O tempo vai para trás ou para diante?, perguntava o poeta Dante Milano

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Milano, retratado por Portinari

Paulo Peres

Site Poemas & Canções
O poeta Dante Milano (1899-1991), nascido em Petrópolis (Rio de Janeiro), foi um dos mais destacados elementos representativos da terceira geração do Modernismo. No poema “Ao Tempo”, faz criativas indagações sobre o ir e vir da passagem do tempo. Afinal, para onde o tempo vai?

AO TEMPO
Dante Milano

Tempo, vais para trás ou para diante?

O passado carrega a minha vida
Para trás e eu de mim fiquei distante,
Ou existir é uma contínua ida
E eu me persigo nunca me alcançando?
A hora da despedida é a da partida

A um tempo aproximando e distanciando…
Sem saber de onde vens e aonde irás,
Andando andando andando andando andando

Tempo, vais para diante ou para trás?

Em reação ao Congresso, Supremo pode apressar restrição do foro privilegiado

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Charge do Iotti (Zero Hora)

Carolina Brígido
O Globo

Como resposta às discussões no Congresso para enfraquecer a Lava Jato, o Supremo Tribunal Federal (STF) cogita retomar ainda este ano o julgamento para restringir o foro privilegiado. Segundo o relator, ministro Luís Roberto Barroso, o resultado prático seria a ida para a primeira instância de 90% de processos penais que hoje tramitam no STF contra autoridades, o que abriria o caminho para a conclusão mais rápida dos processos remanescentes.

A presidente do STF, ministra Cármen Lúcia, tem ouvido pedidos para que o julgamento seja retomado logo, mas ainda não definiu uma data para devolver o caso ao plenário. A tendência é que o tribunal restrinja o foro privilegiado, sinalizando que a corte está atenta às tentativas de desmonte da Lava Jato – e que não permitirá que a regra seja definida de forma mais conveniente aos próprios beneficiados.

IMAGEM DESGASTADA – Também seria uma forma de recuperar a imagem do STF, arranhada desde o mês passado, quando deu ao Congresso a última palavra em decisões sobre afastamento de mandato parlamentar. Cármen Lúcia foi quem mais ficou na berlinda. Foi dela o último e decisivo voto em prol do Congresso.

Por outro lado, a discussão pode abrir outro foco de conflito no tribunal, algo que Cármen Lúcia teme. O clima, lá, continua azedo depois que Barroso acusou Gilmar Mendes de leniência com a criminalidade do colarinho branco. No entanto, sepultar parte do foro privilegiado em um julgamento sem sobressaltos seria uma vitória perante a opinião pública não apenas do STF, mas da própria presidente.

A RESTRIÇÃO – Em 31 de maio, Barroso votou para que ficassem na corte apenas processos sobre crimes cometidos por autoridades no exercício do cargo, por fatos diretamente relacionados à função pública. Cármen Lúcia, Marco Aurélio Mello e Rosa Weber o acompanharam. Outros dois votos afins são esperados: Luiz Fux e o relator da Lava Jato, Edson Fachin. O mais antigo integrante do STF, Celso de Mello, também deu declarações contrárias ao foro privilegiado.

Ainda na sessão de maio, Alexandre de Moraes deu a entender que votaria contra a tese, mas pediu vista. Embora não tenham votado, Gilmar, Dias Toffoli e Ricardo Lewandowski deram opiniões contrárias à mudança.

Pela proposta de Barroso, a autoridade deve ser investigada pelo foro correspondente ao cargo ocupado na época do suposto crime, desde que haja conexão direta dos fatos com a função pública. Pela Constituição, senadores, deputados, ministros de tribunais superiores e o presidente da República devem ser investigados pelo STF. Mas se um desses for acusado de assassinato, por exemplo, o julgamento deve ocorrer na primeira instância.

ANTIMANOBRAS – Barroso frisou que se as investigações já tiverem sido concluídas e o processo estiver pronto para ser julgado, o caso ficaria no STF, mesmo se a autoridade deixar o cargo, evitando manobras – pois um parlamentar poderia renunciar ao cargo na véspera do julgamento no STF, transferindo o processo para a primeira instância e adiando mais o seu fim.

Em maio, ao votar, Barroso disse que, se sua ideia for aprovada, só 10% dos processos penais abertos hoje seguiriam na Corte. O restante iria para outras instâncias. Barroso ressaltou que o STF, por ser uma corte constitucional, não costuma desempenhar bem o papel de julgador de temas penais. Frisou que 200 processos desse tipo prescreveram antes do julgamento final, por excesso de prazo tramitando. O ministro Luís Roberto Barroso também lembrou que, a cada três ações penais, duas não são julgadas pelo STF por prescrição ou pela mudança de foro durante a tramitação.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
A impunidade reina e come solta. Com toda certeza, esta proposta de Barroso diminuirá muito a impunidade. Se o Supremo tivesse compromisso com o interesse nacional, já teria votado essas restrições ao foro privilegiado. Mas ainda depende da presidente Cármen Lúcia colocar em pauta. E daí… (C.N.)

Temer joga cartada decisiva para evitar as delações de Loures e de Geddel

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Charge do Lezio (Diário da Região)

Carlos Newton

A grande mídia não deu a devida importância à notícia de que a defesa do presidente Michel Temer requereu ao ministro Edson Fachin, do Supremo, que revogue sua decisão de enviar ao juiz Sérgio Moro as investigações por organização criminosa contra os ex-deputados Eduardo Cunha, Henrique Eduardo Alves, Geddel Vieira Lima e Rodrigo Rocha Loures, todos do PMDB. O pedido parecia ser apenas mais um requerimento, como tantos outros, que são feitos pelos advogados apenas para ganhar tempo ou tumultuar os processos. Mas não é o caso.

Na realidade, o requerimento é uma desesperada tentativa de evitar que os outros réus, especialmente Geddel e Loures, façam delação premiada e acabem de vez com o que resta de prestígio do presidente Temer, que alimenta esperanças de recuperar a economia e ser candidato à reeleição, para manter o foro privilegiado e  favorecer também os ministros Eliseu Padilha e Moreira Franco.

FORMAÇÃO DE QUADRILHA – Como se sabe, os ex-parlamentares foram denunciados junto com Temer, Padilha e Moreira, por integrarem uma organização criminosa do PMDB na Câmara, com objetivo de arrecadar propinas de empresas em troca de favorecimentos ilegais em órgãos públicos.

Temer e o “quadrilhão” do PMDB sabem que todos os réus da Lava Jato estão conscientes de que a melhor saída é a delação premiada. No caso da denúncia conjunta por formação de quadrilha, o Planalto acha que Eduardo Cunha e Henrique Alves estão sob controle, tanto assim que na semana passada o ex-presidente da Câmara até defendeu Temer das acusações do doleiro Lúcio Funaro.

Mas os outros dois réus, Geddel e Loures, estão em situação delicada, são considerados mais vulneráveis. Eles sonham com a delação premiada, mas estão sendo contidos, e os emissários do Planalto lhes prometem que serão protegidos pelo foro privilegiado, as investigações vão se arrastar, no Supremo sempre há uma maneira de solucionar as coisas, etc. e tal.

DESMEMBRAMENTO – Acontece que após a Câmara ter suspendido a tramitação da denúncia contra Temer, Padilha e Moreira, o ministro-relator Fachin desmembrou o processo, enviando para a primeira instância (10ª Vara da Justiça Federal do DF) as investigações contra os acusados sem foro privilegiado – Cunha, Alves, Geddel e Loures.

É aí que mora o perigo, e o advogado de Temer então fez o requerimento a Fachin, alegando que o desmembramento do processo é, no mínimo, inconveniente, pois a continuidade das investigações iria atingir o presidente, que ficaria sem ter como se defender, por não ser parte no processo em primeira instância.

Como se vê, o objetivo do advogado não é apenas evitar o desmembramento do processo, mas simplesmente paralisar as investigações da Lava Jato na denúncia que envolve Temer e o resto da troupe palaciana.

