Bolsonaro fará o resto da campanha em casa, inclusive na fase do segundo turno

Bolsonaro

Helicóptero da PM levou Bolsonaro para o Albert Einstein

Constança Rezende e Marcio Dolzan
Estadão

O candidato do PSL à Presidência, Jair Bolsonaro, foi transferido nesta sexta-feira, 7, para o Hospital Albert Einstein, em São Paulo, após ter sido alvo de um ataque a faca em ato de campanha na quinta-feira à tarde em Juiz de Fora (MG). Às 14h20, o hospital informou que o candidato está “consciente e em boas condições clínicas”. Conforme a equipe médica, o tempo mínimo de internação a que ele estará submetido é de uma semana.

O ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, disse que três pessoas estão sendo investigadas por suposta participação no atentado.

AINDA NA UTI – O boletim divulgado no início da tarde indica que Bolsonaro está internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Ele realizou exames laboratoriais e de imagens e foi avaliado por equipe multiprofissional. O tratamento iniciado em Minas continua. Líder nas pesquisas de intenção de votos, o candidato era carregado na região central da cidade quando foi golpeado na altura do abdome por seu agressor, identificado como Adelio Bispo de Oliveira, de 40 anos, que foi preso.

Gastrocirurgiões ouvidos pelo Estado avaliam que dificilmente Jair Bolsonaro será liberado pelos médicos a fazer campanha de rua antes do primeiro turno das eleições 2018, marcado para 7 de outubro. Em geral, pacientes com quadro similar ao do presidenciável só são autorizados a retornar ao trabalho e às atividades normais no período de um a dois meses após a operação. O candidato sofreu um único golpe de faca que perfurou em três partes o intestino delgado, provocando traumatismo abdominal e hemorragia interna.

PRIMEIRA GRAVAÇÃO – Um vídeo publicado na manhã desta sexta pelo senador Magno Malta (PR-ES), que foi ao hospital visitar o colega, mostra Jair Bolsonaro fazendo sua primeira declaração pública após o ataque. Bolsonaro agradeceu a equipe médica, Deus e disse ser inofensivo. “Será que o ser humano é tão mau assim? Eu nunca fiz mal a ninguém”, disse o presidenciável do PSL. “Essa equipe maravilhosa e abençoada evitou que o mal maior acontecesse”, complementou Bolsonaro, com voz baixa.

Mais tarde, no Twitter, a conta oficial do presidenciável publicou uma mensagem dizendo que ele está bem e se recuperando. “Agradeço do fundo do meu coração a Deus, minha esposa e filhos, que estão ao meu lado, aos médicos que cuidam de mim e que são essenciais para que eu pudesse continuar com vocês aqui na Terra, e a todos pelo apoio e orações!”.

NOVA VARIÁVEL – O fato deixou mais imprevisível a eleição deste ano, acrescentando nova variável na disputa pelo Planalto, segundo analistas ouvidos pelo Estado. O atentado seria capaz de mudar os rumos da corrida eleitoral restando menos de um mês para o primeiro turno.

Na quinta-feira, algumas campanhas começaram a rever estratégias, entre elas a tática de ataques ao candidato do PSL. A expectativa no momento é sobre a força do tempo de TV no horário eleitoral e a capacidade de transferência de votos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, cuja candidatura pelo PT foi barrada pela Justiça Eleitoral. A dúvida agora passa a ser quanto ao tempo de recuperação física de Bolsonaro.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
– Diz a equipe médica que o tempo mínimo de internação a que ele estará submetido é de uma semana. Mas depois terá de prosseguir a recuperação em casa e fará a campanha sem sair às ruas, tanto no primeiro turno quanto no segundo, no qual sua presença já está garantida. (C.N.)

Deus, que teve seu filho assassinado, não manda assassinar ninguém

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Até o Papa João Paulo II foi vítima de fanático religioso

Pedro do Coutto

Esta expressão que está no título esclarece de forma cristalina que Deus não pode armar a mão de assassinos e fanáticos, seja de que forma for. Basta recordar o relato sobre a morte de Jesus Cristo e constatar, mesmo fora da visão religiosa, que um vulto divino, no caso Deus, possa incentivar uma tragédia que em grande número de situações tem seu desfecho na morte de seres humanos.

Fanáticos há em grande número. Adélio Bispo de Oliveira inclui-se nessa legião que atravessa a história marcando seu rastro com sangue. Nos Estados Unidos foram assassinados quatro presidentes: Lincoln, Garfield, Mckinley, John Kennedy. O irmão Robert Kennedy foi assassinado quando iniciava a campanha de 1968 para a Casa Branca.

OUTROS ATENTADOS – Martin Luther King uma das maiores figuras da luta por direitos humanos encontrou sua morte num comicio de Memphis.  Nos anos 90, o presidente Ronald Reagan foi vítima de um atentado em Washington mas conseguiu sobreviver.

O Papa João Paulo II foi alvejado por mais um fanático voltado para tentar anular com seu impulso homicida a vida do chefe da Igreja Católica. Muitos outros exemplos pode e acrescentar. Um deles o Imperador Julio Cesar em 45 a.C.

Conspirações não faltam no percurso da existência. Agora tivemos mais uma marca do fanatismo. Não quero comparar Jair Bolsonaro com grandes figuras da história, mas apenas acentuar que os alucinados estão em qualquer lugar.

IMPULSOS DESTRUTIVOS – O exemplo contido na mensagem deixada por Jesus não foi suficiente para conter impulsos destrutivos. Fora do cristianismo em outras religiões também se encontram manifestações contra a violência na mão dos criminosos.

Estamos na fase já próxima das urnas de outubro para a presidência da República. Não se pode desejar a morte de pessoa alguma, portanto Bolsonaro entre as vítimas do fanatismo. Temos que ver a partir de agora o reflexo do atentado nas pesquisas do IBOPE e Datafolha.

RAZÕES ABSURDAS – O Globo publicou excelente reportagem na qual incluiu a foto em primeiro plano do esfaqueador e as razões absurdas que ele forneceu à Polícia pouco após sua prisão. Temos que lembrar que nem sempre tragédias como essa produzem resultados nas urnas.

Em 1954 a morte de Getúlio Vargas não favoreceu João Goulart, seu herdeiro político nas urnas. Perdeu a disputa pelo Senado pelo Rio Grande do Sul, sendo batido por Armando Câmara e Daniel KriEger. Os reflexos dos episódios marcados por sangue nem sempre proporcionam avanços na trajetória dos herdeiros da luta política.

A mensagem de Deus é eterna como ele próprio. A crucificação de Jesus é emblemática em todos os sentidos. Encontra-se para sempre no passado, no presente e no futuro da humanidade. Sua dimensão é inultrapassável: ele dividiu o tempo entre antes e depois dele.  Seu exemplo deveria servir para mostrar o rumo do bem e do amor a todos os homens e mulheres do planeta. O humanismo nasceu daí.

