País tem quase 8 milhões de desempregados

Pedro do Coutto

Matéria da repórter Sjeila Damorim, Folha de São Paulo de 8 de Janeiro, com base em dados do próprio FGTS, portanto da Caixa Econômica Federal, revela que no final de 2009, 7 milhões e 700 mil pessoas recebiam seguro desemprego. Escala bastante alta, inclusive levando-se em conta que o número de desempregados urbanos e rurais é maior do que aquele patamar, pois temos que considerar que nem todos os que perderam seus postos conseguiram, por diversos motivos, acesso ao seguro social. O total, por outro lado, coincide com os dados do IBGE sobre o desemprego. Para uma população de 195 milhões, a mão de obra ativa atinge a metade. Quase 100 milhões de homens e mulheres, portanto. Logo, a parcela de 8 milhões representa praticamente 7,7% da força de trabalho. Os cálculos batem e assinalam a realidade social brasileira. No ano passado, houve a abertura de 1 milhão e 400 mil empregos com carteira assinada. Mas a divulgação feita não revela nitidamente se este é o saldo (emprego menos demissões), ou se representa um superávit. Nesta hipótese, o número de admissões tem que haver atingido 2,6 milhões, já que o número de dispensas por ano mantém-se estável na casa de 1 milhão e 200 mil. Os saques nas contas do FGTS acentuam a realidade. Eles só ocorrem nos casos de dispensas sem justa causa e aposentadorias. Sheila Damorim ressalta que as despesas com o seguro desemprego adicionado ao valor dos saques por dispensa ao atingir 19,5 bilhões de reais foram 22% maiores que os desembolsos de 2008. Em contrapartida, a receita do FGTS evoluiu 5% no mesmo período.

Logo a retomada dos postos de trabalho, ao longo dos últimos doze meses, ainda não conseguiu repor o montante dos saques. Por isso, o FAT, Fundo de Assistência ao Trabalhador, operou com deficite de 1 bilhão e 800 milhões no exercício passado. O reemprego avançou nos últimos meses, mas ainda não conseguiu recompor os recursos financeiros levantados pelas demissões relativas aos últimos anos. A população brasileira –aí uma face da questão social- cresce à velocidade de 1,3% a/a, segundo o IBGE. Assim, a cada doze meses nascem cerca de 2 milhões de pessoas no país. Como o mercado de trabalho representa a metade da população, verifica-se a necessidade de, a cada ano, serem criados ou reconquistados pelo menos um milhão de empregos. Para empatar. Divide-se o resultado da taxa demográfica por 2, já que a mão obra ativa representa metade da população. Isso de um lado. De outro, para que haja uma valorização dos salários é necessário que a demanda de emprego seja menor do que a oferta de trabalho.Este fator positivo só se consegue com o desenvolvimento econômico, de maneira que proporcione a necessidade de absorção maciça de mão de obra. Para isso, também, há necessidade de investimentos em pontos essenciais, como o da energia elétrica, capazes de garantir um forte efeito reprodutivo na economia.

É fácil cotejar os números, partindo-se do princípio que a receita do FGTS atingiu 47,3 bilhões no ano passado. Como o FGTS é formado pela contribuição de 8% sobre as folhas de salário, contribuição patronal, para se ter uma idéia da massa salarial total, multiplicava-se 47,3bilhões por 12,5 vozes. Vai dar algo em torno de 600 bilhões. Some-se os vencimentos dos funcionários públicos. Vamos chegar a mais 100 bilhões. Para se pesquisar com exatidão o mercado de empregos, basta conferir as receitas anuais do FGTS. E comparar seu crescimento com o da população. Sai o retrato do quadro social brasileiro.

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