Palocci, demitido desprezivelmente, reabilitado surpreendentemente, apanhado em flagrante de corrupção, se “defende” com denúncias “dos que fizeram o mesmo que eu”.

Helio Fernandes

Neste país de escândalos permanentes, nenhum tão grande quanto o do ex-ministro da Fazenda elevado à condição de chefe da Casa Civil, o cargo mais importante do governo. Já comparei Palocci com Strauss-Kahn. O francês estuprou a camareira, Palocci estuprou tudo que é mais caro e mais digno na vida pública.

Fica repetido tudo o que eu disse, incluindo agora, a “sua” defesa, atacando outros “que fizeram o mesmo que eu fiz”. Covardemente cita vários nomes, mas não revela o que é mais importante de tudo. Ele é CONSULTOR de quê? Quais são os clientes? Por que não responde o que coloquei, logo que o escândalo foi revelado: por que anos depois de deixar o Ministério da Fazenda é que começou a “consultoria”?

Impressionante “a qualidade e a quantidade” de ações criminosas, que ultrapassam o que ele chama de “consultoria”, mas que na verdade é “lobismo” puro e simples, praticado e confessado. E “lobismo” é crime no Brasil, como foi nos EUA durante dezenas de anos.

Os que praticavam essa irregularidade, defendiam interesses colossais, mas não podiam ser vistos em publico, principalmente em locais isolados, Daí se encontravam onde havia muita gente, principalmente em “lobbies” de hotéis, daí a denominação. Legalizado, os “lobistas” hoje são poderosos e principalmente indispensáveis.

Agora vejamos os que defendem primorosamente e portentosamente o chefe da Casa Civil. Primeiro, a  presidente Dona Dilma: “Essa denuncia é absurda, o caso está encerrado”. A presidente chamava como “encerrado”, apenas a conversa com o desprezível ministro que ela conhece como ninguém?

Dona Dilma já devia ter percebido o desgaste a que será submetida, i-n-q-u-e-s-t-i-o-n-a-v-e-l-m-e-n-t-e, com esse caso que está longe de ser encerrado. Se tivesse demitido o ministro, marcaria pontos fortíssimos, hoje e amanhã.

Procurador-Geral da República, Roberto Gurgel foi o mais duvidoso, reticente, melífluo e resumido, por razão mais do que visível. Homem seriíssimo, foi quem colocou em público a palavra “contaminado”, para definir o que ACONTECIA em Brasília. Não podia se manifestar, a questão chegará ao Supremo, terá que se pronunciar, não podia fazê-lo agora. Foi exemplar e elucidativo, em três palavras: “Merece olhar cuidadoso”.

Sepúlveda Pertence, da Comissão de Ética do Planalto, seriíssimo, jamais acusado de qualquer coisa, obrigado a defender o ministro provavelmente corrupto: “Meu cargo é para avaliar a atuação de membros do governo, depois que assumiram, antes não me interessa”. Bestial, pá.

Apenas um exemplo para interpretar o que aconteceu com Palocci; digamos que Fernandinho Beira-Mar um dia seja libertado, afinal está preso há quanto tempo. E como tem acontecido neste país maravilhoso, seja nomeado para qualquer cargo importante.

Chamado a opinar, o ético, insuspeito e coerente Sepúlveda Pertence, diria com total isenção: “Não me interessa o seu passado, só a partir de agora”. A diferença entre Palocci e Beira-Mar é que o primeiro não foi preso, reabilitado totalmente. E em liberdade não vigiada, sem qualquer rastreador no tornozelo.

O líder do governo na Camara, Candido Vaccarezza, falando sobre o Código Florestal, interrompeu e disse: “Desculpem, por um minuto, tenho que dizer que essa acusação contra o ministro Palocci é toda inventada, caso encerrado”. Todos dizem a mesma coisa, sem imaginação, falam em “caso encerrado”.

No Senado, Romero Jucá, líder eterno e eterno acusado de irregularidades, declarou: “O ministro Palocci é insuspeito, está sendo vítima de PERSEGUIÇÃO POLÍTICA”. Ha!Ha!Ha! Romero Jucá está confundido Palocci com o “caseiro” Francenildo, este sim que perdeu a vida, por causa da perseguição, precisamente praticada por Palocci.

Julgado pelo Supremo, “sensibilizado por pressões vindas “do alto”. Ministros consideravam que o pedido de absolver Palocci era uma concessão absurda. Mas concordaram em “absolvê-lo” por 5 a 4. O próprio ex, atual e futuro ex-ministro se julgou CONDENADO, o que era análise perfeita.

A Folha (que denunciou “o enriquecimento”) e O Globo (que deu cobertura desde o início) não foram profissionais ao tratar da “defesa” de Palocci. O ministro citou 10 nomes “que fizeram o que eu fiz”.

Na Primeira, a Folha dá os nomes apenas de dois dos citados por Palocci, protege os amigos, que só “aparecem” lá dentro. O Globo, também leal aos muitos amigos incomparáveis, na Primeira relata apenas quatro, os outros ficam escondidos. Nenhum dos jornais falou de Meirelles, compreensível.

*** 

PS – Os próprios jornais estabelecem a visibilidade da Primeira e das outras, na Tabela de Publicidade. Diferença enorme.

PS2 – O caso está longe de ser encerrado. Palocci está periclitante, que palavra. Se não resistir (apesar da oposição ser fraquíssima), Lula já concordou. O substituto tem que ser Gilberto Carvalho: ocupa o segundo cargo do Planalto, será promovido para o primeiro e mais importante.

This entry was posted in Sem categoria. Bookmark the permalink.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *