Pagot tem razão, não há corrupção nos Transportes. A presidente Dilma então precisa anular a demissão da quadrilha e do ex-ministro Alfredo Nascimento.

Carlos Newton

O Brasil é um país muito estranho. A presidente da República manda demitir a cúpula do Ministério dos Transportes, formada por Luiz Antônio Pagot, Mauro Barbosa, Luiz Tito Bonvini e José Francisco das Neves, o Juquinha, muito ligado ao deputado federal Valdemar Costa Neto (PR-SP), que em 2005 renunciou ao mandato para escapar da cassação por causa de envolvimento no mensalão, configurando um caso de reincidência específica em corrupção. Em seguida, o próprio ministro Alfredo Nascimento foi demitido. 

Um dos executivos afastados, Luiz Antonio Pagot, diretor do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), se recusou a obedecer à ordem da presidente da República e entrou de férias. Logo insinuou que recebia ordens do governo para aditar contratos e praticar outras irregularidades, através do então ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, e até se ofereceu para depor no Congresso.

Diante dos parlamentares, porém, mudou tudo e fez uma ardorosa defesa do Ministério e do DNIT, garantindo que lá não existe corrupção. Seu padrinho e protetor, o senador Blairo Maggi, imediatamente saiu na defesa dele e propôs que Pagot permaneça no cargo, era só o que faltava.

Mas se é assim, por que a presidente Dilma não confessa que cometeu um gravíssimo erro, ao denegrir a imagem de um ministro, quatro executivos e um deputado federal. Em seguida, deve reconduzir a quadrilha toda, incluindo o verdadeiro chefe, deputado Valdemar Costa Neto, que tinha até sala privativa no Ministério para “despachar” mais à vontade.

A presidente precisa também determinar à Polícia Federal que interrompa os 74 inquéritos em andamento. Da mesma fora, acionar a Controladoria-Geral da União para que cancele suas investigações e destitua imediatamente a comissão recém-instaurada para a fazer uma sindicância patrimonial e apurar as denúncias de enriquecimento ilícito de Mauro Barbosa, ex-chefe de gabinete do ex-ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento – um dos primeiros demitidos na crise do setor, desencadeada no fim de semana passado. Mauro Barbosa está construindo uma mansão de 1,4 mil m² no Lago Sul, bairro nobre de Brasília, avaliada em mais de R$ 5 milhões.

Mauro Barbosa, que por coincidência é funcionário de carreira da CGU (analista de finanças e controle, está afastado do órgão há mais de sete anos), tão logo deixou seu cargo no Ministério dos Transportes tratou de entrar de férias por 30 dias. Ele comunicou sua decisão à Controladoria, a exemplo do que fez o diretor-geral do Dnit, Luiz Antônio Pagot.

Primeiro, ele foi cedido para a Câmara dos Deputados e, em seguida, para o Dnit e depois, finalmente, para o Ministério dos Transportes. Assim que terminarem as suas férias, ele deverá se reapresentar à CGU.

Pela legislação, seu chefe imediato poderá afastá-lo por até 120 dias, sem prejuízo financeiro, mas somente depois que se passarem os primeiros 30 dias e a sindicância estiver bem encaminhada é que a CGU tomará uma decisão em relação ao seu destino. O afastamento normalmente só ocorre em caso de o funcionário atrapalhar a investigações.

Segundo a CGU, no Ministério dos Transportes há pelo menos mais 150 processos admistrativos disciplinares em andamento. Há ainda mais 18 instaurados pela Controladoria, todos  também em andamento. É tudo uma  brutal perda de tempo, pois como diz Pagot, não há corrupção no Ministério dos Transportes.

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