Piada do Ano! General Augusto Heleno culpa mídia por atentado a Bolsonaro

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Augusto Heleno é mal humorado, mas gosta de piadas

Igor Gielow
Folha

Um dos principais conselheiros do candidato do PSL Jair Bolsonaro responsabilizou “parte da imprensa” pelo atentado contra o presidenciável, que foi esfaqueado gravemente durante um evento de campanha na quinta (6), em Juiz de Fora. O general da reserva Augusto Heleno, que só não foi vice de Bolsonaro porque filiou-se a um partido que recusou apoiar o deputado, divulgou um áudio a colaboradores da campanha do PSL. “O bárbaro atentado sofrido ontem por Jair Bolsonaro é o desfecho de uma campanha diária, obstinada, que parte da imprensa desencadeou contra ele”, afirma.

“Injustamente, tacharam-no de despreparado, violento, inimigo da pátria e amante da ditadura. É um vale-tudo para desconstruí-lo”, disse. Com isso, Heleno condensa o discurso que filhos do capitão reformado do Exército e outros apoiadores têm feito de forma pontual desde o atentado, ocorrido no fim da tarde da quinta.

NÃO É DESEQUILIBRADO – Dando eco à retórica de eleitores bolsonaristas, Heleno disse que o homem preso pela facada, Adelio Bispo de Oliveira, “não é um desequilibrado”. “É um radical irresponsável, fiel a seus ideais marxistas. Um invulgar auxiliar de garçom que, poucas horas depois do crime, apresenta uma equipe de advogados para defendê-lo”, afirmou, insinuando uma trama mais ampla do que a teoria de um ataque solitário.

Para Heleno, “a esquerda não admite a alternância de poder” que seria representada pelo candidato do PSL. O militar, contudo, encerra sua mensagem com uma nota mais ponderada, pedindo calma aos apoiadores de Bolsonaro.

“O mais importante é que não percam o entusiasmo. Rogo que não se deixem levar, em nenhum momento, pelo desânimo e a emoção. Mantenham a calma e a ponderação. A paz e a conciliação darão ao nosso futuro presidente as condições para construir um novo Brasil”, disse.

UMA BALIZA – A fala é vista pelo círculo mais próximo de colaboradores de Bolsonaro como uma baliza para as manifestações públicas daqui em diante. Heleno, que foi comandante das tropas de paz no Haiti e chefe militar da Amazônia, é uma das vozes mais respeitadas nos meios militares.

Sempre comprou brigas públicas com o PT, e foi para a reserva muito devido a elas. Ele aconselha Bolsonaro e é responsável por, com outros colaboradores, montar linhas gerais do que seria um programa de governo em caso de vitória do deputado. Seu nome é dado como certo para um eventual ministério nessa hipótese.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Culpar a imprensa é um dos esportes preferidos das “autoridades” brasileiras, que adoram fazer Piadas do Ano. (C.N.)

 

Um poema de Castro Alves, em homenagem ao 7 de setembro, o Dia da Liberdade

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Site Poemas & Canções
O baiano Antônio Frederico de Castro Alves (1847-1871), considerado um dos mais brilhantes poetas românticos brasileiros, é chamado de “cantor dos escravos” pelo seu entusiasmo diante das grandes causas da liberdade e da Justiça. Pela libertação da pátria, Castro Alves escreveu o poema “Ao Dia Sete de Setembro”, quando o Brasil era governado por D. Pedro I.

AO DIA SETE DE SETEMBRO
Castro Alves

Mancebos, que sois a esperança
Do majestoso Brasil;
Mancebos, que inda tão tenros
Sabeis de louro gentil
Adornar o pátrio dia,
Nosso dia senhoril!

Eis que assomou sobre os montes
Além, sobre a antiga serra,
Entre mil nuvens de rosa,
O dia de nossa terra;
Aquele que para a Pátria
Milhões de glórias encerra.

Foi hoje que o Lusitano,
Que o filho de além do mar,
Despertou com forte brado
A Pátria que era a sonhar,
Que nem sequer escutava
A liberdade a expirar.

E o brado: — “Livres ou mortos”
Lá nos bosques retumbou;
E mais contente o Ipiranga
As suas águas rolou;
E o eco d’alta montanha
Todo o Brasil ecoou.

E as montanhas lá do Sul,
E as montanhas lá do Norte,
Repetiram em seus cumes:
Sempre ser livres ou morte…
E lá na luta renhida
Cada qual luta mais forte.

Sim, nos combates que, ousados,
Travaram cem contra mil,
O mancebo que nascera
Sob este azul céu de anil,
Forte como um Bonaparte,
Batia o forte fuzil.

E cada qual no combate
Ao ribombar do canhão
Queria à custa da vida
Dar à Pátria salvação,
Vingar a terra natal
D’aviltante servidão.

Eia, pois, flores da Pátria,
Esp’rançosa mocidade!
Que os Andradas e os Machados
Do alto da Eternidade
Contentes vos abençoam
No dia da Liberdade.

Recurso de Lula contra condenação no processo do triplex chega ao STJ

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 Zanin, advogado de Lula, mandar sustar o recurso

Mariana Oliveira
TV Globo, Brasília

O recurso apresentado pela defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva contra a condenação no caso do triplex em Guarujá chegou na noite desta quinta-feira (6) ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), em Brasília.

O recurso especial tenta reverter a condenação confirmada pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) em janeiro. Em abril, Lula começou a cumprir pena de prisão pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro em uma cela especial da superintendência da Polícia Federal (PF) em Curitiba.

REITERANDO – No mesmo mês que Lula foi preso, a defesa do petista apresentou recursos contra a condenação ao STJ e ao Supremo Tribunal Federal.

Por lei, cabe ao TRF-4 decidir se admite esses recursos para que os tribunais superiores analisem o questionamento do condenado. O TRF-4 decidiu aceitar o recurso ao STJ em junho, mas negou para o STF, argumentando que não havia questão constitucional a ser respondida. A defesa recorreu para o recurso também ir ao Supremo.

Mais de dois meses depois de o tribunal regional aceitar o recurso, o processo chegou ao STJ por meio eletrônico. A defesa poderá refazer pedido de cautelar para suspender os efeitos da condenação, ou seja, prisão e inelegibilidade. O STJ negou antes o pedido com argumentação de que o recurso ainda não havia chegado.

EM 40 DIAS – Em entrevista a jornalistas nesta semana, o presidente do STJ, ministro João Otávio de Noronha, afirmou que o recurso poderia ser julgado em até 40 dias depois que chegar à Corte.

Noronha explicou que o julgamento deve ocorrer rápido, como outros casos da Operação Lava Jato, sobretudo em razão da eficiência do relator processos ligados ao esquema da Petrobras na Corte, o ministro Félix Fischer. Mas disse que o caso não será acelerado em razão da tentativa de Lula de se manter candidato.

Uma eventual absolvição de Lula no STJ, com anulação da condenação por exemplo, poderia tirá-lo da prisão e torná-lo novamente apto a disputar eleições.

NO TSE – Na madrugada do último sábado (1º), os ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiram por 6 votos a 1 pela rejeição do pedido de registro de candidatura de Lula à Presidência por considerá-lo inelegível com base na Lei da Ficha Limpa, que proíbe a participação de políticos com condenação por órgão colegiado.

A defesa do ex-presidente fez três tentativas de recursos no STF depois da decisão do TSE. Dois pedidos já foram rejeitados e um terceiro ainda está pendente de análise pelo TSE, que vai decidir se manda ou não o caso para o Supremo.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
A matéria deixou de assinalar que o próprio advogado de Lula, Cristiano Zanon, pediu que o TRF-4 sustasse a subida do recurso especial para o STJ. Daí ter ocorrido o atraso. (C.N.)