TEMER INVESTIGADO – Desde a apresentação da denúncia, explicamos repetidamente aqui na “Tribuna da Internet” que a Lava Jato, ao investigar os outros réus, automaticamente estará apurando também os crimes do próprio Temer, especialmente na parte que se relaciona com Rocha Loures, o ex-assessor que recebia malas de dinheiro.

Ou seja, o pedido do advogado de Temer significa não somente dar foro privilegiado a quem não tem (Cunha, Alves, Geddel e Loures), mas também sustar as investigações sobre todos os crimes cometidos. O objetivo é este, vejam a que ponto vai a desfaçatez desta gente.

Se o relator Fachin não cair na armadilha do advogado, a investigação contra Loures (e Temer) vai prosseguir, e o Ministério Público Federal no Distrito Federal acaba de ratificar a denúncia contra o ex-assessor presidencial, que atribui a ele (e também a Temer) crime de corrupção passiva no caso da entrega da mala de R$ 500 mil do Grupo J&F, flagrada em filmagem.

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P.S.
A grande mídia não percebeu, mas o assunto é de importância transcendental. E se o relator Fachin não anular o desmembramento, o advogado de Temer então vai recorrer ao plenário do Supremo, não tenham dúvidas, e aí tudo pode acontecer, especialmente se for Lua Cheia, como diz Pepeu Gomes. (C.N.)

Na internet, cada um é editor de si mesmo, o caso Wiliam Waack é um exemplo

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Waack foi alvejado por um ilustre desconhecido

Pedro do Coutto

Na internet, a partir da década de 80, com a unificação da rede em computadores, surgiu uma nova era na informação, na interpretação e , portanto, na comunicação de modo geral. Foi um marco importante na história, o primeiro além daquele definido magistralmente por Marshall McLuhan. Mas o sociólogo canadense havia dividido a História da Humanidade em duas eras: a era do relato e a era do registro. A era do registro sucede a imprensa de Gutemberg no século XV. A era do relato antecede.

Para citar dois exemplos de momentos traumáticos na história universal podemos citar a crucificação de Jesus Cristo e o Nazismo. A crucificação é um relato. O nazismo um registro. Na época do nazismo já existiam os jornais, a fotografia e o cinema. As imagens foram incorporadas à memória universal.  E também surgia em 1934 a televisão nos Estados Unidos. O nazismo surgiu em 1933 e a segunda Guerra Mundial foi desencadeada em 1939.

TERCEIRA ERA – Mas eu disse que a internet implantou uma terceira era na história da comunicação. Isso porque, a partir dela, qualquer um de nós, que possua um computador, passa a ser de receptor a emissor de mensagens. Este aspecto é essencial nos dias de hoje.  As provas da essencialidade são muitas. Uma delas refere-se ao episódio de William Waack, objeto de grande repercussão nas redes sociais e de reportagem de Marcelo Maethe, Daniel Bergamasco, Filipe Vilicio, Maria Carolina Maier e Alex Xavier, na revista Veja que está nas bancas.  O episódio do afastamento de William Waack do jornal da Globo e da Globonews foi abordado também  por Paulo Cezarino Costa, na Folha de São Paulo deste domingo, e Demétrio  Magioly, na Folha de sábado.  A repercussão, portanto foi muito grande e na proporção exata do fato. Porém a questão essencial desloca-se para o poder das redes sociais.

Marcelo Marte e Daniel Bergamasco referem-se também a outros episódios que tiveram seu desfecho a partir de divulgações na internet.  Entre os quais, os que envolvem o ator José Mayer, o médico Marcos Harter e o ator da série House of Cards, abrangendo também o produtor famoso em Holywood. Os dois últimos casos, relativos a assédio sexual. Aliás, o mesmo problema no qual mergulhou o ator José Mayer.

CASO WAACK – Voltemos ao capítulo relativo a William Waack. A colisão na qual Waack levou a pior refere-se a um vídeo gravado por Diego Pereira, que trabalhou na Globo até janeiro deste ano. Diogo Ferreira colocou na internet um vídeo gravado em novembro de 2016 quando William Waack , em Washington, preparava-se para comentar a vitória nas urnas de Donald Trump.  Um motorista de um automóvel próximo ao local onde o repórter se encontrava começou a buzinar de forma insistente. William Waack ofendeu o motorista inquieto, inclusive pelo fato de o motorista pertencer à raça negra.

Surpreende que tal gravação tivesse chegado às mãos da direção da Rede Globo exatamente um ano depois do fato.  Causa surpresa também o afastamento imediato do jornalista. Mas o que quero comentar não é apenas o acontecimento e seu desfecho. Desejo comentar a importância das redes sociais no universo da comunicação. Com a internet, como disse no início cada um passou a ser também um transmissor de notícias, deixando de ser apenas um receptor.

SEM REVISÃO – Mas a dimensão desse avanço não acaba aí. Vai além: cada pessoa pode ser um transmissor de notícias e de análises sobre quaisquer fatos e assuntos, não estando suas mensagens sujeitas ao crivo de um editor, como acontece nos jornais, nas emissoras de rádio e televisão. Nada disso. Além de transmissor cada um torna-se também editor de si mesmo. Daí a dimensão maior que se passou a atribuir à colocação de matérias nas redes sociais. O caso William Waack é um exemplo marcante. Ele, ao se desculpar , confirmou a veracidade da gravação colocada na rede,

Entretanto – eis um tema interessante –, podem ocorrer casos em que os editores de si mesmos não estejam ao lado da verdade. Em tais situações, importante assinalar, é necessário que todos nós busquemos a confirmação.  E esta será sempre encontrada nos jornais impressos do dia seguinte. Seja como for, a transformação de cada um de nós, de receptor a transmissor, representa a grande página da história moderna. A informação hoje tornou-se mais rápida do que a informação de ontem.

Professor se tornou espécie em extinção num ambiente muito hostil

Resultado de imagem para professor chargesEduardo Aquino/O Tempo   (Charge do Latuff, Brasil 247)

Vagas de pedagogia, magistério e congêneres se oferecem em muitas esquinas, longínquas cidades, remotas faculdades. Se preenchidas, se esvaem nos anos de graduação, e alguns gatos pingados (ou professores sagrados) mandam o convite de formatura, como se fosse foto de uma grande família.

Apanhar, ser agredido verbalmente, a absoluta falta de respeito, tudo isso  é um espinho que fere a dignidade dos mestres. Assim como o desinteresse galopante dos alunos (e dos pais, muitas vezes).

TERRENO BALDIO – A escola é, hoje, um terreno baldio. A sociedade joga ali o lixo de sua desumanidade, desigualdade e indiferença. Se, antes, a escola pública era exemplo e as privadas eram complementares, hoje a pirâmide se inverteu. Sim, aqui e ali, oásis de excelência se destacam no deserto.

Redundante falar que a educação é a base do sucesso de países que até quatro ou cinco décadas atrás estavam no quarto mundo, como Coreia, Singapura e outros tigres asiáticos, em especial a China.

Somos o somatório de nossos erros e acertos. O mundo é de quem o merece. Se os políticos e os que optaram por carreiras públicas só aprenderam a subtrair e dividir, o resultado só pode ser negativo. Conseguimos piorar a cada ano em todos os índices mundiais de avaliação de qualidade de ensino. Somos lanterninhas da competência.

MUITOS PROBLEMAS – Péssimas faculdades? Salários indignos? Famílias disfuncionais e desestruturadas? O vício desgraçadamente silencioso, espantosamente perigoso da tecnologia? A falência irreversível do medieval modelo, quadro-negro, giz, carteiras e, quando muito, um computador pré-histórico? Porções generosas de tudo isso e diversos outros temperos que se misturam e fermentam num caótico cenário de fim dos tempos, do salve-se quem puder, apague a luz o último a sair.

Tal qual a peste negra na Idade Média, os professores e os funcionários das escolas públicas vão caindo enfermos, inválidos, mortalmente atingidos por estresse, depressão, síndrome de Bournout (esgotamento aversivo, embotamento e robotização funcional).

