Palocci caiu na boca do povo, virou piada. É um fenômeno em termos de consultoria de economia e finanças, porém não tem mais prestígio ou credibilidade para ser homem público.

Carlos Newton

Na internet, há vários dias circula a “Corrente do Palocci”, em que ele aparece como se fosse um Buda. A mensagem avisa que, se você não quebrar a corrente e repassar a mensagem para 20 amigos, fica rico mais facilmente do que o ministro. Realmente hilário.

Agora, passou a circular na web mais uma piada, que nos foi enviada pelo advogado José Carlos Werneck, colaborador da Tribuna em Brasília. Diz o seguinte: “Segundo fontes seguríssimas, o banqueiro Horácio Cortez, personagem do ator Herson Capri, na novela “Insensato Coração”, após assistir a entrevista do ministro, resolveu fazer uma proposta milionária para que Pallocci ocupe uma importante diretoria do Banco Andrade Cortez, convencido de que o ainda chefe da Casa Civil é uma fera em matéria de finanças”.

Brincadeiras à parte, o fato é que Palocci não tem a menor condição de continuar no governo. Basta revermos com atenção as explicações do advogado José Roberto Batochio na entrevista à TV Globo, que foram repetidas por Palocci como se fosse um boneco de ventríloco. (Aliás, nessa história toda, Batochio é o único que vai se sair bem, pois está levando boa parte da fortuna acumulada pelo ministro dublê de “consultor empresarial”).

Como todos sabem, o “Jornal Nacional” divulgou apenas uma pequena parte da entrevista ao repórter Julio Mosquera. A íntegra foi exibida pela GloboNews. É preciso reconhecer que o jornalista fez um trabalho perfeito. Estava muito preparado, dominando inteiramente o assunto. Fez todas as perguntas possíveis e imagináveis, usou ao máximo as informações disponíveis, inclusive citou possíveis “clientes”, colocando o ministro em apuros. E sem agressividade, contestou algumas alegações de Palocci, demolindo-as com competência invulgar.

A mais curiosa explicação de Palocci foi sobre o faturamento de R$ 20 milhões no ano eleitoral, justamente quando ele estava por demais assoberbado: primeiro, como coordenador da campanha de Dilma Rousseff: depois, como chefe da chamada “transição de governo”. Vejamos o que alegou:

“Os valores podem ser aproximados, eu não tenho eles nesse momento. Mas o que ocorre é que, no mês de dezembro, eu encerrei as atividades da empresa, dado que ia assumir um cargo na Casa Civil, no governo federal. Eu promovi um encerramento das atividades todas de consultoria da empresa, todos os contratos que eu tinha há dois anos, há cinco anos, há três anos, foram encerrados e eles foram quitados”, disse.

“Ou seja, aqueles serviços prestados até aquele momento foram pagos nesse momento. Por isso que há uma arrecadação maior nesse final de ano, mas são contratos de serviços prestados”, acrescentou o ministro.

Parece incrível que Palocci tenha afirmado isso. Todos sabem que, quando há um contrato entre uma empresa e uma prestadora de serviços (no caso, “consultoria”), sempre que ocorre um fato imprevisto e o serviço tem que deixar de ser prestado, a empresa simplesmente declara o contrato extinto e não faz mais pagamentos. Com Palocci, porém foi diferente: todos os clientes decidiram espontaneamente pagar pelos serviços que jamais seriam prestados. É realmente um consultor muito especial, digamos assim.

Se Palocci pensou que essa entrevista iria passar algum alvejante mágico em sua imagem encardida, está totalmente equivocado. A gravação serviu apenas para mostrar que o chefe da Casa Civil não consegue explicar nada, suas alegações beiram ao ridículo, justificando as piadas que já circulam sobre ele.

Ficou mais do que patente que Palocci não conseguirá convencer o Ministério Público Federal, que requisitou à empresa de consultoria Projeto e à Receita Federal a entrega de documentos que possam comprovar quais são os clientes da empresa e os pagamentos recebidos.

A Projeto e a Receita agora têm até o próximo dia 16 para entregar a resposta aos ofícios encaminhados pelo procurador da República no Distrito Federal Paulo José Rocha Júnior, que abriu em Brasília uma investigação preliminar sobre o enriquecimento de Palocci.

Rocha Júnior cobrou da Projeto os seguintes documentos: escrituração contábil, contratos de prestação de serviços e possíveis aditivos, e comprovantes da prestação de serviços feitos, incluindo cópias de pareceres, atas das reuniões e atestados de recebimento.

Da Receita, a Procuradoria cobrou cópias da declaração de Imposto de Renda da consultoria Projeto desde sua criação, em 2006. Segundo a Receita, o pedido será “respondido na forma da lei”, sem esclarecer se entregará ou não os documentos requisitados.

Por sua vez, a Procuradoria-Geral da República informou que não divulgará o conteúdo das explicações já enviadas por Palocci. Sabe-se apenas que o procurador geral da República, Roberto Gurgel, pediu que o ministro se manifestasse sobre quatro representações protocoladas por partidos de oposição.

Se entender que as explicações não foram suficientes, Gurgel poderá então determinar a abertura de mais uma investigação sobre Palocci, que precisa sair do governo o mais rápido possível, antes que essas investigações e os consequentes processos judiciais se compliquem, e o advogado leve todo o dinheiro que restou ao ministro-consultor.

Já ia esquecendo: a Veja traz novidades sobre Palocci: o apartamento em que ele mora há tempos (não o novo, recém-comprado por R$ 6,6 mil em duas parcelas) pertence a uma empresa de fachada e está em nome de dois laranjas.

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