Estratégia da campanha de Alckmin começou errada e está difícil corrigir

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Investir contra Temer é um dos maiores erros de Alckmin

Willy Sandoval

Apesar da simpatia que eu sempre declaro ao governador Alckmin pelos seus resultados razoáveis no governo de São Paulo (razoáveis para padrão de excelência, mas excelentes quando comparado a outros governadores, como por exemplo, Rio de Janeiro e Minas Gerais), o fato é que a campanha do tucano para a Presidência só vem fazendo besteiras. Erros táticos e estratégicos.

Alckmin se esquece de que, quando venceu por duas vezes o governo do Estado no primeiro turno e quando lançou o então candidato João Dória para a prefeitura, que também venceu no primeiro turno, o principal mote da campanha foi a imagem de ser o antiPT.

FICOU O VÁCUO – Não enxergou desde sempre que deveria se lançar como o antiPT. Esse vácuo foi ocupado por Bolsonaro. A estratégia de atacar Bolsonaro e Temer é a maior estupidez por parte de sua campanha. É difícil, mas é possível, sim, defender algumas medidas de Temer.

Podemos afirmar, por exemplo, que se a Dilmanta continuasse na Presidência, o país com certeza estaria numa posição muito pior do que está.

COVARDIA – Não entendo o medo que o Alckmin tem de atacar os principais responsáveis pela atual situação do país, que são exatamente os petralhas e os esquerdopatas que os apoiavam. Alckmin não percebe que as pessoas costumam perdoar muitos erros, até incompetencia e até mesmo roubalheira, mas dificilmente perdoam covardia.

Bolsonaro tem coragem de bater duro no PT. Ciro Gomes, apesar de tomar mais uma porrada dos petralhas, tem coragem de defendê-los. No c aso de Alckmin, fica muito mal para sua campanha atacar Bolsonaro e Temer e ficar com medo de bater no PT. Talvez seja tarde para consertar a situação, mas se não o fizer, com certeza não vai chegar ao segundo turno.

Ibope afasta Lula e Datafolha vai medir o reflexo do punhal contra Bolsonaro

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Radicalização da política acabou vitimando o radicalizador

Pedro do Coutto

A pesquisa do Ibope, publicada ontem pelo O Globo e pelo Estado de São Paulo, apresentou os primeiros reflexos da passagem dos candidatos pelo horário gratuito do rádio e da televisão. O Datafolha, conforme anunciou a Folha de São Paulo, publicará sua pesquisa na próxima segunda-feira. Assim, então, já se poderá medir o reflexo das intenções de voto do episódio que culminou com o ataque a punhal contra Jair Bolsonaro. Aí então a opinião pública poderá sentir qual o reflexo em matéria de intenções de voto na disputa pelo Palácio do Planalto.

Vamos por partes. O Ibope revelou que Bolsonaro subiu de 20 para 22% na preferência popular. Marina Silva manteve os 12% da pesquisa anterior, mas Ciro Gomes avançou de 9 para 12 pontos. Alckmin subiu do 7º para o 9º andar. Fernando Haddad marcou 6 pontos. Os brancos e nulos começaram a desabar: eram 29 agora reúnem 21%.

BRANCOS E NULOS – Como escrevi em artigo recente, à medida em que a campanha esquenta, diminui a faixa dos votos nulos e brancos. Vai cair ainda mais ao longo dos próximos dias.               Alvaro Dias conservou os 3 pontos; Amoedo subiu de 2 para 3%, Meirelles avançou do 1º para o segundo andar. Os demais candidatos apresentaram preferências que vão de zero a 1% das intenções de voto.

Verifica-se assim que a redução dos votos nulos e brancos foi dividida entre Bolsonaro, Ciro Gomes e Alckmin. Marina Silva não conseguiu arrebatar nenhuma parcela dos eleitores indecisos. O avanço mais expressivo na minha opinião foi de Ciro Gomes porque subiu de 9 para 12 pontos. Portanto, ele cresceu quase 40% em relação a si mesmo, percentual não alcançado pelos outros concorrentes, além dele.

Ainda existem muitos eleitores a serem conquistados. Há tempo. Estamos a exatamente um mês das urnas de outubro. A pesquisa de voto foi analisada por Marco Grillo e Miguel Caballero, em O Globo, e por Daniel Brumatti, em O Estado de São Paulo. Foram dois belos trabalhos bastante claros e objetivos.

DATAFOLHA – Tendo anunciado a divulgação de sua nova pesquisa na edição de segunda-feira da Folha, o Instituto dirigido por Mauro Paulino terá tempo de oferecer à opinião pública um quadro bastante amplo de intenções de voto, já incorporando os reflexos da faca que em Juiz de Fora se voltou contra o candidato Jair Bolsonaro.

A vítima sempre acarreta um efeito político que não pode ser ignorado. Em 1930 foi o assassinato do governador da Paraiba, João Pessoa, companheiro de chapa de Getúlio Vargas na eleição daquele ano. Em 1954 foi o assassinato do Major Rubem Vaz que retornava de um comício ao lado de Carlos Lacerda. O sangue ao longo do tempo resultado da violência alucinada pode mudar o destino de um lance político.

Não sei a consequência junto a opinião pública do atentado a Bolsonaro, mas acredito que não será muito profunda. Vamos esperar pelo Datafolha na segunda-feira.

Radicalização política e ataque a Bolsonaro preocupam as Forças Armadas    

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Ministro da Defesa critica o clima de intolerância na campanha

Tânia Monteiro
Estadão

O ministro da Defesa, general Joaquim Silva e Luna, disse ao Estado, após o candidato à Presidência Jair Bolsonaro (PSL-RJ) ter sido esfaqueado em campanha, estar “muito preocupado com a crescente intolerância” no País. Para Silva e Luna, essa intolerância está causando “apreensão a todos que têm responsabilidade com a garantia da estabilidade das instituições, da lei e da ordem”.

O general participou nesta quinta-feira, 6, de uma reunião com os comandantes do Exército, da Marinha e da Aeronáutica para tratar de orçamento das Forças Armadas. Durante o encontro, os comandantes foram informados do ataque a Bolsonaro e sobre a evolução do estado de saúde do candidato.

ACIRRAMENTO – A avaliação foi de que há um “acirramento dos ânimos” e uma preocupação de como será conduzido o processo eleitoral daqui para a frente, com a possibilidade de aumento da violência. Eles, no entanto, apenas acompanharão a evolução dos fatos.

“Vamos só acompanhar”, declarou o comandante do Exército, general Eduardo Villas Bôas, ao sair da reunião e seguir para o Quartel General do Exército, para participar de uma outro encontro, por videoconferência, com os demais generais do Alto Comando da Força, convocado pela manhã para tratar de temas administrativos. O comandante reconheceu, no entanto, que o tema central do encontro seria o ataque a Bolsonaro e o acirramento dos ânimos.