Sobram discursos, guerras ideológicas esquizofrênicas entre facções entrincheiradas em modelos teóricos catedráticos, enquanto o mamute lento e preguiçoso das políticas públicas é tomado pela infecção sistêmica da corrupção, da burocracia e da falta de mérito.

NA VIDA REAL – Enquanto isso, na vida real, balas perdidas, greves, falta de professores ambientes físicos fantasmagóricos aparecem nas páginas policiais. E alunos terminam o ensino médio sem conseguir formular duas frases simples, analfabetos funcionais e apanhando de tabuadas básicas. E dá-lhe nudes, sexies, redes sociais. O smartphone alienante e emburrecedor, quando mal usado, o que é regra, e não exceção.

Se sou pessimista? Não, de jeito nenhum. Torço para que estrutura viciada e inviável caia de vez. Sonho com uma escola sem muros ou paredes, inventiva, estimulante, absolutamente nova e renovável a cada dia. Onde o prazer de frequentá-la traga satisfação e sensação de recompensa para alunos, professores, pais e funcionários. Um espaço multiuso que atraia a comunidade em seu entorno. Que se filosofe, desperte o desejo pelo conhecimento, amplie o horizonte existencial de todos nós. Que crie, invente, descubra soluções e caminhos para uma humanidade tão perdida. Será que é do interesse político e público? Ou a ignorância e a alienação são essenciais para manter o compadrio, a corrupção, o voto de cabresto e o coronelismo que campeiam neste grande e complacente “país do futuro”?

Ganhar a guerra da comunicação é o primeiro passo para reformar a Previdência

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Charge do Amarildo (amarildo.com)

João Domingos
Estadão

Agora que a reforma da Previdência parece ter voltado com tudo à agenda política, não custa lembrar uma série de erros cometidos nos últimos meses pelo governo Michel Temer e pelos que a defendem. Erros tão óbvios que às vezes custa a acreditar que alguns foram cometidos por Temer, a quem não se nega um profundo conhecimento da forma como o Congresso funciona.

Quem sabe agora, que o tema volta a ganhar força, tais erros sejam evitados, mesmo que o projeto contemple uma reforma muito mais enxuta.

FORMA MAIS SECA – Para lembrar alguns dos erros. O governo anunciou que faria a reforma da Previdência da forma mais seca possível, sem nenhuma preocupação com a possibilidade de ganhar a torcida da sociedade nem o voto de centenas de parlamentares que, por serem ligados ao funcionalismo público ou aos aposentados, tenderiam a lutar contra a reforma. Não fez, por exemplo, uma campanha publicitária destinada a expor os privilégios da Previdência pública em relação ao INSS, a Previdência do povão.

Os contrários à reforma, que comandam corporações fortes do serviço público, não tiveram dificuldades para espalhar, e de forma muito bem espalhada entre a sociedade, que a reforma da Previdência viria para acabar com direitos de quem recebe o mínimo. Pronto, a batalha da comunicação já estava perdida.

MEIRELLES VACILOU – Errou também o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, quando, em conversas com representantes do mercado, prometeu que o governo faria uma profunda reforma da Previdência, mesmo sem ter a menor ideia de como seria a negociação no Congresso. Errou ainda o mercado, que acreditou na força do governo, na certeza de Meirelles e nos líderes partidários. Quando o político diz uma coisa, é preciso entender que ele não está dizendo bem aquilo que ele está dizendo.

Justiça seja feita ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e ao relator da reforma, deputado Arthur Oliveira Maia (PPS-BA), que nunca disseram que o projeto tinha votos suficientes para que fosse aprovado. Eles sempre alertaram que era preciso trabalhar mais, mesmo antes da esquisita conversa entre o presidente Michel Temer e o empresário Joesley Batista, o que pôs tudo a perder.

O tempo passou, o presidente livrou-se das duas denúncias do ex-procurador-geral Rodrigo Janot, voltou a pensar na reforma da Previdência, e tornou a errar. Admitiu, numa conversa com deputados e ministros, que talvez não desse para aprovar a reforma previdenciária. O mercado veio abaixo. Temer teve de recuar e dizer que vai se empenhar pela reforma.

PODIA TER CONTORNADO – Experiente como é, Temer poderia ter chamado uma pessoa de sua confiança, talvez Arthur Maia, e dito a ele alguma coisa assim: “A reforma completa, como quer o ministro Meirelles, não passa. Eu não posso dizer isso, mas você está autorizado por mim a negociar um texto mais enxuto. Se alguém perguntar se aceito uma minirreforma, vou negar. E você continua negociando. Quando juntarmos os votos pela aprovação, eu dou o ok”.

Temer poderia ainda ter procurado Rodrigo Maia e entregado a ele missão de cuidar da reforma da Previdência. Justificaria o ato dizendo que, desgastado como está, qualquer projeto que for identificado com ele sofrerá resistências maiores. Como Rodrigo Maia goza de credibilidade na Câmara e demonstrou ter os pés no chão quanto ao cálculo de votos, a proposta pode encontrar menos resistência se todos concluírem que a luta pelas mudanças está sendo encabeçada por ele.

Só para dar uma ajudazinha, Temer poderia orientar sua máquina publicitária a fazer peças sobre a reforma dizendo que a Previdência arrecada tanto, gasta tanto e o déficit é tanto. E que vai acabar com privilégios. Sem firulas. Ganhar a guerra da comunicação é o primeiro passo para aprovar a reforma.

Aécio devia colocar o pijama e voltar para casa, diz presidente do PSDB-SP

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Charge do Nani (nanihumor.com)

Deu em O Tempo
(Agência Estado)

O presidente do PSDB-SP, deputado Pedro Tobias, afirmou que seu colega de partido o senador Aécio Neves deveria “colocar o pijama e voltar pra casa”. “Ele não está ajudando nada”, disse a jornalistas durante a convenção estadual do partido na manhã deste domingo, dia 12 de novembro, em São Paulo.

Tobias respondeu questões sobre a declaração de Aécio feita no sábado, dia 11, sobre o partido “sair pela porta da frente” do governo de Michel Temer (PMDB). Para ele, a entrada do PSDB no governo Temer foi errada e sair agora é tarde demais: “estrago foi enorme”. Tobias disse que, se o partido não desembarcar logo, “pode comprar o caixão”, afirmando que isso seria o fim dos tucanos.

Tobias reafirmou também seu apoio a Geraldo Alckmin como candidato a presidência em 2018 e disse que só ele pode pacificar o PSDB.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Do jeito que as coisas estão indo, nem Alckmin nem FHC conseguem pacificar o PSDB, que está em franca decadência, virou um partido da Terceira Idade, e os mais jovens, chamados de “cabeças pretas” podem debandar. (C.N.)

Corrupção no governo de Cabral é muito pior do que se pensava, diz procurador

El Hage diz que a investigação está apenas no início

Juliana Castro e Marco Grillo
O Globo

Quase um ano depois da prisão do ex-governador Sérgio Cabral, o coordenador da força-tarefa da Lava-Jato no Rio, procurador Eduardo El Hage, afirma, em entrevista exclusiva, que nova etapa da investigação revelará outros tentáculos da fraude na Saúde. E diz que Ministério Público Federal vai aprofundar análise de contratos de diferentes órgãos da prefeitura, na gestão do PMDB.

Em um ano, o que mais surpreendeu o senhor nas investigações?
O tamanho e extensão da organização criminosa chocaram bastante. O fato inicial era uma corrupção na reforma do Maracanã, em que executivos da Andrade Gutierrez relataram uma cobrança de propina de 5%. Ao longo do tempo, vimos que a organização criminosa se espraiou para todos os setores do governo do estado do Rio, não só na Secretaria de Obras.

Inclusive em setores que ainda não vieram à tona?
Sim. A força-tarefa da Lava-Jato no Rio não está nem perto de chegar ao fim. A gente só fez um arranhão na superfície da organização criminosa.

