos com as forças sul-coreanas tem sido historicamente acompanhada de protestos norte-coreanos.

SANÇÕES EM VIGOR – Em entrevista coletiva ao fim da primeira cúpula entre um presidente americano e um dirigente norte-coreano, Trump disse que as sanções econômicas contra a Coreia do Norte continuarão em vigor por enquanto. Ao anunciar a suspensão do que chamou de “jogos de guerra”, Trump disse que eles são muito caros e “provocativos”.

O texto completo do comunicado conjunto assinado por Trump e Kim não foi divulgado, mas trechos puderam ser lidos em uma foto em que o presidente americano segura o documento. Nele, Trump se comprometeu a dar “garantias de segurança” à Coreia do Norte, enquanto Kim “reafirmou seu compromisso firme e inabalável com a desnuclearização completa da Península Coreana”.

“Tivemos um encontro histórico e decidimos deixar o passado para trás. O mundo verá uma grande mudança” — disse Kim na assinatura da declaração conjunta. “Vamos cuidar de um problema muito grande e muito perigoso para o mundo” — afirmou Trump.

SEM DETALHES – Não foram dados detalhes sobre o cronograma das negociações abertas pelos dois líderes. Do lado americano, elas serão conduzidas pelo secretário de Estado, Mike Pompeo. Trump disse na entrevista coletiva que já haverá um novo encontro entre os negociadores na próxima semana.

Na declaração conjunta, Trump e Kim também prometeram “unir esforços para construir um regime de paz duradouro e estável” na Península Coreana, numa referência a um possível acordo de paz para pôr fim formalmente à Guerra da Coreia, que foi encerrada com uma trégua, vigente até hoje.

Trump disse na coletiva que não iria voltar atrás na sua descrição de Kim. “Bem, ele é muito talentoso. Qualquer um que assuma uma situação aos 26 anos, como ele fez, e é capaz de administrá-la, e administrá-las com firmeza… Não digo que ele seja agradável”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Importantíssima a aproximação entre Estados Unidos e a Coreia do Norte. Por enquanto, é claro, são apenas promessas. No encontro da próxima semana, talvez tenhamos algo de mais sólido. O mundo inteiro está torcendo pelo sucesso desta empreitada. (C.N.)

Procuradoria pode pedir uma medida cautelar que evite a candidatura de Lula

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Charge do Simanca (Arquivo Google)

 


Mônica Bergamo

Folha

Segue em estudo na Procuradoria-Geral da República uma iniciativa que possa evitar preventivamente a candidatura de Lula à Presidência da República. A ideia é de que o próprio MPF (Ministério Público Federal) peça uma medida cautelar à Justiça afirmando que réu condenado, como Lula, não pode se inscrever como candidato nas eleições presidenciais.

A primeira investida, no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) fracassou. A corte decidiu não analisar consulta ao tribunal feita por um deputado do DEM.

EMISSÁRIOS – O presidente Michel Temer enviou emissários para conversar com magistrados do STF (Supremo Tribunal Federal). Eles prospectam o clima no Judiciário em relação à possibilidade da apresentação de uma nova denúncia contra o presidente.

Há um temor real no governo de que a procuradora-geral, Raquel Dodge, apresente denúncia contra Temer. A ideia é convencer magistrados de que ele está quase no fim de sua gestão — e que o melhor seria evitar qualquer iniciativa mais drástica que poderia resultar na antecipação do fim de seu mandato.

Há magistrados que imaginam que a própria Dodge não apresentará a denúncia. Mas, caso ocorra o contrário, a margem de manobra seria pequena: o STF teria que enviá-la para a Câmara dos Deputados, que decide se ação contra o presidente da República pode prosseguir.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
É da maior importância esta informação de Mônica Bergamo. Como o TSE já refugou, agora é conveniente que a Procuradoria apresente ao Supremo (ou ao próprio TSE) a cautelar para resolver antecipadamente a crise que o PT pretende abrir em plena eleição presidencial. Como se dizia antigamente, é sempre melhor prevenir do que remediar. (C.N.)

“Aliados” temem fragilidade da candidatura de Meirelles e já cogitam desembarque

eirelles, decididamente, não está agradando a ninguém

 


Cristiane Jungblut, Letícia Fernandes e Maria Lima
O Globo

Os números da última pesquisa Datafolha sobre a percepção dos brasileiros em relação à economia levaram ontem aliados do pré-candidato do MDB à Presidência, Henrique Meirelles, a reconhecer as dificuldades do emedebista em conquistar o apoio do próprio partido na convenção de julho. Finalizada na quinta-feira passada, a pesquisa mostra que 72% dos entrevistados enxergam uma piora do cenário econômico, enquanto apenas 6% acreditam em uma possível melhora. Os resultados adversos da economia, combinados à impopularidade do presidente Michel Temer, têm dificultado o crescimento de Meirelles, que segue com 1% das intenções de voto.

Diante dos resultados do Datafolha, o próprio ministro da Secretaria de Governo de Temer, Carlos Marun, praticamente descarta a candidatura do emedebista, ao defender que a legenda e os outros partidos aliados ouçam o “instinto de sobrevivência” e discutam o apoio a um candidato de centro “mais competitivo”. O ministro, no entanto, diz que vai continuar trabalhando por Meirelles enquanto os partidos não chegam a esse entendimento.

SOBREVIVÊNCIA — “Acho que em algum momento essa conversa vai acontecer, até por um instinto de sobrevivência. Mas hoje, como a proposta não teve retorno, no momento cabe ao MDB fazer o que já estamos fazendo, fortalecer a candidatura do Meirelles” — diz o ministro.

No ano passado, quando ainda tentava se viabilizar como pré-candidato, Meirelles afirmava que a sensação de bem-estar social econômico seria o principal motor de sua candidatura. A pouco mais de um mês das convenções, no entanto, o economista se notabiliza como o candidato da máquina federal com o pior desempenho desde a redemocratização do país. Em junho de 2002, o tucano José Serra, apoiado por Fernando Henrique, aparecia com 21% das intenções de voto no Datafolha, mesmo diante de um forte opositor, no caso, Lula. Em 2010, Dilma Rousseff, escolhida por Lula mesmo sem nenhuma experiência política, somava 37% segundo o mesmo instituto.

Dilma e Serra não contavam com o peso de carregar um governo com 3% de popularidade, o que revela o tamanho do desafio de Meirelles para convencer os 629 delegados do MDB a aprovar seu nome.