PREOCUPAÇÃO – O general Villas Bôas afirmou ao Estado que ficou “muito preocupado” com este episódio que classificou como “inadmissível”. O comandante afirmou que pediria aos generais do Alto Comando que acompanhem “mais de perto o nível de insegurança nas campanhas e a possibilidade de crescer a violência no País”.

Para ele, este episódio deverá “repercutir em todo o processo eleitoral e deve gerar mais instabilidade”, mas ressaltando que “pode aumentar o nível de tensão”.

Atentado a Bolsonaro força os adversários campanhas a redirecionar as estratégias

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Alckmin vai diminuir ou até parar os ataques a Bolsonaro

Gerson Camarotti
G1 Brasília

Diante da comoção gerada pelo atentado contra o candidato do PSL à Presidência da República, Jair Bolsonaro, as campanhas decidiram reposicionar estratégias. Neste momento, a ordem é retirar ataques ao candidato Jairo Bolsonaro e adotar um discurso de conciliação nacional.

Num primeiro momento, a avaliação é a de que Bolsonaro terá um protagonismo na disputa, colocando o ex-presidente Lula em segundo plano. Até então, a estratégia do PT de sustentar a candidatura de Lula estava monopolizando as atenções da corrida presidencial.

Efeito positivo – O episódio envolvendo Bolsonaro deve também ter um efeito positivo ao candidato do PSL. O ambiente de solidariedade nacional ajudará a diminuir a rejeição ao candidato. Segundo o Ibope desta semana, a rejeição a Bolsonaro atingiu 44%.

Outro efeito imediato, é sentido na campanha do candidato do PSDB, Geraldo Alckmin, que não só retirou do ar a propaganda de desconstrução da imagem de Bolsonaro, como agora terá que dosar o novo tom da campanha.

Alguns candidatos apostavam no tempo de televisão para alavancar suas candidaturas em contraponto a Bolsonaro, que tinha poucos segundos. Mas, diante da tragédia, o candidato do PSL passa a ocupar todos os noticiários do país. A questão do tempo passou a ser um fator secundário neste momento de comoção nacional. A ordem das campanhas passa a ser mergulhar, para só depois de passado esse momento de impacto, testar novas estratégias.

A violência política atual teve alguns paraninfos que precisam ser conhecidos

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Sem derramar sangue, não haverá redenção, disse Bené

Celso Serra

No ano passado (29 de maio de 2017), parlamentares, lideranças petistas e professores de Direito se reuniram no Seminário “Estado de Direito ou Estado de Exceção”,  evento promovido pela Fundação Perseu Abramo, órgão de formação e mantido pelo PT – Partido dos Trabalhadores, provavelmente com dinheiro do fundo partidário, isto é, dinheiro do povo brasileiro.

O “Seminário” foi filmado e suas imagens (vídeos)  – que até hoje podem ser vistos na internet (é só acessar o Youtube) –  mostram uma platéia composta por militantes partidários e um comando no qual, sob a direção da deputada Benedita da Silva, foram discursando, entre outros, os senadores Roberto Requião, Gleisi Hoffmann, o procurador Claudio Fonteles, o governador Flávio Dino e o deputado Carlos Zaratini.

INTOLERÂNCIA – As palavras do senador Roberto Requião e da deputada Benedita da Silva, que a seguir grafarei, não parecem provas de tolerância, urbanidade e amor ao próximo.

O senador Roberto Requião, valentemente, bradou: “… o  que, então, estamos esperando para cruzar o rio, para jogar a cartada decisiva de nossas vidas? Senhores e senhoras, universitários aqui presentes. Convençam-se. Não há mais espaço para a conversa e para os bons modos.”

A plateia foi ao delírio. Aplaudiu ruidosamente e começou a gritar à plenos pulmões: “Se muda, se muda, imperialista! A América Latina será toda socialista!”.

A nobre deputada Benedita da Silva vociferou:  “Quem sabe faz a hora e faz a luta. A gente sabe disso. E na minha Bíblia está escrito que sem derramamento de sangue não haverá redenção. Com a luta e vamos à luta, com qualquer que sejam as nossas armas!”

APLAUSOS DE PÉ – O seleto público foi ao orgasmo múltiplo psicológico e a aplaudiu de pé. Essa reunião não ocorreu em nenhum hospício e os evangelizadores indutores eram componentes do Congresso Nacional.  Agravando a situação, a iniciativa do evento, segundo o portal PT na Câmara, foi de sua bancada de deputados federais, sendo a organização de responsabilidade de seu órgão de formação política.

Além disso, também podemos encontrar na internet (Youtube) vários discursos do notório “dono do PT”, atualmente residente em Curitiba-PR, incitando populares – notadamente de baixa escolaridade e reduzida formação intelectual – a comportamento agressivo , na base do “nós contra eles”.

CASO BOLSONARO – Com todos esses fatos antecedentes não é difícil entender a agressão com uma faca sofrida pelo candidato Jair Bolsonaro em Juiz de Fora, por criminoso que, em passado recente, como noticiado pela mídia, era militante do PSOL, partido político com as mesmas origens do Partido dos Trabalhadores, sendo, por muitos brasileiros, considerado um singelo “puxadinho do PT”.

A violência política atual teve paraninfos.

Rotina no Supremo: negado mais um pedido de Lula para suspender decisão do TSE

Celso de Mello rejeita mais um dos incontáveis recursos

José Carlos Werneck

O decano do Supremo Tribunal Federal, ministro Celso de Mello, rejeitou nesta quinta-feira o pedido dos advogados de Lula para suspender a decisão do Tribunal Superior Eleitoral que indeferiu a candidatura do ex-presidente. Segundo o ministro, não é possível suspender a decisão porque o recurso apresentado contra a medida ainda não chegou efetivamente no STF.

Tentando subverter o rito processual, os advogados de Lula apresentaram um pedido de liminar para tentar derrubar a decisão do TSE. Foram apresentados dois argumentos principais: o de que o risível e surrado entendimento de um comitê da ONU, que Lula deve concorrer e também o de que a lei assegura a ele disputar “sub judice” até uma decisão final sobre sua candidatura.

PARECER – “A ausência, no caso, do necessário juízo de admissibilidade do recurso extraordinário impede a instauração da jurisdição cautelar do Supremo Tribunal Federal”, ressaltou magnificamente o ministro na decisão. “Em face do exposto, não conheço do pleito”.

Em bem fundamentada decisão, de 11 páginas, Celso de Mello entendeu ser “prematuro” o pedido de liminar antes da chegada do recurso, asseverando que o pedido de suspensão dos efeitos da decisão do TSE deve ser feito à presidente do Tribunal Superior Eleitoral.

“Vê-se, desse modo, que a tutela de urgência postulada pelo ora requerente tem, neste momento, como legal destinatária a Presidência do E. Tribunal Superior Eleitoral, que poderá, desde logo, tal seja o seu douto entendimento, apreciar, em tempo oportuno, sem qualquer possibilidade de prejuízo ao ora interessado, o pleito cautelar em questão”, destacou.

TENTATIVAS – O pedido dos defensores de Lula foi protocolado na tarde de ontem e é a terceira tentativa em menos de 24 horas de manter a campanha do já agora ex-candidato petista à Presidência da República.

Esse pedido estava associado ao recurso apresentado na noite de terça ao TSE, que, em julgamento na semana passada, rejeitou o registro da candidatura de Lula por 6 votos a um com base na Lei da Ficha Limpa.

Caberá à presidente do tribunal, Rosa Weber, decidir se envia ou não para o Supremo analisar o caso. Rosa Weber informou que seguirá o rito e, antes de dar andamento ao caso, pediu parecer de quem rejeitou a candidatura de Lula e do Ministério Público.

A defesa do ex-presidente tentava acelerar uma possível decisão do STF contra a decisão do TSE, já que o trâmite processual, previsto em lei, pode demorar.

Antes o ministro Luiz Edson Fachin havia rejeitado um outro pedido dos advogados de Lula para suspender a inelegibilidade em razão da condenação determinada pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região, no processo referente ao triplex do Guarujá.

O RECURSO – Os advogados insistem que cabe ao STF avaliar se a decisão do comitê da ONU de pedir ao Brasil para garantir os direitos de Lula suspende sua inelegibilidade.

Para eles,”há inúmeras matérias constitucionais articuladas” no recurso. “Assim, a palavra final sobre a candidatura de Lula deve ser dada por este Supremo Tribunal.”

Na forma da lei, o que acontece com um candidato na situação de Bolsonaro?  

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Jair Bolsonaro ainda ficará muito tempo em recuperação

Jorge Béja

Constatada a gravidade do quadro de saúde do candidato Jair Bolsonaro, menos de vinte e quatro horas depois da facada que sofreu no centro da cidade mineira de Juiz de Fora, já é hora de abordar o que vai acontecer com a sua candidatura. Tudo (ou quase tudo) está previsto nas leis, que são a Constituição Federal, o Código Eleitoral e a Lei 9.504, de 1997, que veio introduzir alterações nas eleições em todo o país.Mesmo combalido, e até correndo o risco de morte, Bolsonaro continua candidato a presidente da República e nada se altera. A legislação refere-se a duas situações tocantes ao primeiro turno: morte e renúncia.

DIZ A LEI – Pelo Código Eleitoral, se o candidato falecer ou renunciar dentro do período de 60 dias antes do pleito, o partido poderá fazer a substituição até 20 dias antes do dia da eleição. Mas este prazo de 20 dias não vigora mais. A Lei 9.504/97 deferiu a substituição “após esse prazo”, o que deixa entender que a substituição poderá ser feita a qualquer tempo e gera também uma indagação: até quando?

É a Constituição Federal (CF) que estabelece a liturgia legal a ser seguida na hipótese da realização do segundo turno se, após o primeiro, ocorrer uma dessas situações: a morte, a desistência e aqui a CF inclui uma terceira circunstância, que é o “impedimento legal de candidato”.

Reza a Constituição: “Se, antes de realizado o segundo turno, ocorrer a morte, desistência ou impedimento legal de candidato, convocar-se-á, dentre os remanescentes, o de maior votação” (artigo 77, parágrafo 4º), qualificando-se o mais idoso, caso remanesçam mais de um candidato com a mesma votação (parágrafo 5º do mesmo artigo 77).

IMPEDIMENTO LEGAL – A esta altura do pleito, tem-se como “impedimento legal”, salvo circunstância(s) outra(s), a interdição do candidato, que com ela perde a sua capacidade civil e sua pessoa passa a ser regida por um curador

Caso a recuperação do candidato Jair Bolsonaro ultrapasse todos esses prazos e seja ele o eleito, como ele se elege também o seu vice, o general Mourão. Código Eleitoral: “O vice-presidente considerar-se-á eleito em virtude da eleição do presidente com o qual se candidatar” (artigo 211, parágrafo 1º).

Proclamado o resultado pelo TSE e se Bolsonaro-Mourão for a chapa vencedora ambos serão diplomados pelo Tribunal Superior Eleitoral e a Resolução nº 19766/96 do TSE permite o recebimento do diploma por procuração. Ou seja, sendo Bolsonaro o eleito e estando impossibilitado de comparecer à solenidade da entrega do diploma, poderá nomear procurador para este fim.

E A POSSE? – Já no tocante à posse, aí a situação é outra. A presença dos eleitos (presidente e vice) é indispensável, porque o ato é personalíssimo. Dispõe o artigo 78 da Constituição Federal que o presidente e o vice tomarão posse em sessão no Congresso Nacional, prestando o compromisso de manter, defender e cumprir a Constituição, observar as leis, promover o bem geral do povo brasileiro, sustentar a união, a integridade e a independência do Brasil, tal como expressamente consta na Carta da República.

Mas digamos que Bolsonaro — sendo ele o eleito — não possa comparecer à cerimônia de posse, o que acontecerá? A resposta está no parágrafo único do mesmo artigo 78 da CF: “Se, decorridos dez dias da data fixada para a posse, o Presidente ou o Vice-Presidente, salvo motivo de força maior, não tiver assumido o cargo, este será declarado vago”.

Vamos raciocinar: há no texto constitucional dois pressupostos que são, a ausência do Presidente e do Vice “por motivo de força maior” e a conjunção alternativa OU. Tem-se pois que a presença do vice é suficiente para que o cargo não seja declarado vago e o vice assume, pelo menos até quando o presidente eleito venha ter condições de prestar o compromisso e sentar-se na cadeira presidencial.

FORÇA MAIOR – A outra circunstância, neste caso em que o vice tomou posse perante o Congresso Nacional, é o “motivo de força maior” que atingiria diretamente Jair Bolsonaro, caso eleito mas ainda em tratamento para a recuperação de sua saúde plena. Que está presente “motivo de força maior” ninguém pode negar. E há de perdurar até que o eleito tenha condições para presidir o Brasil ou não tenha. Se, definitivamente, não tiver, o país será então governado pelo vice, tal como aconteceu com José Sarney.

Registre-se que esta análise é feita sem paixões políticas, sem partidarismo, sem ideologia e exclusivamente à luz dos Direitos Constitucional, Eleitoral e Civil. Nada mais além do que isso. É de se acreditar que o momento já exige a abordagem desse tema, que a mídia ainda não noticiou. E nem se está aqui defendendo a exatidão da análise nem, muito menos, a candidatura de Jair Bolsonaro. Este modesto artigo não passa de mero exercício de raciocínio diante da bestialidade e da covardia que todos nós brasileiros sofremos desde a tarde desta quinta-feira, 6 de Setembro de 2018, na cidade mineira de Juiz de Fora.

Atentado será positivo ou negativo para o candidato Jair Bolsonaro? Eis a questão.

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A facada em Bolsonaro certamente influenciará os eleitores

Carlos Newton

As próximas pesquisas estão sendo aguardadas em clima de ansiedade total, com vários candidatos à beira de um ataque de nervos. A próxima apuração do Instituto Datafolha já trará os primeiros efeitos políticos do atentado ao deputado Jair Bolsonaro, que lidera com folga a disputa.  Além disso, as novas pesquisas revelarão mais claramente o potencial de transferência de votos de Lula da Silva para o substituto Haddad.

EFEITO FACADA – O mais importante, no momento, será o efeito da facada levou Bolsonaro para a emergência hospitalar, com grave risco de perder a vida. Não se pode prever o que ocorrerá, porque o resultado tanto pode ser positivo, pela vitimização do candidato, quanto negativo, pela lição de que pregar a radicalização e a força, como Bolsonaro faz, pode acarretar uma reação contrária verdadeiramente insana.

Posso estar equivocado, mas na minha opinião o efeito será positivo para o candidato do PSL, que não poderá fazer campanha, pois a recuperação é demorada, mas dará declarações diárias à imprensa. A alta rejeição a seu nome, que é o fator mais negativo e poderia evitar sua eleição no segundo turno, pode ser reduzida devido à comoção nacional causada pelo ensandecido atentado.

ADEUS ÀS ILUSÕES – Enquanto isso, alguns concorrentes do segundo escalão já começam a se despedir da disputa, como Alvaro Dias (Podemos), Henrique Meirelles (MDB) e o resto da galera da rabeira. Dias chegou a esboçar um avanço, mas depois estacionou, enquanto Meirelles jamais foi candidato de verdade, pois o MDB nunca teve verdadeira disposição de apoiá-lo.

A bola da vez agora é Geraldo Alckmin, que vem fazendo uma campanha insossa, não consegue entusiasmar o “Centrão” e está sendo traído no atacado e no varejo, dependendo das peculiaridades da política em cada Estado.

Se Alckmin continuar empacado na próxima pesquisas do Instituto Datafolha, que será divulgada segunda-feira, e depois no levantamento da CNT/MDA, pode dar adeus às ilusões e fechar a sorveteria do picolé com chuchu.

VOTOS DE LULA – Outra grande expectativa é sobre a capacidade de Lula da Silva transferir votos. É bom lembrar que, na pesquisa espontânea de todos os institutos (“Em quem você vai votar?”, sem apresentação da lista de candidatos), Lula nunca teve mais de 20% dos votos, ficava por volta de 17% ou 18%. 

Já se sabe que uma parte desses votos não será transferida para Haddad, que precisará ter mais de 20% para chegar ao segundo turno e enfrentar Jair Bolsonaro. Na mais recente pesquisa Ibope, o substituto de Lula chegou a 6%, em viés de alta e deve continuar subindo, mas ninguém até que ponto ele vai.

Por enquanto, a eleição está sendo decidida por Bolsonaro e um tertius, a ser escolhido entre Marina Silva (Rede) e Ciro Gomes (PDT), empatados em 12 pontos, enquanto o candidato do PSL folga na frente com 22 pontos. A diferença é que Marina está empacada e Ciro aparece em viés de alta em três pesquisas seguidas.

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P.S. 1 –  Mesmo subindo nas pesquisas, a meu ver continua improvável uma vitória de Bolsonaro no primeiro turno. Posso estar enganado, mas na segunda-feira teremos uma visão mais aproximada do quadro, com o resultado do Datafolha

P.S. 2Este artigo foi publicado inadvertidamente às 7h10m, e já tinha alguns comentários quando o retirei para fazer a atualização, pois estava completamente defasado. Peço desculpas ao leitores. (C.N.)

Autor do atentado é insano e diz ter agido por motivos pessoais, a mando de Deus

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Fanático religioso, Adélio de Oliveira já teve surto psicótico

Deu na Folha

Responsável por ter esfaqueado o presidenciável Jair Bolsonaro (PSL), Adelio Bispo de Oliveira, 40, afirmou que a ação foi feita por motivos pessoais e declarou que o agrediu a mando de Deus, segundo informações da Polícia Militar. Em depoimento na delegacia, Oliveira afirmou que saiu de casa com uma faca escondida para acompanhar a comitiva, já com a ideia de utilizá-la contra o deputado.

Oliveira foi filiado ao PSOL de Uberaba (MG) de 2007 a 2014 e em julho visitou escola de tiro de Santa Catarina frequentada por dois filhos do candidato, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) e o vereador Carlos Bolsonaro (PSL-RJ).

HÁ REGISTRO – A assessora da “.38 Clube e Escola de Tiro” Julia Zanata, que é mulher de um dos donos da empresa, disse que há registro da ida de Bispo em 5 de julho deste ano.

“Ele [Adélio Bispo de Oliveira] foi uma vez. Toda vez que tu vai, tem um cadastro. Ele só foi uma vez lá, dia 5 de julho. O Eduardo Bolsonaro e Carlos Bolsonaro são associados do clube e frequentadores assíduos. Está todo mundo do clube abalado”, disse Zanata.

A “.38 Clube e Escola de Tiro” –o nome é uma referência ao calibre do revólver 38″– diz ser “referência no país em treinamento de tiro policial e combate urbano”.

DESCONEXO – Uma sobrinha de Oliveira afirmou à Folha que o tio mudou seu comportamento nos últimos três anos. Jussara Ramos disse que ele já havia tido um episódio de surto, falava palavras desconexas e ficava dias preso no quarto.  

“Foi um susto. A gente não entendeu o que aconteceu com ele. Ele mudou muito nos últimos anos, não falava coisa com coisa”, disse, por telefone.

De acordo com a sobrinha, o suspeito de esfaquear o presidenciável era missionário da igreja evangélica, não falava muito de política e a família não sabia da filiação ao PSOL. “Ele sempre foi muito discreto na questão política, nunca relatou nada em relação a isso. Ele só falava que queria um mundo melhor, é o que todo mundo quer, né?”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Em tradução simultânea, o sujeito não somente é fanático religioso, como também insano e sujeito a surtos psicóticos. (C.N.)

Radicalismo político desperta sentimentos realmente descontrolados e irracionais

Jair Bolsonaro, que já recebe visitas, faz o sinal “positivo”

Carlos Newton

Quando surgiu a primeira notícia sobre o esfaqueamento de Jair Bonsonaro, nesta quinta-feira à tarde, postei aqui uma matéria da revista IstoÉ que terminava com informação tranquilizadora de um de seus filhos, o deputado Flavio Bolsonaro (PSL-RJ), que é candidato ao Senado no Rio. Ele postou nas redes sociais que o pai sofreu o atentado em Juiz de Fora, uma estocada com faca na região do abdômen. “Graças a Deus, foi apenas superficial e ele passa bem. Peço que intensifiquem as orações por nós!”, escreveu.

Em sequência a esta informação positiva sobre o estado de saúde dele, redigi uma Nota da Redação, nos seguintes termos: “O radicalismo político desperta paixões verdadeiramente descontroladas e irracionais. Não se deve pregar a violência, como Bolsonaro fez no Acre, dizendo que ia ‘fuzilar a petralhada’. Estamos entrando uma nova era sinistra, em matéria de política”.

Em nenhum momento defendi ou justifiquei o agressor. Apenas lamentei que o candidato fizesse declarações deste nível em sua campanha, porque “o radicalismo político desperta paixões verdadeiramente descontroladas e irracionais”.

VALE O ESCRITO – O que escrevi nem foi uma opinião, foi uma simples constatação. Bolsonaro lidera com folga a eleição, não deveria continuar fazendo esse tipo de declaração pública. Em 1915, o senador Pinheiro Machado, o “condestável” da Velha República, fazia declarações assim contra os rivais dizendo que eles iriam assassiná-lo. Em entrevista ao jornalista João do Rio, disse ele: “Morro na luta. Matam-me pelas costas, são uns ‘pernas finas’. Pena que não seja no Senado, como César…”

Pois foi exatamente o que aconteceu, em 8 de setembro de 1915, quando foi apunhalado pelas costas por um cidadão chamado Manso de Paiva, que disse ter agido “por vontade própria”.

VIOLÊNCIA POLÍTICA – São abundantes os exemplos de violência causada por radicalismo político, como a morte do governador paraibano João Pessoa em 1930, a tiros; o assassinato do major Rubens Vaz, em 1954, também a tiros; e a morte do senador José Kairala em 1963, atingido por uma bala perdida de Arnon de Mello (pai de Fernando Collor), que atirou em Silvestre Péricles no plenário do Senado, atingiu o parlamentar acreano, que era suplente de José Guiomard e no dia seguinte deixaria o mandato.

Os senadores alagoanos Arnon de Mello e Silvestre Perícles foram presos em flagrante. Mesmo tendo o homicídio ocorrido perante testemunhas, ficaram presos pouco tempo e foram inocentados pelo Tribunal do Júri de Brasília.

Na política estadual e municipal, a violência é ainda mais comum. Em 1993, o então governador paraibano Ronaldo Cunha Lima atirou à queima-roupa no ex-governador Tarcísio Buriti, num restaurante. Os tiros atingiram a boca e o tórax de Buriti, que sobreviveu ao atentado. Cunha Lima foi processado, tinha foro especial e o Supremo jamais o condenou. Isto é Brasil.

BOLSONARO – Quanto ao candidato Bolsonaro, devo confessar que nem de longe o considero o pior candidato. Apoio muitas teses dele, como o maior rigor no combate aos criminosos, sem benefícios de redução de pena. Sou favorável à ordem para o policial alvejar quem estiver portando fuzil. E defendo ardorosamente o direito de cada homem de bem possuir armas, como ocorre na Suíça, que tem a população mais armada do mundo.

E vou além. Dependendo de quem ficar contra ele no segundo turno, posso até votar nele. Com tenho escrito aqui, não há nada tão perto do comunismo democrático do que a carreira militar, que defende a ordem, a meritocracia, a disciplina, a garantia de assistência médica e educação gratuita para todos, a igualdade de oportunidades e a redução das desigualdades sociais. Pensem nisso, pois o comunismo moderno pode ser praticado em ordem unida, pela força do voto.

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P.S. 1 –
Quanto aos fanáticos que defendem aqui no blog a morte dos comunistas, tenho pena de vocês, não sabem o que estão dizendo.

P.S. 2 – Daqui a pouco escreverei sobre o significado eleitoral do atentado ao candidato do PSL. (C.N.)

“Quando é que vamos parar de falar de Lula?” – pergunta o novo presidente do STJ

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Noronha diz que até dezembro o STJ julga recursos de Lula 

Bernardo Bittar
Correio Braziliense

O ministro João Otávio de Noronha, presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), criticou o parecer de dois integrantes do comitê da Organização das Nações Unidas (ONU) que trata sobre a candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). “O Judiciário não pode se curvar. Não somos uma colônia. Quem julga os processos que envolvem o povo brasileiro é a Corte do Brasil”, afirmou ontem, durante café da manhã com jornalistas. O documento do comitê da ONU, emitido a pedido do PT, diz que o país deve respeitar o direito de Lula — preso por corrupção passiva e lavagem de dinheiro — de se candidatar novamente à Presidência da República.

Além de reprovar a tentativa de interferência das Nações Unidas nas eleições brasileiras, Noronha disse que a discussão sobre a candidatura do petista tem tomado o espaço que poderia ser destinado ao debate de propostas para o pleito.

NOVA AGENDA – “Quando é que vamos parar de falar de Lula? Precisamos começar a falar da retomada do país. Precisamos reassumir uma nova agenda”, frisou. O ministro ressaltou que não julga processos pela capa, mas que deve dar celeridade aos eventuais recursos sobre o ex-presidente que chegarem ao STJ.

“A expectativa é de que as questões envolvendo o ex-presidente Lula sejam julgadas até dezembro. Esse tipo de processo deverá ser analisado pelo ministro Félix Fischer (relator da Lava-Jato no tribunal), que mantém rigorosamente os prazos dos processos em seu gabinete”, apontou. O presidente do STJ negou que houvesse algum tipo de competição em torno de casos polêmicos, que dão publicidade a quem os julga. “

Juiz tem que falar pelos autos”, disse, antes de assumir que existe briga de egos e politização entre magistrados brasileiros.

AUMENTO SALARIAL – Questionado sobre o orçamento do Judiciário, que deve ser impactado pelo aumento de 16,3%, o ministro previu dificuldade de realocar verbas para o pagamento do reajuste. Ele disse, porém, que vai cumprir a lei, mas terá de pensar como fazê-lo sem criar um passivo. “A inadimplência não fica bem para a Justiça.”

A remuneração de um ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) é de R$ 33,7 mil. Com o aumento, passa a ser R$ 39,2 mil. O acréscimo terá impacto nos contracheques dos magistrados de todo o país, cujos vencimentos são calculados proporcionalmente ao dos ministros da Suprema Corte.

REFORMA – A reforma do Judiciário foi tratada por Noronha como algo palpável, necessária para o bom funcionamento da instituição. “Precisamos redefinir o papel e a competência do STF, do STJ, do TST (Tribunal Superior do Trabalho). Precisamos reavaliar como colocaremos a Justiça para funcionar de maneira mais eficiente.”

As ideias do ministro, entretanto, não devem aumentar os gastos do já oneroso sistema judiciário. “Temos de colocar as pessoas no lugar certo. Aumentar a produtividade sem fazer concurso. Um monte de juiz e de servidor está nos lugares errados. Precisamos parar de crescer”, ponderou. Para ele, houve no passado uma expansão, com instalação de varas federais em lugares onde não havia demanda para isso. A única maneira de realizar esses feitos, defendeu, é pelo desenvolvimento de um trabalho meticuloso, em equipe. O mandato dele dura até 2020.

TRF da 4ª Região remete processo de Lula ao exame do Superior Tribunal de Justiça

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Maria de Fátima Labarrère aceitou o recurso da defesa

José Carlos Werneck

O Tribunal Regional Federal da 4.ª Região, em Porto Alegre, enviou nesta quinta-feira ao Superior Tribunal de Justiça o processo do triplex do Guarujá , em que o ex-presidente Lula recorre contra a sentença que o condenou a 12 anos e um mês de prisão.

A remessa do processo ao STJ, em Brasília, foi determinada pela vice-presidente do TRF-4, desembargadora federal Maria de Fátima Freitas Labarrère. Ela havia suspendido o envio dos autos em 20 de julho, depois de pedido de reconsideração feito pelos advogados do ex-presidente.

CANCELAMENTO – Os advogados pediram para cancelar a remessa do processo ao STJ, determinada inicialmente por ela em 29 de junho, após julgamento de outro recurso. “Tendo em vista que não é de interesse do recorrente a remessa de cópia do presente processo à Corte Superior, reconsidero a decisão”, entendeu, à época a desembargadora.

A remessa dos autos 5046512-94.2016.4.04.7000, que trata do processo do triplex do Guarujá, foi efetivada às 12h11 desta quinta-feira, segundo consta do processo eletrônico do TRF-4. A decisão de envio saiu no dia 21 de agosto, assinada eletronicamente pela desembargadora.

O ex-presidente foi condenado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro nesse processo em 24 de janeiro.

UNANIMIDADE – Os desembargadores da 8.ª Turma Penal do TRF-4, a segunda instância da Lava Jato de Curitiba, o condenaram por unanimidade e ele foi preso no dia 7 de abril e encontra-se em uma cela especial na sede da Polícia Federal, em Curitiba. Seus advogados recorreram da condenação e em 22 de junho a vice-presidente do TRF-4 aceitou o recurso especial para ser analisado pelo STJ e negou admissibilidade ao recurso extraordinário, que seria analisado pelo Supremo.

A desembargadora deferiu uma das contestações da defesa no pedido de admissibilidade do recurso especial, a que alegava que foi atribuída a Lula responsabilidade de reparar a totalidade dos valores indevidos que teriam sido dirigidos ao PT. Conforme os advogados, estaria sendo pedida uma indenização maior que os limites imputados ao próprio réu.

Em decorrência dessa condenação, confirmada em segundo grau em órgão colegiado, Lula teve o registro de sua candidatura à Presidência negado no Tribunal Superior Eleitoral, no último dia 31, por estar inelegível, como determina a Lei da Ficha Limpa.

 

Próximas horas de Jair Bolsonaro serão de luta contra infecção no intestino

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Jair Bolsonaro ficará internado durante 15 dias, pelo menos

Thuany Motta

Jair Bolsonaro, candidato à Presidência pelo Partido Social Liberal (PSL), não será transferido para o hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, nesta quinta-feira (6). O líder nas pesquisas para a presidência realizou cirurgia de emergência na Santa Casa de Juiz de Fora, onde foi esfaqueado durante campanha nesta tarde.

A situação de Bolsonaro inspira cuidados. Quem acompanhou o deputado de perto diz que ele entrou muito mal no hospital. Ele foi atacado por um homem com uma faca de cozinha, que atingiu o seu intestino.

As últimas informações apontam que Bolsonaro ainda corre risco de sepse (infecção). A sua idade, 63 anos, torna o quadro ainda mais grave.

ILEOSTOMIA – Bolsonaro saiu da sala de cirurgia com ileostomia, processo no qual se exterioriza o cólon na parede abdominal, formando um novo trajeto e local para a saída das fezes.

Após o procedimento, o paciente utiliza uma bolsa especial para que suas fezes sejam coletadas.

Mais cedo, durante a operação, os médicos contiveram uma hemorragia e realizaram uma transfusão de sangue em Bolsonaro.

REGIÃO DELICADA – De acordo com a médica Hilma Nogueira, coloproctologista do Hospital Madre Teresa, esse tipo de ferimento é perigoso.

“O grande problema é que, quando os intestinos delgado ou grosso são rompidos, as fezes são espalhadas para dentro do abdome, podendo causar infecção no organismo”, afirma.

Hilma explica o processo cirúrgico nessas situações. “Limpamos todo o local, até não ter mais a presença das fezes. Em seguida, costuramos o corte e desviamos o caminho das fezes para uma bolsa, que serve com intestino. O paciente costuma usar a bolsa por dois ou três meses”, diz.

Segundo a coloproctologista, se não houver complicações, a recuperação não é demorada. “Ele deve levar até quinze dias para ser liberado do hospital e mais 15 dias para que possa voltar aos compromissos de campanha”, pontua.

Advogados de Lula e do PT enfim estão esgotando suas últimas cartadas

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Charge do Paixão (Gazeta do Povo)

Merval Pereira
O Globo

A realidade deve se impor nos próximos dias e a máquina propagandística do PT terá que carregar Haddad ao segundo turno. Por enquanto, essa confusão toda não o tem beneficiado. Ele cresceu dentro da margem de erro na pesquisa do Ibope divulgada ontem, e Ciro é quem mais ganhou o espólio do lulismo órfão de seu líder. Com isso, empatou com Marina, enquanto Alckmin moveu-se pouco, dentro da margem de erro. Marina manteve sua posição, mas foi a única que não cresceu, o que acende uma luz amarela.

O dado importante é que a rejeição a Bolsonaro aumentou muito, desafiando as avaliações técnicas de que um candidato com 40% ou mais de rejeição não se elege. Bolsonaro está bem acima dessa marca, e crescendo. Pode significar que suas chances de vencer no segundo turno estão diminuindo.

GOLPE JUDICIAL – Uma estranha sensação de tentativa de golpe judicial ficou no ar com a sucessão de recursos que a defesa do ex-presidente Lula fez nas últimas 24 horas contra a sua inelegibilidade decretada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), baseados na tese de que a recomendação do Comitê de Direitos Humanos da ONU tem que ser obedecida, dando a Lula o direito de concorrer à presidência da República mesmo preso em Curitiba.

Os advogados de defesa foram ardilosos ao encaminhar o recurso de tal maneira que ele caiu automaticamente com o ministro responsável (prevento) da Lava Jato, Edson Fachin. Isso porque ele foi o único voto favorável à tese da defesa, surpreendendo seus colegas de tribunal no TSE.

 

FACHIN NEGOU – Como é impensável que o voto e o recurso estivessem previamente combinados entre as partes, a artimanha não teve efeito, porque o ministro Edson Fachin simplesmente encontrou outros argumentos e mandou arquivar o pedido de Lula, sem entrar no mérito.

Há também a decisão do plenário do TSE, na mesma sessão, de que candidato impugnado não está sub judice e, portanto, recursos apresentados depois da negativa do registro da candidatura não significam a liberação do condenado para concorrer enquanto aguarda as decisões do TSE ou do STF, como acontecia anteriormente, dando margem a muita incerteza jurídica.

FORA DA URNA – Na mesma decisão, o TSE determinou que o nome e a foto de Lula não podem aparecer nas urnas eletrônicas na eleição de outubro, e o prazo para apresentar o candidato substituto foi reduzido. Pela legislação eleitoral, os partidos têm até o dia 17 deste mês para mudar a chapa. O PT recebeu dez dias de prazo para indicar seu candidato a presidente.

A disputa interna no PT para definir a estratégia nesses próximos dias, até o dia 11, está mais acirrada do que se pensa. Por incrível que pareça, há quem defenda o boicote às eleições presidenciais. Isso porque o prazo do PT, que podia ir até além do dia 17 com esses recursos infindáveis, até conseguir colocar seu nome na urna eletrônica a partir do dia 20, encurtou-se tremendamente.

SEM CHANCE – O STF já rejeitou habeas corpus e liminares, e é de quase zero a chance de a maioria do plenário mudar de posição. A única chance de Lula deixar de ser ficha-suja, além de uma improvável liminar com base no Comitê dos Direitos Humanos da ONU – que o novo presidente do Superior Tribunal (STJ) João Otávio de Noronha classificou de “absurdo” e “opinião de pareceristas” -,   é que o julgamento do TRF-4 seja anulado, o que também é improvável.

Esses recursos são a última cartada de Lula. Ou melhor dizendo, devem ser a última cartada. Do jeito que as coisas vão, é sempre arriscado acreditar na letra fria da legislação.