Dá para saber o tamanho dos desvios até agora?
É difícil, porque o saque aos cofres públicos foi monstruoso. O mínimo seria o que foi devolvido pelos irmãos Chebar (delatores): US$ 100 milhões. Mas, antes da devolução, enquanto o ex-governador estava solto, muito já tinha sido gasto, então esse valor (desviado) é bem superior. A gente viu que ele (Cabral) tinha um gasto mensal de R$ 4 milhões com despesas pessoais. O desvio que foi feito na Secretaria de Saúde é algo que ainda vamos revelar com mais detalhes. Envolve grandes multinacionais do setor de Saúde, que fizeram importações fraudulentas com o governo do estado do Rio. Causaram um dano que a gente ainda vai revelar em próximas fases.

São empresas que vendem os equipamentos?
É algo que não foi restrito ao estado do Rio. Esse é um esquema de corrupção internacional, que é bastante grave, e a gente está investigando com bastante cautela e profundidade. Esperamos em breve ter mais detalhes. Esse esquema na área da Saúde vai levar a investigação para um patamar internacional, uma vez que envolve diversas multinacionais de renome no mercado, que atuaram em conluio com a organização criminosa do Sérgio Cabral.

A Lava-Jato prendeu Alexandre Pinto, ex-secretário de Obras da prefeitura do Rio. A investigação avançou?
Em breve, teremos novos desdobramentos no caso da Rio 40 Graus (que prendeu o ex-secretário, já solto) e avanços significativos nas investigações.

Na área de Obras da prefeitura?
Não posso especificar a área, mas vai haver avanços significativos.

Também em outras áreas?
Sim.

O que faltou para que os EUA colaborassem com a investigação sobre um dos elos mais importantes do esquema, o “Rei Arthur”?
A gente está em contato direto com as autoridades americanas. Estive em Washington em reuniões com o Departamento de Justiça. A gente espera que no futuro próximo ele seja extraditado.

Onde ele está?
Nos Estados Unidos. As autoridades americanas sabem (a localização exata).

Houve falha para identificar o esquema, já que funciona desde 2007?
Várias questões favoreceram esse quadro, como o foro privilegiado. Talvez o maior erro de Sérgio Cabral foi não ter sido candidato em 2014. Se ele tivesse sido eleito, com certeza absoluta não estaríamos onde estamos hoje. Outros fatores que não existiam antes e ajudaram foram a lei das organizações criminosas e da colaboração premiada, que foram passos decisivos para que investigações avançassem. A população também começou a ver a corrupção como um dos maiores problemas no país.

Como o senhor vê a notícia de que Cabral fez um dossiê contra procuradores e o juiz Marcelo Bretas?
Ainda que houvesse uma investigação, ela seria sigilosa, e eu não poderia comentar.

A Operação Lava-Jato é um caminho sem volta?
Espero que sim, mas talvez não seja. Se as organizações criminosas se fecharem e adotarem medidas de retaliação contra membros do Ministério Público e do Poder Judiciário, pode ter volta. Se a sociedade não ficar vigilante quanto a projetos de lei que estão em tramitação no Congresso Nacional hoje em dia, pode voltar para pior.

Cabral recebeu a maior pena da Lava-Jato. Significa que o esquema do Rio é o maior apurado?
Não tenho dúvida que Brasil afora esquemas de corrupção desse nível também existem. É ingenuidade acreditar que só no Rio existem desvios de forma sistemática na área da Saúde, Obras… Isso é algo que o Brasil ainda não venceu, e o Rio, a meu ver, encontra-se na vanguarda da investigação.

A demora na homologação de delações nos tribunais superiores é a maior dificuldade?
Sim. Enquanto as colaborações premiadas na primeira instância têm sido homologadas em poucos dias, nos tribunais superiores as homologações têm levado meses para acontecer. Isso tem sido um obstáculo enorme, porque a colaboração premiada é o início da investigação. E se uma colaboração premiada demora seis meses para ser homologada, a gente tem que esperar seis meses para iniciar uma investigação que vai durar outros tantos meses. E, quando a gente está falando em dinheiro em espécie, destruição de provas, uso de mensagens que se autodestroem, a demora traz um prejuízo irreparável às nossas investigações.

A corrupção é maior do que a capacidade de investigar?
É algo desesperador, porque a gente não consegue dar conta do volume de trabalho. Pessoalmente, isso tem sido bastante sacrificante, porque a quantidade de informação é superior ao que a gente consegue processar, e a quantidade de corrupção que a gente tem revelado é muito maior do que a gente imaginava. Os próprios colaboradores falam: “Olha, tenho pena de vocês, porque o trabalho de vocês é infinito”.

O que o Ministério Público Federal pode fazer em relação às denúncias de regalias que o ex-governador teria na prisão?
Estamos em estreito contato com o Ministério Público do Estado do Rio nessa questão, para fazer a fiscalização do estabelecimento prisional onde estão custodiados os presos da Lava-Jato do Rio. A própria força-tarefa (do MPF) já fez visitas tanto a Bangu (onde Cabral já esteve preso) quanto a Benfica (onde está atualmente) para fiscalizar as condições em que os réus estão sendo custodias. Caso sejam de fato constatadas outras irregularidades, a gente vai se manifestar e fazer a aplicação da lei. A gente tem o justoreceio de que, em razão da proximidade que ele tem com membros do (governo do) estado do Rio, haja algum tipo de favorecimento.

Como o senhor viu a decisão do STF que deu a palavra final às casas legislativas sobre medidas cautelares a parlamentares? É um golpe em quem está investigando?
É um golpe bastante forte às investigações e à própria vontade popular. Acho que o Supremo Tribunal Federal optou por privilegiar o voto popular, em razão dos investigados terem sido eleitos pela vontade popular, mas esqueceu de um ponto muito importante: em várias dessas investigações, os fatos foram revelados após essas pessoas terem sido eleitas. É algo que espero que o Supremo Tribunal federal reavalie num futuro próximo, porque acho que as consequências não foram muito bem calculadas nesse caso.

A CPI da JBS é uma forma de intimidar o Ministério Público?
Com certeza. A CPI adotou dois pesos e duas medidas. Para advogados que estão sendo investigados, permitiram que pudessem se manifestar por escrito. Para membros do Ministério Público, eles exigiram a presença nas sessões sob pena de condução coercitiva e na condução de testemunha. Até o deputado Carlos Marun (PMDB-MS) afirmou de forma explícita: “Nós vamos investigar quem está nos investigando”. Se isso não é retaliação, eu não sei mais o que é.

Problema do país é desigualdade e não o rapaz nu no museu, diz Caetano na TV

TV Globo/Divulgação

Caetano esteve no programa Altas Horas, na Globo

Deu no Estadão

Caetano Veloso afirmou que o maior problema do Brasil é a desigualdade econômica e que a interação de criança com artista nu no Museu de Arte Moderna (MAM) de São Paulo não é pedofilia. O cantor esteve no programa “Altas Horas”, da TV Globo, exibido na noite do último sábado.

“O maior problema do Brasil é a desigualdade. É disso que eles querem fazer a gente se esquecer, criando essas cortinas de fumaça, mas nós não nos esqueceremos. Havemos de vencer a desigualdade. E é isso que nós temos que ter coragem de mudar, não ficar discutindo se um rapaz nu deitado e uma menina que foi levada pela mãe, pegada pelo tornozelo, é pedofilia, é claro que não é pedofilia”, disse o compositor, depois de uma pergunta de Serginho Groisman sobre a censura e os limites da arte.

Caetano Veloso se apresentou com seus filhos Moreno, Zeca e Tom durante o programa, que contou com a participação da atriz Letícia Colin e o historiador e colunista do Estadão Leandro Karnal. Caetano também falou sobre o ódio na internet e sua relação com as redes sociais. Seu filho Moreno Veloso confessou que o pai não tem celular.

“Há redes sociais em meu nome e posto coisas lá às vezes e me responsabilizo por tudo, até pelos erros de português que tenho que consertar quando me dizem. Mas não fico olhando a internet, vendo rede social. Eu, pessoalmente, com frequência, não”, disse Caetano.