NINGUÉM QUER – A rejeição a Meirelles surge, principalmente, de emedebistas do Nordeste, contrários ao projeto de candidatura própria. O senador Fernando Bezerra (MDB-PE) acredita que o desempenho na área econômica compromete os planos eleitorais do ex-ministro.

— A piora do quadro econômico compromete toda a linha de argumentação de campanha. A pesquisa joga uma ducha de água fria nos argumentos que ele vinha construindo para sustentar sua campanha, que se baseavam na melhora da economia. Meirelles tem 30 dias para trabalhar. Se, em julho, ele vai chegar em uma posição melhor do que hoje e ter o nome aprovado na convenção? Vamos aguardar — diz Bezerra.

O governo esperava que o lançamento de Meirelles desse refresco a Temer. A greve dos caminhoneiros, que provocou crise de abastecimento, acabou com essa expectativa. O vice-líder do governo na Câmara, Beto Mansur (MDB-SP), diz que a candidatura “ainda” não conseguiu mostrar os avanços na economia.

TEMOS DE AGUARDAR – “Há um mal-estar com a política, e a percepção sobre o presidente Temer, sobre o governo, recrudesceu muito em função de tudo isso que aconteceu com a greve dos caminhoneiros. O trabalho do Meirelles ainda não foi reconhecido. A inflação diminuiu, os índices da economia melhoraram, mas daí veio a greve. Temos que aguardar” — diz Mansur.

Meirelles minimizou ontem os dados do Datafolha. Para ele, a informação mais importante da pesquisa foi a constatação de que 38% dos entrevistados disseram acreditar que a situação econômica do país vai ficar como está, e 26% acreditam que poderá melhorar.

— O importante é a expectativa individual dos brasileiros com a economia. É evidente que a condição econômica das pessoas e do país (com a geração de empregos e o controle da inflação) melhorou de 2016 para cá — diz Henrique Meirelles.

VAI SUPERAR? – Coordenador da campanha emedebista, João Henrique de Souza reconhece que as conversas nos diretórios do MDB ainda levantam dúvidas, mas acredita que o ex-ministro deve conseguir superá-las.

 

— O Meirelles vai mostrar os números que ele recebeu na economia e os números que entregou quando saiu do ministério. E também a perspectiva que ele vê, que é positiva. Vai focar no que vai ser, não no que já foi, e mostrar que o pior já passou — diz João Henrique.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Meirelles não tem e nunca teve a menor condição de ser aprovado na Convenção do MDB. Foi colocado para fazer propaganda de Temer, que ainda sonhava com a reeleição. Agora, mudou tudo, porque o sonho de Temer acabou. O MDB não tem mais opção e Meirelles pode até ter a candidatura aprovada, só para constar, e depois o partido vai manter a rotina de fazer acordo e apoiar quem vencer a eleição. (C.N.)   

A exploração do usuário continua e os planos de saúde devem ter alta de 10%

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Charge do Novaes (Arquivo Google)

 


Bárbara Nascimento e Luciana Casemiro
O Globo

 O limite de reajuste para planos individuais/familiares deve ficar em 10%, conforme antecipou o colunista do Globo Ancelmo Gois, contrariando a expectativa do mercado, que esperava a repetição da taxa do ano passado, de 13,55%. O percentual de 10% foi proposto pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), segundo integrantes da área econômica.

O reajuste ainda não é oficial, pois a ANS aguarda parecer do Ministério da Fazenda. Se confirmado, será o menor aumento desde 2014, quando foi de 9,65%.

CUSTOS MÉDICOS – Apesar de ser bem superior à inflação acumulada nos últimos 12 meses encerrados em maio, pelo IPCA, de 2,86%, o número está bem aquém da inflação do setor. A Variação de Custos Médicos e Hospitalares (VCMH), calculada pelo Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS), fechou próximo a 20% em 2017. O percentual leva em conta a variação de preços de produtos e serviços, desde material para curativo a exames de ponta, mais a frequência de uso dos serviços.

– Fizemos a estimativa baseada na variação per capita dos planos coletivos com mais de 30 vidas, que ficou em 13,5%, que é a base do cálculo da ANS. Mas sabemos que há muito reajuste político sendo dado – diz Solange Beatriz Malheiros, presidente da FenaSaúde.

MAIS DE 20% – Os planos individuais, no entanto, representam apenas 20% do mercado. A maioria dos contratos é coletiva e sem regulação de reajuste. E já há casos de aumentos que ultrapassam os 20%.

Este seria o quarto ano com reajuste na casa dos dois dígitos para os planos individuais. Segundo André Braz, economista da FGV, o setor tem custos próprios, que não refletem necessariamente a inflação da média da população.

Procurada, a ANS não confirmou o percentual.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
É uma exploração maldita, que ocorre livremente. Mostra que o Brasil é dividido em castas e a principal delas é relativa aos planos de saúde. Uma das divisões sociais no país é entre quem dispõe de plano de saúde e quem precisa ser atendido na rede púbica. Quem determina o aumento dos preços não é a Agência Nacional de Saúde Suplementar, que é paga para isso, mas o tal Instituto de Estudos de Saúde Suplementar, que ninguém sabe o que é, de onde veio e o que faz. Só se sabe que o tal Instituto serve aos planos de saúde, não aos usuários, que estão inteiramente indefesos. (C.N.)

Cristiane Brasil é alvo da Polícia Federal nas fraudes no Ministério do Trabalho

Cristiane Brasil (PTB - RJ) durante reunião de comissão da Câmara em maio de 2017 (Foto: Lúcio Bernardo Junior/Câmara dos Deputados)

Cristiane, a quase ministra, operava junto com o pai

 


Ana Paula Andreolla

TV Globo, Brasília

A Polícia Federal (PF) deflagrou, nesta terça-feira (12), a segunda fase da Operação Registro Espúrio para aprofundar investigações sobre suposta organização criminosa que teria cometido fraudes na concessão de registros de sindicatos pelo Ministério do Trabalho. O alvo desta fase da operação é a deputada Cristiane Brasil (PTB-RJ).

A partir do material apreendido na primeira fase da operação, a PF chegou até a deputada. Em análise de conversas de WhatsApp do funcionário do ministério do Trabalho, Renato Araujo Júnior, preso na primeira fase, a PF descobriu que foi a deputada quem o indicou para o cargo de chefia no ministério e controlava também a aprovação dos registros sindicais. O G1 procurou a assessoria da deputada e aguarda resposta.

BUSCA E APREENSÃO – Esta fase da operação envolve três mandados de busca e apreensão em Brasília e no Rio de Janeiro. Os mandados foram autorizados pelo Supremo Tribunal Federal (STF). A Corte também autorizou medidas cautelares como proibição de frequentar o Ministério do Trabalho e de manter contato com os demais investigados ou servidores da pasta.

A primeira fase da Operação Registro Espúrio foi deflagrada no dia 30 de maio e mirou os deputados federais Paulinho da Força (SD-SP), Jovair Arantes (PTB-GO) e Wilson Filho (PTB-PB). Além do presidente do PTB e pai de Cristiane Brasil, deputado cassado Roberto Jefferson; o suplente de deputado Ademir Camilo Prates Rodrigues (MDB-MG); e os senadores Dalírio Beber (PSDB-SC) e Cidinho Santos (PR-MT), atualmente licenciado do mandato.

O ESQUEMA – Segundo as investigações da Polícia Federal, os registros de entidades sindicais no ministério eram obtidos mediante pagamento de vantagens indevidas; não era respeitada a ordem de chegada dos pedidos ao ministério; a prioridade era dada a pedidos intermediados por políticos; a operação apontou um “loteamento” de cargos do Ministério do Trabalho entre os partidos PTB e Solidariedade.

A apuração começou há um ano, informou a PF, para investigação de crimes de formação de organização criminosa, corrupção passiva e ativa e lavagem de dinheiro.

De acordo com a PF, as investigações revelaram “um amplo esquema de corrupção dentro da Secretaria de Relações de Trabalho do Ministério do Trabalho, com suspeita de envolvimento de servidores públicos, lobistas, advogados, dirigentes de centrais sindicais e parlamentares”.

NAS SECRETARIAS – De acordo com o Ministério Público Federal (MPF), o esquema de fraudes nos registros sindicais funcionava em secretarias do Ministério do Trabalho responsáveis pela análise de pedidos de registro.

As fraudes, de acordo com as investigações, incluíam desrespeito à ordem cronológica dos requerimentos de registro sindical e direcionamento dos resultados dos pedidos.

Pagamentos envolviam valores que, segundo a investigação, chegaram a R$ 4 milhões pela liberação de um único registro sindical.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Está faltando alguém em Nuremberg, diria o jornalista David Nasser, cheio de razão, porque o chefe da quadrilha é Roberto Jefferson, que ainda não foi diretamente incomodado pelos federais. (C.N.)

Raquel Dodge recorre de decisões de Gilmar Mendes para soltar corruptos

RAquel critica o festival de libertações de Gilmar

 


Luiz Vassallo, Rafael Moraes Moura, Amanda Pupo e Teo Cury
Estadão

A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, recorreu segunda-feira, 11, ao Supremo Tribunal Federal (STF), contra decisões do ministro Gilmar Mendes que determinaram as solturas do ex-diretor da Federação do Comércio do Rio de Janeiro (Fecomércio/RJ), Orlando Santos Diniz e do ex-diretor da Dersa, Paulo Vieira de Souza. Nos dois casos, Raquel Dodge sustenta que as prisões atenderam aos critérios legais e são necessárias à instrução processual e à manutenção da ordem pública.

Alvo da Lava Jato no Rio, Orlando Diniz foi solto no dia 1. O ex-presidente da Fecomércio estava preso desde fevereiro pela Lava Jato. Já Souza foi solto por Gilmar duas vezes – a última decisão, no dia 30 de maio, foi concedida no meio da audiência de custódia em que havia sido confirmada a prisão preventiva.

PAULO PRETO – Apontado como operador do PSDB em investigações, Paulo Vieira de Souza foi preso duas vezes no âmbito de ação penal que responde por desvios de R$ 7,7 milhões em programa de reassentamento da Dersa. Nas duas prisões, ele era suspeito de ameaçar testemunhas. Para o ministro, no entanto, além de os registros de ameaças serem antigos, não estavam devidamente comprovados.

Raquel questiona ainda o fato de o HC ter sido distribuído ao ministro Gilmar Mendes pelo critério de prevenção. A alegação da defesa do investigado é que os fatos que levaram à sua prisão são conexos com os investigados em um inquérito do Supremo que mira supostas propinas na construção do Rodoanel.

No entanto, Raquel Dodge sustenta que se tratam de investigações distintas. “Além de forçar a conexão entre fatos distintos e inteiramente autônomos entre si, o paciente pretende usar este argumento para injustificadamente evitar a distribuição aleatória desse pedido HC”, afirma.

SÚMULA DO STF – Assim como no caso de Orlando Diniz, a PGR cita a súmula 691 da Corte, destacando que o STF não pode conceder habeas corpus contra decisão liminar de instância inferior, “baseado na mera discordância em relação aos fundamentos do magistrado que indeferiu a liminar em HC”. Raquel Dodge enfatizou que, no caso do ex-diretor da Dersa, as decisões que determinaram sua prisão preventiva foram devidamente fundamentadas em elementos juridicamente idôneos e compatíveis com a medida cautelar prisional.

Orlando Diniz é acusado de integrar uma organização criminosa formada por operadores financeiros e políticos entre os quais, o ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral. De acordo com as investigações, ele teria integrado um esquema de lavagem de dinheiro para justificar o recebimento de valores sem a prestação de serviços. Entre 2007 e 2011, ele teria recebido R$ 3 milhões.

SUSPEIÇÃO – A força-tarefa da Lava Jato no Rio chegou a mover ação de suspeição contra o ministro alegando que a quebra de sigilo fiscal da Federação do Comércio do Estado do Rio de Janeiro revelou um pagamento de R$ 50 mil, feito em 2016, em benefício do Instituto Brasiliense de Direito Público, que tem Gilmar como um dos sócios-fundadores.

Para a procuradora-geral, “ao contrário do que sustenta a decisão monocrática aqui agravada, não há, sob qualquer aspecto, como tachar de ilegais, abusivas e muito menos teratológicas as sucessivas decisões. Todas elas se encontram fundamentadas e apoiadas por farto material probatório, o qual demonstra a presença dos requisitos autorizadores da segregação cautelar previstos no Artigo 312 do CPP”, detalha um dos trechos do recurso’.

Raquel Dodge frisa, ainda, a súmula 691 da Corte, que condiciona a análise do instrumento a situações excepcionalíssimas, em que se esteja diante de prisão indubitavelmente teratológica, ilegal ou abusiva.

Um soneto de Paulo Peres, para comemorar o Dia dos Namorados

Peres festeja seu amor por Cristina

 


Carlos Newton

O advogado, jornalista, analista judiciário aposentado do Tribunal de Justiça (RJ), compositor, letrista e poeta carioca Paulo Roberto Peres homenageia o dia de hoje através deste “Soneto dos Namorados” e festeja seu amor à bela Cristina Peres.

SONETO DOS NAMORADOS
Paulo Peres

Dia dos Namorados.
Corações iluminados,
Beijos, abraços, amores,
Poemas, canções e flores.

Nos salões dos sentimentos
Sob luz de velas e violinos
Casais eternizam momentos,
Sonhos reais, cristalinos.

O namorar é o vital sabor
Da idade, descoberta e valor
Cuja beleza maior está na grandeza modesta.

Invoco à bênção futura
Cultivar do passado a ternura
Aos hoje namorados em festa.

Pesquisam confirmam que, no Brasil, jamais houve tamanha aversão aos políticos

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Charge do Rico (Arquivo Google)

 


Carlos Newton

As pesquisas estão aí, realizadas por diferentes institutos, e chegam ao mesmo resultado, demonstrando que nunca antes, na História deste país, houve tamanha aversão à classe política. A imensa maioria da população atingiu um índice recorde de indignação. Esta pesquisa Datafolha não deixa dúvidas, ao indicar que 46% dos eleitores estão indecisos, não apoiam nenhum dos mais de vinte pretendentes. E 23% já resolveram votar nulo ou em branco. Juntos, são 69% de desenganados, desalentados e desgarrados brasileiros, mais de dois terços da população, pois apenas 31% ainda acreditam que algum dos candidatos merece seus votos.

Conforme assinalamos na manhã de domingo, logo após a divulgação da pesquisa no site da Folha de S.Paulo, não há novidade nesse desalento do eleitorado, pois as pesquisas anteriores indicavam a mesma coisa.

A NOVIDADE – Além disso, ao analisar a pesquisa no próprio domingo, registramos que a única novidade era que, pela primeira vez, o candidato Jair Bolsonaro (PSL) conseguira superar Lula na pesquisa espontânea, a meu ver a única que tem validade, pois o entrevistador apenas faz a seguinte pergunta: “Em quem você pretende votar?”.

É neste quesito – o mais importante – que 46% estão indecisos, 23% vão votar nulo ou em branco, 12% apoiam Bolsonaro, 10% continuam com Lula, e os outros 9% estão divididos entre os demais candidatos. Ou seja, Marina Silva (Rede), Ciro Gomes (PDT), Geraldo Alckmin (PSDB), Alvaro Dias (Podemos), Rodrigo Maia (DEM), Henrique Meirelles (MDB) e os outros, nenhum deles consegue chegar a 1% dos votos, vejam que fracasso retumbante da democracia à brasileira.

Mas Bolsonaro não está com essa bola toda. Perde no segundo turno para Marina Silva e Ciro Gomes. Aliás, Marina não perde para ninguém no segundo turno. No entanto, isso é só um indicativo, na verdade a eleição ainda não começou.

FALTAM AS ALIANÇAS – Esta eleição é como um casamento em que ainda faltam as alianças. Os candidatos que têm chances – Jair Bolsonaro, Marina Silva, Ciro Gomes, Geraldo Alckmin e Álvaro Dias, não necessariamente nesta ordem, precisam fazer forte alianças, se pretendem vencer. 

Até agora, ninguém fechou nada. Alckmin é o único que tem espaço suficiente na TV, os outros precisam se virar para fechar alianças. O tucano diz que terá apoio do PTB e do PV, mas a coligação ainda não foi formalizada, é necessário que ele demonstre ter chances.

Todos conversam com quase todos, a confusão da sopa de letrinhas é infernal, porque a ideologia não existe, vale tudo para garantir um naco do poder. Se não fizerem boas aliança, os candidatos Bolsonaro, Marina, Ciro e Alvaro mal aparecerão na TV. É aí que mora o perigo.

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P.S. – Não tocamos na candidatura de Lula, até porque ela não existe, mas vai causar um tumulto federal. O mais provável é que Fernando Haddad aceite o sacrifício de substituir Lula, inclusive porque Jaques Wagner quer se afastar desse cálice.  Se houve muitos candidatos, Haddad tem até alguma chance de passar para o segundo turno, sob as asas de Lula. Mas por enquanto, tudo ainda está indefinido. (C.N.)  

Datafolha e as urnas de 2018, num panorama visto da ponte eleitoral

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Charge do Son Salvador (Arquivo Google)

 


Pedro do Coutto

Com base na pesquisa do Datafolha publicada na edição de domingo da Folha, uma reportagem de Silvia Amorim, Fernanda Kracoviks, Bruno Goes e Mateus Coutinho, edição de ontem de O Globo, analisou os números contidos no levantamento acentuando a verdade das tendências eleitorais, chegaram a conclusão de que o quadro permanece indefinido quanto à sucessão presidencial de outubro. O quadro encontra-se indefinido, mas as tendências se projetam nitidamente no universo da pesquisa. Trata-se de um panorama visto da ponte, título de peça de Arthur Miller que alcançou grande sucesso no final da década de 50.

O quadro permanece indefinido porque, como o Datafolha destacou, ainda não se verificou nenhum sinal mais forte no que se refere à transferência de votos que iriam para Lula, mas que se mantém fora da lei de gravidade, Enquanto persistir essa dúvida, permanecerá um panorama de indefinição, uma vez que não se pode ainda afirmar para que candidato ou candidatos vai ser transferida a força eleitoral do ex-presidente da República.

LULA INELEGÍVEL – O PT lançou seu nome, porém devemos considerar que ele se encontra inelegível. Daí porque no cenário em que ele se encontra ausente elevam-se fortemente os percentuais de indecisos, votos nulos e brancos.

Mas falei, neste meu retorno de férias, em indefinições e exposição de tendências. O Datafolha afirmou que, se candidato fosse, Lula arrebataria 30% dos votos. Mas com ele fora das opções, situação mais provável, as tendências de hoje restringem-se a Jair Bolsonaro, Marina Silva, Ciro Gomes e Geraldo Alckmin. Fora daí não se pode considerar nenhuma outra candidatura nas urnas de outubro próximo. Não se pode considerar porque aqueles na lista, mas que não passam de 1 a 2% das intenções de voto certamente não vão decolar. Com a ausência de Lula, Marina Silva cresce mais do que Ciro Gomes, se as eleições fossem hoje. E se o desfecho final ocorrer no segundo turno, dia 28 de outubro, Marina Silva derrotaria Jair Bolsonaro. Marina alcançaria 42% dos votos contra 33% de Bolsonaro.

NA CAMPANHA – O que se pode presumir, entretanto, é que a evolução das candidaturas dependerá do comportamento dos candidatos ao longo da campanha, especialmente nos debates e nos pronunciamentos que fizerem no horário gratuito da televisão e do rádio.

A colocação das campanhas dependerá também da utilização dos espaços nas redes sociais da internet. Porém, enquanto as redes sociais podem ser ocupadas sem limite de horário e tempo, os programas eleitorais gratuitos estarão disponíveis de 31  de agosto ao início de outubro. Importante também é considerar que os debates entre os candidatos, de acordo com a legislação eleitoral, incluem a possibilidade de um confronto direto no primeiro turno, dia 7 de outubro, e no segundo, dia 28.

CUSTOS BAIXOS – A campanha eleitoral deste ano terá seus custos muito reduzidos, não apenas em função de excluir financiamentos empresariais, o que poderia ser contornado nas sombras, mas principalmente pelo temor de doadores em potencial de caírem em precipícios abertos pela Operação Lava Jato. Claro que os dois principais doadores, Odebrecht e JBS, estarão fora de cogitações. Pois é preciso acentuar que Marcelo Odebrecht e Joesley Batista explodiram a conivência entre políticos, administradores públicos e empresários ma estrada capaz de conduzir o peso financeiro em favor da obtenção de votos nas urnas.

Citei Bolsonaro, Marina Silva, Ciro Gomes e Geraldo Alckmin. Quanto a Alckmin, de acordo com comentário feito por Silvia Amorim, o PSDB está buscando uma explicação para seu fraco desempenho. Governador eleito e reeleito, Alckmin não passa do teto de 7%, atrás de Ciro Gomes, que está no 10º ou 11º andar.

BOLSONARO LIDERA – Na frente, Bolsonaro com 19%, Marina Silva com 15%. Talvez a explicação sobre Alckmin esteja na divisão da base paulista entre Márcio França, governador do PSB, e o ex-prefeito João Dória, do PSDB. Mas será apenas isso?

O fato é que o candidato tem que se afirmar por si, e não depender de acordos eleitorais.

A afirmação vem primeiro, as adesões são consequência da capacidade que cada um demonstrar na busca do voto nas urnas.

Com testemunhas de defesa do tipo FHC, Lula acabará condenado outra vez

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FHC prestou depoimento ao juiz Moto em videoconferência

Deu no Estadão

Testemunha do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no caso envolvendo obras no Sítio Santa Bárbara, Fernando Henrique Cardoso (PSDB) foi questionado pelo juiz federal Sérgio Moro se já “recebeu por fora”, ou por meio de “reformas” em algum de seus imóveis por suas palestras.

O tucano falou por videoconferência ao juiz no âmbito da ação em que o petista é réu por supostas propinas de R$ 1 milhão da OAS, Odebrecht e Schahin. O valor é referente a reformas supostamente custeadas pelas empreiteiras no Sítio Santa Bárbara, em Atibaia

“DONOS” DO SÍTIO – Os proprietários do imóvel são o filho do ex-prefeito de Campinas, Fernando Bittar, e Jonas Suassuna. Segundo a força-tarefa da Operação Lava Jato, Lula seria beneficiário das reformas. O ex-presidente nega. Enquanto testemunha de defesa de Lula, FHC foi questionado pelos advogados do petista sobre como recebe por suas palestras e como se dá a prestação de contas de seu Instituto. Ele disse que é “tudo declarado e normal”. “Deus me livre que não seja”.

Em meio à audiência, o ex-presidente também foi questionado pelo juiz da Lava Jato sobre como era pago pelas palestras e outros trabalhos. “Alguma empresa reformou alguma propriedade que utilizava por fora, em reforma, algo assim?”.

 “Isso é feito através de um agente que faz o contrato e eu usualmente não conheço os donos ou representantes da empresa. Vou conhecer eles na hora. Nunca, jamais, nada disso, nem por fora, nem participar de nenhum momento de reforma. Eu não tenho muita coisa a reformar, só minha cabeça mesmo”, respondeu FHC.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Malgrado o esforço do escritor Fernando Morais, amigo de Lula, que testemunhou ter assistido várias palestras de Lula, mas não sou nominar para quem e onde, a situação está complicada para Lula, porque não há registro das palestras, tipo notas na imprensa, fotos ou mesmo selfie, e Lula tinha fotógrafo/cinegrafista que o acompanhava a todo canto, chamado Ricardo Stuckert, que ganhava R$ 30 mil mensais da CBF para não fazer nada e ainda descolou R$ 1 milhão no Ministério da Cultura, para fotografar e filmar índios no Acre. (C.N.)

Com Lula fora, total de eleitores sem candidato no Nordeste chega a 43%

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Charge do Clayton (O Povo/CE)

 


Sérgio Roxo
O Globo

A pesquisa Datafolha divulgada no último domingo mostra que o total de eleitores sem candidato chega a 43% no Nordeste, em cenários em que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não aparece como opção. Historicamente, é nessa região que o petista tem o seu melhor desempenho eleitoral. O número deve fazer com que os demais presidenciáveis intensifiquem a campanha no Nordeste.

Lula foi condenado em primeira instância no caso do tríplex do Guarujá e, por isso, preenche os requisitos para ser enquadrado na Lei da Ficha Limpa, sendo impedido de concorrer nas próximas eleições. O Datafolha testou um cenário com o ex-presidente e três sem ele.

BRANCOS E NULOS -Nas três simulações em que o petista não aparece, o percentual de eleitores que declara pretender votar em branco ou nulo varia entre 36% e 38%. Os que não sabem em que votar oscilam entre 5% e 6%. Quando Lula aparece como opção, os que pretendem votar em branco ou anular são 15%, e os que não sabem somam 3%.

A avaliação dos cenários sem Lula também indica que o percentual de eleitores sem candidato é maior entre as mulheres, com variação de 41% a 42% a depender do cenário. Entre os homens, o percentual dos que não têm em quem votar quando o petista é tirado da disputa oscila entre 25% e 26%.

Os sem candidato também ocupam um espaço maior entre os que tem mais de 35 anos (chegando a 39% no grupo com mais de 60 anos), entre os que têm baixa escolaridade (atinge até 39% nessa faixa) e os de menor renda (alcança até 40% no grupo).

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Este dado da pesquisa Datafolha favorece Ciro Gomes, do PDT, porque é o único candidato conhecido em todo o Nordeste, e muitos votos de Lula na região podem migrar para ele. (C.N.)

Sem Lula e Joaquim Barbosa na disputa, votos brancos e nulos chegam a 34%

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Próxima eleição deve bater o recorde de brancos e nulos

 


Silvia Amorim, Fernanda Krakovics, Bruno Góes e Mateus Coutinho
O Globo

O afunilamento de candidaturas para a Presidência não tem se revertido em maior clareza do cenário eleitoral. Nos cenários sem Lula, enquadrado na Ficha Limpa, com o ex-ministro do STF Joaquim Barbosa fora da disputa, aumentou significativamente o número de eleitores que se declaram sem candidato. É o que mostra pesquisa Datafolha divulgada ontem. Os votos brancos, nulos e indecisos bateram em 34%, em “primeiro lugar” na corrida. Em abril, o maior patamar registrado havia sido de 28%.

A desistência de Barbosa era esperada como um fator de mudança. No entanto, as intenções de voto obtidas por ele em abril (8% a 10%) não fortaleceram nenhum concorrente em especial. Lula, embora preso, mantém-se na liderança, com 30%. Sem o petista, o pré-candidato do PSL, Jair Bolsonaro, assume a dianteira, com 19%. Potenciais substitutos de Lula, Fernando Haddad e Jaques Wagner continuam com desempenho pífio — 1%.

MARINA E CIRO – Sem Lula, a ex-senadora Marina Silva (Rede) aparece na segunda posição, entre 14% e 15%. Ciro Gomes (PDT) tem de 10% a 11% e aparece empatado tecnicamente com Geraldo Alckmin (PSDB), que marcou 7%. No pelotão com intenção de voto entre 1% e 2% estão Manuela D’Ávila (PC DO B) e Rodrigo Maia (DEM). Os demais pré-candidatos tiveram 1% ou menos.

Os cenários pesquisados este mês são diferentes dos que foram considerados em abril. Por isso, os resultados dos dois levantamentos não são perfeitamente comparáveis. A pesquisa, com margem de erro de dois pontos percentuais, foi realizada com 2.824 eleitores de 174 municípios, na quarta e quinta-feira da semana passada.

BOLSONARO IRONIZA – O deputado federal Jair Bolsonaro (PSL-RJ) divulgou um vídeo ontem, pelo Twitter, em que tenta desacreditar o levantamento do instituto. “Estou bem pra baixo e no segundo turno perderia para todo mundo. Datafolha: continuas pagando vexame” — disse o deputado federal.

Marina aparece na disputa presidencial como a principal favorecida por uma saída de Lula. Ela herdaria, segundo o levantamento, de 17% a 18% dos eleitores do petista. Entretanto, a maior parte deles (38% a 40%), quando Lula é retirado da eleição, migra para o grupo dos sem candidato.

“Temos ainda que buscar formas de dialogar com os cerca de 30% de eleitores que poderiam votar em branco, nulo, em ninguém ou ainda não sabem em quem irão votar. A eleição suplementar esse ano no Tocantins serve de alerta: quase a metade dos eleitores votou nulo, branco ou se absteve. A sociedade está indignada e com toda razão” — afirmou Marina, que promete manter o tom “propositivo” da campanha.

LULA E CIRO – Para 32% dos entrevistados, Lula deveria apoiar Ciro, se não puder concorrer. Coordenador da campanha do pedetista, o irmão Cid Gomes atribuiu o desempenho de Marina ao recall da eleição passada:

“As pessoas estão muito alheias ainda, não se ligaram nem na Copa quanto mais na eleição. Boa parte da pesquisa agora é lembrança de nomes e a Marina é a única que foi candidata a presidente nas últimas eleições, ficou em terceiro lugar”.

O resultado do Datafolha deu combustível para o PT manter a estratégia de insistir no nome de Lula até se esgotarem todos os recursos jurídicos.

SEM TRANSFERIR? – Segundo o Datafolha, 30% dos eleitores dizem que votariam com certeza num candidato indicado pelo petista e 17%, talvez. Integrante da Executiva Nacional do PT, o deputado José Guimarães (CE) avalia que Haddad e Wagner crescerão: “Isso não é real. As pessoas não sabem que eles são candidatos do Lula”.

Para a campanha tucana, o aumento de eleitores sem candidatos é natural porque a população não está interessada em fazer o debate neste momento. O processo decisório, dizem articuladores de Alckmin, acontece nas últimas semanas da campanha. O coordenador do programa de governo, Luiz Felipe d’Avila disse que o resultado é “positivo”.

“Mostra que, apesar do mau humor com a política, Alckmin é o candidato mais competitivo no centro. O ponto é como unir o centro, diminuir o número de pré-candidatos e passar a ter mais tempo de TV do que todos os outros” — disse d’Avila.

DIZ MEIRELLES – Oscilando entre 0% e 1% das intenções de voto, o ex-ministro da Fazenda Henrique Meirelles (MDB) afirma que o resultado já era esperado.

“São resultados absolutamente naturais. Não há grandes mudanças em relação às pesquisas anteriores. Quem já era conhecido, está pontuando. Isso ocorre porque a legislação para a pré-campanha é muito restritiva e impõe grande dificuldade para quem não é conhecido”.

Saímos mais uma vez do ar, como é comum em época de campanha eleitoral

Charge sem assinatura, reproduzida do Google

 


Carlos Newton

Agradecemos ao UOL o atendimento técnico para que o blog voltasse ao ar, após mais de 12 horas de ausência. Saímos da web por volta das 02h40m e voltamos quase às 16 horas. Sabemos que não é muito fácil resolver “os problemas técnicos” da “Tribuna da Internet”. Nestes quase 10 anos de presença diária na blogosfera, já tivemos todo tipo de ataque. Certa vez, o técnico do UOL nos informou que um hacker penetrara no sistema e retirara o blog da plataforma Worlpress. Esta conclusão ficou óbvia, porque eu sou a única pessoa que tem a senha e já fazia meses que não entrava no Painel do Cliente do UOL. Aliás, nem sabia de memória a senha e não tinha a menor ideia de como se desconectar da WordPress. 

Desde então, nada nos espanta.  Muitas vezes, é claro, são problemas técnicos verdadeiros, que eventualmente ocorrem no servidor UOL ou na plataforma WordPress, mas há ocasiões em que não há explicação. Por via das dúvidas, há dois anos migramos o blog para um plano mais avançado e protegido do UOL, e a situação melhorou.

MAs a realidade é que os problemas sempre se agravam quando entramos em fase eleitoral. Mas deve ser apenas coincidência. 

 

Na disputa pela Presidência, muitos candidatos já se preparam para desistir

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Charge do Newton Silva (newtonsilva.com)

 

Fernanda Krakovics e Jeferson Ribeiro
O Globo

O cenário político incerto, as ambições pessoais e a estratégia dos partidos ainda alimentam o quadro fragmentado da disputa presidencial, que deve persistir até o começo de julho. Até lá, dirigentes partidários e concorrentes que se anunciam pré-candidatos a presidente não veem motivos para abrir mão da possibilidade de concorrer. Quando passar a Copa do Mundo, porém, ao menos seis dos atuais 13 pré-candidatos com no máximo 1% das intenções de voto nas pesquisas farão os primeiros movimentos de desistência.

Devem sair da disputa, nas próximas semanas, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM), o empresário Flávio Rocha (PRB), o economista Paulo Rabello de Castro (PSC) e o ex-ministro Aldo Rebelo (SD). Outros virtuais candidatos, como Valéria Monteiro e o cirurgião plástico Dr. Rey, já estão fora da disputa, seja por decisão pessoal ou do partido.

MAIS UM POUCO – Como as convenções partidárias neste ano só começam a partir de 20 de julho, os partidos dos quatro últimos vão manter as pré-candidaturas mesmo que eles não melhorem seu desempenho nas pesquisas. As legendas do centrão (PP, PRB, DEM, PSC, Solidariedade e PR) adotaram essa estratégia e querem caminhar juntos para uma decisão que só deve ser conhecida depois de 10 de julho, segundo o deputado Paulo Pereira da Silva (SD-SP), o Paulinho da Força, um dos porta-vozes do grupo.

“Agora em junho, todos ainda vão tentar se viabilizar. Não tem por que o Aldo retirar a pré-candidatura nesse momento, com todo muito confuso. Ele está viajando o país todo. Vai continuar assim neste mês” — disse Paulinho.

A estratégia do centrão, porém, tem limitações. Manter a coesão até julho é uma delas. PP e PR, que não anunciaram pré-candidatos à Presidência, são alvo de investidas de presidenciáveis como Ciro Gomes (PDT), Geraldo Alckmin (PSDB) e Jair Bolsonaro (PSL). Os três estão mais bem colocados nas pesquisas e tentam formar alianças. Se essas legendas se aliarem a essas candidaturas antes de julho, a coesão sofre abalos e aí o ritmo das desistências deve aumentar.

RODRIGO DE FORA – No DEM, já há um consenso para retirar a pré-candidatura do presidente da Câmara, mas esse anúncio só será feito quando o partido fechar apoio a outra legenda. Hoje, o partido está dividido entre apoiar Alckmin ou Ciro, desde que ele concorde em conduzir sua postura mais para o centro.

“Queremos ganhar um pouco mais de tempo. No caso do Alckmin, não tem nem clima para a gente anunciar apoio agora, com a campanha dele cheia de problemas” — disse uma liderança do DEM.

Flávio Rocha e Paulo Rabello de Castro também dependem das negociações das suas legendas nas próximas semanas para ver até quando se mantêm na disputa, mas publicamente os dirigentes dizem que os dois vão até o final. O presidente do PRB, Marcos Pereira, espera que Rocha cresça nas pesquisas e atraia outros partidos de centro. Já o presidente do PSC, Pastor Everaldo, diz que uma aliança só ocorrerá com Rabello de Castro na cabeça de chapa.

OUTROS CANDIDATOS – Outras pré-candidaturas que também dependem do cenário político e das estratégias partidárias para se confirmarem são as de Manuela D’Ávila (PCdoB), Guilherme Afif Domingos (PSD) e Henrique Meirelles (MDB).

A situação do emedebista só deve ser definida no final de julho, às vésperas da data limite para as convenções. Se ele não for aprovado pela legenda, o MDB pensará num plano B. A avaliação de integrantes da pré-candidatura e no Palácio do Planalto é de que ele vem ganhando apoios nos diretórios estaduais do MDB, mas ainda há muita resistência interna pelo fato de Meirelles ser praticamente um desconhecido no país.

“Vamos dar um tempo para o Meirelles sentir a rua e o partido. Se até julho ele não decolar, aí a gente começa a se mexer” — afirmou uma pessoa próxima ao presidente Michel Temer.

AFIF E O PSD – Afif, que já disputou a Presidência em 1989, quando o quadro era tão fragmentado quanto o de hoje, acredita que essa disputa será parecida. Ele deixou o comando do Sebrae na última semana e tentará convencer o PSD de que é melhor ter uma candidatura própria, o que vai contra o plano inicial do presidente da sigla, o ministro Gilberto Kassab, que trabalha para uma aliança com o PSDB.

“(Minha candidatura) é uma boa saída para o Kassab descalçar a bota do caminho errado” — disse Afif.

No caso de Manuela, embora ela tenha dito, na semana passada, que sua pré-candidatura não seria um empecilho para a união da esquerda, a tendência é que ela permaneça na disputa, segundo integrantes do PCdoB. Isso porque o PT não está disposto a abrir para aliados a chapa ainda encabeçada pelo ex-presidente Lula.

QUEM SAI, QUEM FICA – O PSOL também descarta abrir mão da pré-candidatura de Guilherme Boulos. O empresário João Amoêdo também não desistirá até outubro, porque é a primeira eleição presidencial do Partido Novo.

Entre as pré-candidaturas mais personalistas, a postura também é de resistência. O senador Fernando Collor de Mello (PTC-AL) vai concorrer e diz querer “completar aquilo que não me foi dado o direito de fazer”. José Maria Eymael (PSDC) diz que concorrerá porque a democracia cristã lhe deu essa missão. E o deputado cabo Daciolo (Patriota-RJ) deve concorrer porque o partido quer lançar alguém à Presidência. Já Levy Fidelix (PRTB), que já concorreu diversas vezes, pode desistir em favor de Bolsonaro.

Pesquisa Datafolha explica as razões que estão levando o PT a insistir em Lula

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Charge do Iotti (Zero Hora)

 

Flávio Freire
O Globo

A pesquisa Datafolha explica em números o motivo pelo qual o PT mantém a ideia de que o ex-presidente Lula deve ser o candidato à eleição em outubro. Por mais que se esforce, o partido não conseguiu acender em suas fileiras internas a luz de nenhum outro poste – metáfora usada pelo próprio ex-presidente ao se referir a petistas que se lançaram candidatos com o carisma de uma barra de concreto. Ao avaliar o cenário sem Lula, mas com o ex-prefeito paulistano Fernando Haddad, a chance do PT cai, atualmente, de 30% para 1%.

Para melhorar esse desempenho, segundo os eleitores, o PT depende novamente de seu único pré-candidato, preso desde 7 de abril. Se Lula indicar um nome, 30% dos eleitores se dizem dispostos a votar nessa pessoa. Acontece que nem Lula nem a direção do partido estariam convencidos de que este ou aquele estão prontos para disputar a sucessão de Michel Temer. Alguns por conta de envolvimento na Lava-Jato, outros porque os próprios colegas de legenda torcem o nariz.

SEM DEFINIÇÃO – Dada essa situação, o PT, ao que tudo indica, deve arrastar até agosto qualquer definição mais pragmática. E são as incertezas no universo petista que aumentam o balão de ensaio de outros partidos.

Em ninho tucano, Geraldo Alckmin chegou a ameaçar que o partido escolhesse outro presidenciável caso seu nome não estivesse agradando. Marina Silva (Rede), por sua vez, tem na manga a carta de que não foi alvo de denúncias de corrupção, embora os chamados marineiros ainda não tenham digerido o apoio dela ao tucano Aécio Neves no segundo turno em 2014.

No PDT, há quem aposte que Ciro Gomes deveria ser o pivô de uma candidatura de centro para tentar aplacar quem aparece com melhor desempenho depois de Lula, o deputado Jair Bolsonaro. Não apenas os pedetistas fazem essa aposta. Mesmo ainda abaixo da linha de popularidade de Marina, Ciro é observado à distância pelo ex-presidente Lula. A interlocutores, o petista tem pedido para que o PT faça uma espécie de pacto de não-agressão com Ciro.

APOIO A CIRO – Numa livre interpretação, houve quem entendesse o recado como a grande chance de o PT voltar ao poder, desta vez, pelas vias da vice-presidência. Com o nome de Haddad na lista de seus possíveis substitutos, o ex-presidente parece estar avaliando dois cenários para dar uma tacada final. Primeiro, até que ponto sua dívida com a Justiça impedirá qualquer movimentação eleitoral. Depois, a possibilidade de Ciro abraçar o PT.

Até lá, os petistas dão como certo apenas um cenário: Lula continuará dando as cartas.

Após nova declaração polêmica, Ciro Gomes tenta acalmar o DEM e o PP

Ciro Gomes

Em Buenos Aires, Ciro Gomes deu mais uma mancada

 


Vera Rosa

Estadão

O pré-candidato do PDT à Presidência, Ciro Gomes, tenta contornar o mal-estar causado por declarações dadas por ele de que uma ampla aliança em torno de seu nome pode até incluir o DEM e o PP, partidos de centro-direita, desde que antes seja fechado acordo com o PSB e o PC do B para garantir a “hegemonia moral e intelectual” da chapa.

O comentário de Ciro foi feito na sexta-feira, em Buenos Aires – onde ele foi recebido pela vice-presidente da Argentina, Gabriela Michetti –, e provocou curto-circuito político. O clima esquentou porque, com a esperada desistência do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), de concorrer ao Palácio do Planalto, o DEM e o PP estão justamente inclinados a apoiar a candidatura de Ciro.

IRRITAÇÃO – A cúpula dos dois partidos, porém, não escondeu a irritação com a frase do ex-ministro. Nos bastidores, a leitura foi a de que, com a ressalva feita por ele, ficou parecendo que essas siglas seriam um apêndice de segunda linha em uma eventual dobradinha.

Para conter o princípio de crise, o ex-governador do Ceará Cid Gomes – irmão de Ciro –  logo telefonou para dirigentes do DEM e do PP e procurou jogar água na fervura, sob o argumento de que tudo não passou de um mal-entendido. Cid desembarcará primeiro em Brasília. Nos próximos dias, terá conversas reservadas com políticos das duas legendas. A reunião de Ciro com eles será logo depois.

“Nesse primeiro momento, minha prioridade são o PSB e o PCdoB. Se esta aliança se faz, posso avançar em partidos do centro à direita, porque a hegemonia moral e intelectual do rumo estará afirmada. Poderia incluir o PP e o DEM, desde que eu tenha o PSB e o PCdoB”, afirmou Ciro em Buenos Aires, na sexta-feira, quando questionado por jornalistas sobre a possibilidade de coligação com o DEM de Rodrigo Maia e o PP do senador Ciro Nogueira (PI).

MAIA DE SAÍDA – Com porcentuais que variam de 1% a 2% nas pesquisas de intenção de voto, Maia já disse a interlocutores que vai desistir de sua candidatura ao Planalto, como antecipou a Coluna do Estadão, e disputar novo mandato. Na prática, toda a estratégia do deputado é voltada para a construção de uma sólida base suprapartidária que permita a sua reeleição ao comando da Câmara.

Nessa empreitada, Maia conta com a adesão de Ciro Nogueira, presidente do PP e, se avalizar a campanha do PDT, também exigirá como contrapartida o apoio na briga pela presidência da Câmara, em 2019.

Há no DEM quem pregue uma aliança com o pré-candidato do PSDB, Geraldo Alckmin, hoje estagnado nas pesquisas. Em recente entrevista ao Estado, Maia disse que o tradicional casamento entre o seu partido e o PSDB está perto do fim.

HÁ CONTROVÉRSIAS – A portas fechadas, no entanto, líderes das duas legendas argumentam que é preciso esperar mais um mês para o fechamento de qualquer acordo porque o cenário eleitoral ainda está muito indefinido.

Defensor do aval do PSB a Alckmin, o governador de São Paulo, Márcio França, concordou que será muito difícil para o partido tomar uma decisão antes de julho. “A disputa vai ser voto a voto na convenção, mas também pode haver neutralidade”, ponderou ele. Além de Ciro, que precisa do PSB para aumentar o seu tempo no horário eleitoral de TV, a partir de agosto, o PT também negocia a união com os socialistas, mesmo que para isso tenha de sacrificar a candidatura da vereadora petista Marília Arraes, em Pernambuco.