‘Com Lula e Bolsonaro, o Brasil vive uma utopia regressiva’, diz cientista político

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Última pesquisa indica crescimento de Bolsonaro

Amanda Pupo
Estadão

Especialista em liderança e cultura política no Brasil, o professor e cientista político Carlos Melo, do Insper, não define a classe média brasileira como conservadora ou liberal, mas como reativa. Para ele, o fato de Luiz Inácio Lula da Silva e Jair Bolsonaro liderarem as pesquisas das eleições de 2018 reflete um sentimento nostálgico da população, descontente com a situação atual.

A classe média brasileira exercerá alguma pressão ou peso especial nas eleições de 2018?
Sim. Quando a classe média se expande, ela tem força, e quando se retrai, não perde essa força. E se, no momento de expansão, era um momento propositivo – em que se olhava para o futuro, o filho entrando na faculdade, arrumando emprego, as famílias trocando de carro, hoje é reativo. A classe média pensa: “naquele tempo havia emprego, meu filho entrava na faculdade, comprávamos carro e pensa: olha como está hoje”. Isto é o que eu tenho chamado de utopia regressiva: o desejo de voltar ao passado, um passado autoritário, pensando nos militares, no Bolsonaro, ou para o passado populista, pensando no Lula, no crédito, nos bons tempos da economia.

E por que isso ocorre?
Entre os que votam no Bolsonaro, existe um grande contingente de jovens. E é exatamente porque essa parcela da população não viveu os maus tempos da ditadura, não tem conhecimento das questões de um regime autoritário. Eles simplesmente olham para a falta de autoridade, sem compreender o outro lado da moeda, do autoritarismo.

Mas esse contingente não tem um teto de crescimento?
Esta é a esperança de muita gente. Mas o quanto isto é ou não é real? É natural imaginar que, com pouco tempo de televisão, Bolsonaro não dispare na frente. Este seria um processo esperado. Mas no mundo e no Brasil que vivemos nos últimos anos nada parece ser natural, previsível e dado. Surpresas podem acontecer. O que se pode dizer hoje é que essa opção por Lula e por Bolsonaro passa por esta utopia regressiva, a sensação de que o passado era melhor. E isto não é verdade, o presente foi construído pelo passado.

A classe média, além de reativa, é também conservadora?
Essa classe média que dizem ser conservadora votou no Lula, na Dilma, no Fernando Haddad. Não é nem liberal nem conservadora, ela reage ao momento econômico em que vive, ao bem-estar ou mal-estar.

O que a eleição de Donald Trump nos Estados Unidos ensinou ao mundo?
Quando o Trump ganha a eleição, o Obama é absolutamente sincero. Ele diz: “Se o Trump ganhou a eleição, foi porque aconteceu uma série de fenômenos de que nós não nos demos conta”. O Trump era o sintoma de uma transformação que a política tradicional não conseguia compreender, que cria produtividade, mas também cria pessoas bem formadas e desempregadas. Quem elegeu o Trump nos Estados Unidos foi o branco recém-formado e desempregado.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGA mais recente pesquisa do DataPoder360 revela que Lula pontua de 28% a 32%. Bolsonaro registra 20% a 25%, a depender do cenário. (C.N.)

Rodrigo Maia atendeu evangélicos na proibição de aborto em caso de estupro

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Deputada Erika Kokay foi o único voto contra

Bernardo Mello Franco
Folha

É possível evocar a religião para causar mais sofrimento a uma mulher que foi vítima de estupro? A Câmara mostrou que sim na quarta-feira, ao fazer avançar um texto que proíbe a interrupção da gravidez em casos de violência sexual. O episódio é um exemplo clássico de contrabando legislativo. Deputados da bancada da Bíblia incluíram um jabuti numa proposta que estendia a licença-maternidade para mães de bebês prematuros.

O texto original tratava de direito trabalhista. O relator, Jorge Tadeu Mudalen (DEM-SP), aproveitou para fazer um enxerto em dois artigos da Constituição, estabelecendo que a vida começa na concepção.

RESTRIÇÕES AO ABORTO – Na prática, a mudança pode restringir ainda mais o direito ao aborto no Brasil. Em vigor há mais de seis décadas, o Código Penal autoriza a prática nos casos de estupro ou de risco à vida da gestante.

Em 2012, o Supremo Tribunal Federal abriu uma terceira exceção e permitiu a interrupção da gravidez de fetos anencéfalos, que não têm chances de sobreviver fora do útero.

O relatório de Mudalen, ligado ao pastor R.R. Soares, foi aprovado numa comissão dominada pelo populismo religioso. No ponto mais baixo da sessão, o deputado Pastor Eurico (PHS-PE) sacudiu um boneco de plástico, representando um feto.

MATANÇA DE CRIANÇAS – Ele se referiu às hipóteses de aborto previstas em lei como “matança de crianças” e acusou os contrários ao jabuti de defenderem ações “satânicas e diabólicas”. Minutos depois, a comissão aprovou a proposta por 18 a 1. O voto contrário foi de Erika Kokay (PT-DF), que era a única deputada presente.

Na sexta-feira, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse que a proibição do aborto em caso de estupro não será aprovada no plenário. Melhor assim, mas faltou dizer que foi ele quem permitiu que o tema avançasse. O deputado criou a comissão do jabuti em dezembro passado, a pedido de seus aliados na bancada evangélica.

Reação de juízes trabalhistas cria insegurança jurídica que pode durar anos

Resultado de imagem para reforma trabalhista chargesRicardo Balthazar e Taís Hirata (Folha)

Aprovada em menos de cinco meses pelo Congresso, a reforma trabalhista proposta pelo presidente Michel Temer começará agora a enfrentar um duro teste, em que as novas normas serão submetidas ao crivo da Justiça do Trabalho. Nas últimas semanas, juízes, procuradores e advogados fizeram inúmeras críticas à nova lei, apontando falhas e incoerências que deverão alimentar controvérsias que os tribunais levarão anos para pacificar.

Em outubro, centenas de juízes reunidos num congresso da Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho (Anamatra) aprovaram 125 teses sobre dispositivos da reforma e declararam vários deles contrários a princípios estabelecidos pela Constituição.

FOI UM ALERTA – Embora ninguém seja obrigado a seguir as teses do congresso, elas foram recebidas no meio jurídico como um alerta sobre a disposição dos juízes trabalhistas e um sinal de que as empresas precisarão agir com cautela ao adotar as novas normas.

“Um dos objetivos da reforma era trazer mais segurança, mas o posicionamento dos juízes cria insegurança e poderá até aumentar o volume de ações trabalhistas num primeiro momento”, afirma a advogada Letícia Ribeiro, sócia do escritório Trench Rossi Watanabe.

Uma das teses dos juízes põe em xeque um dos pilares da reforma, a consagração do princípio de que as condições acertadas entre patrões e empregados devem prevalecer sobre a legislação em várias situações.

NEGOCIAÇÕES – A nova lei permite negociações sobre jornada de trabalho, banco de horas, intervalo para almoço e outros assuntos. Mas os juízes dizem que a Constituição garante que normas mais benéficas sejam aplicadas sempre que houver desentendimento.

Na prática, esse princípio pode levar os juízes a rejeitar acordos que considerem desfavoráveis aos trabalhadores. A nova lei estabelece que direitos como salário mínimo, férias anuais, 13º salário e FGTS não podem ser negociados.

A reforma deverá reacender velhas controvérsias. Uma súmula aprovada pelo TST (Tribunal Superior do Trabalho) em 1993 fixou o entendimento de que as empresas não poderiam terceirizar sua atividade principal, mas a nova lei permite que isso ocorra. Agora, a súmula terá que ser revisada.

NOVAS SÚMULAS – O presidente do TST, Ives Gandra da Silva Martins Filho, um entusiasta da reforma, pretende iniciar logo a revisão das súmulas afetadas pelas novas normas, mas o processo pode ser demorado por causa das divergências no tribunal, que é composto por 27 ministros.

“Haverá forte embate interno”, diz o presidente da Anamatra, Guilherme Feliciano. “A reforma foi aprovada sem uma discussão ampla, e por isso é natural que os problemas sejam corrigidos no Judiciário agora.”

Se a discussão seguir o ritmo habitual da Justiça trabalhista, algumas questões poderão demorar mais de uma década para serem pacificadas, dizem advogados. “O melhor jeito de superar a insegurança jurídica será negociar de boa-fé acordos que pressuponham vantagens para as duas partes, empresas e trabalhadores”, afirma o advogado Iraci Borges, que representa o Sindicato dos Metalúrgicos de Curitiba. “Sem isso, as empresas continuarão no escuro.”

Câmara paga aposentadoria de quase R$ 42 mil a Henrique Eduardo Alves

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Dinheiro não é problema para o ex-ministro de Temer

Deu na Coluna do Estadão

A Câmara desembolsa todos os meses R$ 62.114,26 com o pagamento de aposentadoria de dois ex-deputados federais presos pela Operação Lava Jato. Ex-ministros de Michel Temer, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) e Geddel Vieira Lima (PMDB-BA) recebem, respectivamente, R$ 41.760,00 e R$ 20.354,26 referentes ao tempo de serviço e de contribuição ao extinto Instituto de Previdência dos Congressistas (IPC) e ao Plano de Seguridade Social dos Congressistas. Os dados foram obtidos pela Coluna por meio da Lei de Acesso à Informação.

Geddel Vieira Lima está na Papuda, em Brasília, desde 8 de setembro. Ele, que teve 5 mandatos de deputado, ainda não deu explicações sobre os R$ 51 milhões achados num apartamento em Salvador.

Preso desde junho, Henrique Alves está na Academia da Polícia Militar do RN. Ele foi deputado por onze vezes. A Câmara diz que Alves e Geddel têm direito ao benefício.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
– A Câmara não respeita a Constituição, que manda reduzir ao teto salarial qualquer aposentadoria paga pelos cofres públicos. A aposentadoria dos parlamentares está fora da reforma da Previdência, porque é “direito adquirido”. (C.N.)

Em e-mail, ex-procurador Miller se defende das acusações de Temer e Gilmar

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Miller jamais foi “braço-direito” de Rodrigo Janot

Camila Mattoso e Ranier Bragon
Folha

O ex-procurador Marcello Miller afirmou em um e-mail para um colega que Michel Temer e Gilmar Mendes têm cometido “desvarios” ao falar de sua participação nas negociações da delação premiada da JBS. Na mensagem, Miller ainda rebateu outras acusações que vem sofrendo e disse que “jamais deu dinheiro para agente público”, nem para um “guarda de trânsito”.

O presidente da República e o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) afirmam em linhas gerais que o ex-procurador foi um dos principais responsáveis pela colaboração dos executivos da empresa, que eles consideram ter sido montada com produção ilegal de provas.

SUSPEIÇÃO – Miller é suspeito de ter advogado para a JBS quando ainda tinha cargo no Ministério Público Federal. Por esse motivo, em setembro, o ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot pediu a suspensão de benefícios para delatores.

A Folha teve acesso à mensagem de Miller, que está nos arquivos secretos da CPI da JBS. A comissão quebrou o sigilo do e-mail do ex-procurador.

“A despeito dos desvarios do Temer e do Gilmar, nunca, obviamente, atuei dos dois lados (no meu tempo da Lava Jato, não havia nada de JBS por lá; eu deixei o GT [grupo de trabalho da Lava Jato] em julho do ano passado e, depois de sair, não discuti nada sobre esse caso com a Lava Jato, e sim –mesmo assim levemente – com a FT Greenfield [força-tarefa que investiga fraudes em fundos de pensão], na PRDF [Procuradoria da República do Distrito Federal], onde nunca atuei, nem sequer como itinerante)”, escreveu o ex-procurador.

DICAS SOBRE COMPLIANCE – O e-mail foi enviado para um amigo, em agosto, que lhe pediu dicas de leitura sobre compliance [sistema interno de controle para coibir, identificar e também punir eventuais atos de corrupção que venham a ser praticados por funcionários].

O tema é uma de suas especialidades. Após fazer as sugestões, ele se explicou ao colega mesmo sem ter sido perguntado, em um “PS” (post scriptum).

“Jamais dei dinheiro para agente público algum, seja o guarda de trânsito, seja o procurador-geral da República. Tudo isso é verificável e você, ou qualquer outro ex-colega pode tirar qualquer dúvida comigo, diretamente. Não hesite em ligar.”

ACUSAÇÕES DE TEMER – O segundo trecho da mensagem responde a acusações feitas por Michel Temer. Em discurso no fim de junho, o presidente insinuou que Janot recebeu dinheiro por meio de Miller na delação premiada da JBS.

“Talvez os milhões de honorários recebidos não fossem apenas ao assessor de confiança [Miller], mas eu tenho responsabilidade e não farei ilações. Tenho a mais absoluta convicção de que não posso denunciar sem provas”, afirmou o peemedebista na ocasião.

Gilmar, por sua vez, disse já algumas vezes que Janot “escamoteava” a participação de Miller nas negociações da delação de Joesley Batista.

SOFRIMENTO –  Em outros e-mails obtidos pela Folha, Miller escreve estar sofrendo com a situação. “É com alegria e gratidão que recebo sua mensagem, nunca imaginei estar enfrentando o que estou tendo que enfrentar, é sempre bom ouvir alguém com sua acuidade“, escreveu o ex-procurador, ao responder a um dos amigos que lhe enviaram palavras de solidariedade – ele tem recebido uma série de mensagens de apoio.

Em e-mail de 20 de setembro, por exemplo, um colega lhe oferece ajuda. “Escrevo para saber como você está e se precisa de algo que eu possa ajudar“. O ex-procurador agradece, diz que vai ligar de volta e afirma: “Estou – dentro do possível – bem“.

Até hoje Miller não deu entrevista e só tem se manifestado por meio de sua assessoria de imprensa. A quebra do sigilo ainda mostra que ele tem se dedicado a escrever a defesa para as investigações de que é alvo – no Ministério Público, na Polícia Federal e na OAB (Ordem dos Advogados do Brasil).

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Marcelo Miller jamais foi braço-direito de Rodrigo Janot. Procurados pela Folha, Michel Temer e Gilmar Mendes não quiseram se manifestar. A acusação de Temer a Janot, dizendo que ele fora subornado pela JBS, foi uma calúnia absurda. E Gilmar não ficou atrás. Rodrigo Janot deveria processá-los por perdas e danos. No mínimo. (C.N.)

Parlamentarismo e “recall”, como alternativas concretas às crises brasileiras

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Charge do Cláudio (Arquivo Google)

Willy Sandoval

Quem olha o panorama brasileiro sob o aspecto da ética não deixa de ficar desolado e entristecido. Um presidente não é apenas portador do poder supremo de um país. O cargo possui um fundamental componente ético. O presidente tem de incorporar e exibir os valores que devem ser seguidos pelos cidadãos. Aqui temos o contrário: um presidente tido por corrupto, não só por acusação de políticos, mas por diversas investigações fundamentadas da Polícia Federal, com participação de outros importantes órgãos, como o Ministério Público e a Receita Federal.

O desalento que contamina muitos brasileiros é até compreensível. Neste caso, o parlamentarismo seria uma excelente saída, pois seu pressuposto básico é de que a nação não é obrigada a aturar governos medíocres até o final do mandato, mesmo que o prazo seja limitado a razoáveis quatro anos.

MONARQUIA – Sob regime parlamentarista, aceita-se até mesmo pensar na volta da monarquia, aí se faria sentido se devotar a aura quase sacrossanta ao chefe de estado. Nada contra, desde que seja um poder apenas simbólico.

No entanto, já que não querem estabelecer o civilizado parlamentarismo, que se adote então uma solução intermediária que já existe em alguns estados dos EUA – o recall. Ou seja, uma segunda opinião.

A cada dois anos, depois das eleições gerais para presidente, governadores, deputados e senadores, o povo seria convocado a dar o “recall” e confirmar ou não o mandato presidencial. Se houver 2/3 dos votos válidos contrários, o chefe do governo seria “impichado” e convocaria novas eleições para se completar o tempo do mandato.

ELEIÇÕES GERAIS – Uma condição muito importante teria que estar explicita. O presidente não sofreria impeachment sozinho, porque o eventual fracasso também teria de ser creditado ao Congresso, e necessariamente haveria também eleições para Câmara e Senado.

Claramente, haveria necessidade de mudar o tempo de mandato dos senadores, que deixaria de ser de oito anos e seria no máximo de quatro anos, também.

Ou seja, havia um impeachment solidário, a ser decidido pelos verdadeiros donos dos mandatos dos políticos – no caso, os eleitores brasileiros, que pagam as contas e sustentam os detentores do poder.

Huck já está buscando o apoio do governador Paulo Hartung, que é do PMDB

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Hartung pode ser o vice na candidatura de Huck

Merval Pereira
O Globo

Luciano Huck já definiu o final de dezembro como a data-limite para anunciar a decisão de concorrer ou não à presidência da República. Ele aprofundou os contatos na quinta-feira com duas conversas na casa do economista Arminio Fraga. À tarde, acompanhado de Ilona Szabó, co-fundadora do movimento Agora, e diretora do Instituto Igarapé, ONG que atua na segurança pública, reuniu-se com o presidente do PPS Roberto Freire e com o ministro da Defesa Raul Jungman.

À noite, jantou com o governador do Espírito Santo, Paulo Hartung, do PMDB, que foi sondado para ser vice-presidente em uma possível chapa com Huck, que precisaria de um político experiente para auxiliá-lo. Hartung disse que está disposto “a tudo”, e pode vir a fazer parte de um futuro governo também como Chefe do Gabinete Civil, dependendo das negociações.

NOME ALTERNATIVO – Hartung se declarou a Huck disposto a participar de um movimento que apóie um nome alternativo à polarização que no momento coloca Lula contra Bolsonaro no segundo turno, segundo as pesquisas de opinião. No encontro, Huck mostrou pesquisas eleitorais que revelam um grande potencial de votos, já se encontrando na faixa de dois dígitos em algumas simulações.

O governador Paulo Hartung disse que o importante no momento é reunir o maior número possível de pessoas que comunguem de posições políticas que possam mostrar um caminho pelo centro-liberal, em contraposição aos extremos da direita e da esquerda que, em sua opinião, “não são bons. (…) Ambos acreditam na força do Estado e que o governo pode fazer tudo. Apresentam bravatas e soluções simples para problemas complexos”. Hartung está convencido de que “não há solução simples para o Brasil.”, e acha que a próxima eleição presidencial é a última oportunidade para recolocar o país nos trilhos, pois “já erramos demais”.

UMA NOVA POLÍTICA – O Movimento Agora, de que faz parte Huck, se define como “formado por um grupo diverso de gente realizadora, com perfil político e técnico, de vários setores da sociedade — somos servidores públicos, empreendedores, líderes empresariais, acadêmicos e ativistas. Nossos membros possuem experiência e reconhecimento em suas áreas de atuação, fruto de muito esforço e suor, e prezam pela integridade e pelo engajamento cívico.

“Estamos empenhados em reinventar a política no século XXI, com ações políticas consistentes com a sociedade contemporânea e construindo diálogos e parcerias entre múltiplos atores para melhorar políticas públicas e a vida das pessoas”.

O PPS já acertou em sua Executiva acolher os membros do movimento Agora, da mesma maneira que se dispôs a dar legenda ao grupo da ex-senadora Marina Silva para que ela pudesse se candidatar na eleição de 2014, o que acabou acontecendo pelo PSB.

APOIO DO PSDB – Se realmente entrar na disputa para a presidência da República, seja no PPS ou em outro partido, Luciano Huck pode ser uma opção da parcela do PSDB que ficar alijada do partido, se o grupo de Aécio Neves ganhar a disputa interna.

O senador Aécio Neves está se aproximando do PMDB na tentativa de lançar um candidato a presidente, que provavelmente será o prefeito de São Paulo, João Doria. Mas não é desprezível a possibilidade de que, vencedor, o governador goiano Marconi Perillo vire o candidato oficial do partido.

Nesse caso, o governador Geraldo Alckmin teria a possibilidade de entrar no PSB para disputar a presidência da República, deixando no governo seu vice Marcio França. Se Tasso Jereissati vencer a disputa pela presidência do partido em dezembro, o grupo de Aécio fica de fora e vai debandar para outras candidaturas, e o PSDB vai com Alckmin.

PSDB EM BAIXA – O que parece certo é que o PSDB tem chance reduzidíssima de se apresentar como um partido coeso nas próximas eleições. Se antes as disputas internas eram por espaço no poder, hoje o que separa suas alas são diferenças ideológicas e de postura política, impossíveis de serem superadas.

Como disse o senador Tasso Jereissati, repetindo dona Ruth Cardoso, que certa vez disse que “o PFL de Antonio Carlos Magalhães não é o meu PFL”, “esse PSDB não é o PSDB de Covas, Fernando Henrique e o meu”.

Para louvar o amanhecer e a natureza, uma canção de Juca Filho e Claudio Nucci

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Claudio Nucci, sempre ligado na natureza

Paulo Peres

Site Poemas & Canções
O produtor musical, cantor e compositor paulista Claudio José Moore Nucci, mais conhecido como Claudio Nucci, na letra de “Acontecência”, em parceria com Juca Filho, faz uma narrativa bucólica dos acontecimentos ao amanhecer.  Essa toada foi gravada pelo próprio Claudio Nucci, em 1980, pela EMI-Odeon. 
 ACONTECÊNCIA

Juca Filho e Claudio Nucci

Acorda ligeira e vem olhar que lindo
Sobre o morro sol se debruçar
Leite novo espuma dessa madrugada
Passarada vem te despertar
Tantos pés descalços
Posso ver meninos a correr na direção do dia
Banho de açude alegre e lava o corpo
Fruta fresca é pra te alimentar
Acorda ligeira e vem ver que bonito
Pelo pasto solta a vacaria
Na barra da serra gavião campeiro
Vem primeiro vento costurar
Tantos pés descalços posso ver libertos
A correr na direção do dia
Chuva desce pra regar a terra
Engravidar sementes em frutas se tornar

TV Globo denuncia novas articulações para inviabilizar o combate à corrupção

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Charge do Sponholz (sponholz.arq.br)

Deu no Jornal Nacional/G1

Depois de o presidente Michel Temer conseguir barrar o prosseguimento das duas denúncias apresentadas pela Procuradoria Geral da República contra ele, políticos aliados do governo articulam várias ações que podem comprometer as investigações de combate à corrupção. Os deputados já se movimentam para discutir o projeto que altera a lei do abuso de autoridade. Na avaliação do Ministério Público, alguns artigos da proposta ameaçam a independência de promotores e procuradores, e podem dificultar investigações como as da Operação Lava Jato.

A comissão especial que vai analisar o projeto foi criada um dia depois que os deputados derrubaram o prosseguimento da segunda denúncia contra temer pelos crimes de obstrução de justiça e organização criminosa.

SEM DELAÇÃO – Outro projeto em análise na Câmara quer proibir que pessoas que estejam presas façam acordo de delação premiada. E, nessa semana, líderes de 15 partidos assinaram um requerimento pra dar urgência à votaçao de um projeto que questiona o alcance da Lei da Ficha Limpa.

Se aprovado, o texto torna sem efeito a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que entendeu que a lei pode ser aplicada a crimes de abuso de poder econômico cometidos antes de 2010, quando a lei entrou em vigor.

Para o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) , esse conjunto de propostas é uma reação contra o combate à corrupção no país.

“A ampla coalização formada por partidos no Congresso Nacional mostra duas coisas: primeiro que o Congresso Nacional perdeu qualquer pudor em tentar reverter os avanços de combate à corrupção que já existia no país. E em segundo lugar, que existe uma ofensiva pró-crime e pró-impunidade no Congresso Nacional e em outros poderes da República”, disse o senador.

POLÍCIA FEDERAL – Mas as iniciativas que podem dificultar punição a políticos não vêm só do Congresso: partem também do Poder Executivo. A recente troca no comando da Polícia Federal foi vista com desconfiança até mesmo dentro da corporação. A nomeação de Fernando Segóvia não teve apoio do ministro da Justiça, mas sim de políticos do PMDB investigados na Lava Jato.

Nesta sexta-feira (10), o novo diretor-geral da PF disse que vai ampliar as operações de combate à corrupção. Mas admitiu que pode substituir, por exemplo, o superintendente da corporação do Paraná, base da operação.

O número dois da Polícia Federal também deve ser trocado. O nome mais cotado pra ser diretor-executivo é o do delegado Sandro Avelar, ex-secretário de Segurança Pública do Distrito Federal. Ele foi candidato a deputado federal em 2014 e recebeu dinheiro do comitê de campanha de Michel Temer. Avelar declarou ao Tribunal Superior Eleitoral que a doação foi de R$ 11,6 mil.

PROCESSO NO STF – Em outra frente, a defesa do presidente Temer pediu ao ministro do Supremo Edson Fachin, que reconsidere a decisão que desmembrou o inquérito sobre organização criminosa e obstrução à Justiça, depois que a Câmara impediu o andamento da denúncia contra o presidente.

Fachin enviou para a primeira instância a investigação de 18 pessoas sem foro privilegiado, entre elas o ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e o ex ministro Geddel Vieira Lima (PMDB-RJ). Mas, se o pedido for aceito, todas as investigações podem ser paralisadas até que Temer deixe o cargo de presidente.

Michel Temer também deu ao peemedebista Moreira Franco, da Secretaria Geral da Presidência e denunciado por organização criminosa, status de ministro e o poder de controlar um orçamento de R$ 1,6 bilhão em contratos de publicidade e patrocínios de órgãos da administração federal.

REFORMA MINISTERIAL – Palácio do Planalto também prepara uma reforma ministerial, para dar mais espaço aos que ajudaram Temer a se livrar das duas denúncias na Câmara.

A maioria desses parlamentares integra partidos menores que compõem o chamado centrão. Todos de olho nos quatro ministérios ocupados pelo PSDB, que se dividiu nas votações das denuncias.

Essa semana, estimulado pelo Palácio do Planalto, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) destituiu o então presidente interino do PSDB Tasso Jereissati (CE). Um movimento para impedir o fortalecimento dos chamados “cabeças pretas”, ala mais jovem do partido que quer romper com o governo por entender que ele representa a chamada velha política.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Matéria importante. Mostra que a TV Globo enfim descobriu a Operação Abafa, denunciada há um ano pelo ex-ministro Medina Osório, da AGU. Mas tem alguns equívocos. No caso da Ficha Limpa, o projeto da Câmara está correto, porque o Supremo errou ao retroagir a lei. No caso do novo diretor da Polícia Federal, o superintendente no Paraná será um integrante da equipe anterior, Mauricio Valeixo, atualmente diretor de Combate ao Crime Organizado. De resto, a matéria da Globo está perfeita, pois a Operação Abafa é uma realidade mais do que concreta. (C.N.)

Bolsonaro é um blefe e os brasileiros não têm um candidato que mereça ser votado

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Jair Bolsonaro é apenas um covarde enganador

Carlos Newton

Há dias em que a gente acorda bem, mas em outros dias nem sente vontade de levantar. Para quem trabalha em jornalismo de política e de economia aqui no Brasil, as notícias são sempre lamentáveis e desalentadoras, é preciso ter uma extraordinária capacidade de resistência. O fato concreto é que os governantes, os parlamentares e as autoridades  parecem viver num mundo à parte, em uma espécie de Ilha da Fantasia, estão pouco se preocupando com o interesse público e com uma melhor qualidade de vida da população. Esta é a nossa realidade.

O pior é saber que não há solução à vista nem a prazo. As insanidades administrativas já ficaram tão enraizadas, as mordomias tão sedimentadas, os privilégios tão estratificados e os penduricalhos salariais tão arraigados e legalizados que realmente não há possibilidade de reverter essa situação em futuro próximo.

INTERVENÇÃO MILITAR – Diante dessa realidade, há quem defenda uma intervenção militar, para reorganizar os três Poderes, moralizar o país e reduzir as desigualdades sociais. Existem motivos para tanto, reconheça-se. Mas acontece que os militares nada podem fazer, porque todas essas revoltantes irregularidades estão dentro da lei ou foram legitimadas pelo Supremo Tribunal Federal. Portanto, tornaram-se “direito adquirido”.

Por exemplo, José Dirceu, que nunca trabalhou nem teve carteira assinada, já se aposentou com o teto do INSS (cerca de R$ 5,5 mil) e agora vai ganhar aposentadoria na Câmara, de mais R$ 9,6 mil), porque tem “direito adquirido”.

Há milhares de ex-parlamentares na mesma situação de Dirceu, generosamente “aposentados”. No Congresso atual, com 594 integrantes, apenas um, o senador José Reguffe (sem partido-DF), abriu mão da aposentadoria e paga sua contribuição ao INSS, como qualquer trabalhador brasileiro. Reguffe também rejeitou o fabuloso plano de saúde familiar e a cota parlamentar, que lhe permitiria contratar 50 assessores. Mas é a única exceção.

TUDO DOMINADO – Temer não tem nada de bobo e já acalmou os militares, que terão reajuste salarial em 2018, enquanto os servidores civis ficarão com salários congelados até 2019. A decisão de prestigiar as Forças Armadas saiu até barato —  custará apenas R$ 4,6 bilhões, bem menos do que o “investimento” que Temer fez nos deputados, calculado em R$ 5,7 bilhões na primeira denúncia, e mais R$ 12 bilhões na segunda denúncia, além de cargos e benesses de valor inestimável, como a mudança no combate ao trabalho escravo. Além disso, os militares também ficaram de fora da proposta de reforma da Previdência, demonstrando que nem todos os brasileiros são iguais.

Para quem defende a intervenção militar, a alternativa passou a ser a eleição de Jair Bolsonaro, o capitão que queria fazer atentados a bomba para exigir reajuste salarial dos militares e ainda defende ardorosamente a tortura a presos políticos, vejam como a ironia da vida é impressionante.

BOLSONARO ELEITO – O capitão-candidato ainda está a escolher partido, mas certamente conseguirá uma bela coligação. Tem chances concretas de ser eleito, mas isso é diferente de um golpe militar. Como presidente, terá de se curvar ao Congresso e ao Supremo. E todos sabem que os três poderes estão apodrecidos. Portanto, os “direitos adquiridos” continuarão prevalecendo. Os integrantes da máquina pública continuarão vivendo na Ilha da Fantasia e o presidente Bolsonaro nada poderá fazer nem terá condições de mandar torturá-los, porque os militares estão guardados por Deus e contando o vil metal, como dizia Belchior, em sua insanidade lógica e racional.

E quanto ao maior problema brasileiro, a dívida pública? O que fará o presidente Bolsonaro? Vai realizar a auditoria determinada pela Constituição? Vai consultar a economista Maria Lúcia Fatorelli, considerada uma das maiores especialistas do mundo, que auditou as dívidas do Equador e da Grécia? Você realmente acredita nisso?

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P.S.Bolsonaro jamais o fará. Como todo militar torturador, na verdade é um covarde.  Foi assaltado por dois homens no Rio, em 1995, eles lhe tomaram a motocicleta Honda 350 e a pistola Glock 380, que o deputado orgulhosamente portava. E disse que se sentiu indefeso…

P.S. 2 Os brasileiros não têm um candidato que mereça ser votado. Infelizmente, o senador Reguffe não tem partido e, portanto, não poderá ser candidato. (C.N.)